Apostila Oratória

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TECNICAS EM ORATORIA

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  • TCNICAS EM ORATRIA GABRIEL PLCIDO DE BARROS

    TCNICAS EM ORATRIA GABRIEL PLCIDO DE BARROS 1

    SUMRIO

    CAPTULO 01 APRESENTAO CLARA ................................ 02 CAPTULO 02 INTRODUO.................................................... 04 CAPTULO 03 VOLUME E PAUSAS.......................................... 06 CAPTULO 04 LEITURA E APLICAO................................... 09 CAPTULO 05 REPETIO E GESTOS.................................... 11 CAPTULO 06 TEMA E PONTOS PRINCIPAIS......................... 13 CAPTULO 07 CONTATO VISUAL E NOTAS........................... 16 CAPTULO 08 FLUNCIA E PRONNCIA CORRETA............. 18 CAPTULO 09 COERNCIA NO DISCURSO............................ 21 CAPTULO 10 CONVENCER E RACIOCINAR.......................... 23 CAPTULO 11 NFASE E MODULAO.................................. 26 CAPTULO 12 ENTUSIASMO E CORDIALIDADE.................... 29 CAPTULO 13 ILUSTRAES................................................... 31 CAPTULO 14 CONCLUSO E CONTROLE DO TEMPO........ 33 CAPTULO 15 EQUILBRIO E APARNCIA PESSOAL........... 36 CAPTULO 16 O ESBOO......................................................... 39 BIBLIOGRAFIA.............................................................................. 41

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    CAPTULO 01

    APRESENTAO CLARA.

    Os discursos proveitosos comeam com uma preparao diligente, e esta exige tempo e esforo. Mas quantos benefcios trazem! Aumenta sua reserva de conhecimento e lhe d algo realmente proveitoso a transmitir aos seus ouvintes. Em vez de falar em termos generalizados, poder oferecer pormenores esclarecedores, e saber que aquilo que diz certo. Nossa considerao da matria informativa envolve principalmente o que se diz no discurso. Considere brevemente os diversos aspectos deste assunto.

    Um discurso que s trata de generalidades no tem peso nem autoridade. vago. Deixa os ouvintes na incerteza. Se as idias ho de ser lembradas, precisam ser especficas e exatas. Assim se d evidncia de pesquisa e de conhecimento do assunto.

    Esta caracterstica oratria pode ser adquirida na preparao por se fazerem perguntas tais como: Por qu? Quando? Onde? e assim por diante. Usualmente no basta dizer que alguma coisa aconteceu. Fornea nomes de lugares, datas e talvez motivos. No basta declarar certas verdades. Mostre por que so verdades; mostre por que valioso conhec-las. Quando d instrues, explique como se deve fazer certa coisa. Quanto desta espcie de elaborao essencial ser determinado por aquilo que os ouvintes j sabem. Por isso, pense nos ouvintes, para saber que pormenores talvez sejam necessrios.

    O que talvez seja informao para um tipo de assistncia, talvez no aumente em nada o conhecimento de outro grupo, ou at mesmo o deixe completamente s escuras. evidente, portanto, que a matria precisa ajustar-se respectiva assistncia.

    Na preparao, pergunte-se: O que quero conseguir com este discurso? Quanto daquilo que desejo dizer j do conhecimento desta pessoa ou deste grupo? Que base preciso lanar antes de poder esclarecer estes pontos? De que outro modo explicaria isso a um grupo inteiramente diferente? As comparaes amide esclarecem os nossos pontos de vista. Experimente apresentaes diferentes com grupos diferentes na sua preparao, s para sentir a diferena na considerao da assistncia e em tornar a matria informativa para determinada assistncia a que vai falar.

    H muito a aprender, mas nem tudo prtico. Queremos saber como usar esta informao que obtemos.

    Devemos querer ser exatos em todos os pormenores, em todas as ocasies. Deve ser em nossas citaes, no que dizemos sobre outros ou em como os apresentamos, tambm nas questes que envolvem dados cientficos ou acontecimentos noticiosos.

    Declaraes errneas feitas a uma assistncia podem ser repetidas e assim ampliado o erro. Inexatides reconhecidas pelos ouvintes suscitam perguntas quanto ao crdito que o orador merece em outros pontos, questionando-se talvez at mesmo a verdade da prpria mensagem.

    Idias que surgem em resultado da meditao ou que se obtm de pesquisa adicional do assunto podem contribuir muito para um discurso e podem s vezes evitar repetio no instrutiva de matria j conhecida da assistncia. Contribuem para a novidade da apresentao, estimulam o interesse da assistncia e podem tornar um assunto bem conhecido realmente agradvel. D tambm confiana ao orador. Ele

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    trata seu discurso com um entusiasmo derivado do conhecimento de que tem algo um pouco diferente para apresentar. O perigo a ser evitado a especulao particular. Certifique-se de que aquilo que diz seja esclarecedor, e no deturpador.

    Isto no significa que se precisa elaborar de antemo as frases usadas. Mas preciso analisar as idias a serem apresentadas e tomar em considerao determinados fatores definidos. Isto resultar em geral num discurso compacto e em expresses simples de idias, proferidas em linguagem clara. O assunto que complexo na mente do orador tambm ser complexo na apresentao.

    Deve-se evitar a preparao de ltima hora. Cada ponto do discurso precisa ser bem pensado em todos os aspectos, at que seja simples e claro para o orador. A recapitulao destes pontos na preparao para o proferimento os fixar de modo to claro na mente, que se apresentaro espontaneamente quando necessrio e sero brilhantemente claros, tanto para a assistncia como para o orador.

    Pense nos seus ouvintes. Qual o nvel de compreenso deles? preciso tomar em conta a situao.

    Pode acontecer que um discurso contenha tanta informao, que a grande quantidade de matria inunde os ouvintes e a compreenso se torna difcil ou completamente impossvel. Para se alcanar o objetivo do discurso, no se deve usar mais matria do que se pode explanar de modo claro no tempo concedido. No se deve expressar mais do que pode razoavelmente ser assimilado pelos ouvintes.

    Como saber a pessoa quanta matria deve incluir no discurso? A comparao ser de proveito na preparao. Analise o que tem para apresentar. Quantos destes pontos j so conhecidos pelos ouvintes, pelo menos em parte? Quantos sero completamente novos? Quanto mais amplo o fundamento de conhecimento j possudo, tanto mais se pode edificar sobre ele dentro de determinado tempo. Mas quando no se sabe praticamente nada sobre o assunto a ser considerado, ento se precisa ter muito cuidado com a quantidade do que se diz e com quanto tempo levar para explicar plenamente estes pontos assistncia.

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    CAPTULO 02

    INTRODUO A introduo dum discurso deve despertar interesse no assunto. Deve atrair a

    ateno dos ouvintes e prepar-los a dar considerao favorvel ao que se seguir. Para se conseguir isso, preciso mostrar aos ouvintes o valor de seu assunto.

    Um dos melhores modos de suscitar interesse num discurso envolver nele os ouvintes. Faa com que se dem conta de que esta informao lhes vital. Ao fazer isso, precisa comear no nvel da assistncia. Isto significa que aquilo que dir deve estar dentro do conhecimento geral dos ouvintes. Pode ser uma ilustrao, um problema ou uma srie de perguntas. Mas deve ser sempre algo que os ouvintes conhecem, de modo que o possam compreender e aplicar a si mesmos.

    Em alguns casos talvez seja necessrio vencer algum preconceito logo na sua introduo. especialmente assim quando o assunto a ser considerado altamente controvertido. Em tais casos, sua introduo vital, se quiser manter a ateno de seus ouvintes at que possa apresentar eficientemente os argumentos que comprovam o seu ponto.

    O que diz sempre de importncia primria. Mas, para suscitar interesse por meio da sua introduo, provavelmente ainda mais importante como o diz ali, do que em quase qualquer outra parte do discurso. Por este motivo, sua introduo exige cuidadosa preparao antecipada, no s quanto ao que vai dizer, mas tambm quanto maneira em que pretende diz-lo.

    Normalmente, sentenas curtas e simples alcanaro melhor seu objetivo na introduo. Visto que a escolha de palavras to vital para se alcanar o objetivo no tempo curto disponvel para a introduo, talvez ache vantajoso preparar com muito cuidado as primeiras duas ou trs sentenas. Escreva-as por extenso, nas suas anotaes, para que as possa ler, ou decore-as, para que as suas palavras iniciais causem o impacto que merecem e exigem. Alm disso, isso lhe dar mais confiana no comeo e uma oportunidade de obter suficiente domnio sobre si para continuar a falar de modo extemporneo.

    S mais umas palavras sobre a maneira de proferir a sua introduo. Caso se sinta nervoso, fale mais devagar e com diapaso mais baixo. Fale com confiana, mas evite dar a impresso de ser dogmtico. Pois, tal atitude poder desde o incio antagonizar a sua assistncia.

    Embora a introduo dum discurso seja a primeira coisa a ser apresentada, usualmente preparada com mais eficincia depois de se ter organizado bem o contexto do discurso. Isto lhe permitir saber o que ser melhor dizer para prefaciar de modo correto a matria que preparou.

    Somente quando a sua introduo for apropriada ao tema; a conduzir de modo eficiente ao assunto. Precisa-se ter muito cuidado de usar na introduo apenas aquilo que contribua para seu objetivo de falar.

    No s precisa a sua introduo conduzir ao assunto em considerao, mas ela precisa apresentar de modo claro o aspecto especfico da matria de que tratar. Isto significa limitar seu assunto a um tema especfico, e da, de algum modo, identificar este tema tanto quanto for prtico na sua introduo. Se no especificar o tema, poder em alguns casos usar palavras principais ou temticas na introduo. Deste modo, sua assistncia no esperar que abranja outros aspectos do assunto, talvez sugeridos pelo ttulo de seu discurso.

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    Todo o discurso deve ser uma unidade completa, no comeando com uma coisa e depois acabando com outra. Alm disso, esta questo de a introduo ser apropriada ao tema precisa ser equilibrada com a questo de a introduo despertar o interesse. Em outras palavras, o tema no deve ser sacrificado s para se contar uma boa histria logo no comeo. O objetivo do discurso deve predominar na seleo da sua matria. E deve ajustar-se e concordar com o contexto do discurso.

    Quo extensa deve ser a introduo? No h resposta especfica que se ajuste a todas as situaes. A extenso duma introduo depende do tempo concedido ao prprio assunto, do objetivo do discurso, da assistncia envolvida e de muitas outras consideraes similares.

    De fato, ao se escutar um discurso, deve usualmente ser difcil, por causa da continuidade, determinar uma diviso claramente definida entre a introduo e o corpo. Pode-se perguntar: a introduo muito divagante, muita detalhada, muito extensa, ao ponto de a sua assistncia ficar desassossegada antes que chegue aos argumentos principais a serem apresentados?

    A introduo deve seguir numa seqncia definida, ordeira e rpida de pensamentos em direo ao assunto, sem sacrificar as caractersticas que despertam o interesse. Precisa ser completa, sem haver lacunas. Isto exige reflexo cuidadosa, porque, se comear dum ponto muito afastado do assunto, exigindo explicaes extensas e pormenorizadas, ento seria melhor revisar sua introduo e talvez achar um novo ponto de partida.

    Se for difcil achar uma ntida diviso entre a introduo e o corpo do discurso, ento provvel que a sua introduo tenha a extenso correta. Indicar que fez uma introduo to boa da matria assistncia, que esta passou a ouvir seus argumentos sem realmente se aperceber disso. Por outro lado, se ela comear a se perguntar quando que vai entrar no assunto, ento pode estar certo de que a sua introduo comprida demais.

    Introdues compridas e complexas consomem desnecessariamente muito tempo. Ser o corpo do discurso que vai transmitir as idias que quer apresentar.

    Em resumo, sua introduo deve apenas estabelecer contato, despertar interesse e conduzir ao assunto que vai considerar. Faa isso com a presteza que for prtica, e depois chegue logo ao mago de seu assunto.

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    CAPTULO 03

    VOLUMES E PAUSAS.

    A menos que outros possam ouvi-lo facilmente, perder-se- o valor daquilo que diz. Por outro lado, se o seu volume for alto demais, pode irritar a assistncia e assim desviar a ateno dos bons pensamentos que preparou. Pode acontecer que aquele que fala da tribuna no tenha volume suficiente, e por isso deixe de inspirar sua assistncia.

    A primeira coisa a considerar para saber quanto volume se deve usar melhor analisada pela pergunta: Usou-se a fora de voz necessria? Quer dizer, foi ouvido nas ltimas fileiras sem ser alto demais para os nas primeiras?

    O orador precisa aperceber-se das condies variveis sob as quais fala. Isto ampliar a sua faculdade de discernimento, o tornar mais flexvel e lhe permitir alcanar a sua assistncia e manter o interesse dela com mais facilidade.

    As condies variam de lugar e com o tamanho da assistncia. Para controlar as circunstncias, ter de controlar seu volume.

    Mas nem mesmo estas condies so constantes. H barulho repentino dentro e fora do local. Um automvel que passa, um trem por perto, rudos altos feitos por animais, o choro de crianas, algum que chega tarde todas estas coisas exigem um ajuste na fora da voz. Se no forem reconhecidas e compensadas no volume, faro que se deixe de ouvir algo, talvez um ponto vital.

    Ocasionalmente, o orador achar difcil de controlar esta questo do volume, simplesmente por causa da qualidade de sua voz.

    Como pode a pessoa saber se o seu volume suficiente? A reao da assistncia um dos melhores barmetros. O orador experiente observar atentamente os no fundo do local, durante a sua introduo, e poder determinar pela expresso e atitude geral deles, se podem ouvir confortavelmente, e ele variar o volume de acordo. Uma vez que se familiarizou com o local, no ter mais dificuldades.

    Outro mtodo observar os outros oradores no mesmo programa. Podem ser ouvidos facilmente? Quanto volume usam? Ajuste o seu concordemente.

    Este aspecto de nossa considerao do volume no deve ser confundido com a modulao. No momento estamos interessados em simplesmente ajustarmos o volume matria especfica em considerao. O volume precisa ser adaptado matria, mas nunca se deve exagerar.

    Ao decidir quanto volume deve usar, analise com cuidado a sua matria e seu objetivo. Se quiser mudar o modo de pensar da assistncia, no a expulse com volume demais. Contudo, se quiser estimul-la a uma atividade animada, o volume talvez possa ser maior. Se a matria exige vigor, no a enfraquea por falar suave demais.

    Ao proferir o seu discurso, pausar nos lugares certos quase to importante como o volume adequado. Sem fazer pausas, o significado das declaraes pode facilmente ficar obscurecido e os pontos principais, que devem ser lembrados pela assistncia, no causaro uma impresso duradoura. As pausas lhe do confiana e equilbrio, permitem um controle melhor da respirao e oferecem a oportunidade de ganhar domnio sobre si nos pontos difceis do discurso. As pausas mostram assistncia que est controlando a situao e no est nervoso demais, que toma em considerao os ouvintes e que tem algo que deseja que ouam e lembrem.

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    O orador principiante no deve demorar em adquirir a habilidade de pausar com eficincia. Primeiro precisa ficar convencido de que aquilo que tem a dizer importante e que quer que seja lembrado. A me que corrige seu filho diz primeiro algo para atrair a ateno dele. No dir mais nada at que o filho lhe d plena ateno. Ento dir o que lhe deseja dizer. Ela quer ter a certeza de que o filho no desaperceba o que ela est dizendo e que se lembre disso.

    Alguns nunca pausam, nem mesmo na conversa diria. Se este for o seu problema, desejar cultivar esta caracterstica oratria para melhorar a eficincia de seu discurso. Ali falamos em forma conversante. Pausar de tal modo que a pessoa escute e espere, exige a espcie correta de pausas. Mas a percia e a proficincia em pausar numa palestra so to essenciais e to proveitosas como quando esta habilidade utilizada na tribuna.

    Um problema srio com relao ao uso correto de pausas num discurso ter-se matria demais. Evite isso. Conceda tempo para pausas; elas so essenciais.

    Pausar para pontuao significa simplesmente usar pausas para dar clareza ao pensamento; destacar idias relacionadas; indicar frases, oraes, fins de sentenas e de pargrafos. Estas mudanas podem amide ser indicadas pela modulao da voz, mas as pausas so tambm eficientes para fornecer uma pontuao oral para o que se diz. E assim como as vrgulas e os pontos e vrgulas tm significados diferentes na diviso das sentenas, assim tambm as pausas devem variar segundo o seu uso.

    As pausas mal colocadas podem mudar completamente a idia da sentena. Portanto, pausar de modo correto essencial para se transmitir a idia pretendida.

    Aprenda a pontuao oral no discurso extemporneo por observar toda pontuao escrita quando l. A nica pontuao escrita que s vezes se pode desconsiderar na leitura a vrgula. Pausar ou no pausar numa vrgula muitas vezes uma questo de preferncia. Mas os pontos e vrgulas, os pontos, os pontos de interrogao e tambm as divises de pargrafos precisam todos ser observados.

    Talvez ache til na leitura marcar o texto. Trace uma pequena linha vertical entre as oraes onde se deve inserir uma breve pausa (talvez apenas uma hesitao); duas linhas ou um X para uma pausa mais longa.

    Por outro lado, se verificar na sua leitura de ensaio que certas sentenas lhe so difceis de pronunciar ou que pausa repetidas vezes nos lugares errados, poder fazer sinais com um lpis, ligando juntas todas as palavras que constituem uma orao. Da, na leitura, no pause nem hesite at chegar ltima das palavras ligadas juntas. Muitos oradores experientes fazem isso.

    Na transio de um ponto principal para outro, a pausa oferece assistncia a oportunidade de refletir. Alm disso, impede mal-entendidos. D mente a oportunidade de se ajustar, de reconhecer a mudana de direo e de acompanhar a explanao da nova idia apresentada. Para o orador to importante pausar na mudana de idias como o para o motorista diminuir a marcha para fazer uma curva.

    Num discurso extemporneo, a matria precisa ser organizada no esboo de modo a permitir pausas entre os pontos principais. Isto no precisa interferir na continuidade ou na coerncia do discurso, mas as idias devem ser to bem formuladas, que possa levar determinado ponto a um clmax, pausar e depois prosseguir com uma nova idia. Tal clmax e mudana podem at mesmo ser marcados no seu esboo, se for preciso para lhe lembrar isso.

    As pausas para uma mudana de pensamento costumam ser mais longas do que as para a pontuao; entretanto, no se deve exagerar as pausas longas num discurso, seno a apresentao ser enfadonha. Alm disso, provvel que parea afetada.

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    A pausa para nfase usualmente uma pausa dramtica. Cria expectativa ou oferece assistncia a oportunidade de refletir.

    Pausar antes de um ponto importante cria expectativa. Uma pausa depois dele permite que se compreenda a plena importncia da idia. Estes dois usos da pausa no so iguais, de modo que precisa decidir o que mais apropriado em determinado caso ou se ambas devem ser usadas.

    As pausas para nfase devem ser limitadas a declaraes muito significativas, seno se perder o valor delas.

    As interrupes muitas vezes exigem que o orador pause momentaneamente. Se a perturbao no for severa demais e se puder aumentar o volume e continuar, ento normalmente melhor fazer isso. Mas, se a perturbao for suficiente para interferir totalmente no discurso, ento ter de pausar. Sua assistncia saber avaliar a considerao que demonstra. Alm disso, muitas vezes ela nem escuta, porque a perturbao temporria a distrai. Portanto, use as pausas de modo eficiente, para certificar-se de que a sua assistncia tire pleno proveito das boas coisas que lhe deseja dizer.

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    CAPTULO 04

    LEITURA E APLICAO

    A prpria leitura de textos deve ser bem feita. No deve ser feita de maneira banal.

    Antes, deve dar estmulo adicional sua apresentao, se a leitura h de alcanar seu objetivo.

    Os textos devem ser lidos com sentimento, mas no se deve exagerar isso. Quanta expresso se deve dar a um texto depende do prprio texto e da sua colocao no discurso. Deve dar um clmax ao argumento, mas no deve atrair a ateno leitura.

    Alm disso, a leitura deve focalizar a ateno sobre a parte do texto que apia o argumento. Deve rematar o argumento, para que a assistncia fique convencida. De modo que a leitura de textos com a devida nfase infunde confiana. D autoridade leitura.

    O motivo pelo qual se l o texto deve governar o que se h de salientar nele. Se cada idia expressa no texto for salientada de modo igual, ento nada se destacar, e se perder o ponto do argumento. Por isso, certifique-se de que as palavras que recebem a nfase primria sejam as que contm a idia pela qual se usa o texto.

    As palavras que contm a idia, e que deseja destacar, podem ser enfatizadas de diversos modos, e o mtodo que usar dever ser apropriado ao texto e ao teor do discurso.

    Aqui se alistam alguns mtodos para ajud-lo a adquirir a habilidade de ler os textos com eficcia.

    nfase vocal. Esta envolve a mudana de voz, quer em diapaso, quer em ritmo ou fora, para salientar do restante da sentena as palavras que contm a idia.

    Pausas. Estas podem ser feitas quer antes, quer depois da parte principal do seu texto, ou ambas as coisas. Pausar logo antes de se ler a idia principal cria expectativa; pausar depois aprofunda a impresso criada.

    Repetio. Pode-se dar nfase a determinado ponto por se parar e ler de novo a palavra ou frase. Este mtodo deve ser usado com discrio.

    Gestos. O movimento corporal, bem como as expresses faciais, podem amide ajudar para acentuar uma palavra ou frase.

    Tom da voz. Ocasionalmente, o tom em que se lem as palavras pode influir no seu significado e coloc-las parte, mas, tambm nisso preciso usar de discrio, especialmente no uso de sarcasmo.

    Antes ou durante a aplicao do texto, usualmente preciso que se enfatizem de novo as palavras principais. Isto para garantir que tudo no texto que no se relacionar com o seu argumento fique subordinado, ou seja, tornado secundrio. As prprias palavras que aparecem no texto no precisam ser literalmente repetidas para se fazer isso, embora seja em geral o modo em que feito. Mas em certos casos poder de outro modo trazer bem ateno da assistncia os pensamentos separados que esto sendo considerados. Um modo de se fazer isto por se usarem simplesmente sinnimos para refrasear a idia. Outro modo o de fazer perguntas. Se a sua apresentao envolveu a assistncia, poder frasear as suas perguntas de modo a induzi-la a expressar as idias principais.

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    Dever certificar-se de que o objetivo de usar o texto seja claramente compreendido e reconhecido. Talvez no tenha achado necessrio ou desejvel, por algum motivo, fazer uma introduo formal do texto. Isto no significa que no tenha de rematar o ponto salientado pelo texto. Mas, por via de regra, fez pelo menos alguma preparao antecipada para seu argumento antes de ler o texto. Agora precisa cuidar de que haja um remate, para completar o uso do texto.

    A extenso da aplicao que precisa ser feita ser determinada pelo tipo de assistncia e pela importncia do ponto na apresentao geral da matria. Em geral, no basta apenas considerar o texto. Precisa ligar os pensamentos salientados no texto com o seu argumento introdutrio. Precisa esclarecer bem qual a ligao entre os dois.

    Quanto mais simples for a aplicao e ainda alcanar o objetivo, tanto melhor. Ela deve estar livre de todos os pormenores no relacionados. Isto se consegue pela reduo do argumento ao mnimo possvel de fatos e depois acrescentar apenas o necessrio para torn-los compreensveis. Se a introduo deixou alguma coisa sem resposta, ento a resposta precisa ser dada na aplicao.

    Deve ter por objetivo a simplicidade e a conciso. Quando alcanar isso, sua leitura e aplicao dos textos refletiro a habilidade dum instrutor perito.

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    CAPTULO 05

    REPETIO E GESTOS. Seu objetivo em falar deve ser o de transmitir informao de que sua assistncia se

    lembrar e que poder usar. Se ela a esquecer, perdeu-se o proveito. Uma das principais maneiras pela qual a poder ajudar a gravar na mente o que diz repetir os pontos mais importantes. Diz-se apropriadamente que a repetio a me da reteno. A repetio uma das tcnicas essenciais de ensino.

    Para ajud-lo a se tornar proficiente no uso da repetio para nfase, vamos considerar o assunto de dois ngulos diferentes. Cada um trata de um meio diferente de repetio; cada um visa um objetivo diferente. A repetio dos pontos principais serve de ajuda memria. A repetio dos pontos no compreendidos ajuda compreenso.

    No s a maneira de falar, mas tambm a preparao vital na considerao desta caracterstica de oratria. Precisa decidir de antemo quais as idias que exigem repetio e quando ser melhor repeti-las.

    Consegue-se freqentemente a repetio dos pontos principais por algum tipo de resumo. Consideraremos dois tipos destacados, chamando-os de resumo progressivo e resumo concludente.

    O resumo progressivo consiste em recapitular os essenciais de cada ponto principal, ao passo que esto sendo considerados, incluindo em cada resumo sucessivo os essenciais dos pontos principais precedentes. Assim se salienta cada vez mais o fio da meada do discurso.

    No fim do discurso, um resumo concludente, quer em conjunto com os resumos progressivos, quer no, rene tudo junto e o discurso inteiro pode ser recapitulado em algumas declaraes breves. Ocasionalmente, ser til mencionar o nmero exato de pontos que so recapitulados. Esta mais uma ajuda memria.

    O resumo no precisa ser uma repetio ou recapitulao seca dos pontos ou das idias. Pode ser conseguido de diversos modos: mediante ilustraes, mediante o uso dum texto, por se encarar o assunto de um ngulo diferente, mediante comparaes ou contrastes, por se fazerem paralelos, pelo uso de sinnimos ou de perguntas. Para demonstrar isso, um resumo muito prtico dum discurso pblico pode ser uma parte curta, com os principais argumentos do discurso. Tem-se assim o discurso inteiro em forma condensada, algo de que quase todos se podero lembrar e que podero usar.

    O tipo sumrio de repetio especialmente til no caso dos discursos que envolvem o raciocnio e a lgica, e o tempo decorrido entre a considerao e a breve recapitulao ajuda a incutir as idias mais a fundo na mente dos ouvintes. Todavia, nem sempre preciso resumir um ponto. Amide pode ser simplesmente declarado outra vez, mais adiante, como base eficiente para mais um ponto a ser considerado.

    Outro modo em que os pontos principais podem ser repetidos enumer-los na introduo do discurso, seguindo depois com uma considerao extensa destes pontos no corpo do discurso. Esta repetio grava os pensamentos ainda mais na mente.

    Quando se conhecem bem estes modos diferentes de se repetirem os pontos principais, pode-se fazer muito para tornar o discurso interessante e agradvel, bem como mais fcil de lembrar.

    Deve-se ou no repetir algum ponto para melhor compreenso depende quase que inteiramente dos ouvintes. Se for um ponto essencial e ele no ficaria claro sem haver uma

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    oportunidade de ouvi-lo expresso outra vez, ter de reconsider-lo de algum modo, seno chegar concluso de seu discurso sem que seus ouvintes o tenham acompanhado. Por outro lado, a repetio desnecessria, no a empregada para nfase, tornar o discurso verboso e desinteressante.

    Pense nos ouvintes quando prepara o discurso. Isto deve de algum modo habilit-lo a prever os problemas especficos talvez encontrados pelos seus ouvintes. Prepare-se para repetir de algum modo tais idias, para que possam ser vistas de ngulos diferentes.

    Como poder saber se no foi compreendido? Olhe para sua assistncia. Observe as expresses faciais, ou, se falar apenas a uma ou duas pessoas, faa perguntas.

    Mas observe bem o seguinte: A repetio das mesmas palavras nem sempre alcanar seu objetivo. Ensinar envolve mais do que isso. Se os ouvintes no compreenderam da primeira vez, a mera repetio das mesmas palavras mais uma vez no bastar para que entendam melhor. O que poder fazer? Precisar tornar-se adaptvel. Talvez exija acrscimos improvisados ao seu discurso. Aprender a lidar com as necessidades dos ouvintes determinar em grande parte sua eficincia como instrutor.

    Tambm os gestos do nfase ao que se diz, e amide reforam o significado da palavra falada. Assim suplementam e vitalizam as idias. Quase ningum fala sem uma ou outra forma de gestos. Portanto, se no fizer gestos na tribuna, sua assistncia saber que no est vontade. Mas quando faz gestos de modo natural, a assistncia no pensa na sua pessoa; pensa no que est dizendo. Os gestos lhe ajudam por anim-lo, estimulando seus sentimentos e assim dando vida sua apresentao. No devem ser tirados dum livro. Nunca estudou como sorrir, rir ou sentir-se indignado, de modo que tampouco necessrio copiar os gestos de outra pessoa, e quanto mais naturais e espontneos forem, tanto melhor. As expresses faciais andam de mos dadas com os gestos em suprir sentimento palavra falada.

    Os gestos caem em duas categorias gerais quanto sua natureza: descritivos e enfticos.

    Os gestos descritivos expressam ao ou mostram dimenso e situao. So os mais fceis de aprender. Portanto, se tiver problemas para fazer gestos na tribuna, experimente primeiro gestos simples e descritivos.

    Quando se empenha em desenvolver esta caracterstica oratria, no se contente apenas com um ou dois gestos. Procure fazer gestos muitas vezes durante o discurso. Para fazer isto, esteja atento s palavras que mostram direo, distncia, tamanho, rea, velocidade, situao, contraste, posies relativas ou comparaes. Se for necessrio, marque estas palavras de algum modo nas suas anotaes, para que se lembre de fazer gestos neste ponto. Depois de alguns discursos, verificar que no precisa mais marcar seus gestos nem pensar neles de antemo, e far gestos de modo natural.

    Os gestos enfticos expressam sentimentos e convices. Acentuam, vitalizam e reforam as idias. Por isso, os gestos enfticos so essenciais. Mas, acautele-se! Os gestos enfticos costumam ser da espcie que se torna maneirismo. Para impedir isso, evite gestos repetitrios.

    Se o seu problema for os maneirismos nos gestos, limite-se exclusivamente a gestos descritivos, por algum tempo. Uma vez que se tenha tornado hbil nos gestos deste tipo, ento os gestos enfticos viro naturalmente. Ao ganhar experincia e se sentir mais vontade na tribuna, seus gestos enfticos expressaro de modo mais natural os seus sentimentos ntimos, demonstrando a sua convico e sinceridade. Aumentaro o significado de seu discurso.

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    CAPTULO 06

    TEMA E PONTOS PRINCIPAIS. Todo discurso precisa de um tema para dar-lhe sentido e para interligar todas as

    suas partes de modo agradvel. Qualquer que seja seu tema, precisa permear todo o discurso. o teor de seu discurso; talvez poderia ser expresso numa nica sentena, contudo, incluiria cada aspecto da matria apresentada. O tema deve ser evidente a todos na assistncia, e o ser se for devidamente salientado.

    O tema dum discurso no meramente algum assunto amplo, tal como Corrupo; o aspecto especfico sob o qual se considera o assunto. Por exemplo, o tema talvez seja, Corrupo At Onde Vai?.

    Em alguns casos, talvez tenha de reunir a matria antes de selecionar o tema. Mas o tema precisa ser claramente estabelecido antes de comear a preparao do esboo do discurso, ou antes de selecionar os pontos principais.

    Como pode salientar o tema no seu discurso? Primeiro precisa selecionar um tema apropriado, adequado para seu objetivo. Isto exige preparao antecipada. Uma vez que selecionou o tema e preparou o discurso em torno dele, ser quase automaticamente salientado se falar baseado no esboo que preparou. No entanto, no prprio discurso, a repetio ocasional das palavras-chaves ou da idia central do tema garantir mais prontamente que o tema seja incutido.

    O que determina se o tema apropriado ou no? Diversas coisas. Deve tomar em considerao sua assistncia, seu objetivo e a matria que lhe foi designada, se este for o caso. Se verificar que profere discursos nos quais no se salienta nenhum tema, talvez seja que realmente no tenha preparado seu discurso em torno de uma idia central. Talvez inclua no discurso pontos demais, que realmente no contribuem para o tema.

    Um modo em que se pode fazer que todas as partes do discurso acentuem o tema repetir as palavras-chaves declaradas no tema ou repetir a idia central do tema. Na msica, o tema a melodia repetida bastante vezes para caracterizar toda a composio. De fato, em geral bastam apenas alguns compassos para garantir que a msica seja reconhecida. A melodia nem sempre reaparece na mesma forma. s vezes aparecem apenas uma ou duas frases da melodia, ocasionalmente se usa uma variao do tema, mas de um modo ou outro, o compositor entretece a melodia com percia na composio at que permeie toda ela e a caracterize.

    Assim deve ser com o tema do discurso. A repetio das palavras-chaves ou da idia temtica como a melodia repetida numa composio. Os sinnimos destas palavras ou o refraseado da idia temtica central servem como variao do tema. Tais mtodos, empregados com suficiente discrio para no se tornarem montonos, faro que o tema do assunto se torne a expresso caracterstica de todo o discurso e seja a idia principal lembrada pela sua assistncia.

    Depois de determinar o tema do seu discurso, o prximo passo na preparao selecionar os pontos principais que planeja usar na elaborao dele.

    Quais so os pontos principais dum discurso? No so simplesmente idias ou pontos interessantes que se mencionem brevemente de passagem. So as partes principais do discurso, as idias elaboradas com certa extenso. So como etiquetas ou letreiros nas prateleiras duma mercearia, que ajudam a identificar o que h naquela parte das prateleiras, e eles governam o que pode ser colocado naquela parte e o que no deve estar ali. Sob o letreiro CEREAIS, as gelias estariam fora de lugar e s

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    confundiriam as pessoas. Debaixo do letreiro CAF E CH, no h lugar para o arroz. Se os letreiros nas prateleiras ficarem ocultos devido ao excesso de mercadoria, ento difcil achar alguma coisa. Mas quando os letreiros ficam bem visveis, pode-se prontamente reconhecer o que h ali. O mesmo se d com os pontos principais de seu discurso. Enquanto puderem ser percebidos e lembrados, sua assistncia precisar de muito poucos pontos para acompanh-lo at sua concluso.

    A seleo e o uso dos pontos principais variaro segundo os ouvintes e o objetivo do discurso.

    Ao fazer a sua seleo, escolha apenas os essenciais. Portanto, pergunte-se: O que torna um ponto essencial? Ele essencial quando no puder alcanar o objetivo de seu discurso sem ele.

    Portanto, pergunte-se: O que que j sabem meus ouvintes? O que preciso mostrar para alcanar meu objetivo? Se souber a resposta primeira pergunta, poder responder segunda por reunir sua matria, deixando temporariamente de lado todos os assuntos j conhecidos e classificando todos os pontos remanescentes no nmero menor possvel de grupos. Estes grupos tornam-se seus letreiros identificadores quanto a que tipo de matria est apresentando aos ouvintes. Estes letreiros ou pontos principais nunca devem ficar ocultos ou encobertos. So os seus pontos principais, que precisam destacar-se.

    Em qualquer assunto, h apenas alguns pontos essenciais. Na maioria dos casos, podem ser contados nos dedos de uma s mo. Isto assim no importa qual o tempo que tenha para apresent-los. No caia na armadilha comum de tentar destacar pontos demais. Quando a mercearia fica grande demais e h categorias demais de mercadorias, preciso perguntar onde esto as coisas. Sua assistncia pode razoavelmente compreender apenas certo nmero de idias diferentes numa s sesso. E quanto mais comprido o seu discurso, tanto mais simples precisa ser, e tanto mais fortes e mais ntidos devem ser seus pontos principais. Por isso no tente fazer que seus ouvintes se lembrem de coisas demais. Selecione os pontos que acha absolutamente necessrios para serem lembrados e da gaste todo seu tempo em falar sobre eles.

    O que determina se h pontos demais ou no? Explicado de modo simples, quando alguma idia puder ser deixada fora e o objetivo do discurso ainda puder ser alcanado, ento este ponto no um ponto principal. Para dar forma ao discurso, talvez decida incluir o ponto como conectivo ou como lembrete, mas ele no se deve destacar assim como os imprescindveis.

    Outra coisa que precisa ter tempo suficiente para elaborar cada ponto com bom xito e de modo conclusivo. Quando se precisa dizer muito em pouco tempo, reduza ao mnimo os assuntos que os ouvintes j conhecem. Elimine tudo, exceto os fatores no conhecidos, e torne estes to claros, que ser difcil que os ouvintes os esqueam.

    Por ltimo, seu discurso precisa dar a impresso de simplicidade. Isto nem sempre depende da quantidade de matria apresentada. Pode ser apenas o modo em que agrupa seus pontos. Por exemplo, se entrasse numa loja em que tudo estivesse empilhado no centro dela, ela pareceria abarrotada e muito confusa. Teria dificuldades em encontrar alguma coisa. Mas quando tudo arrumado em ordem e todos os objetos relacionados so agrupados juntos e identificados por um letreiro, o efeito bem agradvel e possvel achar facilmente qualquer objeto. Torne seu discurso simples por agrupar os pensamentos debaixo de apenas algumas idias principais.

    Cada pensamento principal precisa ser independente. Cada um precisa ser explanado separadamente. Isto no impede um breve esboo ou resumo dos pontos principais na introduo ou na concluso do seu discurso. Mas, no corpo do discurso,

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    dever falar apenas sobre uma idia principal por vez, permitindo apenas as sobreposies ou os retrocessos que talvez sejam necessrios para manter a ligao ou a nfase. Aprender a fazer um esboo tpico ajudar muito a determinar se os pontos principais so explanados separadamente.

    Pontos de prova, textos ou outra matria apresentada devem salientar a idia principal e devem ampli-la.

    Na preparao, analise todos os pontos secundrios e retenha apenas os que contribuem diretamente para aquele ponto principal, quer para esclarec-lo, quer para provar ou ampliar o ponto. Deve-se eliminar tudo o que for descabido. Apenas confundiria a questo.

    Qualquer ponto relacionado com a idia principal deve ser ligado diretamente com aquela idia por meio daquilo que se diz. No deixe para os ouvintes fazerem a aplicao dela. Torne a relao clara. Explique qual a relao. O que no se explicar, em geral no ser entendido. Pode-se conseguir isso pela repetio das palavras-chaves que expressam a idia principal ou pela repetio ocasional da idia do ponto principal. Quando dominar a arte de fazer que todos os seus pontos secundrios salientem os pontos principais do discurso e interligar cada ponto principal com o tema, seus discursos sero de uma simplicidade agradvel, que tornar fcil proferi-los e difcil de esquec-los.

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    CAPTULO 07

    CONTATO VISUAL E NOTAS. Manter bom contato com os ouvintes de grande ajuda no ensino. Granjeia o

    respeito deles e o habilita a ensinar com maior eficincia. Seu contato com eles deve mant-lo em ligao to ntima, que como orador sente logo cada reao deles. O uso que fizer de notas desempenhar um papel importante em se saber se mantm tal contato com os ouvintes ou no. Anotaes extensas podem ser um impedimento; mas o uso perito de notas no perturba, mesmo quando as circunstncias exigem que sejam um pouco mais extensas do que de costume. Isto se d porque o orador perito no perde seu contato com a assistncia quer por olhar para as notas, quer por olhar no momento errado.

    Contato visual significa olhar para os ouvintes. No significa apenas olhar para a assistncia em geral, mas significa olhar para as pessoas na assistncia. Significa ver as expresses nos seus rostos e reagir concordemente.

    Olhar para os ouvintes no significa apenas um movimento rtmico de um lado para outro, para no se excluir a ningum. Olhe para algum na assistncia e diga uma ou duas sentenas quela pessoa. Depois olhe para outra pessoa e diga mais algumas sentenas quela pessoa. No olhe demais para algum, ao ponto de embara-lo, e no se concentre apenas em algumas pessoas em toda a assistncia. Prossiga assim olhando para diversos na assistncia, mas, ao falar a uma pessoa, fale realmente a ela e observe a reao dela, antes de passar para outra pessoa. Suas notas devem ser colocadas na tribuna de orador, de modo que possa olhar para elas depressa, com um s olhar. Se for preciso mover a cabea inteira para ver as suas notas, o contato com os ouvintes sofrer.

    Se olhar para suas notas enquanto est chegando a um clmax, no observar a reao dos ouvintes. Se consultar constantemente as suas anotaes, tambm perder o contato. Em geral, isto indica um hbito nervoso ou ento preparao insuficiente para proferir o discurso.

    H ocasies em que oradores experientes precisam fazer todo um discurso baseados num manuscrito, e, naturalmente, isto limita de certo modo seu contato visual com os ouvintes. Mas, se conhecerem bem a matria, em resultado de boa preparao, podero de vez em quando olhar para os ouvintes sem se perderem, e isto serve de estmulo para a leitura expressiva de sua parte.

    O contato com os ouvintes pelo tratamento direto to essencial como o contato visual. Envolve as palavras que usa ao se dirigir aos ouvintes.

    Quando fala a uma pessoa s em particular, dirige-se a ela com o tratamento direto, ou ento fala de ns e nosso. Sempre que for apropriado, poder usar o tratamento direto ao falar a uma assistncia maior. Procure considerar seu discurso como se fosse uma palestra com apenas uma ou duas pessoas por vez. Observe-as de perto para que possa responder-lhes como se realmente estivessem falando. Isto tornar seu modo de falar mais pessoal.

    No entanto, precisa tomar cuidado. Evite o perigo de se tornar familiar demais com os ouvintes.

    Outro perigo. Precisa ser criterioso no seu uso de pronomes pessoais e no colocar os ouvintes numa situao embaraosa. Por exemplo, num discurso sobre a delinqncia, no usaria uma forma de tratamento para com os ouvintes que daria a impresso de que eles so os delinqentes. Poder incluir a si mesmo no discurso,

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    usando o pronome ns, em vez de falar s dos ouvintes. A cortesia e a considerao devem facilmente vencer qualquer perigo desta natureza.

    Poucos oradores principiantes comeam a falar usando um esboo. Eles costumam em vez disso escrever o discurso inteiro e depois l-lo, ou ento proferi-lo de memria.

    Visto que o empenho que faz com respeito a esta caracterstica oratria se destina a ajud-lo a se libertar dum manuscrito, tanto na preparao como no falar, no decore seu discurso.

    Se usar textos, poder fazer-se as seguintes perguntas: Como? Quem? Quando? Onde? ... e assim por diante. Da, conforme estas perguntas se ajustarem sua matria, use-as como parte das suas anotaes.

    Os principiantes costumam preocupar-se com esquecer-se de alguma coisa. Todavia, se tiver elaborado seu discurso em forma lgica, ningum vai sentir falta duma idia, caso a tiver despercebido. Abranger matria no de qualquer modo o objetivo principal neste estgio de seu progresso. mais importante que agora aprenda a falar baseado num esboo.

    possvel que ao proferir este discurso se sinta como que tendo perdido muitas das caractersticas oratrias j aprendidas. No se alarme. Elas retornaro, e verificar que se tornou mais proficiente nelas, uma vez que aprender a falar sem manuscrito.

    Apenas uma observao a respeito das notas usadas para discursos. Devem ser usadas apenas para fazer lembrar idias, no para recit-las. As notas devem ser breves. Devem tambm ser esmeradas, ordeiras e legveis.

    Outra ajuda escrever o tema no alto de suas notas. Tambm os pontos principais se devem destacar bem ao olhar. Procure escrev-los em letras maisculas ou sublinh-los.

    Quando usar apenas poucas notas para proferir seu discurso, no quer dizer que pode reduzir a preparao. Primeiro prepare o discurso em pormenores, fazendo um esboo to completo como quiser. Depois prepare um segundo esboo, muito mais abreviado. Este o esboo que usar para proferir o discurso.

    Coloque ento ambos os esboos diante de si e olhe apenas para o esboo abreviado, falando o mximo que souber sobre o primeiro ponto principal. Da olhe para o esboo mais pormenorizado e veja o que deixou fora. Passe para o segundo ponto principal no seu esboo abreviado e faa o mesmo. Com o tempo, o esboo menor se lhe tornar to familiar que poder lembrar de tudo o que h no esboo mais detalhado, apenas por olhar para as suas breves anotaes. Com a prtica e a experincia, comear a reconhecer a vantagem de falar extemporaneamente e usar o manuscrito apenas quando absolutamente necessrio. Sentir-se- mais vontade ao falar e sua assistncia escutar com mais respeito.

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    CAPTULO 08

    FLUNCIA E PRONNCIA CORRETA. Quando se apresenta perante uma assistncia para proferir um discurso, verifica

    muitas vezes que lhe faltam as palavras adequadas? Ou quando l em voz alta, tropea em certas expresses? Neste caso, tem um problema com a fluncia. Pessoa fluente aquela que est preparada no uso de palavras. No significa que seja uma pessoa loquaz, ou algum que irrefletida e insinceramente usa palavras com facilidade. Trata-se de falar de modo suave e agradvel, com expresso fcil ou livre.

    No falar, a causa mais comum da falta de fluncia no se pensar de modo claro e haver falta de preparao da matria. Ela pode tambm resultar de um vocabulrio pobre ou m escolha de palavras. Na leitura, a falta de fluncia se deve usualmente falta de prtica da leitura em voz alta, embora tambm nisso a falta de conhecimento de palavras cause vacilaes ou hesitaes. A falta de fluncia pode ser causada por uma combinao destes fatores, conjugados com a timidez ou a incerteza. Ali o problema especialmente srio, porque em alguns casos os seus ouvintes literalmente o abandonaro ou a mente dos mesmos vaguear e se perder muito do que diz. Trata-se, pois, dum assunto srio; a fluncia certamente uma caracterstica oratria a ser adquirida.

    Muitos oradores tm o maneirismo desconcertante de inserir expresses tais como no ?, eh ou outras similares. Se no se aperceber da freqncia com que acrescenta tais expresses ao seu modo de falar, talvez possa fazer uma sesso de ensaio em que algum o escute e repita estas expresses cada vez que as use. Ficar surpreso.

    Outras pessoas sempre retrocedem no falar, quer dizer, comeam uma sentena, depois se interrompem e comeam outra vez. Se tiver este mau hbito, procure venc-lo na sua conversao diria. Faa um esforo consciente de primeiro pensar e fixar a idia bem na mente. Depois diga um pensamento inteiro sem parar ou sem mudar de idia no meio da sentena.

    Estamos acostumados a usar palavras ao nos expressarmos. Portanto, as palavras devem ser naturais para ns, se soubermos exatamente o que queremos dizer. No precisa pensar antecipadamente em palavras. De fato, para obter prtica, melhor que apenas se certifique de que tenha a idia bem em mente, s pensando nas palavras quando falar. Se fizer isso, e se mantiver sua mente fixa nas idias, em vez de nas palavras que fala, as palavras devem surgir automaticamente, e suas idias sero expressas assim como realmente pensa. Mas assim que comear a pensar mais em palavras do que em idias, seu discurso se tornar vacilante.

    Se o seu problema na questo da fluncia for a escolha de palavras, ento um estudo regular para aumentar o vocabulrio o indicado. Tome nota especial de palavras que no conhece nos livros e em outras publicaes, e acrescente algumas delas ao seu vocabulrio dirio.

    Visto que a falta de fluncia na leitura se deve em geral ao desconhecimento de palavras, far bem em praticar a leitura em voz alta, de modo regular e sistemtico, se este for o seu problema.

    Um modo de se fazer isso selecionar um ou dois pargrafos da matria, lendo e relendo-os silenciosamente, com cuidado, at que conhea bem o pensamento inteiro desta parte. Distinga grupos de idias, marque-os, se necessrio. Depois comece a praticar a ler essa parte em voz alta. Ao praticar, leia a parte repetidas vezes, at que possa ler grupos inteiros de idias sem hesitao ou vacilao.

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    Palavras desconhecidas ou difceis devem ser pronunciadas vez aps vez, at que possa proferi-las facilmente. Depois de conseguir proferir a palavra sozinha, leia toda a sentena que contm esta palavra, at que possa pronunci-la na sentena to livremente como faz com as palavras mais conhecidas.

    Pratique tambm regularmente a leitura primeira vista. Acostume-se a deixar que seu olho veja as palavras em grupos, expressando idias completas, em vez de ver apenas uma palavra por vez. Se praticar isso, poder dominar esta caracterstica vital da oratria, para falar e ler com eficincia.

    Outra caracterstica desejvel da oratria mencionada o modo conversante de falar. algo que tem na vida diria, mas o possui quando profere um discurso? De algum modo acontece que os que conversam com facilidade mesmo num grupo maior amide se tornam muito formais e um pouco declamatrios, quando se pede que se preparem para dar um discurso. No entanto, o modo mais eficiente de se falar em pblico o estilo conversante.

    Grande parte da eficcia de se falar de modo conversante depende das expresses que se usam. Na preparao dum discurso extemporneo, em geral no bom repetir expresses exatamente assim como aparecem impressas. O estilo escrito diferente da palavra falada. Portanto, amolde estas idias segundo a sua prpria expresso individual. Evite o uso de estruturas complicadas de sentenas.

    Seu discurso na tribuna deve refletir a sua maneira diria de falar. No deve tentar assumir ares de superioridade. Entretanto, seu discurso preparado ser naturalmente melhor do que o modo de falar cotidiano, visto que suas idias so elaboradas com mais cuidado antecipado e se apresentaro com maior fluncia. Por conseguinte, as prprias expresses deviam ser melhor fraseadas.

    Isto salienta a importncia de se praticar diariamente. Ao falar, seja natural. Evite a gria. Evite a constante repetio das mesmas expresses e frases para transmitir cada pensamento diferente que talvez tenha. Aprenda a falar com significado. Esmere a sua conversao diria, e assim, quando estiver na tribuna, as palavras afluiro com maior facilidade e poder falar dum modo conversante variado, fcil e aceitvel por parte de qualquer assistncia.

    O modo conversante no depende s das expresses usadas. Sua maneira ou seu estilo de proferimento tambm so importantes. Isto envolve o tom da voz, a inflexo da voz e a naturalidade das expresses. Deve ser to espontneo como na conversa diria, embora em volume aumentado para a assistncia.

    Falar de modo conversante o oposto de retrica. Faltam-lhe todos os elementos declamatrios e est livre de toda a afetao.

    Um modo de os oradores principiantes amide perderem esta maneira conversante o de prepararem de modo cabal demais a fraseologia da matria. Ao se preparar para falar, no pense que deve repassar o discurso palavra por palavra at que quase o conhea de cor, a fim de estar adequadamente preparado. No discurso extemporneo, a preparao para falar se concentra numa recapitulao cuidadosa das idias a serem expressas. Estas devem ser recapituladas como pensamentos ou idias at que uma siga facilmente o outro na sua lembrana. Se tiverem sido elaboradas em ordem lgica e bem planejadas, isto no deve ser difcil, e ao proferir o discurso, as idias viro espontnea e facilmente. Sendo assim, se forem expressas com o desejo de se comunicar, o modo conversante far parte da maneira de falar.

    A maneira de se assegurar disto esforar-se a falar a pessoas diferentes na assistncia. Fale diretamente a uma por vez. Pense naquela pessoa como se tivesse feito uma pergunta, e da responda a ela. Imagine-se numa palestra particular com aquela pessoa, ao elaborar aquele pensamento especfico. Da passe para outra pessoa na assistncia e repita o mesmo processo.

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    Manter o estilo conversante de falar durante a leitura uma das caractersticas mais difceis da oratria a ser dominada, mas uma das mais vitais. O texto deve ser lido com sentimento e com viva percepo do sentido. Deve dar-se-lhe vida.

    Mas, se compreender o sentido do que l e ler de modo to natural e significativo como puder, amide poder faz-lo soar como se fosse discurso extemporneo, embora talvez um pouco mais formal do que faria em geral. Por isso, deve tomar por hbito anotar sinais que o possam ajudar, se puder preparar-se com antecedncia, e fazer o mximo para apresentar a matria num estilo realstico e natural.

    Ao ler ou falar de modo conversante, a sinceridade e a naturalidade so pontos bsicos. Deixe seu corao transbordar e fale cordialmente aos seus ouvintes.

    A boa fala no pode ser aplicada de repente, s para ocasies especiais, assim como tampouco se pode fazer com as boas maneiras. Mas, se empregar boa fala todos os dias, ela se revelar na tribuna, do mesmo modo como as suas boas maneiras aplicadas em casa sempre se revelaro quando estiver em pblico.

    A pronncia correta tambm importante. Embora nem todos tenham muita instruo secular, ainda assim importante evitar desviar a ateno de nossa apresentao da mensagem por causa de pssima pronncia. Isto algo que pode ser prontamente corrigido, se lhe dermos a devida ateno.

    Quando algum tem m pronncia, possvel que at mesmo transmita idias errneas sua assistncia, o que seria decididamente indesejvel. Quando ouve algum pronunciar mal uma palavra no seu discurso, o efeito geral que ela se apresenta na sua mente como um sinal vermelho de parada. Pode at mesmo deixar de acompanhar o argumento dele e comear a pensar na palavra pronunciada errada. Isto pode induzi-lo a desviar a ateno do que se diz para o modo em que dito.

    Pode-se dizer que h trs tipos gerais de problemas relacionados com a pronncia. Um a pronncia decididamente errada, quando se acentua a palavra de modo errneo ou as letras recebem o tom errado. A maioria das lnguas modernas tem regras gerais de acentuao oral, mas mesmo em portugus pode haver problemas na hora de falar. Depois h tambm a pronncia correta, mas exagerada, extremamente precisa, dando a impresso de afetao ou mesmo de esnobismo, e isto no desejvel. O terceiro problema a pronncia relaxada, caracterizada pela constante pronncia indistinta das palavras, emendando-as ou engolindo slabas, e outras prticas similares. Isto deve ser evitado.

    Na linguagem diria costumamos empregar palavras com que estamos bem familiarizados; por isso, a pronncia no constitui grande problema neste respeito. O maior problema surge na leitura. importante que a leitura seja exata e que a pronncia seja correta. Do contrrio, d-se a impresso de que no sabemos de que estamos falando. Tira tambm a ateno da mensagem.

    Naturalmente, a pronncia aceitvel pode variar de um lugar para outro. At mesmo os dicionrios alistam muitas vezes mais de uma pronncia aceitvel.

    Se tiver um problema com a pronncia, no achar difcil corrigi-la, se estiver decidido a isso. At mesmo os oradores experientes, apanham o dicionrio e verificam as palavras que no conhecem muito bem. Eles no se arriscam com elas. Por isso, use o dicionrio.

    Outra maneira de se melhorar a pronncia ler para outra pessoa, algum que pronuncia bem as palavras, e pedir que ela o interrompa e corrija cada vez que faz um erro.

    Um terceiro mtodo escutar cuidadosamente os bons oradores. Pense enquanto escuta; observe as palavras que eles pronunciam diferente do seu prprio modo de falar. Anote-as; verifique-as num dicionrio e pratique-as. Em pouco tempo ter a pronncia correta. O modo fluente e conversante de falar, junto com a pronncia correta, realaro muito seu modo de falar.

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    CAPTULO 09

    COERNCIA NO DISCURSO. Discurso coerente aquele que os ouvintes podem acompanhar facilmente. Por

    outro lado, quando falta coerncia, a ateno deles logo se perde. evidente que este um assunto que merece sria ateno quando se prepara um discurso.

    Coerncia significa ligao ntima, nexo entre as partes que constituem um conjunto lgico. s vezes se consegue isso em grande medida j pela ordem lgica em que se arranjam as partes. Mas na maioria dos discursos h partes que precisam ser relacionadas, alm do simples arranjo da matria. Em tais casos, a coerncia exige uma ligao entre um ponto e outro. Usam-se palavras ou frases para mostrar a relao da nova idia com as precedentes, preenchendo assim as lacunas devidas mudana de poca ou do ponto de vista. Isto se chama coerncia mediante conectivos.

    Por exemplo, a introduo, o corpo e a concluso de seu discurso so partes separadas do discurso, diferentes uma da outra, mas precisam ser bem ligadas por meio de transies. Alm disso, os pontos principais precisam ser interligados no discurso, especialmente se no estiverem muito relacionados em sentido. Ou s vezes so apenas sentenas ou pargrafos que precisam de conectivos.

    Amide se pode fazer uma ligao entre idias j pelo uso correto de palavras ou frases de ligao. Algumas destas so: tambm, alm disso, ademais, entretanto, igualmente, de modo similar, portanto, assim, por este motivo, por isso, em vista disso, de modo que, dessa forma, depois disso, no entanto, por outro lado, ao contrrio, em contraste, anteriormente, at agora, e assim por diante. Tais palavras ligam eficientemente sentenas e pargrafos.

    No entanto, esta caracterstica oratria amide exige mais do que tais meros conectivos. Quando uma palavra ou uma frase no bastarem, ento se requer uma transio que leve os ouvintes completamente atravs da lacuna, para atingirem o outro lado. Pode tratar-se de uma sentena completa ou mesmo da adio de um pensamento de transio expresso de modo mais pleno.

    Um modo de se transporem tais lacunas tentar tornar a aplicao do ponto precedente parte da introduo do que se segue.

    Alm disso, no s se devem ligar os pontos consecutivos, mas s vezes tambm se deve fazer isso com pontos mais separados no discurso. Por exemplo, a concluso do discurso deve ser ligada introduo. Talvez uma idia ou uma ilustrao usada na introduo do discurso possa ser aplicada de tal modo na concluso, que ela fornea motivao ou mostre adicionalmente a relao entre a ilustrao ou idia e o objetivo do discurso. Mencionar-se assim novamente algum aspecto da ilustrao ou da idia serve como conectivo e produz coerncia.

    Quo extensivos precisam ser os conectivos depende de certo modo da sua assistncia. No que algumas assistncias no precisem de nenhuma transio. Antes, algumas delas precisam mais, por no estarem familiarizadas com as idias a serem relacionadas entre si.

    Um aspecto intimamente relacionado na oratria explanao lgica, coerente. um requisito fundamental para o discurso persuasivo.

    O que lgica? Para o nosso fim, poderamos dizer que a lgica a cincia do modo de pensar correto ou do raciocnio sadio. Ela d compreenso, porque o meio pelo qual o assunto explicado nas suas partes relacionadas. A lgica mostra por que

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    estas atuam juntas e esto interligadas. A explanao coerente quando seus raciocnios se desenvolvem gradualmente de tal modo, que todas as partes so unidas numa seqncia. A explanao lgica pode seguir a ordem de importncia, a ordem cronolgica ou passar dum problema para a soluo, para se mencionarem algumas possibilidades.

    Ao organizar sua matria ou seu esboo, certifique-se de que no se introduza nenhuma declarao ou idia sem que se tenha lanado alguma base preliminar para ela. Faa-se continuamente as seguintes perguntas: Qual a coisa mais natural a dizer a seguir? Tendo chegado at este ponto, qual seria a pergunta mais lgica que se poderia fazer? Uma vez que tenha feito estas perguntas, simplesmente responda a elas. Seus ouvintes sempre devem poder dizer: Em base do que j explicou, compreendo que este ponto assim. Quando no se lana nenhum fundamento, ento o ponto seria usualmente considerado como estando fora da seqncia lgica. Alguma coisa est faltando.

    Quando pe a sua matria em ordem, deve tomar em considerao as partes que de modo natural dependem uma da outra. Deve esforar-se a compreender a relao entre tais partes, e depois arrum-las concordemente. um tanto parecido construo duma casa. Nenhum construtor se atreveria a erguer as paredes sem primeiro ter lanado um alicerce. Nem instalaria todos os encanamentos depois de ter rebocado as paredes. O mesmo se deve dar na preparao dum discurso. Cada parte deve contribuir a sua parcela para a elaborao de um conjunto slido e compacto, cada uma na sua ordem, cada uma acrescentando algo parte a que segue e preparando o caminho para as prximas. Deve sempre haver um motivo para a ordem em que apresenta os fatos no seu discurso.

    Cada ponto usado precisa ser bem encaixado no discurso. Do contrrio, parecer no ter nenhuma relao com ele, no ser apropriado; ser matria despropositada, quer dizer, que no tem nada que ver com o assunto em considerao.

    Como se pode pronta e facilmente identificar matria despropositada na preparao do discurso? para isso que serve muito bem o esboo tpico. Ele ajuda a classificar a sua informao. Procure usar cartes ou algo parecido, anotando toda a matria relacionada num s carto. Depois, arrume estes cartes segundo a seqncia natural em que pensa serem normalmente apresentados. Isto no s ajudar a decidir como deve tratar o assunto, mas tambm ajudar a identificar tudo que no tiver relao com o tema. Os pontos que no se encaixam na seqncia devem ser ajustados para se enquadrarem, se forem necessrios ao argumento. Mas, se no forem necessrios, devem ser eliminados como no tendo relao com o tema.

    Assim se v prontamente que o tema de seu discurso, escolhido com vistas assistncia e o objetivo, controla se um ponto tem relao ou no com o assunto. Em certos casos, algum ponto talvez seja vital para se alcanar o objetivo, dependendo do fundo de conhecimento da assistncia, ao passo que, para uma assistncia diferente ou com um tema diferente, talvez seja desnecessrio ou inteiramente despropositado, porm, as idias essenciais elaborao de seu tema, como pontos-chaves, no podem ser omitidas.

    Como pode saber se uma idia principal ou no? Ela essencial se no puder alcanar o objetivo de seu discurso sem ela. Isto especialmente assim na explanao lgica e coerente. Por exemplo, como se arranjaria se o construtor lhe construsse uma casa de dois pavimentos e deixasse fora a escada? Do mesmo modo, quando se omitem certos pontos essenciais dum discurso, no possvel ser lgico e coerente na sua explanao. Alguma coisa est faltando e alguns ouvintes se perdero nela. Mas isto no acontece quando o discurso coerente e lgico na sua explanao.

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    CAPTULO 10

    CONVENCER E RACIOCINAR Quando fala, espera que os ouvintes ouam, mas isto no tudo. Gostaria tambm

    que aceitassem os argumentos apresentados e agissem de acordo com eles. Faro isto se estiverem convencidos da veracidade daquilo que diz. Convencer significa satisfazer mediante provas. Mas as provas sozinhas nem sempre bastam. Usualmente se exigem argumentos em apoio delas. Portanto, convencer por meio de argumentos envolve trs fatores bsicos: primeiro, as prprias provas; segundo, a seqncia ou a ordem em que as provas so apresentadas; terceiro, a maneira e os mtodos usados na sua apresentao.

    O argumento convincente depende de slidos motivos bsicos. Suas provas precisam ser convincentes, mesmo que sejam apenas lidas. Se a caracterstica convincente de seu discurso depender da maneira em que apresentado e no dos fatos que usa para confirmar seu argumento, ento ter de desenvolver ainda mais esta caracterstica, a fim de tornar seu argumento realmente slido e segundo os fatos.

    Antes de apresentar seus argumentos, preciso estabelecer uma base boa. Precisa esclarecer qual o ponto em questo. E proveitoso estabelecer uma base de acordo mtua por salientar as questes pertinentes sobre as quais concordam.

    Em alguns casos preciso definir claramente os termos. Tudo o que no for pertinente precisa ser eliminado. No se apresse ao estabelecer a sua base. Torne-a firme, mas no transforme a base em todo o edifcio. Se refutar um argumento, analise os diversos pontos usados em apoio dele, para achar os pontos fracos e para decidir a linha de argumento que vai seguir, e como chegar raiz da questo.

    Na preparao de seu discurso, deve tentar prever quanto a sua assistncia j sabe sobre o assunto. Isto regular em grande parte que base precisar estabelecer antes de realmente poder apresentar seus argumentos.

    Trate do assunto de modo bondoso e com considerao, embora no seja este o ponto que procuramos agora aprimorar. Sempre recorra a todo o seu conhecimento e abra o corao e a mente dos seus ouvintes.

    Um assunto no fica provado s porque o orador cr nele ou o explica. Precisa sempre lembrar-se de que os seus ouvintes tm plena justificativa de perguntar: Por que isso assim? Ou: Por que diz que assim? Por ser o orador, tem sempre a obrigao de poder responder pergunta: Por qu?

    As perguntas: Como? Quem? Onde? Quando? O qu? trazem em resposta apenas fatos e informao, mas a pergunta: Por qu? demanda motivos. Ela exclusiva neste respeito e exige mais do que apenas fatos. Exige esforos do seu raciocnio. Por causa disso, ao preparar o discurso, faa-se repetidas vezes a mesma pergunta: Por qu? Da tenha a certeza de que possa fornecer as respostas.

    Como motivo das declaraes que faz pode amide citar outra pessoa aceita como autoridade. Isto simplesmente quer dizer que, se ela o disse, deve ser verdade, porque ela reconhecida como algum que sabe. Isto motivo suficiente para se crer na declarao. Isto se chama de prova testemunhal, porque consiste no testemunho duma testemunha aceita.

    Ao apresentar prova testemunhal, precisa ter a certeza de que a sua testemunha seja aceita pelos seus ouvintes. Se usar autoridades, certifique-se de sua origem e formao, e como sero consideradas.

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    Uma palavra de cautela. Toda a evidncia precisa ser usada de modo honesto. No use uma citao fora da harmonia do texto em que se encontra. Certifique-se de que aquilo que diz esteja exatamente em harmonia com o que a autoridade citada queria dizer. Seja especfico nas suas referncias. Tenha tambm cuidado com as estatsticas. Quando estas forem apresentadas de modo imprprio, podem ter o efeito contrrio, com resultados devastadores. Lembre-se do homem que no sabia nadar e que se afogou num rio que em mdia tinha apenas um metro de profundidade. Ele se esqueceu do buraco de trs metros no meio do rio.

    A prova circunstancial aquela que no fornecida por testemunho. a prova baseada em inferncias dos fatos em vez de em citaes de testemunhas. A fim de estabelecer as suas concluses e tornar convincente a prova circunstancial, precisa ter uma srie suficiente de fatos e argumentos em apoio de suas concluses.

    Usualmente essencial alguma espcie de resumo para a argumentao ser convincente. o apelo final ao raciocnio realando o reconhecimento dos argumentos usados. O resumo no deve ser apenas uma recapitulao dos fatos, embora basicamente seja apenas uma questo de visto que isso assim e assado, ento chegamos concluso . . . Ele se destina a relacionar todos os pontos e a lev-los a uma concluso. Muitas vezes o resumo eficaz que remata os argumentos para serem realmente convincentes.

    Embora os argumentos que usa no discurso sejam slidos, no basta apenas declarar os fatos. Precisa apresent-los dum modo que ajude os ouvintes a raciocinar, a compreender seus argumentos e a chegar s mesmas concluses que tirou.

    Portanto, ajudar seus ouvintes a raciocinar significa usar as tcnicas necessrias para auxiliar seus ouvintes a compreender seu argumento, a chegar s mesmas concluses e a estar preparados a usar seus argumentos para ensinar mais algum.

    Tanto o que diz como a maneira em que o diz so vitais para se estabelecer uma base de acordo mtuo logo no incio de seu discurso. Mas este acordo mtuo no se deve perder no decorrer do discurso, seno perder tambm seus ouvintes. Ter de continuar a expressar seus pontos dum modo que agrade mente dos seus ouvintes. Isto exige que pense no ponto de vista deles sobre o assunto em considerao e que use este conhecimento para ajud-los a compreender a racionalidade de seus argumentos.

    A fim de que os ouvintes raciocinem sobre um assunto precisam ter sua disposio informaes suficientes, apresentadas de tal modo, que no rejeitem os argumentos s porque no os compreendem plenamente.

    Para fazer isso com eficincia, cuide de no abranger pontos demais. A parte boa de sua matria se perder se for apresentada s pressas. Tome o tempo para explicar cabalmente os pontos, para que seus ouvintes no s os ouam, mas tambm os compreendam. Quando expressa um ponto importante, tome o tempo para explan-lo. Responda a perguntas tais como: Por qu? Quem? Como? O qu? Quando? Onde? Ajudar assim os seus ouvintes a compreender a idia mais plenamente. s vezes poder apresentar argumentos a favor e contra certo ponto para salientar a racionalidade de seu ponto de vista. Do mesmo modo, depois de especificar um princpio, talvez ache proveitoso ilustr-lo para que os ouvintes vejam a sua aplicao prtica. Naturalmente, preciso usar de discrio. At que ponto se explanar determinado ponto depender do tempo disponvel e da relativa importncia do ponto para o assunto em considerao.

    Sempre bom fazer perguntas para ajudar os ouvintes a raciocinar. As perguntas retricas, quer dizer, as perguntas feitas aos ouvintes sem esperar deles uma resposta, acompanhadas de pausas apropriadas, estimularo o raciocnio. Se falar apenas a uma ou duas pessoas, como no ministrio de campo, poder faz-los falar

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    por fazer perguntas, durante a palestra, e assim ter a certeza de que compreendem e aceitam as idias apresentadas.

    Visto que deseja orientar a mente dos seus ouvintes, ter de basear-se em coisas que j conhecem, quer de sua prpria experincia, quer por causa de algo dito mais cedo na sua palestra. Portanto, para determinar se explanou adequadamente certos pontos, ter de tomar em considerao o que seus ouvintes j sabem sobre o assunto.

    sempre importante observar a reao dos ouvintes para se certificar de que esto compreendendo. Quando necessrio, repita e esclarea os pontos antes de passar para o prximo argumento. A menos que cuide de ajud-los a raciocinar, podem facilmente perder o fio da meada da idia.

    Quando apresenta um argumento, certifique-se de remat-lo por salientar de modo bem claro a sua relao com a questo considerada. Tambm, inclua motivao no discurso, exortando os ouvintes a tomar ao em harmonia com os fatos apresentados. Se ficarem realmente convencidos pelo que lhes disse, estaro prontos para agir.

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    CAPTULO 11

    NFASE E MODULAO. A nfase segundo o sentido e a modulao se conjuga para dar sentido e variao

    ao discurso. Sem elas, os pensamentos ficam deturpados e o interesse diminui. Visto que a nfase segundo o sentido costuma ser o mais fcil dos dois pontos a aprender, daremos a ela ateno em primeiro lugar.

    Tenha em mente o que a nfase segundo o sentido deve realizar. Ela deve salientar as palavras ou as idias de tal modo, que transmitam um significado exato e indiquem aos seus ouvintes sua importncia relativa. s vezes, a nfase necessria simplesmente forte ou fraca, mas h ocasies em que se exigem graduaes mais finas dela.

    A colocao da nfase basicamente uma questo de saber quais as palavras a salientar. Envolve reconhecer as palavras que transmitem a idia e que, pela nfase ou acentuao correta, so destacadas em relao com as outras palavras que as cercam. Quando se enfatizam palavras diferentes daquelas que transmitem o sentido, obscurece-se ou deturpa-se o significado.

    A maioria das pessoas, na conversa normal, cotidiana, torna claro o que querem dizer. A menos que tenha um maneirismo especfico, tal como enfatizar preposies, este aspecto no deve apresentar grande problema. Uma fraqueza destacada na questo da colocao da nfase costuma ser o resultado de tal maneirismo. Se seu problema for este, esforce-se diligentemente em elimin-lo. Mas para falar de modo mais vigoroso e eficiente, precisa continuar a esforar-se at ter obtido o domnio completo sobre a colocao correta da nfase.

    Usualmente precisa haver reflexo mais consciente sobre a nfase segundo o sentido na preparao para a leitura pblica do que para um discurso inteiramente extemporneo. O motivo por que se precisa dar mais ateno nfase segundo o sentido quando se deve fazer leitura que a matria lida usualmente foi escrita por outra pessoa. Por isso a precisamos estudar com cuidado, analisando as idias e repetindo as prprias expresses, at que se tornem naturais para ns.

    Como se consegue a acentuao ou a nfase segundo o sentido? H diversos mtodos, amide usados em combinao: maior volume, mais intensidade ou sentimento, abaixar o tom da voz, elevar o diapaso, falar de modo vagaroso e deliberado, aumentar o ritmo, pausar antes ou depois duma declarao (ou ambas as coisas), gestos e expresses faciais.

    No incio, preocupe-se principalmente com a colocao correta da nfase e com o grau suficiente dela, para destacar as palavras-chaves. Portanto, na preparao de sua matria, sublinhe as palavras-chaves quando vai fazer uma leitura. Se falar de modo extemporneo, fixe as idias bem na mente. Use as palavras-chaves das suas anotaes e depois enfatize estas palavras.

    A acentuao das idias principais do discurso o aspecto da nfase segundo o sentido que falta com mais freqncia. Nestes casos, no h pontos culminantes no discurso. Nada se destaca das demais partes. Ao terminar o discurso, amide impossvel recordar algo que se tenha destacado. Mesmo quando os pontos principais so preparados corretamente para serem destacados, quando no recebem a devida nfase no proferimento, podem ficar enfraquecidos ao ponto de serem perdidos.

    Para vencer este problema, ter de analisar primeiro a matria com cuidado. Qual o ponto mais importante do discurso? Qual o prximo ponto em importncia? Se lhe

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    pedissem para dizer o teor do discurso em uma ou duas sentenas, o que diria? Este um dos melhores mtodos para se identificar os pontos altos. Depois de conhec-los, assinale-os nas suas anotaes ou no manuscrito. Poder ento levar estes pontos ao clmax. So os pontos culminantes de seu discurso, e se a matria tiver sido bem esboada e ela for proferida com forte grau de nfase, as idias principais sero lembradas. Este o objetivo de se falar.

    A mera nfase segundo o sentido j torna possvel que os ouvintes entendam o que diz, mas a variedade na nfase, produzida pela modulao, pode tornar o escutar agradvel para eles.

    A modulao uma variao intermitente do diapaso, do ritmo e da fora, destinada a manter o interesse e a demonstrar os pensamentos e as emoes progressivas do orador. Para ser melhor aproveitada, a modulao deve abranger a escala inteira de variaes permitida pela matria de determinado discurso. Na escala superior da modulao pode haver em grau decrescente a excitao, o entusiasmo e o vivo interesse. Na escala mediana, h o interesse regular, ao passo que na escala inferior, esto a seriedade e a solenidade.

    Em nenhum caso desejar parecer teatral por causa de expresses extremas. Seu discurso deve ser variado, no piamente solene, nem histericamente violento.

    Talvez o modo mais simples para se obter modulao seja variar a fora de sua voz. Este um modo de produzir auges e de enfatizar os pontos principais de seu discurso. Todavia, o simples aumento do volume nem sempre destacar os pontos. Em alguns casos talvez lhe d mais destaque, mas a fora adicional com que proferida talvez anule seu objetivo. Pode ser que seus pontos exijam mais cordialidade e sentimento, do que um tom animado. Neste caso, abaixe o seu volume, mas aumente a sua intensidade. O mesmo se daria se expressasse ansiedade ou temor.

    Embora a variedade na fora seja essencial para a modulao, precisa-se ter cuidado de no falar to baixo que alguns no ouam. Nem deve o volume ser aumentado ao ponto de se tornar desagradvel.

    Poucos oradores principiantes variam o ritmo na tribuna. Fazemos constantemente isso na nossa conversa diria, porque as palavras nos vm espontaneamente ao pensarmos nelas ou termos necessidade delas. Mas o orador novo, na tribuna, usualmente no se permite fazer isso. Ele prepara as palavras e as frases com cuidado excessivo, de modo que as palavras so proferidas na mesma velocidade. Falar baseado num esboo ajuda a corrigir esta fraqueza.

    De modo geral, seu discurso deve ter um ritmo moderado. Os pontos menores, narrativas, a maioria das ilustraes e assim por diante, lhe permitiro acelerar o passo. Argumentos mais poderosos, auges e pontos principais usualmente exigem um proferimento mais vagaroso. Em alguns casos, para se dar destaque especialmente forte, poder usar de nfase vagarosa e deliberada. Poder at mesmo parar completamente, numa pausa, que representa uma mudana total do ritmo.

    Algumas palavras de cautela. Nunca fale de modo to rpido, que sua pronncia sofra. Um exerccio excelente em ensaios particulares experimentar ler em voz alta o mais rapidamente possvel sem tropear nas palavras. Repita o mesmo pargrafo vez aps vez, aumentando constantemente sua velocidade, sem tropear ou abafar a sua articulao. Da procure ler o mais vagarosamente possvel, es-ten-den-do as vo-ga-is, em vez de encurtar as palavras. Depois, acelere e retarde alternada e intermitentemente, at que sua voz se torne flexvel e consiga fazer o que quiser. Ento, ao falar, as mudanas no ritmo viro automaticamente, segundo o sentido do que diz.

    Variar o diapaso ou tom da voz provavelmente o meio mais difcil de conseguir modulao isto , em qualquer grau maior. Naturalmente, enfatizamos constantemente

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    as palavras por elevarmos ligeiramente o diapaso, em geral acompanhado por um leve aumento na fora. Martelamos a palavra, por assim dizer.

    Mas exige maior variedade no diapaso do que esta se quiser tirar maior proveito deste aspecto da modulao. A excitao e o entusiasmo sempre se manifestam num diapaso mais elevado do que a tristeza ou a ansiedade. Quando tais emoes aparecem na sua matria, expresse-as concordemente.

    Uma das principais causas de fraqueza neste aspecto de falar a falta de amplitude suficiente da voz. Se este for seu problema, esforce-se arduamente a atac-lo. Experimente um exerccio similar ao sugerido anteriormente neste estudo. Neste caso, porm, esforce-se a elevar e a abaixar o diapaso, em vez de variar o ritmo.

    At agora, tornou-se bastante claro que as variaes da voz no bastam para obter variedade. Suas expresses precisam ser segundo a disposio de nimo manifesta pelas palavras. Ento, onde comea a modulao? evidente que comea com a matria que preparou para proferir. Se s tiver argumentao ou s tiver exortao no seu discurso, haver pouca variedade no seu modo de falar. Por isso, analise seu esboo depois de terminado, e certifique-se de que tenha todos os ingredientes para uma apresentao variada bem como significativa.

    Mas, s vezes sente no meio do discurso a necessidade de mudar de ritmo. Acha que seu discurso se est arrastando. O que poder fazer? Neste ponto, o modo de falar extemporneo tem novamente as suas vantagens. Poder mudar a natureza de sua matria ao passo que prossegue. Como? Um modo de fazer isso parar de falar e comear a ler. Ou poder transformar uma declarao numa pergunta, fazendo uma pausa para nfase. Talvez possa inserir uma ilustrao, adaptando-a a um argumento no seu esboo.

    Diz-se que a modulao o tempero do discurso. Quando se usar a espcie correta dela e na quantidade certa, far ressaltar o pleno sabor de sua matria e a tornar agradvel aos seus ouvintes.

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    CAPTULO 12

    ENTUSIASMO E CORDIALIDADE. O entusiasmo a vida do discurso. Se no for entusistico com respeito ao que diz, por

    certo seus ouvintes tampouco o sero. Se ele no o motivar, certamente tampouco motivar a eles. Mas para que, como orador, manifeste genuno entusiasmo, precisa estar firmemente convencido de que seus ouvintes precisam ouvir o que tem a dizer. Isto significa que os levou em considerao quando preparou o discurso, selecionando os pontos mais proveitosos para eles e moldando estes de tal modo, que seus ouvintes pudessem reconhecer prontamente seu valor. Se tiver feito isso, sentir-se- impelido a falar com sinceridade, e seus ouvintes correspondero a isso.

    O entusiasmo se manifesta de modo mais claro pela animao de sua maneira de falar. No poder ser indiferente ou lnguido nas suas atitudes. Precisa estar bem animado na sua expresso facial, no tom de sua voz e na sua maneira de falar. Isto significa que precisa falar com fora e vigor. Precisa ter tom convincente, embora no dogmtico. Embora deva ser entusistico, nunca deve ficar arrebatado. Perder o autodomnio significa perder os ouvintes.

    O entusiasmo contagioso. Se for entusistico no seu discurso, seus ouvintes ficaro contagiados por este entusiasmo. Por sua vez, havendo bom contato com os ouvintes, isto refletir novamente sobre a sua pessoa e manter vivo o seu prprio entusiasmo. Por outro lado, se for desanimado, sua assistncia tambm ficar desanimada.

    Para ser entusistico no discurso, precisa estar convencido de que tem algo de valor a dizer. Empenhe-se na matria que vai apresentar, at que sinta que tem algo para estimular primeiro a si prprio como orador. No precisa tratar-se de matria nova, mas seu modo de tratar do assunto pode ser novo.

    Para ter variedade no seu discurso e em proveito dos ouvintes, no deve elevar demais o seu entusiasmo durante todo o seu discurso. Se fizer isso, eles ficaro exaustos mesmo antes de comearem a agir. Isto salienta novamente a necessidade de se preparar matria de variedade suficiente para permitir variedade no proferimento. Significa que alguns pontos, de que fala de modo natural, exigem proferimento mais entusistico do que outros, e que devem ser peritamente intercalados no discurso.

    Especialmente os pontos principais devem ser apresentados com entusiasmo. Deve haver auges no seu discurso, apogeus a atingir. Visto que se trata de pontos altos no seu discurso, em geral sero os pontos destinados a motivar seus ouvintes, a concluir a aplicao de seu argumento, seus motivos ou seu conselho. Depois de ter convencido os ouvintes, precisa ento estimul-los, demonstrar-lhes os benefcios das concluses tiradas. Isto exige proferimento entusistico.

    Apesar disso, porm, nunca deve nos outros momentos recair numa indiferena na sua apresentao. Nunca deve perder o sentimento forte a favor do seu assunto, nem manifestar perda de interesse. Imagine mentalmente uma cora pastando tranqilamente numa pequena clareira. Embora parea descansada, h fora latente nas suas pernas delgadas, que podem afast-la em enormes pulos, ao mnimo indcio de perigo. Ela est vontade, mas constantemente alerta. O mesmo se pode dar no seu caso, ainda que no fale com todo o seu entusiasmo.

    O que significa tudo isso? Que o proferimento animado nunca algo forado. Deve haver motivos para ele, e sua matria deve prover estes motivos. Portanto, ajuste seu entusiasmo matria e varie sua matria para que seu proferimento entusistico seja equilibrado em todas as partes.

    O entusiasmo est intimamente relacionado com a cordialidade e o sentimento. Suas expresses, porm, so motivadas por emoes diferentes e produzem resultados

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    diferentes nos seus ouvintes. Como orador, costuma ser entusistico por causa de sua matria, mas torna-se cordial quando pensa nos seus ouvintes com o desejo de ajud-los.

    Se manifestar cordialidade e sentimento, seus ouvintes sentiro que algum que mostra considerao. Sentir-se-o atrados sua pessoa como a um fogo numa noite fria. O proferimento animado estimulante, mas preciso haver tambm sentimento terno. Nem sempre basta persuadir a mente; preciso motivar o corao.

    Se sentir cordialidade para com seus ouvintes, deve manifestar isto no rosto. Do contrrio, seus ouvintes talvez no se convenam de que sente cordialidade sincera para com eles. Mas precisa haver genuinidade. No pode ser usada como mscara. Tampouco devem a cordialidade e o sentimento ser confundidos com sentimentalismo e emocionalismo. Uma expresso facial bondosa demonstrar genuinidade e sinceridade.

    Na maior parte, falar a ouvintes amistosos. Portanto, se realmente olhar para seus ouvintes, sentir cordialidade para com eles. Sentir-se- vontade e amistoso. Selecione na assistncia algum que tem rosto especialmente amistoso. Fale a esta pessoa pessoalmente por alguns instantes. Da selecione outro e fale a ele. Isto no s lhe dar bom contato com a assistncia, mas verificar que se sente atrado assistncia e sua expresso facial, cordial, em resposta, atrair os ouvintes sua pessoa.

    bem estabelecido que at mesmo os animais podem interpretar suas emoes at certo ponto pelo tom de sua voz. Quanto mais, ento, aceitar a assistncia uma voz que expressa cordialidade e sentimento pelo prprio tom dela.

    Se realmente se sentir desprendido de seus ouvintes, se pensar mais nas palavras que diz, do que em como seus ouvintes as aceitam, ser difcil esconder isso de ouvintes atentos. Mas, se o seu interesse se concentrar sinceramente naqueles a quem fala e se tiver o desejo sincero de transmitir-lhes seus pensamentos, para que pensem assim como pessoalmente pensa, seus sentimentos se refletiro em cada inflexo de sua voz.

    evidente, porm, que precisa ser um interesse sincero. No se pode simular a genuna cordialidade assim como no se p