Cultivo banana

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  • 09CircularTcnica

    Boa Vista, RRDezembroo de 2002

    AutoresOtoniel Ribeiro DuarteEng.-Agr., Pesquisador

    Embrapa Roraima. e-mail:[email protected]

    Carlos Eugnio VitorianoLopes

    Eng. Agr., TNS EmbrapaRoraima. e-mail:

    [email protected]

    Fabrcio Nunes de FreitasEng. Agr., . e-mail:

    [email protected]

    ISSN 0101 - 9813

    Recomendaes tcnicas para o cultivo da banana em Roraima

    1. Introduo

    Em Roraima, a banana a principal fruta em explorao tanto a nvelcomercial como de subsistncia. A cultura representada basicamente pelascultivares Ma e Prata, que naturalmente apresentam baixa produtividade. Acultivar Ma por ser extremamente suscetvel ao mal-do-panam, estasumindo do mercado, embora seja a cultivar de maior aceitao no Estado.

    A produo de banana est concentrada na regio sul do Estado,principalmente nos municpios de Caroebe e Rorainpolis, embora seencontre plantio em todos os municpios.

    Com o desaparecimento gradual desta cultivar do mercado, a banana Prataj assumiu a posio de cultivar mais produzida e comercializada, sendo quedevido ao programa de incentivo bananicultura por parte do governoestadual, mudas de novos cultivares resistentes/tolerantes ao mal-do-panam, a sigatoka amarela e principalmente a sigatoka negra, tm sidodistribudas. Como o programa comeou a pouco tempo, no se tem definidoainda quais destas novas cultivares que esto assumindo a preferncia dosconsumidores.

    A falta de adoo de tratos culturais e fitossanitrios e a alta infestao dosbananais com o mal-do-panam, sigatoka amarela e recentemente com asigatoka negra, so as principais causas da baixa produtividade, inferior a500 cachos por hectare.

    Com o intuito de reverter este quadro atravs da oferta de cultivares maisprodutivas e resistentes e prevenir-se contra a expanso da sigatoka negra,que vem ocorrendo de forma severa em vrios cultivares, principalmente nosmunicpios de Caroebe, Rorainpolis, So Joo da Baliza, So Luis do Anaue Mucaja, identificada por tcnicos da Secretaria Estadual de Agricultura eAbastecimento SEAAB, Embrapa Roraima e Embrapa Amaznia Ocidental,representando o maior problema da bananicultura mundial, pela sua maioragressividade em relao a Sigatoka Amarela e pelo significativo aumento deperdas, que pode chegar a 100% onde o controle no realizado. Resultadospreliminares deste estudo, sugerem a adoo dos cultivares Thap Maeo eCaipira por terem boa produtividade, peso de cachos e aceitabilidade pelosconsumidores e serem resistentes s principais doenas que afetam a cultura sigatoka amarela, mal-do-panam e principalmente sigatoka negra.

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    2. SOLO E CLIMA

    2.1) Solos

    A bananicultura necessita de um bom solopara o desenvolvimento do sistemaradicular e, conseqentemente, para maiorabsoro de nutrientes.

    A cultura se desenvolve praticamente emquase todos os tipos de solos, desde queestes sejam profundos, bem drenados ecom boa capacidade de reteno de gua,alm de no serem sujeitos aoencharcamento, uma vez que o excesso deumidade favorece ao ataque deorganismos que causam o apodrecimentodas razes.

    Os solos mais indicados para a cultura soos areno-argilosos ou mesmo os arenososricos em matria orgnica, com pH entre 5e 6.

    O preparo do solo deve ser efetuado comantecedncia, consistindo de arao,correo quando necessria e gradagem.

    2.2) Clima

    Desenvolve-se bem em clima tropical,exigindo calor constante, chuvas bemdistribudas e elevada umidade para seudesenvolvimento. As condies ideais soencontradas entre os paralelos de 30 grausde latitude norte e sul, incluindo todos osestados brasileiros, e nas regies tropicaisde baixa altitude e com temperaturas entre20 e 24 C. Chuvas em torno de 1.600mm,

    bem distribudas, promovem uma altaproduo e frutos maiores.

    3. CULTIVARES

    Embora exista grande diversidade decultivares de banana, so poucos os queapresentam potencial agronmico queatenda simultaneamente a preferncia dosconsumidores e tendo uma altaprodutividade, tolerncia a pragas,resistente seca e ao frio e porteadequado.

    A escolha do cultivar muito importantepara o sucesso do empreendimentoagrcola. necessrio alm dessescritrios, ter cultivares resistentes asigatoka negra, recomendando-se autilizao de mudas de produtores ouviveiristas idneos.

    Os cultivares Thap Maeo (foto 1) e Caipira(foto 2), foram testadas com mais trezemateriais, se destacando como as duasmais promissoras em produtividade eresistncia a doenas, atingindo pesomdio de cacho de 14,8 e 9,2 Kg,respectivamente (tabela 1). Estesresultados foram obtidos em rea de matade transio, com solos de baixaprodutividade.

    Os cultivares Pacovan, JV- 0315, PV-0376 e PA 0322 apresentaram peso mdiode cachos de 7.2, 6,9, 6.9 e 6.7 Kg,respectivamente, tendo boa aceitao porparte dos consumidores, masapresentaram sigatoka amarela (tabela 2).

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    TABELA 1: Dados de altura das plantas e circunferncia do pseudocaule a 30 cm do solo, aos8 meses, altura da planta na florao, nmero de dias do plantio emisso do cacho, nmerode filhos emitidos at a florao, nmero de folhas emitidas at a emisso da inflorescncia epeso dos cachos.

    Acessos ALTCIRC ALTFLOR NDEMIS NFILFLOR NFOLFLOR PCACH

    Caipira 1,0 d 0,19 a 3,2 f 250 bcd 3,1 d 13,7 c 9,2 cJV- 0315 0,9 d 0,16 a 3,5 e 235 e 3,2 cd 15,3 bc 6,9 defMa 1,3 ab 0,18 a 3,9 c 252 abc 3,1 d 16,3 ab 8,2 cdMysore 1,4 ab 0,16 a 4,0 c 263 a 3,9 a 18,0 a 14,6 aNam 1,3 ab 0,16 a 4,0 bc 248 cd 3,2 cd 14,8 bc 7,3 deNanica 1,0 cd 0,08 a 2,1 g 253 abc 2,4 g 13,8 c 10,8 bNanico 1,1 cd 0,14 a 3,3 f 247 cde 3,6 b 14,1 bc 11,6 bOuro daMata 1,4 ab 0,17 a 4,3 a 261 ab 2,7 f 13,8 c 6,0 efPA-0322 1,1 cd 0,17 a 3,2 f 247 cde 2,5 g 15,0 bc 6,7 defPacovan 1,5 a 0,15 a 4,4 a 250 bcd 2,9 e 14,7 bc 7,2 dePioneira 1,2 bc 0,16 a 3,7 d 251 abc 3,3 c 15,2 bc 6,8 defPrata 1,5 a 0,17 a 4,4 a 249 bcd 2,8 ef 14,8 bc 5,5 fPrata-an 1,1 cd 0,16 a 3,3 f 258 abc 2,5 g 15,0 bc 5,4 fPV- 0376 1,4 ab 0,17 a 4,1 b 238 de 3,2 cd 17,7 a 6,9 defThap Maeo 1,5 a 0,18 a 3,6 de 257 abc 3,5 b 13,1 c 14,8 a

    TABELA 2: Dados de incidncia e grau de sigatoka amarela e mal-do-panam at os 8meses.

    Cultivar/Hbrido Incidncia de Sigatoka Amarela at os 8 meses ( % )Mysore Nanico SA: 70,8 B; 29,1 MNanica SA: 65,5 B; 34,5 M Prata SA: 25,0 B; 75,0 MPrata-an SA: 12,5 B; 87,5 MMa SA: 83,3 SD; 12,5 B

    MP: 10,0 M; 90,0 AThap MaeoCaipiraJV- 0315 SA: 75,0 B; 25,0 MPioneiraPacovan SA: 30,0 B; 70,0 MOuro da Mata SA: 13,5 B; 86,5 MNam SA: 28,5 B; 71,5 MPV- 0376 SA: 73,0 B; 27,0 MPA 0322. SA: 77,5 B; 22,5 M

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    SA- Sigatoka amarela; MP- Mal-do-panam; SD - Sem doena; B - Baixa incidncia; M - Mdia incidncia e A: Altaincidncia.

    Fig. 1. Cacho da cultivar Thap Maeo

    Fig. 2. Bananeira com cacho do cultivar Caipira

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    4. FORMAO DE MUDAS

    As bananeiras so normalmentepropagadas por meio de mudasdesenvolvidas a partir de gemasvegetativas do seu caule subterrneo ourizoma. A escolha das mudas de boaqualidade fundamental para o sucesso daplantao.

    O ideal que as mudas sejamprovenientes de viveiros ou produtoresidneos. Na ausncia de viveiros, asmudas devem ser selecionadas de plantasvigorosas e sadias.

    Existem diversos tipos de mudas,diferenciadas pelo estdio dedesenvolvimento, tais como: chifrinho,chifre, chifro, adulta, pedao de rizoma,rizoma com filho aderido e guarda-chuva.

    5. ETAPAS DO PLANTIO

    5.1. poca de plantio

    Em Roraima, tanto em rea de mata comode cerrado, o plantio recomendado parao final de abril e/ou incio de maio, perodoem que se iniciam as chuvas.

    5.2. Preparo do solo (cerrado e mata)

    Em rea de cerrado, o preparo do solo sedar com uma arao e duas gradagens,que devem ser feitas com no mnimo 30dias antes da abertura das covas, para quepossa haver reao do calcrio, que aplicado durante estas etapas.

    Em rea de mata realizada a broca,derrubada e queima, seguindo-se a

    abertura das covas, onde sero feitas acalagem e a adubao, pois devido presena de tocos, no se torna vivel acalagem em toda a rea.

    5.3. Espaamento

    O espaamento na cultura da banana definido principalmente em funo do portee arquitetura da planta. Os maisrecomendados so: 2,0 x 2,0 m (2.500plantas/ha); 2,5 x 2,0 m (2.000 plantas/ha)e 2,5 x 2,5 m (1.600 plantas/ha) para oscultivares de porte baixo a mdio, (porexemplo: Nanica, Nanico, Grande Naine ePrata An); 3,0 x 2,0 m (1.666 plantas/ha)e 3,0 x 2,5 (1.333 plantas/ha) para oscultivares de porte semi-alto (Maa, Dangola, Terrinha, Mysore e Figo); e de 3,0x 3,0 m (1.111 plantas/ha) e 4,0 x 3,0 (833plantas/ha) para os cultivares de porte alto.As disposies mais comuns dosespaamentos so em quadrados,retngulo, tringulo e hexgono.

    5.4. Coveamento

    As covas destinadas ao plantio da bananapodem ser abertas com dimenses de 30 x30 cm ou 40 x 40 x 40 cm, de acordo como tamanho da muda e classe do solo.

    Deve-se ter o cuidado de separar a terra dasuperfcie para um lado e a do subsolopara outro. No enchimento das covasinvertem-se as camadas, colocando emprimeiro lugar, a terra da superfcie bemmisturada com o corretivo (cal, calcrio ougesso) e os adubos. Recomenda-seproceder o plantio 30 dias aps oenchimento das covas.

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    5.5. Adubao de plantio e correo dosolo

    A adubao de plantio deve ser realizadabaseando-se na anlise do solo. Aaplicao ser feita diretamente nas covas,permitindo assim melhor aproveitamentopor parte das plantas. A correo deve serfeita elevando-se o pH do solo para umafaixa de 6,0 a 6,5 em toda a rea. Quandoem rea de cerrado, alm da calagem feitanas covas, enquanto em rea de mata aadubao ser feita somente nas covas,devido a presena de tocos na rea.

    5.6. Plantio

    O plantio deve ser efetuado no incio doperodo chuvoso (abril-maio) nas reas desavanas; e de fevereiro a maro na zonade mata tropical mida, preferencialmenteem dias nublados, para facilitar opegamento das mudas. Caso o solo noapresente umidade suficiente, deve-seregar as plantas aps o plantio com 3 a 5litros de gua.

    O plantio feito colocando-se a muda nocentro da cova e comprimindo-secuidadosamente a terra em volta do torro,dispondo-se sua superfcie no mesmo nveldo solo.

    6. TRATOS CULTURAIS

    6.1. Capina e Roagem

    As plantas daninhas afetam direta eindiretamente o desenvolvimento doscultivos, competindo por gua, luz, espao

    e nutrientes. Existe tambm a possibilidade

    de competir atravs das substnciasalelopticas, ou seja, processo pelo qual asplantas daninhas liberam substnciastxicas que afetam e interferem nodesenvolvimento das plantas.

    Por apresentarem um sistema radicularsuperficial e frgil, a cultura da bananeiraconcorre muito com as plantas daninhas, necessrio que a prtica da capina sejafeita rotineiramente.

    Nos primeiros cincos meses necessrioque a cultura esteja no limpo, pois nesteperodo as plantas so bastante sensveisao aparecimento e a concorrncia com

    plantas daninhas.

    A capina pode ser realizada pelosseguintes mtodos: manual, mecnica equmica .

    Nos cultivos no mecanizados, recomenda-se que a capina seja feita manualmente,usando a enxada ou a estrovenga(roadeira manual). A grande desvantagemdessa prtica, devido ao alto custo damode-obra, pois so necessrios de 15a 20 homens/dia para capinar um hectare,tendo uma densidade populacional de1.300 touceiras.

    Nas reas mecanizadas, com densidadepopulacional de baixa a mdia de plantas,os plantios efetuados por linhas paralelas,podem ser capinados com grade at osegundo ms aps o plantio. O uso deenxada rotativa acoplada a um microtrator outra ferramenta que pode ser feita paramanter o cultivo no limpo.

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    Para a utilizao de herbicidas seletivos oumistura de herbicidas, o produtor deveobservar a rea de aplicao e tipo daplanta daninha (folhas largas ou estreitas) .Portanto, recomenda-se que o produtorprocure um tcnico especializado pararecomendar o tipo e a dosagem doherbicida para o produtor.

    6.2. Desbaste

    O desbaste consiste na eliminao doexcesso de rebentos, j que a bananeiratem a capacidade de produzir um nmero

    varivel de filhos. Esta prticadesempenha um papel importante que

    concerne produo e a vida til dobananal

    Recomenda-se conduzir a cultura,deixando apenas trs plantas por touceira.Esta eliminao deve ser realizada quandoos rebentos ou filhos estiverem entre 20 e30 cm de altura, eliminando a gema apicalde crescimento utilizando um equipamentochamado lurdinha. Esta etapa dependedas condies climticas, da situao domercado e de questes de oportunidade.

    De modo geral, a prtica do desbaste deveser realizada aos quatro, seis e dez mesesaps o plantio.

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    Fig. 3. Desbastador de mudas de bananeira, muito conhecido por Lurdinha.

  • 6.3. Desfolha

    Consiste na eliminao de folhas secas,mortas, doentes e que apresentem opecolo quebrado. Esta prtica tem comoobjetivo: a) livrar a planta das folhas cujaao fotossinttica no atenda s suasexigncias fisiolgicas; b) melhorar oarejamento e luminosidade; c) acelerar odesenvolvimento dos filhos; d) controlar oaparecimento de pragas e acelerar oprocesso de melhoramento daspropriedades fsicas e qumicas do solo.

    Esta prtica deve ser realizada de baixopara cima, bem rentes ao pseudocaule,tomando-se o cuidado de no romper asbainhas que ainda estejam a ele aderidas.Normalmente realizada aos 4, 6 e 10meses aps a instalao da cultura,podendo-se usar facas ou faces paracortar as folhas em cultivares de portebaixo, entretanto para as cultivares deporte mdio a alto, usa-se o penado oufoice bifurcada acoplado a um cabolongo. Esta atividade pode ser realizadasimultaneamente com o desbaste paradiminuir custos com mo-de-obra. Nasplantaes j instaladas, recomenda-sefazer esta prtica sistematicamente.

    6.4. Escoramento

    Consiste essencialmente em evitar aperda de cachos por quebra outombamento da conseqncia da aodos ventos fortes, peso do cacho, daaltura da planta ou de m sustentao,provocados pela ao de pragas, taiscomo nematides, broca ou moleque da

    bananeira, ou ainda pelo manejoinadequado da cultura.

    O escoramento pode ser feito utilizandovaras de bambu, apoiados ou presos aopseudocaule, prximo roseta foliar.

    6.5. Ensacamento

    Esta prtica comum apenas em cultivospara exportao, apresentando asseguintes vantagens:

    a) Aumenta a velocidade docrescimento dos frutos;

    b) Evita o aparecimento da abelhairapu;

    c) Melhora o aspecto da planta;

    d) Protege os frutos

    Em Roraima, esta prtica no realizada, devido ao elevado custo e aonvel tecnolgico dos produtores.

    6.6 Adubao de cobertura

    A cultura da banana uma planta muitoexigente quanto adubao, retirandouma grande quantidade de nutrientes dosolo.

    A adubao deve ser efetuada de acordocom a anlise de solo. Os procedimentosde coleta do solo podem ser fornecidospelos engenheiros agrnomos dosservios da Extenso Rural e daEmbrapa.

  • A calagem deve ser efetuada quando asanlises de solos revelarem a presenade alumnio trocvel e/ou deficincia declcio + magnsio. O material maisindicado o calcrio dolomtico, aplicadoa lano em toda a rea onde serinstalada a cultura, 60 a 90 dias antes doplantio.

    6.7 Irrigao

    A irrigao por sulcos a mais utilizadapor ter menor custo de implantao,tendo os inconvenientes de ter maiorconsumo de gua e de facilitar adisperso de agentes causadores dedoenas.

    O ideal para a cultura a irrigao pormicroasperso, pois propicia a rega deplantas isoladas e controle na quantidadede gua a ser aplicada.

    7. PRAGAS E DOENAS

    7.1. Pragas

    Moleque ou Broca-do-Rizoma(Cosmopolites sordidus)

    a principal praga da bananeira,podendo provocar quedas de at 30 % naproduo, variando este percentual emfuno de fatores como cultivar, oscuidados fitossanitrios, idade das plantase intensidade da infestao.

    O inseto adulto um besouro (coleptero)de colorao preta, medindo 11 mm decomprimento e 5 mm de largura, comestrias longitudinais nas asas (litros) e

    pontuaes por todo o corpo. de fcilidentificao por possuir um bico (rostro)em cuja extremidade se localiza seuaparelho bucal.

    muito suscetvel ao ressecamentoprovocado por exposio ao sol, seabrigando entre os restos de cultura emlocais midos e sombreados, atuandosomente noite. Se locomovem pouco equando capturados parecem estarmortos, motivo pelo qual conhecido pormoleque, soneca ou dorminhoco.

    Seu dano provocado pela abertura degalerias abertas nos rizomas, debilitandoas plantas e propiciando a penetrao deorganismos patognicos. A visualizaode seus danos se torna difcil devido asua localizao. As plantas muitoatacadas tem sua produo seriamenteafetada pelos danos causados no sistemaradicular.

    O controle feito usando-se mudassadias, tratadas com inseticidas conformea tabela 2, cultivares menos suscetveisao ataque desta praga (Prata e Nanico),uso de iscas atrativas, uso deleguminosas na cobertura do solosubstituindo os restos da cultura e atravsdo controle qumico.

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    Tabela 2: Recomendaes de controle qumico das pragas da bananeira

    Defensivosrecomendados

    ConcForn.1

    Dosagens Carncia(dias)2

    Lim. Max.Resduos

    (ppm)

    ClasseTox.

    Grupo Observaes

    1. MolequeAldicarbe 100 g 3 g/isca ou

    40 g/cova21 0.3 I Carbamat

    o sistCarbaril (b) 850 PM 8 g/isca 14 5 III Carbamat

    oCarbofenotiom 25 PM 4 g/isca 28 0.8 II FosforadoCarbofuram 50 g 3-5 g/isca

    ou 80g/cova

    90 0.1 I Carbamato sist

    Diazinom (a) 600 CE 1.670 ml3 14 0.5 II FosforadoFensulfotion (b) 50 g 5 g/isca ou

    50 g/cova60 0.02 I Fosforado

    sist

    Mergulhar os rizomas na calda inseticida durante 10a 15 min.Usar pedaos de pseudocaules, cortadoslongitudinalmente (0.50 m), como iscas atrativas. Aparte interna tratada com o defensivo. Usar umaisca para cada 500 m2 do bananal, com a partecortada para baixo. Substituir as iscas a cada 15-20dias. As iscas envenenadas ajudam a reduzir apopolao de adultos na rea.

    2. TripesMalatiom 500 CE 150 ml3 7 8 III FosforadoParatiom Metlico 600 CE 80 ml3 15 0.2 I Fosforado

    Pulverizar visando a inflorescncia. No caso dotrips, a eliminao do corao uma vez formado ocacho pode ser usada como medida de controle.

    3. Traa dabananeiraCarbaril 850 PM 2 kg/ha 14 5 III Carbamat

    oTriclorfon 800 PS 1,5 kg/ha 7 0.1 III Fosforado

    Nas regies onde ocorre a praga, o controle deveser preventivo. Aplicar o produto sobre os cachoscom os frutos ainda verdes.

    FONTE: Reis e Souza (1986)1/ Concentrao em g/l ou g/Kg.2/ Intervalo entre a ltima aplicao e a colheita.3/ Dosagem par 100 litros de gua.

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    7.2. Doenas

    As doenas de expresso econmica nabananicultura do estado de Roraima so:

    Mal-do-Panam

    O mal-do-panam ou fusariose umadoena provocada pelo fungo de solo

    Fusarium oxysporium f. sp. cubense(E.F/Smith) Sn e Hansen. Este fungo tem acapacidade de sobreviver no solo por longosperodos de tempo, mantendo assim a reacontaminada imprpria para o cultivo debananas suscetveis. Esta doena atacaprincipalmente os cultivares Ma e GrosMichel, fazendo com que estes cultivaressejam substitudos por outros resistentes.

    As plantas atacadas por esta doenaapresentam as folhas amareladas,comeando o sintoma pelas folhas maisvelhas para as mais novas. As folhascomeam a amarelar pelas bordas, indo emdireo nervura central. Estas folhas vomurchando, secam e terminam quebrandorente ao pseudocaule, dando planta aaparncia de um guarda- chuva fechado. Nopseudocaule, prximo ao solo podem surgirrachaduras longitudinais, que variam detamanho em funo da rea afetada norizoma. Ao se fazer um corte transversal, seobserva um anel pardo-avermelhado queconfirma a presena do patgeno nos vasosda planta.

    O controle desta doena atravs de produtosqumicos, uso de inundao da rea afetadae prticas culturais no apresentaram at omomento bons resultados. A recomendao

    recai sobre o uso de cultivares resistentescomo por exemplo, as banana dagua, quepertencem ao grupo Cavendish (Nanica,Nanico, Grande Naine, FHIA 02, Calypso,Ambrosia, Bucaneiro e IAC 2001), oscultivares Thap Maeo, Caipira e Ouro, os dogrupo Prata (PV42 - 81, PV 42 - 142, PV 42 53, PV42 85, PV42 - 68, ST 42 - 08, FHIA18 e FHIA 01) e dos pltanos, somente oscultivares FHIA 20 e FHIA 21 so resistentes.

    Como controle preventivo, se recomenda:

    No utilizar reas que j se tenhaconstatado a presena da doena;

    Utilizar mudas sadias e livres denematides. Este pode provocar aquebra de resistncia da planta;

    Fazer a calagem do solo, mantendo opH na faixa de 6.5 a 7.0 e com bonsnveis de clcio e magnsio;

    Preferencialmente utilizar solos frteis,com bom teor de matria orgnica;

    Fazer controle rigoroso dosnematides;

    Controlar a nutrio das plantas,mantendo equilbrio das relaes declcio, magnsio e potssio e

    Evitar o fluxo de pessoas e animais narea de plantio

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    Sigatoka Amarela

    Tambm conhecida por Cercosporiose, adoena da bananeira de maior incidncia edisperso no pas. causada pelo fungoMycosphaerella musicola, Leach, sendo estaa forma perfeita ou sexuada dePseudocercospora musae (Zimm) Deighton,que corresponde a forma imperfeita ouassexuada do mesmo fungo.

    O seu controle exige elevados custos. EmRoraima os produtores, devido ao baixo nveltecnolgico utilizado, bem como por nohaver retorno econmico em funo doestgio de organizao da cadeia produtivada banana, no controlam esta doena.

    A evoluo dos sintomas da doena, permiteidentificar cinco fases distintas:

    Fase 1: Clorose Nesta fase observa-sepontuaes clorticas-amareladas alongadasno sentido das nervuras secundrias,formando gradativamente nervurasamareladas.

    Fase 2: Necrose As estrias amareladasesto maiores e no seu centro comeam aadquirir colorao pardo-avermelhada, atatingirem colorao bem escura.

    Fase 3: Mancha-Branca Sobre a manchaescura com halo amarelado, surge umacolorao esbranquiada e sobre estamancha comum se observar pontuaesnegras, que so as frutificaes do fungo.

    Fase 4: Confluncia - Devido ao grandenmero de infeces prximas umas dasoutras, estas comeam a coalescer, e bem

    desenvolvidas adquirem forma elptica,alongada, atingindo de 10 a 15 mm decomprimento por 2 a 5 mm de largura, seposicionando paralelamente s nervurassecundrias.

    Fase 5: Prematurao dos Frutos - Os frutosno engrossam, ficando angulosos eamadurecem na prpria planta, devido aoataque intenso do fungo. Quando noamadurecem na planta, logo aps a colheitaassumem colorao amarela e se tornammoles.

    O controle desta doena passa pela adoode vrias medidas que devem ser executadasem conjunto, sendo elas:

    Uso de variedades resistentes

    Controle cultural - atravs de drenagemdo solo, combate s plantas daninhas,desfolha, manuteno de densidadepopulacional adequada e adubaobalanceada.

    Controle qumico O uso de fungicidas o meio mais eficaz para o controle dasigatoka-amarela, devendo-se levar emconta:

    1. Horrio Fazer as aplicaes semprepela manh ou a tardinha,

    2. Condies climticas Evitar dias devento forte, para no derivar oproduto; dias chuvosos, por provocar alavagem do produto;

    3. Direcionamento do produto Atingindo principalmente as folhas

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    mais jovens, pois so as maissuscetveis;

    4. pocas de controle Um pouco antesdo incio do perodo das chuvas, seprolongando at um pouco aps otrmino deste, pois a doena atinge

    seu auge em perodos quentes emidos.

    Na tabela 2, esto relacionados os principaisprodutos utilizados no controle da sigatoka-amarela.

    Tabela 2: Principais produtos utilizados no controle da sigatoka-amarela

    Produtos Nome Comercial Dosagem

    Princpio Ativo/ha

    Intervalo entreaplicaes

    leo mineral OPPA, Spray Oil, etc 12 a 15 l 2 semanasPropiconazol + leo mineral Tilt 100 a 125 ml 4 semanasBenomil + leo mineral Benlate 125 a 150 ml 4 semanasTiabendazol + leo mineral Cercobin, Tecto, etc 125 a 150 ml 4 semanasMetiltiofanato + leo mineral Cycosin, Topsin 125 a 150 ml 4 semanasClorotalonil * Bravo, Daconil 800 a 1600 g 4 semanas

    * No pode ser aplicado em mistura com leo mineral; deve ser veiculado em gua

    Fig. 4. Folha atacada por sigatoka amarela

  • Recomendaes tcnicas para o cultivo da banana em Roraima

    Sigatoka Negra

    A Sigatoka Negra, doena fngica causadapelo agente Mycosphaerella fijiensis, Morelet,encontra-se estabelecida no Brasil desde oano de 1998 e atualmente est dispersapelos estados do Acre, Amap, Amazonas,Mato Grosso, Par, Rondnia e Roraima.

    sem dvida a mais grave doena dabananicultura podendo comprometer 100%da produo. Sua rpida disseminao pelosbananais dos estados contaminados e a suaprovvel chegada nos ainda no afetados,devero afetar a bananicultura nacional,fazendo com que a nossa produo noatenda a demanda interna, afetando tambmas exportaes, alm de comprometerseriamente o atendimento de agroindstriasque utilizam a banana como matria prima.

    Seu desenvolvimento se d das folhas novas(folha vela) para as mais velhas, seinstalando e germinando na presena degua sobre as folhas, penetrando assimpelos estmatos, colonizando definitivamentea planta.

    As fases de desenvolvimento desta doenaso:

    Fase 1: Pontos despigmentados na faceinferior da folha. Surgindo uma estria decor caf, no centro da rea descolorada.

    Fase 2: A estria de cor caf se fazperceber nas duas faces da folha.

    Fase 3: A estria de cor caf aumenta detamanho.

    Fase 4: Ocorre mudana na cor da estriade caf para preto, sendo agoraconsiderada mancha.

    Fase 5: Um halo amarelo circunda amancha preta.

    Fase 6: Ocorre nova mudana nacolorao da mancha, ficando deprimida.Nas reas mais claras (acinzentadas) seobserva a presena de pontos escuros(peritcios)

    A doena avana rapidamente e a destruioda rea foliar com conseqente reduo dacapacidade produtiva, ocorre em perodomuito inferior ao da sigatoka- amarela. Asfolhas ficam completamente enegrecidas emcurto espao de tempo.

    As medidas de controle utilizadas para asigatoka-amarela so vlidas para a sigatoka-negra, incluindo os produtos qumicosutilizados, tendo o cuidado de observar areduo dos intervalos entre aplicaes.Tem-se observado a queda da eficincia deprodutos qumicos, necessitando-se ficaratento a este fator para proceder asmudanas rapidamente.

  • Recomendaes tcnicas para o cultivo da banana em Roraima

    8. COLHEITA E EMBALAGEM

    A colheita dos frutos da cultura se inicia entre

    11 e 12 meses aps o plantio.

    O rendimento da cultura muito varivel eest intimamente relacionado com ascondies climticas, poca de plantio,espaamento, tratos culturais, adubao,tratos fitossanitrios, etc.

    9. LITERATURA CONSULTADA

    ALVES, E. J. Situacin del cultivo de pltano

    en Brasil. In: UPEB (Panam). El pltano(Musa AAB, ABB) en Amrica Latina.Panam, 1992. p. 1-96.

    ALVES, E.J. (Org.). A cultura da banana:aspectos tcnicos, socioeconmicos eagroidustriais. 2ed. Braslia: Embrapa SPI/Cruz das Almas: Embrapa CNPMF,1999.585p.

    ALMEIDA, C. O. de; SOUZA, I. da S.; LEAL,M. da S. Bananicultura no Brasil: Aspecto

    econmico da produo a comercializao.International Symposium Bananas and Food

    Sccurty, Proceeding Dovala, Cameroom,1998 (no prelo)

    A.O.A.C. (Washington, DC) Official Methodsas Analysis of the Association of OfficialAnalytical Chemists. Washington DC:AOAC, 1992.

    BORGES, A.L.; ALVES, E.J.; SILVA, O.E.;SOUZA, L.S.; MATOS, A.P.; FANCELLI, M.;OLIVEIRA, A.M.G.; CORDEIRA, Z.J.M.;SILVEIRA, J.R.S.; COSTA, D. C.; MEDINA,V.M.; OLIVEIRA, S.L.; SOUZA, J.S.;OLIVEIRA, R.P.; CARDOSO, C.E.L.;

    MATSUURA, F.C.A.U.; ALMEIDA, C.O. de. Ocultivo da banana. Cruz das Almas:Embrapa CNPMF, 1997. 109p. (CircularTcnica, 27).

    CORDEIRO, Z.J.L.; KIMATI, H. Doenas dabananeira (Musa spp). In: KIMATI, H.;AMORIM, L.; BERGAMIM FILHO, A.;CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M.

    Fig. 5. Folha atacada por sigatoka negra

  • Recomendaes tcnicas para o cultivo da banana em Roraima

    Manual de Fitopatologia: Doenas dasplantas cultivadas, So Paulo: Ed.Agronmica Ceres, 1997. Cap. 13, p.112-136.

    CORDEIRO, Z.J.M.; ALMEIDA, C.O.de.Situao da bananicultura no Norte eNordeste brasileiro. In: RUGGIERO, C.

    Bananicultura, Jaboticabal: Ed. FUNEP,2001. p. 97-105.

    DUARTE, O. R. Cultivares e hbridospromissores de banana em Roraima. BoaVista: Embrapa Roraima, 2000. 4 p.(Embrapa Roraima. Comunicado Tcnico,11)

    DUARTE, O. R. Variedades: A soluo paraa bananicultura. Boa Vista: Embrapa-CPAF-

    Roraima, 1997. 2 p. (Embrapa-CPAF-Roraima. Embrapa Informa, 10)

    MATOS, A.P.; SILVA, S. de O.; PEREIRA,J.C.R. Doenas da bananeira no mdioSolimes, Amazonas: moko, mal-do-panam

    e Sigatoka amarela. Informativo SBF,Braslia, v.15, n.4, p.13-17, 1996.

    SILVA, S. de O. de Banana para ExportaoIn : Alves, E. J. ; Dantas, J. L. L. ; Filho, W.dos S. S. ; Oliveira, M. de A. ; Souza, L. daS.; Cintra, F. L. D.; Borges, A. L. ; Oliveira, A.M. G. ; Oliveira, S. L. de ; Fancelli, M.;

    Cordeiro, Z. J. M.; Souza, J. da S. Bananapara Exportao: Aspectos Tcnicos daproduo. Braslia : EMBRAPA.SPI, 1995.106p. (Srie Publicaes Tcnicas. FRUPEX;18).

    CircularTcnica, 09

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