BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista - Anotações (2)

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    Para a realizao desse trabalho, Braverman parte da necessidade de anlises maisamplas do processo de transformao ocupacional que as j publicadas, de seu interesse pelaestrutura da classe trabalhadora e a maneira como ela se transformou. Com base na dificuldade deconciliao entre as afirmaes da necessidade cada vez maior de nveis de exigncias decapacitao e instruo e da negao dessa necessidade, mediante a subdiviso do trabalho, ointeresse do autor se amplia, e ele se v empreendendo um estudo do desenvolvimento do modode produo capitalista atravs dos ltimos cem anos (p. 16). Braverman parte de sua prpriaexperincia como trabalhador da indstria, jornalista, executivo e de seu modo de ver asociedade, o marxismo, ressaltando que quase nada incluiu de elementos factuais que nopudessem ser verificados independentemente pelo leitor, como correto em qualquer trabalhocientfico (p. 19).

    Braverman confere centralidade ao pensamento de Marx em sua obra, por considerarque pouco os marxistas acrescentaram ao marxismo, discutindo ainda dois temas na Introduode sua obra: tecnologia e sociedadee a nova classe trabalhadora. No primeiro, ele retoma ospressupostos marxistas, criticando formas de interpretao do mesmo, especialmente naorganizao produtiva da sociedade sovitica, em que o comunismo ortodoxo culminou numentendimento determinista tecnolgico de Marx. O autor acrescenta que, para Marx, atecnologia, em vez de produzir relaes sociais, produzida pelas relaes sociais representadaspelo capitalismo (p. 28)1. No segundo, o autor diz no ter nada contra a definio marxista declasse, uma vez que essa no era a preocupao central de Marx, mas rejeita as consideraes dofinal do sculo XX, em que se designa uma nova classe trabalhadora que seria composta deengenheiros e professores, por exemplo. O autor teme que seu posicionamento se choque com os

    dos defensores de que a classe se manifesta atravs de sua subjetividade. Neste sentido, o autorconcorda que uma classe no existe sem manifestar um grau de conscincia, de interesses.Braverman ainda recorre a dados sobre o comportamento trabalhista nos anos 1960 e 1970 nosEstados Unidos, em que a relao dos industriais com os trabalhadores entra em crise, medianteas faltas e abandono de empregos e critica as solues simplistas propostas poca. ParaBraverman, esses dados e a constatao de que na indstria mais difcil de aplicar areorganizao do trabalho levam-no a verificar que se tratam dos fundamentos da sociedadecapitalista, que reproduz muito mais depressa e em maior volume os processos de trabalho que avelocidade que as empresas aceitam as pequenas melhorias.

    Captulo 1: Trabalho e fora de trabalho (p. 49-59)

    O trabalho, como atividade humana, se difere das atividades de outras espcies porser consciente e proposital. Enquanto nelas, essas atividades so inatas, a espcie humana asaprende. Enquanto no ser humano a concepo pode se dissociar da execuo, nas espciesanimais que no a humana, elas so indissociveis. Marx chama a essa capacidade humana deexecutar trabalho de fora de trabalho e por ser livre do instinto, torna-se um produto das relaes

    1Essa concepo levou Lnin a incentivar o estudo e a adoo dos princpios tayloristas (embora Taylor no tenhavisado inovao tecnolgica).

    Trabalho, Educaoe DesenvolvimentoSocietrio

    BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista: adegradao do trabalho no sculo XX. 33. ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koo an 1987.

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    sociais. Assim, o objeto da obra o trabalho nas formas que ele assume sob as relaescapitalistas de produo (p. 54). Essa afirmativa leva a outra: o homem aceita o contrato detrabalho, porque no lhe resta alternativa de sobrevivncia. Porm, o trabalho humano indeterminado como quantidade, mas o homem precisa vend-lo e o capitalista compr-lo e, por

    isso, o capitalista adota meios de controle do trabalho.Captulo 2: Origens da gerncia (p. 61-69)

    A gerncia como forma de controle sobre a fora de trabalho surge ainda em tempospr-capitalistas. Embora no tivesse como finalidade o lucro, a construo de monumentos,catedrais, etc. exigiram a superviso do trabalho humano. Na decadncia do feudalismo, areunio de artesos em oficinas j exigia a superviso, embora o controle do trabalho aindaestivesse nas mos dos artesos, que detinham o saber sobre o mesmo. A gerncia primitiva adesenvolvida j se utilizava da subcontratao, sob forma de tarefas, o pagamento por unidadeproduzida, como forma de arrolar o trabalhador como cmplice voluntrio de sua prpriaexplorao (BRAVERMAN, 1987, p. 64). No entanto, o capitalismo comercial o responsvelpelas formas de gerncia mais elaboradas, com sistemas de contabilidades e filiais sob comandode gerentes, embora essas experincias venham das lavouras coloniais comandadas porestancieiros, na Inglaterra. [...] o controle , de fato, o conceito fundamental dos sistemasgerenciais [...](p.68).

    Captulo 3: A diviso do trabalho (p. 70-81)

    O mais antigo principio inovador do modo capitalista de produo foi a divisomanufatureira do trabalho [...] (BRAVERMAN, 1987, p. 70). Essa diviso, em suas formasprimitivas, tem suas caractersticas ligadas composio social dos grupos, como as famlias,mas no implicavam uma diviso rgida, de modo que todos os membros podiam, em algum grau,executar as tarefas comumente executadas por outros. Essa diviso tem a ver com a anlise doprocesso de trabalho, em que se ganha tempo com a realizao de elementos desse processo narealizao de grandes quantidades do mesmo trabalho. Porm, essa diviso, sob o capitalismoindustrial, passou a significar o parcelamento do trabalho. Primeiro porque aumenta aprodutividade e depois porque diminui os custos da produo. O pagamento pelo trabalho deexecuo de uma tarefa muito menor do que o da realizao de um trabalho completo, queimplica percia na produo de um determinado produto.

    Captulo 4: Gerncia cientfica (p. 82-111)

    As origens da gerncia cientfica remetem aos economistas clssicos. Mas a definiodas teorias da gerncia s vem tona em fins do sculo XIX e incio do Sculo XX. Essa teoriadesenvolve-se, especialmente a partir de Frederic Winslow Taylor, apesar de ele no terdesenvolvido uma cincia em sentido literal, porque no procurou estudar o trabalho, mas aadaptao ao trabalho, aceitando este como dado natural.

    As teorizaes de Taylor foram acusadas de amadorismo e afirmou-se muito que suasideias fracassaram, mas essas acusaes decorrem de interpretaes errneas dos pressupostostayloristas. Taylor tinha um comportamento obsessivo-compulsivo: desde pequeno contava seuspassos, media o tempo gasto em atividades dirias, buscando eficincia (BRAVERMAN, 1987,p. 87). A partir de sua experincia como funcionrio da indstria, props-se como gerente, a

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    organizar e racionalizar a produo. Embora o controle estivesse sempre ligado gerncia, comTaylor, ele adquiriu dimenses sem precedentes (p.86).

    Os princpios tayloristas sobre os quais a gerncia moderna se construiu sobasicamente trs. O primeiro a dissociao do processo de trabalho das especialidades dos

    trabalhadores (p. 103). Mediante a este princpio, o processo de trabalho no deve depender dascapacidades dos trabalhadores, mas das determinaes gerenciais. Semelhante ao primeiro, osegundo princpio se caracteriza pela concentrao do planejamento nas mos da gerncia e peladesumanizao do trabalho, atravs da separao entre concepo/execuo (relaocaracterstica do trabalho humano). Segundo este princpio, a cincia do trabalho deveria serdesenvolvida pela gerncia, nunca pelo trabalhador. Taylor deixa claro a que no apenas ocapital propriedade do trabalhador, mas que o prprio trabalho tornou-se parte do capital (p.106). Resumindo as concepes de Taylor, Braverman diz que:

    [...] tanto a fim de assegurar o controle pela gerncia como baratear o trabalhador,concepo e execuo devem tornar-se esferas separadas do trabalho, e para esse fim oestudo dos processos do trabalho devem reservar-se gerncia e obstado aos

    trabalhadores, a quem seus resultados so comunicados apenas sob a forma de funessimplificadas, orientadas por instrues simplificadas o que seu dever seguir sempensar e sem compreender os raciocnios tcnicos ou dados subjacentes(BRAVERMAN, 1987, p. 107).

    Finalmente, o terceiro princpio, a utilizao desse monoplio do conhecimento paracontrolar cada fase do processo de trabalho e seu modo de execuo. Talvez o maisproeminente elemento isolado na gerncia cientfica seja o de tarefa (p. 108). A gerncia deveriarepassar ao funcionrio as tarefas a serem realizadas e como execut-las, mas como cada umacabava se tornando especialista daquilo que fazia, os pormenores eram deixados a cargo doprprio funcionrio. Utilizou-se de fichas de instruo, mas elas no so o elemento central, e simo repasse de informaes.

    Os fundamentos tayloristas conferiram um papel muito importante ao chefe de turma,na indstria, como responsveis por dar fora e estmulo aos trabalhadores na execuo de suastarefas na medida adequada.

    Captulo 5: Principais efeitos da gerncia cientfica (p. 112- 123)

    A consequncia inexorvel da separao de concepo e execuo que o processode trabalho agora dividido entre lugares distintos e distintos grupos de trabalhadores. (p. 112). Fato que concepo e execuo, ainda que em mos diferentes continuassem necessrios aotrabalho e que tambm foram aplicados mtodos aos trabalhadores cerebrais, de modo a mant-los ocupados. O aprisionamento do conhecimento nas mos da gerncia, que distribua aos

    operrios minsculas informaes sobre suas tarefas, viria a ter seus impactos na sociedade.Embora se possa registrar a abertura de oportunidades para a elevao de funcionrios daexecuo para a rea do planejamento, essa abertura, analisada em curto prazo, mascara atendncia secular no sentido do rebaixamento de toda a classe trabalhadora [...] (p. 116). Aproletarizao do funcionalismo era evidente. Ao rebaixar a classe trabalhadora, os ofcios foramperdendo seu prestgio e nvel de exigncia de qualificao, e a prpria empresa reclamava dotipo de trabalhador que havia no mercado:

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    Esses prprios gerentes cientficos no cessaram de reclamar amargamente, como deseu costume, das caractersticas de ima populao trabalhadora que eles prpriosmodelaram para ajustar-se a seus fins, mas no encontraram ainda um jeito de produzirtrabalhadores que sejam ao mesmo tempo degradados em seu lugar no processo detrabalho e tambm conscienciosos e orgulhosos de seu ofcio (BRAVERMAN, 1987,

    119em nota de rodap).

    Braverman traz uma citao de Hoxie que vale a pena registrar, pela capacidade deresumo das consequencias da gerencia cientfica. Ele mesmo comenta que meio sculo decomentrio sobre a gerncia cientfica no teve tanto xito em dar formulao do assunto melhorque esta [citao] (BRAVERMAN, 1987, p. 122):

    A juno de todos esses conhecimentos esparsos dos ofcios, sua sistematizao econcentrao nas mos do empregador e depois a distribuio dele apenas sob forma deinstrues pormenorizadas, dando a cada trabalhador somente o conhecimento exigido

    para a execuo de determinada e relativamente minscula tarefa. Esse processo, claro,separa destreza e conhecimento at em sua estreita relao. Quando se completa, otrabalhador j no mais um profissional em sentido algum, mas uma ferramentahumana da gerncia (HOXIE, s/d, citado por BRAVERMAN, 1987, p. 122).

    Captulo 6: A habituao do trabalhador ao modo capitalista de produo (p.

    124-134)

    A transformao da humanidadetrabalhadora em uma fora de trabalho, em fatorde produo, como instrumento do capital, um processo incessante e interminvel (p. 124grifos do autor). A habituao do trabalhador s formas de trabalho no capitalismo no se encerrana gerncia cientfica, mas constitui-se, de forma contnua, matria de investigao de diferentesdisciplinas, embora se tenha focalizado nelas o problema da gerncia, em funo das reaes dostrabalhadores, e no o do trabalhador, como a degradao humana.

    Destaca-se a Psicologia Industrial de Hugo Mnsterberg, que se colocou a servio docapital, propondo-se a descobrir formas de obter mais e melhor servio do trabalhador, traandoperfis e investigando rotinas. Sob o comando de Elton Minayo, a perspectiva ganha um tomsociolgico, pois ele identifica que o comportamento dever ser estudado a partir dos grupos,embora tenha chegado a concluses negativas sobre a relao de capacidade e desempenho notrabalho, parecidas com as concluses das quais Taylor parte meio sculo antes. Mas a Psicologiae a Sociologia industriais se embrenharam em confuses das quais dificilmente se recuperariam,ao procurar explicaes em vrias reas do conhecimento.

    Um exemplo de que, na retirada violenta das condies de trabalho anteriores einsero em novas formas projetadas pelo capital, o papel maior desempenhado pelas forassocioeconmicas est no fordismo. O advento tecnolgico da empresa Ford, no incio do sculo

    XX, implicou no abandono de emprego de milhares de empregos, pela no adaptao. Noentanto, a presso pela modernizao em todas as fbricas da regio implicou na obteno demo-de-obra novamente, por eliminao das alternativas para esses trabalhadores. Alm disso,Ford utilizou da barganha do aumento de salrio como forma de obter funcionamento ininterruptode sua empresa, de modo que, depois de conseguir esse ajustamento dos trabalhadores a essaforma de trabalhar, foi adotada a medida de achatamento dos salrios.

    Nas palavras de Braverman:

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    A aclimatao aparente do trabalhador aos novos modos de produo surge dadestruio de todos os modos de vida, a contundncia das barganhas salariais que

    permitem certa maleabilidade dos costumeiros nveis de subsistncia da classetrabalhadora, o emaranhado da rede da vida capitalista moderna que torna finalmentetodos os meios de vida capitalista moderna que torna finalmente todos os meios de vida

    impossveis (BRAVERMAN, 1987, p. 133).

    Embora mantenha-se nessa classe, por baixo da aparente habituao, a repulsa que serenova gerao aps gerao

    Captulo 7: A revoluo tcnico-cientfica (p. 137-147)

    [...] do ponto de vista tcnico, toda produo depende das propriedades fsicas,qumicas e biolgicas de materiais e dos processos que se baseiam nelas. Isto supe uma rela ointerdependente entre o desenvolvimento da cincia e da indstria, mas essa relao merececonsideraes. Em primeiro lugar, o desenvolvimento industrial no foi condicionado pelodesenvolvimento cientfico desde seus princpios. O exemplo que Braverman (1987, p.139) cita oquestionamento de um historiador da cincia que pergunta quanto do desenvolvimento damquina a vapor foi devido cincia, concluindo que ela foi desenvolvida pelos trabalhadores,dentro da indstria. A histria da incorporao da cincia empresa capitalista comea naAlemanha (p. 140). Isto permitiu Alemanha o desenvolvimento anterior da pesquisa cientficabsica em relao aos Estados Unidos e Inglaterra. O reconhecimento do valor do profissionalcientificamente preparado para o desenvolvimento da indstria leva-o assim como aoslaboratrios para dentro da empresa. Os laboratrios de pesquisa das empresas dos EstadosUnidos comearam mais ou menos com os incios da era do capitalismo monopolista (p.144).Junto a isso, desde a Segunda Guerra Mundial, cresceu, nos Estados Unidos, o interesse tantoprivado como do governo pela formao cientfica e tecnolgica, o que veio a fornecerconhecimento cientfico para a indstria.

    A revoluo tcnico-cientfica, por essa razo, no pode ser compreendida em termos deinovaes especficas como no caso da Revoluo Industrial, que pode sercorretamente caracterizada por um punhado de invenes bsicas , mas deve sercompreendida mais em sua totalidade como um modo de produo no qual a cincia einvestigaes exaustivas da engenharia foram integradas como parte de umfuncionamento normal. A inovao chave no deve ser encontrada na Qumica, naEletrnica [...], mas antes na transformao da prpria cincia em capital(BRAVERMAN, 1987, p. 146).

    Captulo 8: A revoluo tcnico-cientfica e o trabalhador (p. 148-159)

    No primeiro estgio do capitalismo, a principal mudana em relao ao trabalho foi aorganizao, mediante a anlise dos processos e parcelamento dos elementos que o constituem.Na segunda, a mudana est ligada ao desenvolvimento dos instrumentos de trabalho, mquina-ferramenta. Mas a transformao do processo de trabalho sob a revoluo tcnico-cientfica que o objeto deste captulo. No se pode dar uma resposta definitiva sobre essa questo, porm, umdestaque para a investigao do trabalhador em movimento, aponta para a concepo dotrabalhador de modo anlogo mquina, de modo a obter um ritmo mdio de funcionamento. Otrabalho tem dissolvidos, atravs do estudo dos movimentos, suas formas concretas em tipos

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    gerais de movimentos de trabalho (p. 158). Essa reduo a movimentos infindavelmenterepetidos facilita a soma dos mesmos a tudo mais em que o capital investe como forma de semultiplicar.

    Captulo 9: Maquinaria (p.160-202)

    A maquinaria pode ser vista de pelo menos dois pontos de vista. Um que prioriza osaspectos tcnicos, da evoluo das mquinas, e outro que leva em conta as relaes sociaisproduzidas em sua utilizao, leva em conta o trabalhador, como a preocupao de Marx. Fato que as mquinas evoluram de modo que o controle mecnico permitiu tanto o aumento daprodutividade como a reduo da interveno humana nesse processo. Braverman (1987, p. 167)apresenta um paradoxo em torno do aumento da maquinaria: [...] o controle humano sobre oprocesso de trabalho converte-se no seu contrrio, e vem a ser o controle do processo de trabalhosobre massas de homens. Isto equivale a dizer que a mquina, sob o capitalismo, tem a funode aumentar a produtividade, mas tambm de destituir a massa de trabalhadores de seu controlesobre o prprio trabalho, possibilitando gerncia realizar aquilo que ela tentou fazer por meiosorganizacionais (BRAVERMAN, 1987, p. 168). A respeito da especializao, proclamada pelostericos da automao, que viam os homens sendo liberados do trabalho rduo e tornando-secriadores de mquinas, Braverman (1987) cita uma pesquisa realizada por V. Bright, quemostrava no apenas a eliminao do trabalhador do processo de trabalho, mas especialmente aprogressiva desnecessidade de especializao. Nessa pesquisa, Bright relata que, at certo ponto,o aumento da automao da produo exige um aumento da especializao e do conhecimento dotrabalhador, mas que, depois de um dado nvel, ela se torna cada vez menor, chegando a zero emalguns casos. Importante destacar que a pesquisa de Bright tinha o propsito de atender aosinteresses da gerncia.

    Chega-se a um ponto abordado por Marx: a relao entre trabalho vivo (fora detrabalho) e trabalho morto (fora de trabalho materializado na mquina). O cuidado deBraverman para que ao tomar a afirmao da dominao do trabalho vivo pelo trabalho morto,no se caia na fetichizao da mquina, tendncia que atribui mquina o papel de ditadora domodo de vida e de trabalho a que se assiste. Essa concepo inclui, por um lado, o determinismotecnolgico, que concebe a tecnologia como um dado natural e inevitvel, e por outro se esqueceque os meios de produo se convertem em capital. Portanto, o capitalismo que dita os efeitosque aparentemente so provocados pela maquinaria.

    Captulo 10: Outros efeitos da gerncia e da tecnologia na distribuio do trabalho(p. 203-212)

    Braverman (1987, p. 203) retoma a observao de Marx, de que diferentemente dosgenerais, que vencem suas guerras pelo recrutamento de exrcitos, os capites da indstriaganham suas guerras pela desmobilizao de exrcitos.Entre os outros efeitos da gerncia eda tecnologia na distribuio do trabalho, est o achatamento dos salrios de engenheiros etcnicos, assim como o nivelamento e massificao de profisses que antes ocupavam posiojunto gerncia como projetadores do processo de trabalho na indstria. Na engenharia,especialmente, isso se torna observvel pela racionalizao e diviso do trabalho, simplificaode funes, aplicao da mecanizao, uma tendncia, para baixo no salrio relativo, algumdesemprego, e alguma sindicalizao (p. 208).

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    Captulo 11: Mais-valia e trabalho excedente (p.215-219)

    O capitalismo financeiro, imperialista, marcado pelas transformaes na relaodono/empresa e pela distribuio da produo, especialmente. Cunhado por Lnin, o termo que

    melhor se aplicou a essa fase foi capitalismo monopolista. marcado tambm pela criao deorganizaes capitalistas, atravs da acumulao e centralizao do capital, pela suainternacionalizao. Trustes, cartis comeam a a se institucionalizar. um momento em quecrescem tambm as disputas internacionais que pretendem dividir o globo em reas de influncia.

    Uma das questes fundamentais sobre o trabalho nessa fase do capitalismo est ligadaaos mtodos de aumento da produtividade e ao trabalho excedente. A liberao de trabalhadoresdos diversos setores da produo, analisada desde os escritos de Marx, leva a um excedente detrabalho que reorganiza a relao gerncia/funes tcnicas, especialmente levando funcionriosdaquela pra esta.

    Captulo 12: A empresa moderna (p. 220-230)

    Como Marx analisou e se disse anteriormente, a tendncia do capital a aglomerar-se,ocorre pela concentrao, isto , acumulao, e pela centralizao, que consiste em reunir capitaisacumulado, rompendo os limites da forma individual. A intensificao desses processos permite empresa moderna institucionalizar o capital e exercer o seu controle atravs de uma classeespecializada: os administradores, que, embora faam parte da classe detentora do capital, no ,necessariamente, proprietrio do capital.

    Dois tipos de organizao marcam o desenvolvimento dessa empresa moderna. Oprimeiro a organizao tcnica, a diviso setores de gesto, como planejamento, controle daproduo, expedio, compra, manuteno. O segundo o mercadejamento, ou desenvolvimentode estruturas prprias da indstria para dar conta de atender s demandas geograficamentedispersas e se deveu tambm ao desenvolvimento dos transportes e rodovias. O empenho daempresa moderna, que a partir das estruturas de mercadejamento, logo ganhar o mbitointernacional, ser o de reduzir o carter autnomo da demanda de seus produtos e aumentar seucarter induzido (p. 227).

    As implicaes para o setor ocupacional esto especialmente ligadas funo decoordenao social, em que o Estado entra apenas de preenchimento dos interstcios deixadospelas decises tomadas no interior das grandes empresas, dado o volume de trabalhadores porelas empregado.

    Captulo 13: O mercado universal (p. 231-241)

    Para Braverman (1987), impossvel compreender a nova estrutura ocupacional econsequentemente a nova classe trabalhadora sem levar em conta que na era do monoplio queo modo capitalista de produo recebe a totalidade do indivduo, da famlia, e das necessidadessociais e, ao subordin-las ao mercado, tambm os remodela para servirem s necessidades docapital (p. 231). No estgio mais primitivo do capitalismo, a famlia ainda tinha papelfundamental nos processos produtivos. Havia uma unidade virtual entre produtor e consumidor.As famlias produziam aquilo que consumiam em hortas, criao de animais domsticos,pequenas granjas. Com a industrializao da fazenda e apreenso do trabalho domstico pelaindstria, esses trabalhadores foram sujeitados ao capitalismo e passaram a contribuir para suaampliao. medida que esse processo se intensifica, a fonte de status j no mais a

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    capacidade de fazer as coisas, mas simplesmente de compr-las (p. 325). E o capitalismo tratano apenas de satisfazer necessidades materiais; passa tambm a criar atividades lucrativas paraatender aos padres emocionais.

    As relaes familiares e comunitrias so enfraquecidas na proporo em que se

    criam ramos de produo e relaes de mercado para preencher as lacunas deixadas por elas. Otempo de trabalho realizado antagonistamente em funo do tempo de lazer; cada hora detrabalho pensada em funo das horas de folga e o prprio tempo de lazer passa a ternecessidade de preenchimento, uma vez que o tempo de trabalho visto como tempo perdido.

    A diminuio do espao outra varivel que contribui para a destruio das prticasfamiliares e comunitrias. A urbanizao traz com ela os problemas da aglomerao, da geraode detritos, alm do que ao mercado interessam aqueles que funcionam para o trabalho. Cria-se todo um estrato de desamparados e de dependentes, enquanto o antigo e j conhecido amplia-se: a proporo dos doentes mentais ou deficientes, os criminosos, as camadas pauperizadasna parte baixa da sociedade, todos representando variedades do desmoronamento sob as pressesdo urbanismo capitalista (p. 238).

    O capitalismo monopolista se caracteriza pela converso de bens e servios emmercadorias. A cooptao do trabalho no capitalista para um modo capitalista uma forma detorn-lo produtivo (para o capital), como o servio domstico de lavar, passar e arrumar, quandoexercido na empresa capitalista.

    Captulo 14: O papel do Estado (p. 242-246)

    A atuao do Estado no desenvolvimento do capitalismo no um fenmeno novo.s vezes foi dissimulado, mas sempre existiu. E essa relao torna-se mais clara medida que seobservam alguns pontos dela. Primeiro, o excedente econmico produzido pelo capitalismomonopolista, que pode implicar em desorganizao das condies de desenvolvimento docapitalismo, exigem a atuao do Estado em sua regulao. Segundo, a internacionalizao docapital exige e mediao Estatal na concorrncia econmica. Terceiro: situaes decorrentes doprprio capitalismo, como misria e insegurana, so outro ponto no qual o Estado atua paracondicionar o desenvolvimento capitalista. Por fim, a necessidade de outros servios comorodovias, educao2, constituem outra necessidade capitalista que o Estado tem o papel de suprir.

    Captulo 15: Trabalhadores em escritrio (p. 249-302)

    Para tratar do trabalho em escritrios, uma considerao fundamental, na concepode Braverman (1987), qual seja a de que esse trabalho no incio do sculo XIX diferentedaquele praticado no final do mesmo sculo. H diferena entre os prestgios salariais e do postode trabalho praticados nos dois perodos. No primeiro perodo, o funcionrio de escritrio tinhauma relao quase parental e de confiana com o dono da empresa capitalista e era,possivelmente, um candidato a genro, por exemplo. O salrio era o dobro do de artfices eoperrios, ou at mais. O desenvolvimento da gerncia cientfica, da tecnologia, e especialmente

    2 A educao no seio do capitalismo monopolista ser retomado por Braverman em outra parte da obra, mas eleacrescenta que, nesse sistema, a educao institucionalizada se torna o meio atravs do qual a criana aprende, muitomais que na famlia, as exigncias que dela sero feitas na vida adulta nesse tipo de sociedade.

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    do monoplio capitalista, no entanto, remodelaram a estrutura ocupacional, equiparando essesofcios aos dos demais operrios.

    O trabalho do escritrio tambm foi racionalizado, depois de Taylor e por causa dele,to logo o fluxo de trabalho se torna grande. O privilgio especial do funcionrio do passado, o

    de testemunhar a operao da empresa como um todo e obter uma viso do seu progresso nosentido de seus objetivos e sua condio em dado momento, desaparece. Essas se tornamatribuies de um funcionrio superior. A antiga separao entre trabalho manual e trabalho deescritrio tambm desaparece. Isso no quer dizer que todos os trabalhos fazem a mesma coisa,mas que todos eles se tornaram analisveis e que seus elementos constitutivos foram separados.

    Braverman (1987) apresenta as concluses de Babbage sobre a separao entretrabalho manual e trabalho mental, que, segundo ele, o capitalismo adora.

    A primeira que o trabalho de pessoas instrudas ou mais bem pagas jamais deve serdesperdiado em assuntos que podem ser feitos para eles por pessoas menos instrudas.A segunda que os de pouca ou nenhuma instruo so superiores para o desempenhode trabalho rotineiro, em primeiro lugar porque podem ser comprados a preo baixo, e

    em segundo porque imperturbados por coisas em demasia em seus crebros, faro asrotinas correta e fielmente (BRAVERMAN, 1987, p. 269).

    Houve, mediante a aplicao da racionalizao e diviso do trabalho no escritrio, aeliminao progressiva do pensamento nesse tipo de trabalho, embora se possa dizer que ocrebro permanece em algum sentido nesses trabalhos, mas minimamente reduzido, ematividades, gestos, que, de to rotineiras, tornam-se de domnio prtico. No se pode esquecer quea medio e cronometragem entraram tambm para o escritrio, assim como para a fbrica.

    A mecanizao do escritrio constituiu um segundo passo. Primeiro pela introduodo processamento de dados atravs de cartes perfurados e, depois, pela introduo docomputador. Mas esses processos no vieram a por fim diviso tcnica do trabalho. Pelocontrrio, como de se prever no capitalismo, criou novas divises, hierarquias, segundo o nvele tipo de conhecimento necessrio sua operao e o tempo necessrio para aprend-lo.

    O controle do trabalho no se limitou a bater o carto de ponto, mas estendia-se proibio de conversas durante o trabalho. Isso tudo somado entediante tarefa de operar aperfurao de cartes, por exemplo, provocava um sem-nmero de faltas ao trabalho,principalmente das moas, que foram destinadas para essa tarefa. E no se pode esquecer daproduo de excedente de trabalho e da liberao de trabalhadores. Nos escritrios e nos bancos,houve a reduo dos peritos em contabilidade e a substituio de alguns por operadores demquinas contbeis.

    Assistncia de secretrias foi uma caracterstica assumida pelo trabalho emescritrios, e que marcou ainda mais a diviso do trabalho em seu interior. Os servios a elasdestinados foram posteriormente divididos em setores como o que se prestava a atendertelefonemas, digitadores. Outro aspecto que marca essa transformao o da secretria comoadorno fsico, o que veio a provocar reaes das trabalhadoras.

    Diante do funcionrio de escritrio das primeiras dcadas do sculo XIX, pareciairrecusvel acreditar que surgia uma grande classe mdia, mas a tese marxista da proletarizaoviria a mostrar sua validade medida que aumentava a diviso social (e por sexo) do trabalhonesse ambiente e abaixamento do nvel social se tornava uma consequncia. A mecanizao queaparentemente criaria maior qualificao, diminuiu sua exigncia e a maquinaria passou a ocupardestaque nos custos operacionais dos escritrios.

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    O problema do chamado trabalhador engravatado que tanto incomodava as primeirasgeraes de marxistas, que foi saudado pelos antimarxistas como prova da falsidade datese da proletarizao foi assim inequivocamente esclarecido pela polarizao doemprego em escritrio e o aumento em um plo de uma enorme massa de funcionrios.A tendncia verificada de uma ampla classe media no proletria voltou-se criao de

    um vasto proletariado sob forma nova. Em suas condies de emprego, esta populaotrabalhadora perdeu todas as antigas superioridades sobre os trabalhadores fabris, e emsuas escalas de salrio desceu quase que ao nvel mais baixo (BRAVERMAN, 1987, p.299-300).

    Captulo 16: Prestao de servios e comrcio menor (p. 303-315)

    Braverman analisa a prestao de servios ante o capitalismo monopolista. Identificaque uma caracterstica comum entre a massa de trabalhadores a baixa qualificao e os baixossalrios. O autor toma a definio de Marx de que servio nada mais que o efeito t il de umvalor de uso, seja ele mercadoria ou trabalho (MARX, s/d, citado por BRAVERMAN, 1987, p303). Quando o trabalhador no oferece esse trabalho diretamente ao usurio de seus efeitos,

    mas, ao invs, vende-o ao capitalista, que o revende no mercado de bens, temos ento o modo deproduo capitalista no setor de servios (BRAVERMAN, 1987, p. 304). Assim, ele insere adiscusso na problemtica da definio sobre a prestao de servios, em que prevalece a disputapela definio, pautada pela produo ou no de produtos, mas afirma que, ademais as definiesem voga, ao final o que importa para o capitalista que o trabalho seja produtivo, produza lucropara o capital.

    A prestao de servios tambm analisada do ponto de vista da proletarizao, namedida em que se diminui a utilizao da percia na realizao do trabalho e exemplificada como comentrio sobre a culinria publicada no The New York Times, em que o comentarista diz queas altas cozinhas dos restaurantes no so mais altas cozinhas, mas um sistema de administraode alimento, em que, em vez de empregar cozinheiros, empregam descongeladores e outros

    operadores do processamento dos alimentos (KIRKLAND, 1962, citado por BRAVERMAN,1987, p. 311).O servio de vendas e o do atendimento em postos de gasolina so colocado em pauta

    sob o enfoque da dispensa do conhecimento de preos e outros processos, em que a mecanizaoocupou lugar de destaque, assemelhando esse trabalho linha de montagem da indstria, onde osservios passam a ser ocupados por mulheres como forma de barateamento da mo-de-obra.

    PARTE V- A CLASSE TRABALHADORA

    Captulo 17: A estrutura da classe trabalhadora e seus exrcitos de reserva

    A estrutura da classe trabalhadora e seus exrcitos de reserva so analisados a partir apolaridade entre trabalho e capital, que, paradoxalmente constitui uma unidade, a partir domomento em que capital trabalho que foi realizado no passado [...] mediante apropriao pelocapitalista e seu emprego na acumulao de mais capital (BRAVERMAN, 1987, p. 319).

    Braverman ento se apropria da definio marxista da classe trabalhadora enquantoaquela que vende sua fora de trabalho, lembrando-se de destacar que parte da fora de trabalho,por ocupar a posio gestora ou por no se aplicar acumulao e ampliao do capital, no sertomada como sendo a mesma coisa. O autor analisa emprego e desemprego como plos opostos,mas interligados no capitalismo, na medida em que a liberao de trabalhadores, mediante a

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    mecanizao de alguns setores da economia, que vai compor o que Marx chama de exrcito dereserva, para alimentar outros setores menos mecanizados e de menor remunerao.

    O autor identifica em Marx a definio de trs tipos de exrcitos de reserva. Umprimeiro tido como flutuante, que oscila entre emprego e desemprego mediante a atrao e

    repelncia pelo mercado. O exrcito latente aquele que, por exemplo, sendo liberados pelamecanizao agrcola, dever encontrar meios de se absorver em outros setores, pois setorescomo o agrcola no tm contra-movimentos de atrao de trabalhadores. A estagnria compe oemprego marginal, irregular e eventual. As consequncias como a crescente pauperizao ecrescimento dessa populao estagnria nas reas suburbanas, a partir dos anos 1950, vieramfortalecer o aspecto da anlise marxista tido como mais frgil diante da crescente ascensoanterior. Segundo Braverman, no se pode mais negar que a acumulao de riqueza, de um lado,acumula misria, de outro (BRAVERMAN, 1987, p. 339).

    Captulo 18: As camadas mdias do emprego (341-346)

    O tema aqui analisado por Braverman (1987) o surgimento de uma classe que,embora trabalhadora e no detentora dos meios de produo, atua no auxlio explorao dostrabalhadores envolvidos na produo. Tem seus salrios no como troca por seu trabalho, mascomo participao no excedente gerado pelo capital. Essa classe se identifica em alguns aspectoscom a antiga pequena classe mdia, que gozava do privilegio de no pertencer a nenhum dos doisplos da explorao capitalista, mas, ao contrrio desta, agrega caractersticas desses dois plos.Ademais essa distino, Braverman lembra que Marx no define a classe como uma coisa, mascomo uma relao.

    Captulo 19: Trabalho produtivo e trabalho improdutivo (p. 347-358)

    De acordo com Braverman (1987), embora Marx considere todos os trabalhadoresassalariados como pertencentes a uma classe, apresentava uma distino entre trabalho produtivoe improdutivo no interior do capitalismo. O trabalho produtivo seria aquele que produz valor demercadoria, e, por conseguinte, valor excedente, para o capital. (BRAVERMAN, 1987, p. 348).Isso implica excluir dessa categoria todo o trabalho que no atue no aumento de excedente. Otrabalho que no trocado por capital, mas por renda, como o trabalho do trabalhador domstico.O capital assim no o dinheiro trocado por trabalho, mas o dinheiro trocado por trabalho como objetivo de apropriar-se daquele valor que ele cria no que pago e acima do que pago, o valorexcedente (BRAVERMAN, 1987, p. 349). Antes, na empresa capitalista, era um privilgio serum trabalhador improdutivo, ao passo que era ruim estar do lado do trabalho produtivo. Noobstante, o aumento do fluxo de excedente de capital incorporou empresa capitalista um grandevolume de trabalho improdutivo que passou a servir como auxiliar administrao desseexcedente. Assim, a Economia Clssica burguesa se torna insuficiente para explicar essesmovimentos, na medida em que propunha a reduo do trabalho improdutivo, no julgando que ocapitalismo seria capaz de incorpor-lo a seu servio.

    Os trabalhadores improdutivos constituem uma massa que aumenta comoconsequncia da expanso do capital e no como causa, como ocorre com os trabalhadoresprodutivos. E o aumento deles os leva a uma situao em que tudo tm em comum com ostrabalhadores produtivos, diferentemente dos dias de Marx.

    Captulo 20: Nota final sobre qualificao (p. 359-379)

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    No captulo vinte, com o qual Braverman (1987) encerra seu trabalho, ele enfrenta a

    opinio popular e acadmica convencional que associa mais mecanizao a mais qualificao.Em primeiro lugar destaca que os prprios conceitos de qualificao, educao e instruo

    apresentam-se de forma vaga. Em seguida contesta a tese da superiorizao do trabalhador,primeiro retomando as classificaes realizadas pelos estudos sociolgicos sobre trabalho. Aqualificao nos estudos, censos, no excedia a uma questo de tempo de aprendizagem dotrabalho a ser realizado e a maior ou menor qualificao dependia das variaes em torno daclassificao.

    Para Braverman (1987), embora a mdia de anos de escolaridade tenha aumentado,em funo das necessidades de habilidades bsicas, como ler, escrever e lidar com clculos, e emfuno da expanso de setores que exigem escolaridade superior, houve perda em relao sexigncias ocupacionais. Alm disso, [...] o contedo educao deteriorou-se medida que suadurao se estendia (BRAVERMAN, 1987, p. 371).

    A escolarizao se mostrou tambm, em vrios estudos arrolados pelo autor, comofator de explicao da insatisfao no trabalho, ao exceder as exigncias ocupacionais.

    Enquanto para o trabalhador, a qualificao est ligada percia e habilidadesmanuais na realizao do trabalho, o capitalismo imprime a ela um carter de velocidade de aesrepetitivas, degradando-a junto com o trabalho.

    Para encerrar a obra, o autor toma, como adequada para a explicao das massas detrabalhadores em indstrias, comrcio e escritrios modernos, de Gilbbreth a afirmao: [...]instruir um trabalhador [...] significa apenas capacit-lo e executar as diretrizes do seu programade trabalho. Desde que ele possa fazer isso, terminou sua instruo, seja qual for a sua idade(SPRIEGBEL; MYERS, 1953, citado por BRAVERMAN, 1987, p 378).