Conceito Antropometria

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1.Conceito Antropometria Aantropometriafoidefinidacomoacinciademedidadotamanho corporal (NASA, 1978). A antropometria um ramo das cincias biolgicas que temcomoobjetivooestudodoscaracteresmensurveisdamorfologia humana.ComodizSobral(l985)"omtodoantropomtricobaseia-sena mensuraosistemticaenaanlisequantitativadasvariaesdimensionais do corpo humano". O tamanho fsico de uma populao pode ser determinado atravs da mediodecomprimentos,profundidadesecircunfernciascorporais,eos resultadosobtidospodemserutilizadosparaaconcepodepostosde trabalho,equipamentoseprodutosquesirvamasdimensesdapopulao utilizadora. A antropometria divide-se em: (1)somatometriaqueconsistenaavaliaodasdimenses corporais do indivduo-(2)cefalometria que se ocupa do estudo dasmedidas dacabea do indivduo- (3)osteometriaquetemcomofinalidadeoestudodosossos cranianos- (4) pelvimetria que se ocupa das medidas plvicas-(4)odontometriaqueseocupadoestudodasdimensesdos dentes e das reas dentrias. 1.1Perspectiva histrica da antropometria. Naeraromanaaantropometriaeodesigneramconsideradoscomo relacionados. O terico e arquitecto romano Vitrvius argumentou que o design de edifcios devia ser baseado em certos princpios estticos pr-estabelecidos docorpohumano.Foideleosistemadeproporeshumanasmaisdetalhado quenoschegoudostemposclssicos.Vitrviosviaacinciadaspropores humanas como um principio fundamental na concepo.FoiprovavelmenteAlbrechtDrer(1471-1528)quemarcouoinicioda cinciaantropometria.Eletentoucategorizaradiversidadedetiposfsicos humanosdeacordocomumaobservaosistemticaemediodeumlargo nmerodepessoas.Noentanto,nesteperodorenascentistaateoriada estticapermaneciaamaisimportante.OdesenhodeLeonardodaVinci (1452-1519)noqual umhomemmostrado inscritodentrodeumquadradoe deumcirculoderivadirectamentedeVitruvios,eumadasimagensmais conhecidas. Acinciaantropomtricadesenvolveu-senosculoXXeprincpiodo sculo XX. Era o tempo onde eram feitas tentativas para subdividir e classificar araahumanadeacordocomasdimensesfsicas.Naltimapartedeste sculoofocotemincididonocrescimentohumanoeclassificaode caractersticasfsicas.Osavanostecnolgicoscomoasviagensespaciaise as actividades militares tm tambm requerido substanciais fontes de dado.

*Desenho de Leonardo da Vinci* 1.2Antropometria Sculo XX. A ESTATSTCA DO CORPO: ANTROPOLOGA FSCAE ANTROPOMETRANA ALVORADADO SCULO XX Nuno Lus Madureira Em 11 de Junho de 1902, uma mulher d entrada na cadeia da Relao da cidade do Porto. Tem 25 anos, solteira e sabe que no dia seguinte no vai estarnapraaavenderlegumesefrutasporquefoiapanhadaaroubar. Permanecesentada enquanto espera que a conduzam cela onde vai passar anoite.Oguardavembusc-la,masnoalevaparajuntodeoutrospresos, antesaconduznosentidooposto,abrindoaportadeumgabinete.Ldentro esto dois homens. Pelo aspecto e pelo vesturio, fcil perceber que no so guardas nem polcias. A mulher olha em volta horrorizada. As janelas, a todo o comprimentodaparede,soatravessadasporumaluminosidadeintensaque contrastacomorestodapriso.Omobiliriodasalaconstitudopor aparelhos e instrumentos que nunca tinha visto: uma espcie de tenaz formada porduasvaretasdeferroemformadesemicrculo;umabalanaquasedo tamanho de um homem; um espaldar trreo com uma hastecomprida cravada naextremidadeanterior,ondesevumasucessodenmerosepelaqual deslizaumapeademadeiraeferro;umsem-nmerodeoutrosobjectos desproporcionados e esquisitos. Um dos homens faz-lhe perguntas e preenche umformulriodepapel.Deseguida,ooutrolevanta-aeleva-aparajuntode umadasparedes.Vaiditandocoisas,enquantoapassapelosaparelhos: estatura:1,585metros;comprimentodosbraosabertosemcruz:1,530 metros;alturasentada oubusto:0,818metros;comprimentodaorelhadireita: 0,059metros;dedomdioesquerdo:0,103metros;dedomnimoesquerdo: 0,082metros;antebraoesquerdo:0,411metros;comprimentodop esquerdo:0,229metros.Depoisfazem-lheaindatrsmediesdiferentesda cabeaeanotamacordapeleedosolhos.Nofinal,oshomensparecem

satisfeitoseamulherestmenosreceosa,emborasesintaconfusae diminuda. Neste artigo procede-se anlise das diferentes tradies cientficas da antropometriaportuguesa,elucidandooaparecimentodeumaestatsticado corpo que permite, nos finais do sculo XX, fixar as imagens do criminoso-tipo, docriminoso-indviduoedocriminoso-grupo.Oconceitodeesvaziamento dos saberesdeseguidaintroduzidoparadarcontadomododeassimilao destesconhecimentos por parte do estado eda transformao de concepes tericasemprocedimentosutilitrioseburocrticos.Graasaesse esvaziamento dos saberes, a antropometria deixa de registar as diferenas dos criminosos para passar a descrever a igualdade civil dos cidados. Todos os presos que do entrada nas cadeias de Lisboa e do Porto, no princpio do sculo XX, passam por esta nova experincia. Algumas partes dos seus corpos so medidas com preciso milimtrica e os seus caracteres fsicos anotadoscomrigorcientfico,submetendo-se"aumexameque,porsua natureza,pareceseroufazbemdepenainfamanteecertamentemais repugnantequeaprpriacondenao(Vieira1904:70).Antropometriaa designao atribuda estatstica do corpo. Aadopodestatcnicacomomtododeidentificaocriminal apresentaumahistriacomplexaondesecruzamvriasinfluncias.Quando as autoridades decidem fazer da antropometria ummtodo oficial e obrigatrio nascadeiasportuguesashummanancialprviodeestudos,experinciase dados acumulados que garante a fiabilidade dos procedimentos, pois h muito queoscientistastestamecomparamresultadosdemensuraesdocorpo. Estamosassimperanteummomentosingulardatransposiodesaberes cientficos para tcnicas de vigilncia utilizadas pelo estadoparamelhorarocontrolosobrepopulaesperigosas,umtpico analisado por Michel Foucault sob a perspectiva das condies de emergncia deprticasdesaber-poder.Segundoesteautor,trata-sedepercebercomoa seguranaeavigilnciasetornamcomponentesfundamentaisda racionalidadedoestadocontemporneo,instaurandoumvnculoentrea construodosobjectosdacinciaeaconstruodosobjectosdegoverno (Foucault 1979 e 1991: 53-72). medidaquepassamosdasgrandesmudanashistricasparao sentidodosacontecimentosnareflexoenaacodosindivduos,arelao entreconhecimentoeadministraotorna-sepormmaisproblemtica.Neste artigo,interrogam-seasmodalidadesdeexercciodeambasasprticas, procurando mostrar, ao nvel das cincias antropomtricas, que a transposio desaberesparaalgicadoestadoenvolveoseuesvaziamento,a neutralizaodepressupostostericos,ocortecomvisesparticularesdo mundo e a reduo da actividade cientfica a rotinas burocrticas. ApIicao Antesdecomearemaseraplicadasaseresvivos,asmensuraes sistemticasdocorposofeitas,emPortugal,apartirdeexumaesde cadveres no mbito da arqueologia e no mbito da paleontologia. A fundao da Comisso de Trabalhos Geolgicos, no ano de 1857, aglutinando Pereira da Costa, Carlos Ribeiro, Nery Delgado e outros investigadores, com o contri- buto deestudiososestrangeiros,comoEmiledeCartailhac,constituiuoncleo impulsionador desta rea de estudos.

Na dcada de 1880, assiste-se a um surto de interesse por estes temas. Aacumulaodedadosantropomtricostendeaconcentrar-se progressivamenteemmediesdocrnio,consolidandoacraniometriacomo subespecializaodaantropologiafsica.Aanatomiadacabeatorna-seo objectoantropolgicoporexcelncia,poispermitedistinguirnitidamenteos diferentestiposhumanos,descobrirasanomaliasbiolgicasdasraase,at, revelargrandeslinhasdapsicologiatnica.Remontaprecisamenteaesta dcadaoaparecimentodeumconjuntodeestudossistemticosde craniometria,ondesedistinguemasinvestigaesdeSilvaAmado,Arruda Furtado,AurliodaCostaFerreiraeFerrazdeMacedo.Aclassemdica reivindicaque aantropologiafsicaestdentrodasuajurisdio,devendoser entendidacomoumprolongamentonaturaldaanatomiadescritivaeda osteologia.NasescolasmdicasdeLisboaedoPortodesenvolvem-se projectosenaUniversidadedeCoimbrainicia-seoensinodaantropologia geral com um programa que inclui a histria natural, associando a disciplina ao estudo das propriedades fsicas da espcie. Aideiadedescreverostraosmorfolgicosquedistinguemum determinadotipohumanodeoutro,atravsdemensuraesdetalhadasda cabea e dos ossos, torna-se a chave para compreender no s as origens do homem,masoprpriohomem.NasendadeautorescomoSaint-Hilairee PauloBroca,considera-sequeoscaracteresfsicossetransmitem relativamenteinalteradosatravsdotempoequeareconstituiodostipos humanos,comolastrodecruzamentosemestiagens,achavepara desvendarossegredosdahistrianatural.Oestudodosindivduosprocura abstrairasvariaesparticulareseapreenderostraosmaisgeraisdo agrupamentohumano,postulandoqueos"tiposnaturais,"tipostnicosou "raasconfiguramumamatrizbiolgicaestvel.Paradetectaressamatrizh quepartirdamediodoscaracteresfsicosindividuais,agregar estatisticamenteosresultados,apurarumaclassificaodaspopulaese seriar os agrupamentos humanos numa escala ordenada. Por esta via, no s sereconstituemoselosperdidoscomopassadocomoseabremasportas paraportugusBaslioFreire,nofundodetodaaexperinciaindividual "dormitamosresduosorganizadosdeexperinciasdegeraespassadas, "umsemnmerodeestratificaessedimentaressucessivas,cujavegetao irrompe por vezes superfcie (Freire 1889a: 180). Nomomentoemqueohomemcivilizadoprocuraagenealogiada espcie,aconstnciadostiposfsicosnaturais,aolongodahistria,introduz um elemento perturbador: a possibilidade de os caracteres dos selvagens, dos seresinferioresedoshomensatvicossobreviveremnasociedade contempornea.Adescobertadeumatalproximidadeinquietante.As classificaescomeamadargrandeatenoaostiposantropolgicos degenerados, isolando, segregando e exorcizando as mais diversas categorias demarginalidade.Afilognesepositivaredundanumaontognesealarmante. Esteramodesabersofreassimumforteimpulso paraestudarosseresvivos patolgicos, os delinquentes e os aberrantes. Tanto mais que o interesse pelos tipos antropolgicos anormais beneficia das potencialidades entretanto abertas nareacriminal,criandonovasoportunidadesdetrabalho,decarreiraede pesquisaparaosmdicos.NatransiodosculoXXparaosculoXX,os nomes de referncia e de maior projeco no estudo dos caracteres fsicos do povo portugus vo por isso prolongar sistematicamente os suas investigaes

paraaantropologiadosubgrupodoscriminosos.Ospresosapresentama vantagemdeconstituremuma"populaolaboratorialmenteestvel,uma "matria-primacombaixoscustosdeinvestigaoeumagrupamentoque fornece dados suficientes para produzir concluses de mbito estatstico. Nesta fase,h,alis,umaforteapostanotrabalhoempricodemedio.O prolongamento da observao de esqueletos para a observao de seres vivos permiteampliaronmerodeobservaes,incentivandoapassagemda abordagem monogrfica para a anlise comparada de coleces de factos. Os mdicosincorporamprogressivamenteaapresentaodosresultadosem tabelas e o uso da mdia aritmtica como meio de sntese. Adistinoentredoisoumaisagrupamentoshumanospassaaser aferidapeladiferenadasrespectivasmdias,possibilitando,porexemplo, comparar os caracteres fsicos dos minhotos e dos aorianos, ou os caracteres dosreclusosedapopulao"normal.Aconcentraodasfrequnciasem torno dos valores mdios tem um sentido epistmico profundo, pois revela que hcausasconstantesqueasseguramaestabilidadedosdados.Deforma inversa,qualquerinstabilidadeoudiferenaentremdiasprovaqueos agregadossoafectadospor causasdiferentes.Destemodonosasvrias mediespodemsercotejadasentresi,comoamdiasetornaoelemento constitutivodediferenasintergrupais,consolidandoorealismoestatsticodos agregados.Asunidadesdeobservaocientficacristalizam-se consequentementeemagrupamentosfuncionaisdomundo,transformandoas diversascolecesdeindivduosemclassesbiologicamentecoerentes, mutuamentecomparveis,sociologicamenteestveis.Aprocurade regularidadesnostiposhumanossecundarizaoproblemadadisperso estatstica, domesmomodo que a perspectiva linear da evoluo secundariza anooderamificaoedevariaoaleatria.Osantroplogosdescobrem aquiloquequeremver:ahierarquiadoshomensnahierarquiadosseus caracteres fsicos.Nasequnciadestasmudanas,aestatsticacomeaaproduzir nmerosdesntesequetraduzemnveissuperioresdeabstracoatravsda agregao de vrias mdias. O estudo de cadveres d origem a apuramentos craniomtricos de esqueletos e surgem as primeiras abordagens sistemticas e quantificadas,patentesnasobras%ableaudeCapacitCranienne(1889)e CrimeetCriminel(1892),deFerrazdeMacedo.Paralelamenteaestes desenvolvimentos,oestudodeseresvivos evoluipara aconstruodondice ceflico da populao portuguesa, isto , para a compilao de um valor nico capazderepresentaramdiadosndicesdevriasmediesfeitascabea (dimetro ntero-posterior, dimetro transverso, capacidade cbica). Com 1444 observaescolhidasnasregiesdePortugalcontinental,SantanaMarques estemcondiesdeapresentar,noanode1898,oprimeirondiceceflico pordistritocomacorrespondenteclassificaocraniomtricadopovolusitano ultradolicocfalos,dolicocfalos,subdolicocfalos,mesaticfalos,sub-braquicfalos, braquicfalos, ultrabraquicfalos (Marques 1898: 40).Comoaestatsticadacapacidadecranianacapazderevelaros patamaresdaintelignciahumana, osestudosantropomtricosabremaporta histria das civilizaes: a estruturacraniana encerra o crebro; o crebro, a inteligncia; a inteligncia, o potencial de desenvolvimento.5 Destaca-se assim umargumentocapazdeexplicarasdiferenasentreraasnegraseraas brancas,entrenrdicosemediterrneos,entreorientaiseeuropeus,entre

homensemulheres,pelajustificaodecaracteresbiolgicosqueindiciam diferentes aptides. Entretanto,aadopodemtodosantropomtricostorna-seuma plataformadeconvergnciadediferentesconcepescientficas.Numa tentativadesistematizao,podemosdistinguirtrscorrentesdepensamento que se cruzam com a tradio da antropologia fsica: o determinismo biolgico; a teoria da degenerescncia hereditria; a antropometria policial. 1.3Antropometria e sua utiIizao na ergonomia Aantropologiaacinciadahumanidadecomapreocupaode conhecercientificamenteoserhumanonasuatotalidade(Marconicitadopor SANTOS,1997).Devidoaofatodeserumobjetivoextremamenteamploque visa o homem como ser biolgico, pensante, produtor de culturas e participante da sociedade, a antropologia se divide em dois grandes campos a antropologia fsicaeaantropometriacultural.Aantropologiafsicaoubiolgicaestudaa naturezafsicadohomem,origem,evoluo,estruturaanatmica,processos fisiolgicoseasdiferenasraciaisdas populaesantigasemodernas.Nesta situa-seaantropometria,comoobjetivodelevantardadosdasdiversas dimensesdossegmentoscorporais(SANTOS,1997).Acontribuioda cinciadasmedidastemsidocomentadamuitonahistriadascivilizaes. SegundoROEBUCK(1975),aoestatsticobelgaQueteletcreditadaa fundaodacinciaeainvenodoprpriotermo"antropometriacoma publicaoem1870dasuaobraAntropometriequeconstituiaprimeira pesquisasomatomtricaemgrandeescala.Aantropometriatemassuas origens na antropologia fsica que como registro e cincia comparada remonta-sesviagensdeMarcoPolo(1273-1295),querevelouumgrandenmerode raashumanasdiferentesemtamanhoeconstituioenaantropologiaracial comparativainauguradaporLinn,BuffoneWhitenosculoXV,e demonstravaquehaviamdiferenasnasproporescorporaisdevriasraas humanas (PANERO e ZELNK, 1991; ROEBUCK,1975). NofinaldosculoXXeinciodosculoXXobservou-seo desenvolvimento e a ampliao do interesse por estudos detalhados do homem vivoeassuasmarcasnoesqueleto.As estatsticasfornecidaspelosmdicos militaresderecrutassodeespecialinteressepoisrelacionamasdimenses corporais com a ocupao (antropologia ocupacional). So notveis os estudos realizadosduranteaGuerraCivilAmericana,PrimeiraeSegundaGuerra Mundial.Duranteaproximadamenteomesmoperodoemqueseestudouas dimensescorporaisestticas,uminteressenoestudodosmovimentosfoi desenvolvido.Emmuitosestudosanfasefoinousodosmovimentos corporaisnomelhordesempenhodotrabalho.Talinteresse,baseadona aplicaodascinciasfsicasemvezdascinciasbiolgicasfoirapidamente classificada num grupo de atividades chamada engenharia. Muitosestudossistemticosdasdimensesdocorpohumanodofinal dos1800einciodos1900tinhampropsitosrelacionadoscomprodutos comerciais,registrosmdicosouseleomilitar.Muitaspesquisas antropolgicas militares foram direcionadas para o estabelecimento dos efeitos dasdimensescorporaisnaconstruoeutilizaodeequipamentomilitar. Estesestudoseventualmenteauxiliaramnaconvergnciadasdisciplinastais como psicologia, antropologia, fisiologia e medicina com engenharia. A sntese

detudoisso,veiomaistardesechamarengenhariahumananosEstados Unidoseergonomianamaioriadosoutrospases.Areadestetrabalhoque envolve as dimenses corporais foi chamado por Randal de antropologia fsica aplicada (ROEBUCK, 1975).Anecessidadedaintegraodascinciasdavidaparaaplicaesde engenharia foicolocadaemevidnciaduranteaSegundaGuerraMundialque criouumanovasriedeproblemasqueenvolvemohomem,amquinaeo meioambiente.Emadioataisproblemascomoadefiniodasdimenses deroupasparaatropa,umgrandenmerodeacidentesnaoperaode aeronavesapontouanecessidadedoestudodasuascausas.Diversos profissionaisforamconsultadosparaestudarasaesdohomemsobo estressedevoareencontraramqueacomplexidadedosmodernos equipamentosmilitaresforamconcebidosforadascapacidadesdohomem paraoper-los.Entreoutrosproblemas,foiencontradoqueascabineseram freqentementemuitopequenasparamuitospilotosdificultandoouimpedindo muitosmovimentos.Oestudodasdimensescorporaistomourenovado interessequandofoiconstatadoquehaviapoucosdadosconfiveisdos tamanhosdospilotosmilitaresqueauxiliassenaresoluodessesproblemas. ApsaSegundaGuerraMundialanfaseemadaptaramquinaaohomem tornou-se melhor desenvolvida com objetivos comerciais e militares levando em consideraonoapenasasmedidascorporaismastambmosfatores fisiolgicos e psicolgicos envolvidos. Se na dcada de 40 as medidas antropomtricas procuravam determinar asmdiasdeumapopulaocomopeso,estatura,etc.Hojeointeresse principal est centrado nas diferenas entre grupos e as influncia de variveis comoraa,regiogeogrficaeacultura.Todapopulaoconstitudade indivduosdiferenteseathpoucotempohaviaapreocupaopara estabelecer padresnacionais,pormcomacrescenteinternacionalizaoda economia, alguns produtos so vendidos no mundo todo, como por exemplo os computadores, automveis e avies. sto contribuiu para que se pensa-se mais amplamente.Aoseprojetarumprodutodeve-sepensarqueosconsumidores podemestarespalhadospormuitospases.Emboranoexistammedidas confiveisparaapopulaomundial,grandepartedasmedidasdisponveis sooriundasdecontingentesdasforasarmadasoquelimitabastantepois estapopulaocaracteriza-seporserpredominantementedosexomasculino, nafaixados18aos30anosequeatenderamaoscritriopararecrutamento militarcomopesoeestaturamnimos(ROEBUCK,1975;DA,1991;PANERO e ZELNK, 1991). ARevoluondustrialfocousuasatividadesnomercadodemassase asmedidasdesadedemassas,isto,devidonecessidadedeaplicaras medidasdohomemparadesenvolvimentodeprodutosparaaproduoem massa.Anoode"normalidadenaproporoetamanhofoigradualmente substitudaportabelasestatsticas.Desde1940na1970houveumaumento significativodanecessidadedasdimensescorporaisnareaindustrial.Esta tendncia temsido particularmente forte na indstria aeronutica, onde peso e tamanhoconstituemfatorescrticosnaperformanceeeconomiadas aeronaves(ROEBUCK, 1975).Semprequepossvelejustificvel,deve-serealizaras medidasantropomtricasdapopulaoparaaqualestsendoprojetadoum produtoouequipamento,poisequipamentosforadascaractersticasdos

usuriospodemlevaraestressedesnecessrioeatprovocaracidentes graves.Normalmenteasmedidasantropomtricassorepresentadaspela mdiaeodesviopadro,pormautilidadedessasmedidasdependedotipo de projeto em que vo ser aplicadas (DA, 1991). Umprimeirotipodeprojetopodeserconsideradocomosendoparao tipo mdio. O homem mdio ou padro uma abstrao, pois poucas pessoas podemserconsideradascomopadro,pormumacadeiraconstrudaparaa pessoa mdia, vai provocar menosincmodos para os muito grandes e para os muitopequenosdo quese fosse feitaparaumgiganteoupara umano.No ser timo para todas as pessoas,mascausar menos inconvenientes do que se fosse feita para pessoas maiores ou menores em relao mdia.Projetosparaindivduosextremos.Umasadadeemergnciaprojetada pela mdia,provavelmente no permitiria que um indivduo grande saa, ou num determinado painel de controle projetado para a populao mdia uma pessoa baixapoderianoalcanar.Nestescasosaplica-seoprojetoparaindivduos extremos,maioroumenordependendodofatorlimitativodoequipamento. Deve-se tentar acomodar pelo menos 95% dos casos. Projetosparafaixasdapopulao.Soequipamentosnormalmente desenvolvidos paracobrir a faixa de 5 a 95% de uma populao. Por exemplo bancosecintosdeautomveis.Desenvolverprodutospara100%deuma populao apresenta problemas tcnicos e econmicos que no compensam. Projetos para o indivduo. So produtos projetados especificamente para um indivduo. So raros no meio industrial. o caso dos aparelhos ortopdicos, roupasfeitassobmedida.Proporcionamelhoradaptaoentreoprodutoeo usuriomasaumentamocustoessojustificveisemcasosondea possibilidadedefalhateriaconseqnciasquedeixariamocustomuitomaior como as roupas dos astronautas, corredores de frmula 1,etc. Dopontodevistaindustrial,quantomaispadronizadoforoproduto, menores sero seus custos de produo e de estoque. O projeto para a mdia baseadonaidiaqueissomaximizaoconfortoparaamaioria.Naprtica issonoseverifica.Hdiferenasignificativaentreasmdiasdehomense mulheres,eaadoodeumamdiageralacababeneficiandoumafaixa relativamentepequenadapopulao,cujasmdiascaemdentrodamdia adotada.Nos casos onde h uma predominncia de mulheres, deve-se adotar a mdiafeminina,poisissoproporcionarconfortoparaessamaioria.Ata dcadade50osautomveiseramdimensionadosparamotoristasdosexo masculino, medida que foi aumentando o nmero de mulheres na direo de veculos, tornou-se necessrio fazer uma adaptao ao projeto, aumentando a faixa de ajustes do banco. Emmuitascircunstnciashnecessidadedesecombinarmedidas mximasmasculinascommedidasmnimasfemininascomoocasodas sadasdeemergnciaquedevemserprojetadasparacomportarpelomenos atopercentil95masculino.Oslocaisdetrabalhoondedevemtrabalhar homensemulheresgeralmentesodimensionadospelomnimo,isto,o percentil 5 das mulheres. Umadasgrandesaplicabilidadedasmedidasantropomtricasna ergonomianodimensionamentodoespaodetrabalho.DA(1991),define espaodetrabalhocomosendooespaoimaginrionecessriopararealizar osmovimentosrequeridospelotrabalho.Oespaodetrabalhoparaum jogador de futebol prprio campo de futebol e at uma altura de 2,5 m (que

aalturadecabeceio).Oespaodetrabalhodeumcarteiroseriaumslido sinuosoqueacompanhaasuatrajetriadeentregasetemumaseo retangularde60cmdelargurapor170dealtura.Pormamaioriadas ocupaesdavidamodernadesenvolve-seemespaosrelativamente pequenoscomotrabalhadorempousentado,realizandomovimentos relativamente maiores com os membros do que com o corpo e onde devem ser consideradosvriosfatorescomo:postura,tipodeatividademanuale ovesturio. Dentro do espao de trabalho as superfcies horizontais so de especial importncia,poissobreelaqueserealizagrandepartedotrabalho.Namesa detrabalhoosequipamentosdevemestarcorretamenteposicionadosdentro dareadealcancequecorrespondeaproximadamentea3545cmcomos braos cados normalmente e de 55 a 65 cm com os braos estendidos girando emtornodoombro.Aalturadamesatambmmuitoimportante principalmenteparaotrabalhosentadosendoduasvarveisasresponsveis para a determinao da sua altura, a altura do cotovelo que depende da altura doassentoeotipodetrabalhoaserexecutado.Aalturadamesaresultada somadaalturapoplteaedaalturadocotovelo.Comrelaoaotipode trabalhodeve-seconsiderarseesteserrealizadoanveldamesaouem elevao. Oassentoprovavelmente,umadasinvenesquemaiscontribuiu paramodificarocomportamentohumano.Muitaspessoaschegamapassar mais de 20 horas por dia na posio sentada e deitada. Da o grande interesse dos pesquisadores da ergonomia com relao ao assento. Na posio sentada, ocorpoentraemcontatocomoassentosatravsdasuaestruturassea. Essecontatofeitoatravsdastuberosidadesisquiticasquesorecobertas porumafinacamadadetecidomusculareumapelegrossa,adequadapara suportar grandes presses. Em apenas 25 cm2 de superfcie concentra-se 75% dopesototaldocorpo.Comrelaoaosassentos,deve-seobservaros seguintesprincpiosgerais:1)existeumassentoadequadoparacadatipode funo,2)asdimensesdoassentodevemseradequadassdimenses antropomtricas, 3) o assento deve permitir variaes de postura, 4) o encosto deve ajudar no relaxamento, 5) assento e mesa formam um conjunto integrado (DA, 1991). Existeminmerosdadosantropomtricosquepodemserutilizadosna concepo dos espaos de trabalho, moblia, ferramentas e produtos de forma geral,namaioriadoscasospode-seutiliz-losnoprojetoindustrial(SANTOS, 1997).Contudo,devidoaabundncia devarireis,importantequeosdados sejamosquemelhorseadaptemaosusuriosdoespaoouobjetosquese desenham. Por isso, h necessidade de se definir com exatido a natureza da populaoquesepretendeserviremfunodaidade,sexo,trabalhoeraa. Muitasvezesquandoousurioumindivduoouumgruporeduzidode pessoaseestopresentesalgumassituaesespeciais,olevantamentoda informaoantropomtricaimportante,principalmentequandooprojeto envolve um grande investimento econmico (PANERO e ZELNK, 1991). Emboramuitasdasaplicaesdeengenhariautilizamtcnicas desenvolvidaspelosprimeirosantropologistas,temocorridomuitasmudanas naformasdeobterdadoseprincipalmentenosinstrumentosdesenvolvidos paraatenderanecessidadesespecficas.Emespecialanecessidadede estabelecerrelaesespaciaisemcoordenadastridimensionaisfoi

desenvolvida como aplicao da antropometria na engenharia. Os engenheiros devemsabertrabalharnosomentecomoscomprimentosdocorpomas tambmsaberondeelesestolocalizadosduranteaatividadefsica.A antropometria possui uma importnciamuitogrande no planejamento do posto de trabalho e no desenvolvimento de projetos de ferramentas e equipamentos. Asrelaesentreantropometriaclssica,abiomecnicaeengenharia antropomtrica so to estreitas e interrelacionadas que difcil e muitas vezes desnecessriodelimita-las.Aantropologiafsicaobviamenteabasepara cadaumadelaseadesignaodoambientehumanoparaatenderassuas dimenses e atingir as suas capacidades o resultado (ROEBUCK, 1975). Durante os ltimos anos, o desenvolvimento dos computadores permitiu um melhor tratamento dos dados obtidos em grandes levantamentos e permitiu odesenvolvimentodemodelosmatemticosdosfenmenosantropomtricos. No futuro, certamente as atividades antropomtricas continuaro no estudos de caractersticaspopulacionaisedascondiesdeconfortodestas.Coma melhordefiniodasvariveisantropomtricastalvezmenospessoasficaro descontentes por pertencer aos grupos que ficam abaixo do percentil 5 e acima dopercentil95.Nasreasdetecnologiaavanadahaverumaumentoda precisoeautomatizaodastcnicasdemedidacomodesenvolvimentode "scanersparaumamelhordefiniodotamanhohumanoedamecnicado espao de trabalho, roupas equipamentos e ferramentas. Quemsabeumdiaobservaremosaantropometriainstantneaparao desenvolvimentoderoupas,cadeiraseextenseseletromagnticasdos sentidosdohomem"sobmedida.Dentrodaengenhariaantropomtricao estabelecimentoderelaesespaciaisemcoordenadastridimensionaispode fornecerdescriesdetalhadasdassuperfciescorporaiseumavariedadede novos fenmenos podem ser investigados como a localizao de ossos, rgos vitais e outras estruturas para a confeco de prteses, reconstruo de rgos ouentoparaaaplicaodeprocedimentosdiagnsticosadistnciaoupor controleremoto.Emtodasessasatividades,oproblemabsicosera definionumricadaformahumanaeascaractersticasfsicasqueesto relacionadas com a engenharia antropomtrica.

1.4 InfIuencia do CIima e da poca nas propores corporais. nfluncia da poca. As medidas antropomtricas de um povo podem modificar-se com a poca, poisasalteraesnoshbitosalimentares,sadeeaprticadeesportes podemfazeraspessoascrescer.Essecrescimentomaispronunciado quandopovossub-alimentadospassamaconsumirmaiorquantidadede protenas.Jseobservou,porexemplo,crescimentodeat8cmnaestatura mdiadehomensdeumapopulaoemapenasumadcada.O acompanhamentodaestaturaderecrutasholandesesduranteumsculo,no perodo1870-1970,demonstrouumcrescimentomdiode14cme,alm disso, constatou-se que esse processo est se acelerando (Fig. 6.5). A taxa de crescimentomdioanualentre1870a1920foide0,9mmaoanoepassou para 1,6mm/ano nas quatro dcadasseguintes e finalmente, para 3,0mm/ano nadcadade60.ssoprovavelmentedevidoacrescentemelhoriadas condies de vida desse povo. Uma populao pode crescer ~20mm/ano. Alteraesnoshbitosalimentares;sadeeprticadeatividadefsica relacionam-se com aumento da estatura (tendncia secular). nfluncia do clima nas propores corporais. Os povos que habitam regies de clima quente tm o corpo mais fino a osmembrossuperioreseinferioresrelativamentemaislongos.Aquelesde climafriotmocorpomaischeio,somaisvolumososearredondados.Em

outraspalavras,ospovosdeclimaquentetmcorpoondepredominaa dimensolinear,enquantoosdeclimafriotendemparaformasesfricas. Parecequeissooresultadodeadaptaodurantevriossculos,poisos corposmaismagrosfacilitamatrocadecalorcomoambiente,enquanto aqueles mais cheios tm maior facilidade de conservar o calor do corpo. InfIuncia do CIima Regies Quentes Corpo Fino e Membros Longos(Dimenso Linear), que proporciona trocas de calor Regies Frias, Corpo Robusto(Dimenso Esfrica), que proporciona a conservao de calor. 1.5 Dados Antropomtricos Estticos e Dados Antropomtricos Dinmicos. As caractersticas antropomtricas da populao utilizadora so distinguidas por dois tipos de dados.Primeiroexistemosdadosantropomtricosestticos(tambm conhecidoscomoestruturais)quedizemrespeitosdimensesestruturais fixas do corpo humano. Alguns exemplos incluem a estatura, a altura do ombro (oumaiscorretamenteaalturaacromial),eaalturadoolho(que

normalmenteutilizadacomopontoderefernciaparaaconcepodetarefas visuais). Osegundotipodedadosantropomtricossoosdinmicos,ou funcionais.Comoottulomostraestesdadossodiferentesdosdados estticos,poisamedidapodeserdeumaextensodemovimentodeuma articulao ou da fora das vrias aces da articulao. Estes dados tambm incluem a medida do alcance e espao livre em condies operacionais. Antropometria Estatstica. As dimenses estticas so medidas feitas em posies corporais fixas entre pontos anatmicos do esqueleto. O nmero de possveis medidas enorme. Um livro da NASA (1978) ilustra 973 destas medidas. Muitas delas esto relacionadas com o design especifico de certas Aplicaes,como por exemplo capacetes, e no design de espaos de trabalho onmerodevariveispodesersubstancialmentereduzido.Naconcepode espaos de trabalho necessrio ter emconta as correces para o vesturio detrabalhoautilizar.Osdadossoutilizadosparaestabelecerasdimenses mnimas decertos factorescomo por exemplo o alcance, tamanho e forma da mo, etc. Estesdadostmnoentantoassuaslimitaes.Porexemplo,olimite prtico para o alcance do brao no o comprimento do ombro at ponta do dedoporqueosoperadoresempregarooutrosmovimentosarticularesparair alm deste comprimento. Concluindo,aantropometriaestticaaquelaemqueasmedidasse referem ao corpo parado ou com poucos movimentos. Ela deve ser aplicada ao projeto de objetos sem partes mveis ou com pouca mobilidade, como no caso do mobilirio em geral. A maior parte das tabelas existentes da antropometria esttica.Oseu usono recomendadoparaprojetos demquinasoupostos detrabalhocompartesquesemovimentam.Nessecaso,deve-serecorrer antropometria dinmica. Antropometria Dinmica e Funcional. Osdadosdeantropometriaestticaservemcomoumaprimeira aproximao para o dimensionamento de produtos e locais de trabalho ou para oscasosemqueosmovimentoscorporaissopequenos.Porm,namaioria doscasos,aspessoasnuncaficamcompletamenteparadas.Quasesempre esto manipulando, operando ou transportando algum objeto. Seoprodutooulocaldetrabalhofordimensionadocomdadosda antropometriaesttica,sernecessrio,posteriormente,promoveralguns ajustes paraacomodarosprincipaismovimentoscorporais.Ou,quandoesses movimentosjsopreviamentedefinidos,pode-seusarosdadosda antropometria dinmica, fazendo com que o projeto se aproxime mais das suas condies reais de operao. Um ajuste mais preciso pode ser realizado pela antropometria funcional, quandoosmovimentoscorporaisnosoisoladosentresi,masdiversos movimentossorealizadossimultaneamente.Essesmovimentosinteragem

entresi,modificandoosalcances,emrelaoaosvaloresdaantropometria dinmica. Curso %cnico de Segurana do %rabalho. Fernanda Aparecida; Daniel Junior; Adriano; Eduarda; Wagner; Keyvin. Fim!!!