413-687-4-PB (5)

download 413-687-4-PB (5)

of 20

Embed Size (px)

description

Texto

Transcript of 413-687-4-PB (5)

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Recibido: 27/06/2014 Los autores Aceptada versin definitiva: 19/02/2015 www.geo-focus.org 193

    USO DE GEOTECNOLOGIAS NA CARACTERIZAO DA FRAGILIDADE

    AMBIENTAL DA BACIA DA UHE FOZ DO RIO CLARO (GO)

    VILSON SOUSA QUEIROZ JUNIOR1, JOO BATISTA PEREIRA CABRAL

    2, ISABEL

    RODRIGUES DA ROCHA3, ASSUNO ANDRADE DE BARCELOS

    4

    Universidade Federal de Gois, Regional Jata, Coordenao de Geografia, Laboratrio de

    Geocincias Aplicadas, Rua Riachuelo 1530, setor Samuel Graham, CEP 75804-020, Jata Gois, Brasil.

    [email protected],

    [email protected],

    [email protected],

    [email protected]

    RESUMO

    Este trabalho teve como proposta a caracterizao da Fragilidade Ambiental da bacia

    hidrogrfica da Usina Hidreltrica (UHE) Foz do Rio Claro (BHFRC), Gois (GO) Brasil, em dois

    perodos, constituindo antes e depois da construo do reservatrio, compreendendo os anos de

    2009 e 2011. Por meio da proposta metodolgica de Ross (1994), executou-se a caracterizao das

    fragilidades ambientais da BHFRC a partir de Geotecnologias. Desta forma, os resultados inferiram

    que as reas de fragilidade potencial de 2009 para 2011 teve alterao mnima, sendo que, a classe

    Baixa aumentou 3,10%. Para a fragilidade Emergente, considerado pelo perodo relativamente curto

    analisado alteraram-se de forma mnima, a classe alta apresentou aumento de 1,57%. Deste modo, o

    que influenciou a fragilidade ambiental da BHFRC, transformando reas de fragilidade ambiental

    emergente Mdia para Alta foi a agricultura, que aumentou de 2009 para 2011 em 6,63%.

    Palavras-Chave: Uso da terra, declividade, erosividade, solos, reservatrio.

    THE USE OF GEOTECHNOLOGIES IN THE CHARACTERIZATION OF FOZ DO RIO

    CLARO RESERVOIR (GOIS) ENVIRONMENTAL FRAGILITY

    ABSTRACT

    This paper aimed to characterize the hydrographic basin Environmental Fragility of Foz do

    Rio Claro reservoir (HBFRC), Gois Brazil, in two periods: before and after the construction of the reservoir, comprising the years 2009 and 2011. Using Rosss (1994) methodological proposal, the characterization of HBFRC Environmental Fragility, through the use of geotechnologies, was

    carried out. According to the results, it is inferred that areas of potential fragility from 2009 to 2011

    had little change, since the lower class rose 3.10%. The Emerging fragility, considering the short

    period relatively analyzed, had minimal change, the upper class represented an increase of 1.57%.

    In conclusion, the agriculture influenced the Environmental Fragility of HBFRC, transforming areas

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 194

    of medium emerging environmental fragility into a higher level, which increased from 2009 to 2011

    in 6.63%

    Keywords: Land use, slope, erosivity, soils, reservoir.

    1. Introduo

    Fragilidade Ambiental denota como o ambiente est em relao as suas caractersticas

    fsicas, representadas por tipos de solo, declividade, precipitao da regio, em relao aos aspectos

    socioambientais ali existentes, como o uso da terra, resultando em um espao estvel ou instvel de

    acordo com o ambiente.

    O estudo de fragilidade ambiental proposta por Ross (1994) baseada a partir da Teoria

    Geral dos Sistemas alvitrada por Tricart (1977), em que no meio natural as suas trocas de energia

    ocorrem de forma dinmica e que o homem agente desse processo. A fragilidade obtida a partir

    da relao de componentes fsicos e biticos demonstra espaos susceptveis ou no a efeitos

    danosos para o meio, sendo representado de forma hierrquica para os diferentes nveis de

    fragilidade, sendo, muito fraca (1), fraca (2), mdia (3), forte (4) e muito forte (5), desta forma,

    representando a relao entre o uso da terra e os fatores fsicos do ambiente.

    Para a compreenso da fragilidade ambiental necessrio a apreenso de dois termos, sendo

    primeiro a fragilidade potencial e o segundo a fragilidade emergente que de acordo Sprl e Ross

    (2004); Donha, Souza e Sugamosto (2005); Martins e Rodrigues (2012) o primeiro tem a seguinte

    acepo, a vulnerabilidade natural de um espao em funo de seus atributos fsicos como a

    declividade, o tipo de solo e a precipitao, enquanto que o segundo termo contempla os graus de

    proteo dos diferentes tipos de uso da terra e cobertura vegetal em relao ao ambiente.

    De acordo com Kawakubo et al. (2005); Fushita et al. (2010); Sprl, Castro e Luchiari

    (2011); Soares, Souza e Jerszurki (2011) o estudo sobre a fragilidade ambiental uma das

    ferramentas mais importantes para a elaborao de projetos de planejamento e manejo territorial

    ambiental, pois, avaliam de forma integrada as potencialidades do meio, levando em considerao

    as caractersticas naturais com suas restries, s fragilidades dos ambientes naturais devem fazer

    parte de avaliao quando se pretende realizar planejamentos territoriais.

    Portanto, o objetivo do presente estudo caracterizar a fragilidade ambiental por meio de

    geotecnologias da Bacia Hidrogrfica da Usina Hidreltrica Foz do Rio Claro - BHFRC, entre os

    municpios de So Simo (GO) e Cau (GO). Pois, ao longo dos anos a bacia veio sendo

    antropizada, o que pode acarretar problemas ambientais pelo uso intenso da terra e pelo manejo

    possivelmente inadequado, a demais pela construo do reservatrio da UHE que altera a dinmica

    ambiental do ecossistema. A anlise e estimativa das condies ambientais de uma bacia

    hidrogrfica por meio das Fragilidades, pode sugerir cenrios futuros, no s para auxiliar aes

    apropriadas, podendo evitar danos ao meio ambiente.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 195

    2. Fragilidade ambiental

    Em cada base temtica os elementos representados, tais como declividade, solos e uso da

    terra e cobertura vegetal, so classificados segundo critrios propostos por Ross (1994) a partir da

    declividade, com atribuio de um cdigo/atributo hierrquico para cada classe, relativo sua

    fragilidade ambiental.

    A carta de fragilidade potencial foi elaborada segundo a metodologia de Ross (1994), a

    partir da interseco das bases temticas de solos, declividade e erosividade, onde cada base

    ponderada por um valor (pesos) de forma hierrquica.

    Desta forma, de acordo com esta hierarquia proposta por Ross (1994), as classes de solo (

    Tabela 1), neste estudo compreendem apenas a classe de fragilidade Baixa, devido na

    BHFRC ter apenas dois tipos de solos e que esto na mesma hierarquia. A base digital dos tipos de

    solos foi adquirida pelo Sistema Estadual de Estatstica e de Informaes Geogrficas de Gois SIEG (2013), o qual dispe de informaes vetoriais do estado.

    Tabela 1 Classes de Fragilidade ambiental dos tipos de solo.

    Classe de Fragilidade Ambiental Tipo de Solo

    1 Muito Baixa Latossolo Roxo, Latossolo Vermelho Escuro e Vermelho Amarelo

    2 Baixa Latossolo Amarelo e Vermelho amarelo textura mdia/argilosa

    3 Mdia Latossolo Vermelho Amarelo, Terra Roxa, Terra Bruna, Podzlico

    Vermelho-Amarelo textura mdia/argilosa.

    4 Forte Podzlico Vermelho-Amarelo textura mdia/arenosa, Cambissolos

    5 Muito Forte Podzolizados com cascalho, Litlicos e Areias Quartzosas.

    Fonte: Ross (1994).

    Aps o estudo de Ross (1994), a classificao de solos quanto aos critrios analisados

    sofreu algumas alteraes, principalmente nomenclatura dos solos, desta forma, a nomenclatura

    utilizada foi conforme EMBRAPA (2006), portanto, na BHFRC apresenta os seguintes tipos de

    solo. O Latossolo Vermelho Distrofrrico e o Latossolo Vermelho Distrfico tpico lico.

    Desta forma, foi atribuda aos solos, classes de fragilidades diferentes da proposta por Ross

    (1994), sendo que o Latossolo Vermelho Distrfico tpico lico apresenta segundo Nunes e Cassol

    (2008), Silva et al. (2010) o fator de erodibilidade quase o dobro do que o outro tipo de solo

    (Latossolo Vermelho Distrofrrico), devido grande concentrao de areia presente no mesmo,

    proporcionando uma maior fragilidade.

    A ponderao de solos atribuda de acordo com a fragilidade ou erodibilidade que o solo

    apresenta, devido ao das guas pluviais, pelo escoamento superficial difuso e concentrado, que

    segundo Ross (1998) relativo s caractersticas fsicas do solo, como textura, estrutura,

    plasticidade, nvel de coeso das partculas e padres dos horizontes.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 196

    As classes de declividade (2) com os intervalos definidos em porcentagem foram definidos

    de acordo com Ramalho Filho e Beek (1995), associada por graus fragilidade proposta por Ross

    (1994), pois, apresenta uma proposta de declividade para reas com aptido agrcola, logo, as

    classes de declividade foram delimitadas de acordo com as normas agronmicas de potencial

    utilizao de maquinas agrcolas, caso da BHFRC. Utilizou os seguintes critrios para a

    determinao dos limites das classes de declividade, como, os indicativos do vigor de processos

    erosivos, dos riscos de deslizamentos e inundaes frequentes.

    Tabela 2. Nveis de Fragilidade por classe de declividade

    Classe de Fragilidade Declividade (%)

    Cdigo/Atribut

    o

    Muito Baixa 0 a 3 1

    Baixa 3 a 8 2

    Mdia 8 a 13 3

    Alta 13 a 20 4

    Muito Alta 20 a 45 5

    Adaptado de Ramalho Filho e Beek (1995).

    3. rea de estudo

    A rea de estudo corresponde bacia hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro (Figura 1),

    entre os municpios de So Simo na margem esquerda e Cau na margem direita, estado de Gois,

    corresponde uma rea total de 151,5 km. Situada no fuso UTM 22 Sul, ao Sul da rea urbana do

    distrito de Itaguau (GO) na Microrregio de Quirinpolis (GO).

    O reservatrio da UHE com rea aproximada de 7 km e cerca de 80.000 m (Foz do Rio

    Claro Energia S/A, 2013) formado pelo Rio Claro, sub-bacia 60, afluente do Rio Paranaba, sendo

    este, um dos principais formadores da Bacia Hidrogrfica do Rio Paran. A formao do

    reservatrio iniciou no ano de 2010, sendo que, a operao da primeira turbina foi em junho e a

    segunda em setembro de 2010, representando um total de 68,4 MW.

    O Rio Claro de acordo com Moragas (2005) e Costa (2006) nasce na Serra do Caiap no

    municpio do Caiapnia, seguindo em direo Sudeste SE, sua bacia possui rea de 13.610 Km e permetro de 947,4 Km, abrangendo 9 municpios.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 197

    Figura 1. Localizao da Bacia Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro.

    Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    4. Metodologia da pesquisa

    Para a delimitao da declividade da BHFRC foi utilizada a imagem de satlite Shuttle

    Radar Topography Mission SRTM/NASA com resoluo espacial de 90 m, empregada ainda para a construo do Modelo de Elevao do Terreno MDE. Tais produtos foram elaborados no SIG ArcGis 10.1, atravs das ferramentas Slope e Reclassfy contidos na ferramenta Spatial Analyst

    Tools, onde foram fatiadas nas classes de declividade estabelecidas em porcentagem. A imagem foi

    adquirida do sistema Brasil em Relevo, Monitoramento por Satlite da EMBRAPA (2013), das

    articulaes das cartas de 1:250.000 de Quirinpolis (SE-22-Z-A) e Iturama (SE-22-Z-C).

    As estimativas de erosividade para a BHFRC foram obtidas a partir de dados

    pluviomtricos de quatro estaes da Agncia Nacional das guas (ANA) (tabela 3) do ano de 1977

    a 2011, tais dados foram organizados por Lima (2013) que realizou estudos sobre o clima na mesma

    microrregio (Quirinpolis).

    Tabela 3 Estaes pluviomtricas da Agncia Nacional das guas.

    Estao Municpio Longitude Latitude Altitude (m)

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 198

    Quirinpolis Quirinpolis 7955527 550673 443

    Pombal Jata 7999781 448153 645

    Itarum Itarum 7925686 464164 424

    Cachoeira Alta Cachoeira Alta 7909157 515743 440 Fonte: Agencia Nacional da guas (2013).

    A erosividade representa a capacidade que as guas da chuva tm de erodir os solos sem

    cobertura vegetal. Para o clculo de erosividade utilizou-se a metodologia proposta por Wischmeier

    e Smith (1978), adaptada para as condies do Brasil por Lombardi Neto e Moldenhauer (1977),

    apud Bertoni e Lombardi Neto (2005), pela equao (1).

    EI30 = 67,355 (r / P)85

    (1)

    Onde:

    EI30 = mdia mensal do ndice de erosividade, em MJ.mm/(ha.h); R = mdias mensais de

    pluviosidade em mm; P = mdias anuais pluviosidade em mm.

    O fator chuva (constante R) de acordo com Cabral (2006) o ndice numrico que expressa

    a capacidade das guas das chuvas ocasionar eroses em um solo desprotegido. Este potencial da

    chuva em causar eroso pode ser avaliado por meio de ndices de erosividades, que se fundamentam

    nos atributos fsicas das chuvas de cada regio.

    Para a avaliao da erosividade, foram adotadas 5 classes, conforme Carvalho (2008) e

    exposto na Tabela 4, porm, os resultados de erosividade obtidos a partir da metodologia utilizada

    so em MJ mm ha-1

    h-1

    ano-1

    sistema mtrico internacional, sendo assim, necessrio converte-los

    para o sistema mtrico decimal (ton.m.mm/ha.h.ano), dividindo-os por 9,81.

    Tabela 4. Classes de erosividade da chuva, mdia anual

    Classes de Erosividade

    Erosividade

    (ton.m.mm/ha.h.ano) Cdigo/Atributo

    Muito Baixa R < 250 1

    Baixa 250 < R < 500 2

    Mdia 500 < R < 750 3

    Alta 750 < R < 1000 4

    Muito Alta R > 1000 5 Fonte: Adaptado de Carvalho (2008).

    Para o mapeamento da erosividade foi estabelecido dois perodos, sendo, de 1977 a 2009 e

    de 2010 a 2011, perodos respectivamente antes e aps a formao do reservatrio da UHE Foz do

    Rio Claro, buscando compreender se este influenciou a fragilidade desta rea.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 199

    Para a espacializao dos dados foi utilizado o interpolador Inverso do Quadrado da

    Distncia (do ingls Inverse Distance Weighted - IDW) contido no Toolbar Geostatistical Analyst e

    Geostatistical Wizard do ArcgGis 10.1. Pelas estaes pluviomtricas estarem fora do permetro

    da BHFRC, os resultados foram extrapolados aps a interpolao dos mesmos. A ferramenta

    utilizada para tal extrapolao foi a Extent, pela opo The retangular extent of arquivo do limite da

    BHRFC (em polgono). A ferramenta Extent segundo Lucas et al. (2012) uma forma segura de

    preencher as reas fora do permetro de determinada rea, em dados relacionados a precipitao e

    que o efeito de borda mnimo.

    Aps as bases organizadas, sendo, tipos de solo, declividade, erosividade, as mesmas foram

    convertidas de shapfile (.shp) para GRID, para ento elaborar o mapa de Fragilidade Potencial da

    BHFRC, atravs da interseco das bases. O formato GRID uma grade regular, representada por

    uma malha quadriculada de dimenso espacial definida, assemelhando ao formato matricial,

    composto por pixels. A resoluo dos pixels que compe o GRID deste trabalho foi de 15 metros,

    estando adequado para a rea de estudo.

    A integrao das bases foi executada atravs do software ArcGis 10.1 pela ferramenta

    Combine contida no ArcToolbox - Spatial Analyst Tools, gerando um novo arquivo GRID, contendo

    todas as informaes referente aos cdigos/atributos de cada classe de fragilidade das bases

    utilizadas. A partir deste arquivo foi possvel realizar a soma dos cdigos e a mdia dos mesmos,

    por meio da opo Fied Calculator que realiza operaes algbricas, para resultar a Fragilidade

    Potencial da BHFRC.

    A elaborao do Mapa da Fragilidade Ambiental Emergente, que pondera as caractersticas

    fsicas associada aos graus de proteo dos tipos de uso da terra, foi obtida atravs do cruzamento

    dos Mapas de Fragilidade Potencial e Mapa de Uso da terra. As fases de confeco se deram da

    mesma forma da obteno do Mapa da Fragilidade Ambiental Potencial, primeiro os dados de uso

    do solo foram convertidas de shapfile (.shp) para GRID e depois se fez a interseco dos mapas

    atravs da ferramenta Combine e realizado as operaes algbricas por meio da opo Fied

    Calculator.

    5. Discusso dos resultados

    A fragilidade potencial analisa os aspectos naturais, caracterizando o equilbrio dinmico

    natural, sem considerar as influncias da sociedade em uma determinada rea, nesta etapa do estudo

    foi avaliado os parmetros inerentes a tal fragilidade, sendo, solos, declividade e erosividade.

    Os mapeamentos da fragilidade dos solos so importantes no que se refere ao entendimento

    do potencial erodibilidade do solo de acordo com suas caractersticas fsicas em relao aos

    climticos. O mapa das classes de solo e sua hierarquizao associado ao de declividade mais o de

    erosividade vo resultar na fragilidade potencial da BHFRC.

    Os solos da BHFRC representam que 68,83% esto includos na classe de fragilidade

    Mdia, com 31,17% esto os solos classificados como Baixa conforme ponderado na metodologia

    as classes da fragilidade da BHFRC de solos foram alteradas, conforme tabela 5. A rea ocupada

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 200

    pelo Latossolo Vermelho Distrfico tpico lico de 104,3 km, representando 68,83%,

    localizando-se nas bordas Leste e Oeste da bacia, j ao centro, por onde o canal de drenagem

    principal escoa est localizado o Latossolo Vermelho Distrofrrico com 47,23 km e 31,17%.

    Tabela 5. Nveis hierrquicos de classes de Fragilidade em relao aos solos da Bacia

    Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro

    Classe de

    Fragilidade Classes de Solo

    rea Cdigo/

    Atributo Km %

    Baixa Latossolo Vermelho Distrofrrico (LVdf) 47,23 31,17 2

    Mdia

    Latossolo Vermelho Distrfico tpico lico

    (LVd) 104,3 68,83 3

    Adaptado conforme Ross (1994).

    Na BHFRC os tipos de solos foram oriundos da decomposio das rochas baslticas, e das

    rochas arenticas da formao Vale do Rio do Peixe, ocasionando dois tipos de solos distintos, um

    pela associao de ambas as formaes, sendo o Latossolo Vermelho Distrfico tpico lico, que

    contm grandes quantidades de areia oriundas da formao Vale do Rio do Peixe. O outro em

    menores pores, sendo o Latossolo Vermelho Distrofrrico, originrio excepcionalmente da

    formao Serra Geral.

    Em trabalhos de fragilidade ambiental, a declividade uma das variveis principais, pois os

    processos erosivos hdricos podem ser acelerados a partir do grau de inclinao da vertente do

    terreno associados a outros fatores. A partir dos dados de declividade (Tabela ) foi possvel

    identificar as reas de abrangncia de cada classe, sendo que a classe mais expressiva foi a de 3 a

    8%, representada por 53,87% da rea total, classificada como de fragilidade Baixa, seguida da

    classe de 0 a 3% com 41%, constituindo Muito Baixa. As demais classes de fragilidade Mdia, Alta

    e Muito Alta ficaram com 3,83%, 0,47% e 0,01 respectivamente.

    As reas com declividades menos expressivas, foi de 13 a 20% e 20 a 45% e ficaram

    representadas por extenses pontuais, as quais foram cobertas pelas guas do reservatrio da UHE

    Foz do Rio Claro e algumas s suas margens.

    Tabela 6. Nveis hierrquicos de classes de fragilidade em relao a declividade da Bacia

    Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro

    Classe de

    Fragilidade Declividade (%)

    rea

    Cdigo/Atributo Km %

    Muito Baixa 0 a 3 63,40 41,83% 1

    Baixa 3 a 8 81,65 53,87% 2

    Mdia 8 a 13 5,80 3,83% 3

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 201

    Alta 13 a 20 0,72 0,47% 4

    Muito Alta > 20 0,01 0,01% 5 Adaptado de Ramalho Filho e Beek (1995).

    De acordo com Ramalho Filho e Beek (1995), as reas com declividades inferiores a 20%

    so consideradas as mais aptas para utilizao agrcola, visto que, a suscetibilidade eroso e o

    impedimento mecanizao (considerando as condies de solo) apresentam graus de limitao que

    variam de nulo a forte. Para declives superiores a 20% a restrio de uso aumenta

    consideravelmente. Sendo que, reas com declives entre 20% a 45%, quando cultivadas, apresentam

    alta suscetibilidade eroso e, consequentemente, o controle da mesma se torna muito dispendioso.

    Para declives maiores que 45% as terras so consideradas inaptas para o uso agrcola.

    Ao se analisar a declividade, verifica-se que a montante no reservatrio, existem reas com

    declive superior a 20% conforme figura 2, que precisam de certos cuidados, pois poder acelerar o

    processo de eroso conforme os ndices de erosividade e erodibilidade do solo.

    Em relao precipitao, para a rea da Bacia hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro,

    entre o ano de 1977 a 2009 observou-se ndices pluviomtricos mdios aproximados de 1460 mm

    anuais, de 2009 a 2011 a mdia foi de 1335 mm, sendo os meses mais representativos de outubro a

    abril, representando o perodo de safra da regio.

    A erosividade uma varivel diretamente proporcional aos ndices pluviomtricos ter uma

    maior perda de solos no perodo chuvoso, de outubro a abril para a BHFRC, meses que obteve-se

    mdias mensais superiores a 80 mm.

    Os resultados de erosividades obtidos a partir dos dados pluviomtricos das estaes da

    ANA, resultaram em erosividades mdias em torno de 810,36 t mm ha -1 ano -1. O valor mnimo

    foi de 582,81 t mm ha - ano - para a estao Itarum, nica que obteve estimativa da classe de

    fragilidade Mdia (3) e chegando ao mximo de 932,49 t mm ha - ano - para a estao de

    Quirinpolis, ambas as erosividades para o perodo de 2010 a 2011.

    As demais classes ficaram acima de 750 t mm ha - ano -, valores considerados conforme

    metodologia de Carvalho (2008) classe de erosividade Alta (4) (tabela 7), representando entre 750 <

    R < 1000. Silva (2008), Cabral et al. (2011), Rocha e Cabral (2011) do mesmo modo constataram

    em seus estudos situaes semelhantes as suas classes de erosividades, ambas as reas situadas a

    montante da BHFRC.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 202

    Figura 2. Declividade da Bacia Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro.

    Organizao: Queiroz Jnior (2013).

    Tabela 7. Estaes pluviomtricas e o grau de erosividade de acordo com Carvalho (2008) da

    Bacia Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro

    Est

    a

    o

    Mu

    nic

    pio

    Lon

    git

    ud

    e

    Lati

    tud

    e

    Alt

    itu

    de

    (m)

    Pre

    cip

    ita

    o

    (mm

    ) d

    e

    1977 a

    2009

    Ero

    sivid

    ad

    e

    Pre

    cip

    ita

    o

    (mm

    ) d

    e

    2010 a

    2011

    Ero

    sivid

    ad

    e

    Cd

    igo/

    Atr

    ibu

    to

    Quirinpolis Quirinpolis 7955527 550673 443 1434,5 797,2 1577,8 932,4 4

    Pombal Jata 7999781 448153 645 1603,7 849,8 1512,2 885,7 4

    Itarum Itarum 7925686 464164 424 1556,1 835,2 934,7 582,8 3

    Cacho. Alta Cachoeira Alta 7909157 515743 440 1456,8 786,7 1329,7 812,8 4 Fonte: Agencia Nacional da guas (2013).

    A partir da espacializao dos dados de erosividade obteve-se apenas a classe Alta (4) para

    os dois perodos analisados da BHFRC conforme figura 3 y figura 4, diferindo apenas a construo

    do reservatrio, isso se deve a sua pequena rea em questo, no havendo variabilidade expressiva

    das chuvas em relao a localizao das estaes pluviomtricas que esto fora dos limites,

    generalizando os resultados de erosividade.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 203

    Figura 3. Erosividade para o prodo de 1977 a 2009 da Bacia Hidrogrfica da UHE Foz do Rio

    Claro. Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    Figura 1. Erosividade para o perodo de 2010 a 2011 da Bacia Hidro. da UHE Foz do Rio

    Claro. Fonte: Queiroz Jnior (2013).

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 204

    A partir da interseco das referidas bases ponderadas e organizadas, como: Tipos de Solo,

    Declividade e Erosividade obteve-se a Fragilidade Potencial dos perodos analisados, de 1977 a

    2009 e 2010 a 2011.

    A fragilidade potencial para ambos os perodos chegou a classificao de trs classes

    diferentes, sendo a Baixa (2), Mdia (3) e a Alta (4). Sendo que, de um perodo para o outro no

    teve mudana expressiva, conforme tabela 8. A classe Baixa de 1977 a 2009 para 2010 a 2011 teve

    um aumento de 3,10%, na respectiva a rea preenchida pela construo do reservatrio. A classe

    mdia teve uma reduo de 3,10%, referente ao fato citado anteriormente, a classe Alta (4) no

    houve alterao.

    A partir do figura 5 A, observa a Fragilidade Potencial de 2009, onde, a Classe Baixa (2)

    est situada na parte Noroeste e na parte Sudoeste da bacia, reas onde encontrado o tipo de solo

    Latossolo Vermelho Distrofrrico associado a declives de 0% a 3%.

    A Classe Mdia (2) ocorre em quase toda a BHFRC, nas faixas onde h solos Latossolo

    Vermelho Distrofrrico associados s classes de declividade 3% a 8%, 8 a 13%, igualmente nas

    reas que apresentam declives de 0% a 3%, 3% a 8%, 8 a 13% porm associados aos Latossolo

    Vermelho Distrfico tpico lico, dado a sua maior erodibilidade. A Classe Alta (4) est situada

    onde h a declividade de 20% a 45% e sobre o ltimo solo citado.

    Para a Fragilidade Potencial do perodo de 2010 a 2011 para BHFRC no houve alterao

    significativa, representado apenas pela construo do reservatrio, onde sob o mesmo surgiu apenas

    a classe Baixa (2), conforme figura 5 B.

    Tabela 8. Classes de Fragilidade Potencial para os anos de 2009 e 2011 da Bacia Hidrogrfica

    da UHE Foz do Rio Claro.

    Fragilidade Potencial

    rea 2009 rea 2011 Cdigo/

    Atributo Km % Km %

    Baixa 15,07 9,95 19,77 13,05 2

    Mdia 136,31 89,97 131,62 86,88 3

    Alta 0,12 0,08 0,12 0,08 4

    Total 151,50 100,00 151,50 100,00 - Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    A Fragilidade Emergente pondera de forma integrada os elementos fsicos (tipo de solo,

    declividade e erosividade) sintetizados pela Fragilidade Potencial e os antrpicos que representado

    pelo uso da terra, exercidas na rea de estudo, permitindo avaliar de forma holstica sobre as

    potencialidades do meio ambiente.

    Cada tipo do uso da terra vai representar a capacidade de proteo do solo, fator

    determinante para a fragilidade emergente, pois, a partir deste o ambiente vai expressar a sua

    fragilidade em detrimento do uso do espao, empregado pelo homem. Este grau de proteo neste

    estudo para os dois anos, de 2009 e o outro de 2011.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 205

    Figura 5. Fragilidade Potencial para os anos de 2009 (A) e 2009 (B) da Bacia Hidrogrfica da

    UHE Foz do Rio Claro. (A) Fragilidade Potencial do ano de 2009. (B) Fragilidade Potencial do ano de 2011. Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    Na rea de estudo a partir da interpretao da imagem TM-Landsat 5 encontra-se feies

    florestais de Cerrado e Cerrado representados por Reservas Legais e em menores extenses as

    margens dos canais fluviais, quanto aos usos so representados por pastagens e culturas anuais, os

    demais espaos so representados por solo descoberto (grande parte esto preparados para o

    cultivo), gua em pequenas represas, na rea de drenagem do Rio Claro para 2009 e para 2011 o

    reservatrio da UHE e por ltimo a rea urbana do distrito de Itaguau.

    O mapeamento sobre o uso da terra auxilia na compreenso dos processos de evoluo de

    uma determinada rea em escala temporal, no caso em questo de uma bacia hidrogrfica, buscando

    as alteraes ocorridas aps a construo do reservatrio da UHE Foz do Rio Claro. Desta forma o

    mapeamento do uso da terra foi executado para os anos de 2009 e 2011.

    A partir do mapeamento foi possvel observar que do ano de 2009 (figura 5 A) para 2011

    houve um aumento de 3,98% de gua (9), representado de pelo reservatrio na parte central da

    bacia.

    Tabela 9. Uso da terra e seus graus de proteo para os anos de 2009 e 2011 da Bacia

    Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 206

    Uso da terra

    Grau de

    Proteo

    rea 2009 rea 2011 Cdigo/

    Atributo Km %

    Km %

    gua M. Alto 2,19 1,44%

    8,21 5,42% 1

    Cerrado Alto 8,34 5,50%

    3,28 2,16% 2

    Cerrado Alto 15,11 9,97%

    12,27 8,10% 2

    Pastagem Mdia 109,01 71,96%

    108,76 71,80% 3

    Cultura Baixo 4,41 2,91%

    14,45 9,54% 4

    rea urbana M. Baixo 0,57 0,38%

    0,57 0,35% 5

    Solo descoberto M. Baixo 11,87 7,84%

    3,98 2,63% 5

    Total - 151,50 100% 151,50 100% -

    Organizador: Queiroz Jnior (2013).

    Para as reas de vegetao (Cerrado e Cerrado) ocorreu reduo de 5,21%, nas reas

    ocupado principalmente por gua e em pequenas pores por pastagem distribudos por toda a

    bacia. Para s reas de pastagem, estas no sofreram modificaes significativas, sendo apenas

    0,15%, situadas por pequenas pores ocupadas pela gua do reservatrio, a rea mais significativa

    foi ao Sudeste, representada pela ocupao da cultura.

    As reas de culturas (figura 6 B) sofreram um aumento, com cerca de 6,63% principalmente

    na poro Sudeste e em pequenas partes a Nordeste e Noroeste, representadas principalmente pelo

    cultivo da cana-de-acar.

    Por ltimo as reas com solo descoberto tiveram reduo de 5,21% sendo ocupadas por

    culturas e o restante aguardando o incio da safra, chegando a um percentual de 2,63% que

    praticamente todo destinado para agricultura.

    Aps a interseco da fragilidade potencial com o uso da terra representando o grau de

    proteo da bacia, obteve-se a fragilidade emergente dos anos de 2009 e 2011 e que ambas

    obtiveram apenas as classes Baixa (2), Mdia (3) e Alta (4).

    Para o ano de 2009 a classe de fragilidade emergente mais expressiva (tabela 10) foi a

    Mdia (3) representando 64,67%, correspondendo as reas com solos do tipo Latossolo Vermelho

    Distrfico tpico lico e na maior parte com declives de 3% a 8% de uso representado pela

    pastagem.

    Igualmente nas reas que contm vegetao, porm, com declividade superior a 13% foi

    localizada tal classe. Para o ano de 2011 houve uma reduo de 1% da referida classe, no sendo

    alterao significante para os dois perodos analisados.

    A classe Baixa (2) de fragilidade emergente mais expressiva para o ano de 2009 foi a,

    representada nas reas de vegetao com 24,50%, onde os fatores como tipo de solo, declividade

    tiveram influncia mnima para tal resultado, ou seja, onde h o solo com maior fragilidade e

    declives at 13%, porm, com vegetao, esta rea foi classificada com a referida classe de

    fragilidade. Para esta classe houve reduo de um ano para o outro, sendo de 0,57%.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 207

    Figura 2. Uso da terra e cobertura vegetal para os anos de 2009 (A) e 2011 (B) da Bacia Hidrogrfica da

    UHE Foz do Rio Claro.

    Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    Tabela 10. Classes de Fragilidade Emergente para os anos de 2009 e 2011 da Bacia

    Hidrogrfica da UHE Foz do Rio Claro

    Fragilidade

    Emergente

    rea 2009 rea 2011 Cdigo/

    Atributo Km %

    Km %

    Baixa 37,11 24,50%

    36,25 23,93% 2

    Mdia 97,98 64,67%

    96,46 63,67% 3

    Alta 16,41 10,83%

    18,79 12,40% 4

    Total 151,50 100,00% 151,50 100,00% -

    Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    A classe Alta (4) representada pelas menores reas, esto situadas onde h presena de

    agricultura, solo descoberto, rea urbana e as vias desde as pavimentadas e as no, com rea total de

    10,83%.

    A declividade e o tipo de solo no tiveram influncia significativa, sendo que, em reas com

    declive de no mximo de 8% e independente do solo encontrado na bacia esta classe est localizada

    sobre tal lugar. Esta classe no ano de 2011 teve um ganho de 1,57%, resultante das novas reas de

    culturas e solos descobertos por toda bacia resultando a diminuio das outras classes.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 208

    A distribuio das trs classes encontradas na BHFRC do ano de 2009 esto da seguinte

    forma: a classe com maior rea total a Mdia e est distribuda por toda a bacia (figura 8 A), j a

    classe Baixa est mais ao Centro-Sul e em pontos a Nordeste e a Noroeste. A classe Alta est a

    Leste e em pequenas pores ao Norte, Sul e Oeste.

    A fragilidade Emergente do ano de 2011 (figura 8 B)como j ponderado, alterou-se apenas

    nas novas reas de cultivo de culturas agrcolas, ao Sudeste, Nordeste, Noroeste e em lugares

    pontuais de solo descoberto.

    Figura 8. Fragilidade Emergente para os anos de 2009 (A) e 2011 (B) da Bacia Hidrogrfica

    da UHE Foz do Rio Claro. Fonte: Queiroz Jnior (2013).

    6. Consideraes finais

    A anlise do uso do solo para os dois perodos, 2009 e 2011 proporcionou a compreenso

    da dinmica de ocupao da Bacia Hidrogrfica da Usina Hidreltrica Foz do Rio Claro aps a

    construo da referida hidreltrica. Evidenciando que ao longo desse perodo esta bacia est

    submetida pelo uso principal de atividade de pecuria extensiva e que gradativamente est sendo

    substituda por agricultura, principalmente da cana-de-acar.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 209

    Em nmeros, pode se dizer que a agricultura teve um aumento de 6,63%, chegando a um

    total de 9,54%. Vale ressaltar que grande parte do solo descoberto destinada para a agricultura,

    chegando ao total de 12,17% destinado para os cultivos agrcolas.

    As reas com vegetao obtiveram reduo de 5,21% do ano de 2009 a 2011, onde so

    ocupadas principalmente pelas guas do reservatrio ento construdo e em pequenas partes por

    pastagem.

    As reas de fragilidade potencial de 2009 para 2011, alterou-se de forma mnima, pois, a

    classe Baixa aumentou 3,10% enquanto a Mdia teve a reduo do mesmo percentual. Para a

    fragilidade Emergente, a classe Baixa e a Mdia tiveram reduo de 0,57% e 1,00%

    respectivamente, enquanto a classe Alta apresentou aumento de 1,57%.

    Dado ao curto perodo analisado os resultados no foram representativos, desta forma, ao

    longo dos prximos anos possvel que a fragilidade emergente apresente aumento, devido

    ampliao das culturas de cana de acar na regio.

    A construo do reservatrio no influenciou de forma intensa a fragilidade ambiental da

    rea, pois, a partir de ento na rea foi substitudo a classe Mdia para a Baixa. Deste modo, o que

    influenciou a fragilidade ambiental da Bacia Hidrogrfica da Usina Hidreltrica Foz do Rio Claro,

    transformando reas de fragilidade ambiental emergente Mdia para Alta foi a agricultura, que

    aumentou de 2009 para 2011.

    Em relao metodologia utilizada para a determinao da fragilidade ambiental de acordo

    com a proposta por Ross (1994), baseado nos ndices de declividade, esta atendeu com eficcia as

    necessidades do estudo para a rea em questo, permitindo tanto a compreenso das fragilidades,

    quanto das aes antrpicas aps a construo do reservatrio, representadas pelo uso da terra,

    indicando os espaos onde tm maior fragilidade emergente devido as reas de agricultura e solo

    descoberto.

    Referncias bibliogrficas

    Bertoni, J. C. e Lombardi Neto, J. (2005): Conservao do solo. 5 ed. So Paulo SP: cone.

    Cabral, J. B. P. (2006): Anlise da sedimentao e aplicao de mtodo de previso para tomada

    de medidas mitigadoras quanto ao processo de assoreamento no reservatrio de Cachoeira

    Dourada - GO/MG. 2006. 211f. Tese (Doutorado em Geologia) Universidade Federal do Paran, Curitiba.

    Carvalho, N. O. (2008): Hidrossedimentologia prtica. 2. ed., rev., atual e ampliada. Rio de Janeiro:

    Intercincia, 2008.

    Costa, M. C. (2006): Caracterizao da Assembleia de Peixes da Sub-Bacia do Rio Claro e Suas

    Relaes com os Padres de Ocupao Humana no Sudoeste do Estado de Gois Brasil. Goinia-GO, 2006. Tese (Mestrado em Cincias Ambientais e Sade). Universidade Catlica de

    Gois.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 210

    Donha, A. G., Souza, L. C. de P. Sugamosto, M. L. (2006): Determinao da fragilidade ambiental utilizando tcnicas de suporte deciso e SIG, Revista Brasileira de Engenharia Agrcola e Ambiental, v.10, n.1, p.175181.

    EIBH - Estudo Integrado de Bacias Hidrogrficas do Sudoeste Goiano, Goinia, 2005. CD-ROM.

    EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (2006): Brasil em Relevo,

    Monitoramento por Satlite. Disponvel em: .

    (Consultado 01-03-2013).

    EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria (2006): Sistema Brasileiro de

    Classificao de Solos. Editores Tcnicos, Humberto Gonalves dos Santos et al.. Rio de Janeiro -

    RJ: Embrapa Solos.

    Foz Do Rio Claro S/A. (2013): Caracterizao da Usina de Foz do Rio Claro. Disponvel em:

    . (Consultado 15-12-2013).

    Fushita, A. T. et al. (2010): Fragilidade Ambiental Associada ao Risco Potencial de Eroso de Uma rea da Regio Geoeconmica Mdio Mogi Guau Superior (SP), Revista Brasileira de Cartografia, N 63/4, p. 477-488. ISSN: 1808-0936.

    Kawakubo, F. S. et al. (2005): Caracterizao emprica da fragilidade ambiental utilizando geoprocessamento, In XII Simpsio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, p. 2203-2210. Disponvel em: .

    (Consultado 07-07-2012).

    Lima, A. M. (2013): Relao clima e vegetao na rea das bacias das usinas hidreltricas de

    Barra dos Coqueiros e Cau-GO. Dissertao de Mestrado (Geografia). Jata, Gois (2013).

    Martins, T. I. S., Rodrigues, S. C. (2012): Anlise e mapeamento dos graus de fragilidade ambiental da bacia do mdio baixo curso do rio Araguari, Minas Gerais, Caderno de Geografia, v. 22, n. 38, 2012.

    Moragas, W. M. (2005): Anlise do sistema ambientais do alto Rio Claro - Sudoeste de Gois:

    Contribuio ao planejamento e gesto. Rio Claro-SP, Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto

    de Geocincias e Cincias Exatas da Universidade Estadual Paulista/ Campus de Rio Claro.

    Nunes, M. C. M, Cassol, E. A. (2008): Estimativa da Erodibilidade em Entres sulcos de Latossolos do Rio Grande do Sul, Revista Brasileiro de Cincia do Solo, 32: 2839-2845, 2008, http://www.scielo.br/pdf/rbcs/v32nspe/30.pdf. (Consultado 30-11-2013).

    Ramalho Filho, A., Beek, K. L. (1995): Sistema de avaliao da aptido agrcola das terras. Rio de

    Janeiro, 3 ed., EMBRAPA CNPS.

    Ross, J. L. S. (1994): Anlise emprica da fragilidade dos ambientes naturais e antropizados, Revista do Departamento de Geografia, So Paulo - SP n.8. FFLCH-USP, 1994 p.63-74.

    Ross, J. L. S. (1998): Geomorfologia aplicada aos IEAs-RIMAs IN: GUERRA, A. J. T. e CUNHA, S. B. da (Organizadores): Geomorfologia e meio ambiente. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 211

    SIEG - Sistema Estadual de Estatstica e de Informaes Geogrficas de Gois (2013) Base

    Cartogrfica para Download. http://www.sieg.go.gov.br/. (Consultado 15 -12-2013).

    Silva, V. A. et al. (2010): A Utilizao de Tcnicas de Geoprocessamento para Modelagem de Cenrios de Uso E Perda de Solo na Bacia Hidrogrfica do Rio Colnia do Litoral Sul da Bahia

    (Brasil), In VI Seminrio Latino Americano de Geografia Fsica e II Seminrio Ibero Americano de Geografia Fsica Anais... Coimbra, Portugal, 26 a 30 de maio de 2010.

    Soares, M. R. G., de J. Souza, J. L. M., de Jerszurki, D. (2011): Fragilidade Ambiental da Bacia do Rio Pequeno em So Jos dos Pinhais (PR), Revista Geografia (Londrina). V. 20, n 3, p. 057-070.

    Sprl, C., Castro, G.E., Luchiari, A. (2011): Aplicao de Redes Neurais Artificiais na Construo de Modelos de Fragilidade Ambiental, Revista do Departamento de Geografia USP, Volume 21, p. 113-135. http://citrus.uspnet.usp.br/rdg/ojs/index.php/rdg/article/viewFile/114/113. (Consultado

    13- 12-2013).

    Sprl, C. e Ross, J.L.S. (2004): Anlise da fragilidade ambiental com aplicao de trs modelos, GEOUSP - espao e tempo. So Paulo, n 15, p. 39-49.

    Tricart, J. (1977): Ecodinmica. Rio de Janeiro: SUPREN/IBGE. 91 p.

    Wischmeier, W.H. e Smith, D.D. (1978): Predicting rainfall erosion losses: a guide to conservation

    planning. Washington, United States Department of Agriculture, pp 58. (Agriculture Handbook,

    537).

  • Queiroz Junior, V. S., Cabral, B. P., da Rocha, I. R., Barcelos, A. A. N. (2014): Uso de geotecnologias na caracterizao da fragilidade ambiental da Bacia da UHE Foz do Rio Claro (GO), GeoFocus, n 15, p. 193-212. ISSN: 1578-5157

    Los autores www.geo-focus.org 212