Arthur Bispo do Rosário e seu universo representativo

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Trabalho de: FABIANA MORTOSA FARIABacharel em Artes PlásticasUniversidade Federal de Uberlândiae graduanda em História - UFUhttp://www.urutagua.uem.br//005/12his_faria.htm

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  • 1. 29/10/11 Arthur Bispo do Rosrio e seu universo representativo FABIANA MO O A FA IA Arthur Bispo do Ros rio e seu universo Bacharel em Artes representativo Plsticas - Fabiana Mortosa Faria Universidade Federal de Uberlndia e graduanda Resumo: em Hist ria - Arthur Bispo do Rosario era esquizofrnico paranide e viveu internado 50 anos em um hospital UFU psiquitrico (Colnia Juliano Moreira Rio de Janeiro). Em seu surto, recebeu a misso de recriar o universo para apresentar a Deus no dia do Juzo Final. Recolheu objetos dos restos da sociedade de consumo como forma de registrar o cotidiano dos indivduos, preparou esses objetos com preocupaes estticas, onde percebemos caractersticas dos conceitos das vanguardas artsticas e das produes elaboradas a partir de 1960. Utiliza a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construo de discursos, fragmenta a comunicao em cdigos privados. Inserido em um contexto excludente, Bispo dribla as instituies todo tempo. A instituio manicomial se recusando a receber tratamentos mdicos e dela retirando subsdios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excludo consagrado como referncia da Arte Contempornea brasileira. Palavras-Chave: Representao - resignificao - escrita - arte Abstract: Arthur Bispo do Rosario was paranoid esquizofrenique and lived internated 50 years in a psiquiatre hospital (Colnia Juliano Moreira Rio de Janeiro). In his paranoid, received the mission to recried the universe to introduce for God in the Final Day. He catch objects of the rests of goods like a form of registering the hole day of the people, fixed these objects about static concern, where we noticed form of the artistcs vanguard objects and the elaboratade productions done since 1960. The word is used like a pulsation element. To make use of this language it manipulate signs and pla s with the construction of speechs, breaks over the communication into private codes. Into an excludent contexct, Bispo face the institution all the time. The manicomial instituction denying to medical treatment and taking out subsides of her to elaborate its art, and Museums, when discriminates and excluded is consagrade like a Brazilian Contempone Art. Key Words: Representation - resignification - writing - art Arthur Bispo do Rosario era um homem misterioso cuja biografia pode ser descrita em poucas palavras. Segundo Frederico Morais[1], Bispo era... ... preto, solteiro, de naturalidade desconhecida, sem parentes, sem profisso, alfabetizado, com antecedentes policiais. Foi internado no dia 25 de janeiro de 1939. Diagnstico: esquizofrenia paranide. Na ficha de Bispo esto anotadas mais duas entradas na Colnia Juliano Moreira RJ, em 23/08/1944 e 14/04/1948... Bispo nasceu no ano de 1911, no estado de Sergipe. Em sua ficha na Colnia observa-se indicaes de internaes em outros hospitais psiquitricos como o da Praia Vermelha e do Engenho de Dentro. A produo artstica de Bispo do Rosario teve incio em 1939 e se encerrou 50 anos depois com seu falecimento de infarto do miocrdio, durante esse tempo viveu na Colnia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, onde se dedicou fervorosamente sua produo. De acordo com seu surto recebeu a misso de recriar o mundo para ser apresentado a Deus no dia do Juzo Final. Seu trabalho no pode ser separado por fases - contnuo - mas pode ser organizado segundo caractersticas que tornam semelhantes algumas obras. Frederico Morais organizou a obra e a dividiu toda em segmentos: 1- o texto: nos estandartes bordados; 2- as roupas: o Manto da Apresentao e os fardes; 3- os objetos: read -made mumificados (enrolados por linhas muitas vezes conseguidas ao desfiar seu uniforme hospitalar) e construdos (barcos, miniaturas); 4- as assemblagens (ou vitrines,E:/ /Arthur Bispo do Rosrio e seudizia Bispo)[2]. como universo representativo.htm 1/4
  • 2. 29/10/11 Arthur Bispo do Rosrio e seu universo representativo como dizia Bispo)[2]. As relaes entre as obras de Bispo e as produes artsticas contemporneas, podem ser observadas nos trabalhos de artistas de vanguarda, e principalmente nas produes da dcada de 60 em diante. As repeties incansveis, executadas durante anos, com produtos retirados do universo comercial e de cunho industrial representam as principais caractersticas minimalistas. Os aspectos da industria cultural so assimilados na produo artstica de Bispo do Rosario, assim como na Pop Art cujas imagens trabalhadas j se encontravam amplamente difundidas na sociedade de consumo. Produtos, embalagens, vasilhames, tudo que nossa imaginao possa captar e que pode ser encontrado jogado por a, pelas ruas e esquinas, faz parte da obra de Bispo. A esquizofrenia incorporada no processo artstico que analisamos, uma vez que Arthur Bispo do Rosario utiliza a palavra como ferramenta de trabalho para expressar imagens e cdigos a que os loucos tm acesso, no inconsciente. Esse mecanismo o torna tambm altamente revolucionrio num contexto em que precisa o tempo todo driblar os tratamentos mdicos, e consegue faz-lo. Bispo no se retraa diante da loucura, dentro dela encontrava subsdios para desenvolver sua obra. Seu processo de criao tem na doena toda sua potncia que faz com que a obra seja intensa, capaz de ser apresentada a qualquer pblico, inclusive para quem realmente foi concebida: Deus . Patrcia Burrowes uma autora que percorreu os fragmentos da vida de Bispo e em suas anlises, afirma que imprescindvel saber discernir esse aspecto de fora dos fracos na criao e esse pensamento crucial para analisar a obra de Bispo. Os fracos que estamos nos referindo so aqueles que as sociedades no do oportunidades, por consider-los incapazes de desenvolver e executar suas potencialidades. Poderamos refletir que estes so tambm os impossibilitados de consumir. Segundo Burrowes[3]... ... A criao tantas vezes procede por barreiras e impossibilidades. A barreira em alguns casos instrumentaliza e potencializa, quando o afastamento dos centros dominantes gera uma posio revolucionria. Para Burrowes, Bispo um contador de histrias. Suas narraes esto presentes nos estandartes bordados e esto de outras formas no conjunto da obra, e essas configuraes singulares, segundo a autora ... criam um sistema de signos nico, de uma s vez comunicao e experincia de vida , (BURROWES, 1999, p. 26). Criando novos signos, Bispo est, como diz Burrowes multiplicando mundos , ele sobrecarrega no procedimento de fazer signos, a linguagem e as coisas interferem umas nas outras o tempo todo, e a partir do momento em que se observa os procedimentos e a obra do artista, torna imprescindvel recorrer a Michel Foulcault principalmente no que se refere s questes sobre palavras, linguagens e coisas. Segundo Foulcault[4], a linguagem tanto o fato das palavras acumuladas na histria quanto o prprio sistema da lngua , e o mais importante no a mudana ou a transformao de uma realidade (de uma lngua, de uma sociedade, de uma teoria cientfica), mas a estrutura, a forma que ela tem no presente. A linguagem utilizada por Bispo do Rosrio, alm de abranger contedos plsticos, se mostra nas posturas do artista. De que cor voc v a minha aura? Essa pergunta no foi escrita por Bispo em nenhum de seus trabalhos, ela representa uma postura artstica tomada pelo artista. Para algum entrar no quarto de Bispo e conhecer seu trabalho, antes era preciso respon