Actividades de Enriquecimento Curricular - appi.pt 1. INTRODUÇÃO Este relatório incide sobre a...

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Associação Portuguesa de Professores de Inglês 1 Actividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo do Ensino Básico INGLÊS Relatório final de acompanhamento APPI - CAP 2011/2012
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  • Associao Portuguesa de Professores de Ingls

    1

    Actividades de Enriquecimento Curricular

    no 1 Ciclo do Ensino Bsico

    INGLS

    Relatrio final de acompanhamento

    APPI - CAP

    2011/2012

  • 2

    1. INTRODUO

    Este relatrio incide sobre a atividade desenvolvida pela APPI, enquanto associao

    convidada na CAP - Comisso de Acompanhamento do Programa das Actividades de

    Enriquecimento Curricular (AEC).

    Reportamo-nos ao ano letivo que agora finda, baseados na anlise dos relatrios dos

    peritos sobre as aulas observadas e sobre a sua participao nas Mesas Redondas.

    A APPI entende que, passados 7 anos da implementao do Programa de

    Generalizao do Ensino do Ingls no 1 CEB, importa tecer algumas reflexes sobre o

    seu desenvolvimento e sobre a posio da APPI relativamente ao mesmo, no sentido

    de tentar perspectivar o futuro do Ingls no currculo do 1 CEB.

    Nas recomendaes, no deixaremos de focar aspectos que tm vindo a preocupar a

    APPI nos ltimos anos e que tm sido j enunciados em relatrios anteriores, mas que

    continuam sem resoluo.

    2. MODELO DE ACOMPANHAMENTO

    Sendo que o acompanhamento ao ensino do Ingls no 1 ciclo do ensino bsico se

    realiza desde o ano letivo 2005/2006, anualmente, o modelo de acompanhamento

    adotado vem sofrendo de alteraes que pretendem colmatar lacunas e dar resposta a

    constrangimentos observados e relatados pelos diversos membros da CAP,

    intervenientes no processo.

    No entanto, e apesar da melhoria crescente dos dispositivos de acompanhamento e da

    implementao de boas prticas, a APPI constata que o novo modelo de

    acompanhamento definido para este ano letivo, comparativamente ao implementado

    no ano letivo anterior, deu origem a alteraes que condicionaram o processo, a saber:

    na amplitude da amostra observada, drasticamente mais reduzida:

    apenas uma turma observada em cada Agrupamento, por visita, com exceo

    das visitas efetuadas na Direo Regional de Educao do Alentejo, onde cada

    perito observou duas turmas do mesmo Agrupamento, na mesma Visita;

    no agendamento:

    Visitas a serem realizadas durante o 2 perodo, sendo que na DRELVT apenas

    se realizaram no 3 perodo;

  • 3

    na operacionalizao, designadamente, nas Mesas Redondas, cuja organizao

    e coordenao foi da responsabilidade da Direo de cada Agrupamento.

    Destacamos como pontos fortes:

    a boa articulao no agendamento das visitas, entre a DGE (Direo-Geral de

    Educao), as DRE (Direes Regionais de Educao) e a APPI, permitindo uma

    gesto mais equilibrada e atempada das disponibilidades dos peritos;

    a diminuio do nmero de peritos envolvidos nas visitas, bem como o nmero

    de deslocaes envolvidas;

    a explicitao clara do modelo de acompanhamento aos Agrupamentos,

    designadamente, dos objetivos da Observao das Aulas 1 e os aspetos a

    focar na Mesa Redonda 2;

    a organizao / coordenao da mesa redonda pela Direo do Agrupamento,

    possibilitando uma maior responsabilizao e integrao das AEC no respetivo

    Projeto Educativo (PE)

    Como pontos fracos, referimos:

    A realizao de visitas apenas no 3 perodo, na DRE j referida, permitindo

    tardiamente a remediao de alguns problemas detetados e/ou a incorporao

    1

    1 Observao das Atividades

    Tipo/natureza das atividades observadas; Adequao:

    da planificao (face s Orientaes Programticas, ao trabalho do PTT - Professor Titular de Turma -, aos alunos, aos temas);

    das metodologias / estratgias; dos materiais;

    As interaes na sala de aula.

    2 Mesa Redonda

    Aspetos Organizacionais: Horrio de funcionamento; Adequao de recursos humanos (perfil dos tcnicos); Adequao dos recursos fsicos (instalaes, equipamentos e materiais); Articulao entre parceiros (agrupamento, entidade promotora, entidade parceira); Integrao de alunos com NEE; Modalidades da Componente de Apoio Famlia; Envolvimento dos Pais / Encarregados de Educao.

    Aspetos Pedaggicos: Integrao curricular (articulao das AEC com o PCT); Superviso do PTT - dinmicas de superviso; Articulao com Departamentos Curriculares; Integrao das AEC nas dinmicas da escola (PA; participao em eventos, ).

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    das recomendaes dos peritos e de outros intervenientes nas mesas

    redondas;

    A no realizao de mesa redonda em vrias visitas na rea de influncia da

    DREN (por vezes, apenas se fazia uma breve reunio, para reflexo e troca de

    impresses, entre o perito e o tcnico de Ingls), no facilitando a integrao

    desta atividade de enriquecimento curricular no PE do Agrupamento nem a sua

    articulao curricular, especialmente, a articulao vertical;

    A falta de representantes das DRE na generalidade das visitas e nas respetivas

    mesas redondas (que entendemos, uma vez que a maior parte das visitas era

    assegurada, nos anos anteriores, pelos tcnicos das Equipas de Apoio s

    Escolas, entretanto extintas);

    Decorrente do ponto anterior, alguns peritos, apesar da sua experincia e

    competncia, relataram que as suas recomendaes no tinham a mesma

    fora, porque no eram veiculadas diretamente por elementos da tutela/DRE.

    Pelo exposto, a APPI no pode deixar de lamentar:

    o reduzido "alcance" do programa das visitas em 2011-12 quando, em anos

    anteriores, as visitas e as mesas redondas foram uma prova de vitalidade da

    tutela no sentido de conhecer e prestigiar as mesmas tambm como um fator

    de regulao do ensino do Ingls no 1 CEB, embora na situao precria que

    conhecemos bem desde 2005;

    a inexistncia de reunies CAP ao longo do ano que atualizassem e

    problematizassem o exerccio das AEC durante o ano letivo;

    a ausncia de feedback das DRE CAP, pelo menos s associaes, assim como

    a deciso unilateral de uma DRE (DREN) de no promover mesas redondas ao

    arrepio do que tinha sido estipulado em sede CAP, na reunio alargada de

    Novembro/2011.

    3. VISITAS DE ACOMPANHAMENTO

    Peritos

    A APPI esteve presente na quase totalidade das visitas agendadas (36 visitas / 39

    observaes), que envolveram 22 peritos, sendo que apenas 1 (um) exerceu esta

  • 5

    funo pela primeira vez. Contrariamente aos anos anteriores, em que muitos dos

    peritos tinham vrias visitas a seu cargo, a reduo da amostra e o facto de a

    realizao da Mesa Redonda ter lugar quase sempre no mesmo dia da observao da

    aula permitiu uma melhor distribuio, otimizando as deslocaes dos mesmos.

    2 Perodo 3 Perodo

    DRE

    Visitas/ Turmas

    Peritos

    Visitas/ Turmas

    Peritos

    DREN 7/ 73

    6

    ---------

    --------

    DREC 8/ 8

    6

    --------

    --------

    DRELVT --------

    --------

    14/ (*1) 13 (*2)

    4 (*3)

    DREA 5/ 9

    4

    -------

    -------

    DREAlg 2/ 2

    2

    -------

    -------

    Total Parcial

    22/26 18 14/13 4

    TOTAL VISITAS: 36 / TURMAS: 39 / PERITOS: 22

    (*1) Apesar de a perita reunir com os tcnicos de Ingls e de estar presente na Mesa Redonda, a aula

    no foi observada por lapso na calendarizao.

    (*2) - Mesa Redonda em dia diferente

    (*3)- As 4 peritas, enquanto membros da Direo da APPI, garantiram a totalidade das visitas na

    DRELVT.

    4. HABILITAES DOS TCNICOS

    A publicao do Despacho n. 8683/2011, de 28 de junho, no seu artigo 9. - Perfil dos

    tcnicos de ingls atualizou as habilitaes que os professores de Ingls devem

    possuir. O levantamento de dados e a anlise pormenorizada dos mesmos constaro

    do relatrio de execuo fsica da DGE; no entanto, h um ponto que continua a

    preocupar a APPI e que se refere s habilitaes acadmicas e profissionais dos

    3 No foi efectuada a visita Escola Bsica de Escariz, no dia 10 de abril.

  • 6

    tcnicos de Ingls. J era do conhecimento da APPI, atravs de informaes das DREs,

    que a dificuldade de recrutamento de tcnicos de Ensino do Ingls se tinha agravado

    em relao a anos anteriores, mas a anlise dos relatrios revelou que h tcnicos que

    no detm habilitaes acadmicas e / ou profissionais, para o desempenho da

    atividade, consignadas no ltimo despacho, inserindo-se, com frequncia nos casos

    abrangidos pelas Orientaes para Anlise de Currculos Relevantes. Encontrmos

    tcnicos que apesar de possurem certificados elencados nos Currculos Relevantes

    detm formao acadmica que nada tem a ver com o ensino e sem experincia

    anterior nas AEC, como, por exemplo, licenciaturas em Enfermagem, Traduo,

    Relaes Internacionais, etc.

    5. FORMAO CONTNUA

    A formao a distncia para professores de Ingls foi, em anos anteriores, uma das

    vertentes de acompanhamento das competncias atribudas CAP, implementada

    pela ento DGIDC, com a colaborao direta da APPI, com duas edies distintas, com

    o objectivo de dar bases metodolgicas aos professores que no tinham formao

    nesta rea: uma para o 1 e 2 anos e outra para o 3 e 4 anos.

    Tambm este ano, essa formao no se realizou. Apesar de a APPI j ter enunciado,

    no relatrio do ano letivo anterior, que a formao carecia de reformulao e que se

    predispunha a colaborar nessa tarefa, tal no foi possvel concretizar superiormente.

    Este facto implicou que muitos dos tcnicos que no detm preparao pedaggica ou

    qualquer experincia enquanto docentes no tivessem tido a oportunidade de refletir

    e construir referenciais de qualidade na planificao e no desenvolvimento das

    atividades.

    A APPI continuou a apoiar encontros ou jornadas de formao, cujo nmero de

    realizaes tem vindo a decrescer, promovidos pelas Entidades Promotoras para

    divulgao de boas prticas das AEC e reflexo sobre o trabalho desenvolvido,

    colaborando nesses encontros, sempre que solicitada, com a presena de um orador ou

    formador; por outro lado, continua a dedicar, no seu Congresso Anual, um dia especfico

    de sesses de formao para professores de Ingls do pr-escolar e 1 CEB, a cargo de

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    formadores nacionais e estrangeiros de qualidade. Realizou, tambm, um encontro de

    Primary English: Sharing Good Practice (na sua 5 edio) com a durao de um dia,

    para a partilha de experincias em sala de aula, em 2/06/2012, no concelho da Maia.

    Paralelamente, atravs do seu Centro de Formao, APPIforma, realiza aes de

    formao para professores do 1ciclo. No seu plano de formao, oferece aes

    especficas para este nvel de ensino, sendo que a mais recente Teaching English:

    bridging for continuity, cohesion and progression tem como objectivo promover a

    articulao entre os professores dos 1 e 2 ciclos.

    6. APRECIAO GERAL

    Dos comentrios dos tcnicos sobre a implementao do Ingls no 1 CEB, largamente

    elencados em relatrios anteriores, salientamos os seguintes:

    Motivao dos alunos para a aprendizagem da lngua estrangeira;

    A sensibilizao Lngua Inglesa fundamental nesta faixa etria;

    Os alunos sentem-se mais familiarizados com aspetos da lngua e cultura

    Inglesa e desenvolvem uma maior sensibilizao para a aprendizagem de

    competncias especficas das lnguas estrangeiras, nomeadamente a expresso

    oral, de acordo com o nvel cognitivo e faixa etria;

    A aquisio de regras;

    Desenvolvimento de trabalho autnomo pelos alunos;

    Os alunos so curiosos e interessados pela aprendizagem de uma nova lngua

    o ingls - e o ensino da mesma no 1 ciclo produz resultados positivos ao longo

    do percurso escolar.

    No entanto, e apesar de consideramos que muitos dos constrangimentos enunciados

    pelos tcnicos e j referidos em relatrios anteriores esto, na generalidade,

    ultrapassados, outros h que persistem, a saber:

    A no obrigatoriedade da frequncia aumenta o nvel de heterogeneidade da

    turma e as diferenas a nvel de aprendizagem;

    A inexperincia e falta de formao especfica em metodologia do ensino do

    Ingls so muitas vezes impeditivas de uma melhoria da sua prtica;

  • 8

    Dificuldade em equilibrar / gerir a parte ldica com a componente da gesto de

    comportamentos;

    O facto de a atividade ser geralmente no ltimo tempo letivo faz com que os

    alunos estejam cansados e com maior dificuldade de concentrao;

    Alguns pais mostram-se pouco sensibilizados para as atividades de

    enriquecimento curricular;

    Na generalidade dos casos, regista-se a ausncia de componente no letiva

    para a preparao de aulas, participao em reunies e articulao com os

    professores Titulares de Turma;

    Inexistncia de articulao vertical em muitos agrupamentos;

    A lecionao em vrias escolas (quando h deslocaes em curto espao de

    tempo).

    Modelo da prestao de servios;

    Contagem do tempo de servio.

    Como sugestes para a melhoria da actividade, alguns tcnicos propem:

    A integrao do ensino de Ingls no currculo;

    A frequncia obrigatria da actividade de Ingls;

    A flexibilizao dos horrios;

    A articulao entre as vrias entidades envolvidas no Programa;

    A necessidade de reunies formais entre pares;

    A necessidade de formao adequada;

    O pagamento e a disponibilizao de horas, para reunir com o PTT (Professor

    Titular de Turma)

    7. OBSERVAO DA ATIVIDADE

    Tambm este ano se constatou o que j tinha sido diagnosticado e evidenciado em

    anos anteriores: h tcnicos que trabalham muito bem com esta faixa etria, com

    conhecimentos cientficos e pedaggicos que permitem que a atividade seja um

    sucesso; outros que no tm proficincia na Lngua Inglesa ou que no tm qualquer

  • 9

    preparao pedaggica, e que transformam a aprendizagem do Ingls num total

    desprazer para os alunos.

    Dos relatrios feitos pelos peritos, evidenciamos como pontos fortes:

    Promoo de uma relao afetiva com a lngua;

    Relao pedaggica promotora da autonomia dos alunos e de uma atmosfera

    de trabalho produtiva;

    Clima de sala de aula favorvel aprendizagem;

    Implementao de rotinas;

    Gesto eficaz do comportamento dos alunos;

    O reforo positivo;

    Motivao dos alunos para a aprendizagem da lngua inglesa;

    Utilizao da lngua inglesa como lngua de comunicao na sala de aula;

    nfase na dimenso ldica da aprendizagem;

    Sequncias bem definidas das atividades com recurso a estratgias

    diversificadas;

    Atividades dirigidas aos vrios estilos de aprendizagem;

    Estratgias e tarefas adequadas ao nvel etrio dos alunos;

    Materiais adequados e motivadores;

    Desenvolvimento da competncia de comunicao em Lngua Inglesa;

    Boa articulao com o Professor Titular de Turma (PTT)

    Elaborao de planificaes em conjunto com o PTT.

    Contrastando com os aspetos positivos, continuam a ser enunciados pontos fracos nas

    observaes, tais como:

    Ausncia de metodologia e de formao pedaggica;

    Falta de preparao cientfica: lacunas no conhecimento da lngua inglesa, ao

    nvel do vocabulrio, pronncia, entoao;

    Insegurana nas instrues e nas informaes transmitidas aos alunos;

    Recurso sistemtico Lngua Materna;

    Inexistncia de classroom language;

  • 10

    Estratgias pouco diversificadas;

    Pouca diversidade de materiais;

    Pouca diversificao das formas sociais de trabalho, sendo privilegiado o

    trabalho individual em detrimento do trabalho de pares ou de grupo;

    Observao de uma atividade apenas, sem que os alunos tivessem de fazer

    qualquer utilizao de lngua;

    Dificuldade na gesto do comportamento dos alunos;

    Sequncia de atividades sem perceo do objetivo de aprendizagem;

    Planificao pouco adequada;

    Inexistncia de diferenciao na planificao para os diferentes anos;

    Ausncia de articulao com o PTT.

    Em regra, h uma correlao entre as observaes e as habilitaes acadmicas e

    profissionais dos tcnicos, bem como a experincia anterior neste nvel de ensino, mas

    foram constatadas algumas excepes: tcnicos sem formao profissional, mas com

    um bom relacionamento com os alunos e com uma noo adequada relativamente ao

    que deve ser a atividade do Ensino do Ingls e como desenvolv-la com qualidade.

    Decorrente da observao de aulas e da mesa redonda, os peritos teceram

    recomendaes aos vrios intervenientes, das quais salientamos:

    Uso sistemtico da lngua inglesa por parte do tcnico, quer ao nvel da

    linguagem de sala de aula quer na interao com os alunos;

    Mais estmulo ao uso do Ingls, por parte dos alunos, criando situaes que

    permitam a aprendizagem da lngua de uma forma natural;

    Recurso s TIC disponveis;

    Iniciao de prticas de reflexo dos alunos sobre a prpria aprendizagem,

    atravs da auto avaliao;

    Registo das atividades realizadas, de preferncia com os alunos (por exemplo,

    no final da semana ou da unidade) - um registo que permita refletir sobre as

    aprendizagens realizadas, e, simultaneamente, que proporcione aos pais e

    encarregados de educao o acompanhamento das atividade desenvolvidas;

  • 11

    Necessidade de formao especfica na rea de ensino do Ingls a young

    learners.

    Maior cooperao entre os professores do ensino do Ingls;

    Desenvolvimento de estratgias, entre todos os intervenientes, para promover

    a articulao vertical de forma mais sistemtica.

    Incremento da articulao com o (Sub) Departamento Curricular de Ingls de

    modo a que a AEC se constitua como um espao substantivo de ensino e de

    aprendizagem de Ingls;

    Sempre que possvel, evitar a constituio de turmas com nveis de

    escolaridade diferentes (1 e 4 ano/2 e 4 ano);

    A flexibilizao dos horrios de forma a permitir a distribuio de um maior

    nmero de horas pelos tcnicos.

    8. CONSIDERAES FINAIS

    O Programa de Generalizao do Ensino do Ingls no 1 CEB foi apoiado pela

    APPI, desde o seu incio, mas sempre defendemos e tentmos mostrar a

    necessidade da sua incluso no currculo, tanto pela relevncia da

    aprendizagem de uma Lngua Estrangeira desde cedo, e do Ingls em particular,

    atendendo ao uso desta LE como lngua de comunicao global, como para dar

    cumprimento s diretrizes emanadas do Conselho da Europa relativamente

    insero de pelo menos uma LE no 1 ciclo (primary);

    No final do ano lectivo de 2005-6, a ento Ministra da Educao informou a

    APPI da inteno de alargar o "Programa" aos 1 e 2 anos, a APPI aconselhou

    prudncia e que se avaliasse a "experincia" acabada de terminar, antes do

    alargamento em causa, principalmente porque se corria o risco de no haver

    nmero suficiente de professores com habilitaes para ensinar Ingls neste

    nvel, uma vez que as AEC funcionam maioritariamente das 15h30 s 17h30, o

    que aumenta substancialmente o nmero de professores necessrios em cada

    Agrupamento;

    O alargamento da oferta obrigatria do ensino de Ingls a todos os anos do 1

    CEB, consubstanciada no Despacho n 14460/2008, e tal como foi

  • 12

    implementada, potenciou, o recrutamento de professores que ou no

    detinham habilitaes ou que detinham apenas o denominado currculo

    relevante;

    O Decreto-Lei (DL) n. 212/2009 veio estabelecer o regime aplicvel

    contratao de tcnicos que asseguram o desenvolvimento das actividades de

    enriquecimento curricular (AEC) no 1. ciclo do ensino bsico nos

    agrupamentos de escolas da rede pblica, no mbito de uma efetiva

    descentralizao de competncias para os municpios em matria de educao,

    com o objetivo de obter avanos claros e sustentados na qualidade das

    aprendizagens dos alunos. O DL permite aos municpios celebrar contratos de

    trabalho a termo resolutivo, a tempo integral ou parcial, com profissionais

    especialmente habilitados para o efeito, tendo em vista assegurar necessidades

    temporrias de servio no mbito das actividades de enriquecimento

    curricular;

    O Despacho n. 8683/2011 veio proceder a algumas alteraes ao Despacho n

    14460/2008 tendo em considerao a avaliao prtica feita ao modelo, mas

    manteve o Ensino de Ingls como AEC.

    Pelo acima exposto, cabe-nos chamar a ateno da tutela para os aspetos que nos

    parecem contraditrios (j elencados em relatrios anteriores) e que necessitam de

    alterao urgente:

    A actividade de enriquecimento curricular denomina-se Ensino de Ingls;

    Foram produzidas Orientaes Programticas para os 3 e 4 anos e,

    posteriormente, para os 1 e 2 anos. No entanto, no s os professores

    passaram a tcnicos, como o investimento feito pela tutela na formao

    pedaggica dos professores de Ingls deste nvel de ensino teve um retorno

    mnimo, uma vez que, como j foi atrs referido, muitos dos docentes que

    beneficiaram dessa formao, se encontram agora a lecionar outros nveis de

    ensino;

    H um claro equvoco na incluso do Ingls como atividade de enriquecimento

    curricular; de facto, enriquece o currculo porque concorre para o

    desenvolvimento de competncias de saber- estar e saber ser, mas no ao nvel

  • 13

    do saber, uma vez que, contrariamente s outras AEC que completam as reas

    do currculo a que esto associadas, a LE no existe no currculo;

    O recrutamento de profissionais qualificados para o Ensino do Ingls cada vez

    mais problemtico e faz com que tenha havido um decrscimo acentuado na

    qualidade do ensino e das aprendizagens;

    O facto de a atividade ter lugar, maioritariamente, entre as 15h30 e as 17h30,

    faz com que aumente substancialmente o nmero de tcnicos necessrios

    atividade; paralelamente, referido sistematicamente pelos tcnicos e pelos

    peritos, que os alunos j esto muitos cansados nesta altura do dia,

    necessitando de atividades de carcter ldico-expressivas, como muito bem

    acrescentadas no Despacho n. 8683/2011 e, de preferncia, num espao que

    no seja o da sala de aula;

    Apesar de ser cada vez mais evidente a preocupao crescente, por parte de

    muitas Entidades Promotoras, de oferecerem melhores condies de trabalho

    aos tcnicos das AEC, a precariedade do trabalho destes continuou a ser um

    factor de impedimento da fidelizao dos mesmos a estas atividades. Grande

    parte continua a ter um horrio de trabalho muito reduzido, e, muitos

    continuam a no ter qualquer hora paga para as reunies de articulao

    horizontal e vertical.

    RECOMENDAES AO MINISTRIO DA EDUCAO E CINCIA

    A APPI continua a insistir na urgncia da introduo do Ingls no currculo do 1

    CEB. Os alunos esto altamente motivados para a aprendizagem do Ingls e

    todos os intervenientes no Programa das AEC continuam a referir, nas visitas

    de acompanhamento, que o Ingls deveria ser curricular;

    A continuidade do carcter facultativo da sua aprendizagem implica o

    surgimento de enormes discrepncias de aprendizagem na entrada para o 2

    CEB, originando turmas com diferentes nveis de conhecimento da lngua que,

    necessariamente, levantam dificuldades na gesto do programa de Ingls neste

    ciclo de ensino;

  • 14

    A APPI reitera que, se no houver uma eficiente articulao na planificao e

    concretizao da atividade ao longo dos quatro anos de escolaridade, se corre

    o risco de, em vez de potenciar o gosto pela aprendizagem de uma lngua

    estrangeira, esta se tornar desmotivadora e geradora de insucesso entrada do

    2 CEB;

    Consequentemente, a APPI refora a pertinncia e urgncia da alterao do

    programa de Ingls do 2 CEB, dado que uma percentagem bastante elevada

    de alunos j ter frequentado quatro anos de Ingls (1, 2, 3 e 4 anos). No

    entanto, reforamos que essa modificao ou mesmo um novo programa s

    far sentido aquando da integrao do Ingls no currculo do 1 CEB, criando

    um programa sequenciado, coeso e coerente, adaptado e no fragmentado,

    que permita uma mais rpida e eficaz progresso no ensino da Lngua ao longo

    de todo o ensino bsico.

    Lisboa, 8 de Agosto de 2012

    Cristina Bastos e Isabel Brites (representantes da Direo da APPI na CAP)