APOSTILA ECONOMIA (INTRODUÇÃO)

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  • INTRODUO ECONOMIA

    Prof. MSC. Lucio Sanches

    P g i n a | 1 Introduo Economia

    APOSTILA ECONOMIA (INTRODUO)

  • INTRODUO ECONOMIA

    Prof. MSC. Lucio Sanches

    P g i n a | 2 Introduo Economia

    SUMRIO

    1 UNIDADE 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIA ............................................... 4

    1.1 EVOLUO DO PENSAMENTO ECONMICO ................................................................ 41.1.1 Antiguidade e suas contribuies ao pensamento econmico .................................... 51.1.2 A Economia na Idade Mdia ........................................................................................ 61.1.3 Mercantilismo ............................................................................................................... 81.1.4 Os Fisiocratas e a doutrina do "laissez-faire" ............................................................ 101.1.5 Escola Clssica .......................................................................................................... 121.1.6 O Pensamento Neoclssico (ou Marginalista) ........................................................... 181.1.7 O Pensamento Keynesiano ....................................................................................... 21

    1.2 CONCEITOS ECONMICOS FUNDAMENTAIS .............................................................. 251.2.1 As Necessidades, Os Bens Econmicos e os Servios ............................................ 27

    1.2.1.1 Necessidade Humana: ........................................................................................ 271.2.1.2 Bens .................................................................................................................... 291.2.1.3 Servios .............................................................................................................. 30

    1.2.2 Fatores de Produo .................................................................................................. 311.2.3 Agentes Econmicos ................................................................................................. 31

    2 UNIDADE 2 MENSURAO DA ATIVIDADE ECONMICA .............................................. 34

    2.1 ORGANIZAO DA ATIVIDADE ECONMICA ............................................................... 342.1.1 Economia de Mercado ............................................................................................... 35

    2.1.1.1 O Sistema de Preos .......................................................................................... 362.1.1.2 O Que, Como e Para Quem Produzir ................................................................. 372.1.1.3 O Fluxo Circular da Atividade Econmica .......................................................... 39

    2.1.2 Economia Planificada Centralmente .......................................................................... 412.1.3 Economia Mista .......................................................................................................... 42

    2.1.3.1 O Que Produzir? ................................................................................................. 432.1.3.2 Como Produzir? .................................................................................................. 442.1.3.3 Para Quem Produzir? ......................................................................................... 44

    2.2 MERCADO ........................................................................................................................ 452.3 ESTRUTURA DE MERCADO ........................................................................................... 51

    2.3.1 Concorrncia Perfeita ................................................................................................ 522.4 Concorrncia Imperfeita .................................................................................................... 53

    2.4.1 Monoplio ................................................................................................................... 542.4.2 Oligoplio ................................................................................................................... 562.4.3 Concorrncia Monopolstica ....................................................................................... 59

    3 UNIDADE 3 - FUNDAMENTOS DA MICROECONOMIA E DA MACROECONOMIA.............. 62

    3.1 Ferramentas de Anlise Econmica ................................................................................. 643.1.1 Os Modelos ................................................................................................................ 643.1.2 Abordagem Analtica .................................................................................................. 653.1.3 A Tomada de Deciso ................................................................................................ 653.1.4 Anlise Macroeconmica ........................................................................................... 67

    3.2 INTRODUO A TEORIA DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR ....................... 683.2.1 Comportamento do Consumidor ................................................................................ 69

    3.2.1.1 O Pleno Conhecimento ....................................................................................... 703.2.1.2 A Funo Preferncia ......................................................................................... 703.2.1.3 Utilidade e Preferncia ........................................................................................ 713.2.1.4 Limitao Oramentria ...................................................................................... 73

    3.2.2 Demanda do Consumidor .......................................................................................... 74

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    3.3 INTRODUO A ECONOMIA MONETRIA .................................................................... 763.3.1 Moedas e Bancos Comerciais ................................................................................... 76

    3.3.1.1 As funes da moeda ......................................................................................... 793.3.1.2 Moeda e quase-moeda ....................................................................................... 803.3.1.3 Bancos Comerciais ............................................................................................. 813.3.1.4 O Sistema Financeiro Nacional .......................................................................... 82

    3.3.2 Poltica Monetria ...................................................................................................... 903.3.2.1 Instrumentos de Poltica Monetria .................................................................... 903.3.2.2 Efeitos da Poltica Monetria .............................................................................. 93

    4 UNIDADE 4 NOES DE COMRCIO INTERNACIONAL .................................................. 97

    4.1 Conceitos Bsicos ............................................................................................................. 984.2 Teorias do Comrcio Internacional ................................................................................... 98

    4.2.1 Teoria Clssica do Comrcio: as contribuies de A. Smith e D. Ricardo. ............... 994.2.2 Teoria Neoclssica do Comrcio: o modelo Heckscher-0hlin ................................. 1004.2.3 Modernas Teorias do Comrcio Internacional ......................................................... 100

    4.3 Polticas Comerciais e Finanas Internacionais .............................................................. 1024.3.1 Obstculos ao Livre Comrcio ................................................................................. 1024.3.2 As Principais Medidas Intervencionistas .................................................................. 1034.3.3 Organizaes Comerciais e Monetrias Internacionais ........................................... 1044.3.4 Regionalizao do Comrcio Internacional .............................................................. 106

    4.4 O Balano de Pagamentos ............................................................................................. 108

    5 UNIDADE 5 ECONOMIA DO SETOR PBLICO ................................................................ 114

    5.1 Fundamentos da Economia do Setor Pblico ................................................................. 1155.1.1 A questo do bem-estar ........................................................................................... 1155.1.2 Falhas de mercado .................................................................................................. 1165.1.3 As funes do setor pblico ..................................................................................... 118

    5.2 Participao do Setor Pblico na Economia ................................................................... 1205.2.1 Evoluo das despesas e receitas pblicas ............................................................ 120

    5.3 Tributao e Oramento Pblico ..................................................................................... 1245.3.1 Princpios tericos da tributao .............................................................................. 1245.3.2 Sistemas tributrios .................................................................................................. 1255.3.3 Principais impostos existentes no Brasil .................................................................. 126

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    1 UNIDADE 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIA

    O objetivo desta unidade trazer a voc aluno(a) as principais

    noes da Cincia Econmica. Vamos conhecer as principais

    Escolas do Pensamento Econmico, que a base das Teorias

    Econmicas. Na seqncia, vamos estudar as necessidades, os

    bens econmicos e os servios, a fim de que voc possa

    estabelecer relaes com a economia e seu cotidiano. E para

    finalizar, vamos estudar sobre o conceito de fatores de produo,

    com o objetivo de fazer voc compreender a situao do

    trabalhador, da acumulao de capital, da distribuio da riqueza,

    da industrializao, do setor agroindustrial, do comrcio, das

    famlias, das empresas e do governo.

    1.1 EVOLUO DO PENSAMENTO ECONMICO

    A histria da Economia de grande importncia para a humanidade, tanto

    a pr-clssica quanto a mais atual. somente entendendo a dinmica da histria

    econmica das civilizaes que voc poder compreender toda a complexidade que

    domina a cincia econmica e a sociedade.

    A Economia surgiu como cincia a partir de 1.776, com a publicao da

    obra de Adam Smith, A Riqueza das Naes. Antes disso, a Economia no passava de

    um pequeno ramo da Filosofia Social e do Direito. Com o Mercantilismo e a

    Fisiocracia, as idias econmicas comeam a ter um pequeno desenvolvimento.

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    1.1.1 Antiguidade e suas contribuies ao pensamento econmico

    Mesmo nas sociedades primitivas, os homens precisavam organizar-se em

    sociedade, para defender-se dos inimigos, abrigar-se e produzir comida para

    sobreviver. A diviso do trabalho, da decorrente, permitiu o desenvolvimento da

    espcie humana em comunidades cada vez maiores e mais bem estruturadas. Na maior

    parte dos casos, a produo era basicamente para sobrevivncia.

    Alguns homens mais habilidosos passaram a produzir um pouco mais, o que

    permitiu o incio das trocas. Aos poucos, o trabalho de alguns homens passou a ser

    suficiente para atender s necessidades de um conjunto cada vez maior de pessoas.

    Na Grcia Antiga, como em Roma, a maior parte da populao era

    composta por escravos, que realizavam todo o trabalho em troca do estritamente

    necessrio para sobreviver. Os senhores de escravos apropriavam-se de todo o

    produto excedente. A economia era quase exclusivamente agrcola; o meio urbano no

    passava de uma fortificao com algumas casas, onde residiam os nobres, ou chefes

    militares.

    Gastaldi (1999) assinala que, na histria da civilizao de Roma, se

    encontram muitos dos elementos que caracterizam o moderno capitalismo. Os romanos

    foram os principais estadistas, juristas e construtores de imprios. Um dos traos da

    civilizao romana foi a expanso agrcola, que favoreceu a sua economia e,

    notadamente, a sua agricultura, e que foi um dos determinantes da expanso do

    poderio poltico do Imprio. De uma outra forma, o declnio de sua agricultura foi a

    principal causa de sua perda. Agressiva foi a poltica de expanso comercial de Roma,

    que proporcionou grandes lucros, ao mesmo tempo em que despertou a rivalidade com

    o poder comercial de outros povos. Isto posto, os acordos comerciais foram

    substitudos pelos conflitos armados.

    Com o Imprio Romano:

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    Consolidava-se a expanso comercial;

    Consolidava as funes do dinheiro;

    Criavam-se os impostos mais elevados;

    Aumentavam as despesas do governo.

    Foi tambm no Imprio romano que

    nasceu a agiotagem, e a riqueza passou a se

    concentrar nas mos de uma minoria. As economias dos

    pases subdesenvolvidos, tal como o Brasil,

    apresentam semelhanas com o Imprio Romano. De uma

    lado, h pessoas abastadas e profundamente ricas, de

    outro, h pessoas pobres.

    As situaes de decadncia do imprio conduziu o povo a uma elevada

    crise de escassez, quando aumentaram, e muito, as necessidades urbanas em

    alimentos. Podemos apontar as causas econmicas de declnio do imprio Romano:

    Grande concentrao das riquezas por grupos minoritrios;

    Grandes propriedades rurais improdutivas;

    Servido dos pequenos e mdios agricultores;

    Separao sempre maior entre ricos e pobres; e

    Crescente escassez de alimentos.

    Deste modo, podemos concluir que, as causas econmicas conjugadas com

    as polticas, determinaram a queda do Imprio Romano.

    1.1.2 A Economia na Idade Mdia

    A Idade mdia ou Idade Medieval, surgiu com o declnio da Imprio

    Romano por volta de 476 D.C. Esse perodo, um dos mais longos da histria, durou dos

    anos 500 a 1500. Com a Idade Mdia, abriu-se uma nova era para a humanidade o

    chamado feudalismo.

    GLOSSRIO AGIOTA a pessoa que faz prtica da usura, ou seja, empresta dinheiro a outra no mercado informal, sem a devida autorizao legal para isto. Fonte Aurlio 2010.

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    Na base do sistema feudalista, estava o servo, que trabalhava nas terras

    de um senhor, o qual devia lealdade a um senhor mais poderoso, este a outro, at

    chegar ao Rei. Os senhores davam a terra a seus vassalos, para serem cultivados, em

    troca de pagamento em dinheiro, alimentos, trabalho e lealdade militar. Em troca

    dessa lealdade, o senhor concedia proteo militar a seu vassalo.

    O servo no era livre, pois estava ligado terra e a seu senhor, mas no

    constitua sua propriedade, como o escravo. As trocas desenvolveram-se no nvel

    regional, entre as cidades e suas reas agrcolas. A cidade, com seus muros,

    constitua-se no local de proteo dos servos, em caso de ataque inimigo. Aos poucos,

    porm, passou a ser o local onde se realizavam as trocas. Desenvolveram-se as

    corporaes de ofcio e a diviso do trabalho. Com as Cruzadas, a partir de 1.096,

    expandiu-se o comrcio mediterrneo, impulsionando cidades como Gnova, Pisa,

    Florena, Veneza, etc.

    A Teologia Catlica exerceu um poder muito grande sobre o pensamento

    econmico da Idade Mdia. A propriedade privada era permitida, desde que usada

    com moderao. Havia uma idia de moderao na conduta humana, o que levava s

    concepes de justia nas trocas e, portanto, de justo preo e justo salrio.

    O emprstimo a juros era condenado

    pela Igreja, pois contraria a idia de justia nas

    trocas: o dinheiro reembolsado seria maior do que

    o emprestado.

    Diferente do pensamento capitalista,

    o pensamento cristo condenava a acumulao de

    capital (riqueza) e a explorao do homem pelo

    homem. A opo da Igreja, ento, foi pelo retorno

    a atividade rural, ao contrrio de Roma. Na verdade, a igreja, atravs de suas

    conventos e mosteiros, tornou-se grande proprietria de grandes terras.

    GLOSSRIO Justo Salrio aquele que permite ao trabalhador e sua famlia viver de acordo com os costumes de sua classe e de sua regio. Similarmente, na determinao do lucro, a idia era a mesma: o justo lucro resulta da justia nas trocas. (ele no deve permitir ao arteso enriquecer).

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    A terra transformou-se na riqueza por excelncia. Nascia, assim, o

    regime feudal, caracterizado, como dito anteriormente na apostila por propriedades

    nas quais os senhores e os trabalhadores viviam indiretamente do produto da terra ou

    do solo. Eram mdias ou grandes propriedades rurais, auto-suficientes econmica e

    politicamente, obedientes a autoridade do senhor ou proprietrio, e nas quais os

    servos exerciam suas atividades agrcolas ou artesanais.

    O rei, embora dirigisse o Estado, no possua influncia ou poder de

    deciso nos feudos, onde a autoridades mxima era a do senhor da gleba (os

    exploradores) e onde labutavam os servos ( os exploradores).

    1.1.3 Mercantilismo

    O mundo novo surge (inclusive o Brasil nas Amricas ), com o crescimento

    e o desenvolvimento das cidades, a nova poltica e as profundas mudanas do tempo

    medieval, grandes transformaes comeam a ocorrer, tanto em matria comercial e

    de produo.

    O pensamento religioso se enfraquecia, operava-se uma forte

    centralizao poltica , ocorrendo a criao das naes modernas e das monarquias

    absolutas.

    O Renascimento cultural e cientfico e

    o Mercantilismo abriram os horizontes da Europa, a

    partir de 1.450. A Reforma Protestante de Martin

    Lutero (1.483-1.546) e Joo Calvino (1.509-1.564),

    exaltando o individualismo, a atividade econmica e o

    xito material, deu grande impulso economia.

    Enriquecer no constitua mais um pecado. A

    cobrana de juros e a obteno de lucro passaram a ser permitidas.

    GLOSSRIO Mercantilismo uma das primeiras doutrinas econmicas, muito usada at o final do sculo XVIII. No foi uma doutrina consistente e coerente, mas um conjunto de ideias econmicas de cunho protecionista, desenvolvidas em diversos pases, as quais variavam um pouco em funo dos interesses de cada pas. Fonte: Lacombe (2004)

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    Ao mesmo tempo, ocorreu uma transformao poltica na Europa, com o

    enfraquecimento dos feudos e a centralizao da poltica nacional. Aos poucos, foi-se

    formando uma economia nacional relativamente integrada, com o Estado central

    dirigindo as foras materiais e humanas.

    No mbito internacional, as descobertas martimas e o grande afluxo de

    metais preciosos para a Europa, deslocaram o eixo econmico do Mediterrneo para

    novos centros como Londres, Amsterd, Lisboa, Madri, etc. At ento, a idia

    mercantilista dominante era a de que a riqueza de um pas media-se pelo afluxo de

    metais preciosos (metalismo).

    Com a idia de garantir um afluxo positivo de ouro e prata para seu pas,

    os mercantilistas sugeriam que se aumentassem as exportaes e que se controlassem

    as importaes. Na Frana, surgiu a proteo indstria, com o fim de assegurar

    exportaes mais regulares e com maior valor.

    Com o objetivo de maximizar o saldo comercial e o afluxo de metais

    preciosos, as Metrpoles estabeleceram um "pacto colonial" com suas colnias. Por

    meio desse "pacto", todas as importaes da colnia passaram a ser provenientes de

    sua Metrpole, assim como todas as suas exportaes seriam destinadas a ela

    exclusivamente. A Metrpole monopolizava tambm o transporte dessas mercadorias.

    O Mercantilismo contribuiu decisivamente para estender as relaes

    comerciais do mbito regional para o mbito internacional. Ele constituiu uma fase de

    transio entre o feudalismo e o capitalismo moderno. No Mercantilismo, a tica

    paternalista crist (catlica) ao condenar a aquisio de bens materiais, entrava em

    conflito com os interesses dos mercadores-capitalistas. Aos poucos, o Estado

    Nacional passou a ocupar o lugar da Igreja na funo de supervisionar o bem-estar da

    coletividade. Gradativamente, os governos foram sendo influenciados pelo

    pensamento mercantilista. (comearam a surgir leis que beneficiavam os interesses

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    dos mercantilistas e do capitalismo nascente: lei do cercamento das terras, leis que

    incentivavam a indstria, leis que criavam barreiras s importaes, etc.)

    O Mercantilismo provocou grandes distores, como abandono da

    agricultura em benefcio da indstria, excessiva regulamentao e intervencionismo

    exagerado do Estado na atividade econmica. Aos poucos, foram surgindo novas

    teorias sobre o comportamento humano, de cunho liberal e individualista, mais de

    acordo com as necessidades da expanso capitalista.

    Em resumo o mercantilismo foi:

    um regime de nacionalismo econmico. A acumulao de riqueza se

    consistia na principal finalidade do Estado.

    Para os mercantilistas o Estado deveria encontrar os meios

    necessrios para que o pas adquirisse a maior quantidade possvel

    de ouro e prata.

    Os disciplinas procuravam disciplinar as atividades industriais e

    comerciais de tal forma que as exportaes fossem sempre

    favorecidas em detrimento das importaes

    1.1.4 Os Fisiocratas e a doutrina do "laissez-faire"

    A Fisiocracia constitui a primeira escola econmica de carter cientfico,

    liderada pelo mdico francs Franois Quesnay (1.694-1774), autor da obra O Quadro

    Econmico: anlise das variaes do rendimento de uma nao.

    Podemos conceituar a fisiocracia como um grande grupo de economistas

    franceses do sculo XVIII que combateu as ideias mercantilistas e formulou, pela

    primeira vez uma Teoria do Liberalismo Econmico.

    Dentre suas caracterstica, descatam-se:

    Comrcio como atividade dominante.

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    Comrcio interno.

    O Estado era monoplio ( toda atividade era comandada e

    controlada pelo Estado)

    Segundo a doutrina fisiocrtica, a sociedade formada pela classe

    produtiva (agricultores), pela classe dos proprietrios de terras e pela classe estril

    (todos os que se ocupam do comrcio, da indstria e dos servios).

    A agricultura era considerada produtiva por ser, para os fisiocratas, a

    nica que gera valor. Desse modo, os preos agrcolas deviam ser os mais elevados

    possvel, a fim de gerar lucros e recursos para novos investimentos agrcolas. Os

    consumidores seriam compensados pela cobrana de um imposto nico sobre a renda

    dos proprietrios de terras e por medidas que reduzissem os preos industriais.

    A idia de classe estril resultou da reao fisiocrtica contra a doutrina

    mercantilista. A moeda passou a ter apenas funo de troca e no reserva de valor,

    pois este encontra-se na agricultura. A indstria e o comrcio constituem

    desdobramentos da agricultura, pois apenas transformam e transportam valores. A

    terra produz valor por sua fertilidade, seguindo uma ordem natural e providencial.

    Desse modo a agricultura precisa ser incentivada para aumentar o produto social.

    Com uma lei natural regulando a ordem econmica, os homens precisam,

    ento, agir livremente, e qualquer interveno do Estado inibiria essa ordem, ao criar

    obstculos circulao de pessoas e de bens. Assim, eles propunham a reduo da

    regulamentao oficial, para aumentar a produtividade da economia, e a eliminao de

    barreiras ao comrcio interno e a promoo das exportaes. Proibio s

    exportaes de cereais, ao expandir a oferta interna, reduziriam os preos, afetando

    os lucros agrcolas.

    Por outro lado, para manter baixos os preos das manufaturas e

    beneficiar os consumidores, propunham o combate aos oligoplios e o fim das

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    P g i n a | 12 Introduo Economia

    restries s importaes. O pensamento fisiocrtico era, portanto, liberal,

    traduzindo-se em sua doutrina do laissez-faire, laissez-passer ... (deixai fazer, deixai

    passar).

    Em resumo o pensamento fisiocrata foi:

    Representao de uma reao ao mercantilismo. Os fisiocratas no

    acreditavam que uma nao poderia se desenvolver mediante,

    apenas, do acmulo de metais preciosos e estmulos direto ao

    comrcio.

    O objeto de investigao dos fisiocratas o sistema econmico

    como um todo, sendo este conjunto regido por uma ordem natural.

    Consideravam apenas o trabalho agrcola produtivo.

    O Estado no deve intervir na ordem natural que rege o sistema

    econmico.

    1.1.5 Escola Clssica

    O liberalismo e o individualismo dos clssicos estavam associados ao bem

    comum: os homens, ao maximizarem a satisfao pessoal, com o mnimo de dispndio

    ou esforo, estariam contribuindo para a obteno do mximo bem-estar social. Tal

    harmonizao seria feita, segundo Adam Smith, por uma espcie de mo invisvel.

    O pensamento clssico fundamenta-se, no individualismo, na liberdade e

    no comportamento racional dos agentes econmicos, com a mnima presena do Estado,

    que teria como funes precpuas a defesa, a justia e a manuteno de certas obras

    pblicas.

    A Escola clssica foi uma escola que caracterizou a produo, deixando a

    procura e o consumo para o segundo plano. Para Smith, considerado o maior dos

    clssicos e o pai da Cincia Econmica, o objeto da economia estender bens e

    riquezas a uma nao . Nesse sentido, entende que a riqueza somente pode ser

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    conseguida mediante a posse do valor de troca. Valor de troca, para Smith (1981), a

    capacidade de obter riqueza, ou seja, a faculdade que a aposse de determinado

    objeto oferece de comprar com eles outras mercadorias.

    Em resumo a Escola Clssica defendia:

    A mais ampla liberdade individual

    O direito inalienvel propriedade

    A livre iniciativa e a livre concorrncia

    A no interveno do Estado na economia

    Segue a baixo os principais pensadores da Escola Clssica:

    a) Adam Smith (1.723-1.790)

    Com a publicao da Riqueza das Naes, em

    1.776, tendo como experincia a Revoluo Industrial Inglesa

    (1.760-1.830), Adam Smith estabeleceu as bases cientficas

    da Economia Moderna. Ao contrrio dos mercantilistas e

    fisiocratas, que consideravam os metais preciosos e a terra,

    respectivamente, como os geradores de riqueza nacional,

    para ele o elemento essencial da riqueza o trabalho

    produtivo. Assim o valor pode ser gerado fora da agricultura.

    Adam Smith ensinou que a Economia Poltica tem como objetivo gerar

    riqueza para o indivduo e o Estado, para o provimento de suas necessidades bsicas.

    A riqueza aumenta pelo trabalho produtivo, fecundado pelo capital. "O trabalho anual

    de cada nao constitui o fundo que originalmente lhe fornece todos os bens

    necessrios e os confortos materiais de que consome anualmente. O mencionado

    fundo consiste sempre na produo imediata do referido trabalho ou naquilo que com

    essa produo comprado de outras naes." O valor vem do trabalho, desse modo

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    P g i n a | 14 Introduo Economia

    ele pode ser gerado fora da agricultura, desde que o preo de mercado supere o preo

    natural (ou custo de produo).

    A gerao de riqueza de uma nao depende, portanto, da proporo

    entre o trabalho produtivo (que gera um excedente de valor sobre o seu custo de

    reproduo) e o trabalho improdutivo (como o dos criados). O emprego de trabalho

    produtivo depende da diviso do trabalho, e esta da extenso dos mercados. A

    ampliao das trocas comerciais entre os pases proporciona maior diviso do trabalho

    e especializao dos trabalhadores, aumentando a produtividade e o produto global.

    medida que a economia consegue expandir seus mercados, ela obtm

    rendimentos crescentes escala, podendo distribuir sem conflitos um produto social

    maior entre capitalistas, trabalhadores e Governo, na forma de lucros, salrios e

    impostos.

    b) David Ricardo (1.772-1.823)

    David Ricardo em sua obra Princpios de

    Economia Poltica e Tributao (1.817), afirma que o maior

    problema da Economia Poltica est na distribuio do produto

    entre as classes sociais (proprietrios da terra, capitalistas-

    arrendatrios e trabalhadores). Isso ocorre porque a

    proporo do produto total destinado a cada classe varia no

    tempo, uma vez que depende da fertilidade do solo, da

    acumulao do capital, do crescimento demogrfico e da tecnologia. Assim,

    determinar as leis que regulam essa distribuio a principal questo da Economia.

    Ricardo transferiu o centro do problema da anlise econmica da

    produo para a distribuio, sendo uma de suas grandes contribuio a teoria do

    valor. Ele se interessou pelos preos relativos mais que pelos absolutos; queria

    descobrir a base da relao de troca entre as mercadorias. As mercadorias obtm

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    P g i n a | 15 Introduo Economia

    seu valor de duas fontes: de sua escassez e da quantidade de trabalho necessrio

    para obt-las.

    A teoria da renda da terra ocupa um lugar de destaque em sua anlise.

    As diferenas na qualidade da terra determinariam que, enquanto os proprietrios das

    terras frteis obteriam rendas cada vez mais altas, a produo nas terras de

    qualidade pior geraria s o suficiente para cobrir os custos e no produziria renda.

    Desse modo, pode-se argumentar que a renda e os lucros poderiam ser isolados,

    considerando o caso da terra sem renda, na qual o rendimento consistiria inteiramente

    nas entradas derivadas de capital.

    De um ponto de vista dinmico, Ricardo pensava que o crescimento da

    populao acompanhava a expanso econmica, e esta expanso traria consigo um

    aumento das necessidades de alimentos, que poderiam ser satisfeitas s a custos mais

    altos. Para manter os salrios reais no seu nvel anterior, seriam necessrios salrios

    monetrios mais altos, o que faria a participao dos lucros no produto diminuir.

    Desta forma, Ricardo mostrou que o processo de expanso econmica

    poderia minar suas prprias bases, isto , a acumulao de capital a partir dos lucros,

    de modo que, ao se reduzir a taxa de lucro, emergiria o estado estacionrio, no qual

    no haveria acumulao lquida nem crescimento.

    A funo de produo ricardiana apresenta rendimentos decrescentes e a

    economia marcha para um estado de estagnao a longo prazo. O grande problema

    para os economistas clssicos era a sociedade atingir esse estado estacionrio, de

    crescimento zero, sem que a populao tenha atingido o mximo bem-estar.

    Ricardo foi tambm o primeiro que desenvolveu a teoria dos custos

    comparativos, defendendo que cada pas deveria especializar-se naqueles produtos que

    tm um custo comparativo mais baixo, e importar aqueles cujo custo comparativo

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    P g i n a | 16 Introduo Economia

    fosse mais alto. Essa a base da poltica de livre comrcio de David Ricardo para os

    bens manufaturados.

    Segundo essa poltica, cada pas deve dedicar seu capital e trabalho

    quelas produes que se mostram mais lucrativas. Dessa forma, o trabalho distribui-

    se com maior eficincia e, ao mesmo tempo, aumenta a quantidade total de bens, o que

    contribui para o bem-estar geral. A teoria dos custos comparativos harmoniza os

    interesses dos diferentes pases nos assuntos internacionais.

    c) O Pensamento Socialista (Karl Marx: 1.818-1.883)

    Centrando-se na teoria do valor-trabalho e no

    conceito de mais-valia, Karl Marx e Friedrich Engels

    estabeleceram as bases da doutrina socialista da superao

    do capitalismo por suas prprias contradies internas. A

    economia capitalista apresenta crises peridicas de

    superproduo, com elevadas taxas de desemprego. A

    Economia Poltica passou a ter maior amplitude, ao ser vista,

    no apenas por meio de relaes meramente tecnolgicas, mas tambm como o estudo

    das relaes sociais de produo, no sentido de luta de classes entre capitalistas e

    trabalhadores.

    A base da teoria de Marx constitua-se na anlise da histria,

    fundamentada no materialismo dialtico. A concepo materialista da histria baseia-

    se no princpio de que a produo e o intercmbio de produtos constituem a base de

    toda ordem social. Essa afirmao vlida uma vez que, em toda sociedade citada

    pela histria, a diviso em classes est determinada por aquilo que se produz, como se

    produz e pela forma que se troca a produo.

    Segundo essa concepo, as causas de todas as mudanas sociais e de

    todas as revolues polticas so buscadas no na mente dos homens e sim nas

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    P g i n a | 17 Introduo Economia

    mudanas experimentadas pelos mtodos de produo e de troca. A fora bsica na

    histria , para Marx, a estrutura econmica da sociedade. Isso no exclui o impacto

    das idias, pois estas so um reflexo das sociedades, que as alimentam.

    O objetivo da obra de Marx era descobrir as "leis do movimento" da

    sociedade capitalista. Marx construiu seu "modelo econmico" para demonstrar que o

    capitalismo explorava necessariamente a classe trabalhadora e como essa explorao

    conduziria, inevitavelmente, sua destruio. Nesse sentido, a teoria do valor-

    trabalho tem um papel importante.

    Segundo Marx, o benefcio obtido pelo capitalista ao adquirir uma

    mercadoria, que pode criar um valor maior que o de sua prpria fora de trabalho.

    Marx distingue os conceitos de fora de trabalho e tempo de trabalho. A fora de

    trabalho refere-se capacidade do homem para o trabalho; o tempo de trabalho o

    processo real e a durao do trabalho.

    O relevante que, segundo Marx, o capitalista paga ao trabalhador uma

    quantidade igual ao de sua fora de trabalho, porm esse pagamento eqivale somente

    a uma parte da produo do trabalhador e, portanto, somente parte do valor que este

    produz.

    A chave da explorao, nesse sistema, reside na diferena entre o salrio

    que recebe um trabalhador e o valor do bem que produz. Essa diferena o que Marx

    chama de mais-valia.

    Em resumo os fundamentos marxistas eram:

    Crtica cientfica ao modo de produo capitalista

    Mais valia

    o modo de produo capitalista est fundado na explorao do

    trabalho assalariado

    Teoria do Valor Trabalho formulada de forma mais consistente.

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    P g i n a | 18 Introduo Economia

    1.1.6 O Pensamento Neoclssico (ou Marginalista)

    William Stanley Jevons (1835-1882) - ingls

    Carl Menger (1840-1921)- austraco

    Lon Walras (1834-1910)- francs

    Vilfredo Pareto (1848-1923)- italiano

    Alfred Marshall (1842-1924)- ingls

    Com a consolidao da anlise neoclssica, a partir de 1870, a expresso

    Economia Poltica passou a ser usada preferencialmente no contexto da anlise

    marxista. Com o termo Economia, tem-se uma viso mais restrita do sistema

    econmico. As relaes sociais desaparecem e a Economia vista por seu lado

    tcnico, histrico e abstrato. Os fenmenos econmicos so encarados como um

    processo mecnico, matematicamente demonstrvel e determinado. Assim, supe-se

    que a economia formada por um grande nmero de pequenos produtores e

    consumidores, incapazes de influenciar isoladamente os preos e as quantidades no

    mercado.

    Os consumidores, de posse de determinada renda, adquirem bens e

    servios de acordo com seus gostos, a fim de maximizarem sua utilidade total,

    derivada do consumo ou posse das mercadorias. Essa uma concepo hedonista,

    segundo a qual o homem procura o mximo prazer, com um mnimo de esforo.

    Assim, enquanto na Escola Clssica e em Marx o valor determinado pela

    quantidade de trabalho incorporado na mercadoria, na Escola Marginalista, o valor

    depende da utilidade marginal. Desse modo, quanto mais raro e til for um produto,

    tanto mais ele ser demandado e valorizado e tanto maior ser o seu preo.

    Dados os preos de mercado, os produtores adquirem os fatores de

    produo necessrios a fim de combin-los racionalmente e produzir as quantidades

    que maximizaro seus lucros. Os fatores tm preos determinados por sua escassez e

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    P g i n a | 19 Introduo Economia

    utilidade no processo produtivo. No h mais conflito entre as classes sociais na

    distribuio do produto, mas harmonia entre os agentes.

    No pensamento marginalista, cada proprietrio dos recursos produtivos

    remunerado por sua produtividade marginal, no havendo motivo, portanto, para

    qualquer conflito social. A concorrncia entre os agentes econmicos regula a oferta

    e a demanda de bens e fatores. Supe-se que exista perfeita flexibilidade de preos

    e salrios, de sorte que se estabelece automaticamente o equilbrio dos mercados,

    levando em conta cada indivduo e a economia em seu conjunto ao mximo bem-estar

    social.

    A essncia do pensamento marginalista pode ser sintetizada nos

    seguintes pontos:

    1. raciocnio na margem: a deciso de produzir ou consumir vai

    depender do custo ou benefcio proporcionado pela ltima unidade;

    2. abordagem microeconmica: o indivduo e a firma esto no centro

    da anlise, havendo no mercado um nico bem homogneo e um

    preo de equilbrio;

    3. mtodo abstrato-dedutivo: abstrao terica, argumentao lgica

    e concluso;

    4. concorrncia pura nos mercados: sendo o monoplio uma exceo;

    muitos vendedores e compradores concorrem no mercado por bens

    e servios; as firmas so pequenas e no conseguem influenciar o

    preo de mercado;

    5. nfase na demanda: a demanda o elemento crucial para

    determinar os preos, ao contrrio dos clssicos que enfocavam a

    oferta, ou custo de produo;

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    P g i n a | 20 Introduo Economia

    6. teoria da utilidade: a utilidade que as pessoas tm no consumo dos

    bens, determinada por seus gostos, influencia as quantidades

    demandadas de cada bem e, ento, seus preos. H uma nfase em

    aspectos psicolgicos, com a considerao da abordagem hedonista

    de prazer (satisfao) e sofrimento (custos);

    7. teoria do equilbrio: as variveis econmicas interagem e o sistema

    manifesta uma tendncia ao equilbrio pelas livres foras de

    mercado;

    8. direitos de propriedade: cada proprietrio recebe pela posse de

    um fator de produo;

    9. racionalidade: as firmas e consumidores maximizam lucro ou

    satisfao e no agem por impulso, capricho ou por objetivos

    humanitrios;

    10. laissez-faire: ou liberdade de mercado; toda e qualquer

    interferncia nos automatismos do mercado gera custos e reduz o

    bem-estar social.

    Em meados dos sculo XX, a Economia passou a abarcar dois grandes

    enfoques: (a) a Microeconomia, que trata da firma e da indstria em particular, do

    preo e do mercado de um bem ou servio, bem como do indivduo, como consumidor

    que detm poder de compra; e (b) a Macroeconomia, que se ocupa dos agregados, como

    a inflao, a taxa de cmbio, a renda nacional, a poupana, o investimento, a funo

    consumo, o balano de pagamentos, etc.

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    P g i n a | 21 Introduo Economia

    1.1.7 O Pensamento Keynesiano

    Em sua obra, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, (1936),

    John Maynard Keynes (1883-1946) refutou a idia de equilbrio com pleno emprego de

    fatores, pela rigidez de salrios e preos.

    Segundo ele, h desemprego involuntrio e em

    funo disso, a economia opera com capacidade ociosa.

    Para elevar os nveis de emprego e de renda, maximizando-

    se o bem-estar social, torna-se necessrio estimular a

    propenso a investir dos empresrios. O Estado atua nesse

    sentido, realizando polticas monetrias e fiscais. Desse

    modo, ele realiza gastos e influencia as expectativas

    empresariais e o prprio nvel de investimentos. Atravs dos efeitos de multiplicao

    e de acelerao, expande-se o nvel de renda e de emprego.

    Keynes explicou que o valor dos bens e servios produzidos pelas

    empresas tem uma contrapartida de renda, que so os salrios, juros, aluguis,

    impostos e lucros; que essas rendas, encaradas como custos pelas empresas, na

    verdade vo ser gastas em novos bens e servios. O mesmo raciocnio vale para a

    economia em seu conjunto. Se a populao no pode gastar, por no ter um emprego, a

    economia estar impossibilitada de produzir.

    Esse o fluxo circular de produto e renda, cujo funcionamento no

    automtico e possui vazamentos: parte do dinheiro no gasto e permanece

    entesourado (em casa ou nos bancos). Desse modo, a demanda efetiva tende a ficar

    aqum das possibilidades de produo da economia. (Keynes identificou outros

    vazamentos que so as importaes e o pagamento de impostos).

    Para que esses vazamentos sejam compensados, em caso de recesso

    (demanda efetiva < total de produo), preciso que:

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    P g i n a | 22 Introduo Economia

    a) os bancos elevem seus emprstimos para consumo e investimento;

    b) as exportaes sejam estimuladas;

    c) o Governo aumente seus gastos.

    Maior fluxo de renda estimular a demanda agregada, retomando o

    caminho da prosperidade.

    No entanto, necessrio que os gastos com investimento (I) sejam iguais

    s poupanas (S) realizadas em cada perodo. Como as rendas aumentam com a

    prosperidade geral da economia e o consumo no cresce na mesma proporo, haver

    uma tendncia de (S) expandir-se de um modo mais acelerado. Assim, o (I) precisa

    crescer cada vez mais.

    Sendo S > I, o Governo precisa aumentar seus gastos para compensar o

    excesso de poupana. Keynes preferia que os gastos do Governo fossem

    investimentos em reas sociais, como escolas, estradas e hospitais, que acabariam

    beneficiando tambm o setor produtivo.

    Os princpios fundamentais da economia keynesiana podem ser resumidos

    nos seguintes pontos;

    1) Inter-relao entre a renda nacional e os nveis de emprego. Os

    determinantes diretos da renda e do emprego so os gastos com

    consumo e investimento. O gasto pblico constitui uma adio ao gasto

    total. A situao de pleno emprego s um caso especial; o caso geral

    e caracterstico o de equilbrio com desemprego. Quando o gasto em

    consumo e investimento insuficiente para manter o pleno emprego, o

    Estado deve estar disposto a aumentar o fluxo de renda por meio de

    gastos financeiros por dficit oramentrio.

    2) Determinantes da renda e do emprego, ou os determinantes do gasto em

    consumo e investimento. Keynes supunha que o consumo est

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    P g i n a | 23 Introduo Economia

    determinado pelo volume de renda; isto , para cada nvel de renda, o

    gasto em consumo uma proporo dada da renda, e esta proporo cai

    quando a renda aumenta. O nvel de consumo varia com a renda,

    enquanto a renda varia, por sua vez, porque os investimentos ou o gasto

    pblico variam e isto ocorre de uma forma multiplicativa.

    3) Keynes dizia que o gasto com investimento era determinado pela taxa

    de juros e pela eficcia marginal do capital (ou taxa de retorno

    esperada sobre o custo de novos investimentos). A eficcia marginal do

    capital depende da expectativa diante dos lucros futuros e do preo de

    oferta dos ativos de capital. A taxa de juros era definida como uma

    recompensa pelo sacrifcio da liquidez (ou o desejo de manter a riqueza

    em forma de ativos financeiros lquidos) e da quantidade de dinheiro em

    circulao mais depsitos. (Em resumo, as trs influncias psicolgicas

    sobre a renda e o emprego so: a propenso ao consumo, o desejo por

    ativos lquidos e a taxa de retorno esperada dos novos investimentos.

    Para Keynes o sistema de livre mercado (ou laissez-faire) ficou

    antiquado e que o Estado deve atuar ativamente para fomentar o pleno

    emprego, forando a taxa de juros para baixo (e assim estimular o

    investimento); e redistribuindo a renda com o objetivo de estimular os

    gastos de consumo. Para Keynes o Estado deve atuar intensamente para

    que se possa estabilizar a economia no nvel de pleno emprego.

    Saiba mais.... Sobre a vida e obra dos principais economista em :

    http://www.pensamentoeconomico.ecn.br

    http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=160&It

    emid=110

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    P g i n a | 24 Introduo Economia

    Atividades de Aprendizagem 1. Quando efetivamente surgiu a Economia como cincia no cenrio mundial?

    2. Fale sobre o significado das idias de Adam Smith para o estudo da Economia?

    3. Qual a fora da Escola Neoclssica na Economia?

    4. Hoje voc acha que os pensamentos Marxistas esto presente? Onde?

    5. Voc j ouviu falar da crise de 1929? Seria interessante que voc fizesse uma

    pequena pesquisa sobre esse assunto.

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    P g i n a | 25 Introduo Economia

    1.2 CONCEITOS ECONMICOS FUNDAMENTAIS

    A disciplina Economia, que estamos estudando, se interessa por coisas

    ditas comuns. No Sculo XIX, Alfred Marshall disse que a Economia procura estudar

    os negcios comuns da vida da humanidade, hoje a Economia continua estudando e

    tentando entender como esses negcios comuns funcionam: Como funciona nosso

    sistema Econmico? Quando e por que o sistema econmico entra em crise, ocorrendo

    mudanas no comportamento das pessoas empresa e governo ?

    Etimologicamente, a palavra economia vem dos termos gregos oiko

    (casa) e nomo (norma, lei), e pode ser compreendida como administrao da casa. Em

    resumo, Economia estuda a maneira como se administra os recursos escassos com o

    objetivo de produzir bens e servios, e com distribu-los para seu consumo entre os

    membros da sociedade.

    Segundo Mankin (2005, p.3), ...cada famlia precisa alocar seus recursos

    escassos e seus diversos membros, levando em considerao as habilidades, esforos

    e desejos de cada um.

    Os recursos produtivos tambm chamados

    de fatores de produo, so os elementos utilizados no

    processo de fabricao dos mais variados tipos de bens

    (mercadorias ) e utilizados para satisfazer as

    necessidades humanas. Todas as pessoas sentem

    necessidade de consumir, tanto alimentos, gua e ar ,

    quanto por bens de consumo como televiso.,

    computadores, mquinas , etc.

    Segundo Mankiw (2005), no h nada de

    GLOSSRIO Recurso insumo ou fator de produo, um material que seja necessrio em uma construo ou um processo de produo. Fonte: Sandroni,(2003) Bens de consumo bem comprado para satisfazer desejos e necessidades pessoais, tais como: sabonete, refrigerante, lpis e outros. Nem sempre o consumidor aquele que compra o bem, mas sim aquele que usa. Fonte: Lacombe (2004)

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    P g i n a | 26 Introduo Economia

    misterioso sobre o conceito de economia, em qualquer parte do mundo, uma economia

    um grupo de pessoas que esto interagindo umas com as outras e dessa forma, vo

    levando a vida.

    Existem duas coisas que precisamos entender quando se quer

    compreender uma economia, primeiro saber como so tomadas as decises das

    pessoas e segundo saber como as pessoas interagem.

    Vamos comear a entender como as pessoas tomam decises. So quatro

    os princpios que norteiam essa primeira questo:

    1. As pessoas precisam fazer escolhas e essas escolhas no so de

    graa. Elas precisam ser feitas tendo em vista que os recursos so

    escassos;

    2. As pessoas enfrentam trade-offs, ou seja, o custo real de algumas

    coisas o que o individuo deve despender para adquiri-lo, o custo de

    um produto ou servio aquilo do que tivemos de desistir para

    consegui-lo;

    3. As pessoas so racionais, isto significa que as pessoas e as empresas

    podem melhorar seu processo de deciso pensando na margem;

    4. As pessoas regam a estmulos. Como elas tomam suas decises

    levando em conta os benefcios e seus custos, qualquer alterao

    nessas variveis pode alterar o

    comportamento da sua deciso.

    A segunda questo bsica que norteia o

    processo econmico como as pessoas interagem, ou

    seja, como as economias funcionam. Em geral isto se d

    atravs dos mercados.

    Os mercados so geralmente bons

    GLOSSRIO Produtividade relao entre os produtos obtidos e os fatores de produo empregados na sua obteno. A produtividade o quociente que resulta da diviso entre a produo obtida e um dos fatores empregados na produo (insumo) Fonte: Lacombe (2004)

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    P g i n a | 27 Introduo Economia

    organizadores da atividade econmica. Entretanto, os mercados s vezes falham e,

    que por isso, os governos podem melhorar os resultados do mercado.

    A idia de que h ganhos com o comrcio foi introduzida na Economia de

    forma bem elaborada em 1776, por Adam Smith, com o seu livro Riqueza das Naes.

    Os ganhos do comrcio so oriundos, sobretudo, da diviso do trabalho, portanto, da

    especializao. O fundamento que fica que a economia como um todo pode produzir

    mais e melhor quando cada pessoas se especializa em uma tarefa. Isto aumenta a

    produtividade do sistema, aumentado assim a quantidades de bens e servios a

    disposio das pessoas

    Podemos dizer que a questo da capacidade de produzir bens e servios

    est relacionada ao nvel de produtividade do pas. Para Romer (2002), o que explica as

    grandes diferenas de padro de vida entre os pases ao longo do tempo a diferena

    de produtividade entre eles. Dessa maneira, onde a produtividade das pessoas maior,

    ou seja, produzem mais bens e servios em menos tempo, o padro de vida maior.

    1.2.1 As Necessidades, Os Bens Econmicos e os Servios

    1.2.1.1 NecessidadeHumana:

    a sensao de carncia de algo unida ao desejo de satisfaz-la.

    Necessidade humana um estado em que percebe alguma privao. Podem

    ser: fsicas bsicas; sociais; individuais etc... Segundo a pirmide de Marslow, as

    necessidades obedecem a uma hierarquia.

    Podemos dividir as necessidades humanas em:

    Primrias, naturais ou vitais So aquelas imperiosas, isto , que

    devem ser satisfeitas para garantir a subsistncia do homem.

    Exemplo: alimentao, habitao, vesturio, medicamentos, etc.

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    P g i n a | 28 Introduo Economia

    Secundrias, sociais ou artificiais So aquelas criadas pela

    civilizao do homem. O no atendimento implica apenas num

    sofrimento no fatal. O homem pode viver sem saciar as

    necessidades secundrias.

    Exemplo: cinema, rdio, gravata, etc.

    As necessidades podem ainda ser:

    Individuais e

    Sociais

    Necessidades Individuais

    Das mltiplas classificaes disponveis na literatura sobre as

    necessidades individuais, a Teoria de Maslow ou Teoria das Necessidades Humanas

    conhecida como uma das mais importantes teorias de motivao, sendo referncia

    para diversos autores nas reas da Psicologia, do Direito, da Administrao e da

    prpria Economia.

    Necessidades da Sociedade

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    P g i n a | 29 Introduo Economia

    coletivas: (partem do indivduo e passam a ser da sociedade): transporte

    pblicas: (surgem da mesma sociedade)

    o ordem pblica, polcia, justia, educao, etc.

    1.2.1.2 Bens

    tudo aquilo que satisfazem direta ou indiretamente os desejos e

    necessidades dos seres humanos.

    Bens Econmicos

    Os bens materiais classificam-se em:

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    P g i n a | 30 Introduo Economia

    1.2.1.3 Servios

    O trabalho, quando no destinado criao de bens (ou objetos

    materiais) pode visar produo de servios. Os servios tambm se destinam a

    satisfazer as necessidades humanas:

    - transportador ou agente de vendas: distribuio de produtos;

    - artistas de cinema e teatro, escritor ou cantor: necessidades culturais;

    - outros servios: bancos, seguros, corretores, etc.

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    P g i n a | 31 Introduo Economia

    1.2.2 Fatores de Produo

    So os recursos ou elementos bsicos utilizados na produo de bens e

    servios. So eles: terra, trabalho e capital.

    Terra: (ou recursos naturais) em sentido amplo o solo cultivvel e os

    recursos naturais que contm como gua, minerais, madeira, etc.

    Trabalho: So as faculdades fsicas, mentais e intelectuais dos seres

    humanos que intervm no processo produtivo.

    Capital: So os bens e servios, como mquinas e equipamentos, edifcios

    e construes, ferramentas, meios elaborados e demais meios utilizados no processo

    produtivo.

    capital fixo;

    capital circulante;

    capital financeiro, etc.

    1.2.3 Agentes Econmicos

    Os agentes econmicos so pessoas de natureza fsica ou jurdica que,

    atravs de suas aes, contribuem para o funcionamento do sistema econmico.

    EMPRESAS agentes encarregados de produzir e comercializar

    bens e servios;

    FAMLIAS so os agentes responsveis pelo consumo dos bens e

    servios;

    GOVERNO organizaes que atuam sob o controle do Estado.

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    P g i n a | 32 Introduo Economia

    http://www.fontedosaber.com/administracao/conceitos-basicos-da-ciencia-

    economica.html

    http://www.brasilescola.com/sociologia/o-que-sao-recursos-produtivos.htm

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    P g i n a | 33 Introduo Economia

    Atividades de Aprendizagem

    6. Liste e explique sucintamente os quatro princpios da tomada de deciso. Depois,

    observe as reais situaes de seu cotidiano e veja se so aplicados a elas os quatro

    princpios

    7. Liste os bens e servios livres e econmicos no seu municpio. O que voc achou dessa

    lista?

    8. Liste os principais bens de capital e de consumo existentes no seu municpio.

    9. Os bens pblicos foram considerados como no disputveis e no exclusivos. Explique

    cada um desses termos e mostre de que maneira o bem pblico diferente de um bem

    privado.

    10. Do que composto os fatores de produo e para que eles servem?

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    P g i n a | 34 Introduo Economia

    2 UNIDADE 2 MENSURAO DA ATIVIDADE ECONMICA

    O objetivo desta unidade fazer com que voc aluno(a)

    conhea o funcionamento do sistema econmico, seus

    principais indicadores, como e feita a mensurao das

    atividades econmicas. importante que, depois de ler

    esta Unidade, voc entenda como funciona o sistema

    econmico e compreenda o funcionamento de uma

    economia de mercado centralizada, mista e planificada.

    Assim, poder distinguir as diferenas existentes entre

    as estruturas de mercado.

    2.1 ORGANIZAO DA ATIVIDADE ECONMICA

    De um ponto de vista global, a sociedade de cada pas est organizada

    para desenvolver as atividades econmicas de produo, circulao, distribuio e

    consumo de bens e servios de uma forma que chamamos de sistema econmico.

    Toda economia opera segundo um conjunto de regras e regulamentos. Ex.

    As empresas devem ter licenas especficas a fim de que possam produzir e vender

    seus produtos; os trabalhadores devem ser registrados em carteira; os contabilistas,

    a fim de que possam exercer sua profisso devem ser formados em escolas

    oficialmente reconhecidas, alm de terem de ser filiados ao rgo de classe (no caso o

    Conselho Regional de Contabilidade). Faz-se o mesmo tipo de exigncia para os

    profissionais de diversas categorias tais como mdicos, engenheiros, advogados,

    economistas, etc.

    Essas so apenas algumas das muitas regras existentes em nossa

    economia. Assim, todas as leis, regulamentos, costumes e prticas tomados em

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    P g i n a | 35 Introduo Economia

    conjunto, e suas relaes como os componentes de uma economia (Empresas, Famlias e

    Governo) constituem um "Sistema Econmico".

    Sistema Econmico o conjunto de relaes tcnicas, bsicas e

    institucionais que caracterizam a organizao econmica de uma sociedade. Essas

    relaes condicionam o sentido geral das decises que se tomam em toda a sociedade

    e os ramos predominantes de sua atividade.

    Todo sistema econmico deve tratar de responder s trs perguntas

    seguintes:

    1. Que bens e servios produzir e em que quantidade? Deve-se

    escolher entre mais estradas asfaltadas ou ferrovias, ou mais

    escolas ou hospitais, ou deve-se produzir mais alimentos ou mais

    bens de capital.

    2. Como produzir tais bens e servios? Toda sociedade deve

    determinar quem vai ser responsvel pela produo, que meios e

    tcnicas sero empregados e quais sero os mtodos e organizao

    seguidos no processo produtivo.

    3. Para quem produzir? Como vai se distribuir o total da produo

    nacional entre os diferentes indivduos e famlias.

    Para responder s perguntas anteriores, existem basicamente trs

    mecanismos ou sistemas: economia de mercado, economia de planificao central e a

    economia mista.

    2.1.1 Economia de Mercado

    O sistema de "Economia de Mercado" tpico das economias capitalistas,

    as quais tm, como caracterstica bsica, a propriedade privada dos meios de produo

    e sua operao tendo por objetivo a obteno de lucro, sob condies em que

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    P g i n a | 36 Introduo Economia

    predomine a concorrncia. (concorrncia entre os vendedores de bens similares, para

    atrair clientes; concorrncia entre compradores, para garantir os bens que desejam;

    concorrncia entre trabalhadores, para obter empregos; concorrncia entre

    empregadores, para conseguir trabalhadores).

    Em uma economia baseada na propriedade privada e na livre iniciativa, os

    agentes econmicos (indivduos e empresas) preocupam-se em resolver isoladamente

    seus prprios problemas tentando sobreviver na concorrncia imposta pelos mercados.

    Neste tipo de sistema econmico, os consumidores e empresas, agindo

    individualmente, interagem atravs dos mercados acabando por determinar o que,

    como e para quem produzir.

    2.1.1.1 OSistemadePreos

    Em uma economia de mercado a ao conjunta de indivduos e empresas

    permite que milhares de mercadorias sejam produzidas de maneira espontnea, sem

    que haja uma coordenao geral das atividades econmicas. Na verdade, existe um

    mecanismo de preos automtico e "inconsciente" que trabalha, garantindo o

    funcionamento do sistema econmico, dando a ele uma certa ordenao, de maneira tal

    que tudo realizado sem coao ou direo central de qualquer organismo consciente.

    Em um mercado livre, caracterizado pela presena de um grande nmero

    de compradores e vendedores, os preos refletem as quantidades que os vendedores

    desejam oferecer e as quantidades que os compradores desejam comprar de cada

    bem.

    Em uma economia de mercado, tanto os bens e servios quanto os

    recursos produtivos tm seus preos e quantidades determinados pelo livre jogo da

    oferta e procura, ou seja, pela livre concorrncia. Do confronto entre oferta e

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    P g i n a | 37 Introduo Economia

    procura resulta um preo, e esse preo que exerce uma funo econmica bsica.

    ele, que por suas variaes, orienta a produo e o consumo.

    O mecanismo de preos , portanto, um vasto sistema de tentativas e

    erros, de aproximaes sucessivas, para alcanar o equilbrio entre oferta e procura.

    O desejo das pessoas determinar a dimenso da procura, enquanto que a produo

    das empresas determinar a dimenso da oferta. O equilbrio entre a oferta e a

    procura ser atingido pela flutuao do preo.

    O que vale para os mercados de bens e servios, tambm vale para o

    mercado de recursos produtivos (terra, trabalho, capital e capacidade empresarial)

    Em uma economia complexa e interdependente, as pessoas no conseguem

    dizer diretamente aos produtores o que desejam consumir. O mecanismo de mercado

    fornece, atravs dos preos, uma forma de comunicao indireta entre produtores e

    consumidores, possibilitando uma adaptao da produo s necessidades de consumo;

    possibilita, ao mesmo tempo, uma adaptao do consumo escassez relativa dos

    diferentes tipos de bens e servios.

    2.1.1.2 OQue,ComoeParaQuemProduzir

    Em uma economia de mercado o Estado no deve intervir em nenhum

    aspecto da atividade produtiva, devendo ficar sua ao restrita ao atendimento das

    necessidades coletivas, tais como a Justia, a Educao, etc. Cabe ainda ao Estado o

    estabelecimento de regras visando proteger a liberdade econmica, zelando, assim,

    pelo livre jogo da oferta e procura.

    O que produzir?

    Em um sistema econmico baseado nas aes apenas das famlias e das

    empresas, as prprias unidades familiares determinam o valor de cada bem ou servio

    atravs do mercado. Quanto mais as pessoas desejarem um produto, atribuiro a ele

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    P g i n a | 38 Introduo Economia

    um valor cada vez maior. Como nesse tipo de economia o valor de cada bem medido

    pelo seu preo, quanto maior for a disposio das pessoas em apoiar seus desejos com

    dinheiro, mais elevado dever ser o preo desse bem. Assim, a maneira pela qual as

    unidades familiares gastam a sua renda entre os diversos bens e servios

    estabelece um sistema de avaliao entre os mesmos, ou seja, fornece uma

    estrutura de preos dentro do sistema econmico que possibilita s empresas, que

    perseguem o lucro, produzir aquilo que as pessoas desejam.

    O dinheiro entregue pelos consumidores s empresas servir para pagar

    os salrios, juros e dividendos que os consumidores, no papel de proprietrios de

    recursos, recebem como renda mensal.

    Como Produzir?

    O como produzir ser determinado pela competio entre os diversos

    fabricantes. Em funo da concorrncia de preos resta ao produtor, na tentativa de

    maximizar seu lucro, optar pelo mtodo de produo mais barato quanto possvel, o

    que envolve, naturalmente, consideraes a respeito dos preos dos fatores de

    produo a serem utilizados. Assim, se o fator capital caro e o fator trabalho

    barato, as empresas procuraro se utilizar de tcnicas que usem o fator trabalho mais

    intensivamente. Verifica-se, novamente, a existncia de um mecanismo de preos

    orientando as decises dos empresrios quanto aos mtodos produtivos a serem

    utilizados.

    Para Quem Produzir?

    Em uma economia de mercado, a oferta e a procura de fatores de

    produo determina as taxas salariais, os aluguis, as taxas de juros e os lucros que

    iro se constituir na renda da unidades familiares. A renda de cada famlia ir

    depender da quantidade dos diferentes recursos produtivos que ela pode oferecer no

    mercado de fatores e do preo que as empresas esto dispostas a pagar pela

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    P g i n a | 39 Introduo Economia

    utilizao dos mesmos. Se um indivduo dispuser somente de sua fora de trabalho

    para oferecer no mercado de fatores, sua renda ser determinada pelo salrio que

    receber no ms.

    Se o mesmo indivduo for proprietrio de terras e arrend-las, sua renda

    mensal ser acrescida pelo aluguel da terra, dado pelo arrendamento mensal da

    quantidade de terra arrendada.

    Assim, em funo da quantidade de recursos pertencentes a cada unidade

    familiar, teremos a distribuio de renda nesse tipo de economia. Uma vez que a

    quantidade de bens e servios apropriados por famlia est limitada por seus

    rendimentos, tanto maior ser a participao de cada unidade familiar na

    determinao de "para quem produzir" quanto maior for a sua renda.

    2.1.1.3 OFluxoCirculardaAtividadeEconmica

    O diagrama apresentado na figura 1 mostra, ainda que de maneira

    simplificada, a maneira pela qual em uma economia de mercado o mecanismo de preos

    ajusta a oferta e procura das famlias oferta e procura das empresas.

    Fazem parte de uma economia de mercado dois tipos de agentes

    econmicos: as famlias e as empresas. Ela composta, ainda, por dois tipos de

    mercados: o mercado de bens de consumo e servios e o mercado de recursos

    produtivos.

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    P g i n a | 40 Introduo Economia

    Figura 1 Diagrama do Fluxo Circular Analisemos, primeiro, a metade superior do diagrama. As famlias

    desejam satisfazer suas necessidades atravs da aquisio dos mais variados tipos de

    produtos. Estabelece-se, ento, uma procura por bens e servios (roupas, alimentos,

    remdios, servios mdicos, etc.).

    A quantidade de bens que uma unidade econmica familiar pode adquirir

    limitada pela sua renda. Quanto mais elevada for sua renda, mais bens de consumo

    poder comprar.

    As empresas, por sua vez, buscam a obteno do mximo lucro vendendo

    seus produtos s unidades familiares.

    Atravs da interao entre oferta e procura teremos a determinao de

    preos e quantidades transacionadas de cada bem, equacionando-se a questo de "o

    que produzir". Estabelece-se, ento, um fluxo real de mercadorias e servios das

    empresas s famlias. Em contrapartida cria-se tambm um fluxo de moeda das

    famlias s empresas como pagamento pelos produtos adquiridos.

    A metade inferior do diagrama nos mostra o processo de formao de

    preos dos recursos produtivos no mercado de fatores de produo.

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    P g i n a | 41 Introduo Economia

    As famlias, na qualidade de proprietrios dos recursos produtivos, agem

    no mercado de fatores ofertando terra, trabalho, capital e capacidade empresarial.

    As empresas, por sua vez, empenham-se na compra e contratao de

    fatores produtivos junto s famlias estabelecendo-se, ento, uma procura por esses

    recursos.

    Do confronto entre oferta e procura dos fatores de produo teremos a

    formao de seus preos, que indicaro aos produtores o "como produzir".

    Teremos ento um fluxo real de recursos das famlias para as empresas.

    Estas, em contrapartida, pagaro s famlias, sob a forma de moeda, os salrios,

    aluguis, juros e lucros correspondentes utilizao dos servios dos fatores, ficando

    estabelecido, dessa forma, um fluxo monetrio das empresas para as famlias.

    A questo distributiva (o "para quem produzir") ser equacionada

    simultaneamente s demais. A quantidade de fatores pertencentes a cada unidade

    familiar e o preo desses fatores ir determinar a distribuio de renda; e maior

    ser a participao da unidade familiar na determinao de "o que produzir" quanto

    maior for sua renda.

    2.1.2 Economia Planificada Centralmente

    Esse tipo de organizao econmica tpica dos pases socialistas, em que

    prevalece a propriedade estatal dos meios de produo. Nesse tipo de sistema as

    questes de "o que", "como" e "para quem" produzir no so resolvidas de maneira

    descentralizada, via mercados e preos, mas pelo planejamento central em que a maior

    parte das decises de natureza econmica so tomadas pelo Estado.

    A ao governamental se faz presente atravs de um rgo central de

    planejamento, a quem cabe elaborar os planos de produo de todos os setores

    econmicos. Tais planos so elaborados a partir de um levantamento no s das

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    P g i n a | 42 Introduo Economia

    necessidades a serem atendidas como tambm dos recursos e tcnicas disponveis

    para a produo, a fim de dimensionar o que cada empresa, seja ela agrcola, comercial

    ou industrial, pode realmente produzir.

    Identificadas as disponibilidades existentes, fixam-se as metas de

    produo, ou seja, as quantidades a serem produzidas de cada bem procurando, na

    medida do possvel, atender as necessidades de consumo da sociedade. Equaciona-se,

    desta forma, a questo "o que e quanto" produzir.

    Cabe, da mesma forma, ao rgo de planejamento determinar os

    processos de produo a serem utilizados. O Poder Central distribui no s as tarefas

    do plano, mas tambm os meios de produo, tanto materiais como financeiros. O

    rgo central de planejamento determina como designar a produo s diferentes

    fbricas e esfora-se para que cada fbrica tenha os fatores de produo necessrios

    para poder obter a quantidade exigida. Fica ento resolvida a questo "como"

    produzir.

    A questo "para quem" produzir, que trata da maneira pela qual a

    produo total de bens e servios ser distribuda entre os indivduos tambm

    resolvida pelo rgo de planejamento, a quem cabe determinar os salrios dos

    diferentes tipos de profisso. Nesse tipo de economia, existe um "sistema de preos"

    que so meros recursos contbeis que ajudam a controlar a eficincia com que os

    produtos so produzidos. Assim, caso alguma empresa que esteja produzindo de

    maneira ineficiente acusar "prejuzo financeiro". Caso contrrio, surgir o

    "excedente".

    2.1.3 Economia Mista

    Nos sistemas de economia mista, uma parte dos meios de produo

    pertence ao Estado (empresas pblicas) e a outra parte pertence aos setor privado

    (empresas privadas). Na realidade, as organizaes econmicas descritas

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    P g i n a | 43 Introduo Economia

    anteriormente (Economia de Mercado e Economia de Planejamento Central) nunca

    existiram em sua forma mais pura. O que se observa nos diversos pases uma mescla

    desses dois sistemas que ora se aproxima de um tipo de organizao, ora do outro,

    conforme o grau de participao do Estado na economia.

    Nesse tipo de sistema, cabe ao Estado a orientao e controle de muitos

    aspectos da economia. Para tanto, ele se utiliza das empresas pblicas e de outros

    instrumentos, tais como a legislao, a tributao, o oramento governamental, etc.

    2.1.3.1 OQueProduzir?

    Em um sistema de economia mista, em que existe propriedade privada dos

    meios de produo, o Estado no pode determinar ao empresrio o que produzir. O

    Estado no pode, por exemplo, determinar a um agricultor que plante arroz em vez de

    milho, ou a um industrial que produza tecidos em vez de calados. Pode, entretanto,

    influir indiretamente para resolver a questo o que produzir.

    O Estado pode, por exemplo, atravs da tributao, sinalizar aos

    produtores aquilo que deve ser produzido. o caso de iseno ou mesmo de reduo

    de impostos em alguns setores (indstria automobilstica, por exemplo) e a concesso

    de incentivos fiscais em outros. Outro instrumento o controle do crdito. Por

    exemplo, crdito subsidiado para algumas atividades, com a finalidade de estimul-las.

    Outra maneira de o Estado intervir atravs de suas empresas pblicas, que se

    destinam a produzir bens e servios necessrios coletividade e que o setor privado

    no se interessa ou no tem condies de explorar uma vez que exigem elevados

    investimentos e apresentam retorno lento (saneamento bsico, transporte, energia,

    etc.)

    No obstante a interveno do Estado na economia, os produtores numa

    economia mista, ao decidirem o que produzir seguem, tambm, as indicaes

    fornecidas pelo sistema de preos.

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    P g i n a | 44 Introduo Economia

    2.1.3.2 ComoProduzir?

    A questo como produzir em um sistema misto solucionada

    distintamente, conforme se enfoque o setor pblico ou o setor privado da economia. A

    nvel do setor pblico, essa questo resolvida de acordo com o planejamento

    governamental em que o importante no a obteno de lucros, mas o atendimento

    adequado das necessidades da coletividade. No mbito do setor privado, a questo

    solucionada de acordo com a concorrncia.

    2.1.3.3 ParaQuemProduzir?

    Nos sistemas de economia mista a questo distributiva resolvida, em

    geral pelo sistema de preos.

    Entretanto, aos detentores de renda mais baixa o Estado oferece ensino

    gratuito, assistncias mdica, jurdica, alm de outros servios a que essa camada da

    populao no tem acesso.

    Alm disso, o Estado procura criar mecanismos que garantam s pessoas

    o recebimento de uma renda que lhes permita satisfazer suas necessidades bsicas.

    Por exemplo, a criao do seguro desemprego e o estabelecimento de salrio mnimo.

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    2.2 MERCADO

    O mercado o ambiente social ou virtual, para a realizao de troca de

    bens e servios. Tambm se pode entender como sendo a instituio ou organizao

    mediante a qual os que ofertam (vendedores) e os que demandam (compradores)

    estabelecem uma relao comercial com o fim de realizar transaes, acordos ou

    trocas comerciais . O mercado aparece a partir do momento em que se unem grupos de

    vendedores e de compradores, o que permite que se articule um mecanismo de oferta

    e procura.

    Nas economias modernas, a maioria das decises sobre o que e quanto

    produzir, como produzir e para quem produzir so tomadas nos mercados. Para que

    possamos determinar quais os compradores e vendedores esto participando do

    mercado, devemos observar a extenso do mercado.

    Tanto a oferta quanto a demanda fazem parte de um modelo econmico

    criado para explicar como os preos so determinados em um sistema de mercado. .

    Observe que os preos determinam quais famlias ou regies sero beneficiadas com

    determinados produtos e servios, e quais empresas recebero determinados

    recursos.

    Na microeconomia, os economistas recorrem ao conceito de demanda para

    descrever a quantidade de bem ou servio que uma famlia ou empresa decide comprar

    a um dado preo, assim, a quantidade demanda de um bem ou servio refere-se a

    quantidade desse bem ou servio que os compradores desejam e podem comprar.

    A Teoria da Demanda deriva de algumas hipteses sobre a escolha do

    consumidor entre diversos bens e servios que um determinado oramento domstico

    permite. Essa teoria procura explicar o processo de escolha do consumidor diante das

    diversas possibilidades existentes. Devido a certa limitao oramentria, o

    consumidor procura distribuir a renda disponvel entre os diversos bens e servios, de

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    maneira a alcanar a melhor combinao possvel que possa lhe trazer o maior nvel de

    satisfao. A demanda no representa a compara efetiva, mas a inteno de comprar

    por determinado preo.

    A quantidade demanda de um bem ou servio diminui quando o preo

    aumenta, e aumenta quando o preo diminui. Assim, a quantidade demandada

    negativamente relacionada ao preo, como pode ser observado nos grfico 01 e 02

    abaixo:

    Curva de Demanda

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    21 3 4 5 6 7 8 9 10 1211

    Preo do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes0

    Grfico 1 Curva de Demanda Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    Mundana na Quantidade Demandada

    0

    D1

    Preo do Sorvete

    Quantidade de Sorvetes

    Aumento no preo do sorvete resulta em

    movimento ao longo da curva de demanda

    A

    C

    8

    $ 1,00

    $2,50

    2

    Grfico 2 Mudana na Quantidade Demandada Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    As variveis que podem deslocar a curva da demanda como um todo so:

    Renda (distribuio);

    Riqueza (distribuio);

    Fatores climticos e sazonais;

    Propaganda;

    Preferncia do consumidor

    Facilidade de crdito.

    Os deslocamentos da curva da demanda esto ilustrados no grfico 03

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    Deslocamento da Curva de Demanda

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    21 3 4 5 6 7 8 9 10 1211

    Preo do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes0

    D*D

    Grfico 3 Variao da Curva de Demanda

    Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    A teoria de Oferta muda o foco da anlise, pois o vendedor vai ao

    mercado com a meta de obter o maior lucro possvel. O vendedor depara-se com uma

    restrio importante: a produo de bens e servios requer a utilizao de recursos

    produtivos, e essa quantidade depende do padro tecnolgico utilizado pela firma.

    Podemos definir oferta como a quantidade de um bem ou servio que os

    produtores (vendedores) desejam produzir (vender) por unidade de tempo. Nota-se

    que a oferta um desejo, uma aspirao. Assim, a quantidade ofertada de um bem ou

    servio refere-se a quantidade que os vendedores querem e podem vender. Dessa

    maneira, existe uma associao de comportamento dos preos com o nvel de

    quantidade ofertada. A quantidade ofertada aumenta a medida que o preo aumenta e

    cai quando o preo se reduz. Logo, a quantidade ofertada est positivamente

    relacionada com o preo do bem e servio, segundo pode ser verificado nos grficos

    04 e 05 a seguir:

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    P g i n a | 48 Introduo Economia

    Curva de Oferta

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    21 3 4 5 6 7 8 9 10 1211

    Preo do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes0

    Grfico 4 Curva de Oferta Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    Mudana na Quantidade Ofertada

    1 5

    Preo do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes0

    S

    1.00A

    C$3.00 Um aumento no

    preo do sorvete resulta num

    movimento ao longo da curva de

    oferta

    Grfico 5 Variao da Curava de OfertaFonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    As variveis que podem deslocar a curva da oferta como um todo so:

    Disponibilidade de insumo;

    Tecnologia;

    Expectativa; e

    Nmero de vendedores.

    O grfico 06 demonstra o deslocamento a que estamos nos referindo.

    Deslocamento da Curva de Oferta

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    21 3 4 5 6 7 8 9 10 1211

    Preo do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes0

    O

    O*

    Grfico 6 Deslocamento da Curva de Oferta

    Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

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    P g i n a | 49 Introduo Economia

    J apresentamos a voc as mais diferentes condutas dos consumidores

    (demanda) e dos produtores (oferta) em separado. Agora, vamos combin-las para,

    numa interpretao conjunta, verificarmos como se determinam a quantidade e o

    preo de equilbrio de um bem ou servio vendido no mercado.

    A interseco das curvas de oferta e de demanda, que identifica o ponto

    em que tanto os consumidores quanto os produtores se encontram satisfeitos e

    dispostos a agir, o que ficou conhecido como equilbrio de mercado e est

    demonstrado no grfico 07.

    Oferta

    Demanda

    Preos do

    Sorvete

    Quantidade de Sorvetes

    Equilbrio entre a Oferta e Demanda

    21 3 4 5 6 7 8 9 10 12110

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    Equilibrio

    Grfico 7 Equilbrio das Curva de Oferta e Demanda

    Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    J nos grficos 8 e 9 podemos perceber que qualquer situao fora do

    ponto de equilbrio caracteriza-se um desequilbrio. Caso a oferta seja superior a

    demanda, h excesso de oferta (grfico 08), e caso a demanda seja maior que a

    oferta, h excesso de demanda (grfico 09). Nota-se que o processo de ajuste ocorre

    sempre via preos, ou seja, a quantidade ofertada ou demandada a varivel

    dependente, e os preos, a varivel independente.

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    P g i n a | 50 Introduo Economia

    Preo do Sorvete

    Quantidade de Sorvetes21 3 4 5 6 7 8 9 10 12110

    $3.00

    2.50

    2.00

    1.50

    1.00

    0.50

    Oferta

    Demanda

    Excesso

    Excesso de Oferta

    Grfico 8 Excesso de Oferta Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    Excesso Demanda

    Quantidade deSoervetes

    Preo doSorvete

    $2.00

    0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

    Oferta

    Demanda

    $1.50

    Excessode Demanda

    Grfico 9 Excesso de Demanda. Fonte: Elaborada com base em PINDYK, 2010.

    No contexto discutido, h uma afirmao chave: preo e quantidade de

    equilbrio dependem da posio das curvas de oferta e demanda, quando, por algum

    motivo uma dessas curvas se desloca, o equilbrio do mercado muda. Na Teoria

    Econmica, essa anlise conhecida como esttica comparativa, porque envolve a

    comparao de duas situaes estveis um equilbrio inicial e um novo equilbrio.

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    2.3 ESTRUTURA DE MERCADO

    Na estrutura de mercado clssica, podemos distinguir dois casos

    extremos: O monoplio e a concorrncia-perfeita. A seguir vamos analisar estas duas

    e mais outras que so de grande importncia para o mercado. No quadro abaixo temos

    uma sntese das estruturas de mercado.

    Quadro 1 Estruturas de mercado

    NMERO DE VENDEDORES

    NMERO DE COMPRADORES

    Um Pequeno Grande

    Produto Homogneo

    Produto Diferenciado

    Um Monoplio Bilateral Quase-

    Monoplio Monoplio -------

    Pequeno Quase-Monopsnio Oligoplio Bilateral

    Oligoplio Puro

    Oligoplio Diferenciado

    Grande Monipsnio Oligopsnio Concorrncia Perfeita Concorrncia monopolstica

    a) Concorrncia Perfeita:

    uma situao de mercado na qual o nmero de compradores e

    vendedores to grande que nenhum deles, agindo individualmente, consegue afetar

    os preos. Alm disso, os produtos de todas as empresas no mercado so homogneos;

    ex.: Alguns produtos agrcolas.

    b) Monoplio:

    uma situao de mercado em que uma nica firma vende um produto que

    no tenha substitutos prximos; ex.: Servios Telefnicos e Petrleo no Brasil.

    c) Concorrncia Monopolstica:

    uma situao de mercado na qual existem muitas empresas vendendo

    produtos diferenciados que sejam substitutos prximos entre si; ex.: Fabricantes de

    cigarros; sabonetes, creme dental, etc.

    d) Oligoplio:

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    uma situao de mercado em que um pequeno nmero de empresas

    domina o mercado, controlando a oferta de um produto que pode ser homogneo ou

    diferenciado; ex.: homogneo: indstrias de cimento, alumnio, ao, produtos qumicos,

    fertilizantes, etc.; diferenciado: indstrias de automveis, eletrodomsticos, bebidas,

    computadores, etc.

    2.3.1 Concorrncia Perfeita

    A concorrncia perfeita uma estrutura de mercado que visa descrever

    o funcionamento ideal de uma economia, servindo de parmetro para o estudo das

    outras estruturas de mercado. Trata-se de uma construo terica. Nesse mercado,

    a interao da oferta e demanda determina o preo.

    Hipteses Bsicas do Modelo de Concorrncia Perfeita

    As hipteses nas quais o modelo de concorrncia perfeita se baseia so

    as seguintes:

    I - Existncia de elevado nmero de compradores e vendedores

    Existe um nmero to grande de compradores e vendedores, sendo cada

    comprador ou vendedor to pequeno em relao ao tamanho do mercado que nenhum

    deles, atuando isoladamente, consegue influenciar o preo das mercadorias.

    II - Os produtos so homogneos

    Nesse mercado, os produtos ofertados pelas empresas so homogneos,

    ou seja, so perfeitos substitutos entre si. Como resultado, os compradores so

    indiferentes quanto empresa da qual eles iro adquirir o produto.

    III - Transparncia de mercado

    Essa hiptese garante que tanto compradores quanto vendedores tm

    informao perfeita sobre o mercado: ambos conhecem a qualidade do produto e seu

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    preo vigent