A biblia sem divisões

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A Bíblia sem divisões de capítulos e versículos Tradução: Almeida Revista e Atualizada

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1. A Bblia sem divises de captulos e versculos Traduo: Almeida Revista e Atualizada 2. 2 ndice: O Antigo Testamento Pgina O primeiro livro de Moiss chamado Gnesis 6 O segundo livro de Moiss chamado xodo 57 O terceiro livro de Moiss chamado Levtico 100 O quarto livro de Moiss chamado Nmeros 132 O quinto livro de Moiss chamado Deuteronmio 177 O livro Josu 215 O livro dos juzes 241 O livro de Rute 267 O primeiro livro de Samuel 271 O segundo livro de Samuel 305 O primeiro livro dos reis 332 O segundo livro dos reis 364 O primeiro livro das crnicas 395 O segundo livro das crnicas 423 O livro de Esdras 459 O livro de Neemias 470 O livro de Ester 485 O livro de J 493 O livro dos Salmos 522 Provrbios de Salomo 599 O livro de eclesiastes 622 Cntico dos cnticos de Salomo 630 3. 3 O livro de Isaas 635 O livro de Jeremias 687 O livro de lamentaes 745 O livro de Ezequiel 751 O livro de Daniel 803 O livro de Osias 819 O livro de Joel 827 O livro de Ams 830 O livro de Obadias 836 O livro de Jonas 837 O livro de Miquias 839 O livro de Naum 844 O livro de Habacuque 846 O livro de Sofonias 849 O livro de Ageu 852 O livro de Zacarias 854 O livro de Malaquias 863 O Novo Testamento O Evangelho segundo Mateus 867 O Evangelho segundo Marcos 902 O Evangelho segundo Lucas 924 O Evangelho segundo Joo 961 Atos dos apstolos 988 Epstola de Paulo aos romanos 1024 Primeira epstola de Paulo aos corntios 1041 4. 4 Segunda epstola de Paulo aos corntios 1056 Epstola de Paulo aos glatas 1066 Epstola de Paulo aos efsios 1072 Epstola de Paulo aos filipenses 1077 Epstola de Paulo aos colossenses 1081 Prmieira epstola de Paulo aos tessalonicenses 1085 Segunda epstola de Paulo aos tessalonicenses 1089 Primeira epstola de Paulo a Timteo 1091 Segunda epstola de Paulo a Timteo 1096 Epstola de Paulo a Tito 1099 Epstola de Paulo a Filemon 1101 Epstola aos Hebreus 1102 Epstola de Tiago 1115 Primeira epstola de Pedro 1119 Segunda epstola de Pedro 1124 Primeira epstola de Joo 1127 Segunda epstola de Joo 1131 Terceira epstola de Joo 1132 Epstola de Judas 1133 Apocalipse de Joo 1135 5. 5 O Antigo Testamento 6. 6 O primeiro livro de Moiss chamado Gnesis No princpio, criou Deus os cus e a terra. A terra, porm, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Esprito de Deus pairava por sobre as guas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separao entre a luz e as trevas. Chamou Deus luz Dia e s trevas, Noite. Houve tarde e manh, o primeiro dia. E disse Deus: Haja firmamento no meio das guas e separao entre guas e guas. Fez, pois, Deus o firmamento e separao entre as guas debaixo do firmamento e as guas sobre o firmamento. E assim se fez. E chamou Deus ao firmamento Cus. Houve tarde e manh, o segundo dia. Disse tambm Deus: Ajuntem-se as guas debaixo dos cus num s lugar, e aparea a poro seca. E assim se fez. poro seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das guas, Mares. E viu Deus que isso era bom. E disse: Produza a terra relva, ervas que dem semente e rvores frutferas que dem fruto segundo a sua espcie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espcie e rvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espcie. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manh, o terceiro dia. Disse tambm Deus: Haja luzeiros no firmamento dos cus, para fazerem separao entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estaes, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos cus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez tambm as estrelas. E os colocou no firmamento dos cus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separao entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manh, o quarto dia. Disse tambm Deus: Povoem-se as guas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos cus. Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as guas, segundo as suas espcies; e todas as aves, segundo as suas espcies. E viu Deus que isso era bom. E Deus os abenoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as guas dos mares; e, na terra, se multipliquem as aves. Houve tarde e manh, o quinto dia. Disse tambm Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espcie: animais domsticos, rpteis e animais selvticos, segundo a sua espcie. E assim se fez. E fez Deus os animais selvticos, segundo a sua espcie, e os animais domsticos, conforme a sua espcie, e todos os rpteis da terra, conforme a sua espcie. E viu Deus que isso era bom. Tambm disse Deus: Faamos o homem nossa imagem, conforme a nossa semelhana; tenha ele domnio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos cus, sobre os animais domsticos, sobre 7. 7 toda a terra e sobre todos os rpteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem sua imagem, imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abenoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos cus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que do semente e se acham na superfcie de toda a terra e todas as rvores em que h fruto que d semente; isso vos ser para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos cus, e a todos os rpteis da terra, em que h flego de vida, toda erva verde lhes ser para mantimento. E assim se fez. Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manh, o sexto dia. Assim, pois, foram acabados os cus e a terra e todo o seu exrcito. E, havendo Deus terminado no dia stimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abenoou Deus o dia stimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. Esta a gnese dos cus e da terra quando foram criados, quando o SENHOR Deus os criou. No havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o SENHOR Deus no fizera chover sobre a terra, e tambm no havia homem para lavrar o solo. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfcie do solo. Ento, formou o SENHOR Deus ao homem do p da terra e lhe soprou nas narinas o flego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o SENHOR Deus um jardim no den, na direo do Oriente, e ps nele o homem que havia formado. Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de rvores agradveis vista e boas para alimento; e tambm a rvore da vida no meio do jardim e a rvore do conhecimento do bem e do mal. E saa um rio do den para regar o jardim e dali se dividia, repartindo-se em quatro braos. O primeiro chama-se Pisom; o que rodeia a terra de Havil, onde h ouro. O ouro dessa terra bom; tambm se encontram l o bdlio e a pedra de nix. O segundo rio chama-se Giom; o que circunda a terra de Cuxe. O nome do terceiro rio Tigre; o que corre pelo oriente da Assria. E o quarto o Eufrates. Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do den para o cultivar e o guardar. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda rvore do jardim comers livremente, mas da rvore do conhecimento do bem e do mal no comers; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrers. Disse mais o SENHOR Deus: No bom que o homem esteja s; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idnea. Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos cus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domsticos, s aves dos cus e a todos os animais selvticos; para o homem, todavia, no se achava uma auxiliadora que lhe fosse idnea. Ento, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 8. 8 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. E disse o homem: Esta, afinal, osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se- varoa, porquanto do varo foi tomada. Por isso, deixa o homem pai e me e se une sua mulher, tornando-se os dois uma s carne. Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e no se envergonhavam. Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selvticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse mulher: assim que Deus disse: No comereis de toda rvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das rvores do jardim podemos comer, mas do fruto da rvore que est no meio do jardim, disse Deus: Dele no comereis, nem tocareis nele, para que no morrais. Ento, a serpente disse mulher: certo que no morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abriro os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a rvore era boa para se comer, agradvel aos olhos e rvore desejvel para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu tambm ao marido, e ele comeu. Abriram-se, ento, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela virao do dia, esconderam-se da presena do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as rvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde ests? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da rvore de que te ordenei que no comesses? Ento, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da rvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus mulher: Que isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Ento, o SENHOR Deus disse serpente: Visto que isso fizeste, maldita s entre todos os animais domsticos e o s entre todos os animais selvticos; rastejars sobre o teu ventre e comers p todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendncia e o seu descendente. Este te ferir a cabea, e tu lhe ferirs o calcanhar. E mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores dars luz filhos; o teu desejo ser para o teu marido, e ele te governar. E a Ado disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da rvore que eu te ordenara no comesses, maldita a terra por tua causa; em fadigas obters dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzir tambm cardos e abrolhos, e tu comers a erva do campo. No suor do rosto comers o teu po, at que tornes terra, pois dela foste formado; porque tu s p e ao p tornars. E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a me de todos os seres humanos. Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Ado e sua mulher e os vestiu. Ento, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de ns, conhecedor do bem e do mal; assim, que no estenda a mo, e tome tambm da rvore da vida, e coma, e viva eternamente. O SENHOR Deus, por isso, o lanou fora do jardim do den, a fim de lavrar a terra de que fora tomado. E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do den e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da rvore da vida. 9. 9 Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu luz a Caim; ento, disse: Adquiri um varo com o auxlio do SENHOR. Depois, deu luz a Abel, seu irmo. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primcias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta no se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Ento, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, no certo que sers aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz porta; o seu desejo ser contra ti, mas a ti cumpre domin-lo. Disse Caim a Abel, seu irmo: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmo, e o matou. Disse o SENHOR a Caim: Onde est Abel, teu irmo? Ele respondeu: No sei; acaso, sou eu tutor de meu irmo? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmo clama da terra a mim. s agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mos o sangue de teu irmo. Quando lavrares o solo, no te dar ele a sua fora; sers fugitivo e errante pela terra. Ento, disse Caim ao SENHOR: tamanho o meu castigo, que j no posso suport-lo. Eis que hoje me lanas da face da terra, e da tua presena hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matar. O SENHOR, porm, lhe disse: Assim, qualquer que matar a Caim ser vingado sete vezes. E ps o SENHOR um sinal em Caim para que o no ferisse de morte quem quer que o encontrasse. Retirou-se Caim da presena do SENHOR e habitou na terra de Node, ao oriente do den. E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho. A Enoque nasceu-lhe Irade; Irade gerou a Meujael, Meujael, a Metusael, e Metusael, a Lameque. Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zil. Ada deu luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome de seu irmo era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Zil, por sua vez, deu luz a Tubalcaim, artfice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irm de Tubalcaim foi Naam. E disse Lameque s suas esposas: Ada e Zil, ouvi-me; vs, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomar vingana de Caim, de Lameque, porm, setenta vezes sete. Tornou Ado a coabitar com sua mulher; e ela deu luz um filho, a quem ps o nome de Sete; porque, disse ela, Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou. A Sete nasceu-lhe tambm um filho, ao qual ps o nome de Enos; da se comeou a invocar o nome do SENHOR. Este o livro da genealogia de Ado. No dia em que Deus criou o homem, semelhana de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abenoou, e lhes chamou pelo nome de Ado, no dia em que foram criados. Viveu Ado cento e trinta anos, e gerou um filho sua semelhana, conforme a 10. 10 sua imagem, e lhe chamou Sete. Depois que gerou a Sete, viveu Ado oitocentos anos; e teve filhos e filhas. Os dias todos da vida de Ado foram novecentos e trinta anos; e morreu. Sete viveu cento e cinco anos e gerou a Enos. Depois que gerou a Enos, viveu Sete oitocentos e sete anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu. Enos viveu noventa anos e gerou a Cain. Depois que gerou a Cain, viveu Enos oitocentos e quinze anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e morreu. Cain viveu setenta anos e gerou a Maalalel. Depois que gerou a Maalalel, viveu Cain oitocentos e quarenta anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Cain foram novecentos e dez anos; e morreu. Maalalel viveu sessenta e cinco anos e gerou a Jarede. Depois que gerou a Jarede, viveu Maalalel oitocentos e trinta anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Maalalel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu. Jarede viveu cento e sessenta e dois anos e gerou a Enoque. Depois que gerou a Enoque, viveu Jarede oitocentos anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu. Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou a Metusalm. Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalm, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos. Andou Enoque com Deus e j no era, porque Deus o tomou para si. Metusalm viveu cento e oitenta e sete anos e gerou a Lameque. Depois que gerou a Lameque, viveu Metusalm setecentos e oitenta e dois anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Metusalm foram novecentos e sessenta e nove anos; e morreu. Lameque viveu cento e oitenta e dois anos e gerou um filho; ps-lhe o nome de No, dizendo: Este nos consolar dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mos, nesta terra que o SENHOR amaldioou. Depois que gerou a No, viveu Lameque quinhentos e noventa e cinco anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anos; e morreu. Era No da idade de quinhentos anos e gerou a Sem, Cam e Jaf. Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. Ento, disse o SENHOR: O meu Esprito no agir para sempre no homem, pois este carnal; e os seus dias sero cento e vinte anos. Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e tambm depois, quando os filhos de Deus possuram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, vares de renome, na antiguidade. Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desgnio do seu corao; ento, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no corao. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o 11. 11 homem que criei, o homem e o animal, os rpteis e as aves dos cus; porque me arrependo de os haver feito. Porm No achou graa diante do SENHOR. Eis a histria de No. No era homem justo e ntegro entre os seus contemporneos; No andava com Deus. Gerou trs filhos: Sem, Cam e Jaf. A terra estava corrompida vista de Deus e cheia de violncia. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Ento, disse Deus a No: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra est cheia da violncia dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. Faze uma arca de tbuas de cipreste; nela fars compartimentos e a calafetars com betume por dentro e por fora. Deste modo a fars: de trezentos cvados ser o comprimento; de cinqenta, a largura; e a altura, de trinta. Fars ao seu redor uma abertura de um cvado de altura; a porta da arca colocars lateralmente; fars pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro. Porque estou para derramar guas em dilvio sobre a terra para consumir toda carne em que h flego de vida debaixo dos cus; tudo o que h na terra perecer. Contigo, porm, estabelecerei a minha aliana; entrars na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espcie, macho e fmea, fars entrar na arca, para os conservares vivos contigo. Das aves segundo as suas espcies, do gado segundo as suas espcies, de todo rptil da terra segundo as suas espcies, dois de cada espcie viro a ti, para os conservares em vida. Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te- para alimento, a ti e a eles. Assim fez No, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara. Disse o SENHOR a No: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheo que tens sido justo diante de mim no meio desta gerao. De todo animal limpo levars contigo sete pares: o macho e sua fmea; mas dos animais imundos, um par: o macho e sua fmea. Tambm das aves dos cus, sete pares: macho e fmea; para se conservar a semente sobre a face da terra. Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfcie da terra exterminarei todos os seres que fiz. E tudo fez No, segundo o SENHOR lhe ordenara. Tinha No seiscentos anos de idade, quando as guas do dilvio inundaram a terra. Por causa das guas do dilvio, entrou No na arca, ele com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. Dos animais limpos, e dos animais imundos, e das aves, e de todo rptil sobre a terra, entraram para No, na arca, de dois em dois, macho e fmea, como Deus lhe ordenara. E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as guas do dilvio. No ano seiscentos da vida de No, aos dezessete dias do segundo ms, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos cus se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites. Nesse mesmo dia entraram na arca No, seus filhos Sem, Cam e Jaf, sua mulher e as mulheres de seus filhos; eles, e todos os animais segundo as suas espcies, todo gado segundo as suas espcies, todos os rpteis que rastejam sobre a terra segundo as suas espcies, todas as aves segundo as suas espcies, todos os pssaros e tudo o que tem asa. De toda carne, em que havia flego de vida, entraram de dois em dois para No na arca; eram macho e fmea os que entraram de toda carne, como Deus lhe havia ordenado; e o SENHOR fechou a porta aps ele. 12. 12 Durou o dilvio quarenta dias sobre a terra; cresceram as guas e levantaram a arca de sobre a terra. Predominaram as guas e cresceram sobremodo na terra; a arca, porm, vogava sobre as guas. Prevaleceram as guas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que havia debaixo do cu. Quinze cvados acima deles prevaleceram as guas; e os montes foram cobertos. Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domsticos e animais selvticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. Tudo o que tinha flego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu. Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os rpteis e as aves dos cus foram extintos da terra; ficou somente No e os que com ele estavam na arca. E as guas durante cento e cinqenta dias predominaram sobre a terra. Lembrou-se Deus de No e de todos os animais selvticos e de todos os animais domsticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as guas. Fecharam-se as fontes do abismo e tambm as comportas dos cus, e a copiosa chuva dos cus se deteve. As guas iam-se escoando continuamente de sobre a terra e minguaram ao cabo de cento e cinqenta dias. No dia dezessete do stimo ms, a arca repousou sobre as montanhas de Ararate. E as guas foram minguando at ao dcimo ms, em cujo primeiro dia apareceram os cimos dos montes. Ao cabo de quarenta dias, abriu No a janela que fizera na arca e soltou um corvo, o qual, tendo sado, ia e voltava, at que se secaram as guas de sobre a terra. Depois, soltou uma pomba para ver se as guas teriam j minguado da superfcie da terra; mas a pomba, no achando onde pousar o p, tornou a ele para a arca; porque as guas cobriam ainda a terra. No, estendendo a mo, tomou-a e a recolheu consigo na arca. Esperou ainda outros sete dias e de novo soltou a pomba fora da arca. tarde, ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira; assim entendeu No que as guas tinham minguado de sobre a terra. Ento, esperou ainda mais sete dias e soltou a pomba; ela, porm, j no tornou a ele. Sucedeu que, no primeiro dia do primeiro ms, do ano seiscentos e um, as guas se secaram de sobre a terra. Ento, No removeu a cobertura da arca e olhou, e eis que o solo estava enxuto. E, aos vinte e sete dias do segundo ms, a terra estava seca. Ento, disse Deus a No: Sai da arca, e, contigo, tua mulher, e teus filhos, e as mulheres de teus filhos. Os animais que esto contigo, de toda carne, tanto aves como gado, e todo rptil que rasteja sobre a terra, faze sair a todos, para que povoem a terra, sejam fecundos e nela se multipliquem. Saiu, pois, No, com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. E tambm saram da arca todos os animais, todos os rpteis, todas as aves e tudo o que se move sobre a terra, segundo as suas famlias. Levantou No um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar. E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: No tornarei a amaldioar a terra por causa do homem, porque mau o desgnio ntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. Enquanto durar a terra, no deixar de haver sementeira e ceifa, frio e calor, vero e inverno, dia e noite. Abenoou Deus a No e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. Pavor e medo de vs viro sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos cus; tudo 13. 13 o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mos sero entregues. Tudo o que se move e vive ser-vos- para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. Carne, porm, com sua vida, isto , com seu sangue, no comereis. Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o requererei, como tambm da mo do homem, sim, da mo do prximo de cada um requererei a vida do homem. Se algum derramar o sangue do homem, pelo homem se derramar o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem. Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela. Disse tambm Deus a No e a seus filhos: Eis que estabeleo a minha aliana convosco, e com a vossa descendncia, e com todos os seres viventes que esto convosco: tanto as aves, os animais domsticos e os animais selvticos que saram da arca como todos os animais da terra. Estabeleo a minha aliana convosco: no ser mais destruda toda carne por guas de dilvio, nem mais haver dilvio para destruir a terra. Disse Deus: Este o sinal da minha aliana que fao entre mim e vs e entre todos os seres viventes que esto convosco, para perptuas geraes: porei nas nuvens o meu arco; ser por sinal da aliana entre mim e a terra. Suceder que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, ento, me lembrarei da minha aliana, firmada entre mim e vs e todos os seres viventes de toda carne; e as guas no mais se tornaro em dilvio para destruir toda carne. O arco estar nas nuvens; v-lo-ei e me lembrarei da aliana eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que h sobre a terra. Disse Deus a No: Este o sinal da aliana estabelecida entre mim e toda carne sobre a terra. Os filhos de No, que saram da arca, foram Sem, Cam e Jaf; Cam o pai de Cana. So eles os trs filhos de No; e deles se povoou toda a terra. Sendo No lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se ps nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Cana, vendo a nudez do pai, f-lo saber, fora, a seus dois irmos. Ento, Sem e Jaf tomaram uma capa, puseram-na sobre os prprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando No do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moo e disse: Maldito seja Cana; seja servo dos servos a seus irmos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Cana lhe seja servo. Engrandea Deus a Jaf, e habite ele nas tendas de Sem; e Cana lhe seja servo. No, passado o dilvio, viveu ainda trezentos e cinqenta anos. Todos os dias de No foram novecentos e cinqenta anos; e morreu. So estas as geraes dos filhos de No, Sem, Cam e Jaf; e nasceram-lhes filhos depois do dilvio. Os filhos de Jaf so: Gomer, Magogue, Madai, Jav, Tubal, Meseque e Tiras. Os filhos de Gomer so: Asquenaz, Rifate e Togarma. Os de Jav so: Elis, Trsis, Quitim e Dodanim. Estes 14. 14 repartiram entre si as ilhas das naes nas suas terras, cada qual segundo a sua lngua, segundo as suas famlias, em suas naes. Os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Cana. Os filhos de Cuxe: Seb, Havil, Sabt, Raam e Sabtec; e os filhos de Raam: Sab e Ded. Cuxe gerou a Ninrode, o qual comeou a ser poderoso na terra. Foi valente caador diante do SENHOR; da dizer-se: Como Ninrode, poderoso caador diante do SENHOR. O princpio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Caln, na terra de Sinar. Daquela terra saiu ele para a Assria e edificou Nnive, Reobote-Ir e Cal. E, entre Nnive e Cal, a grande cidade de Resm. Mizraim gerou a Ludim, a Anamim, a Leabim, a Naftuim, a Patrusim, a Casluim (donde saram os filisteus) e a Caftorim. Cana gerou a Sidom, seu primognito, e a Hete, e aos jebuseus, aos amorreus, aos girgaseus, aos heveus, aos arqueus, aos sineus, aos arvadeus, aos zemareus e aos hamateus; e depois se espalharam as famlias dos cananeus. E o limite dos cananeus foi desde Sidom, indo para Gerar, at Gaza, indo para Sodoma, Gomorra, Adm e Zeboim, at Lasa. So estes os filhos de Cam, segundo as suas famlias, segundo as suas lnguas, em suas terras, em suas naes. A Sem, que foi pai de todos os filhos de Hber e irmo mais velho de Jaf, tambm lhe nasceram filhos. Os filhos de Sem so: Elo, Assur, Arfaxade, Lude e Ar. Os filhos de Ar: Uz, Hul, Geter e Ms. Arfaxade gerou a Sal; Sal gerou a Hber. A Hber nasceram dois filhos: um teve por nome Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra; e o nome de seu irmo foi Joct. Joct gerou a Almod, a Selefe, a Hazar-Mav, a Jer, a Hadoro, a Uzal, a Dicla, a Obal, a Abimael, a Sab, a Ofir, a Havil e a Jobabe; todos estes foram filhos de Joct. E habitaram desde Messa, indo para Sefar, montanha do Oriente. So estes os filhos de Sem, segundo as suas famlias, segundo as suas lnguas, em suas terras, em suas naes. So estas as famlias dos filhos de No, segundo as suas geraes, nas suas naes; e destes foram disseminadas as naes na terra, depois do dilvio. Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma s maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do Oriente, deram com uma plancie na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, faamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para ns uma cidade e uma torre cujo tope chegue at aos cus e tornemos clebre o nosso nome, para que no sejamos espalhados por toda a terra. Ento, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam; e o SENHOR disse: Eis que o povo um, e todos tm a mesma linguagem. Isto apenas o comeo; agora no haver restrio para tudo que intentam fazer. Vinde, desamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um no entenda a linguagem de outro. Destarte, o SENHOR os dispersou dali pela superfcie da terra; e cessaram de edificar a cidade. Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra e dali o SENHOR os dispersou por toda a superfcie dela. 15. 15 So estas as geraes de Sem. Ora, ele era da idade de cem anos quando gerou a Arfaxade, dois anos depois do dilvio; e, depois que gerou a Arfaxade, viveu Sem quinhentos anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Arfaxade trinta e cinco anos e gerou a Sal; e, depois que gerou a Sal, viveu Arfaxade quatrocentos e trs anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Sal trinta anos e gerou a Hber; e, depois que gerou a Hber, viveu Sal quatrocentos e trs anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Hber trinta e quatro anos e gerou a Pelegue; e, depois que gerou a Pelegue, viveu Hber quatrocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Pelegue trinta anos e gerou a Re; e, depois que gerou a Re, viveu Pelegue duzentos e nove anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Re trinta e dois anos e gerou a Serugue; e, depois que gerou a Serugue, viveu Re duzentos e sete anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Serugue trinta anos e gerou a Naor; e, depois que gerou a Naor, viveu Serugue duzentos anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Naor vinte e nove anos e gerou a Tera; e, depois que gerou a Tera, viveu Naor cento e dezenove anos; e gerou filhos e filhas. Viveu Tera setenta anos e gerou a Abro, a Naor e a Har. So estas as geraes de Tera. Tera gerou a Abro, a Naor e a Har; e Har gerou a L. Morreu Har na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus, estando Tera, seu pai, ainda vivo. Abro e Naor tomaram para si mulheres; a de Abro chamava-se Sarai, a de Naor, Milca, filha de Har, que foi pai de Milca e de Isc. Sarai era estril, no tinha filhos. Tomou Tera a Abro, seu filho, e a L, filho de Har, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abro, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir terra de Cana; foram at Har, onde ficaram. E, havendo Tera vivido duzentos e cinco anos ao todo, morreu em Har. Ora, disse o SENHOR a Abro: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nao, e te abenoarei, e te engrandecerei o nome. S tu uma bno! Abenoarei os que te abenoarem e amaldioarei os que te amaldioarem; em ti sero benditas todas as famlias da terra. Partiu, pois, Abro, como lho ordenara o SENHOR, e L foi com ele. Tinha Abro setenta e cinco anos quando saiu de Har. Levou Abro consigo a Sarai, sua mulher, e a L, filho de seu irmo, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas que lhes acresceram em Har. Partiram para a terra de Cana; e l chegaram. Atravessou Abro a terra at Siqum, at ao carvalho de Mor. Nesse tempo os cananeus habitavam essa terra. Apareceu o SENHOR a Abro e lhe disse: Darei tua descendncia esta terra. Ali edificou Abro um altar ao SENHOR, que lhe aparecera. Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali 16. 16 edificou um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR. Depois, seguiu Abro dali, indo sempre para o Neguebe. Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abro ao Egito, para a ficar, porquanto era grande a fome na terra. Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que s mulher de formosa aparncia; os egpcios, quando te virem, vo dizer: a mulher dele e me mataro, deixando-te com vida. Dize, pois, que s minha irm, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida. Tendo Abro entrado no Egito, viram os egpcios que a mulher era sobremaneira formosa. Viram-na os prncipes de Fara e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para a casa de Fara. Este, por causa dela, tratou bem a Abro, o qual veio a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos. Porm o SENHOR puniu Fara e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abro. Chamou, pois, Fara a Abro e lhe disse: Que isso que me fizeste? Por que no me disseste que era ela tua mulher? E me disseste ser tua irm? Por isso, a tomei para ser minha mulher. Agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te. E Fara deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possua. Saiu, pois, Abro do Egito para o Neguebe, ele e sua mulher e tudo o que tinha, e L com ele. Era Abro muito rico; possua gado, prata e ouro. Fez as suas jornadas do Neguebe at Betel, at ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai, at ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e a Abro invocou o nome do SENHOR. L, que ia com Abro, tambm tinha rebanhos, gado e tendas. E a terra no podia sustent-los, para que habitassem juntos, porque eram muitos os seus bens; de sorte que no podiam habitar um na companhia do outro. Houve contenda entre os pastores do gado de Abro e os pastores do gado de L. Nesse tempo os cananeus e os ferezeus habitavam essa terra. Disse Abro a L: No haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos parentes chegados. Acaso, no est diante de ti toda a terra? Peo-te que te apartes de mim; se fores para a esquerda, irei para a direita; se fores para a direita, irei para a esquerda. Levantou L os olhos e viu toda a campina do Jordo, que era toda bem regada (antes de haver o SENHOR destrudo Sodoma e Gomorra), como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, como quem vai para Zoar. Ento, L escolheu para si toda a campina do Jordo e partiu para o Oriente; separaram-se um do outro. Habitou Abro na terra de Cana; e L, nas cidades da campina e ia armando as suas tendas at Sodoma. Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o SENHOR. Disse o SENHOR a Abro, depois que L se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde ests para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vs, eu ta darei, a ti e tua descendncia, para sempre. Farei a tua descendncia como o p da terra; de maneira que, se algum puder contar o p da terra, ento se contar tambm a tua descendncia. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei. E Abro, mudando as suas tendas, foi habitar nos carvalhais de Manre, que esto junto a Hebrom; e levantou ali um altar ao SENHOR. 17. 17 Sucedeu naquele tempo que Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elo, e Tidal, rei de Goim, fizeram guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Adm, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Bela (esta Zoar). Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que o mar Salgado). Doze anos serviram a Quedorlaomer, porm no dcimo terceiro se rebelaram. Ao dcimo quarto ano, veio Quedorlaomer e os reis que estavam com ele e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, e aos zuzins em H, e aos emins em Sav-Quiriataim, e aos horeus no seu monte Seir, at El-Par, que est junto ao deserto. De volta passaram em En-Mispate (que Cades) e feriram toda a terra dos amalequitas e dos amorreus, que habitavam em Hazazom-Tamar. Ento, saram os reis de Sodoma, de Gomorra, de Adm, de Zeboim e de Bela (esta Zoar) e se ordenaram e levantaram batalha contra eles no vale de Sidim, contra Quedorlaomer, rei de Elo, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinar, contra Arioque, rei de Elasar: quatro reis contra cinco. Ora, o vale de Sidim estava cheio de poos de betume; os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram; alguns caram neles, e os restantes fugiram para um monte. Tomaram, pois, todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento e se foram. Apossaram-se tambm de L, filho do irmo de Abro, que morava em Sodoma, e dos seus bens e partiram. Porm veio um, que escapara, e o contou a Abro, o hebreu; este habitava junto dos carvalhais de Manre, o amorreu, irmo de Escol e de Aner, os quais eram aliados de Abro. Ouvindo Abro que seu sobrinho estava preso, fez sair trezentos e dezoito homens dos mais capazes, nascidos em sua casa, e os perseguiu at D. E, repartidos contra eles de noite, ele e os seus homens, feriu-os e os perseguiu at Hob, que fica esquerda de Damasco. Trouxe de novo todos os bens, e tambm a L, seu sobrinho, os bens dele, e ainda as mulheres, e o povo. Aps voltar Abro de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma no vale de Sav, que o vale do Rei. Melquisedeque, rei de Salm, trouxe po e vinho; era sacerdote do Deus Altssimo; abenoou ele a Abro e disse: Bendito seja Abro pelo Deus Altssimo, que possui os cus e a terra; e bendito seja o Deus Altssimo, que entregou os teus adversrios nas tuas mos. E de tudo lhe deu Abro o dzimo. Ento, disse o rei de Sodoma a Abro: D-me as pessoas, e os bens ficaro contigo. Mas Abro lhe respondeu: Levanto a mo ao SENHOR, o Deus Altssimo, o que possui os cus e a terra, e juro que nada tomarei de tudo o que te pertence, nem um fio, nem uma correia de sandlia, para que no digas: Eu enriqueci a Abro; nada quero para mim, seno o que os rapazes comeram e a parte que toca aos homens Aner, Escol e Manre, que foram comigo; estes que tomem o seu quinho. Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abro, numa viso, e disse: No temas, Abro, eu sou o teu escudo, e teu galardo ser sobremodo grande. Respondeu Abro: SENHOR Deus, que me havers de dar, se continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa o damasceno Elizer? Disse mais Abro: A mim no me concedeste descendncia, e um servo nascido na minha casa ser o meu herdeiro. A isto respondeu logo o SENHOR, dizendo: No ser esse o teu 18. 18 herdeiro; mas aquele que ser gerado de ti ser o teu herdeiro. Ento, conduziu-o at fora e disse: Olha para os cus e conta as estrelas, se que o podes. E lhe disse: Ser assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justia. Disse-lhe mais: Eu sou o SENHOR que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te por herana esta terra. Perguntou-lhe Abro: SENHOR Deus, como saberei que hei de possu-la? Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha, uma cabra e um cordeiro, cada qual de trs anos, uma rola e um pombinho. Ele, tomando todos estes animais, partiu-os pelo meio e lhes ps em ordem as metades, umas defronte das outras; e no partiu as aves. Aves de rapina desciam sobre os cadveres, porm Abro as enxotava. Ao pr-do-sol, caiu profundo sono sobre Abro, e grande pavor e cerradas trevas o acometeram; ento, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade ser peregrina em terra alheia, e ser reduzida escravido, e ser afligida por quatrocentos anos. Mas tambm eu julgarei a gente a que tm de sujeitar-se; e depois sairo com grandes riquezas. E tu irs para os teus pais em paz; sers sepultado em ditosa velhice. Na quarta gerao, tornaro para aqui; porque no se encheu ainda a medida da iniqidade dos amorreus. E sucedeu que, posto o sol, houve densas trevas; e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaos. Naquele mesmo dia, fez o SENHOR aliana com Abro, dizendo: tua descendncia dei esta terra, desde o rio do Egito at ao grande rio Eufrates: o queneu, o quenezeu, o cadmoneu, o heteu, o ferezeu, os refains, o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu. Ora, Sarai, mulher de Abro, no lhe dava filhos; tendo, porm, uma serva egpcia, por nome Agar, disse Sarai a Abro: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar luz filhos; toma, pois, a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abro anuiu ao conselho de Sarai. Ento, Sarai, mulher de Abro, tomou a Agar, egpcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abro, seu marido, depois de ter ele habitado por dez anos na terra de Cana. Ele a possuiu, e ela concebeu. Vendo ela que havia concebido, foi sua senhora por ela desprezada. Disse Sarai a Abro: Seja sobre ti a afronta que se me faz a mim. Eu te dei a minha serva para a possures; ela, porm, vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o SENHOR entre mim e ti. Respondeu Abro a Sarai: A tua serva est nas tuas mos, procede segundo melhor te parecer. Sarai humilhou-a, e ela fugiu de sua presena. Tendo-a achado o Anjo do SENHOR junto a uma fonte de gua no deserto, junto fonte no caminho de Sur, disse-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vens e para onde vais? Ela respondeu: Fujo da presena de Sarai, minha senhora. Ento, lhe disse o Anjo do SENHOR: Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mos. Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremodo a tua descendncia, de maneira que, por numerosa, no ser contada. Disse-lhe ainda o Anjo do SENHOR: Concebeste e dars luz um filho, a quem chamars Ismael, porque o SENHOR te acudiu na tua aflio. Ele ser, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mo ser contra todos, e a mo de todos, contra ele; e habitar fronteiro a todos os seus irmos. Ento, ela invocou o nome do SENHOR, que lhe falava: Tu s Deus que v; pois disse ela: No olhei eu neste lugar para aquele que me v? Por isso, aquele poo se chama Beer-Laai-Roi; est entre Cades e Berede. 19. 19 Agar deu luz um filho a Abro; e Abro, a seu filho que lhe dera Agar, chamou-lhe Ismael. Era Abro de oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu luz Ismael. Quando atingiu Abro a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presena e s perfeito. Farei uma aliana entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. Prostrou-se Abro, rosto em terra, e Deus lhe falou: Quanto a mim, ser contigo a minha aliana; sers pai de numerosas naes. Abro j no ser o teu nome, e sim Abrao; porque por pai de numerosas naes te constitu. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei naes, e reis procedero de ti. Estabelecerei a minha aliana entre mim e ti e a tua descendncia no decurso das suas geraes, aliana perptua, para ser o teu Deus e da tua descendncia. Dar-te-ei e tua descendncia a terra das tuas peregrinaes, toda a terra de Cana, em possesso perptua, e serei o seu Deus. Disse mais Deus a Abrao: Guardars a minha aliana, tu e a tua descendncia no decurso das suas geraes. Esta a minha aliana, que guardareis entre mim e vs e a tua descendncia: todo macho entre vs ser circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepcio; ser isso por sinal de aliana entre mim e vs. O que tem oito dias ser circuncidado entre vs, todo macho nas vossas geraes, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que no for da tua estirpe. Com efeito, ser circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliana estar na vossa carne e ser aliana perptua. O incircunciso, que no for circuncidado na carne do prepcio, essa vida ser eliminada do seu povo; quebrou a minha aliana. Disse tambm Deus a Abrao: A Sarai, tua mulher, j no lhe chamars Sarai, porm Sara. Abeno-la-ei e dela te darei um filho; sim, eu a abenoarei, e ela se tornar naes; reis de povos procedero dela. Ento, se prostrou Abrao, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: A um homem de cem anos h de nascer um filho? Dar luz Sara com seus noventa anos? Disse Abrao a Deus: Tomara que viva Ismael diante de ti. Deus lhe respondeu: De fato, Sara, tua mulher, te dar um filho, e lhe chamars Isaque; estabelecerei com ele a minha aliana, aliana perptua para a sua descendncia. Quanto a Ismael, eu te ouvi: abeno-lo-ei, f-lo-ei fecundo e o multiplicarei extraordinariamente; gerar doze prncipes, e dele farei uma grande nao. A minha aliana, porm, estabelec-la-ei com Isaque, o qual Sara te dar luz, neste mesmo tempo, daqui a um ano. E, finda esta fala com Abrao, Deus se retirou dele, elevando-se. Tomou, pois, Abrao a seu filho Ismael, e a todos os escravos nascidos em sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo macho dentre os de sua casa, e lhes circuncidou a carne do prepcio de cada um, naquele mesmo dia, como Deus lhe ordenara. Tinha Abrao noventa e nove anos de idade, quando foi circuncidado na carne do seu prepcio. Ismael, seu filho, era de treze anos, quando foi circuncidado na carne do seu prepcio. Abrao e seu filho, Ismael, foram circuncidados no mesmo dia. E tambm foram circuncidados todos os homens de sua casa, tanto os escravos nascidos nela como os comprados por dinheiro ao estrangeiro. Apareceu o SENHOR a Abrao nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado entrada da tenda, no maior calor do dia. Levantou ele os olhos, olhou, e eis trs homens de p em frente dele. Vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro, prostrou-se em terra e disse: Senhor 20. 20 meu, se acho merc em tua presena, rogo-te que no passes do teu servo; traga-se um pouco de gua, lavai os ps e repousai debaixo desta rvore; trarei um bocado de po; refazei as vossas foras, visto que chegastes at vosso servo; depois, seguireis avante. Responderam: Faze como disseste. Apressou-se, pois, Abrao para a tenda de Sara e lhe disse: Amassa depressa trs medidas de flor de farinha e faze po assado ao borralho. Abrao, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, e deu-o ao criado, que se apressou em prepar-lo. Tomou tambm coalhada e leite e o novilho que mandara preparar e ps tudo diante deles; e permaneceu de p junto a eles debaixo da rvore; e eles comeram. Ento, lhe perguntaram: Sara, tua mulher, onde est? Ele respondeu: Est a na tenda. Disse um deles: Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dar luz um filho. Sara o estava escutando, porta da tenda, atrs dele. Abrao e Sara eram j velhos, avanados em idade; e a Sara j lhe havia cessado o costume das mulheres. Riu-se, pois, Sara no seu ntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho tambm o meu senhor, terei ainda prazer? Disse o SENHOR a Abrao: Por que se riu Sara, dizendo: Ser verdade que darei ainda luz, sendo velha? Acaso, para o SENHOR h coisa demasiadamente difcil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara ter um filho. Ento, Sara, receosa, o negou, dizendo: No me ri. Ele, porm, disse: No assim, certo que riste. Tendo-se levantado dali aqueles homens, olharam para Sodoma; e Abrao ia com eles, para os encaminhar. Disse o SENHOR: Ocultarei a Abrao o que estou para fazer, visto que Abrao certamente vir a ser uma grande e poderosa nao, e nele sero benditas todas as naes da terra? Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justia e o juzo; para que o SENHOR faa vir sobre Abrao o que tem falado a seu respeito. Disse mais o SENHOR: Com efeito, o clamor de Sodoma e Gomorra tem-se multiplicado, e o seu pecado se tem agravado muito. Descerei e verei se, de fato, o que tm praticado corresponde a esse clamor que vindo at mim; e, se assim no , sab-lo-ei. Ento, partiram dali aqueles homens e foram para Sodoma; porm Abrao permaneceu ainda na presena do SENHOR. E, aproximando-se a ele, disse: Destruirs o justo com o mpio? Se houver, porventura, cinqenta justos na cidade, destruirs ainda assim e no poupars o lugar por amor dos cinqenta justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o mpio, como se o justo fosse igual ao mpio; longe de ti. No far justia o Juiz de toda a terra? Ento, disse o SENHOR: Se eu achar em Sodoma cinqenta justos dentro da cidade, pouparei a cidade toda por amor deles. Disse mais Abrao: Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou p e cinza. Na hiptese de faltarem cinco para cinqenta justos, destruirs por isso toda a cidade? Ele respondeu: No a destruirei se eu achar ali quarenta e cinco. Disse-lhe ainda mais Abrao: E se, porventura, houver ali quarenta? Respondeu: No o farei por amor dos quarenta. Insistiu: No se ire o Senhor, falarei ainda: Se houver, porventura, ali trinta? Respondeu o SENHOR: No o farei se eu encontrar ali trinta. Continuou Abrao: Eis que me atrevi a falar ao Senhor: Se, porventura, houver ali vinte? Respondeu o SENHOR: No a destruirei por amor dos vinte. Disse ainda Abrao: No se ire o Senhor, se lhe falo somente mais esta vez: Se, porventura, houver ali dez? Respondeu o SENHOR: 21. 21 No a destruirei por amor dos dez. Tendo cessado de falar a Abrao, retirou-se o SENHOR; e Abrao voltou para o seu lugar. Ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava L assentado; este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostrou-se, rosto em terra. E disse-lhes: Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoitai nela e lavai os ps; levantar-vos-eis de madrugada e seguireis o vosso caminho. Responderam eles: No; passaremos a noite na praa. Instou-lhes muito, e foram e entraram em casa dele; deu-lhes um banquete, fez assar uns pes asmos, e eles comeram. Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moos como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; e chamaram por L e lhe disseram: Onde esto os homens que, noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a ns para que abusemos deles. Saiu-lhes, ento, L porta, fechou-a aps si e lhes disse: Rogo-vos, meus irmos, que no faais mal; tenho duas filhas, virgens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porm nada faais a estes homens, porquanto se acham sob a proteo de meu teto. Eles, porm, disseram: Retira-te da. E acrescentaram: S ele estrangeiro, veio morar entre ns e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra L, e se chegaram para arrombar a porta. Porm os homens, estendendo a mo, fizeram entrar L e fecharam a porta; e feriram de cegueira aos que estavam fora, desde o menor at ao maior, de modo que se cansaram procura da porta. Ento, disseram os homens a L: Tens aqui algum mais dos teus? Genro, e teus filhos, e tuas filhas, todos quantos tens na cidade, faze-os sair deste lugar; pois vamos destruir este lugar, porque o seu clamor se tem aumentado, chegando at presena do SENHOR; e o SENHOR nos enviou a destru-lo. Ento, saiu L e falou a seus genros, aos que estavam para casar com suas filhas e disse: Levantai-vos, sa deste lugar, porque o SENHOR h de destruir a cidade. Acharam, porm, que ele gracejava com eles. Ao amanhecer, apertaram os anjos com L, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, que aqui se encontram, para que no pereas no castigo da cidade. Como, porm, se demorasse, pegaram-no os homens pela mo, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordioso, e o tiraram, e o puseram fora da cidade. Havendo-os levado fora, disse um deles: Livra-te, salva a tua vida; no olhes para trs, nem pares em toda a campina; foge para o monte, para que no pereas. Respondeu-lhes L: Assim no, Senhor meu! Eis que o teu servo achou merc diante de ti, e engrandeceste a tua misericrdia que me mostraste, salvando-me a vida; no posso escapar no monte, pois receio que o mal me apanhe, e eu morra.Eis a uma cidade perto para a qual eu posso fugir, e pequena. Permite que eu fuja para l (porventura, no pequena?), e nela viver a minha alma. Disse-lhe: Quanto a isso, estou de acordo, para no subverter a cidade de que acabas de falar. Apressa-te, refugia-te nela; pois nada posso fazer, enquanto no tiveres chegado l. Por isso, se chamou Zoar o nome da cidade. Saa o sol sobre a terra, quando L entrou em Zoar. Ento, fez o SENHOR chover enxofre e fogo, da parte do SENHOR, sobre Sodoma e Gomorra. E subverteu aquelas cidades, e toda a campina, e todos os moradores das cidades, e o que nascia na terra. E a mulher de L olhou para trs e converteu-se numa esttua de sal. Tendo-se levantado Abrao de madrugada, foi para o lugar onde 22. 22 estivera na presena do SENHOR; e olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina e viu que da terra subia fumaa, como a fumarada de uma fornalha. Ao tempo que destrua as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abrao e tirou a L do meio das runas, quando subverteu as cidades em que L habitara. Subiu L de Zoar e habitou no monte, ele e suas duas filhas, porque receavam permanecer em Zoar; e habitou numa caverna, e com ele as duas filhas. Ento, a primognita disse mais moa: Nosso pai est velho, e no h homem na terra que venha unir-se conosco, segundo o costume de toda terra. Vem, faamo-lo beber vinho, deitemo-nos com ele e conservemos a descendncia de nosso pai. Naquela noite, pois, deram a beber vinho a seu pai, e, entrando a primognita, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. No dia seguinte, disse a primognita mais nova: Deitei-me, ontem, noite, com o meu pai. Demos-lhe a beber vinho tambm esta noite; entra e deita-te com ele, para que preservemos a descendncia de nosso pai. De novo, pois, deram, aquela noite, a beber vinho a seu pai, e, entrando a mais nova, se deitou com ele, sem que ele o notasse, nem quando ela se deitou, nem quando se levantou. E assim as duas filhas de L conceberam do prprio pai. A primognita deu luz um filho e lhe chamou Moabe: o pai dos moabitas, at ao dia de hoje. A mais nova tambm deu luz um filho e lhe chamou Ben-Ami: o pai dos filhos de Amom, at ao dia de hoje. Partindo Abrao dali para a terra do Neguebe, habitou entre Cades e Sur e morou em Gerar. Disse Abrao de Sara, sua mulher: Ela minha irm; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, mandou busc-la. Deus, porm, veio a Abimeleque em sonhos de noite e lhe disse: Vais ser punido de morte por causa da mulher que tomaste, porque ela tem marido. Ora, Abimeleque ainda no a havia possudo; por isso, disse: Senhor, matars at uma nao inocente? No foi ele mesmo que me disse: minha irm? E ela tambm me disse: Ele meu irmo. Com sinceridade de corao e na minha inocncia, foi que eu fiz isso. Respondeu-lhe Deus em sonho: Bem sei que com sinceridade de corao fizeste isso; da o ter impedido eu de pecares contra mim e no te permiti que a tocasses. Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, pois ele profeta e interceder por ti, e vivers; se, porm, no lha restitures, sabe que certamente morrers, tu e tudo o que teu. Levantou-se Abimeleque de madrugada, e chamou todos os seus servos, e lhes contou todas essas coisas; e os homens ficaram muito atemorizados. Ento, chamou Abimeleque a Abrao e lhe disse: Que isso que nos fizeste? Em que pequei eu contra ti, para trazeres tamanho pecado sobre mim e sobre o meu reino? Tu me fizeste o que no se deve fazer. Disse mais Abimeleque a Abrao: Que estavas pensando para fazeres tal coisa? Respondeu Abrao: Eu dizia comigo mesmo: Certamente no h temor de Deus neste lugar, e eles me mataro por causa de minha mulher. Por outro lado, ela, de fato, tambm minha irm, filha de meu pai e no de minha me; e veio a ser minha mulher. Quando Deus me fez andar errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Este favor me fars: em todo lugar em que entrarmos, dirs a meu respeito: Ele meu irmo. Ento, Abimeleque tomou ovelhas e bois, e servos e servas e os deu a Abrao; e lhe restituiu a Sara, sua mulher. Disse Abimeleque: A minha terra est diante de ti; habita onde melhor te parecer. E a Sara disse: Dei mil siclos de prata a teu irmo; ser isto compensao por tudo quanto se deu contigo; e perante todos ests justificada. E, orando Abrao, sarou Deus Abimeleque, sua mulher e suas servas, de sorte que 23. 23 elas pudessem ter filhos; porque o SENHOR havia tornado estreis todas as mulheres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abrao. Visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido. Sara concebeu e deu luz um filho a Abrao na sua velhice, no tempo determinado, de que Deus lhe falara. Ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe dera luz, ps Abrao o nome de Isaque. Abrao circuncidou a seu filho Isaque, quando este era de oito dias, segundo Deus lhe havia ordenado. Tinha Abrao cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho. E disse Sara: Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente comigo. E acrescentou: Quem teria dito a Abrao que Sara amamentaria um filho? Pois na sua velhice lhe dei um filho. Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, deu Abrao um grande banquete. Vendo Sara que o filho de Agar, a egpcia, o qual ela dera luz a Abrao, caoava de Isaque, disse a Abrao: Rejeita essa escrava e seu filho; porque o filho dessa escrava no ser herdeiro com Isaque, meu filho. Pareceu isso mui penoso aos olhos de Abrao, por causa de seu filho. Disse, porm, Deus a Abrao: No te parea isso mal por causa do moo e por causa da tua serva; atende a Sara em tudo o que ela te disser; porque por Isaque ser chamada a tua descendncia. Mas tambm do filho da serva farei uma grande nao, por ser ele teu descendente. Levantou-se, pois, Abrao de madrugada, tomou po e um odre de gua, p-los s costas de Agar, deu-lhe o menino e a despediu. Ela saiu, andando errante pelo deserto de Berseba. Tendo-se acabado a gua do odre, colocou ela o menino debaixo de um dos arbustos e, afastando-se, foi sentar-se defronte, distncia de um tiro de arco; porque dizia: Assim, no verei morrer o menino; e, sentando-se em frente dele, levantou a voz e chorou. Deus, porm, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do cu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? No temas, porque Deus ouviu a voz do menino, da onde est. Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mo, porque eu farei dele um grande povo. Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poo de gua, e, indo a ele, encheu de gua o odre, e deu de beber ao rapaz. Deus estava com o rapaz, que cresceu, habitou no deserto e se tornou flecheiro; habitou no deserto de Par, e sua me o casou com uma mulher da terra do Egito. Por esse tempo, Abimeleque e Ficol, comandante do seu exrcito, disseram a Abrao: Deus contigo em tudo o que fazes; agora, pois, jura-me aqui por Deus que me no mentirs, nem a meu filho, nem a meu neto; e sim que usars comigo e com a terra em que tens habitado daquela mesma bondade com que eu te tratei. Respondeu Abrao: Juro. Nada obstante, Abrao repreendeu a Abimeleque por causa de um poo de gua que os servos deste lhe haviam tomado fora. Respondeu-lhe Abimeleque: No sei quem ter feito isso; tambm nada me fizeste saber, nem tampouco ouvi falar disso, seno hoje. Tomou Abrao ovelhas e bois e deu-os a Abimeleque; e fizeram ambos uma aliana. Ps Abrao parte sete cordeiras do rebanho. Perguntou Abimeleque a Abrao: Que significam as sete cordeiras que puseste parte? Respondeu Abrao: Recebers de minhas mos as sete cordeiras, para que me sirvam de testemunho de que eu cavei este poo. Por isso, se chamou aquele lugar Berseba, porque ali juraram eles ambos. Assim, fizeram aliana em Berseba; levantaram-se Abimeleque e Ficol, comandante do seu exrcito, e voltaram para as terras dos filisteus. Plantou Abrao tamargueiras em Berseba e 24. 24 invocou ali o nome do SENHOR, Deus Eterno. E foi Abrao, por muito tempo, morador na terra dos filisteus. Depois dessas coisas, ps Deus Abrao prova e lhe disse: Abrao! Este lhe respondeu: Eis- me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu nico filho, Isaque, a quem amas, e vai-te terra de Mori; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei. Levantou-se, pois, Abrao de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; rachou lenha para o holocausto e foi para o lugar que Deus lhe havia indicado. Ao terceiro dia, erguendo Abrao os olhos, viu o lugar de longe. Ento, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos at l e, havendo adorado, voltaremos para junto de vs. Tomou Abrao a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porm, levava nas mos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos. Quando Isaque disse a Abrao, seu pai: Meu pai! Respondeu Abrao: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde est o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abrao: Deus prover para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos. Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abrao um altar, sobre ele disps a lenha, amarrou Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha; e, estendendo a mo, tomou o cutelo para imolar o filho. Mas do cu lhe bradou o Anjo do SENHOR: Abrao! Abrao! Ele respondeu: Eis-me aqui! Ento, lhe disse: No estendas a mo sobre o rapaz e nada lhe faas; pois agora sei que temes a Deus, porquanto no me negaste o filho, o teu nico filho. Tendo Abrao erguido os olhos, viu atrs de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abrao o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho. E ps Abrao por nome quele lugar O SENHOR Prover. Da dizer-se at ao dia de hoje: No monte do SENHOR se prover. Ento, do cu bradou pela segunda vez o Anjo do SENHOR a Abrao e disse: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e no me negaste o teu nico filho, que deveras te abenoarei e certamente multiplicarei a tua descendncia como as estrelas dos cus e como a areia na praia do mar; a tua descendncia possuir a cidade dos seus inimigos, nela sero benditas todas as naes da terra, porquanto obedeceste minha voz. Ento, voltou Abrao aos seus servos, e, juntos, foram para Berseba, onde fixou residncia. Passadas essas coisas, foi dada notcia a Abrao, nestes termos: Milca tambm tem dado luz filhos a Naor, teu irmo: Uz, o primognito, Buz, seu irmo, Quemuel, pai de Ar, Qusede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel. Betuel gerou a Rebeca; estes oito deu luz Milca a Naor, irmo de Abrao. Sua concubina, cujo nome era Reum, lhe deu tambm luz filhos: Teba, Ga, Tas e Maaca. Tendo Sara vivido cento e vinte e sete anos, morreu em Quiriate-Arba, que Hebrom, na terra de Cana; veio Abrao lamentar Sara e chorar por ela. Levantou-se, depois, Abrao da presena de sua morta e falou aos filhos de Hete: Sou estrangeiro e morador entre vs; dai-me a posse de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta. Responderam os filhos de Hete a Abrao, dizendo: Ouve-nos, senhor: tu s prncipe de Deus entre ns; sepulta numa das nossas melhores sepulturas a tua morta; nenhum de ns te vedar a sua sepultura, para sepultares a tua morta. Ento, 25. 25 se levantou Abrao e se inclinou diante do povo da terra, diante dos filhos de Hete. E lhes falou, dizendo: Se do vosso agrado que eu sepulte a minha morta, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de Zoar, para que ele me d a caverna de Macpela, que tem no extremo do seu campo; que ma d pelo devido preo em posse de sepultura entre vs. Ora, Efrom, o heteu, sentando-se no meio dos filhos de Hete, respondeu a Abrao, ouvindo-o os filhos de Hete, a saber, todos os que entravam pela porta da sua cidade: De modo nenhum, meu senhor; ouve-me: dou-te o campo e tambm a caverna que nele est; na presena dos filhos do meu povo te dou; sepulta a tua morta. Ento, se inclinou Abrao diante do povo da terra; e falou a Efrom, na presena do povo da terra, dizendo: Mas, se concordas, ouve-me, peo-te: darei o preo do campo, toma-o de mim, e sepultarei ali a minha morta. Respondeu-lhe Efrom: Meu senhor, ouve-me: um terreno que vale quatrocentos siclos de prata, que isso entre mim e ti? Sepulta ali a tua morta. Tendo Abrao ouvido isso a Efrom, pesou-lhe a prata, de que este lhe falara diante dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores. Assim, o campo de Efrom, que estava em Macpela, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor se confirmaram por posse a Abrao, na presena dos filhos de Hete, de todos os que entravam pela porta da sua cidade. Depois, sepultou Abrao a Sara, sua mulher, na caverna do campo de Macpela, fronteiro a Manre, que Hebrom, na terra de Cana. E assim, pelos filhos de Hete, se confirmou a Abrao o direito do campo e da caverna que nele estava, em posse de sepultura. Era Abrao j idoso, bem avanado em anos; e o SENHOR em tudo o havia abenoado. Disse Abrao ao seu mais antigo servo da casa, que governava tudo o que possua: Pe a mo por baixo da minha coxa, para que eu te faa jurar pelo SENHOR, Deus do cu e da terra, que no tomars esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito; mas irs minha parentela e da tomars esposa para Isaque, meu filho. Disse-lhe o servo: Talvez no queira a mulher seguir-me para esta terra; nesse caso, levarei teu filho terra donde saste? Respondeu-lhe Abrao: Cautela! No faas voltar para l meu filho. O SENHOR, Deus do cu, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal, e que me falou, e jurou, dizendo: tua descendncia darei esta terra, ele enviar o seu anjo, que te h de preceder, e tomars de l esposa para meu filho. Caso a mulher no queira seguir- te, ficars desobrigado do teu juramento; entretanto, no levars para l meu filho. Com isso, ps o servo a mo por baixo da coxa de Abrao, seu senhor, e jurou fazer segundo o resolvido. Tomou o servo dez dos camelos do seu senhor e, levando consigo de todos os bens dele, levantou-se e partiu, rumo da Mesopotmia, para a cidade de Naor. Fora da cidade, fez ajoelhar os camelos junto a um poo de gua, tarde, hora em que as moas saem a tirar gua. E disse consigo: SENHOR, Deus de meu senhor Abrao, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abrao! Eis que estou ao p da fonte de gua, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar gua; d-me, pois, que a moa a quem eu disser: inclina o cntaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com o meu senhor. Considerava ele ainda, quando saiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmo de Abrao, trazendo um cntaro ao ombro. A moa era mui formosa de aparncia, virgem, a 26. 26 quem nenhum homem havia possudo; ela desceu fonte, encheu o seu cntaro e subiu. Ento, o servo saiu-lhe ao encontro e disse: D-me de beber um pouco da gua do teu cntaro. Ela respondeu: Bebe, meu senhor. E, prontamente, baixando o cntaro para a mo, lhe deu de beber. Acabando ela de dar a beber, disse: Tirarei gua tambm para os teus camelos, at que todos bebam. E, apressando- se em despejar o cntaro no bebedouro, correu outra vez ao poo para tirar mais gua; tirou-a e deu-a a todos os camelos. O homem a observava, em silncio, atentamente, para saber se teria o SENHOR levado a bom termo a sua jornada ou no. Tendo os camelos acabado de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso e duas pulseiras para as mos dela, do peso de dez siclos de ouro; e lhe perguntou: De quem s filha? Peo-te que me digas. Haver em casa de teu pai lugar em que eu fique, e a comitiva? Ela respondeu: Sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu luz a Naor. E acrescentou: Temos palha, e muito pasto, e lugar para passar a noite. Ento, se inclinou o homem e adorou ao SENHOR. E disse: Bendito seja o SENHOR, Deus de meu senhor Abrao, que no retirou a sua benignidade e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, estando no caminho, o SENHOR me guiou casa dos parentes de meu senhor. E a moa correu e contou aos da casa de sua me todas essas coisas. Ora, Rebeca tinha um irmo, chamado Labo; este correu ao encontro do homem junto fonte. Pois, quando viu o pendente e as pulseiras nas mos de sua irm, tendo ouvido as palavras de Rebeca, sua irm, que dizia: Assim me falou o homem, foi Labo ter com ele, o qual estava em p junto aos camelos, junto fonte. E lhe disse: Entra, bendito do SENHOR, por que ests a fora? Pois j preparei a casa e o lugar para os camelos. Ento, fez entrar o homem; descarregaram-lhe os camelos e lhes deram forragem e pasto; deu-se-lhe gua para lavar os ps e tambm aos homens que estavam com ele. Diante dele puseram comida; porm ele disse: No comerei enquanto no expuser o propsito a que venho. Labo respondeu-lhe: Dize. Ento, disse: Sou servo de Abrao. O SENHOR tem abenoado muito ao meu senhor, e ele se tornou grande; deu-lhe ovelhas e bois, e prata e ouro, e servos e servas, e camelos e jumentos. Sara, mulher do meu senhor, era j idosa quando lhe deu luz um filho; a este deu ele tudo quanto tem. E meu senhor me fez jurar, dizendo: No tomars esposa para meu filho das mulheres dos cananeus, em cuja terra habito; porm irs casa de meu pai e minha famlia e tomars esposa para meu filho. Respondi ao meu senhor: Talvez no queira a mulher seguir-me. Ele me disse: O SENHOR, em cuja presena eu ando, enviar contigo o seu Anjo e levar a bom termo a tua jornada, para que, da minha famlia e da casa de meu pai, tomes esposa para meu filho. Ento, sers desobrigado do meu juramento, quando fores minha famlia; se no ta derem, desobrigado estars do meu juramento. Hoje, pois, cheguei fonte e disse comigo: SENHOR, Deus de meu senhor Abrao, se me levas a bom termo a jornada em que sigo, eis-me agora junto fonte de gua; a moa que sair para tirar gua, a quem eu disser: d-me um pouco de gua do teu cntaro, e ela me responder: Bebe, e tambm tirarei gua para os teus camelos, seja essa a mulher que o SENHOR designou para o filho de meu senhor. Considerava ainda eu assim, no meu ntimo, quando saiu Rebeca trazendo o seu cntaro ao ombro, desceu fonte e tirou gua. E eu lhe disse: peo-te que me ds de beber. Ela se apressou e, 27. 27 baixando o cntaro do ombro, disse: Bebe, e tambm darei de beber aos teus camelos. Bebi, e ela deu de beber aos camelos. Da lhe perguntei: de quem s filha? Ela respondeu: Filha de Betuel, filho de Naor e Milca. Ento, lhe pus o pendente no nariz e as pulseiras nas mos. E, prostrando-me, adorei ao SENHOR e bendisse ao SENHOR, Deus do meu senhor Abrao, que me havia conduzido por um caminho direito, a fim de tomar para o filho do meu senhor uma filha do seu parente. Agora, pois, se haveis de usar de benevolncia e de verdade para com o meu senhor, fazei-mo saber; se no, declarai- mo, para que eu v, ou para a direita ou para a esquerda. Ento, responderam Labo e Betuel: Isto procede do SENHOR, nada temos a dizer fora da sua verdade. Eis Rebeca na tua presena; toma-a e vai-te; seja ela a mulher do filho do teu senhor, segundo a palavra do SENHOR. Tendo ouvido o servo de Abrao tais palavras, prostrou-se em terra diante do SENHOR; e tirou jias de ouro e de prata e vestidos e os deu a Rebeca; tambm deu ricos presentes a seu irmo e a sua me. Depois, comeram, e beberam, ele e os homens que estavam com ele, e passaram a noite. De madrugada, quando se levantaram, disse o servo: Permiti que eu volte ao meu senhor. Mas o irmo e a me da moa disseram: Fique ela ainda conosco alguns dias, pelo menos dez; e depois ir. Ele, porm, lhes disse: No me detenhais, pois o SENHOR me tem levado a bom termo na jornada; permiti que eu volte ao meu senhor. Disseram: Chamemos a moa e ouamo-la pessoalmente. Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei. Ento, despediram a Rebeca, sua irm, e a sua ama, e ao servo de Abrao, e a seus homens. Abenoaram a Rebeca e lhe disseram: s nossa irm; s tu a me de milhares de milhares, e que a tua descendncia possua a porta dos seus inimigos. Ento, se levantou Rebeca com suas moas e, montando os camelos, seguiram o homem. O servo tomou a Rebeca e partiu. Ora, Isaque vinha de caminho de Beer-Laai-Roi, porque habitava na terra do Neguebe. Sara Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde; erguendo os olhos, viu, e eis que vinham camelos. Tambm Rebeca levantou os olhos, e, vendo a Isaque, apeou do camelo, e perguntou ao servo: Quem aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? o meu senhor, respondeu. Ento, tomou ela o vu e se cobriu. O servo contou a Isaque todas as coisas que havia feito. Isaque conduziu-a at tenda de Sara, me dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte de sua me. Desposou Abrao outra mulher; chamava-se Quetura. Ela lhe deu luz a Zinr, Jocs, Med, Midi, Isbaque e Su. Jocs gerou a Seba e a Ded; os filhos de Ded foram: Assurim, Letusim e Leumim. Os filhos de Midi foram: Ef, Efer, Enoque, Abida e Elda. Todos estes foram filhos de Quetura. Abrao deu tudo o que possua a Isaque. Porm, aos filhos das concubinas que tinha, deu ele presentes e, ainda em vida, os separou de seu filho Isaque, enviando-os para a terra oriental. Foram os dias da vida de Abrao cento e setenta e cinco anos. Expirou Abrao; morreu em ditosa velhice, avanado em anos; e foi reunido ao seu povo. Sepultaram-no Isaque e Ismael, seus filhos, na caverna de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, fronteiro a Manre, o campo que Abrao comprara aos filhos de Hete. Ali foi sepultado Abrao e Sara, sua mulher. Depois da morte de Abrao, Deus abenoou a Isaque, seu filho; Isaque habitava junto a Beer-Laai-Roi. 28. 28 So estas as geraes de Ismael, filho de Abrao, que Agar, egpcia, serva de Sara, lhe deu luz. E estes, os filhos de Ismael, pelos seus nomes, segundo o seu nascimento: o primognito de Ismael foi Nebaiote; depois, Quedar, Abdeel, Mibso, Misma, Dum, Mass, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedem. So estes os filhos de Ismael, e estes, os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus acampamentos: doze prncipes de seus povos. E os anos da vida de Ismael foram cento e trinta e sete; e morreu e foi reunido ao seu povo. Habitaram desde Havil at Sur, que olha para o Egito, como quem vai para a Assria. Ele se estabeleceu fronteiro a todos os seus irmos. So estas as geraes de Isaque, filho de Abrao. Abrao gerou a Isaque; era Isaque de quarenta anos, quando tomou por esposa a Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Pad-Ar, e irm de Labo, o arameu. Isaque orou ao SENHOR por sua mulher, porque ela era estril; e o SENHOR lhe ouviu as oraes, e Rebeca, sua mulher, concebeu. Os filhos lutavam no ventre dela; ento, disse: Se assim, por que vivo eu? E consultou ao SENHOR. Respondeu-lhe o SENHOR: Duas naes h no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividiro: um povo ser mais forte que o outro, e o mais velho servir ao mais moo. Cumpridos os dias para que desse luz, eis que se achavam gmeos no seu ventre. Saiu o primeiro, ruivo, todo revestido de plo; por isso, lhe chamaram Esa. Depois, nasceu o irmo; segurava com a mo o calcanhar de Esa; por isso, lhe chamaram Jac. Era Isaque de sessenta anos, quando Rebeca lhos deu luz. Cresceram os meninos. Esa saiu perito caador, homem do campo; Jac, porm, homem pacato, habitava em tendas. Isaque amava a Esa, porque se saboreava de sua caa; Rebeca, porm, amava a Jac. Tinha Jac feito um cozinhado, quando, esmorecido, veio do campo Esa e lhe disse: Peo-te que me deixes comer um pouco desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido. Da chamar-se Edom. Disse Jac: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitar o direito de primogenitura? Ento, disse Jac: Jura-me primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jac. Deu, pois, Jac a Esa po e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esa o seu direito de primogenitura. Sobrevindo fome terra, alm da primeira havida nos dias de Abrao, foi Isaque a Gerar, avistar-se com Abimeleque, rei dos filisteus. Apareceu-lhe o SENHOR e disse: No desas ao Egito. Fica na terra que eu te disser; habita nela, e serei contigo e te abenoarei; porque a ti e a tua descendncia darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abrao, teu pai. Multiplicarei a tua descendncia como as estrelas dos cus e lhe darei todas estas terras. Na tua descendncia sero abenoadas todas as naes da terra; porque Abrao obedeceu minha palavra e guardou os meus mandados, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis. Isaque, pois, ficou em Gerar. Perguntando-lhe os homens daquele lugar a respeito de sua mulher, disse: minha irm; pois temia dizer: minha mulher; para que, dizia ele consigo, os homens do lugar no me matem por amor de Rebeca, porque era formosa de aparncia. 29. 29 Ora, tendo Isaque permanecido ali por muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhando da janela, viu que Isaque acariciava a Rebeca, sua mulher. Ento, Abimeleque chamou a Isaque e lhe disse: evidente que ela tua esposa; como, pois, disseste: minha irm? Respondeu-lhe Isaque: Porque eu dizia: para que eu no morra por causa dela. Disse Abimeleque: Que isso que nos fizeste? Facilmente algum do povo teria abusado de tua mulher, e tu, atrado sobre ns grave delito. E deu esta ordem a todo o povo: Qualquer que tocar a este homem ou sua mulher certamente morrer. Semeou Isaque naquela terra e, no mesmo ano, recolheu cento por um, porque o SENHOR o abenoava. Enriqueceu-se o homem, prosperou, ficou riqussimo; possua ovelhas e bois e grande nmero de servos, de maneira que os filisteus lhe tinham inveja. E, por isso, lhe entulharam todos os poos que os servos de seu pai haviam cavado, nos dias de Abrao, enchendo-os de terra. Disse Abimeleque a Isaque: Aparta-te de ns, porque j s muito mais poderoso do que ns. Ento, Isaque saiu dali e se acampou no vale de Gerar, onde habitou. E tornou Isaque a abrir os poos que se cavaram nos dias de Abrao, seu pai (porque os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abrao), e lhes deu os mesmos nomes que j seu pai lhes havia posto. Cavaram os servos de Isaque no vale e acharam um poo de gua nascente. Mas os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo: Esta gua nossa. Por isso, chamou o poo de Eseque, porque contenderam com ele. Ento, cavaram outro poo e tambm por causa desse contenderam. Por isso, recebeu o nome de Sitna. Partindo dali, cavou ainda outro poo; e, como por esse no contenderam, chamou-lhe Reobote e disse: Porque agora nos deu lugar o SENHOR, e prosperaremos na terra. Dali subiu para Berseba. Na mesma noite, lhe apareceu o SENHOR e disse: Eu sou o Deus de Abrao, teu pai. No temas, porque eu sou contigo; abenoar-te-ei e multiplicarei a tua descendncia por amor de Abrao, meu servo. Ento, levantou ali um altar e, tendo invocado o nome do SENHOR, armou a sua tenda; e os servos de Isaque abriram ali um poo. De Gerar foram ter com ele Abimeleque e seu amigo Ausate e Ficol, comandante do seu exrcito. Disse-lhes Isaque: Por que viestes a mim, pois me odiais e me expulsastes do vosso meio? Eles responderam: Vimos claramente que o SENHOR contigo; ento, dissemos: Haja agora juramento entre ns e ti, e faamos aliana contigo. Jura que nos no fars mal, como tambm no te havemos tocado, e como te fizemos somente o bem, e te deixamos ir em paz. Tu s agora o abenoado do SENHOR. Ento, Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam. Levantando-se de madrugada, juraram de parte a parte; Isaque os despediu, e eles se foram em paz. Nesse mesmo dia, vieram os servos de Isaque e, dando-lhe notcia do poo que tinham cavado, lhe disseram: Achamos gua. Ao poo, chamou-lhe Seba; por isso, Berseba o nome daquela cidade at ao dia de hoje. Tendo Esa quarenta anos de idade, tomou por esposa a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu. Ambas se tornaram amargura de esprito para Isaque e para Rebeca. Tendo-se envelhecido Isaque e j no podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam, chamou a Esa, seu filho mais velho, e lhe disse: Meu filho! Respondeu ele: Aqui estou! Disse-lhe o pai: Estou velho e no sei o dia da minha morte. Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caa, e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abenoe antes que eu morra. Rebeca esteve escutando 30. 30 enquanto Isaque falava com Esa, seu filho. E foi-se Esa ao campo para apanhar a caa e traz- la. Ento, disse Rebeca a Jac, seu filho: Ouvi teu pai falar com Esa, teu irmo, assim: Traze caa e faze-me uma comida saborosa, para que eu coma e te abenoe diante do SENHOR, antes que eu morra. Agora, pois, meu filho, atende s minhas palavras com que te ordeno. Vai ao rebanho e traze- me dois bons cabritos; deles farei uma saborosa comida para teu pai, como ele aprecia; lev-la-s a teu pai, para que a coma e te abenoe, antes que morra. Disse Jac a Rebeca, sua me: Esa, meu irmo, homem cabeludo, e eu, homem liso. Dar-se- o caso de meu pai me apalpar, e passarei a seus olhos por zombador; assim, trarei sobre mim maldio e no bno. Respondeu-lhe a me: Caia sobre mim essa maldio, meu filho; atende somente o que eu te digo, vai e traze-mos. Ele foi, tomou-os e os trouxe a sua me, que fez uma saborosa comida, como o pai dele apreciava. Depois, tomou Rebeca a melhor roupa de Esa, seu filho mais velho, roupa que tinha consigo em casa, e vestiu a Jac, seu filho mais novo. Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mos e a lisura do pescoo. Ento, entregou a Jac, seu filho, a comida saborosa e o po que havia preparado. Jac foi a seu pai e disse: Meu pai! Ele respondeu: Fala! Quem s tu, meu filho? Respondeu Jac a seu pai: Sou Esa, teu primognito; fiz o que me ordenaste. Levanta-te, pois, assenta-te e come da minha caa, para que me abenoes. Disse Isaque a seu filho: Como isso que a pudeste achar to depressa, meu filho? Ele respondeu: Porque o SENHOR, teu Deus, a mandou ao meu encontro. Ento, disse Isaque a Jac: Chega-te aqui, para que eu te apalpe, meu filho, e veja se s meu filho Esa ou no. Jac chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: A voz de Jac, porm as mos so de Esa. E no o reconheceu, porque as mos, com efeito, estavam peludas como as de seu irmo Esa. E o abenoou. E lhe disse: s meu filho Esa mesmo? Ele respondeu: Eu sou. Ento, disse: Chega isso para perto de mim, para que eu coma da caa de meu filho; para que eu te abenoe. Chegou-lho, e ele comeu; trouxe-lhe tambm vinho, e ele bebeu. Ento, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e d-me um beijo, meu filho. Ele se chegou e o beijou. Ento, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abenoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho como o cheiro do campo, que o SENHOR abenoou; Deus te d do orvalho do cu, e da exuberncia da terra, e fartura de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e naes te reverenciem; s senhor de teus irmos, e os filhos de tua me se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldioar, e abenoado o que te abenoar. Mal acabara Isaque de abenoar a Jac, tendo este sado da presena de Isaque, seu pai, chega Esa, seu irmo, da sua caada. E fez tambm ele uma comida saborosa, a trouxe a seu pai e lhe disse: Levanta-te, meu pai, e come da caa de teu filho, para que me abenoes. Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem s tu? Sou Esa, teu filho, o teu primognito, respondeu. Ento, estremeceu Isaque de violenta comoo e disse: Quem , pois, aquele que apanhou a caa e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, e o abenoei, e ele ser abenoado. Como ouvisse Esa tais palavras de seu pai, bradou com profundo amargor e lhe disse: Abenoa-me tambm a mim, meu pai! Respondeu-lhe o pai: Veio teu irmo astuciosamente e tomou a tua bno. Disse Esa: No com razo que se chama ele Jac? Pois j duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bno que era minha. Disse ainda: No reservaste, pois, bno nenhuma para mim? Ento, respondeu Isaque a Esa: Eis que o constitu em teu senhor, e todos os seus irmos lhe dei por servos; 31. 31 de trigo e de mosto o apercebi; que me ser dado fazer-te agora, meu filho? Disse Esa a seu pai: Acaso, tens uma nica bno, meu pai? Abenoa-me, tambm a mim, meu pai. E, levantando Esa a voz, chorou. Ento, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares frteis da terra ser a tua habitao, e sem orvalho que cai do alto. Vivers da tua espada e servirs a teu irmo; quando, porm, te libertares, sacudirs o seu jugo da tua cerviz. Passou Esa a odiar a Jac por causa da bno, com que seu pai o tinha abenoado; e disse consigo: Vm prximos os dias de luto por meu pai; ento, matarei a Jac, meu irmo. Chegaram aos ouvidos de Rebeca estas palavras de Esa, seu filho mais velho; ela, pois, mandou chamar a Jac, seu filho mais moo, e lhe disse: Eis que Esa, teu irmo, se consola a teu respeito, resolvendo matar- te. Agora, pois, meu filho, ouve o que te digo: retira-te para a casa de Labo, meu irmo, em Har; fica com ele alguns dias, at que passe o furor de teu irmo, e cesse o seu rancor contra ti, e se esquea do que lhe fizeste. Ento, providenciarei e te farei regressar de l. Por que hei de eu perder os meus dois filhos num s dia? Disse Rebeca a Isaque: Aborrecida estou da minha vida, por causa das filhas de Hete; se Jac tomar esposa dentre as filhas de Hete, tais como estas, as filhas desta terra, de que me servir a vida? Isaque chamou a Jac e, dando-lhe a sua bno, lhe ordenou, dizendo: No tomars esposa dentre as filhas de Cana. Levanta-te, vai a Pad-Ar, casa de Betuel, pai de tua me, e toma l por esposa uma das filhas de Labo, irmo de tua me. Deus Todo-Poderoso te abenoe, e te faa fecundo, e te multiplique para que venhas a ser uma multido de povos; e te d a bno de Abrao, a ti e tua descendncia contigo, para que possuas a terra de tuas peregrinaes, concedida por Deus a Abrao. Assim, despediu Isaque a Jac, que se foi a Pad-Ar, casa de Labo, filho de Betuel, o arameu, irmo de Rebeca, me de Jac e de Esa. Vendo, pois, Esa que Isaque abenoara a Jac e o enviara a Pad-Ar, para tomar de l esposa para si; e vendo que, ao abeno-lo, lhe ordenara, dizendo: No tomars mulher dentre as filhas de Cana; e vendo, ainda, que Jac, obedecendo a seu pai e a sua me, fora a Pad- Ar; sabedor tambm de que Isaque, seu pai, no via com bons olhos as filhas de Cana, foi Esa casa de Ismael e, alm das mulheres que j possua, tomou por mulher a Maalate, filha de Ismael, filho de Abrao, e irm de Nebaiote. Partiu Jac de Berseba e seguiu para Har. Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois j era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, f-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir. E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o cu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abrao, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora ests deitado, eu ta darei, a ti e tua descendncia. A tua descendncia ser como o p da terra; estender-te-s para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendncia sero abenoadas todas as famlias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te no desampararei, at cumprir eu aquilo que te hei referido. Despertado Jac do seu sono, disse: Na 32. 32 verdade, o SENHOR est neste lugar, e eu no o sabia. E, temendo, disse: Quo temvel este lugar! a Casa de Deus, a porta dos cus. Tendo-se levantado Jac, cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite. E ao lugar, cidade que outrora se chamava Luz, deu o nome de Betel. Fez tambm Jac um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der po para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, ento, o SENHOR ser o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, ser a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dzimo. Ps-se Jac a caminho e se foi terra do povo do Oriente. Olhou, e eis um poo no campo e trs rebanhos de ovelhas deitados junto dele; porque daquele poo davam de beber aos rebanhos; e havia grande pedra que tapava a boca do poo. Ajuntavam-se ali todos os rebanhos, os pastores removiam a pedra da boca do poo, davam de beber s ovelhas e tornavam a coloc-la no seu devido lugar. Perguntou-lhes Jac: Meus irmos, donde sois? Responderam: Somos de Har. Perguntou- lhes: Conheceis a Labo, filho de Naor? Responderam: Conhecemos. Ele est bom? Perguntou ainda Jac. Responderam: Est bom. Raquel, sua filha, vem vindo a com as ovelhas. Ento, lhes disse: ainda pleno dia, no tempo de se recolherem os rebanhos; dai de beber s ovelhas e ide apascent- las. No o podemos, responderam eles, enquanto no se ajuntarem todos os rebanhos, e seja