AVALIAÇÃO DE METIL JASMONATO E DE ÁCIDO SALICÍLICO … · 4.2.10 Avaliação in vivo de ácido...

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INSTITUTO AGRONÔMICO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRICULTURA TROPICAL E SUBTROPICAL AVALIAÇÃO DE METIL JASMONATO E DE ÁCIDO SALICÍLICO NO CONTROLE PÓS-COLHEITA DE PODRIDÕES EM MORANGO ‘OSO GRANDE’ ABIKEYLA DE SOUZA ROBAINA Orientadora: Dr.ª Patrícia Cia Dissertação submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Agricultura Tropical e Subtropical, Área de concentração em Tecnologia da Produção Agrícola Campinas, SP Maio 2013

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Transcript of AVALIAÇÃO DE METIL JASMONATO E DE ÁCIDO SALICÍLICO … · 4.2.10 Avaliação in vivo de ácido...

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INSTITUTO AGRONMICO

CURSO DE PS-GRADUAO EM AGRICULTURA

TROPICAL E SUBTROPICAL

AVALIAO DE METIL JASMONATO E DE CIDO

SALICLICO NO CONTROLE PS-COLHEITA DE

PODRIDES EM MORANGO OSO GRANDE

ABIKEYLA DE SOUZA ROBAINA

Orientadora: Dr. Patrcia Cia

Dissertao submetida como requisito parcial

para obteno do grau de Mestre em

Agricultura Tropical e Subtropical, rea de

concentrao em Tecnologia da Produo

Agrcola

Campinas, SP

Maio 2013

ii

iii

DEDICATRIA

Aos meus pais Adilson e Nilza, pelo apoio,

encorajamento, incentivo, amor, carinho e

pelos constantes ensinamentos que formaram

os alicerces da minha vida.

Ao meu marido Carlos Cesar, por todo apoio,

amor, incentivo, pacincia, compreenso e

pela companhia ao longo deste sonho.

As minhas irms Isabella e Kasmirra pelo amor,

carinho, apoio e compreenso.

Aos meus avs Paulo (in memorian) e Benedita,

Alfredo e Maria (in memorian).

Ao lado de vocs aprendi o significado da palavra

famlia e a importncia de sempre seguir o

caminho da honestidade e persistncia,

DEDIDO

Ao meu pai querido

Adilson de Medeiros Robaina,

pelo esforo de sempre,

pelo incondicional apoio e incentivo

durante todo meu trabalho

pelo amor de pai a mim dedicado,

OFEREO

iv

AGRADECIMENTOS

- A Deus pelas oportunidades que Ele semeia em meu caminho, por guiar meus passos,

pela chance de mais uma conquista, pela minha vida, pela vida dos meus familiares e

amigos e por todas as lies que aprendo por meio dos obstculos que enfrento.

- Ao Instituto Agronmico de Campinas (IAC) pela oportunidade de realizao deste

trabalho e pelos conhecimentos adquiridos.

- Ao Centro de Engenharia e Automao, localizado em Jundia/SP, pela cooperao e

apoio institucional.

- Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) pela bolsa

de mestrado concedida no primeiro ano do curso para a realizao desde projeto de

pesquisa.

- minha orientadora Dr. Patrcia Cia pela orientao, pelos ensinamentos, pela

disponibilidade e pelo exemplo de trabalho e dedicao pesquisa.

- Aos funcionrios do Centro de Engenharia e Automao, pela ajuda no laboratrio, em

especial a Maria do Carmo, pela amizade e carinho.

- Aos pesquisadores que ministraram aulas nas disciplinas que eu cursei durante o

mestrado, pelos ensinamentos e disponibilidade.

- Aos meus pais Adilson de Medeiros Robaina e Nilza Ap. de Souza Robaina, pelo amor,

exemplo e apoio incondicional dedicado a mim.

- As minhas irms Isabella de Souza Robaina e Kasmirra de Souza Robaina, pelo amor,

pela ajuda e incentivo.

- Ao meu marido Carlos Cesar Silva Alves, pela pacincia, companheirismo, amor,

incentivo e apoio de todos estes anos juntos.

- amiga Francine Scolfaro Ponzo, pela amizade, conversas, risadas, pacincia, ajuda nos

experimentos e conhecimentos compartilhados durante este trabalho.

- Aos amigos da Ps-graduao, pelo companheirismo, ajuda sempre que necessrio, pelas

conversas e risadas, em especial Franciele, Paula, Flvia e Allan.

- Dr. Marise Cagnin Martins Parisi pela doao dos patgenos utilizados neste trabalho,

pela ateno e disponibilidade de sempre.

- Ao produtor de morango Daniel Juliato e sua famlia pelo fornecimento dos frutos.

- Aos meus queridos amigos Mariana Sacchi Armelim e Rony Nunes, pela grande

amizade, por me compreenderem e apoiarem sempre.

- secretaria da Ps-graduao IAC, pela ateno e ajuda

v

SUMRIO

LISTA DE TABELAS ................................................................................................. viii

LISTA DE FIGURAS ................................................................................................. xv

RESUMO .................................................................................................................... xvii

ABSTRACT ................................................................................................................ xix

1 INTRODUO ........................................................................................................ 01

2 REVISO BIBLIOGRFICA ................................................................................. 03

2.1 Classificao e Caractersticas do Morangueiro .................................................... 03

2.2 Aspectos Socioeconmicos do Morangueiro ......................................................... 05

2.3 Principais Doenas Ps-colheita ............................................................................ 06

2.4 Conservao e Mtodos de Controle de Podrides ............................................... 09

2.4.1 cido saliclico .................................................................................................. 12

2.4.2 Metil jasmonato ................................................................................................. 19

2.5 Induo de Resistncia .......................................................................................... 22

3 MATERIAL E MTODOS ..................................................................................... 25

3.1 Avaliao in vivo de Metil Jasmonato e cido Saliclico no Controle do Mofo

Cinzento, da Podrido Mole e da Antracnose em Morangos ...................................... 25

3.1.1 Inoculao dos frutos ......................................................................................... 25

3.1.2 Efeito de metil jasmonato no controle in vivo da antracnose, do mofo cinzento

e da podrido mole em morangos ................................................................................ 26

3.1.3 Efeito do cido saliclico no controle in vivo da antracnose, do mofo cinzento

e da podrido mole em morangos ................................................................................ 26

3.1.4 Efeito do metil jasmonato e cido saliclico no controle de podrides em

morangos no inoculados artificialmente ................................................................... 27

3.1.5 Armazenamento e avaliao ............................................................................... 27

3.1.6 Anlises fisco-qumicas .................................................................................... 28

3.2 Avaliao de Metil Jasmonato e de cido Saliclico sobre o Desenvolvimento

In Vitro de Colletotrichum acutatum, Botrytis cinerea e Rhizopus stolonifer............. 29

3.2.1 Metil jasmonato .................................................................................................. 29

3.2.2 cido saliclico ................................................................................................... 29

3.2.3 Delineamento experimental e anlise dos resultados ......................................... 29

vi

3.3 Avaliao In Vivo da Possibilidade de Induo de Resistncia pelo Metil

Jasmonato e cido Saliclico em Morangos Oso Grande contra os Patgenos

Colletotrichum acutatum, Botrytis cinerea e Rhizopus stolonifer............................... 30

3.3.1 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia em morangos pelo metil

jasmonato ................................................................................................................... 30

3.3.2 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia em morangos pelo cido

saliclico ...................................................................................................................... 31

3.4 Anlises Estatsticas .............................................................................................. 31

4 RESULTADOS ........................................................................................................ 32

4.1 Avaliao de Metil Jasmonato no Controle In Vivo e In Vitro dos Patgenos

Botrytis cinerea, Rhizopus stolonifer e Colletotrichum acutatum em Morango Oso

Grande ....................................................................................................................... 32

4.1.1 Avaliao in vivo do metil jasmonato no controle do mofo cinzento em

morangos Oso Grande inoculados artificialmente ................................................... 32

4.1.2 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo metil jasmonato em

morangos Oso Grande contra o mofo cinzento ....................................................... 32

4.1.3 Avaliao de metil jasmonato no desenvolvimento in vitro de Botrytis cinerea 35

4.1.4 Avaliao in vivo do metil jasmonato no controle da podrido mole em

morangos Oso Grande inoculados artificialmente .................................................... 36

4.1.5 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo metil jasmonato em

morangos Oso Grande contra a podrido mole ........................................................ 38

4.1.6 Avaliao de metil jasmonato no desenvolvimento in vitro de Rhizopus

stolonifer ..................................................................................................................... 38

4.1.7 Avaliao in vivo do metil jasmonato no controle da antracnose em morangos

Oso Grande inoculados artificialmente ................................................................... 39

4.1.8 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo metil jasmonato em

morangos Oso Grande contra a antracnose .............................................................. 42

4.1.9 Avaliao de metil jasmonato no desenvolvimento in vitro de Colletotrichum

acutatum ...................................................................................................................... 42

4.1.10 Avaliao de metil jasmonato sobre os atributos de qualidade de morangos

Oso Grande ............................................................................................................... 44

4.1.11 Avaliao do metil jasmonato no controle de podrides em morangos Oso

Grande no inoculados artificialmente ....................................................................... 44

vii

4.2 Avaliao de cido Saliclico no Controle In Vivo e In Vitro dos Patgenos

Botrytis cinerea, Rhizopus stolonifer e Colletotrichum acutatum em Morango Oso

Grande ....................................................................................................................... 44

4.2.1 Avaliao in vivo de cido saliclico no controle do mofo cinzento em

morangos Oso Grande inoculados artificialmente ...................................................... 44

4.2.2 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo cido saliclico em

morangos Oso Grande contra o mofo cinzento ........................................................... 48

4.2.3 Avaliao de cido saliclico no desenvolvimento in vitro de Botrytis cinerea .... 48

4.2.4 Avaliao in vivo de cido saliclico no controle da podrido mole em morangos

Oso Grande inoculados artificialmente ....................................................................... 49

4.2.5 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo cido saliclico em

morangos Oso Grande contra a podrido mole ........................................................... 50

4.2.6 Avaliao de cido saliclico no desenvolvimento in vitro de Rhizopus stolonifer 52

4.2.7 Avaliao in vivo de cido saliclico no controle da antracnose em morangos

Oso Grande inoculados artificialmente ...................................................................... 52

4.2.8 Avaliao da possibilidade de induo de resistncia pelo cido saliclico em

morangos Oso Grande contra a antracnose ................................................................ 54

4.2.9 Avaliao de cido saliclico no desenvolvimento in vitro de Colletotrichum

acutatum ...................................................................................................................... 56

4.2.10 Avaliao in vivo de cido saliclico sobre os atributos de qualidade de

morangos Oso Grande ............................................................................................... 57

4.2.11 Avaliao de cido saliclico no controle de podrides em morangos Oso

Grande no inoculados artificialmente ........................................................................ 59

5 DISCUSSO ............................................................................................................ 60

6 CONCLUSES ........................................................................................................ 64

7 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS...................................................................... 65

viii

LISTA DE TABELA

Tabela 1 - Fungicidas registrados para a aplicao em frutos ps-colheita no

Brasil .................................................................................................. 12

Tabela 2 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) do mofo cinzento em morangos

Oso Grande, inoculados com Botrytis cinerea, tratados com

diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento I) .................................................................................... 33

Tabela 3 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) do mofo cinzento em morangos

Oso Grande, inoculados com Botrytis cinerea, tratados com

diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento II) .................................................................................. 33

Tabela 4 - Incidncia (%) do mofo cinzento em morangos Oso Grande

inoculados com Botrytis cinerea, tratados com diferentes

concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h, e armazenados a

25C / 80% UR por sete dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ................................... 34

Tabela 5 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) do mofo cinzento

(Botrytis cinerea) em morangos Oso Grande tratados com metil

jasmonato (0,01 mM), inoculados em diferentes intervalos de tempo

(0, 12 e 24 h) aps tratamento e armazenados por sete dias a 25 C /

80% UR................................................................................................. 34

ix

Tabela 6 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e ndice de doena (%) da podrido mole em

morangos Oso Grande, inoculados com Rhizopus stolonifer,

tratados com diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa)

por 24 h e armazenados a 25C / 80% UR durante trs dias ou a 5C

/ 90% UR por cinco dias seguido por mais trs dias a 25C / 80%

UR (Experimento I) .............................................................................. 36

Tabela 7 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e ndice de doena (%) da podrido mole em

morangos Oso Grande, inoculados com Rhizopus stolonifer,

tratados com diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa)

por 24 h e armazenados a 25C / 80% UR durante trs dias ou a 5C

/ 90% UR por cinco dias seguido por mais trs dias a 25C / 80%

UR (Experimento II) ........................................................................... 37

Tabela 8 - Incidncia (%) da podrido mole em morangos Oso Grande

inoculados com Rhizopus stolonifer, tratados com diferentes

concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h, e armazenados a

25C / 80% UR por trs dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ................................... 37

Tabela 9 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) da podrido mole

(Rhizopus stolonifer) em morangos Oso Grande tratados com metil

jasmonato (0,01 mM), inoculados em diferentes intervalos de tempo

(0, 12 e 24 h) aps tratamento e armazenados por trs dias a 25 C /

80% UR................................................................................................ 38

x

Tabela 10 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) da antracnose em morangos Oso

Grande, inoculados com Colletotrichum acutatum, tratados com

diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento I) ................................................................................... 40

Tabela 11 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) da antracnose em morangos Oso

Grande, inoculados com Colletotrichum acutatum, tratados com

diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento II) .................................................................................. 41

Tabela 12 - Incidncia (%) da antracnose em morangos Oso Grande inoculados

com Colletotrichum acutatum, tratados com diferentes

concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h, e armazenados a

25C / 80% UR por sete dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR .................................. 41

Tabela 13 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) da antracnose

(Colletotrichum acutatum) em morangos Oso Grande tratados com

metil jasmonato (0,01 mM), inoculados em diferentes intervalos de

tempo (0, 12 e 24 h) aps o tratamento e armazenados por sete dias a

25 C / 80% UR.................................................................................... 42

Tabela 14 - Atributos de qualidade de morangos Oso Grande tratados com metil

jasmonato (MeJa) por 24 h e armazenados a 25C / 80% UR durante

sete dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias seguido por mais quatro

dias a 25C / 80% UR ........................................................................ 45

xi

Tabela 15 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) do mofo cinzento, da podrido mole e da antracnose

em morangos Oso Grande no inoculados artificialmente, tratados

com diferentes concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ........... 46

Tabela 16 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) do mofo cinzento em morangos

Oso Grande, inoculados com Botrytis cinerea, tratados com

diferentes concentraes de cido saliclico por dois minutos e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento I) .................................................................................... 46

Tabela 17 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) do mofo cinzento em morangos

Oso Grande, inoculados com Botrytis cinerea, tratados com

diferentes concentraes de cido saliclico por dois minutos e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento II) ................................................................................... 47

Tabela 18 - Incidncia (%) do mofo cinzento em morangos Oso Grande

inoculados com Botrytis cinerea, tratados com diferentes

concentraes de cido saliclico (AS) por dois minutos, e

armazenados a 25C / 80% UR por sete dias ou a 5C / 90% UR por

cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ................ 47

xii

Tabela 19 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) do mofo cinzento

(Botrytis cinerea) em morangos Oso Grande tratados com cido

saliclico (1 mM), inoculados em diferentes intervalos de tempo (0,

12 e 24 h) aps o tratamento e armazenados por sete dias a 25 C /

80% UR................................................................................................. 48

Tabela 20 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e ndice de doena (%) da podrido mole em

morangos Oso Grande, inoculado com Rhizopus stolonifer,

tratados com diferentes concentraes de cido saliclico por dois

minutos e armazenados a 25C / 80% UR durante trs dias ou a 5C

/ 90% UR por cinco dias seguido por mais trs dias a 25C / 80%

UR (Experimento I) .............................................................................. 50

Tabela 21 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e ndice de doena (%) da podrido mole em

morangos Oso Grande, inoculado com Rhizopus stolonifer,

tratados com cido saliclico por dois minutos e armazenados a 25C

/ 80% UR durante trs dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais trs dias a 25C / 80% UR (Experimento II) .......... 51

Tabela 22 - Incidncia (%) da podrido mole em morangos Oso Grande

inoculados com Rhizopus stolonifer, tratados com diferentes

concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h, e armazenados a

25C / 80% UR por trs dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ................................... 51

Tabela 23 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) da podrido mole

(Rhizopus stolonifer) em morangos Oso Grande tratados com cido

saliclcio (1 mM), inoculados em diferentes intervalos de tempo (0,

12 e 24 h) aps o tratamento e armazenados por trs dias a 25 C /

80% UR................................................................................................ 52

xiii

Tabela 24 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) da antracnose em morangos Oso

Grande, inoculado com Colletotrichum acutatum, tratados com

diferentes concentraes de cido saliclico por dois minutos e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR

(Experimento I) ................................................................................... 54

Tabela 25 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) e severidade (cm) da antracnose em morangos Oso

Grande, inoculado com Colletotrichum acutatum, tratados com

diferentes concentraes de cido saliclico por dois minutos e

armazenados a 25C / 80% UR durante sete dias ou a 5C / 90% UR

por cinco dias seguido por mais quatro 4 dias a 25C / 80% UR

(Experimento II) ................................................................................... 55

Tabela 26 - Incidncia (%) da antracnose em morangos Oso Grande inoculados

com Colletotrichum acutatum, tratados com diferentes

concentraes de metil jasmonato (MeJa) por 24 h, e armazenados a

25C / 80% UR por sete dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias

seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR ................................... 55

Tabela 27 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para os

valores de incidncia (% de ocorrncia) e severidade (cm) da

antracnose (Colletotrichum acutatum) em morangos Oso Grande

tratados com cido saliclico (1 mM) e inoculados em diferentes

intervalos de tempo (0, 12 e 24 h) aps o tratamento e armazenados

por sete dias a 25 C / 80% UR .......................................................... 56

Tabela 28 Atributos de qualidade de morangos Oso Grande tratados com cido

saliclico por dois minutos e armazenados a 25C / 80% UR durante

sete dias, a 5C / 90% UR durante cinco dias ou a 5C / 90%UR por

cinco dias seguido por mais quatro dias a 25C / 80% UR................... 58

xiv

Tabela 29 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) de doenas vindas do campo em morangos Oso

Grande tratados com diferentes concentraes de cido saliclico

(AS) por dois minutos e armazenados a 25C / 80% UR durante sete

dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias seguido por mais quatro dias

a 25C / 80% UR (Experimento I) ..................................................... 59

Tabela 30 - rea abaixo da curva de progresso da doena (AACPD) para

incidncia (%) de doenas vindas do campo em morangos Oso

Grande tratados com diferentes concentraes de cido saliclico

(AS) por dois minutos e armazenados a 25C / 80% UR durante sete

dias ou a 5C / 90% UR por cinco dias seguido por mais quatro dias

a 25C / 80% UR (Experimento II) ..................................................... 60

xv

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Sintoma de mofo cinzento (Botrytis cinerea) em morango ................ 07

Figura 2 - Sintoma de podrido mole (Rhizopus stolonifer) em morango ........... 08

Figura 3 - Sintoma de antracnose (Colletotrichum acutatum) em morango ........ 09

Figura 4 - Estrutura qumica do cido saliclico .................................................. 13

Figura 5 - Esquema simplificado das vias de biossntese do cido saliclico (AS)

(PAL fenilalanina-amonialiase, ICS isocorismato sintase, IPL

isocorismato piruvato liase, SEG saliciloil ster glucosa, SAG SA

O--glucosdeo, MeSa metil salicilato, MeSAG metil salicilato

O--glucosdeo) (modificado de VLOT et al., 2009) .......................... 13

Figura 6 - Mecanismo de ao do cido saliclico ............................................... 16

Figura 7 - Aplicao do metil jasmonato (MeJa) em morangos Oso Grande em

tambores hermticos ............................................................................. 26

Figura 8 - Aplicao de cido saliclico (AS) em morangos Oso Grande ........... 27

Figura 9 - ndice de crescimento micelial de Botrytis cinerea cultivado em meio

batata-dextrose-gar (BDA), aps exposio ao metil jasmonato por

24 h. Experimentos I (A) e II (B). Valores seguidos pela mesma letra

no diferem entre si pelo teste de Tukey (P 0,05) ............................ 35

Figura 10 - ndice de crescimento micelial de Rhizopus stolonifer cultivado em

meio batata-dextrose-gar (BDA), aps exposio ao metil

jasmonato por 24 h. Experimentos I (A) e II (B). Valores seguidos

pela mesma letra no diferem entre si pelo teste de Tukey (P 0,05) . 39

xvi

Figura 11 - ndice de crescimento micelial de Colletotrichum acutatum cultivado

em meio batata-dextrose-gar (BDA), aps exposio ao metil

jasmonato por 24 h. Experimentos I (A) e II (B). Valores seguidos

pela mesma letra no diferem entre si pelo teste de Tukey (P 0,05) .. 43

Figura 12 - ndice de crescimento micelial de Botrytis cinerea cultivado em meio

batata-dextrose-gar (BDA), incorporado com cido saliclico em

diferentes concentraes. Experimentos I (A) e II (B). Valores

seguidos pela mesma letra no diferem entre si pelo teste de Tukey

(P 0,05) ............................................................................................. 49

Figura 13 - ndice de crescimento micelial de Rhizopus stolonifer cultivado em

meio batata-dextrose-gar (BDA), incorporado com cido saliclico

em diferentes concentraes. Experimentos I (A) e II (B). Valores

seguidos pela mesma letra no diferem entre si pelo teste de

Tukey (P 0,05) .................................................................................. 53

Figura 14 - ndice de crescimento micelial de Colletotrichum acutatum cultivado

em meio batata-dextrose-gar (BDA), incorporado com cido

saliclico em diferentes concentraes. Experimento I (A) e II (B).

Valores seguidos pela mesma letra no diferem entre si pelo teste de

Tukey (P 0,05) .................................................................................. 57

xvii

Avaliao de metil jasmonato e de cido saliclico no controle ps-colheita de

podrides em morango Oso Grande

RESUMO

O morango, embora muito comercializado, possui vida ps-colheita limitada,

apresentando elevada suscetibilidade a patgenos. As podrides so responsveis por elevadas

perdas em ps-colheita, destacando-se a podrido mole (Rhizopus stolonifer), o mofo cinzento

(Botrytis cinerea) e a antracnose (Colletotrichum acutatum). Atualmente, no Brasil, no h

fungicidas registrados para o controle destas doenas na ps-colheita de morangos, contudo

mtodos alternativos aos fungicidas tm apresentado resultados promissores no controle de

podrides e no aumento do perodo de conservao de frutos, como o metil jasmonato (MeJa)

e o cido saliclico (AS). Assim, os objetivos deste trabalho foram avaliar os efeitos do MeJa

e do AS no controle ps-colheita de podrides (mofo cinzento, podrido mole e antracnose) e

sobre os atributos de qualidade de morangos Oso Grande, mantidos sob refrigerao e

condies ambiente. Para tanto, morangos Oso Grande foram artificialmente inoculados

com suspenso de esporos (105 esporos mL

-1) dos patgenos B. cinerea, R. stolonifer e C.

acutatum e, aps 2 h, tratados com o MeJa, em tambores hermticos, com circulao forada

de ar, onde foram expostos ao produto (0,01 e 0,02 mM), durante 24 h ou, com AS, atravs de

imerso dos frutos nas concentraes de 1, 2 e 4 mM, durante o perodo de 2 min. Aps os

tratamentos, os frutos foram mantidos a 25 C/80% UR ou sob refrigerao (5 C/90% UR) e

avaliados quanto incidncia e severidade das podrides, bem como quanto aos atributos de

qualidade (colorao, firmeza, teor de slidos solveis, acidez titulvel e ratio). Os produtos

tambm foram avaliados no controle das podrides em frutos no inoculados artificialmente,

ou seja, sobre infeces provenientes do campo. A possibilidade de induo de resistncia em

morangos contra os patgenos pelo MeJa e AS foi investigada inoculando-se os frutos aps

diferentes intervalos de tempo do tratamento. Ensaios in vitro foram realizados para se avaliar

os efeitos de MeJa e AS sobre o crescimento micelial dos patgenos. Os resultados

demonstraram que o metil jasmonato (0,01 mM) reduz a incidncia do mofo cinzento e a

severidade da antracnose em morangos Oso Grande, enquanto o cido saliclico diminui a

ocorrncia de Botrytis cinerea, quando os patgenos so inoculados aps o tratamento dos

frutos, possivelmente pela ativao de mecanismos de defesa. In vitro, o cido saliclico reduz

o desenvolvimento de Botrytis cinerea, Colletotrichum acutatum e Rhizopus stolonifer,

enquanto o metil jasmonato no influencia o crescimento micelial dos patgenos. O MeJa e o

AS no reduz a incidncia e/ou a severidade das podrides em morangos inoculados antes da

xviii

aplicao dos produtos e no alteram significativamente os atributos de qualidade dos frutos.

Contudo, o tratamento com AS (1 mM) reduz significativamente a incidncia de mofo

cinzento em frutos com infeces provenientes do campo e armazenados a 25 C.

Palavras-Chave: Botrytis cinerea, Rhizopus stolonifer, Colletotrichum acutatum; induo de

resistncia.

xix

Evaluation of methyl jasmonate and salicylic acid on the postharvest control of rot in

Oso Grande strawberry

ABSTRACT

Although very commercialized, strawberry has a limited post-harvest life, showing a high

susceptibility to pathogens. Rots are responsible for large postharvest losses and, among

them is the gray mold (Botrytis cinerea), the soft rot (Rhizopus stolonifer), and anthracnose

(Colletotrichum acutatum). Actually, in Brazil, there are no fungicides registered for the

postharvest control of these diseases in strawberries. However, alternative methods to the

fungicides have shown promising results on the rot control and on the shelf-life increase,

such as the methyl jasmonate (MeJa) and salicylic acid (SA). Thus, the objectives of this

study were to evaluate the effects of MeJa and AS on the postharvest control of gray mold,

soft rot, and anthracnose and on the quality attributes of 'Oso Grande' strawberries kept

under refrigeration and at room condition. 'Oso Grande' strawberries were artificially

inoculated with spore suspension (105 spores mL

-1) of the pathogens B. cinerea, R.

stolonifer and C. acutatum, and, after 2 h, treated with MeJa, in hermetic chamber, with

forced air circulation, where they were exposed to the product (0,01 and 0,02 mM), for 24

h. SA treatment was carried out by dipping fruit in 1, 2, and, 4 mM, for 2 min. After

treatment, fruit were kept at 25 C/ 80% RH or under refrigeration (5 C/ 90% RH) and

assessed as to rot incidence and severity and quality attributes (color, firmness, soluble

solids content, titratable acidity and ratio). The products were also evaluated in the control

of non-inoculated artificially fruit, i.e. on the infections from the field. The possibility of

inducing resistance in strawberries against the pathogens by MeJa and SA was investigated

by fruit inoculation after different time intervals of the treatment. In vitro assays were

performed to evaluate the effects of MeJa and SA on the pathogens mycelial growth. The

results showed that MeJa (0,01 mM) reduces the gray mold incidence and anthracnose

severity in Oso Grande strawberry, and SA reduces Botrytis cinerea occurrence, when

the pathogens are inoculated after treatments. These results show that, probably, MeJa and

SA induces defense response in strawberry. In vitro, SA reduces Botrytis cinerea,

Colletotrichum acutatum and Rhizopus stolonifer development, and MeJa do not reduce

pathogen mycelial growth. MeJa and SA does not reduce the rot incidence and/or severity

on strawberries inoculated before the treatment, and do not significantly change the fruit

quality attributes. However, SA (1 mM) in not-artificially inoculated strawberries reduces

gray mold incidence in fruit kept at 25 C.

xx

Keywords: Botrytis cinerea, Rhizopus stolonifer, Colletotrichum acutatum; resistance

induction.

1

1 INTRODUO

O morango (Fragaria x ananassa Duch.) produzido e apreciado em diversas regies

do mundo, com produo mundial de aproximadamente 4,6 milhes de toneladas no ano de

2011, sendo considerado o fruto de maior destaque entre os pequenos frutos. No Brasil a

produo em 2011 foi de 3.016 toneladas, sendo os Estados de So Paulo, Minas Gerais, Rio

Grande do Sul, Paran, Esprito Santo, Gois e Distrito Federal considerados os maiores

produtores (FAO, 2012; HOFFMANN et al., 2008). A maior parte da produo brasileira

destina-se ao consumo in natura, mas o consumo industrial, nas mais diversas formas, cresce

continuamente.

O morango um pseudofruto muito comercializado, principalmente, devido s suas

qualidades nutricionais, aroma e sabor, no entanto um produto muito delicado e perecvel,

apresentando alta atividade respiratria e alta sensibilidade aos danos mecnicos,

desenvolvimento de patgenos, desidratao e perda de firmeza. Essas alteraes causam

reduo na qualidade do fruto, diminuindo assim a sua aceitao no mercado e limitando a

vida ps-colheita. Por serem muito perecveis, os morangos devem ser submetidos a um

manejo rpido e cuidadoso em ps-colheita, para que sua qualidade seja preservada

(HENRIQUE & CEREDA, 1999; FLORES-CANTILLANO et al., 2003).

Para manter a qualidade ps-colheita e prolongar a vida til dos frutos, em geral,

necessria a utilizao de diversas tcnicas, estando entre elas o resfriamento rpido, o

armazenamento refrigerado, e o armazenamento sob atmosfera modificada e/ou controlada

(FLORES-CANTILLANO et al., 2003). Para morangos, a refrigerao a principal forma de

conservao empregada, auxiliando, principalmente, na conservao do fruto atravs da

reduo da atividade respiratria e metablica e, portanto, retardando sua senescncia.

Entre os principais problemas da cultura do morango esto as doenas, que podem

atingir tanto a parte area, como as razes. As doenas que atacam a parte area so mais

importantes, pois interferem na frutificao, reduzindo o tamanho e comprometendo o aspecto

visual dos frutos, alm de provocar reduo na produtividade e na conservao ps-colheita

(OSRIO & FORTES, 2003). Em ps-colheita, as doenas conhecidas como antracnose,

mofo cinzento e podrido mole, so consideradas as principais podrides dos frutos (COSTA

et al., 2003).

A produo de alimentos mais saudveis, isentos de resduos txicos, um tema que

vem sendo bastante enfatizado nos ltimos anos, e com isso, a busca por mtodos alternativos

ao uso de defensivos agrcolas para o controle de fitopatgenos vem aumentando. Vrios

2

estudos esto sendo realizados visando a reduo da incidncia de podrides ps-colheita

atravs de agentes de controle alternativos aos defensivos agrcolas, podendo-se citar a

quitosana, o tratamento trmico, os sanificantes, a radiao ionizante, a luz pulsante, a

radiao ultravioleta (UV-C), o biocontrole, o metil jasmonato (MeJa) e o cido saliclico

(AS) (BENATO & CIA, 2009). A utilizao do MeJa e do AS em ps-colheita est ganhando

importncia, principalmente, pela ao como indutores de resistncia em plantas diversas

espcies de fitopatgenos. Cabe ressaltar que existem defensivos agrcolas registrados no

Brasil para o controle de doenas ps-colheita em diversas frutas, contudo no para o

morango (AGROFIT, 2012).

O AS e o MeJa so molculas endgenas que regulam o crescimento das plantas,

provocando uma ampla variedade de respostas metablicas e fisiolgicas, alm de

desempenharem papel fundamental na defesa da planta em resposta a estresses abiticos e

biticos. Tanto o MeJa, quanto o AS, vem sendo bastante estudados, pois possuem ao

benfica para manter e prolongar a vida ps-colheita de diversos produtos hortcolas (TAIZ &

ZEIGER, 2006; TRIPATHI & DUBEY, 2004; ASGHARI & AGHDAM, 2010). O efeito

destes compostos no controle de fitopatgenos tem demonstrado resultados promissores,

como, por exemplo, na reduo do desenvolvimento de Botrytis cinerea e Colletotrichum

gloesporioides pelo MeJa e AS, respectivamente (ZHU & TIAN, 2012; LEE et al., 2009).

Porm trabalhos envolvendo a ao direta do MeJa e AS sobre microrganismos so limitados.

O controle de podrides em plantas atravs da resistncia sistmica adquirida

(Systemic Acquired Resistance - SAR), pela aplicao de AS ou MeJa, um tema bastante

estudado. A SAR um mecanismo de defesa induzido por agentes biticos, abiticos ou

infeco localizada por patgeno, que confere proteo de longa durao contra um vasto

espectro de microrganismos. O grau desta proteo varia em funo da concentrao do

indutor, do inoculo utilizado, do intervalo de tempo entre o tratamento inicial com o indutor e

o contato com o patgeno, e das condies de temperatura e luminosidade. A molcula de AS

e do MeJa esto associadas ao acmulo de protenas relacionadas patognese, bem como a

inibio e/ou estimulao de diversas enzimas relacionadas com a defesa das plantas,

contribuindo assim para conferir resistncia contra estresses abiticos ou biticos

(DURRANT & DONG, 2004; GUZZO, 2004; TAIZ & ZEIGER, 2006; ASGHARI &

AGHDAM, 2010; ROHWER & ERWIN, 2008).

Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi testar a hiptese de que o AS e o MeJa

controlam o mofo cinzento, a antracnose e a podrido mole em morangos Oso Grande,

3

devido a atuao direta sobre os patgenos ou indireta, atravs de induo de mecanismos de

defesa.

2 REVISO BIBLIOGRFICA

2.1 Classificao e Caractersticas do Morangueiro

O morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.), de acordo com o Sistema de

Classificao Vegetal de Cronquist (1988), est classificado da seguinte maneira: Diviso

Magnoliophyta (Angiosperma), Classe Magnoliopsida (Dicotilednea), Subclasse Rosidae,

Ordem Rosales, Famlia Rosaceae e Gnero Fragaria L. A principal espcie cultivada,

Fragaria x ananassa Duch., um hbrido entre espcies originrias do continente americano

(Fragaria virginiana x Fragaria chiloensis) (OLIVEIRA & SANTOS, 2003). O morango

um pseudofruto de procedncia da Amrica do Norte e do Chile e apreciado no mundo

inteiro, principalmente pelos seus aspectos nutritivos e sabor, sendo consumido in natura e

por diversas maneiras de processamento (REICHERT, 2003; SANTOS & MEDEIROS,

2003).

Espcies de frutas que possuem como caractersticas o pequeno tamanho (0,5 cm a 5

cm), porte arbustivo ou rasteiro, plantio em alta densidade, necessidade de manejo intensivo

desde o plantio, elevada exigncia de mo-de-obra e conseqente reas pequenas para o

cultivo, so denominadas de pequenas frutas. No Brasil este termo recente, sendo

representada pelo morango, pela amora-preta, pelo mirtilo e pela framboesa, respectivamente

em ordem de importncia comercial. Pelo tempo de produo, rea cultivada e expanso do

cultivo, o morango a principal espcie deste grupo (HOFFMANN et al., 2008).

O morangueiro considerado uma espcie olercola; uma planta herbcea

estolonfera, perene e possui caule semi-subterrneo, chamado de coroa. As folhas se

originam da coroa de forma helicoidal, variando em cor e forma de acordo com a cultivar; so

trifoliadas com um par de espculas triangulares na base. Os fololos so denteados, com

colorao verde escuro na face superior; j na face inferior possui pilosidade e colorao

acinzentada (MADAIL et al., 2005; SANHUEZA et al., 2005).

O morango um pseudofruto, ou seja, resultado do desenvolvimento dos

receptculos de um conjunto floral compacto fertilizado. Os frutos verdadeiros so as

pequenas pontuaes que ficam sob a superfcie do morango, chamados de aqunios ou

semente (PBMH, 2009). O morango considerado um fruto no climatrico, ocorrendo

4

diminuio gradual da respirao, por isso no ocorre amadurecimento nem alteraes

expressivas nas condies organolpticas em ps-colheita (MELOTTI, 2011; CHITARRA &

CHITARRA, 2005).

O ndice de maturao baseado na colorao; morangos com menos da metade da

superfcie vermelha so considerados imprprios para o consumo ou para o processamento

porque possuem pouco aroma e conservam elevado teor de acidez e adstringncia em ps-

colheita. Morangos com mais da metade e at da superfcie vermelha apresentam boas

condies para consumo in natura ou para processamento por alguns dias, dependendo da

variedade, da temperatura e da umidade atmosfrica (CHITARRA & CHITARRA, 2005).

Este fruto possui baixo valor calrico, cerca de 40 calorias a cada 100 g, possui ao

antitrmica, diurtica, antiartrtica, mineralizante, antiviral e anticancergeno. Possui na sua

constituio: fsforo, sdio, carboidratos, ferro e vitaminas A, B e C (MELOTTI, 2011). Os

morangos possuem elevada concentrao de cido ascrbico (100 a 300 mg 100g-1

); as frutas

vermelhas, de maneira geral so ricas tambm em antocianinas (SANTINI, 2006 apud

ROMBALDI et al., 2009).

Os atributos sensoriais, como a cor, a textura, o aroma e o balano acar/acidez, so

caractersticas importantes na qualidade do morango. O sabor do morango um dos aspectos

mais exigidos pelo consumidor, sendo dependente, em parte, do balano entre os slidos

solveis e a acidez titulvel do fruto. A colorao do morango atrativa devido presena de

antocianinas, que indicam a maturao do fruto. Polissacardeos, como substncias pcticas,

determinam a textura deste fruto, sendo que a qualidade e a vida ps-colheita do morango so

influenciadas diretamente pela perda da firmeza que ocorre durante a senescncia (FLORES-

CANTILLANO et al., 2003).

As principais cultivares de morango cultivadas no Brasil originam-se dos Estados

Unidos. Cabe ressaltar a cultivar que importada da Espanha, Milsei-Tudla (OLIVEIRA et

al., 2005). De acordo com REICHERT & MADAIL (2003), as cultivares nacionais,

Campinas, Monte Alegre, Konvoy, Konvoy Cascata e as cultivares estrangeiras, Oso Grande,

Chandler, Dover, Camarosa, Sweet Charlie, Kabarla, Aromas, Tudla, Toyonoca, Seascape,

Selva e Fern. so as mais cultivadas, pois apresentam frutos maiores, polpa mais firme,

melhor sabor, maior produtividade e, sobretudo, melhor condio fitossanitria. ANTUNES

& REISSER (2008) destacam que entre as principais cultivares produzidas no Brasil esto: a

Oso Grande, a Camarosa, a Dover e a Aromas.

A cultivar Oso Grande foi introduzida da Universidade da Califrnia (EUA), sendo

considerada de dias curtos e grande adaptabilidade; uma planta vigorosa, com folhas

5

grandes de colorao verde escura, possui ciclo mediano e elevada capacidade produtiva. Os

frutos so de tamanho grande com colorao de epiderme vermelho-clara, textura de polpa

firme no incio da produo e mediana no final, colorao interna vermelho-claro e aromtica,

com sabor subcido, conveniente para o consumo in natura. suscetvel a Mycospharella

fragarieae, Colletotrichum fragarieae e C. acutatum, contudo apresenta tolerncia ao fungo

Botrytis cinerea Pers. & F. (SANTOS, 2003; SANTOS, 2005).

2.2 Aspectos Socioeconmicos do Morangueiro

O interesse comercial pelo cultivo do morango grande em diversos pases. A

colorao, o aroma e o sabor da fruta, assim como suas propriedades nutritivas, fazem do

morango um produto muito apreciado pelos consumidores. O maior mercado desta cultura o

consumo in natura, porm o mercado muito amplo em produtos processados, tais como em

gelias, caldas, sucos e polpa congelada (ALMEIDA et al., 1999 apud GIMNEZ et al.,

2008).

O cultivo do morango uma atividade de grande importncia socioeconmica, pois

emprega grande nmero de pessoas durante sua conduo, sendo realizado principalmente em

propriedades familiares (COSTA & VENTURA, 2006). Mesmo que restrita a pequenas reas,

esta cultura uma atividade agrcola que ocorre em muitas regies do Brasil (TANAKA et al.,

2005).

No Brasil, o morangueiro cultivado nos Estados do Rio Grande do Sul, So Paulo e

Minas Gerais, bem como em regies com diferentes solos e climas, como Santa Catarina,

Paran, Esprito Santo, Gois e Distrito Federal. No mundo e no Brasil, o morango vem se

destacando como uma das principais frutas produzidas, devido a grande rentabilidade (224%)

quando comparada com outros cultivos (HOFFMANN et al., 2008; REICHERT & MADAIL,

2003).

De acordo com a FAO (2012), a produo nacional de morango em 2011 foi estimada

em 3.016 toneladas, sendo explorada numa rea de aproximadamente 376 ha. O Estado de

Minas Gerais o maior produtor, contribuindo com cerca de 40% do total produzido, seguido

por So Paulo e Rio Grande do Sul, sendo os trs Estados responsveis por 80% da produo

nacional (CARVALHO, 2006). A produo em Minas Gerais destinada tanto para a

industrializao, como para o consumo in natura; j em So Paulo, a maior parte destina

para o consumo in natura. No Rio Grande do Sul, h cidades que se destacam pela produo

6

de morangos de mesa, contudo em Pelotas a produo destinada ao processamento

(HOFFMANN et al., 2008).

O aumento da incidncia e da severidade de doenas tem sido um dos grandes

responsveis por perdas na produtividade. Inmeras doenas tm se agravado ano aps ano,

devido ao clima favorvel que permite o desenvolvimento de doenas durante todo o perodo

de cultivo. Doenas consideradas como secundrias e de ocorrncia espordica vm se

tornando cada vez mais um problema para vrias regies produtoras (TANAKA et al., 2005).

2.3 Principais Doenas Ps-colheita

A cultura do morango pode ser afetada por inmeras doenas infecciosas de natureza

fngica, bacteriana ou viral. Contudo, a maioria causada por fungos, gerando grandes

perdas, pois afetam o desenvolvimento e a produtividade das plantas. As doenas podem

incidir em diferentes partes areas (folhas, frutos, estoles e flores), nas razes e no colo. A

incidncia e a severidade das doenas so dependentes, principalmente, do estado nutricional

da planta, da cultivar, das condies de clima e solo e do manejo da cultura (COSTA et al.,

2003; FORTES, 2003; TANAKA et al., 2005).

Como os morangos possuem como principal mercado o consumo in natura, as

doenas que ocorrem em ps-colheita so extremamente importantes, pois afetam diretamente

a comercializao (TANAKA et al., 2005). As podrides dos frutos so favorecidas por

condies de elevada umidade, pelas injrias mecnicas, irrigao, colheita, embalagem,

manuseio e transporte inadequados; por isso so consideradas as grandes responsveis pelas

perdas que ocorrem na produo de morango. A antracnose, o mofo-cinzento e a podrido

mole so consideradas as principais podrides dos frutos, pois se manifestam tanto no campo,

como em ps-colheita (TANAKA, 2003; COSTA et al., 2003; TANAKA et al., 2005).

Segundo BENATO & CIA (2009), em frutos maduros as podrides so principalmente

provenientes de infeces quiescentes estabelecidas no perodo de produo, mas podem

tambm ser ocasionadas por patgenos que penetram por ferimento, pela manipulao ou

exposio a ambientes contaminados. Para a preveno das doenas ps-colheita, recomenda-

se evitar danos mecnicos, j que os ferimentos permitem a penetrao de todos os patgenos.

Dentre as podrides dos frutos na cultura do morango, o mofo-cinzento, causado pelo

fungo Botrytis cinerea Pers. Fr., uma das mais importantes, pois est presente em todas as

regies de cultivo. Esta doena pode afetar o fruto em qualquer estdio do seu

desenvolvimento, ocasionando grandes prejuzos, seja em condies de campo, ou durante o

7

armazenamento e comercializao (TANAKA, 2002; COSTA et al., 2003; TANAKA et al.,

2005; FORTES & COUTO, 2003).

O fungo B. cinerea no especfico da cultura do morango, podendo ocorrer em

diferentes plantas. O mesmo considerado um parasita facultativo, vivendo saprofiticamente

na matria orgnica e formando esclerdios e miclio dormente, em restos de cultura. Em

meio de cultura, possui uma colorao acinzentada, com condios unicelulares, que so

facilmente disseminados no campo pelo vento ou pela gua (TANAKA, 2002; TANAKA et

al., 2005).

Segundo TANAKA (2002) e COSTA et al. (2003), os sintomas iniciais no fruto so

manchas de tamanhos variveis, com cor marrom-clara e consistncia mole, no tendo

delimitao entre o tecido doente e o sadio. O fruto apodrece rapidamente e adquire aparncia

seca e firme, recoberto por estruturas do fungo, formando uma massa de cor cinza. Quando a

umidade elevada, o miclio se desenvolve mais denso, apresentando aspecto cotonoso

(Figura 1). Esta doena favorecida por elevada umidade e temperatura ao redor de 20 C,

geralmente nas estaes de inverno e primavera. De acordo com TANAKA et al. (2005) e

FORTES & COUTO (2003), se as condies foram ideais, os pecolos, folhas, botes florais,

ptalas e pednculos podem apresentar sintomas, sendo que em frutos maduros a doena

avana rapidamente.

Figura 1 - Sintoma de mofo cinzento (Botrytis cinerea) em morango.

Provocada por mais de uma espcie de Rhizopus, geralmente R. stolonifer ou R.

nigricans, a podrido mole ou podrido de Rhizopus observada com freqncia em ps-

colheita. Em embalagens com frutos maduros, a incidncia desta podrido elevada. No

campo raramente esta doena observada, porm, os frutos colhidos podem possuir, na sua

8

superfcie, estruturas do fungo, que o inoculo (TANAKA et al., 2005; COSTA et al., 2003;

FORTES, 2003).

Os sintomas so caracterizados por uma rea aquosa e mole, podendo estar recoberta

por miclio de aspecto cotonoso de colorao branca a acinzentada, sobre o qual podem

ocorrer pontuaes escuras (esporangisforos e esporngios) (Figura 2). Geralmente esta

doena acompanhada de odor caracterstico, resultado de infeces de bactrias e leveduras

(BENATO & CIA, 2009). De acordo com BORESZTEIN et al. (2009), R. stolonifer pode

causar infeco em frutos intactos de morango, mas a incidncia da doena menor quando

comparada com frutos feridos.

Devido a penetrao do R. stolonifer ocorrer, principalmente, atravs de ferimentos, a

infeco pouco afetada pela umidade relativa. J a temperatura um fator limitante para o

desenvolvimento da doena e para a germinao dos esporos. A temperatura mnima

requerida 6C e a produo de esporngios inibida por temperaturas inferiores a 8-10 C

(TANAKA et al., 2005; TANAKA, 2002).

Figura 2 - Sintoma de podrido mole (Rhizopus stolonifer) em morango.

De acordo com AGRIOS (2005) e FORTES (2005), o desenvolvimento da antracnose

na cultura do morango pode ser causado por trs espcies, Colletotrichum fragariae, C.

acutatum e C. gloeosporioides, produzindo leses e estrangulamento em estoles, pecolo,

pednculo, fruto e coroa do morango. O C. acutatum provoca a podrido dos frutos

(antracnose) e a flor preta, ao passo que C. gloeosporioides e C. fragariae infectam

principalmente a coroa das plantas e causa podrido da coroa e murcha.

A antracnose favorecida por elevada temperatura e umidade, porm podem ocorrer

sintomas severos no campo em perodos de clima frio, com alta umidade. O inoculo presente

9

em restos culturais, como frutos mumificados, pode desencadear a doena. Leses em

estolhos ou folhas, de modo geral, carregam o inoculo, que atinge os frutos por ao da

irrigao, gua da chuva, vento, insetos ou pelo manuseio das plantas no cultivo (TANAKA,

2002; TANAKA et al., 2005). Segundo TANAKA et al. (2005), este patgeno pode causar

perdas superiores a 50% em variedades muito suscetveis e sob condies favorveis, sendo

um fator limitante para a produo e a comercializao de morangos.

De acordo com BENATO & CIA (2009) e FORTES (2005), em ps-colheita, a

antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum spp., possui grande importncia. Os sintomas

caractersticos so pequenas leses deprimidas, que sob condies de temperatura e umidade

adequadas aumentam de tamanho. As leses so firmes, no incio, com colorao branco-

acinzentada e, posteriormente, marrom. No centro das leses ocorre uma massa de esporos de

colorao alaranjada ou rosada (Figura 3). Em frutos maduros a podrido mais comum,

porm em surtos severos, frutos verdes podem ser atacados. Os sintomas de deficincia de

clcio/boro ou fitotoxidez causados por produtos qumicos podem ser confundidos com esta

doena (COSTA et al., 2003).

Figura 3 - Sintoma de antracnose (Colletotrichum acutatum) em morango.

2.4 Conservao e Mtodos de Controle de Podrides

O aumento da produo de etileno e a elevada atividade respiratria so os principais

responsveis pelos rpidos danos causados aps a colheita em morangos. Porm existem

ainda outros fatores que tambm influenciam no processo de deteriorao destes frutos, como

a alta suscetibilidade a leso mecnica, a perda de gua e a ao de patgenos, principalmente

fungos (LUNARDI, 2009).

10

Um dos fatores de maior influncia na conservao ps-colheita de frutos e hortalias

a respirao. Diversos fatores influenciam a intensidade da respirao em um fruto, entre

eles esto o tipo de tecido (jovem ou adulto) e a quantidade de gua. O morango apresenta

alta atividade respiratria aps a sua colheita (LUNARDI et al., 2009; VIEITES et al., 2006).

A temperatura pode ser considerada como o principal fator externo na conservao de

produtos vegetais, pois influencia na respirao, transpirao, entre outros aspectos da

fisiologia das plantas. A velocidade de deteriorao de frutos e hortalias aumenta cerca de

duas a trs vezes, com o aumento de 10 C na temperatura. J quando a temperatura mnima

de segurana ultrapassada, pode ocorrer perda de sabor, aroma, escurecimento da casca e

perda da capacidade de maturao (LUNARDI et al., 2009). A umidade relativa do ar (UR)

tambm influncia na conservao ps-colheita, atuando diretamente na transpirao.

Quando a UR est em nveis adequados, promove o declnio da desidratao, afetando as

interaes patgeno-hospedeiro (LUNARDI et al., 2009).

Nos frutos no climatricos, como o morango, as respostas tpicas ao do etileno

no so to acentuadas, embora possam ser observadas redues no teor de clorofilas e cidos

orgnico, com aumentos temporrios na atividade respiratria. Em ps-colheita so

observados alteraes de cor, firmeza da polpa e perda do brilho natural dos frutos, e os

procedimentos adotados aps a colheita, de modo geral, podem evitar, parcialmente, a perda

da qualidade (ROMBALDI et al., 2009; LUNARDI, 2009).

Por ser um fruto muito sensvel, o morango muito suscetvel ao desenvolvimento de

doenas ps-colheita. Nos frutos, em geral, o processo de infeco geralmente ocorre durante

o seu desenvolvimento no campo. Embora alguns frutos possam ser descartados antes de

serem armazenados ou transportados, por apresentarem sintomas visveis, muitos escapam

dessa seleo, principalmente aqueles frutos cujos sintomas esto nos estdios iniciais de

desenvolvimento. Portanto, algumas infeces acontecem no campo, mas permanecem

quiescentes e os sintomas se desenvolvem somente quando o fruto amadurece (BENATO &

CIA, 2009).

De maneira geral a incidncia de doenas ps-colheita influenciada pelas condies

climticas da regio produtora, espcies e cultivares, tratos culturais e fitossanitrios

incorretos. Processos fsicos so estudados e aplicados comercialmente para a conservao

ps-colheita de frutos, tais como: termoterapia, resfriamento, radiao UV-C e a atmosfera

modificada/controlada. Nos ltimos anos, h uma crescente busca por processos alternativos

aos agroqumicos para o controle de doenas ps-colheita (BENATO & CIA, 2009).

11

De acordo com TANAKA (2002), o controle das podrides deve iniciar-se com os

frutos ainda no campo, tendo continuidade durante e aps a colheita. No campo preciso

realizar prticas culturais como, por exemplo, evitar condies de elevada umidade e realizar

a colheita nos perodos mais secos e frescos do dia, evitando ferimentos e manuseio

excessivo. Outras medidas ainda podem ser tomadas, como a eliminao dos restos de cultura.

TANAKA et al. (2005) destacam que o controle qumico, alm de aumentar o custo de

produo, esbarra nas poucas opes de produtos registrados para a cultura e na ineficcia de

muitos princpios ativos.

Aps a colheita, o principal mtodo utilizado para a preservao dos frutos o

armazenamento refrigerado ou convencional, que consiste em controlar a temperatura e a

umidade relativa do ar em cmaras frigorficas. De maneira geral, as condies para a

conservao de morangos so: temperatura de 0 C, com cerca de 90 a 95% de umidade

relativa (LUNARDI et al., 2009; FLORES-CANTILLANO et al., 2003). Entretanto diversos

trabalhos (COSTA, 2009; SILVA et al., 2010; PINELI et al., 2008) vm apresentando bons

resultados, quanto aos atributos de qualidade, utilizando a temperatura de 5 C para a

refrigerao de morangos.

A utilizao de substncias naturais, para induzir resistncia ou controlar diretamente

os fitopatgenos em ps-colheita, um estudo em expanso, e vem apresentando resultados

promissores nos ltimos anos (BENATO, 2003b). Agentes abiticos e biticos podem

desencadear respostas de resistncia induzida em frutas e hortalias. Os elicitores so

classificados como abiticos e biticos, sendo que os biticos podem ser de procedncia dos

microrganismos (elicitor exgeno) ou pode ocorrer na prpria planta (elicitor endgeno).

Quando ativado por elicitores, o metabolismo secundrio das plantas pode sintetizar

fitoalexinas, que so compostos antimicrobianos, de baixa massa molecular, que se acumulam

nas clulas em resposta s infeces (TAIZ & ZEIGER, 2006; PASCHOLATI & LEITE,

1995). Segundo DANNER et al. (2008), o uso de elicitores gera um aumento no teor de

protenas totais, acares totais e redutores, e fenis totais em frutos.

Os mtodos alternativos de controle de doenas ps-colheita, que possuam a

capacidade de induzir respostas de defesa em frutos contra patgenos (compostos naturais,

tratamentos fsicos e biolgicos), tm chamado a ateno dos pesquisadores, pois atendem as

necessidades de diminuio do uso de fungicidas e os requisitos do mercado internacional.

Contudo, apesar da crescente busca por processos alternativos de controle de doenas em ps-

colheita que sejam economicamente viveis, a rea de fitopatologia ps-colheita no Brasil

ainda precisa expandir, buscar informaes e novas tecnologias que possam contribuir para

12

minimizar as perdas e agregar valor aos produtos, aumentando assim a competitividade

(BENATO, 1999; BENATO & CIA, 2009). Vale ressaltar que para o tratamento de doenas

ps-colheita em morango no existem produtos qumicos registrados (Tabela 1) (AGROFIT,

2012).

Tabela 1 - Fungicidas registrados para a aplicao em frutos ps-colheita no Brasil

(AGROFIT, 2012).

Ingrediente

ativo Grupo qumico Frutos

Dicloran Cloroaromtico pssego

Imazalil Imidazole banana, citros, ma, mamo, manga e melo

Iprodione Dicarboximida ma

Tiabendazol Benzimidazole abacate, banana, citros, mamo, manga e melo

Procloraz Imidazolilcarboxamida mamo e manga

Alguns agentes abiticos vm apresentando um bom resultado no controle de doenas

de plantas e induo de resistncia, como o acibenzolar-S-metil (ASM), o AS, o cido -

aminobutrico (BABA), o cido jasmnico, o MeJa e a quitosana (BENATO, 2003a). Estudos

envolvendo tratamento trmico (GARCA et al., 1996), atmosfera controlada (JNIOR,

2011), quitosana (EL GHAOUTH et al., 1991), ultra-som (CAO et al., 2010), aplicao de

resveratrol (ZAICOVSKI et al., 2006; MALGARIM et al., 2006), oznio (PREZ et al.,

1999), luz ultravioleta (TIBOLA et al., 2007), ASM e a protena harpina (TOMAZELI, 2010),

vem demonstrando que so eficientes na preveno de podrides ps-colheita em morangos.

2.4.1 cido saliclico

O AS considerado uma molcula endgena de sinalizao comum em todo o reino

vegetal, pertencente ao grupo dos compostos fenlicos definidos como substncias formadas

por um anel aromtico ligado a um grupo hidroxil ou ao seu derivado funcional (Figura 4)

(KERBAUY, 2004; MTRAUX, 2002; ASGHARI & AGHDAM, 2010). A origem desse

nome est associada a ter sido encontrado na casca de uma rvore do gnero Salix, sendo

distribudo nas plantas, tanto nas folhas, quanto nas estruturas de reproduo (KERBAUY,

2004).

13

Figura 4 - Estrutura qumica do cido saliclico (SOBRINHO et al., 2005).

A biossntese do AS pode ser atravs de duas vias enzimticas diferentes: pela via dos

fenilpropanides, a partir da L-fenilalanina que por ao da enzima fenilalanina-amonialiase

(FAL), convertida em cido trans-cinmico que ir formar o cido benzico e ser

convertido em AS por ao da enzima cido benzico-2-hidroxilase; e pela via do

isicorismato, sendo que o corismato convertido em isocorismato por ao da enzima

isocorismato sintase (ICS) e transforma-se em AS por ao da enzima isocorismato piruvato

liase (IPL). O AS produzido nas plantas pode ser convertido em SA O--glucosdeo (SAG),

saliciloil ster glucosa SEG, metil salicilato (MeSA) e metil salicilato O--glucosdeo

(MeSAG) (Figura 5) (KERBAUY, 2004; SOUZA, 2007; VLOT et al., 2009).

Figura 5 - Esquema simplificado das vias de biossntese do cido saliclico (AS) (PAL

fenilalanina-amonialiase, ICS isocorismato sintase, IPL isocorismato piruvato liase, SEG

saliciloil ster glucosa, SAG SA O--glucosdeo, MeSa metil salicilato, MeSAG metil

salicilato O--glucosdeo) (modificado de VLOT et al., 2009).

14

Segundo SOUZA (2007), estudos indicam que a via dos fenilpropanides est

relacionada com a resposta de hipersensibilidade, atravs da rpida produo de AS, o que

leva a morte celular. J a via do isocorismato atuaria no aumento da sntese de AS,

aumentando assim a resistncia sistmica adquirida e, consequentemente, conferindo maior

resistncia da planta contra o ataque de patgenos.

Em 1874, na Alemanha, iniciou-se a comercializao do AS. Por ser amplamente

utilizado na medicina humana (alvio de dores, prevenindo tromboses cerebrais e acidentes

vasculares), o AS uma molcula bastante conhecida (SOBRINHO et al., 2005).

O estudo do AS teve incio a partir de observaes de um anlogo (aspirina) que

prolongava a vida ps-colheita de flores, possivelmente por interferir na biossntese de etileno

(SOBRINHO et al., 2005). Embora o conhecimento dos diversos efeitos fisiolgicos e

bioqumicos da aplicao de AS em plantas ser antigo, o seu desempenho como regulador

endgeno s foi estabelecido em um estudo de termognese em plantas em 1987 (RASKIN,

1992). O uso de AS no controle de perdas ps-colheita de produtos hortcolas vm sendo

considerado uma alternativa com grande potencial. Recentemente, o estudo do AS tem sido

amplamente explorado, j que uma molcula chave para a expresso de resistncia a

estresses nas plantas, principalmente a estresses abiticos (luz, seca, salinidade, frio, UV e

choque trmico) e ao ataque de patgenos. A ao antifngica do cido tambm vem sendo

descrita (ASGHARI & AGHDAM, 2010).

Os trabalhos envolvendo compostos fenlicos j comprovaram que os mesmos

desempenham papel fundamental na regulao de diversos processos fisiolgicos, dentre eles

o crescimento e desenvolvimento das plantas, a fotossntese e a captao de ons (POPOVA et

al., 1997). De acordo com LEE et al., (1995) e ASGHARI & AGHDAM, (2010), o AS

essencial na regulao das respostas ao estresse e nos processos de desenvolvimento da

planta, provocando efeitos fisiolgicos e bioqumicos, incluindo a induo da florao, a

produo de calor (termognese), a fotossntese, a condutncia estomtica, a transpirao, a

absoro e o transporte de ons (inibio de fosfato e captao de potssio), a germinao de

sementes, a inibio da biossntese / ao do etileno e a resistncia a doenas. O AS pode agir

de modo isolado, associado ou controlar os efeitos de outros hormnios. Os hormnios MeJa

e etileno induzem a ativao gentica de diversas protenas, que por sua vez so inibidas pelo

AS (SOARES & MACHADO, 2007).

O controle de podrides em plantas pode ser realizado por meio de mecanismos de

defesa, conhecidos como resistncia sistmica adquirida (RSA). O mecanismo da RSA inicia-

se no momento da interao planta/patgeno ou do tratamento com fatores abiticos, o

15

mesmo envolve uma cascata de eventos e sinais, que culmina em alteraes no seu

metabolismo celular, bem como na emisso de sinais moleculares dirigidos para outras partes

da planta, promovendo a diminuio da severidade da doena. A planta, ento, sobrevive

infeco e induz uma proteo de longa durao contra um vasto espectro de microrganismos,

pois em resposta distribuio dos sinais, esta seria induzida a sintetizar agentes de defesa,

incluindo as protenas relacionadas patognese (protenas-RP), alm da formao de

barreiras estruturais, como lignificao, papilas e tiloses (FERNANDES et al., 2009;

DURRANT & DONG, 2004; TAIZ & ZEIGER, 2006; RASKIN, 1992). O AS uma

molcula essencial na sinalizao de respostas de resistncia, induzindo a biossntese de

enzimas que atuam na formao de compostos de defesa vegetal, como polifenis, alcalides

e tambm as protenas-RP, principalmente no local da aplicao, contribuindo assim para

conferir resistncia (RASKIN, 1992; ASGHARI & AGHDAM 2010).

O envolvimento do AS na resistncia sistmica adquirida foi evidenciado em 1993, em

plantas de fumo, quando transferiu-se o gene nahG (isolado de Pseudomonas putida), o qual

codifica a enzima, salicilato hidroxilase, que converte o AS em catecol (no possui a

capacidade de induzir respostas de defesa) (CAVALCANTI et al., 2005). De acordo com

ASGHARI & AGHDAM (2010), quando o AS aplicado exogenamente em plantas, induz a

expresso de genes de protenas-RP e tambm confere resistncia contra patgenos. TERRY

& JOYCE (2004) destacam que o AS vem mostrando um aumento na resistncia em vrias

culturas hortcolas, tanto no campo, como em ps-colheita, por exemplo, em kiwi contra o

fungo B. cinerea (POOLE & McLEOD, 1994), em pra contra o patgeno Penicillium

expansum (CAO et al., 2006), em manga contra C. gloeosporioides (ZENG et al., 2006) e em

caqui a diferentes doenas (KHADEMI et al., 2012).

O modelo de ao do AS foi inicialmente baseado na constatao de que este

composto poderia se ligar a enzima catalase (CAT) e inibir a sua ao, o que levaria a um

aumento na concentrao de perxido de hidrognio (H2O2) ou de espcies reativas de

oxignio (ERO) derivadas do H2O2. O H2O2 pode atuar como uma molcula antimicrobiana

contra patgenos, assim como seus derivados que atuam como intermedirios na cascata de

sinalizao para a defesa vegetal (Figura 6) (CIA et al., 2007; SOARES & MACHADO,

2007).

16

Figura 6 - Mecanismo de ao do cido saliclico (SOBRINHO et al., 2005).

Contudo o AS no possui somente a funo de atuar bloqueando a atividade da

catalase, ele pode interferir na atividade da FAL e da peroxidase (POD) que esto envolvidas

no processo de lignificao da parede celular e tambm na atividade da quitinase e -1,3-

glucanase, que promovem a desorganizao da parede celular dos patgenos (CIA et al.,

2007; SOBRINHO et al., 2005; PASCHOLATI & LEITE, 1995), bem como agir direta ou

indiretamente estimulando e/ou inibindo a atividade de enzimas antioxidantes [superxido

desmutase (SOD), CAT e glutationa redutase (GSH), polifenol oxidase (PPO) e ascorbato

peroxidase (APX)] (ASGHARI & AGHDAM, 2010). ZENG et al. (2006) verificaram que

frutos tratados com 1 mM de AS durante 2 min sob baixa presso (- 80 kPa) e por mais 10

min a presso normal, e armazenados a 13 C, apresentaram as atividades de enzimas de

defesa (PAL e -1,3-glucanase) aumentadas e maiores nveis de H2O2 e radicais superxidos

(O2-

), aumentando assim a resistncia de mangas contra a antracnose.

O efeito positivo do AS no controle de podrides tem sido relatado por diversos

autores. De acordo com ZAINURI et al. (2001), a aplicao pr e ps-colheita, 1000 mg/L e

2000 mg/L respectivamente, de AS em mangas diminuiu a severidade da antracnose, causada

pelo fungo C. gloeosporioides, pois promoveu inibio do amadurecimento dos frutos. A

aplicao ps-colheita de 1 mM de AS em mangas promoveu reduo de 37,5% na incidncia

e 20,9% no dimetro das leses de antracnose, segundo ZENG et al. (2006). KHADEMI et al.

(2012) verificaram que caquis cv. Karaj tratados com 2 mM de AS por imerso, durante 10

min. e armazenados sob refrigerao (1 C e 85% UR) apresentaram reduo na incidncia de

doenas ps-colheita. O uso de AS (1, 2 e 4 mM) em morangos cv. Selva reduziu a

17

incidncia de doenas ps-colheita (BABALAR et al., 2007). Outros autores tambm

demonstram resultados positivos no controle das doenas ps-colheita, como em tomate

(MANDAL et al., 2009), cereja (XU & TIAN, 2008) e pssego (ZHANG et al., 2008; YANG

et al., 2011).

Alm de ser um ativador de mecanismos de defesa, o AS tambm pode exercer

atividade antifngica direta in vitro, porm os trabalhos que envolvem a ao direta do AS

sobre microrganismos so limitados (CIA et al., 2007; ANAND et al., 2008). YAO & TIAN

(2005a) observaram que o AS na concentrao de 2 mM foi eficaz na inibio do crescimento

micelial e na germinao de esporos de Monilinia fructicola, quando avaliado in vitro, o que

demonstra a capacidade de fungitoxicidade do AS. Ao testar o efeito do AS na germinao de

esporos de R. stolonifer, ZHANG et al. (2010) constataram que houve reduo de 51,2 e

68,2% na germinao dos esporos nas concentraes de 100 e 1000 g mL-1

, respectivamente.

Contudo, o crescimento micelial do patgeno Alternaria solani no foi inibido quando

exposto ao AS em concentraes que variaram de 0 a 200 M, assim como no houve

inibio do crescimento micelial de P. expansum quando exposto a 2 mM (SPLETZER &

ENYEDI, 1999; XU & TIAN, 2008).

Segundo CIA et al. (2007), o AS apresenta resultados contraditrios para diversos

patgenos e em diferentes frutos, podendo causar fitotoxidade. Portanto, estudos para

constatar a eficcia do tratamento com AS em diferentes culturas e patgenos so de extrema

importncia.

Os processos de amadurecimento e senescncia das frutas so responsveis por

diversas mudanas nos aspectos de qualidade, tais como amolecimento, diminuio na acidez

total, desenvolvimento da cor, produo de aroma e aumento no teor de acares

(CHITARRA & CHITARRA, 2005). O AS, por sua vez, pode promover alteraes nos

atributos de qualidade das frutas. O tratamento pr-colheita de laranjas com AS, aumentou

significativamente o teor de carotenides (licopeno e -caroteno), cido ascrbico, glutationa,

compostos fenlicos totais e flavonides totais na polpa e na casca durante o armazenamento

(HUANG et al., 2008). VALERO et al. (2011) verificaram que a aplicao ps-colheita de AS

(1 mM) em cereja, atrasou o processo de maturao, que se manifesta pela diminuio da

acidez, mudanas de cor e pela perda de firmeza. Entretanto, DING et al. (2007) verificaram

que a aplicao de AS em manga no alterou a firmeza dos frutos, o teor de slidos solveis e

a acidez titulvel. Pssegos tratados com AS e armazenados a 20 C por 7 dias, tambm no

apresentaram efeito negativo sobre os parmetros de qualidade (ZHANG et al., 2008). MO et

18

al. (2008) observaram que o tratamento de mas com AS no reduziu significativamente o

teor de slidos solveis totais.

Mangas armazenadas a 20 C ou a 13 C e imersas em soluo contendo 0.5, 1 e 5

mmol L-1

de AS apresentaram aumento no teor de slidos solveis totais e menor perda de

firmeza, teor de cido ascrbico e acidez titulvel (FONG, 2005). Segundo IMRAN et al.

(2007) o tratamento com AS (0,002 e 0,02 mM) por imerso retardou a senescncia em peras.

BAL & CELIK (2010) afirmaram que o tratamento com AS retardou o amadurecimento de

kiwi, sendo um mtodo eficaz para aumentar a vida de prateleira durante o armazenamento

dos frutos. O AS tem notvel capacidade de manter a qualidade dos frutos durante o perodo

de armazenamento, principalmente controlando a perda de firmeza (TAREEN et al., 2010).

Alm de atuar no controle de doenas e na manuteno da qualidade dos frutos, o AS

pode atuar tambm na reduo da produo autocataltica de etileno e parece diminuir a

produo de etileno causada por estresses, bloqueando a passagem ou evitando o acmulo de

sntese do cido 1-carboxlico-1-aminociclopropano (ACC), como observado em tecidos

feridos de tomate (JOMORI, 2005; KERBAUY, 2004). Segundo BARBALAR et al. (2007), a

produo de etileno em morangos cv. Selva foi reduzida com a aplicao de AS.

Alm de atuar sobre o etileno, tem sido demonstrado que o AS inibe as enzimas que

degradam a parede celular, tais como a poligalacturonase (PG), a lipoxigenase (LOX),

celulase e a pectinametilesterase (PME), levando a uma reduo do processo de amolecimento

de frutos. Os efeitos negativos do AS sobre o ACC, PG, PME, celulose e enzimas

antioxidantes, resultam na reduo da produo e ao do etileno, o que leva a diminuio da

respirao dos frutos (ASGHARI & AGHDAM, 2010). Em um estudo com bananas,

SRIVASTAVA & DWIVEDI (2000) verificaram que o tratamento com AS (500 e 1000 M)

resultou na diminuio da atividade respiratria, bem como no atraso do aparecimento do pico

climatrico, quando comparado com o controle de maneira depende da concentrao.

Alguns estudos mostraram tambm que o AS pode induzir a biossntese de protenas

de choque trmico (HSPs), que conferem proteo contra o estresse trmico. O acmulo de

HSPs permite o armazenamento de frutos em baixas temperaturas sem o desenvolvimento de

dano pelo frio (ASGHARI & AGHDAM, 2010). Foi verificado que a aplicao de AS (1

mM) em melancias promoveu induo de resistncia a danos pelo frio (JING-HUA et al.,

2008). Segundo LIU et al. (2009), aps a pulverizao foliar de AS (1 mM) houve um

aumento na atividade das enzimas POD, SOD e CAT, aumentando assim a resistncia de

plntulas de pepino contra baixa temperatura e intensidade de luz.

19

2.4.2 Metil jasmonato

O MeJa, assim com o cido jasmmico (AJ) e seus derivados, so conhecidos como

jasmonatos, ou seja, uma classe particular de reguladores vegetais que geralmente auxiliam na

defesa de uma planta (TAIZ & ZEIGER, 2006; KERBAUY, 2004).

Em 1962, o MeJa foi descoberto pela primeira vez em plantas, como um composto de

cheiro doce em jasmim, o que deu origem ao seu nome. Por ser voltil, foi isolado a partir do

extrato do leo essencial de ptalas de Jasminum grandiflorum. Inicialmente, foram

realizados apenas estudos focando a sua sntese e estrutura, devido ao interesse da indstria de

perfumes. Somente aps 10 anos a sua atividade biolgica foi relatada, como promotor da

senescncia em plantas de absinto e inibio do crescimento em favas (ROHWER & ERWIN,

2008; SOARES & MACHADO, 2007; AVANCI et al., 2010).

O AJ e o MeJa, so considerados importantes reguladores do desenvolvimento das

plantas, bem como do mecanismo de resposta das plantas a estresses biticos (ataque de

patgenos e pragas) e abiticos (seca, baixa temperatura e salinidade). Devido a capacidade

de difundir-se atravs das membranas e da sua natureza voltil, o MeJa uma molcula de

sinalizao que pode mediar respostas de defesa nas plantas. A presena do MeJa pode

influenciar na germinao de sementes, fertilidade, amadurecimento dos frutos, senescncia,

formao de rgos de armazenamento, florao, regulao da abertura e fechamento de

estmatos e no crescimento radicular (CHEONG & DO CHOI, 2003; ROHWER & ERWIN,

2008; AVANCI et al., 2010; SOBRINHO et al., 2005). Alm disso, pode ser caracterizado

como um regulador chave na resposta da planta a ferimento ou ataque de patgenos e insetos,

pois ativa genes envolvidos com a defesa (JUNIOR, 2009; COUTO, 2006).

Em plantas, o MeJa ocorre naturalmente, sendo sua produo dependente tanto de

estmulos externos como de genes de expresso (COUTO, 2006). A sua resposta fisiolgica

altamente varivel e dependente da sua concentrao, tanto nos tecidos como em meio de

cultura de clulas vegetais. Em concentraes menores (1 10 M), causa induo da

expresso de diversos genes, entre eles os relacionados com a defesa da planta, sem causar

senescncia, j em concentraes maiores (> que 50 M) atua na induo de morte celular,

levando senescncia (SOARES & MACHADO, 2007).

O MeJa uma molcula lipdica com enorme capacidade de regular diversos

processos fisiolgicos; sua biossntese ocorre atravs da via do octadecanide ou via LOX. O

incio desta via ocorre a partir do cido -linolnico (-Lea), presente nas membranas dos

cloroplastos, composto este que semelhante prostaglandina (molcula encontrada em

20

animais que atuam na resposta a estresses, infeco e alergias). A formao de -Lea acontece

devido a estmulos externos, como ferimentos e ataque de patgenos (AVANCI et al., 2010;

JUNIOR, 2009; ROHWER & ERWIN, 2008) .

Aps a formao do cido -linolnico, ocorre a oxigenao do mesmo, numa reao

catalisada pela enzima 13-lipoxigenase (LOX), gerando o cido 13-hidroperoxi-9,11,15-

octadecatrienico (13-HPOT). O cido 13-HPOT oxidado pela enzima chave da via, a

Allene Oxide Synthase (AOS), formando um xido de aleno que instvel, o qual

convertido em 12,13-epoxilinolnico. Subseqentemente no citosol este composto

convertido ao cido 12-oxofitodienico (12-OPDA), atravs da enzima Allene Oxide Cyclase

(AOC). A molcula 12-OPDA a precursora do AJ, e o produto final da via de biossntese

dos jasmonatos que ocorre no cloroplasto. No peroxissomo o cido 12-ODPA, por meio da

ao da enzima OPDA reductase (OPR), sofre uma reduo e aps trs reaes de -

oxidaes, pelas enzimas Acyl-CoA Oxidase (ACX), protena multifuncional (PMF) e Keto-

acyl-CoA thiolase (KAT), formando o AJ (AVANCI et al., 2010; JUNIOR, 2009, COUTO,

2006).

Uma vez formado no peroxissomo, o AJ pode sofrer diferentes converses

metablicas, produzindo assim os seus derivados. O MeJa formado por meio de reaes

catalisadas por metilao, ou seja, por ao da enzima carboxila metil-transferase o AJ

convertido ao voltil MeJa. Acredita-se que esta reao ocorra no citoplasma (AVANCI et al.,

2010; JUNIOR, 2009; CHEONG & DO CHOI, 2003).

A enzima lipoxigenase, que est envolvida na biossntese dos jasmonatos, pode ter sua

atividade induzida com a aplicao de jasmonatos, fazendo com que uma planta que seja

considerada suscetvel, alm de aumentar sua capacidade de produzir outros compostos

lipdicos usados na defesa, suporte melhor o ataque de patgenos (COUTO, 2006).

O MeJa vem sendo muito utilizado pelos pesquisadores, tanto em pr como em ps-

colheita, pois possui ao benfica para manter, prolongar a vida ps-colheita e proteger os

produtos hortcolas contra o desenvolvimento de doenas. Em baixas concentraes, os

jasmonatos so indicados para reduzir as deterioraes que ocorrem nos frutos, bem como

aumentar a resistncia natural contra patgenos (TRIPATHI & DUBEY, 2004; ROHWER &

ERWIN, 2008). A aplicao de MeJa em plantas deve ser feita como gs em meio fechado,

sendo o produto comercial um lquido voltil (ROHWER & ERWIN, 2008).

Alguns trabalhos tm demonstrado que a aplicao exgena de MeJa induz a sntese

e/ou acmulo de protenas antifngicas (defensinas, osmotinas e tioninas), inibidores de

proteinases (PIs), enzimas de sntese de fitoalexinas, a defesa estrutural (presena de pelos,

21

espinhos, tricomas e ceras na superfcie de caules e frutos), vrias protenas relacionadas

patognese (protenas-RP) e a biossntese de flavanides, terpenos e compostos fenlicos

(ROHWER & ERWIN, 2008; DI PIERO et al., 2005; JUNIOR, 2009; COUTO, 2006). CAO

et al. (2008a) postularam que o controle de doenas pelo MeJa pode ser direto, devido ao

efeito inibitrio sobre o crescimento dos patgenos e, indiretamente, pela induo de

resistncia provocada por elevar nveis de H2O2. O tratamento com MeJa tambm pode

influenciar a atividade das enzimas FAL e PPO, aumentar a produo de H2O2 e vem

mostrando efeito positivo na produo de antocianinas em culturas de clulas (SOARES &

MACHADO, 2007; COUTO, 2006).

Em um estudo com C. acutatum (isolado de nsperas) foi observado que o tratamento

com MeJa (10 M) inibiu a germinao de esporos, o crescimento dos tubos germinativos e o

crescimento micelial (CAO et al., 2008a), no entanto, o fungo M. fructicola no apresentou

inibio do crescimento micelial e da germinao com o uso de 0,2 mM de MeJa (YAO &

TIAN, 2005a). Segundo YAO & TIAN (2005b), o MeJa (200 M) promoveu inibio direta

em P. expansum, fungo causador do mofo azul em pssego. ZHU & TIAN (2012) afirmaram