A IDEOLOGIA ALEMÃ - SEGUNDA PARTE - Portal ?· seu corcel especulativo ... não conhece outras...

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A IDEOLOGIA A IDEOLOGIA

ALEM - SEGUNDA PARTEALEM - SEGUNDA PARTE

UMA PRIMEIRA SNTESE DA CONCEPO MATERIALISTA DA HISTRIA

Marx situa a verdadeira relao entre ser social e conscincia social (vida e conhecimento, realidade e idia, prtica e conscincia): No a conscincia que determina a vida, a vida que determina a conscincia (p.32)

Na produo social da sua vida, determinados indivduos, que so produtivamente ativos de determinado modo (ou, na verso original: em determinadas relaes de produo), entram em determinadas relaes sociais e polticas

tarefa de uma concepo de histria, para Marx, empiricamente e sem qualquer mistificao e especulao, a conexo da estrutura social e poltica com a produo (p.30)

Portanto, A estrutura social e o Estado decorrem constantemente do processo de vida de determinados indivduos (p.30)

Marx alerta para um erro constante das teorias sobre a histria e a sociedade: no lugar de se basear nas condies reais de existncia se fundam em representaes que os indivduos fazem de si e dos outros: a concepo materialista da histria se funda, pelo contrrio, nos indivduos no como eles podero parecer na sua prpria representao ou na de outros, mas como eles so realmente, ou seja, como agem, como produzem material, realmente, como atuam, portanto, em determinados limites, premissas e condies materiais que no dependem da sua vontade (p.30)

Para Marx, A produo das idias, das representaes, da conscincia social est em princpio diretamente entrelaada com a atividade material e o intercmbio material dos homens, a linguagem da vida real. O mesmo se aplica produo espiritual como ela se apresenta na linguagem da poltica, das leis, da moral, da religio, da metafsica etc.

Os homens, neste caso, so os produtores das suas representaes, idias etc., mas os homens reais, os homens...tal como se encontram condicionados por um determinado desenvolvimento das suas foras produtivas e pelas relaes que a estas correspondem at as suas formaes mais avanadas (p.31)

Marx situa a relao entre conscincia e a vida social, realando a essncia histrica dos homens: A conscincia nunca pode ser outra coisa seno o ser consciente, e o ser dos homens o seu processo real de vida

A sociedade de classes, produtora de alienao e misria, obscurece as relaes sociais, econmicas e polticas: Se em toda a ideologia os homens e suas relaes aparecem de cabea para baixo como numa cmara escura, porque esse fenmeno deriva do seu processo histrico de vida (p.31)

A crtica de Marx filosofia idealista alem e, portanto, ao idealismo filosfico em geral, s pode avanar porque partiu do modo como os homens produzem a sua vida material, para a ento explicar a estrutura social, poltica e espiritual de cada poca: Em completa oposio filosofia alem, a qual desce do cu terra, aqui sobre-se da terra ao cu. Isto , no se parte daquilo que os homens dizem, imaginam ou se representam, e tambm no dos homens narrados, pensados, imaginados, representados, para da se chegar aos homens em carne e osso; parte-se dos homens realmente ativos, e com base no seu processo real de vida apresenta-se tambm o desenvolvimento dos reflexos e ecos ideolgicos desse processo de vida (p.31)

As idias perdem portanto a autonomia absoluta, a vida prpria e livre da atividade real dos indivduos, como ocorre na filosofia idealista, em que as prprias idias determinam a realidade: em Marx, pelo contrrio, A moral, a religio, a metafsica, e toda outra ideologia, e as formas da conscincia que lhes correspondem, no conservam assim por mais tempo a aparncia de autonomia... So os homens, que desenvolvem a sua produo material e o seu intercmbio material que, ao mudarem essa sua realidade, mudam tambm o seu pensamento e os produtos do seu pensamento (p.32)

A Concepo Materialista da Histria trata de uma histria vida, ativa, produzida pelos homens em determinadas condies sociais e limites materiais, de modo que a histria deixa de ser uma coleo de fatos mortos como para os empiristas, eles prprios ainda abstratos -, ou uma ao imaginada de sujeitos imaginados, como para os idealistas

A filosofia apartada da vida real, autnoma, acima dos homens e do mundo, perde toda a razo de ser e, em seu lugar, se impe uma smula dos resultados mais gerais que possvel abstrair da observao do desenvolvimento histrico. Essas abstraes por si no tm, separadas da histria real, o menor valor. S podem servir para facilitar a ordenao do material histrico, para indicar a sequncia de cada um dos seus estratos.

Mas no do, de modo algum, como a filosofia, uma receita ou um esquema segundo o qual as pocas histricas possam ser classificadas

Marx conclui sua primeira sntese da CONCEPO MATERIALISTA DA HISTRIA chamando a ateno para o fato de que esta nova concepo no pode ser tomada como uma receita qual devemos encaixar a realidade, deformando-a, como ocorreu com alguns marxistas. Nenhuma sntese da histria humana pode afastar a necessidade de estudar a fundo todos os processos histricos reais, em suas mincias, em suas articulaes, enfim em suas particularidades. No toa, Marx vislumbra no final a necessidade de ir a fundo no estudo das condies sociais, econmicas e polticas da vida real, para que as dificuldades colocadas em nossa frente sejam superadas: A eliminao dessas dificuldades est condicionada por premissas que de modo algum podem ser aqui dadas, e que s resultaro claras no estudo do processo real da vida e da ao dos indivduos de cada poca (p.33)

CRTICA A HEGEL

Hegel, tal como seus discpulos, invertem a relao entre realidade e idia, tornando esta o fundamento do desenvolvimento da histria e da vida social, transformando-as em seres autnomos e abstratos, como um determinado Esprito Absoluto, que a tudo funda, a tudo d vida e forma

Para que a filosofia idealista, desde os antigos, pudessem deslocar as idias da vida humana e torn-las a prpria fonte da realidade, foi preciso um longo e tortuoso processo de ruptura entre TRABALHO MANUAL E INTELECTUAL e a formao das classes sociais, possibilitando aos poucos indivduos a possibilidade de se dedicar exclusivamente elaborao espiritual. Hegel sintetiza de forma cabal e de forma idealizada esse processo real de separao entre teoria e prtica, entre conhecimento e realidade, entre a vida produtiva e a vida espiritual, entre o fazer e o pensar, por fim, entre o ser social e a conscincia social. No toa, Hegel v o processo histrico como o prprio desenvolvimento do Esprito, da Idia absoluta, como sua manifestao e no o contrrio, as idias como expresso do desenvolvimento histrico dos humanos.

Marx e Engels foram discpulos hegelianos na juventude. Participaram do chamado crculo jovem hegeliano de esquerda, que se opunha aos hegelianos de direita. Ao contrrio destes ltimos, que usavam o sistema hegeliano para legitimar a monarquia e o domnio da religio, Marx e Engels tiravam do hegelianismo elementos para uma crtica da monarquia, da censura, da religio e das relaes semifeudais na Alemanha. Tomando contato com Feuerbach iniciaram uma crtica aos jovens hegelianos e ao prprio Hegel. Tornando-se socialistas, atuando na luta de classes e apropriando-se da economia poltica, desenvolveram a Concepo Materialista da Histria, rompendo definitivamente com a filosofia idealista, mas conservando o seu ncleo racional, qual seja a dialtica.

Marx avalia: Uma vez separadas as idias dominantes dos indivduos dominantes, e sobretudo das relaes decorrentes de uma dada fase do modo de produo, e atingido assim o resultado de que na histria dominam sempre as idias, muito fcil abstrair dessas vrias ideias a ideia, a Ideia etc., como aquilo que domina na histria e, desse modo, entender todas as diferentes ideias e conceitos como autodeterminaes do conceito que se desenvolve na histria. E, ento, tambm natural que todas as relaes dos homens possam ser derivadas do conceito de Homem, do Homem tal como representado, da essncia do Homem, do Homem. Foi o que fez a filosofia especulativa. O prprio Hegel confessa, no fim da Filosofia da Histria, que apenas considerou o curso do conceito e que na histria apresentou a verdadeira teodiceia. Podemos agora voltar aos produtores do conceito, aos tericos, idelogos e filsofos, e chegamos ento a esta concluso: os filsofos, os pensadores enquanto tais, desde sempre dominaram na histria uma concluso que, como vemos, j foi expressa por Hegel (p.70)

Todo o truque de demonstrar na histria a supremacia do esprito reduz-se, portanto, aos seguintes trs esforos:

PRIMEIRO: separam-se as ideias dominantes das condies dominantes e da prpria classe dominante, transformando-as em seres autnomos, desvinculados da vida material real, dos condicionamentos sociais, econmicos e polticos e, por essa via, reconhecem o domnio das idias ou iluses na histria

SEGUNDO: procuram pr uma ordem nesse domnio das ideias, demonstrar a sua conexo mstica entre as ideias que sucessivamente dominam, o que se consegue pela via de consider-las autodeterminaes do conceito. Isso possvel no por serem as idias determinantes ou autnomas, mas porque de fato elas esto conectadas na vida real

TERCEIRO: para disfarar o carter mstico e especulativo, os filsofos idealistas, transformam esse conceito que se autodetermina em uma pessoa a Conscincia de Si, e procuram pessoas na histria que representam o conceito, o esprito, a ideia

CONCLUSO DE MARX: Desse modo eliminaram da histria todos os elementos materialistas e puderam ento dar rdea solta ao seu corcel especulativo...iluso que muito simplesmente se explica pela sua posio prtica na vida, pela sua atividade e pela diviso do trabalho (p.71/72)

CRTICA A FEUERBACH

Marx sempre manteve com Feuerbach uma atitude de profundo respeito, pelo fato de ter sido o primeiro entre os jovens hegelianos de esquerda a fazer a passagem da filosofia ide