Análise da Ocupação e Estrutura Urbana - Avenidas Novas_Apresentação

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ANÁLISE DA OCUPAÇÃO E ESTRUTURA URBANA AVENIDAS NOVAS Enquadramento da Área de Estudo na Cidade Declives A área das Avenidas Novas localiza-se numa zona central relativamente aos limites da cidade de Lisboa e aparece “encaixada” entre duas cumeadas, a sul e a nascente. A grande cumeada a sul foi, até ao final do séc. XIX, o limite Norte da cidade. O surgimento das Avenidas Novas foi o desenvolvimento urbano que fez avançar a cidade de Lisboa para norte. Os declives podem condicionar a aptidão aos usos do solo para edificação na medida em que, sendo elevados (superiores a 12%), implicam onerosas movimentações de terras e causam dificuldades de movimentação a pessoas e veículos. As Avenidas Novas caracterizam-se pela estrutura planeada em malha ortogonal e com eixos viários estruturantes direccionados para as saídas da cidade. Esta configuração é adequada ao local pois é facilmente implementada em locais praticamente planos, como é o caso da maioria da área em estudo. Nas zonas assinaladas é notória uma ligeira distorção da ortogonalidade da malha urbana e mesmo zonas com malha irregular de forma a acompanhar os declives mais acentuados do terreno nestes locais. Aptidão à Edificação Morfologia do Terreno Exposições Solares Cabeços Encostas Zonas Adjacen tes Norte Sul / Plano Este Oeste < 16% > 16% Inapto X X X Medianamen te X X X Apto X X Exposições Solares A exposição solar é relevante para as condições climáticas e factores de conforto, nomeadamente a quantidade de luz solar e o grau de humidade do ar e do solo. A zona das Avenidas Novas, por ser uma zona praticamente plana, não apresenta inaptidões à edificação de grande relevo. Linhas de Água e Cumeada e Morfologia do Terreno A Carta de Linhas de Água e Cumeada (à esquerda) é constituída pela rede de drenagem das águas pluviais e pelas cumeadas. A sua sobreposição com a Carta de Declives dá origem à Carta de Morfologia do Terreno. A Carta de Morfologia do Terreno (à direita) apresenta os Cabeços, Encostas e Zonas Adjacentes às Linhas de Água que consistem em zonas praticamente planas envolvendo as linhas de água. Influência das Características Fisiográficas do Território na Ocupação Urbana Carta de Aptidão à Edificação Da sobreposição das cartas obtidas anteriormente obtém-se a Carta de Aptidão à Edificação, que representa a capacidade intrínseca do território para esse uso do solo. A aptidão é dividida em três classes, às quais é atribuída a designação de inaptas para a edificação, medianamente aptas, e muito aptas. Da análise da Carta de Aptidão À Edificação denota-se que uma importante linha de água coincide com o eixo Campo Grande – Campo Pequeno – Av.Berna. Devido ao baixo declive das áreas adjacentes a essa linha de água , estas zonas são particularmente vulneráveis a inundações, sendo necessárias precauções especiais na urbanização destes locais. A inaptidão das outras áreas (pontuais) deve-se sobretudo às fracas exposições solares e em menor escala, a declives elevados das encostas. Análise dos Resultados Metodologia de Kevin Lynch A metodologia de Kevin Lynch de análise da Imagem da Cidade baseia-se nos mapas mentais que as pessoas formam para entender a cidade. Estes mapas baseiam-se em cinco elementos principais: Análise Semiológica da Imagem Urbana das Avenidas Novas Vias : Canais ao longo dos quais o observador se move (1º e 2º nível) Limites : Elementos lineares não usados como vias, fronteiras Cruzamentos : Pontos estratégicos, focos de utilização intensa Bairros : Regiões com características comuns (1º e 2º nível) Elementos Marcantes : Elementos físicos, pontos de referência 1 Imagem Colectiva Actual Imagem Colectiva Proposta 1 2 As Avenidas Novas caracterizam-se por ser uma zona de elevada legibilidade e uma imaginabilidade que é penalizada pelo facto de se tratar de uma zona de passagem. Este facto foi potenciado pela terciarização da área e é potenciado pela existência de um grande número de vias de 2º e 3º nível que a atravessam. 3 PLANEAMENTO REGIONAL E URBANO – ANO LECTIVO 2012/3 – TURMA 14, GRUPO 3 As propostas de intervenção visam principalmente a criação de cruzamentos, zonas de ajuntamento e permanência, bem como o incentivo de outras formas de mobilidade. 3 As edificações previstas para o local da antiga Feira Popular, necessárias para dar escala à Avenida da República, deveriam prever um espaço público interior. Este espaço público, com a ciclovia do Campo Grande a atravessá-lo, seria composto de zonas verdes ,mobiliário urbano e áreas comerciais de forma a proporcionar uma zona de lazer que convidasse à estadia e convivência. Também se propõe a colocação de um ponto marcante que evoque o anterior uso do local em questão. Propõe-se, como forma de promover novas formas de mobilidade na Av. Da República, ligar a ciclovia do Campo grande à do Argo do Cego. Seria também feita uma ligação com o IST e com o Bairro do Arco do Cego. A ciclovia aproveitaria as faixas laterais da Avenida da República entre a estação de Entrecampos e o Campo Pequeno 2 Propõe-se dotar a praça do Campo Pequeno de mobiliário urbano nos espaços verdes como forma de atrair os residentes e trabalhadores na área. A colocação de estruturas do tipo bancadas de feira permitiria o estabelecimento de um pequeno mercado para promover a maior utilização do local.

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  1. 1. ANLISE DA OCUPAO E ESTRUTURA URBANA AVENIDAS NOVAS Enquadramento da rea de Estudo na Cidade DeclivesA rea das Avenidas Novas localiza-se numa zona central relativamente aos limites da cidade de Lisboa e aparece encaixada entre duas cumeadas, a sul e a nascente. A grande cumeada a sul foi, at ao final do sc. XIX, o limite Norte da cidade. O surgimento das Avenidas Novas foi o desenvolvimento urbano que fez avanar a cidade de Lisboa para norte. Os declives podem condicionar a aptido aos usos do solo para edificao na medida em que, sendo elevados (superiores a 12%), implicam onerosas movimentaes de terras e causam dificuldades de movimentao a pessoas e veculos. As Avenidas Novas caracterizam-se pela estrutura planeada em malha ortogonal e com eixos virios estruturantes direccionados para as sadas da cidade. Esta configurao adequada ao local pois facilmente implementada em locais praticamente planos, como o caso da maioria da rea em estudo. Nas zonas assinaladas notria uma ligeira distoro da ortogonalidade da malha urbana e mesmo zonas com malha irregular de forma a acompanhar os declives mais acentuados do terreno nestes locais. Aptido Edificao Morfologia do Terreno Exposies Solares Cabeos Encostas Zonas Adjacentes Norte Sul / Plano Este Oeste < 16% > 16% Inapto X X X Medianamente X X X Apto X X Exposies Solares A exposio solar relevante para as condies climticas e factores de conforto, nomeadamente a quantidade de luz solar e o grau de humidade do ar e do solo. A zona das Avenidas Novas, por ser uma zona praticamente plana, no apresenta inaptides edificao de grande relevo. Linhas de gua e Cumeada e Morfologia do Terreno A Carta de Linhas de gua e Cumeada ( esquerda) constituda pela rede de drenagem das guas pluviais e pelas cumeadas. A sua sobreposio com a Carta de Declives d origem Carta de Morfologia do Terreno. A Carta de Morfologia do Terreno ( direita) apresenta os Cabeos, Encostas e Zonas Adjacentes s Linhas de gua que consistem em zonas praticamente planas envolvendo as linhas de gua. Influncia das Caractersticas Fisiogrficas do Territrio na Ocupao Urbana Carta de Aptido Edificao Da sobreposio das cartas obtidas anteriormente obtm-se a Carta de Aptido Edificao, que representa a capacidade intrnseca do territrio para esse uso do solo. A aptido dividida em trs classes, s quais atribuda a designao de inaptas para a edificao, medianamente aptas, e muito aptas. Da anlise da Carta de Aptido Edificao denota-se que uma importante linha de gua coincide com o eixo Campo Grande Campo Pequeno Av.Berna. Devido ao baixo declive das reas adjacentes a essa linha de gua , estas zonas so particularmente vulnerveis a inundaes, sendo necessrias precaues especiais na urbanizao destes locais. A inaptido das outras reas (pontuais) deve-se sobretudo s fracas exposies solares e em menor escala, a declives elevados das encostas. Anlise dos Resultados Metodologia de Kevin Lynch A metodologia de Kevin Lynch de anlise da Imagem da Cidade baseia-se nos mapas mentais que as pessoas formam para entender a cidade. Estes mapas baseiam-se em cinco elementos principais: Anlise Semiolgica da Imagem Urbana das Avenidas Novas Vias : Canais ao longo dos quais o observador se move (1 e 2 nvel) Limites : Elementos lineares no usados como vias, fronteiras Cruzamentos : Pontos estratgicos, focos de utilizao intensa Bairros : Regies com caractersticas comuns (1 e 2 nvel) Elementos Marcantes : Elementos fsicos, pontos de referncia 1 Imagem Colectiva Actual Imagem Colectiva Proposta1 2 As Avenidas Novas caracterizam-se por ser uma zona de elevada legibilidade e uma imaginabilidade que penalizada pelo facto de se tratar de uma zona de passagem. Este facto foi potenciado pela terciarizao da rea e potenciado pela existncia de um grande nmero de vias de 2 e 3 nvel que a atravessam. 3 PLANEAMENTO REGIONAL E URBANO ANO LECTIVO 2012/3 TURMA 14, GRUPO 3 As propostas de interveno visam principalmente a criao de cruzamentos, zonas de ajuntamento e permanncia, bem como o incentivo de outras formas de mobilidade. 3 As edificaes previstas para o local da antiga Feira Popular, necessrias para dar escala Avenida da Repblica, deveriam prever um espao pblico interior. Este espao pblico, com a ciclovia do Campo Grande a atravess-lo, seria composto de zonas verdes ,mobilirio urbano e reas comerciais de forma a proporcionar uma zona de lazer que convidasse estadia e convivncia. Tambm se prope a colocao de um ponto marcante que evoque o anterior uso do local em questo. Prope-se, como forma de promover novas formas de mobilidade na Av. Da Repblica, ligar a ciclovia do Campo grande do Argo do Cego. Seria tambm feita uma ligao com o IST e com o Bairro do Arco do Cego. A ciclovia aproveitaria as faixas laterais da Avenida da Repblica entre a estao de Entrecampos e o Campo Pequeno 2 Prope-se dotar a praa do Campo Pequeno de mobilirio urbano nos espaos verdes como forma de atrair os residentes e trabalhadores na rea. A colocao de estruturas do tipo bancadas de feira permitiria o estabelecimento de um pequeno mercado para promover a maior utilizao do local.
  2. 2. ANLISE DA OCUPAO E ESTRUTURA URBANA AV E N I DA S N OVA S Anlise e Classificao da Rede Viria das Avenidas Novas A zona das Avenidas Novas caracteriza-se por ser uma zona de passagem, potenciado pelo facto de ser cruzada por grandes vias de 2 nvel. composta maioritariamente por vias de 3 e 4 nvel, sendo que as vias de 5 nvel se encontram principalmente no bairro do Arco do Cego. O Bairro do Arco do Cego, assinalado no mapa, precisamente a Zona 30 que objecto de interveno na moderao da circulao. Vias de 5 Nvel Para esta tipologia de vias prope-se a adopo de gincanas recorrendo ao estacionamento paralelo ao eixo da via, alternando entre o lado direito e esquerdo da rua. Com esta medida pretende-se romper o alinhamento recto e a linha de viso contnua que potencia a prtica de velocidades mais elevadas, incompatveis com a convivncia entre veculos e pees. Pretende-se que as vias de 5 nvel com largura de pista actual de 5 metros se transformem em vias no segregadas entre trfego motorizado e trfego pedonal. Estas vias, com largura total rondando os 6 metros, tm as caractersticas adequadas para oferecer estacionamento para moradores e largura livre suficiente para o trfego de veculos e pees. As interseces entre este tipo de vias devem seguir a regra de prioridade direita com estreitamentos de forma a reduzir a velocidade mas sem comprometer o tempo de resposta de veculos de emergncia bem como as manobras de veculos especiais. A perda de lugares de estacionamento provocada pela criao das gincanas deve ser compensado pela criao de estacionamentos oblquos ao longo das vias de circunvalao do bairro (vias de 4 nvel exteriores) 2 Nvel 3 Nvel 4 Nvel 5 Nvel Zona 30 Tipologia das vias representadas Via de 4 Nvel com largura de 16m Via de 4 Nvel com largura de 7m (exterior) Via de 4 Nvel com largura de 7m (interior) Via de 5 Nvel com largura de 7m Via de 5 Nvel com largura de 5m Local de entrada na Zona 30 Caracterizao Viria da Zona 30 O Bairro do Arco do Cego composto por vias ortogonais, maioritariamente de 5 nvel e pistas para circulao automvel e um estacionamento com cerca de 5 metros. As vias de circunvalao do bairro, bem como trs vias de atravessamento tm uma largura de pistas de 7 metros e estacionamento dos dois lados da via. Existe uma avenida principal, de entrada no bairro, com um perfil de 16 metros de largura de pista. Os sentidos de circulao estabelecidos criam um labirinto propositadamente criado para evitar o trfego de atravessamento. As vias em estudo, por serem rectilneas e terem estacionamentos paralelos ao eixo da via sempre do mesmo lado criam uma linha de viso contnua que pode induzir prtica de velocidades superiores ao desejvel numa zona deste tipo. Tambm o facto de o estacionamento se efectuar sempre do mesmo lado da rua contribui para a formao de uma barreira contnua entre a rua e os edifcios. Locais de Entrada na Zona 30 Em todas as entradas no bairro necessrio haver sinalizao que indique o incio de zona 30. As restries de velocidade do trfego motorizado devem ser impostas gradualmente a partir destes pontos, nomeadamente com recurso a raios de curvatura mais reduzidos, plataformas de atravessamento pedonal elevadas, coloridas e texturizadas. No caso da entrada principal no bairro, na avenida que d acesso escola, prope-se a implementao desta medida na entrada, a reduo da largura exagerada das pistas pela criao de estacionamento no centro da via e elevao e texturizao dos atravessamentos pedonais e das interseces com as outras vias. Nesta avenida, de 4 nvel, particularmente importante que exista estacionamento devido presena da escola que um importante plo de atraco. Tambm importa que a velocidade de circulao seja moderada devido elevada circulao pedonal, principalmente de crianas. A ciclovia proposta, a terminar nesta via, seguir pelo passeio. A sua largura, cerca de 4 metros, comporta com facilidade a introduo desta estrutura. 3,6 m 0,75 m 0,75 m 6,0 m 3,0 m 3,0 m 0,7 m0,7 m 3,0 m 3,0 m4,0 m 4,0 m1,0 m Nas interseces entre as vias de 4 nvel e 5 nvel prope-se a introduo de plataformas elevadas, texturizadas e coloridas como forma de reduzir fortemente a velocidade nas vias de 4 nvel e de reduzir os conflitos entre pees e veculos. Com esta medida necessria a elevao das vias interiores, de 5 nvel, at ao nvel actual do passeio. Interseces entre vias de 4 e 5 nvel 4,0 m 3,0 m 6,0 m 0,8 m0,8 m PLANEAMENTO REGIONAL E URBANO ANO LECTIVO 2012/3 TURMA 14, GRUPO 3