composi§£o cinema

download composi§£o cinema

of 25

  • date post

    06-Apr-2018
  • Category

    Documents

  • view

    221
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of composi§£o cinema

  • 8/3/2019 composio cinema

    1/25

    6.FILMAGEM: OPES CRIATIVASSe no filmo direito uma cena da maneira como a planejei, fao-o de

    novo at sair direito. s vezes, filmo uma cena quatro ou mais vezes. Nome contento com nada mais ou menos direito, pois sei que depois meodiarei por no haver refilmado no local e no momento.

    de The Professional Amateur Film por Kerry Levitt

    O cineasta, trabalhando com imagens e sons, tem quase o mesmo nmerode opes criativas que o pintor com tinta e espao, o compositor musical comsom e tempo, ou o escritor com palavras e idias. Quanto mais voc souber arespeito dessas opes, melhor poder comunicar-se pelo veculocinematogrfico. Este captulo trata de um grupo importante de opescinematogrficas: as opes da cena.

    OPES DA CENA

    Cena uma tomada, um pedao contnuo de filme exposto que registra umobjeto durante um nico perodo de funcionamento da cmara. A maioria dascenas, depois da montagem, tem durao de cinco a dez segundos. Existe muitacoisa muita mesmo que o cineasta pode dizer (revelar profundamente)durante aqueles cinco ou dez segundos.

    Enquadramento e composio

    Em primeiro lugar, o cineasta precisa decidir como preencher aqueleretngulo, mais largo do que alto, que v quando mira o assunto atravs dacmara. Enquadramento refere-se maneira como a cmara colocada emrelao ao assunto e ao fundo com que tamanho aparecer o objeto, se servisto de frente ou em ngulo, e quanto do fundo ser revelado. Enquadramento

    depende de movimento da cmara ou do objeto. Movimento significativodurante a cena pode mudar o enquadramento, para melhor ou para pior.

  • 8/3/2019 composio cinema

    2/25

    O fato que, geralmente, objeto e fundo devem ser enquadrados de algumamaneira sensata e propositada. O cineasta no apanha simplesmente a cmara ecomea a filmar; ele pe seu objeto no lugar e mira-o atravs da cmara, contraum fundo, de vrias distncias e ngulos, at o quadro parecer certo, at ter

    algum fundamento lgico. Algumas vezes, pelo menos. Na realidade, muitascenas so enquadradas sem grande trabalho: o cineasta simplesmente centralizao objeto a uma distncia ou ngulo apropriado e passa a ensaiar ou filmar. Seest filmando dois objetos, simplesmente os equilibra nas metades direita eesquerda do quadro. Muitas vezes, o fundo no tem grande importncia.Portanto, muitos enquadramentos so puramente funcionais, bvios e intuitivos;s ocasionalmente uma cena preparada com grande conscincia artstica. Comtoda probabilidade, o objetivo na maioria das cenas econmico e mais do queartstico. Muitos cineastas principiantes poderiam dizer (revelar) em suas cenasmais do que dizem. Por exemplo, em lugar de simplesmente centralizar o objetono quadro, o cineasta poderia propositadamente coloc-lo de um lado e utilizaro resto do espao para introduzir alguma coisa de importncia. Em um filmeintitulado Sada, o rosto pensativo de uma moa visto a pequena distncia,mas colocado do lado direito do quadro a fim de deixar espao para parte dacabea de um rapaz, visto de trs, na metade esquerda do quadro. Assim a cenano apenas revela a moa meditando, mas tambm o homem olhando a moameditar enquadramento econmico.

    Outra maneira como cineastas usam economicamente o quadro do filme para explorar profundidade. Objetos so colocados no primeiro plano, no planoamericano e no plano de fundo, mantendo alguma relao entre si. Filmagemem exterior especialmente oferece oportunidades para enquadrar objetos emprofundidade. Quando filma em interior, o cineasta muitas vezes no poderecuar sua cmara o suficiente para captar um campo de viso largo. Em lugarde enfileirar objetos da esquerda para a direita, o cineasta coloca-os a diferentesdistncias da cmara em linha mais ou menos reta e filma-os em nguloligeiramente oblquo para capt-los todos no quadro. Se pudesse observar umcineasta experiente preparando cenas, voc notaria como ele s vezes colocaobjetos com muito cuidado, movendo uma pessoa ou coisa alguns rigorososcentmetros de um lado para outro ou de trs para a frente, e como ele prpriotoma posio com sua cmara, talvez se curvando, deitando de bruo ou se

    Enquadramento em profundidade. A ao queabrange um grande territrio , apesar disso,contida no quadro pelo alinhamento dospersonagens a distncias diferentes de cmara.

  • 8/3/2019 composio cinema

    3/25

    pendurando sobre o cap de um carro tudo para enquadrar objetos e fundoeconomicamente. No em todas as cenas, naturalmente, mas em algumasimportantes.

    Quando o enquadramento se torna especialmente consciente no sentidoartstico, quando se esfora por alguma coisa alm de mera expresso

    econmica, quando tenta sugerir ou simbolizar idias abstratas atravs dainterao de formas, cores, linhas e texturas, ento passa a ser algo chamadocomposio. A matria toda de composio artstica poderia arrastar-nos paraguas muito profundas. Dizem, por exemplo, que objetos colocados contra umhorizonte alto com pouco cu visvel no quadro parecem oprimidos, enquantoobjetos colocados contra um horizonte baixo com muito cu parecem animadose dominadores. Pessoalmente sou ctico quanto a tais generalidades, e abordocomposio mais intuitivamente; penso que a maioria dos outros cineastas faz omesmo. Cineastas relacionam-se diferentemente com espao, massa e posio:

    alguns parecem ter genuno talento para composio artstica e provavelmentepoderia ser (ou so) bons pintores ou escultores; outros simplesmenteenquadram objetos de maneira funcional e econmica, sem convidar-nos a versignificao oculta no quadro. Eu acho que, para voc considerar ou no oquadro do filme como um pintor considera sua tela, depende de seu lastro e suadisposio. Enquadramento econmico, sim; composio artstica, talvez.

    Distncias da cmara

    Expresses comoprimeiro plano ouplano de detalhe eplano geral so to

    conhecidas nesta era consciente de cinema, que dificilmente precisarei defini-las. Considere, porm, se quiser, os efeitos de filmar o objeto em distncias

    Crtica social instantnea de A Travessia . A pedestre,j diminuda pelo grande sinal de converso esquerda,est na iminncia de desaparecer atrs do caminhoque faz a volta. Massa, perspectiva, colocao emovimento, tudo tem potencial de comunicao.

    Artstico ou econmico? Talvez as duascoisas. A situao da moa acentuadade duas maneiras: ela parece presanocanto do quadro e o prprio quadro dominado por um fundo desolado.

  • 8/3/2019 composio cinema

    4/25

    diferentes. Personagens em plano geral so vistos da cabea aos ps (ou mesmomenores). Planos gerais servem a estes propsitos: a) estabelecem cenrios namente dos espectadores; b) mostram movimento geral andar, correr etc.; c)mostram pessoas em relao umas com as outras, em relao a coisas

    importantes e em relao a um cenrio. Planos gerais neste sentido so asgeneralidades da linguagem cinematogrfica. Primeiros planos ou planos dedetalhe parecem ter sido filmados muito mais perto dos objetos e so numerosasvezes usados para revelar expresses faciais e estados de esprito. So tambmvaliosos para destacar detalhes importantes mos segurando nervosamenteuma carta, a prpria carta e assim por diante. Mas no podem mostrarmovimento geral porque a coisa que se move foge do quadro muito depressa. Eresultam em cenas ruins para revelar cenrios e mostrar pessoas e coisas emrelaes recprocas.

    Planos americanos so muitas vezes planos conciliatrios: aproximam-seo suficiente para revelar alguns detalhes, mas no tanto, a ponto de excluircoisas ou pessoas de interesse secundrio ou aspectos significativos do cenrio.Ou, dizendo-se de maneira diferente, planos americanos recuam o suficientepara mostrar pessoas, coisas e cenrio em vrias relaes, mas no tanto, aponto de excluir detalhes importantes. Tipicamente, enquadram duas pessoas do

    joelho para cima em um cenrio: suficientemente perto para mostrar rostos, massuficientemente longe para manter o par dentro do quadro.

    O importante variar a distncia de suas cenas para atender a seuspropsitos. Um filme rodado quase inteiramente em planos gerais, teria falta deintimidade e de impresso de detalhe. Um filme rodado quase inteiramente emprimeiros planos (o que raramente feito) resultaria claustrofbico, esttico ecom falta de impresso de lugar. Mas isso depende realmente de seu filme. Seest explorando o cenrio ou lidando com seqncias de ao ou seqnciascmicas que dependem de movimento geral, voc provavelmente tomarnumerosos planos gerais. Mas se seu filme mais psicolgico do que fsicomais ntimo do que pblico, mais orientado para a personalidade do que paralugar ou ao, ento provavelmente precisar de numerosos primeiros planos.

    ngulos de cmara

    A maioria das cenas tomada da altura dos olhos. Mas h ocasies em quecenas em ngulo alto ou baixo podem servir-lhe melhor. Geralmente,personagens filmados de um ponto acima do nvel dos olhos parecem menoresou mais intimidados do que personagens filmados de frente. Personagensfilmados de baixo parecem mais altos, mais arrojados, mais dominadores.Filmar de ngulo baixo tambm lhe d oportunidade de jogar com fundos

    diferentes. Voc pode filmar um personagem contra nuvens ou cu, ou contragalhos de rvore. Pode faz-lo para obter um efeito animador (como nas cenas

  • 8/3/2019 composio cinema

    5/25

    do bbado em O Despertar) ou apenas porque no gosta do fundo que obteriase filmasse de frente.

    Cenas de ngulo baixo muitas vezes so usadas para mostrar personagens acurta distncia e cortar propositadamente sua cabea de modo a destacar alguma

    coisa no fundo. Se o personagem entra em uma cena vindo de trs da cmaracolocada mais ou menos no nvel do cho, s suas pernas e ps sero vistos aprincpio no quadro. medida que se distancia da cmara, seu corpo e suacabea aparecero gradualmente. Westerns usam freqentemente essa tcnicaem cenas nas quais algum puxa rapidamente o revlver: Um pistoleiro est nofundo extremo; o outro pisto