Boletim do leite 219

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PREÇO AO PRODUTOR É O MAIOR EM CINCO ANOS O preço bruto do leite pago ao produtor (inclui frete e 2,3% de “Funrural”) neste mês é o maior dos últimos cinco anos, considerando-se a série deflacionada (IPCA) do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Conforme pesquisas dessa instituição, em maio, o preço bruto alcançou R$ 0,9854/litro na média ponderada pelo volume captado em abril nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA, o que representa reajuste de 3,5% sobre o mês anterior. O preço líquido recebido pelo produtor aumentou 3,75%, acréscimo de 3,3 centavos por litro, que passou para a média de R$ 0,9094. Esse preço recorde, segundo pesquisadores do Cepea, é reflexo da baixa oferta de leite no campo, que acirrou a disputa pela matéria-prima entre as indústrias de laticínios. O recuo mais expressivo na captação em abril ocorreu na região Sul (5,5%) devido à escassez de alimento para as vacas. Além disso, as chuvas que eram esperadas para abril/maio chegaram somente, no final de maio, o que atrasou a semeadura das pastagens de inverno, segundo agentes do setor consultados pelo Cepea. No Rio Grande do Sul, onde o Ministério Público do estado investigou e revelou adulteração de leite, o volume captado recuou 7,5% em abril, conforme levantamentos do Cepea. A diminuição da oferta e consequente aumento dos preços, em parte, podem ter acentuado a disposição de determinados agentes a agir de forma fraudulenta, já que a adição de ureia e água visava a aumentar o volume entregue. Na média dos sete principais estados produtores, o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) caiu 2% de março para abril. Pesquisadores chamam a atenção também para o fato de que os custos de produção no campo começaram a recuar com a baixa dos preços da alimentação concentrada. No entanto, o custo operacional efetivo – média de sete estados – de abril esteve cerca de 11% maior que no mesmo mês do ano passado, o que mantém o alerta no que diz respeito ao controle dos gastos. Por sua vez, o leite (“média Brasil”) valorizou 13% entre maio/12 e maio/13 – evolução dos preços nominais. Para os próximos meses, a expectativa de representantes de laticínios/cooperativas é que os preços continuem firmes ou mesmo em alta. Mais da metade dos compradores ouvidos pelo Cepea (55,1%), que representam 51,6% do leite amostrado, acredita que haja no aumento no pagamento de junho e 43,6% (que representam 48,1% do volume captado) indicam estabilidade de preços. Somente 1,3% dos agentes acreditam em queda para junho. O mercado atacadista de derivados em São Paulo (estado) também reflete a oferta mais enxuta de matéria-prima. Muitos representantes de laticínios/cooperativas comentam que estão aumentando os preços de seus produtos justamente para diminuir as vendas, no receio de não conseguir cumprir as entregas. Em maio (cotação até o dia 28), o leite UHT teve média de R$ 2,10/litro e o queijo muçarela, de R$ 11,98/kg, variações de 1,3% e 1,6% em relação a abril, respectivamente. Essa pesquisa do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL). – Levantamentos do Cepea mostram que o preço bruto pago ao produtor em maio no estado de Goiás continuou sendo o maior entre os estados que compõem a “média Brasil”, com o litro cotado a R$ 1,0351, alta de 1,5% em relação a abril (1,5 centavo/litro). O segundo maior preço foi registrado em Minas Gerais, onde a média foi de R$ 1,0069/litro, acréscimo de 3,6% (ou 3,5 centavos/litro). Na sequência, o estado de São Paulo teve reajuste de 4% (3,8 centavos), com o litro a R$ 0,9956. O AO PRODUTOR ICAP-L/Cepea - Índice de Captação de Leite - ABRIL/13. (Base 100=Junho/2004) Uma publicação do CEPEA - ESALQ/USP | Ano 19 nº 219 | Junho 2013 Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP Produção insuficiente impede Brasil de aproveitar oportunidades externas Baixa captação eleva preço dos derivados em maio Casos isolados não podem comprometer a imagem e importância do leite pág. 04

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  • 1. PREO AO PRODUTOR O MAIOR EM CINCO ANOS O preo bruto do leite pago ao produtor (inclui frete e 2,3% de Funrural) neste ms o maior dos ltimos cinco anos, considerando-se a srie deflacionada (IPCA) do Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Conforme pesquisas dessa instituio, em maio, o preo bruto alcanou R$ 0,9854/litro na mdia ponderada pelo volume captado em abril nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA, o que representa reajuste de 3,5% sobre o ms anterior. O preo lquido recebido pelo produtor aumentou 3,75%, acrscimo de 3,3 centavos por litro, que passou para a mdia de R$ 0,9094. Esse preo recorde, segundo pesquisadores do Cepea, reflexo da baixa oferta de leite no campo, que acirrou a disputa pela matria-prima entre as indstrias de laticnios. O recuo mais expressivo na captao em abril ocorreu na regio Sul (5,5%) devido escassez de alimento para as vacas. Alm disso, as chuvas que eram esperadas para abril/maio chegaram somente, no final de maio, o que atrasou a semeadura das pastagens de inverno, segundo agentes do setor consultados pelo Cepea. No Rio Grande do Sul, onde o Ministrio Pblico do estado investigou e revelou adulterao de leite, o volume captado recuou 7,5% em abril, conforme levantamentos do Cepea. A diminuio da oferta e consequente aumento dos preos, em parte, podem ter acentuado a disposio de determinados agentes a agir de forma fraudulenta, j que a adio de ureia e gua visava a aumentar o volume entregue. Na mdia dos sete principais estados produtores, o ndice de Captao de Leite do Cepea (ICAP-Leite) caiu 2% de maro para abril. Pesquisadores chamam a ateno tambm para o fato de que os custos de produo no campo comearam a recuar com a baixa dos preos da alimentao concentrada. No entanto, o custo operacional efetivo mdia de sete estados de abril esteve cerca de 11% maior que no mesmo ms do ano passado, o que mantm o alerta no que diz respeito ao controle dos gastos. Por sua vez, o leite (mdia Brasil) valorizou 13% entre maio/12 e maio/13 evoluo dos preos nominais. Para os prximos meses, a expectativa de representantes de laticnios/cooperativas que os preos continuem firmes ou mesmo em alta. Mais da metade dos compradores ouvidos pelo Cepea (55,1%), que representam 51,6% do leite amostrado, acredita que haja no aumento no pagamento de junho e 43,6% (que representam 48,1% do volume captado) indicam estabilidade de preos. Somente 1,3% dos agentes acreditam em queda para junho. O mercado atacadista de derivados em So Paulo (estado) tambm reflete a oferta mais enxuta de matria-prima. Muitos representantes de laticnios/cooperativas comentam que esto aumentando os preos de seus produtos justamente para diminuir as vendas, no receio de no conseguir cumprir as entregas. Em maio (cotao at o dia 28), o leite UHT teve mdia de R$ 2,10/litro e o queijo muarela, de R$ 11,98/kg, variaes de 1,3% e 1,6% em relao a abril, respectivamente. Essa pesquisa do Cepea realizada diariamente com laticnios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organizao das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederao Brasileira de Cooperativas de Laticnios (CBCL). Levantamentos do Cepea mostram que o preo bruto pago ao produtor em maio no estado de Gois continuou sendo o maior entre os estados que compem a mdia Brasil, com o litro cotado a R$ 1,0351, alta de 1,5% em relao a abril (1,5 centavo/litro). O segundo maior preo foi registrado em Minas Gerais, onde a mdia foi de R$ 1,0069/litro, acrscimo de 3,6% (ou 3,5 centavos/litro). Na sequncia, o estado de So Paulo teve reajuste de 4% (3,8 centavos), com o litro a R$ 0,9956. O AO PRODUTOR ICAP-L/Cepea - ndice de Captao de Leite - ABRIL/13. (Base 100=Junho/2004) Uma publicao do CEPEA - ESALQ/USP | Ano 19 n 219 | Junho 2013 Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada - ESALQ/USP Produo insuficiente impede Brasil de aproveitar oportunidades externas Baixa captao eleva preo dos derivados em maio Casos isolados no podem comprometer a imagem e importncia do leite pg. 04

2. preo bruto no Paran aumentou 3,8% (3,5 centavos/litro) e alcanou R$ 0,9599/litro de mdia. Em Santa Catarina no foi diferente: aumento de 3,9% (3,6 centavos/litro) e a mdia a R$ 0,9498/litro. Por fim, os estados da Bahia e do Rio Grande do Sul tambm apresentaram aumentos. No primeiro, o avano foi de 1% (ou 0,9 centavo/litro) e, no segundo, de 3,9% (ou 3,4 centavos/litro), alcanando as mdias de R$ 0,9301 e R$ 0,9075/litro, respectivamente. Nos estados que no compem a mdia Brasil considerada pelo Cepea, o maior preo foi verificado no estado do Rio de Janeiro, onde o litro alcanou R$ 1,0423, aumento de 3% (ou 3 centavos/litro). Na sequncia esteve o Cear, com mdia estadual de R$ 1,0176/litro, variao de 2,2% (2,1 centavos/litro). A maior alta ocorreu no Esprito Santo, de 8,2% (ou 7,5 centavos/litro), onde a mdia foi para R$ 0,9900/litro. Em Mato Grosso do Sul o aumento tambm foi grande, de 6,5% (ou 5,6 centavos/litro) e o leite chegou marca de R$ 0,9288 em maio. Flvia Romanelli - Mtb: 27540 Sul / Sudoeste de Minas 0,9979 1,0278 0,9987 1,0542 1,0080 1,0421 1,0663 1,0067 1,0395 1,0019 1,0097 1,0339 1,1026 1,0377 1,0524 1,1115 1,0192 1,1429 1,1696 1,0160 1,0722 1,1134 1,0840 1,0936 0,8660 1,0342 1,0297 1,0526 1,1416 1,0337 1,1088 0,9465 1,2186 1,1226 1,1447 1,0510 1,2433 1,0388 1,0793 1,1089 0,9161 0,9753 0,9559 0,6650 0,7382 0,7268 1,0179 0,9179 1,0866 0,9284 0,8624 0,9493 1,0318 1,0088 1,0423 0,8844 0,9376 0,9288 1,0764 0,9900 1,1532 0,9887 0,9703 1,0176 1,0787 0,9724 1,0366 0,8498 1,1044 1,0027 1,0536 0,9731 1,1667 0,9764 1,0253 1,0413 0,8584 0,9150 0,8871 0,5745 0,6351 0,6160 0,9290 0,8429 1,0134 0,8684 0,8133 0,8840 0,9715 0,9478 0,9716 0,7894 0,8299 0,8135 0,9867 0,9135 1,0779 0,9274 0,9187 0,9510 4,87% 2,91% 3,08% 6,95% 8,08% 6,49% 7,05% 8,16% 5,37% -1,54% 0,16% 2,15% 4,97% 2,98% 3,1% 7,51% 7,19% 6,5% 7,14% 8,3% 4,15% -1,76% 0,12% 1,5% 0,7697 0,7050 0,7680 0,7933 0,7225 0,7890 0,9872 0,9129 0,6493 0,8288 0,8734 0,8314 0,9989 0,9543 0,8723 0,9543 0,8612 0,9934 0,9925 0,8752 0,9193 0,9247 0,8587 0,8803 0,7230 0,9345 0,8331 0,8692 0,9092 0,9132 0,9075 0,9591 0,8993 0,9498 1,0498 0,9627 0,9391 0,9315 0,9599 0,9606 1,0729 1,0009 0,9956 1,0473 0,9728 1,0681 1,0776 0,9500 1,0069 1,0474 1,0291 1,0351 0,7842 1,000 0,9301 0,9854 0,9098 0,9189 0,9132 0,9820 0,8943 0,9638 1,0093 0,9314 0,9462 0,9126 0,9321 0,9609 1,0130 0,9710 0,9769 1,0338 0,9460 1,0223 1,0316 0,9477 0,9910 1,0228 1,0097 1,0140 0,7858 0,9537 0,9534 0,9728 0,6846 0,6035 0,6862 0,7270 0,6152 0,7166 0,9321 0,8397 0,5649 0,7435 0,7990 0,7630 0,9116 0,8886 0,8007 0,8860 0,7919 0,9087 0,9047 0,8101 0,8491 0,8488 0,7975 0,8144 0,6463 0,8562 0,7613 0,7972 0,8246 0,8068 0,8251 0,8892 0,7871 0,8739 0,9932 0,8884 0,8481 0,8438 0,8835 0,8893 0,9839 0,9346 0,9217 0,9763 0,9006 0,9777 0,9822 0,8832 0,9338 0,9665 0,9510 0,9561 0,7061 0,9202 0,8560 0,9094 4,33% 3,68% 3,86% 3,96% 3,69% 3,95% 3,47% 3,90% 7,16% 3,46% 3,80% 2,90% 6,56% 1,72% 3,99% 4,44% 3,11% 5,24% 5,25% 2,88% 3,64% 0,95% 1,74% 1,48% -0,25% 2,22% 0,99% 3,45% 4,47% 3,73% 4,0% 4,30% 2,58% 4,2% 6,09% 4,08% 7,47% 3,79% 4,6% 3,16% 6,89% 1,78% 4,3% 5,17% 3,11% 5,46% 5,72% 3,11% 3,9% 1,00% 1,83% 1,6% 0,50% 2,53% 1,4% 3,75% Mai/Abr Mai/Abr MAIO /13 ABRIL /13 3. Por Tiago Teixeira da Silva Siqueira, Analista de Mercado da Equipe Leite CASOS ISOLADOS NO PODEM COMPROMETER A IMAGEM E IMPORTNCIA DO LEITE O consumo de alimentos saudveis de maneira diversificada e em quantidade correta fundamental para a sade fsica e mental. O leite, alimento equilibrado e importante para a nutrio humana, um produto rico em clcio, protenas de alto valor biolgico e de fcil absoro, alm de minerais e vitaminas A, D, E e K. Ademais, segundo estudo realizado pela Associao Leite Brasil em 2011, o leite fluido foi a fonte de protena animal mais barata do mercado. Portanto alm dos benefcios para a sade, o leite uma alternativa vivel para o bolso do consumidor. O Ministrio da Sade, por exemplo, recomenda o consumo dirio de trs pores de leite e derivados, totalizando 200 litros/pessoa/ano. Porm, segundo dados do IBGE, Secex e Cepea, o consumo aparente de leite pelos brasileiros (soma-se a produo de leite importao, subtrai-se o volume exportado e o saldo dividido pela populao do Pas) encontra-se abaixo do nvel recomendado, o que pode resultar em fragilidade dos ossos e dentes, abrindo portas para a fixao de micro-organismos e doenas. Alguns trabalhos tambm associam o consumo leite reduo de peso, de riscos de osteoporose, de sndromes metablicas, de hipertenso e de cncer de clon. Os casos recentes de adulterao do leite no estado do Rio Grande do Sul, no entanto, vm sensibilizando a populao e podem conduzir a uma reduo do volume de leite consumido. At onde se tem conhecimento, ureia, formol e gua foram adicionados ao leite em entrepostos de coleta ou no transporte do produto. Em funo desse tipo de adulterao, o Ministrio da Agricultura destruiu no final de maio mais 6,2 toneladas de leite em p no estado. Apesar dessas ocorrncias, importante que o consumidor compreenda que esses foram fatos isolados, inclusive dentro da regio h grande quantidade de leite de qualidade e procedncia segura no Rio Grande do Sul e demais estados do Sul do pas. O consumidor deve ter criticidade para entender que o leite no deixou de ser um produto saudvel e fundamental para a sua alimentao. Caso no haja essa compreenso, o setor como um todo pode ser prejudicado. Das vrias discusses geradas sobre o tema, surgiu a proposta de uma nova frmula para se analisar a quantidade de ureia, considerando-se que este um composto presente naturalmente no leite, em quantidades mnimas. O controle de qualidade do leite nos laticnios e tambm a fiscalizao por rgos pblicos tendem a aumentar aps as constataes. De modo geral, isso importante para aumentar a garantia de qualidade ao consumidor e para que o setor recupere a confiana. Evoluo do consumo aparente de leite no Brasil. Fonte:Cepea,SecexeIBGE. 4. PRODUO INSUFICIENTE IMPEDE BRASIL DE APROVEITAR OPORTUNIDADES EXTERNAS Por Paulo Moraes Ozaki, Analista de Mercado equipe Leite Cepea Os preos internacionais de leite em p bateram recordes em abril, impulsionados principalmente pela queda na produo de leite da Nova Zelndia, maior player do mercado internacional. Esse cenrio poderia favorecer as exportaes de lcteos brasileiros, mas a produo de leite nacional no tem sido suficiente nem para atender a demanda interna. Os altos preos internacionais esfriam as importaes do Brasil e favorecem o aumento dos preos dos derivados no mercado domstico. Em maio, a balana comercial de lcteos foi novamente deficitria em US$ 25,1 milhes, mesmo com uma reduo de 26% do volume importado pelo Brasil, de 65,4 milhes de equivalentes litros de leite, no mesmo perodo. A maior parte foi proveniente do Uruguai e Argentina (93,6% do total). Leites em p e queijos - os dois principais produtos comprados pelo Brasil (94,9%) foram os que causaram maior impacto. O volume de leites em p reduziu 30% e o de queijos 26% entre abril e maio. As exportaes mantiveram-se praticamente estveis em relao a abril. O volume embarcado registrou leve recuo de 1%, passando para 9,9 milhes de equivalentes litros de leite. O leite condensado representou o maior volume na pauta das exportaes brasileiras (61%), seguido pelos queijos (18%) e leites em p (16%). Os principais parceiros comerciais continuaram sendo Angola, Arbia Saudita e Chile, com destaque para o ltimo que aumentou em 52% suas compras. Aps os picos de preos de abril, os valores do leite em p na Oceania comearam a baixar devido regularizao da oferta na Nova Zelndia e disponibilidade do produto de outros pases. Na Europa, os preos tiveram leve alta nas ltimas semanas, influenciados pela valorizao da Zona do Euro e pelo aquecimento da demanda. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o preo mdio do leite em p desnatado de 27 de maio a 7 de junho PREOS INTERNACIONAIS na Oceania foi de US$ 4.375,00/tonelada, 56% maior que no mesmo perodo do ano passado. Na Europa, o valor da tonelada de leite em p integral alcanou US$ 4.725,00, cerca de 60% a mais que em 2012. Em maio, o ndice de Preos de Exportao de Lcteos do Cepea (IPE-L) aumentou 1% em dlar e 3% em Real frente ao ms de abril, com as mdias a US$ 3,31/kg e a R$ 6,75/kg. As principais altas foram do leite fluido, iogurtes e doce de leite. Houve decrscimo nos preos do soro de leite e leite condensado. IPE-L/Cepea US$ 4.950 US$ 4.725 US$ 4.375 US$ 4.075 US$ 2.750 US$ 3.012,5 US$ 2.800 US$ 2.600 +80,0% +56,8% +56,3% +56,7% Dados referem-se mdia entre 27/05/2013 e 07/06/2013; para 2012, foram tomados dados de perodo semelhante. Volume exportado de lcteos (em equivalente leite) Abr Mai (%) Participao no total exp. em Mai/13 Mai/12 Mai/13 (%) 9.985 1.568 6.071 1.840 477 -1% -8% 7% -8% -31% - 16% 61% 18% 5% -0,4% - -4% -6% -22% Total de janeiro a maio/13 frente ao mesmo perodo de 2012: -14% Volume importado de lcteos (em equivalente leite) Abr Mai (%)Mai/13 Participao no total imp. em Mai/13 Mai/12 Mai/13 (%) 65.415 41.082 20.981 2.626 1.289 -26% -30% -26% 285% -11% - 62,8% 32,1% 4% - -23% - -10% 15264% -33% Total de janeiro a maio/13 frente ao mesmo perodo de 2012: -26,6% Notas: (1) Consideram-se os produtos do Captulo 4 da NCM mais leite modificado e doce de leite; (2) O soro de leite medido em quilos, no sendo convertido em litro. Fonte: Secex / Elaborao: Cepea. Evoluo do custo da matria-prima para a produo de uma tonelada de leite em p integral no Brasil e os preos internacionais do produto. Fonte:Cepea/USDA 5. BAIXA CAPTAO ELEVA PREO DOS DERIVADOS EM MAIO Por Ana Paula Negri, graduanda em Cincias dos Alimentos, e Jacqueline Betim Barbieri, graduanda em Eng. Agronmica Esalq/USP; equipe Leite Cepea Com o incio da entressafra das pastagens a produtividade do rebanho cai e o preo da matria-prima atinge diretamente o mercado de derivados. Colaboradores apontam dificuldade em atender a demanda nesse perodo, promovendo o aumento das cotaes dos produtos. Em maio, de acordo com as pesquisas realizadas pelo Cepea, o leite UHT foi negociado no atacado paulista na mdia de R$ 2,10/litro (inclui frete e impostos), apresentando leve aumento de 1,22% em relao ao ms de abril. Em termos nominais, a mdia ficou em 18,52% maior frente a maio de 2012. A pesquisa realizada com o apoio da OCB (Organizao das Cooperativas Brasileiras) e da CBCL (Confederao Brasileira de Cooperativas de Laticnios). No atacado paulista o queijo muarela tambm valorizou, 1,86% em relao a abril e 14,49% em comparao ao mesmo perodo do ano passado, sendo negociado a R$ 11,95/kg em mdia (inclui frete e impostos). Agentes de mercado acreditam que essa alta deve se manter at o fim da entressafra (setembro), quando a captao ser retomada nos principais estados produtores de leite, podendo assim reduzir o preo dos derivados. Todos os derivados sofreram alta na mdia geral, com destaque para o leite em p (400g) e o leite UHT (considerado o termmetro do mercado de lcteos, principal produto consumido pelo brasileiro). A elevao MERCADO EM ABRIL: 1,50 2,02 13,69 12,88 13,20 13,25 1,43 1,89 13,89 12,84 12,35 11,90 1,51 1,93 13,16 12,19 10,37 11,92 1,48 1,85 16,75 16,24 10,84 13,00 1,51 1,94 14,77 12,44 12,14 12,30 1,48 1,93 14,45 13,32 11,78 12,47 3,8% 5,7% 3,1% 3,8% 8,4% 17,8% -0,8% 0,8% 1,5% 3,4% -0,4% 7,7% 2,4% 6,5% 2,8% -0,3% 7,4% 7,3% 1,0% 8,3% -1,5% -0,2% -2,3% 9,2% 1,4% 5,9% 1,4% 4,9% 6,4% 9,0% 1,6% 5,4% 1,3% 2,1% 3,8% 10,2% Fonte:Cepea/ESALQ-USP em mai/13 abr/13 mai/12 R$ 2,10/litro R$ 11,95/kg 1,22% 1,86% 18,51% 14,49% Fonte: Cepea OCB/CBCL Srie de preos de Muarela (em valores reais) referente Mdia Geral (que engloba os estados de GO, MG, PR, RS, SP). Preos mdios dos derivados praticados em ABRIL e as variaes em relao ao ms anterior dos preos, devido reduo da oferta, confirma o movimento altista do setor. O preo do leite em p aumentou 10,2% em relao a maro, com mdia de R$ 12,47/kg. O leite UHT tambm teve a mdia elevada, em 5,4% no mesmo perodo, sendo o litro cotado a R$ 1,93. Com mdia de R$ 1,48/litro, o leite pasteurizado apresentou alta de 1,6% em relao ao ms anterior. O queijo muarela, importante derivado lcteo, teve aumento de 2,1% no ms de abril, com preo de R$ 13,32/kg. De acordo com srie histrica do Cepea, na mdia geral, esse o maior valor dos ltimos quatro anos. Em relao a abril/12, o preo do quilo da muarela teve um acrscimo de 12% em termos reais. O queijo prato e a manteiga (200g) tambm apresentaram altas, de 1,3% e 3,8%, respectivamente, em relao a maro, com mdias de R$ 14,45/kg e R$ 11,38/kg. Fonte:Cepea/ESALQ-USP 6. DIETA COM CANA-DE-ACAR TEM MAIOR REAJUSTE, MAS AINDA PROPORCIONA A MELHOR MARGEM BRUTA Por Pedro Parzewski Neves, graduando Eng. Agronmica Esalq/USP; equipe Leite Cepea Ao comparar as dietas base de cana com colheita mecanizada, cana com colheita manual, silagem de milho, silagem de sorgo e silagem de tanznia, a equipe Cepea constatou que a de cana com colheita mecanizada foi a que teve o maior reajuste entre maio do ano passado e deste: de 17%. Apesar disso, foi justamente esta a dieta que proporcionou a maior margem bruta ao produtor no ltimo ms, quando se considera a diferena apenas entre a receita bruta e os gastos com alimentao. Em simulao realizada pelo Cepea, para um rebanho de 30 vacas em lactao, com produo diria de 15 litros/vaca, no estado de So Paulo, a margem bruta baixou de R$ 8.960 em maio/2012 para R$ 8.861 em maio/2013. No caso da silagem de milho, mesmo com o seu aumento se limitando a 7% ao longo do perodo o menor entre as alternativas analisadas , a margem bruta gerada foi de R$ 8.707 no ltimo ms. De maio em diante, a alimentao do gado costuma ficar prejudicada devido reduo da produtividade das pastagens no perodo da estiagem. Desse modo, a adio de cana picada mostra-se uma opo vivel, pois, alm das vantagens econmicas, esto os benefcios da sua alta produo de matria seca (MS) por hectare e sua eficiente manuteno do potencial energtico durante o perodo da entressafra. A adio da ureia, por sua vez, corrige o baixo teor proteico da cana-de-acar. Confira os resultados da simulao feita pelo Cepea na tabela abaixo. Evoluo do gasto total com alimentao, da receita mensal e da margem bruta de diferentes dietas no estado de So Paulo entre maio/12 e maio/13, em termos nominais rebanho de 30 vacas em lactao, com produo diria de 15 litros Custo do rebanho/ms (R$) Margem Bruta (R$) Dieta Mai/12 4.297,23 4.922,87 4.840,69 4.722,32 6.198,48 Mai/2013 5.027,77 5.668,53 5.182,17 5.086,17 7.101,84 Mai/12 8.959,92 8.334,28 8.416,46 8.534,83 7.058,67 Mai/2013 8.861,41 8.220,65 8.707,01 8.803,01 6.787,34 Cana Picada - baixa ureia (Mecanizada) Cana Picada - baixa ureia (Manual) Silagem de Milho + Concentrado Silagem de Sorgo + Concentrado Silagem de Tanznia + Concentrado Abr/13 Mar/13 Abr/12 Abr/13 Mar/13 Abr/12 Abr/13 Mar/13 Abr/12 (130g de Fsforo) 9,0 litros/frasco 10 ml 8,2 litros/frasco 10 ml 7,8 litros/frasco 10 ml 76,9 litros/sc 25 kg 79,3 litros/sc 25 kg 78,8 litros/sc 25 kg 54,2 litros/litro de herbicida 54,0 litros/litro de herbicida 58,4 litros/litro de herbicida Abr/13 Mar/13 Abr/12 Abr/13 Mar/13 Abr/12 Abr/13 Mar/13 Abr/12 610,6 litros/tonelada 703,3 litros/tonelada 662,4 litros/tonelada 1658,0 litros/tonelada 1600,1 litros/tonelada 1554,7 litros/tonelada 14,7 litros/frasco 50 ml 4,6 litros/frasco 50 ml 15,2 litros/frasco 50 ml 7. Incertezas sobre as safras de milho norte-americana e brasileira, maior taxa de cmbio e a oficializao de leiles governamentais impulsionaram as cotaes de milho no Brasil em maio. Nos Estados Unidos, no incio do ms, a chuva vinha atrapalhando o cultivo, gerando expectativas de reduo da produo. Porm, em meados de maio, agentes aceleraram o plantio, que se aproximou da mdia histrica, fazendo com que novas estimativas indicassem produo recorde no pas. Caso a produo seja, de fato, recorde, a maior oferta dos Estados Unidos pode limitar as exportaes brasileiras e tirar o suporte de mdio prazo s cotaes nacionais. No mercado brasileiro, estimativas ainda apontam recorde na produo de milho de segunda safra. A produo elevada deve pressionar as cotaes no mdio prazo e o governo j apresentou polticas de interveno para garantir a renda de produtores. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente regio de Campinas (SP), subiu expressivos 7% em maio, fechando a R$ 26,65/sc de 60 kg no dia 31. Se considerados os negcios tambm em Campinas, mas cujos prazos de pagamento so descontados pela taxa de desconto NPR, o preo mdio vista foi de R$ 26,16/sc no ltimo dia do ms, alta de 6,8% no mesmo perodo. Na mdia das regies pesquisadas pelo Cepea, em maio, os preos no mercado de balco (recebidos por produtores) subiram 1,8% e, no de lotes (negociao entre empresas), 3,1%. Vale considerar que as cotaes cederam expressivamente nas regies de Mato Grosso, onde a expectativa de oferta maior que a estimada at o ms anterior. MILHO: Preos sobem 7% em maio FARELO DE SOJA: Demanda firme impulsiona cotaes Em maio, a demanda internacional por farelo de soja seguiu firme, o que sustentou os preos tanto no Brasil quanto em outros pases. Com isso, indstrias elevaram o otimismo quanto s vendas de farelo e passaram a demandar maiores volumes do gro, que tem apresentado forte valorizao, visto que produtores esto capitalizados e retrados para novos negcios. Assim, as indstrias tm aceitado pagar valores mais elevados pela soja e gro, refletindo em preos ainda mais altos do farelo de soja. No Brasil e em termos internacionais, os setores consumidores de farelo sinalizam um momento melhor, devido demanda firme. No caso da pecuria, por exemplo, produtores mais tecnificados tm reforado as compras de rao para tratar do rebanho nos prximos meses, que so de estiagem no Centro-Sul do Brasil. Quanto s exportaes brasileiras de farelo de soja, o volume foi de 1,38 milho de toneladas em maio, elevao de 9,9% na comparao com abril, mas reduo de 14% frente a maio 2012 os dados so da Secex. 32,30 31,91 30,29 25,97 25,57 1012,45 903,48 792,12 744,91 815,40 Abril Maio