Apostila de Oratória (27 páginas)

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CURSO DE ORATRIA GRATUITOComo fazer este curso? Leia com ateno os textos de cada link. Propomos que voc faa este curso em 17 dias, lendo um tpico por dia. Faa sempre os exerccios propostos Treine o aprendizado falando em pblico.

O jeito simples de falar bem em pblico Veja como pode ser simples planejar e fazer apresentaes de sucesso. Acompanhe passo a passo um conjunto de regras que iro ajud-lo a falar em pblico com segurana e desembarao. 1) A naturalidade pode ser considerada a melhor regra da boa comunicao Se voc cometer alguns erros tcnicos durante uma apresentao em pblico, mas comportar-se de maneira natural e espontnea tenha certeza de que os ouvintes ainda podero acreditar nas suas palavras e aceitar bem a mensagem. Entretanto, se usar tcnicas de comunicao, mas apresentar-se de forma artificial, a platia poder duvidar das suas intenes. A tcnica ser til quando preservar suas caractersticas e respeitar seu estilo de comunicao. Apresentando-se com naturalidade, ir se sentir seguro confiante e suas apresentaes sero mais eficientes. 2) No confie na memria - leve um roteiro como apoio Algumas pessoas memorizam suas apresentaes palavra por palavra imaginando que assim se sentiro mais confiantes. A experincia demonstra que, de maneira geral, o resultado acaba sendo muito diferente. Se voc se esquecer de uma palavra importante na ligao de duas idias, talvez se sinta desestabilizado e inseguro para continuar. O pior que ao decorar uma apresentao voc poder no se preparar psicologicamente para falar de improviso e ao no encontrar a informao de que necessita, ficar sem saber como contornar o problema. Use um roteiro com as principais etapas da exposio, e frases que contenham idias completas. Assim, diante da platia, leia a frase e a seguir comente a informao, ampliando, criticando, comparando, discutindo, at que essa parte da mensagem se esgote. Depois, leia a prxima frase e faa outros comentrios apropriados nova informao, estabelea outras comparaes, introduza observaes diferentes at concluir essa etapa do raciocnio. Aja assim at encerrar a apresentao.

Uma grande vantagem desse recurso que voc se sentir seguro por ter um roteiro com toda a seqncia da apresentao, ao mesmo tempo que ter a liberdade para desenvolver o raciocnio diante do pblico. Se a sua apresentao for mais simples poder recorrer a um carto de notas, uma cartolina mais ou menos do tamanho da palma da mo, que dever conter as palavraschave, nmeros, datas, cifras, e todas as informaes que possam mostrar a seqncia das idias. Com esse recurso voc bate os olhos nas palavras que esto no carto e vai se certificando que a seqncia planejada est sendo seguida. 3) Use uma linguagem correta Uma escorregadela na gramtica aqui, outra ali, talvez no chegue a prejudicar sua apresentao. Afinal, quem nunca comete erros gramaticais que atire a primeira pedra. Entretanto, alguns erros grosseiros podero prejudicar a sua imagem e a da instituio que estiver representando. Tenho relacionado alguns erros comuns cometidos at por aqueles que ocupam posies hierrquicas importantes e sinto que as platias que os ouvem duvidam da formao e da competncia de quem os comete. Os mais graves so: "fazem tantos anos", "menas", "a nvel de", "somos em seis", "meia tola", entre outros. Mesmo que voc tenha uma boa formao intelectual, sempre valer a pena fazer uma reviso gramatical, principalmente quanto conjugao verbal e s concordncias. 4) Saiba quem so os ouvintes Se voc fizer a mesma apresentao diante de platias diferentes talvez at possa ter sucesso, mas por acaso, a previso, entretanto, que no atinja os objetivos pretendidos. Cada pblico possui caractersticas e expectativas prprias, e que precisam ser consideradas em uma apresentao. Procure saber qual o nvel intelectual das pessoas, at que ponto conhecem o assunto e a faixa etria predominante dos ouvintes. Assim, poder se preparar de maneira mais conveniente e com maiores chances de se apresentar bem. 5) Tenha comeo meio e fim Guarde essa regrinha simples e muito til para organizar uma apresentao: Anuncie o que vai falar, fale e conte sobre o que falou. Depois de cumprimentar os ouvintes e conquist-los com elogios sinceros, ou mostrando os benefcios da mensagem, conte qual o tema que ir abordar.

Ao anunciar qual o assunto que ir desenvolver, a platia acompanhar seu raciocnio com mais facilidade, porque saber aonde deseja chegar. Em seguida, transmita a mensagem, sempre facilitando o entendimento dos ouvintes. Se, por exemplo, deseja apresentar a soluo para um problema, diga antes qual o problema. Se pretende falar de uma informao atual, esclarea inicialmente como tudo ocorreu at que a informao nova surgisse. Use toda argumentao disponvel: pesquisas, estatsticas, exemplos, comparaes, estudos tcnicos e cientficos, etc. Se, eventualmente, perceber que os ouvintes apresentam algum tipo de resistncia, defenda os argumentos refutando essas objees. Finalmente, depois de expor os argumentos e defend-los das resistncia dos ouvintes, diga qual foi o assunto abordado, para que a platia possa guardar melhor a mensagem principal. 6) Tenha uma postura correta Evite os excessos, inclusive das regras que orientam sobre postura. Alguns, com o intuito de corrigir erros, partem para os extremos e condenam at atitudes que, em determinadas circunstncias, so naturais e corretas. Assim, cuidado com o "no faa", "no pode", "est errado" e outras afirmaes semelhantes. Prefira seguir sugestes que dizem "evite", "desaconselhvel", "no recomendvel", e outras que se paream com essas. Portanto, evite apoiar-se apenas sobre uma das pernas e procure no deix-las muito abertas ou fechadas. importante que se movimente diante dos ouvintes para que realimentem a ateno, mas esteja certo de que o movimento tem algum objetivo, como por exemplo, destacar uma informao, reconquistar parcela do auditrio que est desatenta, etc. caso contrrio prefervel que fique parado. Cuidado com a falta de gestos, mas seja mais cauteloso ainda com o excesso de gesticulao. Procure falar olhando para todas as pessoas da platia, girando o tronco e a cabea com calma, ora para a esquerda, ora para a direita, para valorizar e prestigiar a presena dos ouvintes, saber como se comportam diante da exposio e dar maleabilidade ao corpo, proporcionando, assim, uma postura mais natural. O semblante um dos aspectos mais importantes da expresso corporal, por isso d ateno especial a ele. Verifique se ele est expressivo e coerente com o sentimento transmitido pelas palavras. Por exemplo, no demonstre tristeza quando falar em alegria.

Evite falar com as mos nos bolsos, com os braos cruzados ou nas costas. Tambm no recomendvel ficar esfregando as mos, principalmente no incio, para no passar a idia de que est inseguro ou hesitante. 7) Seja bem-humorado Nenhum estudo comprovou que o bom-humor consegue convencer ou persuadir os ouvintes. Se isso ocorresse os humoristas seriam sempre irresistveis. Entretanto, bvio que um orador bem-humorado consegue manter a ateno dos ouvintes com mais facilidade. Se o assunto permitir e o ambiente for favorvel, use sua presena de esprito para tornar a apresentao mais leve, descontrada e interessante. Cuidado, entretanto, para no exagerar, pois o orador que fica o tempo todo fazendo gracinhas pode perder a credibilidade. 8) Prepare-se para falar Assim como voc no iria para a guerra municiado apenas com balas suficientes para acertar o nmero exato de inimigos entrincheirados, tambm para falar no dever se abastecer com contedo que atenda apenas ao tempo determinado para a apresentao. Saiba o mximo que puder sobre a matria que ir expor, isto , se tiver de falar 15 minutos, saiba o suficiente para discorrer pelo menos 30 minutos. No se contente apenas em se preparar sobre o contedo, treine tambm a forma de exposio. Faa exerccios falando sozinho na frente do espelho, ou se tiver condies, diante de uma cmera de vdeo. Ateno para essa dica - embora esse treinamento sugerido d fluncia e ritmo apresentao, de maneira geral, no d naturalidade. Para que a fala atinja bom nvel de espontaneidade fale com pessoas. Rena um grupo de amigos, familiares ou colegas de trabalho, ou de classe, e converse bastante sobre o assunto que ir expor. Acredite, se conseguir falar de maneira semelhante na frente da platia ser um sucesso. 9) Use recursos audiovisuais Esse estudo impressionante - se apresentar a mensagem apenas verbalmente, depois de trs dias os ouvintes iro se lembrar de 10% do que falou. Se, entretanto, expuser o assunto verbalmente, mas com auxlio de um recurso visual, depois do mesmo perodo, as pessoas se lembraro de 65% do que foi transmitido. Mais uma vez, tome cuidado com os excessos. Nada de Power Point acompanhado de brecadinhas de carro, barulhinhos de mquina de escrever, e outros rudos que deixaram de ser novidade h muito tempo e por isso podem vulgarizar a apresentao. Um bom visual dever atender a trs grandes objetivos: destacar as informaes importantes, facilitar o acompanhamento do raciocnio e fazer com que os ouvintes se lembrem das informaes por tempo mais prolongado. Portanto, no use o visual como "colinha", s porque bonito, para impressionar, ou porque todo mundo usa. Observe sempre se o seu uso mesmo necessrio.

Faa visuais com letras de um tamanho que todos possam ler. Projete apenas a essncia da mensagem em poucas palavras. Apresente nmeros em forma de grficos. Use cores contrastantes, mas sem excesso. Posicione o aparelho de projeo e a tela em local que possibilite a visualizao da platia e facilite sua movimentao. Evite excesso de aparelhos. Quanto mais aparelhos e mais botes maiores as chances de aparecerem problemas. 10) Fale com emoo Fale sempre com energia, entusiasmo, emoo. Se ns no demonstrarmos interesse e envolvimento pelo assunto que estamos abordando, como que poderemos pretender que os ouvintes se interessem pela mensagem? A emoo do orador tem influncia determinante no processo de conquista dos ouvintes Dicas para driblar o medo de falar 1) Saiba exatamente o que vai dizer no incio, quase palavra por palavra, pois neste momento estar ocorrendo maior liberao da adrenalina. 2) Leve sempre um roteiro escrito com os principais passos de apresentao, mesmo que no precise dele. s para dar mais segurana. 3) Se tiver que ler algum discurso ou mensagem, imprima o texto em um carto grosso ou cole a folha de papel numa cartolina, assim, se as suas mos tremerem um pouco o pblico no perceber e voc ficar mais tranqilo. 4) Ao chegar diante do pblico no tenha pressa para comear. Respire o mais tranqilo que puder, acerte devagar a altura do microfone (sem demonstrar que age assim de propsito), olhe para todos os lados da platia e comece a falar mais lentamente e com volume de voz mais baixo. Assim, no demonstrar a instabilidade emocional para o pblico. 5) No incio, quando o desconforto de ficar na frente do pblico maior, se houver uma mesa diretora, cumprimente cada um dos componentes com calma. Desta forma, ganhar tempo para superar os momentos iniciais to difceis. Se entre os componentes da mesa estiver um conhecido aproveite tambm para fazer algum comentrio pessoal. 6) Antes de falar, quando j estiver no ambiente, no fique pensando no que vai dizer, preste ateno no que as outras pessoas esto fazendo e tente se distrair um pouco.

7) Antes da apresentao evite conversar com pessoas que o aborream, prefira falar com gente mais simptica. 8) Antes de fazer sua apresentao, reuna os colegas de trabalho ou pessoas prximas e treine vrias vezes. Lembre-se de exercitar respostas para possveis perguntas ou objees, com este cuidado no se surpreender diante do pblico. 9) Se der o branco, no se desespere. Repita a ltima frase para tentar lembrar a seqncia. Se este recurso falhar, diga aos ouvintes que mais a frente voltar ao assunto. Se ainda assim no se lembrar, provavelmente ningum ir cobrar por isso. 10) Todas essas recomendaes ajudam no momento de falar, mas nada substitui uma consistente preparao. Use sempre todo o tempo de que dispe Como se comportar numa entrevista ou debate de televiso 1) Treine, treine, treine. Simule a entrevista com a ajuda de um amigo e uma cmera de vdeo. Veja os resultados e corrija as falhas. um bom caminho para evitar o nervosismo. 2) Escolha a roupa certa. Prefira peas de cores lisas, nos tons azul, vinho, bege ou cinza uma escolha que deve variar conforme o cenrio do estdio (tente descobrir isso com antecedncia). Esquea as cores berrantes e as meias curtas, que deixam aparecer a perna. Tambm bom evitar acessrios brilhantes e barulhentos, que desviam a ateno do telespectador. 3) Saiba antes se uma entrevista s com voc ou um debate, o horrio, se ao vivo e qual o estilo do entrevistador. No dia D, no se atrase: chegue 20 ou 30 minutos antes de comear. Tome um cafezinho, converse, sinta o ambiente. Fazendo assim, os riscos de fazer feio diminuem bastante. 4) Cumprimente o entrevistador com um simples "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite". Nada de " um prazer estar no seu programa", "ol, telespectadores" e coisas do gnero. 5) Comece a responder pergunta olhando para o entrevistador, mas depois volte-se para a cmera. De vez em quando, olhe de novo para ele. O ideal olhar de 80% a 90% do tempo para a cmera. Se o programa focalizar vocs dois o tempo todo (normalmente o estdio tem uma TV que mostra o que est indo ao ar), faa exatamente o contrrio, olhando mais para o entrevistador. 6) Posicione-se na cadeira sem rigidez, mas com elegncia. Coloque os dois ps no cho ou cruze as pernas. Mantenha a cabea levantada, mas sem exageros, para no projetar uma imagem arrogante. No faa gestos exagerados nem fique balanando as pernas ou se mexendo de um lado para outro na cadeira giratria. 7) Faa a expresso facial trabalhar a seu favor. Carrancas servem para enfeitar a proa dos barcos e espantar os maus espritos. Na TV, um semblante fechado serve para afugentar o pblico. A fisionomia tem de estar relaxada, com um ar natural e descontrado. 8) Fale pausadamente e pronuncie bem as palavras. Evite o "aaan... aaan" de uma frase para outra e, ao final de cada uma, aqueles irritantes "n?", "t?" ou "t entendendo?" Para

no dar branco, pense mais na linha de raciocnio, sem se preocupar demais com a construo das frases. 9) No se mostre irritado com perguntas ou ataques. Continue falando de maneira firme, mas sem perder a calma. Se no quiser discorrer sobre algum assunto especfico, deixe isso claro antes de aceitar o convite. 10) Prepare-se para encerrar. Quando a entrevista estiver no fim, relacione as informaes mais importantes que voc quer transmitir e encontre uma maneira de comunic-las da forma mais objetiva possvel. Tenha cuidado para no falar demais e acabar perdendo o foco da resposta. Dicas para falar melhor 1) Seja voc mesmo. Nenhuma tcnica mais importante que a sua naturalidade. 2) Pronuncie bem as palavras - sem exagero. 3) Fale com boa intensidade - nem alto nem baixo demais - sempre de acordo com o ambiente. 4) Fale com boa velocidade - nem rpido nem lento demais. 5) Fale com bom ritmo, alternando a altura e a velocidade da fala para manter aceso o interesse dos ouvintes. 6) Tenha um vocabulrio adequado ao pblico. 7) Cuide da gramtica, pois um erro nessa rea poder comprometer a apresentao. 8) Tenha postura fsica correta. 9) D sua fala incio, meio e fim. 10) Fale com emoo - demonstre interesse e envolvimento pelo assunto. Apresente um projeto e mantenha a platia acordada 1) Se voc fala rpido demais, repita as mensagens mais importantes usando outras palavras. Quem no entendeu da primeira vez entender da segunda. Se fala devagar, no desvie o olhar da platia nos instantes de pausas mais prolongadas. Aps o intervalo, volte a falar com mais nfase. 2) Cuidado com os grunhidos "n", e "t". Alm de horrveis, demonstram insegurana. 3) Conhea o interlocutor. Se o grupo estiver familiarizado com o tema, no simplifique as informaes.

4) Nunca, jamais, em hiptese alguma decore a palestra. Faa um roteiro: conte o problema, apresente a soluo e, por fim, demonstre sua esperana no apoio dos diretores ao projeto. 5) Nada de tecnofobia. Mostre quanto voc est antenado com as tecnologias e v direto ao computador. Com o sistema datashow, voc d um clique cada vez que quer mudar a pgina. E se o computador pifar? Leve umas cartolinas com as principais informaes da palestra. "Voc vai mostrar que est sempre pronto para enfrentar o pior". 6) Cuidado com a postura. No fale com as mos nas costas, mantenha o palet abotoado e olhe para todas as pessoas da platia alternadamente. H dois erros que as pessoas costumam cometer numa apresentao: falta de gestos ou excesso de gestos. Use-os, mas com moderao. 7) Evite as piadas. O risco de ningum achar graa grande e a, meu chapa, vai ser difcil segurar a apresentao numa boa. Deixe a piada para o final, se for o caso. 8) Corrija problemas de dico com dois exerccios bem simples. Morda o dedo indicador e leia em voz alta o mais claro possvel. Dois minutos por dia bastam. Outro: leia poesias em voz alta. Esse o mais eficiente dos dois. Alm de melhorar a dico, pode ser muito romntico. Como produzir um bom visual 1.Coloque um ttulo O ttulo do visual auxilia o ouvinte a identificar imediatamente as informaes que ir observar. Um bom ttulo deve ser simples, de poucas palavras e muito esclarecedor. Normalmente o ttulo deve ser colocado na parte superior do visual. 2. Faa legendas Colunas coloridas e linhas horizontais sero apenas colunas coloridas e linhas horizontais se no forem identificadas por legendas. Facilite a visualizao das legendas arredondando os nmeros. Prefira, por exemplo, colocar que a populao de 15 milhes de habitantes, em vez de escrever 15.001.600, a no ser que esses 1.600 habitantes sejam muito importantes para a informao - o que pouco provvel. 3. Escreva com letras legveis Alguns visuais so produzidos com letras to pequenas que s quem est nas primeiras fileiras consegue ler. Os demais ficam sem entender do que se trata e, por isso, podem perder o interesse pela exposio. Escolha letras grandes, com tamanho suficiente para serem lidas por todas as pessoas da sala.

4. Limite a quantidade de tamanho das letras Voc conseguir melhor uniformidade se usar o mximo de trs tamanhos de letra por visual. Com um nmero reduzido de tamanho, as letras podero ser lidas mais rapidamente. 5. Componha frases curtas Cada frase deve representar em essncia uma idia completa, com o menor nmero de palavras possvel. De maneira geral, seis ou sete palavras so suficientes. 6. Use poucas linhas Como idia de grandeza, se o visual for elaborado no sentido horizontal, procure usar seis ou sete linhas. Se for no sentido vertical, poder chegar a oito ou nove linhas. 7. Use cores Use, mas no abuse. Com a facilidade proporcionada pelos atuais programas de computadores, algumas pessoas fazem de seus visuais verdadeiros mostrurios de cores e pecam pelo excesso. Use cores contrastantes para destacar bem as informaes e, a no ser que seja muito necessrio usar um nmero maior, estabelea um limite de trs a quatro cores por visual. 8. Use apenas uma idia em cada visual Identifique a idia central da mensagem e restrinja-se a ela no visual. 9. Utilize apenas uma ilustrao em cada visual A ilustrao pode ajudar a tornar clara a mensagem, facilitando a compreenso dos ouvintes. Uma nica ilustrao suficiente. Se precisar, complemente o visual com setas e flechas que orientem o sentido em que a informao deve ser lida - horizontal, vertical, de cima para baixo, de baixo para cima, etc. 10. Retire tudo o que prejudicar a compreenso da mensagem Retire todas as informaes desnecessrias, como nmeros, grficos, legendas que possam distrair a concentrao ou dificultar o entendimento do ouvinte. S deixe no visual os dados que facilitem a compreenso da mensagem. Como usar bem o humor 1) No se limite apenas s palavras. Use todos os recursos de que puder dispor, como a expresso corporal, a inflexo da voz e, principalmente, a pausa. 2) Evite sempre a vulgaridade. Mesmo que as pessoas possam rir, resista. A mdio e longo prazo, sua imagem ir se deteriorando e voc perder credibilidade.

3) Histria boa histria nova, fresquinha, colhida no p. S narre um fato antigo ou conhecido se puder dar a ele uma roupagem to nova que o faa parecer indito. 4) Procure s usar o humor que esteja diretamente ligado ao assunto que aborda, a no ser que seu objetivo seja o de reconquistar a ateno do ouvinte, pois, neste caso, excepcionalmente, no precisar estar relacionado ao tema. 5) Faa com que o humor parea estar sempre nascendo no momento da sua apresentao, fruto da sua presena de esprito. Assim, ter mais graa e valorizar ainda mais a sua imagem. 6) Prefira fazer humor a partir da circunstncia da apresentao, usando fatos ou pessoas do prprio ambiente. 7) Histrias longas so o maior veneno para o humor. Quanto mais breve puder ser, melhor. Treine essa qualidade no dia-a-dia, fazendo tiradas bem-humoradas, rpidas, brevssimas. 8) Cuidado para no parecer pretensioso. Ao usar o humor, no demonstre estar se vangloriando do seu feito. Ria como se estivesse surpreso com a prpria graa. 9) Minha av j dizia: graa por graa, uma vez s basta - portanto, nada de querer bancar o engraadinho o tempo todo. Lembre-se de que tem uma mensagem para transmitir e que o humor o est ajudando nesta tarefa. A no ser que o objetivo seja s o de entreter as pessoas.10)

Esteja pronto para a desgraa. Nem sempre o humor d resultado. Assim, esteja preparado com um plano B. Se no der certo, faa uma auto-gozao dizendo por exemplo que essa foi muito ruim, que no teve mesmo muita graa. Quase sempre funciona.

Exerccios Repita as frases abaixo, v aumentando gradativamente at conseguir falar mais rpido.

A PRATARIA DA PADARIA EST NA PRADARIA PRATEANDO PRADOS PRATEADOS BRANCA BRANQUEIA AS CABRAS BRABAS NAS BARBAS DAS BRUACAS E BRUXAS BRANQUEJANTES. TROVAS E TROVES TROVEJAM TROCANDO QUADROS TROCADOS ENTRE OS TROVADORES ESQUADRINHADOS NOS QUATRO CANTOS. AS PEDRAS PRETAS DA PEDREIRA DE PEDRO PEDREIRAS SO OS PEDREGULHOS COM QUE PEDRO APEDREJOU TRS PRETAS PRENHAS . GRUDE DA GRUTA GRUDA A GRUA DA GRINGA QUE GRITA E , GRITANDO , GRIMPA A GRADE DA GROTA GRANDIOSA . NO QUARTO DO CRATO EU CATO QUATRO CRAVOS CRAVADOS NO CRNIO DA CAVEIRA DO CRAVEIRO.

LAVRADOR LIVRE NA PALAVRA E NA LAVRA , MAS NO PODE LER O LIVRO

QUE O LIVREIRO QUER VENDER . FRAGA DEFLAGRA UM DRIBLE , FRANCO FRANQUEIA O CAMPO , O POVO SE INFLAMA E ENFRENTA O PRECLARO JURI , QUE DECLARA GRAVE O PROBLEMA . QUERO QUE O CLERO PRECLARO ACLARE O CASO DE CLARA E DECLARE QUE TECLA SE ENGANA NO QUE CLAMA E RECLAMA. ACRSTICO CRAVADO NA CRUZ DE CRISLIDAS DA CRIANA ACREANA O CREDO CRISTO. A ENTRADA TRIUNFAL DE TREZENTOS TRUCULENTOS TROIANOS EM TRAJES TRICOLORES , COM SEUS TRABUCOS , TROMBONES E TRINGULOS , TRANSTORNOU O TRFEGO OUTRORA TRANQUILO. PRATO DE PRATA PREMIADO PRECIOSO E SEM PREO , FOI PRESENTE DO PRECEPTOR DA PRINCEZA PRIMOGNITA , PROBO PRIMAZ , PROCURADOR DA PRSSIA. CLANGOR DOS CLARINS DOS CICLISTAS DO CLUBE ECLTICO ECLODIU NO CLAUSTRO. SE 66 SERRAS SERRAM 66 CEREJEIRAS , 666 CERRAS SERRARO 666 CEREJEIRAS . SFOCLES SOLUANTE CICIOU NO SENADO SUAVES CENSURAS SOBRE A INSENSATEZ DE SEUS FILHOS INSENSVEIS, LEONEL LEVA O ANIMAL INDCIL PELA ALAMEDA MARGINAL CLAMRIA , CU AZUL, SOL FULGIDO , LIBLULAS LIGEIRAS VOLTEJAM LEVES SOBRE LILAZES EM FLOR NO LARANJAL ABELHAS LABORIOSAS EM TUMULTO COLETAM O PLEM PARA O DELICIOSO MEL DE SUAS COLMIAS . LOUVAMOS A LEVEZA DAS LINDAS ALOURADAS LAVADEIRAS LISBOETAS NA LIDA DE LAVAR LONGOS LENOIS DE LINHO . RI O ROTO DO ESFARRAPADO , RI O TORTO DO ATARRACADO MAS NO R DO MORTO O APARVALHADO . TURCO TATUADO, TRONCUDO E TAGARLA COM O TABULEIRO A TIRA-COLO , TROCA TUDO PELO TRIPLO : TECIDOS TRAJES , TERNOS , TNICAS , TAPETES , TOUCAS , TETIAS , TESOURAS , TALHERES , TERMMETROS , TORNEIRAS , TIJELAS , TURBULOS , TARAMELAS , TINTAS , TAMBORINS , TARTARUGAS, TALIMS , ETC... UM PSSARO DE ASAS SEDOSAS ESVOAA SEM DESTINO ENQUANTO A BRISA SILENCIOSA ESPALHA AS ESSNCIAS SUTIS DO SNDALO. SOB A SOMBRA DO CEDRO CENTENRIO O PASSANTE SOLCITO DESCANSA SOSSEGADO E SONHADOR. CINCO OFICIAIS ESFOMEADOS PASSANDO CERTO DIA POR SANTOS APRECIARAM SALSICHAS. QUANTO CUSTAM ESSAS SALSICHAS SO 60 CENTAVOS ESSAS SABOROSAS E SUBSTANCIAIS SALSICHAS. A BILREIA BILRA OS BILROS . MXIMO TROUXE O LXICO DO XAVIER PARA O EXAME . SACHA SAIU SEM SABER SE NATACHA, QUE SACHA SABIA SEM SENSO, SAIU NA CHUVA SEM SEU XAL CHINS . FOI AFIXADA UMA NOVA TAXA PARA OS TAXMETROS.

EXCETO O LUXO EXCESSIVO, NADA EXIGEM DOS EXILADOS NO EXTERIOR . LIQIDIFICADOR QUADRIDENTADO LIQIDIFICA QUALQUER COISALIQIDIFICVEL E QUEBRA AS LIQIDIFICVEIS.

Esquema mental Nas ltimas semanas estudamos diversas tcnicas de apresentao da mensagem: a leitura, o improviso, o carto de notas e o roteiro escrito (se desejar rev-las clique em leia os artigos j publicados no final desta pgina). Hoje vou falar sobre uma forma muito eficiente de expor um assunto: o esquema mental. O esquema mental uma tcnica simples, eficiente e muito prtica de preparar uma apresentao. Assemelha-se a um roteiro escrito simplificado, com a diferena de que as etapas da apresentao em vez de ficarem no papel so guardadas mentalmente. Como os tpicos precisam ser memorizados, devemos relacion-los em pequena quantidade e de uma maneira simples para que possam ser lembrados com facilidade. Provavelmente, a grande maioria das pessoas que se apresentam falando de improviso esto, na verdade, usando um esquema mental. Como apenas as indicaes das etapas so memorizadas, a impresso dos ouvintes a de que a fala est sendo improvisada. Roteiro para preparao de um esquema mental Divida a apresentao em quatro partes: Introduo nesta parte voc dever conquistar os ouvintes. Preparao a etapa em que voc os ajudar a entender a mensagem central. Assunto central aqui voc far a apresentao do assunto. Concluso nesta ltima etapa voc far uma recapitulao e pedir aos ouvintes que reflitam ou ajam de acordo com sua proposta. Se for preciso decore o que pretende dizer na introduo e na concluso. A introduo e a concluso constituem-se nos dois momentos mais difceis e delicados da apresentao. A introduo porque o primeiro contato com o pblico e quando a adrenalina acabou de ser despejada no organismo. , por isso, normalmente, um instante de desconforto, nervosismo e hesitao. Sabendo quais so as informaes que ir transmitir no incio ir se sentir muito mais seguro e confiante para enfrentar o pblico. Prepare-se muito bem para iniciar e saiba quase palavra por palavra as primeiras frases. Entretanto, fique atento ao que estiver acontecendo no ambiente, e se perceber algum fato interessante, que substitua com vantagem as informaes preparadas, faa a troca. O que voc deve evitar ir para frente da platia sem se preparar, com a esperana de que essa informao interessante possa sempre surgir, pois se ela no aparecer sua atitude poder comprometer o restante da fala. Se voc no tiver muita experincia de falar em pblico no se arrisque com introdues muito ousadas, como frases que provoquem impacto, fatos bem-humorados, ou reflexes que motivem algum a se levantar para dar respostas. Prefira mensagens simples, como

agradecer ao convite que recebeu, elogiar discretamente a platia, ou agradecer a presena dos ouvintes. Da mesma forma a concluso. Dizem que Carlos Lacerda, considerado um dos maiores oradores da histria do pas comentava que no dia que aprendesse a encerrar estaria pronto para enfrentar qualquer platia. Imaginado que se trate apenas de folclore ou exagero dos estudiosos da comunicao, a verdade que encerrar no fcil. comum assistir a apresentaes em que o orador encerra dizendo: Era isso o que tinha para dizer, muito obrigado. Com essas palavras vazias e inconsistentes as pessoas perdem excelentes oportunidades de encerrar com mensagens que valorizem a apresentao. No final, provavelmente, voc j estar mais tranqilo e confiante, mas mesmo assim, se for muito inexperiente no se arrisque com concluses arrojadas, como pedir aes imediatas dos ouvintes, ou proferindo palavras de ordem. Encerre fazendo uma breve recapitulao da essncia do assunto em apenas uma ou duas frases, agradea a presena de todos, informe sobre sua satisfao de ter convivido com eles por momentos to agradveis e pea que pensem sobre a mensagem que acabou de transmitir. lgico que se for bastante experiente, ou estiver se sentindo muito vontade dever aproveitar para encerrar pedindo que ajam de acordo com a proposta que acabou de expor. O corpo da fala Depois de preparar o incio e a concluso, esquematize o que ir dizer no corpo da fala. Num primeiro momento analise at que ponto os ouvintes conhecem as informaes que iro ouvir e procure ajud-los a compreender melhor a mensagem. Diga qual o assunto que ir abordar, qual o problema que pretende solucionar e informe sobre as etapas que sero cumpridas ao longo da exposio. Aps essa orientao desenvolva seu assunto cumprindo o que acabou de prometer, ou seja, apresente as informaes fazendo um histrico, mostrando diferenas entre os diversos aspectos a partir de comparaes, e analisando conseqncias econmicas, polticas e sociais. Se julgar que os ouvintes podero apresentar resistncias s suas idias prepare-se com antecedncia para refut-las. Observe que ser muito simples guardar mentalmente essas etapas da apresentao. Estude com cuidado cada uma delas para ter segurana do caminho que ir percorrer, mas evite memorizar tudo do jeito que estiver ensaiando. Decore apenas as etapas e deixe as palavras para o momento da apresentao, exatamente com faz no dia-a-dia quando est conversando. Cada um dever usar a tcnica de apresentao com a qual possa se sentir mais vontade. O esquema mental um bom recurso, e se voc se sentir bem com ele ser sempre uma boa opo. Pode colar A insegurana e o medo de esquecer as informaes levam as pessoas a buscar apoio em duas formas de apresentao da mensagem: a leitura e a fala decorada. Entretanto, esses dois recursos nem sempre so recomendveis. A fala decorada porque traz inmeros inconvenientes. S para citar alguns assim rapidinho, de passagem: o risco de esquecer uma palavra importante na ligao de duas idias, o que seria uma tragdia, pois normalmente quem decora no se prepara para falar de improviso e por isso no saberia

como continuar; a quase certeza de parecer artificial, e ficar com aquele olho brilhante, prprio de quem est querendo ler um papel l no fundo da mente, enquanto procura se lembrar da seqncia memorizada; o receio de se perder ao interromper a linha planejada para aproveitar fatos do ambiente que ajudariam a tornar a exposio muito mais interessante. Aquele que decora fica to preocupado em se esquecer do roteiro memorizado que, se voc notar bem, ele nem movimenta a cabea, com receio de misturar as informaes l dentro. A leitura, embora possa ser recomendada para diversas circunstncias. Entre o cu e o inferno, entretanto, h excelentes recursos como o roteiro escrito. um procedimento muito simples e fcil de ser usado: escreva numa folha de papel algumas frases que ajudem a ligar a seqncia da sua apresentao. Cada frase dever conter uma idia completa, isto , a essncia do pensamento que deseja comunicar. Quando estiver diante da platia voc dever ler a frase e em seguida fazer comentrios a respeito dela, criticando, elogiando, ampliando, concordando, discordando, associando com outras informaes, at que essa parte da mensagem esteja concluda. Logo aps voc dever ler a prxima frase e fazer outras observaes. E assim, lendo as frases e fazendo comentrios que as complemente poder realizar uma boa apresentao. A vantagem do roteiro escrito que com esse recurso voc ter a segurana da seqncia de todas as etapas importantes da apresentao, relacionadas pelas frases que sero lidas, e a liberdade para desenvolver o raciocnio diante dos ouvintes. O roteiro escrito poder ser utilizado em qualquer circunstncia e em todos os momentos se mostrar sempre muito til. Os palestrantes mais experientes se valem dele durante suas apresentaes. Ao levar o roteiro escrito como apoio da sua apresentao aja com naturalidade e leia as frases sem tentar disfarar essa atitude. Se perceber que os comentrios complementares consumiro tempo prolongado deixe a folha de papel sobre a mesa ou coloque-a no bolso para ter um pouco mais de liberdade com as mos. Quando, entretanto, os comentrios forem mais rpidos continue com o papel na mo, pois o fato de guardar e pegar a folha com as anotaes muito seguidamente pode passar a idia de insegurana ou hesitao. Em apresentaes menos complexas voc poder usar um carto de notas. Esse recurso diferente do roteiro escrito. Consiste em um carto pequeno, uma folha de cartolina do tamanho da palma da mo, por exemplo. Nesse carto voc anotar as palavras mais importantes na seqncia da sua apresentao, alm de algumas cifras e datas que precisariam ser mencionadas. Observe que os dois recursos so muito diferentes. O roteiro escrito contm frases com idias completas que devero ser lidas, enquanto que o carto de notas possui apenas as palavras que ajudaro a constatar se a seqncia planejada para a apresentao est sendo seguida. Embora o roteiro escrito seja recomendado para apresentaes mais longas e complexas e o carto de notas para exposies mais curtas e simples, nada o impedir de optar por um ou por outro em qualquer circunstncia. Lembre-se de que a responsabilidade pelo sucesso ou pelo fracasso da apresentao de quem fala. Por isso, voc dever escolher aquele com o qual possa se sentir mais confortvel.

Assim, na prxima apresentao voc est autorizado a levar sua cola e us-la vontade, sem receios ou constrangimentos. Seja um bom estudante dessas regras cole e seja aprovado nas suas apresentaes. Voc sabe ler? s aparecer algum com um bloco de papel na mo para que a platia comece a se entediar. No! D uma olhada no calhamao que ele est trazendo para leitura. Do Senhoras e Senhores at o Muito Obrigado vai ser uma longa viagem. De maneira geral, a leitura vista como uma das atividades mais chatas da comunicao, perdendo apenas para a fala decorada. As pessoas no sabem ler em pblico por dois motivos essenciais: Primeiro, porque tiveram poucas oportunidades de praticar essa atividade. Quando pergunto em sala de aula quantas pessoas durante a vida toda leram mais de trs vezes diante de um grupo, menos de cinco se manifestam. Depois, porque alm de, normalmente, no existir a experincia da leitura em pblico, quando as pessoas lem apresentam-se sem nenhum critrio tcnico. Portanto, para aprender a ler bem em pblico preciso seguir algumas regrinhas muito simples e praticar bastante. Um conselho - no deixe para se aprimorar na leitura em pblico apenas quando tiver necessidade, pois, dependendo da circunstncia, talvez no haja tempo suficiente para voc se preparar de forma conveniente. Olhe para os ouvintes -- algumas pessoas se esquecem de que a mensagem deve ser transmitida para os ouvintes e permanecem o tempo todo olhando para o texto, como se estivessem conversando com o papel. Durante as pausas prolongadas e nos finais de frases, olhe para os ouvintes e demonstre com essa atitude que as informaes esto sendo transmitidas para eles. Cuidado tambm para no olhar sempre para as mesmas pessoas. Distribua a comunicao visual olhando ora para um lado, ora para outro. Assim, todos se sentiro includos no ambiente. Para no se perder na leitura enquanto olha para os ouvintes, aqui vai uma boa dica: Marque a linha de leitura com o dedo polegar, pois ao voltar para o texto saber exatamente onde parou. Segure o papel na altura correta -- se voc deixar o papel muito baixo, ter dificuldade para enxergar o texto. Se, entretanto, deixar muito alto, esconder seu semblante da platia. Por isso, procure deixar a folha na parte superior do peito, para ler com mais facilidade e no se esconder do pblico. Considere tambm que, se o papel estiver muito baixo, voc ter que abaixar muito a cabea para ler e levar muito tempo para retornar, olhar e ver as pessoas. Deixando a folha na parte superior do peito, bastar tirar os olhos do texto e j estar mantendo a comunicao visual com os ouvintes. Falando em no abaixar a cabea, ao digitar o texto procure usar apenas os dois teros superiores da pgina, deixando o tero inferior em branco. Esse cuidado permitir um contato visual mais tranqilo e suave, j que para ver as pessoas bastar apenas levantar os olhos, sem movimentar muito a cabea. Faa poucos gestos -- a gesticulao na leitura dever ser moderada. A no ser que a mensagem exija maior quantidade de movimentos, a leitura de uma pgina, de maneira geral, pode ser feita com meia dzia de gestos. prefervel fazer poucos gestos, que destaquem as informaes mais relevantes com convico e firmeza, do que demonstrar

hesitao soltando repetidamente a mo do papel e retornando depressa, como se estivesse arrependido. Se voc for muito inexperiente e encontrar dificuldade para gesticular, ser melhor que no gesticule. Fique o tempo todo segurando a folha com as duas mos. Marque o texto -- faa pequenas marcaes no texto para facilitar a interpretao da mensagem. Use, por exemplo, traos verticais antes das palavras para indicar o momento de fazer pausas mais expressivas, e traos horizontais embaixo das palavras que meream maior destaque.v Observe que essas marcaes no coincidiro necessariamente com a pontuao gramatical. Segredinhos que ajudam muito: Para facilitar a identificao de cifras misture nmeros com palavras. Por exemplo, fica mais fcil ler 25 milhes, do que 25.000.000, ou vinte e cinco milhes. Termine sempre a pgina com ponto final. Evite deixar frases incompletas no final da pgina para no ter que se apressar em procurar o complemento da informao na pgina seguinte. Numere as folhas com nmeros bem visveis e para facilitar o manuseio deixe-as soltas, sem clipes ou grampos. Use um corpo de letra de acordo com sua capacidade de enxergar, mesmo que para isso seja obrigado a usar muitas folhas. A tipologia minscula de letras possui desenhos mais fceis de ler do que a maiscula. Por isso, a regra usar corpo de letra grande com tipologia minscula. E a tremedeira? -- se costuma sentir tremores nas mos, a sada usar folhas de gramatura mais encorpada. Somente pelo fato de saber que com as folhas mais grossas os pequenos tremores no sero percebidos, voc ir se comportar com mais tranqilidade e, provavelmente, no tremer. Treine bastante -- selecione textos de jornais ou de revistas, faa marcaes para ajudar na interpretao e treine com auxlio de uma cmera de vdeo na falta deste equipamento faa os exerccios na frente de um espelho. D ateno especial s pausas expressivas, comunicao visual e aos gestos. Um texto para ser bem lido e interpretado necessita de pelo menos trinta ensaios, pois somente a que conseguir soltar-se do papel com tranqilidade e se comunicar de forma eficiente com os ouvintes. Cuidado, entretanto, para no ensaiar muito a ponto de decorar a mensagem e se esquecer de olhar para o papel. Se este fato ocorrer, pelo menos finja que est lendo. Quando ler -- a leitura dever ser reservada para momentos especiais como: Pronunciamentos oficiais. Textos muito tcnicos que no possam conter erros. Discursos de posse de presidentes de entidades, pois esse o momento em que apresentar as bases da sua administrao e no deveria, portanto, improvisar.

Agradecimentos de homenagens feitas a grupos, especialmente quando a mensagem representar a filosofia das pessoas, ou tiver de ser distribudo para a imprensa. Discursos de oradores de turma, em que a mensagem deve representar a vontade de todos os formandos. Alm dessas situaes e de uma ou outra que poderia ser acrescentada, a leitura deveria ser substituda por outros recursos, que tratarei nesta coluna nas prximas semanas. Fale de improviso Falar de improviso no inventar informao. Quem pensa que falar de improviso chegar diante de um grupo e apenas aproveitar a circunstncia como fonte de inspirao para descobrir o que vai dizer est a um passo da irresponsabilidade. Essa atitude ingnua pode pr em risco a imagem e a reputao de quem se apresenta em pblico. Portanto, falar de improviso, ao contrrio do que algumas pessoas supem, significa falar sem se preparar de maneira conveniente para expor um assunto. Por exemplo, voc est em uma reunio tranqilo, meio desligado da vida e de repente, em meio a um debate, aparece algum com a brilhante idia de convid-lo para ir frente e discorrer sobre o tema que est sendo discutido, sem que tivesse se preparado para apresent-lo. Ou voc mesmo, em vista do andamento dos fatos que cercam o evento, resolve tomar a iniciativa de falar sobre a matria sem que houvesse imaginado tomar aquela deciso. Voc, bem ou mal, conhece o assunto, s no havia planejado falar sobre ele. A est o improviso, pois ao mesmo tempo em que voc vai falando obrigado tambm a ordenar a seqncia da exposio. H tambm situaes em que o improviso, embora receba essa denominao, no na verdade uma fala improvisada. comum, por exemplo, ler notcias de que o presidente da Repblica ou um governador de Estado falou de improviso em determinado evento. evidente, entretanto, que pela relevncia de alguns desses episdios, o discurso foi detalhadamente planejado com muita antecedncia. Apenas no foi lido diante do pblico. No esse o tipo de improviso que vou tratar neste texto, mas sim aquele inesperado, imprevisto. O ouvinte recebe a informao toda como se fosse uma s um discurso que se preze possui pelo menos duas partes: uma preparao, que tem por objetivo orientar o ouvinte sobre as informaes que ele desconhece e revelar quantas e quais so as partes que devero ser cumpridas; e o assunto central, a mensagem propriamente dita. Durante a apresentao o orador cumpre didaticamente essas duas etapas consciente do momento em que faz a preparao e do instante em que desenvolve a mensagem. O ouvinte, entretanto, recebe sempre a mensagem como se fosse uma s, desde o princpio at o final. Ele no fica analisando se o orador est na fase de preparao ou no desenvolvimento da mensagem. essa caracterstica de como o ouvinte recebe a mensagem que permite a aplicao de uma das melhores e mais eficientes tcnicas de improvisao. O ouvinte levado a pensar que o orador conhece e domina o assunto todo o segredo do improviso muito simples: antes de falar a respeito do tema que o objetivo da apresentao, comece a discorrer sobre um outro assunto que domine. Por exemplo, voc

pode usar informaes ligadas sua atividade profissional, ao seu hobby, passagem de um livro que tenha sido marcante, cena de um filme que o emocionou, a um desafio que superou, a uma viagem, a episdios de sua vida, ou da vida de pessoas que conhea. Assim, enquanto voc fala sobre o assunto que conhece muito bem, tem condies de planejar a seqncia da apresentao. Com certeza em algum momento da exposio ser possvel fazer a ligao dessas informaes que domina com a mensagem principal. Como o ouvinte recebe a mensagem como se fosse uma s o tempo todo, ser induzido a pensar que voc tem o domnio completo do assunto, quando na verdade o seu conhecimento apenas da preparao, e sobre o tema principal talvez tenha apenas algumas informaes. H ainda uma outra grande vantagem em comear falando sobre um assunto que domina relacionada ao interesse produzido no ouvinte. Um bom orador, a no ser que seja obrigado pela circunstncia a ser muito objetivo, no trata diretamente do assunto e seca a conversa. No, o bom orador mesmo conhecendo o tema com profundidade e sabendo exatamente o que ir falar sobre ele, deixa para desenvolv-lo um pouco mais no final. Separa a informao e procura torn-la mais atraente e estimulante para o ouvinte a partir do desenvolvimento daquele primeiro assunto, seu velho conhecido. Treine essa tcnica de improvisao no seu dia-a-dia. Toda vez que precisar falar sobre um tema desenvolva antes um assunto que domine muito bem. Voc ficar surpreso com o resultado. Cuidado, entretanto, para no desenvolver esse primeiro assunto de maneira exagerada para que ele no parea ser mais importante do que a mensagem principal, e especialmente no d a impresso de estar s ganhando tempo ou sendo superficial. Como fazer uma homenagem Contou-me um aluno essa histria que jurou ser verdadeira: o diretor da empresa onde trabalhava estava j h algum tempo muito doente e precisou se aposentar. Aproveitou o dia em que foi assinar os papis do seu desligamento para se despedir dos colegas. Nesse momento apareceu o falador da turma que, com bastante entusiasmo, conclamou a todos em voz bem alta: Pessoal, pessoal, todos j sabem que o nosso querido diretor est se desligando da empresa, o que motivo de tristeza para todos ns, por isso, quero aproveitar essa oportunidade e pedir a todos que de mos dadas dediquemos a ele... um minuto de silncio bem, s faltou colocar uma vela na mo da vtima. Se voc tiver de usar a palavra para fazer uma homenagem, cuidado com as armadilhas e use a circunstncia para projetar sua imagem de maneira positiva. Siga essas etapas que com certeza se sair muito bem: Conquiste os ouvintes ao fazer uma homenagem, provavelmente voc estar representando um grupo de pessoas ou a organizao a que pertence. Por isso, inicie falando como se sente feliz, honrado ou privilegiado em ser escolhido para prestar a homenagem em nome de todos. como se voc dissesse: vocs so to importantes para mim, que estou feliz em poder represent-los. Ah, j que est iniciando e dizendo que est feliz, lembre-se de fazer carinha de contente. Fica ridculo dizer que est feliz e se apresentar com aquele semblanto de sexta feira santa.

Descreva o cenrio histrico verifique qual o local onde o homenageado desenvolve suas atividades e faa desse cenrio um pano de fundo para preparar de maneira apropriada o histrico da homenagem. Por exemplo, se o homenageado for o presidente da empresa, fale um pouco sobre a histria da organizao, como e quando foi fundada; comente sobre as dificuldades que ela teve de enfrentar, relate as fases de prosperidade, at chegar ao instante atual, que obviamente dever ser de grande realizao. Em seguida ponha o homenageado dentro desse cenrio, dizendo que essa conquista se deveu sua viso, capacidade de planejar e de se adaptar s mudanas do mercado. Voc poder usar esse mesmo mtodo em qualquer outra circunstncia se o homenageado for o diretor do clube, fale sobre a histria do clube; se for um professor, fale sobre a importncia do ensino, ou sobre a escola onde ele leciona; se for um mdico, fale da importncia da medicina, ou do hospital onde ele exerce suas atividades. Ateno: se homenagear um superior hierrquico, cuidado para no ser tomado por um puxa-saco ao fazer os elogios. Por isso, ao elogiar d sustentao s suas palavras se disser, por exemplo, que ele um homem de viso, explique essa afirmao e fornea exemplos que confirmem suas palavras. Fale das qualidades do homenageado depois de descrever o cenrio histrico, chegou o momento da homenagem propriamente dita. Algumas qualidades so mais ou menos comuns e podem ser utilizadas em praticamente todas as homenagens: Vida familiar essa uma qualidade que produz excelente resultado para a homenagem, mas exige tambm certeza e confiabilidade das informaes. Caso contrrio no poderia falar da sua condio de pai dedicado, ou de esposa afetuosa. Se tiver dvida sobre a conduta familiar do homenageado, deixe esse comentrio fora do seu discurso, pois sua credibilidade poderia ser comprometida se, por exemplo, dissesse que ele um marido leal e todos na empresa soubessem que na verdade sua conduta no era l to exemplar. Vida social fale de como o homenageado querido por seus amigos e se mostra solidrio quando algum precisa de conselhos, de um ombro para desabafar, ou de um parceiro para comemorar uma vitria. Vida profissional destaque as dificuldades que precisou superar para atingir a posio em que se encontra. Se teve uma vida humilde, pobre, afastada dos grandes centros, comente como se dedicou para ultrapassar essas adversidades. Outras qualidades elogie qualquer outra qualidade do homenageado, como atleta, artista, campeo de biriba, ou de cuspe distncia. Enfim, atividades que de alguma forma o destaquem. Faa a homenagem se, para criar maior expectativa, ainda no tiver revelado o nome do homenageado, preferindo falar apenas das suas qualidades, diga agora quem est homenageando (ou vai acabar guardando segredo demais e se esquecendo de dizer quem o homenageado) e qual o motivo da homenagem. Encerre com uma frase motivadora encerre a homenagem desejando tudo de bom para o homenageado. Dizendo, por exemplo, que ele seja sempre muito feliz, que tenha muita sade, e que continue conquistando cada vez mais vitrias.

Pode perguntar? H situaes em que mais conveniente que as perguntas dos ouvintes surjam desde o incio da apresentao, em outras, entretanto, melhor deixar para o final, e h aquelas tambm em que mais apropriado esperar que o pblico decida como deseja agir. Quando tiver pleno domnio do assunto que vai expor poder sugerir platia que faa perguntas desde o incio, pois assim ser possvel interagir com os ouvintes o tempo todo, do princpio ao final. Se, entretanto, o seu conhecimento sobre o tema for apenas limitado, mais ou menos como a situao do estudante que estuda o suficiente para passar na prova, melhor no correr o risco de permitir que faam perguntas desde o incio e de que levantem questes para as quais no saiba a resposta. Assim, quando o conhecimento sobre a matria for apenas superficial recomendvel que as perguntas sejam feitas apenas no final. Em tom de brincadeira, poderia dizer ainda que nesta circunstncia ser possvel esticar o tempo da apresentao, de tal maneira que no sobre espao para as perguntas, recomendando aos ouvintes que as enviem por e-mail. Outro aspecto que precisa ser considerado para decidir sobre o momento mais apropriado para as perguntas o tamanho da platia. Se o pblico for reduzido, menos de 100 pessoas, desde que tenha domnio do assunto, poder permitir que faam perguntas desde o princpio, pois ser possvel manter o controle dos ouvintes. Se, entretanto, o pblico for numeroso, acima de 100 pessoas, mesmo tendo profundo conhecimento do assunto o ideal que as perguntas sejam feitas no final. E se a platia for muito mais numerosa ainda prefervel que as perguntas sejam feitas por escrito, para que possa separar aquelas que tenham objetivos semelhantes e sejam resolvidas com a mesma resposta. Esse recurso permite tambm que um maior nmero de pessoas seja atendido. O tempo da apresentao e a circunstncia em que ela realizada tambm influi na deciso. Se tiver que falar com tempo determinado e reduzido, menos de meia hora, dever permitir as perguntas apenas no final, pois se respond-las desde o inicio, ou no cumprir o tempo determinado, ou no conseguir transmitir toda a mensagem. O nvel e o conhecimento dos ouvintes tambm precisa ser considerado. Quando os ouvintes possuem baixo nvel intelectual, ou sabem muito pouco sobre o assunto que ser tratado recomendvel que s faam perguntas no final, pois se, sem conhecimento, ou despreparados comearem a perguntar desde o incio correr o risco de que levantem questes imprprias ou inconvenientes que podero comprometer o interesse da platia. Os ouvintes tendem a se desinteressar pelo assunto quando a exposio interrompida por perguntas, pois deduzem que as questes levantadas tm importncia apenas para quem fez a pergunta e que no foram planejadas pelo palestrante. Por isso, sempre que for possvel valorize a pergunta dizendo muito boa sua pergunta, interessante essa questo, pertinente sua observao, e de outras frases de estmulo, pois assim estar dizendo nas entrelinhas aos ouvintes que a pergunta est dentro do assunto e que todos deveriam prestar ateno na resposta. S tome cuidado para no valorizar todas as perguntas quando forem muito freqentes, visto que os ouvintes poderiam entender essa atitude como um artifcio, pondo em dvida sua credibilidade. Nesse caso, valorize uma, pule umas duas, valorize outra. Assim, usar o recurso sem deixar que os ouvintes percebam a tcnica.

Se a pergunta no for boa, valorize, mas no responda. Diga, por exemplo, que pessoalmente se interessa muito pelo tema e que gostaria de conversar com o ouvinte depois da apresentao. Ele ficar feliz por ter proposto um assunto que interessa ao palestrante e voc no arriscar perder a platia tratando de uma matria que foge do objetivo da apresentao e que provavelmente no interessa ao pblico. Se tiver dvida quanto ao nvel intelectual dos ouvintes e ao conhecimento que possuem sobre o tema, ou ainda se desejar medir o interesse do pblico, deixe a platia livre para decidir se deseja ou no fazer as perguntas e em que momento. Resumo: Os ouvintes devem fazer perguntas desde o incio quando: voc domina o assunto o pblico for reduzido no houver problema de tempo Os ouvintes devem fazer perguntas no final quando: voc tiver conhecimento superficial do assunto o pblico for numeroso o tempo da apresentao for reduzido o nvel intelectual dos ouvintes for baixo, ou tiverem pouco conhecimento do assunto

Para deixar mais interessante: valorizar a pergunta do ouvinte motiva a platia a continuar atenta. Se for brincadeira, exagere Deu na Veja em Cartas, sob o ttulo Ser engraado difcil, a revista fez o seguinte comentrio sobre uma de suas matrias publicadas: ...foi uma tentativa - pelas reaes adversas dos leitores, no muito bem-sucedida - de fazer humor. Ocorreu o seguinte: a revista fez uma brincadeira usando jogo de palavras para ironizar algumas incorrees gramaticais. Usou a frase A nvel de coragem, palmas para Jade, como ttulo de uma pequena nota, para associ-la no final do texto com outra expresso condenvel a autora Glria Perez, resolveu enroscar em Jade a jibia Pimpolho. Profissionalssimas, as duas contracenaram sem problemas. Sempre achei que fosse ter medo. Mas em cena tenho uma grande segurana, enquanto Jade', diz a corajosa Giovanna. Foi uma forma bastante sutil e muito inteligente da revista chamar a ateno para esses deslizes da nossa inculta e bela. S que a observao foi sutil demais e cento e quarenta e tantos leitores levaram as frases ao p da letra e inconformados escreveram para criticar a revista. E se mais de cento e quarenta tiveram a iniciativa de escrever, d para imaginar o nmero de pessoas que no se manifestaram, mas tambm no entenderam a inteno do texto e o criticaram em silncio.

Por isso, no brinque com brincadeiras, leve-as muito a srio. E levar brincadeira a srio significa demonstrar de maneira muito clara que est brincando. Se depois de usar uma ironia, por exemplo, tiver de explicar que o que acabou de fazer foi s uma brincadeira, significa que sua atitude ao brincar no foi apropriada. Fique muito atento, falando ou escrevendo, e deixe claro que est brincando, para no arrumar confuso. E confuso o que no falta quando nosso humor no bem interpretado. Embora o bomhumor, mas bom mesmo, de qualidade, seja apontado como um dos recursos mais importantes para o sucesso da comunicao, por outro lado uma forma quase sempre perigosa e arriscada de se comunicar. Primeiro, porque a linha que separa o humor da vulgaridade muito delicada e nem sempre perceptvel. Quanto mais nos aproximamos dessa linha, mais bem-humorados nos tornamos, mas maior passa a ser o risco de ultrapassarmos o limite e nos tornarmos vulgares. Depois, h inmeros fatores que predispem as pessoas a entender e a aceitar o humor. Depende da cultura, do nvel intelectual, do ambiente, da receptividade `a mensagem ou ao orador, enfim, so tantos detalhes que compreend-los e domin-los exige experincia e muita capacidade de observao. Finalmente, a forma de fazer humor precisa ser to evidente aos ouvintes que eles no tenham dvidas de que o que esto ouvindo no pode ser tomado no sentido literal, mas sim de que se trata de uma brincadeira. As pessoas podem ficar chateadas e se sentir tradas quando acompanham um raciocnio de maneira compenetrada e no final, ou melhor, depois do final, so informadas de que tudo no passou de uma brincadeira. s vezes no d para consertar mais, pois j amarraram o bico, cruzaram os braos e querem continuar descontentes. E as pessoas se chateiam tambm quando ocorre o contrrio, pensam que tudo no passa de uma brincadeira e descobrem decepcionadas no final que o assunto era srio. Para no incorrer nesses inconvenientes, desde o incio v dando sinais do tom da apresentao, para que os ouvintes, at inconscientemente, se preparem para o objetivo da mensagem. Assim, voc poder surpreender o ouvinte, j que a surpresa uma espcie de combustvel para alimentar e realimentar o interesse das pessoas, sem que ele se sinta enganado, pois de alguma maneira, pelas pistas que recebeu, sabia qual seria o andar da carruagem. Quanto mais baixo for o nvel intelectual dos ouvintes, mais fortes devero ser os sinais do tom que pretende dar. Ao contrrio, quanto mais bem preparada for a platia, mais sutil poder ser essa indicao. No caso de dvida no vacile, nivele por baixo para evitar riscos. Vigie sua forma de falar quando pretender usar o humor e observe se as pessoas esto entendendo com facilidade que voc est brincando. Se perceber que precisa ficar dando explicaes de que se tratou de uma brincadeira, passe a exagerar at que ningum mais tenha dvidas. Faa caretas, imite a voz do fanho, engrosse ou afine a voz, estenda as pausas, fale como se fosse um estrangeiro tentando se expressar na nossa lngua com sotaque carregado e outros recursos que puder encontrar. Como ningum falaria assim normalmente ficar evidente que voc est brincando. No Brasil, quem sabe indicar com inteligncia e na medida certa quando est brincando e em que momento fala com seriedade o Max Gehringer. Seus textos possuem esse equilbrio de humor e de contedo que faz pensar, e voc nunca fica em dvida se ele est

brincando ou falando srio. Vale a pena ler seus artigos na VOC s.a. e na EXAME e tambm seus livros. uma boa forma de aprender e observar a aplicao do humor para depois adapt-lo ao seu prprio estilo. Resumo de como se comportar para usar o humor: Deixe muito claro que est brincando O humor um dos recursos mais importantes para o sucesso da comunicao O uso do humor arriscado porque existe uma linha muito delicada que o separa da vulgaridade; porque h inmeros fatores que predispem as pessoas a entender e a aceitar o humor (cultura, nvel intelectual, ambiente, receptividade); porque a forma de fazer humor precisa ser evidente. As pessoas podem se chatear e se sentir tradas quando o tom da apresentao indica informao sria e depois descobrem que era brincadeira e vice-versa Desde o princpio v dando sinais do tom da apresentao Surpreenda sempre os ouvintes, sem, entretanto, engan-los Quanto mais baixo o nvel intelectual dos ouvintes mais fortes devero ser os sinais do tom que se pretende dar. Quanto mais elevado for o nvel intelectual, mais sutis podero ser os sinais do tom. Em caso de dvida use sinais fortes Fique atento e vigie sua forma de usar o humor se sentir que est precisando explicar suas brincadeiras exagere at que no precise mais dizer que estava brincando. Faa caretas, imite a voz do fanho, engrosse ou afine a voz, estenda as pausas, fale como se fosse um estrangeiro tentando se expressar na nossa lngua com sotaque carregado Leia os textos do Max Gehringer para aprender como usar o humor e como falar com seriedade, sem que os ouvintes tenham dvidas das suas intenes Ponha ordem na sua apresentao Como difcil prestar ateno em pessoas que falam sem ordenar o pensamento de maneira correta. Alguns fazem das suas apresentaes um verdadeiro samba do crioulo doido. Quando voc pensa que vo entrar no assunto, do marcha r, viram os olhos para cima, com aquela expresso de quem est longe no tempo e comeam a contar histrias da infncia (no da infncia deles, mas sim da do av, quando morava na Itlia); mais frente quando chega a hora de encerrar, desfiam o novelo e voltam a falar o que j haviam transmitido no assunto central, repetindo com detalhes a mesma linha de argumentao, como se fosse a maior novidade do mundo; e, surpresa! no momento em que seria necessrio esclarecer aspectos importantes do assunto, encerram de forma abrupta, dando a impresso de que novos captulos ainda precisariam ser contados.

De maneira geral, as apresentaes no possuem seqncia lgica e bem ordenada por falta de planejamento eficiente. E o que mais interessante nessa histria toda que a ordem usada para planejar uma apresentao deve ser diferente da seqncia da exposio. No nada muito complicado e voc ver que tudo segue uma lgica fcil de ser percebida. Vamos observar algumas regrinhas que ajudam a planejar bem qualquer tipo de apresentao, desde uma simples conversa at a mais importante conferncia. No comece pelo comeo No comece a planejar sua fala pela introduo. Reflita comigo: como que voc poder saber o que dever dizer no incio se ainda no tem idia do assunto que ir abordar e dos objetivos que pretende atingir? Na verdade, a introduo dever ser planejada em ltimo lugar, depois mesmo da concluso, quando j tiver noo do rumo que a sua mensagem tomar e dos obstculos e dificuldades que precisar superar durante a exposio. Voc s estar em condies de preparar a introduo de maneira apropriada depois que souber quem sero os ouvintes, que conhecimento possuem sobre o tema e se podero ou no estar resistentes com relao a voc ou ao assunto que ser tratado. Portanto, ao planejar a seqncia da sua apresentao concentre-se no tema que ir expor, deixe a introduo e a concluso para o final. Identifique o assunto O primeiro passo para planejar bem uma apresentao identificar qual o assunto que pretende desenvolver. Por incrvel que parea, muitas pessoas apresentam-se diante do pblico sem saber de forma clara qual o assunto que iro expor. Por exemplo, podero estar certas de que falaro sobre taxas de juros ou variaes cambiais, quando na realidade esses itens eram apenas partes de um tema mais amplo tendncias da economia. Identificado o assunto, organize os argumentos que pretende utilizar estatsticas, pesquisas, estudos tcnicos e cientficos, teses, exemplos, comparaes, testemunhos. Dica especial Comece a organizar os argumentos selecionando para o incio um que seja bom, e na seqncia v pela ordem crescente, desde o mais frgil at chegar quele que considere irrefutvel. Ponha-se agora no lugar dos ouvintes e procure descobrir que resistncias eles poderiam levantar contra os argumentos e prepare-se para defend-los. Descubra os objetivos Lembre-se de que voc ainda est no assunto central, no primeiro passo do planejamento. Depois de ter identificado o assunto, descubra qual o objetivo da sua exposio. dar a soluo para um problema? Ou transmitir uma informao atual? Descobriu? Pronto, voc j est em condies de planejar o segundo passo da sua apresentao. Facilite o entendimento dos ouvintes

No porque voc j sabe qual a mensagem que ir transmitir que poder supor que os ouvintes tambm j saibam. No s no sabem como de maneira geral precisam ser bem orientados, para que possam compreender o assunto que iro ouvir. Para facilitar o entendimento dos ouvintes conte a eles sobre o que vai falar e esclarea qual o problema que precisa ser solucionado Se for um assunto novo, sobre o qual eles tenham poucas informaes, faa um histrico mostrando como os fatos ocorreram ao longo do tempo at chegar ao momento atual. Observe que essas informaes s sero possveis depois de voc ter cumprido o primeiro passo do planejamento. Prepare a concluso e a introduo Agora sim voc poder planejar como far a concluso, levando os ouvintes a refletir ou agir de acordo com a sua mensagem. E finalmente poder preparar a introduo. S que j sabendo o caminho que ser percorrido e os obstculos que dever superar, estar em condies de iniciar a apresentao afastando desde o princpio as resistncias dos ouvintes e conquistando a ateno e a simpatia de todos. Pronto, com esse planejamento simples voc ir organizar melhor o seu pensamento e ajudar o ouvinte a acompanhar sem esforo o seu raciocnio. Resumo geral para o planejamento de uma apresentao 1. Identifique o assunto e os seus objetivos. 2. Facilite o entendimento dos ouvintes, contando qual o assunto que ir expor, o problema que precisa ser solucionado, ou fazendo um retrospecto das informaes at chegar ao momento presente. 3. Prepare a concluso. 4. Decida-se pela introduo mais apropriada. Depois s ir para frente da platia e comear a falar pelo comeo. Continue na sua Que chato! s pensar em progredir um pouquinho que l vem a receitinha: voc precisa mudar, ser diferente, seguir outros rumos. A voc pensa est certo, parto para o sacrifcio porque quero continuar crescendo, mas se pudesse chegar l do jeito que eu sou, sem grandes mudanas, acho que seria um cara mais realizado. Pois fique sabendo que para melhorar nem sempre h necessidade de mudanas indesejveis. Por isso, prepare-se que l vai uma proposta irrecusvel aumentar as chances de sucesso na comunicao sem mudanas de comportamento, apenas explorando o que voc j tem de melhor. Em comunicao, se algum tiver dificuldade, ou precisar fazer muito sacrifcio para usar uma tcnica, das duas uma, ou ela no boa, ou no apropriada para ele. Vou me ater a apenas um aspecto da comunicao, a maneira de falar, e a partir dele voc poder refletir sobre muitos outros, prprios para a sua caracterstica. Voc fala muito rpido?

Sim? Ento j deve ter ouvido muita gente aconselhando hei, fale mais devagar, para que tanta pressa? Parece que vai tirar o pai da forca! E quem disse que a soluo para o seu caso essa, falar mais devagar? Verifique se voc ir se sentir confortvel falando mais devagar. Pode ser que falar depressa o ajude a dar fluncia ao pensamento e a se expressar de forma mais envolvente, demonstrando interesse pelo que est dizendo. Se concluir que obtm essas vantagens falando mais depressa, nada de comear a pisar no freio de maneira precipitada, s porque disseram que deveria agir assim. Voc precisar apenas se empenhar para tornar essa caracterstica um estilo positivo de comunicao. Veja o que pode ser feito para melhorar e continuar na sua: Melhore a dico - A primeira regrinha para quem fala rpido aprimorar cada vez mais a dico. Pronunciando bem as palavras, mesmo falando mais rpido, as pessoas compreendero sua mensagem. Para pronunciar melhor as palavras faa leitura de textos de jornais e revistas em voz alta, com algum obstculo na boca, como o dedo indicador (a mesma atitude de algum que morde o dedo quando est com raiva, s que sem a mesma fora, de leve), ou um pedao de rolha. Cinco minutinhos por dia sero suficientes. Voc exercitar os msculos labiais, aprender a ouvir o som da prpria voz e desenvolver o reflexo condicionado para pronunciar bem as palavras naturalmente, sem precisar prestar ateno em como est produzindo o som. Se julgar que seu problema de dico mais grave, procure um fonoaudilogo para que ele faa uma avaliao e o oriente sobre o procedimento mais adequado.

Faa pausas - Outro cuidado que algum que fala rpido precisa ter o de fazer pausa ao concluir uma frase, ou informao importante. Embora o recurso da pausa deva ser usado por todas as pessoas, independentemente da sua caracterstica, no caso de quem fala rpido o cuidado precisa ser redobrado, pois alm de valorizar a mensagem que acabou de transmitir, estar dando oportunidade para que os ouvintes reflitam sobre ela. E mais, a pausa usada de maneira apropriada ajuda a criar maior expectativa sobre as informaes que viro a seguir. Repita as informaes importantes - Quem fala depressa corre o risco de jogar tudo dentro do mesmo saco, impedindo que os ouvintes, em meio quele turbilho, percebam quais as informaes importantes. Desenvolva o hbito de repetir as informaes importantes para dar mais uma chance de as pessoas entenderem o que foi transmitido. Procure fazer a repetio com palavras diferentes para que a exposio no se torne desinteressante. Voc j percebeu que no precisar mudar. Poder continuar falando rpido e com esses recursos estar transformando sua caracterstica em um estilo agradvel e eficiente.

Voc fala muito devagar? Sim? Ento tambm no foi poupado pelas crticas e a vagareza, vai continuar nessa marcha lenta? Fale mais depressa.E quem foi o gnio que afirmou que essa mudana o beneficiaria? Se falar devagar o ajuda a esquematizar melhor o pensamento, a planejar de

forma mais apropriada a seqncia da fala e a considerar com mais preciso a maneira de refutar as possveis objees que encontrar pela frente, fique na sua, no mude. Apenas aprenda a usar os recursos mais eficientes para tornar a fala mais lenta em um estilo positivo e passar a explor-lo a seu favor. Aqui vo algumas dicas para atingir esse objetivo:

Continue olhando para os ouvintes - Durante as pausas procure continuar olhando para os ouvintes, para no deixar que se rompa aquele fio invisvel que prende voc a eles. Mantenha o contato visual com todas as pessoas para que possa analisar a reao que esto tendo diante das suas mensagens e se sintam prestigiadas e interessadas em seguir seu raciocnio. Volte a falar com nfase - Aps os momentos de pausas mais prolongadas inicie a frase seguinte falando com mais nfase, energia e disposio, demonstrando por esse comportamento que nos instantes de silncio estava fazendo opo pelas melhores idias, e que no deixou de usar palavras porque tivessem desaparecido da mente. Fique em silncio, mesmo - Quem fala mais devagar acaba desenvolvendo o hbito de preencher as pausas com os irritantes h, , iii. O problema surge porque mesmo falando mais devagar no significa que o pensamento seja lento tambm, ao contrrio, em pessoas com essa caracterstica o raciocnio est sempre muito frente na exposio, planejando o que dizer na seqncia. Por ser o pensamento rpido e as palavras no aparecerem com a mesma velocidade os rudos funcionam como espcie de aviso aos ouvintes de que j sabe o que vai dizer, mas que as palavras ainda no surgiram. Tenha pacincia, aguarde a palavra com calma e fique em silncio absoluto nas pausas o resultado ser muito mais positivo. Alterne o volume da voz e, se for possvel, de vez em quando a velocidade - A tendncia de quem fala mais devagar tornar a exposio montona. E por esse motivo que geralmente a maneira lenta de falar criticada. Por isso, procure alternar o volume da voz, falando s vezes mais alto e em outros momentos mais baixo. Se for possvel, sem que esse esforo o pressione de alguma maneira, alterne de vez em quando tambm a velocidade, isto , voc continua falando devagar, mas em determinados momentos d uma aceleradinha, para produzir assim um ritmo mais agradvel exposio.

Esse o caminho crescer e progredir fazendo o possvel para continuar na sua, sem mudanas que provoquem desconfortos. lgico que essa atitude no pressupe o comodismo, ao contrrio, talvez exija at mais dedicao e empenho para que voc possa melhorar. Mas no uma delcia, saber que poder chegar l sendo voc mesmo?