Compartilhar de Natal 2009

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Nesta edição, eu fiz o texto e montei os rascunhos dos desenhos para uma amiga minha, Julia Farias (http://www.flickr.com/photos/julia_dutra/).

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  • Igreja em Florianpolis, 12 de Dezembro de 2008

    CompartilharUm timo presente para

    um pssimo garotoUm conto sobre o Verdadeiro Presente de Natal

    Texto: Rogrio Moreira Jnior

    Ilustraes: Jlia Dutra Farias

    Reviso: Adelar Colussi e Cludio Cabral

    Compartilhar e Geladex Edio: Rogrinho. Superviso: Cabral e Adelar. Impresso: Pedro Ribeiro

    Mande seu aviso para geladex@gmail.com, ou fale com nossa equipe.

    Avisos

    Trabalho missionrio

    entre ndios pode ser

    restringido

    Reunies de final de ano. O presbitrio

    avisa que teremos reunies no horrio

    normal nos dias 28/12 e 4/01/09.

    Cesta bsica. No prximo final de sema-

    na recolheremos as cestas bsicas. Tam-

    bm sero recolhidas as cestas de final

    de ano. Cada grupo caseiro deve prepa-

    rar uma cesta de final de ano, de prefe-

    rncia sem bebida alcolica. Temos sido

    amplamente abenoados pelo Senhor

    em todas as coisas, e podemos comparti-

    lhar isto com outras pessoas. Participe!

    Mais informaes com o Otmar.

    Campanha de Brinquedos. Estamos

    recolhendo brinquedos e presentes para

    serem distribudos no Jardim Carolina

    durante as comemoraes do Natal.

    Faa suas doaes! Mais informaes

    com o Adelar.

    no Brasil J est na Casa Civil, aguardando a assi-

    natura do Presidente, mais um decreto

    de lei que restringe a entrada de missio-

    nrios, pesquisadores e ONGs em terras

    indgenas. Se assinado, pessoas fsicas e

    jurdicas que queiram desenvolver ativi-

    dades nas reservas indgenas tero que

    enviar ao Aqueles que j esto em rea

    tero 180 dias para submeter seus proje-

    tos a tais rgos e, possivelmente, tero

    que deixar a rea at sair a aprovao.

    Ore para que a vontade do Senhor se cum-

    pra, e que o trabalho no meio dos ndios

    no acabe.

    Aniversrios desta semana

    Marcelo Manoel Cabral

    Tel: 9960-7868

    24quarta

    23Tera

    Alana Pilger da Silva

    Tel: 9946-2315

    25quinta

    Valmocir Peanha Jr.

    Tel: 3248-2768

    26sexta

    Elias Mafra

    Tel: 3246-9930

    Gustavo Reitz Sperotto

    Tel: 3025-2884

    Daniel Martins (Itaja)

    Tel: (47) 3349-6700

    27sbado

    Valeska de Mello Azevedo

    Tel: 3207-7229

    Reunies de orao. Alguns homens da

    igreja esto se reunindo durante a sema-

    na para orar. Participe tambm!

    Na casa do Seu Elias, em Barreiros,

    nas teras s 6h30;

    Na casa do Joo Batista, tambm

    em Barreiros e nas teras s 6h30;

    Na casa do Pedro Henrique, na Car-

    voeira, quinta s 6h;

    Na casa do Sodr, quartas s 6h;

    Na casa do Luis do Abrao, teras

    s 6h30.

    Se os horrios so ruins para voc,

    chame os irmos que moram ou traba-

    lham perto de voc e se renam. impor-

    tante que a Igreja permanea orando,

    colocando diante de Deus os seus proble-

    mas, e descansando no poder dele.

  • s lmpadas da rvore acenderam

    rpido, iluminado os rostos sor-

    ridentes do povo que estava ao Aredor dela. Havia muitos presentes deba-

    ixo das folhas da rvore, alguns grandes

    e outros pequenos. Um homem gordo,

    de roupa vermelha, barba branca e cinto

    preto, chegou perto das multido, com

    os braos esticados.

    - H, H, H, feliz natal minha gente!

    As pessoas (centenas! milhares!) gri-

    taram de alegria. O motivo da festa esta-

    va escrito numa faixa pendurada entre

    dois postes velhos: Hoje vspera de

    Natal, dia de pessoas boas ganharem

    bons presentes.

    assim que os cidados daquele

    lugar comemoravam o dia 25 de dezem-

    bro. Durante todo o ano, tudo o que as

    pessoas faziam era anotado, e nada de

    bom ou de ruim era feito sem que fosse

    rabiscado em alguns caderninhos. No

    incio de dezembro, essas anotaes

    eram recolhidas e para cada pessoa era

    comprado um presente de natal. Quem

    fazia coisas boas (ajudava velhinhas a

    atravessar a rua, lia livros, plantava rvo-

    res, pagava as contas) ganhava timos

    presentes. Agora, quem aprontava (rou-

    bava balas, puxava o cabelo de meninas,

    batia em gatos), acabava tendo uma sur-

    presa ruim quando abria o pacote. A

    idia veio do prefeito, que achava que

    este tipo de comemorao ia tornar o

    povo da cidade mais amvel e melhor. E

    na verdade boa parte das pessoas ficou

    bem melhor. Menos Tlio.

    Ele tinha oito anos

    de idade e nunca havia

    ganho um bom pre-

    sente no natal ou

    seja, ele realmente era

    um garoto bastante

    mau. Seu apelido no

    colgio era Tuliopes-

    te, e era difcil o dia e

    que ele no roubava balas, puxava o cabe-

    lo das meninas ou batia em gatos. Tlio

    gargalhava quando fazia estas coisas

    mas quanto mais perto ficava do final do

    ano, mais triste ele ficava, porque j

    sabia que ia ganhar algum presente

    estragado, ou ento alguma coisa que

    fizesse todo mundo rir dele. Aos seis

    anos de idade, por exemplo, ele recebeu

    um carrinho de controle remoto. Era um

    carro bonito, vermelho, grande, e quase

    no cabia nas mos pequeninas do garo-

    to mas quando ele colocou o brinque-

    do no cho e apertou o boto para ligar,

    comeou a sair uma fumaa preta, o car-

    rinho acendeu uma luzes, fez um baru-

    lho agudo e depois quebrou. E todas as

    pessoas comearam a rir dele.

    Agora que voc sabe a histria de

    Tlio, no vai se impressionar se eu te

    falar que, no natal deste ano, o garoto

    estava sentado num canto, encostado

    numa parede, enquanto todo mundo

    esperava o homem-gordo-de-roupa-

    vermelha chamar seu nome.

    - E agora, vamos aos presentes. A pri-

    meira da lista a Patrcia. Vem c pegar

    seu presente, menina.

    Tlio no levantou a cabea, mas mes-

    mo olhando para o cho pode perceber

    que o presente da patrcia havia sido mui-

    to bom. Ele ouviu vrios assovios, e depo-

    is palmas, enquanto a menina, encabula-

    da, dizia obrigado, obrigado, eu me

    esforcei muito para ganhar isto! Obriga-

    do, obrigado!.

    - E o prximo da lista... vejamos... o

    Tlio! Vem c, garoto!

    Ele no foi. Continuou no seu lugar,

    fazendo desenhos com o dedo na poeira

    do cho da rua. Quando algumas pesso-

    as comearam a berrar Tliopeste, ele

    se levantou - e no foi para fazer uma

    boa ao.

    - Se falarem isto mais uma vez, vou ai

    e arrebento a cara de vocs!

    - Tlio, no seja assim Falou o

    homem-gordo-de-roupa-vermelha, com

    um sorriso debaixo da barba branca

    Venha c! Pela anotaes aqui, at que

    voc no foi mal neste ano.

    Aquilo era novidade para ele. Meio

    sem jeito, Tlio caminhou at perto do

    palanque em que o homem de vermelho

    estava. Enquanto isto, algumas pessoas

    vestidas de duendes traziam um pacote

    verde e grande para perto da rvore.

    - Tlio, este o seu presente. Suba

    aqui, e leve-0 para casa se conseguir.

    Os homens vestidos de duendes puxa-

    ram o garoto para cima do palanque. Ali

    encima, a caixa parecia ainda maior,

    assim como o nmero de pessoas na pra-

    a. At que eu no sou to ruim assim,

    mentiu Tlio para si mesmo, enquanto

    sorria e tentava abrir a caixa com o pre-

    sente.

    - como eu disse, Tulinho. Voc no

    foi mal este ano. Foi pssimo! - Disse o

    homem gordo, dando um chute na cai-

    xa. Ela balanou e caiu no cho. De den-

    tro dela saram vrias folhas de papel.

    - Seu presente neste ano uma caixa

    cheia de exerccios! - Disse o homem,

    com uma risada maldosa, colocando as

    duas mos sobre a barriga - Faa todos,

    e quem sabe no ano que vem voc ganha

    algo no to ruim!

    Tlio ficou p, fervendo de raiva,

    enquanto ouvias garalhadas vindas de

    todos os lados. Ele deu um chute nas

    folhas (fazendo algumas voarem), pulou

    do palanque e saiu correndo. S no cor-

    reu mais rpido porque escorregou

    numa poa d'gua o que fez a multido

    rir mais ainda. Alguns garotos da prime-

    ira fileira comearam a cantar Tlio-

    peste, tlio-peste, mas Tlio j no esta-

    va mais ali para ouvir.

    ***

    nquanto a praa aonde a rvore fica-

    va era barulhenta e iluminada, as Eruas ao redor eram silenciosas, vazias,

    desertas e escuras. Havia tambm pou-

    cos postes nestas ruas, e debaixo de

    um destes que Tlio estava sentado.

    - Eu odeio o natal Ele disse, entre

    uma lgrima e outra, e continuou por

    um bom tempo ali, chorando. Apesar de

    ter corrido at ficar cansado, ele ainda

    conseguia ouvir os aplausos e as cantori-

    as das pessoas nas praas. Cada um des-

    tes novos sons lhe incomodava, como se

    eles tivessem uma alegria que o garoto

    jamais poderia alcanar. Mesmo assim,

    ele continuava prestando a ateno, ten-

    tando adivinhar qual presente cada pes-

    soa tinha recebido. E prestou tanta aten-

    o nesses sons que no notou que

    algum vinha descendo pela mesma rua

    silenciosa.

    Este algum se chamava Godofredo,

    um senhor baixinho, que usava um

    cachecol xadrez em volta do pescoo,

    um chapu sobre a cabea e um par de

    culos pequenos equilibrados sobre o

    um nariz que no to pequeno assim.

    Ele caminhava um pouco encurvado,

    apoiado numa bengala, e quando che-

    gou perto do garoto, fez uma pergunta,

    com uma voz doce, mas rouca.

    - O que foi, garotinho? O que voc

    tem? - T