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Haraldur Nielsson

O Espiritismo e a Igreja

Editora Esprita Correio Fraterno do ABC

Rev. Haraldur Nielsson O Espiritismo e a Igreja

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O Espiritismo e a IgrejaReverendo Haraldur Nielsson Professor de Teologia na Universidade da Islndia

2 edio 1 de Edies Correio Fraterno Fevereiro de 1983

Traduo e Prefcio de Francisco Klrs Werneck

Editora Esprita Correio Fraterno do ABC Avenida Humberto de Alencar Castelo Branco, 2955 09851-000 - S. Bernardo do Campo - SP Caixa Postal 58 - 09701-970 Site: www.correiofraterno.com.br

A Editora Esprita Correio Fraterno do ABC no possui fins lucrativos; seus diretores no percebem qualquer remunerao. Todos os resultados financeiros se destinam divulgao do Espiritismo codificado por Allan Kardec e s obras de assistncia criana, em colaborao com o Lar da Criana Emmanuel.

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ndicePrefcio da edio alem................................................................. 4 Prefcio do tradutor alemo ............................................................ 6 Prefcio do tradutor brasileiro......................................................... 9 1 Minhas experincias espritas............................................... 11 2 A Igreja e as pesquisas psquicas ......................................... 45 3 O problema da morte............................................................ 70 Posfcio ........................................................................................ 95

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Prefcio da edio alemHaraldur Nielsson nasceu em 1868 na Islndia. Estudou seis anos em Copenhague e, em seguida, muitos anos ainda em Halle, na Alemanha, e Cambridge, na Inglaterra. Quando regressou ao seu pas natal, a Sociedade Bblica Inglesa confiou-lhe a traduo do Antigo Testamento em islands, trabalho difcil que executou em nove anos s com o auxlio dos seus conhecimentos. Foi, em seguida, professor de Teologia em Reykjavik, onde exerceu mais tarde as funes de coadjutor na Catedral. Uma molstia na garganta obrigou-o a abandonar esse cargo, depois do que foi, novamente, professor no Seminrio. Em 1911 foi-lhe dado o cargo de professor regular na Faculdade de Teologia da Universidade de Reykjavik, ento criada. Os seus dotes de orador levaram-no a ocupar-se ativamente das prdicas. A remunerao desse cargo foi feita com contribuies voluntrias. Fundou em 1918, com o escritor Kvaran e o mdico alienista Svensson, uma Sociedade de Estudos Psquicos que contava ento vrias centenas de membros e publicava um peridico. As trs conferncias e o posfcio que aqui esto traduzidos tm, antes de tudo, o valor de uma narrao simplssima e profundamente emocionante, a qual est destinada a tornar pensativo aquele que traz um riso zombeteiro nos lbios ou mesmo a arrefecer a clera de um corao indignado diante das perspectivas que aqui se esboam. Ningum pode contestar que o autor seja, pela abundncia das experincias que fez, um dos melhores conhecedores da mediunidade que temos tido. Lamentamos que ele no tenha ido mais longe ainda na narrao de certos fatos que presenciou. Pode-se discutir com ele a propsito da significao de certos detalhes ou do valor de tal ou qual passagem do Novo Testamento; resta, em todo caso,

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a impresso dominante de uma personalidade ricamente dotada, cujas experincias e suas condies conduzem certeza de que este mundo dos sentidos no seno uma parcela da grande realidade divina e que, depois da nossa morte, nos ser dado conhecer muito mais do que esta pequena parcela. Como falta aqui, na Alemanha, uma apreciao leal da parapsicologia animista e esprita, ser, certamente, de grande interesse ouvir este apologista de corao entusiasta exprimir-se na lngua alem. Que juzos limitados fazem ainda aqui a respeito do Espiritismo! Por exemplo, a maneira injusta, odiosa, com a qual na obra de G. F. Nagel, Os caminhos do reino dos Espritos (Hamburgo, 1925) se nos apresentam os espritas como ateus, imorais, possudos por espritos do mal! O autor (na pgina 31) parece mesmo decidido a jogar uma falsa cartada quando escreve esta frase: Segundo as estatsticas mais recentes, 60% dos internados em vida, nos asilos de alienados, so antigos espritas. Felizmente faltam as provas dessa afirmativa e ignoramos mesmo em quais pases se podem arranjar tais estatsticas. Que podemos compreender pelo termo internado em vida numa estatstica de casa de sade? Que nos seja permitido duvidar dela. Eu queria fazer observar que, segundo a opinio publicada de um mdico, chefe do muito importante asilo de alienados de Steinhof, mdico que no esprita, a percentagem dos incurveis, que foram outrora espritas, atinge apenas a 5%. Dr. Richard Hoffmann Professor na Universidade de Viena 1

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O Dr. Richard Hoffmann o autor do livro Das Geheimnis der Aujerstehung Jesu (O Segredo da Ressurreio de Jesus). Oswald Mutze, editor, Leipzig. (Nota do tradutor brasileiro.)

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Prefcio do tradutor alemoComo demonstrei, com preciso, na minha obra Os mortos vivem (Oswald Mutze, editor, Leipzig) a Cincia e a Igreja rivalizamse, h sculos, no combate realidade dos fenmenos ocultos; os mdiuns, aos quais esto unidas tais manifestaes, so tratados como impostores e considerados os investigadores como pessoas que se deixam enganar, porm, nos ltimos setenta anos, sbios de reputao mundial, depois de estudos minuciosos, aceitaram a realidade desses fenmenos e, em conseqncia, crculos cientficos e eclesisticos comearam a reconhecer esses fatos maravilhosos. Ambos os campos esforam-se em explic-los pelo animismo, como produtos da subconscincia ou do poder ideoplstico da alma do mdium. Hoje j no os negam, porm atacam, da maneira mais sistemtica, a interpretao esprita, segundo a qual, em numerosos casos se manifestam as almas de pessoas mortas, desencarnadas. Todos os animistas se sentem obrigados a confessar que, com a sua maneira de explicar, fica sempre um resduo de fatos inexplicveis, o que demonstra a insuficincia da hiptese animista. Os fenmenos ocultos no deixam resduo algum quando, ao invs da explicao animista, se emprega a esprita. Possumos, atualmente, tal abundncia de provas de identidade da manifestao e da comunicao de pessoas falecidas que a sobrevivncia pode ser considerada como indiscutivelmente provada. O talentoso cirurgio e professor Dr. Carl Schleich dizia que todas as grandes descobertas e invenes deviam afirma-se contra a Cincia e que para isso tinham necessidade de sustentar rude combate, pelo menos de quinze anos. Quando abrem passo mais rapidamente, dizia ele, no so seno descobertas sem importncia.

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Ao lado da Cincia, a Igreja que mais violentamente combate o Ocultismo. fato conhecido na Histria, diz o Prof. Nielsson, que at as religies opuseram a maior resistncia cada vez que Deus quis que a Humanidade progredisse mais um passo. Atualmente os nossos adversrios se vem obrigados a reconhecer os fenmenos espritas. No citarei mais do que o livro Hipnotismo e Espiritismo, do Prof. Lapponi, mdico dos Papas Pio X e Leo XIII, e os escritos do professor de Teologia Dr. Ludwig,2 porm esses fenmenos, se no os explica o animismo, tornam-se satanismo, obra do diabo. A conseqncia que os espritas desertam das igrejas e que, em muitos lugares, especialmente na Inglaterra e na Amrica do Norte, comeam a formar comunidades independentes. Existe a um grande perigo. por isso que se trata de conduzir o movimento esprita por caminhos mais seguros a fim de que no d nascimento a nenhuma seita, mas, ao contrrio, que consolide e desenvolva a nossa religio crist. justamente por isso que o livro que apresentamos uma obra de inestimvel valor, pelo fato de provir de um eclesistico e telogo que , ao mesmo tempo, um pesquisador ocultista de grande experincia. O que ele diz, nestas linhas, da atitude hostil e combativa da Igreja na Dinamarca e na Escandinvia concorda em tudo com as nossas posies na Alemanha. Na Inglaterra e na Amrica centenas de eclesisticos, at nas igrejas mais importantes, confessam-se espritas convictos, mas, nesses pases de to notvel sentido prtico, pode o movimento no conservar a sua pureza espiritual. OAugust Ludwig, professor de Teologia Catlica na Escola Superior de Freising e autor da Geschichte der okkultistichen Forschung von der Antike bis zur Gegenwart (Histria das pesquisas ocultas da antigidade at a poca atual). (N. T. B.)2

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povo alemo parece-me estar especialmente indicado para lev-lo a bom termo, com o seu idealismo, o seu amor verdade e o seu gosto pelas investigaes. Que a Igreja reconhea a sua hora, que faa suas as verdades e as manifestaes que o Ocultismo cientfico e o Espiritismo superior lhe oferecem. Esse movimento contribuir para a regenerao e o aprofundamento do nosso Cristianismo e conduzir a Humanidade fora dos laos do materialismo e do nacionalismo, para um conceito muito mais espiritual do Universo. com esse anelo que transmito ao leitor alemo a edio alem desta obra cheia de valor. Para terminar para mim um prazer exprimir aqui o meu mais caloroso agradecimento a trs pessoas que houveram por bem conceder-me o seu apoio, to precioso, na edio desta traduo alem: antes de tudo ao Professor Dr. Nielsson pela amvel e desinteressada autorizao de traduo que nos concedeu, bem como pelos informes minuciosos que nos deu por cartas; em seguida ao seu sobrinho, o Dr. Niels Dungal, do Instituto Patolgico da Universidade de Gratz, pela reviso da traduo, e finalmente ao Prof. Dr. Hoffmann, pelo seu prefcio edio alem. Dresden, julho de 1926. Georg Henrich, Kreisbaurat a D. 3

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Georg Henrich o conhecido autor da brochura em alemo Die Toten Leben (Os mortos vivem), que teve inmeras edies. (N. T. B.)

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Prefcio do tradutor brasileiroComo salientaram o Dr. Richard Hoffmann e o Sr. Georg Henrich, o livro do Rev. Haraldur Nielsson de excepcional importncia no s para as pesquisas psquicas, para a Teologia Bblica sobre a qual projeta imensa luz, como tambm para o problema da morte, o mais importante problema da vida terrena. Pouco podemos acrescentar s apreciaes feitas; queremos, todavia, destacar o que escreveram sobre este livro, entre outras, duas altas personalidades do Espiritismo na Europa, cujo solo foi transitado pelo esclarecido telogo de Reykjavik. So elas o Dr. Gustav Zeller, da Alemanha, e o Capito Arnaldo Gomes Duarte, de Portugal. O primeiro escreveu na Zeitschrift fuer Parapsychologie, n de maio de 1928, o seguinte: A teologia alem, pelo menos a protestante, ignora, com algumas excees, o trabalho das pesquisas psquicas. O dicionrio de Teologia e de Cincias das Religies: A religio na histria e no presente (Editor Mohr, Tuebingen) mostra, em suas explicaes ocultistas, assim na primeira como na segunda edio, uma ignorncia verdadeiramente vergonhosa das pesquisas psquicas (ver os artigos Ocultismo e Espiritismo na primeira e Superstio e Astrologia na segunda). Os telogos protestantes podero deixarse iniciar nas investigaes psquicas por Nielsson e Hoffmann, investigaes estas que vm sendo feitas, h muito, nos crculos teolgicos da Inglaterra. O segundo, na Revista de Espiritismo, n de setembro-outubro de 1929, pg. 161, assim se exprime: A referida obra , sem dvida, um trabalho notabilssimo e de um interesse que se torna desnecessrio encarecer por provir de um

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eclesistico eminente e professor catedrtico de teologia de uma universidade. Haraldur Nielsson, o grande, o justo e iluminado telogo de Reykjavik, Islndia, desencarnou a 12 de maro de 1928, nessa cidade, em seguida a uma operao, tendo dele se ocupado notveis vultos da imprensa esprita mundial. Ao que sabemos, o conhecido violinista e psiquista alemo Florizel von Reuter, autor do livro Psychical Experiencies of a Musician e colaborador de vrias revistas europias, conta, na Zeitschrift fuer Parapsychologie, n de 1930, que graas ao seu aparelho Aditor e mediunidade de lnguas de sua progenitora, obteve quatro mensagens do Rev. Nielsson, ao passo que, em nmero da Light do mesmo ano, aparecia a notcia de que William Hope, o mdium fotgrafo de Crewe, o havia fotografado. Paz e luz ao seu esprito, pelo muito que fazia pelo Espiritismo e pela Humanidade, e ainda por ter colocado a verdade acima da sua Igreja. Rio de Janeiro, 28 de maro de 1935. Francisco Klrs Werneck *** Nota: Com a presente edio, este importante livro do Reverendo Haraldur Nielsson fica editado em 6 idiomas: dinamarqus (original), ingls, alemo, francs, espanhol e portugus. A autorizao para a edio brasileira foi concedida pela Sra. Adalbjorg S. Nielsson, viva do autor, em carta datada de 23/09/1935, de Laugarnes, Reykjavik.

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I Minhas experincias espritasOs estudos psquicos so, efetivamente, a mais nova de todas as cincias. de admirar que isto seja verdade, porque o objeto dessas pesquisas constitui uma coisa muito importante para a Humanidade, especialmente para a nossa alma. Com razo se poderia pensar que os homens no tm grande desejo de aprender algo de preciso, no somente sobre o seu corpo, mas sobre o seu verdadeiro ego, o seu eu, aquilo que pensa, sente e age. Sabemos todos que o velho Scrates fazia, no curso do seu ensino, uma espcie de leit-motiv destas palavras: Conhece-te a ti mesmo. Mas, se a cincia mdica nos ensina, de maneira admirvel, a conhecer o corpo humano, no nos conhecemos, entretanto, a ns mesmos e isto durante tanto tempo que no sabemos se o eu a conscincia, ou a alma pode existir sem o corpo terrestre. Os psiclogos investigam, sempre, de que maneira o esprito ou a conscincia funciona no corpo, mas no explicaram ainda se a conscincia, liberta do corpo ou sem ele, subsiste e se sobrevive morte, separao do corpo. Quando esta pergunta necessita de uma resposta, eles se refugiam no silncio ou ento dizem o que disse, um dia, o meu velho professor de Psicologia, Harald Hoffding, o clebre professor dinamarqus: Veremos! Nossa prpria morte nos trar a resposta. Desejamos, portanto, saber alguma coisa antes dela e, se muitos psiclogos parecem estar ainda cegos, um caminho seguro j foi

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encontrado, o qual nos levar a conhecimentos bem mais interessantes do que os descobertos at aqui pelos psiclogos. Foram os simples espritas que, verdadeiramente, indicaram este caminho. Desde ento, h anos vm eles anunciando aos homens: Descobrimos algo de novo, algo de maravilhoso. Podemos entrar em comunicao com o mundo invisvel, podemos conversar com os nossos caros mortos que vivem no Alm uma vida mais elevada do que a nossa! Foi ento que se iniciaram as investigaes psquicas. Os primeiros pesquisadores psquicos, na sua maior parte, foram cpticos, seno mesmo adversrios renitentes do Espiritismo, porm todos aqueles que, verdadeiramente, aprofundaram a questo, no em algumas semanas ou alguns meses, mas numa srie de anos, ficaram todos convencidos da realidade dos fenmenos e muitos dentre eles da possibilidade de entrar-se em relao com os seres inteligentes de um mundo que nos invisvel e, em particular, com os nossos mortos queridos. Estes tm o desejo fervoroso de demonstrar-nos a sua sobrevivncia, de trazer-nos consolo e conforto, de ofertar-nos conhecimentos mais extensos sobre os maravilhosos caminhos que nos conduzem a Deus e sobre a magnificncia da criao. Tudo isso, que constitui o objeto das pesquisas psquicas, to desconhecido do povo que a coisa mais natural do mundo exigirem-se as mais severas provas. Por isso natural ouvi-lo perguntar: Que aprendestes? Vistes os pretensos fenmenos espritas com os teus prprios olhos? Como Tom, o incrdulo, sentiste e apalpasteos com tuas prprias mos? A experincia bem a grande mestra dos homens. Todos podem ter idia de um pas montanhoso se leram alguma coisa a respeito, mas s depois de o terem visto, de o terem percorrido, que

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dele nos do uma notcia mais completa. Quem conhece melhor a montanha o que nela nasceu, cresceu e nela viveu longa vida. Acontece o mesmo nas investigaes psquicas. Podemos aprender muito nos livros, mas somente pela experimentao e pesquisas tenazes e variadas que possuiremos conhecimentos mais perfeitos sobre essas questes. H 17 anos que comecei as minhas investigaes e a experincia que adquiri durante esses anos coisa nica que me confere o direito de fazer estas conferncias. Se no tivesse a experincia de tantos anos, na qual me posso apoiar, no teria a ousadia de falar de to importante questo. Creio que cometem um grande erro os homens que se pronunciam sobre coisas que no conhecem, ou somente do ponto de vista da opinio preconcebida, porque correm assim o grande risco de trabalhar contra o esprito da verdade. E eu creio que, mais ainda, em nossos dias, o fazem, no somente muitos homens ignorantes na grande multido, mas at mesmo pretensos sbios que so, talvez, extraordinariamente insignes na sua especialidade, mas crem falsamente que essa especializao lhes permite pronunciar-se sobre coisas que jamais presenciaram e que, na realidade, ignoram. De tempos em tempos, tais indivduos falam e afirmam coisas com uma arrogncia tal que s pode espantar-nos. Eles esto, na verdade, to cheios de preconceitos quanto essa espcie de religiosos que se opem a tudo o que, na sua opinio, contradiz a dogmtica tradicional. Se lhes devo falar acerca de minhas experincias pessoais no domnio psquico, mister se faz compreender que, nesta conferncia, no posso citar seno alguns exemplos, visto que tudo o que assisti, em muitos anos, no pode ser relatado num curto espao de tempo.

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De outro modo, seria obrigado a fazer uma srie de conferncias. Iniciamos as nossas investigaes psquicas na Islndia, no outono de 1904. ao escritor Einar H. Kvaran que o devemos, mas ele no sabia bem como se devia organizar uma sesso, porm felizmente uma dinamarquesa, mulher de letras, de passagem por Reykjavik, nos ensinou como devamos formar o que se chama um crculo esprita. A princpio no fiquei muito encantado com o resultado obtido. Eu era cptico e cheio de objees que aumentaram dois meses depois. Deixei o crculo, no querendo assistir a coisas tolas. Tivelhes at averso. A verdade que o crculo no havia ainda descoberto um verdadeiro mdium; porm, alguns meses depois encontramos um, bem dotado de poderes medinicos. Meu amigo escritor falou-me sobre ele e eu senti que se me despertava, de novo, a curiosidade. Pedi para fazer, novamente, parte do crculo. Logo na primeira sesso com o mdium, tive oportunidade de observar algo que me causou grande surpresa. Foi uma grande prova de identidade. Desde ento, interessei-me pelos estudos psquicos muito mais do que por qualquer outra coisa deste planeta. E sei que assim ser at a minha morte. Esse mdium um moo de nome Indridi Indridasson, filho de pastores islandeses, o qual fora para Reykjavik a fim de fazer-se impressor. Ele no ouvira falar antes dessas questes. Por acaso, se verdade que existe algo que se possa assim chamar, ele fora visitar a famlia em cuja casa se realizavam as experincias. Era muito cptico e riu, a princpio, de todas essas coisas at que caiu em transe e comeou a tomar parte na produo dos mais notveis fenmenos.

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Verificou-se logo que uma outra inteligncia ou que outras inteligncias agiam fora do mdium. Indridasson escrevia automaticamente. Perguntamos se ele era mdium de incorporao. A mo respondeu que sim, mas que a sua mediunidade no estava bastante desenvolvida e que era com prudncia que se devia p-lo em transe. Algum tempo depois, isto se produziu numa sesso, quando ele escrevia automaticamente. As mensagens que recebamos eram assinadas: Stulkan (moa). O mdium, que era moo e gostava de brincar, perguntou em tom de zombaria: Quem s tu? Como te chamas, moa? O esprito deu-lhe uma pancada no brao e rapidamente escreveu: No deves zombar de mim... e, em seguida: Agora ele deve cair em transe. Perguntamos como devamos assent-lo e comportar-nos. A mo nos deu indicaes precisas. Cinco minutos depois, caa ele em transe. Ficamos um pouco espantados, porm logo a mo escreveu mais claramente, como se a inteligncia invisvel, no estado de transe, tivesse mais fora sobre o organismo do mdium. A mesma entidade continuou a escrever. Ela nos comunicou que no havia necessidade de ficarmos ansiosos, pois que protegeria o mdium e tudo correria bem. Permitiu que lhe fizssemos perguntas, porm lhe pedimos que acordasse, logo que possvel, o mdium. Finalmente ela acedeu, um pouco espantada de nossa ansiedade, tendo escrito ainda algumas frases e despertado o mdium do seu transe medinico de meia hora. O mdium ficou muito espantado quando acordou, no podendo compreender o que se passara. Ele no se lembrava de nada desse sono, a no ser de uma moa que vira, a qual pretendia conhec-lo.

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Soubemos mais tarde quem era essa jovem e pudemos verificar a exatido do fato. Deveis considerar, meus senhores e minhas senhoras, que era a primeira vez que tal experincia se fazia na Islndia. Nenhum de ns vira, at ento, um mdium em transe. A literata dinamarquesa no estava presente dessa vez, porm havamos lido que no se deve realizar tais experincias sem um esprita experimentado ou pessoas acostumadas a essas coisas. Podeis, deste modo, facilmente compreender a nossa ansiedade. No foi seno uma fraca estria, mas o profeta e o salmista nos lembraram de que no devemos desprezar o dia dos fracos comeos ou o dia do pequeno comeo, como diz a traduo norueguesa da Bblia mais correta do que a traduo dinamarquesa (Zacarias, cap. 4, vers. 10). Devamos obter fenmenos mais notveis. Durante o outono de 1905, a mediunidade de Indridasson se desenvolveu ao mais alto grau. Obtivemos incorporaes, fora da escrita automtica produzida em transe. Comearam, ento, as levitaes e os fenmenos luminosos. No foram somente mesinhas que se levantaram, mas o prprio mdium foi levitado at o teto do aposento. Certa vez o sof, sobre o qual o mdium se achava deitado, levitou com ele em cima, em torno da mesa. Isso se produziu na minha casa, no aposento em que realizvamos, noite, nossas sesses. Estvamos sentados, verdade, na obscuridade, mas, mesmo na penumbra, o mdium no teria podido transportar o sof, sobretudo por estar nele deitado. Este, muito docilmente, passou por sobre nossas pernas e pudemos tocar o mdium. O sof no feriu pessoa alguma e voltou ao lugar donde sara, tudo como se a fora inteli-

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gente, que dirigia essas levitaes, pudesse ver muito bem na escurido. No pudemos observar os fenmenos luminosos, que se produziam na obscuridade, pois enquanto eles se verificavam tnhamos os olhos no mdium e conservvamo-nos em guarda. Experimentamos, muitas vezes, a realidade do transe medinico, espetando, no escuro, o mdium, com alfinetes, sem que ele pudesse ter o menor pressentimento do que amos fazer, praticandoo, especialmente, em lugares mais sensveis. Era como se tivssemos espetado um pedao de madeira. Ele no se mexia. Entretanto, no estado de viglia o mdium era to sensvel que se, sem o avisar, o picasse algum no brao com um alfinete, ele corria dum extremo ao outro do quarto, soltando fortes gritos. Repeti vrias vezes a experincia, a fim de ficar bem seguro disso. Logo tornou-se hbito em nossas sesses sentar-se um de ns perto do mdium e colocar-lhe os braos nas costas ou segurar-lhe uma das mos ou mesmo ambas, quando se tratava de fiscalizar um fenmeno. Desobriguei-me muitas vezes desse cuidado. Os fenmenos luminosos comearam por lnguas de chamas, de uma cor azul avermelhada. No vamos seno uma delas de cada vez, mas precipitavam-se uma atrs da outra, em vrios lugares da sala. Certa noite, contei 58 delas. Muitas vezes ouvamos, ao mesmo tempo, uma curiosa detonao no ar, a qual era logo seguida de outra. Era muito interessante. Mais tarde os fenmenos luminosos se desenvolveram ainda mais e quase toda a parede, por detrs do mdium, ficou como um oceano de fogo, com desenhos caractersticos, semelhantes s malhas de uma rede.

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Depois de algumas sesses, vimos uma forma surgir da luz. Foi ento que comeamos a ficar vivamente interessados. Devo observar que um esprito-guia tomara a direo dos trabalhos. Foi, primeiramente, a jovem senhora do Alm quem dirigiu as nossas experincias, como nos fora comunicado, auxiliada por uma inteligncia masculina que se apresentava como av do mdium. Essas duas inteligncias ou espritos-guias lamentavam no possuir bastante poder sobre o mdium: ele no lhes obedecia bastante e elas tinham grande trabalho em proteg-lo contra espritos muito menos evoludos que se apoderavam da fora psquica que dele emanava. De tempos em tempos, notava-se que o mdium em transe se espantava diante de algo que ele chamava espritos atrasados. Foi para impedi-lo que o novo esprito-guia tomou a direo dos trabalhos. Era muito enrgico e autoritrio e recusou-se, no comeo, a dizer-nos quem era. Servia-se de um pseudnimo, pois no queria que o mdium soubesse quem era. Quis que nada se dissesse a Indridasson sobre a sua pessoa, tendo nos informado, em particular, que era irmo do av do mdium. Temia que o tomasse menos a srio se adivinhasse que era seu parente. Foi por esse motivo que chegou a domin-lo completamente. Era preciso ensinar o mdium a respeitar o esprito-guia, dizia ele, e a obedecer-lhe. E agora no vos espanteis em saber que ele pretendia ter sido, na sua vida terrestre, professor na Universidade de Copenhague. Talvez fosse essa a razo pela qual tinha um dinamarqus muito competente para auxili-lo. Esse seu muito ilustre assistente contou-nos que seu nome era Emil Jensen, que tinha sido fabricante e que habitara Copenhague.

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Como deveis compreender, Jensen devia vencer grandes dificuldades, pois que era necessrio falar uma lngua estrangeira pelo vocabulrio do mdium Indridasson, que jamais aprendera outra lngua alm do islands (o islands e o dinamarqus so to diferentes e mesmo mais diferentes que o dinamarqus e o alemo) e no aprendera seno o que os filhos do campo, na Islndia, aprendem para a confirmao, numa poca em que no havia escolas regulares. Jensen, porm, obteve pleno xito, de maneira espantosa, e ainda que, de tempos em tempos, as palavras sassem um pouco estropiadas dos lbios do mdium, tinham muitas vezes a melhor pronncia de Copenhague. Algo que, em toda primeira linha, tornou Jensen popular em nosso crculo foi a comunicao que nos fez certa noite: havia um incndio numa das ruas de Copenhague e a casa que estava presa das chamas era uma fbrica. Gracejando, ele disse a um dos meus amigos que parecia que Jensen se interessava ainda pelas usinas, embora estivesse no Alm. Ocupei-me, com interesse, em saber se ele podia realmente, estando na Islndia, informar-nos de um incndio que, naquele mesmo instante, ocorria em Copenhague. No tnhamos telgrafo naquela poca. Foi no dia 24 de novembro de 1905. Para que tivssemos uma testemunha fora do nosso crculo, fui casa do meu tio, Hallgrimur Svensson, que era ento Bispo, e comuniquei-lhe o que Jensen acabara de participar. Pedi-lhe que registrasse o fato. Meu tio recebia o Politiken, e Jensen disse, mais tarde, que ele havia visto uma pessoa ler, na manh seguinte, nesse jornal, a descrio do incndio. Por ocasio do Natal chegou o primeiro barco-correio da Dinamarca e o meu tio buscou, curiosamente, a notcia do Politiken. Efetivamente, o incndio se produzira da maneira descrita. Fora a fbrica de lmpadas e lustres da Rua Real, de Copenhague, que

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pegara fogo. O dia e a hora da tarde indicados por Jensen concordavam exatamente. Na primeira sesso depois do Natal comunicamos a Jensen o que lramos no Politiken e lhe agradecemos. Rejubilouse por ter esse fato vencido o nosso cepticismo. Fizemos, em seguida, conhecimento com vrias outras personalidades medinicas, para nos servirmos dessa expresso cientfica. Espontaneamente, disseram ser espritos desencarnados, que tinham outrora vivido na Terra. Devo declarar que sempre tive certo respeito pelo que diziam. O esprito-guia parecia ter um estado maior de colaboradores, do qual a maior parte era constituda de islandeses (isto , que tinham vivido suas existncias terrestres na Islndia), havendo, entretanto, alguns estrangeiros. Um deles, no decurso das sesses, foi chamado sempre o mdico noruegus. Fora, quando na Terra, conhecido do professor. Esse noruegus se exprimia pelo mdium, em noruegus, na lngua oficial, porm declarou poder falar tambm na lngua popular e, de tempos em tempos, servia-se de palavras que no compreendamos e que amos procurar no dicionrio de Ivar Assen, onde as encontrvamos. Por exemplo, ele disse duma feita: Isto deve ser apenas um emning. No podamos compreender esta palavra, porm descobrimos mais tarde, no referido dicionrio, que significa preparo. Esse mdico noruegus foi particularmente apreciado por todos ns e os nossos amigos do Alm lhe dispensavam muita estima. Excetuando ele, quatro eclesisticos pertenciam ao estado-maior, assim como um pastor extraordinariamente intrpido, acompanhado de alguns dos seus amigos. Alm desses, um cantor noruegus e uma senhora francesa, que cantavam maravilhosamente. E, de quando em quando, vinham, a

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ttulo de assistentes, um mdico holands, um mdico ingls e ainda um alemo, oficial, creio eu. Este dirigiu, certa vez, as levitaes. Obtivemos o nome da maior parte deles, mas se eram realmente essas inteligncias no pudemos sab-lo. O que posso apenas dizer que ficamos muito surpresos quando, com a ajuda de um dicionrio alemo, descobrimos que um alemo existira, de fato, com o muito bizarro nome que o mdium nos declinara. Afirmo que o mdium, no seu estado normal, no conhecia esse dicionrio, ainda menos o nome, se bem que esse ltimo nos fosse comunicado, durante o seu transe, por um dos espritos-guias, por meio do seu instrumento. Experimentamos com um mdium mais de 5 anos e fizemos, regularmente, uma ou duas sesses por semana, de meados de setembro at fim de junho. As personalidades medinicas estiveram ali presentes com a mesma regularidade, como se fossem pessoas vivas na Terra. No aconteceu nunca que elas se confundissem, embora se servissem do mesmo corpo para se manifestar. Mas no foi s esse valente estado-maior que se manifestou pelo mdium. Uma multido de outras entidades se comunicaram. Por exemplo, numa sesso, 26 inteligncias diferentes se sucederam e falaram. Eram todas distintas umas das outras. Que faziam essas inteligncias? Procuravam convencer-nos de que no eram parte da subconscincia do mdium, mas criaturas viventes em um mundo que invisvel generalidade dos homens, que elas, outrora, viveram na Terra e que j tinham passado por essa grande transformao to receada pela maior parte dos seres: aquilo que chamamos morte. Serviam-se de vrios meios para atingir esse fim. Tinham conosco longas conversas e contavam-nos o seu trespasse e a vida de alm-tmulo. Recordavam particularidades e acontecimentos de

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suas existncias terrenas. Nomeavam muitas vezes pequenos detalhes que ao mdium era impossvel conhecer. Em outras palavras, esforavam-se em provar-nos suas identidades. Em seguida procuraram convencer-nos de que dispunham de foras que no so aqui conhecidas. Buscaram, por exemplo, deslocar cadeiras, mesas ou outros objetos, sem que o mdium ou qualquer outra pessoa os tocasse. Quanto mais o mdium se desenvolvia, tanto mais os seus esforos se dirigiam nesse sentido. Elevaram, vrias vezes, o mdium a grande altura. Para podermos fiscalizar esse fenmeno, colocamos Indridasson, certa noite, numa cadeira de vime que estalava ao menor movimento. Colocamos essa cadeira num dos cantos da pea e dispusemos, em seguida, cadeiras em duas fileiras to cerradas que toda a passagem entre elas era impossvel. Apagamos a luz. Em pouco tempo o mdium, colocado na cadeira de vime, foi elevado do cho e todos os assistentes ouviram, muito nitidamente, a cadeira estalar enquanto o mdium deslizava por cima das nossas cabeas, sendo depois colocado no soalho, detrs das cadeiras. Acesa a luz, vimos o mdium, inconsciente (em pleno transe), na cadeira de vime, na qual parecia ter ficado sentado e imvel durante seu deslocamento areo. Uma vez, mais tarde, esse fenmeno de levitao no foi menos assombroso. Foi no dia 18 de janeiro de 1909. Fiquei com dois experimentadores, depois do fim da sesso, na casa do mdium. As inteligncias invisveis pareciam ter dificuldades em despert-lo. Elas deram a seguinte explicao: Acontecia isso porque lhes fora muito difcil restituir ao mdium um pouco da fora ectoplsmica que lhe haviam tirado do corpo. Ele se tornara ento mdium de voz direta, e nessa noite vrias vozes se fizeram ouvir. Numa espcie de meio transe, num estado de semiconscincia tal que ele vivia em dois mundos e parecia

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poder conversar conosco to facilmente quanto com os seres do mundo invisvel, disse-nos: Para onde quereis arrastar-me? Pouco depois escutvamos todos os trs sua voz falando do teto e conjeturamos que seria perigoso se ele casse ao cho, porm ouvimos um dos assistentes do esprito-guia dizer tambm l do teto: No tenhais medo. Todos os trs vimos e ouvimos como, nesse quarto, com a altura de seis cvados, ele fora comprimido contra o teto e como a batia com os punhos. Pouco tempo depois desceu, sendo-nos permitido acender a luz. Ele estava estendido sobre a mesa, em profundo estado de transe. Quando obtnhamos intensos fenmenos luminosos, antes um forte golpe de vento quase sempre se produzia. Essa rajada de vento era to violenta que os nossos cabelos flutuavam em nossas cabeas e as folhas dos cadernos, que tnhamos abertos sobre os joelhos, eram sacudidas de um lado para outro. Trs vezes obtivemos um fenmeno que pareceria incrvel maior parte da gente: o brao esquerdo do mdium foi completamente desmaterializado, desapareceu e foi impossvel ach-lo, ainda que iluminssemos o local e minuciosamente examinssemos o mdium. Na ltima noite designaram-se sete pessoas para fiscalizar esse fenmeno. Fizeram luz em torno do mdium; a manga pendia vazia como dantes. Apalpamos o ombro do mdium, mas no o despimos. Os sete membros dessa comisso de pesquisas assinaram, todos, sob juramento de honra, uma ata desse caso. Bem sei que esse fenmeno muito raro, mas no desconhecido em outros pases. Sei, por uma correspondncia trocada com

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um psiquista francs, que ele foi observado e fotografado naquele pas.4 Os espritos dirigentes pareceram ficar muito satisfeitos com esse resultado, porque pensavam ter assim a certeza de que Indridasson era mdium de materializao e Jensen julgava que ele estaria em estado de mostrar-se em menos de trs meses, quando as experincias passassem para esse terreno de pesquisas, o que no se deu. O mdium ficou subitamente enfermo e os ensaios de materializao tiveram de ser transferidos para mais tarde. No outono seguinte as experincias recomearam e requereram muita pacincia, tanto da parte dos experimentadores quanto da das inteligncias invisveis. Em 1906, no dia de Natal, obtivemos, finalmente, um resultado compensador. Utilizvamos ento dois compartimentos que havamos alugado na casa de Einar H. Kvaran. Estvamos sentados com o mdium num quarto bastante espaoso, ao lado do qual se encontrava um pequeno aposento que os espritos-guias nos declararam empregar para o seu prprio uso.4

Efetivamente, este caso no o nico nos anais do Espiritismo. Temos, entre outros: a) a desmaterializao parcial do corpo da mdium Sra. dEsprance, na Finlndia, narrado por Alexander Aksakof no seu livro Um caso de desmaterializao parcial do corpo de um mdium; b) a desmaterializao total do corpo do mdium marqus Centurione Scotto, na Itlia, relatado pela Sra. Gwendolyn Kelley Hack em Modern Psychic Mysteries; c) a desmaterializao total do corpo da mdium Sra. Prado, no Brasil, relatado por Nogueira de Faria em O trabalho dos mortos; e d) o desaparecimento do p direito do mdium Lijs, contado na Spiritische Bladen, rgo da Federao Esprita Neerlandesa Harmonia. (N. T. B.)

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Pouco antes do Natal esse aposento comeou a encher-se de uma forte luz branca e nessa luz apareceu uma forma que pretendia ser Jensen desencarnado. Ele se mostrou, primeiramente, entre as duas cortinas da porta e, com um legtimo acento de Copenhague, exclamou: Podeis ver-me? Depois do Ano Novo ele se mostrou na pea em que estvamos sentados com o mdium no meio de ns, como no vos deveis esquecer. O mdium estava mergulhado em profundo estado de transe. O novo visitante trazia uma veste branca e muito fina, a qual caa em numerosas dobras at o solo. Dele emanava luz. Vimo-lo em vrios lugares do aposento. Certa vez ele se colocou de p em cima de um sof e por detrs dele brilhava uma luz vermelha que se assemelhava a um pequeno sol do qual irradiava uma luz branca. No poderei jamais esquecer to maravilhoso espetculo! Muitas vezes o novo hspede conseguia mostrar-se na mesma sesso sete ou oito vezes, em diversos lugares do quarto. Em numerosas ocasies vimos distintamente o mdium e a forma materializada; ao mesmo tempo, porm, o visitante maravilhoso no podia tornar-se visvel seno um instante (alguns segundos somente). Quando ele acabava de fazer-se visvel, procurava tocar algum dos assistentes com a mo, o p ou o brao e permitia-nos apalpar seu corpo efmero, antes de desmaterializar-se. Traduzo uma pequena passagem do meu dirio, relativa sesso de 4 de fevereiro de 1907, realizada s 8 horas da noite, tal qual a redigi na manh seguinte, entre as onze horas e o meio-dia. Jensen apareceu, primeiramente, trs vezes, na posio que ocupava: sentado na cadeira do mdium, no seu colo. Eu estava sentado na primeira fila e os vi, distintamente, especialmente suas cabeas e os braos de Jensen.

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Logo depois ele se mostrou num canto, junto porta que comunicava os dois quartos. Estava vestido com a sua veste branca; os braos, apoiados contra a parede, eram vistos nitidamente. Mostrou-se, em seguida, com mais nitidez ainda, perto da cortina. Depois, mais ntido ainda, no sof. Depois ainda, e com uma extraordinria clareza, perto da janela, no outro extremo do quarto e, imediatamente, perto da minha prima Sra. Sigridur Bjrnsson. Finalmente, colocou-se por detrs do encosto da cadeira do mdium, de modo que sua cabea quase tocava o teto. Uma outra forma apareceu, logo depois, no vo da porta. Apenas lhe era visvel a parte superior do corpo, porm a vi, distintamente, com a sua roupagem branca. Diversos assistentes foram, em seguida, tocados. Senti que um p descalo me tocava o joelho; era um p frio. Segurei-o, apalpeilhe os dedos grandes e reconheci o grande artelho e a sua unha. O p elevou-se, em seguida, no ar e o segui com a mo, tanto tempo quanto a minha posio, sentada, o permitiu. Alguns instantes depois coloquei ambas as mos sobre os meus joelhos. Um p materializou-se-lhes em cima. Estava descalo; era um p frio e humano. Por ltimo, senti roar-me a face uma mo ou p e pareceu-me que dois dedos me tocavam as mas do rosto. Segundo ordem do guia principal, convidamos trs pessoas, que no pertenciam Sociedade, para assistirem, como testemunhas, a uma sesso. Alguns dentre ns, que tnhamos feito parte do crculo desde a sua estria, possuamos cultura acadmica e desejvamos, firmemente que esses trs observadores fossem pessoas consideradas e no testemunho das quais pudssemos confiar com base. Nossa escolha recaiu sobre o bispo, o burgomestre e o cnsul britnico de Reykjavik.

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O burgomestre aceitou o encargo de examinar tudo, minuciosamente, antes e depois da sesso (as duas peas e o mdium) a fim de eliminar a hiptese de fraude. Na noite combinada, quiseram todos os membros da Sociedade assistir sesso, porm, como no local no podiam caber mais de quarenta pessoas, muitas ficaram de p durante as experincias. Essas quarenta pessoas, entre as quais se encontravam as trs testemunhas convidadas e que estavam sentadas nos melhores lugares da primeira fila, viram aparecer Jensen onze vezes durante a sesso. Ele se mostrou cercado de uma luz resplandecente. Um jovem escritor, que mora atualmente em Copenhague e que assistiu sesso, me disse recentemente: Jamais esquecerei a sesso em que quarenta pessoas viram a resplandecente materializao. Apesar de todo o meu cepticismo de antes e depois, penso que, realmente, o que se passou naquela noite atesta bem que existe alguma coisa do Espiritismo. Uma das testemunhas, o bispo Hallgrimur Svensson, j no pertence hoje ao nosso mundo. Ingressou no vasto Alm, mas as outras duas testemunhas vivem ainda em Reykjavik e podem ser interrogadas. O burgomestre , provavelmente, um dos cinco juzes que constituem a mais alta jurisdio do pas. O bispo fez muitas sesses no bispado; nunca obtivemos to excelentes resultados quanto na sua casa. Ele ficou completamente convencido da realidade dos fenmenos e, de uma feita, disse-me: S agora eu compreendo muitas coisas do Novo Testamento que jamais pude compreender bem. A mediunidade de Indridasson se desenvolveu em vrios sentidos. Foi tanto um mdium de transportes quanto um excelente mdium de voz direta. Servamo-nos de dois alto-falantes ou trombetas, nas nossas sesses: uma pequena, que as inteligncias invisveis faziam evolar

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na sala, e uma outra, um pouco maior, colocada num suporte de ferro, sobre o qual girava. Esse comprido alto-falante ampliava as vozes de maneira espantosa. As vozes diretas cantavam, muitas vezes, perfeitamente bem, especialmente trs delas: uma de algum que pretendia ter sido sacerdote na Islndia, a segunda era a de um cantor e compositor noruegus e a terceira de uma senhora francesa que, segundo o que pudemos compreender, teria sido artista de pera, na sua vida terrena. Pudemos, de tempos em tempos, ouvir cantar duas vozes ao mesmo tempo: uma voz feminina de soprano e outra masculina, de baixo-bartono. Um dos fenmenos, que pudemos vrias vezes observar, foi a sala encher-se de um perfume maravilhoso que, em rajadas, se espalhava sobre todos ns. Alm da experincia que consistia no deslocamento de objetos, no local em que realizvamos a sesso obtivemos diversas vezes o seguinte fenmeno: a passagem da matria slida atravs da matria slida. Vou dar-vos um exemplo, relatando o que ocorreu numa noite em que o poder do mdium era extraordinariamente grande. Os espritos-guias propuseram-nos tentar a seguinte experincia: ir buscar um objeto numa casa da cidade e transport-lo para a mesa da sala da sesso, atravs de tetos e paredes. O mdium caiu em transe e, sem conhecimento dele, escolhemos a casa donde o objeto devia ser transportado, a fim de excluir logo a hiptese de que o mdium tivesse podido trazer o objeto consigo. Propusemos ao guia a escolha entre a casa do bispo e a de um mdico bem conhecido. Os espritos dirigentes escolheram a do mdico, por ter Indridasson estado muitas vezes na casa do bispo. Logo em seguida ouvimos pancadas como jamais ouvramos, antes e depois. Demoraram um instante e houve uma pausa durante

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a qual os guias nos avisaram que haviam tirado o objeto da casa do mdico, pelo teto. Depois da pausa repetiram-se as pancadas e, num curto espao de tempo, depositaram na nossa mesa um grande vidro, no qual havia vrios pssaros conservados em lcool. Telefonou-se imediatamente ao mdico para saber se tais coisas lhe pertenciam. Ele afirmou que no. O mdium, que estava ento acordado e que se encontrava na sala, foi de novo tomado e um dos espritos-guias declarou, com grande insistncia, que fora ele prprio quem tirara o frasco de um armrio amarelo, num quarto da casa do doutor, precisamente onde um senhor velho, sentado, conversava com dois outros homens. Comunicou-se isto ao mdico e, depois que este fez investigaes, tudo se revelou exato: o sogro do mdico estava sentado na pea em que se encontrava o armrio, em conversa com dois estranhos. O frasco pertencia ao sobrinho do mdico e tinha desaparecido do armrio. Um corpo slido, atravs de tetos e paredes e de outros corpos tambm slidos, fora transportado pelos espritos-guias e jazia em cima de nossa mesa. Estou longe de haver relatado os mais convincentes fenmenos que presenciei. Esses se produziram com violncia. Espritos obsessores, de uma obsesso bem pouco amigvel, procuraram vrias vezes apossar-se do mdium pela fora e perturbar o trabalho dos bons espritos. Desde o primeiro ano, notamos a presena de seres espirituais em situao penosa. Os guias contaram-nos que entre eles havia alguns que se suicidaram. Um deles falou to distintamente e de maneira to caracterstica que muitos membros do crculo pensaram reconhec-lo. Esses pobres seres procuravam ajudar os guias e muitas vezes, durante as sesses, fui convidado a orar por eles, em alta voz.

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Os guias diziam que a prece era um poderoso auxlio para esses deserdados. Durante o inverno de 1907-08 um deles causou-nos grande descontentamento, porm creio que melhor, nesta exposio de fatos, no me estender sobre o assunto. J notei que se faz muito pouca experincia, nesse domnio, aqui na Dinamarca e, como telogo, no me esqueci das palavras de So Paulo de que h um estado no qual as pessoas no suportam alimento slido, mas apenas leite como as criancinhas (I Corntios, cap. 3, vers. 1 e 2). Esse esprito atrasado se emendou mais tarde e, aps longa ausncia, lhe foi permitido assistir de novo s sesses, sendo para os guias um auxiliar muito diligente, um mestre na arte de produzir os fenmenos mais difceis, por meio da fora do mdium. Designamo-lo por um nome muito corrente na Islndia: Jon;5 dele recebemos boas provas de sua identidade. Desesperado, suicidara-se, precipitando-se ao mar. Depois de sesses nas quais se produziram grandes perturbaes, fiquei convencido de que a luta entre o bem e o mal no termina neste lado do tmulo. Passados quase quatro anos de experincias, autorizamos um mdico muito cptico a tomar parte nas nossas reunies. Impusemos-lhe apenas uma condio: a de que no comparecesse somente algumas vezes ou um ms s sesses, mas que, durante todo o inverno, pesquisasse conosco. Era a nica maneira de poder ele formar uma opinio acerca dos fenmenos.

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Trata-se do padre Jon Svensson, jesuta, o to curioso escritor islands que adquiriu renome mundial na literatura. Escreveu as Narrativas Islandesas. (N. T. B.)

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Tnhamos ento feito construir uma casinha, a qual foi exclusivamente reservada s nossas experincias, porque nosso crculo j aumentara bastante. Havia, s vezes, 70 pessoas presentes na reunio. A fim de prevenir a possibilidade de compadrio da parte dos assistentes, mandamos ento estender, no meio da sala de experincias, do teto ao solo, uma rede. Suas malhas eram to pequenas que era impossvel passar uma mo atravs dela. O mdium ficava sentado com um fiscal, atrs da rede, e todos os assistentes do outro lado. Essa disposio no perturbou, de maneira alguma, a marcha dos fenmenos. Objetos soltos, como uma mesa, uma caixa de jogo, uma ctara, duas trombetas, o suporte, etc. foram, como dantes, deslocados atravs da rede. Quase sempre era a mim que cabia o encargo de fiscalizar o mdium e assim tive oportunidade de observar os fenmenos melhor ainda do que outro associado. Bastas vezes convidei o mdico cptico para sentar-se comigo bem detrs da rede e observar-me e ao mdium. E muitas vezes no me contentei com isso. Certa noite, em que os guias nos prometeram produzir a escrita direta, pedi a um outro mdico para ajudarme a vigiar o mdium. Segurvamos ambos os braos e joelhos do mdium e observvamos, ao mesmo tempo, um ao outro. Deixamos ao mdico cptico o cuidado de vigiar a mesa, sobre a qual se depositara um pedao de papel e um lpis. A mesa estava to afastada do mdium que seria impossvel atingi-la com o brao, ainda mesmo que tivesse as mos livres. Apesar dessas medidas de fiscalizao, pudemos (todos os trs e cerca de 60 assistentes do outro lado da rede) ouvir claramente o

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lpis mexer. Pouco depois uma folha de papel veio sozinha voando atravs do ar e caiu sobre as nossas cabeas, quando estvamos ambos inclinados sobre o mdium. Acendeu-se a luz e o mdico cptico leu diante de todos o que fora escrito pela mo invisvel. Era uma carta curta, amvel, que afirmava ter sido escrita por uma moa do grupo dos desencarnados. Essa jovem era a que havia descoberto as faculdades medinicas de Indridasson e que, primeiramente, segundo o que nos dissera, se arriscara a p-lo em transe. O esculpio cptico me disse, depois da sesso, que ouvira uma fraca voz feminina, ao tempo em que o lpis se levantava. Ele ouvira dizer: Ainda que esteja escuro, vejo da mesma maneira. Mais tarde eu disse diversas vezes ao meu amigo mdico: Se a escrita direta que obtivemos naquela noite se produziu graas fraude, ou por um truque, foste tu o fraudador. Devo confiar-vos que aquela cartinha me agradou tanto que no somente a guardei com grande cuidado, mas a fotografei. Disse antes que tnhamos atrs da rede uma caixa de jogo assim como uma ctara e que ambas foram deslocadas pelas inteligncias invisveis. O mdico cptico amarrou na ctara uma fita fosforescente, que brilhava na obscuridade. Podamos, assim, observ-la por mais longe que ela voasse. Os espritos tocaram, muitas vezes, msica nas cordas da ctara, enquanto, com a rapidez de um relmpago, a deslocavam no ar. Todos os experimentadores podiam observ-la porque a faixa fosforescente indicava, constantemente, onde a ctara se achava. Certa noite a fita se soltou da ctara e caiu no cho, evidentemente, por trs da rede. Poucos instantes depois ela foi levantada no ar e, como o mdico meu vizinho e eu vigivamos o mdium, pudemos ver trs dedos, da cor natural da carne, que faziam passear a fita no ar, no-la tornando a entregar.

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A vos de Jon vibrou, como sempre, triunfante. No eram os seus dedos materializados que havamos visto? Durante esse inverno tivemos um novo perodo de sesses agitadas, porm dessa vez o velho agitador Jon se tornara um auxiliar inaprecivel para os espritos-guias. Tomou conta de mim e do mdium sempre que os outros espritos queriam importunar-nos. Como exemplo do que poderia acontecer-nos, relato o seguinte caso: Estava eu sentado, certa noite, a ss com o mdium, por trs da rede, quando apenas trs homens assistiam sesso, do outro lado: o mdico cptico Gutmundur Hannesson, o oculista Bjrn Olafsson e o escritor Einar H. Kvaran. Depois de spera luta com duas inteligncias, particularmente grosseiras em suas expresses, coloquei-me com o mdium na escada conducente cadeira. Passei-lhe os braos pelos ombros e apertei-lhe as pernas entre os meus joelhos, para fiscaliz-lo. Ento a cadeira, que era fixa na parede e no cho, foi, de repente, arrancada, quebrada e atirada ao solo, junto rede. Continuei a segurar o mdium, com fora, porm fui com ele agarrado por uns como braos que se moviam no ar, de modo que voamos e fomos cair um pouco mais longe. Feri, desastradamente, as mos na queda e o mdium ficou de tal modo comprimido entre as peas da cadeira quebrada que uma farpa de madeira se lhe enterrou profundamente na carne, ao cair. Aqui, devo prevenir uma objeo que alguns dos meus ouvintes faro talvez, dizendo: Neste caso, tivestes bem a prova de que estveis em comunicao com maus espritos ou demnios. Penso de maneira diversa. Em geral, faz-se uma idia absolutamente falsa desse gnero de fenmenos, desde que, ao relat-los, se omita tudo o que as inteligncias dizem. Por isso dou-me pressa

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em fazer saber o que, de um lado, os maus espritos diziam e, de outro, o que falavam os espritos-guias. Um deles era chamado Capito, pois fora, conforme declararam, piloto de um barco de pesca que, com toda a tripulao, desaparecera por ocasio de um naufrgio recente. Segundo contaram, tinham ido para bordo e se entregado ao lcool. Aps longa luta com um tempo terrvel, pereceram no sinistro, perto da costa. Um dos guias de Indridasson, dando uma explicao mais clara, disse que eles eram to maus quanto bbados e que, nesse estado, tinham morrido afogados. Acrescentou ser perigoso encontrarse algum bbado por ocasio da brusca passagem da vida para a morte. Tal estado, inevitavelmente, se prolonga do outro lado, donde deduzia que eles ainda no se haviam percebido da sua situao. Depois de algum tempo as desordens cessaram. Uma noite as mesmas inteligncias se manifestaram de novo, mas fora do mdium, por via direta. Estavam inteiramente calmas e pediram-nos perdo por tudo que haviam feito. E o Capito acrescentou: No sabamos realmente o que fazamos; sentamo-nos como embriagados. O mdico cptico, que atualmente professor na Universidade de Reykjavik, ficou, nesse inverno, absolutamente convencido da realidade dos fenmenos e inscreveu-se como membro de nossa sociedade. No ano seguinte ele escreveu em um jornal uma srie de artigos sobre as suas pesquisas e ali fez a seguinte declarao: Ainda que, em cada sesso, das realizadas por todo o inverno, buscasse descobrir fraude ou truque, jamais pude encontrar nem um nem outro. Ao contrrio, fiquei convencido de que os fenmenos eram reais. E sou sempre desta opinio. Antes de partir da Islndia, tivemos uma conversa e ele me disse, entre outras coisas o seguinte: Podes estar certo de minha

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absoluta convico de que os fenmenos so, indubitavelmente, verdadeiros. Foi verdadeiramente trgico ter morrido esse excelente mdium Indridi Indridasson to jovem ainda! Em junho de 1909, quando as suas faculdades medinicas estavam no apogeu, obteve frias de vero e partiu para a casa de seus pais, com sua mulher. Durante essas frias contraiu tifo. Sua esposa contaminou-se e morreu; desde essa ocasio no obteve melhoras e, assim, mais sesso alguma realizamos com ele. Em pouco tempo a tsica se declarou e ele morreu durante o vero de 1912 no Sanatrio Vifilstad. Lastimo que o tempo no me permita expor-vos algo acerca dos numerosos e bons espritos que se manifestaram nas nossas sesses e que nos deram provas de suas identidades. Pus em destaque os aspectos dos fenmenos que so os mais dificilmente explicveis pela teoria animista. As inteligncias com as quais nos mantivemos em relao durante todos esses anos se mantinham to pessoais quanto ns mesmos. Elas se propuseram apenas a um fim, durante esses cinco anos: convencer-nos da importncia de suas afirmativas de que eram espritos desencarnados, que tinham outrora vivido na Terra. Fiz muitas experincias, posteriormente, tanto na Inglaterra como na Islndia, e todas elas s serviram para fortalecer a convico que possuo, graas maravilhosa mediunidade de Indridasson. Sei perfeitamente bem que muitos querem explicar os fenmenos pela telepatia ou pela subconscincia do mdium; outros pela irradiao do corpo humano. Quando, de tempos, ouo ou leio especulaes feitas por homens sbios que escrevem, sentados nos seus gabinetes, sem terem ao menos assistido a uma sesso, quando vejo que eles querem tudo ajustar s suas prprias teorias para exclurem a explicao esprita, pergunto, interiormente, a mim

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mesmo: Podem eles achar uma explicao para as minhas mos inchadas e para o prego enterrado na carne do mdium? No posso impedir-me de duvidar que a telepatia seja realmente bastante poderosa para arrancar cadeiras solidamente pregadas. Gostaria de ver em meu lugar, na noite em que fui levantado do assento no cho, um desses doutos cpticos que discorrem sobre os fenmenos psquicos sem terem tomado parte numa nica sesso esprita. Essa viagem area teria bem convindo a todos. Mister se faz insistir sobre esse ponto, porque no foi nem um nico fenmeno, nem um acontecimento determinado, que me deu esta firme convico, mas a observao do seu processo e do seu conjunto. Vi os fenmenos em sua origem, em sua plenitude e em seu desaparecimento. Observei-os quando o poder do mdium estava no seu apogeu e quando prestes a desaparecer. por isso que todos aqueles que experimentaram com Indridasson durante um certo tempo chegaram, como eu, ao conhecimento (apesar de bastante limitado), compreenso de fenmenos que de outra maneira no se explicariam. Para dizer tudo, experimentei na Islndia com dez mdiuns e tomei parte em vrias sesses com quinze mdiuns, na Inglaterra. A maior parte desses mdiuns eram ingleses, porm alguns americanos. Quanto mais me entregava s pesquisas psquicas, quanto mais lia os estudos dos outros (e sobre o assunto li muito) melhor compreendia ser indubitvel que a comunicao entre os espritos desencarnados e os encarnados s se estabelece com grandes dificuldades. Mas, ao mesmo tempo, compreendi claramente que as outras explicaes eram insuficientes e que somente a hiptese esprita permite abraar todos os fenmenos. Conquanto no tenha a menor dvida acerca das concluses a que conduzem as investigaes psquicas, sustento que temos a

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obrigao de exigir sempre novas provas. Devemos recolh-las porque nada mais prejudicial ao progresso da nossa causa do que a credulidade e a falta de argcia de muitos espritas. Mesmo quando um mdium de incorporao profere uma alocuo, no h nisso nenhuma prova certa de que ela provenha de um esprito desencarnado. por isso que no posso compreender que algum se meta a formar um crculo esprita unicamente porque dispe de um mdium de incorporao. Bem sei que nas primeiras comunidades crists tais fenmenos produziram profunda impresso e que se escutavam, com prazer e viva ateno, esses inspirados. Porm, se volvemos, com o maior respeito, os nossos olhares para o tempo dos apstolos, precisamos, entretanto, ser mais crticos no sculo XX. No deposito confiana na faculdade medinica de qualquer pessoa sensitiva enquanto dela no receber uma boa prova. Se o tempo mo permitisse, seria para mim grande alegria darvos uma prova convincente das dificuldades inerentes comunicao entre as duas formas da existncia, porm impossvel. Tambm narrar-vos-ia, de boa vontade, as minhas experincias na Inglaterra, porm devo renunciar a isto pela mesma razo. Vou, entretanto, relatar, o mais brevemente possvel, alguns casos acontecidos no vero de 1910. Durante o inverno de 1909-10 fiz experincias, por um momento, com certa mdium que casada, atualmente, com um juiz da Islndia. Nessas sesses, que se realizavam em plena luz, uma inteligncia que muitas vezes se incorporou pretendia ser um dos meus espritos protetores e forneceu-me diferentes provas de sua identidade. A inteligncia disse que seu nome fora Ingeborg, em que parte da Islndia vivera e quando e como desencarnara.

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Escrevi para a Islndia e recebi de uma senhora idosa a seguinte informao: Realmente, uma mulher, de nome Ingeborg, existira naquele lugar e falecera da maneira indicada nas sesses. No pude encontrar em Reykjavik uma s pessoa que tivesse conhecimento dessa existncia. Antes de partir para a Inglaterra, realizei uma sesso com a mdium em questo e tive uma conversa com Ingeborg. Perguntei-lhe se ela queria tentar dar-me um sinal da sua presena pelo vocabulrio de um mdium ingls. Respondeu-me que estava disposta a faz-lo e que buscaria dar-me o seu nome. Lembrei-lhe que os nomes so sempre difceis de transmitir e precisamente ela encontraria dificuldade em trabalhar com um mdium ingls para o qual os nomes islandeses eram inteiramente estranhos. Ento ela props que convencionssemos um sinal pelo qual ela se faria conhecer. Essa idia me satisfez e lhe propus que, se ela conseguisse manifestar-se na minha presena, por um mdium ingls, levantasse a mo direita no ar. Essa sugesto no teve a sorte de agradar a Ingeborg; quis, ela prpria, escolher o sinal com o qual eu estivesse de acordo: Mostrar-me-ei com uma cruz, disse-me ela, porm no ficamos inteiramente de acordo porque eu achava que isso era banal e que se diria depois ser apenas uma feliz coincidncia. Ento ela disse: Mostrar-me-ei, primeiramente, com uma cruz, em seguida a enlaarei e a beijarei. Fiquei satisfeito, porque o sinal convencionado entre ns se decompunha em duas partes e no seria fcil explic-las no caso em que a experincia tivesse bom resultado. Logo depois da minha chegada Inglaterra, antes que assistisse a uma sesso qualquer, com mdiuns profissionais, fui, certo dia, convidado para almoar na casa de um rico ingls que havia muito se interessava pelas pesquisas psquicas.

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Entre os hspedes, noite, encontrava-se um comerciante, que era dotado de brilhantes faculdades medinicas. Era clarividente, mdium de materializao, como tambm mdium de incorporao, porm no fazia sesses com seus amigos e se guardava segredo de que ele estava de posse de uma tal mediunidade, porque temia que seus fregueses no o deixassem em paz se soubessem de semelhante coisa. Nosso hospedeiro, que era amigo ntimo do negociante, fez-nos saber que ele lhe prometera conceder uma sesso. Esta foi para ns a mais interessante possvel. Nela vi o esprito de uma criana de quatro anos materializar-se bem perto da minha cadeira, tendo eu observado, da maneira mais minuciosa, o processo da materializao e examinado longamente o semblante sedutor da criana. Recebi ento a comunicao desejada de Ingeborg. Por felicidade, um dos assistentes observava tudo o que se passava no decurso da sesso. Tive, primeiramente, uma descrio de minha falecida me e uma longa mensagem dela. Escutei, sem dizer palavra. Depois o esprito-guia do mdium anunciou que chegara uma senhora, a qual se mostrava com uma cruz. E agora, seja-me permitido recordar algumas palavras inglesas, consignadas pelo redator da ata da sesso: A lady with a cross. She helps and keeps you. Se kisses it (Uma senhora com uma cruz. Ela vos ajuda e vos protege. Beija a cruz). No dia seguinte o secretrio da sesso me deu um extrato do processo verbal relativo ao que me concernia, extrato que conservo ainda. Um outro caso: Antes que eu partisse em viagem, os espritosguias de Indridasson lhe comunicaram vrias vezes que destacariam um do seu grupo para acompanhar-me Inglaterra. Indridasson havia ento partido para a casa dos seus pais, porm me escreveu uma carta que eles estavam de acordo com a escolha da senhora que o fizera cair em transe e da qual falei vrias vezes nesta exposio.

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Seu verdadeiro prenome era Sigrid, porm nas sesses foi sempre chamada N. N.. Como podeis pensar, eu esperava justamente que N. N. se manifestasse por mdiuns ingleses. Para os cpticos, que crem que os desejos dos experimentadores so as causas profundas dos fenmenos, claro como o dia que eu devia ouvir algo de N. N., pois que esperava, vivamente, ouvi-la falar. Se essa explicao verdadeira, como notvel que os meus pensamentos e desejos no tenham nada obtido dela, nem por um, nem por outro mdium! Ao contrrio, uma das minhas sobrinhas, que se casara com Indridasson e que falecera 3 a 4 anos antes, se manifestou pelo vocabulrio de quatro mdiuns. Obtive uma excelente descrio dela na casa do bem conhecido mdium Alfred Vout Peters, na primeira vez que o vi. Tinha ela dois prenomes. O primeiro, ela mo deu por intermdio da mdium conhecida por Parma, em Londres. O segundo pela Srta. McCreadie. Em casa desses trs mdiuns as descries, mesmo acerca das circunstncias de sua morte, foram to exatas que a no podia haver engano. Quando, para meados de setembro, voltei Islndia, estava muito enganado pensando que os ensaios com N. N. estivessem completamente paralisados. minha chegada encontrei logo depois Indridasson, que voltara cidade. Depois que nos cumprimentamos, porm antes que nos sentssemos, ele me disse: Relativamente a N. N., uma grande mudana se operou depois que lhe escrevi. Numa das primeiras noites que se seguiram expedio da minha carta, R. G. (isto , o guia principal) veio a mim e me disse: Modificamos nossa resoluo a respeito daquele que deve acompanhar o pastor Nielsson Inglaterra. Achamos que a prova seria bem mais forte se ele no suspeitasse quem do grupo

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iria acompanh-lo, mas soubesse apenas que seria um de ns. Eu lho digo agora para que seja testemunha de que queremos deixar partir com ele a sua prpria sobrinha, vossa falecida esposa, e no N. N.. Tudo se esclareceu em mim e compreendi ento por que a fiel N. N. no se manifestara no decurso da minha viagem Inglaterra. Ao contrrio, por quatro mdiuns, manifestara-se sempre a minha sobrinha. Tive a confirmao de que Indridasson fala a verdade quando, um pouco mais tarde, encontrei minha irm. Durante a estao de vero ela fora visitar Indridasson e, conquanto a sade deste no fosse muito boa, ele quis conceder-lhe uma sesso, na expectativa de que a filha dela se manifestasse. Com grande espanto deles, um dos guias de Indridasson lhe comunicou, durante o transe, que a moa fora encarregada de acompanhar o tio na sua viagem Inglaterra e que por essa razo no se manifestaria na Islndia. Posso acrescentar, para aqueles que tm pouco conhecimento desses assuntos, que este fato notvel, porm me aterei somente aos fatos sem pretender explic-los. A resistncia que encontram sempre as cincias psquicas provm principalmente da falta de conhecimentos. A maior parte dos homens , nesse domnio, completamente ignorante e assim deixase facilmente espantar pelos esforos da imprensa em ridicularizar essas coisas. Existem poucos que tenham tido oportunidade de observar os mais convincentes e importantes fenmenos, por isso no extraordinrio que no estejam convencidos de que, pelo menos, alguns desses fatos provenham de um mundo desconhecido. Quando reflito em toda essa luta que se trava sobre a explicao dos fenmenos, lembro-me muitas vezes de um pequeno acidente da minha vida pessoal, porm antes que vos fale dele devo

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fazer notar que, justamente, em face de Reykjavik, do outro lado do fjord, ergue-se uma alta montanha chamada Esja. Foi no vero de 1901. Eu viajava pela primeira vez pelo sudeste da Islndia, onde Gunnar e Njal moravam. Viajava a cavalo e tinha por companheiro um telogo. Na viagem de volta disse-lhe: Vi enfim a plancie meridional da Islndia, a regio rica em recordaes. Na verdade, j a vi uma vez. Eu escalei o Esja, a 8 de setembro de 1893, com o telogo Dr. Helgi Pjeturss. O ar estava to lmpido, to claro, que podamos divisar, ao longe, para leste, at Oefjeldsjokulen, e percebemos as azuis ilhas de Vest, que emergiam do mar. Isto no tem sentido respondeu o meu amigo . impossvel do Esja divisar, a leste, a cadeia de montanha. Escalei tambm, um dia, o Esja e no se tinha nenhuma perspectiva para leste. E ele citou o nome daquele com quem fizera a ascenso, um chefe de servio de Copenhague, acrescentando, verdade, que haviam subido a um outro ponto que no o meu, porm me assegurou que atingiram o mais alto cimo. Expliquei-lhe que estava certo do que lhe adiantara. Lembravame muito bem de quanto a perspectiva fora arrebatadora, porm ele pretendia que eu me enganara. E chegamos a discutir vivamente o assunto. Cheguei concluso de que era mais razovel calar-me. Cavalgamos, um momento, lado a lado, sem dizer palavra. No meu silncio, refletia que, assim voltssemos a Reykjavik, iria procurar o Dr. Helgi Pjeturss e o tomaria como testemunha de que eu dissera a verdade. Naturalmente, assim fiz, logo que chegamos em casa. O Dr. Pjeturss se recordava to bem quanto eu de que, para o lado de leste, havamos avistado alm da cadeia de montanhas e que era um panorama maravilhoso. O meu amigo no teve outro recurso seno o de calar-se.

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Durante numerosos anos eu me espantava ainda de que ele no tivesse conseguido ver do outro lado. Alguns anos mais tarde dois estrangeiros pediram-me para fazer com eles a escalada do Esja. Chegamos um pouco tarde e resolvemos escalar a montanha no mesmo lugar em que o meu amigo telogo e o chefe de servios haviam subido. Podia-se ir a cavalo at certa parte do percurso e a subida s era difcil no ponto em que eu e o telogo tnhamos outrora passado para atingir o ponto culminante. Quando alcanamos esse ponto e comeava eu a gozar da magnfica perspectiva, descobri com profunda estupefao que desse lugar a vista no alcanava alm da cadeia de montanhas, a leste. O Esja no , precisamente nesse lugar a que atingimos, to elevado quanto em outros lugares. Eu compreendia agora o meu amigo e verificava que ele no se enganara. Todavia ele no tinha razo: Do Esja pode-se ver a leste, alm da cadeia de montanhas. Todos na Islndia o sabem, todos aqueles que se deram ao trabalho de escalar o mais alto pico. Para dizer verdade, eles so pouco numerosos. Os homens so to preguiosos que no querem escalar a montanha ngreme. A longa disputa entre mim e o meu amigo provinha do seguinte: ele nunca atingira o mais alto cimo donde se goza de perspectiva sobre o outro lado e o meu erro residia em no ter notado quanto tudo depende do lugar da montanha donde se parte e da altitude a que se chega. No se d o mesmo com os fenmenos psquicos. Do ponto culminante da cadeia de montanhas pode-se ver em todas as outras direes. No Alm, porm, se no subirmos to alto no perceberemos embaixo seno o vale da existncia terrestre, no qual vivemos. No posso dissimular que sinto certa alegria como nesse dia em que se tratou da perspectiva do Esja ao pensar que, absoluta-

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mente certo da questo, possa ouvir um materialista servir-se de palavras bombsticas, crendo, verdadeiramente, que pode destruir com zombarias o mais precioso bem da humanidade: a esperana de uma vida eterna. o mesmo sentimento que se apodera s vezes de mim, quando ouo os zelosos, os pretensos ortodoxos, que so, em regra geral, pessoas da Igreja, muito ignorantes nesse terreno, falar contra o Espiritismo e contra os resultados mais importantes das pesquisas psquicas. Rejubilo-me, entre outras coisas, por ver desde j em seus semblantes um sorriso de desculpa quando estivermos todos no vasto alm. Creio que cada um deles me dir algo de semelhante ao que o meu amigo deveria ter-me dito: Era porque tinhas escalado o cimo mais elevado, ao passo que eu no me dera ao trabalho de subir to alto.

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II A Igreja e as pesquisas psquicasDificilmente se poder ocultar quo poderoso de tornou, em nossos dias, o movimento do Espiritismo e das pesquisas psquicas em muitos pases, no na Dinamarca nem na Escandinvia em geral, mas na Amrica, na Inglaterra, na Esccia, na Frana e na Itlia. Se algum duvidasse disso eu lhe recomendaria que fosse Inglaterra ou Esccia e ali observasse as comunidades espritas. Nas duas ltimas vezes em que fui velha Albion, nos veres de 1909 e 1921, entrei em vrias igrejas e assisti a algumas reunies dominicais ou atos religiosos dos espritas. Verifiquei que as primeiras longe estavam de ser freqentadas, ao passo que as segundas eram quase sempre assistidas por uma multido compacta. Ou ento que leiam os livros dos doutrinadores, os de Conan Doyle, por exemplo. Os homens sentem que o Espiritismo lhes traz algo de novo, que lhes d qualquer coisa que constitui o seu ltimo anseio, porque a grande questo no , ainda hoje, menos importante: Nossa vida acaba no tmulo, ou h uma regio alm da morte? E se h uma vida depois da morte, como essa vida? E podemos, na verdade, entrar em relao com aqueles que j provaram o que seja a morte e que assim conseguiram saber um pouco mais sobre essa existncia? Sabemos todos que Igreja tem sido possvel responder, com segurana, sim primeira parte dessas questes, porm exige que sua resposta seja aceita pela f. A ltima parte, isto , se podemos entrar em contato com os mortos, responde no. Provas de sua afirmativa? No as tem e alguns dos seus servidores, em geral,

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nutrem certa desconfiana por quaisquer provas sobre o assunto. So de opinio que, na matria, somente a f pode ajudar-nos. No parece terem compreendido que o Cristianismo no comeou apenas pela crena na ressurreio, mas sim pelo conhecimento dos fatos que a comprovam. Se houvssemos interrogado o apstolo Paulo, para sabermos se ele acreditava na ressurreio, ter-nos-ia certamente respondido: No, crer no bem o termo a se empregar a tais fatos; tenho sim conhecimento deles. No creio apenas, mas sei, porque eu prprio vi vrias vezes o Ressuscitado e lhe falei. Paulo e os cristos primitivos acreditavam em uma incessante comunicao com um mundo invisvel, mais evoludo do que o nosso. essa mesma comunicao que os espritas reataram. H j mais de 70 anos que eles anunciaram essa descoberta, mas, em regra geral, s tem encontrado desprezo e clera por parte da Igreja, como em toda parte. Finalmente conseguiram atrair a ateno de alguns homens de cincia e, desde que esses iniciaram investigaes e que muitos dentre eles chegaram mesma convico, a causa esprita fez notvel progresso. As pesquisas dos sbios acerca dos fenmenos espritas e as declaraes espritas foram estimuladas pelos estudos psquicos. Falando esta noite sobre a Igreja e as pesquisas psquicas, penso nos resultados que tem sido obtidos por investigadores como Sr. William Crookes, Sir Oliver Lodge, sir William Barret, o psiquista italiano Lombroso, o filsofo norte-americano Prof. James H. Hyslop, o fisiologista francs Charles Richet e o mdico norteamericano, mundialmente conhecido, Adolph Knopf. Cito apenas estes como exemplos. Poderia acrescentar ainda os nomes de uma pliade de sbios de renome que alcanaram, todos, o mesmo resultado. Mas no necessrio: so assaz conhecidos vossos.

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Quando, porm, o vulgo percebeu que os mestres das cincias tinham chegado a resultados idnticos aos dos espritas e que revelaram a nova cincia em obras facilmente compreensveis, as fileiras dos espritas comearam a engrossar. Citarei apenas um livro que, sob esse ponto de vista, tem feito prodgios. Trata-se da obra de Sir Oliver Lodge, Raymond or Life and Death (Raymond ou a Vida e a Morte). Tenho bastas vezes considerado o tempo que seria preciso aos eclesisticos para se aperceberem de que o Espiritismo superior parente prximo do Cristianismo primitivo.6 Que seja difcil a leigos descobri-lo, explica-se pelo pequeno conhecimento que tm eles do Novo Testamento. A verdade que estudamos nas Faculdades de Teologia da maior parte das Universidades com os culos da dogmtica. Assim era, pelo menos, no meu tempo, nas Universidades de Copenhague, na Dinamarca; de Halle, na Alemanha e de Cambridge, na Inglaterra. No temos, porm, o direito de esquecer que, evidentemente, o ensino ortodoxo da Igreja , em vrios pontos, um tanto diferente do ensino ministrado pelo Cristo. Muitos leigos acreditam que era Jesus em pessoa e somente ele que operava maravilhas e que os milagres se produziam somente por ele e com ele; entretanto o Novo Testamento nos ensina algo um tanto diferente. Logo da primeira vez que ele enviou os seus apstolos, no foi somente para espalharem o Evangelho, mas tambm para fazerem milagres. O Evangelho segundo Mateus refere que Jesus lhes disse: Curai os enfermos, ressuscitai os mor6

Por ter o Esprito Consolador prometido pelo Cristo, para os ltimos tempos, a fim de esclarecer e completar o Cristianismo, pois muitas coisas no foram explicadas e outras muitas no ditas. O Espiritismo ou Neo-Espiritualismo bem a base de todas as religies, pois as suas manifestaes se do nos pases cristos, budistas, maometanos ou de quaisquer outras doutrinas, filosofias ou religies. (N. T. B.)

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tos, purificai os leprosos, expulsai os demnios (Mateus, X, 8). E alegres porque possuam tal poder, voltaram da primeira viagem. O Evangelho segundo Marcos faz notar ter Jesus prometido que tais sinais seguiro, em todos os tempos, os que tiverem f. O Evangelho segundo Joo nos transmite a expresso de Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que aquele que cr em mim far tambm as obras que eu fao e as far maior do que estas, pois que eu me vou para o Pai (Joo, XIV, 12). Tambm os Atos dos Apstolos nos falam dos milagres que foram praticados pelos apstolos e no conheo outros escritos que contenham tantas narraes desses fatos, que muitos chamam hoje, com desprezo, de fenmenos espritas. Se a crena nos espritos se baseia em algum documento, , por certo, nesse incomparvel e inestimvel relato, nessa descrio da primeira comunidade crist. Os Atos dos Apstolos tratam, em seguida, de aparies, de revelaes, de profecias, de curas pela fora espiritual, de materializaes (aparies de anjos) e magnficas levitaes. Duas dessas narrativas ferem-nos, particularmente, a ateno: a narrativa do segundo captulo sobre as maravilhas da Pentecostes (o rudo que vinha do cu como o de um vento impetuoso, lnguas de fogo, os discursos dos apstolos em diversos idiomas ou fenmeno de xenoglossia); e a bela narrao do 12 captulo: como se mostrou o anjo a Pedro na priso, o despertou levemente e o fez sair atravs de portas fechadas e slidas muralhas, depois do que desapareceu, deixando Pedro na rua, completamente desperto, ante os muros da priso. Nos meus primeiros anos de ensino teolgico, quando eu explicava aos alunos do seminrio de Reykjavik essa passagem e fazia notar que a estava, seguramente, a narrao de um acontecimento to real quanto tantos outros produzidos no sculo XIX, um dos

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discpulos obtemperou: O apstolo Pedro no tem grande mrito em ter tamanha f se lhe foi dado realizar tal prodgio. Eu tambm teria uma f imensa se dado me fosse realizar semelhante fato. Ocorre, ento, perguntar: Em que Igreja h hoje ocasio de se fazerem tais experincias ou de se realizar coisa semelhante? Creio ser forado a responder: Em nenhuma. Entretanto, os espritas, na Amrica, na Inglaterra e na Frana, vm repetindo h mais de meio sculo: Vinde a ns e vereis e realizareis um pouco de tudo isso. Mostrar-vos-emos nas nossas assemblias o mesmo servio divino dos primeiros cristos, do qual nos fala o Novo Testamento. possvel que alguns sacudam a cabea em sinal de incredulidade, mas devemos primeiramente representar com clareza o que eram as reunies dos primeiros cristos, muito diferentes do culto divino que se celebra hoje nas igrejas. Delas nos deu o apstolo Paulo, em suas epstolas, uma clara descrio, principalmente na 1 Epstola aos Corntios, a qual, certamente, conheceis.7 Naqueles tempos no havia nenhum pregador preparado que pregasse s assemblias com vestes sacerdotais, mas se escutava atentamente o que tinham a dizer os profetas ou outros homens possuidores de dons espirituais. E os dons celestes dessas pessoas inspiradas podiam ser e eram de vrias espcies. A seu respeito assim se exprime Paulo: A um dado pelo esprito a palavra da sabedoria; a outro porm a palavra da cincia, segundo o mesmo esprito; a outro a f, pelo mesmo esprito; a outro o dom de curar enfermidade em um mesmo esprito; a outro a operao de maravilhas; a outro a profecia; a outro o discernimento dos espritos; a

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Efetivamente, o Didach, primeiro catecismo cristo (traduo francesa de Paulo Sabatier, doutor em Teologia, Fischbacher, editor, Paris, 1885), nos mostra a primitiva igreja crist muito diferente do que se imagina e do culto atual, como diz o Rev. Nielsson. (N. T. B.)

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outro a variedade de lnguas e a outro a interpretao das palavras (I Corntios, XII, 8, 9, 10). E no devemos esquecer que esses homens inspirados, na maior parte das vezes, se achavam em um estado particular. Pessoas que vinham ouvi-los acharam to estranho tal estado que julgavam estivessem eles loucos ou brios. Acontecia em suas reunies que, uns aps outros, sofressem essas influncias; por vezes mesmo, uma terrvel confuso se produzia porque vrios desses inspirados falavam ao mesmo tempo, por isso teve o apstolo necessidade de fixar regras para conservar a mais completa disciplina. Vede o que ele diz: Que fareis, pois, meus irmos? Se, quando vos congregais, cada um de vs tem salmo, tem doutrina, tem lngua estranha, tem revelao, tem interpretao (I Corntios, XIV, 26). Assim ele fixou regras para que, numa mesma comunidade, fosse apenas permitido a dois ou, no mximo, a trs falarem diversas lnguas, um aps o outro, devendo um outro interpretar os discursos. E para os profetas a mesma ordem: Que s dois ou trs falem e que os outros julguem o que ouvirem. Mas o que se devia julgar? A coisa no era assim to simples. Os primeiros cristos acreditavam que eram verdadeiros espritos que falavam por esses indivduos especiais, sejam eles designados pelo nome de profetas ou por outro nome. Os gregos tinham um nome comum para todos: Pneumticos, aqueles que eram dirigidos pelo esprito, ou talvez mais exatamente: aqueles que estavam sob a influncia de um esprito ou de um anjo. Paulo exprime-se to claramente em dois versculos que no se pode deixar de compreend-lo. Diz ele que possvel manter a boa ordem nas reunies, com facilidade, porque os espritos dos profetas esto submetidos aos profetas (I Corntios, XIV, 32).

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E, em outra passagem do mesmo captulo, diz: Assim tambm vs, pois que aspirais dons espirituais (isto , desenvolver a mediunidade e entrar em relao com os espritos) seja isto para edificao da Igreja e que os procureis possuir em abundncia (I Corntios, XIX, 12). No texto grego consta espritos e no dons espirituais como menciona a traduo dinamarquesa da Bblia. Em muitas tradues da Bblia, esta passagem est vertida em sentido confuso, apesar de no haver a menor dvida quanto verdadeira significao dos termos gregos do texto original: epei zelotai este pneumaton. Os tradutores e os revisores da Bblia nem sempre tm tido a coragem de traduzir com exatido as Escrituras Sagradas, o que no nos causa espanto. Os telogos prenderam os seus sistemas dogmticos em pesadas e estreitas cadeias. Por outro lado, leigos ortodoxos, em muitos pases, no podem suportar a verdadeira traduo por julgarem que ela destri os seus dogmas. Tenho alguma experincia sobre o assunto e falo do que conheo. Segundo a concepo dos tempos apostlicos, os espritos podiam ser bons ou maus, isto , muito evoludos ou inferiores e atrasados. Podia acontecer mesmo se manifestarem espritos com os quais ningum desejasse entrar em relao. Esses tais impunham-se com insolncia, vinham sem ser evocados, exatamente da mesma maneira como acontece nas reunies espritas ou nos lugares onde os pesquisadores psquicos fazem experincias com mdiuns e, mais freqentemente, nos casos em que estes possuem timas faculdades medinicas para manifestaes fsicas. por isso que o autor da 1 Epstola de Joo recomenda aos seus leitores no terem confiana em todos os espritos: Carssimos, no creiais em todo esprito, mas provai se os espritos so de Deus (Joo, IV, 1) e adiante acrescenta: porque foram muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo.

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Acreditava-se que havia falsos profetas, isto , homens influenciados por espritos impuros e mentirosos, sem que eles mesmos o suspeitassem, certamente por serem mdiuns inconscientes. Tambm se considerava muito importante haver uma regra determinada para se experimentarem os espritos. O apstolo Paulo prescreve tal regra sua Igreja: Portanto vos fao saber que ningum que fala pelo Esprito de Deus diz antema a Jesus. E ningum pode dizer Senhor Jesus seno pelo Esprito Santo (I Corntios, XII, 3).8 Meus caros ouvintes, isto vos parece, certamente, espantoso, mas a pura verdade. Nas assemblias dos primeiros cristos podia acontecer que uma inteligncia, falando por um profeta inspirado empregado o termo profeta na sua mais larga acepo , lanasse maldio sobre o Cristo. A regra dada por Paulo no tem por si nenhuma eficcia, mas fornece um testemunho da compreenso que ento se tinha dessas coisas. Os profetas ou pneumticos dos tempos apostlicos ou dos primeiros cristos so a mesma espcie de indivduos a que, presentemente, chamamos mdiuns ou sujets psquicos. A tal respeito nenhuma dvida subsiste entre os que tm estudado as duas partes: tanto os fenmenos que o Novo Testamento relata como os fenmenos psquicos que o Espiritismo agora apresenta. Todos os dons espirituais de que fala Paulo, ora atribudos aos mdiuns atuais, eram bem conhecidos. A mediunidade tem numerosas modalidades, exatamente como os dons espirituais do tempo de Paulo. E quem eram, afinal, esses indivduos inspirados, segundo a concepo apostlica? isso justamente o que hoje significa a palavra mdium.8

Os termos da Vulgata, traduo latina do grego, isto , spiritum bonum, correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata no fala, absolutamente, de Esprito Santo. O Esprito Santo, como terceira pessoa da Trindade, s apareceu no sculo II. (N. T. B.)

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Alguns dos meus honrados ouvintes pensaro, talvez, que a mediunidade deve ser olhada como coisa insignificante ou desprezvel. Penso de maneira diametralmente oposta. Esto possivelmente prximos da verdade os que julgam ser ela, de algum modo, a demonstrao do desenvolvimento espiritual e que toda a humanidade, no futuro, possuir esses dons, j previstos por muitos profetas do Antigo Testamento. Creio ter sido Sr. Arthur Conan Doyle quem denominou a mediunidade uma faculdade sagrada e nesse ponto parece-me estar ele de acordo com o apstolo Paulo, que chamava essas misteriosas foras dons espirituais (charismata). Considerava ele, portanto, como uma graa particular de Deus o ser algum provido desses dons. Seguramente era por essa razo que os apstolos possuam essas faculdades pelas quais podiam entrar em relao com o Mestre bem amado, depois de ter ele sofrido a humilhante e dolorosa morte na cruz. Talvez alguns dentre vs no tenhais jamais assistido a uma sesso experimental com um mdium em transe. Pensareis, bem provavelmente, que ser uma coisa maravilhosa ir a uma sesso esprita e ouvir falar um mdium de incorporao. Imaginai, agora, como ficareis espantados se estivsseis na sala incontestavelmente simples em que se realizavam as reunies da Igreja de Corinto e escutsseis os pneumticos discorrerem em xtase (isto , em transe), se os ouvsseis descreverem as vises e as revelaes que obtinham. Mas o que mais vos espantaria seria ver o apstolo Paulo e ouvi-lo falar em diferentes lnguas, pois que nisso o Novo Testamento proclama ser ele um mestre. Segundo a Escritura Sagrada, ele possua, no mais alto grau, todos os dons espirituais, porm se vs estais tomados de espanto, deveis tambm ficar estupefatos porque tanto um como o outro desses fenmenos se produziam no estado de transe.

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O 13 captulo da 1 Epstola aos Corntios, o cntico sobre o amor, nos faz perceber com que ardor e com que inspirao ele falava quando se achava sob a influncia de um mundo superior. O prprio Paulo nos diz que estava freqentemente em transe. O apstolo Pedro conta-nos a mesma coisa. Na traduo dinamarquesa da Bblia inglesa encontr-la-eis muitas vezes. Da prpria Bblia foi que o termo transe (xtase) passou para a linguagem comum. Compreendeis agora porque devem ser identificados os espritos e tambm experimentados. Isto se fazia, provavelmente, pela clarividncia (tal qual hoje) que Paulo considerava como o melhor auxlio nessas relaes. Comparai agora tudo isso com o que se passa atualmente nas sesses espritas. Do que aprendi posso assim ensinar: Quando a faculdade medinica est bastante desenvolvida para permitir uma comunicao verdadeira, as inteligncias que se manifestam pelo mdium e que exercem sobre ele sua ao pedem que se entoem cnticos ou que se faam preces, e isso a fim de que o ambiente fique to harmonioso quo possvel e que todos os assistentes sintam a maior simpatia uns pelos outros. Essas relaes harmoniosas e fraternas ajudam os bons espritos nos seus esforos para estabelecer uma comunicao perfeita e afastar os espritos inferiores que procuram, com af, captar foras em seu proveito, para fazerem o mal. Penso, por esta razo, que devemos ser muito prudentes, especialmente no comeo, quando nos queiramos ocupar de experincias psquicas ou de sesses espritas. Estou convencido de que o mdium pode sofrer com isso se no tivermos a previdncia e a