Comercio & Servicos

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Revista que aborda temas referentes a Comercios e servicos....

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    www.fecomercio.com.br / www.twitter.com/fecomercio

    publicaoda federao do comrcio de bens, servios e turismo do estado de so paulo

    Criatividade e inovao mudam a forma de presentear: agora, em vez de produtos, a tendncia oferecer experincias

    Presentes Para viver

    Com retornoTodo lixo produzido tem que ser tambm recolhido

    ComPrAS CoLetIVASSites oferecem at 90% de desconto e viram febre

    977

    1983

    1390

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  • Carta ao leitor

    primeira dcada do sculo 21 chega ao final com um sal-do amplamente favorvel ao Brasil. Superando os ndices medocres que caracterizaram o desempenho de nossa economia nos ltimos decnios do sculo passado, o Pas soube conciliar um crescimento robusto com a manuten-

    o da estabilidade monetria, incorporando neste processo milhes de pessoas antes marginalizadas aos mercados de trabalho e de consumo. At mesmo a crise financeira que deixou prostrada a economia dos Es-tados Unidos e agora devasta os pases da Europa no conseguiu reduzir entre ns o nmero de empregos com carteira assinada nem a massa de salrios que, aliada disponibilidade de um crdito farto, fazem do mer-cado interno brasileiro um escudo eficaz contra as dificuldades externas.Dessa forma, as vendas dos varejistas da Regio Metropolitana de So Paulo podem alcanar R$ 11 bilhes em dezembro, o que significa um acrscimo de 12% em relao ao mesmo perodo do ano passado. Essa ex-pectativa de termos o melhor Natal da histria, atingindo a marca de R$ 100 bilhes de faturamento em 2010, fechando o ano com um crescimen-to das vendas em torno de 6%, est alicerada no fato de que at agosto o varejo j acumulava alta de 5,4%, segundo pesquisa da Fecomercio. Assim, a presente edio de Comrcio & servios dedica seu espao nobre para revelar as tendncias e os preparativos das empresas em relao a esta que a data magna no calendrio das atividades do nosso setor. No varejo, o segmento de eletrodomsticos e aparelhos eletrnicos, incluin-do equipamentos de informtica, deve manter a liderana conquistada neste ano em que a Copa do Mundo alavancou as vendas de televisores, cujos modelos cada vez mais modernos despertam grande interesse dos consumidores. A previso de que os eletroeletrnicos fechem o ano com um crescimento de 22%, destacando-se com o melhor desempenho do setor. E o varejo como um todo pretende atingir o pblico tanto do modo tradicional para o que est organizando at mesmo plantes ininterruptos de 24 horas como pelo e-commerce, cujas vendas apon-tam crescimento de 23%. Mas vem do segmento de servios, inspirada nos vales-presentes, a gran-de novidade estampada em nossa reportagem de capa: a alternativa de oferecer uma experincia inusitada ao presenteado, como as que so detalhadas nas pginas a seguir. Expressivo exemplo de economia cria-tiva, esta modalidade contribuir para tornar marcante o Natal de 2010, que j entra para a histria, sobretudo, por incorporar um nmero cada vez maior de brasileiros como filhos de Papai Noel.

    Um Natal histricoA

    AbrAm SzAjmAn Presidente da Federao do Comrcio de Bens, Servios e Turismo do Estado de So

    Paulo (Fecomercio) e dos Conselhos Regionais do Sesc,

    do Senac e do Sebrae-SP

    Presidente Abram SzajmanDiretor Executivo Antnio Carlos Borges

    Permitida a trascrio de matria desde quecitada a fonte. Registro Civil de Pessoas Jurdicas,Livro B-3, sob o nmero 2904. Nota: as declaraes consubstanciadas em artigos assinados no sode responsabilidade da Fecomercio.

    ProjEto grfico

    [email protected]

    impresso IBEP GRFICATiragem: 30 mil exemplares

    ProDuo

    Rua Princesa Isabel, 94, cj 112 - 04601-000Brooklin - So Paulo - Tel.: (11) 5095-0096

    Diretores Andr Blumberg,Nico Rossini e Jorge Litrenta

    Editores Cludio Bacal e Luciana [email protected]

    Subeditora Paula Caires

    Publicidade Editora Casa NovaTel.: (11) [email protected]

    reviso TopTexto (www.toptexto.com.br)

    4 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • 60 EConomiaCrescimento sustentvelNovas regras para os cartes de crditos esto vigentes, mas as transformaes dependem do setor

    58 GEstoDelicadeza no atacadoRevendedores desfrutam de um atendimento cada vez mais moderno e sofisticado

    48 inovaoDescontos caem na redeEm apenas um ano, sites de compras coletivas j atraram mais de 3 milhes de brasileiros

    36 sustEntabilidadEReao em cadeiaPoltica Nacional de Resduos Slidos d um empurrozinho na logstica reversa

    14 nEGCiosO Natal dos eletrnicosLanamentos, queda do dlar e oferta de crdito fazem dos eletroeletrnicos o destaque deste fim de ano

    66 Ponto dE vistaTributao induz informalidade?Planejamento tributrio o que faz a diferena e responde a essa questo

    20 nEGCiosPapai Noel em horrio estendidoLojistas se adaptam para atender a demanda por consumo na melhor poca do ano para o varejo

    24 nEGCiosCasamento um bom negcioPreparativos, festas e lua de mel chegam a movimentar 35 segmentos da economia, envolvendo 150 profissionais

    30 tECnoloGiaArmadilhas do mundo digitalSaiba quais so e como se prevenir dos principais golpes dos criminosos cibernticos

    54 GEstoLucro: para onde ele deve ir?Quando os negcios vo bem, um novo desafio se impe: reinvestir

    8 EntrEvistaRumo aos shoppings e ao NordesteDesde 1950, Michel Klein apostou no consumo popular, construiu um imprio e agora traa novos rumos

    CaPaExperincia embalada para presenteNova forma de presentear, vinda da Europa, chega ao mercado brasileiro

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    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 5

  • Entrevista michel Klein Por Claudio baCal e luCiana lana/ Fotos: MniCa varella (MiChel Klain) e divulGao (lojas)

    rumo AoS ShoPPIngS e Ao nordeSteDono Da Casas Bahia, a primeira reDe varejista Brasileira a foCar a populao De Baixa renDa, miChel Klein expert Dos hBitos De Consumo Das Classes C, D e e. agora, alm De Desfrutar Do apreo popular, ele aproveita a nova ConDio que essas Classes assumiram

    Falar do poder de consumo das classes C, D e E atualmente como repetir ladainha. Mas ouvir quem vislumbrou a ascenso dessa camada popular e, j na dcada de 1950, apostou no segmento , sem dvida, uma boa lio. A revista Comrcio&Servios traz uma entrevista concedida por Michel Klein, dono da Casas Bahia, durante o 11 Congresso Internacional de Shopping Centers. O empresrio comenta a questo que mais desperta o interesse, a curiosi-dade e a expectativa do setor varejista brasileiro no momento: a fuso da rede com sua maior concorrente o Ponto Frio, que desde meados de 2009 pertence ao Grupo Po de Acar.Michel Klein diz que todo o seu empreendedorismo herana do pai, Samuel Klein, o fundador da Casas Bahia. Se est no sangue, ento isso explica tambm o xito do filho, Rafael Klein, que, aos 32 anos, atualmente o CEO da rede e uma tremenda promessa como executivo, nas palavras elogiosas de Ablio Diniz, presidente do Conselho do Grupo Po de Acar.Jogador de tnis, Michel Klein costuma dizer que no acredita em bola perdida e que a de-terminao fez o sucesso da rede varejista. a marca da empresa; o que busco imprimir e transmitir s 56 mil pessoas que trabalham conosco.Fundada em 1952, a Casas Bahia a maior rede de eletroeletrnicos e mveis do Pas e, de acordo com estudo da consultoria Deloitte Touch, ocupa a 131 posio no ranking mundial do setor. So 500 lojas distribudas por dez estados, oito centros de distribuio, outros seis entre-postos, frota prpria com mais de 3500 veculos, que rodaram em 2009 mais de 120 milhes de quilmetros, cumprindo uma mdia mensal de 1,2 milho de entregas. Est focada na arte de comprar e vender e se dedicar ao cliente proporcionando aos seus consumidores atuais qualidade de servios, presteza na concesso de crdito e assistncia contnua no ps-venda.Sobre essa arte e um pouco mais, Michel Klein comenta a seguir.

    8 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • Entrevista michel Klein Por Claudio baCal e luCiana lana/ Fotos: MniCa varella (MiChel Klain) e divulGao (lojas)

    TEMOS UMA PREvISO PARA O ANO qUE vEM: A MAIOR PARTE DAS LOJAS ABERTAS NOS LOCAIS ONDE NS J ESTAMOS SER EM ShOPPING CENTERS. Em cidadEs E Estados novos para a rEdE, a prEfErncia sEr por lojas dE rua

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  • Entrevista michel Klein

    >Durante muito tempo ouvia-se que a Casas bahia usava as mercadorias como veculo para vender crdito. Voc concorda com isso?Desde que o grupo optou por trabalhar para as clas-ses menos favorecidas, ela teve que oferecer crdito, pois essas classes s poderiam ter os bens de consu-mo por meio do credirio. Chegamos a ter at 98% das vendas no famoso carnezinho, que o credirio mais popular.

    >Quando isso mudou? Em determinado momen-to, a Casas bahia vendeu a sua carteira para um banco, no foi?

    no. ns no vendemos a carteira para um banco; continuamos fazendo financiamento via carnezinho. o que aconteceu foi que a populao foi evoluindo e houve uma popularizao do carto de crdito, que passou a ser um concorrente do carnezinho, pois facilitou a compra em dez, doze vezes. para se ter uma ordem de grandeza, a Casas Bahia hoje tem 34 milhes de pessoas cadastradas com carnezinho; 8,5 milhes migraram para o carto de crdito da prpria loja.

    >Qual a parcela mdia dos carns?a prestao mdia de r$ 60 muito pouco.

    >E esse pblico bom pagador? um pblico que paga melhor do que aquele que tem cheque especial e crdito junto a bancos.

    >H quase um ano, desde o primeiro anncio da fuso das Casas bahia com o Ponto Frio, o merca-do especula os efeitos da negociao. Hoje, em sua opinio, quais sero efetivamente esses efeitos? Que outras movimentaes podero decorrer desse pro-cesso quando, finalmente, estiver em operao a

    A CASAS BAhIA hOJE TEM 34 MILhES DE PESSOAS CADASTRADAS COM

    CARNEzINhO; 8,5 milhEs migraram para o carto da prpria rEdE

    10 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • nova Globex ou a nova Casas bahia? no temos como prestar informaes com muito detalhamento, visto que as empresas celebraram o acordo de fuso mas ainda aguardam as defini-es do Cade para dar prosseguimento s medidas de captura de sinergia e outras que podero trazer benefcios aos clientes.

    >mas, ainda sobre a unio com Ponto Frio, que adequao era necessria para que essa unio acontecesse?para seguir o curso normal, a Casas Bahia teria que ter cinco ou at seis anos de balano auditado e gover-nana corporativa preparada para ir para o mercado de capitais, entre outros requisitos. hoje, com essa associao com o ponto frio, fica tudo mais fcil. o ponto frio j uma empresa licitada em bolsa, ento, assim que o governo autorizar a unio das duas em-presas, com a aprovao do CaDe, a nova empresa j passa a ser uma empresa de capital aberto.

    >E a CVm no pe empecilhos com relao a isso?no. a Cvm simplesmente recebe a autorizao para a emisso de aes da nova empresa a globex, como dever ser chamada em favor da famlia Klein, que era a detentora da Casas Bahia.

    >Ao contrrio do que se imagina, especialistas dizem que esse mercado pouco concentrado e que vrias empresas regionais seriam possveis concorrentes da Casas bahia e do Ponto Frio. Existe um plano de expanso? De que ordem? Esse plano contempla a aquisio de outras redes?em um primeiro momento, ns vamos aguardar a aprovao do governo, do ministrio da justia, via CaDe, para que seja feita a fuso das duas empresas. s depois, ento, ns vamos pensar em novas aqui-sies. se surgir alguma coisa que nos interesse a compra de uma outra empresa , isso pode embolar mais ainda esse processo de fuso e aquisio.

    EM UM PRIMEIRO MOMENTO, vAMOS AGUARDAR A APROvAO DO GOvERNO. s dEpois vamos pEnsar Em novas aquisiEs

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 11

    >entenda a fusoO anncio da compra da Casas Bahia pelo Grupo Po de Acar, em 4 de dezembro de 2009, foi um marco na histria do varejo brasileiro. Para especialistas, um exemplo de consolidao comparvel ao ocorrido no setor financeiro ao se unirem Ita e Unibanco.

    Os negcios no setor de varejo de bens durveis da Casas Bahia sero integrados Globex, controladora do Ponto Frio. Juntas, Globex e Casas Bahia somam mais de mil lojas, 68 mil colaboradores e um faturamento previsto em R$ 18 bilhes para este ano, podendo chegar a R$ 20 bilhes em 2011.

    Pelo anncio inicial, o Po de Acar faria aportes de ativos de R$ 1,35 bilho na nova empresa, criada a partir da associao R$ 1,23 bilho referentes ao Ponto Frio e R$ 120 milhes da Rede Extra Eletro. A Casas Bahia, por sua vez, entraria com aporte de ativos correspondente a R$ 1,29 bilho.

    O Po de Acar transfere para a Globex todos os estabelecimentos comerciais onde atualmente so operados negcios de varejo de bens durveis, exceto os negcios de comercializao de bens durveis que opera em seus supermercados e hipermercados que no integram a associao. E, assim, assume 50% e mais uma ao na nova empresa. A Casas Bahia fica com 47,84% das ONs (aes ordinrias) e 2,21% das PNs (aes preferenciais).

    Rafael Klein assumiu o cargo de diretor presidente da companhia, para um primeiro mandato de dois anos. O Po de Acar, que elege a maioria dos membros do conselho de administrao da Globex, escolheu Michel Klein para presidir o Conselho.

    novo acordoQuatro meses depois do anncio da fuso, mudanas foram feitas no acordo. A famlia Klein pediu reavaliao dos ativos e conseguiu que o Grupo Po de Acar concordasse em fazer mais um aporte de at R$ 700 milhes na nova empresa. Houve alterao tambm em questes acionrias os Klein ganharam direito a veto nas decises estratgicas que envolvam a diluio de sua participao.

    E, ainda, pelo novo acordo, os Klein tambm podem vender 100% das suas aes na Nova Casas Bahia 24 meses aps a oferta pblica de aes.

    nova PontoComAlm das lojas fsicas, as duas empresas unificam as operaes de comrcio eletrnico na Nova PontoCom. A Casas Bahia fica com participao societria de 17% do capital social da Nova Pontocom. O faturamento da empresa este ano deve chegar a R$ 2 bilhes.

    2012Finalizado o acordo entre as partes, a fuso entre Casas Bahia e Ponto Frio ainda depende de uma aprovao do CADE. Em maio, o Ministrio Pblico Federal emitiu um ofcio ao rgo pedindo avaliao dos efeitos da concentrao de mercado.

    Michel Klein acredita que o processo de integrao deve demorar ainda uns dois anos. Esse o prazo estimado para o orgo se pronunciar sobre a fuso. Enquanto no sai a aprovao, as empresas podem apenas realizar compras juntas. Corte de funcionrios, fechamento de lojas e unificao de bandeiras ainda no podem ocorrer.

    O empresrio adianta que, mesmo a fuso sendo totalmente aprovada, devero ser mantidas as duas bandeiras: a Casas Bahia ficaria voltada para as classes D e E; enquanto o Ponto Frio passaria a atender as classes A e B.

  • >A Casas bahia nasceu como loja de rua e, aos pou-cos, migrou para shopping. mas esse nunca foi o alvo da empresa. Agora, com o Ponto Frio, isso muda um pouco. mas quanto da expanso da rede est focada em shopping centers?na medida em que forem sendo construdos novos shoppings, ns devemos participar de todos eles, com pelo menos uma bandeira Casas Bahia ou ponto frio ou, ainda, dependendo do tamanho do shopping, se acharmos que comporta, com as duas. ns temos uma previso para o ano que vem de que a maior parte das lojas abertas nos locais onde ns j estamos ser em shopping centers. em cidades e estados novos para a rede, a preferncia ser por lojas de rua. e, medida que nestas cidades forem sendo lanados novos shoppings, ns tambm participaremos.

    >E vocs vo para o nordeste?ns j entramos no nordeste. nossa porta de entrada

    Entrevista michel Klein

    foi salvador, onde recentemente abrimos duas lojas. temos agora um total de 25 unidades em salvador e na grande salvador. posteriormente, deveremos ir para o interior do estado da Bahia. em novembro, com a inaugurao do shopping riomar, abrimos uma loja em sergipe . tambm estamos em acordos para ter lojas de rua e em shoppings em macei. aos poucos vamos adquirindo outros pontos nos outros estados. a previso crescer nessa regio a nossa prioridade. Creio que de 60% a 70% da nossa expan-so ser concentrada no norte e nordeste.

    >A Casas bahia tem uma operao fabril que no pequena, e produz mveis para cozinha, dormit-rio etc. O Ponto Frio nunca teve essa vocao. Com a fuso, que destino ter essa operao?ela ser mantida. essa indstria de mveis a Bartira. ns, inclusive, j comeamos a expandir sua produ-o para que os mveis entrem tambm nas lojas ponto frio em que houver o espao necessrio. a rea mdia das lojas ponto frio de 700 metros quadrados quase a metade da rea mdia das lojas da Casas Bahia, que fica em torno de 1.500 metros quadrados. para expor mveis de um dormitrio, por exemplo, so necessrios 6, 7, at 10 metros quadrados. mas, na associao com o ponto frio, ns fizemos um contrato de fornecimento de mveis. esse contrato de dois anos e provavelmente ser renovado. ento, a indstria no s vai continuar como tambm vai crescer. ns temos a inteno e provavelmente va-mos precisar abrir novas unidades fabris, pois hoje a Bartira conta com 525 lojas e, com a fuso, haver outras 500 lojas do ponto frio para serem atendidas.

    Com relao a este natal, o que esperado? a empresa espera 7% de aumento de vendas se o cenrio for razovel e 10% no melhor cenrio, com destaque para produtos de tecnologia.

    A PREvISO CRESCER NESSA REGIO. A NOSSA PRIORIDADE. CREIO qUE DE 60% a 70% da nossa Expanso sEr concEntrada no nortE E nordEstE

    12 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • Economia Por Yara verniCa Ferreira

    Desvalorizao Do Dlar, aumento Do poDer aquisitivo e Da oferta De CrDito e lanamentos Da inDstria Devem impulsionar as venDas Dos eletroeletrniCos neste fim De ano

    O natal dOseletrnicOs

    14 Comrcio & Servios dez/10 - jan/11

  • dez/10 - jan/11 Comrcio & Servios 15

    relao ao mesmo perodo de 2009, o que vai fazer com que o ano feche em 22% de crescimento. os dados atuais, portanto, apontam que so os produ-tos eletroeletrnicos que tero nfase neste natal, com destaque para os te-levisores ultrafinos. as vendas j fo-ram alavancadas pela Copa do mundo e devem repetir um bom desempe-nho no final do ano. segundo ele, a dinmica da tecnologia na fabricao de tv, com muitos lanamentos, cada vez mais modernos, tem influenciado muito os consumidores. na rede de supermercados extra,

    essa tendncia se confirma, confor-me explica o gerente comercial, leo-nardo paganotti. mesmo comparado a um natal que antecedeu Copa do

    mundo, a expectativa da rede que as vendas de televisores cresam 25% esse ano. os produtos mais procura-dos devem ser as tvs de led, as novas 3D e os aparelhos de DvD automo-tivos. a baixa nos preos das tvs, o aumento do poder de compras da classe mdia e a troca de tecnologia na categoria so, de acordo com o executivo, os principais fatores para o bom desempenho desses itens.o cenrio no muito diferente no

    ponto frio e na Casas Bahia, empresas do grupo po de acar. os produtos de maior aposta tambm so as tvs led, lCD e telas planas. mas, nas duas redes, ainda entram em cena os celu-lares e as cmeras digitais. este o ano das tvs de telas planas, primeiro,

    OS ELETROELETRNICOS FORAM UM DOS PRINCIPAIS RESPONSvEIS PELO BOM DESEMPENhO DO vAREJO EM 2010. s Em dEzEmbro o sEtor dEvE crEscEr 28%

    o advogado heitor jayme de melo j sabe que pre-sente vai dar a si mesmo neste natal. h meses ele vem namorando uma tv de lCD, mas a esperana de encontrar preos mais baixos sempre o fez adiar a compra. no acredito que os valores que j pesquisei possam cair muito, mas, se encontrar uma excelen-te oferta, pretendo adquirir uma tv nova. a qualidade de imagem muito melhor que na tv que tenho uma convencional de tubo.pelas expectativas do mercado va-

    rejista e o desempenho do setor ao longo do ano, melo no o nico que pretende comprar um equipamento eletroeletrnico nos prximos meses e juntar-se aos milhes de brasileiros que j o fizeram nos meses anteriores.segundo a pesquisa Conjuntural

    do Comrcio varejista (pCCv), reali-zada pela federao do Comrcio de Bens, servios e turismo do estado de so paulo (fecomercio), o fatura-mento real da vendas do varejo, em agosto, j acumulava alta de 5,4% em comparao ao mesmo perodo de 2009. a expectativa da instituio fechar o ano com um crescimento em torno de 6%, atingindo cerca de r$ 100 bilhes o que bastante expressivo, considerando a base al-canada em 2009, destaca o assessor econmico altamiro Carvalho.e o principal responsvel por este

    crescimento foi o setor de eletrodo-msticos e eletroeletrnicos. s em agosto o faturamento foi 32,9% supe-rior ao mesmo perodo do ano ante-rior e, no acumulado de 2010, j chega a 19,9% de crescimento. Com certeza foi a atividade com melhor desem-penho deste ano. o e-commerce, em geral tambm h grande prevalncia desses produtos, teve crescimento de 23% nesse perodo, mdia que deve se manter no fechamento do ano, afirma Carvalho. o assessor ainda acrescenta que esses dados permi-tem fazer prognsticos. a expectati-va para dezembro de que as vendas de eletroeletrnicos cresam 28% em

  • 16 Comrcio & Servios dez/10 - jan/11

    Economia

    por causa da Copa do mundo, que j alavancou muito a venda desses produtos e, depois, porque os equi-pamentos esto com preos bastante acessveis, com condies favorveis de pagamento. tradicionalmente, no fim do ano, tambm a indstria de celulares lana novos modelos; isso aumenta a procura no s pelo pro-duto, como tambm por outros itens de tecnologia.no magazine luiza, alm das tvs

    de lCD, os equipamentos de infor-mtica, em especial os notebooks, despertam expectativas positivas. assim como no Walmart, que prev aumento de mais de 50% nas ven-das das categorias de informtica e games por conta da tecnologia avanada aliada aos preos baixos. alm de notebooks (principalmente com processador Core i intel), sero

    destaques acessrios e perifricos como mouses, roteador e mochila. a alta demanda de entretenimen-to online tambm ser responsvel pela maior procura por monitores tv, segundo a rede de supermercados. outra tendncia so os games. a rede prev dobrar as vendas no perodo das festas, e o destaque ser o lana-mento do pr evolution soccer, para o playstation 2 e o 3, Wii, xbox 360 e pC. o setor de informtica tambm a

    aposta do diretor de marketing da e-Bit, alexandre umberti. ele concorda que a linha de eletrnicos ser o destaque do natal 2010, mas acredita, principalmen-te, no aumento das vendas de equipa-mentos de informtica, em especial no comrcio eletrnico. a venda de tvs lCD, de plasma ou leD tende a cair um

    pouco. Com o evento da Copa do mundo de futebol, muitos brasileiros j substi-turam as velhas tvs por modelos mais modernos, justifica.fbio Beltro, scio diretor de in-

    teligncia de mercado da gs&mD gouva de souza, no pensa dife-rente. para ele, em 2010, como j tem ocorrido nos ltimos anos, o natal vai ser dos eletroeletrnicos, setor que deve fechar o ano com crescimento de 18%. e a tendncia, segundo o execu-tivo, ainda deve se confirmar para os prximos anos, com crescimento em torno de 15%. mas, ao ser perguntado sobre qual produto deve se destacar, ele diz: arriscaria nos equipamen-tos de informtica, tanto os desktops, quanto os notebooks e netbooks. isso porque o dlar baixo propicia preos bastante interessantes, uma vez que grande parte desses produtos tem

    peas importadas na composio. e tambm o aumento do poder aqui-sitivo da populao permitiu que muitas pessoas ganhassem acesso a essas tecnologias. os itens podem variar um pouco

    nas expectativas de um ou outro va-rejista, mas a presena dos produtos eletrnicos como destaque de vendas neste natal unnime. Diversos fa-tores do cenrio econmico brasileiro contribuem para tais prognsticos. o primeiro deles, segundo Carvalho, da fecomercio, a taxa de cmbio, que est muito propcia para os produ-tos importados, refletindo em preos mais baixos.o segundo fator o crdito. De

    acordo com o Banco Central, a oferta de crdito cresceu, de janeiro a agosto

    MAIOR OFERTA DE CRDITO, A JUROS BAIxOS E COM PRAzOS MAIS LONGOS impulsionam a compra dE bEns durvEis

  • dez/10 - jan/11 Comrcio & Servios 17

    desse ano, 21%, enquanto a taxa de juros caiu de 44% para 40%, compa-rando agosto deste ano ao mesmo ms de 2009, explica. Como terceiro fator, Carvalho aponta o aumento no prazo mdio para pagamento em agosto do ano passado, era de 481 dias e, em agosto desse ano, chegou a 536 dias. foram quase dois meses de aumento no prazo para pagamen-to em termos mdios, o que uma enormidade.soma-se, ainda, a queda da

    inadimplncia do consumidor. pelo Banco Central, ela caiu de 8,3%, no ano passado, para 6,2% esse ano. ou seja, h menos inadimplncia, maior oferta de crdito, com prazos de pa-gamentos mais longos, a juros meno-res. e a populao se sente amparada pelo bom desempenho do emprego e da renda, que, segundo estimativas do instituto de pesquisa econmica aplicada (ipea), foi de 4,9% e 4,5%, respectivamente. tais fatores do mais segurana populao, for-mando uma conjuntura econmica propcia s compras. e tudo isso se

    reflete em um consumo maior de bens durveis, que requer linhas de financiamentos. se a oferta de crdito garante a

    compra de bens de consumo durveis, como televisores e eletrodomsticos, entre outros artigos de alto valor, o dinheiro do 13 salrio que deve sustentar boa parte da expanso do consumo no ltimo trimestre do ano. s o chamado abono natalino deve

    injetar cerca de r$ 17,47 bilhes na eco-nomia da grande so paulo, valor 13% superior ao do ano passado, de acor-do com a fecomercio. esse clculo do montante gerado pelo salrio extra foi feito com base nas estimativas apresentadas pelo Departamento intersindical de estatstica e estudos socioeconmicos (Dieese) e engloba a atividade ao longo do ms de dezem-bro, incluindo os valores movimenta-dos nas festas de final de ano, explica altamiro. o valor representa 20% de todo o volume de vendas previsto para dezembro, que de r$ 11 bilhes, um crescimento de 12% em relao ao mesmo perodo do ano passado.

    >natal virtualno geral, o natal deve representar um crescimento de vendas na internet em torno de 40%, ou seja, mais de r$ 2,2 bilhes, entre 15 de novembro e 24 de dezembro, o que deve fazer com que o comrcio eletrnico feche o ano com r$ 15 bilhes de faturamento a mais que em 2009. nas trs semanas que antecedem o a data, o e-varejo vende o volume equivalente a oito semanas mdias. para atender a essa demanda sazonal, o presidente da Cmara Bra-sileira de Comrcio eletrnico, manuel matos, alerta que os e-varejistas de-vem prever este impacto negociando com seus fornecedores, escolhendo um mix adequado de produtos, boas condies de venda e, principalmente, preparando uma infraestrutura de tec-nologia para suportar o trfego de visi-tas e fechamento de pedidos. ele ainda destaca um ponto crucial que deve ga-nhar ainda mais ateno no natal: a logstica na entrega, pois o e-varejista deve garantir a chegada da mercadoria no tempo devido. afinal, como explicar se o papai noel atrasar?

  • 20 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    negcios Por Paulo Coutinho

    papai nOel em hOrriO estendidO

    para atenDer ao pBliCo em horrios alm Do expeDiente, varejo se aDapta Durante o peroDo natalino e resultaDo Bom para toDos

  • dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 21

    Silas Kozlowski superintendente

    do Plaza Sul

    sou usuria desses horrios, pois sou autnoma e tenho como controlar mi-nha agenda. prefiro ir s compras mais cedo, diz a artes adriana prequero, que acrescenta: h coisas bem mais interessantes para se fazer noite. a promotora de eventos e artista plsti-ca johanna Bakhuizen concorda. para mim, madrugada para dormir. sou muito prtica e aproveito minhas horas de almoo para fazer alguma compra. mariana mossa, funcionria pblica aposentada, tambm no v vantagem nos plantes. no gosto de sair de casa noite. s em ltimo caso. a noite foi feita para descansar, destaca.mas e para quem vende? as vendas

    durante esses horrios diferenciados compensam os custos operacionais? De acordo com o superintendente do shopping D, na zona norte de so paulo, antonio ferreira masca-renhas jnior, a moda dos plantes j tem cerca de dez anos. o pioneiro, segundo ele, foi o iguatemi shopping de salvador. nos primeiros anos a medida deu bons resultados. j no

    ano passado, no foi to bem refle-xos da crise econmica, sem dvidas, mas tambm sinal de que a frmula vem sofrendo desgaste. por isso, mui-tos estabelecimentos que aderiram moda, hoje j no o fazem mais, afirma jnior. ele, ctico quanto efi-ccia das 24 horas de funcionamento em termos de resultados, aposta, no entanto, no prolongamento de hor-rio em uma ou duas horas. o gerente operacional do shopping

    D, marcio tadashi exemplifica a am-pliao de custos. o aumento mdio nas contas - somadas as de gua e de energia eltrica de r$ 1.400 por dia,

    PARA qUEM NO DISPENSA A TRANqUILIDADE NA hORA DE FAzER AS COMPRAS DE NATAL, os

    horrios EstEndidos so pErfEitos

    quando ampliamos o atendimento em duas horas fechando meia-noi-te, quantifica. segundo tadashi, gua e luz so apenas dois dos itens a se computar. tambm h um aumento considervel com pessoal, incluindo todo o terceirizado, como segurana, limpeza e manuteno, acrescenta, lembrando que todos recebem hora extra e adicional noturno por conta dos plantes.alex teixeira, proprietrio do em-

    prio alex, loja de moda jovem, e pre-sidente da associao de lojistas do shopping D, considera que o comrcio vem mudando de comportamento nos ltimos anos. alguns comer-ciantes esto estudando extenso de horrios e at a possibilidade de virar a noite atendendo. no ltimo ano essa estratgia deu resultado. em 2008, porm, nem tanto. mas o certo que h aumento considervel no faturamento, sobretudo na reta final do natal, garante teixeira.o lis Caf e po de queijo, do shop-

    ping metrpole em so Bernardo do Campo, abre uma hora mais cedo e fecha duas horas mais tarde durante o perodo natalino e, segundo o scio-proprietrio alexander meneguini, o acrscimo do custo operacional nfimo. o aluguel j est pago mes-mo e o custo extra de mo-de-obra tambm no problema, j que tra-balhamos com banco de horas. em contrapartida, a extenso de horrio

    s tem um pblico que gos-ta do natal tanto quanto as crianas: os varejistas. papai noel costuma ser generoso com o comrcio, que tem seu melhor desempenho no perodo natalino. para este ano, por exemplo, as vendas dos varejistas da regio metropolitana de so paulo (rmsp) podem alcanar r$ 11 bilhes em de-zembro, o que representa um acrs-cimo de 12% em relao ao mesmo perodo do ano passado, segundo estimativa da federao do Comrcio de Bens, servios e turismo do estado de so paulo (fecomercio). mas ser um bom menino tambm requisito, neste caso. por isso, os varejistas se preparam de diversas formas para aproveitar ao mximo a poca. uma delas o planto de vendas, no qual os estabelecimentos comerciais es-tendem o horrio de funcionamento alguns chegam a ficar abertos por 24 horas consecutivas.para quem no dispensa a tranqui-

    lidade na hora de fazer as compras

    de natal, os horrios estendidos so perfeitos. eles so necessrios para muita gente. prefiro esses horrios para fugir da muvuca, diz o artista plstico Douglas okura. ricardo gar-cia, tambm artista plstico e ator, concorda: eu acho timo, porque nessa poca as pessoas esto sem-pre enroladas com o tempo. isso dilui as multides. a funcionria pblica, maria do Carmo angerami teixeira leite, que assume deixar as compras para a ltima hora, tambm aposta na tranquilidade.os mais tradicionais parecem imu-

    nes a essa estratgia do comrcio. no

  • 22 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    negcios

    durante a semana, as lojas passaram a fechar s 23h, com encerramento fa-cultativo meia-noite. nos dias 21, 22 e 23 de dezembro, todas as lojas ficaram abertas at a meia noite. na opinio do superintendente do plaza sul, silas Ko-zlowski, a medida positiva tanto para o shopping, que tem a oportunidade de atrair mais consumidores e alavancar as vendas em suas lojas, quanto para o p-blico, que tem mais tempo para fazer as compras, em horrios alternativos. at hoje no tivemos experincias negati-vas com a ampliao do funcionamen-to. todos saem ganhando: clientes, ven-dedores, lojistas e shopping, assegura.obviamente que, quando se fala

    em manter lojas abertas at mais tar-de, o comrcio em shopping centers tem suas vantagens. Diferentemente das lojas de rua, os centros de com-pras contam com mais segurana. no posso deixar a loja aberta aps as 18h, exemplifica paulo silva, scio--proprietrio da Dr da silva sousa, loja de materiais de construo localizada numa das principais avenidas do bair-ro paulistano do jabaquara.

    foi responsvel por um aumento de 15% nas vendas, em 2009.todos os anos, o shopping grand

    plaza, em santo andr, estabelece horrios mais flexveis para facilitar as compras dos clientes. De acordo com os nmeros de dezembro do ano passado, as duas horas adicionais de abertura, das 22h s 24h, geraram o incremento de 8% no fluxo de vecu-los dirio, informa marcia pacheco. para ela, embora a ampliao do ho-rrio possa representar mais custos operacionais, a iniciativa traz diversas vantagens. uma delas o natural in-cremento no volume de vendas devi-do ao aumento de fluxo de pblico e de demanda por produtos e servi-os. Devemos considerar tambm a questo do relacionamento com o cliente, pois ao estendermos o hor-rio ampliamos a convenincia a esse pblico, explica.no shopping plaza sul, os plantes

    de final de ano j so rotineiros. em 2009, o horrio comeou a ser esten-dido em 6 de dezembro. aos domingos, o shopping abria mais cedo, s 10h e,

    O CERTO qUE h AUMENTO CONSIDERvEL

    NO FATURAMENTO, sobrEtudo na rEta

    final do natal

    Antonio Ferreira Mascarenhas, superintendente do Shopping D

    Marcia Pacheco, do Shopping Grand Plaza

  • CaDa vez mais Criativo e luCrativo , o merCaDo De Casamentos movimenta uma CaDeia proDutiva De sonhos

    casamentO bOm negciO

    negcios Por jaCqueline Costa

    24 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • sim! a pronncia das trs letri-nhas ser para sempre o pon-to alto de qualquer casamen-to. mas foi-se a poca em que as mes organizavam o cas-rio das filhas, no existiam casas de festas e os convidados desconheciam a sigla francesa rsvp (em portugus: responda, por favor). os servios que envolvem a troca de alianas esto cada vez mais sofisticados e profis-sionais. os nmeros surpreendem e lembram mais um megaevento do que uma cerimnia. um nico sbado em so paulo movimenta, segundo a associao dos profissionais, servios para Casamento e eventos sociais (abrafesta), nada menos que trs mil floristas e 1,4 milho de flores; 400 mil doces, 60 mil ovos, dois mil quilos de chocolates e cinco mil quilos de acar; cinco mil toalhas, 150 mil pratos, 200 mil copos, 300 mil talheres e 60 mil guardanapos; 13 mil quilos de frango, dez mil quilos de carne, trs mil qui-los de arroz, 15 mil quilos de tomates, quatro mil quilos de cebola e nove mil garons e ajudantes; 50 mil lembran-cinhas, 200 mil bem-casados; trs mil manobristas, mil bartenders, trs mil personagens de montagem e limpeza; 300 mil cliques fotogrficos e mais de mil horas de gravao. ufa!

    para a realizao de apenas uma festa preciso uma lista superior a 150 profissionais, vinculados a mais de 35 segmentos da economia. a escolha dos convites e da msica, as fotografias e filmagens, o buf, a sonorizao e a iluminao, o buqu, o carro, a cerimnia religiosa, o casa-mento civil, a festa, o dia da noiva, a noite de npcias, a lua-de-mel. sem falar em vestidos, ternos, maquiagem

    e cabelo, mveis, joias, presentes... tudo isso tem um preo, e quem fica com o final feliz so as empresas que atendem ao setor. uma festa media-na no custa menos de r$ 30 mil, e o cu o limite para as noivas mais entusiasmadas. para atender a todos, a rede de comrcio e servios no para de se diversificar e tambm de lucrar.a pesquisa do instituto Brasilei-

    ro de geografia e estatstica (iBge), divulgada em novembro de 2009, mostrou que o brasileiro gosta mes-mo de casar. o nmero de casamentos legais aumentou 35% em dez anos. e casar rima com... gastar. esse univer-so movimenta r$ 10 bilhes por ano no pas, segundo a abrafesta, que nasceu em 2009 da necessidade de reunir as empresas e os profissionais do segmento. para a cerimonialista vera simo, presidente da abrafesta, o maior desafio integrar, pela primeira vez, as diversas categorias de presta-dores de servios que, unidas, orga-nizam mais que eventos, realizam os sonhos de seus clientes. s na cidade de so paulo so mais de mil empresas atuantes, um mercado que cresceu cerca de 400% nos ltimos cinco anos. a abrafesta comeou no ano passado com cinco ou seis associados e hoje j tem quase 300. o mercado est

    em constante ebulio. queremos, sim, identificar dificuldades, propor solues e um afinamento de valores com a criao de um cdigo de con-duta. nossa inteno nortear esses talentos individuais para que todos juntos possamos promover um belo espetculo na prestao de servios. Casamento est na moda e sempre vai estar, diz vera. ela responsvel tambm por uma

    UM NICO CASAMENTO MOBILIzA UM NMERO SUPERIOR A 150 PROFISSIONAIS, dE mais dE 35 sEgmEntos da Economia

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 25

  • das mais bem-sucedidas feiras de noi-vas do Brasil, a Casar, que acontece desde 2002. o evento rene os mais requintados fornecedores da cidade no terrao Daslu, em so paulo. a mostra comeou com 59 expositores e, em 2010, reuniu 111, escolhidos a dedo. a cada ano, o evento se supe-ra em nmero de lanamentos de novidades e tendncias. o casal de ptissiers patrcia e michael Brock, que comanda o ateli de doces jean et ma-rie, lanou por l a ideia do bolo no pa-lito e outras delcias, como macarons, tortas e bombons cuja diferena est no sabor menos adocicado do que os doces brasileiros mais tradicionais. a Casar rene de estilistas a lojas de aluguel de roupas, bufs, empresas de decorao e locao de mveis, entre outros servios classe a. o objetivo mostrar aos potenciais clientes os mais variados tipos de mimo. em ge-ral, o pblico feminino. so noivas, mes, sogras e amigas a postos para provar doces, ver lbuns de fotos e escolher o melhor buf. j a expo noivas & festas, a maior

    feira do setor, mais abrangente e tem opes para noivas de todas as classes sociais. Desde 1994, a goal promoes & feiras, organizadora do evento, re-alizou 60 edies no rio de janeiro,

    Momentos da Feira Casar

    2010, no Terrao Daslu: Caroline

    Bittencourt vestindo Black Tie (na foto

    esquerda) e Vera Simo

    com uma modelo (

    direita)

    SEGUNDO O IBGE, O NMERO DE

    CASAMENTOS LEGAIS aumEntou 35% Em

    dEz anos

    so paulo e Belo horizonte. alm das dezenas de estandes e dos desfiles, h at uma rea chamada fbrica de Bolos, que destinada exposio e degustao de bolos artsticos. segundo jos luiz de Carvalho Ce-sar, diretor geral da goal, a feira a grande oportunidade de apresentar ao pblico tudo que existe de mais novo no pas nesse segmento, cada vez mais explorado devido grande demanda que existe. a feira j reuniu 1,7 milho de visi-

    tantes e chegou a um volume de ne-gociao de r$ 300 milhes em seis meses. em 2009, bateu recorde com 171.016 visitantes e 947 expositores, gerando uma mdia de r$ 20 milhes em negcios, com a expectativa de crescimento de 8% a 10% para as edi-es de 2010.apesar de ser um evento que abran-

    ge, alm de festas de casamento, fes-tas de 15 anos, bodas e recepes, 62% do pblico so noivos, segundo pes-quisa feita pela organizao da goal. Com tantos fornecedores reunidos, o casal tem mais chances de negociar descontos bem atraentes. o site noivasecia.com.br, da edito-

    ra litoral, o mais acessado do Bra-sil quando o assunto casamento, segundo o sistema alexa.com, um

    negcios

    26 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • site classificador de endereos da internet, com informaes forneci-das pelo google. alm da posio de nmero um, o site conta com outros importantes resultados: o noivas & Cia j tem mais de oito mil noivas ca-dastradas, cerca de 70 cadastros por ms, centenas de assinantes e 35 mil acessos nicos mensais. o site agrega atualizaes semanais com notcias do setor, dicas, entrevistas, receitas, sugestes e vrios outros temas en-volvendo o grande dia e o dia a dia das futuras noivas, de forma a facilitar ao mximo os preparativos para o casa-mento. para se ter uma ideia do mer-cado editorial, h oito anos existiam, no mximo, cinco revistas de noivas. hoje, j circulam mais de 35. formado em odontologia, o carioca

    roberto Cohen fez, aos poucos, sua transio da carreira biomdica para o de cerimonial. ao ser chamado por uma grande amiga para ajudar a or-ganizar o casamento dela, acabou se

    Vera Simo: Nos ltimos cinco anos, o mercado de casamentos cresceu 400%

    NO MERCADO DESDE 1994, A ExPO NOIvAS & FESTAS GEROU r$ 20 milhEs Em nEgcios na Edio dE 2009

    entusiasmando com o mercado de festas, e, aos poucos, sua agenda do consultrio foi cedendo espao para a organizao de outros casrios. ro-berto j organizou festas impecveis para grandes nomes da sociedade e muitos artistas. Carolina Dieckmann e juliana paes so s dois das centenas de nomes conhecidos que ele j teve como clientes nos seus 25 anos de ex-perincia. o organizador de eventos gosta de dizer que quem chega para se divertir no faz a menor ideia do ba-rulho que se compra para realizar um belo casamento. ele faz de oito a 20 casamentos por ms, cobra entre r$ 3 mil e r$ 15 mil, dependendo do tipo de assessoria, para que a noiva tenha o casamento dos sonhos, sem insnias, pesadelos ou imprevistos. ele diz que maio deixou de ser o ms preferido e que ningum mais quer se casar nos meses de vero. a alta temporada dos casrio agora vai de julho a outubro. a profisso de cerimonialista est

    Segundo a Abrafesta, um nico sbado em So Paulo movimenta nada menos que: 3 mil floristas e 1 milho e 400 mil flores; 400 mil doces, 60 mil ovos, 2 mil quilos de chocolates e 5 mil quilos de acar; 5 mil toalhas, 150 mil pratos, 200 mil copos, 300 mil talheres e 60 mil guardanapos; 13 mil quilos de frango, 10 mil quilos de carne, 3 mil quilos de arroz, 15 mil quilos de tomates, 4 mil quilos de cebola e 9 mil garons e ajudantes; 50 mil lembrancinhas, 200 mil bem-casados; 3 mil manobristas, mil bartenders, 3 mil personagens de montagem e limpeza; 300 mil cliques fotogrficos e mais de mil horas de gravao.

    >nmeros que impressionam

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 27

  • para ser regulamentada pelo governo federal. se o profissional tiver serie-dade, no existe mau tempo. tenho oito pessoas fixas na minha equipe, mas movimento um nmero enorme de profissionais. uma grande mas-sa informal composta por boleiras, doceiras, floristas, decoradores, Djs, grficos, totalizando um trabalhador para cada convidado. a indstria dos casamentos gera muito emprego no Brasil, afirma roberto. fundada em maio de 1996 por jac-

    queline Dallal mikahil, uma psicloga apaixonada por viajar, a Be happy via-gens acabou, em 2007, se tornando uma agncia especializada em lua de mel. Depois de trabalhar com os seg-mentos de luxo e lazer, jacqueline se deu conta de que estava acontecendo um boom no mercado de casamentos. resolveu mudar o rumo da empresa e dedicar ateno especial aos noivos que, alm de uma festa dos sonhos, queriam uma lua de mel inesquecvel. ela atende cada casal pessoalmente, com hora marcada. os outros funcio-nrios da empresa cuidam da parte operacional dos roteiros.antes da mudana de foco, as via-

    gens a dois representavam 5% dos pacotes. hoje, representam 70%. jacqueline prefere no mencionar nmeros, mas diz que o faturamen-to de sua empresa dobrou de 2007 para 2009. os pacotes comeam em torno de r$ 10 mil e podem chegar a r$ 80 mil. Cerca de 95% so roteiros internacionais: vendamos pacotes de lua de mel, mas ramos apenas mais uma empresa. quando resolvi

    UMA FESTA COMPLETA PODE ChEGAR A CUSTAR r$ 250 mil, conformE modElo aprEsEntado

    na confraria dE EvEntos

    >novas faces para uma antiga celebrao

    Inovao e criatividade so palavras que definem bem o mercado casamenteiro, que no para de produzir novidades, principalmente bem-humoradas. No enlace matrimonial da designer Jssica Lages Cordeiro com o engenheiro naval Rogrio Cabral, no dia 23 de outubro, um kit ressaca fez enorme sucesso. Os convidados receberam uma caixinha de papel com sal de fruta, remdio para enxaqueca e enjoo, curativo autoadesivo, anestsico e gomas de mascar. Na feira Casar 2010, um fornecedor de doces apresentou opes de quitutes decorados com strass e p de ouro. No mesmo evento, foi lanada uma curiosa soluo para os bices: convite de casamento com um carto com chip para ser apresentado na porta. O chip pode carregar vrias informaes, como nome e foto dos convidados e at o mapa do salo indicando onde devem se sentar. Ainda na rea tecnolgica, j h empresas que fazem vdeos do casamento em 3D e registro

    fotogrfico em 360 (impresso, para computador e iPhone). E ainda lbum digital de fotografias no formato de lbum tradicional mas com tela sensvel ao toque. As fotos so exibidas em slideshow, com fundo musical. Monculos com a foto do casal, que j estiveram em alta por volta dos anos 1970, esto de volta e so a ltima moda entre as lembrancinhas distribudas. Outra recordao que agrada a foto dos convidados com os noivos. Tiradas em um mini estdio, elas so impressas durante a festa, a tempo de serem levadas para casa pelos amigos e parentes do casal. Uma novidade ainda pouco conhecida a tatuagem para homenagear o noivo. Geralmente, a noiva ostenta as iniciais do amado com as letras formadas por pedrinhas de strass. Apesar de no serem mais uma inovao, a cerimonialista Emanuelle Missura, do Casar Fcil, diz que as j tradicionais sandlias havaianas no saem mais de moda na hora de mimar os convidados.

    negcios

    28 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • me especializar nesse mercado, fui atrs de hotis e fornecedores que dessem algo mais para os casais, explica jacqueline. a consultora de viagens e diretora

    da Be happy diz que as cotas de via-gens continuam em alta, principal-mente para casais que j tm a casa montada ou que esto no segundo casamento. um servio que a cada dia aumenta, j que muitos casais optam por abrir mo dos presentes para ter uma lua-de-mel inesquec-vel. as cotas podem ir de r$ 50 a r$ 2 mil, ou mais, segundo jacqueline. ela acrescenta que entre os destinos mais requisitados esto a polinsia francesa, a europa e a dobradinha ilhas maldivas com Dubai. alm de participar da feira Casar, a Be happy faz pequenos e selecionados eventos e publica anualmente uma revista gratuita com tiragem de sete mil exemplares recheada de roteiros e dicas romnticas. uma outra empresa paulista che-

    gou sofisticao de dar chance aos noivos de experimentarem todos os servios numa festa de verdade. foi realizada no dia 5 de outubro a 4 edio da Confraria de eventos, na estao so paulo. a reunio, organi-zada por marina Bedaque e tamara Barbosa, da Coordinare, teve como ob-jetivo dar ao casal a oportunidade de vivenciar como poderia ser a sua pr-pria festa. Da igreja ao bem-casado, a festa-modelo da Confraria custou de r$ 200 mil a r$ 250 mil. Durante o evento, houve demonstrao de Djs, com direito a pista de dana, doces, finger food, decorao, vestidos de noiva e daminha, altar e a participa-o especial do coral allegro, entre outros requisitos indispensveis para

    facilitar o planejamento dos noivos. organizando em mdia 45 eventos por ano, a Coordinare recebeu apro-ximadamente 500 convidados para a Confraria de eventos 2010.a Casar fcil um cerimonial

    especializado em casamentos, no rio de janeiro. o trabalho nasceu da paixo de emanuelle missura. Des-de pequena, ela era fascinada pelo tema. guardava em uma gavetinha tudo sobre casamentos: recortes de vestidos, buqus, convites. Depois de um namoro longo, emanuelle realizou o sonho de subir ao altar. mas con-tinuou com vontade de passar para outras noivas suas experincias. o marido, que j no aguentava mais os papos de casamento, sugeriu que ela criasse uma comunidade numa rede social para continuar falando sobre o seu assunto preferido. e assim nas-ceu a comunidade Casar fcil, no final de 2004. manu dedicava horas do seu dia a ajudar noivinhas cheias de dvidas. a comunida-de cresceu tanto que, hoje, com mais de 20 mil inte-grantes, transformou-se na comunidade de casa-mentos mais badalada do orkut, tornando-se conhecida por noivi-nhas e fornecedores.a ideia do cerimo-

    nial surgiu e manu, como conhecida, iniciou seu trabalho. ela organiza de t rs a quatro ca sr ios por ms. e explica que cobra pelo servio de r$ 3 mil a r$ 8 mil,

    dependendo do servio e do nmero de convidados. tem nas mos uma extensa rede, com telefones de todos os servios e fornecedores do casa-mento. em so paulo, tathi frascino, da Donna assessoria, trabalha com eventos em geral h quatro anos, mas resolveu em 2010 voltar todas as suas energias para o mercado de casamentos. numa assessoria com-pleta, em que planeja tudo para os noivos desde o incio, ela cobra entre r$ 4 mil e r$ 4,5 mil. no caso do ceri-monial que cuidar do grande dia e coordenar a montagem e a desmon-tagem da festa varia de r$ 2 mil a r$ 2,5 mil, dependendo do nmero de convidados. o setor de casamentos uma grande oportunidade para empreendedores. uma dessas empreendedoras que

    mudou de rumo e que no tem do que reclamar a estilista flvia passos. ela tinha uma marca de atacado que ven-dia um pouco de moda festa. Depois

    de sofrer com uma enorme inadimplncia por volta de 2005, resolveu fechar a loja e se dedicar aos vestidos de noiva. hoje, faz de um a dois por ms. os preos variam de r$ 4,5 mil a r$ 10 mil.

    minha equipe toda terceirizada. so cerca de dez pessoas. no te-nho o custo absurdo que tinha antes, tenho mais lucro e muito mais pra-

    zer. quero crescer, mas com planeja-mento. o mercado de casamentos muito promissor. no tem crise, diz flvia.

    ESPAOS ONLINE PASSAM A SER PONTOS DE ENCONTROS EntrE noivas. a casar facil rEnE mais dE 20 mil intEgrantEs

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 29

  • tecnologia Por raFael balaGo

    armadilhas dO mundO digital Crimes na internet so faCilitaDos pela Confiana Dos usurios. ferramentas para enContrar os suspeitos existem, mas seu uso preCisa ser regulamentaDo pela lei

    30 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • Certo dia, o advogado elio filho recebeu um e-mail oferecendo emprstimo a juros baixos com um link para conversar com um atendente. mesmo acostuma-do a receber mensagens com falsos pedidos de atualizaes bancrias, ele achou que a pgina era segura e clicou; caiu em um formulrio que pedia diversas informaes, inclusive nmeros de documentos. nesta hora, percebeu que o nome da instituio tinha uma letra trocada. sa do site e o denunciei via e-mail para a polcia Civil. algumas semanas depois, vi que havia sado do ar, conta elio.por pouco ele se tornaria mais um

    dos milhares de internautas vtimas de crimes eletrnicos. segundo dados do comit que gerencia a internet no Bra-sil, 49% dos casos de fraude registrados no terceiro trimestre deste ano tiveram uso de pginas falsas. a primeira vez em nossa srie histrica que estes relatos ultrapassaram, em nmeros absolutos, aqueles relacionados a Ca-valos de tria (programa que se instala no computador e permite a invaso), comenta Cristine hoepers, analista de segurana do Centro de estudo, res-posta e tratamento de incidentes de segurana no Brasil, o Cert.br. o total de incidentes de segurana

    registrados pelo Cert.br em 2010, at

    setembro, chega a 101 mil. na lista, en-tram tentativas de tirar servios do ar, de desconfigurar pginas e invases a bancos de dados, entre outros. Como cada vez mais os negcios so realiza-dos com o uso de sistemas baseados na internet, ataques para interceptar ou interromper o trfego de dados

    PARA 63% DOS CONSUMIDORES, O MEDO DE FRAUDES NO AMBIENTE vIRTUAL o principal motivo para a no rEalizao dE compras onlinE

    podem trazer grandes prejuzos para as empresas. segundo estudo recente da mcafee, realizado com empresas de mdio porte em todo o mundo, 5% das companhias afirmaram ter sofri-do perdas de dados que acarretaram, para cada uma delas, prejuzo de mais de us$ 25 milhes. o comrcio eletrnico, por exem-

    plo, vem crescendo 25% ao ano, e o total faturado no pas entre janeiro e agosto deste ano atingiu r$ 7,8 bi-lhes. esse nmero poderia ser ainda maior no fosse a sensao de insegu-rana no ambiente virtual, conforme demonstrou a 2a pesquisa de Crimes eletrnicos realizada pela fecomercio com usurios no estado de so paulo. segundo o levantamento, 63% dos con-sumidores apontam o medo de fraudes no ambiente virtual como o principal motivo para no realizar compras on-line, mesmo que apenas 11% tenham efetivamente sido vtimas de crimes online ou tenham algum na famlia que tenha passado pela situao. De acordo com antonio gesteira,

    lder da prtica de forense Compu-tacional da priceWaterhouseCoopers (pwC) e professor de ps-graduao do mackenzie, hoje os hackers buscam tirar o mximo de vantagem financei-ra de seus ataques, em vez de apenas danificar pginas ou sistemas por diverso , como ocorria antes. Dentre

    os principais crimes, esto o roubo e o acesso a dados dos consumidores e espionagem de novos projetos. Desta forma, bancos, operadoras de carto de crdito, hotis e lojas com grande volume de consumidores so os principais alvos. o hacker pode vender esta base de clientes ou us-la

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 31

  • tecnologia

    num prximo ataque, alerta gestei-ra, um dos mais de 20 especialistas palestrantes no ii Congresso Crimes eletrnicos e formas de proteo, pro-movido pela fecomercio.em sua apresentao, gesteira

    apontou os erros mais comuns na hora de lidar com incidentes de segu-rana digital. por no ter experincia com fraudes, as empresas acabam so-frendo processos judiciais por apagar evidncias, comenta. assim, em caso de suspeita de invaso, preciso fazer um levantamento das informaes que necessitam ser preservadas. a preocupao com a segurana

    tambm est presente na hora de adotar novas tecnologias. o diretor de Canais da mcafee no Brasil, felipe Canole, avalia que as empresas ainda tm receio de armazenar na internet seus dados e sistemas, tecnologia chamada de computao em nuvem. a proteo pode ser melhor na nu-vem, pois quem fornece o armazena-mento tem equipes prprias focadas na segurana, pondera o diretor. o aumento do uso corporativo de smar-tphones e outros dispositivos mveis tambm exige novas formas de prote-o, pois os pequenos aparelhos tm tantas vulnerabilidades quanto um pC tradicional. pensando nisso, a mca-fee passou a oferecer pacotes de segu-rana para dispositivos mveis, sem esquecer que um dos principais riscos o celular recheado de informaes corporativas ser perdido ou roubado. nestes casos, a ferramenta consegue localizar o dispositivo e apagar seus dados remotamente, ressalta Canole.

    Este site seguro?Do outro lado das telas de computa-dores, notebooks e at celulares, po-tenciais clientes recebem propostas a todo momento para comprar, com um clique, produtos e servios. mas como se proteger de eventuais transtornos? mesmo seguindo quase todas as re-

    comendaes, ana maria Domingues, professora da unesp, teve problemas ao comprar um notebook anunciado por um preo bem mais baixo que o

    normal. ela encontrou boas avaliaes e ligou para o telefone anunciado no site, buscando obter mais in-formaes. fui atendida com muita eficincia pela vendedora Cludia. Diante disso, concretizei a compra por telefone mesmo. as coisas foram diferentes na hora da entrega. Depois de semanas tentando contato para esclarecer o atraso, a loja lhe props duas op-es: pagar um adicional de 45% do valor ou ter o dinhei-ro de volta. ela no aceitou nenhuma das alternativas e levou o caso para a justia. embora tenha ganhado a cau-sa em novembro de 2009, ainda no conseguiu receber nada: os condenados, simplesmente no foram encontrados. mesmo depois de ter problemas,

    ana maria continuou comprando pela

    EM CASO DE SUSPEITA DE INvASO, A

    EMPRESA DEvE FAzER UM LEvANTAMENTO das informaEs quE prEcisam sEr

    prEsErvadas

    32 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

  • internet, assim como eli. a pesquisa da fecomercio revela que 66% das v-timas de delitos virtuais continuam realizando transaes normalmente. pra cada coisa errada feita na in-ternet, quantas outras boas no so feitas?, lembra Wanderson Castilho, diretor da e-net security e perito em crimes digitais. se no d para abrir mo da como-

    didade do e-commerce, com alguns cuidados possvel diminuir o risco de ser a prxima vtima. alm de ter um computador protegido, informao e desconfiana ainda so as melhores armas para se proteger desses tipos de golpes. pesquisar fundamental. quando um internauta lesado, a primeira coisa que ele faz colocar a boca no trombone, em blogs, fruns, comunidades e sites voltados para este fim, diz Castilho.alm dos crimes propriamente di-

    tos, h os desacordos comerciais. para estes casos, desde outubro, o procon disponibiliza um servio online para registro de ocorrncias e faz a inter-mediao entre consumidor e pres-tador de servio, que tambm pode responder por meio eletrnico. fecha-mos parcerias com os principais sites reclamados para encaminhar direta-mente as reclamaes a eles, conta o diretor-executivo do procon, roberto pfeiffer. Com este fluxo estabelecido, fica mais fcil garantir respostas para problemas como atraso na entrega ou recusa de ressarcimento, duas das queixas mais comuns.

    O AUMENTO DO USO CORPORATIvO DE SMARTPhONES E OUTROS DISPOSITIvOS MvEIS tambm ExigE novas formas dE protEo

    Antonio Gesteira, da Price: Roubo, acesso a dados de consumidores e espionagem esto entre os principais crimes

    ainda de acordo com o diretor-executivo, o nmero de queixas re-ferentes ao comrcio eletrnico teve aumento de mais de 40% no pri-meiro semestre do ano: foram 2.737 cadastros, contra 1.858 no segundo semestre de 2009. setenta e cinco por cento das notificaes tiveram soluo, contabiliza o diretor.

    Caa s bruxaso perito Castilho considera que todo crime virtual rastrevel. Cada vez que dois computadores se comuni-cam, a conexo fica registrada nos dois pCs. para encontrar o criador de uma loja irregular na internet, por exemplo, primeiro preciso levantar

    >Concorrendo com a pirataria, 60% das locadoras fecharam em cinco anos

    Vtimas indiretas da pirataria de filmes facilitada pela internet, mais de duas mil videolocadoras fecharam as portas no Estado de So Paulo desde 2005, o que representa 60% das lojas. De acordo com Luciano Tadeu, presidente do Sindicato Paulista das Videolocadoras (Sindemvdeo), foram perdidos mais de sete mil postos de trabalho. Hoje, cerca de duas mil unidades continuam funcionando no Estado.De acordo com especialistas, tanto quem posta quanto quem baixa contedos protegidos por direitos autorais poderia ser encontrado e processado, mas isto dificilmente feito pelas partes prejudicadas. Os custos no compensam financeiramente, s nos casos de sites muito acessados, ressalta o professor Leonardi. As grandes produtoras preferem investir em mecanismos para retirar o contedo da rede o mais rpido possvel. Tadeu avalia que a crise do segmento se intensificou aps 2007, quando operadoras de TV paga tambm passaram a oferecer acesso internet no Brasil em larga escala. Ele acredita que o cenrio deve melhorar a partir de 2011, com o aumento da presena de filmes em Blue-Ray e em 3D. Outra novidade da tecnologia que promete ajudar a reerguer o setor o aluguel de filmes pela internet. Tratam-se de novos canais de distribuio, que vm para fortalecer o servio. Sempre que algum v anncios de locao online ou usa o pay-per-view, acaba lembrando-se das videolocadoras, comemora o presidente do Sindemvdeo.

    dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 33

  • tecnologia

    quem hospeda o site e o endereo de ip do usurio contraventor. estes cdigos identificam cada aparelho conectado na rede. Com este nmero em mos, os provedores informam, mediante ordem judicial, quem estava por trs da conexo, j que preciso informar endereo e o nmero do Cpf para ad-quirir um pacote de acesso banda larga.no entanto, no existe hoje nenhu-

    ma regra oficial que determine como e por quanto tempo estes registros de acesso devem ser guardados pe-las operadoras. ao entrar com uma ao, h uma incerteza se os dados sero obtidos. o provedor pode sim-plesmente dizer que no tem mais as informaes, lamenta marcel leonardi, advogado e professor de direito digital. h ainda outra questo: identificar

    um ponto de acesso pode no ser sufi-ciente. o acusado pode dizer: a cone-xo minha, mas no fui eu, pondera leonardi. um hacker profissional ir usar um computador de fora de casa. pode ir a uma lan house com docu-mento falso ou aproveitar um lugar que tenha rede wi-fi aberta, explica.Dois projetos de lei em avaliao

    procuram estabelecer regras nacio-nais e definir responsabilidades sobre o contedo da rede e as informaes de seus usurios. o primeiro data de 1999 (pl 84/99), tem uma abordagem mais penal e transforma em crimes passveis de priso atos como acessar bancos de dados sem autorizao ou transferir arquivos protegidos por di-reitos autorais. Com o apelido de lei azeredo, o pl 84/99 tipifica os crimes eletrnicos e passou em todas as co-misses da Cmara. agora, aguarda votao em plenrio. Caso aprovado, segue para sano presidencial. De acordo com o vice-presidente

    do Conselho superior de tecnologia da informao da fecomercio, rony vainzof, no mbito penal necessrio a tipificao dos crimes de profuso de cdigo maliciosa e de invaso de domiclios eletrnicos, na forma do-losa, alm de um aumento de pena para os crimes contra honra e de

    DOIS PROJETOS DE LEI qUE ESTABELECEM rEgras nacionais E dEfinEm rEsponsabilidadEs Esto Em avaliao

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  • concorrncia desleal praticados nos meios eletrnicos, porque hoje, ape-sar de j serem considerados crimes, a pena prevista muito baixa, explica. Dessas necessidades, o pl j inclui os ataques praticados por crackers, em especial as invases e disseminao de cdigos maliciosos (os vrus).paralelamente, est em anlise pelo

    poder executivo o marco Civil da in-ternet, cujo texto foi discutido em consulta pblica, em uma iniciativa do ministrio da justia. a expecta-tiva que ele chegue Cmara dos Deputados ainda neste ano. a propos-ta estabelece direitos e responsabili-dades para internautas, prestadores de servio e governo, com uma abor-dagem civil. embora tenha nascido justamente como um contraponto chamada lei azeredo, o projeto de lei nunca deixou de tramitar no Con-gresso e, agora, ambos podero ter andamento concomitantemente. in-dependentemente da aprovao de um ou de outro projeto, o importante que os criminosos cibernticos con-tinuem sendo punidos e, para isso, de suma importncia a preservao dos registros eletrnicos utilizados nas prticas ilcitas, explica vainzof. nos dois projetos, est previsto prazo

    para a preservao dos registros de conexes por parte dos provedores e a atribuio de responsabilidades pelos contedos digitais. vainzof alerta, no entanto, que alguns ajustes precisam ser feitos nos textos.

    redes de intrigasalm das tentativas de tirar dinhei-ro das empresas e consumidores, h tambm os ataques com o objetivo de difamar ex-parceiros e desafetos. so pessoas que foram ofendidas em redes sociais ou tiveram fotos ntimas distribudas via e-mail, por exemplo. nestes casos, ainda mais complica-do apurar responsabilidades, pois h um debate sobre a responsabilidade da empresa que disponibiliza a fer-ramenta de postagem e armazena o contedo. o google, por exemplo, foi condenado recentemente a pagar multa de r$ 200 mil por no ter tirado do ar perfis falsos do piloto rubens Barrichello no site de relacionamento orkut. monitorar tudo que postado pelos usurios de ferramentas como blogs, orkut e twitter humanamen-te impossvel. s o Youtube recebe 24 horas de novos vdeos a cada minuto. para encontrar e remover problemas especficos, como cenas de sexo, pe-dofilia ou extrema violncia, existem filtros automatizados. Contudo, criar um sistema que saiba a diferena en-tre brincadeira e calnia algo mais complicado. se em vrios casos at a justia tem dvidas, como os prove-dores vo julgar se algo ilegal ou no s de olhar?, questiona leonardi.

    >box deserviosPrincipais crimes eletrnicos: acesso e roubo de dados pessoais de funcionrios e clientes; violao de direitos autorais; roubo de novos projetos (espionagem industrial); interrupo do funcionamento de sistemas e redes.

    Como as empresas podem se proteger: estabelecer polticas de segurana da informao; treinar os funcionrios para que tal poltica seja praticada; contar com softwares capazes no s de impedir ataques, mas tambm de registrar e rastrear tentativas de invaso; proteger a estrutura fsica, impedindo o acesso a HDs e servidores; exigir que terceiros (fornecedores ou parceiros) sigam as mesmas regras de segurana da empresa quando utilizarem-se do sistema da mesma; proteger a rede de acesso wi-fi, mesmo quando a conexo for oferecida aos clientes.

    Como os consumidores podem se proteger: manter sempre um antivrus ativo e atualizado no computador; ter cuidado com e-mails que oferecem grandes vantagens ou alertam para problemas com a justia ou com bancos. No clicar em nenhum link da mensagem. Em caso de dvida, acessar diretamente o site da loja ou da instituio; investigar a procedncia da empresa em comunidades de redes sociais online, blogs ou sites de reclamaes; verificar se o site possui um cadeado na parte inferior da tela, antes de informar dados pessoais; registrar os dados da compra, como o nmero do pedido.

    Se voc for vtima: procure a delegacia especializada em crimes eletrnicos, pelo e-mail [email protected], telefone (11) 2221-7030 ou pessoalmente, na Av. Zaki Narchi, 152, Carandiru, So Paulo/SP.

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  • 36 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    voc compra um celular hoje e, em menos de um ano, ele j est defasa-do. novos modelos, com mais facilidades, servi-os e tecnologias estimulam a compra de um novo aparelho. mas e o velho, para onde vai? nessa questo que incide um dos

    grandes desafios da modernidade. enquanto as respostas ideais esto distantes da prtica cotidiana, o Brasil figura entre os campees mundiais de gerao de lixo eletrnico. a concluso

    de um levantamento da organiza-o das naes unidas (onu) que aponta o pas como o maior produ-tor de resduos eletrnicos per capita entre os pases em desenvolvimen-to. anualmente, so descartadas no

    territrio nacional 96,8 mil toneladas de computadores, ou meio quilo por habitante. o Brasil tambm um dos lderes entre os pases emergentes no descarte de geladeiras, telefones celulares, pilhas, tvs e impressoras, entre outros produtos. os nmeros foram levantados pelo programa da onu para o meio ambiente (pnuma) e divulgados em fevereiro deste ano. pelo levantamento, no mundo todo

    so produzidas cerca de 40 milhes de toneladas de lixo eletrnico por ano. as naes mais desenvolvidas (europa e

    amrica do norte) respondem pela maior parte desse descarte, mas a grande preocupao da onu com a exploso de consumo nos pases em desenvolvimento e a falta de tcnicas adequadas do ponto de vista ambiental

    sustentabilidade Por MarCus loPes

    logstiCa reversa une segmentos para atenDer s exignCias Da poltiCa naCional De resDuos sliDos

    reaO em cadeia

    CERCA DE 40 MILhES DE TONELADAS DE LIxO ELETRNICO SO DESCARTADAS POR ANO, EM TODO O MUNDO, sEgundo dados da onu

    para lidar com esse tipo de material em locais como Brasil, mxico, China e ndia. por aqui, a nova poltica nacional de

    resduos slidos (pnrs), instituda em 2 de agosto, aps 20 anos em debate, promete mudanas nesse cenrio. a nova lei ser um marco regulatrio na questo do tratamento do lixo no Brasil. at ento, a questo era tratada apenas por leis estaduais e municipais e resolues do Conselho nacional do meio ambiente (Cona-ma). mas, conforme explica paulo ro-berto leite, professor de logstica da

    universidade mackenzie e presidente do Conselho de logstica reversa do Brasil (ClrB), foram essas diversas leis espalhadas pelo Brasil que acabaram, depois de certo tempo, redundando na legislao diretiva que o pnrs.

  • dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 37

  • 38 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    sustentabilidade

    COM A REGULAMENTAO DA LEI, DEvER hAvER UMA GESTO COMPARTILhADA DOS RESDUOS SLIDOS, EntrE todos os mEmbros da cadEia produtiva

    entre as novidades, a principal a chamada logstica reversa, em que toda a cadeia de produo respon-svel pela reciclagem e o acondicio-namento dos resduos no-aprovei-tveis de maneira ambientalmente correta. o professor paulo roberto explica que a logstica reversa inclui o ps-venda, que est diretamente envolvido com o retorno de produ-tos que ainda no foram utilizados, como encaminhamento assistncia tcnica e devolues. nesses casos, a indstria se envolve fortemente, porque esto ligados imagem da empresa e satisfao e fidelizao dos clientes, diz ele. o grande desa-fio na logstica ps-consumo, que envolve duas categorias de produtos: os que retornam naturalmente ao mercado estes sem grandes pro-blemas, j que h rentabilidade e os que no tm um retorno natural. estes sim tm merecido no mundo todo um tratamento legislativo para estimular fatores de modificao de mercado, afirma paulo, que d como exemplo os pneus. antes, ningum os queria. aps uma legislao bem feita, organizou-se o retorno desse produto, ainda com uma eficincia razovel. porm, o mais importante, que est se modificando totalmen-te o mercado e o produto passa a ter valor de posse, conclui.

    Ronam Hudson, diretor da Jadlog: 20% de aumento nas encomendas aps a lei vigorar

    no que diz respeito aos eletrnicos (categoria que inclui desde uma lm-pada at um computador, passando por baterias, celulares e eletrodoms-ticos), a indstria dever desenvolver um sistema de recolhimento dos res-duos independentemente dos servios de limpeza pblica, conforme orde-nam os incisos ii e vi do artigo 33 da lei.na prtica, devero ser desenvolvi-

    dos mecanismos como os postos de recolhimento de pilhas e baterias de telefone celular, que j existem atual-mente em supermercados e lojas de operadoras de telefonia celular.os detalhes de como deve fun-

    cionar a logstica reversa s sero conhecidos aps a regulamentao da lei. mas o governo federal adian-ta que pretende discutir junto com as cmaras setoriais como deve ser implementado o sistema nos mais diversos setores da indstria e do comrcio. a logstica reversa vai definir como o produto volta para a cadeia produtiva para ser reciclado.

    os empresrios vo ter de se reunir, em cadeia, para discutir um projeto de como isso ser feito e apresentar ao governo para ser aprovado, explica srgio gonalves, diretor do Departa-mento de ambiente urbano do minis-trio do meio ambiente.a responsabilidade pela logstica re-

    versa, salienta gonalves, vai recair so-bre todas as etapas da cadeia produti-va, desde o produtor da matria-prima at o consumidor final, passando pelo varejo. a ideia que haja uma gesto compartilhada dos resduos slidos, explica gonalves, lembrando que a reciclagem representa um enorme potencial econmico. Cerca de r$ 8 bilhes por ano so desperdiados por causa do no aproveitamento do material reciclvel, diz.a pnrs tambm prev novas res-

    ponsabilidades para os estados e municpios, que so os titulares dos servios de limpeza pblica. um dos artigos mais importantes o que de-termina a extino dos lixes at 2014.

  • dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 39

    uma tarefa difcil, j que, segundo estimativas do prprio governo fede-ral, mais da metade dos cinco mil mu-nicpios brasileiros ainda depositam seus dejetos em lixes a cu aberto, sem qualquer tipo de tratamento. De acordo com a Diviso tcnica de

    aterros sanitrios do Departamento de limpeza urbana da prefeitura de so paulo (limpurb), atualmente menos de 1% das 10 mil toneladas de lixo produ-zidas por dia na cidade so recolhidos pela coleta seletiva. um verdadeiro des-perdcio, segundo avaliao da Cetesb, que demonstra que 90% das 170 mil to-neladas de lixo produzidas diariamente no Brasil poderiam ser tratadas para produzir energia eltrica ou a vapor, o que diminuiria a utilizao dos aterros.

    OS GOvERNOS ESTADUAIS E AS

    PREFEITURAS TERO qUE APRESENTAR um

    plano dE gEsto intEgrada

    Sussumu Honda, presidente da Abras: A logstica reversa deve envolver toda a cadeia de produo

    > Propostas para o sistema de gerenciamento integrado de resduos slidos urbanos

    Esfera municipalPlano municipal de coleta seletiva elaborado com os diagnsticos que o Poder Pblico tem em mos, que considera a falta de espao para as estaes de triagem e a dificuldade de organizao das cooperativas de trabalhadores. Dever contemplar, ainda, o aditamento dos contratos com as concessionrias dos servios de coleta para a priorizao de coleta seletiva e a adequao do caminho para realizao de tal servio.Credenciamento de cooperativas de catadores legalmente constitudas criao de um cadastro, com apoio de Universidades, para controle e aperfeioamento, contendo dados das cooperativas de catadores legalizadas, com acesso ao setor empresarial, para que se possa fazer o direcionamento do material recolhido pelo servio pblico de coleta e dos produtos cujo recolhimento, via logstica reversa, passou a ser obrigatrio. A FGV/SP, por exemplo, j possui um Centro de Apoio s Cooperativas de Catadores e detm importantes informaes sobre o setor.Conjunto de campanhas de conscientizao divulgar a relevncia da temtica, por meio de comunicao via portal, carn do IPTU, publicao em boletos de gua, luz (em parceria com as concessionrias estaduais) e folders para distribuio/afixao em prdios pblicos, entre outros.

    Esfera estadualReduo da base de clculo do ICMS para produtos reciclados concesso de benefcio fiscal especfico, conforme cadastro/procedimento prvio a ser analisado pela Secretaria da Fazenda Estadual, para que os preos finais dos produtos sejam competitivos, incentivando o setor da reciclagem. O benefcio poderia ser concedido por tipo de produto especfico (plstico, por exemplo), ou para diversos (papel, madeira, vidro etc). Neste ltimo caso, com a exigncia de comprovao de procedimento efetivo de reciclagem, nos termos do conceito previsto na Lei da PNRS.

    Esfera federalReduo de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) raciocnio idntico ao do item anterior, mas com a vantagem de ser uma operao mais simples e de alcance nacional, evitando eventuais aes de disputa fiscal entre os Estados.Criao de linhas de crdito especficas j regulamentada, condicionada e vinculada a fontes de recursos especficos, com facilidades em termos de juros e prazos. O objetivo viabilizar a adequao dos negcios lei e, ainda, estimular o surgimento de um mercado que seja inclusivo socialmente e rentvel financeiramente.

  • 40 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    os governos estaduais e as prefei-turas tambm so obrigados a apre-sentar, at 2012, um plano de gesto integrada de tratamento dos resduos slidos. para execuo do plano, que in-clui a construo de aterros sanitrios e programas de reciclagem e de educa-o ambiental, entre outras medidas, o governo federal promete destinar s prefeituras cerca de r$ 1,5 bilho em 2011. Desse total, r$ 1 bilho ser liberado por meio dos ministrios das Cidades e do meio ambiente. os outros r$ 500 milhes devem ser financiados pela Caixa econmica federal.enquanto aguardam a regulamen-

    tao, as empresas j se preparam para a aplicao da nova lei. algu-mas delas procuram se antecipar s obrigaes com aes para diminuir a quantidade de resduos eletrnicos depositados de maneira incorreta. j estamos trabalhando h mais de quatro anos com a logstica reversa

    e a reciclagem. hoje, j fazemos de maneira voluntria alguns pontos que a lei exige, afirma Cintia gates, gerente de cumprimento ambiental da Dell Computadores. segundo ela, so realizadas auditorias mensais nas empresas terceirizadas pela multina-cional para evitar o descarte irregular de resduos.para maria Claudia souza, diretora

    de relaes governamentais da Dell para o Brasil, um dos grandes proble-mas que deve ser discutido entre o setor e o governo federal o lixo ele-trnico oriundo de aparelhos contra-bandeados ou pirateados. na dcada de 1990, o Brasil foi invadido por esse tipo de material. Como o governo vai lidar com isso?, indaga.

    >varejo no setor do varejo, a grande preocupa-o com a responsabilidade compar-tilhada, para que o comrcio no seja prejudicado pelo fato de ser a ltima etapa antes do consumidor final. a logstica reversa deve envolver toda a cadeia de produo. no apenas o setor de varejo que deve arcar com os custos dessa logstica, alerta sussu-mu honda, presidente da associao Brasileira de supermercados (abras).segundo ele, para a pnrs funcio-

    nar, necessria a sintonia entre a iniciativa privada e o poder pblico, em especial os municpios, titulares dos servios de limpeza pblica. fundamental que os municpios te-nham programas de coleta seletiva eficientes. assim como h verbas obri-gatrias destinadas para a educao, poderia haver para os servios de co-leta seletiva, sugere honda.a poltica nacional de resduos s-

    lidos tambm aumentou as expec-tativas nas empresas de transporte e logstica, que esperam aumento no faturamento com as novas exi-gncias legais em relao ao lixo. na jadlog, o volume de encomendas deve aumentar em pelo menos 20% a partir do momento em que a lei for regulamentada. atualmente, a em-presa transporta cerca de 500 mil encomendas na chamada logstica reversa por ano, sendo que a maior parte composta por produtos de in-formtica, eletrodomsticos, baterias de celulares e pilhas. nossa expectativa grande. todas

    as empresas tero de rever sua logs-tica, explica ronam hudson, diretor da empresa que atende, entre outros

    clientes, o grupo po de acar, ame-ricanas, submarino e a livraria saraiva. estamos nos preparando para aten-der a demanda das empresas que pre-cisam retirar os aparelhos das lojas ou residncias e transport-los para os locais adequados para o seu descarte ou reciclagem, completa hudson. as mudanas tambm devero

    aprimorar as tecnologias utilizadas na elaborao do projeto e monta-gem dos produtos, conforme explica nestor Kenji Yoshikaha, pesquisador do instituto de pesquisas tecnolgi-cas (ipt). segundo ele, as indstrias costumam analisar o ciclo de vida de um produto desde a matria-prima at o descarte final, que um aterro sanitrio ou lixo. nessa linha, os pro-dutores j devem se preocupar com o lixo desde a elaborao do projeto do produto. Desde que um computador est sendo montado, os engenheiros j esto pensando nele sendo desmonta-do depois, para a reciclagem e acondi-cionamento final nos aterros, explica.para isso a lei estabelece, de forma

    ampla e sem muitos detalhes, linhas de crdito para incentivar as empre-sas dos setores envolvidos no desen-volvimento de produtos com baixos impactos. alm, claro, da preveno e reduo de gerao de resduos, implantao de infraestrutura, de-senvolvimento de projetos de gesto, estruturao de coleta seletiva e da logstica reversa, descontaminao, desenvolvimento de pesquisas e sis-temas de gesto.

    AS MUDANAS DEvERO MELhORAR TAMBM AS tEcnologias utilizadas na Elaborao

    E montagEm dos produtos

    Nestor Kenji Yoshikaha,

    do Instituto de Pesquisas Tecnolgicas

    sustentabilidade

  • inovao Por Yara verniCa Ferreira

    experincia embalada para presenteinspiraDa nos vale-presentes, a nova tenDnCia em servios, vinDa Da europa, proporCionar um momento espeCial a quem se quer agraDar

  • dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 43

    otimistas com a movimEntao dEssE novo nicho, EMPRESAS DO SETOR ESTIMAM CRESCIMENTO ACIMA DE 100% AO ANO

    uem no gostaria de proporcionar momen-tos de alegria inesque-cveis a algum? ou ser o privilegiado a desfrutar um delicioso

    jantar preparado por um renomado chef, ou quem sabe relaxar durante uma massagem com leos quentes, voar de balo, saltar de paraquedas e ter muitos outros prazeres inusi-tados? pois h um novo negcio no mercado que oferece tudo isso, tem movimentado a europa e vem ga-nhando cada vez mais espao no Brasil: a experincia como presente.a estimativa que essa nova forma

    de presentear tenha movimentado 300 milhes de euros na frana, se-gundo a ufC que Choisir, uma asso-ciao de consumidores da europa ocidental, criada em 1951. no Brasil, por ser um nicho de negcios recen-te, ainda no h histrico para uma anlise mercadolgica consistente, diz joo vianna, diretor da smartbox, lder e pioneira do mercado europeu. ainda assim, ele acredita que o fatura-mento do setor venha duplicando ano a ano. jorge nahas, Ceo da o melhor da vida, faz uma projeo de mercado com base no volume de vendas da sua empresa e na estimativa do que as concorrentes movimentam. acredito que vendemos, juntas, cerca de r$ 20 milhes a r$ 30 milhes. para 2015, imagino que possamos chegar nos r$ 450 milhes, diz, otimista. Cristina reis, diretora geral da a

    vida bela, v o futuro ainda mais colorido. De forma genrica, ela es-tima que o mercado brasileiro de

    experincia como presente cresa cerca de 200% ao ano, at 2012. an-dre susskind, scio-diretor da viva! experincias, no arrisca uma proje-o, mas conta que apenas nos trs primeiros meses de operao, o que pensava alcanar em termos de fatu-ramento foi, na realidade, dez vezes maior. em 2010, as expectativas de-vem ser novamente superadas. no incio do ano prevamos vender 20 mil caixas de experincias. mas no fim do primeiro semestre, j tnhamos atingido 50% dessa estimativa. Con-siderando que no segundo semestre temos datas muito representativas, como o natal, a estimativa deve ser superada, conta.o natal, sem dvidas, a melhor

    data para as vendas dos presentes. mas o Dia das mes e dos namo-rados no ficam por menos. em a vida bela, os kits de spa so os mais procurados, aparecendo como fortes concorrentes tambm os kits de hotelaria e de aventura. Devido agitao do nosso cotidiano, todas as experincias que englobam na sua essncia as vertentes relaxamento e bem-estar esto sendo super requi-sitadas., explica Cristina. a procura por esses produtos tambm pode es-tar relacionada ao perfil do pblico, afinal, 65% dos clientes da empresa so mulheres. j na viva! experincias, uma das

    linhas que mais sai a de degustao. nessa categoria, disputam o primeiro lugar o bacalhau e a cerveja, mas os apaixonados por brigadeiros, vinhos e as famosas tapas espanholas no ficam por menos.

    q

  • 44 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    inovao

    histrico profissional: trabalhei numa empresa que buscava premiar seus funcionrios com esse tipo de brinde e no conseguamos parceiros. tudo isso fez com que o empresrio fosse pesquisar o assunto. muitas pessoas j esto no limite de satisfao com os bens materiais que possuem e dese-jam algo mais, explica. Desse algo mais, que se revela no

    dia a dia dessas empresas, Cristina tambm entende: o negcio trans-mitir emoes, oferecendo sensaes nicas, momentos inesquecveis e realizando sonhos, sempre materia-lizados em presentes. e se a alma do negcio a emo-

    o, nada melhor que se inspirar em uma bela histria de amor, como fez o portugus antnio quina. encantado com o personagem guido, do filme a vida bela, que usava a imaginao para que seu filho pequeno no vi-venciasse os terrores de um campo de concentrao, deu o mesmo nome do filme empresa, fundada em

    MUITAS PESSOAS J ESTO NO LIMITE DA SATISFAO COM OS BENS MATERIAIS qUE POSSUEM, E dEsEjam

    algo mais, diz andrE susskind

    >as origens difcil dizer de quem foi a ideia ori-ginal de oferecer experincias. o con-ceito da smartbox, por exemplo, foi difundido pelo francs pierre edouard strin, depois de conhecer o sistema de vale-presente criado pelos belgas Bru-no spaas e marc verhagen, da empresa turstica Weekendesk. strin adquiriu, ento, a licena do conceito criado pela Weekendesk e comeou seu prprio negcio na frana, em 2003.nahas conta que testemunhou o

    boom desse mercado na europa em 2002. estive na frana, vivi quatro anos na austrlia, visitei outros pases e pude acompanhar muitas empre-sas aproveitando esse tipo de pre-sente para motivar suas equipes ou

    fidelizar seus clientes, fora as pessoas que compravam no varejo. quando voltou ao Brasil, em 2005, lanou o melhor da vida, sendo pioneiro no mercado brasileiro. hoje, ele enfrenta a concorrncia da pioneira da europa, a smartbox, que entrou no Brasil no fi-nal de 2008; da a vida bela, que teve sua origem em portugal; e da brasi-leira viva! experincias, que tambm teve inspirao europeia.susskind,desta ltima, lembra que

    foram dois fatos coincidentes que o fizeram apostar no novo negcio. pri-meiro, um amigo francs comentou sobre essa febre que crescia na frana e em outros pases da europa. e, noi-te, vi uma reportagem na tv sobre o tema, relembra. havia ainda o prprio

  • dez/10 jan/11 Comrcio & Servios 45

    >administrando experincias

    portugal, em 2002, tendo aterrisado no Brasil em 2009.

    >Experincia como incentivoum pblico que descobriu e tem inves-tido nessa nova forma de presentear o mercado corporativo. no o melhor da vida, esse nmero chega a 80%. l, as opes de experincias perso-nalizadas, alm das 25 mil opes j formatadas, so o grande chamariz para este pblico. mas ele ainda criou um produto especfico para as empre-sas, o experience marketing. assim, aps cinco anos de atuao no Brasil, o melhor da vida deixou de fazer as 50 ligaes dirias, como estratgia de venda do incio. hoje, o mercado j reconhece a empresa e, graas s indi-caes, so fechados contratos anuais com clientes corporativos.ana lcia regueira, consultora de

    marketing da formaplas, fabricante especializada em solues de mveis planejados de alto padro, j utilizou a experience marketing. a ideia foi

    sair do lugar comum, criando formas diferentes e inovadoras de reconhe-cimento, premiao e incentivo, no apenas para a equipe comercial, mas tambm para nossos parceiros, que interferem diretamente nos resulta-dos da empresa, diz.o famoso boca a boca tambm foi

    decisivo no sucesso da viva! experi-ncias, conforme conta susskind. os presenteados tornam-se comprado-res e, assim, a cadeia de consumidores vai crescendo. em datas comemorati-vas, vendemos dez vezes mais caixas e, quando passam as comemoraes, o nmero de vendas nunca retorna ao que era.na viva! experincias, o pblico

    corporativo representa 60% do fa-turamento. ela oferece um servio exclusivo a esse mercado: caixas customizadas, personalizadas com a linguagem da marca da empresa. tambm disponibiliza um relatrio de como os funcionrios e parceiros aproveitaram a experincia. para

    O negcio um s: vender experincias como presentes. Mas a forma de atuao diversificada. As europeias A vida bela e Smartbox mantiveram o modelo operacional de suas matrizes, utilizando-se de parceiros locais. A primeira comercializa suas experincias em pontos de venda, que tambm desempenham o papel de divulgar o produto, enquanto a segunda utiliza tambm o e-commerce, assim como a Viva! Experincias, que j conta com 16 pontos de venda, devendo chegar a 25 at o final do ano. O Melhor da Vida, por sua vez, atende o varejo, exclusivamente, pelo site. Segundo Nahas, os contratos com os fornecedores proporcionam uma margem de entre 15% e 30% para a empresa. Essa variao depende muito do lucro da prpria prestadora de servio de cada experincia, explica o executivo.Enfim, esse nicho de mercado funciona como um agente duplo: para os clientes, ele busca prestadores de servios de qualidade, que possam oferecer uma experincia verdadeiramente especial; e aos prestadores de servios, ele faz um trabalho de divulgao, levando novos clientes a conhecer os servios oferecidos.

  • 46 Comrcio & Servios dez/10 jan/11

    o empresrio importante saber o perfil de seu funcionrio ou