BIBLIA AVE MARIA

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INTRODUÇÃO GERAL A BÍBLIA. -- "Nós não sentimos necessidade de apoios e alianças, tendo em mãos, para nosso conforto, os livros sagrados" (1Mac 12,9). Assim, em 154 a.C, em nome de toda a nação, da qual era chefe, escrevia Jonatas Macabeu ao rei de Esparta. Nessas suas palavras, já se apresenta o termo usual, o valor singular e o emprego prático da obra cuja versão apresentamos. Do termo: os livros -- no texto grego um neutro plural tà biblía -- em nossa língua, através do latim vulgar, formou-se o feminino singular: a Bíblia. Outros sinônimos, encontramo-los freqüentemente na própria Bíblia: a Escritura ou as Escrituras, as santas Escrituras, e mais raramente, as sagradas Letras. A Bíblia, portanto, não é um livro só, mas muitos, uma coletânea, cuja unidade consiste no argumento comum e na origem sobre-humana. E de "livros santos" que a Bíblia se compõe, porque dentro de sua grande variedade eles coincidem em tratar de religião, tendo um objetivo essencialmente religioso. Com mais razão ainda chamam-se "livros santos" ou "sagrados" porque, como ensina a fé, tanto judaica como cristã, não foram escritos por mero talento humano, mas sob a influência de inspiração divina especial. Ê desta origem sobrenatural que a Bíblia recebe a sua dignidade de "livro por excelência" e o seu lugar único na vida dos povos que tiveram o primado na civilização. Ela é, com efeito, o fundamento e o alimento da fé para todos os povos cristãos, e nenhum outro livro no mundo pode ser a ela comparado, nem de longe, seja pelo número de tiragens de edições, quer manuscritas, quer impressas, seja pela influência sobre a vida individual e pública, sobre a literatura e as artes figurativas. Qualquer fiel sinceramente apegado à sua religião tem-na, por assim dizer, constantemente em mão, como Jonatas o apontava, para nela encontrar conforto em todas as vicissitudes da vida. DIVISÃO E NÚMERO DE LIVROS. -- CÂNON. -- Com o nome de Bíblia, pois, compreendem-se os livros sagrados da religião cujo centro é Jesus Cristo. Partindo deste ponto de convergência, a Bíblia divide-se em duas séries desiguais, a primeira, anterior a Jesus Cristo, a segunda, posterior. A primeira chama-se Antigo Testamento, a segunda Novo Testamento, conceito e vocábulo esses tomados da própria Bíblia. O Antigo Testamento consta dos livros seguintes, comumente agrupados em quatro classes: V Pentateuco ou cinco livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. 2° Livros históricos: Josué, Juízes, Rute, Reis, Crônicas, Esdras e- Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus. 3? Livros didáticos ou poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sabedoria de Jesus, filho de Sirac). Livros proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Doze profetas menores, isto é: Amós, Oséias, Joel, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. No Novo Testamento, o primeiro e mais conspícuo lugar compete aos quatro Evangelhos: segundo Mateus, Marcos, Lucas, João. Seguem-se: um livro histórico, os Atos dos Apóstolos; catorze epístolas de S. Paulo: aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito, a Filemon, aos Hebreus; sete epístolas chamadas católicas, ou canónicas: uma de Tiago, duas de Pedro, três de João, uma de Judas; finalmente, um livro profético, o Apocalipse. O elenco oficial dos livros sagrados chama-se cânon, no sentido de norma. Expusemos aqui o cânon católico, formado já no séc. IV nas cartas pontifícias e nos concílios provinciais da África, sancionado depois solenemente pelos concílios ecumênicos de Florença (1441) e de Trento (1546) e confirmado pelo Concílio Vaticano I (1870). Para a integridade do cânon não importa a ordem dos livros, porque, exceto o primeiro lugar reservado constantemente, no Antigo Testamento, ao Pentateuco e no Novo, aos Evangelhos, no restante diferem muito entre si os manuscritos, os autores, os catálogos oficiais de igrejas e de seitas.

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  • 1. INTRODUO GERAL A BBLIA. -- "Ns no sentimos necessidade de conceito e vocbulo esses tomados da prpriaapoios e alianas, tendo em mos, para nosso Bblia.conforto, os livros sagrados" (1Mac 12,9). Assim, O Antigo Testamento consta dos livrosem 154 a.C, em nome de toda a nao, da qual seguintes, comumente agrupados em quatroera chefe, escrevia Jonatas Macabeu ao rei de classes:Esparta. Nessas suas palavras, j se apresenta V Pentateuco ou cinco livros de Moiss:o termo usual, o valor singular e o emprego Gnesis, xodo, Levtico, Nmeros,prtico da obra cuja verso apresentamos. Do Deuteronmio.termo: os livros -- no texto grego um neutro 2 Livros histricos: Josu, Juzes, Rute, Reis,plural t bibla -- em nossa lngua, atravs do Crnicas, Esdras e- Neemias, Tobias, Judite,latim vulgar, formou-se o feminino singular: a Ester, Macabeus.Bblia. 3? Livros didticos ou poticos: J, Salmos, Outros sinnimos, encontramo-los Provrbios, Eclesiastes, Cntico dos Cnticos,freqentemente na prpria Bblia: a Escritura ou Sabedoria, Eclesistico (ou Sabedoria de Jesus,as Escrituras, as santas Escrituras, e mais filho de Sirac).raramente, as sagradas Letras. A Bblia, 4 Livros profticos: Isaas, Jeremias,portanto, no um livro s, mas muitos, uma Lamentaes, Baruc, Ezequiel, Daniel, os Dozecoletnea, cuja unidade consiste no argumento profetas menores, isto : Ams, Osias, Joel,comum e na origem sobre-humana. Abdias, Jonas, Miquias, Naum, Habacuc, E de "livros santos" que a Bblia se compe, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.porque dentro de sua grande variedade elescoincidem em tratar de religio, tendo um No Novo Testamento, o primeiro e maisobjetivo essencialmente religioso. Com mais conspcuo lugar compete aos quatrorazo ainda chamam-se "livros santos" ou Evangelhos: segundo Mateus, Marcos, Lucas,"sagrados" porque, como ensina a f, tanto Joo. Seguem-se: um livro histrico, os Atosjudaica como crist, no foram escritos por mero dos Apstolos; catorze epstolas de S. Paulo:talento humano, mas sob a influncia de aos Romanos, duas aos Corntios, aos Glatas,inspirao divina especial. aos Efsios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas a Timteo, desta origem sobrenatural que a Bblia uma a Tito, a Filemon, aos Hebreus; seterecebe a sua dignidade de "livro por excelncia" epstolas chamadas catlicas, ou cannicas:e o seu lugar nico na vida dos povos que uma de Tiago, duas de Pedro, trs de Joo,tiveram o primado na civilizao. Ela , com uma de Judas; finalmente, um livro proftico, oefeito, o fundamento e o alimento da f para Apocalipse.todos os povos cristos, e nenhum outro livro no O elenco oficial dos livros sagrados chama-semundo pode ser a ela comparado, nem de cnon, no sentido de norma. Expusemos aqui olonge, seja pelo nmero de tiragens de edies, cnon catlico, formado j no sc. IV nas cartasquer manuscritas, quer impressas, seja pela pontifcias e nos conclios provinciais da frica,influncia sobre a vida individual e pblica, sobre sancionado depois solenemente pelos concliosa literatura e as artes figurativas. Qualquer fiel ecumnicos de Florena (1441) e de Trentosinceramente apegado sua religio tem-na, por (1546) e confirmado pelo Conclio Vaticano Iassim dizer, constantemente em mo, como (1870). Para a integridade do cnon no importaJonatas o apontava, para nela encontrar a ordem dos livros, porque, exceto o primeiroconforto em todas as vicissitudes da vida. lugar reservado constantemente, no Antigo Testamento, ao Pentateuco e no Novo, aos DIVISO E NMERO DE LIVROS. -- CNON. -- Com Evangelhos, no restante diferem muito entre sio nome de Bblia, pois, compreendem-se os os manuscritos, os autores, os catlogos oficiaislivros sagrados da religio cujo centro Jesus de igrejas e de seitas.Cristo. Partindo deste ponto de convergncia, aBblia divide-se em duas sries desiguais, aprimeira, anterior a Jesus Cristo, a segunda,posterior. A primeira chama-se AntigoTestamento, a segunda Novo Testamento,
  • 2. Os livros histricos mais extensos do Antigo babilnico (sc. VI a.C). Dois livros, o segundoTestamento, Samuel-Reis e Crnicas, na dos Macabeus e a Sabedoria, foram escritosantiqussima verso grega (dos LXX, veja originariamente em grego. Dos livros de Judite,abaixo), por razes prticas foram divididos em Tobias, Baruc, Eclesistico e parte tambm dedois; alm disso, considerando Samuel e Reis Daniel e Ester, perdeu-se, como no caso docomo uma obra s, chegou-se a contar 4 livros Evangelho de Mateus, o texto original, hebraicodos Reis e dois das Crnicas, costume esse ou aramaico, sendo substitudo pela versoque se estendeu aos latinos e dura ainda em grega.parte entre ns. No texto hebraico, adotada Essas diferenas lingsticas no deixaram desemelhante diviso, conhecem-se dois livros de exercer a sua influncia sobre a extenso doSamuel, dois dos Reis, dois das Crnicas. cnon dos livros sagrados. Enquanto os judeusEsdras e Neemias so chamados tambm de disseminados no mundo greco-romano noprimeiro e segundo de Esdras. Tambm dos tinham dificuldades em introduzir os livrosMacabeus contam-se dois livros, que na redigidos em grego, os judeus da Palestina norealidade so duas obras perfeitamente queriam conformar-se com isso. Alm disso, foi-distintas. Na Vulgata, a Carta de Jeremias se formando entre eles a opinio de que, depoisconstitui o ltimo cap. (6?) de Baruc. Tudo bem de Esdras (sc. V a.C), faltando ou sendo incertocalculado, o Antigo Testamento consta de o dom proftico (veja IMac 4,46; 14,41), nemquarenta e seis livros, o Novo, de vinte e sete. sequer admitiam pudessem ser escritos livros Por razes igualmente prticas, desde os inspirados por Deus. Por isso, quando nos finsprimeiros sculos da nossa era, cada livro foi do sc. I d.C, os doutores da Sinagoga fixaram odividido em sees de vrias extenses, cnon das Sagradas Escrituras, foram excludosconforme sistemas bastante diversos para at os livros escritos em hebraico depois daquelalugares e pocas. Para eliminar os poca, como o Eclesistico. Da resultou uminconvenientes dessas antigas divises e cnon hebraico em que faltam sete livros:facilitar o estudo uniforme, no incio do sc. XIII, Tobias, Judite, os dois dos Macabeus,na Universidade de Paris, Estvo Langton Sabedoria, Eclesistico, Baruc e a Carta de(depois cardeal) introduziu a diviso em Jeremias, e mais algumas partes de Ester e decaptulos de extenso mediana, que depois, Daniel.pela sua utilidade prtica, propagou-se em O veredito dos doutores hebreus no deixoutodas as escolas e em todas as edies, e de repercutir na Igreja crist. Enquanto no usoainda hoje de uso universal, agora comum se difundia o cnon mais pleno,insubstituvel. concretizado na verso dos LXX, empregada e Mais tarde, no sc. XVI, os mesmos captulos recomendada pelos apstolos, alguns escritoresforam divididos em versculos numerados (por (Melito de Sardes, Sto. Atansio de Alexandria,Sante Pagnini, para o Antigo Testamento S. Gregrio de Nazianzo, entre os gregos; Sto.[1528], por Roberto Estvo, para o Novo Hilrio de Poitiers, Rufino de Aquilia e[1550]), tendo sido tambm essa numerao, principalmente S. Jernimo, entre os latinos)pela comodidade das citaes, aceita logo e adotaram o cnon mais restrito dos hebreus, e,perdura at agora em toda parte. Entende-se, devido autoridade desses antigos doutoresentretanto, que essas divises so apenas de cristos, toda hesitao entre os catlicos no foivalor prtico, no cientfico. eliminada seno pelo sagrado Conclio de Trento (1546). No entanto, em virtude de tais vozes LNGUAS ORIENTAIS E CNONES DIVERSOS. -- O discordantes da crena comum, chegou-se aNovo Testamento inteiro foi escrito em grego; fazer distino entre "livros reconhecidos"s o Evangelho de Mateus, conforme (homologmenos), admitidos por todos (os dotestemunhos de antigos, teve uma primeira cnon hebraico), e "livros controversos"redao em aramaico, a qual, porm, se perdeu (antilogmenos), no admitidos por todos, os oitosem deixar vestgios; em lugar dela temos uma acima enumerados, constantes do cnon cristo.traduo, ou melhor, uma redao grega. Na terminologia moderna, os primeiros se Quanto ao Antigo Testamento, temos trs chamam protocannicos, os segundosidiomas originais. A maior parte foi escrita e deuterocannicos, ou seja, cannicos dechegou at ns em lngua hebraica. Alguns primeira e de segunda poca, medida que acaptulos dos livros de Esdras e de Daniel, e um unanimidade a seu respeito foi alcanada logoversculo de Jeremias, esto em aramaico, que no comeo ou s mais tarde. Entende-se, porm,foi o idioma falado na Palestina depois do exlio que, com esses vocbulos, no se queria
  • 3. distinguir o valor ou a autoridade das duas mesmo havemos de acreditar que os Livros dacategorias de livros, e sim lembrar somente um Escritura ensinam com certeza, fielmente e semfato histrico e servir para maior brevidade e erro a verdade relativa nossa salvao, queclareza no tratamento destas matrias. Deus quis fosse consignada nas sagradasAnalogamente, no Novo Testamento, por outras Letras. Por isso, toda Escritura divinamenterazes, porm, alguns livros nem sempre foram inspirada til para ensinar, para argir, paraadmitidos, e nem em todas as Igrejas, entre as corrigir, para instruir na justia: a fim de que odivinas Escrituras; tais como a Epstola aos homem de Deus seja perfeito, experimentado emHebreus, a de Tiago, a segunda de Pedro, a todas as boas obras (2Tim 3,16-17 gr.).segunda e terceira de Joo, a de Judas e oApocalipse; aos quais, por isso, tambm se Mas como Deus na Sagrada Escritura falouaplicou a designao de deuterocannicos, no por meio de homens e maneira humana, osentido explicado. intrprete da Sagrada Escritura, para saber o Tudo o que foi dito at aqui vale para os que Ele quis nos comunicar, deve investigar comautores catlicos. Compreende-se que os ateno o que os hagigrafos realmentehebreus rejeitem, em sua totalidade, o Novo quiseram significar e aprouve a Deus manifestarTestamento, alm dos deuterocannicos do por meio das palavras deles.Antigo. Os protestantes ocupam uma posio Para descobrir a inteno dos hagigrafos,de meio termo. No Novo Testamento, depois devem-se ter em conta, entre outras coisas,das primeiras incertezas de seus fundadores tambm os gneros literrios. A verdade admitiram integralmente e sem distino o proposta e expressa de modos diferentes,Cnon catlico. No An-tigo Testamento, ao segundo se trata de textos histricos de vriasinvs, seguindo o cnon mais restrito dos espcies, ou de textos profticos ou poticos ouhebreus, rejeitam, como fora da srie dos livros ainda de outros modos de expresso. preciso,sagrados, sob o nome de "apcrifos", os que ento, que o intrprete busque o sentido que ons chamamos deuterocannicos. hagigrafo -- em determinadas circunstncias, Para os catlicos, os apcrifos so certos segundo as condies do seu tempo e da sualivros antigos, semelhantes a livros bblicos, cultura -- pretendeu exprimir e de fato exprimiuquer do Novo, quer do Antigo Testamento, o usando os gneros literrios ento em voga.mais das vezes atribudos a personagens Para entender retamente o que o autor sagradobblicas, mas no inspirados, como os livros quis afirmar por escrito, deve-se atender bemcannicos, e nem sempre escritos por pessoas quer aos modos peculiares de sentir, dizer oufidedignas, nem de doutrina segura. Os narrar em uso nos tempos do hagigrafo, querapcrifos do Antigo Testamento .so chamados queles que na mesma poca costumavam"pseudo-epgrafos" pelos protestantes. empregar-se nos intercmbios humanos. Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e INSPIRAO E INTERPRETAO. -- "As coisas interpretada com a ajuda do mesmo Esprito quereveladas por Deus, que se encontram e levou sua redao, ao investigarmos o sentidomanifestam na Sagrada Escritura, foram bem exato dos textos sagrados, no devemosescritas por inspirao do Esprito Santo. De atender menos ao contedo e unidade de todafato, a Igreja, por f apostlica, considera como a Escritura, tendo em conta a Tradio viva desagrados e cannicos os livros inteiros tanto do toda a6 Igreja e a analogia da f. Cabe aosAntigo como do Novo Testamento, com todas exegetas, de harmonia com estas regras,as suas partes, porque, tendo sido escritos por trabalhar para entender e expor maisinspirao do Esprito Santo (cf. Jo 20,31; J2Tim profundamente o sentido da Escritura, para que,3,16; 2Pdr 1,19-21; 3,15 --16), tm a Deus por graas a este estudo de algum modoautor e como tais foram confiados prpria preparatrio, chegue a termo o juzo da Igreja.Igreja. Todavia, para escrever os Livros Com efeito, tudo quanto diz respeito sagrados, Deus escolheu homens, que utilizou interpretao da Escritura est sujeito ao juzona posse das faculdades e capacidades que ltimo da Igreja, que tem o divino mandato etinham, para que, agindo Deus neles e por meio ministrio de guardar e interpretar a palavra dedeles, pusessem por escrito, como verdadeiros Deus.autores, tudo aquilo e s aquilo que Elequisesse. Portanto, na Sagrada Escritura, salvas sempre a verdade e a santidade de Deus, manifesta-se a Portanto? como tudo quanto afirmam os admirvel condescendncia da eternaautores inspirados ou hagigrafos se deve ter Sabedoria, para nos levar a conhecer a inefvelcomo afirmado pelo Esprito Santo, por isso benignidade de Deus e a grande acomodao
  • 4. que usou nas palavras, tomando desde as primeiras cpias at inveno daantecipadamente cuidado da nossa natureza imprensa (sc. XV), era moralmente impossvel(S. Joo Crisstomo). que dois exemplares de um mesmo livro, ao menos os mais extensos, fossem exatamente As palavras de Deus, expressas em lnguas iguais, e Deus, que: preservou de todo erro oshumanas, tornaram-se intimamente originais dos livros sagrados, no quis obrigar-sesemelhantes linguagem humana, como a milhares de milagres que seriam necessriosoutrora o Verbo do Eterno Pai, tomando a carne para que se conservassem intactas as cpias.da fraqueza humana, se tornou semelhante aos Bastava conservar inalterada a substncia dohomens". (Dei Verbum, 11-13). depsito da f contido nos livros sagrados. E para tanto foi magnificamente providenciado, A inspirao bblica, segundo o conceito como precisamente nos ensina a historia docatlico, no uma moo mecnica, nem um texto.ditado, como se o autor humano fosse passivoe nada de prprio assentasse no livro inspirado. Os textos originais da Bblia, em particular osNo; a fora inspiradora age no homem de do Novo Testamento, so comprovados pormaneira digna dele, condizente com sua tamanha abundncia e antigidade denatureza de criatura inteligente e livre. Antes de documentos, que tambm sob o aspecto datudo, a inspirao uma luz intelectual, que, ou transmisso textual a Bblia mantm o seudescobre ao homem aquilo que antes ignorava primado, o seu lugar eminente na literatura(e ento tem-se a revelao), ou com novo mundial. Confrontada aos mais clebresesplendor lhe apresenta aquilo que j sabia. monumentos da literatura profana, tais como asSob a sua ao, a inteligncia humana no obras-primas da literatura grega e latina, elaperturbada, no perde a conscincia de si, brilha como o sol entre as estrelas. As obras decomo afirmavam os antigos acerca dos orculos autores gregos e latinos, no raramente, nospagos; pelo contrrio, mais do que nunca chegaram num nico manuscrito, e as maislcida e inteligente. Nem a vontade arrastada afortunadas gloriam-se de algumas dezenas fora contra a sua inclinao; antes, mais do deles; os manuscritos do Novo Testamento,que nunca livre, segue dcil e porm, contam-se s centenas e aos milhares.espontaneamente o impulso divino. A ao Deles possumos ainda cdices inteiros eminspiradora estende-se a todas as faculdades pergaminho, do sculo IV; com fragmentos dedo homem, a todas as suas aes empregadas papiros podemos remontar aos sculos III e II,ao escrever, at redao completa; mas a isto , a menos de um ou dois sculos da mortetodas e a cada uma toca e dirige segundo a dos autores, enquanto que para Ccero e Virglionatureza de cada uma e segundo a parte que a distncia das cpias mais antigas de cincotomam no trabalho complexo de escrever. Da ou seis sculos, para Homero de um milnio ese segue que a inspirao no suprime nem mais. O testemunho da transmisso direta dosatenua a personalidade do escritor humano, e cdices gregos reforado quer pornos vrios livros da Bblia pode-se ver refletida antiqussimas verses -- j no sc. II, como aa ndole e o estilo de cada autor. antiga verso latina --, quer pelas abundantes citaes de escritores cristos, a partir do sc. II. Ora, nesses antiqussimos testemunhos TEXTOS E VERSES. -- "Todos os Padres e encontramos a mxima parte do texto dasDoutores tiveram firmssima persuaso" -- modernas verses. Verdade que a prpriaescreve Leo XIII na citada encclica quantidade de manuscritos (alm de verses eProvidentissimus -- "de que as divinas citaes) ocasionou, pela razo j dita, umEscrituras, quais saram da pena dos autores nmero proporcionado de variantes, ou seja, desagrados, so inteiramente isentas de qualquer alteraes; pretende-se que no Novoerro". Mas ser que todas nos chegaram tais Testamento inteiro, em 150.000 palavras, haja"quais saram da pena dos autores sagrados?" 200.000 variantes, mas na maioria so minciasNenhum autgrafo, nem sequer do ltimo dos que no atingem absolutamente o sentido.autores inspirados, chegou at ns, como Ademais, a riqueza de documentao oferece tambm o de nenhum escritor da antigidade crtica meios mais eficientes para precisar o textoprofana; s possumos deles cpias remotas. original. Segundo o clculo de juzes toOra, os copistas no tiveram a assistncia do competentes como os crticos Westcott e Hort,Esprito Santo como os hagigrafos, e enquanto sete oitavos de todo o Novo Testamento socopiavam mo, era natural que se transmitidos, concordemente, sem variantes, porintroduzissem no texto alteraes de vrias todas as testemunhas. Quanto s variantes,espcies. No longo perodo de 1500-3000 anos, somente a milsima parte atinge o sentido e s
  • 5. umas vinte assumem verdadeira importncia. acima foi dito. Entra aqui o testemunho --Nenhuma atinge a alguma verdade de f. precioso pelo fato e pela poca -- do neto doAuxiliados pela crtica textual podemos concluir, autor do Eclesistico, o qual, no prlogo de suacom os supracitados crticos, que o texto traduo da obra do av, assevera ter ido aogenuno do Novo Testamento assegurado no Egito pelo ano XXXVIII do rei Evrgetes (cercas na substncia, mas tambm em quase todos de 132 a.C.) e ali j ter encontrado traduzidosos minuciosos particulares. em grego, a Lei (Pentateuco), os Profetas e os Quanto ao Antigo Testamento, as coisas outros Escritos, isto , as trs partes em que osapresentam-se um pouco diversamente. Antes judeus dividem a sua Bblia,das recentes descobertas junto ao mar Morto Assim, a verso grega dos LXX tem para ns(1947), os cdices hebraicos conhecidos, no valor de um manuscrito hebraico do sc. III a.C.anteriores aos sculos VIII-X d.C, dependiam ou mais antigo, representando um tipo de textotodos de uma recenso ou arqutipo do fim do sensivelmente diferente, como o demonstra umsc. I d.C, posterior, portanto, a cinco ou mais confronto com o texto corrente na Palestina. Elasculos dos originais. Dessa fonte temos o texto para ns, portanto, o instrumento principal paraconsonntico, isto , s as consoantes das a emenda crtica do texto hebraico. , contudo,palavras hebraicas, segundo o uso das lnguas um instrumento de emprego freqentementesemticas, de no escreverem as vogais. delicado. Alm de, por causa das divergnciasSomente por volta do sc. VII d.C, para facilitar dos tradutores, alguns literais e at servis, outrosa leitura e para uso didtico, foram inventados mais livres, no termos um critrio geral paraos sinais voclicos e inseridos no texto, quando remontar da traduo grega ao original hebraico,o hebraico tinha cessado h sculos (pelo sc. o prprio texto dos LXX, atravs de tantasIV a.C), de ser idioma falado. No longo perodo vicissitudes de sculos, chegou-nos emdo sc. I ao X d.C, o texto hebraico foi objeto manuscritos com to grande nmero dedos mais minuciosos e diligentes cuidados da variantes que nem sempre fcil, entre essaparte dos rabinos, chamados massoretas (de selva de variantes, descobrir o texto genuno.massor = tradio). ao trabalho infatigvel Causaram enorme confuso, sem o querer,deles que se deve a conservao inaltervel do trs recenses feitas no sc. III e difundidastexto e dos manuscritos to uniformes que no largamente na Igreja grega. Um sculo depois,apresentam seno rarssimas variantes e de um timo perito e testemunha ocular dos fatos,leve monta. Tambm as antigas verses, com S. Jernimo (Prefao s Crnicas) escreve:uma s exceo, quer as gregas do sc. "Alexandria com todo o Egito, nos seus LXXII (quila, Smaco, Teodocio, dos quais louva a obra de Hesquio; de Constantinopla atcontudo no nos chegaram seno fragmentos), Antioquia usam-se os exemplares do mrtirquer a siraca, chamada Pechitta, o Targum Luciano; as provncias situadas entre essas duasaramaico (tambm chamado parfrase regies lem os cdices palestinenses,caldaica), e a latina de S. Jernimo, sendo elaborados por Orgenes e divulgados portodas posteriores recenso do sc. I, e dela Eusbio e Pnfilo; de modo que todo o orbe sedependentes raras vezes supem forma diversa debate entre esta trplice variedade". Felizmentedo texto hebraico normal (massortico). nos foi conservado em poucos manuscritos, Tanto mais preciosa, em tais circunstncias, sobretudo no famoso Vaticano 1209 (assinalado para ns a antiga verso grega, feita no Egito com a sigla B), um texto anterior quelas(mais exatamente, em Alexandria, motivo por recenses e por elas tomado por base, o queque tambm chamada "alexandrina") entre os facilita o trabalho do crtico em busca da formasc. primitiva.III e II a.C Considerada at os tempos Todavia, o exame atento e consciencioso nosmodernos como obra coletiva de setenta e dois revela que tambm o texto hebraico usado peladoutos hebreus vindos para isso de Jerusalm, vetusta verso grega j estava bem afastado daa pedido de Ptolomeu Filadelfo (285-247 a.C), primitiva pureza e integridade, e que a maioriacomo narra uma pseudocarta de Aristia, das alteraes agora deploradas no textocontinua ainda a chamar-se a verso dos massortico, j existiam nos sculos imediatosSetenta ou os Setenta (LXX). Na realidade, ao exlio babilnico. Faltando o apoio dos LXXcomo mostra o exame interno, os tradutores para emendar um texto corrompido, no nosforam muitos, traduzindo quem este, quem resta seno o recurso crtica interna, ou seja, aquele livro, em pocas diversas, at que, reconstituio conjetural. A legitimidade e areunidas as tradues, formou-se um A. medida da aplicao destes critrios no AntigoTestamento totalmente grego, mais amplo do Testamento, provam-nos alguns captulos que,que o hebraico massortico, segundo o que nos prprios livros cannicos, nos foram
  • 6. transmitidos em dois exemplares diversos. falando, seja sinnimo da verso de S. Jernimo,Como., por exemplo, o salmo 18 (Vulgata 17), denominando-se o todo pela parte principal ereproduzido em 2Rs 22 e, no prprio Saltrio, o mais extensa.salmo 14 (Vulgata 13) repetido com o nmero53 (Vulgata 52). So tocante ao Pentateuco, O VALOR DA VULGATA. -- Entre os tradutoresalm disso, temos como reforo o texto antigos da Bblia, S. Jernimo foi o ltimo noconservado entre os samaritanos, pertencente a tempo, embora o primeiro pelo mrito: no sum tipo mais antigo que o massortico, por se ter podido valer dos trabalhos dos seusabstrao feita de certos acrscimos e antecessores, mas sobretudo porque, pelaadaptaes em favor do culto deles no monte prtica constante, adquiriu domnio tal dasGarizim (veja Jo 4,20). O arcasmo do lnguas bblicas (hebraico, aramaico, grego), quePentateuco samaritano reflete-se at na forma entre os antigos cristos no se conhece igual.de, escritura que eles ainda adotam. Trata-se Acrescente-se um conhecimento igualmentedum descendente direto da primitiva escrita nico da literatura exegtica, tanto judaica comohebraica, mais prxima das origens fencias (e crist. Com uma bagagem de cultura literriaportanto tambm de nosso alfabeto), do que o incomum, com tima preparao e excelentesalfabeto em uso h sculos entre os hebreus. critrios, ps mos. ao rduo trabalho. ComeouDe fato, a hodierna escrita hebraica (chamada, por corrigir (em Roma, em 384, a convite dopela forma geral das letras, quadrada) deriva do papa S. Dmaso) os Evangelhos latinos,ramo aramaico do alfabeto adotado por eles na auxiliado para isso pelos melhores cdicespoca persa (cerca do sc. V a.C.) em lugar da gregos. Transferindo-se depois para a Palestinaantiga, na qual anteriormente foram escritos os (386), com o intuito de levar uma vida delivros sagrados. No exame crtico do texto ascetismo e de estudo, estendeu o mesmooriginal, esta mudana de alfabeto deve ser trabalho de paciente reviso, baseado no originallevada em conta. o primeiro estudo a ser feito grego, aos livros do Antigo Testamento; mas,por todo bom tradutor ou intrprete da Bblia, tendo terminado uma parte deles, sobretudo oscomo de qualquer outro livro: certificar-se da Salmos, que passaram depois Vulgata,leitura genuna, isto , das palavras exatas compreendeu que prestaria um servio muitoescritas pelo autor. "O primeiro cuidado de melhor Igreja, fazendo uma nova versoquem quer entender a divina Escritura diretamente do texto hebraico. E sem esmorecer[sentencia Sto. Agostinho no seu magistral De diante das ingentes dificuldades, e sem seDoctrina Christiana, 1. II, c. 21] deve ser o de cansar no longo e spero caminho, a ela secorrigir os cdices". Traduzido em linguagem dedicou com admirvel constncia pelo espaomoderna pelo Pontfice Leo XIII, na encclica de uns quinze anos, de 390 a 404, at oProvidentissimus Deus, este preceito soa acabamento feliz da obra. No traduziu os livrosassim: "Examinada com todo cuidado a leitura pela ordem que tm no cnon. Comeou com osgenuna do texto, quando for o caso, passar-se- livros de Samuel, aos quais anteps o conhecido a sondar e expor o sentido" do texto sagrado. Prlogo galeato, que como que o programa de toda a sua verso. Passou depois aos Salmos, A VULGATA, -- Vulgata, por antonomsia, aos Profetas, a J, a Esdras e s Crnicas, aoschamase a verso latina em uso na Igreja trs livros atribudos a Salomo (Provrbios,latina. Ela , em sua mxima parte, obra de S. Ecle-siastes, Cnticos). Em seguida, passandoJernimo, doutor da Igreja (cerca de 350-420), para o incio, ps mos ao Pentateuco, epois resulta da unio de trs categorias de prosseguindo por Josu, Juzes e Rute, terminoulivros: V livros que ele traduziu diretamente do com Ester. No traduziu todos os livros com atexto original: todos os protocannicos do mesma aplicao. Com maior cuidado traduziu eAntigo Testamento, com exceo dos Salmos, corrigiu (como se exprime ele mesmo) osmais Tobias e Judite; 2- os livros de uma antiga primeiros livros, isto , Samuel e Reis; os trsverso latina por ele revista e corrigida luz do livros ditos de Salomo concluiu-os em apenastexto grego: os Salmos, do Antigo Testamento; trs dias; o de Tobias, num dia; o de Judite,ao certo os Evangelhos e provavelmente o numa noite. Destas e de outras causas resultarestante do Novo Testamento; 3 cinco certa desigualdade entre os vrios livros, edeuterocannicos do Antigo Testamento, que tambm na unidade fundamental da verso. Emtinham ficado na antiga verso latina, no geral, tendo-se formado uma idia clara do quetocados por S. Jernimo, a saber: os dois dos queria dizer o autor sagrado, procurou produzi-laMacabeus, Sabedoria, Eclesistico e Baruc com a mesma clareza em latim, cuidando mais(com a Carta de Jeremias). No , portanto, do sentido do que da letra, sem menosprezar ainexato dizer que o termo Vulgata, comumente exigncia da boa latinida-de. Guiado por esses
  • 7. critrios, conseguiu imprimir sua traduo, de primeiros passos para uma edio crtica damodo geral, uma propriedade de sentido e uma Vulgata; no entanto, outros a corrompiam aindabeleza de expresso tais, que s se apreciam mais, corrigindo-a a bel-prazer com o textoplenamente quando comparadas com as hebraico; outros ainda mais radicalmente,verses rivais gregas ou latinas, em geral segundo o caminho aberto pela reformarudemente literrias e brbaras e, portanto, protestante, a repudiavam. Estes fatostambm obscuras. Todavia, tambm S. motivaram a interveno doJernimo, especialmente nos primeiros livros Conclio de Trento na importante questo.traduzidos, s mais das vezes por venerao Na sesso IV (8 de abril de 1546) o Tridentino,palavra divina, no se afasta de um duro depois de haver definido o cnon das divinasliteralismo e por amor clareza no foge de Escrituras, como dissemos, para enfrentar astermos e construes vulgares; nos seus desordens introduzidas no uso dos livrosescritos originais brilha muito mais pela sagrados, decretou que a Vulgata, venerada pelalinguagem e pelo estilo. antigidade e pelo uso diuturno da Igreja, fosse considerada verso autntica e, alm disso, VICISSITUDES E ESTADO ATUAL. -- s tradues fosse impressa com a mxima correo. Ade S. Jernimo no encontraram imediatamente execuo da segunda parte deste decreto, isto ,no mundo latino a acolhida que mereciam. A a edio correta da Vulgata, foi confiada pelopropagao, devido em parte s dificuldades da prprio Conclio Santa S. Os Sumospoca, foi lenta, mas em constante progresso, Pontfices, desde Pio IV at Clemente VIII,de sorte que dois sculos depois Sto. Isidoro de nomearam para esse fim quatro comissesSevilha (+ 636) pde escrever que ela j estava sucessivas, cujos trabalhos, no obstante asem uso em toda a Igreja do Ocidente, e mais numerosas dificuldades e vrias vicissitudes,tarde o renascimento carolngio consagrou-lhe terminaram com a edio oficial vaticana que,definitivamente o triunfo sobre as antigas sobre a base lanada por Sixto V, foi publicadaverses latinas. Formou-se assim, entre o sc. por Clemente VIII em 1592, chamando-se, porV e o IX, a verso que, propriamente isso, sixto-clementina; a essa, a qual sechamada Vulgata: fundo jeronimiano com seguiram outras duas reedies vaticanas emalgumas partes da antiga latina, como 1593 e em 1598, tiveram que se conformar todasevidenciamos acima. No curso dos sculos, as edies subseqentes em qualquer parte doporm, transmitindo-se em exemplares mundo, at aos nossos dias.manuscritos, perdeu, ora mais, ora menos, dasua primitiva pureza, seja por causa dos A autenticidade da Vulgata, primordial decretocopistas, seja por infiltraes de antigas Tridentino, foi muitas vezes mal compreendida.verses. No faltaram, de vez em quando, Antes de tudo, com este privilgio conferido doutos e zelosos vares para opor-se invaso Vulgata, de ser a nica verso autntica, ocorruptora, emendando o texto corrente a fim de Conclio no entendeu coloc-la acima dosreconduzi-lo primitiva integridade. Digna de textos originais, nem diminuir o valor intrnsecomemria pelo valor dos resultados e pela das outras verses, sobretudo das antigas, masinfluncia eficaz a reviso efetuada por Alcuno tambm das modernas, como declaram(801), ordenada por Carlos Magno. Mas nem expressamente as atas do conclio. O decretosequer esta escapou rpida degenerao, pe diante da Vulgata somente as outrasnem impediu que se formassem outros tipos de verses em lngua latina; o resto (seja texto,textos, sobretudo na Espanha e na Itlia. sejam verses em outras lnguas) no Quando, no sc. XIII, afluam Universidade de alcanado pelo decreto. Em relao s versesParis estudantes de toda a Europa, trazendo latinas afora a Vulgata, portanto, o decreto cada qual o seu texto bblico, sentiu-se a negativo; no lhes confere o valor reservado necessidade, para uso escolar, de uniformizar Vulgata, mas no as rejeita nem as condena.os textos muitas vezes discordantes entre si; e Todo o peso do decreto, portanto, se concentraisso foi feito, enxertando-se sobre o fundo sobre o carter positivo reconhecido Vulgata;alcuiniano as variantes dos outros. Originou-se de autntica.da um texto de valor discutvel que, todavia,graas enorme influncia exercida pelaclebre Universidade, teve grande sucesso e AVE-MARIApropagou-se por toda a "Europa, primeiro em A Bblia Ave Maria uma verso da Bbliacpias manuscritas, e depois, inventada a arte crist publicada pela Editora Ave Maria emtipogrfica, tambm nas edies impressas. S 1959, traduzida do grego e hebraico, por mongesna primeira metade do sc. XVI deram-se os beneditinos de Maredsous (Blgica). Foi
  • 8. considerada uma das melhores tradues domundo na poca e em sua primeira edio teveuma tiragem de 42.000 exemplares. uma dastradues mais populares no Brasil. Compoucas notas de rodap, tem uma linguagemcoloquial, porm sem prejuzo para acompreenso dos aspectos histricos eculturais. Na dcada de 50 publicaram a Bbliacatlica do Brasil, cuja traduo, supervisionadapelo frei Joo Jos Pedreira de Castro, vice-presidente da LEB Liga de Estudos Bblicos e fundador do Centro Bblico de So Paulo, foifeita a partir da verso francesa dos mongesbeneditinos, de Maredsous, Blgica, umatraduo direta do hebraico, grego e aramaico. Com uma linguagem popular, que tornou sualeitura bastante acessvel, a Bblia Ave-Mariaencontra-se agora ONLINE!
  • 9. ANTIGO TESTAMENTO Nos relatos do Antigo Testamento por exemplo, de quem narra ospresenciamos a histria do povo hebreu pormenores do adultrio e do homicdiodurante quase dois mil anos, desde a (2Sam 11). Mas ao lado do escndalovinda de Abrao Palestina at a aparece a correo. Que h de maisinstalao da dinastia dos Hasmoneus edificante do que a santa ousadia de(cerca dos sc. XX-II a.C): histria essa em Natan em lanar face de seu soberanoconexo, ora maior ora menor, ora direta o duplo delito, do que o arrependimentoora indiretamente, com a dos povos e a humilde confisso de Davi, o perdovizinhos, sobretudo dos grandes da culpa, seguido da execuo dumimprios, entre os quais a Palestina jazia castigo da parte de Deus? (2Sam 12).como ponte: ao sul, o Egito; ao norte, Outras vezes o pecado censurado maissucessivamente, Babilnia, a Assria, a abertamente (Gn 38,9-10). S osPrsia e a Sria. Constituam eles outros fariseus poderiam escandalizar-se comtantos centros de civilizao, que se tais narrativas, motivos de ensinamento!irradiava entre os povos submetidos ou Alm disso, quo poucos so eles emvizinhos, formando uma vasta unidade comparao com tantos exemplos decultural. No meio dessa civilizao nobres virtudes! So apenas sombrascomum movia-se o povo de Israel, humanas a dar maior realce s luzessofrendo a sua influncia. Nas artes e na divinas da histria sagrada. As noindstria, Israel jamais desenvolveu uma poucas cenas de sangue que ela relata,civilizao prpria; ficou devedor ao no passam dum reflexo daquelesestrangeiro, como tambm a sua lngua e tempos rudes e ferozes. Tambm osliteratura trazem o cunho da origem anais de outros povos orientais estocomum ou do prestgio de outros povos repletos delas, distinguindo-se os dossocialmente mais evoludos. No entanto, hebreus at por um maior senso dea ausncia de originalidade e humanitarismo; os reis de Israel gozavamindependncia de civilizao material, de fama universal de clemncia (lRspe em muito maior relevo o valor das 20,31).instituies religiosas e morais, A relativa brandura dos hebreuselementos bsicos da civilizao genuna derivava da legislao que Deus lhes derae completa que foram glria exclusiva por intermdio de Moiss. A pena dedesse povo eleito. morte aplicada mais raramente do que no cdigo de Hamurabi, e quase s por VALOR DA INTERPRETAO. O Antigo meio de apedrejamento. Reconhece a leiTestamento uma obra de talio, em voga nos costumes dosverdadeiramente divina porque inspirada povos, mas a mitiga (x 21, 23125.28-por Deus e porque nos apresenta, pode- 32). Assim em outras asperezasse dizer, em cada uma de suas pginas, a (vingana do sangue) ou relaxamento deao de Deus sobre os homens. Ao costumes (poligamia, divrcio) a lei,mesmo tempo, porm, uma obra encontrando costumes inveterados eprofundamente humana, porque no podendo desarraig-los totalmente,destinada aos homens, fala uma intervm para os refrear e regulamentarlinguagem humana e nos apresenta, na (cf. Mt 19,8). Doutra parte, impe ossua histria, os homens tais quais so, deveres de humanitarismo tambm paracom suas deficincias e rebeldias contra com o prprio adversrio (x 23,4-5) eos desgnios divinos. No costuma estabelece a medida da mtuaencobrir as faltas dos seus heris; Davi, benevolncia, com o preceito: "Amars o
  • 10. teu prximo como a ti mesmo" (Lev fatos histricos e s pessoas desse19,18), donde a norma: "No faas aos "drama" divino, que no Novooutros o que no te agrada" (Tob 4,16). Testamento recebem a sua concluso. OsPara com os estrangeiros, as vivas, os apstolos e o prprio Jesus (Mt 12,40;rfos, em suma, os mais necessitados, Jo3,14;6,32) indicaram-nos algumasrecomenda consideraes especiais (X dessas imagens antecipadas que, a22,21-23; Dt passim). Muitas vezes o exemplo de S. Paulo, costumam chamar-prprio Deus, especialmente pela se tipos ou figuras; o objeto por elaspregao dos profetas, faz-se seu vislumbrando chama-se anttipo ouadvogado e protetor. Contra o abuso da figurado. Da se segue que no Antigoescravido, praga da sociedade antiga, a Testamento, alm do sentido daslei mosaica, alm de mltiplas restries palavras chamado verbal ou literal, h(x 21,1-11; Lev 25,39-45; Dt 15,12-18), que reconhecer um sentido das coisas,j defende o princpio de igualdade dos chamado real ou tpico, e s vezes menoshomens perante Deus (Lev 25,42). Nada felizmente, mstico e alegrico. Entredisso se encontra em outros cdigos estas duas categorias de sentido horientais, sem falar na genuna doutrina conexo, mas ao mesmo tempo grandereligiosa, prpria do Antigo Testamento, diferena. O sentido literal (que pode serque tambm fator autntico de prprio ou imprprio, isto , metafrico)verdadeira civilizao. Por outro lado, as no pode faltar em nenhum dito dasuas mais nobres eminncias o Antigo Escritura e acha-se freqentemente semTestamento as atinge nos seus profetas, o tpico, do qual fundamentofiguras grandiosas de poetas e de heris. necessrio. O tpico, ao invs, jamais Em comparao com a sublime pode disjungir-se do literal e no existedoutrina evanglica, a lei antiga, em toda parte, mas to-somente ondeevidentemente, bem imperfeita; para h verdadeira semelhana e relao comaqueles tempos e povos antigos, porm, algo de anlogo no Novo Testamento.era uma lei santa, que trazia em si os A autntica originalidade do Antigogermes de um pleno aperfeioamento. Testamento consiste na sua doutrinaEra uma instituio religiosa preparatria religiosa e moral, cujo centro ocupa-o apara um regulamento definitivo, que idia do monotesmo. Na expressodevia ser trazido pelo Messias, por Cristo. artstica do pensamento, porm, noS. Paulo, com razo (Gl 3,24), comparou difere muito dos produtos das lnguas ea lei mosaica ao pedagogo, que conduz literaturas irms, em particular daos discpulos escala do Mestre, de acdica e da fencia (ugartica). A lnguaCristo. As prprias falhas do Antigo hebraica, bastante parca de conjunesTestamento levavam a desejar o Senhor subordinativas, costuma exprimir-se eme Salvador, cujo advento fora anunciado proposies breves coordenadas com apelos profetas. simples aditiva: e . . . e . . . Resulta da Observa-se, puis, um progresso vital certa dureza e monotonia, sobretudo nado Antigo ao Novo Testamento, como do parte narrativa, que as verses modernasembrio que se desenvolve num devem atenuar, ligando e construindo organismo perfeito. Deste carter do nossa maneira usual.Antigo Testamento e desta sua relao O estilo hebraico imaginoso ecom o Novo, deriva uma conseqncia concreto; exprime-se com metforasimportante para a sua correta ousadas e imagens exuberantes,interpretao, pois as suas instituies apresentando as coisas abstratas edeviam ter alguma semelhana com as espirituais com termos realistas capazesdo Novo; eram as suas imagens de chocar nossos costumes e gostos maisantecipadas. Analogamente quanto aos refinados. Em particular fala de Deus e
  • 11. de suas aes em termos de atividade leitor no se admire disso, nem se deixehumana: mos, olhos, ouvidos levar a erro. Sob a aparncia muitas(antropomorfismo), ficar sentido, vezes spera, oculta-se sempre umcomover-se, arrepender-se pensamento nobre e puro.(antropopatismos), e semelhantes. Que o
  • 12. O PENTATEUCO O primeiro lugar de ordem e de honra antiga e para a histria especial do povoentre os livros do Antigo Testamento hebreu.ocupa-o aquele que os gregos chamaram Quem o autor do Pentateuco? DesdePentateuco, isto , obra em cinco tomos. a mais remota antigidade foiPara os hebreus a "tora", ou seja, a lei, considerado seu autor o prprio Moiss,nome tomado da matria central. o protagonista dos ltimos quatro livros.Tambm os hebreus o dividiram nos J nos livros posteriores da Bblia citam-mesmos cinco livros que os gregos, se-lhe vrias sentenas com a frmula:distinguindo--os com a palavra inicial. Ns "Est escrito na lei de Moiss", ou "nousamos exclusivamente os nomes livro de Moiss", ou "no volume da lei deimpostos pelos gregos, que de maneira Moiss". Assim, para no falar do livro degraciosa lhes caracterizaram o contedo: Josu, que a continuao imediata eGnesis, xodo, Levtico, Nmeros, como que o complemento do PentateucoDeuteronmio. De jato, o Gnesis narra (Jos 8,31;23,6), em lRs 2,3; 2Rs 14,6;as origens do universo e do gnero 2Crn 23,18;25,4;35,12; Esdr 3,2;6,18; Nehumano at formao paulatina do 8,1; 10,34; 13,1; Bar 2,2; Dan 9,11 etc. Ospovo de Israel na sua estada no Egito. O Evangelhos nos apresentam a convicoxodo narra a sada dos israelitas do de que Moiss autor da lei, difundida eEgito, conduzidos por Moiss aos ps do radicada entre os judeus; o prprio Jesus,Sinai, para a receberem de Deus a sua lei bem como os apstolos admitem-na e areligiosa e civil e se constiturem, por confirmam (veja Mt 8,4; Mc 12,26; Lcmeio de um pacto sagrado 20,37; Jo 5,46; At 3,32;15,21; Rom 10,5("testamento"), em peculiar "povo de etc.). Entre as testemunhas eloqentes daDeus (Jav)". O Levtico regula o culto f judaica figuram Flon, Jos Flvio, ereligioso maneira de ritual, dirigido com maior crdito e ressonncia oespecialmente aos levitas, que formavam Talmud (tratado Baba batra, f. 14,15);o clero consagrado ao servio do entre os cristos, os Padres da Igreja sosanturio. Os Nmeros recebem o nome unnimes em reconhecer Moiss autordos recenseamentos do povo contidos na do Pentateuco.primeira parte, estendendo-se, depois, No contraria essa atribuio o fato deem referir fatos e providncias legislativas que de Moiss se fale sempre em terceiracorrespondentes a cerca de quarenta pessoa; Xenofonte e Jlio Csar (paraanos de vida nmade no deserto da falar s em nomes clebres), fizeram opennsula sinatica. No Deuteronmio, ou mesmo. Nem suscita a menor dificuldadesegunda lei, emanada pelo fim da jornada a grande antigidade de Moiss (cerca dono deserto, Moiss retoma a legislao sculo xiv a.C), pois agora sabemos porprecedente para adapt-la s novas documentos originais recentementecondies de vida sedentria, em que o descobertos, que naquela poca, no s apovo viria a se encontrar com a conquista escrita j era conhecida desde sculos,iminente da Palestina. mas at o prprio alfabeto fenicio- Neste rpido apanhado aparece num s hebraico j fora inventado. Nemlance tanto a unidade como a variedade derrogam esta convico universal ado Pentateuco, bem como a sua opinio de alguns, j na Idade Mdia, deimportncia fundamental para a religio que um outro trecho breve, como os oito
  • 13. ltimos versculos do Deuteronmio, que de Esdras (sculo v a.C). Com taisnarram a morte de Moiss, tenha sido concluses, nada mais resta a Moiss doacrescentado mais tarde ao Pentateuco. Pentateuco, exceto um ou outroS nos tempos modernos que surgiram fragmento, como o Declogo (x 20),dvidas e negaes radicais. incorporado pelos primeiros A partir do sculo xvin vem-se fazendo colecionadores das antigas memrias (J E)pesquisas perspicazes em trs sentidos: prpria obra.composio, autor, idade do Pentateuco. Esta teoria, que se estriba, em boaA composio: fruto ou no da unio de parte, no princpio filosfico da evoluovrios documentos ou de mais escritos aplicado religio e histria do povooriginariamente distintos? O autor: de hebreu, se bem que tenha encontrado aquem so as partes individuais ou os maior aceitao entre os protestantes,documentos, quem as reuniu num todo, teve na prpria Alemanha, fortesou seja, de quem a redao definitiva opositores entre os crticos de primeirado atual Pentateuco? A idade: quando ordem, especialmente no que concerneviveu cada um dos autores e redatores? s datas atribudas aos supostosSo trs questes distintas entre si, mas documentos, que, se na verdade oto conexas que podem e habitualmente ponto mais revolucionrio, tambm oso tratadas como um tema comum: a mais vulnervel de todo o sistema. Paraquesto mosaica. Para responder a tais desmenti-lo neste ponto, surgiram noquestes elaboraram-se, no sculo xix, sculo xx novas escolas; novasvrios sistemas; mas prevaleceu sobre orientaes emergiram do solo, com astodos, no fim do sculo, o defendido por escavaes no Oriente, importantssimosK. H. Graf (1866) e aperfeioado por J. documentos, tais como o cdigo deWellhausen (1876-78). Ele distingue no Hamurabi, rei de Babilnia, os arquivosPentateuco quatro autores ou escritores dos heteus, ou hititas, em Bogazky, nadiferentes: dois narradores denominados sia Menor, e os poemas ugarticospelo uso diferente do nome de Deus, um descobertos em Ras Shamra, no litoral daavista (abreviado }), o outro elosta (E), Sria, para s mencionar os principais. Elesaos quais se deve a maior parte dos fatos trazem luz costumes, instituies e ritosreferidos no Gnesis, xodo, Nmeros; anlogos aos do Pentateuco de temposum deuteronomista (D), autor quase at mais antigos de Moiss, e que osexclusivo do Deuteronmio; e um tratado crticos julgavam prprios de poca maispresbiteral (P) ou cdigo sacerdotal, que recente, e nos revelam fatos que secompreende todo o Levtico e muitas refletem na vida dos patriarcas (Gn 12,partes narrativas de Gnesis, xodo e fim), com matizes que poucos sculosNmeros. Esses os documentos. Para as atrs teria sido impossvel imaginar.respectivas datas, segundo a supracitada Conseqentemente, a brilhanteescola, o cdigo sacerdotal (P) seria concepo arquitetada por Wellhausenposterior ao profeta Ezequiel (primeira acha-se em plena dissoluo. Resistemetade do sculo vi a.C), o Deuteronmio ainda tenazmente a anliseteria sido composto pouco antes da documentria, ou seja, a distino dereforma religiosa de Josias, ou seja, pelo quatro (ou mais) fontes, de cuja fusoano de 621 a.C, o elosta e o avista teria resultado o Pentateuco.seriam mais antigos (sculo viu e ix). A Remetendo, para mais amplasunio de todos esses escritos no atual explicaes, a tratados especializados dePentateuco ter-se-ia realizado no tempo introduo bblica, ou a comentrios mais
  • 14. desenvolvidos, exporemos aqui os fatos Eloim 6 Jav. Na traduo, a Vulgata nemobjetivos, sobre os quais se quer sempre conserva a distino.fundamentar a prova da estrutura O emprego alternado dos dois nomescompsita do Pentateuco, para indicar divinos no casual; nem sem motivodepois uma via de soluo, e mostrar que cessa em x 6, predominando depoiscomo esses fatos, quando reduzidos ao quase exclusivamente Jav; isso estseu justo valor, no impedem que Moiss manifestamente em relao com o que apossa ser verdadeiramente chamado se l; s geraes precedentes Deus seautor do Pentateuco. A exposio que revelava como Sadai, pois desconheciamsegue auxiliar o leitor a formar-se uma o nome sagrado de Jav, revelado pelacompreenso mais clara destes livros. primeira vez a Moiss (veja tambm x Nomes divinos. Para exprimir a idia 3,13-15,). Compreende-se, pois, porquede Deus, a lngua hebraica dispe de nas narrativas precedentes o nome usadomuitos termos. O mais freqente (1.440 seja Eloim. Mas, como explicar a presenavezes no Pentateuco, mais de 6.800 em de Jav em tantas partes do Gnesis?toda a Bblia) "Jav" (ou "Jeov", Depois de Astruc viu-se aqui a provasegundo uma pseudo pronncia tangvel de duas fontes ou dois autoresintroduzida entre os sculos xvi e xix), diferentes, chamados um elosta (sigla E),nome prprio, pessoal. " Elohim" (975 outro javista (sigla J). Veremos se comvezes no Pentateuco, cerca de 2.500 na razo.Bblia) nome de natureza, como se Lngua e estilo. No entanto, esto jdissssemos: a divindade; todos concordes que o argumento dosgramaticalmente plural (a forma singular, nomes divinos, por si s, no suficiente" eloah", potica e existe s 2 vezes no para se distinguirem solidamente fontesPentateuco), quanto ao sentido singular ou autores. Este argumento por isso "El", de igual valor, mas arcaico e potico, acompanhado de provas subsidirias.46 vezes no Pentateuco; " Adonai" = Com efeito, observam eles, alternaoSenhor, 17 vezes; "Saddai" = o dos nomes divinos acha-se associada a eOnipotente (?), 9 vezes; " Elion" = o semelhantes mudanas de vocbulos eAltssimo, 6 vezes. questo mosaica construes. Por exemplo, o ato criadorinteressam principalmente os dois em Gn 1 exprime-se com "bara ", em 2primeiros. Foi observado (e o primeiro a com "yasar"; os habitantes da Palestinadar pelo fato foi o mdico catlico francs antes dos hebreus so chamados (Jean Astruc em 1756) que no Gnesis e "cananeus" por J, amor eus" por E; ano incio do xodo captulos inteiros serva, "sifha" por J, * amah" por E; oempregam exclusivamente, ou quase, o patriarca Jac s em J toma o nome denome Jav; outros, ao invs, com a Israel. A diversidade prolonga-se alm domesma exclusividade e constncia rezam Gnesis; o monte onde foi promulgada aEloim. Assim, por exemplo, em Gn 1, l- lei, em J chamava-se "Sinai", em E "Ho-se 33 vezes Eloim, e nunca Jav; em Gn reb"; o sogro de Moiss, em J tem o nome4, uma vez Eloim e 10 vezes Jav (em 2-3 de "Raguel", em E de "Jetro", e assim pordiga-se de passagem, esto juntos Jav e diante, igualmente, mudando os nomesEloim); em Gn 10,16 nenhum Eloim, 36 divinos, muda o estilo. J mais abundanteJav (com 2 Adonai); em Gn 17, ao invs, e minucioso; condescendente e popular,7 Eloim, 1 Jav; em Gn 24 nenhum no evita os mais chocantesEloim, 19 Jav; em Gn 30-35 contra 32 antropomorfismos; vivaz e dramtico, tem um colorido potico, fascinante. E
  • 15. mais seco, anedtico, um pouco permitir a ereo de um altar emdescuidado. qualquer lugar, memorvel por alguma Observando-se a diversidade de estilo, interveno divina, e a imolar vtimasdescobrem-se mais duas fontes ou sagradas. Lev 17,3-9 no admiteautores: um segundo elosta que, nas nenhuma matana de animal longe dopartes legislativas, ocupa-se de altar, sobre o qual deve ser derramado opreferncia do culto religioso, donde foi sangue, sendo este altar, em unio com ochamado sacerdote e autor do "cdigo tabernculo sagrado, o nico para todos.sacerdotal" (P); e na seo narrativa ele Em Dt 12,1-28, segundo a interpretaoaprecia as estatsticas, anotaes comum e bvia, nicos so o templo e ocronolgicas, frmulas esquemticas altar, e fora deles no permitido(exemplo seja a narrao da criao, Gn oferecer sacrifcios a Deus. Permite-se, no1), a linguagem precisa e quase pedante entanto, que se matem animais emdo jurista. E, enfim, o pregador que qualquer lugar, para o uso comum,escreveu o Deuteronmio (D) num estilo derramando-lhes o sangue por terra, aoamplo, parentico, cheio de afeto declarada profana e no mais sagrada.humanitrio e de suave insinuao. A esta variedade de leis corresponde Os duplicados. Para provar a observa-se a prtica na histria,pluralidade de autores do Pentateuco conforme vem narrada pela prpriasurge um terceiro argumento, mais Bblia. De fato, vemos nos livros dos Juzesvalioso do que os dois antecedentes. (6,24-28; 13,15-23), de Samuel (ISam 6,Certos acontecimentos diz-se e no 9.17;9,12; 2Sam 15,7-12;24,18-25), dospoucas leis, ocorrem duas e at trs vezes Reis (IRs 3,2-4; 15,14 etc.), altares erigidosem forma pouco diversa. Assim, a criao e sacrifcios oferecidos quase por todado mundo narrada duas vezes (Gn 1,1- parte, segundo as circunstncias, em2,3 e 2, 4-24); duas vezes Agar expulsa harmonia com a lei do xodo. Mas, emda casa de Abrao (16 e 21); duas vezes 2Rs 22,23, lemos que o rei Josias noacha-se em perigo a honestidade de Sara stimo ano de seu reinado (621 a.C.),(12 e 20) e uma terceira a de Rebeca (26); tendo-se encontrado como que poras duas genealogias de Caim (4) e de Set acaso, no templo, um exemplar da lei, fez(5) tm em comum a maior parte dos dela uma aplicao imediata, quenomes; no dilvio (6-8) so entrelaadas corresponde exatamente s prescriesduas narraes distintas. Duas vezes do Deuteronmio, particularmente acercarepetida a vocao de Moiss (x 3 e 6), a da unicidade do santurio e do altar.queda do man e a pousada das co- Trata-se da chamada reforma de Josias,dornizes no deserto (x 16 e Nm 11), a precedida, um sculo antes, por umaprova junto s guas de Merib (x 17 e tentativa de Ezequias no mesmo sentidoNm 20). O preceito das trs solenidades (2Rs 17,22; 2Crn 32,12; Is 36,7).anuais repetido at cinco vezes (x Esses os fatos. A supradita escola crtica23,14-19;34,23-26; Lev 23; Nm 28; Dt tira daqui as conseqncias que temos16). visto: o Deuteronmio, o primeiro a Variaes nas leis. Entre os ostentar a lei do altar nico, foi compostoduplicados legais, especial ateno no sculo vil a.C, pouco antes da reformareclamam os que introduzem uma de Josias. O Levtico, que j supe essa lei,modificao. A mais clebre e mais grave bem como todo o cdigo sacerdotal aode tais modificaes diz respeito ao lugar qual pertence, posterior a Josias e aodo culto (templo e altar). x 20,24 parece exlio, acrescentado pouco depois. Os
  • 16. dois escritos narrativos, o javis-ta e o repetido na elosta (um "duplicado"elosta, que j circulavam separadamente, anlogo aos do Pentateuco) sem outrao primeiro desde o sculo ix na Judia, o variante, ou quase, seno justamentesegundo desde o sculo viu no reino de esses nomes divinos. Ora, assim comoIsrael, refletem a prtica mais antiga. ningum duvida que os salmos assim Essas conseqncias sustentam-se? repetidos, por exemplo, 13 e 52 sejam doSer que os fatos acima mencionados, mesmo autor, assim tambm no estreduzidos aos seus justos limites, no provado que sees avistas e elostas nocomportam outra explicao? A soluo Pentateuco devam pertencer a autoresda questo da autenticidade mosaica do diferentes.Pentateuco depende da resposta a esses A lngua e o estilo no dependemdois quesitos. unicamente do autor, mas tambm do Partindo do primeiro argumento, o dos assunto e do gnero literrio. Santonomes divinos, afirmamos antes de mais Agostinho ditava os seus trabalhosnada que nem sempre esteve ao arbtrio dogmticos de modo diverso dos seusdo escritor usar Jav ou Eloim; o matiz sermes populares. O Deuteronmio, quesutil de sentido e a associao diferente a promulgao oral de uma lei, emde idias contidas nos dois nomes, levam, reunio pblica, no pode ter o estiloem dadas circunstncias, a usar um com lapidar de um cdigo gravado em tbuas,excluso de outro, e em certas nem as disposies rituais do cdigoconstrues o uso, sem razo aparente, sacerdotal tm que se amoldar s leisligou-se exclusivamente a um ou ao civis do cdigo da aliana (x cc. 21-23). Aoutro. da que se diz: " is Elohim" = variedade, por maior que seja, no sehomem de Deus, mas "debar Jahv" = ope unicidade substancial do autor.palavra do Senhor, e no o contrrio. O Alm disso, no est excludo, comocritrio dos nomes divinos, portanto, est veremos, o emprego de fontes e desujeito cautela. Alm disso, ser que colaboradores que tambm deixam a suaestamos certos de que os nomes divinos, marca na obra definitivamente concluda.como figuram no texto atual, so Distinguimos duas espcies dosoriginais, isto , remontam ao prprio chamados duplicados: duas vezes ocorreautor? um fato semelhante (duplicado real), ou A tese crtica o supe, e para ela duas vezes narra-se o mesmo fatoindispensvel. H, porm, boas razes (duplicado literrio); para a questo depara duvidar. A alternao dos nomes unicidade ou pluralidade de autor,divinos no particularidade do somente a segunda espcie tem valor.Pentateuco: constata-se tambm em Ora, que, por exemplo, a beleza de Saraoutros livros da Bblia, especialmente no tenha excitado duas vezes, em duasSaltrio, onde os primeiros quarenta e os cidades diversas, a cobia de um dspotaltimos sessenta salmos usam quase oriental (Gn 12 e 20) nada tem deexclusivamente Jav, ao passo que os improvvel. tambm positivamentedemais cinqenta, do meio, empregam verossmil que em quarenta anos mais degeralmente Eloim. Ora (e isto de uma vez se tenha verificado a passagemimportncia capital), pode-se demonstrar das codornizes nas suas migraescom vrios argumentos que tambm atravs do deserto (x 16; Nm 11); estesnaqueles salmos, agora elosticos, so duplicados reais. Cumpre examinar,originalmente no lugar de Eloim havia assim, caso por caso. Para a repetio emJav. Mais de um salmo da seo javista que o mesmo ato no parea admissvel,
  • 17. isto , em se tratando de verdadeiros (talvez tambm, parcialmente, porduplicados literrios, tem valor a soluo escrito) s geraes do povo de Israel,que delinearemos mais adiante. cujas memrias o grande legislador teria insito em toda lei, civil ou religiosa registrado, deixando s narraes o seuque, permanecendo inalterados os matiz original. Um exemplo claro destepontos fundamentais, em muitos outros gnero temo-lo no captulo 14 (expedioesteja sujeita a variaes com o decorrer de Abrao e encontro com Mel-quisedec),do tempo e as mudanas de de caractersticas to individuais, que acircunstncias. Nem a lei mosaica podia crtica o atribui a uma fonte especial, noescapar a essa necessidade quase vital. pertencente a nenhuma das quatroMas o prprio texto apresenta a razo habituais. No tocante aos quatro livrosdas variaes observadas no Pentateuco. posteriores, que versam exatamenteDesde a primeira legislao no Sinai sobre os tempos de Moiss, j indicamos(cdigo da aliana) e a segunda, s as razes que explicam asmargens do Jordo, o Deuteronmio, particularidades estilsticas de doispassam-se cerca de quarenta anos, e, o grandes documentos legislativos, oque mais importa, o povo de Israel, no fim Cdigo sacerdotal e o Deuteronmio.desse perodo, encontra-se prestes a Outra hiptese, baseada na analogia dosofrer uma profunda transformao, ao Saltrio, a seguinte: o Pentateuco,passar da vida nmade ou pastoril, composto inteiramente por Moiss, partesedentria e agrcola. Impunha-sef baseado em suas recordaes, parte emportanto, uma adaptao do antigo documentos fornecidos pela tradio edireito s novas condies. Da no pela casta sacerdotal, propagou-se naobservncia rigorosa, durante sculos, da sociedade hebraica, e, durante alei deuteronmica sobre a unicidade do transmisso, sofrendo modificaes naaltar, no prova de per si que no forma, em nada inslitas na transcrioexistisse. De resto, um ou outro de obras literrias, chegou, com o tempo,acrscimo ou modificao pode ter-se a receber, em dois pontos diversos daintroduzido com o tempo nas leis rea israelita, por exemplo, no reino demosaicas sem derrogar ou diminuir a Efraim e no reino de Jud, duas formaspaternidade de Moiss do Pentateuco. um tanto diferentes; em uma delas, entre A escola crtica, portanto, no provou, outras coisas, o primitivo nome de Javcontra o testemunho claro da prpria foi substitudo por Eloim. Mais tarde (noBblia, a sua tese de que o Pentateuco em reinado de Ezequias ou Josias), quando senada pertence a Moiss. Das sentiu a necessidade ou a oportunidadediscrepncias, quaisquer sejam, de de unificar as duas recenses, um redatorvocabulrio, de estilo, de leis, do-se fundiu-as, extraindo ora desta oraoutras explicaes conciliveis com a daquela, muitas vezes contentando-seautenticidade mosaica. No Gnesis, por com justaposies, sem alterar as feiesexemplo, no se lhe ope a distino de prprias de cada uma. Destarte explicar--fontes, pois trata-se de acontecimentos se-iam os fenmenos que levaram aanteriores a Moiss, transmitidos, ao acreditar na existncia de fontes diversas.menos em grande parte, oralmente
  • 18. INTRODUO AO GENESIS do homem sobre a terra. A Bblia no contrria a resultados certos de tais O Gnesis narra as primeiras cincias, tambm porque as listasorigens do mundo, do gnero humano, genealgicas do Gnesis poderiamdo povo hebreu, tudo relacionado com ser incompletas, ou seja, comDeus, com sua revelao, com seu omisses de elos intermedirios.culto. Deus cria o universo, revela-se Do nascimento de Abrao aos primeiros homens, Deus escolhe descida dos israelitas ao Egito -- 290uma famlia (Abrao e sua anos -- (Gn 21,5 + 25,26 + 47,28), adescendncia), para no seio dela cronologia respectiva mais ouconservar e desenvolver os germes da menos certa. Para a cronologiaprimitiva revelao e a verdadeira absoluta (baseada na era vulgar) ter-religio, no intuito de preparar a solene se-ia um ponto fixo no sincronismo derevelao do Sinai, narrada no xodo. Abrao com Hamurabi, o clebre rei A criao do cu e da terra (1,1-2,3), da Babilnia, cujo famoso cdigo de como que o prlogo do grandioso leis foi descoberto em 1902. Adrama, que se divide em duas partes, identificao, porm, de Amrafel, reie tem por protagonistas os cinco de Senaar (Gn 14,1), com Hamurabigrandes patriarcas: Ado e No, da Babilnia, hoje mais do quepatriarcas do gnero humano; Abrao, duvidosa; tampouco a data doIsaac e Jac, patriarcas do povo reinado deste ltimo esthebreu. definitivamente fixada; atualmente O todo enquadrado pelo autor tende-se a colocar-Ihe o incio porsagrado em dez tbuas genealgicas volta de 1728 a.C. Tomando como(2,4; 5,1; 6,9; 10,1; 11,10; 11,27; ponto de partida a data em que os25,12; 25,19;36, 1;37,2) dispostas de israelitas saram do Egito sob o faratal modo que, aps ter registrado os Menefta pelo ano de 1200 a.C, eramos secundrios da propagao remontando o curso dos sculos comhumana, volta a narrar difusamente os os dados da prpria Bblia (Ex 12, 40destinos do ramo patriarcal, isto , da e passagens acima citadas), Abraodescendncia eleita, portadora da teria nascido por volta de 1900 a.C,revelao divina e da verdadeira mas no certo qual seja o fara doreligio. xodo. O Gnesis abrange na sua narrao Muitas pginas do Gnesis tmuma longa srie de sculos, e correspondncia nos monumentoscolocando (no tronco principal das babilnicos e egpcios: nos primeiros,suas genealogias) ao lado dos nomes a histria primitiva, isto , ostambm nmeros de anos, forneceria primeiros 11 captulos; nos egpcios,os elementos de uma cronologia. o resto, especialmente a histria deInfelizmente as cifras no parecem Jos (37-50). Com os dois primeirosbem conservadas, porque nos captulos (a criao) tm algo denmeros dos captulos 5 e 11 os trs semelhante vrios poemastextos independentes: o hebraico, o babilnicos entre si discordantes esamaritano e o grego divergem entre que so uma fantasiosa mitologia desi. Baseando-se sobre o seu texto, os crasso politesmo; quo mais sublimegregos do imprio bizantino colocavam pela nobreza de pensamento aa criao do homem 5.508 anos a.C. prosa simples da Bblia! Tambm aOs hebreus ainda usam uma era que tradio babilnica conhece dez reis,no mesmo perodo conta 3.760 anos. como Gn 5, dez patriarcas, de vidaAs cincia antropolgicas exigem um longussima antes do dilvio. Estetempo assaz maior para a existncia cataclisma foi narrado em muitas
  • 19. lendas babilnicas, uma das quais foiinserida no romanesco poema"Gilgames", assim chamado por causado heri protagonista. Os pontos decontato com a narrao bblica (Gn 7;8) so numerosos e tpicos. A narraoda torre de Babel (Gn 11,1-9) todatecida de elementos babilnicos; masum paralelo exato no foi aindaencontrado na literatura cuneiforme.Nada ainda se encontrou nessaliteratura de verdadeiramente anlogo narrao do paraso terrestre e daqueda do homem (Gn 3). Nos monumentos egpcios temosrepresentadas muitas cenassemelhantes s narradas no Gn cc.12,37-50.
  • 20. INTRODUO AO XODO O segundo livro do Pentateuco toma o 17), reside a verdadeira prerrogativa donome de xodo da sada dos hebreus do povo de Israel; nada de semelhante seEgito, onde, depois dos bons tempos de encontra em nenhum outro povo. Citam-Jos, passaram a sofrer a mais dura se, certo, da literatura egpcia, certasescravido. Esse acontecimento, porm, desculpas espirituais como: "No cometinada mais foi do que o preldio de jatos injustia, no roubei, no matei etc., oumuito mais importantes na vida dos filhos da babilnia, os esconjuros, onde sede Israel, os quais, de um conglomerado pergunta se o exorcizado ultrajou algumade famlias que eram, recuperando a divindade, se desprezou pai e me, seliberdade, conquistaram verdadeira mentiu ou praticou obscenidades etc. Masunidade de nao independente e no h proporo entre os protestos dereceberam uma legislao especial, uma um particular para evitar o castigoforma de vida moral e religiosa, pelas (finalidade daquelas frmulas rituais) e aquais se distinguiram de todos os outros autoridade soberana que impe a lei apovos da terra. todo um povo. Entre os prprios egpcios e Com toda facilidade compreender-se- babilnios, nada h de correspondente, naa importncia deste livro, sobretudo em se legislao, quelas frmulas cerimoniais.pensando que, se a histria civil das O declogo de Moiss no tem rivais nonaes, mormente as antigas, acha-se mundo.intimamente vinculada religio e essa Pelas razes citadas, osmoral, isto jamais foi to verdico como a acontecimentos narrados no xodorespeito dos hebreus. As leis contidas no tiveram um eco enorme na memria dasxodo formam a essncia da vida civil e tribos israelitas. Em quase todas asreligiosa do povo eleito. pginas do Antigo Testamento so bem verdade que, de todas essas recordadas a libertao da escravido doleis, e especialmente as do chamado Egito, a prodigiosa passagem do marcdigo da aliana (21-23), foram Vermelho, os golpes tremendos com osencontradas analogias notveis no cdigo quais foi dominada a tenaz oposio dode Hamurabi (rei babilnico, que viveu opressor egpcio, as grandiosasalguns sculos anteriormente a Moiss), manifestaes divinas no Sinai, o sustentoque foi descoberto, traduzido e publicado milagroso de povo to numeroso nopelo dominicano Pe. Scheil, em 1902. De deserto. Da Israel deduzia os motivostais analogias no se infere, porm, em mais fortes para ser grato e fiel a Deus, eabsoluto, como pretendem alguns, a conservar uma confiana inabalvel nadependncia do cdigo mosaico do sua providncia soberana e nos seusbabilnico. Elas tm sua explicao prprios destinos.adequada nos fatores comuns s duas A cronologia do xodo, ou seja, o anosociedades, israelita e babilnica, to em que os hebreus saram do Egito, estprximas no tempo, no lugar e tambm na naturalmente ligada histria desse pas.origem, pois os patriarcas do povo hebreu Mas, j que a Bblia no fornece os nomesprocediam do vale do Tigre. dos dois faras, o da opresso (1,8;2,23) e Realmente, na legislao decretada no o da sada (14,5), duas opinies diversasSinai, nem tudo foi criado desde a raiz; se equilibraram entre os doutos, commuitos usos e costumes j introduzidos na autoridade e nmero de defensores quaseprtica social foram confirmados pela iguais. Para uns, o opressor seria Totmsaprovao divina. De resto, tambm nas III (1500--1450) e o outro Amenofis IIfamosas leis romanas das doze tbuas (1447-1420), da XVIII dinastia; paradescobrem-se semelhanas com o cdigo outros, no entanto, Ramss II (1292--mosaico, sem que ocorra a algum o 1225), da XIX dinastia, teria oprimido ospensamento de querer estabelecer um hebreus, e seu sucessor, Menefta (1225-parentesco entre as primeiras e o 1215), t-los-ia libertado. A segundasegundo. Providncias semelhantes opinio, que estabelece o sculo XIII a.C.surgem espontaneamente de para o xodo, parece-nos mais condizentenecessidades sociais do gnero. No com o texto (1,11) e mais coerente comdeclogo, porm, e na doutrina religiosa outros dados da histria sagrada eque lhe forma a base inconcussa (20,2- profana.
  • 21. INTRODUO AO LEVTICO Este livro traz o nome de Levtico, por festivos: solenidades anuais e o sbadotratar quase exclusivamente dos deveres (23).sacerdotais. Poder-se-ia compar-lo a um 5- Determinaes diversas: lmpadasritual. no santurio e pes da apresentao Com exceo de dois trechos histricos (24,1-9); pena para o blasfemador(8 a 10;24,10-23), compe-se (24,10-23); prescries para o anointeiramente de leis que visam sabtico e jubileu (25); promessas esantificao individual e nacional. ameaas relativas a observncia da leiSantificao, de per si ritual e exterior, (26); votos e dzimos (27).que, porm, simboliza e promove certa O sacrifcio, o ato mais sagrado dasantidade interior e moral. Toda a religio, isto , oferecer a Deus vtimas,matria pode ser dividida em cinco animais ou vegetais, no foi institudopartes: por Moiss, mas remonta s prprias 1- Leis relativas aos sacrifcios (1-7). origens da humanidade (Gn 4,3-4).Os sacrifcios so de cinco espcies; duas Moiss encontrou o seu uso estabelecidosries de leis: V srie o rito de cada e arraigado entre todos os povos. Nassacrifcio (1-5), holocausto (1), oblao tabuinhas recentemente descobertas emde vegetais (2), sacrifcio salutar (3), Ras Shamra (antiga Ugarit), na Fenciasacrifcio expiatrio (4), sacrifcio de setentrional, anteriores alguns sculos areparao (5). 2? srie direitos e Moiss, so mencionadas espciesdeveres dos sacerdotes em cada espcie idnticas de sacrifcios, at mesmo comde sacrifcios (6-7). nomes iguais (afinidade das duas lnguas) 2- Consagrao dos sacerdotes (8-9). aos do Pentateuco. Moiss, com suasNadab e Abi so punidos por terem leis, s regulamentou e consagrou aousurpado um ofcio sagrado (10-1-7). culto do verdadeiro Deus um cerimonialVrias prescries para os sacerdotes j praticado, deixando ainda toda essa(10,8-20). legislao dos sacrifcios separada das condies essenciais do pacto celebrado 3- Leis sobre a pureza legal (11-16): entre Deus e o seu povo (x 19,23).dos alimentos (11), da purpera (12), Nesse sentido deve-se entender aqueleda lepra nas pessoas (13,1-46; 14,1- protesto do prprio Deus contra os32), nas vestes (13,47-59) e casas judeus, por boca de Jeremias (7,22-23):(14-33-57); sobre a gonorria (15). "Em matria de sacrifcios e holocaustos,Rito para o dia solene de expiao (16). eu nada disse e nada ordenei aos vossos 4- Leis sobre a santidade (17-23): a) pais ao tir-los do Egito; dei-lhesdo povo (17-20); matana dos animais, somente esta ordem: Escutai a minhauso do sangue, unicidade do santurio voz; eu serei vosso Deus e vs sereis o(17); prescries que regulam os atos meu povo " cf. x 19,5).sexuais (18); vrias prescries religiosas Nada, portanto, impede atribuir-se aoe morais (19); punio para os prprio Moiss a legislao cerimonial dotransgressores (20); b) dos sacerdotes: Levtico, embora seja bvio que no anpcias e luto (21,1-15); irregularidades tenha escrito toda de uma vez e se tenha(21,16-24); impureza cerimonial (22,1- servido, para a fixar, da obra de algum16; qualidades das vtimas (22, 17-30); sacerdote ou levita de profisso. Nem seconcluso (22,31-33); c) dos dias exclui que algumas destas leis tenham
  • 22. recebido em tempos posterioresmodificaes e acrscimos. Devemos observar ainda, que todasessas leis cerimoniais foram ab-rogadasdepois de Jesus Cristo. Entretanto, ossacrifcios da antiga lei haviamprefigurado o seu sublime sacrifcio nacruz, no qual, nico e perfeito sacrifcio,te-ve cumprimento toda a variedade dossacrifcios do Antigo Testamento. Oumelhor, como nos ensina S. Paulo (Hebr9,9; 10,10), os sacrifcios levticosrecebiam sua principal eficcia de aplacara Deus daquele valor figurativo, pois que" impossvel que, por si s, o sangue dostouros e dos cabritos cancele ospecados" (Hebr 10,4). Considerados noseu significado tpico e simblico, os ritosescritos no Levtico continuam econtinuaro a ser instrutivos.
  • 23. INTRODUO AOS NMEROS O quarto livro do Pentateuco recebeu o serpente de bronze (21, 1-9); vitria sobrenome de Nmeros (em grego Arith-moi, que os amorreus e conquista de Basan (21,10-aqui tem o sentido de "recenseamentos") por 35).causa dos "recenseamentos" (1,1-4,26), que 3a Parte. Na margem oriental do Jordo:so prprios deste livro e que lhe do a sua cerca de cinco meses. A matria destafeio particular. Contm, alm disso, alguns parte, mais por ordem lgica do que porfatos que se ligam imediatamente aos ordem do texto, pode ser assim agrupada:acontecimentos narrados no xodo, e leis 1) ltimos encontros com os povos dasemelhantes s do Levtico. Pode ser dividido Trans Jordnia; Balao e seus vaticniosfacilmente, de acordo com os lugares e (22-24); prostituio a Beelfegor (25);tempos, em trs partes: no Sinai (1,1-10,10); guerra santa contra os ma-dianitas e leisviagens atravs do deserto (10,11-21,35); na sobre a diviso dos despojos (31); lista dasmargem oriental do Jordo (22-36). etapas (33). 1a Parte. No Sinai: disposies para a 2) Grupo de leis: herana (27,1-11),partida: 20 dias. festas e sacrifcios (28-29), votos (30). 1) Recenseamento das tribos e respectivas 3) Disposies para a ocupao daposies no acampamento (1-2). terra prometida. Segundo recenseamento 2) Os levitas: seu destino e recenseamento (26); nomeao de Josu (27,12-23).(3); diviso por famlias e por ofcios (4). Distribuio da Transjordnia (32); normas 3) Leis: banimento dos impuros, para a ocupao e distribuio darestituies, cimes (5), nazireato, bno CisJordnia (33,50-34,12); designao daslitrgica (6). cidades levticas e de refgio (35); 4) ltimos fatos: donativos dos chefes das disposies para manter inalterada atribos ao santurio (7), consagrao dos levitas primitiva distribuio (36).(8), segunda Pscoa (9,1-14), sinais para a A julgar pelo resumo, o presente livropartida e para a parada, as trombetas (9,15- compreende um perodo de cerca de trinta10,10). e oito anos e meio. Sobre a maior parte desse perodo (os trinta e oito anos no2a Parte. Viagem atravs do deserto: deserto) narra-nos apenas uns poucos 1) Do Sinai a Cades: partida e ordem de fatos, mas muito notveis pelo significadomarcha (10,11-36), murmurao do povo, as religioso, como a serpente de bronze, acodornizes (11), a lepra de Maria, irm de sedio de Cor, os vaticnios de Balao, aMoiss (12). gua brotada da rocha; fatos dos quais os 2) Parada em Cades: misso dos doze apstolos no Novo Testamento tiraramexploradores (13) e queixas do povo (14); leis utilssimas lies (ICor 10,1-11; Hebr 3,12-sobre as oblaes e primcias, sobre o sbado 19; Jo 3,14-15). No centro do dramae os filactrios (15); sedio de Cor, Datan e acham-se dois fatos semelhantes entre si,Abiro, e sua punio (16) e confirmao do duas sedies do povo contra Moiss,sacerdcio na famlia de Aro (17); relaes executor das ordens divinas; a primeiraentre sacerdotes e levitas, emolumentos de (14), originada pela repugnncia emuns e de outros (18); a gua lustral (19); empreender a conquista da Palestina; asedio do povo por falta de gua (20,1-13). segunda (20), por falta de gua. 3) De Cades ao Jordo: os edomitas negam Conseqncia ou punio da primeira foi apassagem pelas suas terras; morte de Aro longa demora da nao inteira no deserto(20,14-29); queixas do povo e castigo, a da pennsula sinatica; a segunda deixou a
  • 24. mais profunda impresso na conscinci