Pictorialismo e Fotografia Moderna - SOL -...

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Pictorialismo e

Fotografia Moderna

Prof. Ms. Déborah Rodrigues Borges

Fotografia: entre o documento e a arte

“Características da imagem fotográfica, como baixo custo, rapidez,

reprodutibilidade, fidelidade fizeram com que ela fosse adotada pela

sociedade ocidental como forma de documentação do cotidiano desde os seus

primórdios no século XIX. (...) Esse caráter documental, de representação fiel

da realidade fez com que por muito tempo a fotografia fosse afastada de seu

caráter artístico, com o argumento de que ela não passava de um processo

mecânico, onde o artista não expunha sua inventividade”.

Paul Périer, vice-presidente da Sociedade Francesa de Fotografia, divide os

fotógrafos, na segunda metade do século XIX, entre fotógrafos-artistas e

fotógrafos industriais.

Pictorialismo: a relação da fotografia com as

artes

O movimento pictorialista eclodiu na França, na Inglaterra e nos Estados

Unidos a partir da década de 1890, congregando os fotógrafos que

ambicionavam produzir aquilo que consideravam como fotografia artística,

capaz de conferir aos seus praticantes o mesmo prestígio e respeito

grangeado pelos praticantes dos processos artísticos convencionais.

“O pictorialismo surge a partir da união de fotógrafos-artistas para mostrarem

uma fotografia que vai além da técnica, que mostre subjetividade, valorize o

ato fotográfico e se desvencilhe do caráter documental que lhe era atribuído

até então. Os adeptos do pictorialismo propunham uma intervenção na

fotografia por meio de inúmeros processos, reivindicando ‘o reconhecimento

da fotografia enquanto imagem artística, com o mesmo estatuto da pintura’”

Início do Pictorialismo na Europa

• Surgimento das primeiras associações de fotógrafos: Photographic

Society of London (1853) e a Société Française de Photographie

(1885). Inspiradas nas academias de artes, essas associações

realizavam exposições, ditavam padrões estéticos e encorajavam a

apresentação pública das imagens. Nesse momento a fotografia e

seu estatuto artístico é destinada basicamente aos fotógrafos

amadores.

Técnicas de impressão e retoques

Várias técnicas de impressão e retoque surgiram no século

XIX para sanar a inquietação de diversos fotógrafos que

priorizavam a dimensão mais subjetiva da fotografia.

Alguns desses processos foram a cianotipia, a goma

bicromatada, o bromóleo, entre outros.

Cianotipia

A cianotipia foi um dos primeiros processos de impressão fotográfica em papel.

Foi descoberta por Sir John Herschel, notável cientista, cuja atividade principal

era a astronomia, tendo feito diversos achados neste campo. Além disso, fez

pesquisas relevantes na fotografia e, segundo autores abalizados, deve-se a ele

também a descoberta do hipossulfito como agente fixador.

A cianotipia tem este nome porque as imagens assim produzidas apresentam-se

em azul. Isto acontece pelo fato de se basear em sais de ferro e não prata.

Também é conhecida como ferroprussiato ou "Blueprint".

Não é um processo para produzir negativos, mas cópias em papel.A emulsão é

muito lenta, mais ou menos da ordem de 0.0005 ISO. Por causa disso, é

impraticável ampliar negativos sobre papel ao ferroprussiato. A cópia é obtida

por contato, numa prensa especialmente construída, embaixo de uma luz rica

em UV, podendo ser a própria luz do sol. Nesse caso, a impressão pode demorar

de 15 a 45 minutos, dependendo da densidade do negativo. Após o tempo de

exposição, a folha de papel é lavada em água corrente por alguns minutos e, ao

secar, a imagem adquire tons azuis bem saturados.

Carl Curman. Cianótipo. Granada, Espanha.

Carl Curman. Cianótipo. Ronda, Espanha.

Carl Curman. Cianótipo. Espanha.

Bromóleo

Esse processo consiste basicamente no branqueamento de

fotografias em papel de brometo e seu posterior revestimento

com um pigmento oleoso e produz um acabamento com textura

semelhante ao da pintura a óleo. Surge na Inglaterra em 1907,

gozando de grande sucesso entre os fotógrafos pictorialistas até

a década de 1920.

Robert Demachy. Bromóleo.

Edward Steichen. Bromóleo.

Alvin Langdon Coburn. Bromóleo.

Gertrude Käsebier. Bromóleo.

Alfred Stieglitz. Bromóleo.

George Seeley y Hugo Henneberg. Bromóleo.

Goma Bicromatada

Surgido em 1894, foi um dos processos mais apreciados pelos fotógrafos

pictorialistas, a partir da última década do século passado, permanecendo em

voga até a década de 1920, em virtude de possibilitar o uso da cor, um grande

controle da formação da imagem e por gerar imagens cujo acabamento podia

evocar tanto o aspecto de uma gravura ou de um desenho a carvão ou em pastel.

Os papéis de goma bicromatada, que deviam ser artesanalmente produzidos pelo

próprio fotógrafo, eram recobertos por uma camada de goma bicromatada -

composta pela mistura de goma arábica e de dicromato de potássio - na qual

podiam ser adicionados pigmentos de qualquer cor a escolha do fotógrafo.

Jandora B. Jakobson. Goma bicromatada.

Jandora B. Jakobson. Goma bicromatada.

L. E. R Achutti. Goma bicromatada.

Correntes artísticas do Pictorialismo

• Corrente de Oscar Rejlander, da década de 1850: utilizava a câmera como

mecanismo de expressão, mostrando que o fotógrafo também dispunha de

poder de representação, e que era possível usufruir da fotografia como

linguagem.

• Corrente de Henry Peach Robinson, que também utilizou fotomontagens em

suas produções, mas ao contrário de Rejlander, buscava dar um caráter

realístico às imagens.

• Corrente influenciada pela pintura impressionista: apresentava

características como foco suave

Dois modos de vida. Oscar Rejlander.

Fading Away. Henry Peach Robinson.

Peter Henry Emerson. Ricking the Reed. 1886

Photo-Secession

O Photo-Secession foi um movimento fotográfico conduzido por Edward

Steichen e Alfred Stieglitz, que se iniciou em 1902 e durou até 1916,

aproximadamente – estabeleceu o direito da fotografia ser considerada

uma das belas-artes. Através de suas fotografias e suas apresentações em

concursos e exibições, os Secessionistas demonstraram conclusivamente

que era necessário diferenciar a fotografia como informação visual da

fotografia como expressão visual. O tema, por si só, não faz da fotografia

uma arte; usada como uma forma de compreensão estética, ela poderia ser

um meio expressivo.

Os fotossecessionistas defendem a fotografia sem retoques ou manipulação

nos negativos e nas cópias, em reação ao pictorialismo. Muitas vezes, os

fotógrafos buscavam condições atmosféricas que pudessem produzir os

efeitos que desejavam, sem terem que fazer intervenções na fotografia. A

fotografia se aproxima do Abstracionismo, com ênfase na forma e não no

objeto em si. O trabalho dos fotossecessionistas é divulgado pela revista

CAMERA WORK, fundada por Stieglitz e publicada entre 1903 e 1917.

Edward Steichen, Alvin Langdon Coburn e Paul Strand estão entre os

principais nomes do movimento.

Fotografia Moderna

As vanguardas modernistas também influenciaram a produção fotográfica e, ao

mesmo tempo, foram influenciadas por ela. A partir do trabalho dos fotógrafos da

Photo-Secession e de toda a movimentação criada pelos artistas vanguardistas, a

Fotografia Moderna se desenvolveu na Europa e nos Estados Unidos. A principal

ideia dos fotógrafos modernos era buscar uma forma de desenvolver uma

linguagem artística fotográfica. Não atribuir sentido artístico à fotografia fazendo-a

parecer-se com um outro tipo de imagem artística, mas criar uma estética

genuinamente fotográfica.

Nomes importantes da Fotografia Moderna: Eugène Atget, Làszlo Moholy-Nagy, Man

Ray, Kasimir Malevich etc.

Alfred Stieglitz. O terminal. 1892

Alfred Stieglitz. Georgia O’Keeffe. 1921

Alfred Stieglitz. Equivalência. 1926

Edward Steichen. The Flatiron Building. 1905

Edward Steichen. Dor. 1903

Edward Steichen. Nuvens. 1930

Edward Steichen. Fósforos e caixas de fósforos. 1926

Edward Steichen. Girassol maduro.

Paul Strand. From the El. 1915

Paul Strand. Blind. 1916

Paul Strand. Quintais geométricos. 1917

Eugène Atget.

Eugène Atget.

Eugène Atget.

Làszlo Moholy-Nagy. A flor. 1925

Làszlo Moholy-Nagy. Mecânica Humana. 1925