BEACH&COUNTRY 11

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Revista da Marca Artefacto Beach&Contry, life Style e Estilo.

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  • UNIVERSO B&CO PODER DOS CLSSICOS

    MESAFASANO

    BSSOLAA ROTA BORDEAUX-PROVENA

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  • 12 | novembro 2012

    DESTINOS

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    UNIVERSO B&CO PODER DOS CLSSICOS

    MESAFASANO

    BSSOLAA ROTA BORDEAUX-PROVENA

    O clssico de hojeClssico e moderno, ao mesmo tempo. Assim o mundo de hoje, em eterna transformao. Com tudo aquilo de bom que a tradio nos traz, e o update permanente que fazemos para nos manter atualizados, contemporneos. In-clusive na leitura e na informao. Nas prximas pginas, voc vai ler sobre o panorama mixado dos dois estilos e comportamentos que nos cercam. Desde o nosso tema principal da revista Clssicos, clssicos, clssicos! at a hist-ria atualizada de um clssico da gastronomia, da enologia e da hospedagem: a marca Fasano.

    Dos clssicos vinhos das regies de Bordeaux e Provence ao poder da editora de moda Diana Vreeland, uma quase tirana clssica. Do cineasta de cinema Fernando Meirelles, leia-se Cidade de Deus e sua direo de Ralph Fiennes, Jude Law e Anthony Hopkins, celebridades j clssicas da cinematografia mundial, ao leitor compulsivo Pedro Herz. Ele, sim, um clssico da literatura. De Millr Fernandes, humor inteligente, um clssico dos clssicos, aos ref-gios preferidos de Coco Chanel e de Elizabeth Taylor, divas clssicas da moda e do cinema, hspedes clssicas dos hotis Ritz e Plaza Athenee.

    Dos clssicos e modernos rock stars, os Rolling Stones, com 50 anos de car-reira, at os pop stars da nossa arquitetura e decorao: Ana Maria Vieira Santos, Jorge Elias e Selma Tammaro. Eles j se tornaram clssicos, indepen-dentemente de seus estilos, sobre os quais falam com naturalidade, o que os torna sempre atuais.

    Tempos modernos, longe da Antiguidade Clssica, so os que vivemos. Neles, tudo muda com transparncia. Sob o guarda-chuva da empresa-me, a nossa Artefacto B&C tambm evolui e, de forma atual, abre-se ao mercado sem se res-tringir praia e ao campo, mas pensando nos melhores mobilirios e acessrios para transformar sua casa urbana e moderna em um clssico da decorao.

    Pedro TorresSuperintendente Artefacto

    CARTA AO LEITOR

    Fale o que voc achou desta edio: [email protected]

    Galleria Vittorio Emanuele II, situada em Milo, foi construda entre 1865 e 1877, durante a Belle poque. Seu nome uma homenagem ao primeiro rei da Itlia. Foi desenvolvida pelo arquiteto e designer italiano Giuseppe Mengoni. At hoje, sua estrutura incrvel resiste s marcas do tempo e se integra perfeitamente s modernas lojas que abriga em seu interior.

    Nossa capa

  • 16 | novembro 2012

    Albino Bacchi - Fundador ArtefactoDiretoria Artefacto Beach&Country

    Brulio BacchiDiretor-Executivo Artefacto

    Paulo BacchiCEO Internacional Artefacto

    Pedro TorresSuperintendente Artefacto

    Projeto Editorial

    PUBLISHING

    Rua Artur de Azevedo, 560 - Pinheiros - SP - 05404-001 Tel.: (55 11) 2182-9500 - www.j3p.com.br

    Fabio PereiraDiretor de CriaoCesar RodriguesProjeto Gr coDireo de ArteChico Volponi

    Gerente de Custom PublishingPedro Enrike Eleuterio

    Assistente de ArteLuciana Fagundes

    RevisoOsmar Tavares Jr.

    Arte FinalGiuliano PereiraDiretor Responsvel

    JornalistasDebora CarvalhoFelipe Filizola

    La Maria AaroLuiza De AndradePaulo CabralPaulo PereiraRosane AlbinSergio Zobaran

    Fotos Edison GarciaNelson AguilarPaulo Brenta

    Rogrio Cavalcanti

    Meire SilvaCoordenadora de Publicidade

    Edison GarciaProduo Gr caDiego MakulPublicidade

    [email protected] de conta

    Cindy VegaClarice MattielloElisangela Lara

    ColaboradoresAdilson Rocchi, Ailton Alves, Alexandre Lemes, Edison Garcia, Fernando Vello, Meire Silva,

    Mnica Galvani, Talles Lima, Tnia Rodrigues.

    EXPEDIENTE

  • 18 | N ov e m b r o 2 0 1 2

    Novembro 2012 | 33

    MEIRELLES

    FERNANDO

    32 | Novembro 2012

    POR LA MARIA AARO FOTOS DIVULGAO

    24UNIVERSO B&C

    Para ser um clssico necessrio estar atualizado com seu tempo

    34PERFIL

    Fernando Meirelles 360 graus

    66 ARCHITECTURE

    As marcas e os marcos das metrpoles europeias

    56GASTRONOMIA

    Fasano. A alta gastronomia tem nome e sobrenome

    NDICE

    84 LEITURA

    O clssico paulistano Pedro Herz, proprietrio da Livraria Cultura, convida-nos a uma boa leitura

  • EXPERTS44. ANA MARIA V. SANTOS48. JORGE ELIAS52. SELMA TAMMARO

    THE LOOK OF HOME78. WOLFGANG SCHLGEL80. DENISE BARRETO82. IVAN WODZINSKY

    102. HIGHLIGHTS

    destaques

    N ov e m b r o 2 0 1 2 | 19

    130REFGIO

    Por dentro dos hotis Ritz e Plaza

    120MODA

    Diana Vreeland, a jornalista que foi um mito da moda internacional

    114ARTE

    Millr Fernandes poeta, desenhista, ilustrador, humorista e dramaturgo deixa enorme legado

    92BSSOLA

    A deslumbrante rota Bordeaux-Provence

    126ENSAIO

    Rogrio Cavalcanti registra a releitura do clssico pelo estilista

    Rodrigo Rosner

    106DNA

    De gerao para gerao, 50 anos de Rolling Stones

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  • O estilo signifi ca muito mais do que apenas tradio e , de fato, moderno.

    24 | novembro 2012

    C onhecida historicamente por ser a margem menos tra-dicional do Rio Sena em Paris, reduto dos bomios e intelectuais, a Rive Gauche tornou-se famosa por suas lojas depois que Yves Saint Laurent abriu sua primeira boutique em Saint-Germain na dcada de 1960. O estilista, que j havia encantado a sociedade parisiense por quase uma dcada com impecveis roupas de vanguarda, como o smoking feminino e bo-tas acima do joelho, decidiu que o circuito de compras Faubourg Saint-Honor Champs lyses Avenue Montaigne era clssico demais para suas criaes. Saint Laurent j havia despontado em sua carreira, sendo escolhido aos 21 anos para substituir Christian Dior em sua marca homnima. A Maison Dior era, naquele momento, o smbolo mximo do

    bom gosto clssico, enquanto outras centenrias marcas tradicio-nais estavam envelhecendo. Com a abertura da sua marca, Saint

    Laurent trouxe frescor de moda e de atitude, precedendo o adven-to do prt--porter e o surgimento de novas importantes casas de moda na cidade-luz. Passado mais de meia dcada da abertura da boutique YSL

    Rive Gauche, a margem esquerda do Sena faz hoje parte ofi cial do circuito de compras de Paris, hospedando lojas repaginadas das grandes grifes em seus quarteires. Um timo exemplo a loja da Herms na rue de Sevres. Projetado pela arquiteta e designer Rena Dumas, o espao misto de loja de roupas e acessrios para casa, fl oricultura e livraria leva seus visitantes a interagirem com os clssicos e desejados objetos expostos venda, como em uma deslumbrante instalao de arte. A lio aprendida por Herms e seus concorrentes que para ser um eterno clssico necessrio estar atualizado com o seu tempo, caso contrrio tornar-se- antigo e obsoleto. >>

    por FELIPE FILIZOLA FoToS ACERVO

    DESTINOS

  • 3.

    Na pgina ao lado,

    Yves Saint Laurent em entrevista na dcada de 1960.1. Um dos clssicos looks de Saint Laurent.Nesta pgina:

    2. Loja da Herms na rue de Sevres, projetada pela arquiteta e designer Rena Dumas.

    3. YSL Rive Gauche, margem esquerda do Sena.

    UNIVERSO B&C

    1.

    2.

  • Obras de artistas do periodo RenascentistaSandro Botticelli:

    1. O Nascimento de Vnus,1483.Michelangelo:

    2. Pintura em teto da igreja, no Vaticano, Roma, Itlia.

    3. A esttua de David, Itlia.4. "Sagrada Famlia". Reproduo

    da Enciclopdia ilustrada,galerias de arte da Europa, Parceria M. O. Lobo, St. Petersburg - Moscou, Rssia, 1901.

    Na outra pgina:

    5. Daniel Defoe (1659-1731). Gravado por J. Thomson e publicado em A Galeria de Retratos enciclopdia, Reino Unido, 1834.

    6. Ludwig van Beethoven - Foto de livros Lxico Meyers escritos em lngua alem. Coleo de 21 volumes publicados entre 1905 e 1909.

    7. Jonathan Swift (1667-1745) Gravado por W.Holl e publicado na galeria de retratos com Memrias enciclopdia, Reino Unido, 1833.

    26 | novembro 2012

    O Clssico na horadas mudanasSe para a moda as linhas entre clssico, velho, vanguardista e moderno so muito tnues, dada a velocidade de lanamentos de novas colees; para as artes, essas barreiras so um pouco mais concretas. O uso da nomenclatura Clssica ou do perodo Classicista da Idade Moderna toma como padro de excelncia a pureza formal, o equilbrio e o rigor da Antiguidade Clssica. Essa busca por referncias clssicas greco-romanas aparece nos movimentos Renascentistas e Neoclassicistas entre os sculos XV e XVIII. Durante o Renascimento, com a formao das primeiras cidades ps-feudais e nova so-

    ciedade econmica, ocorreram muitos efeitos nas artes, fi losofi a e cincias, trazendo o ser humano de volta ao foco das atenes como na Grcia Antiga. Esse perodo de efervescncia cultural presenciou a passagem de alguns dos mais importantes artistas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Botticelli. A representatividade das obras desses artistas se d por suas tcnicas, qualidade e expresso atemporal do retrato de uma poca, tornando-se ento obras clssicas, alm de classicistas.

    UNIVERSO B&C

    2.

    1.

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    4.

  • novembro 2012 | 27

    O perodo Neoclssico, por sua vez, buscava no passado de Plato os princpios de moderao, equilbrio e idealismo como uma reao contra os excessos decorativistas e dramti-cos do Rococ e Barroco. Essa quebra, logo aps a Revoluo Francesa, representava o incio de uma nova era, que inclua o primeiro Cdigo Civil do mundo, a primeira separao en-tre Igreja e Estado na Idade Moderna e o estabelecimento de um plano de educao pblica para os cidados do Imprio Napolenico. Obviamente, mais uma vez as artes acompanha-ram essa mudana no pensamento e exprimiam a nova reali-dade da poca. Nesse momento, a msica expressou bem a transio por

    meio da simplificao de estruturas barrocas e com o uso me-nos exacerbado de dissonncia e do rudo. O austraco Mozart e o alemo Ludwig Van Beethoven deram forma definitiva s so-natas, concertos e sinfonias consideradas hoje as representan-tes da msica clssica. Na literatura, essa democratizao do co-nhecimento se revelou com autores buscando se expressar de maneira mais fcil e objetiva aos seus leitores, trazendo temas tambm mais corriqueiros do dia a dia. nessa poca em que so escritos Robinson Cruso, de Daniel Defoe, e As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, alm dos textos de Montesquieu e Voltaire sobre a vida cotidiana. >>

    5. 6.

    7.

  • Pintura, Les Demoiselles dAvignon, de Pablo Picasso

    28 | novembro 2012

    Clssicos ModernosMuitas das obras-primas que temos hoje surgiram nes-ses dois perodos histricos, pois foram feitas de manei-ras inditas at aquele momento, atemporais por sua expressividade e qualidade nicas. So, portanto, obras clssicas, extrapolando o tempo e o fascnio causado, tornando-se objeto de consulta para geraes futuras. muito importante lembrarmos que peas consideradas referncias clssicas hoje em dia j representaram a van-

    guarda de outrora. A pintura Les Demoiselles dAvignon de Picas-so e o livro 120 Dias de Sodoma de Sade quebraram, cada um a sua maneira, uma linearidade de pensamento e fi losofi a da poca e, por isso, foram considerados modernos. Inclusive, o mundo le-vou algum tempo at reconhec-las como algo valioso. Se por um lado se tornaram clssicos por sobreviverem sua poca, por ou-tro, como escreveu o crtico americano Ezra Pound, so clssicos porque so modernos em qualquer poca. >>

    UNIVERSO B&C

  • novembro 2012 | 29novembro 2012 | 29

    SO CLSSICOS PORQUE SO MODERNOS EM QUALQUER POCA. EZRA WESTON LOOMIS POUND,(Hailey, 30 de novembro de 1885 Veneza, 1 de novembro de 1972), poeta, msico e crtico literrio americano.

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    30 | novembro 2012

    Dentro dessa linha de pensamento, temos tambm como exemplo a escola alem Bauhaus de arquitetura e design. O legado modernis-ta da era pr-guerra deixado por ela inclui hoje clssicos da decora-o como a cadeira Wassily cujo nome referencia o artista abstrato russo Wassily Kandinsky , de Marcel Breuer, e a poltrona e banque-ta Barcelona, de Mies Van Der Rohe, objetos de desejo atemporais. Apartamentos de Nova York a Shanghai, casas de Belo Horizonte a Budapeste e townhouses em Londres e Paris possuem esses mesmos icnicos mveis.E assim voltamos a Paris do comeo do texto, e vemos que mes-

    mo com a novidade e efervescncia cultural da margem esquerda do Sena, a oposta Rive Droite e seus imponentes e lindos prdios no en-velheceram. Continuam absolutamente clssicos e modernos.

    Cadeira Wassily

    Artista russo Wassily Kandinsky

    Poltrona Barcelona

    Arquiteto alemo, Mies van der Rohe

    UNIVERSO B&C

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  • 34 | novembro 201234 | Novembro 2012

    PERFIL

  • Novembro 2012 | 35

    MEIRELLES

    FERNANDO

    por LA MARIA AARO FoToS DIVULGAO

  • 36 | novembro 201236 | Novembro 2012

    Fernando Meirelles, paulistano de 57 anos, nosso ci-neasta carismtico, humilde e diligente, sempre foi chegado a um clssico. Adora Shakespeare e devora a boa literatura fi co empolgado com ela, costuma dizer. Ficou fascinado ao ler Cidade de Deus, livro de referncia do brasileiro Paulo Lins. Quando conheceu Ensaio sobre a Cegueira outro clssico , do portu-gus Jos Saramago, apaixonou-se por essa histria da misria humana. Tomou-se de amores pelo livro O Jar-dineiro Fiel, de John le Carr, mestre da literatura in-glesa clssica de espionagem, e, agora, ainda este ano, comea as fi lmagens de uma histria com o nome da deusa Nmesis. a biografi a de Aristteles Onassis, baseada no livro do americano Peter Adams, outra his-tria mitolgica clssica, de dio, vingana e castigo.

    Um caminho de clssicosFilmando os trs primeiros ttulos, Meirelles ganhou fama internacional, uma grande plateia e o respeito da crtica. Foi indicado para quatro oscars, dez anos atrs, com Cidade de Deus (fi lme codirigido por Katia Lund),

    e terminou ele prprio se tornando um clssico do ci-nema brasileiro moderno.Este ano, persistindo na sua trilha pontuada de

    clssicos, o scio-fundador de uma das cinco mais infl uentes produtoras de fi lmes do mundo, a O2, que se encontra na companhia das clebres produtoras Belladonna, de Nova Iorque, e da Film 4, de Londres, o diretor estreou o fi lme 360. Segundo ele, um fi lme pequenininho (custou 15 milhes de dlares), inspi-rado (novamente) num dos mais destacados clssicos alemes: a pea Reigen, de Arthur Schnitzler, a mesma que outro diretor do cinema clssico, Max Ophuls, j havia fi lmado, e A Ronda. Fecha-se assim um ciclo do artista que gosta de dar

    este conselho aos que esto comeando: Sonhem, acreditem e realizem que a recompensa vir. Algum que pretende ter a conscincia exata do seu tamanho: No sei se tenho estofo para ser um grande cineasta, ele declara, nas entrevistas. Fiz apenas um fi lme que deu certo e acabou abrindo muitas portas nas quais, na verdade, nunca fui bater. >>

    1

    PERFIL

  • novembro 2012 | 37

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    1. Fernando filmando O Jardineiro Fiel, de 2005, com a atriz inglesa Rachel Weisz e o ator Ralph Fiennes.

    2, 3 e 4. O filme Cidade de Deus, de 2002, foi o passaporte de Fernando Meirelles para o mercado do cinema internacional.

  • Elenco de Ensaio sobre a Cegueira, na Marginal Pinheiros, ao fundo a ponte Estaiada, em So Paulo.

    PERFIL

  • novembro 2012 | 39

  • 40 | novembro 2012

    A Crtica Boa PerigosaMenino nascido no Alto de Pinheiros, de famlia de classe mdia culta, numa poca em que a regio ainda era rural e parecia ci-dade do interior (os pais compravam o leite da casa num curral prximo), Fernando estudou no Colgio Santa Cruz e, depois, foi para a USP. Em casa, o pai, mdico, costumava fazer fi lminhos ca-seiros, os quais o interessavam muito. Mas tambm era encantado pela cidade; e, por isso, escolheu estudar Arquitetura e Urbanis-mo. Queria recuperar galpes abandonados e lindos e fazer pro-jetos de transferncias urbanas. No chegou a realiz-los porque, depois de formado, comeou a trabalhar para a televiso com a clssica mxima de uma ideia na cabea e uma cmera na mo. Trabalhou durante dez anos em fi lmes de publicidade e para

    a TV, dentre outros, fez o consagrado programa R-Tim-Bum e criou sua primeira produtora, a Olhar Eletrnico. Hoje, na empre-sa atual, a O2, fundada h 30 anos, seus scios so o amigo Paulo Morelli e Andrea Barata Ribeiro ela, considerada uma das pro-dutoras de entretenimento mais infl uentes do mundo.

    Depois da fama e do grande sucesso meditico, Fernando no adquiriu os cacoetes das celebridades, detestando inclusive a fase de promoo de seus fi lmes. Queria ter um avatar, declara sempre, um ator que eu pudesse treinar para ir s entrevistas. Ele como Jorge Lus Borges, o escritor argentino, que dizia: A gente publica um livro para se livrar dele. Fernando tambm ga-rante que adora se livrar dos seus fi lmes. Sobre a sua paixo por Shakespeare, vai longe e ousa dizer que nem Freud compreen-deu os homens como ele. A respeito da crtica e dos crticos, enftico: Quando ela dura, violenta e at, muitas vezes, perver-sa, tira toda a razo de quem a faz, por mais que o crtico esteja certo. Mas a boa crtica pior ainda perigosa e destrutiva.Para Meirelles, a produo de fi lmes como 360 e Nmesis, de

    capital globalizado, exige um esforo de logstica fi nanceira com-plexo. Os fi lmes se fazem com o chamado soft money, dinheiro subsidiado para projetos culturais a BBC, entre eles e de inves-tidores individuais. >>

    O cineasta com a atriz Julianne Moore e o ator Mark Ruffalo nas filmagens de Ensaio sobre a Cegueira, no centro de So Paulo , de 2008.

    PERFIL

  • novembro 2012 | 41

    Cinema, um bom NegcioCinema um negcio de risco. Mas quem sabe fa-zer no perde dinheiro. Como no caso do experien-te investidor grego de Nmesis, Emmanuel Micha-el, proprietrio da Unison Films. Ele aplicou US$ 5 milhes na produo que est comeando agora, na Crocia. Filmar fcil, conclui Fernando. Negociar que complicado. Na viso de Meirelles, Onassis um personagem interessantssimo, um gngster que precisava odiar para produzir. Sempre encon-trava uma vtima e trabalhava para destru-la. Toda a sua energia era concentrada em destruir alguma coisa ou algum. J 360, para ele, no um fi lme com uma grande mensagem. sobre relacionamen-tos. Os personagens so pessoas corretas, bons pais, bons maridos, que querem fazer as coisas di-reito, mas nem sempre conseguem. H sempre uma coisa dentro da gente que nos joga para outro lado. O fi lme sobre pessoas lutando contra si mesmas. Ou pessoas tentando fi car melhores, como anotou o crtico de cinema Luiz Gallego.Quando perguntam ao cineasta se no se intimi-

    da dirigindo atores de peso, estrelas como Anthony Hopkins, Jude Law, Ralph Fiennes ou Rachel Weisz, ele faz piada. s vezes, fi co me perguntando onde fui amarrar meu cavalo e se no fui longe demais. Mas a j tarde para voltar atrs e sumir.

    1

    2

    1. O excelente ator Ben Foster trabalha no mais recente filme de Meirelles, 360.

    2. O ator Jude Law e ( mais uma vez) Rachel Weisz esto no elenco do filme de histrias curtas, 360.

  • 42 | novembro 2012

    Um Outro MundoNo ano passado, uma jornalista perguntou a Meirelles se algum dia imaginou que chegaria to longe. No foi uma coisa plane-jada nem desejada. Cidade de Deus um bom fi lme. Antes dele, eu j tinha feito, durante mais de dez anos, cinema publicitrio e televiso. Tinha aprendido uns truquezinhos, ele respondeu, fa-zendo graa. Mas, generoso, reconhece a qualidade do seu time. Trabalhei com muita gente e fui agrupando os melhores; para mim, a equipe com quem eu fi lmava era a melhor do Brasil. Os cineastas Rogrio Sganzerla e Jlio Bressane so suas fon-

    tes de inspirao criativa. Quando fala sobre o cinema de Glauber Rocha, ele costuma ser cauteloso. As vivas de Glauber so mui-to agressivas. Os fi lmes dele tm tanta energia que impossvel assistir sem se sentir tocado. Mas no a minha praia.

    Meirelles tambm exercita o seu lado jardineiro quando esca-pole para a fazenda da famlia, no interior de So Paulo, na re-gio de Franca e Ribeiro Preto. Ento, enche a sua caminhonete de mudas que ele mesmo cultiva. o contraponto a uma rotina exaustiva de voos e viagens sucessivas. Na fazenda, dentre outras espcies, cultiva a madeira teca, uma rvore de origem asitica usada com frequncia pelos escandinavos na fabricao de m-veis. Isso me d um enorme prazer. Entro num outro mundo. O mundo masculino do homem comum, discreto e sensvel,

    que ele sabe mostrar to bem nos personagens construdos pelas estrelas que dirigiu: Ralph Fiennes, Jude Law e Hopkins. Mas bem diferente do Onassis que ele pretende ver encarnado no ator que-ridinho do cinema atual, Michael Fassbender.

    3. Anthony Hopkins foi dirigido por Fernando Meirelles em 360, produo deste ano

    PERFIL

  • Coleo WasilyO tapete que veste seu mundo

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  • O DIA EM QUE O CONTEMPORNEO VIROU UM CLSSICO

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  • A na Maria Vieira Santos uma apaixonada pelo que faz. Workaholic assumida, tem nos projetos de suas prprias casas o me-lhor carto de visitas para seus clientes empresrios, advogados e banqueiros, altos executivos da rea fi -nanceira e grandes amigos. E recebe como ningum em suas residncias monumentais: a urbana, em So Paulo, cidade que adotou quando se casou, a de Ipo-ranga, praia do Litoral Norte do estado, e a do condo-mnio Quinta da Baroneza, em Bragana Paulista. Em seu escritrio na capital, prximo ao Jockey Club, no bairro Cidade Jardim, comanda uma equipe ensaiada e afi nada de jovens arquitetos que a trata com respeito. D. Ana concentra os projetos em sua mente e no estilo que a consagrou: uma arquitetura brasileira e contempornea que faz do resultado de seu trabalho um clssico o qual se estende, com o mesmo clima, para o mobilirio , e se desenvolve em diversos estados do pas, tanto nas capitais, alm de So Paulo (especialmente Rio de Janei-ro, Curitiba e Porto Alegre), quanto fora daqui, principal-mente, nos Estados Unidos, em Nova York, para onde faz ponte-area durante todo o ano, em funo de seus inmeros clientes por l.Adepta incondicional da madeira que trabalha muito

    bem, das pedras nobres, do tijolo aparente, e dos gran-des panos de vidro, da boa iluminao natural, da gua, muita gua em seus espelhos e piscinas, e da permis-so que a natureza entre em casa, ela completa, Ana se orgulha de suas casas invariavelmente com p-direito muito alto, entre 3,80 m e 5,50 m. Hoje meu trabalho se concentra mais na arquitetura em si e na arquite-tura de interiores o escritrio cresceu e a decorao vem como complemento, explica. Como estilo, reitera

    que a base contempornea, com detalhes modernos e clssicos: a fuso dos dois. E Ana conta como co-meou: No neoclssico, e fui limpando, limpando, at chegar ao contemporneo. Ela tem uma certeza, hoje: Certas coisas no se planejam, simplesmente aconte-cem. que, com o tempo, vamos fi cando mais crticos, mais exigentes. Por isso, pesquiso muito, estudo, pres-to ateno em tudo o que vejo, deletando o que ruim e acrescentando o que bom. E admite no ter chega-do perfeio: Ela no existe em ningum!.O olhar aguado, e h trs anos pratica compul-

    sivamente a fotografi a, da natureza a uma vitrine, em qualquer lugar do mundo onde v, com resultados to

    surpreendentes que encan-tam seus clientes, hoje adep-tos desta sua arte tambm nas paredes de suas casas. A bus-ca constante da beleza passa pelos mveis, naturalmente: No incio (da carreira dela) faltavam alguns itens bsicos no mercado, como mesas de centro e laterais, aparadores e sofa tables, relembra Ana, que encontra na Artefacto B&C esta famlia completa de produtos, e mais os bancos e

    as cadeiras, especialmente em seu lado mais rstico, e as fi bras naturais, o que ela mais aprecia na empresa. Na sua decorao, que prev muito uso de espelhos, para ampliar, alm de objetos em vidro e muitas velas, surgem os nichos nas paredes (e a ela pede licena para contar como eles surgiram: do pedido de uma cliente que no queria arte nas paredes, ao contrrio de Ana, que teve que descobrir elementos para reco-bri-las). E estes elementos, marcantes em seus projetos, podem aparecer nas casas de campo ou de praia, indis-tintamente. Alis, neste quesito, o corao desta minei-ra no balana: Entre praia e campo, fi co com os dois. E assim garimpa na B&C muitas de suas escolhas. >>

    PESQUISO MUITO, ESTUDO, PRESTO ATENO EM TUDO O QUE VEJO, DELETANDO O QUE RUIM E ACRESCENTANDO O QUE BOM

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    por SERGIO ZOBARAN FoToS NELSON AGUILAR

    EXPERTS

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    01. Banco Eterny

    02. Cadeira Da Vinci

    03. Aparador Chade

    04. Abajur Liv

    05. Sof Stampa

    indicaANA MARIA V. SANTOS

    01. Banco Eterny

    02. Cadeira Da Vinci

    03. Aparador Chade

    04. Abajur Liv

    Sof Stampa

    indicaANA MARIA V. SANTOS

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    EXPERTS

  • Adolfo Leirner Alfredo de Stefano Andrea Micheli Andreas Heiniger Araqum Alcntara Bob Wolfenson Bruno Barbey Cliff WattsDimitri Lee Elliott Erwitt Kevin Erskine Julio LandmannMio Nakamura Paolo Pellegrin Paolo VenturaPedro MartinelliRicardo van Steen Simon Roberts Steve McCurry Thomas HoepkerVania Toledo William Miller Zak Powers

    Galeria de Babel - Latin AmericaRua Paes de Araujo 77 / SL 5Itaim Bibi CEP 04531-090So Paulo - SP - Brasil+ 55 11 3825 0507

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  • 48 | novembro 2012

  • O arquiteto paulista Jorge Elias defende seu eterno estilo urbano e para l de sofi sti-cado, que adapta s casas de praia, de campo e fazendas. Afi nal, ele um clssico sim, mas com bossa. Trabalho de acordo com o uso da casa, diz Jorge, autor de projetos palacianos que o tornaram conhecido como um dos preferidos da elite paulistana e de outros estados e pases, como os EUA, onde hoje est executando quatro apartamentos, todos localizados em Nova York. Suas prprias residncias, no Brasil e no exterior, so publicadas nos maiores ttulos internacionais de decorao, como a Elle a Elle Dcor norte-americana e as diversas edies internacionais das revistas AD-Architectural Digest, entre outras.Para Jorge, que est cercado de preciosidades antigas dos quatro ltimos sculos, pelo me-

    nos em seu escritrio localizado numa casa que parece uma vila romana, nos Jardins, em So Paulo, o exemplo vem de muita pesquisa, viagens, busca diria em leiles pelo mundo e de casa mesmo. Minha casa no Guaruj tem um toque brasileiro, portugus, indo-rabe, enfi m extico. Para quem no trabalha porque no acredita com tendncias, o mundo est voltando ao clssico, porque as pessoas querem a tradio e a elegncia, e um estilo assim se encaixa muito bem. E como ele se caracteriza? Pelos lambris, boiseries, mveis de poca, tapetes mas hoje, tudo com bossa!

    Barroco em altaElias garante que o estilo Barroco, que ele tanto pratica, est absolutamente em voga, assim como o colonial brasileiro em suas boas peas: Sempre com muitssima qualidade. Mas ele mistura estas peas com arte contempornea, mveis de junco e bambu, numa jogada de des-contrao, como denomina. E por isso to procurado tambm por jovens clientes, que enten-dem este mix chique. Clssica no casa de velho, pois nos tecidos, nas cortinas, nas gravuras e at nos tapetes divertidos, a gente faz a coisa fi car bacana, conclui. Para Jorge, a base o clssi-co, e cabe at uma mesa de acrlico para modernizar, o ferro, materiais diferentes, o inesperado. E sugere que, por exemplo, utilizem-se tapearias ao invs de telas de grandes artistas plsticos, pois mesmo este tipo de arte pode ser considerado um toque de modernidade no ambiente. Na iluminao, ele prefere lustres e abajures, mas sempre entra com um spot, um foco naquilo que quer destacar. E tudo de Jorge , na verdade, um destaque. Na B&C, Jorge opta pelas fi bras que, repete, uso sempre, e aposta nas peas mais clssicas. Como ele, que j assinou at um verdadeiro pagode chins como uma das vitrines mais comentadas da loja Artefacto, na Rua Haddock Lobo, sede da marca, em So Paulo. >>

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    CLSSICO COM BOSSA

    por SERGIO ZOBARAN FoToS NELSON AGUILAR

    EXPERTS

  • indicaindicaJORGE ELIAS

    01. Bu et Tehran

    02. Estante Nyang Alta

    03. Cadeira Abigail

    04. Aparador Livima

    05. Banco Mihrab

    06. Mesa Bar Jolie

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  • 52 | novembro 2012

  • Adepta total das cores, do verde-limo ao tomate, passando pelos tons de azul e da fi losofi a de Leonardo da Vinci, que afi rmava que o ltimo grau de sofi sticao a simplicidade , Selma Tammaro vai do rstico praiano ao luxo na cidade, com seu olhar contemporneo e colorido.Meu estilo descontrado foi criado na praia, diz Selma, arquiteta, designer de interiores e

    paisagista mas isso apenas no incio da carreira, nos anos 1980. E tudo comeou no Litoral Norte de So Paulo. Em Tabatinga, onde parte para sua terceira casa (sou nmade), Juquehy e Maresias. Era tudo bege, e constru uma casa azul turquesa por fora e nos detalhes de den-tro. E assim j dava o tom de seu trabalho: p-direito sempre muito alto (o de sua casa atual tem 8,20 m), grandes vidros trazendo luz natural e a paisagem para dentro de casa: a praia solar!. Entre idas e vindas, j que imigrou para o Canad com a famlia neste meio tempo, e l se habilitou em construo, Selma desenvolve tambm projetos de residncias urbanas e escritrios, mas tem forte atuao mesmo em casas de alto padro na praia que ama. Nelas, a integrao entre as reas sociais internas e o exterior o pedido que mais tem. Passo o conceito ao cliente, dentro do possvel e para a casa no fi car parecida comigo, e tenho bas-tante cuidado. Procuro orientar quem me contrata sem impor minha opinio, pois a casa no minha e quem vai morar l no sou eu. Selma s no mora por mais dias da semana no litoral, o que sempre foi seu sonho, porque na capital o trabalho a chama. Mas relembra este momento de mudana p na areia, dizendo que as residncias que surgiam, ento, pediam uma decorao confortvel e de qualidade: Mas aquele ar de sofi sticao tinha que existir. Por outro lado, os ambientes eram muito grandes e se misturavam com a paisagem: ora com a imensido do mar, ora das montanhas, e eu precisava de mveis que fossem proporcionais a este conjunto e, ao mesmo tempo, descontrados.Mas afi nal, Selma: praia, cidade ou campo? Ela explica que, na cidade, o trabalho mais sofi s-

    ticado, podendo ser utilizados mais mveis e objetos. E que no campo o clima mais austero. Minha paixo pela arquitetura, e a decorao uma consequncia, no meu caso. Na ambien-tao urbana, Selma prefere cores mais clssicas, ou vibrantes se for um jovem, e, neste caso, aposta no vermelho, no amarelo, no verde, no turquesa e at no lils. No off -white e no concreto claro, nos linhos dos sofs de linhas retas, como as mesas de jantar, clssicos tambm neutros e eternos. Mas so as pessoas que do vida ao projeto. >>

    SELMA TAMMARO

    TODOS OS TONS:A PRAIA DE

    por SERGIO ZOBARAN FoToS NELSON AGUILAR

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    EXPERTS

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    indicaindicaSELMA TAMMARO

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    01. Chaise Longue Agoy II

    02. Mesa Lateral Lake

    03. Poltrona Kilwa

    04. Poltrona Mars Black

    05. Mesa de Jantar Sun

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    EXPERTS

  • novembro 2012 | 55

  • NOME E SOBRENOMEDA ALTA GASTRONOMIA

    FASANO:

    Em 1902, nasce o embrio do imprio gastronmico erguido pela italiana famlia Fasano; conhea alguns bastidores do restaurante que virou sinnimo de qualidade desde sua abertura, nos anos 80, em So Paulo. >>

    por LUIZA DE ANDRADE FOTOS PAULO BRENTA

    GASTRONOMIA

  • Ambiente do restaurante Fasano, localizado no trreo do hotel homnimo, nos Jardins.

  • O restaurateur Rogrio Fasano, que assumiu os negcios do grupo no comeo dos anos 80

    C erta vez, l nos anos 90, Rogrio Fasano, um dos mais respeitados restaurateurs do Brasil, foi detido no aeroporto internacional de Guarulhos. Trazia a tiracolo uma mala abarrotada de alcachofras. Eram as mais famosas alcachofras do mundo, as castraure, cultivadas em uma ilha minscula a vinte mi-nutos de Veneza, na Itlia. Colhidas somente na primavera, tm alto teor de enxofre o que lhe confere sabor nico. Rogrio Fasano estava cansado de saber: no se entra no pas com nenhum derivado animal ou vegetal sem autorizao do Ministrio da Agricultura. Foi pego na alfndega, toda a mercadoria foi confi scada e incine-rada. Naqueles tempos, vivia-se com difi culdades para manter um restaurante como o Fasano, em So Paulo. O restaurateur contava at com o favor de amigos, que traziam isso e aquilo na mala quando voltavam da Itlia. E assim abastecia um dos mais tradicionais restaurantes de So Paulo, com produtos da melhor procedncia. Pois o restaurante Fasano virou sinnimo de qualidade na cidade. No de repente. Ele surgiu de um imprio

    que comeou a ganhar forma em 1902, quando Vittorio Fasano, um italiano de Milo, abriu o primeiro restau-rante do grupo, a confeitaria Brasserie Paulista, na praa Antnio Prado, no centro de So Paulo. A histria da famlia Fasano se desdobrou pelos anos. Comeou com o bisav de Rogrio em 1902, passou para o av, Rugge-ro, em 1952, depois para ele, em 1982. Hoje, so 12 restaurantes do grupo (So Paulo, Rio de Janeiro e Braslia), quatro hotis (So Paulo, Rio de Janeiro, Porto Feliz e Punta del Este) e dois bares (So Paulo e Rio de Janeiro), um buf e uma casa de eventos. Mas no Fasano dos Jardins, alojado no principal hotel do grupo, que esto resguardados os traos mais tradicionais.

    GASTRONOMIA

  • As mesas so decoradas com miniorqudeas, guardanapos de linho e taas de cristal

    Ali o servio segue moda antiga, de um profi ssionalismo raro de alcanar. Garons alinhados circulam deli-cadamente pelo salo, aproximam-se discretamente dos clientes e no marcam bobeira. Toalhas brancas sobre as mesas, cadeiras almofadadas e confortveis, taas de cristal, talheres de prata, guardanapos de linho, arranjos de orqudeas. Tudo perfeio. No toa que se ouve por a que o Fasano uma escola. So profi ssionais pin-ados de restaurantes na Itlia. Grandes chefs italianos que, alis, j tm certo receio quando Rogrio aparece: alguns de seus funcionrios podem receber uma proposta para trabalhar no Brasil. E l se vo. Dentro do restaurante, em So Paulo, a exigncia mxima para que se tornem os melhores seja no salo,

    na cozinha ou no servio de vinhos. So escalados de tal forma que possam crescer em suas carreiras l dentro. Muitos se aperfeioam, ganham confi ana e saem dali para tocar negcios prprios. Esse costume j virou cclico em So Paulo. Junto, vem a fama dos bons profi ssionais. A maioria abriu restaurantes que seguem pa-dro semelhante de servio, servem receitas caprichadas, levadas excelncia, sempre algo que esbarra nos clssicos herdados das cozinhas italianas. So casos assim restaurantes como Piselli, Tre Bicchieri e Aguzzo. >>

  • O chef italiano Luca Gozzani, na cozinha do restaurante Fasano.

    GASTRONOMIA

  • Tartar de atum e bottarga (ovas de tainha salgada e seca)

    com iogurte.

    novembro 2012 | 61

    COZINHANas panelas, Rogrio Fasano tambm quer tradio. Avesso aos modernismos da cozinha vanguardista espanhola, enca-beada pelo catalo Ferran Adri que fez tcnicas como as esferifi caes e as espumas feitas em sifo, por exemplo, se espalharem pelo mundo , o que ele busca uma cozinha italiana de base clssica. Quem o ajudou a construir e fortalecer esse conceito nos bastidores foi o consagrado chef Salvatore Loi, que deixou a casa recentemente, depois de 13 anos no comando da operao gastronmica do grupo inclusive em seus braos fora de So Paulo. Mas ali permanecem as mes-mas receitas que ajudaram a fazer a fama: o risoto de feijo com linguia toscana e vinho tinto, e o cordeiro desossado ao forno. Ficaro mantidos tambm os cardpios sazonais que levam ingredientes como as trufas dAlba trazidas da Itlia. Na ala de uma, digamos, Itlia marinha, ganha ateno mais profunda com a chegada do novo chef, o italiano Luca

    Gozzani, que foi trazido do Fasano Al Mar, do Rio de Janeiro. Os pratos so fresqussimos a ponto de lagostins e la-gostas serem pinados de um aqurio prprio do restaurante, que fi ca alojado nos bastidores. Com os novos ares de Gozzani, surgem tambm receitas como o peixe vermelho em crosta de po de miga com tomate seco e pur de batata e o linguini com bottarga (ovas de tainha secas) e anchova. >>

  • 62 | novembro 201262 | Novembro 2012

    VINHONa retaguarda, uma equipe de profi ssionais experientes faz o servio de vinho. Esto orquestrados pelo respeitado Manoel Beato, um dos mais importantes sommeliers do pas. A carta, muito bem organizada, traz longa relao de rtulos, na qual constam produtor, regio e safra. So garrafas de pases como Frana, Alemanha, Espanha, Itlia, frica do Sul, Argentina e Chile, entre outros, acondicionadas adequadamente em adega climatizada. mesa, o servio se mostra impecvel e sela a experincia num dos mais tradicionais restaurantes de So Paulo. >>

    GASTRONOMIA

  • novembro 2012 | 63

    Rtulos de vinhos da adega climatizada do restaurante, sob o comando do sommelier Manoel Beato.

  • Mais que um interruptor, um item de design.

    Unica: uma srie de combinaes entre cores e acabamentos.

    Unica Top

    2012 Schneider Electric. All Rights Reserved. Schneider Electric and Unica are trademarks owned by Schneider Electric Industries S.A.S. or its affiliated companies www.schneider-electric.com 998-3643_BR

    Cansado daquele mesmo interruptor branco clssico? Disponvel em uma srie de cores e materiais, como madeira e alumnio, a linha Unica de comandos eltricos eleva os interruptores para padres compatveis com o seu ambiente. Design europeu e tecnologia de ponta, fazendo da sua casa um lugar melhor para viver.

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    64 | novembro 2012

    No comando do Fasano Al Mare, no Rio de Janeiro, desde 2006, o chef italiano pretende trazer mais leveza s receitas do Fasano, em So Paulo.

    Luca Gozzani nasceu em 1975, em Empoli, nas redondezas de Florena, na Itlia. E por l passou por cozinhas estreladas pelo consagrado guia Michelin. O restaurateur Rogrio Fasano pinou o chef de um dos mais respeitados restaurantes da It-lia, a trs estrelas Enoteca Pinchiorri. De l, em 2006, Gozza-ni assumiu a cozinha do Fasano al Mar, no Rio de Janeiro, e neste 2012 assumiu o controle das cozinhas do Grupo Fasano.

    Por que aceitou a proposta de vir trabalhar no Fasano?Fiquei muito interessado na possibilidade de trabalhar no gru-po de hotelaria mais consagrado e pro ssional da Amrica do Sul, alm de gostar muito da ideia de aprender uma nova ln-gua e conhecer uma cultura diferente. So coisas que contri-buem para meu crescimento pro ssional.

    Como assumir um restaurante clssico italianofora da Itlia? muito grati cante, porque voc tem a oportunidade de mos-trar a verdadeira cozinha italiana a um pblico diferente, e le-var ao exterior um pedao da sua cultura algo muito atraente para mim. Ao mesmo tempo, existem certos desa os: no f-cil encontrar os melhores produtos e temos um trabalho maior para preparar os colaboradores.

    E assumir um restaurante que por 13 anos teve o mesmo consagrado chef (Salvatore Loi)?Na verdade, o Fasano j teve vrios chefs renomados no co-mando da cozinha e todos trouxeram seu conhecimento e tcnica, deixando pratos que caram marcados na histria do grupo. Eu me sinto muito honrado em ser um deles.

    O que permanece no cardpio?Todos os pratos clssicos que fazem parte da historia do grupo vo permanecer. Trarei alguns pratos novos e estou adaptando alguns outros para dar um ar mais leve.

    Cite uma receita que ser mantida e como voc aprendeu a faz-la ao modo Fasano.A clssica paleta de cordeiro agora feita de uma outra ma-neira, com um cozimento diferente, mas continua um clssico. Est s um pouco mais revisitado, talvez mais leve e com me-nos gordura.

    O que muda com a sua chegada?Entraro pratos que zeram sucesso no Rio e outras novidades que estou desenvolvendo aqui em So Paulo, que podero ser implantadas tambm no Rio. Vamos rever o cardpio de sobre-mesas, trazendo algumas novas opes, mas tambm manten-do as mais clssicas.

    O que voc pretende nessa cozinha?Gosto muito de pratos leves e frescos acompanhados de legu-mes. Gosto de pegar uma receita de um prato que era pesado e deix-lo mais leve sem mudar o conceito, adaptando para os dias de hoje. Tambm espero trazer algumas novidades que, no futuro, tornem-se clssicos da casa. A nal, at os pratos que todo mundo conhece como clssicos j foram novidades em algum momento.

    Chef Luca Gozzani, que acaba de assumir as

    cozinhas do grupo Fasano.

    GASTRONOMIA

  • Mais que um interruptor, um item de design.

    Unica: uma srie de combinaes entre cores e acabamentos.

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    2012 Schneider Electric. All Rights Reserved. Schneider Electric and Unica are trademarks owned by Schneider Electric Industries S.A.S. or its affiliated companies www.schneider-electric.com 998-3643_BR

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  • 66 | novembro 2012

  • Os onze monumentos que so sinnimos de algumas das mais importantes cidades da cultura ocidental.

    por ROSANE ALBIN FOTOS DIVULGAO

    AS CIDADES ESUAS MARCAS

    novembro 2012 | 67

    Q ual a primeira imagem que vem a nossa mente quando pensamos em Paris? Torre Eiffel talvez seja a resposta de grande parte da populao do planeta. Essa torre, que no comeo foi rejeitada por destoar do skyline parisiense, considerada o monumento mais conhecido do mundo. Pela Europa, diversos marcos so referncias culturais, arquitetnicas e, principalmente, tursticas. Apresentaremos aqui outros dez pontos globais de grande visitao e admirao, incluindo um que entrou recentemente neste panteo, o Reichstag. Tambm rechaado no passado, ganhou um ar contemporneo quando Sir Norman Foster projetou uma impressionan-te cpula espelhada. Resultado: hoje, quem vai a Berlim no pode deixar de visit-lo. >>

    ARCHITECTURE

  • 68 | novembro 2012

    PARISTorre EiffelConsiderado o ponto turstico mais conhecido em todo o mundo, a Torre Eiffel mais um caso de pa-tinho feio que vira cisne na histria dos grandes monumentos. Feita para a exposio Universal de 1889, foi criticada por artistas e personalidades. Eles achavam que a torre de 324 metros de altura e dez toneladas de ferro no combinava com o skyline de Paris e no combina mesmo , e talvez justamente a resida todo seu charme. A construo, assinada por Gustave Eiffel, tem duas plataformas, uma a 115 metros de altura e outra no topo, de onde possvel obter uma vista de 360 graus de Paris, com a Rive Gauche e Rive Droite bem ao lado, mais o Arco do Triunfo. Tambm possvel visitar uma exposio que conta a histria do monumento e de seu cria-dor. Atualmente, esto sendo criados novos espa-os e atraes no primeiro piso, tudo isso a uma altura de 57 metros. Mais informaes: www.tour-eiffel.fr.

    Arco do TriunfoA capital francesa prdiga em cartes-postais, e o Arco do Triunfo rivaliza com a Torre Eiffel em fama. Mas, com certeza, muito mais agradvel visitar a segunda do que embrenhar-se no emaranhado de carros e som de buzinas que circundam o monu-mento, confluncia de vrias ruas importantes de Paris. Erguido entre 1806 e 1836, foi desenhado pelo arquiteto Jean-Franois-Thrse Chalgrin, um adepto do estilo neoclssico, a pedido do imperador Napoleo Bonaparte. O monumento tem 50 metros de altura e 45 metros de largura, sendo levantado para homenagear os exrcitos vitoriosos de Napo-leo, que decidiu copiar os arcos construdos pelos romanos em respeito aos generais. Assim como na Tower Bridge, um aviador destemido tambm pas-sou voando sob o arco num biplano em 1919, o fran-cs Charles Godefroy. O monumento era e ainda to importante como smbolo nacional, que as tropas nazistas fizeram questo de desfilar sob ele para comemorar a conquista da Frana na Segunda Guerra Mundial. Mais informaes: http://arc-de-triomphe.monuments-nationaux.fr.

    ARCHITECTURE

  • novembro 2012 | 69

    Sacr-CoeurA Baslica de Sacr-Coeur de Montmartre uma das primeiras construes que os turistas que che-gam cidade pelos aeroportos DOrly ou Charles de Gaulle, ou pelas estaes de trem Saint-Lazare, Norte ou Leste avistam. A colina em que est loca-lizada fica a 129 metros do nvel do mar, e a cons-truo cercada pelo charmoso bairro bomio de Montmartre, frequentado por pintores como Degas, Renoir e Toulouse-Lautrec. A baslica co-meou a ser construda em 1875 e ficou pronta em 1914, porm no foi inaugurada devido Primeira Guerra Mundial que explodiu na mesma poca. A inaugurao acabou acontecendo no ano de 1919. Em estilo romano-bizantino, sua cpula, com mais de 200 metros, o segundo ponto mais alto de Pa-ris depois da Torre Eiffel. Curiosidade: o nome Montmartre vem de monte de martrios, pois foi nessa colina que Saint Denis foi martirizado. Saiba mais em: www.sacre-coeur-montmartre.com >>

  • 70 | novembro 2012

    Notre-DameA clebre catedral abrigar uma srie de comemora-es para marcar seu 850 aniversrio a partir do dia 12 de dezembro deste ano at 24 de novembro de 2013. Uma das novidades ser a entrega do rgo, conside-rado o mais famoso do mundo durante o sculo XX. A Catedral de Notre-Dame, uma das mais antigas em es-tilo gtico, comeou a ser construda em 1163. Sua his-tria recheada de altos e baixos, e chegou a ser utili-zada como depsito para alimentos aps a Revoluo Francesa. Serviu de palco para a coroao de Henrique VI, da Inglaterra, em 1431; coroao de Napoleo Bo-naparte como imperador e Josefina como imperatriz, em 1804; e beatificao de Joana DArc, em 1909. Foi l que Victor Hugo ambientou o livro O Corcunda de Notre-Dame. Alm de ser um importante monumento arquitetnico com sua mistura de estilos, a catedral sempre abrigou concertos e exposies, mas no tem vocao para museu: as principais atividades continu-am sendo as missas e rituais catlicos.Mais informaes: www.notredamedeparis.fr.

    ARCHITECTURE

  • novembro 2012 | 71

    LONDRESTower BridgeO projeto da Tower Bridge comeou por causa de ter-rveis engarrafamentos em Londres, que at ento s tinha pontes a oeste da London Bridge. Como o leste ficou mais populoso no incio do sculo XIX, a pre-feitura decidiu construir uma ponte. O grande desafio era que ela no poderia impedir a navegao no rio Tmisa, e a cidade abriu uma concorrncia pblica para escolher o melhor projeto. Um comit foi forma-do em 1876, mas s em 1884 que o arquiteto Horace Jones, numa parceria com John Wolfe Barry, escolheu o trabalho vencedor. Alguns dos mais de 50 projetos enviados esto em exibio no museu da torre. A cons-truo levou oito anos, consumiu mais de 11 mil tone-ladas de ao, mobilizou cinco grandes empresas e 432 operrios. A soluo encontrada foi criar duas torres, uma passagem basculante para os carros que poderia ser aberta caso um navio precisasse navegar no local e uma passarela no alto para os pedestres. Hoje, a ponte j no a soluo para engarrafamentos, ela assumiu uma funo mais nobre: ser um dos monumentos que mais atraem turistas em Londres. Com um museu e exposies permanentes, ela encanta no s por sua histria, mas por oferecer uma das mais belas vistas da cidade. Toda a histria do local contada numa mostra histrica, aberta em 1982, e relata fatos curiosos como o do piloto Frank McClean, que teve que voar entre a parte de baixo da ponte e a passarela de pedestres com seu biplano para evitar um acidente. Mais informaes: www.towerbridge.org.uk/TBE/EN/Exhibition/Current+Exhibitions.htm.

    Big Ben como se Londres fosse uma cidade pequena, dessas em que as batidas do sino da igreja regram a rotina dos moradores. Cada vez que o Big Ben soa, as badala-das so transmitidas pela rdio BBC. Em geral, as pes-soas acham que Big Ben o nome da torre com relgio do Parlamento britnico, mas na verdade o nome do sino, batizado em homenagem a Sir Benjamin Hall, ministro de Obras Pblicas da Inglaterra, que instalou o sino de 13 toneladas no Palcio de Westminster. Os ponteiros do relgio, famosos por sua preciso, come-aram a rodar em 31 de maio de 1859 e o sino comeou a funcionar no dia 11 de julho do mesmo ano. Desde

    ento, acompanhou diversos momentos importantes da histria do pas, como quando soou para anunciar o final da Segunda Guerra Mundial. Durante as bata-lhas, suas badaladas transmitidas pelo rdio davam uma sensao de segurana em meio ao barulho das bombas e sirenes. A torre de 96 metros no est aberta visitao de estrangeiros; s os cidados britnicos podem subir os degraus que levam at o alto, onde possvel apreciar a cidade. Mais informaes: www.parliament.uk/visiting/online-tours/virtualtours/bigben-tour.

  • 72 | novembro 2012

    ARCHITECTURE

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    Catedral de St. PaulBasta dizer que os casamentos do Prn-cipe Charles com Diana, em 1981, e de Catarina de Arago com Arthur, em 1501, foram realizados na Catedral de St. Paul. A atual construo, feita entre 1675 e 1710, a quinta entre as que aconteceram no local desde o ano de 604. A igreja anglica-na sediou vrios funerais de grandes es-tadistas e membros da realeza, como Sir Winston Churchill e Almirante Nelson, alm de servir de ponto de encontro para a populao em momentos de grande comoo. Foi o caso do ataque s Torres Gmeas, em 2001, quando uma multido reuniu-se l para expressar sua solidarie-dade aos americanos. Em 2005, durante os atos de terrorismo em Londres, jovens de diferentes religies acenderam velas como sinal de paz e esperana. A catedral foi desenhada pelo arquiteto, astrnomo, cientista e matemtico Sir Christopher Wren. A arquitetura deve ser eterna, de-clarou na poca em que projetou a obra. Quem visita o local deve reservar algu-mas horas, porque h muito a ver. Da crip-ta at a galeria Golden, 111 metros acima do solo, o edifcio medieval construdo em forma de cruz com uma cpula (a se-gunda maior do mundo) ao meio reserva vrias atraes, entre elas, os relevos que decoram a fachada, que narram a conver-so de So Paulo ao cristianismo. O pri-meiro projeto do gnero em uma catedral Oculus: an Eye Into St. Pauls conta, em um filme, 1.400 anos de histria do local. Mais informaes: www.stpauls.co.uk/Visits-Events.

    BERLIMPorto de BrandemburgoUma das principais transformaes do Ocidente no sculo XX teve como principal cone o porto, chamado Brandenburger Tor em alemo. A cidade de Berlim, com o muro que separava a rea comunista da capitalista, o leste e o oeste, era uma espcie de sm-bolo do grande embate do sculo entre as duas formas de produo econmica e orga-nizao poltica. Como ficava na parte Oriental, ou seja, comunista, mas bem na linha di-visria delineada pelo muro, no podia ser visitado nem por um lado nem pelo outro. >>

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    Com a queda do muro e dos regimes comunistas, foi reaberto em 1989 e abrigou a grande festa do 20 aniversrio da data em 2009. Como cone que , re-mete diretamente a Berlim e aos conflitos da Guerra Fria no sculo XX. Sua construo, entre 1789 e 1791, foi ordenada pelo rei prussiano Frederico Guilher-me II, com projeto de Carl Gotthard Langhans, para ligar o castelo ao seu jardim, o Tiergarten. Em estilo neoclssico, tem 12 colunas, seis de cada lado, cin-co vos centrais e, na parte de cima, uma escultura mostra a deusa Irene, da paz, numa charrete puxada por quatro cavalos. Ningum vai a Berlim sem parar para uma foto no Brandemburgo, localizado na Pari-ser Platz. Depois de fazer a tradicional imagem com o porto, vale caminhar pela Unter den Linden, uma das mais bonitas avenidas da cidade. Mais informaes: www.visitberlin.de/en/feature/berlins-top-10-sights.

    ReichstagA sede do Parlamento viveu alguns dos mais turbu-lentos momentos histricos da Alemanha. Desde o comeo, o Reichstag foi cercado de polmicas e at chamado de casa de macaco e pice do mau gos-to. Antes mesmo de assentar a pedra fundamental do prdio, projetado pelo arquiteto Paul Wallot, o rei Guilherme teve que fazer trs tentativas, e em uma delas chegou a quebrar as ferramentas. Ele no apro-vava o projeto, enciumado porque sua cpula seria mais alta que a do castelo. Chegou a proibir que a inscrio Para o povo alemo fosse colocada em sua fachada. Mas isso no ofuscou o brilho do pr-dio. Em 1918, a criao da repblica alem foi anun-ciada de suas janelas pelo deputado Philipp Schei-demann. Em 1933, o edifcio sofreu um incndio que destruiu sua cpula e cmara e serviu como des-culpa aos nazistas para perseguir seus oponentes. Entre 1961 e 1971, o prdio foi reformado, mas sem a cpula. Com a reunificao, voltou a ser sede do Parlamento e de 1994 a 1999 foi renovado, ganhando uma nova cpula, que encanta e fascina todos os ad-miradores de arquitetura. Projetada por Sir Norman Foster, um dos maiores arquitetos da atualidade, ela toda espelhada e tornou-se rapidamente um cls-sico da mistura entre moderno e antigo. O terrao oferece uma das melhores vistas de Berlim. Mais informaes: www.visitberlin.de/en/spot/reichstag.

    ARCHITECTURE

  • novembro 2012 | 75

    MILODuomo A cidade de Milo a capital do design todos os anos, durante o vero europeu. A Semana de Design de Milo rene os mais inovadores e importantes profissionais da rea, que atrados pelos sculos de hist-ria da cidade aproveitam para flanar por suas ruas e visitar grandes monumentos. Um dos passeios obrigatrios a Catedral Duomo, que impressiona desde a impo-nente fachada de mrmore encimada pela esttua dourada da Madonnina at o inte-rior, com cinco grandes naves decoradas por intricados vitrais. Construda a partir de 1386 e s concluda em 1813, mais de quatro sculos depois, a catedral ainda passaria por reformas no sculo XX, quan-do decidiram trocar as cinco portas da fa-chada. Atualmente, a cpula central est sendo restaurada, para amenizar os efeitos do tempo e preservar essa que conside-rada uma das mais clebres e sofisticadas construes em estilo gtico da Europa. A catedral o smbolo e o corao da cidade, e seu terrao oferece uma das mais belas vistas de Milo. Seu imenso patrimnio inclui centenas de esttuas, esculturas e vitrais deslumbrantes. Curiosidade: em 2009, Silvio Berlusconi foi o alvo do arre-messo de uma estatueta da catedral, que depois teve que confeccionar uma srie de miniaturas para satisfazer a demanda do pblico. Virou um smbolo da rebeldia contra o governo. Site oficial: www.duomomilano.it. >>

  • Galleria Vittorio Emanuele IIAo lado da Catedral Duomo e do famoso Teatro Scala de Milo, a Galleria Vittorio Emanuele II um verdadeiro templo da elegncia, com lojas de grifes como Gucci e Prada e um ambiente charmoso. Projetada em for-ma de cruz pelo arquiteto Giuseppe Mengoni, tem estilo neoclssico com alguns toques de barroco. Foi construda entre 1865 e 1877 para ligar as praas Duomo e Scala. Coberta por uma estrutura de ferro com cpulas de vidro e afrescos e com entradas em forma de arcos de triunfo, tornou-se conhecida em toda a Europa logo aps ser inaugurada por suas dimen-ses e por simbolizar uma nova era de modernidade e progresso. tradi-o entre os turistas e milaneses girar o calcanhar no mosaico que retrata um touro no cho da galeria central, um gesto que, segundo a lenda, afasta o mal. E deve afastar mesmo, porque o pavimento j desgastou-se tanto que formou um buraco. Mais Informaes: www.tourism.milan.it.

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  • 84 | novembro 2012

    Pedro Herz em uma das lojas do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, onde sua me, Eva Herz, abriu a primeira Livraria Cultura, em 1969, e onde atualmente se encontra o teatro que leva o nome dela.

    LEITURA

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    A histria de um menino de vasta cabeleira e unhas grandes, porque no tinha ningum para cuidar dele, chamado Joo Felpudo, um clssico da literatura infantil. Mas para Pedro Herz, o nome frente da Livraria Cultura e atualmente no cargo de presidente do conselho de administrao, o texto escrito pelo psiquiatra e pensador alemo Hein-rich Hoff mann, em 1844, para dar de presente ao fi lho Carl, muito mais uma referncia autobiogrfi ca do que um dos grandes ttulos que esto nas estantes de suas 14 lojas espalhadas em nove cidades do Brasil. Esse foi o primeiro livro que Pedro leu na vida. No guarda direito na memria de quem ganhou, se foi de uma tia ou de um tio, mas, como bom livreiro, tem na

    frente da Livraria Cultura, Pedro Herz estimula a leitura com suas lojas espalhadas por todo o pas, mas deixa claro que esse hbito comea em casa e que para todos os assuntos que algum possa se interessar h algo para se ler.

    por PAULO CABRAL FoToS PAULO BRENTA

    ponta da lngua a lembrana de que se tratava de uma verso da Editora Melhoramentos. Na poca em que devorou Joo Felpudo de cabo a rabo, os livros comeavam a entrar na vida de Pedro Herz de forma pouco con-vencional. Filho de judeus alemes que fugiram do horror nazista s com o passaporte no bolso e mais nada, ele nasceu em So Paulo, em 1940, em uma casa ainda com hbitos europeus, ou seja, a leitura se fez presente desde que se entende por gente. E a lngua dos pais tambm. Falo fl uentemente alemo, fi z teatro em alemo, sou alemo, tenho a cidadania alem, conta com orgulho. Tambm leio em alemo, apesar de nunca ter frequentado uma escola alem. Mas para complementar o oramento domstico, em 1947, quando Pedro estava se alfabetizando, sua me, Eva Herz, montou uma biblioteca ambulante para suprir a carncia de seus compatriotas e outros estrangeiros vidos por boas histrias. Foi quando volumes e mais volumes passaram a fazer parte de seu cotidiano.

    UMA VIDA ENTRE LIVROS

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    Pedro Herz ao centro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional:

    "Sou um assalariado como todos os outros funcionrios".

    LEITURA

    Enquanto seu pai, Kurt Herz, trabalhava como ven-dedor de roupas e se tornava um fantico torcedor do Corinthians, Eva montava o negcio do aluguel de livros juntando o til ao agradvel. Minha me era a intelec-tual da famlia, decreta Pedro, que s vai se enfronhar nesse ramo quando sua me, depois de mais de duas d-cadas de sucesso, proporcionando leitura de qualidade a vrios clientes, principalmente, com livros importados, resolve abrir uma loja de porte considervel no recm-inaugurado Conjunto Nacional, um complexo comer-cial tpico dos anos 60, na esquina da rua Augusta com a avenida Paulista. O investimento era srio e, para dar certo, Pedro Herz, j casado e formado em Administra-o de Empresas, decidiu arregaar as mangas e botar a mais nova livraria de So Paulo para funcionar. Digo que perdi os cabelos carregando caixas de livros, brinca. Uma das caractersticas da Livraria Cultura o seu

    amplo espao, onde o cliente tem a liberdade de pegar uma obra e se acomodar em um dos pufes para degus-t-la. No incio tambm era assim, sem tanto conforto, a loja do Conjunto Nacional proporcionava uma grande variedade de ttulos para quem quisesse folhear e, mui-tas vezes, comprar. a mesma coisa quando compro uma camisa ou um sapato, tiro, ponho, no vejo diferen-a, desmistifi ca Pedro. Voc precisa dar uma olhada no livro, se aquilo que quer, se para presentear. A variedade que muito grande, as opes so muitas. E ele j serviu de conselheiro literrio, o que resultou at em saia justa. O cara odiou tanto o livro que eu in-diquei que quase perdi o amigo. Ele ia sair de frias e me disse no tinha porcaria maior para me indicar? Era Cem Anos de Solido, do Garcia Marquez. E ele fi cou horrorizado com o livro, detestou. Essa a vantagem do livro, um gosta, outro no, enfi m, voc pinta o cenrio da cor que quiser. No vem pronto como no cinema.

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    Leitor compulsivo, Pedro Herz no se considera um literato. J leu os clssicos, mas tambm se dedica a um classifi cado de jornal antigo se for preciso. Estou lendo menos porque estou fi cando mais velho e, alm de chegar cansado em casa, as ativi-dades que tenho para exercer e exero me deixam pouco tempo para ler, mas diariamente eu me dedico um pouco, afi rma. E no adianta insistir, ele veemente em dizer que no tem um gnero preferido, assim como no tem opo pela fi co ou no-fi co. O Millr Fernandes diria fi nalmente um cara sem estilo., ri de si prprio. No momento, seu companheiro um livro em ingls, Quiet, de Susan Cain, sobre atuais problemas de comunicao. Ele trata da incapacidade de as pessoas ouvirem, elas s falam. Est superinteressante. Ningum tem capacidade de ouvir nada, sequer msica. Nas salas de concerto, esto l com seus apare-lhos BlackBerry na mo, respondendo e-mail. triste isso, vive-se numa sociedade em que s se fala e no se ouve, contou envol-vido com sua atual leitura.Se sentir falta de uma nova leitura, Pedro Herz desce de seu es-

    critrio, em um dos prdios do mesmo Conjunto Nacional, vai at a Livraria Cultura, agora subdividida em vrias lojas na galeria, es-colhe um livro sem muito critrio e o compra! Sou um assalariado como todos os outros funcionrios, faz questo de ressaltar. Sua escolha pode ser baseada em algo que leu, em algum comentrio, em uma crtica, e no se intimida em dizer que j deixou muitas obras pela metade. L e-books? Leio e acho uma ferramenta uti-lssima. Eu s acho que quem l, l, e quem no l no vai passar a ler por causa do aparelho, pondera no sem antes deixar clara a sua preferncia pelo papel. Seguindo a mxima de Millr, Pedro Herz afi rma que tambm no tem nenhum estilo quando se trata de escolher um fi lme para ver no cinema.

    LEITOR COMPULSIVO, PEDRO HERZ NO SE CONSIDERA UM LITERATO. J LEU OS CLSSICOS, MAS TAMBM SE DEDICA A UM CLASSIFICADO DE JORNAL ANTIGO, SE FOR PRECISO.

  • 88 | novembro 2012

    LEITURA

    Pode ser de um cineasta que admira, como Woody Allen, assim como pode deixar de ver o l-timo dele, Para Roma com Amor, j que no se baseia no diretor para fazer sua opo. O mesmo acontece quando vai assistir televiso. Vejo noticirios, a BBC, o jornal alemo, a TV5 francesa, fi lmes, mas no tenho nenhum critrio. Considera-se judeu por uma simples herana familiar, mas no se diz religioso. Frequento, respeito, sigo alguma coisa, mas no numa linha muito ortodoxa. Quando fala de teatro, seu maior orgulho ter vrias salas patrocinadas pela Livraria Cultura que levam o nome de sua me, Eva Herz. o nico teatro que tem fi liais, tem aqui em So Paulo, em Braslia, em Curitiba, em Salvador e ter no Rio tambm. Acho que leitura, teatro, msica, tudo tem a ver, conclui. Para morar, no entanto, Pedro Herz escolheu um clssico da arquitetura, o edifcio Copan, proje-

    tado por Oscar Niemeyer, erguido no centro de So Paulo, na dcada de 50. Sou separado e moro sozinho, e nos Jardins eu morava em um sobrado. Quando chegava em casa noite, abria a janela e o meu vizinho da frente estava l, oi, Pedro, tudo bem? A minha privacidade era mnima.

  • novembro 2012 | 89

    VEJO NOTICIRIOS, A BBC, O JORNAL ALEMO, A TV5 FRANCESA, FILMES, MAS NO TENHO NENHUM CRITRIO.

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    O edifcio Copan, clssico da arquitetura moderna no centro de So Paulo, projetado por Oscar Niemeyer, onde Pedro Herz mora desde 1986. "Tenho horizontes, e isso importante."

    LEITURA

    Ento apareceu essa oportunidade e eu me mudei para l em 1986, para um andar alto onde tenho horizontes, e isso importante. E alm de apreciar a cidade de sua casa, Pedro tambm a aproveita com boas caminhadas, inclusive indo muitas vezes a p de l at o trabalho, na avenida Paulista, numa pernada de uns 15 minutos. So Paulo uma cidade que, entre o que h de melhor e o que h de pior, eu me en-contro. Esses dois extremos so fascinantes, afi rma. Quando fala dos problemas da cidade, Pedro reconhece

    que um mal crnico que vem se espalhando por todo o pas, e a vem toda aquela lista bastante repetida nas cam-panhas eleitorais violncia, m administrao pblica, sis-tema de transportes precrio, poluio. Qualidade de vida no s o dinheiro, o ar que se respira. Acho que tem de ser medida a felicidade interna bruta e no s o produto interno bruto, teoriza. Para ele, os prximos governantes nem precisariam se esforar muito para fazer melhorias. Eles poderiam fazer uma coisa: pr para funcionar o que existe e no fazer nada de novo. Ns estamos cheios de leis! Pe para funcionar o que

    existe, porque a maioria das coisas no funciona no Brasil, e basta. Faria um governo fantstico, seja federal, estadual ou municipal, sugere.Com dois fi lhos e sete netos, Pedro Herz circula bem entre as novas geraes. A Livraria Cultura, in-clusive, est investindo em um jovem pblico segmentado com a Geek.etc.br, uma loja voltada para games e quadri-nhos. um pblico que j existia, os produtos que tm na Geek ns j tnhamos em casa, ressalta. No entanto, para ele, toda essa movimentao no garante a formao de novos leitores. O leitor formado em casa, decreta e vai alm. A escola pode ajudar, quando no atrapalha. Se voc der uma coisa muito chata para o aluno ler, ele

    no quer mais saber. Depende muito do critrio. Iracema, do Jos de Alencar, uma chatice sem tamanho. Se dessem um Harry Potter, fariam muito mais leitores, conclui. Pedro brinca dizendo que estaria rico se tivesse uma frmula para fazer algum comear a gostar de ler, mas no deixa de in-dicar um caminho. Busque alguma coisa que te interesse. Quer aprender a fazer po? Tem livro. Quer desvendar um mistrio? Procure um bom romance policial. Quer fi co cientfi ca? Tem. Para tudo o que voc imaginar, tem alguma coisa escrita. Quer consertar a torneira da sua casa? Tem algum livro que vai ensin-lo. Basta ter interesse, quer dizer, a soluo est nos livros.

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  • VIVE LE VIN

    As regies de Bordeaux e Provence produzem alguns dos melhores vinhos e oferecem vistas deslumbrantes

    por ROSANE ALBIN FOTOS DIVULGAO >>

    BSSOLA

  • novembro 2012 | 93

  • O s franceses adoram brincar com os turistas com pequenas va-riaes da histria do dono de um pequeno bistr que convida um grupo de americanos (talvez hoje sejam os chineses) a reti-rar-se quando eles inocentemente pedem uma Coca-cola para misturar ao vinho. Na dvida, melhor no cometer esse tipo de heresia. Especialmente nas regies de Bordeaux, considerada a principal capital dos vinhos tintos, e Provence, produtora do melhor ros do mundo. Essa ltima famosa pela gastronomia, pela lavanda e girassis. um lugar timo para comer. Eles tm tradio em trufas pretas e fazem uma tima comida mediterrnea, com muitos ingredientes do mar e azeite, o que combina muito bem com o vinho mais tpico da regio, o ros, diz Manoel Beato, sommelier do Grupo Fasano, um dos mais conceituados especialistas em vinhos do Brasil. Beato elogia a Provence, mas fica ainda mais empolgado ao falar da regio de Bor-deaux. L so produzidos os tintos mais majestosos e disputados do mun-do, alguns brancos de primeirssima qualidade e talvez o melhor vinho de sobremesas branco doce, o Sauternes. Tem uma importncia fundamental para o mundo dos vinhos, diz. Conhecer a histria dos Bordeaux conhe-cer a prpria histria da bebida, pelo menos na era crist.

    94 | novembro 2012

    Paraso dos vinhos: Manoel Beato considera Bordeaux, na foto da pgina seguinte, e seus arredores como a melhor regio produtora do mundo.

    BSSOLA

  • A histria do cultivo de uvas comeou nos anos 80, quando Bordeaux chamava-se Burdigala e era a capital da provncia romana de Aquitnia. As vinhas foram introduzidas, mas logo depois, nos anos 90, o imperador determinou que todas fos-sem arrancadas. Foi s em 270 que os agricultores passaram a ter direito a plantar novamente as uvas, produzir e vender vi-nho. Na Idade Mdia, a demanda por brandys no mercado eu-ropeu tornou os produtos de Armagnac e Cognac famosos e, no final do sculo XVII, a disseminao do uso de garrafas e rolhas permitiu que os vinhos de Bordeaux fossem exportados. Ao mesmo tempo, a construo de estradas de ferro favoreceu que o consumo se espalhasse por toda a Frana. A bebida se-guiu sua trajetria de sucesso praticamente sem interrupes at que, em 1864, a Phylloxera vastatrix devastou as vinhas fran-cesas. Os produtores comearam a usar um enxerto resistente praga e retomaram a produo. Em 1935, o Institut National des Appellations DOrigine (INAO) foi criado, designando os primeiros Appellations DOrigine Contrles (AOCs), ou Deno-

    minao de Origem Controlada (DOC), garantindo a qualidade dos vinhos. Bordeaux produziu aquele que considerado o me-lhor vinho do sculo XX, em 1945.

    NA ROTA DO VINHOViajar pelo interior e arredores de Bordeaux a melhor e mais prazerosa forma de conhecer estas e outras histrias com direi-to a muitas degustaes. A viagem no tempo e no espao pode comear com um curso na cole du Vin (www.bordeaux.com/Ecole-du-vin), que oferece desde workshops de duas horas at cursos de trs dias com direito a visitas a vincolas. As opes so muitas. Grande parte dos vinhos produzida em castelos os chteaux que do nome s bebidas, e eles so cercados por belos vilarejos. Um dos que mais me impressionaram o Mar-gaux, o castelo muito suntuoso, lindo de morrer, e o vinho um dos melhores do mundo. O que me surpreende tambm a di-versidade da regio, h muitos lugares a visitar, diz Beato. Uma das cidadezinhas que o sommelier recomenda Arcachon, >>

    novembro 2012 | 95

  • 96 | novembro 2012

    BSSOLA

  • beira-mar. Eles servem algumas das ostras mais maravilhosas da Frana. uma cidade linda, um brinco, pequena e charmosa. Tem vrios tipos de mariscos, conta. Outro lugar que deixou boas lem-branas Saint Emilion, a cidade do vinho francs por excelncia. Ou a regio de Mdoc, que abriga o chteau Margaux e outros no-mes famosos como Mouton-Rothschild, Cos dEstournel, Latour ou Lafite-Rotschild. A gastronomia local est entre as melhores do mundo. A regio produz trufas negras, queijo roquefort e foie gras de tima qualidade. Isso sem falar na cidade de Cognac, que d nome bebida conhecida internacionalmente.A regio vincola abrange mil quilmetros quadrados ao redor

    da cidade de Bordeaux, com mais ou menos cinco mil chteaux. So 57 appellations (regies cujos terroirs, com suas condies de solo e microclima, produzem uvas com caractersticas especiais), divididas em sete famlias de designaes diferentes, como, por exemplo, o Grand Cru Class, que o mais prestigiado. A melhor poca para as visitas de setembro a novembro, quando ocorre a colheita das uvas e as ostras e cogumelos esto em sua plenitu-de. A cidade de Bordeaux tambm merece vrios passeios. Quem gosta de ostras pode degust-las no Marche des Capucins (mar-chedescapucins.com), aos sbados, ou no La Boite Huitres. A cada dois anos, a cidade sedia a principal feira de vinhos do mun-do. A prxima est marcada para 2013, entre os dias 16 e 20 de ju-nho. Quem busca qualidade deve prestar ateno nas avaliaes das ltimas safras de vinhos da regio: as melhores deste sculo so as de 2005, 2009 e 2010, quando as uvas tiveram as melhores condies de sol e chuva para chegar ao melhor sabor. >>

    UM DOS QUE MAIS ME IMPRESSIONARAM O MARGAUX, O CASTELO MUITO SUNTUOSO, LINDO DE MORRER, E O VINHO UM DOS MELHORES DO MUNDO.

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    Lembranas inesquecveis: o Chteau Margaux um dos preferidos de Manoel Beato

  • 98 | novembro 2012

  • Perfumes no arA regio da Provence, ao sul da Frana, imediatamente evoca os aromticos campos de lavanda, aldeias de pe-dra cheias de charme e vinho ros. Beato lembra com saudades das trufas negras que degustou em uma de suas passagens por l. Provence muito forte em vinho ros, produz os melhores do mundo e tambm alguns tintos muito bons, mais encorpados. Os brancos no so to fortes, porque a regio muito quente e ensolarada, fazendo com que caream de frescor, explica o somme-lier. A comida, simples e deliciosa, tem os delicados e in-tensos sabores mediterrneos. Um tomate com azeite e fl or de sal de Camargue pode ser uma refeio dos deu-ses... Os vinhos mais destacados no Guia Hachette de 2012, com anlises das safras de 2010, foram o ChteauMinuty (Prestige, Ctes de Provence Cru Class), o Domaine de la Madrague (Cuve Claire, Ctes de Pro-vence), e o Domaine Sainte Lucie (LHydropathe lite, tambm Ctes de Provence). A rea dividida em seis sub-regies, as Cteaux dAix en Provence e Varois-en-Provence; e os ctes de Provence, Provence Frjus, Pro-vence la Londe e Provence Sainte-Victoire. >>

    novembro 2012 | 99

    Provence: trufas negras, bistrs charmosos, perfumados campos de lavanda e delcias gastronmicas fazem a fama da regio.

    BSSOLA

  • O cultivo de uvas em Provence comeou dois scu-los antes de Cristo, quando os romanos instalaram-se na regio, at ento, chamada de Provncia Romana. Aps a queda do Imprio Romano, foi s na Idade Mdia que o cultivo voltou a ganhar fora por causa dos monges, que passaram a produzir vinhos no s para o consumo prprio, mas tambm para a venda, o que se revelou um bom negcio para a igreja. A partir do sculo XIV, famlias nobres comearam a investir nas vincolas e criar a estrutura da indstria vincola moderna de Provence. A regio tambm sofreu com a Phylloxera no sculo XIX, mas reagiu com os enxertos e retomou a produo. Apesar de no fazer parte ofi cialmente dos vinhos

    da regio, o vilarejo medieval de Chteauneuf du Pape merece uma visita. Ainda conserva uma runa da antiga residncia dos papas de Avignon, que foi bombardeada pelos alemes durante a Segunda Guerra. L, vale co-nhecer o Le Verger des Papes, que tem vistas lindas da regio e po feito no forno a lenha. A cidade de Arles, famosa por abrigar Van Gogh e inspirar algumas de suas mais famosas pinturas, outra joia da Provence. Para conhecer todas as possibilidades de passeio, visite o site www.vinsdeprovence.com, o www.routes-lavande.com e www.veloloisirluberon.com, com caminhos en-cantadores para serem feitos de bicicleta.

    100 | novembro 2012

    Frana profunda: a cidadezinha de Gordes, no Luberon, embutidos para todos os gostos e aldeias medievais.

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  • Concebidos a partir de matrias-primas naturais, com acabamentos sofisticados, costuras manuais e fibras sintticas - resistentes ao sol e chuva -, eles integram a lista de destaques da 4 Mostra Artefacto Beach & Country.

    LANAMENTOS B&C

    102 | novembro 2012

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    HIGHLIGHTS

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    1. Poltrona Nina II

    2. Cadeira Weave com brao

    3. Poltrona Weave

    4. Poltrona Netz

    5. Mesa de Jantar Judd

    6. Mesa Lateral Sled

    7. Chaise Longue Weave

    8. Aparador Sled

    9. Estante Izmir

    10. Sof Weave

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    11. Sof Oxford II

    12. Abajur Venice Ambar

    13. Cadeira Tulum

    14. Poltrona Malabar

    15. Poltrona Circle

    16. Sof Akans II

    17. Sof Bardot

    18. Abajur Nassau Onix

    19. Ba Domoa

    20. Sof Madrid com capa

    21. Escrivaninha Flight

  • 106 | novembro 2012

    Os Rolling Stones em frente St. Georges Church, Hanover Square,

    Londres, em 17 de janeiro de 1964.

    Mick Jagger, Charlie Watts, Bill Wyman, Keith Richards e Brian Jones (1942 1969) - foto de Terry ONeill.

    DNA

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    M eio sculo depois de seu primeiro show ao vivo no The Marquee Club, em Londres, os Stones comemora-ram o aniversrio de 50 anos da banda. The Marquee Club conhecido entre os ingleses no s por ter sido testemunha do desenvolvi-mento da cultura musical em Londres durante quatro dcadas, mas tambm por ter sido um dos beros de artistas que entraram para a his-tria da msica pop europeia. Inaugurado em 19 de abril de 1958, no nmero 165 da Oxford Street, tornou-se o lugar mais importante para o jazz e rhythm & blues de Londres. Por seu palco, passaram nomes como David Bowie, Cream, Pink Floyd, Manfred Mann, The Who, Yes, Led Zeppelin, Jethro Tull, Genesis, The Clash, The Pretenders, The Police, The Cure, Joy Division and Sex Pistols. >>

    IT WAS SOMETHING TO DO ON THE WEEKENDS E BANDS DIDNT EXIST MORE THAN FOUR OR FIVE YEARS (ERA ALGO PARA FAZER NOS FINS DE SEMANA E BANDAS NO DURAM MAIS QUE QUATRO OU CINCO ANOS), DISSE MICK JAGGER SOBRE OS PRIMEIROS DIAS DOS ROLLING STONES EM 1960. MAS PARECE QUE ISSO NO VALEU MUITO PARA ELES.

    por DEBORA CARVALHO / LONDRES

    FOTOS DIVULGAO

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    Stones no show em Honolulu, em 1973.

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    The Rolling Stones: Charlie Watts, Keith Richards, Mick Jagger e Ron Wood, em 21 de agosto de 2005, no Fenway Park, Boston - foto de Mark Seliger.

    Visita de Mick Jagger a So Paulo, em 1968.

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    F ormado por Mick Jagger, Keith Richards, Elmo Lewis (verdadeiro nome de Brian Jones), Dick Taylor, Ian Stewart e Mick Avory, o grupo fez seu primeiro show na casa no dia 12 de julho de 1962, sob o nome de The Rolling Stones, escolhido a partir da cano Catfi sh Blues do norte-americano Muddy Waters, considerado o pai do Chicago Blues. Alexis Korners Blues Incorporated, a banda que tocava frequentemente no clube, foi solicitada para tocar num show da BBC rdio e Harold Pendleton, proprietrio do The Marquee Club, na poca, precisava preencher o espao com uma nova banda. Essa oportunidade trouxe os Stones aos palcos pela primeira vez; e, de l at hoje, eles j fi zeram centenas de concertos ao redor do mundo. Em 1963, Taylor deixou a banda e foi substitudo por Bill Wyman, que fi cou at 1991, mas continuou a trabalhar com Mick Jagger em seus projetos solo.Dois anos aps o primeiro show, em 1964, o primeiro lbum, chamado simplesmente The

    Rolling Stones, foi lanado e ganhou disco de ouro depois de fi car em primeiro lugar em ven-das no Reino Unido, por doze semanas. Nele existiu apenas uma cano de autoria de Mick Jagger e Keith Richards Tell Me (Youre Coming Back), mas foi o sufi ciente para fi car em dcimo primeiro lugar nos Estados Unidos. A partir da, pouco a pouco o material prprio comeou a ser valorizado. Out Of Our Heads, lanado em 1965, foi o primeiro de uma srie de discos feitos basicamente de composies da dupla Jagger-Richards. E foi tambm nesse ano que a banda lanou seu maior hit de todos os tempos: (I Cant Get No) Satisfaction. >>

    DNA

  • novembro 2012 | 111novembro 2012 | 111

    The Voodoo Lounge Tour no Robert F. Kennedy Memorial

    Stadium, em Washington, DC, em 8 de agosto de 1994.

  • 112 | novembro 2012112 | Novembro 2012

    Em 1966, com o lbum Aftermath, os Stones come-aram uma fase de msicas mais longas e de arranjos mais elaborados. Brian Jones fi cou na formao at 1969. Durante esse perodo, foi quem manteve uma inventividade que gerou o Rolling Stones Rockn Roll Circus. Tambm foi um dos mentores do estilo ado-tado pela banda e fi cou conhecido no mundo musi-cal pelo seu estilo de vida baseado no sexo, drogas e rockn roll, alm de suas roupas extravagantes. Em 1975, Ronnie Wood se juntou ao grupo e a formao dos Stones fi cou a que conhecemos at hoje: Mick Ja-gger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charles Watts.Em cinquenta anos de carreira, sucessos como Beast

    of Burden, Tumbling Dice, Ruby Tuesday, Wild Hor-ses, I Cant Get No) Satisfaction, Shes Like A Rain-bow, Sympathy For The Devil, Jumping Jack Flash, Miss You e Angie fi zeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial, levando-a a enfren-tar todos os grandes clichs do gnero, desde recepes efusivas da crtica at problemas com drogas e confl ito de egos, principalmente, entre Jagger e Richards. Em sua carreira, os Rolling Stones j venderam mais de 200 mi-lhes de lbuns no mundo inteiro e seu maior pblico, um milho e meio de pessoas, foi em fevereiro de 2006, no show feito na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.Toda a trajetria e seus diferentes estgios nesses cin-

    quenta anos da banda, desde a sua primeira apario pblica, foram mostrados numa exposio com setenta fotos inditas, que aconteceu no Somerset House, de ju-lho a setembro desse ano. Essas imagens fazem parte do lanamento do The Rolling Stones: 50, nico livro autorizado para celebrar o marco do aniversrio do gru-

    po. O outro marco foi a nova verso do famoso logotipo, redesenhado pelas mos do ilustrador americano She-pard Fairey, que criou o cartaz de Barack Obama - Hope e assinou no ano passado a capa do lbum SuperHeavy, da banda de mesmo nome, formada por Mick Jagger, Dave Stewart, Joss Stone e Damian Marley.A lngua dos Stones, conhecida pelo mundo inteiro,

    foi originalmente criada em 1971 pelo designer John Pasche, um estudante da Royal College of Art, e apare-ceu pela primeira vez no lbum Sticky Fingers.No livro , possvel ter acesso a materiais raros, nun-

    ca antes divulgados para os fs, que incluem fotogra-fi as retratadas pelas lentes de Gered Mankowitz, Jean-Marie Prier, Dezo Hoff mann, Michael Cooper, Terry ONeill, Bent Rej e Philip Townsend. E preparem-se, tem turn prevista para 2013. Os tits da msica dos anos 70 prometeram que vo subir ao palco mais uma vez para comemorar o cinquentenrio da banda junto aos fs. Fora a turn que est sendo preparada, o document-rio Crossfi re Hurricane, produzido pela HBO e dirigido por Brett Morgen, que conta a trajetria das lendas do rock, est prestes a ser lanado nos cinemas de Londres e Estados Unidos. Segundo a imprensa, o fi lme vai en-cantar, chocar e surpreender os devotos de longa data, bem como a nova gerao de fs.Uma frase dita por Keith Richards defi ne exatamente

    a essncia da banda e explica por que eles continuam a levantar legies de fs no mundo inteiro: When all of