AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA ... - .AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA PRODUTIVIDADE

download AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA ... - .AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA PRODUTIVIDADE

of 7

  • date post

    18-Jan-2019
  • Category

    Documents

  • view

    216
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA ... - .AGRICULTURA DE PRECISÃO: MAPEAMENTO DA PRODUTIVIDADE

235

Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 25, n. 2, p. 235-241, Agosto 2003

AGRICULTURA DE PRECISO: MAPEAMENTO DA PRODUTIVIDADE EM POMARESCTRICOS USANDO GEOESTATSTICA1

PAULO ROBERTO SILVA FARIAS2 , LETICIA ANE SIZUKI NOCITI3 , JOS CARLOS BARBOSA4 , DILERMANDOPERECIN4

RESUMO - A variabilidade espacial de produtividade e tamanho de frutos foi avaliada em pomares de laranja irrigados e no irrigados, localizados nomunicpio de Luiz Antnio SP, utilizando-se de geoestatstica. Atravs dos mapas de krigagem, podem-se determinar as reas de alta e baixaprodutividade dos talhes. Verificou-se maior variabilidade para produtividade e tamanho de frutos nas quadras irrigadas e no irrigadas. Portanto, ageoestatstica mostrou-se uma ferramenta extremamente til para auxiliar em Programas de Agricultura de Preciso.Termos para indexao: GPS, semivariograma, krigagem, Citrus sinensis.

PRECISION AGRICULTURE: MAPPING OF YIELD IN CITRUS GROVES USING GEOSTATISTICS

ABSTRACT - The yield variability of sweet orange groves located in Luiz Antonio country, Sao Paulo State, Brazil, was evaluated using geostatistics.Through the kriging maps, areas with higher and lower yields in the groves were determinated. A great variability of yield and fruit size on irrigated andnon-irrigated groves was verified. Thus, the geostatistic showed to be an extremely useful tool to enhance Precision Agriculture Programs.Index terms: GPS, semivariograma, kriging, Citrus sinensis.

1 (Trabalho 070/2002). Recebido:09/03/2002. Aceito para publicao: 11/07/2003.

2 Prof. Adjunto do Depto. de Biologia Vegetal e Fitossanidade da Universidade Federal Rural da Amaznia - UFRA. Av. Pres. Tancredo Neves, 2501, 66077-530Belm-PA. E-mail: paulo@ufra.edu.br

3 Depto. Cientfico-FUNDECITRUS, Av. Dr. Adhemar Pereira de Barros, 201, CEP: 14807-040, Araraquara-SP. E-mail: lenociti@bol.com.br

4 Depto. de Cincias Exatas, FCAV/UNESP, Via de Acesso Prof. Paulo Donatto Castellane, s/n. 14870-000. Jaboticabal-SP. E-mail: jbarbosa@fcav.unesp.br;perecin@fcav.unesp.br

INTRODUO

O Brasil o maior produtor mundial de laranja, detendo 36% dototal produzido; entretanto, essa produo distribui-se de forma desigualentre os Estados brasileiros. Essa extraordinria riqueza, base da econo-mia de 320 municpios do Estado de So Paulo, est sendo ameaadapelos altos custos dos insumos e pela rpida propagao de doenas epragas que elevam o custo de produo para US$ 1,74/caixa (mdia dosltimos 5 anos). O preo mdio pago aos citricultores na safra de 2000/01foi de US$ 1,76/caixa (Agrianual, 2002). A erradicao de plantas tambmfoi recorde no trinio compreendido entre 1999 e 2001. Estima-se que ospomares tenham sido reduzidos em aproximadamente 23 milhes de rvo-res. A maior parte dessa reduo ocorreu por migrao dos produtorespara outras culturas mais rentveis. Calcula-se que, somente entre 2000 e2001, a cana-de-acar tenha invadido 80 mil hectares de antigos laranjaisno Estado de So Paulo (Nehmi Filho et al., 2002).

Atravs dos avanos tecnolgicos na agropecuria, especia-listas tm notado, cada vez mais, que os diversos setores da agriculturano podem ser tratados de maneira homognea no que diz respeito medio de variveis nas reas agrcolas. Neste sentido, a variao es-pacial e temporal deve ser considerada para que se possa ter melhoraplicao e aproveitamento dos insumos, podendo assim melhorar aprodutividade, reduzir o custo de produo e o impacto ambiental cau-sado pelo excesso utilizado.

Para representar a dependncia espacial nas amostragens, utili-za-se de um tipo de estatstica chamada geoestatstica, que surgiu nafrica do Sul, quando o Engenheiro de Minas D. G. Krige, em 1951, traba-lhando com dados de concentrao de ouro, concluiu que no conseguiaencontrar sentidos nas varincias se no levasse em considerao a dis-tncia entre as amostras (Farias, 2002a). Matheron (1963), baseado nestasobservaes, desenvolveu uma teoria, a que chamou de Teoria das Vari-veis Regionalizadas, que contm os fundamentos da geoestatstica.

Segundo Tokeshi (2000), quando domesticamos a planta e a culti-vamos em condies diferentes, em monocultura, com adubao qumica eutilizando agrotxicos, estamos destruindo o ecossistema original, amicroflora e a fauna benfica que protegiam a planta. Esta destruio, prin-cipalmente da microflora epfita e da rizosfera, cria condies para o surgimentode grandes epidemias de doenas e pragas da atualidade. O mesmo autor

exemplifica sua afirmao com a Clorose Variegada dos Citros (Xylella fas-tidiosa) que, segundo ele, um reflexo do aumento de suscetibilidade daplanta pelo uso exagerado e inadequado de agroqumicos. Para tentar solu-cionar esse problema, Farias (2001) cita que a aplicao de agrotxicos nosistema produtivo agrcola mundial uma das operaes mais dispendiosasde todo o processo produtivo agrcola. Sendo assim, a introduo datecnologia chamada Agricultura de Preciso muito bem-vinda, aproxi-mando melhor as quantidades adequadas de agrotxicos s necessidadesreais do local, no campo produtivo.

No comeo da dcada de 90, comearam a ser desenvolvidastecnologias e princpios para manejar as variabilidades espacial e temporalassociadas com os aspectos da produo agrcola. A produtividade dasculturas varia espacialmente, e determinar as causas dessas variaes odesafio que enfrenta a Agricultura de Preciso. As variaes espaciais po-dem ser estudadas atravs de tcnicas geoestatsticas que permitem elabo-rar mapas e delimitar reas de manejo diferenciadas (Farias 2002a).

A Agricultura de Preciso poder ser a principal ferramentapara implantao da Produo Integrada de Ctrus (PIC) no Brasil. A PICbaseia-se em um sistema de diretrizes tcnicas e de normas, definidaspor consenso por meio de um comit gestor voluntrio, que permite aproduo de alimentos e outros produtos de alta qualidade (ISO 9002),o uso racional dos recursos naturais e de mecanismos reguladores paracontrolar os insumos agrcolas e para assegurar uma produo susten-tada (ISO 14001) (Silva et al., 2000).

O objetivo deste trabalho foi o de mostrar a variabilidade espa-cial e o potencial de produtividade em pomares de citrosgeorreferenciados com um sistema de posicionamento global (GPS),usando como metodologia a geoestatstica.

MATERIAL E MTODOS

Localizao da reaA rea experimental est compreendida nas coordenadas geo-

grficas: 21 29' 41,43' de latitude Sul, 47 45' 47,11' de longitude Oestede Greenwich e altitude de 590,36 m (sede da fazenda), localizada nomunicpio de Luiz Antnio-SP. O solo da rea um Latossolo Vermelho-Escuro Distrfico A moderado e textura argilosa. Nessa rea, foramselecionadas duas quadras com plantas de laranjeira Natal (Citrus

236

Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal - SP, v. 25, n. 2, p. 235-241, Agosto 2003

sinensis [L.] Osbeck) enxertada em tangerineira Clepatra (Citrus reshnihort. ex. Tanaka) que um porta-enxerto exigente em gua e respondebem irrigao, com 14 anos de idade, espaadas de 9m x 6 m. Umaquadra irrigada por um sistema autopropelido, com canho hidrulicoe lmina de irrigao aplicada de 45 mm, apresentando 3.560 plantas, eoutra quadra no irrigada com 2.918 plantas.

As fotografias areas (Figura 1A e 1B) foram obtidas com umacmara fotogrfica Canon EOS com uma objetiva EF 50 mm Compact Macro.Os vos foram contratados e as fotos foram tiradas por um fotgrafoprofissional. No houve controle rgido de altura de vo, onde o parmetroadotado foi a busca de enquadramento do talho da rea de estudo emuma nica fotografia. As coordenadas utilizadas no trabalho foram trans-formadas para o sistema UTM (Universal Transversa de Mercator), se-guindo o sistema das coordenadas retangulares. Esse sistema de coorde-nadas estabelece a diviso da Terra em 60 fusos de 6 cada.

Georreferenciamento dos talhesPara o georreferenciamento dos talhes, utilizou-se um Siste-

ma de Posicionamento Global Diferencial (DGPS) geodsico com ps-processamento, modelo Trimble 4600 LS, apresentando uma acurcia nahorizontal (latitude e longitude) de 1 cm + 1ppm e na vertical (altimetria)de 2 cm + 2ppm. Neste sistema, um aparelho foi instalado em umaposio fixa (Base), cuja localizao conhecida. Como a posio dossatlites conhecida, possvel determinar o erro na determinao daestao fixa. A diferena entre a distncia exata da estao fixa at osatlite e a distncia determinada com o sinal recebido pelo aparelho daestao fixa denominada distncia de correo diferencial. Se a correodiferencial calculada para cada sinal de satlite que a estao fixarecebe, essa correo pode ser usada para melhorar a exatido da posi-o determinada por aparelhos receptores mveis. Como os satlites

esto em constante movimento, os valores de correo devem ser cons-tantemente armazenados pela estao fixa para depois serem usados nops-processamento dos sinais dos receptores mveis.

Digitalizao das fotografias areas e amostragemA digitalizao no um processo de obteno de bases

cartogrficas e, sim, a converso de dados analgicos em dados digi-tais. Portanto, essa etapa pressupe a existncia de bases cartogrficasconvencionais (fotografias ou mapas impressos) que sero convertidaspara meios digitais. As fotografias areas foram convertidas para forma-to digital atravs de um Scanner HP 6300C com uma resoluo de 300pontos por polegada (DPI) em formato JPEG (Figura 1A e 1B).

A digitalizao das fotografias areas foi feita no programaSUFER 6.04 (Golden Software, 1996), o qual permite que seja construdauma base da imagem. Essa base toma como referncia os pontos coletadospelo GPS nas quadras. Os pontos usados para a construo da base daimagem foi a maior e a menor coordenada (latitude e longitude) dasquadras. As coordenadas utilizadas para a construo da basecartogrfica da quadra irrigada, foram de 834327.06 e 834818.23 de longi-tude, 7616974.52 e 7617357.79 de latitude. Para quadra no irrigada, fo-ram de 833365.98 e 833834