Cafe e Politica

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    26-Oct-2014
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Copyright Mauricio A. Font Todos os direitos reservados. Exceto para citao de trechos breves para o propsito de crtica e anlise, nenhuma parte desta publio pode ser reproduzida, armazenada em sistema de reproduo de dados, ou transmitida, de qualquer forma ou meios, sejam eles eletrnico, mecnico, reproduo fotogrfica, gravao ou outros, sem a autorizao prvia do editor. Exceto nos Estados Unidos da Amrica, este livro vendido com a condio de que no dever, por meio de fraude ou outro, ser cedido, revendido, liquidado ou de outra forma posto em circulao sem o consentimento prvio do editor, em qualquer tipo de encadernao ou capa que no seja aquele no qual foi publicado, e sem uma condio semelhante, condio esta, que imposta ao comprador subsequente.

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Sumrio

SumrioAgradecimientos Captulo 1 - Caf, poltica e mudana social no limiar da Repblica Velha em So Paulo Captulo 2 - Metodologia para o estudo de aes coletivas Captulo 3 - Eventos e Aes Captulo 4 - Reivindicaes Captulo 5 - Documentao iv 1

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Agradecimentos

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AgradecimentosEsta obra apresenta os mtodos,os dados e os resultados de um projeto sobre a ao coletiva das elites cafeeiras paulistas. Este trabalho foi dirigido por Maurcio Font com a colaborao de Elba Barzelatto e teve uma durao de cinco anos. Parte das descobertas e concluses referentes a esta obra encontram-se in Font (1983). Gostaria de agradecer s diversas pessoas e instituies que me auxiliaram na realizao deste trabalho. A lista de agradecimentos bastante extensa. Comearei por So Paulo, ao chegar a esta cidade em maio de 1979, o meu acesso ao CEBRAP - naquela ocasio localizado prximo Avenida Paulista - foi possvel graas ao apoio dos ilustres colegas Fernando Henrique Cardoso e Juarez Brando Lopes, dentre outros. O meu contato com estas pessoas foi muito frutfero. Participei de discusses extremamente interessantes e obtive informaes sobre pesquisas relevantes ao meu trabalho e sobre os recursos proporcionados pela cidade. Grande parte do trabalho de campo foi realizado no Arquivo do Estado de So Paulo. Quero ressaltar aqui a gentileza do diretor, Professor Jos Sebastio Witter, que permitiu, por um perodo de um ano e meio, o acesso dirio do grupo coleo de jornais do Arquivo. Minha gratido se estende a seus funcionrios. necessrio tambm agradecer Ceclia Van Hoje, Victoria Harrison e Caroline Harari que desempenharam efetivamente o papel de assistentes de pesquisa, embora na ocasio fossem ainda estudantes da Universidade de So Paulo, da Pontifcia Universidade Catlica e da Universidade de Campinas. Meu trabalho no Brasil foi igualmente beneficiado pelos comentrios e favores de Eduardo Kugelmas, Plnio Dentzier, Mariza Corra, Peter Eisenberg, Renato Boschi, Maria da Conceio Quintero, Marfsia Lancelotti, dos funcionrios da biblioteca da Faculdade de Direito, do Instituto do Caf do Estado de So Paulo, do Instituto Brasileiro do Caf, da Sociedade Rural Brasileira, da Secretaria da Agricultura e de outros amigos e colegas. A outra parte do trabalho foi realizada em Ann Arbor, a partir de 1981, onde tive que enfrentar a rdua tarefa de codificao, introduo dos dados no computador e sua anlise. Quero agradecer a Charles Tilly, Keith Clarke, Nancy Horn e s pessoas ligadas ao Center for Research on Social Organization, por terem permitido a utilizao dos procedimentos de pesquisa, ainda em estgio de desenvolvimento do Great Britain Study alm de me auxiliarem na adaptao de tais mtodos. Nesta mesma ocasio fui amplamente assistido por duas amigas paulistas, Lucila Lacreta e Denise Pessoa, que ento estudavam na Universidade de Michigan. Um outro amigo paulista do curso de doutoramento em Michigan, Leopoldo Bernucci, auxiliou-me a adaptar os textos dos arquivos ao portugus moderno. Agradeo igualmente Ana Maria Sallum que traduziu o trabalho para o portugus.

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Agradecimentos

Sou muito grato pelo apoio financeiro do Social Science Research Council da National Science Foundation, da Horace H. Rackan School for Graduate Studies, e do Departamento de Sociologia da Universidade de Michigan. Gostaria ainda de agradecer encarecidamente a Brasilio Sallum Jr. pelo interesse e esforos no sentido de publicar este trabalho. Para finalizar, desejo expressar meu reconhecimento Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo por ter proporcionado os recursos necessrios edio deste livro.

CAPTULO 1

Caf, Poltica e Mudana Social no Limiar da Repblica Velha em So Paulo

IntroduoA dcada de 20 foi uma fase de crescimento e mudana contnuos em So Paulo anunciando ao mesmo tempo o trmino do perodo identificado como Repblica Velha. Ao final da primeira Guerra Mundial So Paulo j era o Estado mais dinmico do pas, passando a ser considerado por alguns como a locomotiva frente da federao. Este xito econmico devia-se ao caf. Depois de uma fase de grande crescimento nos anos 1880-90, melhores condies no mercado internacional do caf tornaram possvel mais uma expanso desta economia entre 1910 e 1914 e novamente entre 1920 e a crise de 1929. O caf era sem dvida o maior captador de moeda forte e a base do surgimento do capitalismo brasileiro moderno. Concomitantemente emergia em So Paulo, na dcada de 20, uma nova sociedade urbana industrial que acabou por se tornar predominante. Qual teria sido o papel cabal do caf no surgimento desta nova sociedade? E, em especial, qual foi o papel da elite cafeeira paulista no seu surgimento e consolidao? Tambm na dcada de 20, novas formas de luta poltica, a nvel nacional e regional, ameaaram o regime da Velha Repblica conseguindo derrub-la com a Revoluo de 1930. Que papel desempenharam as elites cafeeiras paulistas neste sentido?

Caf e Poltica

Caf, Poltica e Mudana Social no Limiar da Repblica Velha em So Paulo

Estas elites reclamaram para si o papel de agente de mudana no Brasil, promovendo o mito do bandeirismo como base cultural do comportamento empresarial subjacente ao desenvolvimento paulista. Uma das linhas mais importantes de interpretao desta poca considera as elites do caf como protagonistas principais deste desenvolvimento, embora questione a ordem social dominada por elas. Entretanto, a noo de que essas elites tradicionais do Estado de So Paulo tenham sido predominantes e hegemnicas atravs dos anos 20 precisa ser avaliada tendo por referncia a anlise do seu comportamento poltico efetivo. Este livro procura contribuir para tal tarefa fornecendo uma lista detalhada e documentada dos principais exemplos da ao coletiva desses grupos entre 1920 e 1930.

As Elites do Caf numa Sociedade em TransformaoNo possvel entender as aes de qualquer grupo social analisando-as isoladamente. Para compreend-las precisa-se obter um conhecimento mnimo sobre os agentes aos quais elas se dirigem. Desta forma estas aes s adquirem pleno significado quando colocadas dentro de um contexto especfico de relaes essenciais entre grupos sociais diversos. Portanto, necessrio conhecer a estrutura da sociedade e os agentes sociais que disputam o poder a fim de avaliar melhor as aes dos plantadores paulistas. Neste sentido, torna-se indispensvel uma anlise dos padres de diferenciao interna da elite paulista durante este perodo. A economia cafeeira paulista da Repblica Velha estava longe de ser esttica ou uniforme. Novos tipos de produtores, intermedirios e financiadores, em contraste e at antagnicos ao sistema vigente caracterizado pela antiga aliana plantador-comissrio, lutavam pela posse de maiores fatias do mercado. Em consequncia formaram-se duas novas associaes de plantadores por volta de 1920a Sociedade Rural Brasileira e a Liga Agrcola Brasileira. Juntamente com a Sociedade Brasileira de Agricultura, mais antiga e ligada ao governo, estas associaes tornaram-se grandes contendoras polticas, exigindo dos governos estadual e federal proteo, tratamento preferencial e outras vantagens. A Associao Comercial de Santos, representando variados interesses comerciais ligados ao caf, teve uma participao marcante neste quadro de mudanas.

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As Elites do Caf numa Sociedade em Transformao

O desenvolvimento rural foi a base das transformaes econmicas e sociais. Entre 1910 e 1920 houve um salto no processo de diferenciao social que resulta tambm de So Paulo ter assumido a liderana, frente aos outros Estados brasileiros, na produo industrial e no ritmo do crescimento urbano. O ncleo deste trabalho consiste de uma enumerao sistemtica das principais formas organizadas de ao nas quais as elites cafeeiras estaduais estiveram engajadas durante os anos 20. Os eventos de ao coletiva foram compilados atravs de uma leitura diria dos principais jornais paulistas da pocaO Estado de So Paulo, o Correio Paulistano e o Dirio Nacional. As publicaes das elites do caf e de suas associaes tambm foram estudadas cuidadosamente, incluindo a Revista da Sociedade Rural Brasileira e o Relatrio Anual da Associao Comercial de Santos O processo de pesquisa gerou uma informao numrica e textual sobre as caractersticas gerais dos eventos de ao coletiva, as aes e agentes envolvidos, suas reivindicaes e as fontes de documentao. A informao est agora em computador na forma de uma base de dados. Uma vez inseridos no computador, todos os dados dos arquivos que compem esta base podero ser combinados e analisados de diversas formas. Embora at o momento a base de dados s esteja disponvel no Sistema Central de Computao da Universidade de Michigan (MTS), ela ser colocada disposio para uso e anlise em microcomputadores. Os procedimentos usados so discutidos no captulo seguinte. O captulo 3 trata das caractersticas gerais dos eventos que compem a base de dados; o captulo 4 apresenta as principais fases das aes que compem os eventos; o captulo 5 contm uma listagem das reivindicaes feitas e o captulo 6 apresenta a lista das principais fontes usadas no estudo.

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