Ativos cafe-outubro2016

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Transcript of Ativos cafe-outubro2016

  • Ano 10 - Edio 26 - Outubro de 2016

    Preos atuais possibilitam renovaoda capacidade produtiva do Coffea arabica

    Grfi co 1: Custos e preos de venda mdios da cafeicultura em agosto/16 (Reais por saca)

    Os preos de venda do Coff ea arabica esto em patamares elevados frente s lti mas safras. Entre agosto do ano passado e agosto deste ano, houve uma alta de 8,57% na mdia ponderada do preo pago ao produtor nas regies acompanhadas pelo Projeto Campo Futuro. No lti mo ms, a saca de 60 quilogramas foi comercializada por R$ 464,13, o que representa a mdia ponderada do preo pago em cada municpio considerando as classifi caes f sica (classifi cao por ti po) e sensorial (classifi cao quanto bebida). Durante os painis de levantamento de dados, foram esti mados os percentuais dos diferentes ti pos e bebidas produzidos.

    A anlise econmica demonstra que houve lucro supernormal em trs dos dez municpios avaliados sendo eles Caconde (SP), Brejetuba (ES) e Lus Eduardo Magalhes (BA). Em Capelinha (MG), Franca (SP), Guaxup (MG), Manhumirim (MG), Monte Carmelo (MG) e Santa Rita do Sapuca (MG), a receita bruta auferida foi inferior ao Custo Total (CT)1, porm superou o Custo Operacional Total (COT)2, como se observa no Grfi co 1. Em Apucarana (PR) o preo no foi sufi ciente para cobrir o COT. Nesse cenrio, apenas o municpio paranaense no teria condies de renovar sua capacidade produti va em longo prazo.

    Em mdia, houve um prejuzo de R$ 18,81/saca na cafeicultura de C. arabica em agosto de 2016. Em Apucarana (PR), o prejuzo foi de R$ 96,35/saca, enquanto em Lus Eduardo Magalhes(BA) houve lucro de R$ 89,21/saca. A Margem Lquida (ML)3 fi cou positi va em R$ 71,29/saca, em mdia. Apenas em Apucarana (PR) ela foi negati va (-R$ 8,05/saca). J a Margem Bruta (MB)4 fi cou positi va em R$ 136,79/saca. Analisando a ML e a MB por rea, essas fi caram em R$ 4.787,02/hectare e R$ 2.541,05/hectare, respecti vamente. Os dados de custos e receita bruta esto discriminados nos Grfi cos 1 e 2.

    Fonte: Projeto Campo Futuro | Elaborao: CIM/UFLA

    1 O CT compreende a soma entre o Custo Operacional Total (COT) e os custos de oportunidade do Capital Circulante Prprio e dos Bens de Capital (taxa de juros de 6% ao ano) e da Terra (valor de arrendamento).2 O COT resulta da soma entre o Custo Operacional Efeti vo (COE), depreciaes e pr-labore. O COE composto por todos os desembolsos efeti vamente realizados em um ano agrcola.3 A ML resulta da subtrao entre receita bruta e COT.4 A MB resulta da subtrao entre receita bruta e COE.

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    www.cnabrasil.org.brwww.canaldoprodutor.tv.br

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  • 2Ano 10 - Edio 26 - Outubro de 2016

    Receitas superiores ao CT indicam que, alm de cobrir os custos operacionais, o produtor alcana uma remunerao superior aos custos de oportunidade. Nessa situao o negcio apresenta lucro supernormal. Quando a receita igual ao CT, a remunerao da ati vidade

    atual igual de ati vidades alternati vas e o lucro denominado normal.

    Se a receita for inferior ao COT, mas superior ao Custo Operacional Efeti vo (COE), o produtor se encontra em processo de descapitalizao. Em

    longo prazo no haver a renovao de sua capacidade produti va.

    E quando a receita no cobre o COE a ati vidade considerada subsidiada, pois h a necessidade de uti lizar recursos provenientes de outras ati vidades para o pagamento dos fatores de produo.

    Fonte: Projeto Campo Futuro | Elaborao: CIM/UFLA

    Grfi co 2: Custos e receita bruta da cafeicultura em agosto/16(Reais por hectare)

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    COE Depreciao+Pr-labore(+COE=COT)

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    A terceira esti mati va de produo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de Coff ea canephora no Esprito Santo e na Bahia indica redu-o na produo da espcie. Os proble-mas meteorolgicos, que incidiram sobre as regies produtoras desses estados na safra 2015/2016, so as principais causas desse cenrio.

    A esti mati va de reduo na produo de caf no Esprito Santo, tanto Coff ea ca-nephora como C. arabica, foi de 14,5% em relao safra anterior. Segundo a Conab, em 2016 o estado contribuiu com 18,42% das 49,64 milhes de sacas da produo brasileira. J na Bahia, a redu-o na produo em 2016 foi de 10,7% e a produo baiana contribuiu com 4,22% da produo nacional. As redues na produo de C. canephora infl uenciaram estes resultados, j que a produo de C. arabica nesses estados aumentou 28,2% e 9,2%, respecti vamente.

    Ao contrastar as esti mati vas do primei-ro levantamento realizado pela Conab em 2016 com as informaes do tercei-ro levantamento, a reduo na produo de C. canephora no Esprito Santo foi de 30,10%. Na Bahia, esti mou-se uma redu-o de 55,00%, refl eti ndo diretamente a interferncia dos problemas meteorol-gicos. Simulando o impacto nos custos de produo nos municpios de Jaguar (ES) e Itabela (BA), analisado pelo Projeto Cam-po Futuro, a reduo na produti vidade das propriedades modais (t picas) gerou uma deseconomia de escala.

    Segundo a Conab, na Bahia (regio do Atlnti co), com a colheita fi nalizada, ve-rifi cou-se que devido esti agem ocorrida durante o ciclo da lavoura, o desenvolvi-mento do gro foi afetado e no favoreceu o rendimento no benefi ciamento. Houve a necessidade de um maior volume de fru-tos/gros para produzir uma saca de caf benefi ciado. Assim, a maior parte dos

    indicadores do processo produti vo foi manti da constante, inclusive a colheita e apenas os custos indiretos relacionados ps-colheita foram reduzidos de acordo com a esti mati va de queda na produo.

    No Esprito Santo, a Conab salientou que a seca e m distribuio de chuvas por dois anos consecuti vos nas pocas do fl orescimento, formao e enchimen-to de gros, interferiram no nmero e poca das fl oradas, na ferti lizao das fl ores, no nmero e no desenvolvimento dos frutos, provocou a queda de folhas e de frutos em crescimento e prejudicou o desenvolvimento e vigor da planta. A falta de gua nos mananciais (crregos, rios, represas), associada normati va de proibio de irrigao durante o dia por falta de gua em todo o estado, compro-meteu a irrigao de 70% das lavouras do estado que so irrigadas. A escassez hdrica provocou a reduo de aduba-es, prejudicou os tratos culturais,

    Impactos da reduo na produo sobre o COTda cafeicultura em Jaguar (ES) e Itabela (BA)

  • 3Ano 10 - Edio 26 - Outubro de 2016

    promoveu maior incidncia de caros vermelhos, cochonilha da roseta e bro-ca das hastes. Em funo do compro-meti mento da irrigao, considerou-se na simulao uma reduo de 70% da adubao em Jaguar (ES). E neste caso, os indicadores de colheita se reduziram

    proporcionalmente queda na produti vi-dade.

    Considerando a produo plena na safra atual, o Custo Operacional Total (COT) em agosto deste ano foi de R$ 285,93/saca em Jaguar (ES), e de R$ 265,19/saca em

    Itabela (BA). Na simulao de reduo na produo, esses custos fi caram 19,07% maiores na produo capixaba e 120,56% maiores na produo baiana, elevando o COT desses municpios para R$ 340,46/saca e R$ 584,90/saca. Os dados esto apresentados no Grfi co 3.

    Fonte: Projeto Campo Futuro | Dados de produo: Conab | Elaborao: CIM/UFLA

    Grfi co 3: Impactos da reduo na produo da safra 2015/2016 sobre o COTda cafeicultura em Jaguar (ES) e Itabela (BA)

    A situao econmico-fi nanceira da pro-duo de Coff ea arabica entre abril/16 e agosto/16 foi positi va. A mdia ponderada da remunerao do capital investi do, ou rentabilidade, foi de 5,37% nos municpios que compem o Projeto Campo Futuro. No perodo analisado, a rentabilidade m-dia em Lus Eduardo Magalhes (BA) foi de 18,18% ao ano (a.a.), o maior retorno observado. J em Guaxup (MG) a renta-bilidade foi de 1,98% a.a.. Apucarana (PR) foi o nico municpio onde a cafeicultura no apresentou rentabilidade, como se observa no Grfi co 4.

    Na safra 2015/2016, observou-se aumen-to no ndice de produti vidade na maioria

    das regies analisadas, o que foi decisivo para este resultado. A permanncia dos preos em patamares superiores aos ob-servados em safras passadas esti mulou os cafeicultores a intensifi carem os tratos cul-turais e demais ati vidades no manejo das lavouras.

    As condies meteorolgicas adequadas nos principais cintures de C. arabica, durante parte crucial do perodo feno-lgico, favoreceram sua produo, dife-rentemente do que foi observado nas reas de Coffea canephora (Conilon). As intempries recorrentes que acomete-ram a produo de Conilon no Esprito Santo e Bahia influenciaram drastica-

    mente os resultados da espcie.

    Com a menor oferta de Conilon no merca-do interno e com a taxa de cmbio favo-rvel aos principais produtos da pauta de exportaes brasileira, os preos do C. ara-bica se manti veram elevados, infl uencian-do positi vamente sua rentabilidade atual.

    A remunerao do capital investi do, in-dicador econ