Controle Da Poluição Atmosférica - Cap 9 - Ar Interno

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  • 1

    Autores

    Marina Eller Quadros

    Henrique de Melo Lisboa

    Agosto 2010

    CONTROLE DA

    POLUIO

    ATMOSFRICA

    CAPTULO IX

    QUALIDADE

    DO AR

    INTERNO

  • 2

    Sumrio

    9.1. Introduo .......................................................................................................................... 3 9.2. Antecedentes do Tema ....................................................................................................... 3 9.3. Contaminantes fsico-qumicos do ar interno e efeitos sade ......................................... 5

    9.3.1. Material Particulado (MP) .......................................................................................... 5

    Fibra de Amianto ...................................................................................................................... 6 9.3.2. Compostos Orgnicos Volteis (COV) ...................................................................... 7 9.3.3. Compostos Inorgnicos gasosos ................................................................................. 9 9.3.4. Fumaa de Cigarro (ETS - Environmental Tobacco Smoke) ................................... 11

    9.4. Contaminantes microbiolgicos do ar interno e efeitos sade...................................... 12

    9.4.1. Vrus ......................................................................................................................... 12 9.4.2. Bactrias ................................................................................................................... 13 9.4.3. Fungos ...................................................................................................................... 17

    9.4.4. Alergnicos Biolgicos e hipersensibilidade ........................................................... 18 9.5. Odores .............................................................................................................................. 18 9.6. Sndrome do edifcio doente (SED) ................................................................................. 19

    9.6.1. Doena relacionada ao edifcio ................................................................................ 20 9.6.2. Intolerncia qumica mltipla ................................................................................... 20

    9.7. Amostragem de ar interno ............................................................................................... 21 9.7.1. Amostragem de material particulado (MP) .............................................................. 21 9.7.2. Amostragem de compostos para anlise fsico-qumica .......................................... 22

    9.7.3. Amostragem de microorganismos ............................................................................ 22 9.8. Condies de conforto trmico, circulao e renovao do ar ........................................ 25

    9.9. Os sistemas de climatizao ............................................................................................ 26 9.9.1. Unidades de janela .................................................................................................... 27 9.9.2. Sistema tipo fan-coil ................................................................................................. 28

    9.10. Legislao e normalizao ........................................................................................... 28 9.11. Referncias bibliogrficas ............................................................................................ 30

  • 3

    9.1. Introduo

    O homem busca abrigo, proteo e segurana nos ambientes artificiais onde vive. As

    caractersticas atuais das sociedades desenvolvidas e em desenvolvimento fazem com que um

    elevado nmero de indivduos passe a maior parte do seu dia em ambientes fechados. Com o

    desenvolvimento social e a urbanizao, as formas de trabalho sedentrias tomam o lugar do

    trabalho ao ar livre nas cidades urbanizadas, podendo-se afirmar que passamos a maior parte do

    tempo em ambientes fechados.

    A natureza evidente da poluio do ar externo, nos aspectos visuais e sensoriais, pode ser

    contrastada com a caracterstica um tanto quanto invisvel da poluio nos ambientes internos.

    Este pode ser um fator que influencia o julgamento das pessoas quanto qualidade do ar nos

    ambientes internos e os seus efeitos sade. Numerosos estudos sugerem que a maioria das

    populaes estudadas acredita que os riscos da inexistncia de qualidade do ar em ambientes

    externos so substancialmente superiores aos riscos oferecidos pela m qualidade do ar em

    ambientes internos (LHEA, 1997 apud JONES, 1999, traduo nossa). Essa opinio no leva em

    considerao frao do tempo que se passa em ambientes internos versus externos.

    Sabe-se que h prejuzo para a sade em ambientes com altas concentraes de fumaa de

    cigarro, por exemplo, e que o monxido de carbono (CO), vindo da combusto incompleta em

    ambientes fechados, um composto asfixiante. Alm destes riscos, j se tem conhecimento que

    exposies prolongadas a concentraes mais sutis de alguns poluentes, como o radnio,

    microorganismos alergnicos e compostos orgnicos volteis (COV) tambm acarretam prejuzos

    sade humana.

    9.2. Antecedentes do Tema

    A histria das pesquisas sobre a qualidade do ar interno est ligada evoluo da pesquisa

    cientfica sobre a qualidade do ar externo. Devido similaridade entre as duas reas, percebe-se

    que o conhecimento adquirido em uma migra para a outra, bem como alguns de seus

    pesquisadores. Embora se saiba da importncia da qualidade do ar e da sua relao com a sade

    humana h sculos, foram alguns episdios mais marcantes, ocorridos no sculo XIX, que

    despertaram a ateno da populao em geral para este tema.

    Spengler, Samet e McCarthy (2004) afirmam que a era moderna dos estudos sobre poluio do ar

    se iniciou com o episdio do London Fog. Nesta poca surgiram as primeiras pesquisas epidemiolgicas e cientficas traando a ligao potencial entre a qualidade do ar externo e a

    sade humana. Assim, surgiu a preocupao em se separar os ambientes internos das numerosas

    fontes de poluio no ar externo.

    O conceito de qualidade do ar interno no recente. H publicaes do incio do sculo XIV que

    discutem o assunto e j sugerem que a soluo para problemas de qualidade do ar interno a

    ventilao adequada dos ambientes (HAINES e WILSON, 1998). Entretanto, at recentemente,

    os efeitos da poluio do ar interno sade humana tm recebido pouca ateno da comunidade

    cientfica. Diversos autores (STOLWIJK, 1992 apud JONES, 1999; ADDINGTON, 2004;

    ZHANG, 2004) afirmam que, antes da dcada de setenta, os problemas com a qualidade do ar em

  • 4

    residncias e ambientes de trabalho no-industriais eram investigados ocasionalmente, mas o

    nvel de interesse era baixo.

    A partir da dcada de setenta observou-se um aumento do uso de sistemas de ar condicionado em

    edificaes. Esta tendncia influenciou no projeto de edifcios onde a comunicao com o ar

    externo minimizada, o que pode acarretar em uma concentrao dos poluentes gerados no

    ambiente interno. Ento se observaram as primeiras reclamaes de trabalhadores em ambientes

    internos, e estudos revelaram que as concentraes de poluentes nestes locais poderiam ser de 2 a

    5 vezes superiores quelas no ar externo (ADDINGTON, 2004; ZHANG, 2004). Em 1995, na

    cidade de Cleveland (EUA) houve um caso associando a inadequada qualidade do ar interno a

    casos de mortalidade infantil, causada especificamente pelo fungo Stachybotrys chartarum

    (SPENGLER, CHEN e DILWALI, 2004). Episdios crticos como esse, associados ao nmero

    crescente de reclamaes relativas ao conforto humano dentro das edificaes, vm incentivando

    as pesquisas em qualidade do ar interno.

    Em centros urbanos, mais de 80% do tempo passado em ambientes internos. A qualidade de

    vida das pessoas grandemente influenciada pela qualidade do ar que respiram. A qualidade do

    ar em ambientes internos est relacionada aos componentes e s caractersticas do ar que podem

    afetar a sade e o conforto dos ocupantes de uma edificao. Embora haja inmeros

    contaminantes do ar, estes podem ser facilmente distinguveis quanto sua natureza, sendo

    classificados como qumicos, fsicos ou biolgicos ou, ainda, como sendo de origem biolgica e

    no-biolgica. Os principais poluentes do ar so apresentados a seguir (Quadro 1), onde tambm

    so indicadas suas principais fontes.

    Quadro 1A: Principais poluentes do ar interno e suas fontes

    Poluente Principais fontes

    Po

    lue

    nte

    s d

    e o

    rig

    em

    n

    o b

    iol

    gic

    a

    Compostos orgnicos volteis (COV) Adesivos, tintas, solventes, materiais de construo, combusto, fumaa de tabaco.

    Dixido de carbono (CO2) Atividade metablica, combusto, motores veiculares em garagens.

    Monxido de carbono (CO) Queima de combustveis, aquecedores de gua, fornos, foges, aquecedores a gs ou a querosene, fumaa de tabaco.

    Dixido de Enxofre (SO2) Ar externo, queima de combustveis, motores veiculares (garagens).

    xido de Nitrognio (NO) Ar externo, queima de combustveis, motores veiculares (garagens).

    Dixido de nitrognio (NO2) Ar externo, queima de combustveis, motores veiculares (garagens).

    Formaldedo (H2CO) Materiais de isolamento, mveis, madeira compensada.

    Hidrocarbonetos policclicos aromticos (HPA)

    Queima de combustveis, fumaa de cigarro.

    Oznio (O3) Reaes fotoqumicas, campos eletrostticos (equipamentos eletrnicos).

    Radnio (Rn) Solo, materiais de