2006-08-APM 570

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    Publicao da AssociaoPaulista de Medicina

    Edio n 570 Agosto de 2006

    REDAOAv. Brigadeiro Lus Antnio, 278

    Cep 01318-901 So Paulo SPFones: (11) 3188-4200/3188-4300

    Fax: (11) 3188-4279E-mail: [email protected]

    Diretores ResponsveisNicolau DAmico Filho

    Roberto Lotfi Junior

    Editor ResponsvelUlisses de Souza MTb 11.459SP

    Editora-assistenteLuciana Oncken MTb 46.219SP

    ReprteresAdriana Reis

    Carla NogueiraLeandro de Godoi

    Ricardo Balego

    Editor de ArteLeandro Deltrejo

    Projeto e Produo GrficaCubo Editorial e [email protected]

    Fotos: Osmar BustosRevisora: Thais Oncken

    Secretaria: Rosenaide da SilvaAssistente de Comunicao:

    Laura Rocha Passerini

    ComercializaoDepartamento de Captao

    e Marketing da APMFones: (11) 3188-4200/3188-4300

    Fax: (11) 3188-4293

    Periodicidade: mensalTiragem: 30 mil exemplares

    Circulao: Estado de So Paulo(Inclui Suplemento Cultural)

    Portal da APMwww.apm.org.br

    APRESENTAORoberto Lotfi Jr.Nicolau DAmico Filho

    A tecnologia sempre alavancou os grandes avanos na medicina, mas,

    desta vez, ela foi alm, pois vai possibilitar toda classe mdica a oportu-

    nidade de atualizao, troca de experincias, mesmo que o profissional

    esteja trabalhando no mais remoto local do planeta. As redes de Telemedi-

    cina vo permitir, por meio de computadores, a unificao de procedi-

    mentos na rea da sade, que vai beneficiar mdicos e pacientes. Tudo pela

    Internet de baixo custo, seja discada ou banda larga.

    O Brasil se prepara para agilizar o uso dessa tecnologia. A Faculdade de

    Medicina da Universidade de So Paulo (USP) saiu na frente e hoje o maior

    centro de Telemedicina do pas e um dos principais da Amrica Latina.

    A Telemedicina o nosso assunto de capa. H tambm matrias que

    mostram o debate sobre temas polmicos, como a Terminalidade da Vida.

    Pautamos ainda outras reportagens jornalsticas interessantes, inseridas

    nesta edio.

    Boa leitura!

    Nicolau DAmico Filho e Roberto Lotfi Jr.Diretores de Comunicao

    Tecnologia a servio da sade

    3 Apresentao

    4 Editorial

    6 Sade Pblica

    8 Msica Popular Paulista

    10 Radar Mdico

    14 CAPA

    Telemedicina

    USP a pioneira nessa tecnologia

    20 Msica Popular Paulista

    22 Profisso

    26 Sade Pblica

    32 Cotidiano

    34 Cncer

    36 Radar Mdico

    38 Msica

    39 Agenda Cientfica

    41 Agenda Cultural

    42 Produtos & Servios

    43 Literatura

    44 Por Dentro do SUS

    45 Classificados

    CONTEDO

    Clara Brando,a me damultimistura

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    O mundo ainda est atordoado com a nova onda de intensa violn-cia e intolerncia no Oriente Mdio. Esse conflito milenar causa,tristemente, mais uma disputa blica que, alm de incontveis danosmateriais, deixa como rastro o massacre de inmeras vidas humanas.

    incrvel que, no sculo XXI, aps tantos avanos da humanida-de, guerras ainda faam parte do cotidiano. Quanto vale uma vida?Independentemente de qualquer tendncia racial ou religiosa, todossabemos que o maior bem existente, embora tantas vezes no parea.

    Infelizmente muitos outros pases, tantos os desenvolvidos comoos demais, enfrentam igualmente ondas de enorme violncia. OBrasil, lamentavelmente, um deles. Na periferia das nossas grandese ricas metrpoles, contabilizamos diariamente um nmero maiorde baixas de jovens pobres assassinados do que em todas essas guerrasque acompanhamos distncia, por intermdio da mdia.

    Temos vrios recordes vergonhosos. No perdemos para nin-gum em trauma e violncia. Nossos ndices so contundentes, hmuitos anos. Tendem a piorar agora com a guerra urbana e asdiferenas sociais crescendo cada vez mais. A profunda corrupoestimula os desvios de carter. Hoje nem sabemos a real dimensoda falta de tica nas instncias de poder.

    Guerras e criminalidade sempre houve, o que assusta mais, nestemomento, a incrvel perda de valores da nossa sociedade. Especialis-tas e militantes de inmeras ONGs tm se proposto a recuperar jovens

    Plantar mudanas ecolher bons frutos

    que caram na delinqncia, vtimas do trfico de drogas, por exem-plo. Esta batalha confirma, na maioria dos casos, que h associaontima do crime com a degradao familiar e ausncia do pai.

    A histria mostra que devemos incluir sempre, que aps as grandescrises ocorrem incrveis avanos da humanidade. isso que devemosesperar, mas no de braos cruzados. Como reverter o incrvel crculovicioso da corrupo e dos crimes que tanto desanima? Existe o exem-plo de pases que protagonizaram grandes viradas, investindo na reasocial, e, especialmente, em educao de verdade e de qualidade.

    Com responsabilidade, o Estado pode e deve modular esseprocesso, garantindo financiamento efetivo para a sade, seguran-a educao, assistncia social. necessrio estabelecer uma pol-tica de valorizao adequada para os funcionrios desses segmentose priorizar a eficcia na formao do brasileiro, inclusive dos atu-almente excludos, para alcanar um novo status de nao.

    Todos temos de romper com o desnimo moral desta m hora,registrando nossa indignao e empreendendo aes para a constru-o de um Brasil mais justo e digno. Principalmente ns, os mdicos,que sempre nos envolvemos intensamente com a luta por mudanassociais que beneficiem a comunidade. Nesta eleio, alis, devemosusar nossa fora para potencializar candidatos que estejam compro-metidos com essa causa, com nomes que esto de fato ao nosso lado,para transformar o Brasil do presente e colher bons frutos agora.

    DIRETORIA ELEITA - DIRETORIA 2005-2008Presidente: Jorge Carlos Machado Curi1 Vice-presidente: Florisval Meino2 Vice-presidente: Paulo De Conti3 Vice-presidente: Donaldo Cerci Da Cunha4 Vice-presidente: Lus Fernando PeixeSecretrio Geral: Ruy Y. Tanigawa1 Secretrio: Renato Franoso Filho

    DIRETORESAdministrativo: Akira Ishida; AdministrativoAdjunto: Roberto de Mello; 1o Patrimnio eFinanas: Lacildes Rovella Jnior; 2oPatrimnio e Finanas: Murilo RezendeMelo; Cientfico: Alvaro Nagib Atallah;Cientfico Adjunto: Joaquim Edson Vieira;Defesa Profissional: Toms Patrcio Smith-Howard; Defesa Profissional Adjunto:Jarbas Simas; Comunicaes: NicolauDAmico Filho; Comunicaes Adjunto:Roberto Lotfi Jnior; Marketing: RonaldoPerches Queiroz; Marketing Adjunto: ClvisFrancisco Constantino; Eventos: Hlio Alvesde Souza Lima; Eventos Adjunto: FredericoCarbone Filho; Tecnologia da Informao:Renato Azevedo Jnior; Tecnologia da

    Silvana Maria Figueiredo Morandini; 4oDiretor Distrital Sorocaba: Wilson OlegrioCampagnone; 5o Diretor DistritalCampinas: Joo Luiz Kobel; 6o DiretorDistrital Ribeiro Preto: Joo CarlosSanches Anas; 7o Diretor DistritalBotucatu: No Luiz Mendes de Marchi; 8oDiretor Distrital So Jos do Rio Preto:Pedro Teixeira Neto; 9o Diretor DistritalAraatuba: Margarete de Assis Lemos; 10oDiretor Distrital Presidente Prudente: EnioLuiz Tenrio Perrone; 11o Diretor DistritalAssis: Carlos Chadi; 12o Diretor DistritalSo Carlos: Lus Eduardo Andreossi; 13oDiretor Distrital Barretos: Marco AntnioTeixeira Corra; 14o Diretor DistritalPiracicaba: Antonio Amauri Groppo

    CONSELHO FISCALTitulares: Antonio Diniz Torres, Braulio deSouza Lessa, Carlos Alberto Monte Gobbo, JosCarlos Lorenzato, Tarcsio Eloy Pessoa deBarros Filho. Suplentes: Krikor Boyaciyan,Nelson Hamerschlak, Carlos RodolfoCarnevalli, Reinaldo Antonio MonteiroBarbosa, Joo Sampaio de Almeida Prado.

    Informao Adjunto: Antonio Ismar Maral Menezes;Previdncia e Mutualismo: Alfredo de Freitas SantosFilho; Previdncia e Mutualismo Adjunto: Maria dasGraas Souto; Social: Nelson lvares Cruz Filho; SocialAdjunto: Paulo Cezar Mariani; Aes Comunitrias:Yvonne Capuano; Aes Comunitrias Adjunto:Mara Edwirges Rocha Gndara; Cultural: Ivan de MeloArajo; Cultural Adjunto: Guido Arturo Palomba;Servios Gerais: Paulo Tadeu Falanghe; ServiosGerais Adjunto: Cristio Fernando Rosas; EconomiaMdica: Caio Fabio Camara Figliuolo; EconomiaMdica Adjunto: Helder de Rizzo da Matta; 1o DiretorDistrital So Caetano do Sul: Delcides Zucon; 2oDiretor Distrital Santos: Percio Ramon Birilo BeckerBenitez; 3o Diretor Distrital So Jos dos Campos:

    Associao Paulista de MedicinaFiliada Associao Mdica Brasileira

    SEDE SOCIAL:Av. Brigadeiro Lus Antnio, 278 CEP 01318-901

    So Paulo SP Fones: (011) 3188-4200/3188-4300

    EDITORIAL

    Jorge Carlos Machado CuriPRESIDENTE DA APM

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    esde o dia 17 de julho, os trans-plantes de fgado no Brasil tm

    como parmetro um novo critrio paraa ordem na fila de espera: o de gravi-dade dos pacientes. A nova regra subs-titui o modelo rgido e cronolgico,estabelecido no ano de 1997 e usadoat ento.

    A portaria do Ministrio da Sade n1.160, de 29 de maio, estabelece tambmque o estado de gravidade seja aferidopor um modelo de exames chamadoMELD/PELD.

    O alto ndice de mortalidade na filade espera, perto de 60%, foi um dosprincipais motivos para a mudana,segundo o Ministrio da Sade.

    H de se considerar tambm os riscosinerentes ao prprio procedimento,estimados em torno de 15% a 20%.Mesmo aps o transplante, somente65% dos pacientes conseguem sobre-viver um ano, segundo dados do Estadode So Paulo.

    Para Joo Galizzi Filho, presidenteda Sociedade Brasileira de Hepatolo-gia, esse sistema tem sido bem usadoem muitos pases da Amrica do Nortee Europa. Por outro lado, ns no

    SADEPBLICA

    Transplantesde fgadotm nova regraEmbora represente avanos, novo critrio deve ser vistocom cautela, segundo especialistas

    RICARDO BALEGO

    Dsabemos como vai ser o resultado dissonum pas com as caractersticas do Bra-sil. Os programas de transplante defgado tm evoludo nos ltimos anos,mas so ainda heterogneos e encontramgrandes dificuldades, sobretudo nacaptao dos rgos, o que contribuiem muito para a mortalidade na listade espera, afirma.

    Devemos ficar atentos e ver at queponto isso contempla bem os nossospacientes, qual ser o impacto nosresultados e nos custos e se isso no estdificultando o acesso, recomendaPaulo Celso Bosco Massarollo, secre-trio da Associao Brasileira de Trans-plantes de rgos (ABTO) e chefe doservio de transplantes de fgado da

    Santa Casa de Misericrdia de So Paulo.A nova regra comeou a vigorar aps

    todo o sistema de informtica das centraisde transplantes ter sofrido mudanas ereadequaes. Os pacientes que estona fila tambm precisaram fazer novosexames para se readequar ao novocritrio. No entanto, de acordo com omdico Paulo Massarollo, at a ltimasemana de julho, a Secretaria Estadualde Sade de So Paulo (SES) s haviaconseguido refazer os exames para rea-locao dos pacientes em cerca de 20%dos que compunham a lista.

    Dos cerca de 7.000 doentes queaguardam um transplante de fgado noBrasil, 3.000 esto no Estado de SoPaulo, onde a espera pode chegar a at

    Centrais de transplantes foram readequadas

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    quatro anos. Como exemplo de contraste,em 2005 foram realizados, em todo opas, apenas 759 transplantes comrgos de doadores falecidos.

    Segundo dados da prpria SES, noperodo em que foi usado o critriocronolgico, cerca de 63% dos pacientesda lista eram excludos porque morriamna espera.

    O critrioA partir da mudana nas regras para

    transplantes de fgado, a avaliao dagravidade de cada caso deve ser feita pormeio do MELD (Model for End-StageLiver Disease), referente a indivduos

    Processos aguardam na lista de espera

    A avaliao dos especialistas de queo novo processo, apesar de positivo,deve ser acompanhado de perto. Onovo critrio representa avanos por-que, da forma como estava, era insus-tentvel uma perspectiva de tratamento.Mas h uma srie de outras questes,h riscos que no esto dimensiona-dos. Minha posio neste momento de cautela, reafirma PPPPPaulo Celsoaulo Celsoaulo Celsoaulo Celsoaulo CelsoBosco MassarolloBosco MassarolloBosco MassarolloBosco MassarolloBosco Massarollo.

    Acredito que isso representa um passo frente, mas no podemos ter a inge-nuidade de achar que vai resolver porcompleto as dificuldades para obtenode um transplante, porque a demandatem crescido muito mais que a oferta dergos. A posio da Sociedade Brasi-leira de Hepatologia uma posio deprudncia, confirma Joo GalizziJoo GalizziJoo GalizziJoo GalizziJoo GalizziFilhoFilhoFilhoFilhoFilho, para quem o maior problemaainda a falta de doadores.

    Segundo o coordenador da CentralEstadual de Transplantes de So Paulo(CET), LLLLLuiz Augusto Puiz Augusto Puiz Augusto Puiz Augusto Puiz Augusto Pereiraereiraereiraereiraereira, paraimplantar o novo sistema aqui em SoPaulo, o sistema informatizado precisouser completamente alterado. As mu-danas levaram cerca de um ms e meiopara serem feitas.

    adultos, e PELD (Pediatric End-StageLiver Disease), indicado para crianas,modelos baseados em trs exames labora-toriais que atribuem pontos ao paciente.

    A pontuao vai de 6 a 40, sendo que,quanto maior o nmero, maior a gravi-dade do paciente e menor sua expecta-tiva de vida.

    Valores iguais ou superiores a 15 jso considerados casos de hepatologiagrave. Casos com ndices superiores a25 devem ter seus exames repetidos emmenos de sete dias, assim como, de 19a 24, o procedimento deve ser realizadoem at 30 dias.

    Na prtica, significa que a lista dereceptores se torna flutuante, e pode sealterar conforme oscila o estado desade de seus pacientes, alternandoposies. importante lembrar que oscritrios utilizados pelo MELD/PELD avaliam a sobrevida dos pacien-tes enquanto esto na lista, e no depoisque recebem o rgo.

    CaptaoDo ponto de vista da captao dos

    rgos, a portaria do MS tambm exigiualgumas mudanas.

    Estruturalmente, as duas Centrais deNotificao, Captao e Distribuiode rgos (CNCDO) continuam agindode forma descentralizada no Estado, deacordo com a regio em que se encontrao enxerto a ser transplantado. A primeiraCentral, que fica na SES, na capital pau-lista, abrange tambm a Grande SoPaulo, Litoral Norte e Vale do Ribeira.A segunda, sediada no Hospital dasClnicas de Ribeiro Preto, atende orestante do Estado. A estrutura conti-nua igual, o que muda o sistemainformatizado e o fluxo de informaesdas equipes, confirma Pereira.

    Site informativo da Centralde Transplantes

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    Mestre dosamba

    uito prazer, eu me apresento:

    sou o samba paulista. Chego

    de mansinho e, pouco a pouco, entusi-

    asmo quem est a minha volta. Meu

    ritmo marcado pelos tambores e pela

    caixa. Herana de um povo festivo, de

    pele retinta, que foi trazido pelos por-

    tugueses e que cantava por sua liberta-

    o. O batuque, que era um menino

    cativo, foi coroado pela beleza sonora

    do cavaquinho, que veio da Ilha da

    Madeira para enfeitar o meu samba.

    Depois chegou o violo, usado pelos

    espanhis, herana dos mouros. O pan-

    deiro rabe, mas foi na mo do brasi-

    leiro que ganhou personalidade. Virou

    at disco voador. E tem a cuca. Ins-

    trumento oriental, foi introduzido no

    samba por Bento Ribeiro. A cuca tem

    o dom de cantar sem ter voz. Essa a

    MSICAPOPULARPAULISTA

    trilha sonora do nosso Brasil. Est for-

    mada a nossa orquestra.

    Uma verdadeira histria da criao

    do mais brasileiro dos gneros musi-

    cais. Osvaldinho da Cuca mostrou, na

    noite de 6 de julho e para um pblico

    animado, porque considerado mestre

    na arte de tocar, cantar e contar o samba.

    Em quase duas horas de show, ele apre-

    sentou composies prprias e clssi-

    cos de outros gnios do samba, como

    Adoniran Barbosa, fazendo a platia do

    Auditrio Nobre da APM repetir os

    versos e aplaudir a cada nova msica.

    Acompanhado por cinco msicos

    Renato 7 Cordas, no violo; Julio C-

    sar, na percusso e voz; Marcelo Barro,

    na percusso; Odair Menezes, no cava-

    quinho e voz; e Boro, na percusso

    dois deles seus filhos, Osvaldinho da

    Cuca conversou com o pblico e contou

    inmeras histrias, que inspiraram suas

    criaes. Uma delas, gravada no CD

    Osvaldinho da Cuca Convida em

    referncia ao samba paulista, o mais

    recente do artista, ele fala sobre as difi-

    culdades em conviver com uma vizi-

    nha num prdio da Vila Monumento,

    bairro da zona sul de So Paulo, onde

    mora. Os versos arrancaram risos:

    Minha vizinha maloqueira/ Malo-

    queira, maloqueira / Sem era nem

    beira, sem educao / Desabafo can-

    tando esse samba pra ela / Com muito

    respeito e considerao.

    A irreverncia das letras era evidente

    tambm no visual: Osvaldinho da Cuca

    subiu ao palco de terno branco, camisa

    preta, corrente dourada no pescoo,

    sapato bicolor rigorosamente lustrado

    e o inseparvel chapu. Espalhou sor-

    riso e exibiu seu samba no p. Um tpico

    Irreverncia marcaapresentao deOsvaldinho da Cuca nahomenagem de julho doprojeto Msica PopularPaulista. No palco, umaverdadeira aula de samba

    MADRIANA REIS

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    representante do samba paulista, ver-

    dadeiro professor.

    Osvaldinho da Cuca nasceu Osvaldo

    de Barros, na capital paulista, em 1940.

    Tornou-se conhecido do pblico em

    1967, ao participar do Terceiro Festi-

    val da Record, ao lado de outro cone

    do samba paulista: Demnios da Ga-

    roa. Juntos, defenderam a msica Mu-

    lher, patro e cachaa, que reproduzia

    um dilogo entre os instrumentos mu-

    sicais. Osvaldinho fez da cuca sua com-

    panheira inseparvel. Desse casamento,

    surgiram frutos ao lado de parceiros

    como Martinho da Vila, Beth Carva-

    lho, Elizeth Cardoso, Cartola, Vincius

    de Morais, Gal Costa, alm do imortal

    Adoniran Barbosa.

    Apaixonado pelo Carnaval, Osvaldi-

    nho fundador da Ala dos Composito-

    res da escola de samba Vai-Vai. Para

    homenage-la, cantou em seu show na

    APM os versos: Quem nunca viu o

    samba amanhecer, vai no Bixiga pra

    A prxima atrao do Msica

    Popular Paulista Dona Inah, no dia

    14 de setembro (ver agenda, pgina

    41). Herdeira de uma tradio de

    canto peculiar, arraigada escola das

    grandes divas do rdio e expresso

    do samba de raiz, Dona Inah iniciou

    sua carreira na dcada de 1950,

    cantando em rdios e clubes de

    Araras, cidade paulista onde nasceu.

    E do interior para a capital, seu

    trajeto foi marcado pelo equilbrio

    Apresentao de Osvaldinho da Cuca, na APM

    ver..., em referncia ao bairro onde a

    escola est instalada.

    Em sua trajetria musical, Osvaldi-

    nho da Cuca formou o Trio Canela,

    com Osmar do Cavaco e Jair do Cava-

    quinho, ambos da Velha Guarda da

    Portela. Tambm integrou o grupo

    Velhos Amigos e, em 1999, gravou o

    disco Histria do Samba Paulista,

    com participao de Thobias da Vai-

    Vai, Germano Mathias e Aldo Bueno.

    Ao final do show, uma surpresa:

    Osvaldinho convida o msico Jos Ro-

    berto para integrar o grupo, agregando

    outra cuca formao do palco. Todos

    fazem um verdadeiro passeio pelas tra-

    dies do samba paulista, entoando

    clssicos como Saldosa Maloca, Trem

    das Onze e Samba do Ernesto. Osvaldi-

    nho da Cuca encerrou seu show sendo

    homenageado pela APM e mostrou,

    mais uma vez, que seus instrumentos

    falam, cantam e encantam quando o

    assunto samba.

    Dona Inah

    da vida artstica e o trabalho con-

    vencional. Desde cedo, buscou

    como referncia musical grandes

    nomes que conheceu de perto, nos

    bastidores da Rdio Record e em

    apresentaes na Rdio Clube de

    Santo Andr. Entre eles, Isaurinha

    Garcia, Aracy de Almeida, Nelson

    Gonalves e Orlando Silva.

    Em 2005, aos 70 anos, a sambista

    foi coroada com o prmio Melhor

    Revelao na edio do prmio

    Tim. Antes disso, Dona Inah gra-

    vou o lbum Divino Samba Meu

    e representou o Brasil em importan-

    tes festivais internacionais. No mes-

    mo ano, ainda se apresentou em

    Paris durante as comemoraes do

    Ano do Brasil na Frana.

    Em seu novo show, a veterana

    sambista Dona Inah apresenta um

    repertrio composto por sambas de

    seu primeiro CD, com msicas dos

    grandes mestres do samba.

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    Uma parceria envolvendo diver-sas entidades como a AssociaoPaulista de Medicina (APM), Pro-Teste, organizao no-governamen-tal Criana Segura, SociedadeBrasileira de Queimadura, InstitutoPr-Queimados, Sociedade Brasilei-ra de Pediatria e Associao MdicaBrasileira (AMB) foi firmada paralutar contra a venda direta do lcoollquido com teor acima de 46INPM Instituto Nacional dePesos e Medidas. Um dos principaismotivos da iniciativa o nmeroalarmante de vtimas de queimadu-ras provocadas pelo uso do produto.S no Brasil, so cerca de 150 milpessoas, sendo um tero crianas.

    Com o objetivo de mostrar operigo do uso do produto e de pro-curar apoio da populao na proi-bio da venda, as entidadeslanaram, em seus sites, um mani-festo (abaixo-assinado). A aotambm pretende chamar a atenoda Cmara Federal para retornar oprocesso de votao do projeto que

    No venda de lcool lquidoest ainda em tramitao, que dis-pe sobre a proibio da venda dolcool lquido acima de 46 INPM.

    O perigoHoje, o consumidor usa o produ-

    to, na maioria das vezes, para lim-peza ou acendimento de fogo. Maso que poucos sabem que os pro-dutos oferecidos no mercado naforma lquida no tm capacidadetotalmente bactericida. Portanto,no so eficazes no caso de limpeza.A gradao correta deve ser entre68 e 72 INPM e, mesmo assim,somente os setores de sade tmacesso a este tipo de lcool. Exis-tem outros produtos mais eficazespara atender a tal finalidade comogua e sabo.

    Para acendimento de fogo, a ver-so em gel no traz risco de explo-so em condies normais de uso erende trs vezes mais. Alm disso,o fogo no se espalha, como ocorrecom o lquido, evitando que gran-des reas do corpo sejam queimadas.

    RADARMDICO

    Para participar, s acessar www.proteste.org.br;www.criancasegura.org.br, www.amb.org.br ou www.apm.org.br e

    preencher o formulrio confirmando sua colaborao.

    SERVIO

    Campos do JordoAs inscries para o sorteio

    de Hospedagem no Parque Hotel

    Campos do Jordo. Cotas de no-

    vembro esto abertas at 10 de

    outubro. A diria do apartamento,

    para 4 pessoas, de R$ 30,00.

    No valor, no est incluso o caf

    da manh, que cobrado parte.

    O benefcio s tem validade para

    mdicos associados. Informa-

    es: (11) 3188-4280 Departa-

    mento Social.

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    O Hospital Universitrio da Univer-

    sidade de So Paulo comemorou, no

    dia 7 de agosto, 25 anos de atividade. A

    cerimnia do festejo contou com a pre-

    sena do superintendente do hospital,

    o professor e doutor Paulo Lotufo, do

    professor titular da FMUSP, Giovanni

    Guido e da reitora da USP, professora

    Suely Vilela.

    A Associao Paulista deMedicina sediou, nos dias 4 e 5 de agos-to, a I Jornada Multidisciplinar em Pe-rcia Mdica do Departamento dePercias Mdicas do Estado de SoPaulo e do Comit Multidisciplinar dePsiquiatria Forense da APM. O evento,que teve apoio da Secretaria do Estadoda Sade, do Conselho Regional de Me-dicina do Estado de So Paulo(Cremesp), foi destinado a mdicos pe-ritos, assistentes sociais, psiclogos eoutros profissionais envolvidos na rea.

    Na ocasio, foram levantadas questescomo: fundamentos de percia mdica;medidas administrativas frente a simu-laes e dissimulaes, assdio moralno trabalho, conseqncias da falsa pe-rcia e da impercia, Responsabilidade

    25 anos de HU

    Foto

    : Div

    ulg

    ao

    USP

    Foto: Divulgao USP

    Percia Mdica discutida na APMLegal e tica em Percia Mdica, do-enas da coluna vertebral limitantes, osmitos e realidades da DORT/LER -leses provocadas por situaes de tra-balho prejudiciais que levam incapa-cidade temporria ou definitiva dostrabalhadores, os aspectos mdicoslegais sobre simulaes e dissimula-es. Alm de assuntos como avalia-o pericial em Psiquiatria e Sndromede Burnout, entre tantos outros presentesno dia-a-dia do profissional que traba-lha em percia.

    O mdico psiquiatra forense GuidoPalomba, diretor cultural adjunto daAPM, falou sobre o tema AlienaoMental. O diretor de Defesa Profissi-onal da APM, Jarbas Simas, que tam-bm mdico perito, ministrou a

    O diretor da APM, Guido Palomba,foi um dos palestrantes

    palestra sobre Impercia e AtestadosFalsos. Em sua avaliao, o eventomarca um grande avano na rea depercia que discutiu o segmento emtodas as reas, desde administrativaat a legislao. Os profissionaispresentes saram mais esclarecidos,conhecendo mais a rea em que atuam,analisou Simas.

    Os funcionrios da Associao Paulista

    de Medicina (APM) foram o pblico-alvo

    da palestra Segurana no Trnsito do

    ponto de vista mdico, no dia 20 de

    julho, ministrada pelos mdicos especia-

    listas em Medicina do Trfego, Henrique

    Funcionrio bem informadoNaoki Shimabukuro, Maria Ceclia Za-

    non e Maria de Ftima Queiroga Neves.

    Durante uma hora e meia, os pales-

    trantes falaram sobre: os perigos do

    trnsito; como conduzir o veculo de

    forma mais segura, ndices de mortes

    causadas por negligencia no trnsito,

    entre outros. As pessoas precisam

    saber que o trnsito um exerccio de

    cidadania. uma troca de espao onde

    o risco grande quando no se tem res-

    peito, considerou Shimabukuro.

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    Foi publicado no Dirio Oficial daUnio faz cerca de quinze dias o Decreton 5.839, que dispe sobre a organiza-o, as atribuies e o processo eleitoraldo Conselho Nacional de Sade CNS,alm de outras providncias.

    Em linhas gerais, a normativa tratadas competncias do CNS e estabelecenovas regras para sua composio. Onmero de membros titulares ampli-ado de 40 para 48, na proporo de50% de representantes de entidades edos movimentos sociais de usurios doSUS; 25% de representantes de enti-dades de profissionais de sade, inclu-da a comunidade cientfica da rea desade; e 25% de representantes dogoverno, de entidades de prestadoresde servios de sade, do ConselhoNacional de Secretrios de Sade -CONASS -, do Conselho Nacional de

    Conselho Nacional de Sade semmdicos um atentado sade dapopulao, diz AMB

    RADARMDICO

    Secretrios Municipais de Sade -CONASEMS - e de entidades empre-sariais com atividade na rea de sade.

    Lamentavelmente, a tradicional enecessria participao da classe mdicano Conselho Nacional de Sade noest garantida pelo Decreto n 5.839.Neste momento, a representao estmantida precria e temporariamente,graas a um acordo que teve como baseo regimento interno. Porm, a qualquermomento os mdicos podem ficar sema cadeira que lhes tem permitido de-fender a boa prtica mdica e a assis-tncia de qualidade.

    Tendo em vista a importncia singu-lar da medicina para o diagnstico e tra-tamento de mais de 180 milhes debrasileiros e a contribuio dos mdi-cos para a consolidao do Sistemanico de Sade (SUS), a Associao

    Mdica Brasileira vem a pblico lamen-tar mais esta equivocada deciso dasautoridades do Pas, especialmente asda rea de sade. Um Conselho Nacionalde Sade sem mdicos representa umatentado contra a sade dos cidados. pblico e notrio que a viglia per-manente dos profissionais de medicinaem prol dos pacientes sempre foi desuma importncia para o sistema, as-sim como para evitar abusos e tenta-es antidemocrticas.

    A AMB espera que tal decreto sejarevisto, de forma a garantir que a parce-ria entre mdicos e pacientes continueconsagrada como um dos pilares fiscali-zadores na rede de sade do Brasil. Ocontrole social dos conselhos nacional,estaduais e municipais de sade ben-fico a todos os agentes do setor e a Asso-ciao Mdica Brasileira faz questo depreserv-lo por intermdio de mecanis-mos eficientes e democrticos.

    Saiba mais:Assessoria de Imprensa da AMB

    (11) 3178-6800

    www.amb.org.br

    A Associao Paulista de Medicina,por meio de seu Presidente, atendendos disposies estatutrias, convocaseus associados para:

    1) ASSEMBLIA GERAL ORDI-NRIA a fim de deliberar sobre a pro-posta oramentria referente aoexerccio seguinte;

    2) ASSEMBLIA GERAL EX-TRAORDINRIA a fim de deliberarsobre a REFORMA DO ESTATUTOSOCIAL DA APM:

    adaptao ao Cdigo Civil em vigor;

    Edital de ConvocaoAssemblia Geral Ordinria e Extraordinria

    Associao Paulista de Medicina

    demais reformulaes a serem pro-postas, nos termos do Pargrafo Ter-ceiro do art. 26 do estatuto social.

    As sugestes para reforma estatutriapodero ser elaboradas: pelos associa-dos em dia com suas obrigaes estatu-trias, sendo encaminhadas Diretoriada APM, em sua Sede Social, at o dia12/09/2006, por intermdio das Se-es Regionais ou Associaes Filiadas,devendo constar a identificao clara elegvel do proponente, bem como o dis-positivo a ser alterado e sua sugesto.

    A Associao Paulista de Medicinadisponibilizar aos associados, por meiode seu site, (www.apm.org.br), at o dia11/10/2006, as propostas recebidas eordenadas, nos termos estatutrios.

    As Assemblias sero realizadas nodia 11 de novembro de 2006 (sbado),na Sede Social da Associao Paulistade Medicina, situada na cidade de SoPaulo, av. Brigadeiro Luis Antonio,278, 9 andar, sendo que, a Assem-blia Geral Ordinria ter incio s11h00 e a Assemblia de Geral Extra-ordinria a partir das 11h30.

    So Paulo, 10 de agosto de 2006.

    Dr. Jorge Carlos Machado CuriPresidente

  • Revista da APM Agosto de 2006

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    RICARDO BALEGO

    U

    CAPA

    Telemedicina aoalcance de todos

    m cenrio que, primeira vista,

    pode parecer somente a teoria

    de uma prtica bastante distante no dia-

    a-dia do mdico: um pas do tamanho

    do Brasil sendo capaz de se intercomu-

    nicar de um extremo a outro por meio

    de redes de Telemedicina e Telesade.

    disposio dos mdicos de todo o

    pas estaria a atualizao profissional,

    necessidade constante na medicina, e

    possibilidades de segunda opinio em

    diagnsticos; populao, apoio aten-

    o primria e preveno de doenas

    por meio da educao distncia.

    Esta , na verdade, uma realidade que

    vem se tornando cada vez mais acessvel.

    Sua tecnologia j est disponvel e suas

    possibilidades imediatas na promoo

    Apesar de suas enormes possibilidades, a tecnologia detransmisso de dados a servio da medicina no Brasil apostana simplicidade e eficcia tanto para a atualizao e usomdico como para a ateno primria da populao

    da ateno sade so inegveis.

    Acredita-se que as primeiras aplica-

    es da Telemedicina aconteceram nos

    Estados Unidos, em sua agncia espa-

    cial (Nasa), ainda na dcada de 1960.

    O contexto era o da corrida espacial e

    da guerra fria. Logo, a potncia que

    detivesse melhor tecnologia, inclusive

    de transmisso de dados, poderia dar

    um passo frente.

    At meados da dcada de 1990, ela

    no conseguia ser muito bem difundida

    no meio comum, porque a tecnologia

    era cara. Estava reservada a centros

    altamente especializados, explica

    Chao Lung Wen, professor associado e

    coordenador geral da disciplina de

    Telemedicina da Faculdade de Medi-

    cina da USP (FMUSP).

    Esta situao comeou a se alterar

    medida que o poder dos computadores

    e a modernizao dos sistemas de tele-

    comunicaes evoluram, possibilitan-

    do atividade um amplo e efetivo

    campo de trabalho.

    Hoje, a Telemedicina j no mais

    considerada exclusivamente de uso

    mdico, mas sim um resultado da unio

    de profissionais da sade e da tecnolo-

    gia, cuja a finalidade promover a sa-

    de. Conceitos variantes como Telesade

    e Teleducao so comuns, uma vez que

    as atividades podem envolver equipes

    Tecnologia servio da medicina

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    multiprofissionais e educao distncia.

    Pases como EUA, Canad, Austrlia

    e outros vm apresentando importante

    crescimento no uso dessa tecnologia.

    No Brasil, tudo parece caminhar para

    uma gradual implantao da Teleme-

    dicina tambm, uma vez que j exis-

    tem condies para tal. Alm de redes

    de telecomunicaes federais j dispo-

    nveis, como a RNP, RUTE, SIVAM/

    SIPAM e redes governamentais estadu-

    ais, h grandes possibilidades tambm

    por linhas digitais, DSL (banda larga)

    e mesmo a linha telefnica discada. Isso

    possibilitaria a conexo entre dois ou

    mais pontos em qualquer local do pas.

    A linha discada, inclusive, vem sen-

    do a grande aposta em projetos que en-

    volvem centros de ensino, entidades

    mdicas e a esfera governamental.

    Segundo o professor Chao Lung Wen,

    embora haja a Telemedicina de alta

    tecnologia (videoconferncia, robtica)

    e mdia (internet de banda larga), cerca

    de 70% da necessidade brasileira se

    resolve com internet de baixo custo,

    com o uso de linha discada, um mi-

    crocomputador com leitor de cd e m-

    quina fotogrfica digital.

    fundamental hoje, com a grande

    multiplicidade de novidades mdicas,

    ter um instrumento que seja baseado nas

    melhores evidncias. A Telemedicina

    passa a ser uma ferramenta muito til

    devido s dificuldades que muitos

    mdicos tm para ter acesso. A Inter-

    net e a Telemedicina podem melhorar

    de forma excepcional esse rendimen-

    to, concorda Jorge Carlos Machado

    Curi, presidente da APM.

    Ateno primriaComo exemplo, no dia 7 de julho, foi

    lanado o Projeto de Telesade aplica-

    da Ateno Bsica, coordenado pelo

    Ministrio da Sade e que visa capaci-

    tar equipes estratgicas do Programa de

    Sade da Famlia (PSF), atuando em

    regies mais remotas e de difcil acesso

    no pas.

    Da cidade de Parintins, interior do

    Amazonas, o ministro da Sade, Age-

    nor lvares, se comunicou e assistiu a

    uma apresentao gerada pela equipe

    da FMUSP, em So Paulo.

    As equipes podero obter a segunda

    opinio por teleconsulta, numa ao

    combinada de teleassistncia e teledu-

    cao. Sero implantados inicialmente

    Tela de vdeoconferncia

    Site tecnolgico da USP

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    oito Ncleos de Telesade, sediados em

    oito universidades pblicas, que j tm

    experincia desenvolvida em telesade

    e esto estrategicamente distribudas

    pelas cinco regies do Brasil, ressalta

    Ana Estela Haddad, coordenadora de

    Gesto da Educao em Sade da Se-

    cretaria de Gesto do Trabalho e da

    Educao do MS (DEGES/SGTES).

    Segundo ela, alm de ligados em rede,

    os oito ncleos estaro conectados,

    cada um, a outros cem pontos localiza-

    dos em Unidades Bsicas de Sade.

    Participam tambm do projeto enti-

    dades como a Universidade Federal de

    Minas Gerais, Conselho Federal de

    Medicina, Sociedade Brasileira de

    Medicina da Famlia e Comunidade e

    a biblioteca virtual em sade Bireme,

    que combinam aes, ainda, com

    programas de outros Ministrios, como

    o da Educao, Cincia e Tecnologia,

    Comunicaes e Defesa. Estas e outras

    instituies formam, inclusive, a Co-

    misso Permanente de Telesade do

    governo, criada em maro para avaliar

    e acompanhar os projetos da rea.

    Fizemos isso para provar que, mes-

    mo a Amaznia, est hoje conectvel

    por tecnologia. Por isso, eu acho que a

    Telemedicina no Brasil no pode ser

    mais vista s como medicina distn-

    cia. Ela tem que ser vista j como uma

    questo de estratgia de sade para o

    pas, opina o especialista Lung Wen.

    A Telesade representa um campo

    emergente do conhecimento em sade,

    desenvolvido a partir de uma intersec-

    o entre a informtica mdica, a sade

    pblica e a administrao. O termo tem

    conotao mais ampla do que apenas o

    desenvolvimento tecnolgico, carac-

    terizando-se por um novo modo de

    O projeto na Amaznia Legal

    est em andamento e indo muito

    bem; levando desde educao con-

    tinuada, para os mdicos e outros

    profissionais de sade, por ser uma

    regio menos populosa, at atendi-

    mento e segunda opinio, orienta-

    o para o colega distncia, frente

    alguma dificuldade que ele tenha,

    explica Gerson Zafalon Martins,

    coordenador da Cmara Tcnica e

    2 secretrio do CFM.

    pensar, agir e trabalhar em rede, con-

    ceitua Ana Estela.

    As novas possibilidades de comu-

    nicao em sade exigiram, recente-

    mente, a criao, no Conselho Federal

    de Medicina, de uma Cmara Tcnica

    exclusiva para assuntos relacionados

    Telemedicina.

    Na atuao entre Governo e Uni-

    versidade, h, ainda, projetos como o

    Estao Digital Mdica, que tem a mis-

    so de estruturar uma rede entre os

    centros hospitalares e vem contando

    com um oramento de R$ 5 milhes do

    Ministrio da Cincia e Tecnologia.

    Os valores so secundrios aos bene-

    fcios que a Telemedicina pode propor-

    cionar, opina Gerson Zafalon.

    Educao MdicaPara falar em medicina distncia no

    Brasil preciso falar na FMUSP, que,

    em 1997, instituiu em sua graduao a

    disciplina de Telemedicina. A FMUSP

    hoje o maior centro de Telemedicina

    no Brasil e certamente um dos grandes

    em toda a Amrica Latina, representado

    A USP o maior centro de telemedicina do pas

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    por todo seu complexo, como o HC,

    HU, Centro de Sade-Escola Butant,

    Faculdade de Odontologia de Bauru e

    mais nove instituies, todas interligadas

    entre si, formando uma grande comu-

    nidade de Telemedicina, orgulha-se o

    professor Chao.

    De fato, so 150 mil m de rea hospi-

    talar interligada, com possibilidade de

    transmitir para qualquer lugar do mun-

    do, desde que haja conexo disponvel.

    A Faculdade dispe, ainda, de outros

    projetos destinados ao ensino e preven-

    o de doenas, como o Homem Virtu-

    al, uma srie de programas educativos

    feitos em computao grfica e trs

    dimenses, que levam informaes tan-

    to para alunos e especialistas em medi-

    cina como para o pblico leigo. A srie

    Questo de Peso, do mdico Druzio

    Varella, exibida pelo programa Fants-

    tico em 2003, foi feita pela FMUSP.

    A prpria Associao Paulista de Me-

    dicina (APM) tambm vem se utilizando

    da Telemedicina para levar atualizao

    sobre temas mdicos aos profissionais.

    Toda segunda tera-feira de cada

    ms, o Departamento de Medicina de

    Famlia e Comunidade da entidade se

    rene para discutir assuntos que envol-

    vem a prtica da medicina familiar no

    mundo e conta sempre com a partici-

    pao, por videoconferncia, de espe-

    cialistas internacionais.

    No dia 8 de agosto, foi a vez do chefe

    do departamento de Medicina da Fa-

    mlia da Universidade do Kansas

    (EUA), Joshua Freeman, contribuir via

    web cam com suas experincias para o

    encontro cientfico.

    O especialista falou sobre o tema

    Cuidados Primrios Orientados para

    a Comunidade, com enfoque para o

    mdico de famlia no contexto da

    ateno primria.

    Todo complexo da USP interligado pela tecnologia

    Projetos de sade passam pelo computador

    Recertificao de ttulosEducao continuada aos mdicos

    tambm um campo frtil e til para a

    atuao da Telemedicina. Desde 1 de

    janeiro deste ano, todos os mdicos que

    obtiverem ttulo de especialista ou

    certificado de rea de atuao tero

    cinco anos para obter os crditos vlidos

    para o CAP (Certificado de Atualiza-

    o Profissional).

    Para tal, os especialistas devero

    somar cem pontos em atividades de atu-

    alizao ao longo desse perodo, sendo

    que, pelo menos dez crditos por ano

    (cerca de 20 horas/aula) podem ser

    obtidos por meio de programas dis-

    tncia, como a Telemedicina. Para isso,

    as atividades precisam ser credencia-

    das Comisso Nacional de Acredita-

    o (CNA), composta por membros da

    Associao Mdica Brasileira (AMB)

    e Conselho Federal de Medicina (CFM),

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    e terem o desempenho de seus partici-

    pantes avaliados.

    Embora uma avaliao completa a

    respeito de meios como a internet na

    formao do mdico ainda sejam objeto

    de discusso, o primeiro secretrio da

    AMB e membro da CNA, Aldemir Hum-

    berto Soares, considera a experincia

    positiva para a educao mdica. En-

    tendemos que a atualizao poder ser

    contemplada por esta forma e que cur-

    sos distncia so ferramentas impor-

    tantes para atingir os mdicos

    brasileiros nos locais mais distantes, e

    com baixo custo, disse.

    Os mdicos que se especializaram

    antes de janeiro, no entanto, podem

    optar por acumular ou no os pon-

    tos. Alm disso, a CNA ainda estuda

    como levar o sistema a todas as So-

    ciedades de Especialidades, para que

    estas acompanhem a atualizao de

    seus profissionais.

    A Federao Brasileira de Gastroen-

    terologia (FBG), por exemplo, lanou

    recentemente seu Programa Nacional

    de Educao e Desenvolvimento

    Continuado Distncia para Certifica-

    o de Atualizao Profissional, que

    est aliado s normas do CFM.

    Gratuito aos associados da entidade

    e previsto para o ms de setembro, o

    primeiro curso ter 12 aulas cursadas

    em um ano, que contar 12 crditos para

    efeito de comprovao junto CNA.

    O objetivo incentivar o aprimora-

    mento tcnico e estender o conheci-

    mento ao maior nmero possvel de

    profissionais que atuam na rea de Gas-

    troenterologia ou sua rea de atuao,

    a hepatologia, afirma Luiz Gonzaga

    Vaz Coelho, presidente da FBG.

    A Telemedicina pode ajudar de for-

    ma fundamental na atualizao mdica,

    proporcionando grande interatividade

    aos mdicos e estabelecendo contato

    distncia com os grandes centros, opi-

    na o presidente da APM, Jorge Curi.

    Chao Lung Wen, da USP

    O Projeto Jovem Doutor, como

    explica Chao Lung Wen, da USP,

    vai comear pelos alunos da fa-

    culdade de medicina, que vo ensi-

    nar, por meio do Homem Virtual e

    Gerao Sade, o aluno do ensino

    mdio a como prevenir doenas. E

    esse aluno vai dar palestras aos seus

    amigos mensalmente.

    A APM quer levar a medicina s escolas pblicas

    Projeto com a APMA APM tambm vem estudando par-

    ticipar de um projeto que, em parceria

    com a FMUSP, pretende levar educao

    e preveno de doenas a alunos de

    escolas pblicas no Estado de So Paulo.

    As regionais e distritais da APM

    seriam responsveis por levar o projeto

    a todas as regies do Estado. Seria a

    Associao Paulista de Medicina, numa

    ao conjunta com a universidade,

    promovendo a sade da populao do

    Estado, completa o professor.

    CAPA

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    Tecnologia que humanizaA preocupao com possveis infraes

    ticas nas relaes entre os mdicos e seus

    pacientes no uso da Telemedicina tem

    suas normas previstas principalmente em

    dois documentos: a Declarao de Tel

    Aviv, adotada pela 51 Assemblia

    Geral da Associao Mdica Mundial em

    1999, e, no caso brasileiro, a resoluo

    do CFM n 1.643/2002, que reconhece

    e institui a prtica no pas.

    A norma define, por exemplo, que o

    mdico que acompanha seu paciente

    o responsvel pelo ato, independente

    de participaes distncia e segundas

    opinies, e que a tecnologia no substi-

    tui essa relao. Ela est aprovada

    para segunda opinio, no para atendi-

    mento direto ao paciente, faz questo

    de lembrar Lung Wen.

    Com isso, uma segunda opinio mdi-

    ca no descarta a presena do mdico

    junto ao seu paciente, mas sim agrega

    dados para um diagnstico mais correto.

    Segundo a Declarao de Tel Aviv,

    que inspirou a resoluo do CFM, a

    Telemedicina no deve afetar adver-

    samente a relao individual mdico-

    paciente. Quando utilizada de

    maneira correta, tem o potencial de

    melhorar esta relao por meio de mais

    oportunidades para comunicar-se e um

    acesso mais fcil de ambas as partes.

    Sabe-se que, como qualquer outra tec-

    nologia, a medicina distncia, se bem

    usada, pode trazer benefcios atuao

    mdica e ao prprio sistema de sade

    brasileiro. No fundo, a tecnologia, se

    for utilizada em pontos adequados,

    humaniza muito mais do que a gente

    Participantes do Frum que discutiu os servios mdicos prestados distncia

    Lideranas mdicas debatem o uso da telemedicina

    imagina, atesta Chao.

    As possibilidades vo de reduo dos

    custos com transporte e diminuio das

    distncias, maior eficincia no mapea-

    mento de epidemias at o uso de outras

    ferramentas, como a telenfermagem.

    Estamos num momento histrico

    muito bom. O Ministrio da Sade est

    muito sensibilizado e a entrada das

    associaes mdicas junto com o CFM,

    hoje criaria uma fora to grande, que

    viabilizaria vrias outras coisas.

    preciso ensinar os mdicos a como uti-

    lizar a telemedicina e a teleducao,

    completa o professor.

    Nos dias 14 e 15 de julho, profissio-

    nais mdicos, governo, professores, ges-

    tores de sade e outros atores envolvidos

    no uso da Telemedicina no pas se reuni-

    ram para discutir, entre outros pontos,

    como implantar o reembolso dos servi-

    os mdicos prestados distncia.

    Realizado na Faculdade de Medicina

    da USP (FMUSP), o evento tambm

    props critrios para a sistematizao da

    segunda opinio mdica, apresentou

    experincias j realizadas e suas poten-

    cialidades, bem como as possibilidades

    para a recertificao dos ttulos de espe-

    cialistas e de rea de atuao.

    Quando se fala em reembolso, muita

    gente pensa que s questo de dinheiro,

    mas a idia no essa. A Telemedicina

    hoje no Brasil um recurso que visa

    otimizar o servio de sade do pas e

    reduzir os seus custos, afirmou Chao

    Lung Wen.

    Reunio discutevalorizao do servio

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    2006

    MSICAPOPULARPAULISTA

    Carlinhos Vergueirolota auditrio da APM

    CLUCIANA ONCKEN

    arlos Vergueiro chegou. A Bolsa

    vai abrir. Em queda ou alta? O

    leilo vai comear. Aquela loucura de

    gente gritando pra c e pra l. Opa, volta

    a fita. Carlinhos Vergueiro chegou. O

    show vai comear. Aquela loucura de

    gente, chegando sem parar, para ver

    Carlinhos cantar. Sem dvida, o show

    abre em alta.

    O Msica Popular Paulista segue 2006 fazendo sucesso,marcando momentos inesquecveis

    Houve um tempo em que este cone

    da msica paulista, da msica brasi-

    leira, dedicava seu tempo Bolsa de

    Valores. A msica era para as horas

    vagas. Isso foi j h muito tempo, nos

    idos de 1973. E daquela data em diante,

    a msica foi ganhando mais espao na

    vida deste compositor. At tomar conta

    de sua vida. Ficou conhecido depois de

    ganhar o festival de Abertura da TV

    Globo, com a msica Como um ladro.

    Passaram-se 31 anos desde ento. E,

    hoje, difcil imaginar este cara metido

    num terno e gravata. Enfrentando os

    altos e baixos do mercado financeiro. A

    Bolsa perdeu um profissional bom de

    lbia, e todos ns ganhamos muitas com-

    posies para ficar em nossa memria.

    Era 1o de junho, l estava ele, sentado

    num banquinho, roupa despojada, cala

    de sarja preta, colete, tnis, com o toque

    marcante de sua touca preta de lante-

    joulas. Estava ali para ser homenageado

    pela sua longa carreira e pela contri-

    buio Msica Popular Brasileira,

    Foto: Gisela Gutara

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    dentro do projeto Msica Popular

    Paulista, da Associao Paulista de

    Medicina (APM).

    Com seu estilo jovial e alegre, seu

    humor s vezes beira o sarcstico.

    Gosta de uma prosa com o pblico,

    coisa que aprendeu com o mestre

    Adoniran Barbosa.

    Com o Auditrio Nobre da APM

    lotado e em companhia dos msicos

    Edson Alves (violo e flauta) e Adriano

    Busko (percusso), Carlinhos relem-

    brou as vrias fases de sua carreira.

    Por Edson, declama o seu amor, mais

    do que isso, uma certa dependncia

    qumica do amigo e companheiro. Eu

    sofri de sndrome de abstinncia. Eu

    no sabia o que era viver sem o Edson,

    principalmente no show. Ele o me-

    lhor companheiro de palco, o maestro

    Edson Alves, um dos fundadores da

    Banda Mantiqueira, onde permanece

    at hoje, e j foi homenageado pelo

    Msica Popular Paulista.

    medida que a noite passava, Carli-

    nhos ia conquistando cada vez mais o

    pblico, parecia crescer e crescer. Vol-

    tando no tempo, indo alm. Relembrou

    antigos sucessos.

    Para quem precisa de refresco para a

    memria, a discografia de Vergueiro

    composta de dois compactos, onze LPs

    e quatro Cds. Entre eles, destaca-se

    Carlinhos Vergueiro -15 anos de car-

    reira, no qual divide cada msica com

    um convidado, entre os quais Paulinho

    da Viola, Caetano Veloso, Djavan, Chico

    Buarque, Martinho da Vila, Toquinho,

    Ney Matogrosso, entre outros.

    Durante sua trajetria, trabalhou com

    Cartola, viajando por todo o Brasil pelo

    Projeto Pixinguinha, em 1978. Tambm

    dividiu o palco com Nlson Cavaqui-

    nho, em 1980, e com Ney Matogrosso,

    Zizi Possi e Virginia Rosa, em 1995.

    Carlinhos no est neste mundo para

    brincadeira, no. O sucesso atravessou

    fronteiras, com shows por todo o pas, e

    em outros tambm, como Itlia, Frana,

    Cuba. Parcerias com Adoniran Barbosa,

    Toquinho, Chico Buarque, Vincius de

    Moraes, Sombrinha, Aldir Blanc, Pau-

    linho da Viola, Arlindo Cruz, entre

    muitos outros. E tem mais, como pro-

    dutor, esteve frente do LP A pera

    do Malandro, de Chico Buarque para

    o filme de Ruy Guerra (1985).

    Quem perdeu, perdeu...

    Carlinhos Vergueiro e seu estilo jovial e alegre

    Foto: Gisela Gutara

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    PROFISSO

    mdico est preparado para

    lidar com a morte?

    Qual a postura que ele, em especial o

    intensivista, deve ter diante de pacientes

    terminais?

    Estas e outras perguntas, igualmente

    polmicas, foram debatidas por espe-

    cialistas a fim de procurar as respostas

    que afligem atualmente as reas mdica

    e jurdica. Durante dois dias, os assuntos

    foram discutidos no frum sobre De-

    safios ticos na Terminalidade da

    Vida, promovido pelo Conselho Re-

    gional de Medicina do Estado de So

    Paulo (Cremesp) em parceria com o

    Conselho Federal de Medicina (CFM)

    e realizado na capital paulista.

    O evento contou com a presena de es-

    pecialistas mdicos e jurdicos, que queri-

    am esclarecer at onde vai o poder de

    deciso dos profissionais de medicina pe-

    rante a morte iminente de seus pacientes.

    Esta discusso trata das angstias

    que sofremos como intensivistas, lem-

    brou, no segundo dia do frum, Rachel

    Duarte Moritz, que faz parte da Cmara

    Tcnica sobre Terminalidade da Vida

    do Conselho Federal de Medicina

    (CFM). Os mdicos custam a aceitar

    a morte de seus pacientes. Para ns a

    responsabilidade parece ser maior,

    completou, abrindo mais uma sesso

    de discusses.

    Roberto Dvila, tambm diretor do

    CFM, disse que o Frum o era pontap

    inicial para discutir a terminalidade da

    Terminalidade da vidaTerminalidade da vidaDa esq. p/dir. Jos de Siqueira, Jeferson Piva, Rachel Moriz, Miguel Kfouri, Jairo Othero, Gabriel Oselka e Renato Terzi

    O

    Marcos Segre, Maria Marchi, Maria Vilas Boas, Gerson M., Solimar Pinheiro eLuis Manreza (da esq. p/dir.)

    vida sem preconceitos. Ele esclareceu

    ainda que era a oportunidade para debater

    a resoluo da entidade sobre o assunto.

    O artigo nmero primeiro da reso-

    luo diz que permitido ao mdico

    limitar ou suspender procedimentos e

    tratamentos que prolonguem a vida do

    doente em fase terminal, de enfermi-

    dade grave e incurvel, respeitada a

    vontade da pessoa ou de seu represen-

    tante legal.

    No caso de morte enceflica, a re-

    soluo esclarece em seu artigo ter-

    ceiro: vedado ao mdico manter

    At onde vai a obrigaodo mdico?

    CARLA NOGUEIRA

    RICARDO BALEGO

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    os procedimentos que asseguravam o

    funcionamento dos rgos vitais,

    quando houver sido diagnosticada a

    morte enceflica em no doador de

    rgos, tecidos e partes do corpo hu-

    mano para fins de transplante.

    Segundo Roberto D vila, a con-

    duta, prevista na resoluo, deno-

    minada ortotansia, que diferente

    do conceito eutansia - prtica pela

    qual se abrevia, sem dor ou sofrimento,

    a vida de um enfermo incurvel.

    A ortotansia visa garantir a possi-

    bilidade de morrer com dignidade,

    sendo que a eutansia uma interrup-

    o direta da vida, explica.

    Para o presidente da Sociedade de Bi-

    otica, Jos Eduardo Siqueira, o frum

    abriu novas possibilidades para a huma-

    nizao do tema. Fizemos crescer a

    tecnologia e diminumos a reflexo ti-

    ca. No podemos desprezar as tcnicas,

    mas preciso humanizar a terminalida-

    de da vida e ampliarmos a discusso

    sobre a resoluo. A morte no ade-

    quadamente tratada na rea da sade.

    necessria a reflexo, completou.

    Segundo o professor Jos Eduardo

    de Siqueira, da Sociedade Brasileira

    de Biotica (SBB), as angstias m-

    dicas frente impossibilidade de cura

    e morte so incutidas na prpria

    faculdade. A culpa nossa. Ns

    transmitimos aos ainda alunos de

    medicina que a morte um fracasso

    e no somos educados para fazer di-

    ferente disso, disse. arrogncia

    nossa, dos professores de medicina,

    pois dizemos que eles tm o poder

    de cura sempre. Curamos s vezes,

    aliviamos freqentemente e confor-

    tamos sempre, completou.

    DesafiosO coordenador do Ncleo de Estudos

    e Pesquisa em Biotica do Centro Uni-

    versitrio So Camilo, em So Paulo, o

    padre Lo Pessini, classificou o evento

    como um desafio. Ou melhor, uma

    ousadia, pois o assunto provoca angs-

    tia, mas necessrio discut-lo. A morte

    deixou de ser um evento para se tornar

    um processo, afirmou o religioso.

    Pessini conceituou a distansia - morte

    com sofrimento fsico ou psicolgico

    do indivduo lcido e ressaltou que

    os mdicos devem ouvir seus pacientes,

    avaliar a eficcia do tratamento e o prin-

    cipal, curar a morte e no a doena.

    Vemos um milagre: o avano tec-

    nolgico, mas o momento de anali-

    sar a questo tica nos critrios da

    utilizao desta tecnologia a favor do

    paciente. A medicina vive um conflito:

    lutar contra a morte e entender este

    caminho, afirmou.

    Pessini destacou os mtodos adota-

    dos pelos mdicos na forma de atender

    Pblico que acompanhou um dos debates

    Saulo Eduardo Siqueira, Clvis Constantino e Desir Callegari (da esq. p/dir.)

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    seus pacientes, principalmente, os que

    se encontram em fase terminal. O

    paciente tem direito de morrer com dig-

    nidade. Ele (paciente) tem sua bagagem

    de valores e culturas e isto to impor-

    tante o mdico compreender como ava-

    liar seu exame de sangue.

    Segundo o padre, os mdicos preci-

    sam ser educados para saber lidar com

    situaes crticas da vida e da morte.

    Poder judicirio e medicinaO ministro do Superior Tribunal de

    Justia (STJ), Gilson Lngaro Dipp, clas-

    sificou o tema do evento como complexo

    e de muitas controvrsias. Mas no po-

    demos fugir da responsabilidade de discu-

    tirmos. E o Frum vem agregar cada vez

    mais a ligao do Poder Judicirio com a

    Medicina, porque at para ns, a termina-

    lidade da vida um assunto novo.

    O ministro entende tambm que

    preciso olhar mais o paciente em estado

    terminal como ser humano, pensar no

    paciente e no na doena.

    Precisamos oferecer conforto ao

    enfermo terminal. Apoio psicolgico

    e moral so mais essenciais do que fo-

    car apenas no prolongamento da vida.

    Os mdicos precisam saber os limites

    que podem chegar nos procedimentos

    em benefcio do bem-estar do paciente.

    Quanto nossa rea, necessita-se de

    uma manifestao do judicirio mais

    concreta sobre o tema, disse o juiz.

    Para o procurador geral de Justia

    do Distrito Federal e Territrios, Leo-

    nardo Bandarra, a terminalidade da

    vida precisa primeiro ser compreendi-

    da entre os mdicos.

    Vocs que daro o diagnstico de

    paciente terminal e acredito que, entre

    os profissionais, h uma necessidade de

    entendimento e compreenso sobre o

    assunto. importante destacar que o

    mdico no est s, a resoluo um

    avano e que dar amparo a vocs (m-

    dicos), afirmou o procurador.

    Para Miguel Kfouri Neto, do Tribu-

    nal de Justia do Paran, h uma dife-

    rena grande entre morrer e morrer com

    dignidade, tratando tambm sobre a

    chamada interrupo de tratamento,

    questo presente em casos irreversveis.

    ResoluoAlm da importncia de se tratar sobre

    a terminalidade da vida, as discusses

    apresentadas durante o frum devem

    resultar, em breve, em uma resoluo

    normativa editada pelo CFM.

    O intuito amparar o mdico em con-

    tato direto com tais dilemas ticos,

    como a posio da famlia, teraputica

    desnecessria em casos irreversveis e

    respeito morte sem sofrimentos.

    O prprio Cdigo de tica Mdica

    no traz nada sofre o tema pacientes ter-

    minais. Essa resoluo deve auxiliar

    muito nas questes com as quais convi-

    vemos, no aspecto legal, implicitamen-

    te, e no aspecto tico, explicitamente,

    destacou Gabriel Oselka, ex-presiden-

    te do CFM e coordenador do Centro de

    Biotica do Cremesp. Diaulas Ribeiro, Gilson Dipp, Maria Goretti, Cludia Burla, leonardo Bandarra eMaria Kovacks (da esq. p/dir.)

    Vdeo ilustrativo de um dos debates

    PROFISSO

  • Revista da APM Agosto de 2006

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    Clara Brando. Do outro lado, 200 pesso-

    as, a maioria mulheres j acostumadas

    ADRIANA REIS

    E m uma tigela, junte um copode farelo de trigo tostado,

    um de farinha de milho tipo biju, outro

    de farinha de mandioca bem crocante,

    outro ainda de leo (de preferncia de

    arroz) e sal. Misture bem. Em seguida,

    acrescente bananas picadas, caldo do

    limo e salsinha a gosto. Est pronto.

    Fcil de fazer, no precisa nem de fogo.

    H 35 anos, a pediatra enutrloga Clara Brandoajuda a salvar vidas comreceitas simples, de altovalor nutritivo e baixo custo

    Quem ensina pacientemente o prepa-

    ro desta farofa a pediatra e nutrloga

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    Farofa preparada pela nutrloga

    A me da multimistura

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    com o dia-a-dia da cozinha, anotam

    cada detalhe. Esto impressionadas com

    a receita e aguardam o momento de

    experimentar a novidade. O ritual se

    repete h 35 anos, desde que a doutora

    Clara decidiu unir o que havia aprendido

    com a medicina e os conhecimentos

    partir destas constataes, passou a usar

    sua criatividade para inventar receitas

    que garantiam os nutrientes necessrios

    e que cabiam no bolso da populao

    mais carente.

    Foi assim que surgiu a idia da mul-

    timistura um misto com alto valor

    nutritivo, formado por folhas e semen-

    tes secas e trituradas at virarem um

    p, que acrescido ao prato de comida,

    diariamente. O conceito da multimis-

    tura foi adotado pela Pastoral da Cri-

    ana, da Igreja Catlica, que passou a

    distribuir para as mes cujos filhos

    estavam abaixo do peso. O resultado foi

    surpreendente. A receita bsica da mul-

    timistura contm: 70% de farelo (de

    arroz e/ou de trigo) tostado; 15% de p

    de folhas (mandioca, batata-doce etc.)Anotaes do curso preparado pela nutrloga Clara Brando

    Ensinar a comer direito no

    difcil. O complicado fazer

    as pessoas comerem bem com

    o que tm disposio, perce-

    beu Clara Brando.

    Dicas para seguir umaalimentao sustentvel

    Para assegurar o consumo dos

    nutrientes necessrios, o ideal

    comer maior variedade possvel de

    alimentos disponveis;

    A boa digesto comea com

    uma boa mastigao;

    Prefira frutas e gua aos sucos

    com acar/adoante e refrigerantes;

    Comece sempre o almoo e o

    jantar com um prato de salada de

    folhas cruas e limo;

    Sempre que possvel, coma trs

    tipos de frutas por dia e cinco tipos

    de folhas.

    com as pesquisas que desenvolveu na

    rea de alimentao.

    Clara descobriu um dom e uma mis-

    so. O dom: combinar produtos simples

    e disposio da maioria dos brasilei-

    ros e com baixo custo e transformar

    em receitas reaplicveis, com alto valor

    nutritivo. A misso: ajudar a diminuir

    a desnutrio infantil no pas. Um ter-

    o dos brasileiros vive abaixo da linha

    da pobreza. Isso sempre me incomo-

    dou, conta Clara, formada pela Uni-

    versidade de So Paulo em 1969.

    Cuidar da sade de crianas foi o que a

    motivou pela escolha da pediatria como

    especialidade. Mas agir combatendo

    apenas a doena era pouco para ela. O

    desafio era prevenir, evitando que os

    pequenos chegassem aos consultrios

    e ambulatrios.

    Clara passou a pesquisar o que essas

    crianas comiam em casa. Desenvol-

    veu estudos que comprovavam a influ-

    ncia da alimentao na sade e, a

    Clara Brando

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    SADEPBLICA

    e 15% de ps de sementes (gergelim,

    abbora, linhaa, girassol). Foi to dis-

    seminada que atualmente pode ser en-

    contrada pronta, nas lojas de produtos

    naturais. Basta uma colher de sopa ao

    dia, distribuda nas refeies.

    Sculo das cidadesO brasileiro tem se alimentado de

    forma cada vez mais precria em termos

    de qualidade. Clara Brando acredita

    Projeto ensina a fazer horta

    que isso acontece porque a populao,

    que antes ocupava essencialmente a

    rea rural, migrou para os grandes cen-

    tros urbanos. Vivemos o sculo das

    cidades. A maioria da sociedade vive

    nas periferias desses centros metropo-

    litanos e se depara com a falta de diver-

    sidade dos alimentos, aponta.

    Outro problema, segundo a mdica,

    nossa alimentao estar baseada no

    que vendido em supermercados.

    Nossas refeies so pautadas pelos

    supermercados. Consumimos cada vez

    mais produtos industrializados e dei-

    xamos para trs uma herana de alimen-

    tos naturais e saudveis, critica.

    Antes, nossa relao com o alimento

    era mais direta. Conhecamos o ven-

    dedor de frutas, legumes e verduras

    pelo nome. Sabamos o tempo certo de

    colheita de cada produto, acompanh-

    vamos seu ciclo. Tudo isso se perdeu

    quando abandonamos as feiras livres,

    acredita Clara.

    Projeto alimentao sustentvel, granola e multimistura

    Dicas para seguir umaalimentao sustentvel

    Clara Brando

    Acrescente duas folhas a mais

    de tempero (salsa, coentro etc.) por

    dia. Em dez anos, haver ingesto

    de 7.300 folhas: uma grande quan-

    tidade de vitaminas e minerais.

    Multimistura pode ser encontrada em lojas de produtos naturais

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    Clara Brando faz palestras a merendeiras

    O alerta foi feito pela doutora em

    So Paulo, recentemente, para um

    grupo de 200 merendeiras que traba-

    lham em projetos sociais de comple-

    mentao escolar, da Fundao Banco

    do Brasil. Em dois dias de oficina so-

    bre Alimentao Sustentvel, elas

    receberam instrues de como prepa-

    rar alimentos saudveis, usando pro-

    dutos disponveis na prpria regio.

    Saram do curso com um livro de re-

    ceitas, outro de orientaes para ini-

    ciar uma horta perene e a vontade de

    multiplicar esse conhecimento.

    As merendeiras ficaram impressiona-

    das com os nmeros de uma pesquisa,

    apresentados por Clara Brando duran-

    te a oficina: 50% dos brasileiros se ali-

    mentam com pouca qualidade; 30%

    comem mais do que necessitam; 40%

    da nossa produo agrcola desperdi-

    ada ou estraga antes de chegar mesa.

    A vida corrida das grandes cidades

    tambm prejudica nossa alimentao.

    Trocamos as refeies pelos sanduches

    e os sucos, pelos refrigerantes. O bra-

    sileiro inverte a pirmide de alimen-

    tos. Consumimos mais aquilo que deveria

    ter menor peso na nossa balana: arroz

    branco, po e massas feitos com fari-

    nha branca e acar, critica a pedia-

    tra. Segundo ela, h um provrbio que

    diz: Mudar o hbito alimentar mais

    difcil do que mudar a religio de al-

    gum. Foi por isso que Clara estudou

    para desenvolver uma mistura que

    complementasse a alimentao, garan-

    tindo imediata absoro de nutrientes.

    Assim, ajudou a salvar vidas de inme-

    ras crianas por todo o Brasil. Quando

    a criana nasce desnutrida, abaixo dos

    2,5 quilos, ela tem duas vezes mais

    chances de ser um adulto hipertenso,

    ensina Clara.

    Durante a oficina, Clara mostrou que

    o resultado do uso da multimistura na

    regio do semi-rido brasileiro foi

    significativo. Antes de incluir o com-

    posto na alimentao local, 25,4% das

    crianas at um ano de idade estavam

    abaixo do peso. Depois, apenas 1%.

    Dicas para seguir uma alimentao sustentvel

    Clara Brando

    Uma colher de sopa por dia de

    farelo (de arroz e/ou trigo) melhora

    o rendimento fsico, mental e com-

    bate a constipao intestinal;

    Uma colher de sopa de multi-

    mistura por pessoa/dia, dividida

    em trs refeies, pode reduzir

    em at 30% o volume de alimento

    ingerido;

    Prefira mandioca gratinada,

    cozida ou frita a fazer bolo, nho-

    que, pur. Ela brasileira e 100%

    orgnica;

    O arroz parbolizado tem 528%

    mais vitamina B1, 150% mais cl-

    cio e 250% mais ferro que o arroz

    branco. sempre soltinho, rende

    20% mais, nunca tem gro quebrado

    e gasta menos leo no preparo;

    Frutas secas e rapaduras so

    timos substitutos dos doces;

    Vitaminas A, C e E presentes

    nas verduras e frutas melhoram a

    resposta imunolgica, reduzem a

    gravidade das infeces e o risco de

    catarata;

    Alimentos ricos em gordura e

    acar favorecem doenas crnico-

    degenerativas, hipoglicemia, de-

    ficincia de micronutrientes,

    obesidade e sobrepeso em todas

    as idades.

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    SADEPBLICA

    GuloseimasDoces industrializados, prontos para

    consumir e agradveis ao paladar... ten-

    tao difcil de resistir. Mas esse tipo

    de guloseima um vilo da nossa sade

    alimentar. Esses produtos industria-

    lizados nem deviam ser considerados

    alimentos. Alguns desses doces so ver-

    dadeiros venenos para nossas crian-

    as, critica Clara. A mdica aponta,

    entre as conseqncias da m alimen-

    tao, a diminuio da capacidade in-

    telectual e o aumento da pr-disposio

    para doenas degenerativas, obesidade

    e hipoglicemia. Sem contar que uma

    alimentao mais saudvel deixa as

    pessoas mais felizes, aponta.

    Entre as inmeras dicas da mdica

    esto o consumo da folha de mandioca,

    rica em minerais e vitaminas. Tem

    mais ferro do que a carne e mais vita-

    mina A do que o leite, revela. Ela

    pode ser ingerida em formato de p,

    reduzir a gravidade das infeces como

    a dengue, malria, pneumonia, diar-

    ria, tuberculose e gripe.

    Os farelos de arroz e de trigo tambm

    so recomendados por ela, assim

    como as saladas com folhas verde-

    escuras. Outro coringa o gergelim,

    que tem dez vezes mais clcio que o

    leite e pode ser usado em sopas, fei-

    jo, farofa e saladas. Alm, claro,

    da prpria multimistura, que pode ser

    includa na alimentao diria, sem

    contra-indicao.

    Clara incentiva a ter em casa uma

    pequena horta. D para aproveitar o

    quintal e at as encostas do muro. Quem

    mora em apartamento pode produzir

    em vasos. Basta escolher as mudas e

    sementes que melhor se adaptem s

    condies do ambiente.Merendeiras em curso ministrado por Clara Brando

    O leo de arroz tem uma subs-

    tncia que acelera a formao e fi-

    xao da memria. Pode ser usado

    mais de uma vez sem se decompor;

    Use milho pelo menos duas

    vezes por semana, em polenta,

    angu, canjiquinha, cuscuz, bolo,

    farofa ou o milho verde;

    O limo nas refeies aumenta

    a absoro de ferro;

    O acar retira o clcio da nossa

    alimentao;

    O p da folha de mandioca tem

    sete vezes mais ferro do que a carne

    e 180 vezes mais vitamina A do que

    o leite;

    O gergelim tem dez vezes mais

    clcio do que o leite;

    A luz do sol na pele aumenta a

    produo de vitamina D, impor-

    tante para a absoro do clcio;

    Os sucos com folhas verde-

    escuras como hortel, capim-santo,

    agrio, salsa e couve melhoram a

    disposio para o trabalho, o apren-

    dizado e reduzem as infeces.

    Dicas para seguir uma alimentao sustentvel

    Clara Brando

    acrescido na comida, e ajuda a contro-

    lar a anemia, aumentar a imunidade e

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    2006

    31Cestas bsicas regionalizadas para o Fome Zero

    A alimentao um assunto que

    tem atrado cada vez mais a ateno

    da sociedade, da mdia e do meio aca-

    dmico. Quem confirma o presi-

    dente da Associao Brasileira de

    Nutrologia (Abran), Durval Ribas

    Filho. A entidade, que funciona desde

    1973 - a Nutrologia uma especiali-

    dade mdica desde 1978 -, tem de-

    senvolvido inmeros projetos para

    melhorar a qualidade nutricional da

    populao. Um dos mais recentes foi

    uma minuciosa pesquisa, em parceria

    com o governo federal, para a

    montagem de cestas bsicas regiona-

    lizadas para o Programa Fome Zero.

    Passamos dois anos investigando a

    alimentao nas regies Norte, Nordes-

    te, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, para

    identificar os produtos com alto valor

    nutritivo, dentro das particularidades

    de cada lugar, afirma Ribas.

    Segundo ele, possvel alimentar-se

    corretamente mesmo vivendo a cor-

    reria dos grandes centros urbanos.

    Uma das boas invenes recentes

    o restaurante por quilo. A pessoa

    monta o prprio prato, buscando

    combinaes coloridas, e garante

    uma refeio saudvel, exemplifica.

    Com alguns cuidados bsicos, o

    presidente da Abran ensina que d

    para manter uma alimentao equi-

    librada, mesmo recorrendo a produ-

    tos industrializados e aos sanduches.

    A indstria alimentcia evoluiu

    muito. Hoje temos uma infinidade

    de pes integrais disposio. Pode-

    mos comer sanduches, optando pela

    combinao de po, carne branca, de

    preferncia, alface e tomate, sem

    abusar de ketchup e mostarda e evi-

    tando a maionese, diz. Ele tambm

    alerta para o comportamento atual

    da sociedade em deixar de lado a

    velha conhecida combinao de ar-

    roz e feijo. uma mistura muito

    adequada, elogia.

    O mdico incentiva ainda a po-

    pulao a olhar para outro problema

    crescente relacionado alimenta-

    o: a obesidade. O Brasil tem 38,8

    milhes de obesos. Temos de nos

    preocupar com essa questo, afir-

    ma. Esse e outros assuntos sero de-

    batidos nos dias 14, 15 e 16 de

    setembro, em So Paulo, durante o

    Congresso Brasileiro de Nutrolo-

    gia. Mais informaes no site

    www.abran.org.br.

    As invenes de Clara Brando pa-

    recem agradar ao bolso, ao organismo

    e ao paladar. Prova disso so os sinais

    de satisfao das merendeiras, que

    experimentaram e repetiram a farofa

    preparada pela mdica. Ao ocupar os

    bancos da faculdade de medicina, dou-

    tora Clara fez um juramento: trabalhar

    para salvar vidas. Em especial, a das

    crianas, j que optou pela pediatria.

    Foi alm. Reproduziu conhecimento

    e mostrou que sade se garante no

    cotidiano, a cada escolha feita. A cada

    prato de comida.

    A hipoglicemia, que provoca

    mal-estar, tonturas, mau-humor,

    violncia e agressividade, pode ser

    reduzida com alimentos integrais,

    granola, verduras e castanhas;

    As folhas verde-escuras como

    taioba, dente de leo, hortel, man-

    jerico, jambu, capeba, vinagreira,

    serralha, beldroega, ora-pro-nbis,

    moringa, so mais ricas em mine-

    rais e vitaminas do que as folhas

    verde-claras;

    Dicas para seguir uma alimentao sustentvel

    Clara Brando

    A castanha-do-par contm se-

    lnio, que essencial para a sade.

    Consuma uma a duas por dia;

    Brotos, algas e cogumelos so

    ricos em minerais e vitaminas.

    Consuma-os com freqncia;

    O exerccio fsico regular e a

    boa alimentao ajudam o bom fun-

    cionamento do corpo e so funda-

    mentais para a sade.

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    COTIDIANO

    CARLA NOGUEIRA

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    Jovens soprincipal alvo nocombate ao fumo

    fumaa do vcio. A tragadaque pode levar morte. Presasfceis, os jovens caem no vcio.

    cada vez mais freqente o nmero deusurios de tabaco, principalmente ocigarro, entre adolescentes. Dados doInstituto Nacional do Cncer (Inca)apontam esta realidade. O tabaco considerado uma doena peditrica.Cerca dos 90% de fumantes comearama fumar antes dos 19 anos, completoua representante do Inca, rika Caval-cante, durante o I Frum Nacional daSade Juventude contra o Tabaco,ocorrido na manh do dia 8 de agostono auditrio nobre da APM.

    O evento foi realizado pela APM,Sociedade Brasileira de OncologiaClnica, Associao Mdica Brasileirae Ncleo de Apoio ao Paciente comCncer e teve o apoio de vrias entidadesque trabalham em prol do pacienteportador de cncer.

    A iniciativa, realizada em comemo-rao ao Dia Nacional da Sade, 6de agosto, teve como principal fococonscientizar e alertar sobre o perigodo tabagismo entre os jovens, bem

    Frum realizado na APMmostra os riscos a que apopulao jovem expostaquando faz uso do tabaco,especialmente o cigarro

    como mostrar que o cncer tem cura.Segundo rika, cerca de 100 mil

    pessoas por dia se iniciam no hbito defumar, sendo que 80% dos casos ocorreem pases em desenvolvimento. preciso entender que a dependncia dotabagismo por toda a vida. O nossotrabalho consiste em mostrar os peri-gos do tabaco, o que isso pode causar pessoa e, principalmente, dar respaldopara o dependente que deseja se afastardo vcio. uma vigilncia eterna.

    Em sua concluso, na apresentao noFrum, rika destacou que o combateao tabagismo precisa ser um trabalhoconstante e em conjunto com a sociedade.Precisamos da conscientizao dasociedade para mobilizarmos e escla-recer cada vez mais a populao sobreos danos causados pelo tabagismo.

    IniciativaA diretora de Aes Comunitrias da

    APM, Yvone Capuanno, abriu a pro-gramao do evento com destaque para

    iniciativa da APM na realizao doFrum. Para a APM uma honrarealizar um evento desta importncia.Estamos [APM] de portas abertassempre. Obrigada a todos.

    Em seguida, a presidente da SociedadePaulista de Oncologia, Nise Yamaguchi,apresentou aos presentes, representantesdo Idem rede internacional que visaajudar e incentivar jovens na integraoe transformao de causas sociais.

    Os jovens do Idem fizeram um louvor maior causa: a transformao domundo, e, principalmente, a transfor-mao de si mesmo, longe de vcios.

    A presidente da Sociedade Brasileirade Oncologia Peditrica, Snia Viana,explanou sobre o cncer em crianas que,segundo ela, no tem preveno, mas,com um diagnstico precoce h chancede 70 a 80% de cura. J Eliana Caran, doGrupo de Apoio Criana e Adolescentecom Cncer (GRAACC), apresentou ainfra-estrutura do GRAACC e todo otrabalho desenvolvido pela entidade.

    Yvone Capuanno, diretora da APM, e Nise Yamaguchi, durante palestracontra o tabagismo na APM

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    CNCER

    PADRIANA REIS

    esquisadores do mundo inteirocomemoraram, em junho, a

    divulgao do resultado de uma pesqui-sa realizada por 55 instituies e quedesenvolve um exame capaz de identifi-car a predisposio gentica para o cn-cer de intestino. Uma dessas instituiesera brasileira: o Hospital do Cncer. Ocoordenador do grupo o oncologistaBenedito Mauro Rossi, mineiro forma-do pela Pontifcia Universidade Catlicade Minas Gerais. Desde 1985, ele traba-lha no Hospital do Cncer, onde perce-beu a necessidade de pesquisar ainfluncia gentica na predisposio paraessa doena, ainda hoje considerada umtabu. De seu consultrio, no bairro daLiberdade, Dr. Rossi concedeu uma en-trevista exclusiva Revista da APM:

    Revista da APM - A mdia tem noti-ciado a descoberta de um exame gen-tico para identificar a predisposiopara o cncer de intestino. O que esseresultado representa?

    Pas integra equipe de 55instituies internacionaispara desenvolver examegentico que identifica apredisposio ao cncerde intestino

    Benedito Mauro Rossi Essa pes-quisa que a mdia tem comentado, trata-se de um resultado parcial de um trabalhoque comeou em 1997. Desde este per-odo, estamos estudando casos de cncerhereditrio de intestino. uma pesqui-sa contnua, que envolve 55 instituiesde todo o mundo, da qual o Hospital doCncer, em So Paulo, faz parte. Somosum grupo de estudos com cerca de 20profissionais, coordenados por mim.

    APM Como essa pesquisa come-ou? O que o grupo tem conseguidoem termos de conhecimento cientficodesde 1997?

    Rossi Para ser sincero, essa pesquisacomeou antes ainda, em 1992. O pro-cesso iniciou com o registro dos casosde cncer no intestino que recebamosno Hospital do Cncer. O primeiro passofoi montar um imenso banco de dados.A comunidade cientfica sabia que ha-via uma predisposio gentica para ocncer de intestino, mas at aquelemomento no tinha um embasamentode pesquisa para saber o grau disso. Euacompanhava os pacientes chegando aohospital com o diagnstico de cncerde intestino e, muitas vezes, percebiaque o pai, o irmo ou o primo dele tam-bm tinham a doena. Isso precisavaser organizado em forma de base para apesquisa. Foi o que fizemos. J com obanco de dados, que recolheu informa-es de mais ou menos 150 famlias,

    comeamos a pesquisa, em 1997. Osresultados foram publicados em 2002,numa revista internacional.

    APM A partir disso, a equipe ganhouprojeo internacional?

    Rossi Sim, o resultado foi publica-do em uma revista importante do meiocientfico e passamos a ter contato comoutros pesquisadores, do mundo todo.Em 2004, comeamos a segunda faseda pesquisa, com registro de 300 fam-lias. O resultado dessa pesquisa foi pu-blicado em junho de 2006, com adescoberta do exame que identifica apredisposio gentica para desenvol-ver o cncer de intestino.

    APM E se trata de uma divulgaomundial?

    Rossi Isso mesmo, porque a pesquisafoi desenvolvida em conjunto por estas55 instituies que formam o grupo deestudos. A organizao dos dados tevecoordenao de um pesquisador coreano.

    APM verdade que o senhor onico brasileiro na equipe?

    Rossi Sim e no. Sou o nico brasi-leiro que assina o estudo, mas, na verda-de, nenhum trabalho desenvolvido poruma pessoa somente. um trabalho deequipe. O grupo de estudos tem 20 pes-quisadores, como mencionei, e todostrabalham juntos. importante dizer

    Brasil no timetitular daspesquisas Oncologista Benedito Mauro Rossi

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    isso, porque a pesquisa resultado doesforo de todos. Ns nos reunimos se-manalmente, desde 2003, quando o gru-po foi criado. At montamos um site naInternet, em que publicamos um resu-mo das nossas reunies. O endereo www.gbeth.org.br (Grupo Brasileiro deEstudos de Tumores Hereditrios).

    APM E de que forma feito esteexame?

    Rossi Funciona da seguinte forma:a pessoa chega at o Hospital do Cncerpara saber sua predisposio gentica. Oprimeiro passo identificar as pessoasna famlia que j tiveram a doena. Fa-zemos a coleta do sangue delas para oestudo gentico. Depois, organizamosa rvore genealgica daquela famlia epassamos a verificar alguns critriospr-definidos que, se preenchidos, qua-lificam aquela pessoa como predispos-ta geneticamente. A herana para agerao seguinte de 50%, ou seja, se opai ou a me tm a predisposio, achance do filho tambm ter de 50%.

    APM Mas ter a predisposio nosignifica que a pessoa vai desenvolvero cncer, no ?

    Rossi Pode acontecer. Nossas pes-quisas mostram que se a pessoa tiver apredisposio, a chance de ter cncer de 80%. Para que se entenda o que issorepresenta, eu costumo comparar comuma grande escadaria. Vamos suporque todos nasam no degrau zero, ouseja, no andar trreo. medida quevamos crescendo, passamos a agredirnosso organismo com alimentos nosaudveis, com lcool e cigarro. Va-mos subindo essa escada. Quando che-gamos aos 50 anos, num certo patamar,desenvolvemos o cncer. A pessoa compredisposio gentica j nasce no quin-to degrau dessa escada. Ela j est al-guns passos adiante e, portanto, deveredobrar os cuidados.

    APM E qual o procedimento a partirdo momento que a pessoa sabe que tema predisposio?

    Rossi Ela deve fazer um exame anu-al para monitorar a doena e comearisso cedo, a partir dos 25 anos. A partirdos 50 anos, todos devem fazer esse exa-me, mesmo quem no tem a predispo-sio gentica.

    APM O senhor mencionava hpouco sobre a alimentao. Ela toimportante assim na preveno do cncerde intestino?

    Rossi Ela importantssima, fun-damental. O cigarro, o lcool e a ativi-dade fsica so importantes, mas aalimentao o determinante. Um dosprincipais agressores do intestino agordura saturada. E sabe onde ela maisencontrada? Na carne vermelha. umaverdadeira vil. Eu brinco que nas em-balagens de carne do supermercado de-veriam vir imagens de pessoas doentes,assim como acontece com o cigarro.Outro agressor o alimento processa-do: salsicha, presunto, mortadela, pa-ts enlatados. Aumentam em 40 ou 50vezes a chance de desenvolver cncerde intestino. Sempre ouo pessoas di-zendo: ah, mas conheci um velhinhoque comia de tudo, bebia, fumava e vi-veu at os 90 anos. Pois se ele no ti-vesse feito tudo isso viveria at os 120,porque tinha condio gentica favor-vel. Em resumo, no se deve subesti-mar a importncia da alimentaosaudvel para a preveno da doena.

    APM Alm de evitar a carne, o quemais possvel fazer pela alimentao?

    Rossi Pode abusar de gros, casta-nhas, cereais. Comer alimentos frescos,frutas, legumes. O Brasil um pas privi-legiado, porque tem produtos frescos oano todo. Nosso clima proporciona isso,ao contrrio dos pases europeus, que

    sofrem com o frio rigoroso. s ir fei-ra, est tudo l, bonito e colorido. Se pos-svel, substituir a carne vermelha pelopeixe, que no tem gordura saturada. Noprecisa deixar de comer carne vermelha,mas faa isso apenas uma vez por sema-na. Porque j est comprovado pela Ci-ncia o quanto ela faz mal ao nossoorganismo.

    APM Quais os prximos passos dapesquisa?

    Rossi Acabamos de conseguir aaprovao de um apoio financeiro daFapesp (Fundao de Amparo Pes-quisa do Estado de So Paulo) paraampliar essa descoberta, incluindo ou-tros aspectos. Um deles, que nunca foiestudado no Brasil, a abordagem psi-colgica da doena. Sabemos como,ainda hoje, o cncer um tabu na nos-sa sociedade. Temos psiclogos e psi-quiatras no Hospital do Cncer paradar esse suporte. Estou orientandouma pesquisa de doutorado que estestudando justamente isso, porquequanto maior for a resistncia psico-lgica doena menor a chance da pes-soa se submeter a exames preventivos.Com estes recursos financeiros pode-remos abordar os mais diferentes as-pectos dentro deste tema, vamosverticalizar a pesquisa, aprofund-la.

    APM O Brasil tem avanado comopromotor de pesquisas cientficas?

    Rossi Ainda estamos longe do ide-al, mas temos avanado. Existem ilhasde pesquisa no Brasil, como o Hospitaldo Cncer. O Estado de So Paulo ain-da concentra a maior parte dessas pes-quisas, mas acredito que estamoscrescendo. Com este trabalho sobrecncer do intestino, o Brasil est en-trando no time titular de pesquisado-res. Estar nesse grupo significa queestamos compatveis com o resto domundo. uma grande conquista.

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    RADARMDICO

    O Sistema de Atendimento Sade

    (Sinasa) e o Sindicato das Empresas

    Sinasa e Sescon-SP firmam parceria

    Foto

    : Le

    and

    ro d

    e G

    odoi

    de Servios Contbeis e das Empresas

    de Assessoramento, Percias, Informa-

    es e Pesquisas no Estado de So Pau-

    lo (Sescon-SP) firmaram uma parceria

    que poder beneficiar um universo de

    mais de 50 mil pessoas. O acordo, fir-

    mado no dia 5 de agosto, vem com o

    objetivo de fornecer atendimento em

    sade para funcionrios e colaboradores

    de mais de 4 mil empresas filiadas ao

    sindicato. Na ocasio, estiveram pre-

    sentes o diretor de defesa profissional

    Diretores assinam parceria

    Saiba mais:www.sinasa.com.br

    A Associao Paulista de Medi-cina (APM), em parceria com aAssociao Brasileira de Brin-quedotecas, abre, at o dia 20 desetembro, inscries para o cursode formao de brinquedista hos-pitalar. O eve