Colocando a biblia em acao

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Prefácio ..................................................................................................................... vii Como usar este livro ................................................................................................ ix Agradecimentos ...................................................................................................... xiii Em que nós cremos ..................................................................................................xv 1. Barreiras ao envolvimento com as Escrituras ................................................1 2. Use material bíblico apropriado ................................................................... 11 Bases teológicas ............................................................................................ 23 3. As línguas no plano de Deus......................................................................... 25 4. As culturas no plano de Deus ....................................................................... 34 5. Uso das Escrituras na língua materna e crescimento da igreja ................ 43 Igrejas bilíngues ........................................................................................... 51 6. Uso das Escrituras nas igrejas bilíngues ...................................................... 53 7. Ajudar os intérpretes a ter um bom desempenho ...................................... 62 8. Igrejas multiétnicas ........................................................................................ 71 Uso relevante da Bíblia ................................................................................. 77 9. Identificar os problemas relevantes .............................................................. 79 10. Suprir as informações necessárias sobre o contexto ................................. 89 11. Preparar estudos bíblicos............................................................................. 103 SUMÁRIO

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  • 1. sumrioPrefcio ..................................................................................................................... vii Como usar este livro ................................................................................................ ix Agradecimentos ...................................................................................................... xiii Em que ns cremos ..................................................................................................xv1. Barreiras ao envolvimento com as Escrituras ................................................1 2. Use material bblico apropriado ................................................................... 11Bases teolgicas ............................................................................................233. As lnguas no plano de Deus......................................................................... 254. As culturas no plano de Deus ....................................................................... 345. Uso das Escrituras na lngua materna e crescimento da igreja ................ 43Igrejas bilngues ...........................................................................................51 6. Uso das Escrituras nas igrejas bilngues ...................................................... 53 7. Ajudar os intrpretes a ter um bom desempenho ...................................... 62 8. Igrejas multitnicas ........................................................................................ 71Uso relevante da Bblia .................................................................................779. Identificar os problemas relevantes .............................................................. 79 10. Suprir as informaes necessrias sobre o contexto ................................. 89 11. Preparar estudos bblicos............................................................................. 103

2. vi colocando a bblia em ao 12. Lidar com preocupaes humanas: a cura de traumas ........................... 113 13. Lidar com preocupaes humanas: a igreja indgena e o uso abusivo do lcool .......................................................................................... 119 14. Lidar com preocupaes humanas: HIV-AIDS e a igreja ....................... 127 15. Preparar sermes .......................................................................................... 137 16. Meditar na Palavra de Deus ........................................................................ 144Compartilhar a f .......................................................................................149 17. Contar histrias bblicas .............................................................................. 151 18. Preparativos para os encontros com as boas novas ................................. 164 19. Envolver as pessoas com as Escrituras no evangelismo .......................... 171 20. Compartilhar a f com os animistas .......................................................... 177 21. Como os muulmanos utilizam a Bblia .................................................. 185 22. Envolver crianas e jovens com as Escrituras ........................................... 196 23. Oraes familiares ....................................................................................... 208Utilizar seus dons .......................................................................................215 24. Envolver as pessoas com as Escrituras usando a msica ........................ 217 25. Envolver as pessoas com as Escrituras usando o teatro ......................... 225 26. Envolver as pessoas com as Escrituras usando as artes visuais .............. 237Alfabetizao ..............................................................................................247 27. Leitura e escrita na lngua materna para pessoas alfabetizadas ............. 249 28. Alfabetizao bsica e as Escrituras ........................................................... 260Passar a tocha .............................................................................................269 29. Pesquisa, marketing e distribuio............................................................. 271 30. Como estimular as mudanas ..................................................................... 284 31. Preparativos para cursos de envolvimento com as Escrituras ................ 299Apndice 1: Boas novas para os muulmanos ................................................... 311 Apndice 2: Pesquisas sobre estilos musicais..................................................... 314 Apndice 3: Peas de teatro sobre temas especficos ........................................ 316 Apndice 4: Gravao das Escrituras e dramas ................................................. 318 Apndice 5: Respostas........................................................................................... 323 3. prefcioCom o nascimento de Jesus, na famlia de Maria e Jos, Deus se traduziu para o mundo dos seres humanos. Deus no exige que abandonemos nossa lngua e cul- tura para nos relacionarmos com ele. Afinal, foi ele quem veio a este mundo e quis morar entre ns. Este gesto de Deus, ao se traduzir em termos humanos, continua acontecendo hoje em dia, medida que o evangelho expresso nas lnguas locais e vivido nas culturas locais. Deus fala nossas lnguas, entra em nossos lares, canta nossas msicas e traz cura para todas as pessoas e culturas dispostas a receb-la. prprio do cristianismo expressar-se na lngua e cultura local, gesto que refora a identidade cultural e lingustica de todos os seres humanos. O resultado uma igreja bilngue e multicultural.Por muitos anos a igreja negligenciou sua diversidade cultural e lingustica. Por tempo demais ela vem tentando impor a seus membros um cdigo universal de pensamento e conduta. A igreja no tem lidado adequadamente com as impli- caes teolgicas e prticas da diversidade de lnguas e culturas contida no plano de Deus. Algumas dessas culturas tm exercido domnio, sem perceber, enquanto outras tm sido desprezadas. A igreja precisa estimular as pessoas a se comunicarem com Deus na sua prpria lngua materna. Precisa encoraj-las a integrar sua identidade crist e cultural de tal forma que sua cosmoviso seja transformada para refletir os valores do reino de Deus. Cada grupo lingustico e cultural tem uma responsabilidade e incumbncia especfica a esse respeito.Este livro foi preparado como resposta a tal necessidade. Foi desenvolvido ao longo de quinze anos, em oficinas e cursos com lderes de igrejas de muitssimas 4. viii colocando a bblia em ao lnguas e culturas. Algumas delas at recentemente eram marginalizadas. S agora os representantes de tais culturas esto ouvindo Deus falar-lhes pela primeira vez, por meio de sua Palavra, na lngua materna de cada um, e ficam admirados com tal experincia de afirmao. Isso causa arrepios no corpo coletivo e, ainda mais profundamente, na alma do povo. Esse o melhor tipo de boas novas que existe! O material que voc tem em mos ajuda os integrantes de tais culturas a abraar sinceramente a identidade que receberam de Deus e tambm a interagir com as novas Escrituras de forma significativa. Membros de algumas culturas ocupam tradicionalmente posies de poder, inconscientes da discriminao sofrida pelos membros das comunidades lingusticas minoritrias. Este livro o ajudar a lidar com a diversidade de lnguas e culturas em suas respectivas igrejas de maneira positiva, afirmando a identidade e a dignidade de todas as pessoas. Poder ajud-lo a ministrar eficazmente a todos os membros de suas congregaes. E, j que todas as igrejas falam pelo menos uma lngua e possuem pelo menos uma cultura, este livro relevante para todas elas! Esta traduo em portugus foi adaptada para o contexto indgena do Brasil. As histrias, alguns dos exerccios e certos exemplos foram modificados com essa perspectiva em mente. Foram acrescentados os captulos Compartilhar a f com os animistas e Lidar com preocupaes humanas: a igreja indgena e o uso abusivo do lcool. Comeamos identificando as dificuldades mais comuns encontradas no uso das Escrituras. Depois, passamos a analisar a base teolgica dessa f traduzida. O livro explora ainda a maneira pela qual as igrejas bilngues podem manter a unidade em Cristo e simultaneamente celebrar a diversidade dos seus membros. Pretende ainda ajudar as pessoas a usar as Escrituras de maneira relevante: identificar problemas culturais, preparar sermes e estudos bblicos, lidar com preocupaes humanas e meditar sobre as Escrituras. Oferece tambm sugestes sobre como compartilhar a f pela narrativa oral de histrias bblicas e os encontros com as boas novas. Trata do desafio de compartilhar a f com animistas, com muulmanos, com crianas e jovens e com a famlia no lar. Explora o uso da msica, teatro e artes visuais. Ajuda os que precisam de programas de alfabetizao e oferece alguns conselhos sobre pesquisas, marketing e como introduzir mudanas. O material contido neste livro pode ser utilizado de muitas formas, mas um modo especialmente eficaz de empreg-lo nos cursos locais de envolvimento com as Escrituras. O ltimo captulo explica como organizar e administrar esse tipo de curso. 5. prefcio ixfalando das lnguas Vamos nos referir s lnguas de diversas maneiras nas pginas deste livro. Usa- mos o termo lngua materna com referncia primeira lngua (ou lnguas) aprendida(s) por uma pessoa durante a infncia. Essa lngua tambm chamada de nossa lngua de identidade, porque influencia profundamente quem realmente somos. Na maioria dos casos, as crianas aprendem sua primeira lngua com a me, portanto ela normalmente chamada de lngua materna. Na realidade, a primeira lngua que as crianas aprendem tambm pode ser a paterna, ou podem aprender simultaneamente duas lnguas, uma da me e outra do pai. Empregamos os termos lngua minoritria ou lngua local para referir-nos s lnguas faladas por grupos tnicos relativamente pequenos. O termo lngua majoritria ou lngua nacional est ligado lngua falada pela maioria dos ha- bitantes de um pas ou regio, como por exemplo francs, portugus, chins ou japons. Em algumas sociedades, as pessoas costumam falar mais de uma lngua majoritria. Todo mundo possui uma lngua materna. Para algumas pessoas, ela uma lngua minoritria. Para outras, uma lngua majoritria. Os falantes das lnguas majoritrias, que comumente possuem poder e riquezas, costumam marginalizar as lnguas minoritrias e as pessoas que falam esses idiomas. Uma vez que linguagem e identidade em geral esto intimamente ligadas, tal marginalizao pode afetar negativamente o ntimo das pessoas.como usar este livro Os captulos deste livro podem ser utilizados em reunies semanais de uma con- gregao ou comunidade. possvel tambm usar uma srie de captulos em um curso de vrios dias de durao. Os materiais foram criados de tal forma que os participantes possam ensinar a outros o que aprendem. Portanto, recomendamos que os primeiros leitores sejam indivduos aptos para treinar outras pessoas. Quem comunicar o que aprender vai aprender melhor, e um maior nmero de pessoas se beneficiar. A maioria dos captulos deste livro pode ser ensinada em uma hora ou duas, mas os captulos tambm podem ser utilizados durante um perodo mais extenso. Por exemplo, uma vez que um grupo aprenda a fazer estudos bblicos, os participantes podem criar uma coleo deles. Em um curso, geralmente possvel cobrir dois 6. x colocando a bblia em ao a trs captulos por dia. Procure agendar uma srie de cursos, cobrindo em cada um alguns captulos adicionais. Somente aqueles que tiverem utilizado o que j aprenderam nas suas igrejas devem ser convidados para esses cursos de acompa- nhamento. Com o passar do tempo, pode-se completar o livro inteiro. As igrejas se beneficiaro medida que seus membros estiverem firmados na f. Seja utilizando este livro em reunies de uma hora de durao seja em um curso de uma semana, voc dever escolher a quantidade apropriada de material para abordar durante esse perodo. Leia primeiro todos os captulos. Escolha depois os mais relevantes para seu contexto. Dentre os captulos escolhidos, tambm dever selecionar os exerccios, debates e tarefas viveis para o tempo disponvel. Comunique aos participantes um nmero suficiente de ideias novas para manter o interesse deles, com bastante interao para desenvolver novas atitudes e prticas.Histrias e aprendizagem participativaTodo mundo ama ouvir histrias; por isso, cada captulo deste livro comea com uma histria sobre o pastor Simo e suas aventuras imaginrias. A histria fornece o ambiente e o tema para o captulo. As perguntas para debate que seguem visam a envolver os participantes no tema abordado.Cada captulo contm vrios pontos a serem ensinados. Eles esto intercalados com os grupos de debate e os exerccios, porque as pessoas aprendem melhor quando participam do processo didtico. Ao ensinar, observe a regra dos dez minutos. Ningum deve ensinar por mais de dez minutos sem deixar tempo para alguma forma de discusses ou exerccios. O curso foi projetado com o intuito de aproveitar ao mximo aquilo que os participantes j sabem. Geralmente ideias novas resultam dessa interao.Algumas discusses ocorrem em grupos grandes. Outras em grupos pequenos de diversos tipos. O tipo de grupo indicado por um smbolo margem do texto. O quadro a seguir enumera os tipos de grupos, seus smbolos correspondentes e como funcionam. 7. prefcio xiTipo desmbolo instrues para discusso ou exerccios exerccioHistriasa histria pode ser lida em voz alta por umindivduo ou por vrias pessoas alternadamente.ou uma pessoa pode decorar a histria comantecedncia e cont-la ao grupo.ou os participantes podem apresentar um teatrobaseado na histria.? perguntas1. apresente as perguntas ao grupo todo, didticasdando tempo para todos pensarem antes deresponder. isso vai ajud-lo a entender o que osparticipantes j sabem e incentivar o interessedeles pelo assunto.2. escreva as respostas no quadro.3. examine os pontos enumerados no livro. Seforem relevantes situao, mas no tiveremsido mencionados, acrescente-os discusso.exerccio para deixe o grupo inteiro completar o exerccio grupo grande coletivamente.estimule o maior nmero possvel de pessoas aparticipar. Ser uma oportunidade para trocarideias e achar novas solues.discusso1. leia as perguntas ou o exerccio com todos os em gruposparticipantes. pequenos 2. divida os participantes em grupos de 4 a 5pessoas. a menos que as instrues indiquemum tipo especial de grupo, procure colocar emcada grupo pessoas de diversas procedncias,variando a mistura vrias vezes durante o curso.3. d aos grupos tempo suficiente para debateras perguntas ou terminar o exerccio.4. rena os grupos novamente. pea que umrepresentante de cada grupo compartilhe comtodos as concluses de seu grupo. Se o tempofor limitado, deixe que cada grupo faa umcomentrio em vez de fazer um resumo da suadiscusso. ou pea que eles apresentem suareao a uma das perguntas debatidas.5. Talvez seja recomendvel escrever asconcluses e ideias no quadro ou em folhas depapel bem grandes. 8. xii colocando a bblia em ao Grupos especiais igrejadivida os participantes em grupos de 4 a6, de acordo com o tipo de igreja que cadaum costuma frequentar: catlica, batista,pentecostal, luterana, metodista, presbiterianaetc. recomenda-se esta prtica quando osdebates ou exerccios giram em torno das ideiase prticas de cada igreja. lngua divida os participantes em grupos de 4 a 6,de acordo com a lngua que cada um fala.a recomenda-se esta prtica quando os debatesou exerccios giram em torno de problemasespecficos das respectivas comunidadeslingusticas.As tarefas so apresentadas no final de cada captulo. Elas proporcionam mais interao com as ideias tratadas no captulo. Na maioria dos casos, os participantes completam sozinhos as tarefas por escrito. As reaes individuais permitem que o lder perceba como cada indivduo est absorvendo os materiais. At o final de cada captulo, sero sugeridos leituras e sites adicionais. Muitas dessas leituras so de nvel bsico e enriquecem o ensino do captulo. Se o livro for usado em um curso acadmico, os participantes devem completar algumas das leituras para cada captulo. Muitos dos artigos encontram-se no site: http://www. forum-intl.net , sob o verbete Scripture Engagement. 9. aGradecimenTosEste livro a verso escrita de uma tradio oral que tem sido divulgada por muitos atravs do mundo inteiro, durante os ltimos quinze anos. Queremos agradecer a todos os que participaram da sua formao. Em particular, gostaramos de expressar nossos agradecimentos a Rick Brown, Dave Cochran, Mary Crickmore, Bettina Gottschlich, John Lindley, Kirby OBrien, David Payne, Michelle Petersen, David Presson, Michael Rynkiewich, Lamin Sanneh, Brian Schrag, Stephen Tucker, Andrew Walls e Kathie Watters.Desejamos tambm agradecer a todos que participaram da traduo, adaptao e preparao da edio em portugus. Gostaramos de expressar nossos agradeci- mentos especialmente s seguintes pessoas: Dra. Mary Daniel, Dra. Isabel Murphy, Margaret Sheffler, Lenita Assis, Linda Niehoff, Priscila Baddouh, Jarbas Arago, Rose Dobson e Edna Headland. 10. em que ns cremos 1. deus deseja comunicar-se conosco de uma maneira compreensvel. 2. no passado, deus mandou seu filho a palavra feita carne a estemundo, para nos salvar. Hoje em dia, ele se comunica conosco mediantesua palavra, a bblia. 3. a encarnao nos mostra como deus quer nos alcanar. ele vem morarem nossas comunidades. 4. a diversidade de lnguas e culturas compatvel com o plano de deus.nossa unidade baseada no amor, no na semelhana fsica ou cultural. 5. o cristianismo pode ser expresso em todas as lnguas humanas e vivido emtodas as culturas. ningum excludo; todos precisam ser transformadospelo evangelho. 6. deus quer que o evangelho penetre na cosmoviso das pessoas, o que, emgeral, mais eficaz quando feito na lngua materna delas. 7. para podermos conhecer plenamente nossa identidade em cristo, devemosintegrar nosso histrico de vida com nossa nova natureza em cristo. issoinclui nossa lngua e cultura. 8. as igrejas no podem durar muito tempo, nem os cristos amadurecerna f, sem a palavra de deus em uma lngua que as pessoas entendam. 9. os lderes precisam garantir que todos os membros das suas igrejas sejamalimentados espiritualmente, independentemente de classe social, sexoou faixa etria. 10. Quanto mais os lderes estimularem o uso da bblia em lnguas e meios apropriados, mais os membros das congregaes a utilizaro. 11. IndiBotelaeseKatakarila Aldeia do W Pr SimoSANATU A terra de Sanatu, onde vive o pastos Simo 12. captulo 1Barreiras ao envolvimenTo com as escriTuras introduo A grande maioria dos lderes das igrejas do mundo diria que sua f baseada na Bblia. Esses lderes tambm diriam que importante que os membros de suas igre- jas leiam e entendam a Bblia. Mas qual a realidade? Em geral, poucos membros das igrejas estudam a Bblia e aplicam suas verdades vida. Por que a realidade to diferente do ideal? Este captulo examina algumas das barreiras que impedem que as pessoas leiam e se envolvam com as Escrituras. Este livro prope maneiras de combater cada uma dessas barreiras.A preocupante descoberta do pastor Simoo pastor Simo pastor indgena de uma pequena igreja numa aldeia na regio norte do Sanatu. a lngua nacional do pas o portugus. mas a lngua indgena o indila. o novo Testamento em indila foi publicado recentemente. cada domingo um grupo de crentes locais assiste ao culto. muitos deles falam indila, mas o culto e as leituras bblicas so feitos em portugus. algumas pessoas levam uma bblia bem grande em portugus, enquanto um pequeno grupo carrega consigo um exemplar do novo Testamento em indila, com sua capa brilhante. o pastor Simo est estudando em um instituto teolgico local. durante este semestre, est acompanhando um curso semanal sobre educao crist na igreja. como parte desse curso, ele deve estabelecer um questionrio 13. 2 colocando a bblia em ao em indila para verificar o nvel de conhecimento bblico dos membros de sua congregao. algumas de suas perguntas so: Quem Jesus? Qual foi o trabalho dos doze apstolos escolhidos por Jesus? por que deus mandou um dilvio na poca em que no construiu a arca? o que a bblia? recite para mim, por favor, algum versculo decorado dos Salmos.o pastor Simo distribuiu cpias do questionrio a alguns membros de sua congregao que j frequentavam os cultos h pelo menos dez anos. alguns conseguiram escrever as respostas por conta prpria. outros eram analfabetos; por isso, o pastor Simo leu as perguntas para eles e escreveu as respostas dadas oralmente. o pastor Simo recebeu de volta a maioria dos questionrios. ao conferir os resultados, ficou horrorizado. muitas pessoas acertaram menos da metade das respostas. Vrios indivduos responderam corretamente apenas uma ou duas perguntas, apesar de terem frequentado os cultos domingo aps domingo. o pastor Simo comeou a analisar a situao. durante anos a fio, venho ensinando a bblia a estes irmos, e mesmo assim parece que eles esto dormindo! o que posso fazer?, perguntou a si mesmo. pouco depois, o pastor Simo recebeu um convite para participar de um curso para lderes para aprender a usar o novo Testamento em indila. Tinha suas dvidas sobre a utilidade do curso, mas, ao lembrar que os lderes indgenas haviam mandado o convite, concordou em assistir. durante o encontro, comeou a aprender a ler em indila e descobriu que as escrituras ganhavam vida de uma forma totalmente nova para ele. ao voltar para casa, pensou: Vou usar a lngua indila nos cultos para as leituras do novo Testamento. assim, as pessoas talvez possam entender melhor a bblia. 1) Quais so algumas das barreiras que impedem que as pessoas se envolvam com a bblia? pense primeiro nas barreiras que se aplicam ao envolvimento com a bblia em qualquer lngua. outras barreiras impedem as pessoas de se envolver com as escrituras nas lnguas minoritrias. essas sero analisadas posteriormente. 2) enumere as barreiras em uma folha de papel. aps fazer a lista, pea que um membro de cada grupo pequeno compartilhe sua 14. barreiraS ao enVolVimenTo com aS eScriTuraS 3 lista com todos os participantes. depois de todos os grupos terem compartilhado, fale dos pontos mais relevantes da lista a seguir que no foram mencionados. encerre a sesso fazendo uma lista de todas as barreiras. fixe o papel como um pster na parede.1. Barreiras gerais ao envolvimentocom as escrituras a. Barreira da alfabetizao As Escrituras impressas so eficazes quando as pessoas sabem ler e gostam de leitura. Muitas pessoas preferem a comunicao oral escrita ou simplesmente no sabem ler. Mesmo que as aulas de alfabetizao sejam apropriadas, as pessoas podem no se interessar por elas. Em alguns casos, aqueles que aprendem a ler po- dem continuar preferindo a comunicao oral, e assim acabam perdendo as novas habilidades adquiridas. Em outros casos, as pessoas podem querer aprender a ler, mas so impedidas por problemas de viso ou outros problemas. Se as Escrituras forem apresentadas somente por escrito aos analfabetos ou desinteressados, para eles ser uma barreira gigantesca. (ver caps. 2, 17, 24, 25 e 26.) B. Barreira da relevncia As pessoas podem achar que a Bblia no relevante para a vida cotidiana. Tais pessoas podem ler ou escutar a leitura da Bblia por algum tempo porque o pastor 15. 4 colocando a bblia em ao assim deseja, mas no continuaro se no acharem essa leitura til. De fato, a Bblia relevante para todos os aspectos de nossa vida, mas as pessoas podem precisar de ajuda para entend-la e aplic-la sua vida. (ver caps. 9, 12, 14 e 18.) c. Barreira do contexto A Bblia foi escrita para pessoas que viveram h pelo menos 2000 anos, em culturas bem distintas da nossa. Os autores bblicos no precisavam descrever detalhada- mente sua cultura porque os leitores j a conheciam muito bem. Mas hoje em dia a maioria de ns sabe muito pouco sobre as culturas da Bblia. Isso dificulta nossa compreenso do significado de muitas referncias dos autores bblicos. Em geral h pouco material disponvel para ajudar as pessoas a receber essas informaes sobre o contexto, sobretudo nos pases em desenvolvimento. (ver cap. 10.) d. Barreira da distribuio As pessoas podem estar dispostas a ler ou escutar a leitura da Bblia, mas s vezes no conseguem ter um exemplar prprio. Essa barreira da distribuio to sig- nificativa que a Sociedade Bblica Britnica e Estrangeira (um dos membros da Sociedade Bblica Unida) foi fundada como resposta ao problema. Em 1802, uma pobre menina galesa chamada Mary Jones economizou dinheiro durante meses a fio e depois andou muitos quilmetros na expectativa de poder comprar uma Bblia. Ao chegar livraria, ela descobriu que o estoque estava esgotado. O dono da livraria resolveu fundar uma organizao para tornar a Bblia disponvel a todas as pessoas em uma lngua compreensvel e por um preo razovel. A falta de bons meios de distribuio pode constituir uma sria barreira ao uso das Escrituras. (ver cap. 29.) e. Barreira lingustica As pessoas podem encontrar dificuldades em se envolver com a Bblia se a leem ou ouvem apenas em uma lngua que no entendem bem. Elas podem saber o suficiente de uma lngua para comprar materiais no mercado ou feira, mas no o bastante para entender a Bblia. Mesmo que entendam a lngua em si, ela pode no ser a lngua do corao aquela usada na sua vida mais ntima. Para que a Palavra de Deus nos toque profundamente, precisamos entend-la e meditar sobre as verdades contidas nela em uma lngua que entendemos bem e que toca nosso 16. barreiraS ao enVolVimenTo com aS eScriTuraS 5 corao. Caso contrrio, nosso envolvimento com ela ser superficial e facilmente podemos perder o interesse pelas Escrituras. (ver caps. 3, 5 e 8.) f. Barreira da traduo s vezes as pessoas podem rejeitar uma traduo porque ela no corresponde sua expectativa ou necessidade da comunidade. Elas podem no gostar do estilo da traduo. Os meios em que as Escrituras so apresentadas podem no corresponder s preferncias da comunidade. Por exemplo, uma traduo impressa pode no ser apropriada para uma comunidade essencialmente oral. Ou as Escrituras em udio podem no ser usadas entre pessoas que carecem de aparelhos para executar essas gravaes. Uma traduo pode ser antiga demais para ser compreendida pela maioria das pessoas. As tradues devem ser revisadas regularmente porque as lnguas evoluem com o tempo e os sistemas grficos tambm podem mudar. As tradues completadas h mais de 25 anos podem ser difceis de ler e compreender hoje em dia. Pode existir um problema de relutncia com relao s mudanas. Inicialmente as pessoas quase sempre rejeitam revises feitas s tradues mais antigas, pois esto acostumadas s tradues antigas e as consideram santas. 2. Barreiras para o envolvimento comas escrituras nas lnguas minoritrias Certas barreiras impedem o uso das Escrituras por falantes de lnguas minoritrias na sua lngua materna.1) Quais so as barreiras especficas ao uso das escrituras disponveis em lnguas minoritrias? enumere esses impedimentos em uma folha de papel. 2) Quando as listas estiverem completas, pea que um membro de cada grupo compartilhe a lista com o restante da turma. acrescente qualquer dos pontos a seguir que seja relevante, mas que foi omitido no debate. encerre a sesso fazendo uma lista completa de todas as barreiras mencionadas. fixe a lista na parede como um pster.