Bom de briga - Markus Zusak

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    01-Mar-2016
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- Na continuação do sucesso O azarão, Markus Zusak apresenta o emocionante Bom de briga. Bom de briga retrata a evolução dos irmãos Cameron e Ruben Wolfe como seres humanos. No primeiro livro, a dupla estava sempre atrás de algo errado para fazer. Dessa vez eles entram no mundo das lutas amadoras de boxe, buscando independência para suas vidas. Enquanto Ruben mostra um talento nato para a coisa, o outro tenta apenas sobreviver. Tudo que é ruim é normal no dia a dia da família Wolfe - como os silêncios, as brigas, a pobreza, a mediocridade. Eles já se acostumaram com isso e sempre têm uma justificativa para tanto. Cameron, o mais novo, é o exemplo do jovem batalhador...

Transcript of Bom de briga - Markus Zusak

  • Do Autor:

  • Trad uoAna Resende

    Rio de Janeiro | 2013

  • Originalmente publicado pela Omnibus Books,diviso da Scholastic Australia Pty Limited, em 2000.

    Edio publicada mediante contrato com a Scholastic AustraliaPty Limited.

    Copyright Markus Zusak, 2000.

    Ttulo original: Fighting Ruben Wolfe

    Capa: Rafael Nobre | Babilonia Cultura Editorial

    Editorao da verso impressa: FA Studio

    Texto revisado segundo o novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa

    2013Produzido no BrasilPrinted in Brazil

    Cip-Brasil. Catalogao na fonteSindicato Nacional dos Editores de Livros. RJ

    Z93bZusak, Markus, 1975-Bom de briga [recurso eletrnico] / Markus Zusak ; traduo Ana Resende. - 1. ed. -

    Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 2013.recurso digitalTraduo de: Fighting Ruben WolfeFormato: ePubRequisitos do sistema: Adobe Digital EditionsModo de acesso: World Wide Web ISBN 978-85-2861-736-8 (recurso eletrnico) 1. Romance australiano. 2. Livros eletrnicos. I. Resende, Ana. II. Ttulo.

    12-9198CDD: 828.99343CDU: 821.111(436)-3

    Todos os direitos reservados pela:EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA.Rua Argentina, 171 2. andar So Cristvo20921-380 Rio de Janeiro RJ

  • Tel.: (0xx21) 2585-2070 Fax: (0xx21) 2585-2087

    No permitida a reproduo total ou parcial desta obra, por quaisquer meios, sem a prviaautorizao por escrito da Editora.

    Atendimento e venda direta ao leitor:[email protected] ou (0xx21) 2585-2002

  • Para Scout

  • Um agradecimento especiala Celia Jellett, por sua bondade,

    dedicao e competnciaa Vic M orrison, por todos os desafios

  • 1O co no qual apostamos mais parece um rato. M as ele consegue correr feito uma lebre diz Rube. Ele todo duas

    caras. Ele cospe e depois sorri. Cospe depois sorri. Um cara legal deverdade, meu irmo. Ruben Wolfe. a nossa realidade.

    Estamos na parte de baixo da arquibancada suja, sem cobertura.Uma garota passa por ns.Jesus , penso. Jesus diz Rube, e essa a diferena quando ns dois olhamos a

    garota, sonhando, respirando, vivendo. No sempre que garotas comoessa aparecem nas corridas de ces. As que costumamos ver so ratinhasmagricelas que fumam que nem chamins, ou so cavalonas que no paramde comer. Ou vadias que vivem enchendo a cara de cerveja. Essa queestamos vendo uma raridade. Eu apostaria nela se ela pudesse correr napista. Ela demais.

    Depois, s me resta o enjoo de olhar para pernas que no posso tocar oubocas que no sorriem para mim. Ou quadris que no roam nos meus. Ecoraes que no batem por mim.

    Enfio a mo no bolso e tiro uma nota de dez pratas. Ela deve me fazeresquecer as garotas. Quer dizer, eu gosto de olh-las por um tempo, massempre acabo me dando mal. Fico com os olhos doloridos por causa dadistncia. E tudo o que consigo fazer dizer algo do tipo: Ento, vamosapostar essa g rana ou o qu, Rube?, como fao nesse dia cinzento, nestacidade agradvel e lasciva que eu chamo de lar.

    Rube? chamo de novo.Silncio.

  • Rube?Vento. Latinha rolando. Cara fumando e tossindo bem atrs de mim. Rube, vamos apostar ou no?Bato nele.Com as costas da mo.No brao do meu irmo.Ele olha para mim e sorri de novo.Diz: T bem.E procuramos algum para apostar por ns. Algum maior de idade.

    No difcil encontrar por aqui. Um caravelho com metade da bunda pra fora da cala sempre vai apostar por voc.Ele pode at pedir uma parte do lucro (se voc apostar no co vencedor,claro). M as ele nunca vai te encontrar. No que a gente fosse fug ir dele oucoisa assim. Voc tem que tentar agradar esses pobres coitados bbados, dotipo por-favor-no-me-deixe-ficar-igual-a-ele. Uma parte do nosso lucro novai fazer mal nenhum a eles. O problema ganhar alguma coisa. Issoainda no aconteceu.

    Vamos. Rube se pe de p e, enquanto andamos,ainda consigo ver as pernas da garota ao longe.

    Jesus , penso. Jesus diz Rube.Nos balces de apostas, nos deparamos com um pequeno problema.Os policiais.Que d iabos eles es to fazen d o aqui?, pergunto a mim mesmo. Que diabos eles esto fazendo aqui? pergunta Rube.Acontece que eu nem odeio os policiais. Para falar a verdade, at sinto

    um pouco de pena deles. Dos quepes. Usando toda aquela parafernlia

  • ridcula dos caubis na cintura. Tendo que parecer sinistros e, ao mesmotempo, simpticos e acessveis. Sempre tendo que deixar o bigode crescer(tanto os homens quanto, em alguns casos, as mulheres) para fing ir que tmautoridade. Fazendo um monte de flexes, abdominais e barras, naacademia de polcia, antes de conseguirem a licena para voltar a comerrosquinhas. Dizendo s pessoas que algum da famlia acaba de bater asbotas num acidente de carro... A lista continua, ento melhor parar poraqui.

    D uma olhada no porco com o enroladinho de salsicha. Rubeaponta. Ele no quer nem saber se os policiais esto rondando por ali feitomoscas. De jeito nenhum. Na verdade, o contrrio. O Rube anda at opolicial bigodudo que est comendo o enroladinho de salsicha com molho.So dois. Tem o guarda do enroladinho de salsicha e uma mulher. M orena,com o cabelo preso debaixo do quepe. (S a franja dela cai sedutora sobre osolhos.)

    Vamos at eles, e comea a conversa.Ruben L. Wolfe: Como vai, seu guarda?Policial com a comida: Tudo indo, cara, e voc?Rube: T gostando do enroladinho de salsicha, hein?Policial devorando a comida: Pode apostar que sim, cara. T

    gostando de me ver comendo?Rube: Com certeza. Quanto ?Policial, engolindo: Um e oitenta.Rube, sorrindo: Eles te roubaram.Policial, dando uma mordida: Eu sei.Rube, comeando a se divertir: Acho que voc devia fechar a cantina

    por causa disso.Policial, com molho na beirada do lbio: Em vez disso, talvez eu

  • devesse prender voc.Rube, apontando para o molho no lbio: Por qu?Policial, percebendo que tem molho no lbio e limpando: Por querer

    bancar o espertinho.Rube, coando o saco sem disfarar e olhando para a policial: Onde

    foi que voc encontrou es sa a?Policial, comeando a se divertir tambm: Na cantina.Rube, dando outra olhada nela, sem parar de se coar: Quanto foi?Policial, matando o enroladinho de salsicha: Um e sessenta.Rube, parando de se coar: Eles te roubaram.Policial lembrando-se da sua funo: Ei, melhor se cuidar.Rube, ajeitando a camisa de flanela surrada e a cala:

    Eles cobraram o molho? Quer dizer, no enroladinho.Policial, g irando sobre os calcanhares: Nada.Rube, se aproximando: mesmo?Policial, sem conseguir esconder a verdade: Vinte centavos.Rube, atordoado: Vin te cen tavos ! S pelo molho?Policial, obviamente, desapontado consigo mesmo: Pois .Rube, com uma expresso sria e honesta, ou, pelo menos, uma coisa ou

    outra: Pra comeo de conversa, o senhor no devia ter pedido molho. Nosabe se controlar, no?

    Policial: T querendo criar caso?Rube: Claro que no.Policial: Tem certeza?Nesse momento, a policial morena e eu trocamos olhares constrang idos,

    e imag ino como ela fica sem o uni-forme. Para mim, est s de calcinha e suti.

    Rube, respondendo pergunta do policial: Sim, senhor, tenho certeza.

  • No estou tentando criar caso. M eu irmo e eu s estamos aproveitandoesse dia maravilhosamente cinzento aqui na cidade, admirando essesanimais velozes darem a volta na pista. Ele um saco de surpresas.Cheio de lixo. Isso crime?

    Policial, ficando irritado: Afinal, por que voc est falando com agente?

    A policial e eu trocamos olhares. De novo. A calcinha e o suti dela sobonitos. o que eu estou imag inando.

    Rube: Bem, a gente s estava...Policial, de saco cheio: S o qu? O que vocs querem?A policial demais. De verdade est numa banheira. Com bolhas. Ela

    se levanta. Sorri. Para mim. Eu estremeo.Rube, rindo alto: Bem, a gente queria saber se o senhor poderia fazer

    uma aposta...A policial, na banheira: Voc est brincando,

    no ?Eu, tirando a cabea de debaixo dgua: Voc t brincando, no ,

    Rube?Rube, dando um tapa na minha boca: M eu nome no Rube.Eu, de volta realidade: Oh, desculpe, James, seu cuzo.Policial, segurando o saco amassado do enroladinho

    de salsicha com molho espalhado por dentro: O que um cuzo?Rube, aflito: Ai, Deus Todo-poderoso, isso no est acontecendo!

    Como um homem pode ser to ridiculamente estpido assim?Policial, curioso: O que um cuzo?A policial, que tem um e setenta e cinco e, pelo que se v, malha na

    academia da polcia umas quatro noites por semana: Todas as manhsvoc olha pra um no espelho.

  • Ela alta, magra e linda. Pisca para mim.Eu: mudo.Rube: isso a, gatinha.A policial incrivelmente gostosa: Quem voc t chamando de gatinha,

    garoto?Rube, sem dar ateno para ela e se virando para o policial ignorante,

    que-nem-sabe-o-que--um-cuzo: Ento, vai ou no vai fazer a aposta por ns?

    Policial cuzo: O qu?Eu, falando para todos eles, mas em voz baixa:

    Isso muito ridculo.As pessoas do a volta e passam pela gente para fazer as apostas.A policial, para mim: Voc quer me lamber?Eu: Claro. a minha imag inao obviamente.Policial cuzo: Est bem.Rube, chocado: O qu?Policial cuzo: Vou fazer a aposta pra vocs.Rube, confuso: Srio?Policial cuzo, tentando impressionar: . Fao isso o tempo todo, no

    , Cassy?A policial maravilhosa, sem dvida nem um pouco impressionada:

    Claro...Eu: Isso tico?Rube, sem acreditar, falando para mim: Voc tem algum problema

    mental? (Ultimamente ele se cansou da palavra retard ad o. Acha que o novojeito mais sofisticado. Uma coisa assim.)

    Eu: No. Eu, no. M as...

  • Os trs, para mim: Cala a boca.Filhos da me.Policial cuzo: Qual o nmero do cachorro?Rube, satisfeito: Trs.Policial cuzo: E o nome?Rube: Seu Filho da M e.Policial cuzo: Como que ?Rube: Juro. Toma, olha o nosso programa.Todos olhamos.Eu: Como que eles inventam um nome assim?Rube: que hoje s tem amador. Qualquer coisa co