· Web viewPREÇO DE VENDA R$ 120,00 (-) CUSTOS VARIÁVEIS Unit. R$ 0,00 (-) DESPESAS VARIÁVEIS...

of 22 /22
APLICAÇÃO DOS ELEMENTOS DE ANÁLISE C/V/L NA PERFORMANCE FINANCEIRA DE UMA EMPRESA DO SETOR ALIMENTÍCIO VERSUS A EXPERIÊNCIA PRÁTICA DO PROPRIETÁRIO APPLICATION OF ELEMENTS ANALYSIS C / V / L IN FINANCIAL PERFORMANCE COMPANY OF FOOD INDUSTRY VERSUS THE EXPERIENCE OWNER'S PRACTICE Eliza Mayara Alves de Moura – [email protected] Rafaela Fernandes de Campos – [email protected] Tamiris Fernanda Mateus Espindula – [email protected] Graduandos em Ciências Contábeis – UNISALESIANO Lins Prof. Me. Euclides Reame Junior – UNISALESIANO Lins – [email protected] Prof.ª Esp. Érica Cristiane dos Santos Campaner – UNISALESIANO Lins – [email protected] _____________________________________________________ _____ RESUMO A competitividade está induzindo as empresas a buscarem diversas ferramentas de gestão para auxiliar na tomada de decisão. As empresas ainda não possuem uma estrutura de planejamento e gestão, é importante que estas tenham em vista a utilização dos mecanismos de gestão como instrumentos de análise de custos. Uma das ferramentas que permite fazer uma avaliação é a análise de custo-volume-lucro (CVL), que demonstra a conectividade entre as receitas, custos e volume de vendas, obtendo relatórios que indicam qual a melhor decisão a ser tomada. Deste modo, o presente trabalho busca identificar o uso da ferramenta CVL em uma empresa do setor alimentício (Sorveteria). Este estudo foi fundamentado em pesquisas bibliográficas e entrevistas com proprietário. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso. Os resultados apontam que a empresa necessita de uma ferramenta onde indique quais os produtos que dão maior lucratividade, e quais seus custos para que assim seja alcançado o lucro desejado. Palavras-chave: Análise de custo. Volume e lucro. Setor alimentício. ABSTRACT

Transcript of  · Web viewPREÇO DE VENDA R$ 120,00 (-) CUSTOS VARIÁVEIS Unit. R$ 0,00 (-) DESPESAS VARIÁVEIS...

APLICAÇÃO DOS ELEMENTOS DE ANÁLISE C/V/L NA PERFORMANCE FINANCEIRA DE UMA EMPRESA DO SETOR ALIMENTÍCIO VERSUS A

EXPERIÊNCIA PRÁTICA DO PROPRIETÁRIOAPPLICATION OF ELEMENTS ANALYSIS C / V / L IN FINANCIAL

PERFORMANCE COMPANY OF FOOD INDUSTRY VERSUS THE EXPERIENCE OWNER'S PRACTICE

Eliza Mayara Alves de Moura – [email protected] Fernandes de Campos – [email protected] Fernanda Mateus Espindula – [email protected]

Graduandos em Ciências Contábeis – UNISALESIANO LinsProf. Me. Euclides Reame Junior – UNISALESIANO Lins –

[email protected].ª Esp. Érica Cristiane dos Santos Campaner – UNISALESIANO Lins –

[email protected]

__________________________________________________________

RESUMO

A competitividade está induzindo as empresas a buscarem diversas ferramentas de gestão para auxiliar na tomada de decisão. As empresas ainda não possuem uma estrutura de planejamento e gestão, é importante que estas tenham em vista a utilização dos mecanismos de gestão como instrumentos de análise de custos. Uma das ferramentas que permite fazer uma avaliação é a análise de custo-volume-lucro (CVL), que demonstra a conectividade entre as receitas, custos e volume de vendas, obtendo relatórios que indicam qual a melhor decisão a ser tomada.  Deste modo, o presente trabalho busca identificar o uso da ferramenta CVL em uma empresa do setor alimentício (Sorveteria). Este estudo foi fundamentado em pesquisas bibliográficas e entrevistas com proprietário. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso. Os resultados apontam que a empresa necessita de uma ferramenta onde indique quais os produtos que dão maior lucratividade, e quais seus custos para que assim seja alcançado o lucro desejado.

 Palavras-chave: Análise de custo. Volume e lucro. Setor alimentício.

ABSTRACT

Competitiveness is leading companies to seek various management tools to assist in decision making. Companies still do not have a structure for planning and management, it is important that they have in mind the use of management tools such as cost analysis tools. One of the tools that allows to evaluate is the cost-volume-profit analysis (CVL), which demonstrates the connectivity between revenues, costs and volume of sales, getting reports that indicate what the best decision to be made. Thus, this study seeks to identify the use of CVL tool in a company in the food sector (Ice Cream Parlor). This study was based on literature searches and interviews with owner. The research is characterized as a case study. The results show that the company needs a tool which indicates which products give most profitable and what their cost so that is achieved the desired profit.

Keywords: Cost analysis. Volume and profit. Food sector.

INTRODUÇÃO

Diante da competitividade, as empresas, buscam cada vez mais, formas que

as auxiliem na verificação do desempenho de seus negócios frente ao cenário

econômico. Isto inclui desde empresas de pequeno porte até grandes

conglomerados nacionais e internacionais. As empresas de pequeno porte

representam uma faixa expressiva na economia do país e enfrentam dificuldade de

se manter ativa diante das situações econômicas. Desta forma, o aperfeiçoamento

dos gestores tem se tornado fundamental para a sobrevivência do negócio, e um

fator expressivo que os eliminam do meio é a falta de conhecimentos técnicos para

gerenciar financeiramente sua organização. Para minimizar as dificuldades deste

grupo de empresas existem várias metodologias contábeis e financeiras a serem

colocadas em prática.

Uma dessas metodologias é a análise Custo/Volume/Lucro. Ela possibilita aos

gestores ter uma visão mais referenciada sobre o volume produzido, os custos

relacionados, colaborando para uma avaliação mais segura antes de uma possível

tomada de decisão. Para BORNIA (2002), com a maior exigência do mercado e o

alto nível de competitividade e concorrência, é importante que as pequenas

empresas utilizem dessas informações, buscando um gerenciamento mais dinâmico

e eficaz de seus custos e projeções de lucros futuros. Além disso, os fundamentos

da análise de C/V/L estão intimamente relacionados ao uso de sistemas de custo no

auxílio à tomada de decisões de curto prazo. Se compreendida e aplicada

corretamente, a análise C/V/L é um fator de relevante importância para a projeção

de impactos relacionados às variações nas vendas e nas despesas, podendo,

também, se projetar o lucro desejado e traçar métodos para alcançá-lo. Diante da

necessidade da aplicação de elementos de gerenciamento de custos, este trabalho

tem seu modelo delimitado na análise custo x volume x lucro. O modelo permite a

identificação de um conjunto expressivo de informações para a tomada de decisão

nas empresas; tendo por objetivo descrever o modelo de gerenciamento de custos

Análise Custo/ Volume/Lucro (C/V/L) referente ao mês de Setembro/2016,

destacando determinados elementos existentes em sua composição; desenvolver o

modelo C/V/L em uma empresa do setor alimentício e comparar os resultados

apresentados com a experiência empírica do proprietário da empresa estudada e

apresentar propostas de ações de melhoria. Após essa contextualização, a pergunta

problema para o trabalho é: de acordo com as melhorias que a análise

Custo/Volume/Lucro proporciona a uma organização pode-se dizer que é viável sua

aplicação na performance financeira de uma empresa ou à experiência empírica do

proprietário?

O presente trabalho contribuíra com uma ferramenta de gestão permitindo

que o empresário possa analisar e fazer a relação entre o custo do produto, o

volume produzido e vendido, para então tomar decisões futuras.

Foi adotada como forma de pesquisa a aplicação de um estudo de caso

concentrado na produção de um produto alimentício da empresa Oliveira e Arzani

Sorveteria Ltda ME. Esta ainda, não possui um sistema de custo delineado,

entretanto o proprietário facilitará o acesso às informações e dados para efetuar a

análise.

1 TERMINOLOGIAS UTILIZADAS NA CONTABILIDADE DE CUSTOS

Dentro da contabilidade de custos pode-se identificar alguns nomes com

explicações específicas somente para a área. São eles: gastos, despesas, custos,

perdas e investimentos.

Em meio a esta chuva de nomes e ideias, normalmente nos sentimos perdidos,

por isto passamos a utilizar algumas nomenclaturas para maiores esclarecimentos,

sobre despesas, gastos, custos, perdas e investimentos.

1.1 Gastos

De forma bastante resumida e de fácil entendimento, a terminologia Gasto é

também apresentada por Ribeiro (1997, p. 22) como “desembolso à vista ou a prazo

para a obtenção de bens ou serviços, independentemente da sua destinação dentro

da empresa”.

1.2 Despesa

Para Maher (2001, p.64) “despesa é um custo lançado contra a receita de um

período contábil”. E para Leone (1997, p. 46), “despesa são todos os gastos que são

feitos para se obter uma troca de receita”.

Portanto as despesas são os bens e ou serviços consumidos direta ou

indiretamente que gere receitas, lembrando que as despesas diminuem o Patrimônio

Líquido das empresas.

1.3 Perdas

Perda é descrito por Martins (2003, p. 26) como sendo “bem ou serviço

consumidos de forma anormal e involuntária”.

“Perda são gastos involuntários e anormais que não geram um novo bem ou

serviço e tampouco receitas”. (PEREZ JR, OLIVEIRA e COSTA, 2010, p.22).

Portanto perda são gastos involuntários que não geram receitas, e estes são

apropriados no resultado do período em que ocorrem.

1.4 Investimentos

O conceito de Investimento para Martins (2003, p. 25) é o “Gasto ativado em

função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos”.

Com o passar do tempo e utilização, são alocados para custos e despesas.

Como "exemplo de investimentos tem-se os bens estocados até serem baixados por

venda, consumo, depreciação, amortização. A compra de imobilizado, aplicação

financeira são também investimentos". (GUIMARÃES NETO, 2008, p.10)

Dessa forma Investimento, pode ser entendido como o gasto que nos trará

benefícios futuros.

1.5 Custos

Martins (2001) descreve que o custo é o esforço financeiro despendido para a

aquisição de um bem ou serviço utilizado na produção de outro bem ou serviço.

De maneira semelhante Ribeiro (1997, p. 22) afirma que “quando os gastos são

efetuados para a obtenção de bens e serviços que são aplicados na produção de

outros bens, esses gastos correspondem a custos”.

1.5.1 Custos fixos

Custos fixos permanecem fixos diante de qualquer quantidade, afirma Leone

(2000 p. 55) [...] que não variam com a variabilidade da atividade escolhida. Isto é, o

valor total dos custos permanece praticamente igual mesmo que a base de volume

selecionada como referencial varie.

1.5.2 Custos Variáveis

Custos variáveis são aqueles que têm seu montante monetário alterado

diretamente em função das atividades da empresa, quanto maior a produção, maior

será o gasto com itens como matéria-prima e embalagens, por conseguinte o custo

variável aumentará. Os custos podem ser variáveis quanto à produção, caso típico

desta classificação, quando acompanham a proporção da atividade com a qual

estão relacionados; e podem ser variáveis quanto à atividade, quando um custo é

fixo em determinada atividade, porém, relacionado à outra, poderá ser classificado

como variável (PADOVEZE, 2009).

2 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

Margem de contribuição consiste na diferença entre receita e gastos variáveis.

E demonstra como cada produto colabora para, primeiro, amortizar os gastos fixos,

e, depois, constituir o lucro esperado pelos sócios (HORNGREN; SUNDEM;

STRATTON, 2004; FERREIRA, 2007; MARTINS, 2010).

É uma ferramenta muito útil, a margem de contribuição, porque não apropria

custos fixos ao produto, pois, utiliza o sistema de custeio variável. Assim são

apropriados apenas os custos variáveis, ou seja, os custos alocados a cada produto

são os que realmente foram gastos por ele. Assim, o gestor não terá o risco de errar

por possuir informações distorcidas por rateios arbitrários, já que, a margem de

contribuição elimina essa distorção (MARTINS, 2010).

Para o cálculo da margem de contribuição utiliza-se a seguinte fórmula:

Quadro 01: Fórmula margem de contribuição  TOTAL   UNITÁRIA  VENDAS BRUTAS PREÇO DE VENDA Unit.

(-) CUSTOS VARIAVEIS (-) CUSTOS VARIÁVEIS Unit.(-) DESPESAS VARIAVEIS (-) DESPESAS VARIÁVEIS Unit.(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO (=

) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO Unit.Fonte: Adaptado Marques, 2013, p. 152.

3 MARGEM DE SEGURANÇA

Na visão de Bornia (2002), pode-se classificar margem de segurança como o

excedente das vendas em relação ao ponto de equilíbrio, sendo esta a segurança

que a empresa possui para garantir o lucro da companhia. O autor define ainda a

fórmula de cálculo da margem de segurança em percentual como sendo:

Quadro 02: Fórmula margem de segurança

  ELEMENTOS  VENDAS (Un.)(-) PONTO DE EQUILÍBRIO (Un.)(=

) MARGEM DE SEGURANÇA (Un.)Fonte: Adaptado Marques, 2013, p. 152.

4 PONTO DE EQUILÍBRIO

O ponto de equilíbrio é considerado um indicador de segurança da empresa,

pois ele mostra o quanto será necessário vender para que as receitas sejam iguais

aos custos, eliminando assim a possibilidade de prejuízo nas operações.

4.1 Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC)

Para Ribeiro (2009, p.486) “quando falamos em ponto de equilíbrio de maneira

geral estamos nos referindo ao ponto de equilíbrio contábil, ou seja, ao estágio

alcançado pela empresa no qual a receita total iguala-se aos custos e despesas

totais, não havendo, contabilmente, nem lucro nem prejuízo”

Define-se o ponto de equilíbrio contábil com a seguinte formula:

Quadro 03: Fórmula ponto de equilíbrio contábil

  ELEMENTOS  Custos e despesas fixos totais/ Margem de contribuição unitária

(=) PEC

Fonte: Adaptado GUIMARÃES, 2012, p. 108.

4.2 Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)

Para Ribeiro (2009, p.488) “Ponto de equilíbrio econômico é o estágio

alcançado pela empresa no momento em que a receita total, derivada da venda de

produtos, é suficiente para cobrir os custos e as despesas totais e ainda

proporcionar uma margem de lucro aos proprietários”.

O Ponto de Equilíbrio Econômico é definido pela seguinte fórmula:

Quadro 04: Fórmula ponto de equilíbrio econômico

  ELEMENTOS  Custos e despesas fixos totais + Resultado desejado/ Margem de contribuição unitária

(=) PEEFonte: Adaptado GUIMARÃE, N.O 2012, 109.

4.3 Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)

Conforme Ribeiro (2009, p.494) “ponto de equilíbrio financeiro é o estágio

alcançado pela empresa no momento em que a receita total auferida com a venda

dos produtos 35 é suficiente para cobrir o total dos custos e das despesas totais

diminuindo do total dos custos e despesas não-financeiros”.

O Ponto de Equilíbrio Financeiro é definido pela seguinte fórmula:

Quadro 05: Fórmula ponto de equilíbrio financeiro

  ELEMENTOS  Custos e despesas fixos totais - Depreciação + Dívida/ Margem de contribuição unitária

(=) PEF

Fonte: Adaptado GUIMARÃES, 2012, p. 110.

5 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA

5.1 Delimitação do campo de pesquisa

Está sendo realizada uma Pesquisa Descritiva com Revisão Bibliográfica e

abordagem Qualitativa/Quantitativa. A pesquisa de campo está sendo realizada na

empresa Oliveira e Arzani Sorveteria Ldta ME, no período de fevereiro a outubro de

2016, delimitando a análise ao mês de setembro/2016.

5.2 Métodos

Método de Estudo de Caso

Está sendo realizado estudo de caso, na instituição Oliveira e Arzani Sorveteria

Ltda ME, analisando os aspectos voltados para custo, volume, lucro e a experiência

do proprietário no ramo alimentício.

Método de Observação Sistemática

Estão sendo observados, analisados e acompanhados os procedimentos

aplicados a Oliveira e Arzani Sorveteria Ltda ME como suporte para

desenvolvimento do Estudo de Caso.

5.3 Técnicas

Roteiro de Estudo de Caso

Roteiro Observação Sistemática

6 ESTUDO DE CASO

6.1 A Empresa Estudada

Em 1964 a família Arzani mudou para a região de Lins e instalaram-se em

terras pertencentes a Diocese de Lins, onde administravam um bar e passaram

também a produzir leite, café e criação de gado. Anos depois a Diocese de Lins

vendeu 3 alqueires de terras para a família. Após vasta experiência na

comercialização de produtos oriundos do leite, a família começou a passar por

dificuldades financeiras, quando um amigo convidou o Sr. Luiz para conhecer um

novo empreendimento, que consistia na produção e venda de sorvetes. o Sr. Luiz

enxergou então uma nova oportunidade, a comercialização de sorvetes, visto que já

possuía o gado, produtor de sua principal matéria prima (leite).

Em seguida o mesmo buscou recursos financeiros em um banco para assim

começar a estruturar uma pequena sorveteria, contando com freezers e máquina

para a fabricação do sorvete, o capital levantado a priori não foi o suficiente, tendo

assim que negociar a venda de seu gado. A venda foi acordada com um conhecido

onde firmaram a permanecia dos bovinos no local e pode continuar com a utilização

do leite, sua principal matéria prima.

Com tudo preparado, a Sorveteria Tropical, contando com 20 sabores de

sorvetes deu inicio as suas atividades no dia 03 de março de 2007.

A Fazendinha Tropical está localizada na Estrada Vicinal Lins/Guaimbê, no Km 2,5.

Embora seja localizada em uma área rural, ainda assim não e tão afastada da

cidade.

A empresa hoje, não é somente uma sorveteria, ela se tornou um ponto

turístico da cidade de Lins e região, devido a sua localização diferenciada na área

rural, é um lugar muito arborizado que proporciona um clima mais agradável, oferece

um ambiente familiar, aconchegante, permite também o contato visual com os

bovinos do local, conta com um parquinho instalado na propriedade para as

crianças, aumentando ainda mais diversão das crianças.

A empresa é optante pelo sistema de tributação Simples Nacional,

conforme seu cadastro nacional de pessoa jurídica representado pela figura 01.

Figura 01: Cartão CNPJ da empresa

Fonte: Receita Federal, 2016.

Os valores monetários informados pelos proprietários e que constam no

corpo do texto desta pesquisa referem-se ao mês de setembro/2016.

Os valores encontrados representam a quantidade de 100 baldes,

perfazendo um total de 1000 litros de sorvete de sabores variados.

7 ANÁLISE CUSTO/VOLUME/LUCRO (C/V/L)

Um dos instrumentos da área de custos que pode ser utilizado nas decisões

gerenciais é a análise de custo/volume/lucro. Tal expressão abrange os conceitos de

margem de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança. (WERNKE,

2001)

Por meio da utilização desta ferramenta de análise é possível relacionar os

custos e volumes de produção com a margem de lucro desejada, projetando

resultados em diversos níveis de venda, bem como estudar modificações na

estrutura de custos e preços da empresa. (STARK, 2007)

A adoção desta técnica de análise possui forte importância gerencial, pois é possível

identificar e analisar as relações entre custos, volumes e lucros dos negócios de

uma empresa, tornando viável responder perguntas relacionadas com a alteração de

preços, volumes e custos. (SANTOS, 2000).

Com os dados coletados define-se que as despesas mensais totais da

empresa são:

TABELA 01: Despesas totais

Fonte: Oliveira e Arzani Sorveteria Ltda ME, 2016.

Conforme informado pelo proprietário da empresa, e tendo como base

referencial o mês de setembro/2016 o faturamento bruto mensal auferido é

aproximadamente R$ 32.000,00.

Diante dos dados expostos pode-se calcular isoladamente cada item que será

fundamental para a análise C/V/L.

7.1 Margem De Contribuição

Margem de contribuição consiste na diferença entre receita e despesas

variáveis. E demonstra como cada produto colabora para, primeiro, amortizar os

gastos fixos, e, depois, constituir o lucro esperado pelos sócios (HORNGREN;

SUNDEM; STRATTON, 2004; FERREIRA, 2007; MARTINS, 2010).

Quadro 06 – Demonstração do cálculo Margem de Contribuição Total

  TOTAL VALORES  VENDAS BRUTAS R$ 32.000,00

(-) CUSTOS VARIAVEIS R$ 0,00(-) DESPESAS VARIAVEIS R$ 6.181,00(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO R$ 25.819,00

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016

Quadro 07– Demonstração do cálculo Margem de Contribuição Unitária

  UNITÁRIA VALORES  PREÇO DE VENDA R$ 120,00

(-) CUSTOS VARIÁVEIS Unit. R$ 0,00(-) DESPESAS VARIÁVEIS Unit. R$ 62,00(=) MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO Unit. R$ 58,00

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016

7.2 Margem De Segurança

Dutra (1995) conceitua a margem de segurança como o “espaço limitado,

pelo nível de produção e de vendas considerado normal e pelo nível do PE”. Dessa

forma, pode-se afirmar que quanto menor o PE, maior a MS, e vice-versa.

Quadro 08 – Demonstração do cálculo Margem de segurança

  ELEMENTOS UNIDADE - BALDE  VENDAS (Um.) 100(-) PONTO DE EQUILÍBRIO (Un.) 58(=

) MARGEM DE SEGURANÇA (Un.) 42  Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

7.3 Cálculo Ponto De Equilibrio

Segundo Gitman (2002) "a análise do ponto de equilíbrio, algumas vezes

chamada de análise de custo-volume-lucro, é usada pela empresa (1) para

determinar o nível de operações necessário para cobrir todos os custos operacionais

e (2) para a avaliar a lucratividade associada aos vários níveis de vendas".

Quadro 09 – Demonstração do Cálculo Ponto de Equilíbrio

  ELEMENTOS VALORES  Custo Fixo R$ 15.000,00/ Receita - Custo Variável R$ 25.819,00x 100 X 100(=) PONTO DE EQUILÍBRIO 58,09%

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

7.3.1 Ponto De Equilibrio Contábil (PEC)

Segundo Wernke (2010) “o ponto de equilíbrio contábil em unidades informa a

quantidade de produtos que deve ser vendida para que o resultado do período seja

nulo” ainda seguindo essa mesma lógica acrescenta que “o ponto de equilíbrio

contábil em valor permite calcular o valor mínimo de vendas que a empresa deve

conseguir para que a empresa não tenha lucro nem prejuízo”.

Quadro 10 – Demonstração do cálculo Ponto de Equilíbrio Contábil

  ELEMENTOS VALORES  Custos e despesas fixos totais R$ 15.000,00/ Margem de contribuição unitária R$ 58,00

(=) PEC R$ 258,62

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

Quadro 11 – Comprovação do PEC

COMPROVAÇÃO DO PEC VALORES  Receita de Venda (258,62x120,00) R$ 31.034,00(-) Custos + Despesas Variáveis (258,62x62,00) R$ 16.034,00(=) Margem de Contribuição R$ 15.000,00

(-) Custos + Despesas Fixas R$ 15.000,00(=) Resultado R$ 0,00

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

7.3.2 Ponto De Equilibrio Econômico (PEE)

Para Ribeiro (2009) “Ponto de equilíbrio econômico é o estágio alcançado

pela empresa no momento em que a receita total, derivada da venda de produtos, é

suficiente para cobrir os custos e as despesas totais e ainda proporcionar uma

margem de lucro aos proprietários”.

Na representação abaixo o quadro 10 representa o cálculo com um resultado

desejado no valor de R$ 20.000,00.

Quadro 12 – Demonstração do cálculo Ponto de Equilíbrio Econômico

  ELEMENTOS VALORES  Custos e despesas fixos totais + Resultado desejado R$ 25.000,00/ Margem de contribuição unitária R$ 58,00

(=) PEE R$ 431,03

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

Será necessária a venda de aproximadamente 431 baldes de sorvete para

alcançar o lucro de R$ 10.000,00.

Quadro 13: Comprovação do PEE

COMPROVAÇÃO DO PEE VALORES  Receita de Venda (431,03x120,00) R$ 51.723,00(-) Custos + Despesas Variáveis (431,03x 62,00) R$ 26.723,00(=) Margem de Contribuição R$ 25.000,00

(-) Custos + Despesas Fixas R$ 15.000,00(=) Resultado R$ 10.000,00

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

7.3.3 Cálculo Ponto De Equilibrio Financeiro

Para Bruni e Famá (2004) “O ponto de equilíbrio financeiro corresponde à

quantidade que iguala a receita total com a soma dos gastos que representam

desembolso financeiro para a empresa. Assim, no cálculo do ponto de equilíbrio

financeiro não devem ser considerados gastos relativos a depreciações,

amortizações ou exaustões, pois estas não representam desembolsos para a

empresa”.

Quadro 14: Demonstração dos Cálculos

  ELEMENTOS VALORES  Custos e despesas fixos totais - Depreciação + Dívida R$ 16.733,00/ Margem de contribuição unitária R$ 58,00

(=) PEE R$ 288,50

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

Quadro 15: Comprovação do PEE

COMPROVAÇÃO DO PEF VALORES  Receita de Venda (288,50x120,00) R$ 34.620,00(-) Custos + Despesas Variáveis (288,50x 62,00) R$ 17.887,00(=) Margem de Contribuição R$ 16.733,00

(-) Custos + Despesas Fixas - Depreciação R$ 13.533,00(-) Dívida - Empréstimo a pagar R$ 3.200,00(=) Resultado R$ 0,00

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.

8 CONSIDERAÇÕES

Quanto a realização da pesquisa na empresa Oliveira e Arzani Sorveteria

Ltda ME, o processo de apuração de suas despesas e obtenção de lucratividade foi

observado e analisado.

Utilizou-se a unidade de medida por ‘balde’, com a mensuração total das

despesas fixas e variáveis para sua produção; foi avaliado o seu custo unitário que

serviu como base para as análises propostas.

Diante dos resultados obtidos, visualizou-se algumas oportunidades que, se

implantadas, contribuirão para o aumento de seu sucesso e, porventura, expansão

do negócio: a redução dos custos e despesas, apuração dos custos totais,

automatização do sistema de caixa que hoje é feito manualmente através das

vendas de fichas, utilização de um sistema de gerenciamento contábil e, também, a

mensuração das perdas.

Entende-se ou recomenda-se que o proprietário faça uso das ferramentas existentes

na literatura específica, em contrapartida ao conhecimento empírico. Tais

procedimentos lhe permitirão ter uma visão mais racional do seu negócio. Sugere-se

que o proprietário questione mais o seu contador sobre isto.

REFERÊNCIASBORNIA, A. C. Análise gerencial de custos em empresas modernas. Porto Alegre: Bookman, 2002.

BRUNI, A. L.; FAMÁ, R., Gestão de custos e formação de preços. São Paulo: Atlas, 2004.

CLEMENTE, A.; SOUZA, A. Gestão de Custos: aplicações operacionais e estratégicas: exercícios resolvidos e propostos com utilização de excel. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2011.

DUTRA, R. G. Custos: uma abordagem prática. 5. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1995.

GITMAN, L.J. Princípios de Administração Financeira. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.

GUIMARÃES NETO, O. Analise de custos. Curitiba: IESDE Brasil, 2008.

HORNGREN, Charles T.; SUNDEM, Gary L.; STRATTON, Willian O. Contabilidade Gerencial. Tradução de Elias Pereira. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.

LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos: contém critério do custeio ABC. São Paulo: Atlas, 1997.

LEONE, G. S. G. Custos: planejamento, implementação e controle. São Paulo: Atlas, 2000.

MAHER, M. Contabilidade de custos: criando valor para a administração. São Paulo: Atlas, 2001.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos: Inclui o ABC. 8 ed, São Paulo: Atlas,2001.

MARTINS, E. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MARQUES, W. L. Análise de custos. Paraná: Clube de Autores, 2013.

PADOVEZE, C, L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. São Paulo: Atlas, 1994.

PADOVEZE, C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema deinformação contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

PADOVEZE, C, L. Contabilidade gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

PEREZ JR., J.H; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão estratégica de custos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos: fácil. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. São Paulo: Saraiva, 2009.

SANTOS, J. J. Análise de custos: remodelado com ênfase para custo marginal, relatórios e estudos de casos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

STARK, J. A. Contabilidade de custos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

WERNKE, R. Gestão de custos: uma abordagem prática. São Paulo, 2001.

WERNKE, R. Analise de Custos e Preços de Venda: Ênfase em Aplicações e Casos Nacionais. 1.ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2010.