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arquivoZila Mamede

inventrio

arquivoZila Mamede

inventrio

BBMpublicacoes

reitor

Marco Antonio Zagovice-reitorVahan Agopyan

pr-reitor de cultura e extenso universitriaMarcelo de Andrade Romropr-reitora adjunta de cultura e extenso universitriaAna Cristina Limongi-Frana

diretor

Carlos Alberto de Moura Ribeiro Zeronvice-diretorAlexandre Macchione Saespublicaes

Plinio Martins FilhoLuiz Hideki Sakaguti

arquivoZila Mamede

inventrio

Jos Francisco Guelfi Campos

Rua da Biblioteca, 21 cep: 05508-065Cidade Universitria, So Paulo, sp, Brasile-mail: bbm@usp.br / tel.: (11) 2648-0320

2017, by Jos Francisco Guelfi Campos

Ficha catalogrfica elaborada pelo Servio de Biblioteca e Documentao da Biblioteca Brasiliana Guita e Jos Mindlin da usp (bbmusp)

c198a

Campos, Jos Francisco Guelfi

Arquivo Zila Mamede: Inventrio / Jos Francisco Guelfi Campos. So Paulo: Biblioteca Brasiliana Guita e Jos Mindlin, 2017.

136 p.

isbn: 978-85-62587-23-8

1. Arquivo (Organizao). 2. Arquivo Pessoal. 3. Inventrio de Colees. i. Autor. ii. Ttulo.

cdd: 025.012

mar mortoZila Mamede, 1952

Parado morto mar de minha infnciasem sombras nem lembranas de sargaos

por onde rocem asas de gaivotasperdendo-se num rumo duvidoso.

Pesado mar sem gesto, mar sem nsia,sem praias, sem limites, sem espaos,

sem brisas, sem cantigas, mar sem rotas,apenas mar incerto, mar brumoso.

Criana penetrando no mar mortoem busca de um brinquedo colorido

que julga ver no morto mar vogando.

Infncia nesse mar que no tem porto,num mar sem brilho, vago, indefinido,

onde no h nem sonhos navegando.

apresentao

arquivos pessoais

nota biogrfica: Zila Mamede

arquivo de Zila Mamede: informaes bsicas

orientaes gerais

cronologia

ndice onomstico e biblionmico

ndice-glossrio de atividades e eventos

glossrio de documentos

referncias bibliogrficas

9

15

25

31

35

41

105

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119

127

sumrio

apresentao

13arquivo zila mamede

Com a publicao do inventrio do arquivo de Zila Mamede, a Biblioteca Brasiliana Guita e Jos Min-dlin da Universidade de So Paulo d incio difuso dos fundos e colees que custodia em seu Setor de Arquivo, para alm de seu rico acervo bibliogrfico.

Por suas dimenses reduzidas, que no compro-metem, contudo, sua representatividade e seu poten-cial informativo, o arquivo da bibliotecria, pesqui-sadora e poetisa Zila da Costa Mamede foi escolhido para ser o primeiro a ser descrito e disponibilizado para consulta, em experincia que teve por objetivo consolidar metodologia especfica para tratamento de arquivos de natureza pessoal a ser aplicada aos demais conjuntos documentais.

14 apresentao

Com Jos Mindlin, Zila travou amizade alicera-da no interesse pela literatura brasileira. Nos quase dez anos em que se dedicou ao ambicioso projeto da bibliografia crtica da obra do poeta pernambucano Joo Cabral de Melo Neto, hospedou-se, em mais de uma ocasio, na residncia do casal Mindlin, onde pde consultar parte da biblioteca pessoal do cole-cionador, em especial a sua cabraliana.

Se os documentos de seu arquivo parecem se relacionar, em sua quase totalidade, ao contexto da pesquisa que resultou no livro Civil Geometria: Bi-bliografia Crtica, Analtica e Anotada de Joo Cabral de Melo Neto (1942-1982), publicado postumamente, por iniciativa de Jos Mindlin, as cartas e bilhetes que trocou com importantes representantes da litera-tura nacional, entre os quais Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, alm de apontamen-tos e outros itens, permitem vislumbrar diferentes facetas de Zila Mamede, oferecendo testemunhos indiretos a respeito de eventos de sua vida privada, do trabalho que empreendeu como bibliotecria responsvel pela gesto da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e de sua produo potica, representada nos sete livros que publicou.

15arquivo zila mamede

O conjunto documental custodiado pela bbm--usp, representativo de parcela expressiva do arqui-vo pessoal de Zila Mamede, inegavelmente perme-ado por lacunas e silncios. Em que pese ressalva, convm reconhecer sua relevncia para as pesquisas que dele podero se originar a respeito de temas li-gados literatura brasileira e prpria trajetria de sua titular.

arquivos pessoais

19arquivo zila mamede

Assim como as instituies, as pessoas tambm produzem arquivos. No se trata, como pensam al-guns, de um capricho, mas de um processo natural e sedimentar, no raro necessrio e obrigatrio, que se desenrola de maneira progressiva no curso dos eventos vivenciados e das atividades rotineiras executadas pelos indivduos. Nesse sentido, os ar-quivos espelham seus titulares na medida em que os documentos, eivados da fora testemunhal que lhes congnita, so capazes de refletir seus con-textos originrios, intimamente ligados trajetria de quem os acumulou.

Credenciados como fontes relevantes para a pesquisa em diversas reas do conhecimento, antes

20 arquivos pessoais arquivo zila mamede

mesmo de gozarem de reconhecimento no campo da Arquivologia, os arquivos pessoais podem os-tentar caractersticas incomuns: seus contornos fluidos, muitas vezes indefinidos, e a ampla gama de espcies e formatos documentais inusitados co-locam em xeque, a todo o momento, os preceitos consagrados da teoria arquivstica tradicional.

Se, por um lado, as dificuldades inerentes ao tratamento documental levaram propagao de estratgias de arranjo baseadas na seriao dos do-cumentos segundo temas ou assuntos; por outro, o carter peculiar dos arquivos de pessoas tem dado margem a especulaes curiosas a respeito da lgi-ca que preside sua acumulao. bem verdade que sua natureza nem sempre tem sido bem compreen-dida, tanto por quem os utiliza como fontes de pes-quisa quanto por parte dos profissionais da rea. H quem afirme que os arquivos pessoais sejam alber-gues de uma memria dotada de singularidade1; ou-tros preferem consider-los construtos intencional-mente arquitetados, visando monumentalizao de seus criadores ou constituio de um legado para a posteridade2. Tambm no falta quem pre-fira compreender o arquivo como narrativa, como escrita de si3. Trata-se, com efeito, de pontos de

1. J. Escobedo, Los Cami-nos de la Memoria: Archi-vos Personales, in: Semina-rio de Archivos Personales, 26 a 28 de mayo de 2004, Madrid: Biblioteca Nacio-nal, 2006, pp. 55-79.

2. L. Q. Heymann, O Lugar do Arquivo: A Construo do Legado de Darcy Ribei-ro, Rio de Janeiro, Contra Capa / Faperj, 2012.

3. S. McKemmish, Evi-dence of Me Archives and Manuscripts, in: Canberra, v. 28, n. 45, 1996.

arquivos pessoais 21arquivo zila mamede

vista que no se pode sonegar aos pesquisadores, mas convm aos profissionais de arquivo discuti-los em perspectiva crtica, com base nos princpios que caracterizam a arquivstica como campo disciplinar e dotam de especificidade o seu objeto.

Foi preciso que Ana Maria Camargo recorresse ao pleonasmo para exprimir a condio essencial dos conjuntos de documentos acumulados por in-divduos. Em suas palavras, arquivos pessoais so arquivos4. A afirmao, aparentemente bvia, tem efeito poderoso: ao reforar o estatuto dos arquivos pessoais, reafirma seu carter orgnico e, com isso, reconhece que so passveis de tratamento ancora-do nos princpios que regem a teoria arquivstica.

O principal deles, o Princpio da Provenincia, fixa a identidade do conjunto documental em rela-o ao seu produtor. A relao umbilical entre os documentos e as atividades desempenhadas por quem os acumula permite compreender o atribu-to fundamental dos arquivos, que os distingue de outros tipos de material com os quais so, no senso comum, usualmente identificados (as colees das bibliotecas e dos museus): a organicidade, defini-da, nas palavras de Helosa Bellotto, como o pon-to essencial da especificidade dos documentos de

4. A. M. A. Camargo, Ar-quivos Pessoais So Arqui-vos, in: Revista do Arquivo Pblico Mineiro, Belo Hori-zonte, ano xlv, n. 2, 2009, pp. 26-39.

22 arquivos pessoais arquivo zila mamede

arquivo5, fora que atrela os documentos entre si e os vincula s funes e atividades exercidas pela entidade que os acumulou, oferecendo a chave para a identificao dos contextos originrios dos docu-mentos.

No que tange aos arquivos pessoais, concor-rem, como elementos da contextualizao, tanto as atividades rotineiras desempenhadas pelos in-divduos quanto os eventos espordicos por eles vivenciados. Conhecer o contexto originrio, ou seja, a razo primeira pela qual os documentos fo-ram acumulados, , portanto, fundamental para a manuteno de sua capacidade especular e para a delimitao das questes a serem formuladas pelos pesquisadores, algo que a arquivista alem Angeli-ka Menne-Haritz expressou com exemplar clareza ao afirmar que os arquivos no devem ser lidos, mas compreendidos6.

6. A. Menne-Haritz, Ac-cess: The Reformulation of an Archival Paradigm, in: Archival Science, Dordre-cht, v. 1, 2001, pp. 57-82.

5. H. L. Bellotto, Arquivos Permanentes: Tratamento Documental, Rio de Janei-ro, Editora FGV, 2006, p. 253.

arquivos pessoais 23arquivo zila mamede

a organizao dos arquivos pessoais na bbm-usp

Como bem definiu Ana Maria Camargo, os do-cumentos de arquivo no se definem por si, nem tm existncia autnoma7. Operar no circuito fe-chado que se estabelece entre o documento e seu contexto originrio, deixando de lado as projees e reservas de sentido que podem ser destiladas de seu contedo, e buscando responder s perguntas sobre como, quando e por que os documentos fo-