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698 23º Encontro da ANPAP “Ecossistemas Artísticos” 15 a 19 de setembro de 2014 Belo Horizonte - MG A EDUCAÇÃO NOVA E O ENSINO DE ARTE EM MINAS GERAIS ENTRE AS DÉCADAS DE 1940 E 1960 Marilene Oliveira Almeida ISEAT/UEMG Raquel Martins de Assis FAE/UFMG RESUMO: Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que teve como objeto o movimento de integração entre arte e educação em diálogo com os princípios escolanovistas desenvolvido no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, nas décadas de 1940 e 1950. A instituição foi fundada pela educadora russa Helena Antipoff e colaboradores em 1939. O estudo teve como hipótese que a relação estabelecida entre Antipoff e o artista-educador Augusto Rodrigues foi uma importante parceria para um movimento de arte e educação desenvolvido no Rosário. Os resultados da análise documental confirmaram o pressuposto e mostraram que o ensino de arte na Fazenda do Rosário foi elaborado como possibilidade de formação humana e profissional, contribuindo para a educação integral de crianças e adolescentes e dos professores rurais. Palavras-chave: Augusto Rodrigues. Ensino de arte. Escola Nova. ABSTRACT: This article presents results from a research that had as purpose the integration movement between art and education in dialogue with the New School principles developed in the Educational Complex of Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, in the 1940 and 1950 decades. The institution was founded by the Russian educator Helena Antipoff, and cooperators in 1939. The study had as hypothesis that the relation established between Antipoff and the artist educator Augusto Rodrigues was an important partnership for a movement of art and education developed in Rosário. The results of the documental analysis confirmed the presupposition and showed that the art education in Fazenda do Rosário was prepared as a professional and human formation possibility, contributing to the integral education of children, adolescents, and rural teachers. Keywords: Augusto Rodrigues. Art education. New School Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa documental que teve como foco investigar o ensino de arte realizado no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, em Ibirité Minas Gerais, entre 1940 e 1960. As fontes consultadas e analisadas, disponíveis no Centro de Documentação e Pesquisa Helena Antipoff, e que fazem parte do acervo pessoal de Helena Antipoff, elucidaram aspectos da pedagogia antipoffiana relacionada ao ensino de arte realizado na Fazenda do Rosário, fundada em fins de 1939. O corpo de fontes foi composto de uma diversidade de documentos impressos e manuscritos de autoria de Helena Antipoff sobre arte, recreação e ensino de arte, jornais e periódicos

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A EDUCAÇÃO NOVA E O ENSINO DE ARTE EM MINAS GERAIS ENTRE AS DÉCADAS DE 1940 E 1960

Marilene Oliveira Almeida – ISEAT/UEMG Raquel Martins de Assis – FAE/UFMG

RESUMO: Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa que teve como objeto o movimento de integração entre arte e educação em diálogo com os princípios escolanovistas desenvolvido no Complexo Educacional da Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, nas décadas de 1940 e 1950. A instituição foi fundada pela educadora russa Helena Antipoff e colaboradores em 1939. O estudo teve como hipótese que a relação estabelecida entre Antipoff e o artista-educador Augusto Rodrigues foi uma importante parceria para um movimento de arte e educação desenvolvido no Rosário. Os resultados da análise documental confirmaram o pressuposto e mostraram que o ensino de arte na Fazenda do Rosário foi elaborado como possibilidade de formação humana e profissional, contribuindo para a educação integral de crianças e adolescentes e dos professores rurais. Palavras-chave: Augusto Rodrigues. Ensino de arte. Escola Nova.

ABSTRACT: This article presents results from a research that had as purpose the integration movement between art and education in dialogue with the New School principles developed in the Educational Complex of Fazenda do Rosário, Ibirité, Minas Gerais, in the 1940 and 1950 decades. The institution was founded by the Russian educator Helena Antipoff, and cooperators in 1939. The study had as hypothesis that the relation established between Antipoff and the artist educator Augusto Rodrigues was an important partnership for a movement of art and education developed in Rosário. The results of the documental analysis confirmed the presupposition and showed that the art education in Fazenda do Rosário was prepared as a professional and human formation possibility, contributing to the integral education of children, adolescents, and rural teachers. Keywords: Augusto Rodrigues. Art education. New School

Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa documental que teve como foco

investigar o ensino de arte realizado no Complexo Educacional da Fazenda do

Rosário, em Ibirité – Minas Gerais, entre 1940 e 1960.

As fontes consultadas e analisadas, disponíveis no Centro de Documentação e

Pesquisa Helena Antipoff, e que fazem parte do acervo pessoal de Helena Antipoff,

elucidaram aspectos da pedagogia antipoffiana relacionada ao ensino de arte

realizado na Fazenda do Rosário, fundada em fins de 1939. O corpo de fontes foi

composto de uma diversidade de documentos impressos e manuscritos de autoria

de Helena Antipoff sobre arte, recreação e ensino de arte, jornais e periódicos

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institucionais que descreviam atividades relacionadas à arte, folders de divulgação

de exposição de arte, fotos tiradas durante aulas, apresentações e visitas de

artistas-educadores à Fazenda, livro de registro de alunos e professores, programas

de curso, correspondências trocadas entre a educadora e seus colaboradores e

autoridades, entre outros. Esses documentos forneceram a confirmação da hipótese

de que o ensino de arte, na Fazenda do Rosário, ocorreu a partir da colaboração de

diversos artistas e educadores mineiros, brasileiros de outras regiões e estrangeiros.

A existência de uma rede de colaboradores contribuiu para que Antipoff conseguisse

fundar a instituição e nela promover uma educação fundamentada nos aportes

teóricos da Escola Nova e da Psicologia Ativa de Genebra. O ensino de arte também

estava fundamentado nesses pressupostos, mas as parcerias realizadas com

brasileiros e estrangeiros trouxeram marcas culturais distintas.

Verificou-se, na pesquisa, que a amizade e a colaboração estabelecidas entre

Augusto Rodrigues e Helena Antipoff, em meados dos anos de 1940, período em

que a educadora morou e trabalhou no Rio de Janeiro, constituiu-se como

importante parceria para efetivar o ensino de arte no Rosário. Augusto Rodrigues foi

peça fundamental no movimento de ensino de arte brasileiro, tendo sua atuação se

multiplicado, a partir de 1948, com a criação da Escolinha de Arte do Brasil – EAB,

no Rio de Janeiro e do Movimento Escolinhas de Arte – MEA. Helena Antipoff fez

parte desse processo de afirmação da arte na educação por ter participado da

Escolinha de Arte e por ter colocado em ação, na Fazenda do Rosário, um ensino de

arte escolar calcado na cultura rural, mas em diálogo com as expressões modernas

brasileiras e estrangeiras.

Com o objetivo de abordar o contexto das afirmações colaborativas, principalmente

de Augusto Rodrigues, no movimento integração arte e educação entre as décadas

de 1940 e 1960 na Fazenda do Rosário, e as implicações dos princípios teóricos da

Escola Nova e da Psicologia Ativa de Genebra na perspectiva educacional

antipoffiana, este artigo assim se organizará: abordaremos o contexto de formação

de Helena Antipoff, pontuando aspectos de sua chegada ao Brasil e de sua atuação

na Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte durante as décadas de 1930 e

1940. Descreveremos o contexto de criação da Sociedade Pestalozzi, que originou a

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fundação do Complexo Educacional da Fazenda do Rosário. Em seguida,

abordaremos o contexto de atuação de Helena Antipoff no Rio de Janeiro, da

criação da Sociedade Pestalozzi do Brasil e da participação da educadora na

fundação da Escolinha de Arte do Brasil, juntamente com Augusto Rodrigues. Nas

considerações finais, destacaremos os pontos que convergiram para que Helena

Antipoff, juntamente com os colaboradores, contribuísse efetivamente para a

afirmação da arte na educação em Minas Gerais, a partir de um viés de formação

humana, integral.

O percurso de Helena Antipoff: da Escola de Aperfeiçoamento à Fazenda do Rosário.

Helena Antipoff nasceu em 25 de março de 1892, em Grodno, na Rússia, onde viveu

até 1901. Cursou a Escola Normal, de 1906 a 1908, em São Petersburgo. Por volta

de 1910, ingressou na Universidade de Paris para estudar medicina, mas a

psicologia, nova ciência, logo despertaria a sua atenção e de outros estudantes e

intelectuais. Em 1911, Antipoff passou a atuar no laboratório de psicologia

experimental, criado por Alfred Binet em 1904, na França. Nesse período, conheceu

Édouard Claparède, cientista suíço responsável, ao lado de outros colegas, pela

fundação do Instituto Jean-Jacques Rousseau. O Instituto, instituição configurada

com um dos maiores centros de pesquisas e de produção de conhecimento sobre a

infância e sua educação, foi onde Antipoff se diplomou em 1914. Antipoff tornou-se

assistente de Claparède e essa formação se refletiu nas diversas instituições em

que atuou: como professora de crianças na escola de aplicação, Maison des Petitis,

adjacente ao Instituto Jean-Jacques Rousseau, na Suíça; nos educandários da

Rússia, quando lá retornou a procura do pai; no Brasil, quando organizou instituições

onde o centro gerador do pensamento psicopedagógico era atender ao

desenvolvimento integral da criança. Com Claparède estudou e trabalhou até vir

para o Brasil, em 1929, para lecionar Psicologia Experimental e Educacional e dirigir

o Laboratório de Psicologia na Escola de Aperfeiçoamento de Belo Horizonte. Na

instituição ficou até 1944, quando teve seu contrato encerrado pelo Governo de

Minas Gerais e foi convidada para trabalhar no Rio de Janeiro, no Departamento

Nacional da Criança – DNC (CAMPOS, 2010).

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Antipoff chegou ao Brasil no contexto das reformas educacionais ocorridas na

década de 1920. Especificamente em Minas Gerais, acontecia a reforma Francisco

Campos que compreendeu um período considerado de grande efervescência no

âmbito educacional mineiro. Fundamentada nos princípios da Escola Nova, foi

idealizada e implantada em 1927, no governo de Antônio Carlos de Andrada, pelo

Secretário do Interior Francisco Campos. Uma das iniciativas dessa reforma foi a

ciação da Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Minas Gerais. Essa Escola

tinha como objetivo promover as bases da renovação educacional no Estado de

Minas Gerais, formando técnicos/especialistas e professores selecionados entre os

melhores que atuavam, há pelo menos dois anos, no sistema de ensino primário.

Essa Escola veio marcar as concepções filosóficas e pedagógicas vigentes sob a

influência dos pensamentos europeu e estadunidense e atraiu professores não só

mineiros, mas de outros estados brasileiros (CAMPOS, R. C. P.; SILVA, L.; SILVA,

R., 2005).

No grupo vindo da Europa, havia a presença de duas professoras de arte: Artus

Perrelet e Jeanne Milde. Ambas trabalharam na Escola de Aperfeiçoamento quando

a educadora russa dirigia o laboratório de Psicologia dessa instituição. Os estudos

de Barbosa (2002) evidenciam a convivência de Antipoff com Perrelet ainda no

Instituto Jean Jacques Rousseau, em Genebra. Quando Milde substitui Perrelet na

Escola de Aperfeiçoamento, Antipoff comunga suas ideias sobre o ensino de arte

durante os anos de atuação na instituição, e, mais tarde, a convida para aplicá-las

na Fazenda do Rosário, atuando na formação de professores rurais. Desse modo,

observamos que a sensibilidade de Antipoff para a importância da arte na educação

já estava presente quando era professora de Psicologia da Escola de

Aperfeiçoamento.

Para entendermos a ampla atuação de Helena Antipoff no intercâmbio entre

psicologia, educação e arte, devemos, primeiramente, compreender os caminhos

que a levaram à criação da Fazenda do Rosário. No início de sua atuação como

pesquisadora e professora na Escola de Aperfeicoamento, Antipoff promoveu a

educação especial ao constatar que as crianças com dificuldades de aprendizagem,

com problemas físicos ou cognitivos, e sem professores preparados para ajudá-las,

não tinham atendimento adequado nas escolas regulares de Belo Horizonte. Com a

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ajuda de colaboradores, médicos e intelectuais ligados à Escola de

Aperfeicoamento, fundou, em 1932, a Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, em

Belo Horizonte. A instituição tinha o objetivo de dar assistência às familias das

crianças consideradas excepcionais1 e aos professores, com o desenvolvimento de

materiais didáticos apropriados a esses alunos. Em 1935, em parceria com o

Governo do Estado de Minas Gerais, criou o Instituto Pestalozzi, ampliando o

atendimento do consultório médico-pedagógico, iniciado na Sociedade Pestalozzi, e

o aceso às crianças consideradas “anormais” à educação especializada. Em fins de

1939, com a necessidade de que os alunos do Instituto Pestalozzi pudessem

continuar seus estudos, Antipoff e amigos promoveram campanha para arrecadar

fundos para a compra de um terreno, no campo, para criar a Fazenda do Rosário.

Na Fazenda, a partir de 1948, promoveu a educação rural, ao perceber o alto índice

de professores leigos que lecionavam nas escolas rurais e a educação popular, ao

se voltar para o atendimento à comunidade local de Ibirité.

O contexto da criação da Fazenda do Rosário e da integração arte e educação na perspectiva da Escola Ativa A Fazenda do Rosário deveria ser localizada em uma área rural, considerada pelos

adeptos da Escola Nova como a mais adequada para o desenvolvimento das

crianças (CAMPOS, 2010; GUTIERREZ; BESSE e PROST, 2012). O comlexo da

Fazenda do Rosário pode ser considerado o laboratório de experiências

pedagógicas fundamentadas nos princípios das “escolas novas no campo, ou seja,

da escola nova em seu sentido original”, organizados a partir da criação do Bureau

Internacional des Écoles Nouvelles. O Bureu foi um centro coordenador fundado em

1899, em Genebra, responsável por sistematizar o ideário das escolas novas,

desenvolvidas a partir de ensaios, “apenas no grau secundário”, e que, depois,

“alcançaram o ensino primário”. Os princípios referentes à Organização Geral, à

Formação Intelectual e à Formação Moral das “Escolas Novas” foram assentados

em reunião em 1919, em Calais, onde se sistematizou vinte e nove pontos

aprovados, e um trigésimo2 acrescido posteriormente (LOURENÇO FILHO, 2002, p.

249).

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A experiência pedagógica do Rosário teria como um dos seus pilares os trabalhos

manuais, o artesanato feito com a matéria prima local, a música, e as atividades de

recreação, como o teatro. Destacados artistas-educadores do cenário artístico

brasileiro e internacional colaboraram com Antipoff no sentido de desenvolver

propostas que valorizavam a integração entre arte e educação na formação de

professores e nos currículos escolares. Dentre eles, podemos citar: Jether Peixoto,

ceramista pernambucano, discípulo de Mestre Vitalino, trabalhou e morou na

Fazenda a partir de 1948; Jean Bercy, artista e educador francês, esteve no Rosário

entre os anos de 1953 a 1956, desenvolvendo um programa de Arte e Educação;

Augusto Rodrigues, amigo e colaborador de Antipoff em vários projetos de educação

pela arte no complexo; Olga Obry, jornalista do Rio de Janeiro que conheceu

Antipoff em 1945. Nas fontes, há a indicação de que Obry reconheceu a influência

de Antipoff na sua decisão de optar pelo teatro como profissão, a qual passou a

dedicar-se pelo resto da vida.

Para Helena Antipoff:

Todo homem deveria ser ajudado a aprender a fazer alguma coisa em arte – em linhas, forma, cor, som ou o uso gracioso de seu próprio corpo. Pelo menos deveria encontrar prazer em apreciar o trabalho de pintura, escultura e fotografia dos outros, se ele mesmo não pode utilizar essas formas de expressão” (ANTIPOFF, 1992b, p. 381).

Antipoff encontrou na recreação, nos trabalhos manuais e no artesanato a maneira

de estabelecer o contato dos alunos da Fazenda do Rosário com variadas formas de

expressão em arte. Por isso, buscou parcerias para promover oficinas, cursos e

apresentações culturais diversas na instituição e também fora dela.

Havia, na concepção da educadora russa, uma unidade entre os conceitos de

artesanato, trabalhos manuais e recreação para o trabalho pedagógico em arte.

Helena Antipoff defendia o princípio de que as escolas deveriam ser verdadeiros

centros culturais: promover formação a partir de propostas que valorizassem a

cultura popular, o artesanato, os trabalhos manuais, o teatro etc.. Autores da época

entendiam recreação e arte como duas atividades justapostas na educação de

crianças, assim como Antipoff entendia o teatro como uma atividade que se

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encaixava também nos trabalhos manuais por envolver o “fazer com as mãos” da

criação dos cenários, dos figurinos, do palco ou tablado móvel usado nas escolas.

Isso pode ser percebido nas palavras de Antipoff, ao se referir à importância da

educação em arte para a criança, transcritas no trecho a seguir:

É grande a importância de atividades lúdicas na vida da criança e a “creative art”. Nas instituições especializadas para excepcionais com seu teatrinho de fantoches, desenho, modelagem e pintura, rodas cantadas, flautins de bambu e as bandinhas de música; são também utilíssimos os trabalhos de madeira, de fio e folha, cerâmica, tecelagem em pequenos teares manuais, cestaria com fibra de vegetais, vime e bambu... enfim, um mundo de coisas interessantes para cativar a criança e prender a sua atenção numa atividade produtiva na qual se proteja sua personalidade e se revelam a inteligência prática (senso-motora) e as aptidões de cada um (ANTIPOFF, H., in: Revista Semestral da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais: Infância Excepcional, 1963, p. 15).

Assim, recreação incluía: as brincadeiras; o teatro de bonecos em seus variados

gêneros, o teatro ao ar livre; o contato com a música, com os jogos, com os

movimentos corporais etc.. Incluia também os trabalhos manuais como as oficinas

de cerâmica, de fibras naturais, de bordado; o desenho; a pintura. Tais atividades

oportunizariam experiências espontâneas de criação para as crianças, os

adolescentes e os adultos em formação e estariam relacionadas à educação

estética3.

Em muitos registros escritos, Helena Antipoff demonstra a sua vontade de envolver

as crianças com o mundo prático, a “pensar com as mãos”, a ter um senso de

curiosidade comum ao artista e ao cientista. Compreendia que a escola deveria

irradiar a alegria e envolver a comunidade, dando oportunidade aos alunos de

experimentar, de inventar e de conhecer, por meio da experiência direta com a

realidade e com os recursos oferecidos pela natureza. Contrapondo-se à rigidez da

escola tradicional, Antipoff acreditava que para:

[...] levar o aluno a buscar soluções na ciência, é mister que a escola oriente seu espírito, naturalmente curioso, a observar, indagar, raciocinar e, também, fazer uso das mãos porque o “cientista” pensa também com as mãos, experimentando, operando... Já foi dito, e muitas vezes com razão, que a escola mata o espírito: indiferente à realidade rotineira, atrofia a curiosidade infantil, faz amolecer o corpo e paralisa a mão instrumental do Homo Faber. E por quê? Porque supervaloriza o verbo, a, linguagem em detrimento das habilidades

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sensóriomotoras (sic) e da inteligência prática (ANTIPOFF, 1992d, p. 125).

Essa perspectiva, apontada no trecho acima, reafirma a prática de alguns dos

pontos dos princípios escolanovistas na Fazenda do Rosário, entre eles, o oitavo,

referente à organização geral, que recomendava preservar, “ao lado dos trabalhos

regulados, [...] tempo para trabalhos livres”, que pudessem desenvolver “o gosto da

criança” e despertar nela “o espírito inventivo”. Do mesmo modo, o décimo primeiro

ponto, referente à formação intelectual, indicava que as escolas novas deveriam

criar experiências educacionais que buscassem “abrir o espírito por uma cultura

geral da capacidade de julgar, mais que por acumulação de conhecimentos

memorizados”. Cultivar assim esse “espírito crítico” seria possível a partir da

“aplicação de método científico: observação, hipótese, comprovação, lei”

(LOURENÇO FILHO, 2002, p. 249). Para tanto, era importante expor as crianças aos

mais variados tipos de atividades que envolvem a experiência com diferentes

materiais e técnicas, e a arte seria um dos caminhos possíveis para a pedagogia

ativa.

Para compreendermos os propósitos da pedagogia antipoffiana relativos ao trabalho

de integração da arte e da educação no Rosário, merece destaque o período em

que Antipoff esteve morando e trabalhando no Rio de Janeiro (1945-1949), no

Departamento Nacional da Criança – DNC, como veremos adiante. Nessa época, a

educadora consolidou sua amizade e colaboração com Augusto Rodrigues.

Os anos de Helena Antipoff no Rio de Janeiro (1944-1949): a criação Sociedade Pestalozzi do Brasil e o contato com Augusto Rodrigues No início da década de 1940, o Governo de Minas Gerais negou à Helena Antipoff a

renovação de seu contrato de trabalho na Escola de Aperfeiçoamento. Com o golpe

de Estado em 1937, o regime do Estado Novo (1937-1945) trouxe para o país um

período de medidas autoritárias que deixaram muitos educadores progressistas sem

espaço de atuação. Assim, em fins de 1944, Antipoff aceitou o convite de Gustavo

Lessa para trabalhar no Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. Lá, criou o Centro

de Orientação Juvenil – COJ.

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O COJ era ligado ao Departamento Nacional da Criança, foi uma das primeiras

instituições destinadas a orientar os responsáveis pelas crianças e adolescentes a

ser fundada no Brasil. Contava com equipe interdisciplinar no atendimento clínico e

orientação psicológica “de adolescentes e jovens com problemas psicológicos e

psicossociais” onde participavam “profissionais da área da psicologia, serviço social,

psiquiatria e medicina”. Nesse período, o contato com os familiares dos atendidos

no COJ, onde foram identificados vários excepcionais, levou Antipoff a promover,

também no Rio de Janeiro, a criação da Sociedade Pestalozzi do Brasil, fundada em

1945, sociedade civil com finalidades e estrutura similares ao que era desenvolvido

em Minas Gerais.

Semelhante ao funcionamento da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, a

Pestalozzi do Brasil no Rio de Janeiro, prestava “serviços psico-médico-pedagógicos

e sociais” que envolviam “trabalhos pedagógicos com crianças e adolescentes”,

especialmente na modalidade de “classes especiais” para menores excepcionais.

Esses trabalhos envolviam as “oficinas pedagógicas para jovens e adolescentes”,

onde se desenvolvia a “grupo-terapia como recurso de ajustamento” social (Boletim

Sociedade Pestalozzi do Brasil, julho-dezembro, 1950, p.1-2).

O período em que Antipoff esteve no Rio intensificou sua convivência com um

círculo social de pessoas interessadas em articular a integração arte, psicologia e

educação. Essa seria então uma fase promissora de experiências que iriam render

parcerias importantes para a Fazenda do Rosário. A psicóloga e educadora

conheceu Augusto Rodrigues, com quem teve uma amizade de longos anos,

parceria determinante para a concretização da educação pela arte no Rosário. O

cartão manuscrito, endereçado ao amigo, demonstra o laço entre os dois:

Ao amigo Augusto Rodrigues meu grato agradecimento pela festa linda que me proporcionaram os generosos brasileiros, lá no Leme. Sinto-me confusa na frente de tamanha gente talentosa, de inteligência tão vivaz, que faz jorrar maravilhosos foguetes em palavras, músicas, pinturas – com a facilidade espantosa de uma criação – (geração espontânea) – quase super-humana (ANTIPOFF, 1948 d/p).

Helena Antipoff frequentava círculos sociais ligados às manifestações de arte no Rio

de Janeiro. Nele, a psicóloga e educadora demonstrou o seu encantamento com os

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artistas brasileiros, considerados por ela bem dotados. Por suas convicções sobre a

educação pela arte, Antipoff, em 1948, participou da fundação da Escolinha de Arte

do Brasil - EAB, juntamente com Augusto Rodrigues e outros colaboradores

interessados em difundir a livre expressão infantil. Citado como professor de arte na

Pestalozzi do Brasil desde 1945, Rodrigues se tornou também parceiro no ensino de

arte desenvolvido na Fazenda do Rosário.

Antipoff teve influência no desenvolvimento e na condução da história da Escolinha

de Arte do Brasil, colaborando firmemente para integrar arte e educação especial,

pois muitos dos colaboradores da Escolinha trabalhavam no campo da educação

dos excepcionais (BRASIL, 1980). Por outro lado, devido ao entrosamento entre

Antipoff e Rodrigues, o artista colaborou fortemente no ensino de arte desenvolvido

na Fazenda do Rosário. As afinidades de pensamento e parcerias entre Rodrigues e

Antipoff, e mesmo a participação da educadora na história da fundação e difusão da

EAB, instituição que foi grande divulgadora do Movimento de Educação pela Arte no

Brasil, ganharam destaque no depoimento de Zoé Noronha de Chagas Freitas,

também colaboradora de Antipoff na Pestalozzi do Brasil:

"Para falar da Escolinha de Arte do Brasil, tem-se antes que falar de D. Helena Antipoff. Foi ela que, na década de 40, (por volta de 1945), chamou Augusto Rodrigues para um trabalho conjunto. D. Helena, que já nesta época comparava nossas escolas com os quartéis e hospitais, percebeu o alcance da proposta de Augusto e empenhou-se para que ele desenvolvesse suas idéias. D. Helena acreditava que a arte, como expressão livre e criadora, era o meio de educação por excelência, e que o artista tinha um papel fundamental na educação — maior que o dos pedagogos e psicólogos. Augusto veio a ser professor das crianças e adultos na Pestalozzi de D. Helena; foi lá em 1946, que o conheci"4 (BRASIL, 1980, p.19-20).

Como se pode perceber no trecho acima, a educadora foi importante agente no

sentido de aliar conhecimentos psicopedagógicos aos de arte, ela acreditava no

ensino da arte como um caminho possível para o aprendizado também dos

excepcionais. De acordo com Sardelich, os princípios educacionais preconizados

por Antipoff “propunha o desenvolvimento das aptidões individuais para o interesse

comum, dentro de um conceito democrático de vida social, [...] influenciaram

Rodrigues a ponto de incluir crianças portadoras de necessidades especiais em seu

projeto educativo” (SARDELICH, s/d, p.4).

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Rodrigues recordou em entrevista ao jornal O Globo, de 27 de março de 1984, p. 29,

que conheceu Helena Antipoff quando ela foi visitá-lo na Escolinha de Arte.

Entretanto, na mesma entrevista, Zoé Noronha de Chagas Freitas, afirmou ter sido

na Sociedade Pestalozzi do Brasil que os amigos se conheceram. Sem chegarem a

um acordo, Augusto destacou a visão ampliada de Antipoff para os problemas da

educação e encerrou o assunto com as seguintes palavras:

O importante é que minha relação com ela se deu através da sua forma de ser marcante, da visão abrangente que tinha dos problemas educacionais, do profundo senso humanístico que fazia emanar da educação. Seu objetivo era tão amplo que costumava dizer que o ideal era sermos “professores de nada” (RODRIGUES,1984, p.29).

Assim como Helena Antipoff, Augusto Rodrigues fundamentava-se no princípio

escolanovista que considerava a criança o centro da educação. O artista percebia a

escola tradicional como repressora e se tornou um educador preocupado com

questões educacionais libertadoras. Acreditava na educação pela arte e praticava a

ideia de educar as novas gerações na liberdade, incentivava a criança a expressar-

se livremente por meio do contato com diferentes técnicas e recursos artísticos.

Dentre as diversas parcerias estabelecidas para que o ensino de arte pudesse

acontecer na Fazenda do Rosário, muitas parecem ter sido agenciadas em função

da amizade e respeito profissional mútuo estabelecido entre Rodrigues e Antipoff. A

vinda do ceramista pernambucano Jether Peixoto, discípulo de Mestre Vitalino, para

a Fazenda, em 1948, seria um exemplo. A busca do artista popular para realização

de oficinas na Fazenda do Rosário foi intermediada por Augusto Rodrigues, com

apoio de Sandoval Soares de Azevedo, presidente substituto de Antipoff da

Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais, em Ibirité. Augusto Rodrigues teria sido

responsável pela divulgação do trabalho de Mestre Vitalino e usou seus contatos

para auxiliar Antipoff em sua iniciativa de proposição de oficinas de cerâmica no

Rosário. Rodrigues, em 1947, realizou uma exposição dos bonecos do artista

popular nordestino no Rio de Janeiro, dando impulso à valorização da cultura

popular e do artesanato como uma genuína expressão artística. Helena Antipoff e

Augusto Rodrigues eram sintonizados nos interesses de promover um ensino de

arte que valorizasse a cultura popular local.

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Os documentos consultados mostram que muitas ações de arte e ensino de arte, no

Rosário, contavam com as relações estabelecidas entre a Fazenda e as instituições

sediadas no Rio de Janeiro: Pestalozzi do Brasil e Escolinha de Arte do Brasil. As

correspondências trocadas entre Antipoff e Rodrigues são repletas de diálogos

sobre aspectos pedagógicos e psicológicos relativos às atividades de arte no

Rosário e às inquietações do artista educador na condução de seus trabalhos no Rio

de Janeiro. Esses diálogos demonstram a cumplicidade dos educadores nas

iniciativas práticas e na concepção e discussão pedagógica de desafiar os alunos a

encontrarem, a partir da arte, a auto-expressão e o senso crítico, muitas vezes

perdidos ao longo do processo de escolarização. Sabe-se que o movimento de

formação para professores em conteúdos de arte proliferou-se pelo país, e até

internacionalmente, pela atuação em ensino de arte iniciada na Escolinha de Arte do

Brasil, no Rio de Janeiro, em 1948. No entanto, as fontes pesquisadas indicam que

mesmo antes da atuação efetiva das Escolinhas de Arte, houve, por parte de

Antipoff, nas iniciativas da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais (1932) e do Brasil

(1945), preocupação em formar professores nesses conteúdos, nos chamados

cursos de Recreação.

Considerações finais Por meio da pesquisa documental, foi possível desenhar um cenário do ensino de

arte Brasil, cenário esse que oferece ainda aspectos a serem elucidados. Este

artigo procurou desenhar, especialmente, a visibilidade de uma rede de

colaboradores para promoção de um movimento de integração entre arte e

educaçào na Fazenda do Rosário, em Ibirité, Minas Gerais, entre as décadas de

1940 a 1960. Com o trabalho de integração entre a arte e a educação desenvolvido

no complexo educativo do Rosário, Helena Antipoff, juntamente com os

colaboradores, especialmente Augusto Rodrigues, contribuíram efetivamente para a

afirmação da arte na educação como um caminho possível de formação humana e

integral para crianças, adolescentes, adultos e professores rurais.

Helena Antipoff atribuiu à arte um valor importante no que diz respeito aos aspectos

formadores humanos. Ela percebia que a arte agregada à educação poderia ampliar

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as possibilidades de promoção da qualidade de vida dos moradores das regiões

onde se incentivasse a produção do artesanato, com aproveitamento da matéria-

prima local. Além disso, a educadora percebia que os trabalhos manuais e a

recreação, especialmente o teatro, poderiam compor os currículos das escolas,

incentivando-se a ludicidade, a criatividade, a expressividade e, principalmente, no

caso dos excepcionais, o ajustamento social.

NOTAS

1 Termo introduzido no Brasil por Helena Antipoff para designar as crianças consideradas abaixo ou acima da

faixa de normalidade apontada nos testes de inteligência usados para homogeneizar as classses escolares. 2 Para maiores informações sobre os princípios das Escolas Novas, ver LOURENÇO FILHO, Manuel Bergstrom. Introdução ao estudo da Escola Nova: bases, sistemas e diretrizes da pedagogia contemporânea. 14. Ed., Rio de Janeiro: EdUERJ: Conselho Federal de Psicologia, 2002. 3 Para Ormezzano (2008, p.65): Educação estética é um processo de desenvolvimento e formação pessoal e coletivo que envolve atividades perceptivas, expressivas e criadoras, considerando o ser humano em sua imensionalidade: corpo-mente-espírito-sociedade-cultura-natureza. Permite construir saberes artísticos e científicos, assim como aprofundar saberes socioculturais, ecológicos e espirituais. 4 Neste artigo, optamos por manter a forma original dos documentos consultados nas citações diretas. Neste caso específico, mantivemos a originalidade do documento, com aspas. Esse aspecto das citações diretas, quando retiradas de documentos, descumpre, por vezes, as normas orientadas pela ABNT.

REFERÊNCIAS ANTIPOFF, Daniel. Helena Antipoff: sua vida, sua obra. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1975. BARBOSA, Ana Mae. John Dewey e o ensino de arte no Brasil. 5. Ed. – São Paulo: Cortez, 2002. __________. (org.) Ensino da Arte: Memória e História. São Paulo: Perspectiva, 2008. CAMPOS, Regina Célia Pereira; SILVA, Lívia Duarte e SILVA, Rafiza de Andrade. Fontes primárias de documentação para a história da psicologia e história da educação: constituição do acervo do serviço de orientação e seleção profissional - SOSP (1949-1994). Escritos educ. [online]. 2005, vol.4, n.2, pp. 49-55. ISSN 1677-9843. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1677-98432005000200006&script=sci_arttext Acesso em 25 abr. 2012. CAMPOS, Regina Helena de Freitas. Helena Antipoff (1892-1974) e a Perspectiva Sociocultural em Psicologia e Educação. 2010. 269 f. Tese (Professor Titular do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. __________. Helena Antipoff: da orientação sócio-cultural em Psicologia a uma concepção democrática de Educação. In: Psicol. cienc. prof. [online]. 1992, vol.12, n.1, pp. 4-13. ISSN 1414-9893. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98931992000100002 Acesso em 05 jan. 2012. __________. Helena Antipoff: razão e sensibilidade na psicologia e na educação. Estud. av., São Paulo, v. 17, n. 49, dez. 2003. Disponível em

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