António Augusto Silva Fernandes MemoBoard Familiar

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Universidade do Minho Departamento de Sistemas de Informação António Augusto Silva Fernandes MemoBoard Familiar Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor Luís Paulo Reis Outubro 2015
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  • Universidade do Minho

    Departamento de Sistemas de Informao

    Antnio Augusto Silva Fernandes

    MemoBoard Familiar

    Dissertao de Mestrado

    Mestrado Integrado em Engenharia e Gesto de Sistemas de Informao

    Trabalho efetuado sob a orientao do

    Professor Doutor Lus Paulo Reis

    Outubro 2015

  • minha famlia.

  • v

    AGRADECIMENTOS

    Quero agradecer,

    Ao meu orientador, Professor Doutor Lus Paulo Reis, pela disponibilidade e

    acompanhamento que permitiu concretizar este projeto.

    A todos os professores que durante os ltimos 5 anos garantiram uma transmisso de

    conhecimento que possibilitou o meu crescimento como pessoa.

    professora Mnica pela colaborao e orientao.

    A todos os colegas que pela sua amizade, partilha e compreenso permitiram chegar ao

    fim de cada projeto com a satisfao de dever cumprido.

    Dores pela compreenso de ter um marido ausente, embora presente, pela sua

    generosidade e partilha diria.

    Ariana que cedo compreendeu que um pai toma muitas vezes decises contrrias ao

    que deseja e isso no faz dele um pai menos bom.

    Armandina pelo seu incentivo e exemplo de luta contra as adversidades.

    Aos meus pais pelo apoio incondicional e ajuda, pelas tarefas que executam em meu

    nome quando o tempo se faz pouco.

    A toda a minha famlia pelo apoio e compreenso da minha ausncia nas atividades

    familiares.

    s famlias que colaboraram e a todos os que responderem aos inquritos que permitiram

    tirar as concluses apresentadas.

    administrao da Txteis Penedo, Sa. pela compreenso que tiveram das minhas

    ausncias e flexibilizao de horrio, sem o qual no seria possvel chegar aqui.

    Universidade do Minho pela oportunidade e meios disponveis.

  • vi

    RESUMO

    Sejam quais forem as circunstncias, quem tem uma vida social ativa, quer seja profissional

    ou pessoal, j se viu confrontado com a necessidade do uso de um ou mais calendrios.

    Embora o calendrio tenda a ter uma conotao pessoal, so muitas as famlias que o usam

    como a melhor forma de gerir as suas atividades e organizar o tempo de famlia partilhando por

    todos o mesmo calendrio. Mas se pensarmos em termos de famlia, esta s existe pela razo da

    existncia de cada um dos seus membros e cada membro para alm da vida familiar tem a sua

    vida pessoal e profissional. Conciliar todos os eventos num nico local partilhado, sem

    comprometimento da privacidade de cada um, torna-se uma tarefa difcil seno impossvel. Como

    forma de contornar esta situao, cada membro v-se obrigado a usar um segundo calendrio

    onde coloca os eventos que no devem ser partilhados no seio familiar.

    Para ultrapassar esta e outras questes, nesta dissertao propomos a criao de trs tipos

    de exposio de dados nos calendrios, de forma a garantir que se possa usar um nico sem

    comprometer a privacidade de cada elemento.

    Como prova de conceito, foi criada uma plataforma web com um calendrio e tarefas com

    suporte a estes trs tipos de exposio, e testado por famlias no seu dia-a-dia durante um perodo

    de tempo.

    Os resultados obtidos permitiram verificar as necessidades que um utilizador que usa um

    calendrio tem, bem como a apetncia para o usar em famlia. Das respostas obtidas, ficou claro

    que o calendrio um excelente auxiliar de memria j que mais de 80% o usam com esse intuito.

    No foram ainda conclusivos at ao momento os resultados sobre a tipificao dos eventos

    em trs possibilidades de exposio, mas tem-se indicaes positivas quanto sua utilidade a avaliar

    pela satisfao manifestada pelas famlias que testaram o prottipo.

    Palavras-chave: Calendrio, Familiar, Colaborativo, Eventos, Tarefas.

  • vii

    ABSTRACT

    Whatever the circumstances, those who have an active social life, whether professional or

    personal, have already felt the need to use one or more calendars.

    Although calendars tend to have a personal connotation, many families use them as the

    best way of managing their activities and organize family time by sharing the same calendar. But

    if we think in terms of family - whose reason for existing is each one of its members - each member,

    beyond family life, has his own personal and professional life. To combine all events in one shared

    place without compromising the privacy of each member becomes a difficult task, if not impossible.

    As a way to get around this situation, each member finds himself "forced" to use a second calendar

    where he manages the events that are not to be shared with the family.

    To overcome this and other issues, this dissertation proposal is the creation of three types

    of data exposure in the calendars, in order to ensure that just one calendar can be used without

    compromising the privacy of each element.

    As proof of concept, a web platform with a calendar and tasks supporting these three types

    of exposure was created and tested by families in their day-to-day life over a certain period of time.

    The obtained results allowed to observe the needs that a calendar user has, as well as the

    willingness to use it in the family unit. The obtained answers made clear that the calendar is an

    excellent memory aid since more than 80% use it for that purpose.

    The results have so far not been conclusive in what concerns the typification of events in

    three exposure possibilities, but there are positive indicators regarding their usefulness judging

    from the satisfaction expressed by the families who are tested the prototype.

    Keywords: Calendar, Family, Collaborative, Events, Tasks.

  • viii

    NDICE GERAL

    Agradecimentos ......................................................................................................................... v

    Resumo .................................................................................................................................... vi

    Abstract ................................................................................................................................... vii

    ndice Geral ............................................................................................................................. viii

    ndice de figuras ....................................................................................................................... xi

    ndice de tabelas ..................................................................................................................... xii

    ndice de Algoritmos ................................................................................................................ xiii

    Siglas e Acrnimos .................................................................................................................. xiv

    1. Introduo ....................................................................................................................... 1

    1.1. Contextualizao ....................................................................................................... 1

    1.2. Motivao ................................................................................................................. 2

    1.3. Objetivos ................................................................................................................... 5

    1.4. Contribuies ............................................................................................................ 6

    1.5. Estrutura do documento ............................................................................................ 8

    2. Estado da arte .................................................................................................................. 9

    2.1. Introduo................................................................................................................. 9

    2.2. Definies gerais ..................................................................................................... 10

    2.3. Calendrios ............................................................................................................. 11

    2.3.1. Calendrio papel vs. digital .................................................................................. 13

    2.3.2. Calendrio pessoal vs. familiar ............................................................................. 16

    2.3.3. Partilha, sincronizao e acesso .......................................................................... 16

    2.3.4. Calendrios inteligentes ....................................................................................... 18

    2.4. Standards ............................................................................................................... 20

    2.5. Aplicaes ............................................................................................................... 23

    2.6. Cenrio: Google Calendar como calendrio familiar.................................................. 25

    2.7. Concluses ............................................................................................................. 28

  • ix

    3. Metodologia ................................................................................................................... 31

    3.1. Introduo............................................................................................................... 31

    3.2. Estratgia de pesquisa bibliogrfica ......................................................................... 32

    3.3. Metodologia de investigao .................................................................................... 33

    3.4. Inquritos ................................................................................................................ 35

    3.5. Desenvolvimento de software................................................................................... 37

    3.5.1. Tipos de implementao ...................................................................................... 37

    3.5.2. Linguagens de programao ................................................................................ 39

    3.5.3. Metodologia de desenvolvimento .......................................................................... 41

    3.5.4. Tecnologias ......................................................................................................... 43

    3.6. Testes ..................................................................................................................... 45

    3.7. Concluses ............................................................................................................. 46

    4. Implementao .............................................................................................................. 49

    4.1. Introduo............................................................................................................... 49

    4.2. Ferramentas usadas ................................................................................................ 50

    4.3. Diagrama de entidades e relacionamentos (DER) ..................................................... 50

    4.4. Arquitetura .............................................................................................................. 53

    4.5. Descrio do software ............................................................................................. 54

    4.5.1. Registo de utilizadores ......................................................................................... 55

    4.5.2. Gesto da famlia ................................................................................................. 56

    4.5.3. Eventos ............................................................................................................... 57

    4.5.4. Tarefas ................................................................................................................ 60

    4.6. Desempenho da aplicao ....................................................................................... 62

    4.7. Testes ..................................................................................................................... 66

    4.8. Testes de usabilidade .............................................................................................. 66

    4.9. Concluses ............................................................................................................. 67

    5. Anlise e Discusso dos resultados ................................................................................ 69

  • x

    5.1. Introduo............................................................................................................... 69

    5.2. Inqurito inicial ........................................................................................................ 69

    5.3. Cenrio Google Calendar vs. MemoBoard ............................................................. 73

    5.4. Inqurito final .......................................................................................................... 74

    5.5. Concluses ............................................................................................................. 77

    6. Concluses finais e trabalho futuro ................................................................................. 79

    Referncias Bibliogrficas ....................................................................................................... 83

    Anexos ................................................................................................................................... 87

    Anexo 1 Respostas ao Inqurito Inicial ................................................................................. 87

    Anexo 2 Cdigo dos testes executados ................................................................................. 91

    Anexo 3 Manual do MemoBoard .......................................................................................... 93

    Anexo 4 Inqurito sobre Usabilidade do www.memoboard.pt .............................................. 101

    Anexo 5 Respostas ao Inqurito Final ................................................................................. 102

    Anexo 6 Relacionamento de atributos do Inqurito Final ..................................................... 109

  • xi

    NDICE DE FIGURAS

    Figura 1 - Exemplos de formatos de calendrios. a)Yaoo Calendar - Yaoo; b)Outlook - Microsoft;

    c)iCal - Apple; d) Google Calendar - Google. ............................................................................. 13

    Figura 2- Exemplos de formatos de calendrios em papel: a) formato pr-impresso afixado no

    frigorfico com outras informaes relevantes volta; b) formato manual especfico de uma famlia.

    .............................................................................................................................................. 14

    Figura 3- Aplicao LINC em formatos diferentes: a) web; b) mobile; c) outro dispositivo .......... 15

    Figura 4- Calendrio com figuras, para que as crianas que ainda no sabem ler perceberem. 18

    Figura 5- Vista geral do SelfPlanner (fonte: (Alexiadis & Refanidis, 2009)) ................................ 19

    Figura 6- Exemplo de convocatria numa famlia: a)Iterao de convocatria por email;

    b)Convocatria por calendrio partilhado e uso de standards para acesso de qualquer aplicao

    .............................................................................................................................................. 21

    Figura 7- Aplicao iCal da Apple: a)vista diria; b)vista semanal ............................................. 22

    Figura 8- Cenrio do MemoBoard com comunicao CalDav. .................................................. 23

    Figura 9 - Ajuda do Google Calendar sobre opes de partilha ................................................. 26

    Figura 10- modelo do processo da metodologia Design Science Research ............................ 34

    Figura 11 - Fases de um inqurito. (Adaptado de: (Walonick, 2010)) ....................................... 36

    Figura 12 - Top 5 de: a)Linguagem de programao; b)IDE usado ........................................... 40

    Figura 13 Uma Iterao SCRUM .......................................................................................... 42

    Figura 14 - Relacionamentos do padro MVC .......................................................................... 44

    Figura 15 - Diagrama de entidades e relacionamentos da base de dados ................................. 52

    Figura 16 - a) conceptualizao e; b) arquitetura do software................................................... 53

    Figura 17 - Pagina html que aparece ao utilizador aps o seu registo. ..................................... 56

    Figura 18 - Informaes num evento forma simples. ............................................................ 57

    Figura 19 - Informaes num evento forma detalhada. ......................................................... 58

    Figura 20 Opes de resposta a uma convocatria de um evento. ........................................ 59

    Figura 21 - Informao simplificada na criao de uma tarefa ................................................. 60

    Figura 22 - Opes de resposta a uma tarefa .......................................................................... 61

    Figura 23 - Tarefa com possibilidade de alterar o estado e percentagem de concluso. ............ 61

    Figura 24 - Resultado dos testes plataforma. ........................................................................ 66

  • xii

    NDICE DE TABELAS

    Tabela 1- Comparativo de aplicaes ...................................................................................... 24

    Tabela 2 - Resumo da visibilidade de eventos privado e pblico no Google Calendar. ............... 27

    Tabela 3- Resultados dos motores de pesquisa ....................................................................... 32

    Tabela 4- Comparativo de implementao web vs desktop ...................................................... 39

    Tabela 5 - Comparativo de metodologias de desenvolvimento de software ............................... 43

    Tabela 6 - Comparativo de algumas framework PHP ............................................................... 44

    Tabela 7 - ferramentas usadas em desenvolvimento ................................................................ 50

    Tabela 8 - ferramentas usadas em produo ........................................................................... 50

    Tabela 9 - Valores do relacionamento das variveis observadas ............................................... 72

    Tabela 10 - Resultados das associaes .................................................................................. 72

    Tabela 11 - Resultados da verificao das diferenas entre variveis. ....................................... 72

  • xiii

    NDICE DE ALGORITMOS

    Algoritmo 1 GetEvents Verifica eventos .............................................................................. 64

    Algoritmo 2 EventsByDateRange Verifica eventos num intervalo de datas ........................... 64

    Algoritmo 3 DatesByEvent Verifica datas de um evento...................................................... 65

  • xiv

    SIGLAS E ACRNIMOS

    ASPX Active Server Page Extended File

    CalDAV Calendaring Extensions to WebDAV

    CalSch IETFs Calendaring and Scheduling

    CSS Cascading Style Sheets

    HTML Hypertext Markup Language

    IDE Integrated Development Environment

    IETF Internet Engineering Task Force

    iMIP iCalendar Message-Based Interoperability Protocol

    iTIP iCalendar Transport-Independent Interoperability Protocol

    JVM Java Virtual Machine

    LDAP Lightweight Directory Access Protocol

    MVC Model, View and Controller

    PAC Calendar Access Protocol

    PHP Hypertext Preprocessor

    SGBD Sistema de Gesto de Base de Dados

    SUS System Usability Scale

    USB Universal Serial Bus

    WebDAV Web Distributed Authoring and Versioning

  • Introduo 1

    1. INTRODUO

    O uso de calendrios est generalizado e com o aumento dos dispositivos mveis os

    utilizadores querem ter acesso a qualquer momento em qualquer lado ao seu calendrio. Sendo

    um calendrio pessoal e no partilhado, geralmente as aplicaes respondem eficazmente a esta

    situao. Mas se pensarmos em calendrios partilhados, colaborativos, quer seja por grupos de

    trabalho, assistentes pessoais, famlia, entre outros, nem sempre possvel conciliar todos os

    contedos num nico local tendo em conta a privacidade da informao que se pretende sobre

    cada um desses contedos.

    Este captulo contextualiza o uso de calendrios como ferramenta de gesto de tempo no

    nvel pessoal e colaborativo, explicita a motivao para a sugesto de usar 3 tipos de exposio

    de dados em ambientes colaborativos e finalmente apresenta a estrutura do documento.

    1.1. Contextualizao

    A memria humana no ilimitada e por isso para armazenar mais dados tem necessidade

    de eliminar outros menos relevantes (Monteiro, Carelli, & Pickler, 2008). Para que no se perca

    a informao, uma forma tpica de os humanos se lembrarem das coisas escrever num papel,

    gravar em formato digital, ou outra forma qualquer de registo, para que possa a qualquer momento

    dar uma vista de olhos e lembrar essas coisas. Para responder a esta necessidade, surgiram

    inicialmente muitos formatos de cadernos, calendrios, agendas, organizadores, que facilitaram a

    tarefa das pessoas nesta rea. Com o forte crescimento da era digital e a proliferao de

    smartphones, estes cadernos e organizadores tomaram formatos muito mais dspares, pois as

    possibilidades digitais so mais expressivas. Surgiram assim as listas de compras, lista de tarefas,

    calendrios, organizadores, lembretes, entre outros, que de algum modo facilitam a vida

    quotidiana das pessoas e as lembra dos compromissos que tm numa determinada data a uma

    determinada hora. O calendrio, a par com as tarefas, sobressai-se desta lista de ferramentas

  • Introduo 2

    auxiliares por ter uma conotao muito prxima com o correio eletrnico e por isso o seu uso

    massivo.

    Se para alm do fato de existir esquecimentos, juntarmos a complexidade de organizar um

    dia de trabalho quando se tem muitos eventos dirios, mais rapidamente se encontra no calendrio

    um bom gestor de tempo para qualquer pessoa. E se essa pessoa for um progenitor que tem ao

    seu encargo filhos, ento o seu calendrio para alm das suas atividades pessoais e profissionais,

    ter certamente o registo das atividades dos seus filhos, ou seja da famlia. E encontrar espao

    para fazer tudo na hora que necessrio fazer no fcil, e muitas vezes existe a necessidade de

    delegar tarefas a outros membros da famlia. Assim, o calendrio pessoal passa a ter uma vertente

    familiar e mais abrangente que a vida pessoal/profissional. Embora o princpio seja o mesmo, o

    calendrio familiar tem particularidades em relao ao calendrio pessoal como se ver mais

    frente.

    1.2. Motivao

    Num mundo cada vez mais global e com tempos mais curtos para executar as tarefas, s

    com uma boa organizao e recursos se conseguem atingir os objetivos dirios. Lembrar de tudo

    o que se tem de fazer durante o dia e organizar o tempo disponvel para o fazer torna-se mais

    difcil quanto mais diversificados forem os afazeres e limitado for o tempo disponvel. Se

    pensarmos num plano familiar a situao agudiza-se. Conciliar todas as tarefas dos elementos do

    agregado familiar requer na maioria das vezes o recurso a ferramentas auxiliares (Neustaedter,

    Brush, & Greenberg, 2007) que permitam agilizar essa gesto. E quando do agregado familiar

    constam crianas, pelo facto de estas estarem muito dependentes dos seus progenitores, mais

    complexa fica essa organizao de tempo e atividades. Para existir estabilidade familiar, tenta-se

    encontrar formas prticas e simples de se organizar a famlia. Uma dessas formas o recurso

    a um calendrio familiar (Plaisant, Clamage, Hutchinson, Bederson, & Druin, 2006), onde cada

    um possa ver o que tem para fazer e interagir de acordo com as necessidades.

    Esta interatividade, necessria para o sucesso do uso destas ferramentas, s se consegue

    se todos os membros tiverem acesso de diversos locais a ela e para isso acontecer ter de se

    partilhar pelos membros da famlia, de forma a facilitar o seu acesso. Mas agarrado a esta partilha,

    vem por sua vez ao de cima a privacidade ou falta dela, da informao que se coloca de forma

    colaborativa.

  • Introduo 3

    A falta de privacidade um dos maiores receios apontados pela utilizao de calendrios

    familiares partilhados. O uso de um nico login partilhado por todos os membros a forma mais

    fcil de usar um calendrio colaborativo, mas por outro lado expe em demasia os detalhes de

    todos os eventos a todos os membros. Embora menos prtico no incio, pelo tempo necessrio a

    terminar o processo de subscrio de um servio, o uso de logins individuais d aparentemente

    uma garantia maior de privacidade dos seus dados colocados nesse servio. No entanto, para que

    se consiga ter o grau de privacidade necessria em cada evento/tarefa, ser necessrio ter a

    possibilidade de usar vrios nveis de exposio de dados.

    A maioria dos calendrios usa dois tipos de exposio/visibilidade: privada e pblica. Estes

    dois nveis num plano pessoal parece responder s necessidades pois permite mostrar ou

    esconder os eventos consoante as necessidades. Mas num plano familiar, com um calendrio

    colaborativo partilhado, dois nveis de exposio peca por defeito seno veja-se uma situao

    prtica.

    Tendo em conta uma famlia de 3 elementos (pai, me e filho) que usam um calendrio

    partilhado por todos, cada um com o seu login, onde podem definir eventos como privados ou

    pblicos, e usam este calendrio diariamente com o intuito de no esquecerem os tempos

    ocupados de cada um (entre outras funes), a fim de marcar outras atividades em famlia,

    apresenta-se o seguinte cenrio:

    Como os pais ficaram de comprar em conjunto uma prenda para o filho sem que este saiba,

    quiserem apontar no seu calendrio familiar esta atividade mas depararam-se com a seguinte

    situao:

    - Se um dos pais marcar no calendrio o evento com visibilidade pblica, vai permitir que o

    filho se aperceba do acontecimento;

    - Se um dos pais marcar no calendrio o evento com visibilidade privado, o outro progenitor

    no vai ficar com o registo dessa atividade.

    - Para conseguirem ter algum sucesso na sua demanda, teriam de marcar os dois a mesma

    atividade com visibilidade privada, mas mesmo com esta duplicidade de esforo, o filho ver

    sempre este espao de tempo como disponvel para atividades de famlia, o que pode levantar

    suspeitas.

    Este exerccio levou a questionar a utilizao de apenas dois tipos de exposio de informao

    nos calendrios colaborativos (privado e pblico). E desse desassossego mental, formulou-se a

    ideia de colocar entre eles um terceiro tipo que permitisse mostrar os detalhes do evento em

  • Introduo 4

    determinadas circunstncias. Assim, em vez de 2 tipos, a proposta que se faz vai no sentido de

    se usarem 3, definidos como segue:

    Privado

    Com este tipo de exposio, s o membro que criou o evento/tarefa o consegue ver/editar

    e nenhum outro sabe da sua existncia.

    Esta exposio destina-se a eventos/tarefas pessoais, quer sejam familiares, profissionais ou

    outros, e que no se queira que ningum saiba da sua existncia.

    Protegido

    Esta exposio permite duas situaes:

    1- Os membros aos quais o evento/tarefa foi atribudo e queiram uma resposta (nos casos em

    que o sistema o permitir) podem responder. Para poderem responder, os elementos tero de

    ter acesso a toda a informao do evento. Se forem tarefas, para alm de poderem responder

    ao pedido (se aceitam ou no a tarefa) poder ainda alterar o seu estado e percentagem de

    concluso (quando adequado) se tiverem aceitado previamente a tarefa.

    2- Para os membros que no foram convidados a participar no evento/tarefa, estes apenas vm

    que existe uma ocupao de tempo programada mas no conseguem ver os seus detalhes.

    Esta exposio permite que quem colabora no calendrio tenha conhecimento da ocupao

    de cada um, mas sem saber concretamente os detalhes dos compromissos.

    Pblico

    Todos os membros que tenham acesso ao calendrio vm os detalhes do evento nesta

    exposio. Quem foi convidado para o evento/tarefa pode responder, caso tenha sido solicitado,

    e alterar o estado e percentagem de concluso nas tarefas, como na tipificao anterior.

    No caso do prottipo que se desenvolveu para prova de conceito (www.memoboard.pt) a

    designao dos tipos de exposio foi reformulada porque se tratava de uma plataforma

    direcionada para a famlia. Em vez de Protegido designou-se de Familiar Protegido e em vez de

    Pblico chamou-se Familiar Detalhado mas os conceitos subjacentes so os aqui expostos.

    http://www.memoboard.pt/

  • Introduo 5

    Tambm no mesmo prottipo, os membros podiam responder Vou, Talvez ou No vou

    em resposta a eventos e Aceito ou No aceito nas tarefas.

    1.3. Objetivos

    Todas as pessoas tm no seu dia-a-dia eventos que pelas mais variadas razes necessitam

    de ser apontados em algum local para que no sejam esquecidos na azfama do dia. Por causa

    desta necessidade, os calendrios, em papel e digitais tornaram-se indispensveis e inseparveis

    de praticamente todas as pessoas com uma vida social ativa.

    Com a proliferao de tipos de calendrios e as necessidades subjacentes a uma interao

    em grupo, o calendrio pessoal passa tambm a ser usado por grupos seja em ambientes

    profissionais, familiares ou outros. Desta forma os eventos deixam de ser s pessoais e passam a

    coexistir no grupo. Para que o grupo possa ter acesso a esse calendrio, este ter de ser partilhado

    por todos tornando-se assim colaborativo.

    As famlias viram nesta funcionalidade uma mais-valia e adotaram o calendrio como uma

    ferramenta para a gesto do tempo familiar. Neste contexto apontar os eventos nesta ferramenta

    passou a ser apenas uma das muitas funcionalidades do calendrio familiar. O calendrio familiar

    facilita a distribuio de tarefas, pedir opinies, fazer votaes entre outros e de uma forma muito

    singular permite tambm que todos saibam da ocupao uns dos outros. Mas acorrentada a esta

    funcionalidade vem tambm a potencial falta de privacidade da informao contida nos eventos.

    As aplicaes existentes no mercado raramente distinguem o calendrio pessoal do familiar.

    E embora existam calendrios ditos familiares, as funcionalidades existentes baseiam-se no

    princpio do calendrio pessoal, como ter um nico login (embora em alguns casos permita

    diferenciar o proprietrio do evento) os eventos so pblicos para toda a famlia, qualquer elemento

    pode alterar os seus dados mesmo que no tenha sido criado por este, salvaguardando-se aqui

    algumas excees.

    Por forma a resolver algumas destas situaes, a necessidade de se criar um calendrio

    especial, que permita que cada um dos membros da famlia tenha um login, que possa usar o

    calendrio familiar como sendo o seu calendrio pessoal sem estar preocupado com a exposio

    das informaes nos eventos l criados uma necessidade urgente.

    Mas para criar este calendrio especial, os eventos tm de ter uma proteo quanto sua

    exposio mais adequada do que um simples pblica ou privada. Para que se tenha um uso

    idntico ao uso pessoal, o calendrio familiar deve permitir que sejam visualizadas as ocupaes

  • Introduo 6

    dos eventos, para que todos possam saber o tempo que cada um tem ocupado/disponvel, mas

    no expor os seus detalhes. S desta forma se podem resolver problemas do tipo: se os

    progenitores quiserem apontar um evento restrito apenas aos dois, se o colocarem pblico todos

    ficam a saber desse evento e se o marcarem como privado s quem criou o evento ter acesso

    aos seus detalhes. A soluo passaria por cada um dos progenitores criar no seu calendrio o

    evento como privado e sincronizarem o evento sempre que este sofrer alteraes por uma das

    partes.

    Como soluo, prope-se que seja criado uma tipificao de exposio de dados intermdia

    privada ou pblica, para que s quem foi convidado para o evento possa ver todos os seus

    detalhes e todos os restantes membros apenas vejam a sua existncia sem que consigam ver os

    detalhes. Pelo atrs referido sugere-se a criao de uma exposio de dados Protegida que em

    conjunto com as duas j existentes facilite o uso de calendrios por parte da famlia. Com esta

    terceira exposio torna tambm possvel o uso do calendrio familiar como se fosse o pessoal

    porque permite sem esforo, uma separao entre o que pode ou no ser exposto a terceiros.

    O principal objetivo desta dissertao , atravs de uma prova de conceito confirmar se os 3

    tipos de exposio de dados, Privado, Protegido e Pblico, satisfazem as necessidades dos

    utilizadores quando usam calendrios colaborativos, mais concretamente calendrios familiares.

    Para testar a teoria, elaborou-se um prottipo (www.memoboard.pt) onde possvel

    selecionar um dos trs tipos de exposio de dados em eventos e tarefas. Esta plataforma tem

    uma base de funcionamento familiar e no pessoal. Cada membro faz parte de uma famlia e

    dentro dessa famlia pode ver os eventos dos membros que selecionar. Para alm disso, existe

    um login familiar que s permite ver eventos que sejam pblicos e que funciona como uma chave

    de acesso restrito aos dados da famlia por terceiros. Uma descrio mais detalhada sobre a

    plataforma pode ser vista no captulo 4.

    1.4. Contribuies

    Como prova de conceito da utilizao dos 3 tipos de exposio atrs referidos Privado,

    Protegido e Pbico, criou-se um website onde as famlias possam usar este conceito. O

    MemoBoard Familiar (www.memoboard.pt) distingue-se de outras aplicaes pelos seguintes

    fatores:

    http://www.memoboard.pt/

  • Introduo 7

    I. Ter como base as necessidades da famlia colaborativa.

    II. Permitir que cada elemento da famlia tenha o seu login que lhe d acesso aos seus

    eventos (privados) mas tambm aos eventos familiares (protegidos ou pblicos).

    III. Para alm do login de cada elemento, pode-se ter um login familiar que permite visualizar

    os eventos pblicos da famlia. Situao til para que terceiros (empregada, avs, etc)

    tenham conhecimento dos eventos genricos como consultas mdicas de rotina, horrios

    escolares, toma de medicamentos, sem que para isso precisem de estar registados como

    membro no calendrio da famlia.

    IV. Em vez das duas habituais exposies de dados, os eventos apresentam trs

    possibilidades de expor a informao: Privada, Protegida ou Pblica, em que os eventos

    privados s so vistos por quem os criou e no aparecem no calendrio dos restantes

    membros. Eventos do tipo protegido aparecem visveis (com todos os detalhes) no

    calendrio dos membros da famlia que foram convidados para esse evento, e apenas

    como ocupao de tempo (sem mostrar os detalhes) nos restantes calendrios do

    agregado familiar. Os eventos designados como pblicos so visveis com todos os

    detalhes por todos os membros da famlia e pelo login familiar.

    Com a elaborao desta plataforma e sua utilizao por famlias portuguesas, pretende-se

    contribuir cientificamente com os resultados obtidos no inqurito que se realizou sobre o uso na

    utilizao de calendrios, bem como a sua anlise.

    Pretende-se ainda contribuir com o resultado do inqurito s famlias portuguesas que

    durante um perodo de tempo testaram o prottipo que permite ter os 3 tipos de eventos atrs

    falado, assim como com a anlise desse inqurito.

    Por fim mas no menos importante, pretende-se levantar a discusso sobre a necessidade

    da criao da terceira exposio de dados nos calendrios, uma exposio intermdia entre o

    privado e o pblico, o protegido, que permita usar o calendrio familiar como um calendrio

    pessoal.

    Pelos fatores atrs referidos, acredita-se que esta dissertao permitir munir a comunidade

    cientfica de informao pertinente sobre o tema e criar massa crtica nesta rea que ser til em

    trabalhos futuros.

  • Introduo 8

    1.5. Estrutura do documento

    Este documento divide-se em seis captulos organizados como segue:

    Captulo 1 contextualiza o ambiente de trabalho e a sua motivao. Apresenta os principais

    objetivos que se pretendem ver conseguidos bem como as contribuies que se

    pretendem dar comunidade cientfica fruto da investigao feita.

    Captulo 2 apresenta o conhecimento atual dos calendrios nas suas diversas vertentes,

    papel, digital, pessoal, partilhado, colaborativo e inteligentes bem como o seu

    relacionamento com as novas tecnologias a aplicaes existentes.

    Captulo 3 descreve as metodologias usadas desde a pesquisa bibliogrfica at

    implementao do software usado para testar a teoria dos trs tipos de exposio de

    dados nos eventos e tarefas. Neste captulo so tambm fundamentadas as escolhas

    feitas ao nvel das ferramentas de trabalho.

    Captulo 4 especifica a implementao que se fez para obter os resultados apresentados.

    Detalha a forma como foram ultrapassados alguns dos obstculos que se depararam no

    decorrer dos trabalhos realizados e estabelece os padres de garantia de usabilidade e

    desempenho do software resultante.

    Captulo 5 apresenta os resultados obtidos e sua anlise bem como as concluses tiradas

    pelo conhecimento obtido.

    Captulo 6 apresenta as concluses finais da dissertao e aponta direes a trabalhos

    futuros que podem ter como ponto de partida este documento.

  • Estado da arte 9

    2. ESTADO DA ARTE

    2.1. Introduo

    O uso dos calendrios est generalizado e as ferramentas que o permitem fazer so cada

    vez mais. Desde aplicaes simples a mais complexas, cada autor que estuda esta rea apresenta

    geralmente solues concretas para um problema concreto. Desde aplicaes inteligentes a

    formas e mtodos de utilizao, o calendrio tem um ponto comum, as pessoas. No de

    estranhar por isso que o comportamento dos utilizadores seja tambm ele um fator em estudo

    por poder ditar o sucesso ou insucesso de qualquer proposta nesta rea.

    Neste captulo, verifica-se o estado da arte sobre calendrios, recorrendo a artigos

    acadmicos pesquisados nos principais motores de busca acreditados para este tipo de trabalho.

    As definies gerais esto descritas na seco 2.2, passando depois para uma comparao entre

    calendrios em papel versus digital. E como os calendrios podem ser partilhados com outros,

    salienta-se a diferena de uso pessoal versus o colaborativo numa vertente familiar na seco

    2.3.2. Dada a facilidade em hoje se obter um dispositivo mvel que permita aceder a contedos

    partilhados, nomeadamente calendrios, os problemas de acesso e sincronizao de informao

    so tambm revistos neste captulo. Na seco 2.3.4 apresenta-se os calendrios inteligentes que

    usam ferramentas auxiliares para de algum modo serem um facilitador na descrio dos eventos

    ou validarem as informaes neles contidos. Mas no meio de tantos auxiliares e aplicaes de

    calendrio, encontrar standards que permitam que essas aplicaes se entendam umas s outras

    e os utilizadores poderem selecionar livremente sem condicionalismos as aplicaes que querem

    usar, no tem sido tarefa fcil como se poder constatar na seo 2.4. Termina-se o captulo com

    a apresentao de algumas dessas ferramentas que as famlias usam para resolver problemas

    reais.

  • Estado da arte 10

    2.2. Definies gerais

    Calendrio: um sistema de organizar perodos de tempos para fins sociais, administrativos (ano

    fiscal, ano acadmico) ou religiosos, atribuindo-lhes nomes pr-convencionados como dia,

    semana, ms, ano, etc. Cada perodo de tempo agrupa por norma perodos de tempos menores,

    como por exemplo semana o agrupamento de 7 dias, ano o agrupamento de 12 meses. Estes

    perodos de tempo esto normalmente sincronizados com o ciclo do sol ou da lua, mas existem

    culturas que os alinham de outras formas para preservar a sua tradio.

    Os calendrios distinguem-se por terem perodos de tempo anuais diferentes. O calendrio

    gregoriano tem 365 dias ou 366 em anos bissextos, e sempre 12 meses. J o calendrio chins

    pode ter 12 ou 13 meses, sendo que um ano com 12 meses pode ter de 353 a 355 dias e o ano

    de 13 meses de 383 a 385 dias.

    Dos calendrios existentes, o calendrio gregoriano o mais usual. Existem tentativas de

    uniformizar a forma como se registam digitalmente as datas, para facilitar os desenvolvimentos de

    software (Bry, Rieb, & Spranger, 2005), mas ainda no foi adotado massivamente um formato

    standard.

    Evento: um acontecimento com um perodo de tempo definido para iniciar e terminar e que

    acontece num determinado lugar. Existem vrios tipos de eventos como: festa, reunio, almoo,

    encontro, etc. Segundo (Tomitsch, Grechenig, & Wascher, 2006) os eventos podem agrupar-se em

    3 categorias:

    Eventos programados, aqueles que no esto sob controlo do utilizador e tm de ser

    respeitados, como marcaes mdicas, exames, reunies.

    Tentativa de Evento, aqueles que no tm data ou local marcado mas tm de acontecer

    o mais cedo possvel. Estes eventos esto sob o controle do utilizador e podem ser

    reprogramados a qualquer momento. Esto contemplados neste grupo, idas s compras,

    telefonar a um amigo, levar roupa lavandaria, etc.

    Eventos subsequentes so eventos que dependem de outros e s podem ser executados

    quando o anterior terminar. Estes eventos esto sob o domnio do utilizador mas no

    podem ser remarcados podendo s ser executados aps o anterior ter terminado. Por

    exemplo, ligar aos pais quando o exame terminar, ou ligar a algum a avisar que se chegou

    ao destino marcado.

  • Estado da arte 11

    Associado a um evento podem existir lembretes/alarmes que disparam quando as

    condies definidas forem satisfeitas, isto quando se trata de eventos registados em dispositivos

    digitais, j que em papel no possvel.

    Nota: so textos, smbolos ou desenhos, que funcionam como auxiliares de memria. Uma nota

    no tem um incio e fim programado nem exige um local para acontecer. As notas podem ser

    agrupadas por cores para dar maior ou menor nfase ao seu contedo mas geralmente no tm

    uma organizao bem definida. Notas do tipo multimdia, como voz, imagem ou combinao de

    ambos, tm os mesmos prepsitos das notas escritas, apenas muda o formato em que so

    armazenadas.

    Lista de tarefas: uma lista de atividades em que cada uma dessas atividades deve terminar dentro

    de um limite de tempo pr-definido. Por norma as tarefas so atribudas a um ou mais elementos

    que vo atualizando a percentagem de realizao da tarefa ou conjunto de tarefas. O incio de uma

    tarefa pode depender do estado de outras tarefas, podendo s ser iniciada quando estiverem

    satisfeitas determinadas premissas. Nem todas as tarefas so executadas a 100% para serem

    dadas como terminadas. O estado de uma tarefa depende nica e exclusivamente da vontade dos

    utilizadores no podendo ser determinado por qualquer fator intrnseco tarefa.

    Lista de compras: lista com denominao de bens que precisam ser adquiridos para suprimir

    necessidades. Numa lista de compras podem constar os mais diversos bens e ser abastecida por

    um ou mais fornecedores. Por noma existe um elemento encarregue de efetuar a compra de

    determinado bem ou bens, mas esta atribuio no restritiva podendo variar consoante a

    necessidade. Uma lista no tem de ser forosamente toda satisfeita para ser dada como

    consumada.

    2.3. Calendrios

    Seja qual for a sua atividade profissional, qualquer pessoa com alguma atividade social,

    profissional ou pessoal, precisa de ser lembrado das tarefas e eventos que tem de fazer ou

    participar. Segundo Wade existem 3 formas de registo desses eventos, a saber:

  • Estado da arte 12

    Mental apenas existe na mente da pessoa e por isso mais voltil.

    Em papel escrita manual permanente em vrios formatos.

    Digital registo em bits, por norma em suportes de dados permanentes.

    Embora o registo mental seja o mais rpido e fcil de usar, dependendo da pessoa, pode

    causar situaes embaraosas dada a inconsistncia da memria em lembrar o que preciso na

    hora necessria. Para que se tenha a informao armazenada mais consistentemente, recorre-se

    a artefactos que a ajudam a preservar no tempo e que podem ser vistos como auxiliares mentais.

    O papel serve perfeitamente este propsito e adequado para a maioria das situaes dada a sua

    versatilidade de formatos e facilidade de transporte. No entanto quando se pretende partilhar

    informao com vrias pessoas, e essas pessoas tenham tambm necessidade de registar os seus

    eventos e tarefas, o papel deixa de ser o mais adequado pois no pode estar com cada um dos

    elementos ao mesmo tempo sempre que estes pretendam ver e/ou atualizar as informaes nele

    contidas. Para este tipo de necessidade o formato digital o que melhor se enquadra, pois pode

    ser partilhado com maior facilidade podendo atravs de mecanismos relativamente simples ser

    visualizado e/ou alterado em muitos dos dispositivos existentes nos dias de hoje. A dificuldade

    deste auxiliar de memria conseguir formatos standards que permitam armazenar, transacionar

    e atualizar as informaes por qualquer aplicao.

    No sendo um formato standard, o calendrio genericamente o modelo mais usado como

    interface entre o utilizador e os dados quando se trata de registar eventos. Geralmente tem mais

    do que um tipo de possibilidade de mostrar esses eventos, desde a mais detalhada, mostrando

    apenas os eventos que ocorrem num dia (em coluna), at ao formato mais genrico como o

    caso do ano (em tabela). A estrutura em formato tabela a que parece melhor responder s

    necessidades dos utilizadores j que os calendrios mais conhecidos usam este tipo de esquema

    nos seus sistemas como se poder observar nas imagens seguintes.

  • Estado da arte 13

    Figura 1 - Exemplos de formatos de calendrios. a)Yaoo Calendar - Yaoo1; b)Outlook - Microsoft2; c)iCal - Apple3; d) Google Calendar - Google4.

    Com este tipo de auxiliar de memria, para alm de se poder registar os eventos do dia, pode-se

    na maioria dos casos solicitar um lembrete do acontecimento. Os lembretes chamam ateno por

    meio de um aviso que pode passar por ser um email ou um aviso no ecr, entre outros, para que

    no dia-a-dia no se esqueam os acontecimentos previstos.

    2.3.1. Calendrio papel vs. digital

    Contrariamente ao que se possa pensar, vrios estudos mostram que os calendrios em

    papel so os mais usados para organizar o dia-a-dia das pessoas (Brush & Turner, 2005; Tee,

    Brush, & Inkpen, 2009; Plaisant, Clamage, Hutchinson, Bederson, & Druin, 2006). E mesmo para

    aqueles que pensam que os mais novos so mais adeptos das tecnologias e os mais idosos tm

    alternativas mais clssicas, o estudo de Dittmar (Dittmar & Dardar, 2014) no deixa claro que so

    as pessoas mais novas que usam calendrios digitais e as mais velhas calendrios em papel. No

    plano familiar, o uso do papel como forma de gerir o dia-a-dia ainda hoje usado principalmente

    pelas famlias que encontram neste formato a simplicidade e disponibilidade que precisam para

    1 www.yaoo.com 2 www.microsoft.com 3 www.apple.com 4 www.google.com

    http://www.yaoo.com/http://www.microsoft.com/http://www.apple.com/http://www.google.com/

  • Estado da arte 14

    resolver o problema da heterogeneidade dos seus membros (Brush & Turner, 2005). Este formato

    permite a cada famlia esquematizar sua maneira o seu dia (Neustaedter, Brush, & Greenberg,

    2007), sem preocupaes de estandardizao e especificao. Desde que a famlia entenda o

    formato escolhido, o calendrio um meio eficaz de organizar o dia familiar como mostram as

    imagens a seguir.

    Figura 2- Exemplos de formatos de calendrios em papel: a) formato pr-impresso afixado no frigorfico com outras informaes relevantes volta; b) formato manual especfico de uma famlia.

    O local privilegiado para que seja usado por todos a cozinha (Brush & Turner, 2005;

    Neustaedter, Brush, & Greenberg, 2007), por ser o local onde todos os membros da famlia

    passam algum do tempo do seu dia, no entanto sendo fcil de transportar, este muitas vezes

    levado para outros locais da casa ou mesmo fora dela, principalmente por quem responsvel

    por gerir os eventos familiares. Esta mobilidade apresenta-se como uma mais-valia para quem usa

    este meio, e um fator importante da sua utilizao.

    As principais dificuldades apontadas por Neustaedter em usar o papel, tem que ver com

    o acesso de vrios locais ao calendrio para fazer a sua gesto ou mesmo uma simples consulta.

    Sendo por norma constituda por 2 ou mais pessoas, as famlias que tm mais do que um membro

    a gerir o calendrio sentem dificuldades em gerir o tempo que cada um tem para

    escrever/consultar os eventos. Por forma a resolver este problema recorre-se muitas vezes ao uso

    de mais do que um e assim cada membro escreve/consulta o seu calendrio. No entanto o esforo

    necessrio para manter todos os calendrios sincronizados coloca um grande obstculo ao uso

    deste modelo. Por esta ou outras razes, vrios estudos tentaram encontrar formas de substituir

    o papel por formatos digitais, quer sejam via web (Kelley & Chapanis, 1982) quer sejam

    dispositivos pessoais como PDA ou smartphones (Criswell & Parchman, 2002) ou a combinao

    de vrias ferramentas (Dittmar & Dardar, 2014).

    Menos flexveis mas de informao ubqua, com o calendrio digital possvel ter uma

    sincronizao de todas as tarefas com um pequeno esforo. O acesso em mltiplas plataformas

  • Estado da arte 15

    ao mesmo tempo, em diferentes dispositivos, por diferentes utilizadores, tornam esta soluo a

    forma preferencial das famlias se organizarem. Nas imagens abaixo mostra-se a mesma aplicao

    (LINC) em diferentes dispositivos.

    Figura 3- Aplicao LINC em formatos diferentes: a) web; b) mobile; c) outro dispositivo

    (adaptado de: (Neustaedter, Brush, & Greenberg, A Digital Family in the Home: Lessons from Field Trials of LINC, 2007))

    Uma das preocupaes do uso deste meio a uniformizao dos formatos e caractersticas que

    o calendrio precisa para que seja vivel transformar em aplicao. Mas esta estandardizao

    dificulta as especificidades de cada famlia (Neustaedter, Brush, & Greenberg, 2007), devido

    heterogeneidade de utilizadores e suas particularidades. E quantos mais utilizadores consultarem

    ou atualizarem o calendrio, mais difcil ser a uniformizao, pese embora o fato de geralmente

    existir uma pessoa na famlia que faz a gesto do calendrio, limitando-se os restantes membros

    a efetuar consultas ou ter uma participao muito menos ativa. Esta pessoa designada de

    primary scheduler (Mueller, 2000) e tem ao seu encargo a gesto do calendrio por norma do

    sexo feminino, est muito bem enquadrada com a vida dos restantes membros e tem a

    responsabilidade parental.

    Esta calendarizao Intra-Familia em que s os membros que vivem juntos acedem ao calendrio,

    contrape em com as calendarizaes Inter-Familias, quando por exemplo os pais tm acesso ao

    calendrio dos filhos (que no vivem na mesma casa) e vice-versa, criando assim uma rede de

    calendrios em que cada frao da famlia sabe que eventos vo ocorrer nas outras fraes

    (Mueller, 2000; Neustaedter, Brush, & Greenberg, 2007). Esta rede de calendrios vista por

    alguns como ingrata devido falta de privacidade (Tomitsch, Grechenig, & Wascher, 2006), mas

    noutros casos, reconhecida como sendo uma mais-valia, pois permite acompanhar de perto a

    vida familiar de pais e/ou filhos, como observado nos estudos de Plaisant (Plaisant, Clamage,

    Hutchinson, Bederson, & Druin, 2006).

  • Estado da arte 16

    2.3.2. Calendrio pessoal vs. familiar

    No calendrio familiar existem eventos da famlia e eventos de cada membro da famlia. Os

    eventos familiares normalmente requerem a participao de dois ou mais membros, e por isso o

    seu agendamento deve ser em consonncia com esses membros e suas agendas.

    Alguns eventos familiares podem ter de sofrer alteraes num curto espao de tempo, e ter-

    se de reagendar ou realocar a tarefa para que seja cumprida. Por exemplo, se ficou agendado que

    s segundas-feiras o pai que vai buscar o filho ao colgio, caso exista algum atraso na agenda

    do pai, rapidamente se tem de realocar a tarefa, para a me por exemplo, para que o filho no

    fique espera. Num calendrio pessoal isto no acontece, quando um evento no se cumpre

    devido a um atraso reagendado para outro dia ou outra hora, mas sempre com os mesmos

    intervenientes.

    Os avs so muitas vezes solicitados a prestarem auxlio s atividades da famlia, pois so

    pessoas que em princpio tm maior flexibilidade de horrio. Mas para isto acontecer, necessrio

    que exista um juntar de agendas entre pais e filhos mesmo que vivam independentes uns dos

    outros, para que cada parte saiba com o que pode contar. Podem por exemplo criar um calendrio

    partilhado onde todos inserem as suas tarefas dirias. Desta forma cada utilizador ter mais do

    que um calendrio onde apontar os seus eventos.

    Esta partilha de agendas entre pais e filhos permite tambm conciliar tarefas para que

    cada parte use e beneficie de uma tarefa j agendada em seu benefcio. Se por exemplo existir

    uma tarefa marcada para ir s compras pelos pais, natural que se os filhos precisarem de alguma

    coisa coloquem na sua lista de compras essa necessidade. Num calendrio pessoal, cada

    utilizador tem acesso ao seu calendrio e geralmente no o partilha com a famlia para que esta

    possa usar das suas informaes para seu benefcio.

    No se pode por isso dizer que um calendrio com caractersticas pessoais possa ser usado

    da mesma forma por um conjunto de pessoas com o caso das famlias. O calendrio familiar

    tem caractersticas prprias embora grande parte sejam iguais a um calendrio pessoal.

    2.3.3. Partilha, sincronizao e acesso

    A partilha indispensvel para quem vive em grupo e o relacionamento de quem partilha

    afetado por essa razo (Thayer, Bietz, Derthick, & Lee, 2012; Thayer, Sirjani, & Lee, 2013). As

    famlias pela sue gnese no fogem regra e gostam de saber onde est cada membro, nem que

    seja pelo acender de uma lmpada (Hindus, Mainwaring, Leduc, Hagstrm, & Bayley, 2001) ou

  • Estado da arte 17

    pelo relgio de Brown (Brown, et al., 2007). Seja pela necessidade de resolver problemas ou

    somente para comunicar, importante existir contato com os restantes elementos da famlia ou

    grupo, como mostrou o ASTRA (Markopoulos, et al., 2004). Mas at que ponto querem as famlias

    estar cientes de si e quais as razes, so respostas que se encontram no estudo de Khan (Khan

    & Markopoulos, 2009). E as principais razes so: partilhar experincias regularmente,

    coordenao, saber se o outro est bem, responder a emergncias. J a principal preocupao

    em contatar algum interromper o trabalho desse algum. Sendo o calendrio uma forma da

    famlia se manter em contato, deixa de existir a preocupao de interromper o trabalho do outro

    pois pode ser consultado assim que for possvel. Mas para este contato ter o efeito desejado,

    necessrio que o calendrio seja partilhado por todos os membros da famlia. Se por exemplo o

    pai tem consulta marcada no mdico, com o uso de calendrios partilhados o filho pode lembrar

    o pai dessa consulta ou se ficou de o levar no precisa esperar pelo telefonema do pai para o

    lembrar de o ir buscar porque o calendrio pode fazer isso atravs de um alerta. Este

    acompanhamento s possvel se todos os calendrios da rede poderem ser acedidos de diversos

    locais e formas diferentes. Esta situao nem sempre possvel devido a incompatibilidades de

    aplicaes e sistemas. Cada aplicao tem por norma um modelo para transacionar a informao

    que nem sempre standard, embora existam modelos standard para formatar os dados

    (iCalendar) e outro para acesso informao (CalDAV). Se estes standards forem implementados

    pelos sistemas de calendarizao, mesmo que cada membro da famlia use uma aplicao

    diferente para consultar/atualizar o seu calendrio, no vai ter problemas de incompatibilidades.

    Onde podem surgir problemas nos tipos de informao menos usuais, como o caso das notas

    por voz, de desenhos e/ou marcas especficas nos eventos, que para as famlias habituadas a

    escrever no seu calendrio de papel, fazem todo o sentido (Plaisant, Clamage, Hutchinson,

    Bederson, & Druin, 2006), mas por no ser standard pode ser difcil sincronizar. Quem usa

    calendrios gosta de usar os seus desenhos para expressar os seus sentimentos sobre os eventos

    ou porque existem membros na famlia que ainda no sabem ler (Neustaedter, Brush, &

    Greenberg, 2007) ou tm dificuldade e usar um teclado (Plaisant, Clamage, Hutchinson,

    Bederson, & Druin, 2006).

    Na imagem seguinte mostra-se parte de um calendrio onde se desenham smbolos para

    que os mais pequenos possam saber quais as suas tarefas dirias.

  • Estado da arte 18

    Figura 4- Calendrio com figuras, para que as crianas que ainda no sabem ler perceberem.

    Juntar os dois mundos (papel e digital) pode ser uma soluo para as famlias que embora

    usem calendrios em papel tenham membros que no abdiquem das tecnologias. A pensar nestas

    famlias, a Anoto5 desenvolveu uma caneta digital que grava o que as pessoas escrevem no papel,

    e envia por Bluetooth ou Usb para um computador. Depois o computador integra a informao no

    calendrio digital tornando o processo de passagem do calendrio de papel para o digital

    transparente e flexvel (Neustaedter, Brush, & Greenberg, 2007). Com este sistema,

    comercializado pela Logitech6, os utilizadores que encontram no papel a melhor forma de se

    entender com as anotaes, podem sem grande esforo de aprendizagem usar um calendrio

    digital que ser partilhado. Claro que o acesso ao calendrio fica mais limitado, e a mobilidade

    menor porque nem sempre se tem mo o papel e caneta, mas para quem est habituado a usar

    o papel e no pretenda migrar para o digital em definitivo, esta forma de usar um calendrio de

    papel digitalizado pode ser a melhor soluo.

    2.3.4. Calendrios inteligentes

    Para quem usa calendrios digitais, para alm das facilidades j descritas, o uso de agentes

    (Faulring & Myers, 2005) pode ajudar a programar tarefas com dois ou mais intervenientes com

    um mnimo de esforo. Estes agentes verificam os email trocados entre os intervenientes e

    verificam que agendamentos cada um j tem e prope melhor dia e hora para novas marcaes.

    Outras propostas vo no sentido de analisar eventos consecutivos e alertar os utilizadores para a

    impossibilidade de estarem a tempo do segundo evento, dado o tempo necessrio para a viagem

    5 www.anoto.com 6 www.logitech.com

    http://www.anoto.com/http://www.logitech.com/

  • Estado da arte 19

    entre os dois locais (Dimov, 2014). O SelfPlanner, para alm de calcular o tempo entre locais de

    eventos, recorrendo ao Google Maps, usa as restries dadas pelo utilizador para auto agendar

    tarefas pessoais que posteriormente so mostradas no Google Calendar (Alexiadis & Refanidis,

    2009). Seguidamente apresenta-se uma vista geral sobre o SelfPlanner.

    Figura 5- Vista geral do SelfPlanner (fonte: (Alexiadis & Refanidis, 2009))

    Ao nvel da introduo de dados, existem propostas no sentido de validar as informaes

    introduzidas. Se por exemplo marcarmos um jantar para as 9.00 da manh, no faz qualquer

    sentido para qualquer um dos mortais, mas um calendrio no consegue ter essa perceo. Assim

    como no faz sentido convidarmos uma pessoa vegetariana para comer carne em nossa casa.

    Para que estas situaes no aconteam, pode-se recorrer ao datamining e validar mediante

    dicionrios de senso comum como o ThoughtTreasure da Signiform7 se determinadas afirmaes

    tm incongruncias ou no (Mueller, 2000). O ThoughtTreasure tem milhares de afirmaes que

    podem ser usadas para validar as afirmaes, como as que atrs se referiu. Este modelo foi j

    implementado no SensiCal de Mueller com bons resultados. O SensiCal recorre tambm ao

    processo de datamining para extrair informaes que ajudam a preencher os restantes campos

    dos eventos. Se por exemplo no meio do convite que estou a fazer a um amigo lhe perguntar se

    quer ir comigo Torre Eiffel, evidente que o local do evento vai ser Paris, Frana. Neste caso,

    o sistema preenche automaticamente o local do evento e neste caso pode at validar se a hora do

    evento colide com o horrio em que a Torre Eiffel est aberta e caso isso acontea alertar-me. Este

    tipo de sistemas minimiza o esforo de criao de eventos e valida as informaes que se

    7 www.signiform.com

    http://www.signiform.com/

  • Estado da arte 20

    escrevem, que uma mais-valia. Outra mais-valia seria o calendrio poder alertar algum

    designado para o efeito, se mediante um imprevisto detetasse que existe possibilidade de se falhar

    a um compromisso. Se por exemplo o pai ficou de ir buscar o filho escola, mas como est numa

    reunio longe e o tempo que vai demorar a chegar escola no vai permitir chegar a horas de

    apanhar o filho, a me pudesse ser alertada para a possibilidade de ter de ir buscar o filho. Este

    sistema baseado em GPS foi proposto por (Davidoff, Ziebart, Zimmerman, & Dey, 2011) e para

    alm de avisar de eventuais incumprimentos de tarefas, regista os percursos usados das atividades

    peridicas, como levar a filha patinagem, ou a casa da amiga, para o caso de ter de se trocar

    de motorista, o sistema poder ajudar o novo designado motorista no caminho que tem de

    fazer. Assim, se a me ficou de ir buscar as crianas casa da amiga Joana, mas no o pode

    fazer por estar retida no trnsito, o pai mesmo no sabendo onde fica a casa da Joana, pode ser

    guiado recorrendo-se s gravaes feitas anteriormente quando me fez o mesmo percurso.

    2.4. Standards

    Os standards no tm qualquer fundamento se pensarmos em termos de situaes

    controladas, como uma aplicao que s comunica com ela prpria, ou recurso a informao

    gerada pela mesma aplicao ou por aplicaes diferentes mas criada pelo mesmo autor. Nestas

    circunstncias, o criador do software pode especificar como quer o modo como a aplicao

    transaciona dados e tudo funciona bem. No entanto, estas circunstncias so muito raras

    acontecer. O habitual que tenha de existir comunicao entre vrias aplicaes e para isso

    acontecer tem de se recorrer ao uso de standards.

    No que diz respeito aos calendrios, os standards so de extrema importncia, nomeadamente

    quando se quer marcar um evento com algum que no usa o mesmo sistema de calendrio.

    Imagine-se que um pai pretende convocar toda a famlia para anunciar uma deciso importante.

    Como no sabe da disponibilidade dos filhos, que j tm a sua vida prpria, envia um email a

    cada um deles a efetivar essa convocatria e regista no seu calendrio essa proposta de evento.

    A data e hora foram informadas, mas um dos dois filhos depois de consultar o seu calendrio

    verifica que no est disponvel nesse dia porque est fora em trabalho. Responde ao pai com

    uma nova proposta de dia e hora, depois de registar no seu calendrio e fica a aguardar. Em

    alternativa, telefona a informar da sua impossibilidade e pede para remarcar o encontro para outro

    dia. O pai por sua vez, envia novo email com nova convocatria na esperana que desta vez seja

    bem sucedido. Este processo de envio/resposta pode trazer algumas situaes desagradveis

  • Estado da arte 21

    (Figura 6a), pois moroso e implica algum esforo por parte dos intervenientes. A situao

    desejvel seria que a primeira proposta feita pelo pai, tivesse um grau de certeza da realizao do

    evento na data e hora solicitada mais elevada. Mas como no existe possibilidade de consultar o

    calendrio do filho porque este usa um calendrio com tecnologia diferente do seu, impede que

    isso acontea. Com o uso de um standard por ambos os calendrios esta situao seria

    simplificada, ou como mostra a Figura 6b, com um calendrio partilhado usando standards para

    acesso de qualquer aplicao.

    Figura 6- Exemplo de convocatria numa famlia: a)Iterao de convocatria por email; b)Convocatria por calendrio partilhado e uso de standards para acesso de qualquer aplicao

    E existem vrias propostas no sentido de estandardizar esta rea. Segundo (Dusseault &

    Whitehead, 2005) desde 1996 que se investiga a possibilidade de criar standards para protocolos

    de acesso e de calendarizao de eventos. Nessa altura foi criado um grupo de trabalho, o IETFs

    Calendaring and Scheduling (CalSch), que tinha como agenda:

    Um modelo de dados e representao textual para a calendarizao de eventos (que veio

    a dar origem especificao iCalendar),

    O transporte de informaes entre calendrios via email e LDAP (que resultou na

    especificao iCalendar Message-Based Interoperability Protocol (iMIP) ) , e

    Uma especificao de uso geral para o acesso ao calendrio e programao (que se

    tornou o Calendar Access Protocol (PAC) ) .

    A contribuio do CalSch foi muito importante mas no solucionou todos os problemas. E

    o grande problema que ficou por resolver foi a forma como se representam os eventos que tm

    periodicidade cclica, como por exemplo: todas as primeiras segundas-feiras do ms s 9.00 horas.

    Para resolver estes problemas foi criado inicialmente a especificao vCalendar pela Versit

    Consortium que tambm criou a especificao vCard para troca de Cartes-de-visita entre

    aplicaes (IMC, 2015).

  • Estado da arte 22

    Durante o seu tempo de atividade, que terminou em 2004, a CalSch definiu ainda

    especificaes para operaes de calendarizao e busca de calendrios o iCalendar Transport-

    Independent Interoperability Protocol (iTIP) e o iCalendar Message-Based Interoperability Protocol

    (iMIP) que especifica como executar o iTIP via email.

    Por volta do ano 2002 a Apple concebeu o iCal, uma aplicao de calendrio que suporta

    partilhas pela internet. Nas imagens a seguir pode-se ver o aspeto geral do iCal.

    Figura 7- Aplicao iCal da Apple: a)vista diria; b)vista semanal

    Com esta aplicao o utilizador pode publicar o seu calendrio num servidor que execute

    o Web Distributed Authoring and Versioning (WebDAV). O WebDAV permite que qualquer aplicao

    possa ver e consultar eventos de outras pessoas, o que no exemplo do pai que pretendia fazer um

    anncio importante, facilitaria essa marcao se as aplicaes que os filhos usassem permitissem

    publicao num servidor do gnero. Da juno da especificao WebDAV e com a iCalendar, nasce

    a CalDAV (Calendaring Extensions to WebDAV). Este standard permite por acesso http consultar

    calendrios pblicos em servidores WebDAV usando o formato de dados iCalendar. Tem como

    vantagem permitir acessos concorrentes ao mesmo calendrio e como tal a possibilidade de

    processo colaborativo na gesto do mesmo calendrio. Esta situao ideal para calendrios de

    famlias e grupos que tm vrios membros a partilhar e colaborar na criao de eventos no mesmo

    calendrio. No entanto tem a grande desvantagem de ter de ser pblico para se poder publicar.

    Tendo em conta as necessidades das famlias, um modelo que pode resultar usando os

    standards descritos, o que aparece na seguinte figura.

  • Estado da arte 23

    Figura 8- Cenrio do MemoBoard com comunicao CalDav.

    Sendo um standard implementado por vrios produtores de software, o CalDav facilita a

    troca de eventos de calendarizao entre aplicaes. Com a configurao da Figura 8, o pai que

    pretendia comunicar uma deciso importante, limitar-se-ia a colocar a proposta no seu calendrio,

    aps consulta dos calendrios dos filhos para achar uma data e hora em que todos estivessem

    livres. Cada um dos filhos, apenas teria de aceitar ou recusar a proposta, no precisando de criar

    o evento. Mesmo que houvesse necessidade de propor novo dia ou hora, bastaria editar o evento

    e enviar atualizao para o pai.

    Existem alguns standards na rea dos calendrios, mas no existe um consenso

    generalizado sobre qual deve ser adotado, o que favorece o aparecimento de novas propostas.

    2.5. Aplicaes

    Existem muitas aplicaes/ferramentas que auxiliam as pessoas na gesto do seu tempo e

    afazeres, mas por questes de viabilidade temporal, selecionaram-se apenas algumas para se

    comparar alguns parmetros, que se salientam neste tipo de ferramentas.

    A tabela seguinte mostra um comparativo entre aplicaes que foram testadas para

    avaliao do seu contedo.

  • Estado da arte 24

    Tabela 1- Comparativo de aplicaes

    Parmetros

    Aplicaes

    Cozi Evernote Wunderlist Gtasks Our

    Groceries

    Google

    Keep

    Google

    Calendar

    Apl. Desktop No Sim No Sim (App

    Store)

    No No No

    Apl. Web Sim Sim Sim No Sim Sim Sim

    Apl. Mobile Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

    Calendrio Familiar Sim No No No No No Por

    Partilha

    Integra com outros

    calendrios

    Sim No No Sim com

    Google

    Tasks

    No No Sim

    Lista Compras Sim No Sim No Sim No No

    Notas/tarefas Sim Sim Sim Sim No Sim No

    Mensagens escritas Via Web Sim No No No No No

    Mensagens voz No Sim No No No Sim No

    Multi Utilizador Sim Por Partilha Por partilha No Por Partilha Por

    Partilha

    Por

    Partilha

    Lista Contatos Sim Sim Usa de outras

    aplicaes /

    dispositivo

    No No No Sim

    Ementas Sim Sim (app

    Android+M

    ac)

    No No Sim No No

    Paga/livre Algumas

    funoes so

    pagas

    Algumas

    funes

    so pagas

    Livre Livre Livre Livre Livre

    Do quadro das aplicaes selecionadas, pode-se observar que nem todas se relacionam

    diretamente, pois umas esto mais vocacionadas para listas, outras para calendarizao e como

    consequncia as funcionalidades so diferentes.

    Em resumo, todas as aplicaes so mobile e tm ambiente web disponvel para consultar

    ou criar novos itens, com exceo do Gtasks que s existe para mobile. Isto refora a ideia que

    este tipo de ferramentas deve ter possibilidade de ser utilizada em qualquer dispositivo mvel,

    quer seja com uma app especfica, quer seja num browser. Salienta-se ainda que todas tm uma

    componente de uso livre, podendo algumas funcionalidades mais avanadas terem um custo, por

    norma mensal/anual. Um outro aspeto a ter em linha de conta a possibilidade de serem

    multiutilizador. Geralmente esta funcionalidade conseguida pela partilha da informao com

  • Estado da arte 25

    pessoas que possuam as mesmas aplicaes, e no pela possibilidade de vrios utilizadores

    poderem ter acesso aos mesmos itens na mesma aplicao. No caso da aplicao Cozi, usado

    um endereo de correio eletrnico cuja palavra passe partilhada por todos os membros do

    agregado familiar. Se se tiver em linha de conta que existe s um utilizador que quem gere o

    calendrio na maioria dos casos (Plaisant, Clamage, Hutchinson, Bederson, & Druin, 2006), no

    ser de todo desajustada esta soluo. Nesta circunstncia, cada utilizador tem de selecionar o

    seu nome de cada vez que criar uma tarefa se pretender que se saiba quem o autor/criador do

    item. A contra medida desta soluo que todos tm acesso a tudo no calendrio no sendo

    possvel criar eventos com exposio de dados diferenciados.

    As listas de compras so muito semelhantes e apresentam as mesmas funcionalidades em

    praticamente todas as aplicaes. O conceito baseia-se em criar um ttulo para a lista e depois

    adicionar produtos que precisam ser adquiridos.

    Embora o Evernote tenha muitas funcionalidades, s foram exploradas as que no

    carecem de subscrio. Esta aplicao a que se apresentou como sendo a mais completa e com

    uma boa integrao, atravs dos plugins, com outras ferramentas. Para alm de uma boa

    componente desktop, onde como se disse, integra com vrias ferramentas como o office, tem uma

    aplicao mobile que pode ser usada sem qualquer custo. As notas e listas de tarefas so o seu

    ponto forte como alis em praticamente todas as aplicaes mobile que se testaram.

    2.6. Cenrio: Google Calendar como calendrio familiar

    Existem muitos calendrios online que podem ser usados livremente sem custos e com muito

    boa recetividade por parte dos utilizadores. o caso do Google Calendar que usado por milhes

    de utilizadores em todo o mundo que geralmente funciona para uso pessoal mas tambm existe

    quem o use como calendrio familiar (Neustaedter, Brush, & Greenberg, 2009). recorrendo

    partilha de um calendrio por todos ou todos partilharem o seu calendrio principal que se

    consegue a colaborao necessria ao uso do calendrio por um grupo no caso do Google

    Calendar. De forma a se poder ter uma ideia das dificuldades que existem numa famlia quando

    usam este calendrio no deu dia a dia, apesentamos alguns casos dirios e a forma como os

    resolver no Google Calendar.

    O cenrio o seguinte: uma famlia com 3 elementos, pai, me e filho pretendem usar

    um calendrio para gerir as atividades de famlia e se possvel as suas atividades pessoais. A

    opo de usar um nico calendrio partilhado pelos 3 membros no a melhor soluo porque

  • Estado da arte 26

    os membros da famlia pretendem que determinados eventos sejam pessoais e por isso condiciona

    o uso de um nico calendrio onde todos veriam os compromissos de todos os membros sem

    condicionalismos. Por isso a criao de uma conta para cada membro o recomendvel, para

    que depois cada um partilhe o seu calendrio com os restantes membros. O Google oferece 4

    possibilidades de partilha, cada uma com determinadas caractersticas. Ao ler a ajuda do

    calendrio depara-se com as informaes da figura seguinte.

    Figura 9 - Ajuda do Google Calendar sobre opes de partilha

    (Retirado de: https://support.google.com/calendar/answer/34580)

    Para facilitar a compreenso de cada opo compilou-se numa tabela as possibilidades

    em eventos Pblicos e Privados quando exposio de: Ocupao, Detalhes e Alterao de dados.

    A tabela seguinte mostra o resumo feito.

  • Estado da arte 27

    Tabela 2 - Resumo da visibilidade de eventos privado e pblico no Google Calendar.

    Opo de partilha

    Exposio dos eventos

    Privado Pblico

    Mos

    tra

    Ocu

    pa

    o

    V D

    etal

    hes

    Alte

    ra d

    ados

    Mos

    tra

    Ocu

    pa

    o

    V D

    etal

    hes

    Alte

    ra d

    ados

    1-Introduza alteraes e faa a gesto da partilha Sim Sim Sim Sim Sim Sim

    2-Fazer alteraes em eventos Sim Sim Sim Sim Sim Sim

    3-Ver todos os detalhes do evento Sim No No Sim Sim No

    4-Ver apenas livre/ocupado (ocultar detalhes) Sim No No Sim Sim No

    Pela tabela acima pode-se verificar que entre a opo 1 e 2 no existe diferena e entre a

    opo 3 e 4 tambm no. Na verdade no existe diferena em termos de exposio das

    informaes contidas nos eventos mas existe na opo que aparece por omisso quando se cria

    um evento. Se quando se cria um evento no se der nenhuma indicao adicional em termos de

    exposio de dados, o comportamento diferente entre a opo 3 e 4. Por omisso a opo 3 s

    mostra a ocupao e a opo 4 mostra os detalhes. Em relao s opes 1 e 2 so diferentes

    ao nvel da gesto do calendrio e no em relao exposio de dados.

    Aps a leitura adequada da ajuda sobre a partilha de calendrios a famlia decidiu-se por

    criar uma conta Google para cada membro e partilhou o seu calendrio com os restantes membros

    usando a opo 3-Ver todos os detalhes do evento. Esta opo permite que cada um dos elementos

    veja as informaes dos eventos quando estes so Pblicos e somente a ocupao quando so

    Privados. Por omisso os eventos criados vo aparecer como Pblicos, ou seja, permitir

    saber dos detalhes dos eventos j que esta partilha tem um cariz familiar. Quando um elemento

    quiser que os restantes no tenham conhecimento dos detalhes de um determinado evento, ter

    de selecionar a opo Privado e neste caso os restantes membros sabero que existe um evento

    marcado mas no sabem o qu.

    A me, que a pessoa que geralmente marca os eventos familiares no calendrio, quis

    marcar o almoo de famlia com os sogros e abriu o seu calendrio e no dia pretendido escreveu

    Almoo familiar. Definiu a hora do acontecimento, gravou o evento e fechou o calendrio.

    Curiosamente o marido estava a ver o seu calendrio nesse momento e um novo evento apareceu

    indicando um Almoo familiar. Nesse momento, pensou ele mesmo colocar em prtica a nova

  • Estado da arte 28

    modalidade da famlia e apontou no seu calendrio Comprar prenda para Ana. No dia seguinte

    quando a Ana, sua esposa estava a ver as tarefas a fazer no dia, viu que existia um evento do

    marido mas no conseguiu ver o qu pois o evento tinha sido colocado como privado. O calendrio

    familiar foi usado durante vrios dias sem problemas, e os eventos iam aparecendo ora com

    detalhes outros s mostravam a ocupao o que permitia que os progenitores o usassem tambm

    como calendrio pessoal e profissional. O Joo, o filho, fazia anos no prximo ms e a me queria

    fazer-lhe uma surpresa e comprar uma prenda em conjunto com o pai. Ento, marcou no

    calendrio Prenda para Joo. Pensou como deveria colocar a exposio do evento mas ficou

    com um dilema. Se colocasse o evento Privado o marido no veria os detalhes desse evento,

    por sua vez se o colocasse como Pblico o filho saberia da prenda e l se ia a surpresa. Para

    resolver a situao teria de usar uma artimanha que era convidar o marido para o evento e neste

    caso mesmo sendo privado, o marido veria todos os detalhes. Assim fez, e assim resolveu a

    situao. O marido quando consultou o seu calendrio, viu um novo evento e ao clicar nesse

    evento verificou que teria de estar disponvel no dia para ir com a esposa s compras. O filho por

    sua vez, apenas sabia que os pais tinham algo marcado mas no sabia o qu.

    O cenrio apresentado comum a praticamente todas as famlias que usam o Google

    Calendar como apoio s suas atividades e resolve praticamente todas as situaes como se viu.

    Tem no entanto alguma permissividade no que diz respeito proteo de privacidade. Quando um

    calendrio partilhado no Google Calendar, no mnimo todos os outros elementos com quem se

    partilhou ficam a saber da ocupao de cada um. No entanto existem eventos, que pelas mais

    variadas razes, no se quer que se saiba da sua existncia. Uma ida ao mdico pode ser uma

    situao mais que banal em circunstncias normais, mas quando temos dvidas sobre uma

    doena especfica, o ir ao mdico torna-se uma atividade privada sem interesse em dar

    conhecimento da sua existncia. Os acontecimentos profissionais so outro tipo de eventos que

    no precisam aparecer no calendrio familiar.

    A existncia de ocultao de eventos em calendrios partilhados por estas razes uma

    necessidade dos utilizadores que pretendem usar um s calendrio para gesto da sua vida

    pessoal, profissional e familiar.

    2.7. Concluses

    Da literatura selecionada para anlise, pode-se evidenciar que foram elaborados vrios

    projetos com fim a perceber as reais necessidades das famlias no que concerne utilizao de

  • Estado da arte 29

    calendrios. Quer tivesse sido por inquritos ou por implementaes de software, ficou sempre

    provado que os calendrios digitais so uma mais-valia para as famlias. No entanto, alguns

    autores afirmam que o calendrio em papel ainda uma boa soluo para quem pretende ter

    centralizado a gesto do tempo e tarefas familiares. Tambm se concluiu que as idades em nada

    interfere na escolha do tipo de calendrio a usar, se bem que haja uma ideia que os mais novos

    preferem as tecnologias.

    E das implementaes usadas, as que parecem responder melhor s necessidades so em

    web e/ou mobile, por permitirem aceder de qualquer lugar e de qualquer dispositivo s

    informaes memorizadas. Por essa razo existe uma crescente procura e oferta de aplicaes

    genricas tanto para uso pessoal como colaborativo como o caso do uso familiar que cada vez

    tem mais solues especficas.

    Para alm destas aplicaes que so genricas, existem as que se podem chamar de

    auxiliares e que complementam com alguma especificidade. o caso do uso de datamining para

    extrair informaes relevantes de forma a facilitar o preenchimento dos eventos a marcar, ou por

    exemplo o uso de dicionrios de senso comum que ajudam a validar os dados inseridos, e numa

    outra vertente o uso do GPS para facilitar o levar e buscar de membros da famlia, geralmente os

    mais novos, para as suas atividades dirias.

    Um dos pontos que mais sobressai dos estudos revistos sobre os calendrios familiares a

    preocupao com a privacidade ou falta dela dos elementos que constituem a agregado familiar.

    E quando existe partilha do calendrio com familiares que no vivem na mesma casa (caso de

    pais e filhos), esta preocupao maior. Este tema abordado pela maioria dos autores e nenhum

    apresenta uma proposta concreta de soluo do problema.

    No cenrio que se apresentou ficou claro que a existncia de ausncia de informao uma

    situao que por vezes convm a quem usa o calendrio partilhado, para que mesmo sem

    apresentar os detalhes no se crie entropia no seu uso ao mostrar ocupao das atividades.

    Sendo um problema apontado por quase todos os autores, acredita-se que existe no campo

    da privacidade uma oportunidade de potencializar uma soluo. Quando se usam calendrios, por

    norma existem dois tipos de exposio de dados dos eventos: privado e pblico. Estes dois tipos

    de exposio de dados pode estar na origem da preocupao de falta de privacidade dos

    utilizadores. Porque na verdade, quando se partilha um calendrio com vrias pessoas, ao tornar

    pblicas as informaes de um evento todas essas pessoas vo saber os detalhes desse evento,

  • Estado da arte 30

    e ao ficarem privadas as informaes no so visveis por terceiros, s a ocupao. Isto depende

    de calendrio para calendrio mas regra geral o funcionamento de todos.

    A proposta que se faz vai no sentido de poder existir uma terceira exposio de dados que

    permita ver os detalhes do evento s a quem foi convidado para esse evento, e mostrar a ocupao

    de tempo desse evento com os restantes elementos com quem se partilhou. O evento Privado

    fica escondido de todos, no apresentando qualquer caracterstica da sua existncia e o Pblico

    fica exposto com todos os detalhes a todos os membros com quem se partilhou o calendrio.

    Com esta soluo, no na partilha do calendrio que se define o que cada elemento v mas

    sim em cada evento que se crie.

    Assim, o objeto central desta dissertao ser validar se com a definio destes 3 tipos de

    exposio de dados os utilizadores sentem-se mais confortveis ao partilhar o seu calendrio com

    terceiros. Como a famlia um bom ponto de partida par um teste deste tipo, foca-se no ambiente

    familiar todo o desenrolar da validao da proposta atravs de uma plataforma feita

    especificamente para este efeito.

  • Metodologia 31

    3. METODOLOGIA

    3.1. Introduo

    No mbito de uma investigao cientfica podem ser seguidos vrios caminhos. Esses

    caminhos dependem do destino onde se pretende chegar, mas seja qual for o rumo a seguir,

    necessrio respeitar as regras impostas e aceites genericamente como sendo as boas prticas do

    processo de investigao cientfica. Estas boas prticas conseguem-se recorrendo a mtodos e

    metodologias que especificam o que deve ou no deve ser feito, que sustente as decises tomadas,

    para que a investigao e o seu resultado final possam ser aceites como vlidos no meio cientfico.

    neste captulo que se define a estratgia da pesquisa bibliogrfica, seco 3.2, e a

    metodologia usada na investigao, seco 3.3., em cada uma das suas fases de concretizao.

    A metodologia usada na recolha preliminar de informao atravs de inqurito sobre o uso de

    calendrios e hbitos dos seus utilizadores apresentada na seco 3.4. O desenvolvimento de

    software tem a sua metodologia descrita na seco 3.5. e nas suas subseces definem-se os

    tipos de implementao, linguagens de programao e tecnologias selecionadas. Todas as

    decises tiverem em ateno que no existe propriamente uma equipa de programadores nem

    um cliente final nico e por isso o recurso a uma framework j existente que permitisse acelerar

    o processo foi o que pareceu mais lgico. Foi dada tambm especial ateno ao fato de no ser o

    desenvolvimento de software o cerne desta dissertao, mas sim a sua utilidade para validar os

    conceitos propostos nesta dissertao.

    Como o resultado desse desenvolvimento teria de ser uma aplicao estvel ao ponto de

    vrias famlias poderem usar sem problemas de maior, fizeram-se testes no sentido de verificar e

    prevenir eventuais falhas durante o seu uso. A metodologia