ANÁLISE DE SOBREVIDA E FATORES PROGNÓSTICOS DE CÃES ...

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ANÁLISE DE SOBREVIDA E FATORES PROGNÓSTICOS DE CÃES COM MASTOCITOMA CUTÂNEO FERNANDA SOUZA NATIVIDADE Dissertação de Mestrado em Saúde Animal Brasília/DF OUTUBRO/2013 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal

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  • ANLISE DE SOBREVIDA E FATORES PROGNSTICOS DE CES COM MASTOCITOMA CUTNEO

    FERNANDA SOUZA NATIVIDADE

    Dissertao de Mestrado em Sade Animal

    Braslia/DF

    OUTUBRO/2013

    UNIVERSIDADE DE BRASLIA Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria

    Programa de Ps-Graduao em Sade Animal

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    ANLISE DE SOBREVIDA E FATORES PROGNSTICOS DE CES COM MASTOCITOMA CUTNEO

    FERNANDA SOUZA NATIVIDADE

    Dissertao de Mestrado em Sade Animal

    rea de Concentrao: Clnica Mdica e Cirurgia Animal

    Linha de pesquisa: Mtodos de diagnstico e tratamento de afeces dos animais domsticos e silvestres.

    Braslia/DF

    OUTUBRO/2013

    UNIVERSIDADE DE BRASLIA Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria

    Programa de Ps-Graduao em Sade Animal

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    ANLISE DE SOBREVIDA E FATORES PROGNSTICOS DE CES COM MASTOCITOMA CUTNEO

    FERNANDA SOUZA NATIVIDADE

    Orientadora: Prof. Dr. Paula Diniz Galera

    Publicao 085/2013

    Dissertao de Mestrado em Sade Animal

    rea de Concentrao: Clnica Mdica e Cirurgia Animal

    Linha de pesquisa: Mtodos de diagnstico e tratamento de afeces dos animais domsticos e silvestres.

    Braslia/DF

    OUTUBRO/2013

    UNIVERSIDADE DE BRASLIA Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria Programa de Ps-Graduao em Sade Animal

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    REFERNCIA BIBLIOGRFICA E CATALOGAO

    NATIVIDADE, F.N. Anlise de sobrevida e fatores prognsticos de ces

    com mastocitoma cutneo. Braslia: Faculdade de Agronomia e Medicina

    Veterinria, Universidade de Braslia, 2013, 24p. Dissertao de Mestrado.

    Documento formal, autorizada reproduo

    desta dissertao de mestrado para

    emprstimo ou comercializao,

    exclusivamente para fins acadmicos, foi

    passado pelo autor Universidade de

    Braslia e acha-se arquivado na Secretaria

    do Programa. O autor reserva para si os

    outros direitos autorais, de publicao.

    Nenhuma parte desta dissertao de

    mestrado pode ser reproduzida sem

    autorizao por escrita do autor. Citaes

    so estimuladas desde que citada a fonte.

    Natividade, Fernanda Souza

    Anlise de sobrevida e fatores prognsticos de ces com mastocitoma

    canino/ Fernanda Souza Natividade orientao de Paula Diniz Galera.

    Braslia, 2013. 24p.: il.

    Dissertao de mestrado (M)-Universidade de Braslia/ Faculdade de

    Agronomia e Medicina Veterinria, 2013.

    1. Anlise de sobrevida 2. Fatores prognsticos 3. Mastocitoma

    Canino 4. Ces I. NATIVIDADE, F.S. II. Ttulo

  • v

  • vi

    Dedico este trabalho a Deus, minha

    famlia e aos amigos, que so meu

    sistema de suporte.

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    AGRADECIMENTOS

    Ao meu marido e minha famlia por me darem todo o apoio, fora e

    estmulo quando eu mais precisei.

    A minha orientadora, chefe e amiga, por tudo, desde sempre.

    Ao LPV-UnB, especialmente Letcia e Anah, por me receberem to

    bem.

    Ao co-orientador Mrcio Botelho de Castro, pelos ensinamentos e

    instrues durante a execuo deste trabalho.

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    SMARIO

    LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................... ix

    LISTA DE FIGURAS .......................................................................................... x

    INTRODUO ................................................................................................... 2

    MATERIAIS E MTODOS .................................................................................. 5

    RESULTADOS ................................................................................................... 6

    DISCUSSO E CONCLUSES ......................................................................... 9

    REFERNCIAS ................................................................................................ 16

    FIGURAS ......................................................................................................... 19

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    LISTA DE ABREVIATURAS

    cm Centmetros

    IM ndice Mittico

    LPV-HVET Laboratrio de Patologia Veterinria do Hospital veterinrio da

    Universidade de Braslia

    SRD Sem Raa Definida

    AgNOR Regies Organizadoras Nucleolares com Afinidade para Prata

    PCNA Antgeno Nuclear de Proliferao Celular

    CI Intervalo de Confiana

  • x

    LISTA DE FIGURAS Figura 1 Curva de sobrevida estratificada pelo grau histolgico

    de acordo com Patnaik et al. (1984) de ces com mastocitoma canino. Quando analisada isoladamente houve influncia sobre a sobrevida (P

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    Anlise de sobrevida e fatores prognsticos de ces com mastocitoma cutneo

    Fernanda S. Natividade*, Mrcio B. Castro, Anah S. Silva, Letcia B.

    de Oliveira, Concepta M. McManus & Paula D. Galera

    ABSTRACT.- Natividade F.S., Silva A.S., Oliveira L.B., McManus C.M., Castro M.B. & Galera P.D. 2013. [Survival analyses and prognostic markers in canine cutaneos mast cell tumors.] Anlise de sobrevida e fatores prognsticos de ces com mastocitoma cutneo. Programa de Ps Graduao em Sade Animal Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinria, Universidade de Braslia, Av. L4 Norte Campus Universitrio Darcy Ribeiro, Braslia DF 70910-900, Brasil. E-mail: [email protected]

    Mast cell tumor (MCT) is the most common malignant cutaneous neoplasm in dogs. Even with several prognostic markers being studied, in attempt to prevent the biological behavior of these tumors, the histological grading is still commonly used to predict behavior, however, it is not significant to predict intermediately differenciated MCT behavior. Different prognostic and cell proliferation markers are being tested with promising results however, the majority of then requires specific staining and immunohistochemical techniques that even nowadays are expensive and not suitable for all veterinarians. Mitotic index is an indirect measure of cell proliferation and it can be established in a common histological microscope slide, and studies indicate it as an important prognostic marker for MCT in dogs. Given the recent publication of the novel two-tier histologic grading system and the unavailability of specific techniques to determine other prognostic markers, this study objective to evaluate the prognostic value of the different grading systems associating with survival and compare it with the mitotic index. Even though both grading systems associate with survival in the univariable analyses (P0,05), and the mitotic index was the best predictive marker for survival, regardless of the cut-off point used (P

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    custo e muitas vezes no esto facilmente disponveis. O ndice mittico um dos mtodos indiretos de mensurao da atividade proliferativa celular que pode ser contabilizado em uma lmina comum de avaliao histolgica, e estudos vem determinando-o como importante marcador prognstico para o mastocitoma canino. Dada a recente publicao sugerindo nova graduao em 2 graus (alto e baixo) e indisponibilidade das tcnicas especficas utilizadas na determinao de outros fatores prognsticos, objetivou-se avaliar o poder prognstico das diferentes classificaes, associando-as sobrevida destes animais e comparando com o ndice mittico. Apesar de isoladamente ambas as classificaes histolgicas apresentarem associao com a sobrevida (P0,05). O ndice mittico foi o fator prognstico mais confivel para sobrevida independente do ponto de corte utilizado (P

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    metstase no momento do diagnstico, e mais recentemente marcadores de proliferao celular, entre outros, alm da graduao histolgica esta, a mais utilizada inclusive, para a determinao de terapia adjuvante (Seguin et al. 2001, Neto et al. 2008, Costa-Poggiani et al. 2012).

    Vrios autores relatam no haver predisposio quanto ao gnero. J quanto raa, alguns autores referem ser o Boxer raa mais predisposta, assim como todas as descendentes do Buldogue, alm de Labrador, Dachshund e animais mestios (De Nardi et al. 2002, Maiolino et al. 2005, Dobson & Scase 2007, Costa-Casagrande 2008, Welle et al. 2008, Strefezzi et al. 2010, Costa-Poggiani et al. 2012). While et al. (2011) ressalta a predisposio de raas de grande porte de desenvolverem mastocitoma cutneo.

    O mastocitoma pode acometer qualquer regio corprea, mas se verifica maior acometimento em membros, regio inguinal e prepucial. Acredita-se que mastocitomas localizados em regies mucocutneas e na regio inguinal apresentem comportamento mais agressivo, embora no seja consenso entre os estudos (Dobson & Scase 2007, Welle et al. 2008, Mahler 2012).

    Para graduao histolgica, a metodologia mais utilizada a proposta por Patnaik et al. (1984) que considera a extenso da leso, celularidade e morfologia celular, figuras de mitose e reao estromal, classificando os tumores em trs graus: 1, bem diferenciado, 2 de diferenciao intermediria e 3, pouco diferenciados ou anaplsicos. Baseando-se nesta graduao, ces com mastocitoma grau 1 dificilmente apresentam metstase ou complicaes e apresentariam sobrevida mais longa e consequentemente melhor prognstico. Os mastocitomas grau 3 apresentam comportamento agressivo, mais de 80% causariam metstase e morte devido a complicaes relacionadas. J tumores com classificao grau 2, apresentam comportamento biolgico variado, entre 5 e 22% causando metstases (Patnaik et al. 1984, Neto et al. 2008, Strefezzi et al. 2010, Kiupel et al. 2011, Blackwood et al. 2012). Como esta classificao em graus baseia-se em fatores subjetivos, provoca discordncia e variaes nas classificaes, principalmente no que se refere aos tumores de diferenciao intermediria, grau 2 (Maiolino et al. 2005, Romansik et al. 2007, Welle et al. 2008, Strefezzi et al. 2010, Kiupel et al. 2011, Thompson et al. 2011, Blackwood et al. 2012), como observado por Kiupel et al. (2011), apenas 75% dos patologistas foram coerentes quanto classificao do mastocitoma grau 3 e 63% quanto a graus 1 e 2.

    O mastocitoma grau 2, mais predominante, possui variao do comportamento biolgico, podendo apresentar comportamento benigno ou mais agressivo, levando o clnico a subestimar a agressividade da neoplasia ou a realizar tratamentos agressivos potencialmente txicos e desnecessrios (Scase et al. 2006, Strefezzi et al. 2010, Kiupel et al. 2011). Diversas pesquisas avaliam a qualidade dos tratamentos disponveis, sem se aterem ao fato de que a maioria dos mastocitomas graus 1 e 2 so tratados com sucesso realizando-se apenas a resseco cirrgica com margens limpas (Seguin et al. 2001, Dobson & Scase 2007).

    Alm da graduao histolgica, patologistas de todo o mundo vm buscado a identificao de marcadores prognsticos do mastocitoma, a exemplo do ndice mittico. Busca-se, desta forma, prever o comportamento biolgico desta neoplasia e concomitantemente delinear tratamentos mais efetivos que repercutam positivamente na sobrevida destes animais (Seguin et

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    al. 2001, Scase et al. 2006, Welle et al. 2008, Strefezzi et al. 2010, Vascellari et al. 2013).

    O ndice mittico (IM) um dos mtodos indiretos de mensurao da atividade proliferativa celular, baseado na quantificao das figuras de mitose em uma lmina de histologia corada com hematoxilina eosina. Segundo Romansik et al. (2007), aps uma avaliao geral da amostra em microscopia de luz, deve-se selecionar a rea de maior atividade celular para submet-la a contagem de figuras de mitose. A contagem feita em 10 campos de grande aumento (400X) com campos de 2,7 mm. Comparativamente a outros fatores prognsticos, o exame constitui-se em um mtodo simples, que no requer coloraes adicionais e tcnicas de imuno e histoqumicas especiais, apresenta fcil execuo e baixo custo (Romansik et al. 2007, Strefezzi et al. 2010).

    Em seu estudo, Romansik et al. (2007) observaram que o ndice mittico teve relao direta com a graduao de Patnaik et al. (1984), alm de observarem que o tempo mdio de sobrevida em ces com IM5 foi significativamente maior (70 meses) que ces com IM>5 (2 meses), independente do grau histolgico. Buscando maior acurcia, o estudo de Elston et al. (2009) prope uma estratificao em 3 grupos, com pontos de corte em 1 e 7 figuras de mitose em 10 campos de grande aumento. Segundo Vascellari et al. (2013) o ndice mittico uma mensurao objetiva e pode diminuir a variao inter observador na avaliao histolgica dos mastocitomas caninos e prope que o problema principal seria a determinao do melhor ponto de corte j que diferentes estudos sugerem diferentes pontos.

    A fim de dirimir discordncias entre patologistas e ampliar o acerto prognstico mediante a avaliao histolgica, Kiupel et al. (2011) recentemente sugeriram um novo sistema de classificao em dois grupos histolgicos para os mastocitomas: alto grau e baixo grau. Segundo eles, os mastocitomas de alto grau devem apresentar qualquer uma das seguintes caractersticas: pelo menos 7 figuras de mitose em 10 campos de grande aumento; pelo menos 3 clulas multinucleadas (com 3 ou mais ncleos) em 10 campos de grande aumento; pelo menos 3 ncleos bizarros em 10 campos de grande aumento; cariomegalia (dimetros nucleares de pelo menos 10% das clulas neoplsicas variando em pelo menos o dobro). Para as avaliaes destes diferentes parmetros so selecionados os campos de maior atividade celular ou maior grau de anisocariose. Segundo os autores, mastocitomas de alto-grau apresentaram evoluo mais rpida quanto apresentao de metstases ou ao surgimento de novos tumores, bem como menor sobrevida, de aproximadamente quatro meses, em contraste aos dois anos de sobrevida em animais com tumores de baixo grau.

    Sabe-se que a rotineira a presena de eosinfilos em amostras histolgicas de mastocitoma cutneo. A presena destas clulas pode ser justificada devido resposta inflamatria local ou por quimiotaxia exercida pela liberao de contedo dos grnulos intracitoplasmticos (Blackwood et al. 2012). At o presente momento, no conhecimento dos autores, no h dados publicados quanto a possvel associao da quantidade destas clulas com o prognstico da doena.

    A crescente incidncia desta neoplasia instiga a busca pela determinao do prognstico de nossos pacientes, bem como o estabelecimento do melhor tratamento. Frente aos resultados conflitantes quanto ao ponto de corte para o ndice mittico bem como s vantagens

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    relatadas para a classificao em alto e baixo grau, objetivou-se, neste estudo, avaliar, de forma comparativa, o ndice mittico como marcador prognstico (Romansik et al. 2007), a classificao em alto e baixo grau (Kiupel et al. 2011) e a graduao histopatolgica tradicional (Patnaik et al. 1984). Pretendeu-se, desta forma, determinar qual o fator prognstico mais confivel para ces com mastocitoma cutneo dentre estes trs fatores propostos, e verificar se h correlao entre eles e a presena de eosinfilos no tumor.

    MATERIAIS E MTODOS

    O projeto foi submetido e aprovado pelo Comit de tica de Uso Animal do Instituto Biolgico da Universidade de Braslia sob o protocolo n 15346/2012.

    Foi realizado um levantamento dos casos de mastocitoma cutneo canino do Laboratrio de Patologia Veterinria do Hospital Veterinrio da Universidade de Braslia (LPV-HVET/UnB), seguido de anlise retrospectiva nos pronturios dos pacientes atendidos pelo Servio de Clnica Cirrgica do Hospital Veterinrio da Universidade de Braslia. Selecionaram-se pacientes acometidos por mastocitoma cutneo canino que foram submetidos exrese tumoral e receberam diagnstico histolgico por este mesmo laboratrio, no perodo de janeiro de 2005 a setembro de 2012.

    O histrico e o acompanhamento dos animais foram avaliados a partir dos pronturios mdicos, que informaram gnero, raa, idade do animal, idade do animal manifestao da doena (sendo considerada a data na qual o ndulo foi observado pelo proprietrio), localizao e tamanho do tumor, nmero de ndulos (nico ou mltiplo), ocorrncia de metstase local ou distante, ocorrncia de recidivas locais ou distantes (quando o desenvolvimento de um novo mastocitoma se deu em localizao diversa ao local primeiramente acometido, segundo Seguin et al. 2001)), ocorrncia de sinais clnicos associados sndrome paraneoplsica e data do bito associado doena, quando ocorrido.

    Utilizando-se do arquivo de peas histolgicas do LPV-HVET, foram reavaliadas todas as amostras classificadas como mastocitoma cutneo canino. Assim que recebidas, todas as amostras foram fixadas em formol tamponado e posteriormente seguiram pra processamento histolgico rotineiro. Realizaram-se cortes que foram rotineiramente corados com hematoxilina eosina para avaliao histolgica.

    Objetivando diminuir a margem de erro nas anlises histolgicas, as amostras foram avaliadas e classificadas separadamente, s cegas, por trs patologistas (A.S.S, L.B.O, M.B.C), sendo realizada posteriormente uma acareao entre eles para discusso dos casos onde houve discordncia na classificao e sendo priorizada a concordncia entre pelo menos dois patologistas para definio da classificao final daquela amostra. A classificao final foi determinada por consenso entre os patologistas como realizado por Elston et al. (2009).

    A graduao histolgica seguiu, primeiramente, a descrio proposta por Patnaik et al. (1984) para classificao do mastocitoma em graus 1, 2 e 3. Em ces com mltiplos tumores e diferentes graduaes histolgicas, apenas a graduao mais alta foi considerada para a anlise estatstica (Costa-Poggiani et al. 2012). Posteriormente, o ndice mittico (IM) foi estabelecido com a contagem de figuras de mitose em dez campos de grande aumento, segundo

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    descrito por Romansik et al. (2007) nas lminas previamente classificadas, sendo posteriormente dividido em dois grupos, IM5 e IM>5. Seguiu-se anlise do ponto de corte para o ndice mittico (Elston et al., 2009) em 3 grupos: IM=0, IM entre 1 e 7 e IM>7. Foram, ainda, reavaliados e reclassificados os mastocitomas caninos em alto-grau e baixo-grau segundo Kiupel et al. (2011).

    Estabeleceu-se, ainda, a anlise quantitativa de eosinfilos na regio de maior atividade celular, classificando-a em cruzes, sendo zero a ausncia de eosinfilos, uma cruz (+), discreta quantidade de eosinfilos, duas cruzes (++) quantidade moderada, e trs cruzes (+++) evidenciando eosinfilos em quantidade abundante.

    Para estabelecimento da sobrevida, baseando-se nos dados dos pronturios e/ou contato com os proprietrios, foram obtidas informaes quanto data do bito e sua provvel relao com a doena e quanto ao tempo de sobrevida aps diagnstico, sendo realizado no mnimo um ano de observao e acompanhamento ps-operatrio.

    Os pacientes que se encontravam vivos, aps consentimento de seus proprietrios, foram avaliados mediante exame clnico. Quando possvel, foram realizados exames de auxlio diagnstico (hemograma completo e srie bioqumica, ultrassonografia abdominal, radiografia torcica e abdominal, puno de ndulos existentes e de linfonodos reativos para avaliao citolgica), objetivando localizar possveis recidivas locais ou distantes e ocorrncia de metstases nestes animais.

    Foi considerada ocorrncia de sndrome paraneoplsica a apresentao de sinais clnicos sistmicos associados degranulao dos mastcitos, repercutindo em vmitos, diarreia, hipotenso, anemia ferropriva, perfurao gstrica e peritonite, alm de choque anafiltico e colapso. Normalmente a sndrome paraneoplsica ocorre em ces com a doena disseminada ou extensa (London & Seguin 2003, Welle et al. 2008, Blackwood et al. 2012).

    Os dados analisados atravs do Programa SAS (Statistical Analysis System, Cary, North Carolina) para realizao do teste de para anlise de frequncias. Adicionalmente, realizou-se regresso logstica e lifetest para avaliar a influncia sobre a sobrevida dos seguintes fatores: tamanho do ndulo, classificao do mastocitoma em graus 1, 2 e 3 (Patnaik et al. 1984), e em alto e baixo grau (Kiupel et al. 2011), ndice mittico (Romansik et al. 2007), idade do animal e contagem de eosinfilos. Avaliou-se, tambm, a ocorrncia de metstases, recidivas locais ou distantes e ocorrncia de sndrome paraneoplsica. Posteriormente, realizou-se anlise de varincia para modelos no paramtricos (Glimmix), a fim de identificar a influncia de todas as variveis sobre o tempo de sobrevida. Por fim, aplicou-se o teste de correlao de Spearman, avaliando a correlao entre os dados analisados. Grficos foram gerados a partir do lifetest.

    RESULTADOS

    Diagnosticaram-se 98 casos como mastocitoma cutneo em ces no perodo de 2005 a 2012 pelo LPV-HVET. Destes, dez casos foram identificados e considerados como recidivas e os animais foram submetidos a novos procedimentos cirrgicos, totalizando 88 ces acometidos com mastocitoma cutneo neste perodo. O tempo de acompanhamento ps-operatrio dos

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    animais acometidos foi, no mximo de 90 meses e no mnimo de 12 meses, sendo a maior sobrevida observada de 67 meses. Dentre os animais acometidos, 43 eram machos e 45 fmeas. A idade de acometimento variou entre trs e 14 anos, tendo como idade mdia 8,86 anos, sendo nove a idade de maior frequncia (moda). Vinte e trs raas foram acometidas, sendo Boxer (n=20), Labrador (n=12), Sem Raa Definida (n=11), Pit Bull (n=8), Fila Brasileiro (n=5) e Poodle (n=5) as mais prevalentes; as 17 outras raas foram representadas por um a trs animais cada.

    At a data em que este estudo foi finalizado, dos 88 animais acometidos, 53 vieram a bito ou foram eutanasiados em decorrncia da doena, 24 encontravam-se vivos e com 11 no se conseguiu contato, provavelmente por alterao de dados de telefone dos pronturios. Metstase em linfonodos ou rgos distantes foi diagnosticada em sete animais. A ocorrncia de sndrome paraneoplsica foi observada em 20 casos. A recidiva ocorreu em 12 ces localmente e em 22 distncia. A ocorrncia de sndrome paraneoplsica foi significativamente associada presena de metstases (P

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    amostras classificadas com maior grau apresentam maior probabilidade de desenvolvimento de recidiva local. Neste estudo, mastocitomas grau 1 tiveram 0 (zero) como valor mdio de IM, mastocitomas grau 2 apresentaram IM mdio de 0,89 (0-12) e mastocitomas grau 3 apresentam IM mdio de 11,4 (0-30).

    O ndice mittico foi estabelecido para todas as amostras, sendo adotado o ponto de corte descrito por Romansik et al. (2007) de at 5 figuras de mitose em 10 campos de grande aumento em regio de maior atividade celular, ficando 77 amostras abaixo do ponto de corte (IM5) com tempo mdio de sobrevida de 50,15 meses (CI 95%) e 11 acima (IM>5), com tempo mdio de sobrevida de 12,8 meses (CI 95%). Alm de significativamente associado sobrevida, demonstrado pelas diferenas nas curvas de sobrevida dos dois grupos (P

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    menor sobrevida (P 0,05), porm houve correlao com a ocorrncia de recidiva local (P

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    2008, Strefezzi et al. 2010, Monteiro et al. 2011, Blackwood et al. 2012). Recentemente, White et al. (2011) confirmaram a maior incidncia do mastocitoma nestas raas e adicionaram o Rhodesian e Weimaraner, alm de referirem que raas de maior porte apresentam maior risco de desenvolver mastocitomas cutneos. Dobson & Scase (2007), Welle et al. (2008) e Blackwood et al. (2012) reportam que, no Boxer, o comportamento do tumor tende a ser menos agressivo comparativamente ao evidenciado no Labrador e no Sharpei. A grande incidncia de ces sem raa definida (SRD) corrobora com resultados apresentados por Costa-Casagrande et al. (2008), associando a grande casustica destes animais na Medicina Veterinria no Brasil. Fatores limitantes em estudos retrospectivos so dados incompletos dos pronturios dos animais, assim como interrupo acompanhamento clnico e a desatualizao dos dados de pacientes mais antigos. Portanto, a anlise das variveis como metstase, recidiva local ou distante e sndrome paraneoplsica, foi prejudicada j que se obtiveram dados de um nmero reduzido de animais para realizao das anlises, e os resultados decorrentes destas foram espandidos para o nmero total de animais.

    O tamanho mdio dos ndulos observado neste estudo foi aproximadamente de 4,28cm, semelhante ao descrito por Monteiro et al. (2011)

    (26,2cm 5cm), por Costa-Poggiani et al. (2012) (39cm 3,39cm) e por Seguin et al. (2006) (3cm). Entretanto, so dados que diferem do apresentado por Seguin et al. (2001) de 2cm, por Sfiligoi et al. (2005) que apresentou mediana de 1,5cm, e por Fulcher et al. (2006) com mdia de 1,3cm. Ressaltam-se, nestes estudos, que os intervalos foram menores do que os observados no presente trabalho, sendo 1-15cm, 0,4-3,1cm e 1-4cm respectivamente, comparativamente ao intervalo de 0,3-20cm, elevando, assim, o valor do tamanho mdio dos tumores. Mediante anlise multifatorial, o tamanho do ndulo foi diretamente associado sobrevida, o que difere do encontrado por alguns autores (Sfiligoi et al. 2005, Fulcher et al. 2006), mas corrobora com Welle et al. (2008), que afirmam que tumores maiores tendem a apresentar pior prognstico. J quanto recidiva local, houve correlao significativa com o tamanho do ndulo, a exemplo do descrito por Donnelly et al. (2013), que observaram que tumores completamente excisados que apresentaram recidiva eram significativamente maiores que aqueles que no recidivaram. Monteiro et al. (2011) ressaltam que tumores de maior tamanho apresentam maior risco de no serem completamente excisados, e neoplasias com tamanho superior a trs centmetros possuem maior risco de apresentarem recidiva local (O'Connel & Thomson 2011).

    Os membros constituram o principal stio de acometimento do mastocitoma (23,8%), o que tambm foi observado por Costa-Poggiani et al. (2012), seguidos da bolsa escrotal (14,8%), conforme anteriormente reportado por Maiolino et al. (2005), Seguin et al. (2006), Cooper et al. (2009) e Monteiro et al. (2011). Entretanto, outros pesquisadores reportaram maiores incidncias em outras localidades, como abdmen (Simoes et al. 1994), tronco (Fulcher et al. 2006, Welle et al. 2008) e regio inguinal (Sfiligoi et al. 2005). Verifica-se, desta forma, a falta de um comportamento padro quanto ao stio de eleio deste tumor.

    O comportamento mais agressivo tem sido atribudo aos mastocitomas localizados em regies mucocutneas e regio inguinal, principalmente em

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    machos (Dobson & Scase 2007). J Costa-Poggiani et al. (2012) no observaram correlao entre prognstico e localizao, entretanto dois animais deste estudo que apresentaram tumores na regio inguinal apresentaram apenas 4 meses de sobrevida. Em um estudo para determinar o prognstico de mastocitomas em regio inguinal, verificou-se que esta localizao no foi significativamente associada sobrevida nem recidiva local (Sfiligoi et al. 2005). Alm disto, verificaram que mastocitomas em regio inguinal, ao contrrio do que se acreditava, no pioram o prognstico da doena, conforme observado tambm no presente estudo. Blackwood et al. (2012) ressaltam a possibilidade de esta localizao ser considerada de difcil acesso cirrgico, portanto mais agressivos.

    Segundo O'Connel & Thomson (2011), mastocitomas em regies mucocutneas no foram associados com pior prognstico, bem como neoplasias localizadas nas extremidades repercutiram em melhor prognstico, provavelmente por permitirem melhor visibilizao e diagnstico rpido, favorecendo o tratamento precoce. Ressalta-se, porm, que a localizao do tumor no deveria sobrepor outros fatores prognsticos importantes e mais especficos na determinao da agressividade do tumor (Cooper et al. 2009).

    A apresentao do mastocitoma em mltiplos locais foi observada em 15 animais (17,04%) deste estudo, similar aos 18% observados por Sfiligoi et al. (2005), prximo ao observado por Murphy et al. (2004) de 13% e por Murphy et al. (2006) de 21%. Estes resultados encontram-se, ainda, dentro do que foi descrito por Welle et al. (5-25%) e por Blackwood et al. (2012) (10-21%). Porm, difere da apresentao de 36% (Fulcher et al. 2006).

    Murphy et al. (2006) no observaram correlao da apresentao mltipla do tumor com pior prognstico. Alguns autores afirmam que, algumas raas, a exemplo do Pug, Boxer e Golden Retriever, tendem a apresentar mais de um tumor no mesmo momento diagnstico, e o que anteriormente era classificado como doena metasttica ou recidiva distante associada a pior prognstico, deveria ser tratado da mesma maneira que um co com apenas um ndulo de mesmo grau histolgico. Sugerem, ainda, que sejam includos outros critrios para o estadiamento clnico, como acometimento de linfonodos regionais e rgos distantes (Dobson & Scase 2007, Blackwood et al. 2012, O'Connel & Thomson 2011). No estudo aqui apresentado no se verificou associao da ocorrncia de neoplasias mltiplas com pior prognstico, como tambm observado por Costa-Poggiani et al. (2012).

    Verificou-se que aproximadamente 80% dos casos foram classificados como grau 2, resultado que difere do descrito por diversos autores (Patnaik et al. 1984, Murphy et al. 2006, Preziosi et al. 2007, Costa-Casagrande et al. 2008, Vascellari et al. 2013), mas assemelha-se ao encontrado por Scase et al. (2006), Romansik et al. (2007), Costa-Poggiani et al. (2012) e Donnelly et al. (2013). O tempo de sobrevida mdia destes animais foi significativamente superior aos que apresentaram mastocitoma grau 3, corroborando com literatura anterior (Vascellari et al. 2013).

    Na tentativa de diminuir a ambiguidade da classificao dos mastocitomas em grau 2, sugeriu-se a nova classificao em dois graus proposta por Kiupel et al. (2011), em baixo e alto grau. Neoplasias classificadas como alto grau apresentam alto risco de comportamento agressivo e as de baixo grau devem ser monitoradas quanto a outros fatores prognsticos, a exemplo da expresso de KIT (Kiupel et al. 2011, Vascellari et al. 2013). Neste

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    estudo, 80% dos tumores foram classificados em baixo-grau e 20% em alto-grau, prximo ao observado por Costa-Poggiani et al. (2012) de 70% de baixo-grau e 30% de alto grau. No presente estudo, esta classificao apresentou correlao com a sobrevida mediante anlise unifatorial, corroborando com Kiupel et al. (2011), e correlao com a recidiva local na anlise multifatorial. Segundo Donnelly et al. (2013), neoplasias classificadas como alto grau tendem a apresentar recidiva local, independente da margem cirrgica. Embora a classificao de Patnaik et al. (1984) ainda seja a mais utilizada, a classificao sugerida por Kiupel et al. (2011) tende a se tornar mais difundida entre os patologistas veterinrios (Blackwood et al. 2012).

    Quanto distribuio dos mastocitomas graduados segundo Patnaik et al. (1984) em relao classificao de Kiupel et al. (2011) observou-se, como esperado, que todos os tumores classificados como grau 1 tambm o foram como baixo-grau, 90% dos mastocitomas grau 2 foram classificados como baixo-grau e 10% como alto-grau e apenas 1 co classificado como grau 3 tambm o foi como baixo-grau, sendo todos os outros classificados como alto-grau, dados semelhantes aos apresentados por Vascellari et al. (2013). Baseado na distribuio observada neste estudo e no estudo de Kiupel et al. (2011), a maioria dos mastocitomas grau 2 apresentaria um comportamento benigno.

    No presente estudo confirmou-se a correlao do ndice mittico com o grau histolgico, verificando-se que quanto maior o grau histolgico, maiores ndices mitticos mdios, corroborando com Romansik et al. (2007). Em relao sobrevida, o ndice mittico apresentou correlao positiva significativa independente do ponto de corte utilizado. Esta correlao tem implicao direta sobre os mastocitomas classificados como grau 2, cujo comportamento biolgico amplo, e cujo ndice mittico pode auxiliar no delineamento da teraputica mais apropriada (Romansik et al. 2007, Monteiro et al. 2011, Thompson et al. 2011, Blackwood et al. 2012). Apesar de no ter se verificado neste estudo a associao significativa com ocorrncia de metstases, como observado por Romansik et al. (2007), o ndice mittico foi associado ocorrncia de recidiva local, a exemplo do observado por Kiupel et al. (2011), e presena de sndrome paraneoplsica. Tambm na anlise multifatorial, verificou-se que a ocorrncia de recidiva local e sndrome paraneoplsica foram significativamente associadas com a ocorrncia de metstases e de pior prognstico, concluindo-se estar o ndice mittico tambm associado ocorrncia destes eventos. Consequentemente, maior o ndice mittico, pior prognstico para o animal, conforme relatado por Romansik et al. (2007).

    Relativamente ao ponto de corte ideal, diferentes trabalhos citam valores distintos. Neste estudo, ambos os pontos de cortes sugeridos apresentaram correlao significativa com a sobrevida (Romansik et al. 2007, Elston et al. 2009). Entretanto, considerando os resultados quanto probabilidade de sobrevida e sobrevida mdia do grupo IM=0, talvez fosse importante isolar este grupo quanto avaliao do prognstico e manter o ponto de corte mais conservador de at 5 figuras de mitose. Entretanto, isto no isentaria o clnico de questionamentos quanto ao tratamento, similitude do que se verifica quando se considera a classificao em 3 graus (Patnaik et al. 1984). Observa-se, portanto, a necessidade de estudos que apresentem uma amostragem

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    maior, a fim de definir um valor especfico para o ndice mittico que seja baseado tanto em clculos estatsticos quanto em observaes clnicas.

    Blackwood et al. (2012) sugerem utilizao do ponto de corte de at 5 para a associao com a sobrevida e de at 7 para a associao com a recidiva local. Verificou-se, neste estudo, que o ponto de corte 5 foi associado tanto sobrevida quanto a recidiva local. Comparando os resultados encontrados na literatura disponvel com a casustica deste estudo, sugerimos utilizao do ponto de corte definido por Romansik et al. (2007) em 2 grupos de at 5 figuras de mitose e maior que cinco figuras de mitose em 10 campos de grande aumento, por estar estatisticamente associado a vrios eventos determinantes para o prognstico e sobrevida destes animais. Alm de ser o valor mais conservador, o grupo IM=0 seria includo no grupo de at 5 figuras de mitose, que possivelmente apresentaro melhor prognstico e sobrevida.

    Neste trabalho, a classificao histolgica de Patnaik et al. (1984), assim como a nova classificao sugerida por Kiupel et al. (2011), quando submetidas anlise multifatorial, no foram significativamente correlacionadas com a sobrevida. Comparativamente, o ndice mittico foi considerado o fator prognstico superior em relao a sobrevida, independente da graduao utilizada, tambm devido ao fato de estar associado a outros diversos fatores que influenciam o prognstico, como recidivas locais e distncia e a ocorrncia de sndrome paraneoplsica. Esta observao corrobora com Preziosi et al. (2007), que consideraram o ndice mittico um indicador prognstico confivel, juntamente com a invaso tecidual.

    Estudos desta natureza devem ser incentivados, dada a falta de consenso. H quem afirme que o melhor fator prognstico continua sendo a classificao do mastocitoma em graus (Cooper et al. 2009, Blackwood et al. 2012, O'Connel & Thomson 2011). A despeito disto, deve-se considerar que, mesmo havendo duas possveis graduaes histolgicas e ambas apresentarem valor prognstico, outros marcadores prognsticos devem ser associados (Vascellari et al. 2013). Estes autores observaram que o ndice mittico, juntamente com a expresso da protena Ki67, foram os melhores marcadores prognsticos para mastocitomas cutneos caninos.

    Ressalta-se que a observao isolada do ndice mittico requer interpretao cautelosa, j que outros fatores histolgicos podem aumentar o risco, como observado neste estudo quanto aos mastocitomas de grau 3, nos quais o ndice mittico no foi prognstico e a probabilidade de sobrevida a longo prazo foi baixa para ambos os grupos. O ideal que o IM seja associado a outras classificaes, j que nenhum marcador prognstico isoladamente conseguiu prever o comportamento biolgico dos mastocitomas caninos (Vascellari et al. 2013). Deve-se destacar o potencial prognstico de outras tcnicas como Ki-67, o padro KIT, PCNA e AgNOR, a despeito da necessidade de coloraes especficas e tcnicas imuno-histoqumicas dificultando sua utilizao rotineira (Romansik et al. 2007), alm do fato ressaltado por Blackwood et al. (2012) de que a contagem de AgNOR e PCNA no so marcadores prognsticos independentes, ou seja, no conseguem prever o comportamento clnico dos mastocitomas independente da classificao histolgica. Devido a fatores externos, estudos imuno-hstoqumicos no foram realizados nesta pesquisa, no sendo possvel avaliar, para a amostra estudada, o poder prognstico destas tcnicas

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    promissoras, principalmente em relao ao padro KIT e a expresso da protena Ki-67.

    Todos os animais utilizados neste estudo foram submetidos exrese cirrgica com margens laterais amplas (2-3 centmetros) e plano fascial profundo como parte do tratamento, como preconizado na literatura. A tcnica considerada eficiente para mastocitomas grau 1 e a maioria dos grau 2 no metastticos (Seguin et al. 2001, Sfiligoi et al. 2005, Fulcher 2006, Camps-Palau et al. 2007, Dobson & Scase 2007, Costa-Casagrande et al. 2008, Monteiro et al. 2011, Blackwood et al. 2012, Zieckman et al. 2013). Embora seja indicada a radioterapia nos casos que apresentaram exrese cirrgica incompleta (Blackwood et al. 2012), este tratamento indisponvel na maior parte dos Hospitais Veterinrios brasileiros. Neste estudo estes animais foram submetidos a novo procedimento cirrgico objetivando ampliao de margens, que foram histologicamente atestadas livres de clulas neoplsicas.

    Mastcitos so importantes clulas envolvidas na defesa do organismo, principalmente em reaes de hipersensibilidade e processos inflamatrios. Consequentemente, muitas clulas visibilizadas na periferia dos ndulos podem ser clulas normais, envolvidas na reao inflamatria local ou, atradas pelo mastocitoma, podendo no ter sido diferenciadas entre clulas neoplsicas e clulas normais da pele, comprometendo uma margem cirrgica que originalmente estaria livre de clulas neoplsicas (Murphy et al. 2004, Seguin et al. 2006).

    Considera-se, ainda, que vrios mastocitomas classificados como grau 2 que so incompletamente excisados no recidivam, sugerindo que mastcitos visibilizados nas margens cirrgicas podem no ser neoplsicos (Murphy et al. 2004, Blackwood et al. 2012).

    A sndrome paraneoplsica foi associada, neste estudo, ao tamanho da neoplasia, ao ndice mittico, ocorrncia de recidivas locais e de metstases. A correlao encontrada pode auxiliar o clnico, sugerindo tratamento mais agressivo em animais com ndulos maiores e com ndices mitticos mais elevados, objetivando prevenir a ocorrncia das recidivas e de metstases que tambm esto associadas nesta sndrome.

    A quantificao de eosinfilos no apresentou correlao significativa com nenhuma das variveis analisadas. Sabe-se que devido a liberao de fatores quimiotxicos e resposta inflamatria local, eosinfilos so comumente observados nos mastocitomas cutneos (Blackwood et al. 2012), entretanto aparentemente no h correlao com o prognstico.

    Os mastocitomas cutneos caninos representam grande parte da rotina clnica de mdicos veterinrios cirurgies e patologistas. Considerada uma neoplasia maligna com comportamento biolgico imprevisvel, a tentativa de prever seu comportamento biolgico norteia diversas pesquisas no Brasil e no mundo.

    Confrontando-se os resultados deste estudo com a literatura existente, verifica-se que o ndice mittico foi o fator prognstico mais confivel comparativamente s graduaes histolgicas mais utilizadas. Alm disto, tcnica de fcil execuo e baixo custo. O ndice mittico associado s tcnicas de colorao ou imuno-histoqumicas especficas provavelmente agregariam maior valor prognstico s mesmas, principalmente no que se refere aos mastocitomas grau 2, cujo comportamento biolgico imprevisvel.

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    Sugere-se que seja utilizado o padro resultante do Consenso Clnico Cirrgico e Patolgico sobre Mastocitomas Caninos, realizado no Brasil em 2012 (dados no publicados), que preconiza a realizao de ambas as classificaes (Patnaik et al. 1984, Kiupel et al. 2011) juntamente com o ndice mittico observado naquela neoplasia, facilitando o delineamento do tratamento e provavelmente ressaltando qual o comportamento biolgico provvel daquele mastocitoma cutneo canino, principalmente quanto ocorrncia de recidivas e tempo mdio de sobrevida.

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    LEGENDAS DAS FIGURAS Fig. 1. Curva de sobrevida estratificada pelo grau histolgico de acordo com Patnaik et al. (1984) de ces com mastocitoma canino. Quando analisada isoladamente houve influncia sobre a sobrevida (P

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    Fig. 8. Curva de sobrevida pelo ndice mittico (IM) estratificado segundo Elston et al. (2009) dos animais com mastocitoma canino grau 2. IM foi fator prognstico para a sobrevida (P

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    Figura 3

    Figura 4

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    Figura 5

    Figura 6

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    Figura 7

    Figura 8

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    Figura 9

    Quadro 1. Distribuio da contagem de eosinfilos em cruzes de acordo com os graus histolgicos de Patnaik et al. (1984)*

    Graus Histolgicos

    Eosinfilos 1 2 3 Total

    0 1 5 1 7 + 4 21 5 30

    ++ 2 26 2 30 +++ 18 3 21

    Total geral 7 70 11 88 *No houve associao significativa com sobrevida, recidivas e ocorrncia de sndrome paraneoplsica

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