Apologética ao Antigo Testamento

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5/10/2018 ApologticaaoAntigoTestamento-slidepdf.com http://slidepdf.com/reader/full/apologetica-ao-antigo-testamento 1/49 Apologética ao Antigo Testamento Sumário Introdução Capítulo 1 Qual a importância do Antigo Testamento? Capítulo 2 A crítica bíblica Capítulo 3 BÍBLIA: obra divina ou humana? Capítulo 4 A arqueologia e a Bíblia Capítulo 5 Pessoas, cidades e povos do Antigo Testamento Capítulo 6 Resposta às objeções dos críticos ao Antigo Testamento Conclusão Questionário Referências bibliográficas Introdução Referindo-se a supostos erros da Bíblia, Agostinho colocou a questão da seguinte maneira: “Num caso desses, dever haver erro do copista, ou tradução mal feita do original, ou então sou eu mesmo que não consigo entendê-la”. Essas palavras de Agostinho ditas há mais de 1.700 anos, parecem não mais surtir efeito na moderna abordagem que muitos estudiosos bíblicos fazem das Escrituras hoje em dia. A Bíblia sempre esteve sob fogo cruzado, seja no campo teológico ou no científico. O começo do milênio nos trouxe um exemplo vívido disso. Nesses primeiros anos do novo milênio assuntos referentes à Bíblia estiveram por várias vezes em manchetes nas primeiras páginas das mais importantes revistas do país. Este hábito parece ser crescente e está virando moda entre a mídia escrita. Sempre que tocam em matéria de cunho religioso voltado para a religião judaico-cristã, há uma tendência deliberada em negar os eventos históricos da Bíblia, a existência de Jesus e a veracidade da fé. Manchetes como  Deus, precisamos dEle? ;  Eles querem Deus na ciência ;  Abraão existiu?; Bíblia, o que é verdade e o que é lenda? ; Jesus traído; Fé, por que e como acreditamos e outras contribuíram para avolumar a biblioteca dos céticos.

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Referindo-se a supostos erros da Bíblia, Agostinho colocou a questão da seguinte maneira: “Num caso desses, dever haver erro do copista, ou tradução mal feita do original, ou então sou eu mesmo que não consigo entendê-la”. Essas palavras de Agostinho ditas há mais de 1.700 anos, parecem não mais surtir efeito na moderna abordagem que muitos estudiosos bíblicos fazem das Escrituras hoje em dia. A Bíblia sempre esteve sob fogo cruzado, seja no campo teológico ou no científico. O começo do milênio nos trouxe um exemplo vívido disso. Nesses primeiros anos do novo milênio assuntos referentes à Bíblia estiveram por várias vezes em manchetes nas primeiras páginas das mais importantes revistas do país. Este hábito parece ser crescente e está virando moda entre a mídia escrita. Sempre que tocam em matéria de cunho religioso voltado para a religião judaico-cristã, há uma tendência deliberada em negar os eventos históricos da Bíblia, a existência de Jesus e a veracidade da fé. Manchetes como Deus, precisamos dEle?; Eles querem Deus na ciência; Abraão existiu?; Bíblia, o que é verdade e o que é lenda?; Jesus traído; Fé, por que e como acreditamos e outras contribuíram para avolumar a biblioteca dos céticos.

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Apologtica ao Antigo Testamento Sumrio Introduo Captulo 1 Qual a importncia do Antigo Testamento? Captulo 2 A crtica bblica Captulo 3 BBLIA: obra divina ou humana? Captulo 4 A arqueologia e a Bblia Captulo 5 Pessoas, cidades e povos do Antigo Testamento Captulo 6 Resposta s objees dos crticos ao Antigo Testamento Concluso Questionrio Referncias bibliogrficas Introduo Referindo-se a supostos erros da Bblia, Agostinho colocou a questo da seguinte maneira: Num caso desses, dever haver erro do copista, ou traduo mal feita do original, ou ento sou eu mesmo que no consigo entend-la. Essas palavras de Agostinho ditas h mais de 1.700 anos, parecem no mais surtir efeito na moderna abordagem que muitos estudiosos bblicos fazem das Escrituras hoje em dia. A Bblia sempre esteve sob fogo cruzado, seja no campo teolgico ou no cientfico. O comeo do milnio nos trouxe um exemplo vvido disso. Nesses primeiros anos do novo milnio assuntos referentes Bblia estiveram por vrias vezes em manchetes nas primeiras pginas das mais importantes revistas do pas. Este hbito parece ser crescente e est virando moda entre a mdia escrita. Sempre que tocam em matria de cunho religioso voltado para a religio judaico-crist, h uma tendncia deliberada em negar os eventos histricos da Bblia, a existncia de Jesus e a veracidade da f. Manchetes como Deus, precisamos dEle?; Eles querem Deus na cincia; Abrao existiu?; Bblia, o que verdade e o que lenda?; Jesus trado; F, por que e como acreditamos e outras contriburam para avolumar a biblioteca dos cticos.

Neste livro trataremos de assuntos de grande relevncia para o aluno no que concerne apologtica. Examinaremos as crticas que freqentemente so levantadas contra ao Antigo Testamento. o Antigo Testamento um mito? Podemos encarar a maioria de suas passagens como fatos histricos ou simplesmente alegricos? Os milagres registrados no Pentateuco realmente existiram? Consideraremos questes como a inspirao, infalibilidade, profecias e por fim uma refutao dos principais pontos polmicos do Antigo Testamento levantados pelos crticos para diminuir o valor deste documento. Antes, porm, vamos saber qual a importncia que possui o Antigo Testamento para o povo de Deus. Captulo 1 Qual a importncia do Antigo Testamento? A palavra hebraica para Bblia Tanach, composta pelas consoantes T-N-Ch, que representam as trs divises das Escrituras: Tor (Pentateuco), Neviim (Profetas) e Ketuvim (Escritos). De forma genrica, costuma-se design-la por Tor, que em hebraico significa "orientao", correspondendo sua relao com o povo, uma orientao para a vida. Leopold Zunz, um historiador da religio judaica do sculo XIX, deu, certa vez, uma caracterizao muito feliz da Bblia. Ele disse que a Bblia tinha servido de "ptria porttil para os judeus". Uma idia semelhante tinha sido expressa nove sculos antes pelo rabino Sadia, o Gaon (Reitor) da Ieshiv (Academia) de Sura: "Israel s um povo graas Tor". Esse fenmeno de uma Escritura que congrega em si a filosofia da crena religiosa, o guia de conduta moral, e que, num passado no muito remoto, abrangia e governava a totalidade da vida judaica, foi observado com admirao por Heinrich Heine, o grande poeta alemo, que declarou: "Os judeus podem consolar-se de haver perdido Jerusalm, o Templo, a Arca da Aliana, os vasos de ouro e os tesouros preciosos de Salomo. Tal perda insignificante em comparao Bblia o tesouro imperecvel que salvaram. Se no me engano, foi Maom quem denominou os judeus de 'O Povo do Livro' nome que conservaram at o dia de hoje e que profundamente caracterstico. Esse livro a sua ptria, seu tesouro, seu governante, sua felicidade e sua maldio. Vivem dentro dos limites pacficos desse livro. Exercem ali seus poderes inalienveis. Ali no podem ser espezinhados e nem desprezados". Sem a Bblia seria impossvel imaginar como os judeus poderiam ter sobrevivido como povo distinto ou como comunidade religiosa durante tantos sculos e atravs de tantas vicissitudes. A essa Bblia judaica ns chamamos de Antigo Testamento. A palavra testamento de origem grega, diatheke e significa aliana, concerto ou testamento. O primeiro a aplicar o nome Antigo Testamento s Escrituras hebraicas foi Tertuliano. Se tomarmos por certo que o Deus verdadeiro um Deus imanente, presume-se que essa imanncia no passiva, mas comunicativa. Deus um Deus que se comunica. O Antigo Testamento pode ser tomado como a voz de Deus. Deus incessantemente se relacionando dentro do espao-tempo com suas criaturas, o princpio desta voz atravs de seus servos e profetas. Contextualmente, este livro foi dado a um povo, a descendncia de Abrao. Embora, secundariamente, suas promessas podem se estender a toda a humanidade, ele foi destinado precisamente aos Filhos de Israel. Toda a razo da existncia do povo judeu depende deste Concerto, depende deste livro. H trs pensamentos bsicos que permeiam todo o Antigo Testamento: A promessa de Deus a Abrao; O concerto de Deus com a descendncia abramica;

A promessa de Deus a Davi.

Entretanto, ao lermos as pginas desse livro, percebemos que esta voz tem uma direo certa. H toda uma preparao que culmina para um s evento a chegada do Messias. Todas as profecias, cerimnias e rituais apontam inequivocadamente para a vinda de Cristo e sua obra, e isto desde Gnesis a Malaquias. Os escritores do Novo Testamento constantemente testificavam desta verdade ratificando as palavras do Antigo Testamento. H uma gama enorme de textos do Antigo Testamento nos escritos neotestamentrios. Pelo prprio teor de todas essas promessas h de se deduzir que os escritores queriam transmitir no contos mticos, mas uma histria verdadeira. No h um s vestgio no Antigo Testamento mostrando que essa literatura seja no-histrica. Cada pgina mostra que seus autores escreveram com propsitos de persuaso. Seria difcil e at impossvel persuadir uma nao inteira de sua identidade ideolgica com contos inverdicos! Quem iria morrer em batalhas sangrentas, muitas vezes em desvantagem militar do ponto de vista qualitativo e quantitativo, em prol de invencionices? E o pior, se considerarmos a ignorncia da nao sobre tais dados fictcios, mesmo assim seria difcil de acreditar que homens piedosos inventariam tais coisas sabendo que seu povo poderia ser dizimado defendendo ardentemente a crena em meras lendas que eles mesmos inventaram! Definitivamente, esse esteretipo, como muitas vezes passado, no reflete o carter dos escritores do Antigo Testamento. Daremos em seguida, para ttulo de conhecimento, um breve resumo da estrutura dos livros do Antigo Testamento. Breve resumo dos livros do Antigo Testamento O Antigo Testamento dividido assim: Pentateuco, livros histricos, livros poticos, profetas maiores e profetas menores. O Pentateuco Compreende os cinco livros de Moiss; Gnesis (Be-Reshit), xodo (Shemt), Levtico (Va Yi-kra), Nmeros (Bammidbar) e Deuteronmio (Elleh hadd barim) Tambm chamado de O Livro da Lei. Gnesis o primeiro livro do Pentateuco o Gnesis, ttulo que se refere a seu contedo, que a origem, o comeo ou a gnese de todas as coisas, do universo, da Terra, do homem, do pecado, das naes, do povo escolhido. xodo o segundo livro do Pentateuco o xodo, ttulo cristo que alude ao principal tema: a sada dos judeus do Egito. Narra a opresso dos israelitas pelos egpcios, o surgimento de Moiss e sua viagem pelo deserto. Levtico o terceiro livro trata quase exclusivamente das coisas referentes ao ministrio sacerdotal. Expe as leis, as regras e os holocaustos que doravante fariam parte da vida religiosa deste novo povo do pacto. Nmeros o livro de nmeros retoma a narrativa da peregrinao do povo. Neste livro so enfatizados diversos nmeros, como as numeraes das tribos e os recenseamentos do povo, da o nome do livro.

Deuteronmio o quinto e ltimo livro do Pentateuco o Deuteronmio, que nada mais do que uma repetio das leis ao povo. Contm uma variante dos dez mandamentos e termina com o ltimo sermo e a morte de Moiss. Os livros histricos Compreende Josu, Juzes, Rute, Samuel, Reis, Crnicas, Esdras, Neemias e Ester. Josu mostra como Josu fez o povo conquistar a terra prometida, as batalhas, a diviso das terras e como o povo pediu a Deus um novo sucessor aps a morte de Josu. Juzes conta a histria dos lderes que dirigiram Israel quando o povo estava sem guia, mostra a inconstncia do povo em servir a Jeov. Vai desde a poca de Josu a Saul. Rute a histria da converso de uma moabita que, com Boaz, tem um filho que aparece na genealogia como av do rei Davi. 1 e 2 Samuel os dois livros de Samuel relatam o incio da monarquia em Israel com a elevao de Saul e a transferncia do reino a Davi e suas faanhas at a queda de Jerusalm. 1 e 2 Reis o livro de Reis conta a vida moral e espiritual dos reis de Israel suas glrias e suas derrotas. 1 e 2 Crnicas a repetio, com ligeiras modificaes, dos livros anteriores. Esdras e Neemias - falam sobre o retorno do povo de Israel do cativeiro e a reconstruo do templo. Ester relata a histria do livramento que Deus concedeu ao povo judeu das mos de seus inimigos, mediante a elevao de Ester como rainha da Prsia. Os livros poticos Compreendem J, Salmos, Provrbios, Eclesiastes e Cantares. J conta a histria de um patriarca que viveu antes de Abrao, sua fama, suas provaes e como permaneceu fiel apesar das tentaes a que foi submetido. Salmos considerado o hinrio de Israel. Muitos hinos compostos por vrios autores, inclusive Davi, so profticos e apontam para a vida e ministrio do messias. Provrbios o conjunto das reflexes mileniais dos sbios hebreus. Eclesiastes de possvel autoria de Salomo, conta sobre a vaidade das coisas e a brevidade da vida humana. Possui algumas mximas e uma concluso espiritual no final. Cantares sem dvida um livro mpar, pois mostra de maneira interessante o amor do rei pela sua esposa, a sulamita. Alguns telogos interpretam nisso uma alegoria entre Cristo e a Igreja. Os livros profticos

Dividem-se em dois grandes grupos, o primeiro chamado de profetas maiores devido ao volume e quantidade de escritos que produziram; o segundo chamado de profetas menores pela mesma razo do primeiro. Profetas maiores nesse grupo temos Isaas, Jeremias, Lamentaes, Ezequiel e Daniel. Isaas o ministrio de Isaas era voltado para Jud, a metade do livro trata sobre profecias a diversas naes gentias e a ltima parte menciona promessas escatolgicas para Israel. Jeremias e Lamentaes tratam de julgamentos, profecias sobre o cativeiro e, no caso de Lamentaes, sobre a realidade da destruio de Jerusalm e seu templo. Ezequiel conhecido como o profeta do cativeiro, trata sobre diversas profecias e promessas sobre o reino milenial. Daniel trata da vida do profeta e seus companheiros. H inmeras profecias sobre as grandes potncias mundiais e a queda de Babilnia. Profetas menores Nesse grupo temos 12 profetas, a saber: Osias, Joel, Ams, Obadias, Jonas, Miquias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e, por ltimo, Malaquias. Osias por meio de um inusitado casamento com uma prostituta, Deus usa a histria da vida do profeta para trazer sua mensagem de castigo e restaurao para Israel. Joel o livro fala sobre os juzos dos gafanhotos que viriam sobre Israel caso no se arrependesse. Menciona a promessa do derramamento do Esprito Santo nos ltimos dias. Ams profetiza contra as naes inimigas de Israel, assim como contra o prprio Israel e Jud. Obadias o mais curto livro de todos os doze, fala quase exclusivamente sobre a condenao de Edom. Jonas trata sobre a misso do profeta na cidade de Nnive, sua recusa e as conseqncias que se seguiram. Mostra a misericrdia divina, at mesmo por povos mpios quando h verdadeiro arrependimento. Miquias a voz do profeta levantada contra as injustias sociais que se praticavam em Jerusalm e Samaria, fala sobre a destruio e a restaurao caso houvesse arrependimento. Naum profetisa contra a velha cidade de Nnive que no ministrio de Jonas teve sua chance, mas no perseverou seu arrependimento. Tambm Jud advertida sobre sua condenao. Habacuque mostra o dilogo entre Deus e o profeta, seus rogos em favor de seu povo, e a condenao de algumas naes pags. Sofonias o livro permeado com profecias de calamidades sobre Jud e Jerusalm e muitas naes gentias. No final, h uma promessa de restaurao para Jud.

Ageu foi profeta durante a reconstruo do templo. Suas profecias so dirigidas aos judeus que estavam desanimando da reconstruo devido aos problemas internos e externos. Trata da reconstruo do segundo templo e sua glria. Zacarias o profeta foi contemporneo de Ageu. H vrias predies sobre seu povo e muitas vises que apontam para a vinda do Messias. Malaquias o ltimo livro dos profetas menores trata de questes internas. Condena o descaso com que os sacerdotes tratavam a obra de Deus, o casamento misto, e a falta de compromisso do povo quanto ao sustento da casa de Deus. No final, h uma promessa para aqueles que servem a Deus. Todos esses livros tm recebido duras crticas por parte de muitos cticos e at mesmo daqueles que se dizem estudiosos bblicos. Esse o foco de exame de nosso prximo assunto. Captulo 2 A crtica bblica Ataque direcionado Desde que Moiss escreveu No princpio criou Deus... a desejada derrocada que se espera dos orculos divinos est posta, por assim dizer, no inconsciente coletivo da humanidade. Deixeme explicar: urge memorar que o diabo sempre tentou desacreditar e at mesmo destruir a Palavra de Deus. Seu intento no acabou, ele apenas mudou de ttica. Hodiernamente ele trabalha no mais com a fogueira, mas usa mtodos refinados com os quais a nossa moderna mente cientfica se apraz em aceitar sem contestao. Vivendo em uma poca mpar da histria, nosso ambiente relativista propicia que a palavra final da verdade seja dada no mais por um ser que no podemos ver, tocar ou cheirar, um ser que escapa verificao de nossas pesquisas cientficas, mas aos dados materialistas de nosso sculo XXI. Sendo assim, qualquer coisa que se relacione a este ser impiedosamente colocada sob suspeita. Tendo em vista que a herana e as promessas espirituais do cristo encontram seu embrio dentro dessa herana literria primitiva chamada Antigo Testamento, de suma importncia defendermos tanto uma como a outra dos ataques do maligno. Definio de termo: A palavra crtica vem do grego kritik, do feminino kritiks. Denota basicamente dois conceitos: um positivo, como juzo crtico, discernimento, critrio, discusso dos fatos histricos, apreciao minuciosa; e outro, negativo, ato de criticar, de censurar, condenao, julgamento ou apreciao desfavorvel. H ainda um terceiro que a arte ou faculdade de examinar e/ou julgar as obras do esprito, em particular as de carter literrio ou artstico. Este ltimo processo que constitui o foco de nosso exame iniciou-se no Renascimento, e firmou-se no final do sculo XVIII. Mas a crtica em si, como ato reflexivo, remonta aos gregos. Plato refletiu, de maneira geral e assistemtica, sobre o problema da arte e da literatura. Aristteles, com a Potica e a Retrica, estabeleceu as bases da crtica literria e o modelo do mtodo objetivo, indutivo, para apreciao do fenmeno literrio. Explicar, interpretar, criticar a literatura , assim, buscar as condies que determinaram sua gnese, seja no ntimo da personalidade criadora, seja nos fatores ambientais geogrficos, raciais ou sociais.

Embora o termo com suas implicaes modernas tenha tomado um sentido pejorativo, chegando a ser sinnimo de ceticismo, devido a certos crticos e suas teorias que procuram desacreditar as Escrituras, no devemos, todavia, associ-la somente a esta classe. Mesmo porque ela, sem dvida, de alto interesse e valor para qualquer estudante de teologia. Indo mais longe diramos que at mesmo necessria Bblia. Serve para emitir um julgamento imparcial mediante observaes e estudos da histria e o estado atual do texto original das Escrituras, aumentando com isso seu valor e confiabilidade. Esse o conceito positivo de que se ocupa a palavra crtica aplicada ao estudo sistemtico da literatura secular ou bblica. Em sua aplicao ao texto bblico pode ser dividida em dois grandes grupos: Crtica textual ou baixa crtica D-se o nome de crtica textual tcnica filolgica aplicada reconstituio dos textos originais das obras literrias, que se desenvolveu, sobretudo a partir do estabelecimento dos textos de clssicos antigos e da Bblia. Ocupa-se mais com a natureza verbal e histrica confinada a vocbulos e suas colocaes conforme aparecem nos textos bblicos e seus manuscritos. Na prtica, sua preocupao principal restaurar o texto original na base das cpias que chegaram at ns provendo a correta leitura e interpretao do texto. Alta crtica Mtodo literrio de interpretao das Sagradas Escrituras que tem por objetivo determinar a autoria, data e circunstncia em que foram compostos os santos livros. Este mtodo verifica tambm as fontes literrias e a confiabilidade histrica da Bblia. Ela consiste em extrair dos textos resultados, a partir de um enfoque sobre a natureza, o mtodo e conexo do contexto, das circunstncias conhecidas dos escritores bblicos, o assunto dos argumentos dos diferentes livros sagrados. Ela se ocupa com a nobre tarefa de examinar a integridade, autenticidade e credibilidade dos escritos que compe o Livro Sagrado. O alto crtico procura saber a origem, o autor e como ele comps o livro. Tudo isso deveria salutarmente ser aplicado s Escrituras. Quando algum pergunta quando, quem e por que o Velho ou o Novo Testamento foi escrito, est na realidade, fazendo uma alta crtica da Bblia. Enquanto a primeira lida com o texto determinando o que o original dizia; a ltima trata com a fonte do texto tentando descobrir quem disse, quando, onde e por que foi dito. Mas em ambas as divises da crtica o questionamento a caracterstica predominante. O mtodo sempre o mesmo: perguntar. Breve histria da alta crtica bblica Embora, como j vimos, um tipo primitivo de crtica, bem antes de Cristo, tenha sido aplicada investigao literria, contudo, J. G. Eichhorn, um alemo do sculo XVIII, foi o primeiro a aplic-la ao estudo da Bblia. Por isso ele chamado de o pai da crtica do Antigo Testamento. Mas sua aplicao prtica foi lanada mesmo por Jean Astruc em seu tratado sobre o Gnesis em 1753. Astruc, conquanto defendia a autoria mosaica do livro, asseverou, entretanto, que havia indcios de vrias fontes entrelaadas por todo o livro. Em outras palavras, Moiss lanou mo de vrias fontes e no somente uma para compor o livro. Podese dizer ento que a alta crtica originou-se devido s investigaes do Pentateuco, embora, de maneira naturalista e racional, relegando os milagres bblicos a meras lendas e contos populares. At mesmo muitas passagens, locais, personagens e costumes considerados por cristos e judeus durante sculos como verdicos, foram postos sob suspeita. Tendo este pano de fundo histrico em mente, podemos ento entender em que se firmam as bases do liberalismo teolgico. de se

considerar que desde Astruc at aos dias de hoje, tm surgido vrias escolas de alta crtica, com as mais variadas teorias, levando assim, para mais longe da ortodoxia as concluses delas resultantes. Por isso, em alguns crculos ela chamada pejorativamente de alta crtica destrutiva ou negativa. Hiptese documentria O alemo Julius Wellhausen, deu expresso a esta teoria quando props que o Pentateuco foi uma compilao de quatro documentos escritos por autores diferentes e independentes durante um perodo de cerca de 400 anos, sendo finalmente redigido em sua forma bsica por volta do quinto sculo a.C, ou seja, cerca de mil anos depois dos acontecimentos descritos. Wellhausen considerava as histrias bblicas como tradies populares que funcionavam como um espelho para transmitir eventos histricos posteriores. Por exemplo, a luta entre Jac e Esa nada mais era do que um reflexo da inimizade entre as naes de Israel e Edom, assim como as histrias de Sodoma e Gomorra, o xodo e at mesmo o rei Davi. Fora estas classificaes de crticas, temos ainda: crtica histrica, crtica das fontes, crtica da forma, crtica da tradio e crtica da redao. O escopo desta matria no pretende explicar cada uma das vrias e confusas teorias de cada uma delas, antes, mostrar que suas concluses no procedem, firmando-se acima de tudo em especulaes e no em fatos histricos reais. Um elo comum que liga todas essas teorias a chamada fonte JEDS. O que so tais documentos? Partindo dos critrios usados na crtica literria, os crticos liberais alegaram encontrar quatro documentos diferentes dentro do Pentateuco principalmente no livro do Gnesis. Concluram que esses documentos poderiam ser divididos levando-se em conta as variaes dentro do texto. Os vrios estilos, nomes divinos diferentes e repeties de narrativas confirmariam tal hiptese. Mas porque eles classificaram esta fonte como JEDS. Vejamos:

1. Documento J - representaria o escritor que usou o nome Jeov (YHWH) em seusdocumentos. 2. Documento E - representaria o escritor que usou o nome Elohim em seus documentos. 3. Documento D- representaria o cdigo deuteronmico que seria uma redao tardia encontrado em 621 a.C; 4. Documento S - representaria o ltimo escritor a trabalhar numa redao do AT. Ele pertencia classe sacerdotal e viveu durante o exlio babilnico. Dizem que o estilo da escrita de cada documento, assim como seu objetivo, difere entre si. Enquanto o documento J apresenta uma linguagem florida, o S possui a linguagem no de um historiador, mas de um jurista. Partindo deste falso pressuposto eles descartaram a autoria mosaica do Pentateuco. A verdadeira causa do conflito

Pressupostos Definio: 1. Que se pressupe. 2. Pressuposio; conjetura. 3. Desgnio, teno, projeto. 4. Circunstncia ou fato considerado como antecedente necessrio de outro. (Dicionrio Aurlio Sc.XXI) No contexto de nosso estudo, poderamos afirmar que pressupor seria chegar concluso sobre algo antes de se dar incio s investigaes a respeito. o mesmo que preconceito, opinio preconcebida, concluso previamente fixada, etc... algo negativo o pressuposto? Diramos que os pressupostos em si no so negativos e nem positivos, servem apenas como princpios normativos de investigaes. Toda pesquisa histrica possui os seus a prioris. Tanto o crtico radical da Bblia como o conservador, partem de certos pressupostos para desenvolverem suas pesquisas. Os pressupostos na verdade so quase inevitveis! Portanto, o problema se encontra em outro patamar, isto , no questo de ter ou no pressupostos, mas se tais pressupostos coincidem com a realidade. H evidncias factuais o suficiente para mant-los de p? Isto nos leva ao estudo de outro quesito que est intrinsecamente ligado a este e que na verdade a premissa de todos os pressupostos levantados em muitos crculos de crtica bblica o sobrenaturalismo. O sobrenaturalismo Toda crtica bblica destrutiva est firmada sobre o sobrenaturalismo, ou melhor, no antisobrenaturalismo de seus crticos. Estas so as duas premissas das quais ambos os crticos, liberal ou conservador, partem quando intentam levar a cabo suas pesquisas. Por exemplo, o erudito liberal, ao efetuar suas pesquisas, parte necessariamente do pressuposto de que no existe nada de sobrenatural na Bblia. Tudo que se refere a milagres na Bblia relegado a meras histrias mticas. Por outro lado, o conservador, parte da idia de que Deus interveio no espao-tempo em determinadas pocas para um determinado povo e, sendo assim, a hiptese sobrenatural no pode ser descartada, na verdade, ela necessria para uma correta interpretao do texto. Por fim, tais premissas no s iro determinar grandemente a metodologia [de ambas as partes] que ser usada em suas investigaes, como tambm suas concluses sero grandemente influenciadas por elas. Ento, o resultado final sempre ser influenciado pelos pressupostos de ambos os lados. As proposies apresentadas por tais crticos negativos se baseiam em grande parte no seguinte silogismo: Deus no existe. Se Deus no existe o sobrenatural no possvel. Se o sobrenatural no possvel os milagres no existem.

Deve-se ressaltar que, muitos estudiosos abordam a histria partindo de uma noo preconcebida no tanto de carter factual, mas moral, religioso ou filosfico. A razo est no fato de que essas abordagens pressupem certas concluses que forosamente determinaro seu conceito filosfico. Conseqentemente, sua cosmoviso ser forosamente afetada.

Quando um crtico aborda certos milagres, como as pragas do Egito, a criao de Ado e Eva ou a ressurreio, geralmente a reao imediata deles Deus no existe ou milagres no acontecem, ou ainda, vivemos em um universo fechado, portanto, isso no pode ser um milagre. Por universo ou sistema fechado entende-se que tudo deve ter uma explicao natural dentro de nosso prprio mundo, dispensando quaisquer intervenes, dentro deste sistema, vindas de fora. Um exemplo moderno disto a chamada parapsicologia. Os estudiosos desta nova cincia tendem a rejeitar as afirmaes bblicas qualificando os milagres bblicos na categoria alegrica ou meramente cultural. O fenmeno bblico da glossolalia se presta a um bom exemplo do que queremos dizer. Atribuem a ele um sentido totalmente psicolgico debaixo de explicaes puramente naturalsticas. A bem da verdade, a cincia limitada e nunca poder explicar coisas que esto alm dos padres estabelecidos por ela mesma. Nunca chegaramos a um denominador comum, posto que estaramos abordando o assunto em campos diferentes; a cincia trabalha com coisas materiais e passveis de repetio e os milagres transcendem a tudo isso. Portanto, a tendncia de muitos crticos bblicos cuja metodologia est fundamentada em parte em mtodos cientficos admitir que no existe a realidade espiritual, portanto, no existem milagres. Norman Geisler deu uma lista de vrios argumentos de pensadores anti-sobrenaturais importantes como, por exemplo, Spinoza que exps seu ponto de vista quanto impossibilidade de milagres da seguinte maneira: ...que, ento, nada acontece na natureza em transgresso s suas leis universais, no, coisa nenhuma est de acordo com isso e segue esse conceito, para [...] ela [natureza] permanece firme e imutvel. De fato, um milagre, se transgride a, ou est alm da natureza, no mais do que um absurdo. Spinoza era dogmtico quanto impossibilidade de milagres: Podemos, ento, estar completamente certos de que cada evento [fato, acontecimento, neste caso, os milagres] descrito na Escritura passou, assim como todos os demais, segundo as leis naturais. Geisler ainda resumiu os argumentos de Spinoza da seguinte maneira: Os milagres so violaes das leis naturais. As leis naturais so imutveis. impossvel para as leis imutveis serem violadas. Por conseguinte, os milagres so impossveis.

Certo erudito alemo resumiu bem o preconceito filosfico que norteia a metodologia dos crticos: A apresentao de um curso da histria deve ser reputada, a priori, como inverdica e no-histrica se houver fatores sobrenaturais interpostos. Josh Mcdowell cita a posio de A. Kuenen, um anti-sobrenaturalista, que resume bem o que queremos dizer: Enquanto atribuirmos alguma parte da vida religiosa de Israel diretamente a Deus, permitindo que a revelao sobrenatural ou imediata se imiscua, ao menos em uma instncia, por todo esse tempo permanecer inexata a nossa perspectiva do todo, e nos veremos forados a fazer violncia aqui ou l, ao firme contedo dos relatos histricos. Somente se partimos da posio de um desenvolvimento natural que levaremos em conta todos os fenmenos. Diz ainda Mcdowell que para um crtico radical, a presena do elemento miraculoso serve de evidncia suficiente para que ele rejeite a sua historicidade, ou, pelo menos, serve de razo suficiente para ele rejeitar a credibilidade de suas testemunhas. Influncias do evolucionismo

Um dos conceitos que mais tem afetado nosso mundo , sem dvida, a tese evolucionista. Charles Darwin no foi o criador dessa teoria, contudo, depois dele, ela ganhou mais fora e passou a fazer parte de quase todos os conceitos modernos de cincia. Da biologia, passou para a fsica, arqueologia, antropologia, sociologia e chegou religio. O telogo jesuta Teilhard de Chardin e o codificador do espiritismo moderno, Allan Kardec, so exemplos de religiosos que procuraram fundamentar religio com cincia baseado na teoria da evoluo. Como o mtodo era puramente racional e naturalstico, era quase impossvel no prever que as investigaes da alta crtica pudessem ser influenciadas pela emergente teoria evolucionista. Isto de fato se deu e explica, em parte, essa averso que muitos crticos tm em relao a todos os que crem literalmente nos relatos bblicos taxando-os pejorativamente de fundamentalistas que crem na Bblia ao p da letra. interessante o que Josh McDoweel registrou sobre este assunto citando Herbert Hahn: ...O conceito gentico da histria do Antigo Testamento ajustava-se ao princpio evolucionrio de interpretao que prevalecia na cincia e na filosofia contemporneas [...] No campo das cincias naturais, a influncia exercida por Darwin tinha feito da teoria da evoluo a hiptese predominante que afetava todas as pesquisas. Deve-se ter presente que a teoria da evoluo no um fato. No passa disso: uma teoria e que, por sinal, carece de provas. Por isso, atualmente, cada vez mais estudiosos esto rejeitando-a como nica explicao cientfica plausvel para desvendar os mistrios da vida. Mas os historiadores crticos da escola da alta crtica, como conseqncia desta tica evolucionista, comearam a encarar a histria da religio dos hebreus como apenas uma longa jornada religiosa evolucionria at se formar o que hoje. Tais indivduos advogam que as religies, em geral, evoluram do animismo para o politesmo, e deste para o henotesmo e, finalmente, chegando ao monotesmo. O problema disto tudo que, inevitavelmente, elas convergem sempre para o anti-sobrenaturalismo. Diz Norman Geisler que A idia de que o monotesmo evoluiu recentemente ganhou popularidade aps a teoria da evoluo biolgica de Charles Darwin, em sua obra A origem das espcies, de 1859. Em outra de suas obras, Darwin escreveu: No h nenhuma evidncia de que o homem tenha originalmente adotado a crena na existncia de um Deus onipotente. Pelo contrrio, Darwin acreditava que as faculdades mentais humanas [...] conduziram o homem crena em entidades espirituais e, desta, para o fetichismo, o politesmo e, por fim, o monotesmo.... Quais so as implicaes reais de tais dedues ao estudo da Bblia? O maior perigo est em que, quando posta sob suspeita a estrutura histrica dos livros bblicos, sua mensagem tambm corre perigo. J no se pode considerar a Bblia como a autntica mensagem de um Deus vivo que fala humanidade, mas apenas s conjeturas religiosas de homens falveis. Outro perigo que quando os crticos permitem que suas teorias sejam influenciadas pelo evolucionismo, eles no s correm o risco de alicerar essas teorias em uma tese defeituosa e especulativa, como suas concluses, iro, por fim, eliminar a necessidade de crer num Criador e em sua mensagem inspirada. Isto posto, podemos resumir as proposies da alta crtica destrutiva da seguinte maneira: Milagres no existem; A Bblia no passa de um produto da mente humana; Os livros bblicos foram escritos muito tempo depois de sua composio; Os milagres nada mais so que mitos e lendas dos antigos hebreus. Existem erros e contradies na Bblia;

Apesar de existirem outros, so basicamente esses cinco itens que prejudicam diretamente as seguintes verdades bblicas: Inerrncia; Inspirao verbal e plenria da Bblia; Autenticidade; Veracidade; Credibilidade.

Captulo 3 BBLIA: obra divina ou humana? Diante de tudo que j vimos justo perguntar: a Bblia a Palavra de Deus ou de homens? Deve ser encarada como fruto de qualquer obra literria religiosa ou um livro inspirado por Deus, trazendo uma mensagem infalvel e pessoal aos seres humanos? A pessoa que estudar a Bblia destituda de preconceitos cticos constatar facilmente que ela [a Bblia] faz reivindicaes elevadssimas para ser um mero livro de autoria puramente humana. Ela declara de si mesma ser a nica revelao de Deus ao homem. Coloca-se como a fonte para as respostas cruciais da vida concernentes a pontos de vista tico, moral, espiritual etc... Podemos dizer ento que a Bblia um livro sui generis, incomparvel no s em sua estrutura, mas principalmente em sua mensagem. A Bblia foi inspirada por Deus. Sua inspirao O que inspirao? Algumas definies so: Do latim inspiratione, subst. fem.: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Ao ou efeito de inspirar (-se) ou de ser inspirado; Ato de introduzir o ar nos pulmes, de inspirar; Qualquer estmulo ao pensamento ou atividade criadora; O resultado de uma atividade inspiradora; Pessoa ou coisa que inspira; inspirador; Teologia moo divina que, segundo a crena crist, teria dirigido os autores dos livros da Bblia (Dicionrio Aurlio Sc.XXI). Podemos achar em algumas dessas definies um exemplo bblico que a enquadram. (1) A primeira de todas elas nos fala da ao que gerada em si. Quantas pessoas poderiam economizar seu dinheiro com sesses psiquitricas, se to somente olhassem para si e vissem como a imagem e semelhana de Deus. Certamente, tal noo como a coroa da criao os levaria inspirao para a vida. (2) A segunda definio nos leva de volta criao do homem, quando Deus, com seu hlito, insuflou para dentro do homem o seu flego de vida: E formou o SENHOR Deus o homem do p da terra, e soprou em suas narinas o flego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (Gn 2.7).

(3) Aqui se enquadram todos os grandes gnios artsticos. Em literatura, quando dizemos que tal obra foi inspirada, estamos admitindo que a pessoa que a comps foi auxiliado por uma fora criadora alm dela. Dizemos ento que tal pessoa foi inspirada em sua obra, ou que tal obra nos inspira. (4,5) Estas nos lembram as passagens bblicas que nos alentam e nos inspiram quando estamos fracos ou cansados. A Bblia inteira capaz de inspirar as pessoas no somente na parte espiritual, mas at mesmo na artstica como foi o caso das obras de Michelangelo, um dos maiores gnios do humanismo renascentista que, inspirado em passagens da Bblia, deixou uma coleo de pinturas nas paredes da Capela Sistina no Vaticano como um tesouro para a humanidade. Entre suas obras est a criao do cu, a criao de Eva, o dilvio, o rei Davi, o profeta Ezequiel e o Juzo Final. No Brasil temos o gnio barroco Antnio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, cuja obra principal foram suas famosas esculturas em pedra-sabo dos doze profetas. Apesar de vrias dessas noes de inspirao poderem ser partilhadas por crentes e no crentes, a ltima que diz respeito exclusivo s Escrituras. Muitos, no entanto, consideram a Bblia inspirada usando algumas das definies restantes descritas anteriormente. Apesar de muitos tomarem para si essa concepo em relao Bblia Sagrada, isso de fato que significa inspirao bblica? A Bblia um livro diferente dos outros quanto inspirao? Ou podemos consider-la em p de igualdade com outras obras de inspirao humana? Pedro responde a essa pergunta ao dizer que nenhuma profecia da Escritura de particular interpretao. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Esprito Santo. (2 Pe 1.20-21) Ento, no campo teolgico, por inspirao, entendemos que a Bblia foi dada diretamente por Deus. Uma passagem crucial para explicar a inspirao se encontra em 2Timteo 3.16 que diz que Toda Escritura divinamente inspirada.... A palavra para inspirao neste trecho theopneustos que tem uma conotao muito mais profunda do que mera inspirao. Na verdade, o texto literalmente significa que o graphe foi soprado por Deus. As Escrituras receberam o sopro divino. Quanto a isso, diz o comentarista bblico R.N. Champlin: A expresso simblica talvez seja a de Deus a soprar sobre as Escrituras (estando elas personificadas como um ser) para faz-las viver, tal como fez com o homem, o qual se tornou alma vivente. Ou ento as Escrituras podem ser reputadas aqui como o sopro de Deus, que infunde vida a tudo quanto atinge. Sendo assim, quando ento os profetas escreviam suas profecias no era meramente um conto mtico, uma lenda, ou ento uma histria creditada s qualidades intelectuais deles prprios, mas era verdadeiramente a Palavra inspirada pelo prprio Deus que estava sendo transportada de seus pensamentos para o pergaminho. Os autores neotestamentrios tinham essa forte convico, quando mencionavam o Antigo Testamento. A certeza de que o Antigo Testamento era em todos os sentidos a Palavra inspirada de Deus era algo inseparvel de sua teologia e permeia todo o Novo Testamento. Certamente, Jesus no deixou nada escrito para ns, contudo seus ensinamentos foram transmitidos atravs de seus apstolos e discpulos. Deste modo, podemos saber qual o conceito que Jesus nutria quando se tratava dos escritos do Antigo Testamento. Lendo as Escrituras crists gregas, percebemos que Jesus no s confirmou todo o Antigo Testamento como inspirado como tambm chegou a distinguir o que era e o que no era inspirado. Isso porque, para o judeu, ortodoxo ou no, a Palavra de Deus no somente o que est escrito. Embora os livros do Antigo Testamento sejam realmente vistos como a Bblia dos judeus, a ortodoxia judaica, no entanto, est definida por uma coleo de tradies rabnicas antigas, conhecida como o Talmude. Em efeito, as tradies do Talmude levam uma autoridade igual a da Bblia. O Talmude, segundo a terminologia adotada na edio de Basilia (1578-1581), compreende a Mischn (conjunto de toda a lei oral admitida) e o Guemar (aprendizado ou

ensino em aramaico, conjunto de comentrios feitos por doutores da lei sobre a Mischn e outras coletneas de leis orais). Os judeus da poca de Jesus tambm colocaram a sua Mischn em p de igualdade com a Bblia. Jesus ento passou a confront-los com a verdadeira Palavra inspirada de Deus. Veja algumas passagens bblicas: Ele, porm, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vs, tambm, o mandamento de Deus pela vossa tradio? (Mt 15.3). Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradio dos homens (Mc 7.8).

E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradio. (Mc 7.9). Jesus tambm reivindicava ser o cumprimento do Antigo Testamento: No cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: no vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, at que o cu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitir da lei, sem que tudo seja cumprido. (Mt 5.17-18; Lc 24.44). Jesus apelava constantemente para a autoridade do Antigo Testamento: Ele, porm, respondendo, disse: Est escrito: Nem s de po viver o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. (Mt 4.4). Suas citaes quanto ao Antigo Testamento tambm so abundantes: Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, at ao dia em que No entrou na arca (Mt 24.38). Na poca existiam vrios livros apcrifos que em alguns lugares, chegaram a competir com os livros sagrados. Jesus e os apstolos ento usavam o termo Escrituras para distinguir os livros divinamente inspirados do Antigo Testamento dos outros. Veja: ...e a Escritura no pode ser anulada... (Jo 10.35).

Porque com grande veemncia, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo. (At 18.28). Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amars a teu prximo como a ti mesmo, bem fazeis. (Tg 2.8). Paulo usou o termo sagradas letras ao se referir ao Antigo Testamento: ...E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sbio para a salvao, pela f que h em Cristo Jesus. (2Tm 3.15).

No h dvida de que a autoridade do Antigo Testamento como Palavra inspirada de Deus foi ratificada por Jesus e seus apstolos. Entretanto, sempre bom lembrar que a inspirao diz respeito somente aos escritos e no aos escritores, diz respeito mensagem no ao contedo, a inspirao se restringe aos originais e no s cpias.

interessante sabermos aqui que h uma significativa diferena entre inspirao, revelao e iluminao. A inspirao tem a ver com a recepo e o registro da verdade, a revelao tem a ver com a transmisso, e a iluminao a compreenso desta mesma mensagem. Toda a Bblia foi inspirada por Deus, mas nem tudo nela produto de revelao. A revelao implica em Deus mostrar fatos desconhecidos ao escritor sacro, enquanto que na inspirao isto no se faz necessrio. Por exemplo: Moiss recebeu os primeiros captulos de Gnesis por revelao enquanto os outros no foram necessariamente produto de uma revelao por parte de Deus. Lucas foi inspirado a reunir vrios documentos cristos precedentes para confeccionar seus dois livros, o Evangelho e o livro de Atos (Lc 1.1-4). Paulo, que no andou com Cristo e nem recebeu instruo apostlica, deixounos um tesouro teolgico de inestimvel grandeza em suas epstolas. Enquanto Lucas foi inspirado a escrever partindo de material preexistente, a Paulo foi revelado, sem o auxlio de homem algum o que escrever. Quanto iluminao, em 1 Pedro 1.10-12 se encontra um timo exemplo do que significa isso: De qual salvao inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graa que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasio de tempo o Esprito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glria que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, no para si mesmos, mas para ns, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Esprito Santo enviado do cu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. Neste caso os profetas recebiam a revelao e a inspirao, mas muitas delas no eram acompanhadas de iluminao. O estudante precisa saber que existem graus na iluminao, mas no na inspirao. Vrias teorias tm surgido para explicar a inspirao das Escrituras as quais podemos enquadrar dentro de trs grandes grupos, a saber: Ortodoxia - que sustenta ser a Bblia a Palavra de Deus; Liberalismo - que sustenta que a Bblia contm a Palavra de Deus; Neo-ortodoxia - que afirma que a Bblia torna-se a Palavra de Deus.

Dentro destes grupos temos embutido o que chamamos de: Teoria da inspirao natural Essa teoria considera a Bblia como produto da mente humana. Para eles os escritores foram homens dotados de uma inteligncia especial tais como Scrates, Milton, Rui Barbosa etc... Teoria da inspirao divina comum Essa teoria ensina que a inspirao da Bblia a mesma que vem a ns quando oramos, pregamos, ou compomos um hino. Teoria da inspirao parcial Essa teoria ensina que somente em algumas partes a Bblia inspirada. Teoria do ditado verbal Essa teoria ensina que somente as palavras foram inspiradas. Ela exclui qualquer possibilidade de Deus ter usado os dotes literrios e o estilo de cada escritor. O escritor seria uma espcie de mquina de escrever. Teoria da inspirao das idias Essa teoria sustenta que Deus inspirou apenas as idias e no as palavras.

No obstante, a nica teoria que faz jus s reivindicaes bblicas a da inspirao plenria ou verbal. Ela ensina que, apesar de Deus usar os escritores sacros em suas prprias lnguas e estilos, eles foram inspirados pelo Esprito Santo. Toda a Bblia foi inspirada! Ela proclama ser a Palavra de Deus e essa reivindicao interior por demais contundente. Esse fio de pensamento encontra-se em todo o Livro. Mas ela no s reivindica ser inspirada como fornece provas internas e externas dessa reivindicao como ocorre, por exemplo, por meio da expresso assim diz o Senhor que aparece mais de 2.600 vezes dentro do Livro. Ele corta todo o Velho Testamento tal como um selo de autenticidade divina. Tambm podemos contar com a voz do Esprito Santo constantemente atestando no interior do ser humano esta verdade. Alm disso, a perfeita unidade da Bblia em sua mensagem constitui um dos pontos mais importantes desta prova juntamente com sua milagrosa exatido proftica. E por fim, sua poderosa capacidade de transformao. Com relao a este ltimo ponto, ressaltamos que a Bblia o nico livro que j deu provas de transformao social, moral, e espiritual no mundo. Cticos tm se dobrado diante de seu poder convencedor, pagos tm sido transformados em verdadeiros adoradores do Deus vivo e pessoas das mais diversas partes do mundo, de diferentes camadas sociais tm sido transformadas por sua mensagem. Eis a as provas que nenhum livro religioso em todo o mundo pode dar a no ser a Bblia! Qual a importncia da correta doutrina sobre a inspirao? A correta doutrina sobre inspirao plena pressupe inerrncia. Por inerrncia entendemos que a Bblia no erra. Sendo que tal livro foi inspirado por Deus e sabendo de antemo que Deus no erra, por conseguinte a Bblia no contm erros. Erro, neste contexto, denota algo que no corresponde realidade. Sem essa verdade outra importante doutrina decorrente dessa cairia por terra, isto , a doutrina da infalibilidade. Estes trs pontos esto to intrinsecamente ligados que se um deles cair, os demais desmoronam juntos. importante frisar, entretanto, que por inerrncia no queremos dizer que no haja dificuldades na Bblia. A infalibilidade, como j dissemos, no se estende s cpias. Gleason Archer nos d uma lista de alguns destes erros de transmisso que so a causa de julgamentos preconcebidos. Iremos nos restringir aqui a reproduzir parcialmente esta lista: Haplografia escrever uma vez o que deveria ter escrito duas vezes; Ditografia Este erro o oposto do primeiro, consiste em escrever duas vezes o que se deveria escrever uma nica vez; Mettese Mudana da ordem das palavras ou letras; Fuso Consiste no erro de fundir duas palavras numa s, dando sentido diferente ao contexto; Fisso o oposto da fuso; Homofonia palavras com sentidos diferentes tenham o mesmo som; Leitura errnea de letras parecidas; Omisso acidental de palavras.

Para resolver estas dificuldades textuais, os crticos elaboraram algumas regras que servem para nortear o exame da Bblia a fim de que se obtenha uma correta compreenso exegtica. Eis algumas delas: Em geral, prefere-se o texto mais antigo ao mais recente; O texto mais difcil prefervel ao mais fcil; Deve-se preferir o texto mais curto ao mais longo;

O texto que tiver uma aceitao mais ampla ao que for mais restrito a certa regio; O texto que no reflete nenhum desvio doutrinrio por parte do copista, deve ser preferido redao que deixa claro estar contaminada por esprito partidrio.

Contudo, bom saber que muitas dificuldades partem no de algum erro textual, mas de erros de interpretao do prprio crtico. Geisler e Tomas Hower nos mostram alguns destes erros: Assumir que o que no foi explicado seja inexplicvel no devemos supor que o que at agora no foi explicado seja inexplicvel; Presumir que a Bblia culpada, at que algum prove o contrrio; Confundir nossas falveis interpretaes com a infalvel Palavra de Deus; Falhar na compreenso do contexto da passagem; Deixar de interpretar passagens difceis luz das que so claras; Basear um ensino numa passagem obscura; Esquecer-se de que a Bblia um livro humano, com caractersticas humanas; Assumir que diferentes narraes sejam falsas; Ignorar que Deus possa usar meios naturais para realizar milagres.

A doutrina da inerrncia to importante que implica em ser uma das possveis provas materiais da existncia de Deus. De fato, essas so pistas fortssimas que levaram o povo de Deus a formar o seu cnon sagrado. O cnon do Antigo Testamento A palavra cnon, originalmente em hebraico, significava vara ou cana. No entanto, atravs da morfologia das palavras, o seu significado passou por diversas modificaes at ser sacralizada em nossa moderna linguagem teolgica. Hoje, entendemos por cnon o critrio, padro ou norma usados para aferir a autenticidade de um livro como inspirado por Deus e aceito por seu povo. Em suma, podemos dizer que o conjunto de livros que compe o atual texto da Bblia. Por sua vez, justamente a inspirao o primeiro critrio usado para incluir um livro no cnon sagrado. No que diz respeito ao Antigo Testamento, sua canonicidade foi definida seguindo alguns fatores bsicos tais como: A inspirao de Deus; O reconhecimento por parte do povo judaico; A preservao e coleo destes escritos.

A inspirao o primeiro passo para um livro ser considerado cannico. Deus inspirou e o Esprito Santo auxiliou no segundo processo que o do reconhecimento. Sendo que tais livros eram inspirados, eles deveriam contar uma autoridade singular que o diferenciasse de outros livros de cunho religioso. Alguns critrios foram usados para que isso acontecesse: a) O livro deveria ter sido escrito por um servo de Deus ou profeta; b) O livro deveria trazer o selo da autoridade de Deus como um assim diz o Senhor; c) O livro deveria trazer o poder de Deus para transformao de vida. d) O livro deveria trazer e inspirar confiana, isto , no poderia haver erros ou heresias que contradissessem outros escritos sagrados considerados cannicos;

Aps o Esprito Santo ter guiado o povo judaico ao reconhecimento destes livros, Ele os levou tambm a preservar e, por fim, coletar tais escritos reunindo-os para formar o que chamamos de Antigo Testamento. Se existem apenas 39 livros no Antigo Testamento porque Deus quis que somente estes livros fossem preservados para guiar o seu povo. A canonizao fruto no da vontade do homem, mas da direo e vontade sobrenaturais de Deus em reunir em forma material toda a sua Palavra dada atravs dos tempos humanidade. A importncia dos rolos do mar morto Geralmente uma objeo que freqentemente levantada por cticos, tanto leigos como eruditos a seguinte: como podemos ter certeza de que o Antigo Testamento de nossas Bblias modernas contm o mesmo texto do documento original? Quem garante que no houve acrscimos, interpolaes ou cortes intencionais durante todos estes sculos? Esses questionamentos eram possveis, mas no verificveis at a primeira metade do sculo XX. Contudo, no vero de 1947 um acaso levou descoberta dos mais antigos manuscritos at hoje existentes. Estes documentos receberam o nome de Manuscritos do Mar Morto, pois foram encontrados numa caverna na costa norte do Mar Morto. Segundo o arquelogo G. Lankester Harding, que trabalhou nas pesquisas das cavernas e descobriu 38 rolos de 19 livros do Antigo Testamento, este o acontecimento arqueolgico mais sensacional do nosso tempo.... At ento, diz Josh Macdowell, O mais antigo manuscrito com o texto hebraico completo que possumos fora preparado em 900 A.D. ou depois. Mas, com as pesquisas, os peritos descobriram um rolo do livro do profeta Isaas de 125 a.C. O impressionante de tudo isso, diz Mcdowell, ...est em que o rolo de Isaas (125 a.C) corresponde exatamente ao texto massortico [Codex Petropolitanus] de Isaas (916 A.D.), preparado 1.000 anos depois. E conclui, Isso demonstra a fidelidade e exatido incomuns dos copistas pelo perodo de mil anos incrvel que uma cpia de apenas um sculo depois da composio do original, reflita fielmente o mesmo contedo em 95% do livro durante 2.000 anos! Por isso, o renomado arquelogo Sir Frederic Kenyon no hesitou em dizer que o cristo pode apanhar a Bblia toda na mo e dizer, sem receio ou hesitao, que est segurando a verdadeira Palavra de Deus. Isso no significa que tais textos esto isentos de discrepncias. H sim, mas so to diminutas que no tm significncia alguma sobre o contedo. Algumas delas so questes de ortografia e estilo que no alteram em nada a doutrina do livro. Estes manuscritos refletem a seriedade profissional dos escribas ao exercer seu trabalho de transcrio. O trabalho dos copistas Eis algumas diretrizes que os copistas seguiam ao lidar com os manuscritos: Por exemplo, os Talmudistas (100-500 d.C), eram minuciosos na confeco das peles de animais que iriam servir de rolo dos livros sagrados. Os animais tinham de ser animais limpos, as medidas da coluna eram exatas e at a cor da tinta era escrupulosamente separada. At mesmo exigiam-se roupas especiais para quando fossem fazer o trabalho. O cuidado era tal que os rolos que no eram feitos nessas condies eram queimados ou enterrados. Os Massoretas (500-900 d.C.), no menos disciplinados, tratavam o texto com a mais dedicada reverncia que se possa imaginar. Por exemplo, eles contavam o nmero de vezes que cada letra do alfabeto aparecia em cada livro. Faziam isso por medo de perder mesmo que fosse uma s letra do texto original copiado e assim ter omitido ou acrescentado algo Palavra de Deus caindo assim na condenao divina (Dt 4.2; 12.32). O historiador judeu Flvio Josefo, em sua obra Histria dos Hebreus, fazendo uma apologia aos escritos veterotestamentrios, ressalta essa reverncia com que os Escritos Sagrados eram tidos pelo seu povo e em seguida levanta o seguinte desafio aos gregos: Qual grego suportaria tanto pela mesma causa? Mesmo para salvar da destruio toda coleo de escritos de

sua nao... Portanto, podemos repousar na confiana de que nossas tradues modernas refletem o mesmo texto dos originais. Isso s foi possvel devido a um rduo e persistente trabalho de arqueologia. Captulo 4 A arqueologia e a Bblia Definindo o termo Arqueologia, do grego archaiologa, o estudo cientfico do passado da humanidade, mediante os testemunhos materiais que dele subsistem. O conjunto das tcnicas de pesquisa e da interpretao do que resulta da arqueologia. Sem dvida, a arqueologia uma das ferramentas indispensveis para reconstruirmos a histria dos povos antigos. Ela se presta muito bem a este propsito, trazendo tona o real contexto social, econmico e religioso de civilizaes alienadas pelo tempo. Somente atravs das escavaes que se consegue devolv-las ao nosso mundo e assim compreendermos um pouco do presente por observar o passado de nossos ancestrais. Embora modernamente compreenda um campo mais vasto, todavia, essa disciplina esteve ligada Bblia desde o comeo. As primeiras expedies de alto custo foram feitas por pessoas cujo principal interesse era a Bblia. Tanto que no demorou muito para tomar o cunho de arqueologia bblica. A nossa abordagem tentar mostrar a importncia da arqueologia em prol da apologtica veterotestamentria como tambm delinear seus limites.

A importncia da arqueologia bblica A arqueologia bblica serve para confirmar eventos histricos descritos nas pginas sagradas, lanar novas luzes no significado de textos por vezes obscuros daquela poca, e esclarecer o contexto em que viviam aqueles povos, tornando-se um complemento ao testemunho da Bblia. Ela uma tima ferramenta na apologtica. A seguir, citaremos alguns depoimentos de renomadas autoridades no assunto quanto relao entre a arqueologia e a Bblia. O professor W. F. Albright, uma autoridade no assunto, faz a seguinte observao sobre a arqueologia bblica: Os dados do Pentateuco so, em geral, muito mais antigos do que a poca em que foram finalmente copilados; novas descobertas continuam a confirmar a preciso histrica ou a antiguidade do texto em um detalhe aps outro [...] Dessa maneira, uma atitude exageradamente crtica negar o carter substancialmente mosaico da tradio do Pentateuco. Sir Frederic Kenyon diz: Portanto, legtimo afirmar que, em relao quela parte do Antigo Testamento contra a qual diretamente se voltou crtica destruidora da segunda metade do sculo XIX, as provas arqueolgicas tm restabelecido a autoridade do Antigo Testamento e, mais, tm aumentado o seu valor ao torn-lo mais inteligvel atravs de um conhecimento mais completo de seu contexto e ambiente. A arqueologia ainda no se pronunciou definitivamente a respeito, mas os resultados j alcanados confirmam aquilo que a f sugere, que a Bblia s tem a ganhar com o aprofundar do conhecimento. Nelson Glueck, o renomado arquelogo judeu, escreveu: Pode-se afirmar categoricamente que at hoje nenhuma descoberta arqueolgica contradisse qualquer informao dada pela Bblia.

E prossegue comentando a incrvel fidelidade da memria histrica da Bblia, especialmente quando corroborada pelas descobertas arqueolgicas.1 Merril Unger faz um resumo: A arqueologia do Antigo Testamento tem redescoberto naes inteiras, tem ressurgido povos importantes e, de um modo bem surpreendente, tem preenchido vazios histricos, aumentando imensuravelmente o conhecimento do contexto histrico, social e cultural da Bblia.2 Millar Burrows, da Universidade de Yale (nos Estados Unidos), comenta: Em muitos casos a arqueologia tem refutado as opinies de crticos modernos. Ela tem demonstrado em vrios casos que essas opinies repousam sobre pressuposies falsas e esquemas irreais e artificiais de desenvolvimento da histria. Essa uma contribuio real, que no deve ser minimizada.3 Contudo o Dr. Paulo Bork, que fez cursos em vrias universidades, como a Pacific School of Religion, da Califrnia, a Universidade Hebraica de Jerusalm e a Universidade de Londres (Inglaterra), e que participou de diversas pesquisas e expedies arqueolgicas ao redor do mundo, faz uma advertncia ao afirmar que "sempre existiro aqueles que no crem na Bblia e a criticam. Muitos deles no vo mudar sua forma de pensar, independentemente das evidncias arqueolgicas. Por outro lado, temos descoberto tantas evidncias que iluminam a parte histrica da Bblia e isso tem tornado muitos cticos em crentes". Os cticos mencionados por Bork podem muito bem se enquadrar numa nova gerao de arquelogos que esto comprometidos com as teorias da alta crtica destrutiva. E, por incrvel que parea, dentro dessa escola de pensamento esto tanto arquelogos judeus como cristos. Os limites da arqueologia Entretanto, quem pensa que a arqueologia pode refutar ou confirmar a Bblia, est completamente enganado. Definitivamente no este seu intento: provar que a Bblia a Palavra de Deus. Tudo que ela pode fazer confirmar a historicidade bsica e a autenticidade das narrativas. Ela contribui positivamente em relao Bblia no na rea da inspirao e revelao, mas na questo da autenticidade histrica dos eventos narrados, ou seja, a arqueologia mostra que os fatos descritos na Bblia no so contos mticos, mas fatos historicamente comprovados e verificveis. Diz o arquelogo cristo Dr. J. Randall Price: Muitas pessoas tm a idia de que a arqueologia pode comprovar a Bblia. At certo ponto isso verdade. A arqueologia pode ajudar a verificar certos eventos histricos que aconteceram no passado, mas ela s pode ir at onde aquela descoberta talvez possa demonstrar a verdade de algum evento histrico, mas certamente no pode verificar o miraculoso. Isto verdade porque os acontecimentos miraculosos no so verificveis em testes de laboratrios ou de escavaes. Os milagres fogem verificao pelo mtodo estritamente cientfico. Nesse aspecto, a arqueologia possui seus limites. No geral, entretanto, a arqueologia tem1

PRICE, Randall. Pedras que Clamam. CPAD, 2001, p.83. Ibid.p.83 Ibid.p.84

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servido propositadamente elevao da Bblia como um documento histrico de alta confiabilidade. No obstante, devemos ressaltar que no possvel confirmar cada incidente descrito na Bblia devido a vrios fatores. O dr. Randall Price citando o professor Yamauchi nos d alguns deles: Somente uma frao do que fabricado ou escrito sobrevive; Somente uma frao dos stios arqueolgicos disponveis foi pesquisada; Somente uma frao dos stios pesquisados foi escavada; Somente uma frao de um sitio examinada; Somente uma frao do material encontrado chega ao conhecimento do pblico.

Outrossim, devemos levar em considerao o fato de que muitos arquelogos divergem entre si quanto s suas interpretaes, por isso no de admirar que alguns deles no concordem com a Bblia. O dr. Price alerta que As areias movedias da erudio concernentes Bblia em relao arqueologia dizem respeito interpretao dos dados arqueolgicos e no aos dados em si. Por isso uma gerao alega que os dados arqueolgicos pesam conclusivamente a favor da Bblia, enquanto que a prxima [afirma] que os mesmos dados so...contraditrios. Quanto a isso, Geisler comenta que as evidncias arqueolgicas dependem do contexto de data, lugar, materiais e estilo. Como isso interpretado depende das pressuposies do intrprete. Por fim, no podemos incorrer na idia afoita de que todas as teorias dos crticos tm sido derrubadas pelas descobertas arqueolgicas. Mas por outro lado, no podemos ignorar que as descobertas tm jogado mais luz em muitas passagens que foram outrora descartadas como nohistricas ou contraditrias pelos crticos. Elas tm sobejamente mostrado que muitos princpios da crtica radical tm sido invalidados pelas escavaes no Mdio Oriente. Ficamos com a oportuna opinio de Henry Morris em sua obra The Bible and Modern Science (A Bblia e a Cincia Moderna) quando coloca as coisas na sua real perspectiva ao afirmar: claro que ainda existem problemas para uma completa harmonizao do material arqueolgico com a Bblia, mas nenhum to srio a ponto de no ter a perspectiva concreta de uma soluo iminente mediante investigaes mais aprofundadas. No prximo captulo, destacaremos de forma panormica as principais objees levantadas pelos crticos em relao aos escritos veterotestamentrios. Captulo 5 Pessoas, cidades e povos do Antigo Testamento Vimos no incio desta disciplina que muitas so as objees que se levantam contra a veracidade da Bblia. As quais esto fincadas no naturalismo e no ceticismo dos pressupostos da crtica negativa. O pecador precisa eliminar a credibilidade na Bblia, pois assim ele se sente vontade para prosseguir em sua vida desregrada. Como tais pessoas no conseguem lograr xito destruindo-a por fora, tentam destru-la por dentro. Um dos modos que os inimigos da Bblia usam criar heresias para deturpar-lhe a mensagem dando a ela uma nova interpretao fora do propsito para o qual foi destinada, como fazem os espritas, os adeptos do movimento Nova Era, os Mrmons, Testemunhas de Jeov etc... Quando no, o lado mais intelectual, filosfico e cientfico explorado colocando em dvida sua confiabilidade. Mas cabe aqui novamente a pergunta: merece crdito o Antigo Testamento? Ser que a Bblia pode resistir aos ataques que constantemente os crticos lanam contra ela? Nos prximos tpicos, adentraremos apologtica propriamente dita. Lanaremos mo de

vrias descobertas cientficas, principalmente arqueolgicas, como meio de refutao s crticas levantadas contra a historicidade do Antigo Testamento. Eles estavam errados Por muito tempo, vrios episdios descritos na Bblia foram considerados no histricos. Contudo, descobertas aps descobertas foram confirmando fatos bblicos que outrora eram considerados apenas lenda. Daremos um pequeno resumo a seguir: Pessoas Muitas personagens bblicas foram tidas como no histricas, mas, recentemente, as descobertas tm mostrado que eram pessoas reais como bem descreve a Bblia. Eis algumas:

Sargo: o arquelogo francs Paul-mile Botta em 1843 fez escavaes em Corsabad eencontrou vestgios do lendrio Sargo.

Belsazar: Tempos atrs, o nome de Belsazar foi tido como lenda. Contudo, no sculo XIX

descobriram-se alguns cilindros com inscries cuneiformes. Os escritos mencionavam uma certa orao ao filho de Nabonido cujo nome era Belsazar. Tambm havia a discrepncia de que a Bblia mencionava-o como rei, enquanto as inscries o chamavam de filho de Nabonido, sendo ele na verdade um prncipe. Mas novas inscries encontradas em escavaes relatam a estreita unio entre Belsazar e Nabonido na regncia do reino. Tambm o nome rei podia ser dado mesmo a um regente abaixo do rei oficial. Escavaes arqueolgicas feitas na Sria descobriram uma esttua de um governante com duas inscries em lnguas diferentes, uma delas mencionava-o como governador; a outra, como rei.

Joaquim: Importantes inscries babilnicas mencionam uma lista de raes dadas a umcerto Yaukin (Joaquim), rei de Jud.

Davi: A existncia do rei Davi era considerada como lenda at 1993 quando foi descobertauma pedra de basalto contendo a inscrio Casa de Davi. Provando assim que se h uma casa (dinastia) de Davi, houve de fato um personagem real histrico que lhe deu origem.

Balao: Em Deir Al, localizado no vale do Jordo, foi descoberta uma inscrio aramaicade meados do sculo VIII, mencionando o vidente Balao. Cidades Muitas cidades que outrora eram conhecidas apenas nos relatos bblicos foram desenterradas por escavaes arqueolgicas. Eis algumas delas:

Cidades antediluvianas: Eridu, Obeide, Ereque, Susa, Tepe Gawra, Sipar e Larsa; todas

estas foram desenterradas com utenslios da poca ainda intactos, com isso muito dos costumes daqueles povos primitivos foram expostos ao conhecimento moderno. Ur dos caldeus (Gn 11.31): O arquelogo Sir Charles Leonard Woolley descobriu Ur dos caldeus no comeo do sculo XX.

Cidades bblicas como Faleg e Sarug, Nacor, Tare e Har foram mencionadas em textos cuneiformes encontrados em Mari, uma antiga cidade do sculo XIX a.C. Pelos arquivos do palcio de Mari, as cidades de Har e Nacor eram cidades florescentes em 1.900 a.C.

Siqum (Gn 33.18): Escavaes foram empenhadas em Siqum, primeiramente pelasexpedies austraco-alems em 1913 e 1914; posteriormente no perodo de 1926 a 1934, sob a responsabilidade de vrios arquelogos; e, por fim, por uma expedio americana no perodo de 1956 a 1972 [...] A escavao na rea sagrada revelou uma fortaleza na qual havia um santurio e um templo dedicado a El-berith, o deus da conveno. Este templo foi destrudo por Abimeleque, filho do juiz Gideo (V.Jz 9) e nos proporcionou uma data confivel acerca do perodo teocrtico. Recentemente, nas proximidades do monte Ebal (V. Dt 27.13), foi encontrada uma estrutura que sugere identificar um altar israelita. Datado do sculo XII ou XIII a.C., o altar pode ser considerado como contemporneo de Josu, indicando a possibilidade de o altar ter sido construdo pelo prprio lder hebreu, conforme descrito em Deuteronmio 27 e 28.4

Arade (Nm 21.1): Escavaes realizadas por Y. Aharoni e R. B. K. Amiran no perodo de

1962 a 1974 comprovaram a existncia de Arade 30 km ao nordeste de Berseba5. O local consiste de um pequeno monte superior ou acrpole, onde as escavaes revelaram ser a cidade da Idade do Ferro.6 Sus (Et 1.2): Escavaes conduzidas por Marcel Dieulafoy no perodo de 1884 a 1886 comprovaram a existncia da cidade de Sus.7

Nnive (Gn 10.11): Em 1845, um explorador ingls A H Layard descobriu Nemrod, que naBblia se chama Cale.

Betel (Gn 12.8): W. F. Albright fez uma escavao de ensaio em Betel em 1927 eposteriormente empenhou uma escavao oficial em 1934. Seu assistente, J. L. Kelso, continuou as escavaes em 1954, 1957 e 1960.8

Povos4

Cades-Barnia (Dt 1.19): Esta antiga cidade bblica tem sido identificada com Ain Kadees, um osis.

HORN, Siegfried H, Biblical archaeology: a generation of discovery. Berrien Springs, Michigan: Andrews University, 1985, p.40. The New Bible Dictionary. Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc.,1962. ACHTEMEIER, Paul J. Harper's Bible Dictionary. San Francisco: Harper and Row, Publishers, Inc., 1985. 7 DOUGLAS, J. D., COMFORT, Philip W. & MITCHELL, Donald. Who's who in christian history. Wheaton, Illinois: Tyndale House Publishers, Inc., 1992.5 6

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ACHTEMEIER, Paul J. Harper's Bible Dictionary. San Francisco: Harper and Row, Publishers, Inc., 1985.

Hititas: Duvidava-se da existncia deste povo at uma escavao feita em 1905 que descobriu uma enorme quantidade de inscries cuneiformes. A traduo mencionava um povo cuja Bblia chamava de filhos de het. Os escombros das cidades hititas foram expostos ao mundo novamente. Outras descobertas Muitos lugares e acontecimentos descritos na Bblia que outrora foram postos sob suspeita, podem agora, graas s recentes pesquisas na terra santa, serem verificados. Alguns exemplos:

At hoje existe a fonte chamada na Bblia de Mara (Amarga). sabido que naquela regio

os nmades atestam a existncia de fontes de guas salobras como registram as fontes bblicas. At hoje os bedunos conseguem tirar gua da rocha como fez Moiss devido a um fenmeno natural daquela regio. O Dr. Halley cita um interessante comentrio de Cobern em Recent Explorations in Palestine (Exploraes Recentes na Palestina) sobre o episdio de Nmeros 20.8-12. Diz ele que no lugar da antiga Cades, existe at hoje ao lado de duas fontes que jorram gua viva uma fonte extinta: Cobern pensa que Moiss feriu a rocha acima da fonte extinta [...] e estas duas fontes brotaram....

O mistrio da sara ardente que tanto intrigou crentes e cticos, agora encontra sua

explicao numa combusto de gases de certas plantas tpicas da regio que parecem produzir o mesmo fenmeno bblico.

O man mencionado de ponta a ponta na Bblia, ainda hoje pode ser colhido na regio do

Sinai. Consiste, segundo a opinio de vrios pesquisadores, em uma secreo da tamargueira do tamanho do coentro e de cor branca com gosto de mel, como de fato descreve a Bblia.

O episdio das codornizes tambm pode ser considerado algo natural e no raro. Devido aocansao por causa das longas jornadas em suas migraes, elas literalmente se deixam cair nas plancies da costa para recobrar foras. Permitindo assim serem apanhadas to facilmente, como fizeram os israelitas a milhares de anos atrs. A existncia de uvas enormes mencionadas em Nmeros 13.23,24 no de todo inverossmil como muitos pensam. At hoje aquela regio rica em vinhas.

A faanha de Jonas na boca de um grande peixe, considerada por muitos como prova real

de lendas na Bblia, j foi constatada no sculo XX, quando um marinheiro foi engolido por uma baleia e encontrado depois de muitos dias vivo, porm ferido. Tambm temos testemunhos escritos antiqssimos do templo de Marduque que atestam a narrativa bblica sobre a longevidade de muitos reis da poca do dilvio. Alm disso, povos como babilnicos, persas, hindus, egpcios, gregos e outros tiveram tradies semelhantes a essa. Resposta s objees dos crticos ao Antigo Testamento

Captulo 6 Objeo 1 Autoria do Pentateuco

Os crticos alegam que Moiss no foi o autor do Pentateuco. Contudo, essa alegao no to nova como muitos pensam, de fato ela antiga, antecedendo mesmo origem da prpria alta crtica moderna, aparecendo em algumas seitas do sculo II d.C. Mas ganhou notoriedade com as teorias das fontes JEDS. Seus defensores acreditam que vrios autores independentes escreveram os cinco primeiros livros da Bblia. As principais razes apresentadas so: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Os diferentes nomes divinos; Repeties de narrativas; Estilo diferente; A narrativa da morte de Moiss; O texto narrado em terceira pessoa; A questo da escrita. Vejamos as respostas para cada um destes apontamentos Resposta apologtica 1. Os diferentes nomes divinos A resposta a este argumento no to difcil assim. A explicao mais convincente que os nomes divinos refletiam mais o carter de Deus do que o gosto particular dos supostos redatores (das fontes) por tais nomes. Por exemplo, quando aparece o nome Elohim em dado versculo, geralmente refere-se idia abstrata de Deus. o nome para representar o Deus que a humanidade conhece. J Yahweh reflete o Deus do pacto, referindo-se ao relacionamento de Deus particularmente com o homem num conceito israelita. Tambm a questo da juno dos nomes divinos, Yahweh-Elohim, no significa que duas fontes diferentes se uniram para formar este nome. Essa tese labora em erro pelo fato de as divindades pags do antigo oriente usarem tambm nomes duplos, por exemplo, Amon-R. Mas nenhum estudioso tentaria inventar duas fontes diferentes para explicar esse fenmeno lingstico baseado nesta suposta fuso de dois nomes egpcios. 2. Repetio de narrativa Os crticos sugerem que narrativas duplas no livro do Gnesis so por vezes contraditrias, isto seria prova convincente de que houve mais de um autor para o livro. Mas narrativas duplas no quer dizer verses diferentes e muito menos que elas refletem reais contradies. Por exemplo, a dupla narrativa da criao em Gnesis 1 e 2, mostra que a primeira uma meno geral da criao; enquanto que a segunda concentra-se em detalhar a criao especial do primeiro casal. No h contradies nas narrativas duplas. Muitos textos no oriente prximo mostram este mesmo tipo de repetio, mas os crticos no se atrevem a dar-lhes diferentes autores para cada um deles. Alguns estudiosos acreditam que narrativas repetidas podem ser apenas um peculiar estilo literrio oriental para reafirmar verdades importantes. 3. Estilo diferente Quanto a mudanas de estilos, muitas vezes elas refletem apenas mudanas de assunto e no precisam ser necessariamente indcio de diversas fontes. Dependendo do contexto, um mesmo autor pode escrever em diferentes estilos. No era raro acontecer o mesmo em literatura antiga e at mesmo na moderna, A Divina Comdia, de Dante, um timo exemplo disso. 4. A narrativa da morte de Moiss Outro ponto a esclarecer sobre a morte de Moiss. Concordamos que realmente houve enxertos literrios por terceiros na narrativa do ltimo captulo de Deuteronmio. No h de supor que Moiss narrou sua prpria morte, isso no preciso e nem necessrio para defendermos a

autoria mosaica do livro. Por outro lado, isto no significa que todo o documento tenha sido escrito por outros. Gleason Archer nos d um exemplo moderno disso citando a obra de um grande escritor, na qual foi introduzido um obiturio de um outro escritor. Contudo, ningum ousou fazer objees quanto autoria nica da obra. 5. Texto narrado em terceira pessoa A questo de um texto ser narrado em terceira pessoa tambm encontra paralelo, na literatura antiga e at moderna. No raro escritores como Flvio Josefo (Guerras dos judeus), Julio Csar (Guerra Glica) e outros escreveram na terceira pessoa. Tambm no podemos descartar a idia de Moiss ter ditado o texto a um escrevente. 6. A questo da escrita Finalmente, os crticos acreditavam que na poca de Moiss ningum sabia escrever. Mas esta teoria caiu por terra quando foram desenterradas algumas tabuinhas de pedra com misteriosas escritas que lembravam os hierglifos egpcios. Decifradas estas escritas levaram concluso de que eram de procedncia de trabalhadores cananeus das minas do Fara. Eles j possuam uma escrita por volta de 1500 a.C. Com isso, conclui o escritor Keller: Desde ento sabemos que j a trezentos anos antes de Moiss haver conduzido por ali o povo tirado do Egito, havia homens de Cana que sabiam escrever, em sua linguagem intimamente aparentada com a de Israel. 9 Alm disso, novas descobertas colocaram em relevo o fato de que, mesmo antes de Abrao, j existia a escrita. Em 1923, o arquelogo Wooley encontrou inscries em um templo em Obeide, a 6 km de Ur. A inscrio dizia: Anipada, rei de Ur, filho de Messanipada, construiu este templo para sua senhora Nin-Kharsag. Este foi considerado o documento mais antigo do mundo. Assim, fica provado que a escrita era comum na palestina e que Moiss poderia perfeitamente ter escrito o Pentateuco, pois segundo o relato bblico, ele foi educado em toda a cincia dos egpcios e, segundo dizem os estudiosos, isto inclua a arte da escrita. Objeo 2 - Compilao ou Revelao? Como pode Moiss saber de toda a histria de Gnesis se tais fatos aconteceram milnios antes dele nascer? Resposta apologtica Esse um questionamento razovel de se fazer devido s implicaes dele advindas. Nem mesmo os crentes esto isentos. Todavia, a resposta a ele no to embaraosa como parece. Moiss poderia ter tido uma revelao especial de Deus: tudo leva a crer que os relatos da criao do cu e da terra foram revelaes especiais de Deus, pois no havia uma testemunha humana presente nesta poca. Entretanto, os acontecimentos em ps-criao, no precisam necessariamente ter sido frutos de uma revelao especial. Muitos acreditam que na poca de No j existia a escrita como parecem sugerir alguns documentos cuneiformes, referindo-se a livros antediluvianos. Tambm alguns acreditam, baseando-se em tradies judaicas, que na poca de Enoque havia escrita, j que uma antiga tradio menciona livros escritos por ele. Seja como for, no errado supormos que Moiss, inspirado por Deus, compilou vrios relatos bblicos de seus ancestrais, passados oralmente ou escritos atravs dos sculos e os reuniu em uma s obra. Objeo 3 A data do Pentateuco Os crticos afirmam que o Pentateuco teria sido manipulado no sculo VII a.C. pelos escribas da corte do rei Josias e no escrito no sculo XV a.C. Segundo essa teoria, Josias teria mandado compilar vrias lendas de personagens isolados como Abrao, Moiss e Josu costurando9

KELLER, Werner. E a Bblia tinha razo.... Editora Melhoramentos, 1962, p. 120.

tudo em um s texto formando o Pentateuco, ou melhor, um hexateuco da Bblia e inserido neles a histria do xodo com o fito de encorajar os israelitas a lutar contra os egpcios. Resposta Apologtica Esse argumento mirabolante e carece de respaldo histrico. Vejamos porque: O arquelogo Dr. Price conta que, Grabriel Barkay descobriu em 1979, numa tumba do vale de Hinom, em Jerusalm, pequenos rolos de prata contendo um texto do Pentateuco a beno de Aro (Nm 6.24-26), datado de antes do exlio de Jud. O achado criou um problema para os eruditos que defendiam a autoria do Pentateuco como sendo de sacerdotes de poca posterior ao exlio. Como resultado, suas teorias devero ser abandonadas.10 Ainda nos informa o historiador Jaguaribe: O mais antigo documento escrito da Torah, o chamado Documento J, data do sculo X a.C. A Torah, ou Pentateuco, contm cinco livros: Gnesis, xodo, Levtico, Nmeros e Deuteronmio....11 Se h documentos do Pentateuco com datas anteriores ao sculo VII a.C., a pergunta bvia: Como ento os sacerdotes judaicos teriam criado e manipulado algo que j existia? importante tambm levarmos em conta o respeito que os sacerdotes e escribas tinham pela Tor e sua mensagem. Desrespeitar as ordenanas de Deus seria trazer sobre si maldio de morte: Porm o profeta que tiver a presuno de falar alguma palavra em meu nome, que eu no lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrer. (Dt 18.20). Ser que os zelosos sacerdotes e escribas, conhecendo a maldio aos que inventassem palavras que Deus no havia dito, teriam ainda assim coragem de acrescer algo mensagem divina? Presumir dessa maneira , sem dvida, desconhecer a cultura dos tempos bblicos e desprezar a dedicao de um povo que preserva sua religio e f at hoje! Aps ter sustentado esse ponto de vista negativo j mencionado, um crtico, especialista em interpretao arqueolgica admitiu: Ainda h debates intensos sobre muitos dos temas [...] Muitas de nossas idias so altamente controversas e certamente no compartilhada por todos. Objeo 4 A criao Alega-se por vezes que as narrativas de Gnesis no passam de um refinamento de lendas de povos pagos. Resposta Apologtica verdade que os primeiros relatos de Gnesis sobre a criao, um jardim paradisaco, a queda do homem, a rvore da vida, o dilvio, a arca de No e a disperso das raas tm encontrado paralelos em vrios documentos extrabblicos. A queda do primeiro casal relatada em documentos da Prsia, Babilnia, ndia, Grcia, China etc... Os detalhes incrementados com cores politestas do o toque diferencial entre estes e o documento mosaico. No entanto, de modo geral, a mensagem central transmitida sempre a mesma: o primeiro casal era livre, andavam nus, mas em dado momento ofenderam os deuses e caram no desfavor destes. Dois antigos sinetes babilnicos mostram a figura de um homem e uma mulher nus seguidos por uma serpente.10

PRICE, Randall. Pedras que clamam. CPAD, 2001, p.36. JAGUARIBE, H. Um estudo crtico da histria, Vol. 1. Editora Paz e Terra, 2001, p. 217.

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Apesar de documentos como Enuma Elish, e os picos de Atrahasis e Gilgamesh mostrarem um paralelo incrvel com Gnesis, no entanto, no podemos ver nisso nada mais que distores de eventos reais. No h de supor que os eventos descritos em Gnesis so apenas plgios refinados ao gosto mosaico destes documentos. Alis, alguns estudiosos, ao analisarem tais documentos, viram que existem mais diferenas que similaridades. No Oriente Mdio antigo, a regra que relatos ou tradies simples do lugar (por acrscimo ou adorno) a lendas elaboradas, mas no o inverso, diz Geisler. Merryl Unger explica que suas semelhanas se devem a uma mesma herana, onde cada raa de homens manteve, de gerao em gerao, os histricos orais e escritos da histria primeva da raa humana. Tambm a incrvel preciso cientfica do livro atesta contra todas essas alegaes. Como explicar que, no geral, Gnesis se enquadra fielmente na ordem que a moderna cincia d aos eventos da criao? Ademais, veja como as evidncias cientficas apiam a teoria da criao em detrimento da evoluo: Criao O universo teve um princpio Evoluo O universo eterno Evidncias O universo teve um princpio

Diz que depois da queda o Diz que o mundo tende para a A segunda lei da termodinmica mundo est tendendo para a evoluo e ordem diz que tudo tende a ir para o degradao caos e para a desordem A vida procedeu de um ser vivo A vida surgiu por uma gerao A vida s procede de vida (Deus) espontnea (acaso) anterior (teoria de Pasteour) O Universo finito O Universo eterno (tese O universo (segundo teorias sustentada por muitos recentes) ter um fim evolucionistas) Ensina que a linguagem e a arte surgem gradualmente na civilizao Origem gradual e fsseis de vrios elos de uma espcie outra A arqueologia e a antropologia revelam o surgimento repentino das mesmas A arqueologia e a antropologia revelam o surgimento repentino das mesmas

Ensina que a linguagem e a arte surgem repentinas na civilizao Saltos nos fsseis, espcies completas sem elos

Diante disso, quase impossvel aceitar que narrativas pags mostrando o surgimento do universo atravs de corpos de deuses iracundos, vingativos e imorais numa saga selvagem, possam ser as fontes das quais Moiss tirou o Gnesis. Outro ponto a salientar que tais narrativas politestas chocam-se grandemente com o monotesmo extremo dos antigos hebreus. Fatos cientficos dos quais a Bblia j fazia meno h sculos A esferecidade da Terra O nmero incalculvel e incontvel de estrelas As ondas hertzianas, o veculo difusor das radiotransmisses A temperatura elevada da terra em seu interior As montanhas existentes nos fundos dos mares O suporte gravitacional da terra Referncia bblica (Is 40.21.22) (Gn 15.5; Jr 33.22) (J 38.35) (J 28.5) (Jn 2.6; Sl 104.6-8) (J 26.7; Is 40.22)

A expanso vazia nos cus O movimento sistemtico do sol O universo envelhecendo O frio vem do norte O ar tem peso A luz possui caminho e no morada permanente Os elementos fsicos do cosmo so mais antigos do que os biolgicos O vento vem do sul O ciclo dos rios e da chuva Isolamento de doentes Lei de saneamento contra doenas Nossa atitude mental afeta nosso corpo As cobras no so surdas Coelhos so ruminantes

(J 26.7) (Sl 19.6) (Sl 102.25-27) (J 37.9) (J 28.25) (J 38.19) (Gn 1.1,24) (Ec 1.6) (Ec 1.7) (Lv 13.46-52) (Dt 23.12,13) (Pv 14.30) (Sl 58.4-6) (Lv 11.5; Dt 14.7)

Objeo 5 O dilvio Os crticos dizem que o dilvio apenas um plgio de antigas lendas pr-histricas. Quando no, apenas a recordao de um cataclisma que ocorreu h milhares de anos antes de No. Resposta Apologtica Antigamente, era objetado que o dilvio bblico era algo fictcio. Todavia, com a descoberta do pico de Atrahasis e Gilgamesh que relatavam antigas histrias de um dilvio, o pndulo dos cticos oscilaram para outro lado: o de insinuar que o dilvio bblico, a exemplo da criao, fora um plgio destas narrativas. Seja como for, fora estes dois relatos, encontramos ainda vestgios de um dilvio nas literaturas de vrios povos do mundo, tais como os gregos, hindus, chineses, mexicanos, algonquinos, havaianos, sumerianos, guatemaltecos, australianos e muitos outros povos ao redor do mundo. Escavaes levadas a cabo pelo arquelogo Woolley, encontraram a colina de Ur e descobriram camadas de limo acima do nvel do rio. O mar havia depositado restos de pequenos animais marinhos naquele lugar: Ao p da velha torre escalonada dos sumrios, em Ur, no baixo Eufrates, podia-se descer por uma escada ao fundo dum estreito poo e ver e apalpar os restos de uma imensa inundao uma camada de limo de quase trs metros de espessura. E pela idade das camadas que indicavam estabelecimentos humanos e nas quais se podia ler o tempo como calendrio, podia-se tambm determinar quando tivera lugar essa inundao. Ocorreu pelo ano 4.000 a.C.!.12 Outras escavaes foram feitas em Quis, cidade prxima Babilnia, assim como em Far e Nnive, e em todas elas constavam vestgios de uma inundao repentina. Tirando os detalhes fictcios, o pico Gilgamesh narra de forma incrvel como se deu este dilvio. At mesmo a situao geogrfica da tempestade e seus fenmenos meteorolgicos. Segundo a narrao, tudo indica que ocorreu um gigantesco ciclone que culminou no dilvio. Fenmenos naturais em escala menor ainda so vistos em muitas ilhas como na Baa de Bengala que, em 1876, adentrou 141 milhas na terra com ondas de at 15 metros de altura matando centenas de pessoas. Outro fato interessante que o principal veculo de escape de No (a arca) associado intimamente com o dilvio por tais documentos extrabblicos. Os documentos babilnicos falam12

KELLER, Werner. E a Bblia tinha razo.... Editora Melhoramentos, 1962, p.45.

dele como um barco em que um homem escapou da terrvel catstrofe. Este barco teria aterrado em um monte. Alm disso, h surpreendentes relatos sobre a arca ter sido vista nas geleiras do Monte Ararat por vrias pessoas de diferentes pases durante os dois ltimos sculos. O primeiro a relatar ter visto a arca presa nas geleiras do Ararat foi um pastor de ovelhas de Bayzit na Armnia. Depois, uma expedio em 1833 confirmaria o relato deste pastor. Em 1892 o arcediago de Jerusalm, Dr. Nouri, teria visto a arca e neste ano empreendeu uma expedio ao Monte Ararat para pesquis-la. Durante a primeira e segunda guerra mundial, vrias pessoas tambm afirmaram terem visto a arca. Com isso, o Czar Nicolau II mandou uma expedio ao Monte onde tiraram fotos da arca. Mas com o golpe dos comunistas no poder, essas fotos desapareceram para sempre. No obstante, outras expedies depois destas foram levadas a cabo, mas sem sucesso, no encontraram nenhum vestgio da arca. Alm da incrvel descoberta do Dr. Woolley confirmar o dilvio, temos ainda a confirmao deste evento pela boca de ningum menos que Jesus, que o comparou com a sua segunda vinda: E, como foi nos dias de No, assim ser tambm a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, at ao dia em que No entrou na arca, e no o perceberam, at que veio o dilvio, e os levou a todos, assim ser tambm a vinda do Filho do homem. (Mt 24.37-39). Veja que Jesus admitiu o dilvio. bem provvel que todas elas reflitam a mesma catstrofe universal. Mas esse to formidvel acontecimento deve ter ocorrido num tempo em que j havia seres pensantes que o presenciaram e lhe sobreviveram, podendo transmitir as notcias s geraes futuras.13 Sendo assim, aqueles que identificam o dilvio com a ltima grande modificao acontecida ao fim da Era Glacial, em 7.500 a 10.000 a.C colocam o incio da humanidade em tempos bem mais recuados. Segundo esta teoria, o derretimento do gelo represado no Mar Negro causou um sbito e violento vazamento de gua, submergindo as terras frteis da Europa Central. Teoria proposta pelos oceangrafos William Ryan e Walter Pitman, da Universidade Columbia. Objeo 6 A torre de Babel A torre de Babel e a confuso das lnguas so at hoje consideradas lendas pelos crticos. Resposta apologtica Sir Henry Rawlinson encontrou perto da Babilnia uma inscrio num cilindro contendo a narrativa sobre a torre de Babel. Outro estudioso, G. Smith, encontrou uma placa antiga que mencionava no s a construo da torre, como sua destruio e a disperso das tribos. A tradicional torre identificada pelas runas bem ao norte do templo de Marduque, na Babilnia. Quanto s lnguas, interessante saber que muitos fillogos concordam que as lnguas e idiomas vieram de uma s famlia. Tambm muitas descobertas e teorias levam a crer que a raa humana deriva de uma raa ou famlia proveniente de perto do atual Iraque. Diante disso no podemos menosprezar a famosa torre de Babel como simples lenda. Apesar de encontrar paralelo em outras literaturas pags, isso s prova que houve um fundo de verdade comum entre elas, e que os povos pagos distorceram a histria real sobre a torre. Objeo 7 Os patriarcas Os patriarcas: Abrao Isaque e Jac foram considerados por muitos como lendas idealizadas pelos judeus do ps-exlio. Quando o arquelogo Leonard Wooley sugeriu que o nome Abrao, encontrado nas runas de Ur, pudesse ser uma referncia ao patriarca bblico, foi duramente criticado no meio acadmico. Resposta Apologtica13

Ibid. p.39

Contudo, tanto os nomes como os costumes e episdios associados a eles so atestados pelas descobertas arqueolgicas. Vejamos:

Nomes - O nome Abrao fora encontrado em textos assrios e babilnicos da poca dos

patriarcas. Prefixos i/y de nomes como Yitzchak (Isaque) e Yaakov (Jac) aparecem em documentos daquela poca. descobertas arqueolgicas.

Costumes A compra da caverna de Macpel dos heteus est de conformidade com asA compra do direito de primogenitura de Esa encontra um paralelo secular de outro episdio narrando o mesmo costume por diferentes pessoas nos antigos tabletes de Nuzi. O episdio de Jac tomar uma esposa e se tornar parte da famlia tambm foi atestado por narrativas semelhantes nas placas de Nuzi. J o relato da correria de Labo atrs de suas imagens furtadas, encontra sua razo no fato de que, na poca, era costume que, quem ficasse com tais imagens domsticas, poderia reivindicar legalmente as propriedades de seu dono. Um outro trecho bblico que questionado por alguns a razo de Isaque no ter retirado a beno de Jac quando soube que este o enganara, porm, as descobertas arqueolgicas em Nuzi indicaram que as promessas orais eram tidas como legais e irreversveis naquela poca. Algo muito contestado entre os crticos e que se apresentava como prova da falta de historicidade da Bblia era a meno de camelos na era patriarcal. Naquela poca, diziam os crticos, os camelos ainda no haviam sido domesticados. Contudo, observou a arqueloga Kenneth Kitchen: Com fr