13ª Edição PACTA

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    22-Jul-2016
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PACTA (13)

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  • EDITORIALDepois de um ano em que todos os dias tentamos

    levar aos nossos seguidores o que de mais relevante ocorre no mundo, chegamos agora, com esta edio da PACTA, ao fim do terceiro ano deste projeto, que no pra de crescer e nos faz trabalhar com tanto gosto e afinco. Em Setembro a equipa da PACTA volta com novas ideias para continuar a desenvolver este apaixonante trabalho, de forma a tratar o que de melhor e pior se passa no mundo das Relaes Internacionais, e para trabalhar de forma ainda mais intensa no sentido de vos surprender, pois a PACTA no nossa, de todos!

    Para a ltima edio deste ano lectivo, e seguindo sempre o nosso lema, procurmos oferecer-vos informao com qualidade, pertinncia e actuali-dade. Uma vez mais, temos o orgulho de vos apre-sentar uma edio recheada de artigos de opinio e uma entrevista, que incidem sobre os principais temas da realidade internacional que nos rodeia.

    Como no podia deixar de ser, trazemos-vos os Cadernos do Tiaguisto, a habitual coluna do Professor Tiago Ferreira Lopes. Do ISCSP, contamos com uma reflexo do professor Pedro Fonseca sobre a Conferncia das Partes da Conveno Quadro das Naes Unidas sobre as Alteraes Climticas (CQNUAC) a ocorrer em Paris no final deste ano e uma abordagem questo estratgica do mar para Portugal desenvolvida pelo professor Pedro Borges Graa. De fora do ISCSP, contamos com uma reviso crtica de Diogo Noivo a um livro sobre Adolfo Surez da autoria de Fernando nega e com a opinio de Vasco Martins dos Santos acerca do estado actual das relaes Rssia-Finlndia. Ainda, apresentamos mais uma experincia ERASMUS, desta vez em Estocolmo, na Sucia.

    Nesta 13 edio da PACTA a capa dedicada entrevista realizada com o Senhor Embaixador do Qatar, na qual foram abordadas as principais questes sobre as relaes de Portugal com o Qatar, os grandes desafios e oportunidades regionais e globais do Qatar, o papel do pas nas vrias frentes da sua aco internacional e a importante organizao do Mundial de 2022.

    As Relaes Internacionais tm vindo a crescer ao longo dos anos e suscitado o interesse de cada vez mais pessoas. Por isso, a disciplina ganhou importncia com o decorrer do tempo e suscitou a necessidade de um olhar mais aprofundado sobre os eventos e organismos que integram o sistema internacional. Assim, nesta edio, no podia ser esquecida a to bem sucedida simulao Liga rabe Summit 2015, que ocorreu no passado ms de Abril, pelas mos do Ncleo de Estudantes de Relaes Internacionais (NERI), no Instituto Superior de Cincias Sociais e Polticas. Sendo que o mundo rabe mostra uma crescente importncia nas estruturas de poder internacionais, o artigo do Duarte Vieira, aluno do 2 ano de Relaes Internacionais no ISCSP, mostra-nos como esta iniciativa decorreu e qual o seu propsito.

    Desde j gostaria de deixar aqui um agradeci-mento tanto para a equipa como a todos os que nos acompanham. Sem vocs nada disto seria possvel e s assim conseguimos evoluir e tornar esta revista til e interessante para todos vs. Para o prximo ano, voltaremos ainda com mais garra e ambio de continuar um trabalho de qualidade e inovador!

    Tiago NobreSub-Coordenador da Equipa PACTA

  • Coordenadores da PACTA:Sofia Ramos, 212430Tiago Nobre, 216492

    Colaboradores:Filipe Gomes, 216427Gabriel Machado, 216387Joo Pinto, 214903Nuno Gonalves, 216399Teresa Dominguez, 214346

    Responsveis pelas Redes Sociais:Filipe GomesGabriel MachadoJoo PintoNuno GonalvesTeresa DominguezTiago Nobre

    Design Editorial:Maria Joo Martins

    EQUIPA

    NDICE DE CONTEDOS

    PG. 4 Cadernos do TiaguistoDO COMITATUS LEALDADE

    DO TIPO GAFANHOTO

    ARTIGOS DA CASAA OPO ESTRATGICAATLNTICA DE PORTUGAL

    PG. 6A POLTICA DAS ALTERAES

    CLIMTICAS EM PARIS:De mos vazias novamente?

    PG. 8

    ENTREVISTAcom H.E. Mr. Adel Ali AlKhalPG. 10

    PUEDO PROMETER Y PROMETO. MIS AOS COM ADOLFO SUREZPG. 14

    ARTIGOS DE FORA

    FINLNDIA E RSSIA:A desconfiana que veio do frio

    PG. 16

    CRONOLOGIA

    PG. 18

    ORGANIZAO DE EVENTOS

    LIGA RABE SUMMIT 2015PG. 22

    EXPERINCIA ERASMUS

    ESTOCOLMO, Sucia

    PG. 24

  • A ideia de Lealdade tem sofrido mutaes profundas ao longo da Histria. Da ideia de uma lealdade-profunda-perene (ainda em vigor no dito brbaro Cucaso e sia Central), que, por vezes, justificava o tolher da prpria existncia, passmos (no tal civilizado Ocidente) a uma ideia de lealdade-tipo-xarope, em que cada um toma a que quer e na qual a ideia de perenidade no existe J nem a ideia de irrevogabilidade parecemos conhecer

    A Histria da Antiguidade na sia Central, Cucaso e no Mdio Oriente faz-se atravs de uma parada complexa de reinos e imprios que ora guerreiam entre si, ora se aliam por razes nem sempre claras, ou racionais; faz-se de strapas que passam a capitais de novos Imprios e de capitais que se tornam em cidade regionais de mdia dimenso

    Quando no desaparecem da Histria.Curiosamente existe um elemento comum

    entre os vrios contendores. Para alm de Hititas, Persas, Citas, Turquemenos, Cazares, Uigures, Hunos, Heftalitas, Sogdianos, Mongis, Avares, Eslavos, Chineses, Tibetanos e Coreanos partilharem a origem Centro-Eu-rasitica, parece que, talvez por causa dessa origem comum, todos estes grupos mantiveram uma instituio informal no decurso de toda a Antiguidade pr-Islmica: o comitatus.

    Antes de explicar o que o comitatus, olhemos um pouco para a tal parada complexa de reinos e imprios. Nos finais do sculo IV comeo do sculo V os Avares, que dominavam o territrio entre a Bacia do Tarim (China) e a Coreia, tinham por rivais o Reino de Tabgach (sob domnio dos Mongis Hsien-pei) que dominavam a maioria do Norte da China, o sudeste e a zona das estepes. Diga-se que os Avares, cuja origem permanece em zona semi-obscura, comearam por ser vassalos de Tabgach sob gide dos Hsien-pei.No comeo sculo VI, com as tribos de Hsien-pei maioritariamente sinizadas, fez-se a paz entre os Avares e Tabgach. Em meados desse mesmo sculo VI, a dinastia Wei (que controlava Tabgach) dividiu o reino em duas metades: Tabgach Oriental e Tabgach Ocidental. Tabgach Oriental manteve a paz recm firmada com os Avares mas Tabgach Ocidental aliou-se ao lder dos Goturcos, at ento vassalos dos Avares.

    Entretanto os Goturcos, aliados a Tabgach

    DO COMITATUS LEALDADE DO TIPO GAFANHOTO

    TIAGO FERREIRA LOPES

    Director Acadmico da Sustainable Leadership Initiative, ndiaInvestigador Integrado no Instituto do Oriente, Portugal

    Pg. 4 | PACTA

    Cadernos do Tiaguisto

  • Ocidental, sabem que Tiele (confederao de cls no norte da Monglia) se preparava para atacar os Avares. O que fazem? Os Goturcos, sozinhos, atacam preventivamente Tiele, salvando os suseranos Avares a quem tinham jurado lealdade. Bumn (lder dos Goturcos) pede ao khagan Anagai (Imperador dos Avares) uma princesa Avar em casamento.

    Anagai reage com repulsa, negando o pedido com um: Como que o meu escravo ferreiro se atreve a pronunciar tais palavras? Com a honra manchada e orgulho ferido, Bumn volta-se para o aliado Tabgach Ocidental com o mesmo pedido que aceite. Os Avares so derrotados pela fora conjunta Goturca-Tabgach Ocidental ressurgindo, mais tarde, no ps-primeira invaso rabe, no Daguesto (Cucaso Norte, a Sul da Rssia).

    Os Goturcos, os Tabgach, os Tiele e os Avares partilham entre si no apenas uma complicada Histria feita de alianas, traies, vinganas e novas alianas mas tambm a manuteno do tal comitatus! O comitatus mais no do que um sentimento de lealdade fraterna perene partilhado entre o lder e os seus homens mais prximos. Foi graas ao comitatus que Bumn lana as bases do Imprio Goturco e, mais tarde, Temjin (Genghis Khan) funda o Imprio Mongol.

    Lealdade fraterna perene! Algo que no sabemos bem o que significa nos nossos dias. Os homens do comitatus teriam obrigaes inviolveis entre si. A mais importante seria que todos os homens do comitatus cometessem suicdio caso o lder morresse primeiro. Vrias escavaes arqueolgicas mostram que tal era prtica comum entre Citas, Turquemenos, Cazares, Uigures, Hunos, Heftalitas, Sogdianos, Mongis, Avares e Coreanos.

    Lealdade fraterna perene implica colocar o bem comum a cima das agendas pessoais de cada um. Se Anagai tivesse apenas rejeitado o pedido de Bumn, sem lhe manchar a honra, hoje teramos uma Monglia, China e Coreia bem diferentes. Lealdade fraterna perene implicava que o lder tomava conta dos subordinados, que encarava como irmos de sangue e pelos quais fazia sacrifcios.

    era de tal ordem que estes eram tidos em linha de conta na hora de dividir o saque, de escolher matrimnios aristocrticos e at nos testamentos dos suseranos. O lder entendia a sua liderana como um esforo partilhado, olhando para os que lhe eram leais de igual para igual. Por estes dias, temos uma leal-dade-de-gravata-e-gabinete em que o chefe exige dos outros lealdade submissa para apenas e s para consigo. Sejam leais a mim, que eu tambm serei leal a mim mesmo.Hoje a lealdade tambm gafanhoteira, se me permitida a expresso. Criam-se pactos e acordos de estabilidade, que ao mnimo sopro de vento se desfazem como a espuma no final de um dia de praia. A lealdade deixou de ser garante de estabilidade, para se tornar quase sempre num nado-morto. A lealdade est aqui, para depois estar ali, no porque o bem comum importa mas porque a agenda pessoal impera. a era do Eu sobre o Ns. certo que a lealdade do comitatus tinha o seu lado dramtico, com vrios suicdios cometidos em prol de um lao estabelecido em cerimnias simblicas e que, de resto, esteve na origem das relaes feudais (no tal civilizado Ocidente) entre Suseranos e Vassalos. Mas igualmente certo que tambm dramtico uma existncia saltitante, onde a lealdade se revoga a cada pequena variao de temperatura. Felizmente s temos quatro estaes

    Pg. 5 | PACTA

  • O Mar configurou Portugal. Na fundao da nacionalidade, h nove sculos, o Oceano Atlntico representou a Oeste uma via de liberdade e comrcio perante trs frentes de guerra que encurralavam Portugal: a Norte o Reino de Leo, a Este o Reino de Castela e a Sul os Mouros. Entre os sculos XII e XV, Portugal teve assim a sua economia fortalecida pela orla martima, como atestam os estudos de Orlando Ribeiro no campo da Geografia Humana, particularmente em Introdues Geogrficas Histria de Portugal, publicado em 1977 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

    A Conquista de Ceuta em Agosto de 1415, h precisamente 600 anos, consolidou essa condio transformada em opo estratgica vital para o desenvolvimento do espao portugus. A persecuo da opo estratgica atlntica no foi porm consensual nesse distante sculo XV. No seio do ncleo real, aps a morte de D. Joo I, formou-se um partido

    que defendia antes uma opo estratgica europeia, liderado pelo Infante D. Pedro, que chegou a ser Regente aps a morte do seu irmo mais velho D. Duarte e ficou conhecido como o Infante das Sete Partidas exactamente pelas viagens que fez pela Europa. O confronto entre as duas opes teve o seu desfecho com a morte de D. Pedro em 1449 na Batalha de Alfarrobeira, em Alverca perto de Lisboa.

    A opo estratgica atlntica ficou pois firmada na Histria de Portugal com as Descobertas e os sucessivos factos de colonizao e explorao econmica em ambas as margens do Oceano, at 25 de Abril de 1974. Esta data representou assim uma ruptura, estrutural, nessa opo enquanto movimento de longa durao da Histria de Portugal, uma vez que lhe sobreveio a opo estratgica europeia que, na verdade, ressurgiu actualizada quase seis sculos depois da Batalha de Alfarrobeira. Numa gerao, aproximadamente, Portugal virou costas ao Atlntico e ao Sul e concentrou-se na Europa, isto , Portugal ficou poltica e jurdica e economicamente enquadrado no processo de integrao conducente Unio Europeia.

    Com o fim dessa opo estratgica atlntica, para todos os efeitos inevitvel nos termos em que se desenrolara, Portugal sofreu de imediato consequncias no oramento nacional, histo-ricamente dependente em grande medida das relaes econmicas com o ultramar, que ficava para Sul e com o qual transaccionava

    A OPO ESTRATGICA ATLNTICA DE PORTUGAL

    PEDRO BORGES GRAAProfessor Associado do ISCSP

    Director do Centro de Estudos Estratgicos do Atlntico

    Pg. 6 | PACTA

    Da Casa

  • por via do Oceano Atlntico. Ainda no sculo XX, ocorreu a interveno do FMI na segunda metade dos anos 70, que voltou de novo a verificar-se na primeira metade dos anos 80. A injeco massiva de dinheiro em Portugal, e consequentemente do equilbrio recorrente do oramento nacional, comeou ento com a entrada na Comunidade Econmica Europeia.Visto agora em perspectiva histrica, Portugal no teve qualquer vantagem comparativa sustentvel desde o incio relativamente aos seus parceiros europeus, cujos nveis de indus-trializao e de competitividade no diminuram nem abrandaram ou mesmo estagnaram. custa da agricultura e do mar (das pescas ao transporte martimo), sem o ultramar, Portugal passou de pequeno produtor a grande consumidor dos produtos dos outros pases europeus mais avanados na industriali-zao das suas economias e com dimenses geogrficas e demogrficas muito mais favorveis ao crescimento e desenvolvimento. Com o alargamento sucessivo da integrao europeia aos pases do Leste, Portugal ficou tambm numa posio econmica e produtiva sucessivamente desfavorvel relativamente que teria se, ao invs, se tivesse verificado um aprofundamento do princpio e correspon-dente processo da coeso econmica e social europeia no sentido de uma aproximao queles nveis de industrializao e compe-titividade. que no processo da integrao europeia a solidariedade e a cooperao foram conjugadas com a competitividade dinmicas de foras contrrias , sobrepondo-se a ltima s primeiras como dinmica natural e nuclear da economia de mercado. Portanto, vemos hoje que Portugal construiu inmeras infraes-truturas (nacionais, regionais, locais e urbanas) das quais se destaca uma rede excelente de estradas e comunicaes para a circulao de produtos que no chegaram a ser produzidos nem pela indstria nem pela agricultura nem pelas pescas, por incapacidade prpria de gerar competitividade minimamente comparvel aos parceiros europeus. Na verdade, contraria-mente ao que era suposto acontecer, Portugal foi submergido pelos fundos europeus no que

    respeita sua capacidade produtiva. Assim, economicamente fragilizado e dependente, Portugal sucumbiu crise internacional de 2008 e de novo se viu obrigado a recorrer ao FMI com o apoio da Unio Europeia. neste contexto que de h alguns anos a esta parte assistimos ao ressurgimento actualizado da opo estratgica atlntica atravs de factos como a Expo 98, o relatrio da Comisso Estratgica dos Oceanos em 2004, a proposta de extenso da plataforma continental martima junto das Naes Unidas e a formulao de uma estratgia nacional para o mar. Como envolvente, temos um discurso poltico suprapartidrio progressivamente empenhado em indicar que tal opo vital para o desenvolvimento econmico e social de Portugal. Estimulada, uma nova gerao de portugueses voltados para o mar, para a cincia, para a criatividade, para a inveno mais que a inovao e para o empreendedorismo est a emergir.

    Tal como h nove sculos, o Oceano Atlntico representa uma via de liberdade para Portugal, que a poder explorar cientfica e economicamente o potencial de recursos que invertero a desvantagem produtiva e competitiva relativamente aos parceiros europeus. E no horizonte esto os pases atlnticos de lngua portuguesa.

    Portugal mar - noventa e sete por cento para ser mais concreto - com uma dimenso avassaladora correspondente ao territrio da Unio Europeia. Como fazer? Que planear? Como executar? Como conjugar a opo estratgica atlntica com a opo estratgica europeia? Eis o desafio. a hora!

    Pg. 7 | PACTA

  • A POLTICA DAS ALTERAES CLIMTICAS EM PARIS:DE MOS VAZIAS NOVAMENTE?

    Paris receber, entre 30 de novembro e 11 de dezembro de 2015, a 21 Conferncia das Partes da Conveno Quadro das Naes Unidas sobre as Alteraes Climticas (CQNUAC). Analisar a evoluo das negociaes climticas ao longo dos ltimos 20 anos uma tarefa penosa na qual a desiluso habita de forma confortvel. Quando foi constitudo o Painel Intergoverna-mental sobre as Alteraes Climticas (PIAC) em 1988 j se suspeitava que estavam em curso importantes alteraes climticas a nvel planetrio. Todavia, para a tomada de decises polticas, era necessrio um estudo aprofundado e sistemtico que permitisse conhecer a dimenso e as causas do problema. Enfrentando poderosos interesses e uma constante oposio organizada e bem financiada, o PIAC publicou diversos relatrios de avaliao que sustentam a ideia de que esto em curso mudanas climticas sem precedente desde h vrios milhares de anos, as quais so provocadas pelas atividades humanas. Em causa est sobretudo o excessivo consumo de combustveis fsseis (carvo, petrleo e gs natural) do qual resulta o crescimento das emisses e da concentrao na atmosfera de gases de efeito estufa (GEE), em particular de CO2. Que ironia e que azar! Na raiz do problema haviam logo de estar os combustveis fsseis, fontes de energia que permitiram humanidade, desde a revoluo industrial, ultrapassar o cenrio de escassez de energia que tinha caracteri-zado a sua Histria e construir as bases da

    nossa civilizao. Em 2013 os combustveis fsseis representaram mais de 80% das fontes de energia primria a nvel mundial.

    Apoiando-se nos relatrios do PIAC, vrios especialistas, instituies governamentais e organismos internacionais tm vindo a alertar que as alteraes climticas colocam desafios extraordinrios ao ambiente, ao desenvolvimento e segurana, podendo tambm contribuir para o surgimento ou aprofundamento de conflitos violentos e para o agravamento das condies de vida em vrios pontos do planeta, fatores que podem originar Estados falhados, crises humanitrias, grandes massas migratrias e ameaar a paz e segurana mundiais. Perante estes impactos, as negociaes polticas cedo estabeleceram o objetivo de estabilizar a concentrao de GEE na atmosfera num nvel que evitasse uma inter-ferncia antropognica perigosa no sistema climtico (princpio basilar da Conveno Quadro das Naes Unidas sobre as Alteraes Climticas adotada em 1992). Ao longo dos anos, o PIAC l foi alertando que, na medida em que parte do CO2 permanece na atmosfera durante vrios milhares de anos, um certo nvel de alteraes climticas est j em curso e irreversvel, pelo que importava evitar alteraes climticas perigosas. Assim, estabeleceu-se o objetivo de reduzir as emisses numa dimenso que evite um crescimento da temperatura mdia global superior a 2C at ao fim do sculo face aos valores pr-industriais.

    Pg. 8 | PACTA

    Da Casa

  • Ao longo dos ltimos vinte anos, conferncia aps conferncia, negociao aps negociao, a poltica das alteraes climticas no tem produzido resultados relevantes para evitar as denominadas alteraes climticas perigosas, visto que, ano aps ano, as emisses e a concentrao na atmosfera de GEE tm crescido de forma acelerada. A evoluo verificada tem mesmo levado alguns a considerar que a mitigao do problema climtico que permita evitar as alteraes climticas perigosas j uma batalha perdida. Outros, quem sabe mais otimistas, acreditam que, apesar de escasso, ainda h tempo para construir uma resposta global ao problema. No final do ano de 2015, Paris receber os lderes mundiais para uma nova ronda negocial na qual se ambiciona a obteno de um acordo global de reduo quantificada e obrigatria das emisses de GEE ao longo das prximas dcadas. Tal como no passado, o lanamento da conferncia tem sido rico em boas intenes, elevadas ambies e nobres declaraes. No texto final da cimeira do G7, realizada em junho de 2015, fala-se, de forma vaga certo, em descarbonizar a economia global ao longo do presente sculo. A Unio Europeia mantem-se, como quase sempre no domnio climtico, ambiciosa. Nos EUA, a Administrao Obama promete uma ao sem precedente no combate s alteraes climticas, aspirao tpica de quem cumpre o ltimo mandato. Os pases em desenvolvimento declaram-se disponveis para um esforo adicional. Como sempre, as organizaes ambientalistas e vrios movimentos da sociedade civil exigem nada menos do que o fim da era dos combustveis fsseis. Neste preldio da conferncia de Paris at o Papa Francisco prepara a publicao da encclica Laudato si sobre questes ambientais, na qual reconhece a importncia de mitigar as alteraes climticas. Nada disto novo e nem sequer verdadeiramente surpreendente, visto que s grandes ambies e exigncias regularmente declaradas nos perodos de lanamento das negociaes tm-se seguido, quase sem

    exceo, acordos frgeis ou mesmo estrondosos fracassos. A verdade que o elevado nmero e diver-sidade dos atores envolvidos e a expanso da agenda negocial tm complexificado mui-tssimo as negociaes climticas, assim como a procura de consensos alargados tem resultado ou em acordos frgeis e pouco ambiciosos. Paralelamente, os debates em torno de temas como as responsabilidades comuns mas diferenciadas, a fuga de carbo-no, as desigualdades de desenvolvimento, a mobilizao de fundos para mitigao/adap-tao e a vulnerabilidade climtica tm origi-nado discrdias profundas, descredibilizado o regime internacional de combate s alte-raes climticas. Uma resposta eficaz s alteraes climticas exige respostas com-plexas e dispendiosas, requer uma profunda cooperao global com a participao dos principais emissores mundiais de CO2 (pa-ses desenvolvidos e em desenvolvimento), obriga a cedncias de todos os atores e exi-ge uma transformao clere de um sistema energtico mundial ainda demasiado depen-dente dos combustveis fsseis que susten-tam a nossa civilizao. Escrevia Sophia de Mello Breyner que apesar das runas e da morte, onde sempre acabou cada iluso, a fora dos meus sonhos to forte, que de tudo renasce a exaltao e nunca as minhas mos ficam vazias. Chegados a Paris, essa eterna Ville-Lumire, permanece a iluso e reinventa-se o sonho de l no sair de mos vazias novamente.

    Pedro FonsecaProfessor Auxiliar no ISCSP

    Pg. 9 | PACTA

  • PACTA: Firstly, hope Your Excellency enjoys being in Lisbon, Portugal. Could you tell us about when and how the Embassy of the State of Qatar was settled in Portugal?

    H.E. The Ambassador: In Qatars foreign policy, the opening of an embassy in any country should be preceded by an opening of that countrys embassy in the State of Qatar. So when Portugal sent H.E. Mr. Fernando Arajo as the first Ambassador of Portugal in the State of Qatar, on December 2011, the government of the State of Qatar decided to send me as an Ambassador to Portugal. I arrived on the 6th of January 2012 and I presented my accreditation letter to H.E. Prof. Anbal Antnio Cavaco Silva, the president of the Republic of Portugal on the 10th of January of 2012. Im officially In Portugal for

    ENTREVISTAcom H.E. Mr. Adel Ali AlKhal

    3 and half years. Usually, the ambassadors are shifted every 4 or 5 years so I am expecting to be shifted this year or the next one.Regarding Portugal, I like the country a lot, it is a beautiful country. When I arrived in January I did not bring my family along. My son was in high school so we decided to wait until he graduates from school. My wife, son and daughter arrived to Portugal in August or September of 2012. In those 8 months I had the opportunity to go all over Portugal. I went to Porto, Alentejo and Algarve and I have been all around the countrys villages and I liked it very much.

    PACTA: Currently what are the fields that the State of Qatar gives priority to in its relations with Portugal? Has there been significant cooperation in those fields?

    Ambassador Extraordinary and Plenipotentiary of the State of Qatar in Portugal

    Pg. 10 | PACTA

  • H.E. The Ambassador: Qatar is looking now to increase mutual investment. We want to increase investment in Portugal and increase the presence of the Portuguese companies in Qatar. Qatar is going to host the 2022 World Cup and to host that we need to build stadiums, roads, underground, railways, which means a lot of business.

    Who usually build these are Germans, French, Americans or British, because it has been like that for a long time. My role here is to bring investors and companies from Portugal to Qatar, so they can compete with others because I know that Portuguese are able to compete with the rest, especially in terms of quality and prices.

    On the other hand, Qatar is also looking for investments in Portugal. In this field, I arranged a meeting between the Qatar Investment Authorities (QIA) and the Agency for Investment and Foreign Trade of Portugal (AICEP). They studied the fields of investments for 3 days, in February of 2012.

    After that, H.E. Mr. Paulo Portas, Deputy Prime Minister, took care of this negotiation and visited Qatar 3 or 4 times. He met with QIA in London and in France several times.

    In terms of Qatars investment, Qatar has a share of 2.6 percentage of EDP, the energy company in Portugal, which is not that much. However, the Qatari investment in Portugal is more significant and clear through VINCI, the French company- bearing in mind that Qatar is the biggest shareholder in VINCI. VINCI is holding now the 2 bridges of Lisbon and running the airports ANA, as well as many other businesses. When they have a ceremony they always invite the French Ambassador and the Qatari Ambassador. So I consider that in these 3 and half years, we have reached something but I want more from both sides mainly in the field of investment.

    I have discovered that there are Portuguese companies working in Qatar since 2007. There are 2 companies there since 2007, one is working in the field of information and technologies (IT) and the other is working in engineering. The IT Company has its origin in Porto and has its office in Qatar with around

    150 workers in which approximately 20 of them are Portuguese; while the rest are from all over the world. The company is doing well for almost 8 years, which proves it is possible for a Portuguese company to succeed there.

    PACTA: What are the main exter-nal goals of the country in the long term?

    H.E. The Ambassador: Qatar has three priorities: infrastructure, health and edu-cation. The aim is to reach to the goals that the government has set in 2030. Now, the income in Qatar is 80% from petrol and gas, 20% from others. Our target in 2030 is to flip this figure by making the oil and gas reach 20% of the total income and others reach-ing the 80%, and when I say others, I mean from the Qatari investments abroad. Qatar invests a lot mainly in the last years all over the world, I cannot say where concretely, but we are looking to invest more in Portugal.

    Speaking of the 3 priorities, I would like to highlight the importance of education that is to say, if the country pays attention to the ed-ucation and prioritize it, the governments will not face problems such as the problems in the Middle East region at this time; take Syria, Ye-men and Libya for an example. Poverty and the lack of education created a massive tragedy.

    PACTA: And what are the main inter-national challenges that Qatar is facing?

    H.E. The Ambassador: Internationally, Qa-tar was a member of the UN Security Coun-cil 2006-2007. In the meantime, it is the rep-resentative of the United Nations Alliance of Civilizations (UNAOC). H.E. Mr. Jorge Sam-paio was the high representative of UNA-OC and he delivered it to the State of Qatar. Qatar was also the head of the Non-Align-ment movement (NAM) in 2005, and it is working with an International Group, focused in solving what is happening in the region.

    PACTA: So, regionally, what is the role of Qatar in the Gulf Cooperation Council (GCC)?

    Pg. 11 | PACTA

  • H.E. The Ambassador: Qatar is a part of the GCC just as Portugal is a part of the European Union (EU). Qatar has its own policy but also there is a common policy in the GCC. Qatar is also a member of several different organ-isations such as the Organisation of Islamic Cooperation and the United Nations (UN).

    To sum it up, Portugal has two umbrellas: the EU and the UN. On the other hand, Qatar has four umbrellas. So the challenges are almost common: political challenges, economic challenges, environmental challenges and social challenges. So what Portugal faces, Qatar faces too. How Portugal is trying to solve it, Qatar is also trying to solve it. We are now in a global society, you cannot work alone in this globalisation, you have to be a part of other groups. As you are a part of two groups, we are a part of four groups.

    PACTA: How are the relations with the West, namely with the USA and the EU?

    H.E. The Ambassador: Fantastic, cannot say more than that, they are our allies. Especially, fighting terrorism, fighting ISIS, as a part of a coalition. Our presence there is important to prove that the EU and the Americans are not fighting against a Muslim country alone, because GCC does not believe that USA is attacking an Arab country, we want to be there so that others do not make that an argument. Our presence there is exactly to avoid this argument.

    PACTA: Qatar will host the 2022 FIFA World Cup. How important is that for the country, since Qatar will be the first Arab country to do it?

    H.E. The Ambassador: The World Cup was always hosted by European or South American countries, as it is hosted in summer. For that reason, it always goes to Europe or to South America as the weather during that time of the year is good. Now there is some news about the probability of shifting it from summertime to wintertime because of the heat during the summer in Qatar, and this will give not only Qatar but all the countries of that part of the world who

    could not host a World Cup so far, the opportunity to host it in the future. For us is very important to host it and it is also important for other countries from the area in which Qatar is located. Every country that has very tough weather, they are giving them the chance to host this event in the future.

    PACTA: So now we have finished the questions. Thank you very much for you time.

    Pg. 12 | PACTA

  • Puedo prometer y prometo. Adolfo Surez repetiu esta frmula sete vezes ao longo de um discurso proferido no dia 13 de Junho de 1977, apelando ao voto na sua Unio de Centro Democrtico (UCD) nas eleies legislativas desse ano. Mais do que o exerccio costumeiro de promessas mirficas que tende a acompanhar os processos eleitorais, a frase puedo prometer y prometo foi uma demonstrao de responsabi-lidade e de pragmatismo poltico num momento crucial para a consolidao da democracia em Espanha. Juntamente com o Rei Juan Carlos, Surez foi responsvel pela edificao de um Estado de Direito Democrtico, assegurando que o processo de transio entre o Franquismo e a democracia se fazia sem violncia e livre de sobressaltos de maior algo praticamente

    impensvel quando se tem presente o quo adversas eram as condies de partida.

    Muito embora no haja consenso quanto s datas de incio e de trmino do processo de transio democrtica em Espanha, a generalidade dos autores tende a compreender este perodo entre 1975 e 1982. O momento inicial, mais consensual, ocorre com a morte de Francisco Franco. J o ponto de chegada passvel de discrdia. Embora a Constituio fosse aprovada em 1978, s com a criao dos estatutos autonmicos da Catalunha e do Pas Basco temos em Espanha um quadro institu-cional suficientemente amplo e estabilizado que permite antever a sedimentao da democracia liberal. Alis, importa no esquecer que a 23 de Fevereiro de 1981 h uma tentativa de golpe de Estado com vista a reverter o processo de democratizao um dia que ficou na memria colectiva dos espanhis como um momento de elevado sentido de Estado, de coragem poltica e fsica de Adolfo Surez e do General Gutierrez Mellado, que mesmo sob a ameaa de armas recusam vergar perante os golpistas. Por outro lado, o ano de 1982 conta ainda com outro argumento a favor de ser este o ano em que termina a Transicin: d-se o que o cientista poltico Samuel Huntington designou de turnover test, isto , o poder muda de mos. A UCD de Surez perde as eleies para o Partido Socialista Obreiro Espanhol de Felipe Gonzlez, mostrando o normal funcio-

    Pg. 14 | PACTA

    De Fernando nega

    PUEDO PROMETER Y PROMETO. MIS AOS CON ADOLFO SUREZ.

    DIOGO NOIVO

    Mestre em Segurana e Defesa pela Universidade Complutense de Madrid & Centro

    Superior de Estudios de la Defensa Nacional (CESEDEN)

    Licenciado em Cincia Poltica pela Universidade Lusada de Lisboa

    De Fora

    (Barcelona: Plaza Jans, 2013), 330 pginas.

  • -namento institucional da alternncia poltica resultante de eleies livres e democrticas. Fernando nega, um dos jornalistas mais conceituados em Espanha e antigo assessor de Adolfo Surez, pede emprestada a frase emblemtica do discurso para titular o livro onde, cerca de 40 anos depois, percorre a memria da transio poltica espanhola de forma algo episdica, sem grandes preocupaes cronolgicas mas sem comprometer o rigor do relato. Embora logo no incio fique a advertncia de que no se trata de uma biografia, as recordaes de nega e os testemunhos que recolheu junto a outros que, como ele, conviveram e trabalharam com Surez, deixa-nos um retrato muito completo e cheio de detalhes de algum que foi marido, pai, amigo, mas sobretudo poltico. Essa porventura a melhor descrio do personagem retratado por Fernando nega: algum que sempre quis ser Presidente de Governo, como o prprio admitiu em entrevista ao El Pas em 1979. Algum que se assumia poltico, mas que com prejuzo pessoal e partidrio sempre usou o poder que obteve em prol da construo da democracia em Espanha. O livro o retrato eminente-mente pessoal deste carcter e deste percurso.

    Numa outra entrevista a que o autor faz referncia Surez afirma no sou especialista em nada, mas acho que sou um bom poltico. A frase exemplar a dois nveis. Em primeiro lugar, deixa transparecer a conscincia do desdm com que era visto por detractores e por companheiros de partido, para quem ele era algum simples e destitudo dos ttulos acadmicos que permitem a sobranceria no poder um dos apodos menos hostis que lhe foi dirigido na poca foi o de empregado de armazm. Em segundo lugar, a frase o elogio da poltica enquanto tal. Mais do que um tecnocrata altamente qualificado ou um acadmico munido das credenciais da praxe, de um poltico espera-se uma viso de conjunto e integrada do pas, bom-senso e astcia na gesto dos interesses pblicos, e o pragmatismo necessrio para trabalhar com todos, indepen-dentemente das opinies pessoais ou polticas que deles tenha. E foi assim que Surez exerceu o poder, e foi assim que Fernando nega

    o acompanhou nos bastidores da poltica.Adolfo Suarz exerceu o cargo de Presidente de Governo ao longo de cinco anos e meio, fez aprovar a Lei da Reforma Poltica que, desde o estrito respeito pela legalidade e paz social, enterrava toda a estrutura franquista. Legalizou o Partido Comunista espanhol um episdio admirvel que condensa na perfeio a inteligncia, a habilidade poltica e cultura conciliadora de Suarz e legalizou os sindicatos Comisiones Obreras (CC.OO) e UGT. Organizou os Pactos de La Moncloa, que uniram os vrios partidos e sindicatos, apesar das profundas diferenas que os afastavam, para debelar os srios problemas econmicos do pas. Foi o homem que logrou romper com o passado sem choques abruptos atravs de procedimentos reformistas. Estes e outros episdios do processo de transio democrtica em Espanha, sem esquecer as relaes com a imprensa, a poltica externa, ou a ameaa da ETA, so abordados em Puedo Prometer y Prometo, cruzando com mestria os planos pessoal e poltico do piloto da Transicin.

    Em artigo publicado no El Pas por ocasio da morte de Surez, a jornalista Soledad Gallego-Diz descreve-o como o poltico mais solitrio que alguma vez existiu na democracia espanhola e, no entanto, numa poca perigosamente incerta, o poltico que mais se empenhou em promover o dilogo e a pacificao social de um pas profunda-mente dividido e receoso em relao ao futuro.

    Adolfo Surez tem hoje o estatuto de lenda. E embora este livro o retrate como o homem que foi, colocando a astcia e a coragem a par com os erros, as imperfeies e as debilidades, no lhe retira a grandeza que est reservada aos poucos estadistas que se tornam imemoriais.

    Pg. 15 | PACTA

  • FINLNDIA E RSSIA:A DESCONFIANA QUE VEIO DO FRIO

    Na sequncia da anexao da Crimeia, e das movimentaes dos exrcito russo na Ucrnia, importa analisar os efeitos da nova postura da Federao Russa sobre os pases vizinhos, como o caso da Finlndia.

    Os conflitos com o Imprio Russo iniciaram-se quando Finlndia era ainda parte integrante do imprio sueco. A Rssia invadiu a Finlndia sucessivas vezes, culminando na anexao da Finlndia em 1809. Na Primeira Guerra Mundial, com o colapso do Imprio Russo, a Finlndia aproveitou a fragilidade russa e o princpio da auto-determinao nacional preconizado por Lenin, para declarar a inde-pendncia. Aps a Guerra Civil Finlandesa e a Revoluo de Outubro, no perodo entre as guerras mundiais, as relaes entre os dois Estados mantiveram-se tensas, com a Rssia a procurar repetidamente interferir na poltica interna finlandesa. Depois da disputa pela rea

    de Karelia, ocupada pelos Russos, sanada pelo Tratado de Tartu em 1920, a Unio Sovitica impe um bloqueio ao trfego naval finlands.

    A Finlndia atacada pela URSS em 1939 dando inicio Guerra do Inverno, e posterior-mente Guerra da Continuao prolongan-do-se durante a 2. Guerra Mundial na guerra contra a URSS. Nestas guerras os finlandeses sofreram 90.000 baixas e causaram pesadas baixas aos soviticos (120.000 mortos na Guerra de Inverno, 200.000 na Guerra de Continuao). Como resultado Finlndia perdeu mais de 10% do seu territrio anterior Guerra de Inverno, incluindo a cidade Vyborg, para a Unio Sovitica. Devido a esta conflitualidade histrica, a Finlndia dos poucos pases que mantm umas Foras Armadas dimensionadas e estruturadas para repelir uma eventual invaso do seu territrio.

    Durante a Guerra Fria, a Finlndia adoptou uma posio de imparcialidade entre os dois blocos, procurando prevenir novos conflitos com a URSS. Por essa razo, a Finlndia nunca pediu a adeso Nato, mas desenvolveu slidas relaes comerciais com os seus membros. Em 1995, a Finlndia torna-se membro da UE, subscreve o Tratado de Schengen em 1996 e faz parte da Zona Euro desde 1999, obrigando-a agora a participar nas sanes europeias contra a Rssia. Isto no impediu que estabelecesse fortes relaes comerciais com a Federao, aproveitando a grande dimenso daquele mercado.

    Pg. 16 | PACTA

    VASCO MARTINS DOS SANTOS

    Assessor da Fundao Luso-Americana para o Desenvolvimento

    Colaborador do Instituto de Estudos Ps-Graduados do ISCSP

    De Fora

  • Com uma populao de 5,5 milhes e 350.000 reservistas, um produto interno bruto de 218.3 bilies de dlares, e um oramento militar de 1,5% do PIB, a Finlndia adoptou uma estratgia que conjuga a criao de slidas relaes comerciais, com a manuteno de um aparelho militar independente da NATO, com capacidade autnoma de defesa do seu territrio chamam-lhe a Finlandizao. Esta estratgia traduziu-se na conquista do mercado russo atravs das exportaes de madeira e seus derivados, servios e tecnologia principalmente na rea das comunicaes. Actualmente procura exportar produtos que no estejam cobertos pelas sanes da UE. Nesta estratgia enquadram-se tambm os programas de cooperao bilateral nas reas do controlo ambiental, transportes, emigrao e misses de busca e salvamento. Da Rssia, a Finlndia importa principalmente combustvel, procurando neste momento outras fontes de abastecimento. Mas a questo que se coloca neste momento se a finlandizao ser eficaz para garantir a integridade do seu territrio?

    Na Federao Russa assistimos actualmente a um revisionismo histrico. Puttin, ainda antes de ser eleito Presidente afirmou que a maior catstrofe do Sc. XX foi o fim da Unio Sovitica em 1991. Esse marco, segundo a generalidade dos autores sinaliza o fim da Guerra Fria, porm no h qualquer documento assinado que estabelea os termos e condies definindo vencedores e vencidos. Esse o fundamento do discurso de Puttin: a Rssia foi lesada pelo desmoronamento da Unio Sovitica, considerando inaceitvel a expanso da NATO aos pases que fazem parte do chamado cordo sanitrio entre a Rssia e o Ocidente.

    A alterao das fronteiras da Europa provocou um forte ressentimento nas elites russas que reclamam a reviso das fronteiras, mas tambm a recuperao da influncia russa no sistema internacional. Existe uma forte desconfiana em relao ao Ocidente pelo papel atribudo Rssia depois da Guerra Fria e uma tentativa de reafirmao do seu poder, procurando combater as barreiras geoestratgicas da segurana euro-atlntica e o isolamento imposto pelo

    Ocidente. O revisionismo russo abarca toda a sua histrica rea de influncia, incluindo a sia Central e o Cucaso. Zonas com conflitos locais latentes, onde a China surge como novo actor, principalmente no vector econmico e energtico aproveitando as actuais fragilidades russas.

    Com a anexao da Crimeia pela Federao Russa, a Finlndia foi obrigada a participar nas sanes econmicas impostas pela UE, o que aliado baixa do preo do petrleo fez diminuir drasticamente as exportaes da Finlndia para o vizinho, bem como o turismo russo, embora esta situao tenha vindo a ser colmatada pela crescente procura chinesa no mercado finlands.

    No passado ms de Fevereiro, a Federao enviou 3000 militares para reactivar a base area de Murmansk Oblast junto da cidade Finlandesa de Rovaniemi. A Fora Area Russa tem realizado constantes exerccios ao longo da fronteira com bombardeiros e dispe de uma nova gerao de caas Sukhoi. Ao largo da pennsula de Kola encontram estacionado em submarinos boa parte do potencial nuclear russo.

    O Ministro da Defesa Haglund tem-se distanciado cada vez mais das propostas russas de cooperao na rea da Indstria de Defesa, bloqueando todos os projectos e recusando a aquisio de tecnologia militar russa, por suspeita de que esses equipamentos pudessem comprometer a segurana e eficcia operacional. A par disto notria a maior aproximao da Finlndia NATO.

    Independentemente da coragem finlandesa, o urso russo deve ser levado a srio. Estamos a assistir fragmentao da estratgia da finlandizao e consequente aumento do desagrado russo, o que nos leva a concluir que a Federao Russa pode ser no imediato uma ameaa real ao Estado Finlands, embora essa ameaa seja dificilmente sustentvel num futuro longnquo, dadas as fragilidades russas no plano econmico, poltico e social.

    Pg. 17 | PACTA

  • 2 ABRManoel de Oliveira

    (1908-2015), o tempo faltou-lhe, claramente.

    (Pblico)

    Segunda caixa negra confirma ao voluntria

    do co-piloto na queda do A320. (Pblico)

    Obama presses case for Iran nuclear deal in

    weekly address. (Reuters)

    3 ABR 4 ABR

    CRONOLOGIAABRIL, MAIO E JUNHO

    Pg. 18 | PACTA

    Egyptian court sentences Muslim

    Brotherhood leader to death.

    (CNN)

    Data activist Max Schrems surrounded by media in the courthouse after his trial against Facebook. Schrems, who closed the list of plaintiffs after 25,000 people joined, is clai-ming damages of 500 euros per user for alleged data violations by Facebook, including ai-ding the US National Security Agencys PRISM programme, which mined personal data

    Fonte: Leonhard Foeger/Reuters

    11 ABR

    Cuba no uma ameaa para os EUA. Diz Obama depois de encontro com Castro.

    (Euronews)

    12 ABR9 ABR

    Nigeria protesters demand action on

    Chibok abductions.(Al Jazeera)

    14 ABR

    Iro critica interferncias

    externas no Imen. (Euronews)

    16 ABR

    EUA: Justia acusa 6 polcias do homicdio

    de Freddy Gray.(Euronews)

    1 MAINmero de mortos no

    sismo do Nepal ultrapassou as 7000

    pessoas. (Dirio de Notcias)

    2 MAINepal government

    criticised for blocking earthquake aid to

    remote areas.(The Guardian)

    3 MAIItalia rescata a 5.800

    inmigrantes en el Mediterrneo.

    (El Pas)

    3 MAI

  • Pg. 19 | PACTA

    Data activist Max Schrems surrounded by media in the courthouse after his trial against Facebook. Schrems, who closed the list of plain-tiffs after 25,000 people joined, is claiming damag-es of 500 euros per user for alleged data violations by Facebook, including aid-ing the US National Security Agencys PRISM programme, which mined personal data

    Fonte: Leonhard Foeger/Reu-ters

    Senate approves bill on reviewing Iran nuclear

    deal.(The Washington Post)

    7 MAIGreek PM forecasts

    happy end; Eurogrup chief cites progress in

    talks.(Reuters)

    8 MAIChina negotiates

    military base in Djibouti.

    (Aljazeera)

    9 MAIUE leva ONU plano

    militar contra traficantes no Mediterrneo.

    (Pblico)

    10 MAI

    A firefighter uses a saw to open a metal gate while fight-ing a fire in a convenience store and residence during clashes after the funeral of Freddie Gray in Baltimore, Maryland in the early morning hours. Baltimore erupted in violence on Monday as hun-dreds of rioters looted stores, burned buildings and at least 15 police officers were in-jured following the funeral of a 25-year-old black man who died after suffering a spinal in-jury in police custody. The riots broke out blocks from where the funeral of Freddie Gray took place and spread through much of west Baltimore.

    Fonte: Eric Thayer/Reuters

    Ukraine crisis: Kerry has frank meeting with

    Putin.(BBC News)

    12 MAIObama says

    Israel-Palestinian two state solution vital for

    peace.(Reuters)

    14 MAIBombista de maratona

    de Boston condenado morte por unanimidade.

    (Dirio de Notcias)

    15 MAIMetade da Sria sob

    controlo do grupo Estado Islmico.

    (Pblico)

    21 MAI

    14 ABR

    28 ABR

  • CRONOLOGIAABRIL, MAIO E JUNHO

    Pg. 20 | PACTA

    Frana: supermercados proibidos de deitar fora

    alimentos.(Euronews)

    22 MAIIreland becomes first

    nation to legalize same sex marriage.

    (CCN)

    23 MAIPutin promulga lei que probe a presena de

    ONG indesejveis na Rssia.

    (Pblico)

    24 MAIEx-Israeli Prime Minister Ehud Olmert sentenced

    to 8 months in prison. (The Washington Post)

    25 MAI

    China to extend military reach, build lighthouses

    in disputed waters. (Reuters)

    26 MAIJapan earthquake: Tremors felt across

    nation.(CNN)

    30 MAIMacednia prepara

    legislativas antecipadas. (Euronews)

    2 JUNDois anos depois de

    Snowden EUA limitam a espionagem.

    (Dirio de Notcias)

    5 JUN

    Greece submits new reform plan to EU

    and IMF.(BBC News)

    9 JUN

    Demir Kapija, MacedoniaA group of migrants walk on a road on their way to the Serbian border. Macedonia has become one of the main transit routes for thousands of migrants from the Middle East and Africa, entering from neighbouring Greece on their way to western European countries

    Photograph: Robert Atanasovski/AFP/Getty Images

    U.S. Airstrike in Libya Targets Al Qaeda

    Leader.(The New York Times)

    14 JUN

    Portugal 2014. O ano em que emigrmos mais

    do que nunca e morre-mos ainda mais do que

    nascemos .(Observador)

    16 JUN

    11 JUN

    O Nepal a caminho do renascimento aps a

    tragdia.(Euronews)

    15 JUN

  • Pg. 21 | PACTA

    Sanliurfa, TurkeyA man carries a girl as Syrians fleeing the war pass through broken-down border fences to enter Turkish territory illegally

    Photograph: Bulent Kilic/AFP/Getty Images

    El Rey Felipe VI relanza el apoyo a la Monarquia.

    (El Pas)

    18 JUNMilhares protestam contra polticas da

    austeridade em Londres.

    (Euronews)

    20 JUNEUA pedem flexibili-

    dade nas negociaes com a Grcia.

    (Pblico)

    21 JUNS. C. Gov. Haley calls

    for removal of Confederate flag near

    the state Capitol.(The Washington Post)

    22 JUN

    Hungria suspende aplicao da Conveno

    de Dublin .(Euronews)

    23 JUNCedncias das duas

    partes ainda insuficien-tes para um acordo para

    a Grcia. (Pblico)

    25 JUNLibya talks at crucial

    stage over power-sharing deal.

    (Reuters)

    26 JUNTunisia attack: Tourists

    flee the country after gunman killd 38 .

    (CNN)

    27 JUN

    15 JUN

  • LIGA RABE SUMMIT 2015

    Nos passados dias 28 e 29 de Abril o NERI realizou, no Instituto Superior de Cin-cias Sociais e Polticas, mais uma gran-de iniciativa como j nos vem habituando. Desta vez foi a Liga rabe Summit 2015. Quando soube da ideia tive desde logo inte-resse em participar, afinal de contas o que faz falta nestes eventos so ajudantes e eu tive o privilgio de estar na organizao e ser membro da Mesa durante o debate.

    semelhana de outras simulaes do gnero tentmos organizar o debate da sim-ulao o mais prximo possvel da realidade. No primeiro dia as equipas participantes, di-vididas em comits, organizaram as suas moes, bastante pertinentes e adequadas

    realidade poltica actual do Mdio Oriente e do mundo rabe, que levaram para a mesa de debate no segundo dia. Assistimos a um debate vivo e interessante, com muito boas intervenes e com todas as equipas a par-ticipar activamente e a promover o debate.

    Porqu a Liga rabe? A Liga dos Estados rabes uma organizao regional de estados rabes formada em 1945 que conta hoje com vinte e dois estados e cerca de 400 milhes de habitantes, cujos principais objectivos so estreitar a as relaes dentro da Liga e cola-borar entre si de modo a garantir a sua segu-rana, independncia, soberania e promover os seus interesses na esfera internacional.

    Esta uma realidade que no estamos to

    Pg. 22 | PACTA

    Organizao de Eventos:

    DUARTE VIEIRAAluno do 2 Ano de Relaes Internacionais no ISCSP

  • Pg. 23 | PACTA

    habituados a ver no Ocidente, pois somos de certa forma alienados de muito do que se passa deste lado do mundo. Para alunos de Relaes Internacionais (e no s) neces-srio ter uma viso abrangente do mundo que nos rodeia, no s poltica mas tambm eco-nmica, social e cultural. O mundo rabe um destes exemplos com uma crescente impor-tncia nas estruturas de poder internacionais, da a necessidade de se estudar e adquirir in-formao sobre esta realidade. Todos os parti-cipantes saram da simulao certamente com mais conhecimento dos pases da Liga rabe.

    Nesta simulao, para alm de todos os participantes adquirirem mais vontade em se exprimirem em pblico e treinarem a sua capacidade de retrica e argumentao, ti-vemos todos tambm a oportunidade de ter uma abordagem e uma experincia mais prtica do funcionamento das Relaes In-ternacionais neste tipo de organizaes.

    A primeira edio da Liga rabe Summit foi sem dvida um grande sucesso e convi-do desde j todos a participarem nos even-tos que o NERI vai certamente organizar no prximo ano, com a esperana de se con-tinuar o projecto da Liga rabe e nunca es-quecendo a habitual simulao G20 Summit.

    SMBOLO DA LIGA RABE

  • Experincia ERASMUS:

    Muitos so aqueles de ns que desejam e fantasiam sobre a ideia de estudar para o es-trangeiro. Comeamos por equacionar pergun-tas como: Quo diferente ser viver no pas x em comparao com Portugal? Ser que me adaptaria bem a um novo meio cultural? A par-tir da e do momento em que todas as buro-cracias esto tratadas para irmos ao encontro do nosso destino de eleio, todo o estudan-te em Erasmus embarca numa nova aventura que se afigura inevitavelmente inesquecvel.

    No incio do segundo ano da Licenciatu-ra decidi que ia realizar um sonho j tido h algum tempo e ir estudar para fora. O onde pouco importava porque queria ter uma ex-perincia completamente diferente daquela que tinha aqui, acabando por escolher Es-tocolmo como minha nova casa por ser a ci-dade mais estereotipicamente distinta de Lisboa e pelo prestgio internacionalmente reconhecido da Universidade de Estocolmo.

    Lembro-me do receio inicial de sair da mi-nha zona de conforto, de deixar todos os meus amigos e famlia, de deixar para trs algumas experincias como a bno das fitas em prol de partir para uma realidade totalmente

    desconhecida. A vontade de conhecer, de descobrir e crescer atravs das diferenas e semelhanas que par-tilhamos com pessoas que vm de uma realida-de totalmente diferente da minha foi o que me motivou a ir sem olhar para trs uma nica vez.

    Assim, no segundo semestre do terceiro ano, meti-me num avio e comeou uma das me-lhores experincias da minha vida. Lembro-me vivamente do friozinho na barriga que sentia por ir sozinha, por ser a minha primeira expe-rincia de liberdade. O facto de no se co-nhecer ningum, de no se falar a lngua local, de no nos parecermos minimamente com as pessoas locais, faz com que o primeiro impac-to seja de um choque brutal mas tambm de uma intensa adrenalina, afinal de contas cria-se um cenrio de infinitas probabilidades de conhecer algo pela primeira vez, vrias vezes.

    O primeiro dia em solo sueco foi um mis-to de emoes, de ansiedade e curiosida-de. Recordo-me de chegar ao meu quarto na residncia, aquela que seria a minha casa nos prximos seis meses, e admirar a neve pela janela, ver aquelas ruas cheias de bi-cicletas e as pessoas totalmente cobertas

    Pg. 24 | PACTA

    ESTOCOLMO, SUCIA

  • de roupa e pensar como este cenrio seria completamente impossvel no calor lisboeta.

    Na primeira noite h uma festa para que to-dos os novos estudantes se conheam e foi a que comecei por fazer amigos. Comea-mos com as perguntas tpicas Como te cha-mas? De onde vens? O que estudas? na esperana de que haja um click e sempre isso que acontece, esse click acontece in-meras vezes pois independentemente do local de onde vimos ou o que estudamos todos te-mos em comum esta sede do desconhecido. A partir da, comeas a ter contacto com todos estes desconhecidos que rapidamente pas-sam a amigos e a explorar a nova realidade.

    Sendo a estupenda cidade que , Estocol-mo tem muito a oferecer. Desde os ringues de patinagem de gelo, ao famoso fika (nada mais significa que amigos a conversarem acompa-nhados de uma boa bebida quente e de uns bolinhos), passando pelas tardes ensolaradas junto ao rio e as visitas aos inmeros museus, a cidade tem de tudo um pouco, para todos os gostos e todas as estaes do ano, afiguran-do-se uma maravilha arquitectnica em con-junto com a, talvez surpreendente, simpatia e amabilidade do seu povo. Os inmeros barcos

    de cruzeiro que partem da cidade para ou-tros destinos do Bltico permitem-nos conhe-cer muitos dos pases vizinhos a um pre-o bastante acessvel, permitindo-nos viajar ainda mais e ligando-nos aos companhei-ros de viagem de forma ainda mais palpvel.

    Conhecidos pela sua metodolgica or-ganizao, no foi espanto para mim che-gar Universidade e ter uma grande recep-o feita para todos os novos alunos, onde nos explicado o funcionamento da Uni-versidade bem como do pas, fazendo-nos sentir imediatamente mais bem recebidos. O prprio sistema de ensino totalmente di-ferente, havendo testes que se realizam no conforto da nossa casa, muitos trabalhos de grupo que envolvem bastante leitura e mui-ta interaco entre alunos e professores na aula que nos permite debater ideias e apren-der de forma mais dinmica. No final de con-tas, o aluno que vai estudar para a Sucia v-se posto numa realidade totalmente diferente mas que se revela eficazmente enriquecedora.

    Filipa BastosLicenciada em Relaes Internacionais no ISCSP

    Pg. 25 | PACTA