Anais do II Encontro Nacional de Popularização da Ciência ...

of 285/285
  • date post

    07-Jan-2017
  • Category

    Documents

  • view

    243
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of Anais do II Encontro Nacional de Popularização da Ciência ...

  • LUCIANNE FRAGEL MADEIRA

    GUSTAVO HENRIQUE ALVES

    (ORGANIZADORES)

    A

    ANAIS DO II ENCONTRO NACIONAL DE

    POPULARIZAO DA CINCIA, TECNOLOGIA E

    INOVAO

    1a edio

    Rio de Janeiro

    Cincias e Cognio

    2013

  • Anais do II Encontro Nacional de

    Popularizao da Cincia, Tecnologia e

    Inovao

    18, 19 e 20 de setembro de 2013

    Organizao

    Lucianne Fragel Madeira

    Gustavo Henrique Varela S. Alves

    Rio de Janeiro

    Cincias e Cognio 2013

    Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia

    e Inovao (2., 2013: Niteri, RJ).

    Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da

    Cincia, Tecnologia e Inovao, 18 a 20 de setembro,

    2013, Niteri, RJ, Brasil.

    ISBN:978-85-66768-03-9

    CDU: 016:001.9:5:62

    CDD: 016

    Evento realizado pelo Ncleo de Divulgao Cientfica e

    Ensino de Neurocincias do Instituto de Biologia da UFF,

    Niteri, RJ.

    1. Divulgao Cientfica 2. Cincia 3. Tecnologia 4.

    Inovao 5. Popularizao da cincia

  • Universidade Federal Fluminense UFF

    Reitor

    Prof. Roberto de Souza Salles

    Local

    Auditrio Gegrafo Milton Santos Instituto de Geocincias

    Universidade Federal Fluminense

    Realizao

    Ncleo de Divulgao Cientfica e Ensino de Neurocincias Instituto de

    Biologia da UFF

    Pro-Reitor de Extenso

    Prof. Wainer da Silveira e Silva

    Diretor do Instituto de Geocincias

    Prof. Reiner Olbano Rosas

    Diretor do Instituto de Biologia

    Prof. Saulo Bourguignon

    Coordenadora do Ncleo de Divulgao Cientfica e Ensino de

    Neurocincias

    Profa. Lucianne Fragel Madeira

    Coordenadores do Encontro

    Profa. Lucianne Fragel Madeira

    Gustavo Henrique Varela S. Alves

  • Instituies envolvidas

    Pr-reitoria de Extenso PROEX-UFF

    Fundao Carlos Chagas Filho de Amparo Pesquisa do Estado do Rio de

    Janeiro - FAPERJ

    Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior - CAPES

    Organizao Cincias e Cognio - OCC

    Desperta Ncleo Transdisciplinar para o Desenvolvimento da Sade do

    Aprendiz

    Realizao

    Apoios

  • Comisso Organizadora

    Adriana da Cunha Faria Melibeu

    Alfred Sholl Franco

    Bruno Alves Dassie

    Claudio Alberto Serfaty

    Clynton Loureno Correa

    Cristina Maria Carvalho Delou

    Glaucio Aranha Barros

    Gustavo Henrique Varela S. Alves

    Lucianne Fragel Madeira

    Pablo Pandolfo

    Priscilla Oliveira Silva

    Robson Coutinho Silva

    Comisso Cientfica

    Adriana da Cunha Faria Melibeu

    Alfred Sholl Franco

    Bruno Alves Dassie

    Claudio Alberto Serfaty

    Clynton Loureno Correa

    Cristina Maria Carvalho Delou

    Glaucio Aranha Barros

    Gustavo Henrique V. S. Alves

    Ftima de Paiva Canesin

    Helena Carla Castro C. de Almeida

    Ines Wajsenzon

    Isis Moraes Ornelas Carltti

    Litia Carvalho

    Lucianne Fragel Madeira

    Mariana Acquarone de S Lopes

    Monica Santos Dahmouche

    Pablo Pandolfo

    Priscilla Oliveira Silva

    Robson Coutinho Silva

    Comisso Executiva

    Camila Feitosa Magalhes

    Daniel Costa de Holanda

    Danielle Lorenzatto P. da Cruz

    Isabella Batista

    Jhonny Damio Flores de Azeredo

    Kariny da Silva Barbosa

    Luana de Almeida Pereira

    Ludmilla Oliveira da Silva

    Luiza Vettorazzo Amaral

    Maria Estela Shiroma

    Mayara Secco Torres da Silva

    Rachel Gomes Fonseca

    Ravelly Soares Machado

    Rebeca de Arajo Medeiros

    Samira Barboza Amorim Vianna

    Thais Helena Peixoto Nunes

    Victor de Oliveira Abreu Sodr

    Weslley Lima dos Santos.

  • Apresentao

    A popularizao da Cincia, Tecnologia & Inovao (C,T&I) e as aes que visam

    apropriao social do conhecimento so relevantes na formao permanente para a cidadania

    e no aumento da qualificao cientfico-tecnolgica da sociedade. Desta forma, cabe s

    atividades de alfabetizao cientfica o importante papel de informar e, at mesmo, educar

    cientificamente o cidado atravs dos mais variados processos de comunicao cientfica.

    O Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia & Inovao visa

    promover o intercmbio entre diversos setores da sociedade, principalmente, profissionais da

    educao bsica e pesquisadores, permitindo uma ampla discusso de estratgias que

    objetivam a melhoria da educao cientfica, popularizao da C,T&I e a apropriao social do

    conhecimento.

    Em sua primeira edio, realizada em Niteri em novembro de 2012, o evento contou

    com a presena de 100 participantes de diversos estados brasileiros compreendendo

    pesquisadores, alm de um nmero significativo de estudantes de graduao e ps-graduao.

    Assim, conforme o sucesso do primeiro Encontro, estaremos novamente reunidos para

    o II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao, desta vez mais

    abrangente e com a insero da temtica Inovao, que ocorrer de 18 a 20 de setembro de

    2013, no Auditrio Gegrafo Milton Santos, no Instituo de Geocincias da Universidade Federal

    Fluminense, na cidade de Niteri, no Rio de Janeiro. O II Encontro Nacional de Popularizao

    da Cincia, Tecnologia e Inovao promovido pelo Ncleo de Divulgao Cientfica e Ensino

    de Neurocincias da Universidade Federal Fluminense (NuDCEN UFF), em parceria com

    outras instituies como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Organizao

    Cincias e Cognio (OCC), Desperta.

    Convidamos a todos para que participem e aproveitem o nosso evento contribuindo,

    dessa forma, para a difuso e popularizao da Cincia em nosso Pas.

    Lucianne Fragel Madeira

    Organizadora

  • NDICE GERAL

    Programao de quarta-feira (18/09/2013 ........................................... 8

    Programao de quinta-feira (19/09/2013) .......................................... 9

    Programao de sexta-feira (20/09/2013) ........................................... 10

    ndice de Resumos das Palestras ........................................................ 11

    ndice das Comunicaes Orais .......................................................... 36

    ndice dos Resumos Expandidos ......................................................... 63

    ndice dos Resumos Simples .............................................................. 194

  • 8 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    PROGRAMAO

    QUARTA-FEIRA 18/09/2013

    08:30 s 09:00 Cadastramento

    09:00 s 09:30 Palestra: ABERTURA DO II ENCONTRO NACIONAL DE

    POPULARIZAO DA CINCIA, TECNOLOGIA & INOVAO LUCIANNE FRAGEL MADEIRA

    UFF

    09:30 s 10:30 Palestra: INOVAO: E-VENTO OU IN-VENTO? ALFREDO

    LAUFER IDEA COPPE UFRJ APRESENTADOR: LUCIANNE FRAGEL MADEIRA

    10:30 s 10:50 Coffee break

    10:50 s 12:20 Mdulo Temtico 1 MELHORIA DA EDUCAO CIENTFICA

    ATRAVS DE MATERIAIS DIDTICOS INOVADORES APRESENTADOR: ADRIANA DA C. F.

    MELIBEU

    MELHORIA DA EDUCAO CIENTFICA ATRAVS DE MATERIAIS DIDTICOS INOVADORES

    MICHELE WALTZ COMAR - IFES

    BAR METRO: A EXPERINCIA DE UM CAF CIENTFICO TRANSMDIA REINALDO GUILHERME BECHLER

    DESENVOLVIMENTO E PRODUO DE KITS EXPERIMENTAIS PARA A EDUCAO BSICA

    MAGUI VALLIM

    ATLAS DO SISTEMA NERVOSO COMO MATERIAL DIDTICO TTIL PARA ALUNOS COM DEFICINCIA VISUAL RACHEL DO NASCIMENTO GUITERIO

    12:20 s 13:50 Almoo

    14:00 s 16:00 - Mdulo Temtico 2 O PAPEL DAS MDIAS DE COMUNICAO NA

    POPULARIZAO DA C, T & I MEDIADOR: GLAUCIO ARANHA

    O [email protected] DO JORNALISMO CIENTFICO NO SCULO XXI CARLA ALMEIDA CINCIA HOJE

    ROTEIRIZAO DE MATERIAL TRANSMDIA: APROPRIAES E INAPROPRIAES NA

    DIVULGAO CIENTFICA GLAUCIO ARANHA OCC

    BITS CINCIAS: A UNIVERSIDADE (TAMBM) PRODUZ CONHECIMENTO CIENTFICO DENISE TAVARES DA SILVA UFF

    16:00 s 16:20 Coffee break

    16:20 s 17:20 Palestra A IMPORTNCIA DA ITINERNCIA E INCLUSO NOS

    ESPAOS DE POPULARIZAO DAS CINCIAS - LUCIANNE FRAGEL MADEIRA UFF

    APRESENTADOR: HELENA CARLA CASTRO.

  • 9 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    QUINTA-FEIRA 19/09/2013

    08:00 s 09:00

    Minicurso 1 PRODUO DE MATERIAL DIDTICO PARA POPULARIZAO DA CINCIA

    E TECNOLOGIA COM CARTER INCLUSIVO GUSTAVO HENRIQUE ALVES UFF Minicurso 2 COMO ESCREVER E ONDE PUBLICAR NA REA DA DIVULGAO

    CIENTFICA DOUGLAS FALCO SILVA

    09:00 s 10:00 Palestra INOVAO NA EDUCAO LUIZ ANTNIO BOTELHO

    ANDRADE APRESENTADOR: PABLO PANDOLFO.

    10:00 s 10:20 Coffee break

    10:20 s 12:00 Mdulo temtico 3 NOVOS TALENTOS NA REDE PBLICA

    CURSOS EXPERIMENTAIS DE CURTA DURAO E A ATRAO DE JOVENS PARA A CINCIA

    WAGNER SEIXAS DA SILVA UFRJ APRESENTADOR: LUCIANNE FRAGEL

    MADEIRA.

    Comunicaes orais:

    DOS CAMINHOS PARA POPULARIZAO DA CINCIA RELATO DO PROJETO MENTALIDADE

    UNIVERSITRIA, UM PASSO, UMA VIDA, UM FUTURO NAHUN THIAGHOR LIPPAUS PIRES GONALVES

    LIMITES E POSSIBILIDADES NA ESTIMULAO DE NOVOS TALENTOS NO INSTITUTO VITAL

    BRAZIL MIRIAM ANTONIETA FRAGOSO DE OLIVEIRA CAMPOS

    POPULARIZAO DA CINCIA E EDUCAO ESPECIAL: CONTRIBUIES DE EVENTOS DE

    ORGANIZAES CIENTFICAS NO DESEMPENHO DE TALENTOS DIOGO DOS SANTOS PINHEIRO

    12:00 s 13:30 Almoo

    13:30 s 15:30 Apresentao de psteres

    15:40 s 16:00 Coffee break

    16:00 s 17:00 Palestra O QUE INOVAO TECNOLGICA? FRANCISCO

    BATISTA AGIR UFF APRESENTADOR: CLYNTON LOURENO CORREA.

  • 10 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    SEXTA-FEIRA 20/09/2013

    08:00 S 09:00

    Minicurso 1 PRODUO DE MATERIAL DIDTICO PARA POPULARIZAO DA CINCIA

    E TECNOLOGIA COM CARTER INCLUSIVO GUSTAVO HENRIQUE ALVES UFF durao

    Minicurso 2 COMO ESCREVER E ONDE PUBLICAR NA REA DA DIVULGAO

    CIENTFICA DOUGLAS FALCO SILVA

    09:00 s 10:00 Palestra A IMPORTNCIA DA CINCIA, TECNOLOGIA E INOVAO

    OS MUSEUS DE CINCIAS NO BRASIL CARLOS WAGNER COSTA ARAJO ABCMC

    APRESENTADOR: GUSTAVO HENRIQUE VARELA SATURNINO ALVES.

    10:00 s 10:20 Coffee break

    10:20 s 12:00 - Mdulo temtico 4 - DESAFIOS NACIONAIS PARA OS JOVENS

    OLIMPADAS CIENTFICAS MEDIADOR: ALFRED SHOLL FRANDO

    O IMPACTO POSITIVO DA OBM NA FORMAO DOS JOVENS LUCIANO GUIMARES

    MONTEIRO DE CASTRO

    OLIMPADA BRASILEIRA DE ASTRONOMIA E ASTRONUTICA JAIME FERNANDO

    VILLAS DA ROCHA UNIRIO O PAPEL DAS OLIMPADAS DE NEUROCINCIAS NA DIFUSO CIENTFICA ENTRE

    ESTUDANTES DO ENSINO MDIO ALFRED SHOLL FRANCO UFRJ

    12:00 s 13:30 Almoo

    13:30 s 15:40 - Mdulo temtico 5 MUSEUS DE CINCIAS MEDIADOR

    ROBSON COUTINHO SILVA

    ESPAO CINCIA VIVA: 30 ANOS DIVULGANDO CINCIA NO BRASIL ROBSON

    COUTINHO SILVA ECV

    O ESPAO CINCIA INTERATIVA E SUAS AES DE POPULARIZAO CIENTFICA NA

    BAIXADA FLUMINENSE GRAZIELLE RODRIGUES PEREIRA IFRJ INCLUSO SOCIAL E MUSEUS DE CINCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL DOUGLAS

    FALCO SILVA MAST

    MUSEUS E CENTROS DE CINCIA: EXPLORAO, INTERAO E EMOO FBIO

    CASTRO GOUVEIA MUSEU DA VIDA FIOCRUZ

    15:40 s 16:00 Coffee break

    16:00 s 17:00 Palestra A IMPORTNCIA DA DIVULGAO CIENTFICA PARA O

    PROGRESSO DA C, T & I ENNIO CANDOTTI MUSA APRESENTADOR: LUCIANNE

    FRAGEL MADEIRA.

    17:00 s 17:20 Palestra ENCERRAMENTO DO II ENCONTRO DE CINCIA,

    TECNOLOGIA E INOVAO LUCIANNE FRAGEL MADEIRA UFF

  • 11 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    NDICE DE

    RESUMOS DAS PALESTRAS

    Inovao: E-vento ou In-vento ......................................................... 12

    Melhoria da educao cientfica por meio de materiais didticos

    inovadores ..................................................................................... 13

    O [email protected] do jornalismo cientfico no sculo 21 .................................... 15

    Roteirizao de material transmdia: apropriaes e inapropriaes na

    divulgao cientfica ........................................................................ 16

    BITS Cincia: a universidade (tambm) produz conhecimento cientfico . 17

    O que inovao e como faz-la ...................................................... 18

    Inovao e educao ...................................................................... 19

    Cursos de experimentais de curta durao e a atrao de jovens para a

    cincia .......................................................................................... 20

    A importncia da itinerncia e incluso nos espaos de popularizao das cincias ...................................................................................

    21

    Popularizao da cincia, tecnologia e inovao os museus de cincia

    no Brasil ........................................................................................ 22

    O impacto positivo da OBM na formao dos jovens ......................... 23

    As consequncias e heranas do ano internacional da astronomia para a

    popularizao da cincia e tecnologia e para o ensino no Brasil ............. 24

    O papel das olimpadas de neurocincias na difuso cientfica entre

    estudantes do ensino mdio ............................................................. 26

    Espao Cincia Viva: 30 anos divulgando cincia no Brasil .................... 27

    O espao Cincia Interativa e suas aes de popularizao cientfica na

    Baixada Fluminense ........................................................................ 28

    Incluso social e museus de cincia e tecnologia no Brasil .................... 30

    Museus e centros de cincia: explorao, interao e emoo ............... 31

    A importncia da divulgao cientfica para o progresso da C, T & I ....... 32

  • 12 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    INOVAO: E-VENTO OU IN-VENTO?

    Alfredo Laufer (Idea Coppe UFRJ)

  • 13 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    MELHORIA DA EDUCAO CIENTFICA POR MEIO DE

    MATERIAIS DIDTICOS INOVADORES

    Michele Waltz Comar (Instituto Federal do Esprito Santo, ES, Brasil)

    A educao cientfica no Brasil historicamente sofreu um processo de depreciao,

    tornando as disciplinas de Biologia, Fsica e Qumica, especialmente, o calcanhar de

    Aquiles da formao inicial. O resultado direto deste ciclo passa pelos nmeros

    significativos de fracasso escolar, que levam ao desinteresse geral pelos contedos

    cientficos, descontextualizao desses contedos, e, por fim, ao decrscimo assustador

    no nmero de licenciandos e professores da rea de cincias. Certamente, esse ciclo

    perigoso e uma reflexo sobre em quais pontos devemos, como pesquisadores, atuar se

    faz necessria. O que para muitos bvio, em funo do processo histrico e dos

    resultados de polticas pblicas, passa a ser questionvel. Afinal, qual o papel da educao

    cientfica para a formao do cidado? Precisamos realmente de uma educao em

    cincias na educao bsica para formar cidados?

    Os pesquisadores da rea de ensino vm se debruando sobre essas questes,

    especialmente aqueles que participam do chamado movimento CTSA Cincia,

    tecnologia, sociedade e ambiente. Na maioria dessas pesquisas o que se discute so, ou

    os impactos da evoluo da cincia e da tecnologia no cotidiano das pessoas e como esse

    desenvolvimento no est relacionado diretamente com progresso da sociedade e do

    ambiente - melhoria da condio humana; ou ao contrrio, como a sociedade como corpo

    em constante mutao pressiona e motiva os avanos cientficos e tecnolgicos que

    constatamos todos os dias nas pesquisas bsicas e aplicadas e na mdia geral e

    especializada. Acessando estudos desse tipo, percebe-se que incontestvel a

    importncia da educao cientfica para que o sujeito participe das decises da sociedade

    em que est inserido. A viso macro da importncia dessa formao permite compreender

    e atentar ainda mais para a crise que o ensino de cincias vive nos dias atuais. A cincia

    que estamos ensinando, atendem s necessidades do sujeito que precisa ser ativo nas

    tomadas de decises? Estamos ensinando cincias para a cidadania?

    A forma como ensinamos deve mudar. Os recursos que usamos devem mudar. E isso no

    necessariamente resolve a crise que acima foi descrita, mas permite ao professor buscar

    novas estratgias para fugir da inrcia docente e permite ampliar a viso dos alunos sobre

    como a tecnologia que chega na sua casa, no seu celular, na internet, tambm chega

    sua sala de aula. A sala de aula inovadora atrativa e desafia nossas pesquisas.

    Classicamente, materiais didticos so importantes aliados no processo de ensino-

    aprendizagem. Dividimos aqui, por uma questo exclusivamente organizacional, duas

    classes, a saber: materiais didticos clssicos e materiais didticos contemporneos.

  • 14 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    Quando se fala em materiais didticos clssicos, imediatamente nos remetemos ao livro

    didtico. Este vem se reinventando, mas ratifica sua importncia na medida em que

    atravessa geraes de discusses, polticas e pesquisas e se mantm como, por muitas

    vezes, o nico recurso pedaggico do professor de cincias, alm da lousa e do pincel. J

    os materiais contemporneos so aqueles recursos que permitem o uso do computador e

    tambm aqueles de carcter ldico, como jogos pedaggicos e os recursos de cincia e

    arte. Nessa premissa, vale ressaltar que, em ambos os casos, todo e qualquer material

    didtico deve buscar a aproximao do aluno em seu processo de aprendizagem dos

    contedos de cincias numa perspectiva contextualizada com as caractersticas da

    realidade em que est inserido. Pesquisar e desenvolver materiais didticos requer

    ateno especial para as questes de acessibilidade, afinal, o bom material didtico

    aquele que permite ao aluno se apropriar do contedo apresentado. Tem que ter

    significncia, linguagem acessvel, apresentao atrativa e, na medida do possvel,

    estimular a interatividade e a curiosidade, requisitos que favorecem o processo de

    apropriao, especialmente de cincias.

    Por fim, imaginemos as perspectivas e os desafios da pesquisa em ensino no que tange os

    estudos sobre materiais didticos. H muito que se discutir sobre metodologia de

    validao de materiais inovadores; Sobre incluso, no s de pessoas com deficincia,

    mas num contexto mais geral, incluso digital, social, econmica; Sobre construo de

    conhecimento e contextualizao de contedos de cincias; Sobre polticas pblicas

    (PNLEM); Sobre contedos a serem ensinados em cincias; etc. Atentemos para a

    importncia do aprofundamento das discusses sobre o impacto das mudanas, e no

    necessariamente evoluo, na produo e emprego de materiais didticos inovadores.

  • 15 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    O [email protected] DO JORNALISMO CIENTFICO NO SCULO 21

    Carla da Silva Almeida ([email protected])

    Embora nem sempre perceptvel, a cincia est em toda parte. Muito alm das bancadas e

    dos centros de pesquisa, ela est presente, direta ou indiretamente, em muitos aspectos

    do nosso cotidiano: alimentos, remdios, cosmticos, vestimentas, meios de transporte,

    computadores, celulares... Alguns de seus usos e aplicaes geram ansiedade e envolvem

    questes socioeconmicas importantes e decises polticas nem sempre consensuais.

    Nesse contexto amplamente permeado pela cincia, qual deve ser o papel do jornalismo

    cientfico? Carla Almeida, editora da Cincia Hoje On-line (www.cienciahoje.org.br) e

    doutora em divulgao cientfica, ir discutir em sua apresentao alguns dos papis

    clssicos atribudos ao jornalista que cobre cincia, a responsabilidade social desse

    profissional e os desafios que enfrenta no momento em a internet se populariza e o que

    no falta informao, inclusive cientfica.

    mailto:[email protected]://www.cienciahoje.org.br/

  • 16 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    ROTEIRIZAO DE MATERIAL TRANSMDIA: APROPRIAES E

    INAPROPRIAES NA DIVULGAO CIENTFICA

    Glaucio Aranha (Organizao Cincias e Cognio, RJ, Brasil

    [email protected])

    Cresce o nmero de propostas em Divulgao Cientfica que buscam nas novas mdias

    espao para divulgar contedos das mais diferentes reas das Cincias. Todavia, muitas

    das propostas parecem no levar em conta que as novas mdias so objeto em si de um

    campo acadmico prprio, a saber, o da Comunicao Social. Tcnicas como a transmdia

    pressupem conhecimentos tcnicos e conceituais especficos. O uso de tcnicas como

    estas no deveriam ser levianamente apropriadas e desconfiguradas por outros campos

    do conhecimento. A tcnica da criao transmdia encontra no processo de roteirizao da

    estrutura dos contedos uma condio essencial para sua razo de ser. O roteiro deve

    prever a distribuio do contedo de forma integrada e interconectada por um complexo

    enredamento por multiplataformas que confiram unidade global e, simultaneamente,

    autonomia dos segmentos de contedos. Observa-se, porm, o surgimento de projetos

    que apesar de se valerem da nomenclatura transmdia dela esto totalmente afastados.

    Vale destacar que a criao de um roteiro para uma obra transmdia muito distinta, por

    exemplo, de um para uma obra flmica, multimdia, crossmdia, dentre outros. O uso

    inapropriado de conceitos de diferentes campos acadmicos guarda em si um paradoxo,

    qual seja: como falar em divulgao do conhecimento cientfico de um campo, quando a

    proposta est fundamentada em um erro epistemolgico e no desconhecimento cientfico

    do objeto que se deseja trabalhar. Nesta palestra, buscaremos dar relevo aos paradoxos e

    implicaes ticas do divulgador cientfico para e no exerccio de suas atribuies, partindo

    da questo transmditica como ponto de partida para a problematizao.

    mailto:[email protected]

  • 17 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    BITS CINCIA: A UNIVERSIDADE (TAMBM) PRODUZ CONHECIMENTO

    CIENTFICO

    Denise Tavares da Silva (Departamento de Comunicao Social, Universidade Federal

    Fluminense, RJ, Brasil - [email protected])

    A proposta desta conferncia apresentar e discutir a BITS Cincia - Revista Eletrnica de

    Divulgao Cientfica, Inovao e Tecnologia da UFF, carro-chefe de um projeto que tem

    como objetivo viabilizar publicao de mesmo nome, veiculada pelo Canal Universitrio

    Unitev e pela WEBTV (Internet) alm da produo de um site com contedo multimdia.

    O projeto "Bits" tambm se multiplica em outras atividades, tais como cursos especficos

    sobre jornalismo cientfico na TV, produes publicitrias relacionadas proposta de

    divulgao cientfica, realizao de palestras, participao em eventos acadmicos e/ou de

    interesse para os objetivos do projeto alm de, aps um ano de existncia, ter se

    multiplicado em outros produtos, como o Giro UFF.

    A proposta de um projeto de popularizao da Cincia surgiu, em especial, pela convico

    de que importante, hoje, mostrar a Universidade pblica, inclusive para sua comunidade

    interna, como Instituio que no s "ensina" como produz conhecimento cientfico.

    Assim, a linha editorial da revista BITS Cincia identifica suas pautas rea de Cincia,

    Inovao e Tecnologia, tendo como eixo de produo a articulao destas pautas com os

    projetos de pesquisa, extenso e ensino desenvolvidos pelos proponentes na Universidade

    Federal Fluminense, em uma abordagem que valorize a linguagem cotidiana, sem

    comprometer a clareza e exatido das informaes. Est estruturada em quadros e

    reportagens, tem periodicidade mensal e durao entre 30 e 50 min. Seu pblico-alvo

    estimado o do canal universitrio (cidade de Niteri e regio), o da WEBTV e da

    Internet, em uma perspectiva interativa e o pblico das escolas de primeiro e segundo

    grau de Niteri. Sua equipe formada por alunos e professores do curso de Comunicao

    Social da UFF e de colaboradores variados.

    O projeto BITS Cincia viabilizado em parceria com a TV Universitria de Niteri

    (UNITEV), e com as Pr-Reitorias de Pesquisa e Extenso da UFF.

    mailto:[email protected]

  • 18 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    O QUE INOVAO E COMO FAZ-LA?

    Francisco Batista AGIR - UFF

  • 19 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    INOVAO NA EDUCAO

    Luiz Antonio Botelho Andrade (Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense,

    RJ, Brasil - [email protected])

    Ao assumir que a educao uma relao entre educandos e educadores, mantida desde

    sempre por diferentes culturas atravs de suas redes de conversaes e intercambio de

    saberes, possvel constatar um aparente paradoxo, qual sejam as diferentes

    experincias educativas so to mltiplas e dinmicas que quase impossvel dat-las e

    nome-las como inovaes. Este aparente imobilismo e conservadorismo ressaltado na

    histria recente quando as sociedades modernas so desafiadas a prover uma educao

    formal para todos e, no cumprimento desta exigncia social, tentam massificar,

    homogeneizar e padronizar, quase que completamente, todos os espaos educativos.

    Utilizamos o verbo tentar para apontar a dificuldade de se levar a cabo, por muito

    tempo, este projeto homogeneizante, haja vista as diferenas e desejos individuais, mas,

    sobretudo, porque as redes de conversaes so, por si mesmas, abertas e

    heterogenticas, se alimentando do novo e de todo tipo de inovao. neste sentido que

    podemos identificar as diferentes crises na educao e, a partir delas, apontar as

    inmeras iniciativas, individuais e coletivas, aproximando os campos da cincia com as

    diferentes formas de expresso artstica, incorporando as inovaes tecnolgicas como

    estratgias didticas, criando escolas experimentais, reorganizando os espaos escolares.

    Nesta perspectiva, sem querer dar conta da riqueza deste debate sobre as polticas

    educativas e sobre as inmeras experincias inovadoras em curso, no Brasil e no mundo,

    ofereceremos para discusso a nossa prpria experincia profissional no campo do ensino

    de cincias, utilizando a produo cinematogrfica como estratgia didtica. Mostraremos

    como possvel revisitar certos contedos disciplinares (discursos e prticas),

    considerados densos, descontextualizados e hermticos, com vistas torn-los mais

    palatveis e mais prximos da realidade dos estudantes.

    mailto:[email protected]

  • 20 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    CURSOS DE EXPERIMENTAIS DE CURTA DURAO E A ATRAO DE JOVENS

    PARA A CINCIA

    Wagner Seixas da Silva (Laboratrio de Adaptaes Metablicas, Instituto de

    Bioqumica Mdica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil -

    [email protected])

    O volume de novas informaes no mundo moderno impe um desafio cada vez maior aos

    educadores. Tornar o conhecimento acessvel aos estudantes e a populao em geral

    atrelado capacitao destas pessoas para darem continuidade ao aprendizado ao longo

    de suas vidas um desafio cada vez maior. Em Cincias preciso promover a

    compreenso clara do processo cientfico. Os cientistas possuem importante parcela de

    responsabilidade no processo de Educao em Cincias, uma vez que possuem acesso

    rpido ao novo conhecimento gerado, bem como a capacidade, a tecnologia e os

    instrumentos necessrios para compreend-los, decifr-los e os transmitir sociedade de

    maneira clara, objetiva e acessvel. essencial que o cientista promova a implantao de

    programas que viabilizem uma maior interao entre o meio acadmico propiciado pela

    universidade e professores/ estudantes do ensino mdio (EM) de escolas pblicas, visando

    desmistificar a Cincia, tornando-a acessvel. O Instituto de Bioqumica Mdica, na figura

    do Prof. Leopoldo de Meis teve esta iniciativa em 1985 com a criao de cursos

    experimentais voltados para estudantes e professores do EM. Esta foi a maneira que

    encontramos de trazer a responsabilidade de contribuir na formao dos professores e dos

    nossos jovens estudantes. Estes cursos oferecem a oportunidade de aprendizado

    diferenciado em reas das cincias naturais e da sade e serviram de modelo para outras

    atividades de extenso em outras universidades e para a criao de uma rede de

    educao em cincia a nvel nacional. Os jovens que se destacam durante os cursos

    recebem a oportunidade de desenvolver o talento para a pesquisa atravs do Programa de

    Jovens Talentosos. Aps 28 anos de trajetria estamos buscando ampliar o nmero de

    jovens atendidos e o espectro das propostas acima mencionadas.

    mailto:[email protected]

  • 21 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    A IMPORTNCIA DA ITINERNCIA E INCLUSO NOS ESPAOS DE

    POPULARIZAO DAS CINCIAS

    Lucianne Fragel Madeira (Ncleo de Divulgao Cientfica e Ensino de Neurocincias,

    Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense, RJ, Brasil)

  • 22 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    POPULARIZAO DA CINCIA, TECNOLOGIA E INOVAO OS MUSEUS DE

    CINCIA NO BRASIL

    Carlos Wagner Costa Araujo

    Os centros e museus de cincia no Brasil podem ser espaos dedicados a provocar,

    estimular a educao e o conhecimento. No entanto, nem todos os espaos dedicados a

    popularizar a cincia, esto de acordo com estes caminhos. Apesar da disparidade e

    diferenas regionais, os ambientes no devem ser analisados por um nico ngulo e olhar,

    linear, temporal, ou s por um nico referencial. A utilizao de um s referencial terico

    pode reduzir o universo que dedicado a popularizar a cincia.

    Hoje no Brasil h vrios programas de divulgao cientfica, que buscam a articulao de

    uma Poltica Nacional de Popularizao da Cincia para unir ideias, compartilhar

    experincias, projetos que so socializados e debatidos nos encontros de educao e

    tambm da Associao Brasileira de Centros e Museus de Cincia-ABCMC. A discusso

    sobre estes espaos, bem como a relao com o pblico, j tem uma ampla literatura.

    Um bom espao ou uma boa exposio, o pblico acaba saindo com mais perguntas e

    pode ser um momento para a busca de mais informaes sobre a um tema. O museu de

    cincia um ambiente cultural e educacional na construo de uma sociedade

    democrtica, constituda de indivduos pensantes e crticos. O dilogo deve ser visto numa

    relao horizontal entre os sujeitos e os objetos.

    Na cincia, a crtica sobre o conhecimento to importante, quanto o dilogo com o este.

    Para isso necessrio uma reviso sobre espaos pautados no positivismo, onde o pblico

    considerando uma tbua rasa ou recipientes, para serem cheios de contedos exibidos

    de forma mecnica. Mas como sair destes paradigmas j esgotados?

    Para alfabetizar preciso Educar. Para educar preciso alfabetizar. Os espaos precisam

    ser reinventados, distantes de um nico caminho sem a viso determinista da histria da

    cincia.

  • 23 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    O IMPACTO POSITIVO DA OBM NA FORMAO DOS JOVENS

    Luciano Guimares Monteiro de Castro ([email protected])

    A tradio, iniciada no leste europeu, e estabelecida pela OBM no Brasil desde 1978, de

    desafiar jovens interessados em Matemtica atravs de competies tem sido responsvel

    principal por estimular os estudantes a aprofundarem-se alm do currculo tradicional de

    escolas e universidades.

    mailto:[email protected]

  • 24 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    AS CONSEQUNCIAS E HERANAS DO ANO INTERNACIONAL DA

    ASTRONOMIA PARA A POPULARIZAO DA CINCIA E TECNOLOGIA

    E PARA O ENSINO NO BRASIL

    Jaime Fernando Villas da Rocha (UNIRIO);

    A Astronomia, a mais antiga das Cincias e, certamente, a com maior apelo esttico e

    existencial ao imaginrio do homem comum, foi celebrada em 2009 atravs de seu Ano

    Internacional, baseada na efemride dos 400 anos do uso inaugural da luneta como

    instrumento astronmico por Galileu Galilei. As aes mundiais do ano visaram fortemente

    a popularizao da cincia em geral e do conhecimento astronmico acumulados, em

    aes educativas e temas de cidadania em termos amplos como o acesso ao cu noturno

    como bem e direito da Humanidade. Graas ao forte apoio do estado brasileiro e ao

    engajamento de amadores, divulgadores e pesquisadores tanto individualmente como

    atravs das organizaes e instituies das quais participavam, foi promovido em

    territrio nacional um dos mais profcuos Anos Internacionais da Astronomia. Os

    nmeros traduzem esta realidade: contabilizadamente, 2.197.156 pessoas compareceram

    aos mais de 6000 eventos gratuitos promovidos em todas as unidades da Federao;

    entre muitas outras aes das quais ainda podem ser destacadas o programa Maratona

    da Via Lctea visando recuperar a escurido do cu noturno e racionalizar o uso da

    energia eltrica (noites sem luar Julho-Outubro/ 2009) e o Noites Galileanas na semana

    SNCT, para o pblico repetir as observaes telescpicas feitas por Galileu; a promoo de

    diversos eventos durante a Reunio da Unio Astronmica Internacional no Rio de Janeiro,

    particularmente a montagem da Tenda Astronomia na Praa, o Povo a Estrela na

    Cinelndia, reunindo 16 entidades entre Agncias Financiadoras, Institutos do MCT,

    associaes amadoras tendo um pblico estimado de mais de 12.000 pessoas; a

    realizao de outros eventos durante a Semana Nacional de Cincia e Tecnologia, com a

    concomitante produo e distribuio de material didtico e de divulgao. Alm disto,

    houve a edio do Livro Astronomia Hoje, reunio de artigos editados na Revista

    Cincia Hoje ao longo de 2009 e no primeiro trimestre de 2010 com financiamento

    conjunto desta ao e da Faperj, resultando na edio de 10.000 exemplares distribudos

    em eventos remetidos s 5366 bibliotecas pblicas constantes da listagem da biblioteca

    Nacional de julho de 2012. Particularmente no mbito do ensino, houve a realizao de

    uma jornada do Programa Galileo Teacher Trasining Program em Porto Alegre; foram

    preparados 25.000 kits didticos para escolas (relgio solar, relgio estelar); 35.000 DVDs

    De Olho no Cu distribudos entre os Ns Locais, escolas e pblico geral com milhares de

    exibies pblicas; 10.000 lunetas galileanas foram importadas e distribudas para escolas

    pblicas, a execuo de 39 Encontros Regionais de Ensino de Astronomia atendendo a um

  • 25 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    pblico estimado de 4700 professores do ensino fundamental e mdio, durante os quais

    lunetas galileanas adquiridas so distribudas e oficinas relacionadas a ela oferecidas; A

    fundao do Simpsio Nacional de Ensino de Astronomia com duas edies j realizada.

    No mbito das olimpadas cientficas, a Olimpada Brasileira de Astronomia e Astronutica

    teve seu patamar de participao duplicado, contando com 858.157 estudantes, 74.555

    professores em 10.303 escolas em 2009; foi fundada a Olimpada Latino-Americana de

    Astronomia e Astronutica esforos que resultaram ainda no viabilizar da realizao, em

    territrio nacional, da Olimpada Internacional de Astronomia e Astrofsica.

  • 26 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    O PAPEL DAS OLIMPADAS DE NEUROCINCIAS NA DIFUSO CIENTFICA

    ENTRE ESTUDANTES DO ENSINO MDIO

    Alfred ShollFranco (Ncleo de Divulgao Cientfica e Ensino de Neurocincias

    Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil [email protected])

    As olimpadas de neurocincias (Brain Bee) so competies de neurocincias para

    estudantes do ensino mdio com idade entre 14 e 19 anos incompletos, que ocorrem

    internacionalmente desde 1998 e que tiveram este ano sua primeira edio brasileira (1

    Olimpada Brasileira de Neurocincias, OBN;

    www.cienciasecognicao.org/brazilianbrainbee), realizada no dia 03/08/2013 nas

    dependncias do Instituto de Biofsica Carlos Chagas Filho (IBCCF).

    Trs competies locais foram realizadas por comits credenciados (Comits Rio de

    Janeiro, Ribeiro Preto e Juiz de Fora). A OBN foi apoiada por contribuies individuais e

    institucionais (Organizao Cincias e Cognio; Universidade Federal do Rio de Janeiro;

    Ncleo Transdisciplinar para o Desenvolvimento da Sade do Aprendiz; International Brain

    Research Organization) e conta com uma equipe formada por um coordenador,

    credenciado ao comit internacional (http://www.internationalbrainbee.com/), uma

    comisso cientfica composta por especialistas de diferentes reas das neurocincias e um

    conjunto de monitores composto por alunos de graduao, ps-graduao e profissionais

    liberais.

    As competies so compostas por questes prticas/tericas abertas e de mltipla-

    escolha, divididas entre 5 categorias (neuroanatomia, neurohistologia, neurofisiologia,

    neurocincias bsicas e clnicas), conforme orientao do comit internacional.

    O objetivo da coordenao nacional das Olimpadas de Neurocincias que os eventos

    nacionais e locais contribuam para a divulgao das neurocincias entre alunos do ensino

    mdio, motivando os jovens ao aprendizado das cincias e despertando vocaes nas

    reas humanas, tecnolgicas e/ou biolgicas que estudam ou interagem com as

    neurocincias, tanto no nvel bsico como clnico. Alm disso, todos os comits locais so

    estimulados a desenvolverem cursos de neurocincias destinados aos estudantes do

    ensino mdio, de modo a promover a difuso e popularizao das neurocincias.

    .

    mailto:[email protected]://www.cienciasecognicao.org/brazilianbrainbeehttp://www.internationalbrainbee.com/

  • 27 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    ESPAO CINCIA VIVA: 30 ANOS DIVULGANDO CINCIA NO BRASIL

    Robson Coutinho Silva (Espao Cincia Viva, RJ, Brasil - [email protected])

    O Espao Cincia Viva (ECV) um museu de cincias localizado no bairro da Tijuca, na

    zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Considerado o primeiro museu participativo de

    cincias da cidade do Rio de Janeiro, foi fundado em 1982 por um grupo de cientistas,

    educadores e pesquisadores que tinham por objetivo aproximar a cincia do cidado e

    apresenta-la de forma ldica, interativa e de fcil entendimento a todas as pessoas.

    Logo na entrada do museu pode-se observar uma placa que exprime bem a proposta de

    funcionamento pautada na experimentao, com os seguintes dizeres:

    Por favor, mexa em tudo, mas com carinho.

    O ECV oferece aos seus visitantes uma exposio permanente que consta de mdulos

    experimentais interativos e transdisciplinares que perpassam temas como: fsica,

    matemtica, biologia, astronomia, percepo e sexualidade, alm de desenvolver diversas

    atividades, tais como: oficinas, contao de histrias, exibio de filmes cientficos, cursos

    de formao de mediadores e atualizao de professores. O ECV realiza atendimento

    escolar regularmente durante todos os dias da semana, alm dos Sbados da Cincia,

    isto , aberturas temticas que ocorrem todo ltimo sbado de cada ms, das 14h s 17h,

    sempre com uma temtica diferente e entrada gratuita, com pblico mdio em torno de

    350 visitantes por sbado. Todas as atividades do museu se beneficiam da parceria do

    Espao Cincia Viva com os Institutos de Pesquisas das universidades publicas da cidade

    do Rio de Janeiro com destaque para o contnuo trabalho com os Institutos de Biofsica,

    Bioqumica Mdica, Nutrio, Cincias Biomdicas e Microbiologia da UFRJ e Laboratrio de

    HLA Histocompatibilidade e Criopreservao (HLA) da UERJ.

    A Instituio desenvolve tambm pesquisas relacionadas divulgao cientfica, polticas

    pblicas, metodologias em ensino de cincias, aprendizagem em museus e estudos de

    pblico em museus e centros de cincias. Os resultados desta ltima linha de pesquisa

    tm demonstrado quem so os visitantes do museu e constitui-se uma ferramenta

    importante na busca de novos pblicos e para o estreitamento das relaes com a

    comunidade do entorno. A atrao de novos pblicos e a busca de metodologias

    inovadoras visando melhoria do ensino de cincias so dois dos desafios importantes da

    instituio para a nova dcada.

    mailto:[email protected]

  • 28 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    O ESPAO CINCIA INTERATIVA E SUAS AES DE POPULARIZAO

    CIENTFICA NA BAIXADA FLUMINENSE

    Grazielle Rodrigues Pereira (Espao Cincia InterAtiva, Instituto Federal de Educao,

    Cincia e Tecnologia do Rio de Janeiro, RJ, Brasil)

    A Baixada Fluminense uma regio que compreende 13 municpios, sendo caracterizada

    por uma forte diferenciao interna, com variedade de classes e grupos sociais. Dados do

    Censo 2010, do IBGE, revelam que em cinco cidades, mais de 50% da populao acima

    de 10 anos no tem instruo ou no completou o ensino fundamental. Frente a tais

    problemticas o Espao Cincia InterAtiva (ECI), centro de cincias do Instituto Federal de

    Educao, Cincia e Tecnologia do Rio de Janeiro, foi criado em 2002 com vistas a

    conscientizao da populao acerca da importncia da cincia e tecnologia para uma

    melhor qualidade de vida mediante a promoo de atividades de divulgao e

    popularizao da cincia para moradores da regio, estudantes e pblico em geral. No

    entanto, verificamos que os moradores da regio, dentre eles estudantes e professores,

    no tm o hbito de visitar ou mesmo desconhecem os centros e museus de cincias

    localizados no Rio de Janeiro. Em face dessas constataes e norteados por programas

    itinerantes j existentes no Brasil, em 2006, a equipe do ECI deu incio ao projeto Cincia

    vai Escola e atualmente desenvolve o programa Cincia Itinerante tendo como objetivo

    a realizao de atividades em escolas e eventos pblicos da Baixada Fluminense,

    mediante experimentos de baixo custo, oficinas e exposies cientficas. Importa enaltecer

    que a lgica acadmica da mera acumulao de conhecimentos ainda est presente nos

    dias de hoje, todavia pode-se encontrar no museu ou centro de cincias o contraponto

    que ir despertar os professores para novas possibilidades no ensino das cincias. Nesses

    espaos de educao no formal, os professores podem vivenciar momentos de uma

    aprendizagem dinmica e prazerosa que ir influenciar a sua prtica pedaggica. Diante

    dessas premissas o ECI iniciou em 2012 o Programa de Formao Continuada de

    Professores em Cincias Naturais visando apresentar e debater junto aos docentes

    aspectos das Cincias Naturais sob o vis da educao no formal promovida pelos

    centros e museus de cincias. Ainda sob a gide da educao no formal inerente a tais

    espaos de popularizao cientfica, iniciamos em 2013, o Curso de Mediao em Centros

    e Museus de Cincia e Tecnologia objetivando capacitar profissionais que atuam ou tem

    interesse em divulgao cientfica. Embora os museus e centros de cincias tenham como

    premissa levar a cincia a toda sociedade, percebemos ainda a necessidade de

    estabelecemos estratgias e aes com vistas a reduo do hiato entre a populao e os

    espaos de educao no formal. De modo que, acreditamos que o fortalecimento da

    relao museu/escola pode contribuir para a reduo desse distanciamento, sobretudo

  • 29 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    mediante iniciativas de interiorizao das atividades de educao cientfica por meio de

    programas itinerantes em eventos pblicos ou aes pontuais em escolas.

  • 30 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    INCLUSO SOCIAL E MUSEUS DE CINCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL

    Douglas Falco Silva

  • 31 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    MUSEUS E CENTROS DE CINCIA: EXPLORAO, INTERAO E EMOO

    Fbio Castro Gouveia

    Museus e Centros de Cincia cada vez mais tm feito uso de mdulos interativos em suas

    exposies. Estes podem ser criados levando-se em conta conceitos de camadas de

    contedo e fazer uso de novas tecnologias de informao e comunicao (TICs). Numa

    abordagem a partir de exemplos de mdulos de exposies do Museu da Vida,

    apresentaremos uma breve descrio das principais tecnologias em uso, da valorizao da

    explorao e interao do visitante e a possibilidade de gerar momentos de emoo em

    uma visita.

  • 32 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    A IMPORTNCIA DA DIVULGAO CIENTFICA

    PARA O PROGRESSO DA C,T & I

    Ennio Candotti (Museu da Amaznia, AM, Brasil)

    H pelo menos cinco objetivos na divulgao cientfica que cimentam o progresso da

    CT&I.

    1. misso da divulgao cientfica discutir publicamente o princpio do direito ao

    conhecimento dos fenmenos naturais e os desafios ticos postos pelos avanos

    da cincia e da tcnica. Os valores culturais e as normas sociais ou pelos

    interesses individuais contra os coletivos.

    Exemplos: a clonagem humana, o acesso e divulgao de dados secretos de interesse

    coletivo, ou a apropriao e patenteamento dos cdigos genticos de seres vivos (em

    particular de humanos). Neste mesmo captulo das reflexes sobre o patenteamento

    devemos incluir as limitaes que ele causa ao acesso popular aos medicamentos devido

    ao elevado preo imposto pelas empresas que detm o monopolio da fabricao.

    Outra questo tica posta pelos progressos tecnologicos o fato, observado ao longo da

    histria, que se um dispositivo ou processo se revelar realizvel tecnicamente, cedo ou

    tarde, ser realizado e utilizado. No importando as restries ticas que eventualmente

    possam ser levantadas contra seu uso (ver a Bomba atmica ou... a gerao de hibridos

    homem-macaco, inicialmente para fins de testes de frmacos e vacinas...).

    2. Reconhecer e reduzir o temor que o pblico tem pela cincia e temperar a

    admirao que nutre por ela: a bomba, o antibitico, o celular e o uso militar da

    cincia e da tcnica.

    A exploso da bomba atmica Norte Americana sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki

    atingiu centenas de milhares de civis japoneses, difundindo no mundo uma sensao de

    profunda insegurana uma vez que a prpria vida na Terra poderia ser destruida com

    estas armas.

    Por outro lado, progressos foram alcanados no combate s doenas e produo de

    alimentos, no entanto no foi resolvida a questo da gerao ou repartio da renda

    necessria para permitir, a quem precisa se alimentar, pagar por esses alimentos e

    medicamentos.

    As redes de comunicao foram revolucionadas pelo desenvolvimento das tecnologias da

    Informao: computadores, internet, celulares, etc. que ao mesmo tempo permitem uma

    rpida troca de informaes e autonomia no acesso a dados, mas tambm possibilitam a

    centralizao e controle sobre os direitos fundamentais de movimento e manifestao de

    comunidades e indivduos.

  • 33 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    Os progressos tecnolgicos na tica, na acstica e na eletrnica permitem monitorar os

    ambientes naturais, os oceanos e a atmosfera, como nunca ocorreu antes prevendo

    extines de espcies e catstrofes naturais, possibilitando tambm programas de estudo

    e conservao.

    Permitiram tambm desenvolver armas e sistemas robticos de localizao e destruio

    de alvos militares e civis, o que torna as guerras cada dia mais dependentes de

    equipamentos e das vantagens que os dispositivos com controle remoto oferecem.

    Aproximam-se os tempos em que as guerras sero de fato travadas por mquinas e

    clones (desprovidos de alma humana).

    3. Promover a incluso na educao popular das fronterias e incertezas do

    conhecimento. Reduzir a princpios e conceitos fundamentais, ao alcance de

    todos, os avanos e limites do conhecimento cientfico.

    Ernest Rutherford, o celebre fsico australiano ingls, (do inicio do sculo XX) dizia que

    se um fsico no sabe explicar o que est fazendo para a sua propria av, no entende o

    que est fazendo. Traduzir, explicar com imagens e modelos simples a misso do

    cientista preocupado com sua responsabilidade social e a divulgao da cincia. Pela sua

    complexidade esta tarefa no pode porm ser obra de um nico indivduo, mas de uma

    equipe multidisciplinar: de jornalistas, escritores, designers, fotgrafos, comunicadores,

    historiadores da cincia, etc. alm dos prprios cientistas.

    A tarefa mais complexa na divulgao cientfica , no entanto, a de divulgar o que no se

    sabe a respito de determinado fenmeno ou processo. Ou ainda de explicar os limites das

    certezas ou verdades por vezes qualificadas de cientficas. Um exemplo: ao deixar cair no

    cho, pedras de diferentes tamanhos, podemos concluir que todos os corpos caem no

    cho com igual acelerao. Afirma-se que esta uma das descobertas mais importantes

    da histria da fsica. No entanto ao deixar cair uma folha de papel verificamos que ela no

    tem comportamento semelhante s pedras mencionadas anteriormente. Isso devido ao

    fato que ao generalizar o comportamento das pedras deveramos acrescentar que elas e

    todos os corpos tem comportamento semelhante ao cair no vcuo, isto , desde que se

    retire a resistncia do ar em seu percurso. Isso bvio para um fsico familiarizado com a

    experincia da queda livre dos corpos mas no bvio para uma pessoa que convidada

    a refletir sobre o curioso comportamento uniforme das diferentes pedras em queda livre.

    4. Observar a realidade atravs de diferentes pontos de vista tanto culturais como

    cientficos: entender que o intelecto de um ser humano comum no um saco

    vazio espera que os conhecimentos cientficos sejam depositados nele, mas

    tem seus prprios modos de entender a realidade e dar valor ao mundo.

    Aproximar o pensamento conceitual do fazer manual e do saber tradicional um

    dos objetivos mais complexos da divulgao cientfica atenta s diversidades

    culturais.

  • 34 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    A interpretao do mundo e dos fenmenos que nele observamos se deve em boa parte

    cultura e histria da sociedade em que vivemos. A utilizao de mquinas e tcnicas para

    aliviar a fadiga humana precedeu em muitos casos a compreenso das leis fsicas ou

    qumicas subjacentes (o uso da alavanca anterior teoria da alavanca e a fundio de

    metais anterior s teorias da metalurgia)

    Culturas sofisticadas como a chinesa ou a indiana foram capazes de desenvolver a lgebra

    ou tcnicas primorosas de construo de edifcios, de hidrulica, metalurgia e navegao,

    e, no entanto no deram origem a uma cincia abstrata. Cabe observar que apesar de

    dominarem a plvora e a metalurgia do ferro muito antes dos europeus foram derrotados

    militarmente em 1800 pelos canhes embarcados construidos pelos ingleses.

    Entender o que pensa o interlocutor, alvo de nossa divulgao, e como ele interpreta o

    mundo ou explica determinado fenmeno, deveria ser o primeiro passo de toda ao de

    divulgao cientfica, princpio que se estende, alis, a toda prtica pedaggica.

    Para modificar um entendimento ou uma explicao culturalmente consolidada, seja ela

    consistente ou inconsistente, preciso levar em considerao no apenas que ele existe,

    mas tambm, se possvel, entender suas origens. O caso do horror ao vcuo

    emblemtico. Afirmar a existncia de microorganismos, invisveis a olho nu, e, portanto

    inexistentes para o senso comum, outro dos grandes desafios da educao e da

    divulgao cientfica.

    Finalmente cabe mencionar a dificuldade que o divulgador encontra em exemplificar

    comportamentos da natureza atravs de prticas e instrumentos concretos. O princpio de

    ao e reao somente pode ser entendido ao dar um soco na parede e sentir na prpria

    mo o efeito da reao da parede ao ser socada. A cincia do concreto ela tambm como

    a tcnica precede a cincia conceitual, e sua compreenso pode contribuir para moldar e

    exemplificar a formao dos conceitos abstratos.

    Esta tambm a origem dos centros interativos de cincias em que os sentidos e as

    prticas experimentais so explorados atravs de dispositivos interativos que contribuem

    para a construo, imaginada ou concreta, dos modelos e conceitos fundadores da

    descrio e entendimento dos processos fsicos e biolgicos.

    1. Explorar e discutir publicamente o contexto poltico em que os programas e

    institutos cientficos encontram sustentao social e financeira. Discutir que a

    cincia no aventura solitria, mas ocorre em institutos sustentados pelo

    Estado e pela sociedade, que a eles atribui alm de recursos, prestgio e

    valores.

    Cabe por fim mencionar que as descobertas cientficas raramente so fruto de caminhadas

    solitrias e relmpagos reflexivos. So resultado de paciente colaborao de diferentes

    agentes cientficos atuantes com continuidade em instituies que oferecem os

    laboratrios e financiam as pesquisas. Estas guardam a memria dos sucessivos passos

  • 35 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    dados em resposta a questes que foram sendo depositadas ao longo do tempo por

    diferentes cientistas e suas equipes de alunos, tcnicos, assistentes etc.

    As relaes dos cientistas com a sociedade passam pelas instituies mediadoras

    responsveis pelas pesquisas e seus resultados e o significado tico das aplicaes. De

    fato a Universidade ou o Instituto A, B ou C responsvel perante o pblico por uma

    pesquisa realizada em seus laboratrios. A sociedade confia (e cobra) s Universidades e

    Institutos a guarda de seus critrios de verdade, valores morais e tambm recursos.

    Isso significa tambm que o controle social sobre os usos e abusos da cincia deve ser

    exercido sobre as instituies e no necessariamente sobre os individuos. tambm por

    essa razo que as instituies devem ser democrticas e as aes de seus Conselhos

    publicamente divulgadas.

    A apropriao privada dos conhecimentos cientficos e dos resultados de pesquisas, que

    tem ocorrido de modo crescente em nosso tempos, pode comprometer tanto o controle

    pblico sobre os critrios de verdade utilizados para validar as pesquisas (uma vez que os

    resultados no so necessariamente divulgados) como tambm pode alienar o direito

    fundamental de todos os cidados do mundo de conhecer os dados, as leis da natureza

    (imaginem se a lei da gravitao ou da induo magntica fosse de propriedade de uma

    Empresa!).

    Ao permitir que uma empresa realize pesquisas cientficas em segredo, abandona-se

    tambm o princpio que os resultados, alm dos critrios de verdade, sejam submetidos

    ao controle social ou da propria comunidade cientfica. Trata-se de mais uma questo que

    deve ser tratada pela divulgao cientfica com bom senso e sabedoria uma vez que os

    monstros so filhos do segredo.

  • 36 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    NDICE DE

    COMUNICAES ORAIS

    Bar Metro: a experincia de um caf cientfico transmdia ................. 37

    Desenvolvimento e produo de kits experimentais para a educao

    bsica ........................................................................................... 39

    Atlas do sistema nervoso como material didtico ttil para alunos com

    deficincia visual ............................................................................ 41

    Dos caminhos para popularizao da cincia relato do projeto mentalidade universitria, um passo, uma vida, um futuro ................... 43

    Limites e possibilidades na estimulao de novos talentos no Instituto Vital Brazil ..................................................................................... 51

    Popularizao da cincia e educao especial: contribuies de eventos de organizaes cientficas no desempenho de talentos ....................... 57

  • 37 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    BAR METRO: A EXPERINCIA DE UM CAF CIENTFICO TRANSMDIA

    Reinaldo Guilherme Bechler; Silvania Sousa Nascimento

    INTRODUO

    Os cafs cientficos se constituem atualmente como um importante mecanismo de

    popularizao da cincia, tanto por seu carter ldico e informal, quanto por suas

    possibilidades comunicacionais. O projeto "Bar metro: cincia, caf e debate",

    desenvolvido pela Diretoria de Divulgao Cientfica da UFMG, entra em sua terceira

    temporada, com resultados acadmicos e sociais interessantes. Temas cientficos so

    discutidos por especialistas e por membros da sociedade civil em um ambiente pensado

    para gerar informalidade e interao. Atravs do apoio da Rdio UFMG e da TV UFMG,

    constri-se um cenrio de um programa de auditrio, onde a cincia discutida com uma

    linguagem menos rebuscada, e divide espao com atraes musicais e artsticas em geral.

    Almeja-se, com essa apresentao, apresentar alguns resultados e levantar alguns

    questionamentos sobre a importncia dos cafs cientficos como instrumento de

    divulgao da cincia, e como ferramenta de aproximao entre cincia e sociedade civil.

    OBJETIVOS

    Apresentar uma experincia prtica de divulgao cientfica que j possui resultados

    interessantes a serem discutidos e problematizados por pares; apresentar os desafios

    enfrentados para o desenvolvimento desse formato de caf cientfico; discutir a

    funcionalidade dos cafs cientficos como ferramenta de popularizao da cincia; apontar

    possveis caminhos de pesquisa relacionados temtica dos cafs cientficos.

    METODOLOGIA

    O "Bar metro" foi concebido como para mensurar a maneira pela qual o discurso

    cientfico concebido e recebido por seus pblicos - sejam eles pares acadmicos ou a

    sociedade civil. Atravs da metodologia da Anlise do Discurso, foi pensada uma gama de

    interaes interdisciplinares capazes de proporcionar um ambiente onde esses dois atores

    (cientista e no-cientista) se sentissem vontade entre si e com o pblico para discutir

    um tema cientfico. Definiu-se que o evento aconteceria com periodicidade mensal, que

    teria a linguagem - e o tempo - de um programa de Rdio, e que seria permeado por uma

    atrao musical. Com a durao de aproximadamente 90 minutos, nosso caf cientfico

    ainda desenvolveu uma ferramenta de interao do pblico com os debatedores. O

  • 38 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    espectador formula sua pergunta e ela automaticamente projetada em um telo na

    frente do palco. Essas perguntas so armazenadas em um banco de dados e trabalhadas

    posteriormente de diversas maneiras.

    RESULTADOS

    O projeto que, como mencionado, est em sua terceira temporada, j gerou diretamente

    uma tese de doutorado, defendida na Faculdade de Educao da UFMG em 2013. Alm

    disso, avanou em alguns pontos relacionados sua capacidade comunicacional, e a partir

    da temporada 2013 est migrando para um formato transmdia, isto , que abarca

    diferentes linguagens miditicas (rdio, TV, WEB, Dispositivos Mveis). Nesse ano de

    2013, o projeto "Bar metro: cincia, caf e debate" faz parte da Temporada Alemanha

    + Brasil 2013-2014, promovida pelos Ministrios de Cincia e Tecnologia dos dois pases.

    As temticas discutidas pelo programa so todas relacionadas aos diversos eventos - de

    diversas reas do conhecimento - que compem a temporada.

    CONCLUSO

    A experincia do Bar metro deixa claro que os cafs cientficos so instigantes

    instrumentos de popularizao da cincia. Suas potencialidades - tanto acadmicas quanto

    sociais - so mltiplas e precisam ser problematizadas por pesquisadores direta ou

    indiretamente ligados rea de Divulgao Cientfica. Ressalta-se aqui suas

    potencialidades enquanto ferramenta de comunicao, capaz de produzir interessantes

    interlocues entre linguagens comunicacionais, especialmente as transmdias.

    .

  • 39 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    DESENVOLVIMENTO E PRODUO DE KITS EXPERIMENTAIS

    PARA A EDUCAO BSICA

    Marly Veiga; Nathlia Gomes Leito; Luana Bispo de Matos Pires; Eli Felipe de

    Magalhes; Magui Vallim

    INTRODUO

    O contedo escolar frequentemente apontado como defasado, dissociado da vida prtica

    e pouco significativo para o aluno. A experimentao um recurso didtico que permite

    uma abordagem pedaggica interdisciplinar, alm de permitir ao aprendiz desenvolver

    habilidades, como observar, levantar hipteses, criticar, refletir e testar seus

    conhecimentos acerca do contedo a ser trabalhado. A utilizao de experimentos, no

    ensino de Biologia, representa uma excelente ferramenta para auxiliar os estudantes a

    estabelecerem a relao entre o contedo terico e a vida prtica. Aliado a estas questes

    tem-se o grande desafio de tornar o ensino de Biologia prazeroso e instigante contribuindo

    para popularizao da Cincia.

    OBJETIVOS

    Elaborar e produzir kits experimentais visando auxiliar o processo de ensino-

    aprendizagem permitindo vivncias mais significativas e representativas do universo

    cientfico das cincias naturais na educao bsica. Difundir os resultados obtidos atravs

    de um blog.

    METODOLOGIA

    O material produzido foi elaborado de forma a garantir autonomia ao profissional da

    Educao, ou seja, deixando a seu critrio a melhor forma de utilizar o material de acordo

    com o contedo que est sendo desenvolvido ou com as caractersticas de sua classe. Os

    Kits doados a escolas pblicas do Rio de Janeiro so acompanhados de roteiros que tem o

    professor como elemento mediador e facilitador da aprendizagem. Os kits podem ser

    utilizados em sala de aula, no necessitando de laboratrio prprio para tal fim e devero

    permitir ao professor utiliz-los vrias vezes durante o ano letivo, em diferentes turmas.

    So de baixo custo e de fcil reposio. Uma vez confeccionados, testados e avaliados, a

    tcnica ou a descrio de como se confeccionar o material desenvolvido ser

    disponibilizada e divulgada (artigos e sites na internet) para que possa ser reproduzida

    por professores da educao bsica interessados.

  • 40 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    RESULTADOS

    Botnica no dia-a-dia: foi produzido um kit contendo material e roteiros para 20

    experincias adequadas a educao bsica como testes de presena de substncias

    (glicose, amido, leos e gorduras, DNA, dentre outras), observao de estruturas vegetais

    (folhas, flores, caules, razes, frutos, sementes) e processos fisiolgicos (fotossntese,

    respirao, circulao, transpirao, germinao, crescimento).

    Perspectivas: esto sendo desenvolvidos kits experimentais que pretendem demonstrar o

    potencial antimicrobiano de substncias presentes no cotidiano dos estudantes.

    CONCLUSO

    Pretende-se oferecer aos professores da educao bsica uma srie de recursos didticos

    alternativos ao livro didtico de forma a contribuir para a efetiva dinamizao e

    enriquecimento de suas aulas, contribuindo para o desenvolvimento da capacidade crtica

    e popularizao da Cincia.

    AUXLIO

    FAPERJ Edital de Apoio Produo de Material Didtico

  • 41 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    ATLAS DO SISTEMA NERVOSO COMO MATERIAL DIDTICO TTIL PARA

    ALUNOS COM DEFICINCIA VISUAL

    Rachel do Nascimento Guiterio; Gustavo Henrique de S. Alves;

    Cristina Maria Delou; Lucianne Fragel Madeira

    INTRODUO

    A Declarao Universal dos Direitos Humanos afirma: Todos tem direito a educao.

    Porm s isto no basta. necessrio que a sociedade volte seu olhar para a incluso.

    Esta garante que todos os alunos, independente de credo, raa, sexo, classe social ou

    deficincia tenham acesso s mesmas oportunidades de estudo e formao. O enfoque

    deste trabalho contribuir com a incluso de alunos deficientes visuais na rede regular de

    ensino. Para isso necessrio uma adaptao do material didtico que considere seu

    desenvolvimento cognitivo, sua forma de apreenso e organizao do espao, as formas

    de construo de imagens e as pedagogias especficas. (FONSECA, 1999). O ensino de

    Biologia necessita de imagens que permitam a melhor compreenso dos seus temas, pois

    apenas uma descrio faz com que o aluno forme conceitos muito abstratos. Assim, para

    os alunos com deficincia visual esta imagem precisa ser ttil a fim de que eles tenham

    acesso total ao conceito estudado.

    OBJETIVOS

    Este projeto tem como objetivo criar um atlas didtico ttil acessvel sobre o tema

    Sistema Nervoso, em apoio ao livro didtico tradicional, para alunos com necessidades

    especiais, visando promover um aumento da acessibilidade ao conhecimento cientfico e

    tambm auxiliando no processo de formao de recursos humanos em licenciatura.

    METODOLOGIA

    Para produo do atlas, imprimimos no Papel Ttil Flexi Paper A3 imagens do Sistema

    Nervoso trabalhadas no programa Corel Draw X6 com a mquina Zy-Fuse que permitiu o

    alto-relevo das imagens. Estas foram baseadas nos captulos de Sistema Nervoso e

    Sentidos dos livros: Cincias o corpo humano, autores Carlos Barros e Wilson Paulino, 8

    ano, editora tica e Cincias entendendo a natureza, o homem no ambiente, autores:

    Csar, Sezar e Bedaque, 7 srie, editora Saraiva.

    Ademais, outro critrio foi o descarte de imagens em 3D, devido a sua dificuldade de

    reproduo no Corel. Todas as imagens possuem legendas em braile. Contudo, as

  • 42 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    estruturas mais internas das imagens no puderam ser identificadas, pois precisariam de

    setas maiores, o que confundiria a espessura da seta com a da estrutura, dificultando a

    compreenso do desenho. As imagens foram produzidas com todas as espessuras

    permitidas no Corel: 0,1; 0,2; 0,5; 1,0; 1,5; 2,0 e 3,0mm para analisar as que

    apresentavam a melhor resoluo.

    RESULTADOS

    Os resultados obtidos at agora foram as imagens j produzidas no Corel com legendas

    em braile. Estas foram: corte sagital do encfalo, crebro visto de cima dividido em

    hemisfrios, arco reflexo, sistema nervoso central, sistema nervoso perifrico, neurnio

    motor, neurnio sensorial, neurnio de associao, sinapse, nervos, corte da medula

    espinhal, corte da pele, lngua, corte do rosto, orelha e olho. Observaes das imagens

    testadas na Zy-Fuse: produz alto-relevo do preto, mas no em outras cores; as melhores

    espessuras foram 0,2; 1,0 e 1,5 mm, pois 0,1mm fica muito fino e a partir do 1,5mm fica

    muito espesso, dificultando o tato. Na temperatura de 7C o relevo das imagens no to

    perceptvel quanto de 8C. Porm, a de 8C deixa o papel enrugado. O braile impresso

    em alto-relevo. Como no se pode produzir o relevo de cores, exceto preto, produzimos

    materiais em alto-relevo preenchidos com cores contrastantes para que o atlas possa ser

    utilizado por pessoas com baixa viso.

    CONCLUSO

    A partir destes resultados podemos demonstrar que possvel produzir materiais didticos

    em alto-relevo utilizando papel Flexi Paper e Zy-Fuse e que o material produzido pode ser

    percebido pelo tato, facilitando o aprendizado de contedos de anatomia e fisiologia

    humana. Entretanto, necessrio testar o material com os alunos tanto cegos quanto de

    baixa viso para verificar sua compreenso e sua qualidade.

    AUXLIO

    Faperj e Proex-UFF.

  • 43 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    DOS CAMINHOS PARA POPULARIZAO DA CINCIA RELATO DO PROJETO

    MENTALIDADE UNIVERSITRIA,

    UM PASSO, UMA VIDA, UM FUTURO

    Gonalves, N.T.L.P.; Roseiro, S.Z.

    PALAVRAS CHAVE

    Conhecimento, Mentalidade, Difuso, Cincia, Cidadania.

    INTRODUO

    Como definir o processo de construo de conhecimento ideal? No tenho vasta

    experincia no assunto, mas ao que me confere ser ideal no supri as diferenas, apenas

    as suprime. possvel tomar uma posio construtivista e aceitar que o conhecimento no

    diretamente transmitido, mas construdo ativamente pelo aprendiz, principalmente no

    ensino das cincias, ou ainda neste posicionamento enxergar os fenmenos naturais

    atravs de uma construo individual de significados e informalidades terico-culturais

    socialmente desenvolvidas (CARMICHAEL et al., 1990; PFUNDT e DUIT, 1985), ou

    tambm como resultante das interaes individuais dos aprendizes com os

    acontecimentos fsicos do seu cotidiano (PIAGET, 1970). Entretanto, tambm seria

    possvel tracejar um processo de construo de conhecimento consequente da aculturao

    do aluno nos discursos cientficos (EDWARDS e MERCER, 1987; LEMKE, 1990) e no

    processo tcnico do simples aprendizado de prticas cientficas (ROGOFF e LAVE, 1984).

    Neste trabalho desenvolvemos a iniciativa de aproveitar o conhecimento informal dos

    alunos e promover a interao desse conhecimento com as formas cientficas de

    conhecimento, de maneira a introduzir na sala de aula a criticidade, curiosidade e

    transport-la para a vida diria contextualizada de forma a popularizar a cincia em seu

    meio.

    A popularizao da cincia nas grandes massas sociais pode ser definida como um dos

    grandes desafios da atualidade e deve assumir carter de urgncia. Haja vista, uma

    dominao do conhecimento cientfico pelas elites, decorrente de fatores histricos que

    perdura pelos tempos e permite o controle da cincia em teoria e aplicabilidade, desde

    processos cientficos, suas tecnologias derivantes, produtos e meios de produo, bem

    como a participao nas decises poltico-sociais (SANTOS e MORTIMER 2002).

    A dominao desses meios resulta numa enorme parcela social que confia e depende

    cegamente de cincia e tecnologia, pois, mesmo sabendo us-la, no a compreende de

    fato. O prprio comportamento social humano direcionado, em sua maioria, pelos

  • 44 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    avanos da cincia, todavia, nesse espao constri-se uma sociedade cientificamente

    analfabeta e submissa (PINHEIRO et al., 2007).

    O movimento CTS (Cincia-Tecnologia-Sociedade), j na dcada de 70 ao elucidar a

    autonomizao da razo cientfica frente a complexidade do comportamento humano,

    contrape-se a essa monopolizao do saber cientfico e estabelece uma ideia central que

    ultrapassa aquela de mostrar apenas as maravilhas da cincia, como agenciado nas

    grandes mdias, pois converge a difuso do saber na compreenso da cincia de maneira

    racional, embasada e justificada para a formao de mentes crticas que possam

    promover e contribuir para o desenvolvimento e a popularizao da cincia e tecnologia

    (SANTOS e SCHNETZLER, 1997). Assim a alfabetizao cientfica acaba por ser

    configurada como necessidade democrtica na contemporaneidade. Nesta linha, promove

    atravs da difuso do saber contextualizado o exerccio da cidadania, ou seja, um direito.

    No meio de todo esse processo encontra-se o professor, que exerce papel fundamental na

    educao bsica, j que, atravs dele se faz vivel a promoo de atitudes que

    corroborem na consolidao da popularizao da cincia e suas tecnologias, que de forma

    a contribuir, assume, ou deveria, as exigncias de uma formao continuada e constantes

    renovaes das prticas pedaggicas na motivao do aluno no estudo das cincias seu

    entendimento e questionamento (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2002). O texto

    traz relatos por meio da experincia em docncia no ensino bsico estadual de um

    professor de qumica e a atuao deste e um graduando de pedagogia no

    desenvolvimento e aplicao do projeto Mentalidade Universitria, um passo, uma vida,

    um futuro, como possibilidade de promover a difuso da cincia, do saber cientfico de

    forma social, estabelecer uma conexo com o ensino superior no desenvolvimento deste

    saber e suas tecnologias, superar as barreiras que transpassam a educao no pas e

    popularizar o conhecimento em cincias.

    Das primeiras observaes do professor entre fevereiro e maro foi arquitetado um

    projeto com plano de ao e posteriormente aplicado na EEEFM Nelson Vieira Pimentel

    (NEVIPI) localizada em VIANAES, entre maio e dezembro de 2012. O projeto consistia

    em estabelecer o contato entre o aluno do 3 ano do ensino mdio com ambiente

    cientfico em seu cotidiano e o mundo universitrio, propondo a insero de mentalidades

    receptivas cincia e ao ensino superior (mentalidade universitria).

    OBJETIVOS

    O projeto visa contribuir para a popularizao da cincia no desenvolvimento pessoal e

    comunitrio por meio de um olhar construtivo, crtico e embasado na razo; promover a

    desfragmentao da mentalidade implantada (qumica como algo que difcil e desperta

    medo e do ensino superior como algo inalcanvel) para a construo de uma mentalidade

  • 45 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    de anseios que corroborem com curiosidade, admirao e insero de ideias apreciativas

    quanto ao meio cientfico e universitrio; sociabilizar a cincia de forma contextualizada;

    inserir uma mentalidade universitria e difundir a curiosidade cientfica nas perspectivas

    de futuro; esclarecer os caminhos que conduzem ao ensino superior e demonstrar os

    privilgios da carreia, bem como, estabelecer uma conexo entre o meio acadmico e

    social, alm de introduzir um olhar cientfico no cotidiano dos alunos.

    De forma pontual pretende-se, motivar e promover a continuidades dos estudos frente ao

    ensino por meio de ideais construtivos; Retirar a ideia de impossibilidade de ascenso ao

    ensino superior; Estabelecer conexes comunitrias atravs do ensino superior; Construir

    perspectivas de futuro atrativas dentro da continuidade do ensino e aprendizagem;

    Popularizar e difundir a cincia e o conhecimento cientfico na comunidade.

    Alm da insero do anseio pela continuidade dos estudos atentou-se a algumas

    necessidades efetivas como as dificuldades na escrita e assimilao do contedo por parte

    da interpretao, que tambm se configura como fundamental no processo de ascenso

    ao ensino superior (ENEM), ento foi realizado um minicurso de redao (produo de

    texto) de forma complementar ao projeto (eixos temticos), para gerar a viabilizao e

    organizao do pensamento crtico e cientfico e preparar o aluno frente importncia que

    essas etapas possuem nos exames, na carreira profissional e acadmica.

    JUSTIFICATIVA

    Entre fevereiro e maro de 2012, como professor de qumica em minha comunidade, pude

    observar frente aos alunos do ensino mdio, principalmente em relao aos alunos do 3

    ano, diversas dificuldades de enxergar comunicao entre o contedo e a prxis cotidiana,

    alm da criao de um pensamento bastante incmodo quanto cincia e ao meio

    universitrio.

    Diante das inmeras condies citadas em diversos artigos como as dificuldades

    estabelecidas no ensino de cincias, a necessidade de sua popularizao, a carncia de um

    ensino de qualidade em nosso pas, as barreiras que permeiam o processo de

    alfabetizao cientfica, e diante os relatos dos alunos quanto deficincia de

    contextualizao no ensino de qumica, me vi num ambiente de repulsa que formulava a

    qumica como desprezvel e a universidade como algo inalcanvel e irreal. Com essa

    oportunidade foi desenvolvido um projeto com potencial para transformao desse

    contexto.

    METODOLOGIA

  • 46 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    Inicialmente foi estabelecida a apresentao do projeto na escola a diretora, as

    coordenadoras e pedagogas para aprovao e efetivao do mesmo. Assim foi feito um

    cronograma para organizao e efetivao das atividades e uma pequena pesquisa de

    campo dentro e fora da comunidade para firmar contatos com alguns alunos da rede

    pblica e ex-alunos que adentraram o ensino superior para futura participao destes no

    projeto, agendando horrios e dias.

    O processo avaliativo deve ser realizado durante todo o projeto com observaes conexas

    que aps anlise possibilitem descrio dos pontos positivos e propcios a mudanas

    pertinentes em cada etapa, para isso foi consolidado um caderno que resultou num dirio

    de campo.

    Num primeiro momento aplicou-se um questionrio avaliativo, proporcionando uma

    averiguao dos relatos observados quanto configurao do distanciamento ideolgico

    da cincia no cotidiano e da universidade como construtora de conhecimentos e

    possibilidades aos olhos dos alunos, como tambm se pede a elaborao de um

    texto/redao pelos alunos com pensamentos prprios e pessoais sobre como seria a vida

    dentro da universidade. Este processo foi repetido ao final do projeto para anlise

    comparativa. Em seguida foi iniciado o minicurso de redao com apoio de um graduando

    em pedagogia onde foram implementados recursos ideogrficos e grficos (imagens,

    charge, vdeo-debate, filme, cinema, fotografia); recursos literrios (cordel, livro, letras de

    msica, poesia); recursos impressos (notcias de jornais, imagens, fotojornalismo

    internacional, grficos, revistas, textos didticos, cartas, artigos); recursos cientficos

    (seminrios, encontros, vivncias, oficinas); recursos de fixao de contedos e

    construo de conhecimentos (leitura, fichamento, produo do conhecimento orientada,

    elaborao conceitual); quadro digital. A ideia foi utilizar-se de toda diversidade de

    materiais que dispnhamos.

    Na promoo de um diferencial palpvel na produo de redaes de forma a contribuir

    para um maior desenvolvimento durante as leituras dos textos e assuntos abordados em

    sala, bem como no ENEM, proporcionou-se aos alunos o conhecimento sobre produo de

    uma dissertao argumentativa, crtica e cientfica com conexo ao contedo didtico de

    qumica, promovendo a elaborao de solues de problemas reais de jornais e revistas

    para que fundamentem suas narrativas.

    Na tentativa de promover a continuidades dos estudos frente ao ensino superior por meio

    de ideais construtivos foram estabelecidas palestras motivacionais direcionadas pelo

    professor e apresentadas por jovens da prpria comunidade que concretizaram ou esto

    cursando o ensino superior, numa linguagem livre trazendo os alunos para um arsenal de

    possibilidades que demandam destas condutas, viabilizando a construo de um futuro

    atrativo e digno por meio de uma viso cientfica, de esforo e de vontade e

    estabelecendo conexes comunitrias atravs do ensino superior por meio de debates

  • 47 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    abertos e questionamentos quanto aos caminhos a serem percorridos, elucidando as

    possibilidades dentro do meio universitrio, como o desenvolvimento cientfico e cultural,

    os auxlios que so oferecidos aos estudantes, dentre outras.

    RESULTADOS

    O questionrio e a redao inicial comprovaram as observaes quanto a situao

    problemtica a que estvamos expostos. Existia em sala um nmero substancial de alunos

    que, na linguagem usada, detestava qumica e no tinha interesse algum em fazer um

    curso superior em qualquer rea.

    Em nosso levantamento foi possvel verificar que dentro do quantitativo geral (67 alunos)

    dessas turmas de 3 ano do ensino mdio do perodo noturno 83,6% dos alunos entre 17

    e 22 anos no gostavam de qumica e entre os alunos com idade superior a 22 anos,

    11,9% no tinham interesse na matria, apenas 4,5 % demonstravam empatia. Dentre os

    motivos para detestar qumica 95,5 %, ou seja, quase a totalidade dos alunos afirmava

    que a matria era difcil de ser compreendida, 77,6% no enxergavam nenhuma utilidade

    para os contedos e 22,4% tinham uma viso contextualizada superficialmente. Como

    fator mais agravante 80,6% afirmavam que no havia motivao por parte dos

    professores de qumica para que fosse despertado interesse e 82,1% achavam as

    frmulas e clculos difceis, chatos e complicados. Quanto ao ensino superior 97% no

    tinham interesse em tentar entra numa universidade federal, 77,6% no demonstravam

    vontade alguma de dar continuidade aos estudos, seja ensino superior ou tcnico, 19,4%

    pensavam em continuar estudando aps o ensino mdio numa faculdade particular.

    Dentre os motivos que expandiam esses pensamentos destacamos a dificuldade de entrar

    numa instituio pblica por 100% dos alunos, que tambm consideravam os valores dos

    cursos privados de alto custo frente sua renda familiar. Assim verificamos um

    distanciamento ideolgico da universidade como possibilidade aos olhos dos alunos e do

    ensino superior como direito capitalista de propriedade, desigual em oportunidades e

    ainda numa viso consolidada como inacessvel para muitos.

    As palestras motivacionais direcionadas por jovens da prpria comunidade que

    concretizaram ou esto cursando o ensino superior, mostraram aos alunos um arsenal de

    possibilidades dentro dos processos seletivos e causaram um abalo no pensamento

    dominante, visto a aproximao e construo de elos afetivos e de linguagem, viabilizando

    a imagem de um futuro atrativo e despertando vontades e curiosidades nos alunos,

    resultado inicialmente confirmado pela crescente e gradativa participao nas palestras.

    Essa atuao trouxe consigo a oportunidade de desenvolver debates a cerca dos

    processos polticos de formao histrica da educao no Brasil em rea fora do projeto e

  • 48 de 284 Anais do II Encontro Nacional de Popularizao da Cincia, Tecnologia e Inovao. ISBN: 978-85-66768-03-9

    discusses sociais sobre os programas que norteiam o acesso ao ensino superior como as

    cotas, proporcionando mais clareza e estmulo.

    Nesse meio tempo as aulas de qumica j estavam sendo realizadas de forma

    contextualizada com artigos e atividades ldicas. Assim nos observamos trabalhando

    cincia e qumica em debates sociais, conectando sempre que possvel a realidade diria

    desses alunos com os contedos abordados, o que possibilitou a reformulao das

    avaliaes escolares para uma linguagem mais cientfica e aplicvel que trouxe inmeras

    melhorias, tais como, o aumento significativo no desenvolvimento acadmico, a quebra

    conceitual de dificuldades quanto a matria, alm de consequente popularizao da

    cincia. Tambm foi possvel verificar a motivao dos alunos nos corredores, em contato

    com as outras turmas, durante outras aulas por meio dos assuntos e questionamentos

    direcionados ou relacionados temtica do projeto com demais professores, promovendo

    um movimento interdisciplinar. Alunos j se enxergavam como cidados com anseio social

    e entendiam que atravs da cincia e de sua formao possvel colaborar com o

    desenvolvimento de sua regio. Observamos pelo desenvolvimento das redaes

    argumentativas um aumento gradativo da qualidade, bem como o desenvolvimento de

    uma melhor capacidade de interpretao e organizao de ideias refletidas at mesmo nas

    avaliaes fora do projeto, situaes essas levantadas por outros professores.

    Cabe ressaltar a importncia do minicurso de redao em eixo temtico aplicado, pois este

    desenvolveu papel fatdico durante todo o projeto que alm de contribuir na ampliao e

    direcionamento da curiosidade por conhecimento cientfico desses alunos, dentro de um

    processo recorrente semanalmente disseminou a curiosidade nos outros.

    Desta forma vivel que em projetos futuros se promova novos meios de relacionar as

    melhorias em amplo aspecto disciplinar e no s na matria de em questo, seja por

    anlise de desenvolvimento quantitativo (notas), o que no consideramos como ideal, ou

    por meio de anlise da escrita e comportamento humano nas outras aulas.

    Enfim, ao final do projeto novamente aplicamos o questionrio e a redao dentro dos

    mesmos parmetros iniciais e percebemos uma inverso nos pensamentos dos alunos,

    agora estvamos presenciando uma mentalidade mais adepta a continuidade dos estudos

    na maioria da turma, 73,1 % dos alunos, vislumbravam a ascenso ao curso superior

    como possibilidade e concomitante a esses, 14,3% idealizavam uma carreira atravs de

    mltiplas formaes. Em relao a qumica e