A telenovela como narrativa La telenovela como narrativa ... · PDF fileA narrativa ficcional...

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    Palabras chave: Telenovelas, narrativas de naao, comunidade virtual, metodologa virtual.Descritores: Telenovela. Metodologia em comunica-ao. Comunidade virtual.Recibido: Abril 30 de 2010Aceptado: Julho 19 de 2010

    A telenovela como narrativa da nao. Para uma experincia metodolgica em comunidade virtual

    O presente texto retoma a questo da reviso da identidade nacional no cenrio globalizado adotando duas perspectivas: a terica, atravs da temtica das narrativas da nao, explorada por Anderson, Appadurai, Bhabha, Bauman, e outros ( Lopes, 2006) e a epistemolgico-metodolgica na temtica das comunidades virtuais formadas pelos movi-mentos migratrios contemporneos. Prope-se que essas duas perspectivas confluam numa experincia metodolgica de investigao emprica que estamos iniciando, qual seja, a recepo da telenovela brasileira num espao particular e indito: a comunidade virtual de brasileiros em Portugal. Trata-se, portanto, de uma explorao metodolgica no espao virtual com suas implicaes epistemolgicas para a pesquisa em geral e da Comunicao em particular.

    La telenovela como narrativa de nacin. Hacia una experiencia metodolgica en comunidad virtual

    El presente texto retoma el tema de la revisin de la identidad nacional en el mundo globalizado adop-tando dos perspectivas: la terica, a travs del concepto de narrativas de nacin explorado por Anderson, Appadurai, Bhabha, Bauman y otros ( Lopes, 2006), y la epistemolgico-metodolgica de trabajo en comu-nidades virtuales conformadas por los movimientos migratorios contemporneos. Se propone la con-fluencia de estas dos perspectivas en una experiencia metodolgica de investigacin emprica incipiente, cual es la recepcin de la telenovela brasilera en un espacio particular e indito: la comunidad virtual de brasileros en Portugal. Se trata, por lo tanto, de una exploracin metodolgica en el espacio virtual que tiene implica-ciones epistemolgicas para la investigacin en general y para la comunicacin en particular.

    Origen del artculoEste artculo presenta la sntesis de dos fundamentos terico-metodolgicos de un proyecto de investigacin que actualmente est en curso.

    Palabras clave: telenovela, narrativas de nacin, comu-nidad virtual; metodologa virtual.Descriptores: Telenovela. Metodologa en comuni-cacin. Comunidad virtual.Recibido: Abril 30 de 2010Aceptado: Julio 19 de 2010

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    Maria Immacolata Vassallo de Lopes*

    * Maria Immacolata Vassallo. Brasilera. Doctora en Ciencias de la Comunicacin de la Universidade de So Paulo. Trabaja como profesora titular en la Escola de Comunicaes e Artes de la misma universidad. Sus reas de investigacin se centran en la epistemologa, la metodologa, la teora de la comunicacin y la ficcin televisva. Correo electrnico: [email protected]

    1. Pontos de continuao, novos pontos de partida

    A fico televisiva, notadamente seu formato cen-tral, a telenovela1, vem se consolidando como objeto de estudo importante no campo da Comunicao

    A telenovela como narrativa da nao Para uma experincia metodolgica em

    comunidade virtual

    1. A fico televisiva um gnero de televiso, sendo a telenovela um de seus formatos. Outros formatos ficcionais so a minissrie, a srie, o chamado caso especial, a soap opera, a microssrie.

  • Signo y Pensamiento 57 Eje Temtico | pp 130-141 volumen XXIX julio - diciembre 2010

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    no Brasil2. Seus mltiplos aspectos tm sido enfocados, no raramente, atravs de esquemas terico-metodolgicos originais e teis ao avano do conhecimento desse objeto. Hoje, os estudos brasileiros de fico televisiva granjearam reconhe-cimento internacional e perfilam-se aos trabalhos de ponta sobre o tema. Entretanto, uma caracterstica desses estudos foi se reforando no tempo e gerando, por assim dizer, um paradigma de pesquisa que tem privilegiado a abordagem semitica e dos efe-itos (menos da recepo) das narrativas televisivas, majoritariamente em estudos de caso, pulverizando e dificultando a generalizao dos seus resultados Alm do descaso com as condies de produo (dispositivos econmicos, tecnolgicos, de gesto) dessa que a principal indstria cultural do pas, interessa-nos aqui ressaltar nessas pesquisas a ausncia de fundamentos empricos para a compreenso macrossocial da fico televisiva.

    Em funo desse quadro, resolvemos redi-recionar progressivamente nossos estudos sobre a fico televisiva para a questo das representaes e da construo das identidades culturais, especi-ficamente, da identidade nacional e da intercul-turalidade. So questes-chave para a pesquisa de Comunicao no mundo contemporneo globalizado que exigem srias revises conceituais e metodolgicas. Essa preocupao com o estado da pesquisa da fico televisiva tambm levou-nos a criar o obitel3, com o objetivo de construir e comparar dados sobre a produo e a recepo, em nova chave, internacional e intercultural.

    Dentre os aspectos que tm diferenciado a produo teleficcional brasileira dentro do conjunto dos pases do obitel, talvez o principal seja o fato da telenovela brasileira, ao longo de seus quase 50 anos de encontro dirio com o pblico, ter se tornado uma narrativa da nao. Consideramos essa hiptese4 como sendo heurstica em vista da longa e profunda construo discursivo-cultural do pas como comunidade imaginada em que a telenovela se tornou. Para testar empiricamente essa assuno terica, estamos iniciando um estudo de recepo virtual de telenovelas junto a comunidades de brasi-leiros que vivem no exterior. A expectativa que os

    estudos brasileiros de recepo ganhem em inovao terica e metodolgica uma vez que acreditamos ser esse estudo indito. Ele pretende explorar como a nao narrada atravs das telenovelas brasileiras recebida e sentida por brasileiros que vivem no exterior. O estudo ser feito dentro de comunidades virtuais criadas por brasileiros fora do pas e que, segundo nossa observao, funcionam como espaos de encontro e de socializao de experincias.

    A narrativa ficcional televisiva aparece como um valor estratgico na criao e consolidao de novas identidades culturais compartilhadas, confi-gurando-se como uma narrativa da nao. Partimos da constituio da identidade tnica do gnero ficcio-nal televisivo ou, em outros termos, do seu processo de indigenizao (Appadurai, 1990), em razo da grande audincia, preferncia e repercusso da telefico nacional dentro do contexto televisivo do pas. Dessa premissa deriva a hiptese sobre o car-ter nacional da telefico, ou seja, a sua constituio como gnero nacional. O monitoramento feito pelo obitel5 reafirmou no espao ibero-americano a

    2. Apesar da tardia legitimao acadmica, de 1980 a 2005, a mdia de teses e dissertaes sobre teledra-maturgia defendidas nos programas de ps-graduao em Comunicao no pas tem sido de 5 ttulos por ano (1980 a 2005) e desde o ano de 2000 vem se obser-vando um aumento acentuado no tema, chegando mdia de 15 ttulos por ano. Fonte: CETVNECA-USP - Centro de Estudos de Telenovela da Escola de Comu-nicaes e Artes da Universidade de So Paulo.

    3. O OBITEL - Observatrio Ibero-americano da Fico Tele-visiva - uma rede de pesquisa internacional constituda por nove grupos nacionais de pesquisa, reunidos por um protocolo metodolgico unificado para o monitoramento anual da produo de fico televisiva em cada pas, objeti-vando uma anlise comparativa dessa produo no espao ibero-americano. Os resultados desse trabalho foram publi-cados nos Anurios OBITEL (2007, 2008, 2009 e 2010)

    4. De fato, essa hiptese sempre esteve presente ao longo de nossas pesquisas sobre a telenovela (Lopes, 2002, 2003 e 2004), porm mesclada com outras argumentaes. Trata-se agora de tom-la como foco especfico de estudo.

    5. O Anurio OBITEL (2010) traz o monitoramento compa-rativo dos programas ficcionais de TV em nove pases e tem mostrado que a fico nacional que ocupa a lide-rana na faixa do horrio nobre (19h-22h) nesses pases. No trinio 2007-2009, 56% da programao dessa faixa ocupada por produo prpria e Brasil, Mxico e Portu-gal ocupam os primeiros lugares.

  • Maria Immacolata Vassallo de Lopes | A telenovela como narrativa da nao

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    ocorrncia desse fenmeno. Isso se deu, por um lado, atravs de uma particular apropriao ou indigenizao da fico televisiva dentro da tradio cultural de outros meios em cada pas (rdio, cinema, teatro, msica), o que tornou a telefico um denso territrio de redefinies culturais identitrias. Por outro lado, o desenvolvimento da capacidade produtiva das televises nacionais passa a expressar-se pela sua maior ou menor capacidade de deslocar as sries importadas norte-americanas do horrio nobre e mesmo de disputar a preferncia com outros gneros produzidos domesticamente6. A esto as origens do que chamamos de contrato de recepo e da constituio de um repertrio simblico compartilhado7. A fico passa a ser um lugar privilegiado onde se narra a nao, nao representada, nao imaginada (Anderson, 1983), nao disseminada (Bhabha, 1997, 2001).

    2. Naes imaginadas e meios de comunicao

    Ao tomarmos a globalizao como novo para-digma histrico e epistemolgico das Cincias Sociais (Ianni, 1994), os resultados deste novo tipo de entendimento so visveis na reviso de conceitos importantes, como os de cultura e nao. Entra em descrdito a idia de que a cultura de determinado grupamento tnico possa ser traada a partir do exame de categorias bem definidas capazes de dar conta da lgica coesa de um discurso simblico coletivo. Em oposio a este entendimento, a cul-tura passa a ser analisada como processo dinmico, conjunto de jogos e possibilidades realizados em determinados contextos, necessariamente especfi-cos e conectados s inmeras mudanas sociais que tm lugar em grupos hbridos. Tambm o conceito de nao passa por uma clivagem crtica, que leva desconsiderao de seu entendimento como narrativa coesa acerca dos caracteres essenciais de determinado grupamento social.

    Dentre os autores cuj