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  • Imunizao

    racional?C CC Ca aa a p pp p

    a aa a

    CORREIOBRAZILIENSE

    Braslia, domingo,10 de maio de 2015

    22 e23

    Nunca foi toacirradoodebateemtornodaeficinciaedaseguranadasvacinas.Entendaospontosdevistadessadisputaesaibaquaispromessas

    amedicina reservaparaumfuturoprximo

  • PORCCAARROOLLIINNAA SSAAMMOORRAANNOO Umsurto naDisneylndia

    O movimento antivacinao uma preocupao nosEstados Unidos j h algum tempo. Alguns alegam mo-tivos religiosos a deciso de contrair ou no umadoena caberia a Deus, e no cincia ; outros tm ra-zes filosficas; outros, ainda, tm medo: de que as vaci-nas causem reaes adversas, autismo, esclerose mlti-pla. L, a consequncia mais recente dessa onda foi osurto de sarampo que explodiu em dezembro passadona Disneylndia, na Califrnia, onde o movimento tembastante fora, e que at fevereiro atingiu 121 pessoas,em 18 estados.O sarampo o maior indicador da situa-o de um programa de imunizao, porque muitocontagioso. Quando voc tem uma baixa na imuniza-o, ele se espalha rapidamente, comenta Paul Offit, di-retor do Centro de Educao de Vacinas no Hospital In-fantil da Filadlfia, nos Estados Unidos, e consideradoum dos maiores especialistas em vacinas do mundo.

    Em outros pases, como Paquisto ou Nigria, ondedoenas controladas no mundo todo continuam en-dmicas por falta de vacinao, a maior causa da noadeso religiosa. No Brasil, os especialistas dizemque o problema, embora exista, ainda no uma preo-cupao para as autoridades sanitrias, mas os radaresesto ligados. Com a facilidade das viagens internacio-nais, nunca se sabe quando uma doena sob contro-le dar as caras novamente.

    A despeito de antivacinistas do mundo todo,os m-dicos so quase unnimes ao declarar que as vacinasainda no perderam o posto de grande tacada da me-dicina moderna. Para a sade pblica, um feito todecisivo quanto o advento da gua tratada, como fri-sou o Centro de Preveno e Controle de Doenas dosEstados Unidos (CDC, na sigla em ingls) em um do-cumento publicado em 1999 e, ainda hoje, tido comoreferncia. E, se as promessas de novas vacinas se con-cretizarem como os mdicos torcem e acreditam, che-gando inclusive s doenas no infecciosas, como dia-betes e obesidade, o pdio deve ser mantido, comcomponentes cada vez mais modernos e seguros.

    Os benefcios das vacinas so bvios. Ns estamosconversando agora, no momento em que a Opas (Orga-nizao Pan-Americana da Sade, rgo da OMS) anun-cia a erradicao da rubola nas Amricas. Isso fruto davacinao. Significa o fim da sndrome da rubela cong-nita, que grave, comenta a infectologista Isabella Balla-lai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizaes.Permitiu a erradicao da varola, que matava at 1973,1974. O sarampo est quase erradicado no Brasil. As vaci-nas so,sem dvida,uma das melhores ferramentas depreveno e investimento na sade da populao. Elasevitam doenas potencialmente graves, bitos, interna-es, mal-estar e perda de qualidade de vida, completa.

    Isabelly tem apenas 1 ano devida. O carto de vacina est qua-se todo em dia no fosse a se-gunda dose da vacina contra o ro-tavrus, um dos principais causa-dores de gastroenterite grave embebs, que ela deveria ter tomadoaos 8 meses de vida. A falta do ca-rimbo no documento no foi ne-gligncia da me, a professoraEvelyn Rodrigues, 32 anos. Ao to-mar a primeira dose da vacina,nos primeiros meses, Isabelly te-ve uma reao adversa, poucashoras depois. A febre chegou aos40C e ela comeou a eliminarsangue pela fezes. Foi a primeiravez que Evelyn lidou com uma si-tuao parecida. O irmo maisvelho da menina,Yuri, 10, seguiua cartilha de vacinao risca. Avacina que fez mal irm, no en-tanto, ele no chegou a conhecer:a imunizao contra o rotavruss comeou no Brasil em 2006,quando ele tinha 2 anos.

    Com a filha doente, Evelyn pro-curou ajuda e foi informada pelomdico de que a febre alta da me-nina era consequncia da vacina eque as fezes com sangue poderiamdurar at 40 dias.Os dias passarame a menina no melhorava. De re-pente, o problema era outro: osmdicos comearam a desconfiarque Isabelly tinha, na verdade,alergia protena do leite. Ela che-gou a ficar anmica devido perdade sangue, e Evelyn entrou numadieta restritiva para cuidar que oseu leite no fizesse mal filha.Foi uma saga. Fizemos tratamen-to para alergia, anemia. O sangra-mento durou 75 dias. Os mdicosdiziam que era alergia, mas examealgum comprovou isso, lembra ame. Evelyn percorreu So Paulo,onde mora, atrs de um mdicoque desse uma explicao razovelpara o problema,at conseguir umlaudo de um pediatra atestandoque o que Isabelly teve foi, de fato,uma reao ruim vacina contra orotavrus. Nada a ver com alergia.Foi ele quem a isentou, a custos dediscusses com o posto de sade,da segunda dose da imunizao.

    A vacinao contra o rotavrusfoi licenciada nos Estados Unidosem 1998,200 anos depois da chega-da da primeira de todas as vacinas,a contra a varola,criada pelo brit-nico EdwardJennerno fim do scu-lo 18.As duas representam grandesavanos aos olhos da medicina: asoluo para uma doena que ma-tavamilharesdepessoastodosanose foi, inclusive, responsvel pelaconstruo de hospitais de isola-mento(graasvacina,considera-da erradicada pela OrganizaoMundial da Sade desde 1980); euma arma poderosa na reduo dehospitalizaes por gastroenterite eda mortalidade infantil.Com doissculos de histria,recaem sobre avacinao conquistas importantes,comoocontroledosarampo,dapo-liomelite, da hepatite inclusivecom a diminuio dos transplantesde fgado e da rubola,cuja erra-dicaodasAmricasfoianunciadapela OMS na semana passada.Mes-moassim,casoscomoosdeIsabellymostram que ainda h aspectospoucocompreendidos.

    Isabelly voltou a se alimentarnormalmente com leite, recupe-rou-se da anemia e tem vida nor-mal hoje, mesmo sem ter con-cludo a imunizao contra o ro-tavrus exceto que, segundo ame, desde a vacina, a meninaparou de ganhar peso no mesmoritmo e est sempre no limite dacurva, padro que ela observa emoutros bebs que tiveram a mes-ma reao e que ela conheceu emum grupo on-line de pais que noaprovam a vacinao para o rota-vrus. Para Evelyn, ficou uma li-o: vacina, agora s com muitainformao. No sou contra avacinao, mas sou contra a faltade informao, os riscos deve-riam ser informados, comenta.Eu jamais incitaria uma me ano vacinar, mas eu tive duas ex-perincias: com o Yuri, que nofoi vacinado e teve a doena; ecom a Isabelly, que foi vacinada eteve reao. E posso dizer que, nomeu caso, a reao foi muito piordo que a doena em si, contou.

    KarolyArvai/Reuters

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    CORREIOBRAZILIENSEBraslia, domingo,10 de maio de 2015

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    Guerra deversesFalar emmovimento antivacinista

    arregala olhos demdicos e sanitaris-tas. Eles consideram retrocesso, igno-rncia, egosmo e negligncia. Con-trovrsias vm de longe, basta lem-brar da chamada Revolta daVacina,contra o projeto de vacinao com-pulsria proposto pelo sanitaristaOswaldoCruzno inciodosculopas-sado. Muitos especialistas, porm,acreditam que o debate se acirrou apartir de 1982, quando umdocumen-trio chamadoDPT:Vaccine Rouletteassociou a vacina trplice bacteriana,contra difteria, ttano e coqueluche, ainflamaes crnicas cerebrais.Depois,em1998,obritnicoAndrew

    Wakefieldpublicounaprestigiadarevis-tacientficaLancetumestudofeitocom12crianascomautismo,dasquaisoitoteriamapresentadoosprimeiros sinto-masduassemanasdepoisdavacina tr-pliceviral,queprotegecontracaxumba,sarampo e rubola. O estudo ganhoumanchetesemjornais importantespe-lomundo todo e causou umenormealarde.Asautoridades sanitriasnorte-americanas calculamquemais de 100mil crianasdeixaramde receber a tr-plicenosEUAnaqueleano.Uma srie de estudos desmentindo

    Wakefield vieram em seguida, e umainvestigao por fraude foi aberta noConselho Britnico deMedicina. Em2010, o rgo acabou concluindo que

    omdicoeraculpadoecassouoseure-gistroprofissionaldele.Aapuraodes-cobriuque,naverdade,Wakefieldhaviasidocooptadoporumescritriodead-vocacia interessado em entrar comaescontraaindstria farmacutica.Ainda hoje, alguns pais acreditam

    queoautismode seus filhos esteja di-retamente relacionado trplice. Oestudomais recente sobre o assuntofoi publicado no ms passado, noJournal of the American Medical Asso-ciation. Os cientistas analisaram 95mil crianas de um banco de dadosde planos de sade e concluram quea aplicao da vacina no est asso-ciada a um maior risco de desenvol-ver transtornos do espectro autista,inclusive em crianas com irmosmais velhos comodiagnstico.O ndice de autismo entre os que

    tomam a vacina e os que no tomam exatamente omesmo. Milhares decasos j foram acompanhados e ab-solutamente nenhuma relao foiencontrada. Mas veja o estrago: empases como Inglaterra e Frana, voctem registro de surtos de sarampoporque houve diminuio na vacina-o. E isso permanece, porque temefeito residual, observa Guido Levi,diretor da Sociedade Brasileira deImunizaes e autor do livro Recusade vacinas causas e consequncias.Almdisso,existeoconsensodeque,

    como grande parte das doenas queeramculpadas demilhares demortesantesdas vacinas j esto sobcontrole,elas deixaramde ser umaameaa aosolhosdospais.Dizemosqueasvacinasso vtimas do seu sucesso. Existiamdoenas terrveis que devastavam omundo e que foram erradicadas oucontroladasdetalmaneiraqueapopu-lao j nem se lembra delas.Algunsdosmeusalunossconhecemosaram-popelos livros. Ea, quandoaspessoasse esquecemdos riscos das doenas,comeamasepreocuparcomosefeitoscolateraisdasvacinas,acrescentaLevi.Desdequeessaspessoasno imuni-

    zadas estejamdentrodeumamargemde erro calculadaque geralmenteno passa dos 5%, o controle dadoena est garantido. a chamadaimunizao de rebanho: quando a

    Linha do tempo

    Umhistricodasvacinaspelomundo

    11779966O mdico britnico Edward Jenner testa umaforma de imunizao contra a varola apartir do pus das feridas causadas peladoena nas vacas, que desenvolviam umaforma mais branda da doena. Eleconseguiu imunizar um garoto passando olquido em cima