Como se tornar um netweaver | Versão completa

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    03-Jul-2015
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Versão completa composta a partir de excertos do livro de Augusto de Franco (2011), Fluzz: vida humana e convivência social nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio

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  • 1. AUGUSTO DE FRANCOVida humana e convivncia social nos novosmundos altamente conectados do terceiro milnioCOMO SE TORNARUM NETWEAVER

2. 2 3. V ida huma na e c onvi v nc ia soc ia l nos no vos mundos altamente conectados do terceiro milnioCOMO SE TORNARUM NETWEAVER3 4. 4 5. 5 6. Fluzz: vida humana e convivncia social nos novos mundos altamenteconectados do terceiro milnio | COMO SE TORNAR UM NETWEAVERAugusto de Franco, 2012.Sem reviso. A verso preliminar digital integral desta obra disponvel emhttp://goo.gl/NA5xt foi entregue ao Domnio Pblico, editada com o seloEscola-de-Redes por deciso unilateral do autor.Domnio Pblico, neste caso, significa que no h, em relao a versodigital desta obra, nenhum direito reservado e protegido, a no ser o direitomoral de o autor ser reconhecido pela sua criao. permitida a suareproduo total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorizao prvia.Assim, a verso digital desta obra pode ser na sua forma original oumodificada copiada, impressa, editada, publicada e distribuda com finslucrativos (vendida) ou sem fins lucrativos. S no pode ser omitida aautoria da verso original.FRANCO, Augusto deFluzz: vida humana e convivncia social nos novos mundos altamenteconectados do terceiro milnio | COMO SE TORNAR UM NETWEAVER /Augusto de Franco. So Paulo: 2012.52 p. A4 (Escola de Redes; 5)1. Redes sociais. 2. Sociedade. 3. Escola de Redes. I. Ttulo.Escola-de-Redes uma rede de pessoas dedicadas investigao sobreredes sociais e criao e transferncia de tecnologias de netweaving.http://escoladeredes.ning.com6 7. ApresentaoFLUZZ NASCEU A PARTIR DE REFLEXES INTERMITENTES do autordurante a ltima dcada. Talvez tenha surgido do espanto com apalavra Entidade, tal como foi usada com maiscula por JaneJacobs (1961), em Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas:As inter-relaes que permitem o funcionamento de um distritocomo uma Entidade no so nem vagas nem misteriosas. Consistemem relacionamentos vivos entre pessoas... Difcil saber agora, quasecinco anos aps sua morte, tudo que ela queria realmente dizer comEntidade (com maiscula) e relacionamentos vivos (que parece serdiferente de relacionamento entre vivos). De qualquer modo, isso foiinterpretado aqui como viver a convivncia. Quando vivemos nossaconvivncia (social) produzimos um novo tipo de vida (humana). Esta a idia bsica.Tal como as reflexes que o originaram, este um livro que serepete. Vrias partes repisam o que j foi dito em partes anteriores.Quem no est preparado para a redundncia pode ficar incomodadocom o estilo recursivo do texto. Uma explicao para isso, baseadano tipo de interao chamado cloning, est na Introduo intituladaTudo fluzz. Mas essa explicao, provavelmente, no ser suficientediante da cultura, ainda predominante, da escassez.Muitos tpicos inseridos aqui foram escritos com outros propsitos,em pocas e circunstncias diversas. Alguns, inclusive, j forampublicados como artigos autnomos ou fizeram parte de outros livrosdo autor. Isso tambm redundncia.Quando uma parte do material aqui contido foi escrita pela primeiravez, no havia surgido a idia de fluzz. Depois que tal idia surgiu,surgiu tambm a impresso de que tudo o que j estava escrito,havia sido escrito como prefigurao. Fluzz apenas consumou.A palavra fluzz nasceu de uma conversa informal do autor, no inciode 2010, com Marcelo Estraviz, sobre o Buzz do Google. O autor7 8. observava que Buzz no captava adequadamente o fluxo daconversao, argumentando que era necessrio criar outro tipo deplataforma (i-based e no p-based). Marcelo Estraviz respondeu coma interjeio fluzz, na ocasio mais como uma brincadeira, paratentar traduzir a idia de Buzz+fluxo. Ulteriormente a idia foidesenvolvida e recebeu outros significados, que no tm muito a vercom o programa mal-sucedido do Google, como se pode ver nestelivro.O livro original, publicado em formato digital no incio de 2011, foifragmentado em vrias partes autnomas, no estilo shortbook oubooklet (contendo em mdia, 20 mil palavras). Este o segundovolume da srie, intitulado Fluzz: como se tornar um netweaver. 8 9. SumrioApresentaoMentiras pregadas em nome da cincia | Os sobreviventes no soselecionados por seu sucesso evolutivoOs indicadores de sucesso | Destacar-se dos demais, triunfar, vencerna vida, subir ao pdio onde cabem apenas alguns poucosHubs | Qualquer iniciativa na rede social que no conte com seusprincipais hubs encontrar mais dificuldades para conversar com arede-meInovadores | Em mundos altamente conectados um inovador tambmtende a cumprir um papel social mais relevante do que o doscolecionadores de diplomasNetweavers | Todas as pessoas tm uma poro-netweaver. Se nofosse assim, no poderiam ser seres polticosNetweaver howto | H dez anos Eric Raymond concluiu a ltimaverso do seu H4ck3r Howto. Entrando em uma poca-fluzz, vamosprecisar de um N3tw34v3r HowtoEles j esto entre ns | Nos Highly Connected Worlds o que vale sosuas antenasNotas e referncias 9 10. 10 11. Como se tornar um netweaver Os hermticos iro perdendo terreno, ou se linkaro a outros hermticos e ento tudo bem.Os velhos iro perdendo o terreno.Ou se linkaro com outros velhos, s por prazer. Tudo isso est fluindoe para que mude o paradigma falta pouco. uma revoluo silenciosa e divertida.E sub-corporativa, deliciosamente catica, enredada, sinptica, no linear, no metdica. Marcelo Estraviz em A linkania e o religare (2001) Sem dvida, bebidas alcolicas, tabaco etc.so coisas que um santo deve evitar,mas santidade tambm algo que os seres humanos devem evitar.George Orwell em Reflexes sobre Gandhi (1948)11 12. A resilincia das velhas funes, agenciadoras de um tipo de mundo (erigido para exterminar outros mundos) que teima em no desaparecer, no est conseguindo impedir o surgimento de novos papis sociais que antecipam uma nova poca. Caminhando fora dos trilhos estabelecidos, emergem a cada dia novos atores do mundo glocalizado. Sim, eles j esto entre ns. No so conhecidos porquanto no so pessoas que ficaram famosas segundo o que at ento era considerado indicador de sucesso: pelo seu poder, pela sua riqueza ou pelo seu conhecimento atestado por ttulos. Quem so? Ora so os mltiplos annimos conectados, habitantes de uma diversidade incrvel de Highly Connected Worlds, que no foram produzidos por broadcasting. So como aquele personagem do romance Distraction de Bruce Sterling (1998) que, para se identificar, afirmou: No temos razes. Somos pessoas da rede. Temos antenas. Tais papis inditos que esto sendo produzidos pela (ou em) rede so tambm mltiplos. Por enquanto s conseguimos divisar alguns. Trs exemplos marcantes so os hubs, os inovadores e os netweavers.OS PRINCIPAIS INDICADORES DE SUCESSO do mundo hierrquico,no dealbar do sculo 21, ainda so a fama, o conhecimento atestadopor ttulos, a riqueza e o poder.A fama parece ser o principal indicador. Quem colecionou muitosdiplomas, acumulou riqueza ou conseguiu deter em suas mos algumpoder de mandar nos outros, no se sentir plenamente bem-12 13. sucedido se no for conhecido por muita gente ou, pelo menos, poruma parcela pondervel de seus pares.Como critrio de sucesso, a fama inquestionvel, indiscutvelmesmo. Se voc virou uma celebridade, sinal de que progrediu navida. Deixou de ser qualquer um. Destacou-se e continuar sendodestacado. Merecer tratamento especial aonde for. No entrar nafila. No receber senhas. O maitre logo lhe arranjar uma mesa,mesmo que o restaurante esteja lotado. No ficar aguardandoatendimento nos bancos das reparties pblicas ou nos sofs dasantesalas das organizaes. E todos o observaro com admirao,alguns deixaro escapar suspiros sua passagem, muitos ocumprimentaro como se o conhecessem de longa data; outros, maisafoitos, lhe pediro autgrafos ou imploraro sua licena para tiraruma foto ao seu lado.Mas a fama no necessariamente um prmio pelo talento e sim oresultado direto da exposio em algum meio de comunicaocentralizado, do tipo broadcasting (de mo nica, um-para-muitos).Qualquer pessoa que aparece regularmente na televiso (no importase apresentando um noticirio ou um programa de auditrio ouatuando em uma novela) fica famosa. Qualquer pessoa que atua comcerto protagonismo em um filme fica famosa. Qualquer pessoa queescreve durante algum tempo em um grande jornal ou revista ficafamosa.Artistas, desportistas e at cientistas s ficam famosos porque sotransmitidos por broadcasting (do contrrio ningum os reconheceriana rua). Mesmo os grandes teatros, estdios e auditrios deconferncias, nos quais um visto por muitos, j so uma forma debroadcasting (conquanto no permitam uma visualizao tomassiva).O mesmo ocorre com quem acumulou riqueza ou detm algum cargode poder. Mesmo estes fazem certo esforo financeiro para sair narevista Caras ou nas chamadas colunas sociais. Por qu? Ora, porqueesto fazendo sucesso, esto seguindo os conselhos da mame parase destacar dos demais. Encaram isso como um investimento, poisaprenderam desde pequenos que s possvel fazer negcios comerciais ou polticos a partir de relacionamentos ( isso que a13 14. ridcula literatura empresarial mais recente chama de networking).Aprenderam que preciso ser conhecido como algum que sedestacou dos demais para ser includo nos crculos derelacionamentos daqueles que se destacaram dos demais (porquetm fama, riqueza ou poder). Esto apenas pagando a jia, o preopara entrar no clube. E a partir da podem at ostentar algunsdistintivos dos bem-sucedidos, como fumar charutos e jogar golfe.Quando questionadas, as pessoas que acreditam nesse tipo de coisa e so muitas costumam dizer que a vida assim mesmo. umaluta. E que preciso vencer na vida: bah! A expresso,convenhamos, muito escrota: vencer quem? Por acaso estamos emuma guerra?O problema que estamos. E a, como se diz, tudo sacrificado emnome da vitria, a comear pela verdade. 14 15. Mentiras pregadas em nome da cinciaOs sobreviventes no so selecionados por seu sucesso evolutivoPARA DIFUNDIR A IDIA DE QUE A VIDA uma guerra permanenterecorre-se mentira. Para legitimar essa mentira alguns d