Abc da apicultura

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INTRODUÇÃO À APICULTURA LOUSÃMEL OUTUBRO DE 2011
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  • INTRODUO APICULTURA

    LOUSMEL

    OUTUBRO DE 2011

  • 1. A Abelha

    1.1 O que significa o nome cientfico Apis mellifera ? A classificao dos seres vivos feita em diversos nveis (reino, classe, ordem...). Ao mencionarmos um determinado indivduo, o mais comum usar-se apenas o gnero e a espcie. No caso, a nossa abelha comum pertence ao gnero Apis e espcie mellifera. Um outro nvel usado s vezes para identificar subespcies, variedades ou raas, como em Apis mellifera carnica. No final do nome cientfico, frequentemente aparece o nome do responsvel pela identificao da espcie, geralmente abreviado. Por exemplo, Apis mellifera mellifera L. (de Linnaeus). Quando se est a fazer referncia a mais de uma espcie do mesmo gnero, ele escrito seguido da abreviatura spp. Por exemplo, Apis spp. 1.2 Os elementos do nome cientfico so palavras em Latim, ou latinizadas, quando a palavra correspondente no existe neste idioma. O gnero escrito com a primeira letra em maiscula, a espcie e subespcie, em minscula. Nenhum deles leva acento.

    1.3 Que raas de abelhas existem? A Apis mellifera possui diversas subespcies (raas). Algumas so originrias da Europa e outras da frica. Entre as europeias mais conhecidas, esto a mellifera, a ligustica (popularmente conhecida como "italiana"), a carnica e a caucasica. Entre as africanas, destacam-se a scutellata, a capensis, a monticola e a adansonii.

    1.4 As abelhas africanizadas so mais agressivas? Sim, em intensidade variada. H enxames excepcionalmente agressivos e outros relativamente mansos. A propsito, a tendncia de "correco poltica", caracteriza o comportamento da abelha como defensivo, e no agressivo, porque o ataque seria sempre uma resposta a um estmulo externo. No entanto, o intuito pode ser de defesa, mas a aco de agresso.

    1.5 Quando um ataque de abelhas pode ser fatal? A literatura regista que um indivduo hipersensvel pode morrer em virtude de uma nica ferrada, mas isso muito raro. Mais comum morrer a pessoa ou o animal que, impossibilitado de fugir por qualquer razo, fica exposto a um nmero muito grande de ferradas. Crianas e deficientes fsicos que estejam nas proximidades de um enxame agressor correm maior risco. Animais amarrados ou cercados tambm. Apicultores bem protegidos raramente sofrem mais do que umas poucas e inofensivas ferradas.H casos registrados de morte com 100-300 ferradas, e h um caso de sobrevivncia registrada com 2.243 ferradas. Em geral, a dose letal mediana (para a qual 50% das vtimas morrem) fica em torno de 19 ferradas por quilo, para adultos [SCH92].

    1.6 A apicultura pode ser considerada uma actividade perigosa? Mexer com abelhas, sem conhecimento, pode ser considerado perigoso. A apicultura racional, praticada com os critrios de segurana bem conhecidos, provavelmente uma actividade muito menos perigosa que algumas outras profisses e passatempos.

    1.9 Quantas vezes uma abelha pode ferrar? Normalmente, uma nica vez. O ferro uma estrutura que se parece com um arpo e que fica cravado na vtima. Ao desprender-se, a abelha deixa para trs no apenas o ferro, mas tambm o saco de veneno e parte do seu aparelho digestivo. Enquanto o ferro permanece cravado, o veneno continua a ser instilado por aco involuntria. A abelha morre em horas ou dias.

    1.10 A rainha ferra? E os zangos? Normalmente, a rainha s ferra outra rainha, quando em disputa pela colmeia. ferrada de rainha em humanos bastante rara, e, quando acontece, geralmente aps a manipulao de outra rainha pelo apicultor. O ferro da rainha mais firme que o das obreiras e tem menos rebarbas, o que quase sempre evita o seu arrancamento aps a ferrada. zangos no ferram porque no possuem ferro.

  • 1.11 Afinal, por que as abelhas ferram? As abelhas ferram quando sentem que a sua prpria integridade ou a da sua famlia est ameaada. Por isso, uma abelha longe de sua colmeia nunca ataca ningum, a menos que seja molestada directamente, ou que tenha sado h pouco de uma colmeia atacada. Pessoas que desconhecem esse facto assustam-se desmesuradamente quando uma abelha voa prximo a elas, imaginando que se trata de um ataque, e no uma simples investigao sobre a possvel utilidade daquelas vestes coloridas ou daquele perfume extico.

    1.12 As abelhas so criaturas boas? Nem boas, nem ms. So apenas insectos, que apresentam um comportamento baseado num conjunto limitado de respostas aos diferentes estmulos que sofrem. Abelhas no raciocinam, no planejam, no ficam de mau ou de bom humor. Tambm no se afeioam ao apicultor nem se acostumam a ser manipuladas. Todos esse sentimentos so prprios de alguns vertebrados, especialmente os mamferos, mas no de insectos.

    1.13 Como que as abelhas guardam mel para o inverno?Elas no guardam mel para o inverno, simplesmente porque a grande maioria das abelhas que guardam o mel nunca viram e nem vero o inverno, j que elas raramente chegam a viver dois meses na poca de colheita de nctar. Elas simplesmente respondem ao estmulo "secreo de nctar nas proximidades" colheitando e armazenando tudo o que podem. Do ponto de vista da seleco natural, os enxames que assim procedem conseguem sobreviver aos tempos difceis e tm oportunidade de passar seus genes adiante. Os demais simplesmente morrem, sem conseguir perpetuar esse comportamento na espcie.

    1.14 O que as abelhas reconhecem como ameaa? Barulhos normais, como o rudo de passos e conversa raramente perturbam as abelhas. Elas so estimuladas por vibraes fortes (de motores, por exemplo), odores (suor, perfumes), movimento (quanto mais rpido, pior) e cores (as escuras mais do que as claras). Plos em geral, cabelos e roupas felpudas estimulam fortemente o ataque, mais ainda se forem escuros. Dentre os maiores estmulos, pode-se destacar o dixido de carbono, exalado em quantidade pelos humanos. Por essa razo, evite, sempre que possvel, respirar ou soprar prximo s abelhas. Um detalhe interessante que as condies ambientais parecem influenciar decisivamente no comportamento mais ou menos agressivo das abelhas. Dias nublados, hmidos e ventosos so, quase com certeza, dias de maneio difcil.

    1.15 O que so as castas de abelhas? Casta cada um dos tipos de abelha existentes nos enxames: rainhas, obreiras e zangos.

    1.16 O que diferencia a rainha das obreiras? Visualmente, a rainha muito maior que as obreiras. Uma rainha produzida pelas obreiras sempre que necessrio, a partir de uma larva jovem, de obreira, de at 3 dias de vida. Trs factores determinam que uma larva comum se transformar numa rainha, e no numa obreira [WIN03]. Primeiro, a qualidade da alimentao. Larvas de rainhas so alimentadas com geleia real, uma mistura de secrees das glndulas mandibulares e hipofaringeanas das obreiras. Larvas de obreiras so alimentadas com uma mistura semelhante, mas com uma proporo muito menor da substncia mandibular e ainda com a adio de plen. Segundo, a quantidade de alimentao. As larvas de rainha no apenas "biam" numa quantidade enorme de geleia real, como a ingerem com muito mais apetite do que as larvas de obreira. Isso acontece porque elas so estimuladas pelo contedo maior de acar na geleia real do que na comida das larvas nos primeiros dias. Terceiro, o tamanho da clula de rainha, chamada de mestreira. Ela muito mais ampla do que os alvolos de obreiras, e permitem um crescimento muito maior da rainha.Outra diferena que a rainha a nica fmea a acasalar e, portanto, somente ela capaz de pr os ovos que geraro novas obreiras e zangos.

    1.17 E o que uma princesa? como chamada uma rainha muito jovem, que ainda no foi fecundada.

  • 1.18 Como a fecundao da rainha? Alguns dias aps o seu nascimento, a princesa faz um ou mais voos nupciais, nos quais copula com diversos zangos (entre 7 e 17, provavelmente). Depois disso, retorna colmeia e nunca mais acasala. O smen introduzido fica armazenado num rgo da rainha chamado espermateca, pelo resto da sua vida reprodutiva. No momento da postura, o vulo que desce pela vagina ser fertilizado por um espermatozide da espermateca, caso a rainha esteja pondo um ovo numa clula de obreira, ou no ser fertilizado, caso a clula seja de zango (que maior que a de obreira).

    1.19 Como podem os zangos nascer de ovos no fertilizados? Trata-se de um fenmeno conhecido como partenognese, comum tambm em vespas e formigas. O indivduo resultante no tem pai e haplide, isto , possui metade dos cromossomos de sua me - apenas 16. Essa situao curiosa determina que a rainha que gerou um zango seja o "pai gentico" das filhas desse zango.

    1.20 Qual a funo dos zangos? Aparentemente, eles existem apenas para a procriao. Eles no defendem a colnia (no possuem ferro), nem colheitam nada de til para a colmeia na natureza.

    1.21 Como identificar um zango? O zango maior que as obreiras e, por isso, frequentemente confundido com a rainha por apicultores iniciantes. Na verdade, ele completamente diferente, tanto das obreiras quanto da rainha. O seu corpo mais largo, e o abdmen termina numa forma rombuda, e no pontiaguda. Alm disso, os seus olhos compostos so muito grandes, juntando-se no topo da cabea.

    1.22 zangos so sempre puros? [1]Talvez em razo de os zangos serem haplides, espalhou-se a crena de que eles so sempre de raa pura. O filho de uma rainha pura tambm ser puro (embora possa ter caractersticas diferentes da sua me), e o filho de uma rainha mestia poder ser mestio e, havendo coincidncia, tambm poder at ser puro (veja item ).

    1.23 Os zangos irmos so idnticos? [1]No necessariamente. Pode haver zangos irmos idnticos, mas isso apenas uma coincidncia. Ocorre que uma clula comum da rainha possui 32 cromossomos ligados dois a dois (16 pares) e os vulos produzidos possuem apenas 16 cromossomos, nenhum ligado a outro. Estes 16 cromossomos resultam da combinao aleatria de um dos cromossomos do par 1, mais um dos cromossomos do par 2, e assim por diante. Como em cada par de cromossomos a carga gentica varia de um cromossomo para outro, cada vulo produzido e cada zango, por consequncia - carregar uma carga gentica particular. Posto em nmeros, uma rainha pode gerar 216 = 65.536 vulos (zangos) diferentes, considerando-se apenas o agrupamento randmico dos cromossomos durante a meiose. Na verdade, este nmero pode ser muito maior, pois h um segundo fenmeno de variabilidade gentica importante, conhecido por crossing over [ARM01]. Pela mesma razo, zangos no so idnticos sua me. Uma caracterstica qualquer (determinada por gene recessivo) que no se manifeste na rainha pode estar presente no zango, se ele ficar com o cromossomo que carrega este gene.

    1.24 Qual a funo da rainha? A rainha d origem a todos os indivduos da colmeia, pela postura de ovos fertilizados (para obreiras) e no fertilizados (para zangos). Alm disso, a sua presena (mais precisamente as feromonas que ela produz) determina o comportamento "normal" das demais abelhas.

    1.25 Quantos ovos a rainha pe por dia? No pico da postura, ela chega a pr 2.000 ovos por dia.

    1.26 O que acontece quando a rainha morre? A rainha pode morrer acidentalmente, por exemplo, durante um maneio de rotina do apicultor, ou ser morta pelas prprias abelhas, caso o seu desempenho seja insatisfatrio. Em qualquer dos casos, as abelhas, assim que percebem a falta da rainha, tratam de produzir outra, a partir de uma larva jovem de obreira (de at 3 dias).

    1.27 E se no houver uma larva jovem? Se no houver uma larva disponvel, ou se as rainhas produzidas no sobreviverem por qualquer motivo, o enxame no ser mais capaz de produzir uma nova rainha. Se o apicultor estiver atento, ele poder fornecer ao enxame uma nova rainha ou um quadro de criao, para que elas tentem de novo, caso contrrio, a colmeia tornar-se- zanganeira.

  • 1.28 O que uma colmeia zanganeira? a colmeia em que as abelhas, na falta da rainha, comeam a pr ovos. Como no so fecundados, esses ovos geram apenas zangos, e a colmeia acaba extinguindo-se com a morte das obreiras.

    1.29 Por que as abelhas comeam a pr ovos? Uma viso popular e antropomrfica explica que a postura das obreiras um "esforo desesperado" de preservao da colnia, mas isso no verdade. Elas simplesmente passam a pr ovos porque, sem rainha e sem criao, interrompe-se a produo de feromonas que inibem o desenvolvimento dos seus ovrios. Uma questo interessante por que esse mecanismo foi preservado ao longo da seleco natural, se ele, aparentemente, intil. A resposta pode estar na subespcie africana A.m.capensis, que apresenta uma caracterstica interessante: os ovos no fertilizados podem produzir fmeas tambm, alm de machos. Assim, uma colmeia pode produzir uma nova rainha a partir de um ovo posto por uma obreira e realmente conseguir voltar ao normal. Em frequncia muito menor, a gerao de fmeas a partir de ovos no fertilizados ocorre tambm nas demais subespcies, o que pode indicar que esse mecanismo j foi mais til e mais eficiente no passado.

    1.30 Como saber se uma colmeia est sem rainha?[2]A ausncia de ovos em poca de postura normal um forte indicativo. Mas isso tambm pode significar preparao para a enxameao, se houver mestreiras no ninho. Tambm pode indicar a presena de uma rainha virgem, o que pode ser presumido se forem encontradas mestreiras j abertas. Se a colmeia fica sem rainha durante vrios dias na poca da colheita, pode-se perceber a situao visualmente, pela acumulao anormal de mel e plen no centro dos favos de criao. Apicultores mais experientes, porm, podem suspeitar da orfandade no instante em que abrem a colmeia. O que acontece que, medida que aumenta o tempo de ausncia da rainha, as obreiras comeam a apresentar um padro anormal de agitao. Muitas saem voando imediatamente, no necessariamente para atacar, num comportamento visivelmente diferente dos enxames normais.

    1.31 Como saber se uma colmeia est zanganeira? Nada mais fcil: no momento da postura, as obreiras no percebem (ou no fazem caso) se um alvolo j tem outro ovo nele depositado. Por isso, os ovos vo-se empilhando, e cada alvolo acaba contendo vrios, o que facilmente percebido pelo apicultor. Os ovos so depositados nas paredes dos alvolos, porque o abdmen das obreiras no alcana o fundo. A operculao das clulas protuberante, tpica das de zango. Depois de algum tempo, os zangos comeam a nascer, mas so todos pequenos, porque foram gerados em alvolos de obreiras, que so muito menores.

    1.32 Em quanto tempo uma colmeia fica zanganeira? Depende. Enquanto houver criao, aberta ou fechada, pouco provvel que as obreiras ponham ovos. Quando no houver mais rainha e criao, as obreiras comearo a pr dentro de 14 dias, em mdia [WIN03].

    1.33 Como identificar a rainha? A rainha parece-se com uma obreira, mas maior e tem o abdmen proporcionalmente mais alongado. Encontrar uma rainha pode ser uma das tarefas mais complicadas da apicultura. No captulo 7, so mencionadas algumas tcnicas teis.

    1.34 Qual a funo das obreiras? Como o nome sugere, trabalho duro. Enquanto so jovens, dedicam-se ao trabalho interno: limpam as clulas, alimentam as larvas jovens e a rainha com substncias nutritivas que elas mesmas segregam, alimentam as larvas mais velhas com plen e mel, empilham o plen recolhido nas clulas, segregam cera, constroem favos, recebem, processam e armazenam o nctar, vedam frestas com prpolis, defendem e ventilam a colmeia, operculam clulas. Quando mais velhas, dedicam-se, principalmente colheita de nctar, plen, gua e prpolis. A colheita de nctar ou mel pode ser feita tambm em outras colmeias, especialmente as mais fracas, num comportamento de pilhagem (saque)

    1.36 Quanto tempo vive uma abelha? Durante a colheita, uma obreira vive, em mdia, 38 dias. Entre colheitas, a expectativa de vida aumenta, e elas chegam a viver 5 meses ou mais em climas muito frios. Uma obreira europeia chegou a viver 320 dias [WIN03]. Aparentemente, a distncia total voada um determinante muito mais importante para a longevidade da abelha do que a sua idade. Um estudo de Neukirch, citado em [WIN03], estabeleceu um limite terico mdio de 800 km voados, no importando se eles se acumulam ao longo de 5 ou de 30 dias.

  • 1.37 Quantas abelhas vivem numa colmeia? O nmero real extremamente varivel, a cada poca do ano, de colmeia para colmeia. No pico da colheita, por exemplo, considere as seguintes hipteses: Postura diria de 2 mil ovos Tempo de desenvolvimento ovo-adulto de 20 dias Viabilidade de 100% da cria Ciclo de vida de 38 dias para as obreiras Nesse caso, teoricamente, a colnia poderia crescer at chegar populao abaixo, permanecendo em equilbrio enquanto a postura se mantivesse. 1 rainha algumas centenas de zangos 38 mil criao (ovos, larvas, pupas) 44 mil obreiras domsticas/obreiras (at 23 dias) 32 mil obreiras

    1.38 Quando que as abelhas pilham as colmeias vizinhas? Geralmente acontece quando a produo de nctar baixa e uma colmeia vizinha tem mel em armazm e est desprotegida por falta de obreiras. Esse comportamento frequentemente activado pelo prprio apicultor que, durante o maneio, expe o armazm de mel das colmeias investigao das vizinhas ou fornece alimentao artificial com xarope de forma descuidada ou em alimentadores deficientes (veja captulo 6).

    1.39 Como que as abelhas comunicam entre si? Principalmente, por meio de interaces qumicas. Essas interaces processam-se pela produo de feromonas, substncias segregadas por diversas glndulas que so percebidas pelo olfacto. As feromonas so o principal meio de estimulao e coordenao de quase todas as actividades das abelhas. As feromonas produzidos pela rainha, por exemplo, inibem a construo de alvolos reais pelas obreiras, inibem o crescimento dos ovrios das obreiras, atraem zangos nos voos nupciais, atraem as obreiras em geral e particularmente as amas, que alimentam a rainha com geleia real. Feromonas de obreiras esto muito ligados defesa da colmeia. A ferrada libera uma feromona que induz outras abelhas a atacarem. Por esta razo, comum a ocorrncia de vrias ferradas no mesmo local. Tambm por isso, conveniente a limpeza frequente das roupas de Proteco. Uma outra feromona de obreira a de localizao, usada para atrair ou orientar outras abelhas em direco tbua de voo, gua ou fonte de alimento. A libertao dessa feromona se d numa posio bastante familiar aos apicultores: a abelha ergue o seu abdmen, expe a glndula de Nasanov, localizada prximo extremidade, e bate as asas para dispersar a substncia. As criao tambm produzem feromonas que estimulam as obreiras a atend-las e ajudam a inibir o desenvolvimento dos ovrios das obreiras.

    1.40 E a dana das abelhas? Feromonas so o principal, mas no nico meio de comunicao. Interaces tcteis e sonoras, como o roar de antenas ou as danas tambm so muito usadas. As danas so padres de movimento, vibrao, rudo e direco utilizados com diferentes propsitos, dos quais o mais conhecido a passagem de informaes sobre uma fonte de alimento. Nessa dana, por exemplo, a abelha percorre um trecho recto do favo "requebrando-se" e depois volta ao incio desse trecho num trajecto de semicrculo. Em seguida, percorre de novo o mesmo trecho recto e volta em outro semicrculo, mas desta vez pelo lado oposto. Para saber a qualidade e a distncia dessa fonte, as abelhas levam em conta o entusiasmo da danarina, o tempo gasto no trecho recto e o nmero de vezes em que os passos foram executados. J a direco da fonte passada como um ngulo, formado entre o trecho recto da dana e uma linha vertical. Este ngulo corresponde ao formado pelos pontos sol-colmeia-fonte (a colmeia no vrtice). Assim como o alimento achado, o de novas casas no momento da enxameao tambm comunicado por danas. Alm disso, elas tambm estimulam determinadas actividades, como o armazenamento e a enxameao [WIN03].

    1.41 Como fazem quando o sol no est visvel? [4]Em tempo nublado, quando pedaos de cu podem ser avistados, a abelha consegue inferir a posio do sol pela percepo da luz ultravioleta polarizada. Para isso, a abelha necessita de, pelo menos, cerca de 10% de cu visvel. Quando a camada de nuvens no deixa uma poro de cu suficiente para a determinao da posio solar, as abelhas valem-se de indicaes geogrficas importantes, como bosques, por exemplo, e de uma espcie de relgio biolgico bastante acurado para presumir a posio do sol a cada momento.

  • 1.42 Como informam uma posio atrs de um obstculo? A direco informada como se ele no existisse. Por exemplo, uma florao atrs de um obstculo indicada na dana como se as abelhas tivessem de atravess-lo para chegar l. A distncia informada, porm, corresponde ao gasto de energia necessrio para alcanar o objectivo e ela, nesse caso, maior do que seria se no houvesse obstculo. Na busca, as obreiras que assistiram dana fazem as voltas que forem necessrias para alcanar o destino.

    1.43 A que velocidade voa uma abelha? Em mdia, a 24 km/h.

    1.44 Quanto tempo uma abelha leva para nascer? Este tempo, ao contrrio do que muitos imaginam, varivel. Temperaturas altas na rea de cria podem acelerar o processo, enquanto que as temperaturas baixas retardam-no. O ciclo mdio de desenvolvimento das abelhas o seguinte: a rainha nasce em 16 dias, e a obreira, em 19-20 dias.

    1.45 O que as abelhas comem? Resumidamente, nctar e mel, como fonte de carbohidratos, e plen, como fonte de protenas, gorduras, vitaminas e minerais, alm de gua. As larvas de obreiras e zangos, at 3 dias de vida, so alimentadas pelas abelhas com secrees nutritivas, produzidas pelas glndulas hipofaringeanas e mandibulares das obreiras. Aps o 3 dia, a alimentao das larvas muda para outros tipos de geleia e uma mistura de nctar, mel diludo e plen. Aps o nascimento, durante cerca de duas semanas, a obreira consome muito plen, pois depende dele para, nessa fase da vida, produzir as substncias que alimentaro as larvas e a rainha. Gradualmente, a dieta da obreira comea a mudar para nctar e mel, medida que ela abandona o servio de alimentao e assume outros servios, como a colheita de gua, nctar, plen e prpolis. A rainha alimenta-se quase que somente de geleia real, tanto na fase larvar quanto em toda a sua vida adulta. A geleia real um produto semelhante comida da larva, mas com uma proporo muito maior da secreo mandibular e, por essa razo, mais rica em algumas substncias nutritivas. Zangos adultos so alimentados pelas obreiras nos primeiros dias, e depois se alimentam sozinhos, basicamente de nctar e mel.

    1.46 Como se reproduzem os enxames? Em algumas situaes, uma colnia resolve dividir-se, e a isso d-se o nome de enxameao. Ela ocorre com frequncia durante floraes abundantes, quando o espao na colmeia se torna insuficiente para armazenar o nctar que entra e a nova prole que est a ser gerada pela rainha. Quando a rainha no produz feromonas em quantidade suficiente para todo o enxame, a enxameao tambm pode ocorrer ( o que acontece com rainhas mais velhas). O primeiro passo do processo de enxameao a produo de princesas. Antes de nascerem as princesas, as obreiras submetem a rainha a um regime forado, negando-lhe alimento e tratando-a rudemente, para que no fique parada. Supostamente, isso serve para interromper a postura e deix-la mais leve para a viagem da enxameao. No dia da sada, muitas obreiras engolem o mximo de mel, para garantir a sua sobrevivncia at que uma nova morada seja encontrada, e para poderem produzir cera para a construo dos primeiros favos. Muitas obreiras, especialmente as mais jovens, abandonam a colmeia, levando junto a rainha (ou arrastando-a, em alguns casos). Ao abandonar a colmeia, o enxame agrupa-se nas imediaes, num galho de rvore, num poste, num automvel, onde ele achar mais conveniente. Em seguida, abelhas batedoras saem em busca de um lugar seguro para formar a nova colmeia (em alguns casos, essa pesquisa pode iniciar antes mesmo da sada do enxame). Elas avaliam ocos de rvores, cavidades em rochas, espaos em telhados, caixas vazias, tonis abandonados e muitos outros. Quando uma batedora acha um bom lugar, volta ao enxame e comunica a boa notcia danando. Mais abelhas aparecem para avaliar a escolha e, se ela for melhor que as alternativas encontradas por outras batedoras, o enxame decide fazer a nova colmeia ali.

    1.47 O que acontece com a colmeia que perdeu um enxame? [2]Fica com a casa, toda a cria, as reservas de plen, parte das reservas de nctar e mel, parte das obreiras, especialmente as mais velhas, e uma ou mais princesas ou rainhas novas, que lutaro at a morte at que s sobre uma para comandar a colmeia. Dependendo do tamanho original do enxame e das condies da colmeia, outros enxames podem ser produzidos - os enxames secundrios. Eles so menores e podem conter uma ou mais princesas. Numa colmeia de um apirio, a enxameao representa um prejuzo certo, uma vez que, no apenas parte do mel foi levada embora, como foi drasticamente diminuda a fora de trabalho para colher mais. Em geral, de colmeias que enxameiam, no se consegue nenhuma produo significativa de mel na temporada. Algumas vezes, porm, especialmente se houver bastante espao para criao e mel na colmeia, a enxameao ocorre suficientemente tarde, para que bastante mel j tenha sido armazenado.

  • 1.48 Por que as abelhas abandonam a colmeia? Quando as abelhas so submetidas a um nvel de stress ou privao muito grande, elas podem abandonar a colmeia e tentar a sorte em outro lugar. Uma causa comum o calor excessivo. Caixas com pouco espao e sem ventilao, quando deixadas ao sol, provocam abandono. Perodos de carncia alimentar muito prolongados e ataque de formigas tambm. O mesmo com maneios descuidados ou muito frequentes.

    1.49 Por que as abelhas s vezes matam a sua rainha? Diversos factores podem provocar a substituio da rainha. Quando ela j no produz feromonas em quantidade suficiente, as abelhas podem resolver troc-la. Tambm quando o seu desempenho baixo (postura deficiente) ou o seu armazm de esperma acaba (ela s consegue produzir zangos). Em alguns casos, as abelhas parecem culpar a rainha por algum distrbio maior na colmeia, e liquidam-na por "peloteamento" (formam uma bola em torno dela at sufoc-la). Em qualquer caso, o propsito parece ser sempre obter uma rainha nova, melhor do que a actual.

    1.50 Como as abelhas lidam com as variaes de temperatura? A capacidade de as abelhas lidarem com variaes de temperatura est ligada ao tamanho do enxame. Uma abelha sozinha tem mnima proteco, uma colmeia numerosa pode manter o seu centro a 35 C, em situaes externas de extremo calor (at 70 C) e de extremo frio (at -80 C) [SOU92]. Para arrefecer uma colmeia, as abelhas utilizam a evaporao da gua, um processo eficiente, porque absorve grande quantidade de calor ao ocorrer. Elas expem a gua, na forma de pelculas nas suas mandbulas ou gotculas espalhadas pela colmeia, a uma corrente de ar provocada por elas mesmas, com o bater de suas asas. Dessa forma, conseguem sobreviver em ambientes muito quentes, desde que haja gua suficiente disponvel. Para aquecer uma colmeia, as abelhas agrupam-se em torno do centro, onde est a criao. Quanto mais baixa a temperatura, mais apertado ser o agrupamento. As abelhas, nessa situao, assumem uma posio relativa que fora o entrelaamento dos seus plos torcicos, aumentando a capacidade de isolamento trmico das sucessivas camadas. Essas camadas so formadas por abelhas voltadas para o centro do grupo, e h um revezamento entre as que esto em posio mais externa e as que esto mais ao centro.Elas tambm so ajudadas pela presena de alvolos vazios, que formam cmaras de ar parado, que um bom isolante. Se ainda assim a temperatura continuar caindo, as abelhas passam a produzir calor pela vibrao da sua musculatura torcica. Nesse caso, porm, elas necessitam ingerir quantidades maiores de mel para repor a energia perdida. Em outras palavras, transformam-se em estufas movidas a mel.

    1.51 Por que o apicultor pe fumo nas abelhas? [4]A principal razo bloquear ou diminuir a resposta agressiva. Muitos acreditam tambm que o fumo dispara na colmeia um comportamento de preparao para a fuga: as obreiras passariam a engolir mel e armazen-lo na vescula melfera, para um eventual abandono da colmeia. Isso, ocuparia as abelhas por algum tempo e alteraria o seu comportamento de defesa, mudando de agresso para fuga. As abelhas que engolem mel tambm teriam maior dificuldade para ferrar. Outra utilidade muito importante do fumo a conduo das abelhas. Como elas geralmente so repelidas pela fumo, o apicultor a utiliza para afastar as abelhas de terminados locais, como a superfcie da caixa antes da recolocao da tampa.

    1.52 A fumo no "stressa" as abelhas? Sim, bastante. Maneios muito frequentes podem at provocar o abandono de toda a colmeia. O fumo quase sempre necessrio, mas, por qualquer ngulo que se examine (stress das abelhas, contaminao de favos e mel), sempre ser prefervel usar a menor quantidade possvel de fumo numa manipulao.

    1.53 Quanto pesa uma abelha? Em mdia, uma abelha recm nascida (com o aparelho digestivo vazio) pesa cerca de 83 mg (europeia). Isso d 12.000 europeias/kg.Observao: no use esses dados para calcular o peso de um enxame, pois nele, as abelhas possuem um contedo intestinal varivel, que pode chegar a 80% do seu peso lquido. Em mdia, estima-se de 7.000 a 10.000 abelhas por quilograma.

    1.54 Como a abelha colhe nctar? A abelha suga a substncia adocicada (nctar, pseudonctar, calda, suco, refrigerante, etc.) com a ajuda da sua prosbcide (lngua). A substncia ento conduzida at uma poro do aparelho digestivo chamado de vescula melfera, uma espcie de antecmara do estmago, que pode ser amplamente distendida.

  • 1.55 Quanto nctar a abelha pode transportar? Em mdia, a carga de nctar de uma europeia situa-se entre 20 e 40 mg, podendo chegar, ocasionalmente a 80 mg.

    1.56 A que distncia uma abelha voa para colher nctar? O mais prximo possvel. Trs quilmetros uma distncia mxima frequentemente mencionada, mas as abelhas voaro mais do que isso se necessrio. Economicamente, quanto mais prximas do apirio estiverem as flores, melhor, pois as abelhas consumiro menos mel durante a actividade da colheita.Na prtica, frequentemente considera-se que a flora apcola til ao apirio est circunscrita num raio de 1 a 1,5 km, o que corresponde a uma rea circular de 300 a 700 hectares.

    1.57 Como a abelha colhe plen? Ela usa a lngua e as mandbulas para tirar algum plen das anteras e humedece-lo. Muitos gros tambm ficam presos ao seu plo na operao. Depois, ela "escova" esses gros, geralmente durante o voo, mistura-os ao plen humedecido e compacta tudo na corbcula, uma reentrncia existente no seu par de pernas posterior. A medida que mais plen vai sendo colheitado, a carga nas corbculas aumenta, e alguns plos so envolvidos pelas bolotas, para que elas permaneam firmes no lugar.

    1.58 Como a abelha colhe prpolis? Com ajuda das mandbulas e do primeiro par de patas, ela remove o material resinoso da planta. Depois, armazena-o na corbcula, de forma semelhante ao que faz com o plen. Antes de usar a prpolis, a abelha mistura-a com cera, numa proporo que pode chegar a 30%, para tornar a sua consistncia mais trabalhvel.

    1.59 Como a abelha colhe gua? Ela suga a gua e armazena-a tal como faz com o nctar, na vescula melfera.

    1.60 O que estimula as abelhas para a colheita? Basicamente, a necessidade das abelhas, a disponibilidade de espao na colmeia e a abundncia local dos recursos. Num clima quente, por exemplo, a necessidade de refrigerar a colmeia comanda a busca de gua. Em floraes grandes, a necessidade por plen e nctar e o espao de armazenamento disponvel orientam a sua colheita. Em vrios estudos, observou-se que a alocao de obreiras para colheita de um recurso especfico estava relacionada pronta aceitao deste recurso pelas abelhas domsticas na hora da chegada da obreira. Por exemplo, se uma obreira que colectou gua imediatamente aliviada da sua carga na chegada colmeia, ela provavelmente voltar para buscar mais gua. Se, por outro lado, ela demora muito a conseguir livrar-se da sua carga, ela provavelmente dirigir seus esforos a outro produto na prxima viagem.

    1.61 Onde as abelhas guardam esses produtos? O plen armazenado nos alvolos prximos rea de criao, que o seu principal consumidor. O nctar armazenado nos alvolos que esto acima e ao lado da rea de criao e plen. A prpolis usada directamente no objectivo: tapar frestas e envolver corpos estranhos que no puderam ser removidos. A gua no armazenada nos favos, mas distribuda entre diversas abelhas jovens, que a mantero nas suas vesculas melferas at que ela seja necessria.

    1.62 Como as abelhas produzem cera? Obreiras, normalmente entre 8 e 17 dias de idade, segregam cera na forma de flocos, atravs de glndulas cerferas, localizadas na parte frontal do abdmen. Para produzir cera, as abelhas precisam de ingerir muito mel.

    1.63 Quanto mel deve ser ingerido para a produo de 1 kg de cera? [4]A eficincia de converso de mel em cera extremamente varivel, dependendo de mltiplos factores, como propenso gentica, idade mdia das obreiras, temperatura ambiente. Um estudo de Whitcomb, 1946, com 4 colnias durante 70 dias, obteve relaes da ordem de 104:1 (104 kg de mel consumidos para 1 kg de cera produzido) at 3:1, sendo que a mdia geral convergiu para 8,4:1, um valor que frequentemente citado na literatura.

    2. A colmeia

    2.1 O que uma colmeia? a casa das abelhas. Por extenso, a palavra tambm usada para fazer referncia s abelhas que a habitam.

  • 2.2 Como uma colmeia? A colmeia dita mvel uma caixa, ou um conjunto de caixas empilhveis, dispostas sobre um fundo (ou cho) e cobertas por uma tampa (ou tecto). Geralmente, feita de madeira. Dentro das caixas, ficam os quadros, que so estruturas rectangulares, como molduras, destinadas a conter os favos feitos pelas abelhas.Esse o modelo moderno bsico, mas inmeros outros so possveis. No passado, as colmeias eram cestos de palha emborcados. Cortios, sem quadros, tambm foram usados durante dcadas.

    2.3 De que outros materiais podem ser feitas as colmeias? H muitos anos existe no mercado internacional colmeias feitas de material sinttico, como o poliuretano. Embora ocasionalmente algum se manifeste favoravelmente a elas, o mais comum ouvir-se queixas e suspeitas. Seja como for, elas parecem estar no mercado h tempo demais para ainda no se terem imposto, j que o peso leve um grande atractivo para os apicultores. Talvez com a adopo de melhores tecnologias e materiais, a colmeia sinttica se torne uma boa alternativa..2.4 Qual o melhor tipo de colmeia? difcil dizer. Hoje em dia, a apicultura mundial inclina-se para o modelo Langstroth (ou americana), talvez nem tanto pela sua funcionalidade, e mais pela sua popularidade. Quando no mencionado, este texto far sempre referncia a colmeias Langstroth.Existem vrias alternativas ao modelo Langstroth, adequadas para climas mais frios ou mais quentes.Reversvel, Lusitana, Prtica, etc. Quase todas tm uma ou mais vantagens em relao Langstroth, mas nenhuma delas foi capaz de super-la a ponto de tornar-se um novo padro de facto.

    2.5 O que so ninhos e alas? Ninhos (ou caixas, ou cmaras de criao) contm os quadros que sero usados para a postura de ovos e desenvolvimento das criao. Geralmente so mais altas e formam o primeiro andar, se a colmeia for vista como um edifcio.Alas (ou sobrecaixas) so destinadas apenas produo de mel, para que os seus quadros no contenham tambm criao e plen. Geralmente so mais baixas que os ninhos e formam os andares mais altos do "prdio". Alguns apicultores preferem usar apenas ninhos nas colmeias, inclusive fazendo o papel de alas (os alas igual ao ninho).Ocasionalmente, usa-se a palavra caixa para fazer referncia a um ninho ou a uma ala igual ao ninho, indistintamente. A mesma palavra pode ser empregada no sentido de colmeia - "tenho dez caixas de abelhas".

    2.6 O que melhor, alas ou alas igual ao ninho? Alas igual ao ninho so melhores por um lado, porque permitem uma padronizao de quadros - com ninhos e alas, o apicultor precisa manter armazms de dois tamanhos de quadros e de lminas de cera alveolada. Com alas igual ao ninho, a prancheta excluidora torna-se totalmente dispensvel, porque qualquer quadro com postura pode ser aproveitado para o ninho.Por outro lado, alas igual ao ninho carregados de mel so pesados demais, e praticamente inviabilizam o maneio por uma s pessoa. Os favos de ninho tambm precisam ser centrifugados com muito mais cuidado, para no se partirem. Alm disso, floraes no muito intensas ou enxames no muito fortes, que poderiam encher uma ala, talvez no sejam suficientes para encher uma ala igual ao ninho, dificultando a colheita. Tambm o facto de se efectuarem tratamentos no ninho, correndo o risco de vir a utilizar esses quadros para mel, dever funcionar como dissuasor de alas igual ao ninho.

    2.7 Quanto pesam uma ala e uma ala igual ao ninho? Em colmeias Langstroth, uma ala com dez quadros cheios de mel operculado contm cerca de 11 a 12 kg de mel. Uma ala igual ao ninho nas mesmas condies contm cerca de 20 a 22 kg de mel.O peso das caixas varia com o tipo de madeira empregue. Uma ala, com dez quadros aramados e lminas de cera alveolada pesa cerca de 5 kg. Um ninho nas mesmas condies, pesa cerca de 8 kg.

    2.9 Afinal, quantos quadros devem ser usados, 8, 9 ou 10? Dez quadros a capacidade normal, tanto das alas quanto dos ninhos, e os espaadores Hoffmann dos quadros so projectados para manter a distncia de 35 mm entre os centros de dois favos contguos. Em alas e alas igual ao ninho, muitos apicultores removem um ou dois quadros, para que os favos de mel fiquem mais largos ("gordos"). Isso facilita muito a desoperculao com faca, economiza quadros e promove um melhor aproveitamento da caixa, j que um ou dois espaos vazios entre os favos so substitudos por mel. A remoo de quadros, porm, no pode ser feita a qualquer momento. Em relao ao ninho, no h vantagem para as abelhas em usar-se menos de 10 quadros, porque elas no teriam o que fazer com o espao excedente. bom frisar que o transporte de caixas com menos de 10 quadros pode acarretar muitas quebras e esmagamentos de favos e abelhas, pelas colises ocorridas em razo dos movimentos pendulares dos quadros.

  • 2.10 O que so espaadores Hoffmann? So laterais de quadros mais largas na parte superior do que na inferior. O seu formato diminui a rea propolisada entre dois quadros contguos, facilitando a remoo do quadro. Ao mesmo tempo, o estreitamento curto e arredondado dos espaadores facilita a insero do quadro entre os demais.

    2.11 Como as abelhas sabem onde devem colocar cada produto? No sabem. O apicultor apenas aproveita a sua tendncia de organizar a colmeia em camadas: primeiro criao, depois plen, depois mel. Assim, se a primeira caixa (a mais de baixo) estiver bem, com favos em boas condies e com espao sobrando, muito provvel que a rainha use esta rea para pr seus ovos.Eventualmente, por falta de espao ou de condies melhores, a rainha pode subir e fazer a postura numa ala. Para evitar isso, os apicultores s vezes usam grades excluidoras.

    2.12 O que uma prancheta excluidora? uma prancheta larga o suficiente para deixar uma obreira passar, mas no uma rainha, nem os zangos. Com a prancheta posta entre o ninho e as alas, pode ter-se segurana de que no haver quadros de cria nas alas.

    2.13 Porque que alguns apicultores no usam a prancheta excluidora? Uma razo porque a prancheta um equipamento a mais para o apicultor manipular. Os maneios s vezes so demorados, e quanto mais peas o apicultor tiver de manipular, pior. Tambm, porque s vezes a prancheta parece funcionar como uma barreira para as obreiras. Elas conseguem passar, mas simplesmente negam-se a construir favos e depositar mel acima da prancheta, especialmente quando o fluxo de nctar no dos mais fortes.Quando colocada depois que algum mel ter sido armazenado na ala, zangos podem ficar presos ali e at seventalarem na prancheta e morrerem.

    2.14 Porque que as abelhas constroem os seus favos exactamente dentro dos quadros?Somente porque so induzidas a isso. No centro de cada quadro, o apicultor coloca uma lmina de cera alveolada, que funciona como um incio do favo. As abelhas s continuam o que j receberam comeado. Quando no so induzidas, ou quando sobra algum espao relativamente grande numa caixa, as abelhas constrem favos fora dos quadros. Quando o apicultor esquece quadros sem cera alveolada, elas constroem favos atravessados, cada um passando por dentro de vrios quadros. Neste caso, arrumar a colmeia pode dar um trabalho enorme.

    2.15 Porque que as abelhas preenchem alguns espaos com cera e outros com prpolis?Essa foi talvez a maior descoberta da apicultura moderna, que possibilitou o desenvolvimento das colmeias racionais. No h uma razo conhecida, mas segundo as observaes de Lorenzo Lorraine Langstroth, em 1851, as abelhas no fecham espaos maiores de 6,4 mm com prpolis, nem constroem favos em espaos menores que 9,5 mm. Isso permitiu definir o espao-abelha.

    2.16 O que o espao-abelha? exactamente o intervalo de 6,4 a 9,5 mm que as abelhas deixam sempre livre. Conhecendo essas medidas, foi possvel projectar a colmeia racional, de quadros mveis, com a certeza de que as abelhas construiriam favos apenas nesses quadros, se correctamente induzidas, e no iriam col-los entre si e nem s paredes das caixas. Essa a dimenso mais conhecida na apicultura, mas h outras tambm importantes.

    2.18 O que cera alveolada? cera derretida e estampada com hexgonos com a dimenso mdia dos alvolos. As lminas produzidas assim, so cortadas no formato dos quadros e vendidas aos apicultores. Esta cera fornecida s abelhas em substituio a favos velhos ou inutilizados.

    2.19 Como se fixa a cera alveolada nos quadros? Os quadros possuem fios de arame atravessados, geralmente no sentido horizontal. A lmina soldada neles com ajuda de um pouco de cera derretida e, no caso de arames, pelo seu aquecimento por uma corrente elctrica. Arames tambm podem ser incrustados com ajuda de uma carretilha. Um cuidado muito importante ao soldar a lmina com o alinhamento dos alvolos. Eles devem ficar com dois vrtices opostos dos hexgonos perfeitamente alinhados na vertical. Isso pode no acontecer se a lmina estiver mal cortada, no sentido atravessado (dois lados opostos alinhados com a horizontal) ou simplesmente cortada torta. Se isso ocorrer, a lmina poder ser integralmente rejeitada pelas abelhas.

  • 2.20 melhor soldar a lmina encostada na barra superior? O melhor, usar lminas que aproveitem ao mximo o espao disponvel no quadro. Isso poupar as abelhas de produzirem cera, permitindo-lhes uma produo maior de mel. Mas quando a lmina de cera menor (em altura) do que o espao disponvel no quadro, h duas indicaes de soldagem. Quando o quadro for destinado postura, prefervel soldar a lmina encostada na barra superior. O espao que sobrar entre a lmina e a barra inferior normalmente no ser puxado com alvolos e, como vantagem, facilitar a movimentao da rainha e das obreiras. Quando o quadro se destina armazenagem de mel, o ideal soldar a lmina encostada barra inferior. Nessa situao, as abelhas puxam o favo e estendem-no at a barra superior, promovendo um aproveitamento integral do espao e uma solidez muito maior do favo. Isso se reflecte num armazenamento maior de mel por quadro, optimizando a funo da ala. Alm disso, e talvez mais importante, a resistncia muito maior do favo, quando soldado em cima e embaixo, permite uma colheita e uma centrifugao muito menos sujeitas a quebras e despedaamentos. E isso especialmente importante quando se usam oito ou nove quadros na ala, pois tornam-se ainda mais pesados do que o normal.

    2.21 Como se solda cera com corrente elctrica? Primeiro, os quadros devem ser aramados. O ideal quatro fios em quadro de ninho e trs em quadro de ala. O arame deve ser ancorado no incio, passado pelos furos e ancorado novamente no fim, sem cruzamentos e amarraes intermedirias. Ele deve ficar bem esticado, mas no em excesso, caso contrrio, poder causar deformaes nas laterais do quadro.Para arames galvanizados, use uma fonte de tenso entre 12 e 18 volts. Para arame inox, use uma fonte entre 24 e 30 volts. Coloque a lmina sobre os arames (um peso em cima da lmina, como um pedao de tbua, ajuda bastante). Ligue cada plo da fonte a uma extremidade do arame e observe a incrustao ocorrer at a metade, mais ou menos, depois desligue os plos.

    2.22 Que fonte essa? Uma fonte de 12V possvel a bateria do automvel, mas no recomendvel. Usando-a, voc pode causar curtos-circuitos que danifiquem a bateria ou outro sistema elctrico do seu automvel, alm de descarreg-la, naturalmente.Se voc tem experincia com ligaes elctricas, o melhor fazer o seu prprio incrustador, adquirindo um transformador de tenso numa loja de artigos electrnicos. Fornea essa especificao:Para arames galvanizados:Tenso de entrada: 220 volts (escolha a que corresponde sua rede)Tenso de sada: 12 volts Corrente de sada: 8 a 10 amperesPara arames inox:Tenso de entrada: 220 volts (escolha a que corresponde sua rede)Tenso de sada: 24 a 30 voltsCorrente de sada: 8 a 10 amperesPara qualquer tipo de arame:Tenso de entrada: 220 V (escolha a que corresponde sua rede)Tenso de sada: 24 a 30 voltsCorrente de sada: 8 a 10 amperes Em srie com a entrada, ligue um dimmer para lmpadas incandescentes. Ao fazer a primeira incrustao, ajuste o dimmer para que a incrustao seja rpida, mas sem provocar muito centelhamento.

    2.23 Que arame melhor? O arame inox. Ele mecanicamente mais resistente, e podem-se usar fios mais finos, que atrapalham menos a postura da rainha. muito mais resistente oxidao, e tem vida til maior. Pela sua rigidez, mais difcil de ser manipulado, e precisa estar num carretel para no virar uma maaroca. Precisa de uma tenso eltrica mais alta para incrustao, por apresentar uma resistncia eltrica maior. mais caro, mas rende muito. O fio de 0,3 mm de dimetro tem cerca de 1.800 metros por quilo, e apresenta uma resistncia mecnica maior que a do arame galvanizado n 22 (dimetro de 0,7 mm), que ainda muito usado. O arame inox deve ser o do tipo rgido, usado para a confeco de molas. H um fio mole, mais fcil de trabalhar, mas com uma resistncia mecnica muito menor.

    2.24 O arame no encrava na madeira dos quadros? Sim, e isso acarreta uma diminuio da tenso de esticamento do arame ao longo do tempo. Para evitar esse problema, ponha ilhoses em todos os buracos dos quadros. No caso do fio de inox, mais fino, esse procedimento absolutamente indispensvel.

  • 2.25 Quadros plsticos no so preferveis? Os quadros plsticos, em poliestireno, compem-se de uma moldura, idntica aos de madeira, e mais uma superfcie alveolada, como se fosse uma lmina de cera. Assim, estes quadros no precisam de aramao nem da incrustao de cera. Quando a parte alveolada banhada com cera, a aceitao das abelhas normal, mas o quadro dificilmente aproveitado por elas quando o banho de cera no feito. Isso sugere dificuldades na reutilizao dos quadros, e esta de fato a principal reclamao dos usurios. possvel que para quadros de ala, que devem ser preservados tanto quanto possvel, essa ideia d bom resultado. Mas, como no caso das caixas de poliuretano, os quadros de poliestireno esto no mercado h tempo demais para ainda no terem se tornado uma alternativa bem conhecida.

    2.26 Do que so feitos os favos? Exclusivamente da cera segregada pelas obreiras.

    2.27 Como os favos so produzidos? As abelhas que segregam cera fazem uma espcie de "cortina", umas presas s outras pelas patas. Cada uma delas produz flocos de cera, que depois so mascados e amolecidos com um pouco de saliva. Em seguida, so colados e moldados na estrutura de cera que est a ser construda. No caso do favo, a estrutura um agrupamento de alvolos, ou clulas, cuja seco transversal um hexgono. Esses alvolos so dispostos lado a lado, de forma que cada parede compartilhada por duas clulas (excepto as paredes mais externas, claro). Eles tambm so dispostos fundo-contra-fundo, desencontrados, de maneira que cada favo possui duas camadas de alvolos, cada camada voltada para um lado.

    2.28 Porque que o alvolo hexagonal? Essa forma optimiza a construo, pois atende da melhor forma possvel o compromisso entre economia de cera e trabalho versus a resistncia mecnica final do conjunto.

    2.29 Qual o tamanho do alvolo? As europeias constrem 857 alvolos de obreira em 100 cm (considerando-se as duas faces). A Alvolos usados para cria de obreiras e armazenagem de plen geralmente tm as mesmas dimenses. O armazenamento de mel pode ser feito em alvolos de obreira ou de zango.

    2.30 Quantos alvolos h num favo? Depende da rea til do quadro (as medidas mais rigorosas so as externas), mas pode-se estimar, arredondando, para 7.000 alvolos de obreira por quadro de ninho (3.500 por face), e 4.000 alvolos por quadro de ala (2.000 por face). No caso de favo de zango, um quadro de ninho possui cerca de 4.200 alvolos (2.100 por face), e, um quadro de ala, 2.400 (1.200 por face).

    2.31 Existe cera alveolada para zangos? [4] Sim, usada principalmente por criadores de rainhas, que precisam produzir bons zangos tambm. Alm disso, o uso favo de zango na ala usado para controlo da varroa e tambm porque a extraco de mel muito acelerada pelo dimetro maior dos alvolos, o que facilita bastante o escoamento durante a centrifugao.

    2.32 Que cor tem o favo? Favos recm construdos so brancos, mas vo ficando amarelados rapidamente. Os favos de ninho escurecem muito mais que os de ala, pois cada cria deixa resduos do seu casulo e dejectos orgnicos que as outras obreiras no conseguem eliminar inteiramente. Um favo de ninho antigo chega a ser quase negro.

    2.33 Por que o mel no escorre do favo? A construo do favo orientada pela gravidade, e ele perfeitamente vertical. Os alvolos, porm, no so puxados a 90. Eles so feitos com uma inclinao ascendente de 9 a 14 em relao horizontal. Isso evita que o nctar/mel escorra logo que comea a ser armazenado no alvolo, e tambm impede que as larvas caiam da clula acidentalmente. Quando o volume de nctar/mel armazenado atinge a borda do alvolo, as abelhas iniciam a sua operculao (fechamento), de forma a impedir o escorrimento.

    2.34 Como o fundo da colmeia? uma superfcie, geralmente de madeira, com pequenas paredes nas laterais e atrs, que servem de apoio ao ninho. A frente estende-se alguns centmetros alm do comprimento do ninho, para servir de plataforma de pouso e decolagem das abelhas. O espao formado entre a superfcie do fundo e o incio da parede frontal do ninho a entrada da colmeia.

  • 2.35 Que tamanho tem a entrada da colmeia? Tem cerca de 37 cm de largura por 1 ou 2 cm de altura. Na prtica, geralmente usado um redutor, para regular a temperatura e impedir a entrada de insectos de maiores dimenses e roedores.

    2.36 Como a tampa da colmeia? uma superfcie, geralmente de madeira, com paredes nas laterais, que ajudam no seu encaixe sobre a ltima caixa da colmeia e prancheta.

    2.37 O que uma prancheta? Trata-se de uma pea que serve para o fechamento superior da colmeia, mas no fica exposta, e sim protegida pela tampa, que nesse caso, funciona tambm como um telhado. um dispositivo perfeito para promover a ventilao da colmeia, evitando que a grande quantidade de vapor produzida pelo enxame condense nas partes superiores da colmeia e torne o seu ambiente insalubre, especialmente em regies muito hmidas ou frias. Tambm permitem a alimentao logo acima do ninho.

    2.38 Que outros equipamentos podem compor a colmeia? Outros equipamentos importantes, mas de uso temporri: Alimentadores, para fornecer alimentos s abelhas Prancheta excluidora de entrada de voo, para impedir a sada da rainha da caixa (til em colmeias com enxames recm capturados)

    2.39 Como se protege a colmeia contra a intemprie? De trs formas: cobrindo-a com um telhado (ou impermeabilizando a tampa), protegendo-a com algum tipo de pintura ou revestimento e colocando-a sobre um suporte para afast-la do cho.

    2.40 Que podemos fazer para evitar que o telhado da colmeia levante? Quando a colmeia estiver exposta a ventos fortes, recomendvel colocar um peso sobre o telhado. Uma pedra, uma lousa, etc.

    2.41 Como se pinta uma colmeia? Somente as paredes externas da colmeia devem ser pintadas. Cores claras ajudam a reflectir melhor as radiaes do sol e manter uma temperatura mais amena em dias quentes. A tinta esmalte e a tinta a leo podem contaminar os produtos da colmeia com metais pesados, e recomendam apenas tinta ltex, a mesma usada para alvenaria. Diversos fabricantes de colmeias no as pintam, mergulham-nas num preparado fervente de 75 % de leo de linhaa, 20% parafina, 5 % cera de abelhas. As caixas devem ficar em local ventilado at que o cheiro desaparea. Quem certificado como apicultor em modo de produo biolgico, pode no usar esses processos de impermeabilizao, e vale-se de receitas caseiras, muitas vezes base de leo vegetal, prpolis e lcool.

    2.42 Onde fica apoiada a colmeia? Diversos tipos de suporte podem ser usados. Cavaletes de quatro ps, fixos ou mveis, so muito usados. Tijolos, pedras ou o cho facilitam o ataque de predadores e sujeitam a colmeia a quedas por desequilbrio.A caixa deve ficar a 40-50 cm do solo.

  • 3. O Apirio

    3.1 Com quantas colmeias devo iniciar um apirio? Se no tem experincia anterior, com zero. Isso mesmo, antes de adquirir qualquer coisa de apicultura, procure um bom curso. Depois de faz-lo, ter condies muito melhores de avaliar como dever ser o seu incio na apicultura, ou, se for o caso, at desistir da ideia. (espero que no!!)

    3.2 Como encontro um bom curso de apicultura? Uma boa forma consultar a associao de apicultores da sua regio. Um bom curso aquele que combina teoria e prtica de forma complementar.

    3.3 Mas, afinal, com quantas colmeias geralmente se inicia um apirio? Cinco a dez colmeias uma recomendao frequente na literatura mas pode perfeitamente iniciar com uma nica colmeia, aprender bastante com ela, divertir-se e ainda colher seu primeiro mel. Depois, se desejar, e na medida das suas possibilidades, pode ir ampliando o apirio. A vantagem de ter mais de uma colmeia que uma delas pode salvar a outra em caso de necessidade (unindo-as, por exemplo). Como primeiro critrio, adopte a sua capacidade de maneio. Estime quantas colmeias voc pode manter bem, considerando o seu tempo disponvel e a sua disposio. Esquea o critrio, relativamente comum no incio, de aumentar o nmero de colmeias at igualar-se ao seu vizinho ou impressionar seus amigos - esta uma receita de fracasso quase garantida. No esquea que voc pode ser um excelente apicultor de uma colmeia ou um pssimo apicultor de 200. Na dvida, opte sempre pela qualidade.

    3.4 Onde deve localizar o apirio ? H diversas variveis envolvidas nessa escolha: segurana, disponibilidade de flores e de gua, presena de outros apirios.

    3.5 A que distncia de casas um apirio pode estar? (dec -lei 205/2005 de 25 de Novembro)Portanto, ao escolher o local do seu apirio, certifique-se de que h uma boa barreira natural entre o local e as casas e terrenos vizinhos. Ter de manter uma distncia de 100 metros de qualquer edificao excepto as destinadas actividade e 50 metros de estradas ou caminhos.

    3.6 A que distncia de flores e gua deve ficar o apirio? Em relao s flores, quanto mais prximo, melhor. Grosso modo, considere que a flora apcola til situa-se num raio de at 1.500 metros do apirio. No apenas a distncia, mas tambm (e principalmente) a quantidade de espcies apcolas e a durao, intensidade e perodo das floraes so importantes na localizao de um apirio fixo. Se voc no tem alternativa, s lhe resta estabelecer o apirio onde possvel e avaliar o seu desempenho por algumas colheitas. Deficincias na flora apcola podem ser compensadas com o plantio de espcies apropriadas sua regio, ao menos parcialmente. Em relao gua, tambm interessante que ela esteja disponvel em local prximo, de fonte limpa. s vezes, uma alternativa vivel fazer um bebedouro para as abelhas, com gua encanada a pingar sobre um tanque raso, com areia e brita para as abelhas no se afogarem.

    3.7 Que distncia entre apirios deve ser respeitada? (dec -lei 205/2005 de 25 de Novembro)Considerando-se a rea til de colheita das abelhas em 1.500 m, trs quilmetros seria uma distncia ideal. Infelizmente, este tambm um nmero completamente irreal para a maior parte dos apicultores. Em apirio de 11 a 30 colmeias deve respeitar uma distncia de instalao de 400 m. Em apirio de 31 a 100 colmeias deve respeitar uma distncia de instalao de 800 m. Qualquer florao produz uma quantidade de nctar que pode ser total ou parcialmente colhido pelas abelhas e outros insectos. Se o tempo permite, mas nem todo o nctar produzido colhido, a rea est insaturada, isto , ela ainda admite acrscimo de colmeias. Caso contrrio, a rea est saturada, e o acrscimo de colmeias acarretar a queda de produtividade das demais. Essa condio no imediatamente percebida, mas uma queda de produo contnua por alguns anos pode ter a saturao como causa. A saturao tambm pode ocorrer sem acrscimo de colmeias, pela remoo da flora apcola local, devido a incndios ou limpeza de campo.Se estiver a iniciar, pode ir aumentando as suas colmeias gradualmente, at que a produo mdia fique mais ou menos estvel. Se ela entrar em declnio contnuo, bom investigar as causas, mas cuidado para no culpar a saturao muito cedo. O clima, por exemplo, um factor altamente determinante da produo. As ocorrncia das espcies anuais e o desempenho apcola das plantas tambm podem variar enormemente de um ano para outro.

    3.8 At quantas colmeias posso ter num apirio? De novo, depende da saturao da rea. Em alguns lugares, no valer a pena ter nenhuma; em outros, talvez seja possvel manter cinquenta colmeias. Em qualquer caso, a capacidade do local varivel, podendo crescer ou diminuir de acordo com o que plantado ou cortado nas imediaes.

  • 3.9 E se a produo cair porque o meu vizinho instalou um apirio? Essa uma questo muito delicada. Parece-me claro que seu vizinho tem o mesmo direito de ter um apirio. A no ser que haja demanda reprimida, ambos ganharo menos do que ganhariam se estivessem ss. O direito de ambos garantido, mas os resultados podem fazer um desistir. No caso de apirios vizinhos, h dois caminhos possveis: cooperao ou competio. Voc pode conversar com o seu vizinho e chegar a um acordo com ele a respeito de quantas colmeias cada um pode explorar, considerando o potencial do local e quanto cada stio contribui para a flora apcola. Esta a soluo ideal, mas requer que os vizinhos tenham bom senso e boa vontade, o que nem sempre acontece. A alternativa, no caso de uma rea saturada, a competio; tentar fazer o melhor maneio possvel, para obter uma produtividade aceitvel.

    3.10 A que distncia deve ficar uma colmeia da outra? Normalmente guarda-se a distncia da mesma medida de uma colmeia (mnimo).

    3.11 Que outras consideraes so necessrias no planeamento do apirio?O mais importante que haja um planeamento completo e cuidadoso antes que a primeira colmeia seja instalada, porque depois tudo ser muito mais difcil. Por exemplo: Verifique se h agricultores que usam pesticidas nas proximidades. Isso pode ser fatal para suas abelhas ou deixar resduos no seu mel. O apirio deve ter acesso fcil - lembre-se de que haver colmeias a serem levadas para l e, espera-se, alas muito pesadas a serem retiradas. O acesso s colmeias deve ser sempre por trs, nunca pela frente, pois isso interrompe a linha de voo delas e provoca muito mais ataques. Um sombreamento leve muito til nas estaes quentes. Em regies que possuem estaes frias, rvores que perdem as folhas no inverno so uma boa opo para arborizar o apirio. Uma boa alternativa, especialmente nas regies mais quentes e expostasl, posicionar as colmeias voltadas para o Norte. Desta forma, elas recebero uma incidncia directa de sol maior no inverno e menor no vero. Locais sujeitos a alagamento so pssimos para as abelhas, pois a humidade dificulta a evaporao do nctar, e para o apicultor, que dificulta o maneio na lama. Terrenos muito ngremes dificultam a movimentao no apirio e sujeitam o apicultor a quedas que podem ter srias consequncias. O uso de terraos pode ser uma boa soluo. prefervel que o lado dos ventos mais fortes fique protegido por algum tipo de quebra-vento, natural, construdo ou plantado. Lembre-se que voc pode querer aumentar o apirio no futuro. melhor j pensar numa possvel ampliao e preparar toda a rea de uma vez. No esquea de que precisar de um local para abrigar os equipamentos, as roupas e as colmeias vazias. A distncia do apirio sua casa tambm no pode ser grande demais, para que o maneio possa ser feito numa frequncia mnima, diminuindo os custos de deslocao.

    3.12 Para que lado devem ficar viradas as entradas da colmeia?

    Um critrio bom posicionar as colmeias de forma que o deslocamento do apicultor e de algum veculo se possa dar sempre pelos fundos das colmeias, nunca prximo s frentes. Se ainda assim houver alternativas boas de posicionamento, considere a possibilidade de instal-las na beira de mato, voltadas para o Norte ou com o alvado voltado para o lado em que os ventos so menos intensos.

    3.13 Como limpar o apirio? Depois de habitado, a limpeza do apirio um pouco mais complicada. Tem de ser feita com o equipamento de Proteco, pois a movimentao provoca muita agitao nas colmeias. Pode usar herbicidas naturais, como o sal. Poucas plantas toleram uma alta salinidade, e o apirio, ou pelo menos a rea em torno das colmeias, pode ser mantida limpa assim. Sem uma ligeira cobertura vegetal, o solo absorve e irradia mais calor, aumentando a temperatura no apirio. E as chuvas podem transform-lo num lamaal. Uma boa ajuda pode ser o plantio de uma cobertura vegetal baixa e agressiva, como alguns tipos de grama e trevos, de preferncia que j estejam aclimatados regio.

    3.14 Posso criar animais perto do apirio? Depende. Animais encurralados podem ser atacados e mortos se no puderem fugir. Gado bovino normalmente pode ser criado, desde que no haja cercas que impeam a sua fuga. Nesse caso, prefervel no cercar nem mesmo o apirio, pois se algum animal conseguir passar a cerca e derrubar alguma colmeia, provavelmente no achar a sada. Com apirio aberto, geralmente o gado aprende a respeitar as colmeias, e raramente se ouvem relatos de acidentes.

  • 3.15 Posso fazer as minhas colmeias? A no ser que seja carpinteiro, melhor compr-las, pois a construo d muito trabalho, e as dimenses devem ser exactas, para que outros acessrios possam ser usados nelas.

    3.16 Quanto custa uma colmeia? Uma colmeia completa, com fundo, ninho, duas alas, quadros aramados e tampa custa aproximadamente 60,00 .

    3.17 Quantas alas por colmeia devo comprar? Depende da produtividade, na dvida, compre duas alas por colmeia e avalie os primeiros resultados.

    3.18 Preciso comprar colmeias de reserva? Sim, isso muito importante. Inicialmente, tenha pelo menos uma ou duas colmeias completas de reserva. Com o tempo vai ajustando essa quantidade.

    3.19 Como povoar o apirio? H diversas formas de se obter enxames para povoar o apirio. A primeira comprar enxames. Outra forma capturar enxames com caixas-isca. Esse o mtodo mais barato e menos trabalhoso, mas no muito garantido. Outra maneira capturar enxames alojados na natureza ou em locais indevidos. Eles podem ser encontrados em ocos, vos de paredes duplas, caixas, barris, qualquer lugar. Esta, frequentemente, a maneira mais penosa e a que exige maior experincia. Quando se deseja ampliar um apirio j povoado, pode-se tambm recorrer diviso de enxames.

    3.21 No melhor usar colmeias vazias para atrair enxames? A caixa-isco dez a quinze vezes mais atractiva do que as de madeira.

    3.24 Quando que o enxame pode ser transferido para a colmeia definitiva? Cerca de uma semana aps a captura, j deve haver favos com criao. Nesse momento, cai o risco de o enxame abandonar a caixa aps uma manipulao, e a transferncia para a colmeia definitiva pode ser feita. No entanto, eventualmente, pode-se manter o enxame na caixa-isca at a sua transferncia para o local definitivo (apirio).

    3.25 Quando a nova caixa pode ser transferida para o apirio? Se o apirio estiver a mais de 3 km, basta esperar at que o enxame esteja bem ambientado, com as obreiras a trabalhar bastante. Tambm importante que o enxame esteja bem alojado, com bons favos de cria e quadros bem seguros, para que o transporte no os danifique. Se o apirio estiver prximo, h trs possibilidades. A primeira na noite seguinte ao dia de captura. Essa a melhor opo, mas s pode ser feita se a distncia permitir um transporte manual e extremamente cuidadoso, que no perturbe o enxame, pois ele estar em forma de cortina, construindo os favos. Como as obreiras mal comearam a tarefa de colheita, elas ainda no se habituaram ao novo local, e a perda no dia seguinte, por retorno ao local da captura, ser mnima.

    A segunda possibilidade mover a caixa para um local distante mais de 3 km, deix-lo por l duas semanas e depois transferi-lo para o apirio. Para isso, a colmeia deve estar em boas condies para resistir ao transporte.

    Uma terceira possibilidade a movimentao directa do local de captura para o apirio prximo por volta do 30 dia de captura. Nesta poca, grande parte das obreiras originais j morreram ou esto prximas do fim, enquanto que a primeira gerao de abelhas novas est quase pronta para iniciar as tarefas de colheita. Assim uma transferncia para um local prximo causa uma perda relativamente pequena de obreiras por retorno ao local de origem, e ainda assim de obreiras velhas.

  • 3.26 Como capturar enxames alojados? Esse um tpico avanado, que requer experincia no trato com as abelhas e, muitas vezes, outras habilidades. O processo, basicamente, consiste em remover os favos do local e transferi-los para um ninho. Cada favo deve ser colocado no centro de um quadro sem arame, e fixado com elsticos. importante que a orientao vertical dos favos seja preservada, ou todo o trabalho ser perdido. Depois disso, as abelhas e, especialmente a rainha, devem ser transferidas para a nova caixa, com ajuda de uma concha ou caneca. Enquanto a rainha no for transferida, as abelhas no permanecero na nova casa. Ao contrrio, quando a rainha estiver l, as abelhas restantes entraro por conta prpria.Por fim, a nova colmeia pode permanecer no local por algum tempo at que todas as abelhas tenham recolhido. Posteriormente, a caixa deve ser movida para o local definitivo, e os favos capturados devem ser gradualmente substitudos por cera alveolada.H uma alternativa interessante, que no pode ser usada sempre, consiste em instalar uma colmeia ou um ncleo nas proximidades do enxame alojado e forar a passagem das abelhas pela colmeia, com a ajuda de um tubo. Naturalmente, todas as frestas da colmeia original devero ser bem vedadas. Eventualmente, o enxame pode adoptar o novo espao e abandonar o antigo.

    3.27 Como manter informaes sobre o apirio? [3]O registo de informaes sobre o apirio e as colmeias pode ser muito til ao apicultor, especialmente ao iniciante e ao grande apicultor. Para poucas colmeias, um caderno pode ser suficiente. Para quem quiser manter dados mais organizados e em maior quantidade, algumas planilhas electrnicas serviro perfeitamente. Quem preferir uma interface mais simples e um conjunto de funes j bem definidas pode optar por um programa de apicultura. H vrios deles disponveis na Internet, em diversas lnguas. Alguns possuem verses para demonstrao e at verses gratuitas completas para poucas colmeias.

  • 4. Proteco

    4.1 Como se deve proteger durante o maneio? O apicultor protege-se principalmente de duas formas: com o uso de vestario adequado e o uso de fumo.

    4.2 Como deve ser o vesturio do apicultor? Botas, casaco-mscara e calas ou macaco, luvas e mscara. O ideal que sejam usadas apenas cores claras, de preferncia o branco, pois elas estimulam menos a agressividade das abelhas. As botas devem ser de borracha branca, melhor se tiverem o cano firme e estreito, que proteja at o meio da canela, aproximadamente. O macaco, ou o conjunto de casaco-mscara e cala, pode ser feito de algodo ou de tecidos sintticos, como nylon . H inmeros modelos, alguns ventilados, alguns com mscara integrada, alguns com mais de uma camada. O macaco ou o casaco devem ser bem folgados, pelo menos dois nmeros acima do seu, para evitar que fique muito esticado sobre a pele e facilite a vida das abelhas agressoras. Por baixo do macaco, deve usar sempre uma camisola de algodo e calas ou bermudas, para que o macaco, quando molhado de suor, no fique colado ao corpo. Para mexer em enxames muito agressivos, a roupa de baixo deve ser reforada. A mscara deve ter uma rea de viso ampla, protegida por uma rede preta (para evitar ofuscamento). De preferncia, essa rede deve contornar toda a cabea, para permitir uma ventilao melhor. Para iniciantes, o modelo de mscara integrada ao macaco pode ser prefervel, pois d uma sensao de segurana maior. As luvas podem ser feitas de nitrilo, napa ou couro (vaqueta). Eu gosto das luvas de couro, que do Proteco mxima em qualquer situao, e so muito resistentes. Essas so as minhas preferncias, certamente diferentes das de outros apicultores. S depois de adquirir alguma experincia, poder definir bem qual o seu conjunto ideal.

    4.3 Como vestir todo esse equipamento? Simples: as peas das extremidades devem recobrir o macaco. A mscara (quando separada) recobre a gola, as luvas recobrem os punhos e as botas recobrem as pernas do macaco.

    4.4 No se morre de calor? Na verdade, o calor pode ser um inimigo terrvel do apicultor, e ainda assim ser prefervel a uma poro de ferradas. Mas alguns procedimentos podem diminuir um pouco o sofrimento: Mantenha as colmeias a meia-sombra no vero. Leve gua ao apirio. Carregue dentro da mscara uma toalhinha para secar o excesso de suor do rosto. Segure-a pelo lado de fora da mscara.

    4.5 Mas as abelhas no entram pelas frestas? [4] No ajuste da mscara e das luvas, no devem sobrar frestas, ou as abelhas podero entrar. Algumas abelhas agressivas dentro da mscara no uma situao agradvel de se enfrentar. Entre o macaco e as botas, o problema menor, porque elas raramente descem para ferrar. Se o cano no for muito largo, as canelas e o p sero os locais com menor risco de serem ferrados. Colocar a perna do macaco por fora da bota e fix-lo com fita adesiva uma soluo definitiva.

    4.6 Como agir se entrarem abelhas na mscara? Uma soluo afastar-se bastante do apirio e tirar a mscara, mas isso raramente possvel. Quando essa situao ocorre, o nvel de ataque muito alto, e vai acabar por ser perseguido por outras abelhas que o impediro de livrar-se da mscara.O melhor mesmo ter muito cuidado ao colocar a mscara, ou usar mscaras integradas ao macaco, que impedem a entrada de abelhas.

    4.7 Como se proteger contra enxames muito agressivos? Enxames hiperagressivos podem ser um problema srio. Felizmente, eles no costumam existir em grande nmero no apirio. Para comear, deixe a sua manipulao para o fim. Para que a resposta agressiva no atrapalhe o maneio das demais colnias. Tente fazer um maneio rpido, aplicando mais fumo do que habitualmente. Se possvel, evite dias sombrios, hmidos ou ventosos. Por baixo do macaco, use algo grosso. Use meias duplas e recubra-as o mximo possvel com as extremidades do abrigo e do macaco. No deixe frestas junto s luvas e s mscaras. Deixe qualquer equipamento furado ou descosturado em casa. Alguns apicultores recomendam o uso de macaces de nylon nessas circunstncias. O nylon fino e no d uma boa Proteco, mas as abelhas tm dificuldade em ferrar por no conseguirem se agarrar bem roupa. Com isso, muitas que morreriam ao ferrar um macaco de algodo acabam por salvar-se.

  • 4.8 O fumo desnorteia as abelhas? No, ela inibe a percepo das feromonas de alarme que so libertadas pelas abelhas quando elas se sentem ameaadas. O fumo desencadeia na colmeia um comportamento de preparao para abandono, que faz com que muitas abelhas se encham de mel, ao invs de assumir uma posio de defesa ameaa.Assim, uma abelha cheia de mel tem tambm mais dificuldade em flexionar o abdmen para ferrar.

    4.9 Como usar o fumo? H duas abordagens.Uma usar o mnimo indispensvel. Por isso, deve estar sempre com o fumigador mo e us-lo frequentemente, com pequenas fumigadas. No h dvida que d mais trabalho, especialmente quando se trabalha sozinho, mas as abelhas e os consumidores do seu mel agradecem. A outra abordagem o oposto: aplicar bastante fumo. Com isso, inibe-se de uma vez quase toda a capacidade de resposta agressiva da colmeia. Esse mtodo frequentemente usado por quem possui um nmero grande de colmeias e no pode perder muito tempo em cada uma delas.

    4.10 Por que a fumo indesejvel? A fumo causa um transtorno geral na colmeia, atrapalhando todas as actividades. A volta normalidade na colmeia pode levar horas. Alm disso, ela impregna todo o interior da colmeia, inclusive o mel que ser colhido pelo apicultor. Se consome mel habitualmente, com certeza j provou mel com gosto de fumo. Ele foi extrado por um apicultor que usou fumo demais quando havia mel no operculado na colmeia. Mas o mau sabor no o pior da histria. A fumo proveniente da queima incompleta dos restos vegetais, que o que ocorre no fumigador, composto por uma quantidade muito grande de substncias qumicas txicas e cancergenas Hidrocarbonetos, como metano, propano e octano, cetonas, lcoois, aldedos, cidos, entre outros, so produzidos no fumigador, e parte deles expelida junto com o vapor de gua, as cinzas e o alcatro que tambm compem a fumo [FIS02]. Para resumir: fumo sujeira, evite tanto quanto possvel.

    4.11 Quanto tempo devo esperar para abrir a caixa aps pr fumo? A minha recomendao fumigar trs ou quatro vezes peloentrada, deslocar-se para trs da colmeia, levantar a tampa e, a partir da, usar o fumigador apenas quando necessrio e apenas com intensidade suficiente. Deve-se ter cuidado especial quando h alas com mel desoperculado, para no o contaminar. Obviamente, h condies de excepo que precisam ser tratadas de forma especial. Enxames excessivamente agressivos no podem ser controlados com pouco fumo. Em dias sombrios, a concentrao de abelhas nas colmeias maior, e a agressividade geralmente tambm. A presena de vento dissipa muito rapidamente o fumo e, consequentemente, os seus efeitos. Nesses casos, um volume maior de fumo e o seu uso com maior frequncia inevitvel. Da mesma forma, enxames pequenos podem muitas vezes ser manipulados sem fumo nenhum, ou com quantidade absolutamente mnima. Por isso, nunca trate da mesma forma seus enxames diferentes.

    4.12 Como posso livrar-me das abelhas que me perseguem? Dentro do apirio, no possvel, voc apenas deve manej-las o mais suavemente possvel para manter a resposta agressiva no nvel mais baixo que puder. Fora do apirio, h um mtodo que funciona muito bem: atravesse um mato fechado em zig-zag. s vezes, uma ou duas entradas e sadas num mato j despista quase todas as abelhas perseguidoras. Prevendo isso, voc pode j deixar caminhos irregulares prontos para uso.

    4.13 O que fazer quando eu levar uma ferrada? O ferro deve ser raspado rapidamente, com a ponta do formo. Depois, se for possvel, limpe ou cubra a regio, para que no provoque outras ferradas. Se a ferrada atingir a pele atravs da roupa, veja se o ferro ficou preso e remova-o. Em seguida, aplique um pouco de fumo no local, para disfarar a feromona.

    4.14 Por que devo retirar o ferro rapidamente e sem usar os dedos? Porque junto com o ferro, normalmente deixado tambm o saco de veneno. Quando isso ocorre, o veneno continua a ser injectado por algum tempo e quanto mais rpida for a sua retirada, melhor. O mtodo de remoo no tem nenhuma influncia. A explicao para isso que o veneno continua a ser bombeado aps a deposio do ferro, mas um sistema de vlvulas que controla o fluxo e no contraces do saco (cujas paredes nem sequer possuem msculos) ou a sua compresso. Resumindo, quando for ferrado, retire o ferro o mais rpido possvel, do maneira que der.

    4.15 Como que alguns apicultores trabalham sem Proteco? Com o tempo e a experincia, possvel dispensar alguma Proteco, especialmente as luvas. Muitos apicultores profissionais, que trabalham com muitas colmeias, acabam habituando-se s ferradas e preferem evitar o uso das luvas, que sempre atrapalham um pouco. Num maneio simples, em dia favorvel, voc pode fazer uma experincia e ver como se sente. Em nenhuma hiptese, porm, trabalhe sem a mscara. O pescoo e o rosto so reas muito sensveis, e no vale a pena correr o risco.

  • 5. Prtica Bsica

    5.1 Quais so as principais ferramentas do apicultor? Na hora do maneio, as ferramentas essenciais so o fumigador, o formo e a escova de sacudir.

    5.2 Como o fumigador? um cilindro metlico - a fornalha, acoplado a um fole.

    5.3 Qual o combustvel ideal para o fumigador? O melhor usar apenas restos vegetais bem secos, como palha, restos de aplainamento de tbuas, Cuidado para no usar restos de compensados ou aglomerados, inclusive MDF, pois eles so produzidos com colas que, ao queimarem, podem produzir fumo ainda mais txico do que o normal.

    5.4 Como acender o fumigador? Se o combustvel estiver bem seco, no haver problema. Coloque um pouco no fundo da fornalha e acenda com fsforo, ou, melhor ainda, com um daqueles acendedores a gs para foges. Espere at formar algumas brasas, ajude um pouco com o fole. Depois v colocando mais combustvel, pouco a pouco, e accionando o fole at que uma fumo branco, espessa e frio saia pela boca do fumigador. Recarregue-o com mais combustvel sempre que a fumo comear a escurecer um pouco ou sair acompanhada de fagulhas. Deve colocar algumas ervas ou folhas mais verdes no cimo para arrefecer um pouco o fumo. Se o combustvel estiver um pouco hmido, uma pequena dose de lcool em gel resolver o problema.

    5.5 E como reacender o fumigador? Se sobrar combustvel na fornalha de um dia para outro, no tente acender o fumigador por cima, pois o resultado sempre ser mau. Se o combustvel velho estiver muito carbonizado, deite-o fora. Se ainda houver uma boa poro no queimada, despeje-o numa folha de jornal, inicie o fogo do fundo e recoloque-o aos poucos na fornalha. Depois, complete o nvel com combustvel novo.

    5.6 Para que serve o formo? As abelhas tendem a propolisar todas as frestas estreitas da colmeia, a acabam assim por colar todas as partes mveis da colmeia. Por essa razo, a ferramenta mais importante do apicultor o formo, uma barra chata de ao, dobrada em L, com as extremidades levemente afiadas (mas no cortantes). Esse formo usado sempre como alavanca, para levantar a tampa, separar os quadros e descolar as caixas. Tambm muito til para raspar restos de cera e de prpolis.

    5.7 Como a escova? A escova, apesar do nome, parece-se mais com um grande pente, porque possui apenas uma fileira de cerdas. Essas cerdas devem ser bem macias, para removerem as abelhas sem as magoar ou danificar os favos. Tambm importante que as cerdas sejam de cor clara, menos irritantes para as abelhas.

    5.8 H outras ferramentas teis para o maneio? [4]Uma lmina afiada (faca, canivete ou estilete) imprescindvel no dia-a-dia do apicultor. Um acendedor para o fumigador necessrio. Podem ser fsforos ou isqueiro, mas o melhor um acendedor a gs para foges, daqueles com uma haste comprida. Um rolo de fita adesiva larga, de empacotar, de enorme utilidade para vedar provisoriamente algumas frestas e fixar alguns componentes. Uma outra ferramenta, de alguma utilidade, o alicate levantador de quadros. Trata-se de uma espcie de alicate duplo, usado para retirar e segurar os quadros que sero examinados, com mnimo risco de danificar o favo ou machucar as abelhas. Outras ferramentas podem ser importantes, mas de uso muito eventual, como alicate, martelo, arame, pregos.

    5.9 Como fazer para no perder essas ferramentas? Nada mais fcil do que perder essas ferramentas num apirio. Para evitar isso, faa o seguinte: v a uma casa de ferragens e compre dois rolos de fita isolante, um vermelho e outro amarelo. Coloque uma ou duas fitas de cada cor em volta das suas ferramentas e nunca mais voc as perder.

  • 5.10 Com que frequncia devo examinar as colmeias? Depende da poca e do tipo de maneio. Uma inspeco rpida pode ser feita a cada semana (ou duas, ou trs), mas talvez no haja nenhum problema se esperar um ms ou mais. Revises completas podem ser feitas cerca de 2 a 4 vezes por ano. Se quiser usar alimentao estimulante antes da florao, o ideal ser fornec-la com grande frequncia - dia sim, dia no, por exemplo. Se isso no for possvel, procure fornecer uma quantidade maior de xarope em alimentadores lentos. Durante a colheita, h duas abordagens antagnicas. A primeira verificar a colmeia frequentemente para tentar conter alguma enxameao. No entanto, o controle de enxameao no nada trivial nem 100% garantido, e muito melhor fazer-se uma preveno adequada. A segunda abordagem, mexer o mnimo possvel na colmeia, abrindo-a poucas vezes e rapidamente, apenas para verificar a acumulao de mel e colocar ou retirar alas. Isso evita perturbaes que podem at significar perda de mel. De qualquer forma, independentemente da abordagem adoptada, importante que as colmeias no sejam abertas com temperatura ambiente muito baixa, da ordem de 10 C ou menos. Caso contrrio, muita criao poder morrer.

    5.11 Como feita uma reviso completa? Primeiro, ponha fumo e abra a colmeia. Se houver alas, avalie o seu contedo retirando um ou dois quadros. Com o tempo, bastar dar uma olhada superficial e suspend-la, para estimar bem a quantidade de mel armazenado. Verifique se h postura na ala. Faa o mesmo com todas as alas e v retirando-as at chegar ao ninho, usando um pouco de fumo sempre que necessrio. Se houver mel desoperculado, use o fumo lentamente, dirigindo-a apenas para o topo dos quadros. Se estiver vento, p direccional a fumo para o lado da colmeia que estiver recebendo o vento, directamente na parede. A fumo vai subir e apenas lamber a parte superior dos quadros. No ninho, retire cada um dos quadros e examine-os. com o tempo, ser capaz de seleccionar apenas alguns quadros bem representativos da situao do ninho, abreviando esse trabalho. No incio, ajuda bastante remover o quadro mais vazio de uma das extremidades e p-lo de lado, para ampliar o espao de trabalho. Em seguida, faa as verificaes e correces necessrias, recoloque todos os quadros, de preferncia com a mesma orientao frente-fundo original, e recoloque as alas, usando um pouco de fumo para esmagar o mnimo de abelhas possvel. Numa reviso de rotina, verificam-se diversos pontos: O enxame est bem desenvolvido para a poca? H reservas de mel suficientes at a prxima reviso? O tamanho da entrada compatvel com a temperatura mdia da estao e com o movimento de entrada e sada das abelhas? A rainha est presente e a postura adequada? H alvolos reais? As criao esto a desenvolver-se bem? H espao suficiente para aumentar a postura? H espao suficiente para armazenar mais mel? H sinal de doena na colmeia? H sinal de ataque de formigas, traas ou outros animais? H favos velhos ou quadros danificados a serem substitudos? H humidade condensada na colmeia? H sinais de excesso de calor dentro da colmeia?

    5.12 As colmeias mais fortes devem ser examinadas primeiro? No. Em apicultura, muitas vezes a ideia de se fazer primeiro o trabalho mais complicado impraticvel. A razo disso que mexer primeiro na colmeia mais difcil pode significar problemas para o maneio de todas as outras. Isso acontece especialmente em dias desfavorveis para o maneio, como os nublados, hmidos e ventosos. Fazendo sempre as revises mais simples primeiro garante que, se tiver de interromper o trabalho, uma boa parte dele talvez j esteja concluda.

    5.13 Por que pode ser necessrio interromper o trabalho? Uma possibilidade comear a chover. Outra que a agitao e a agressividade das abelhas podem atingir um nvel alto demais, atrapalhando muito o maneio e causando um nmero alto de ferradas, alm de saque generalizado e mortandade de abelhas. Isso no comum, mas bom acostumar-se com a ideia de que o apicultor nem sempre consegue fazer no apirio tudo o que foi planeado, especialmente quando a sua experincia ainda no muito grande.

  • 5.14 Onde ponho as caixas que vo sendo retiradas? Quando se retira uma caixa da colmeia, muitas abelhas que estavam ali saem (caminhando) para fazer uma investigao do que houve. Quando essa caixa posta directamente no solo, as abelhas que saem podem ser pisadas pelo apicultor, atacadas por predadores ou, na melhor das hipteses, demorar muito para retornar casa, j que muitas delas so jovens que nunca voaram.Deve apoiar a caixa sobre a tampa, previamente largada no solo. A caixa pode ficar apoiada numa lateral menor, isto , de tal forma que os quadros fiquem em sentido vertical ("de p"). Fica melhor ainda se um canto dessa lateral ficar sobre um ressalto da tampa. Essa posio confortvel para o apicultor, evita que muitas abelhas saiam da caixa, evita que o mel escorra e evita que os quadros se inclinem, o que acontece quando a caixa apoiada numa das laterais maiores. Aps recolocar as caixas, basta varrer as abelhas que esto sobre a tampa para dentro da colmeia, e a perda de abelhas mnima.

    5.15 Como retirar e examinar os quadros? Se houver muitas abelhas sobre ele, ponha um pouco de fumo para elas se afastarem. Depois, descole as laterais do quadro, usando o formo como alavanca. Fica mais fcil se um quadro da extremidade tiver sido retirado antes. A seguir, suspenda um canto do quadro com o formo e segure esse canto com os dedos ou o quadro inteiro com o sacador de quadros. Depois solte o outro canto com o formo e retire o quadro. Se houver muitas abelhas sobre o favo, e voc precisar ter uma viso melhor, remova o excesso com um leve chacoalhar, bem acima do ninho. Se precisar remover quase todas as abelhas, use seguinte manobra: segure o quadro por um canto com uma das mos e, com a outra mo, d um golpe seco, de cima para baixo, na mo que est a segurar o quadro. Dependendo da fora que usar, podero se desprender as abelhas, os ovos, as larvas e o nctar; muito cuidado, portanto. Em seguida, segure o quadro pelos cantos e analise a face do favo que est voltada para si. Se estiver de costas para o sol, o quadro ficar mais bem iluminado. Para analisar a face oposta, vire-o de cabea para baixo, girando-o com os dedos das duas mos. Tenha cuidado para no expor as criao muito tempo ao sol (mais de alguns poucos segundos), pois elas so extremamente sensveis. Tenha muito cuidado tambm ao recolocar o quadro, para no esmagar outras abelhas e, principalmente, a rainha. Quando terminar de recolocar todos os quadros, aperte-os em direco a uma das extremidades, para que sobre o mnimo de folga entre eles, dificultando a propolisao das suas laterais.

    5.16 Como saber se o enxame est bem desenvolvido? Principalmente, por comparao com os demais. Mas a experincia ajuda muito.

    5.17 Como saber se h mel suficiente at a prxima reviso? Depende da temperatura mdia da poca, do fluxo de nctar existente ou por iniciar, de quand