Cartilha - Piscicultura

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  • Rio Doce Piscicultura

    www.riodocepeixes.com.br

    Guia Informativo

  • 2

    Topografia / Relevo

    Este aspecto determina essencialmente a viabilidade econmica do investimento no que se refere

    aos trabalhos de movimentao de terra.

    Evidentemente, em terrenos de topografia praticamente plana (em torno at 2%, ou seja, um

    desnvel de 2m a cada 100m), tais trabalhos sero minimizados, ao passo que reas acidentadas exigiro

    mais volume de terraplanagem onerando, consequentemente os custos do projeto final.

    Existem, no entanto, terrenos ligeiramente acidentados (mximo de 5%) que, por possurem uma

    declividade mais ou menos constante, permite que algum partido seja tomado de tais caractersticas,

    sugerindo a distribuio dos viveiros em plats, isto , em nveis distintos, de modo a racionalizar e

    minimizar os custos de construo.

    Devem ser ainda observados quanto a este fator, distncia e a cota entre o ponto de captao de

    gua e o local dos viveiros, correlacionando-se essa cota com o nvel mais elevado da rea dos tanques,

    de modo a propiciar o abastecimento d gua pela ao da gravidade.

    importante que na execuo do levantamento planialtimtrico sejam levadas em considerao

    no s a rea de implantao do projeto, mas tambm as margens do manancial hdrico a ser utilizado,

    visando a melhor localizao da tomada d gua (ou represa) que abastecer os viveiros.

    No estabelecimento do local propcio para a construo de viveiro, ainda antes de se estudar as

    particularidades relativas tipologia do solo, devem a princpio ser evitados locais onde o solo apresenta

    falhas, grandes formigueiros, afloramento de rocha e razes de rvores de grande porte.

  • 3

    Solo

    O solo composto de partculas orgnicas resultantes da decomposio de plantas e/ou animais e

    minerais (argila, silte, areia, cascalho).

    2.2.1-Propriedades fsicas do solo

    Sendo a permeabilidade e a consistncia do solo condies extremamente importante viabilidade

    tcnico-econmica de uma unidade de piscicultura, torna-se necessrio o conhecimento das

    caractersticas do solo no local destinado implantao de viveiros.

    Os solos argilosos, cujo teor de argila igual ou superior a 35%, so os que apresentam

    caractersticas tcnicas mais adequadas execuo das obras de viveiros de piscicultura. Neste aspecto,

    solos com um teor de areia superior a 50% ou solos turfosos (solos escuros formados por cerca de 80%

    de matria orgnica encontrados em reas pantanosas) so considerados imprprios devido sua

    permeabilidade.

    Evidentemente, existem solues que podem viabilizar tecnicamente a execuo de viveiros em

    solos permeveis, porm, necessariamente implicar nus adicionais ao investimento programado pela

    necessidade de se executar uma impermeabilizao di viveiro com material de emprstimo, alm de exigir

    uma compactao mais criteriosa, ou ainda revestimento com mantas plsticas.

    2.2.2-Propriedades qumicas do solo

    As caractersticas qumicas do solo tais como valor do PH e nutrientes podero ser ajustadas s

    necessidades da criao atravs das tcnicas de calagem e adubao.

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    Recursos hdricos

    A avaliao quanti-qualitativa da gua necessria ao abastecimento dos tanques e viveiros , sem

    dvida, o fator primordial na implantao de um projeto de piscicultura. de suma importncia tanto o

    conhecimento da origem da gua quanto quantidade disponvel a suprir as necessidades da unidade de

    piscicultura.

    Aspectos quantitativos.

    Considera-se na prtica, para instalao de um projeto de piscicultura a necessidade de uma vazo

    de gua entre 8 a 10 l/s/h de lmina d gua.

    Esta vazo poderia, primeira vista, parecer superdimensionada para suprir as perdas por

    evaporao e por percolao ou infiltrao.

    No entanto, este parmetro procura abranger, alm destas perdas naturais de gua e a

    conseqente necessidade de reposio (manuteno de nvel), a ausncia de estudos hidrolgicos que

    demonstrem, em uma srie de pocas distintas, a constncia de vazo no local de tomada d gua.

    Desde que a medio de vazo no seja realizada em perodos de cheias, este parmetro supre,

    com segurana, a sazonalidade existente nas precipitaes nos diferentes meses do ano.

    Existem vrios processos de se determinar a vazo de um curso d gua.

    Descrevemos os processos mais simples e mais utilizados na prtica, quais sejam: medio direta

    e processo do flutuador.

  • 5

    A) Medio direta

    o processo mais simples, mas aplicvel somente a pequenos cursos d gua (0,5 a 15 l/s).

    tambm o processo padro para aferir os demais mtodos.

    Consiste em determinar o tempo necessrio para que o curso d gua encha um recipiente de

    volume conhecido. Para que toda a gua aflua para o recipiente, necessrio fazer um pequeno dique,

    num trecho conveniente, a fim de que o recipiente possa entrar livremente jusante do dique e receber

    gua, com o auxlio de uma calha ou pedao de cano.

    Em seguida, mede-se, com o mximo rigor, o tempo gasto para encher o recipiente. Deve-se fazer,

    no mnimo, trs repeties da medida de tempo, tirando-se, ento a mdia.

    Observaes:

    O dique deve ser bem construdo para evitar infiltraes;

    Deve ser escolhido um recipiente que permita medir um tempo relativamente grande.

    Para razes maiores, podemos usar o artifcio de dividir a corrente lquida em duas

    ou mais e medir a vazo em cada uma. A vazo do curso d gua ser ento a soma das vazes de

    cada bica e,

    Deve-se esperar a estabilidade do fluxo, de modo que toda a vazo do riacho aflua

    pelo cano.

    B) Processo do flutuador

    Este processo apesar de apresentar menor preciso que o primeiro, o mais usual, sendo

    normalmente utilizado em cursos d gua maiores, onde se torna impraticvel a medio direta. Os

    flutuadores so dispositivos com caractersticas tais que lhe permitem adquirir a mesma velocidade da

    gua em que flutuam.

    Dentre os trs tipos de flutuadores usados, o mais simples o superficial, que mede a velocidade

    da superfcie da corrente lquida.

  • 6

    Este nada mais que uma pequena bola ou outro objeto de peso reduzido. O Inconveniente

    apresentado pelo flutuador devido ao fato de ser muito influenciado pelo vento, pelas correntes

    secundrias e pelas ondas.

    A vazo, usando-se o flutuador, ser determinada pela expresso:

    Q = S x vm, onde: Q a vazo, S a rea de seo transversal mdia e vm a velocidade mdia.

    A)Determinao da velocidade mdia:

    Escolher um trecho mais reto e uniforme do curso d gua e medir um intervalo de,

    no mnimo, 10m;

    Fazer uma limpeza nas margens e no fundo do trecho escolhido e colocar no incio

    (ponto A) e no fim deste trecho (ponto B) uma vara ou uma linha transversal corrente, para

    observar com melhor clareza a passagem do flutuador.

    Colocar o flutuador a aproximadamente 5m montante do ponto A;

    Marcar o tempo gasto pelo flutuador ao percorrer a distncia de A a B. Fazer trs repeties e

    tirar a mdia;

    De posse do comprimento do trecho (L) e do tempo (t), calcular a velocidade (v)

    onde:

    v = L/t

    A velocidade determinada no a mdia, uma vez que a velocidade superficial (vs), onde flutuador

    se desloca, diferente da velocidade mdia (vm). Para obtermos a velocidade mdia aplicamos fatores de

    correo, na velocidade superficial, determinada em funo da natureza das paredes.

    Fatores de correo

    Para canais com paredes lisas, como por exemplo, de cimento:

    vm = (0,85 a 0,95).vs

    Para canais com paredes pouco lisas, de terra ou outro material spero: vm = (0,75 a 0,85).vs

    Para canais com paredes irregulares e/ou com vegetao junto s paredes: vm = (0,65 x 0,75).vs

  • 7

    Determinao de seo mdia

    feita determinando-se a rea de pelo menos trs sees no trecho, considerando: uma no incio,

    uma no fim e uma intermediria. Tira-se a mdia das reas, obtendo-se a rea da seo mdia. Para se

    determinar a rea de uma seo transversal de um curso d gua pode-se usar o seguinte mtodo:

    Dividir a seo transversal do curso d gua em subsees de larguras iguais;

    determinar a profundidade nas extremidades da partes; calcular as reas das subsees,

    baseando-se na forma geomtrica mais prxima (tringulo, trapzio, etc.); a rea da seo

    transversal (S) ser a soma das reas da subsees.

    S = (a1 + a 2 + a3 + a4)

    De posse da velocidade (v) e S (seo transversal) , ao se aplicar a frmula Q = v.S, determina -se a

    vazo (Q).

    Obs: rea do tringulo = bxh/2 rea do retngulo = bxh

    Atravs desses processos consagrados pelo uso possvel estabelecer a vazo (Q) de gua

    disponvel para o projeto. Essa vazo, ou melhor, essa reposio de gua ir variar em funo

    principalmente da taxa de infiltrao e, em menor grau, da taxa de evaporao diria nos viveiros, Assim

    quanto maior a infiltrao, maior ser a vazo necessria. Pode-se considerar como normal um

    rebaixamento de nvel de at 8 cm/dia, na lmina d gua, no primeiro ano de uso de um viveiro.

    medida que o viveiro vai sendo utilizada, a tendncia da taxa de infiltrao diminuir, j que a

    formao de hmus no fundo favorece o selamento dos poros e, consequentemente, a reteno de maior

    quantidade de gua.

    Quanto evaporao, pode-se dizer que ser tanto maior quanto mais alta for a temperatura e a

    incidncia dos ventos. Para efeito prtico, podemos escavar um buraco com profundidade equivalente

    dos viveiros e ca