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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

    ESCOLA DE EDUCAO FSICA FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL

    LVIA SANTOS DINIZ

    MARCELLE LEILANE GUIMARES DE BARROS

    CARACTERSTICAS DA CONTRAO MUSCULAR

    EXCNTRICA E SUA RELAO COM AS LESES MUSCULARES

    POR ESTIRAMENTO: UMA REVISO DA LITERATURA

    BELO HORIZONTE

    2009

  • LVIA SANTOS DINIZ

    MARCELLE LEILANE GUIMARES DE BARROS

    CARACTERSTICAS DA CONTRAO MUSCULAR

    EXCNTRICA E SUA RELAO COM AS LESES MUSCULARES

    POR ESTIRAMENTO: UMA REVISO DA LITERATURA

    Monografia apresentada ao Departamento

    de Fisioterapia da Universidade Federal de

    Minas Gerais como requisito parcial para

    obteno de ttulo de Bacharel em

    Fisioterapia.

    Orientador: Prof. Srgio Teixeira da

    Fonseca.

    Co-orientador: Eduester Lopes Rodrigues.

    BELO HORIZONTE

    2009

  • AGRADECIMENTOS

    Gostaramos de agradecer primeiramente a Deus por ter nos concedido sade e

    nos capacitado a fazer este trabalho.

    Agradecemos nossas famlias pela base slida e o apoio que nos deram

    tranqilidade para prosseguir.

    Agradecemos nossos companheiros Jovan e Rmulo pela compreenso das

    ausncias e pelo incentivo.

    Agradecemos ao professor Srgio por aceitar nosso convite para conduzir este

    trabalho e por, durante a sua elaborao, ter partilhado seu vasto conhecimento conosco.

    E por fim agradecemos ao fisioterapeuta Eduester Rodrigues por nos inspirar a

    idia principal desta pesquisa ao estudar e utilizar to eficientemente o treino excntrico em

    sua prtica clnica.

  • RESUMO

    As leses musculares por estiramento so as leses de maior incidncia no

    contexto esportivo. Sua ocorrncia tem sido freqentemente relacionada contrao muscular

    excntrica, pois durante esta contrao o msculo alongado enquanto contrai.

    Adicionalmente este tipo de ao muscular capaz de promover microleses no msculo, o

    que pode torn-lo mais susceptvel ao estiramento. Por outro lado, a realizao de treinos com

    nfase na contrao excntrica tem demonstrado efeitos positivos na preveno deste tipo de

    leso. Esta relao paradoxal pode ser melhor compreendida quando algumas caractersticas

    peculiares a contrao muscular excntrica so conhecidas. O objetivo desta reviso foi

    esclarecer a relao entre a contrao muscular excntrica e as leses musculares por

    estiramento, por meio do conhecimento das caractersticas nicas a este tipo de ao

    muscular. Alm disso, essa reviso visa fornecer informaes que podem guiar a utilizao do

    exerccio excntrico na prtica clnica.

  • ABSTRACT

    Muscle strains have been cited as the most common injuries in competitive sports.

    Its occurrence has been associated with eccentric muscle contraction because during this

    contraction the muscle is stretched while it contracts. Additionally, this kind of muscle action

    can promote microscopic muscle injuries that can make it more susceptible to strains. On the

    other hand, eccentric training has been demonstrated to have a positive effect in the

    prevention of muscle strains. This paradoxical relation can be better understood when some

    particular characteristics of eccentric muscle contraction are known. The aim of this review

    was clarify the relationship between eccentric muscle contraction and muscle strain injuries

    by means of understanding of the special characteristics of this kind of muscle action. In

    addition, the supplied information can be use to guide the use of eccentric exercise in clinical

    practice.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO........................................................................................................06

    2 DESENVOLVIMENTO..........................................................................................08

    2.1 Anatomia e fisiologia do tecido muscular..................................................................08

    2.2 A contrao muscular excntrica e suas caractersticas.............................................10

    2.2.1 Treino excntrico e adaptaes neurais.................................................................11

    2.2.2 Treino excntrico e adaptaes ao treinamento de fora.....................................13

    2.2.3 Treino excntrico e fadiga muscular......................................................................15

    2.2.4 Treino excntrico e propriocepo.........................................................................16

    2.2.5 Treino excntrico e a relao comprimento-tenso..............................................18

    2.2.5.1 Alterao na relao comprimento-tenso em msculos submetidos ao treino

    excntrico agudo.......................................................................................................................20

    2.2.5.2 Alterao na relao comprimento-tenso em msculos submetidos ao treino

    excntrico crnico.....................................................................................................................20

    2.2.5.2.1 Teoria da Sarcomerognese......................................................................................20

    2.2.5.2.2 Teoria da Tenso Passiva.........................................................................................21

    2.2.6 Treino excntrico e a rigidez muscular passiva.....................................................22

    2.3 As leses musculares por estiramento.......................................................................24

    2.4 A contrao muscular excntrica como gnese das leses musculares por

    estiramento................................................................................................................................26

    2.5 Leses musculares por estiramento a partir de uma perspectiva biomecnica..........29

    2.6 A contrao muscular excntrica como fator principal na preveno das leses

    musculares por estiramento.......................................................................................................31

    3 CONCLUSO..........................................................................................................38

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS...................................................................39

  • 6

    1 INTRODUO

    As leses do aparelho musculoesqueltico possuem etiologia multifatorial. A

    compreenso de cada um dos fatores envolvidos na gerao destas leses e como eles

    interagem de extrema importncia para que se possa trat-las e sobretudo preveni-las

    (BAHR; KROSSHAUG, 2005). Os fatores envolvidos nas leses esportivas devem ser bem

    conhecidos pela equipe responsvel por reabilitar o atleta, pois este conhecimento pode ser

    utilizado para guiar o processo de recuperao do esportista, permitindo um rpido retorno a

    prtica com segurana.

    Nas competies esportivas, muita ateno tem sido direcionada s leses

    traumticas, por contato, nas quais o contato entre dois ou mais atletas ou entre um atleta e

    uma estrutura gera um trauma. No entanto, a incidncia crescente de leses sem contato, tem

    preocupado os profissionais da medicina desportiva (COHEN et al., 1997). Na Copa do

    Mundo de futebol em 2002, a incidncia de leses sem contato foi maior do que nos demais

    torneios internacionais de futebol e cerca de 90% dessas leses afastaram os atletas dos

    treinos e jogos, com um tempo de afastamento maior do que aquele gerado pelas leses por

    contato (JUNGE et al., 2004).

    As leses sem contato so, em sua maioria, leses musculares (GARRET, 1990,

    1996). Estas tm sido citadas como o tipo de leso mais freqente na prtica esportiva

    (BODEN; GARRET, 2002). Dentre as leses musculares, as leses musculares por

    estiramento destacam-se por sua alta incidncia e sobretudo reincidncia no contexto

    esportivo (BROCKETT et al., 2004; GABBE et al., 2006; GARRET, 1990, 1996). Durante as

    temporadas de 1997 a 2000 do futebol australiano o estiramento dos isquiossurais foi a leso

    mais comum e prevalente (ORCHARD; SEWARD, 2002), com nveis de reincidncia de

    aproximadamente 30% por temporada (GABBE et al., 2006).

    As leses musculares por estiramento ocorrem, de forma geral, em resposta a um

    alongamento brusco do msculo em contrao. A gnese destas leses tem sido amplamente

    relacionada contrao muscular excntrica, pois durante esta contrao, msculos

    contraindo so foradamente alongados e altos nveis de tenso podem ser gerados

    (GARRET, 1990, 1996). A contrao muscular excntrica promove microleses nas fibras

    musculares que, em associao a outros fatores, podem eventualmente acometer todo o

    msculo, sendo, por isso, uma das responsveis pela ruptura parcial ou total do tecido

    muscular que caracteriza os estiramentos (BROCKETT et al., 2001; PROSKE et al., 2004).

  • 7

    A contrao muscular excntrica, por outro lado, caracterizada por muitas

    propriedades incomuns s demais contraes musculares e por isso potencialmente capaz de

    produzir adaptaes nicas no msculo esqueltico (LASTAYO et al., 2000). Estas

    adaptaes envolvem os Sistemas Nervosos Central e Perifrico e a estrutura muscular e

    parecem proteger o msculo de leses (MCHUGH, 2003). Assim, embora a contrao

    muscular excntrica danifique o tecido muscular, sendo um dos fatores envolvidos na gerao

    das leses musculares por estiramento, um treinamento de fora que envolva esta contrao

    pode