A INDÚSTRIA DE CIMENTO MAURO THOMAZ DE OLIVEIRA GOMES ILKA GONÇALVES DAEMON MARY LESSA ALVIM AYRES...

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  • 1. A INDSTRIA DE CIMENTO MAURO THOMAZ DE OLIVEIRA GOMES ILKA GONALVES DAEMON MARY LESSA ALVIM AYRES PAULO CESAR SIRUFFO FERNANDES* ___________ Respectivamente, gerente, administradora e engenheiros da Gerncia Setorial 4 do BNDES. Os autores agradecem a colaborao do estagirio Joo Glauber Barbosa. Agradecem tambm a contribuio do Sindicato Nacional da Indstria de Cimento (Snic), na pessoa de seu secretrio executivo, Joo Batista Menescal Fiuza. RESUMO Esse trabalho analisa o comportamento do setor de cimento ao longo dos ltimos anos, seja nos aspectos de produo e demanda do produto, seja na observao do movimento de reestruturao empresarial. No perodo 1986/94, a produo brasileira de cimento apresentou crescimento zero, refletindo a estagnao dos setores de construo civil e de obras pblicas. Nos dois ltimos anos, no entanto, o crescimento acumulado de 37% levou essa produo a nveis recordes e retornou o consumo per capita ao maior ndice anteriormente alcanado. Tambm nesse perodo ocorreram significativas alteraes no comando acionrio das empresas do setor, com o fortalecimento da participao de alguns grupos, em especial daqueles com capital estrangeiro. Dando continuidade a essa evoluo do setor, espera-se para os prximos anos um crescimento de consumo e produo de cimento, para o qual sero necessrios investimentos em modernizaes e ampliaes de fbricas existentes. INTRODUO 1
  • 2. O setor cimenteiro nacional, suas empresas, seu mercado, o processo de reestruturao ocorrido recentemente e as tendncias de mercado so o objetivo deste relato. No Brasil, nos anos de 1995 e 1996, a produo de cimento cresceu razo de 12% e 22,4%, respectivamente. Esses ndices situam-se acima da mdia histria anual nacional (4,98%), ocorrida nos ltimos seis anos. Em 1996, o consumo brasileiro de cimento per capita foi de 221,6 kg/hab./ano, retomando assim valor semelhante ao de 1980, quando atingiu seu mximo, equivalente a 226 kg/hab./ano. No bastante os acrscimos ocorridos nesses anos, o consumo nacional per capita permanece abaixo da mdia mundial (cerca de 250 kg/hab./ano). Nos ltimos trs anos, vrias e importantes empresas do setor cimenteiro brasileiro trocaram de comando. O nmero de grupos empresariais nesse segmento sofreu reduo. Grupos empresariais, tanto nacionais como estrangeiros, motivados pelas boas perspectivas de demanda interna de cimento, investem na aquisio de empresas cimenteiras brasileiras, na reforma e ampliao das unidades existentes e na construo de novas fbricas. Os investimentos externos ocorridos no Brasil so fruto da estratgia dos grandes grupos internacionais sediados em pases europeus, os quais, tambm, sofrem de retrao em seus oramentos pblicos. Fatores tais como a reduo de investimentos em projetos de infra-estrutura e do volume de encomendas pelo setor privado agravaram a demanda de cimento nas principais economias europias. Como resultado, os investidores europeus optaram por investir em pases com boas perspectivas econmicas, moeda e situao poltica estveis. Esses investimentos deram-se, preferencialmente, atravs da aquisio de ativos j existentes. Duas hipteses de projeo do consumo aparente de cimento, uma conservadora e outra otimista, so aqui apresentadas. Ambas admitem a taxa de crescimento demogrfico 1,35% a.a. publicada pelo IBGE em 1997. SITUAO INTERNACIONAL A produo mundial de cimento (Tabela 1) no perodo 1990/96, cresceu 28,4% enquanto a brasileira cresceu 34,1%. Em 1995 e 1996, o crescimento da produo brasileira superou os ndices de crescimento de produo da China, pas que detm o ttulo de maior produtor mundial de cimento. No ranking de pases produtores, observamos que a China continua mantendo destacada liderana. O Brasil que em 1994 ocupava o dcimo terceiro lugar, passa para o stimo lugar no ranking dos principais pases produtores mundiais de cimento em 1996. Tabela 1 Produo Mundial de Cimento Portland 1990/96 (Em Milhes de t) 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Total Mundial 1.156,8 1.169,6 1.243,0 1.301,4 1.375,8 1.428,0 1.484,9 sia 516,4 565,1 658,8 738,9 808,3 865,0 925,3 Europa (sem CEI) 273,5 255,1 253,8 241,0 250,2 252,7 249,8 2
  • 3. Amrica 166,6 164,3 167,1 173,8 187,0 183,4 196,9 frica 55,1 55,8 55,9 58,0 57,2 60,9 63,1 CEI 137,3 122,4 100,0 84,0 64,9 57,4 49,7 Oceania 7,9 6,8 7,3 7,5 8,1 806 Principais Produtores 1 - China 209,7 243,6 308,2 360,0 405,0 445,6 490,0 2 - Japo 84,5 86,4 90,8 88,7 91,6 96,4 99,6 3 - Estados Unidos 71,3 66,8 70,2 73,9 78,4 75,5 80,6 4 - ndia 47,3 53,6 53,7 55,8 61,5 69,6 75,6 5 - Coria do Sul 33,6 38,3 42,7 46,8 51,6 57,8 58,2 6 - Turquia 25,4 27,4 30,2 32,7 31,9 34,7 37,2 7 - Brasil 25,8 27,5 23,9 24,8 25,2 28,3 34,6 8 - Itlia 40,9 40,8 41,4 34,8 33,2 34,0 33,8 9 - Alemanha 34,9 31,1 33,2 32,5 36,1 33,3 31,5 10 - Espanha 28,7 28,0 25,0 23,9 26,7 28,5 27,8 11 - Mxico 23,8 25,1 26,9 27,6 29,8 24,2 27,7 12 - Indonsia 15,8 16,5 18,6 18,9 21,9 23,3 25,1 13 - Frana 27,0 25,8 22,6 20,5 21,1 20,7 19,5 14 - CEI 137,3 122,4 100,0 50,0 37,2 15 - Tailndia 18,0 18,8 22,4 26,4 31,1 35,8 16 - Formosa 18,4 19,3 21,4 23,9 23,4 22,8 Fonte: Sindicato Nacional da Industria de Cimento (SNIC). Em 1995, o continente asitico manteve sua liderana como maior produtor e consumidor mundial de cimento, participando com mais de 60% da produo mundial de cimento (Tabela 2). Tabela 2 Produo e Consumo por Continente 1995 (Em Mil t) SIA EUROPA CEI AMRICA FRICA OCEANIA TOTAL Produo 865.021 252.728 57.384 183.361 60.903 8.590 1.427.987 Consumo 861.022 228.305 57.184 183.810 64.863 9.629 1.404.813 Diferena 3.999 24.423 200 (449) (3.960) (1039) 23.174 Fonte: SNIC. O grupo Holderbank, com sede na Sua, ocupa o primeiro lugar entre os maiores grupos internacionais produtores de cimento. Com a produo de 62 milhes de t de cimento/ano, esse grupo obteve em 1995 cerca de US$ 6,65 bilhes em vendas. A poltica empresarial do grupo orientada para a constante busca de oportunidades em diversos mercados via construo de novas fbricas e/ou aquisio de fbricas existentes. A retrao dos mercados europeus, somada reduo de gastos dos governos locais, nos ltimos anos, estimulou a ampliao de investimentos europeus em diversos pases em desenvolvimento, entre os quais o Brasil. O grupo Lafarge o segundo maior nesse segmento industrial. Com capacidade produtiva igual a 39,86 milhes de t (1995) e vendas de US$ 5,92 bilhes, esse grupo, a exemplo de seu maior concorrente internacional, tambm possui poltica de investimentos e aquisies de ativos nos diversos mercados. Os grandes grupos internacionais no se restringem produo exclusiva de cimento, mas investem na agregao de valor ao cimento (Tabela 3). Tabela 3 Mundo: Maiores Grupos Produtores de Cimento 1995 3
  • 4. (Em US$ Milhes) GRUPO ORIGEM VENDAS Holderbank Sua 6.64 Lafarge Frana 5.91 Heidelberger Alemanha 3.86 Italcementi Itlia 3.20 Cemex Mxico 3.14 Blue Circle Industries Inglaterra 2.72 Ciments Franais Frana 2.39 CBR Blgica 1.58 Votorantim Brasil 1.53 Dyckerhoff Luxemburgo 1.34 Fontes: BNDES e International Cement Review. SITUAO NACIONAL O aumento do poder de compra do consumidor brasileiro, fruto do plano de estabilizao econmica, impulsionou em 1995 e 1996 o consumo aparente de diversos produtos, dentre eles o do cimento, que cresceu 12,6% e 22,5%, respectivamente. Em 1996, a produo brasileira de cimento recorde, conforme apresentado na Tabela 4. Nesse mesmo ano, o ndice de ocupao da capacidade instalada foi de 85%. Tabela 4 Produo Brasileira de Cimento Portland 1975/96 (Em Milhes de t) ANO PRODUO % ANO PRODUO % 1975 16,7 12,2 1988 25,3 -0,5 1980 27,2 9,3 1989 25,9 2,3 1981 26,1 -4,2 1990 25,8 -0,3 1982 25,6 -1,6 1991 27,5 6,4 1983 20,9 -18,6 1992 23,9 -13,0 1984 19,5 -6,6 1993 24,8 3,9 1985 20,6 5.8 1994 25,2 1,6 1986 25,3 22,4 1995 28,3 12,0 1987 25,5 0,8 1996 34,6 22,4 Fonte: SNIC. No perodo 1995/96, os estoques de clnquer e cimento, da regio Nordeste, aumentaram de 13,3% para 25,7%, do total dos estoques brasileiros. No mesmo perodo os estoques da regio Sudeste diminuram de 62% para 47,9% e da regio Centro-Oeste, de 12,5% para 8,8%. J na regio Sul a variao foi menor, passando os estoques de 11,3% para 15,24%. Esses fatos evidenciam uma maior presso de consumo nas regies Sudeste e Centro-Oeste, concomitantemente ao aumento da oferta. As capacidades instaladas de produo e moagem de clnquer (instaladas e em operao) so apresentadas nas Tabelas 5 e 6. 4
  • 5. Tabela 5 Clnquer: Capacidade Instalada Dezembro de 1996 CAPACIDADE INSTALADA TOTAL CAPACIDADE DE OPERAR REGIES GEOGRFICA S NMERO DE FORNOS CLNQUER MIL T/ANO NMERO DE FORNOS CLNQUER MIL T/ANO Norte 4 1.254 4 1.254 Nordeste 26 7.038 18 6.163 Centro-Oeste 12 3.868 9 3.538 Sudeste 60 22.294 38 19.156 Sul 16 6.138 10 5.551 Total Brasil 118 40.592 79 35.662 Fonte: SNIC. Tabela 6 Moagem: Capacidade Instalada Dezembro de 1996 CAPACIDADE INSTALADA TOTAL CAPACIDADE DE OPERAR REGIES GEOGRFICA S NMERO DE MOINHOS MOAGEM FINAL MIL T/ANO NMERO DE MOINHOS MOAGEM FINAL MIL T/ANO Norte 5 1.392 5 1.392 Nordeste 36 9.811 32 9.193 Centro-Oeste 15 5.244 13 5.002 Sudeste 94 33.289 77 31.217 Sul 22 7.262 21 7.153 Total Brasil 172 56.998 148 53.957 Fonte: SNIC. Em 1996, o setor manteve 39 fornos de clnquer desativados, cuja capacidade total de clnquer soma 4.930 mil t anuais, ou seja, 12% da capacidade instalada total. Todavia, alguns desses equipamentos no apresentam condies de operar, carecendo de reforma ou