Custo Brasil e Taxa de Câmbio na Indústria de Transformação 2013

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Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec)

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  • 1. DECOMTEC 1 DECOMTEC Departamento de Competitividade e Tecnologia Junho de 2014
  • 2. DECOMTEC 2 Almir Daier Abdalla Cassio Jordo Motta Vecchiatti Cludio Grineberg Cludio Sidnei Moura Cristiano Veneri Freitas Miano (Representante do CJE) Denis Perez Martins Eduardo Berkovitz Ferreira Eduardo Camillo Pachikoski Elias Miguel Haddad Fernando Bueno Francisco Florindo Sanz Esteban Jorge Eduardo Suplicy Funaro Luiz Carlos Tripodo Manoel Canosa Miguez Marcelo Jos Medela Marco Aurlio Militelli Mario William Esper Mauricio Marcondes Dias de Almeida Olvio Manuel de Souza vila Rafael Cervone Netto Robert Willian Velsquez Salvador (Representante do CJE) Ronaldo da Rocha Tarsis Amoroso Walter Bartels Departamento de Competitividade e Tecnologia EQUIPE TCNICA GERENTE Renato Corona Fernandes EQUIPE TCNICA Adriano Giacomini Morais Albino Fernando Colantuono Andr Kalup Vasconcelos Clia Regina Murad Daniele Nogueira Milani Debora Belucci Modolo Cintra Egdio Zardo Junior rica Marques Mendona Fernando Momesso Pelai Juliana de Souza Luis Menon Jos Paulo Cesar Morceiro Paulo Sergio Pereira da Rocha Silas Lozano Paz Vinicius Rena Pereira ESTAGIRIO Franco Vissotto Zolin Gustavo Manzotti Simes APOIO Maria Cristina Bhering Monteiro Flores Luis Menon Jos Federao das Indstrias do Estado de So Paulo - FIESP PRESIDENTE EM EXERCCIO Benjamin Steinbruch Departamento de Competitividade e Tecnologia DECOMTEC DIRETOR TITULAR Jos Ricardo Roriz Coelho DIRETOR TITULAR ADJUNTO Pierangelo Rossetti
  • 3. DECOMTEC 3 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes Finais
  • 4. DECOMTEC 4 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes Finais
  • 5. DECOMTEC 5 1. Introduo e objetivos do estudo Apesar de recorrentemente mencionado como a principal causa da perda de competitividade da economia, no existiam recentemente quantificaes do Custo Brasil e de seu impacto sobre os preos dos produtos industriais. Em 2013, o DECOMTEC, por meio de um estudo indito, Custo Brasil na Indstria de Transformao em 2012, sanou essa lacuna ao verificar que um produto industrializado nacional era, em mdia, 34,2% mais caro que um produto importado em decorrncia do Custo Brasil e da Valorizao do Real. Objetivos do Estudo: Calcular o Custo Brasil 2013, e Quantificar a diferena de preos entre os produtos industrializados brasileiros e os produtos importados.
  • 6. DECOMTEC 6 O que Custo Brasil? O Custo Brasil um termo recorrentemente apontado como a principal causa da perda de competitividade da economia, e sobretudo, da perda de competitividade da indstria de transformao. Apesar da importncia atribuda ao Custo Brasil, trata-se de um conceito pouco compreendido. O Custo Brasil rene distintos custos vigentes na economia brasileira. Esses custos decorrem de deficincias em diversos fatores relevantes para a competitividade industrial. Nas principais economias que concorrem com o Brasil, esses custos so menos expressivos. Por isso, o Custo Brasil apontado como o principal fator da perda de competitividade da economia e, em especial, da perda de competitividade da indstria de transformao. O Custo Brasil independe de estratgias empresariais, pois decorre de deficincias em fatores sistmicos, que somente podero ser mitigadas com polticas de Estado. 1. Introduo e objetivos do estudo
  • 7. DECOMTEC 7 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes Finais
  • 8. DECOMTEC 8 Desde a crise financeira internacional os desempenhos da economia brasileira e da indstria de transformao no so bons. O crescimento do PIB do pas est abaixo da mdia do crescimento do PIB dos pases emergentes o A economia brasileira cresceu muito pouco nos ltimos trs anos: 2,7% em 2011 1,0% em 2012 2,3% em 2013 .A indstria de transformao, que deveria dinamizar a economia, est estagnada. o O crescimento do PIB da indstria de transformao nos trs anos foi de: 0,1% em 2011 - 2,4% em 2012 1,9% em 2013 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 9. DECOMTEC 9 A Indstria de Transformao no se recuperou aps a crise financeira internacional de 2008. A produo fsica da indstria est estagnada desde 2010, e no se observa uma tendncia firme de recuperao. Em 2013, a produo fsica da indstria de transformao cresceu apenas 1,6% em relao a 2012, desempenho insuficiente frente s potencialidades do mercado nacional. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 10. DECOMTEC 10 O incremento do consumo interno foi suprido primordialmente por produtos importados. O dinamismo recente do consumo no foi acompanhado pela produo industrial, de 2003 a 2013, o volume das vendas no comrcio cresceu 118%, enquanto a produo fsica da indstria de transformao aumentou 27%. O Custo Brasil e a valorizao do real foram os responsveis pela perda de competitividade do setor industrial. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao Participao dos importados no crescimento do consumo de bens industriais: 2008 e 2010 = 40% 2011 = 100% 2013 = 89,3% Fonte: Banco Central do Brasil - Relatrio de inflao: junho/2012, e Derex/FIESP -Coeficientes de Exportao e Importao, fev/2014. Participao dos importados no crescimento do consumo de bens industriais: 2008 e 2010 = 40% 2011 = 100% 2013 = 89,3% Fonte: Banco Central do Brasil - Relatrio de inflao: junho/2012, e Derex/FIESP -Coeficientes de Exportao e Importao, fev/2014. Base: mdia de 2003 = 100 Fonte: PIM; PMC - Srie dessazonalizadas. (IBGE). Elaborao: DECOMTEC/FIESP.
  • 11. DECOMTEC 11 Em 2013, a cada quatro produtos industrializados vendidos em territrio brasileiro, um foi produzido fora do pas. O coeficiente de penetrao das importaes na indstria de transformao passou de 10,5% em 2003, para 23,7% em 2013, como consequncia do Custo Brasil e de anos seguidos com o cmbio apreciado. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 12. DECOMTEC 12 O crescimento do coeficiente de penetrao das importaes na maioria das atividades industriais retrata a perda de competitividade do pas. Os produtos importados respondem por mais da metade do consumo de equipamentos mdico-hospitalares, informtica, mquinas e equipamentos e material eletrnico e de comunicao. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 13. DECOMTEC 13 Como resultado de anos de cmbio apreciado e do Custo Brasil, a participao da Indstria no PIB regrediu a 13,0% em 2013, o menor patamar dos ltimos 50 anos. Se nada for feito, a participao da indstria poder reduzir ainda mais, e poder chegar a apenas 9,3% do PIB em 2029. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 14. DECOMTEC 14 Ao comprometer o crescimento da indstria, o Brasil afeta o componente com maior efeito multiplicador da economia Maior multiplicador do crescimento, R$ 1,00 em suas vendas movimentam R$ 2,22 na economia. A mais intensiva em investimento produtivo Produtividade: 31% superior a mdia da economia, logo, quanto maior a participao da IT no PIB, maior a produtividade. Origem e difusora de Inovaes: no setor privado a IT realiza 70,5% de todos os gastos em P&D, e 80,3% das atividades inovativas. Os anos de melhor desempenho econmico do pas foram aqueles em que a IT obteve maior crescimento. Demandante Ofertante No inclui setores institucionais Relao entre a participao da indstria de transformao no PIB e a evoluo da PTF Investimento produtivo Fonte: IBGE. Elaborao: DECOMTEC/FIESP. 2. A economia brasileira e a indstria de transformao
  • 15. DECOMTEC 15 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais
  • 16. DECOMTEC 16 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil Estrutura Produtiva A estrutura de produo considerada a da indstria de transformao brasileira e, portanto, reflete aspectos como sua intensidade de uso de fatores, ciclos econmico, operacional e financeiro, dentre outros. (A) Estima-se o preo do produto, considerando o ambiente de negcios brasileiro. (B) Estima-se o preo do produto supondo ambiente de negcios equivalente ao dos pases cuja produo da indstria de transformao compete com a brasileira. Esse preo estabelecido como base = 100. Custo Brasil = A - B
  • 17. DECOMTEC 17 100 100 Custo Brasil Brasil Preo no pas comparado Comparao de preos entre produto nacional e importado Clculo do Custo Brasil Estrutura produtiva do Brasil; Ambiente de negcios do pas comparado. Reflete o impacto no preo devido a desvantagens do ambiente de negcios brasileiro 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil Preo sem Custo Brasil Estrutura produtiva e ambiente de negcios do Brasil.
  • 18. DECOMTEC 18 Critrio de escolha dos pases escolhidos como benchmark A comparao de preos se d com os principais pases comerciais cuja produo compete com a brasileira, com ponderao pela participao na pauta de importao de bens industrializados1: o Parceiros: principais pases2 na pauta de importao de industrializados, correspondendo a 76% do valor total de importao em 2013; o Desenvolvidos: pases desenvolvidos3 dentre os quinze parceiros; o Emergentes: pases emergentes4 dentre os quinze parceiros; o China: principal pas na pauta de importao de industrializados. Fonte: SECEX. Elaborao DECOMTEC/FIESP. 1. Bens semimanufaturados e manufaturados. 2. Alemanha; Argentina; Canad; Chile; China; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; ndia; Itlia; Japo; Mxico; Reino Unido e Sua. 3. Alemanha; Canad; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; Itlia; Japo; Reino Unido e Sua. 4. Argentina; Chile; China; ndia e Mxico. 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 19. DECOMTEC 19 Componentes do Custo Brasil No clculo do Custo Brasil foram considerados seis grupos de fatores do ambiente de negcios (fatores sistmicos), alm da valorizao do real. Tributao (Carga e Burocracia) Custo Brasil energia e matrias Custos de energia e matrias primas Custo de capital de giro Custos de servios non tradables Custos da infraestrutura logstica Custos extras de servios a funcionrios Custo Brasil grupos de fatores do ambiente de negcios: 1) Critrios de escolha do Custo Brasil: o Relevncia para a competitividade; o Potencial de melhoria por polticas pblicas. No esto includos no clculo do Custo Brasil: o Custo de mo de obra; o Outras ineficincias sistmicas. Taxa de Cmbio 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 20. DECOMTEC 20 Para calcular o diferencial de preos entre o produto nacional e o importado necessrio acrescentar o efeito que a valorizao cambial acarreta aos preos dos produtos estrangeiros. No clculo, considera-se apenas a valorizao do real em relao ao dlar em 2013, uma vez que as taxas de cmbio dos demais pases em relao ao dlar no podem ser influenciadas pela economia brasileira. O real encontrava-se valorizado em 16% em relao ao dlar segundo o ndice Big Mac (julho-2013). Esse foi o percentual utilizado para ajuste do preo do produto importado neste trabalho. Em janeiro de 2013, o ndice Big Mac apontou valorizao de 29,2% do real em relao ao dlar. Caso fosse utilizado esse percentual a diferena de preos entre o produto nacional e o importado seria ainda maior. Ressalta-se que o real permaneceu valorizado. No comeo de 2014, segundo o ndice Big Mac (janeiro/2014), o real apresentava valorizao de 13,5% em relao ao dlar. 1 O ndice Big Mac calculado pela revista The Economist e apontava uma valorizao de 15,98% em julho de 2013. Aspecto Cambial 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 21. DECOMTEC 21 Demais Componentes de Preos Para quantificao da diferena de preos no mercado interno dos produtos da indstria de transformao brasileira e dos produtos importados tambm foram adicionados os seguintes componentes: o No produto industrializado nacional foram acrescentados: ICMS IPI PIS/Cofins o No produto industrializado importado foram acrescentados: ICMS IPI PIS/Cofins Imposto de Importao Fretes e seguros 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 22. DECOMTEC 22 Foram estimadas as alquotas efetivas do imposto de importao (II) de produtos industrializados para os pases Parceiros, Desenvolvidos, Emergentes e a China. As alquotas de importao efetivas so baixas em comparao ao mximo de 35% estabelecido pela Organizao Mundial do Comrcio (OMC). Parceiros: Alemanha; Argentina; Canad; Chile; China; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; ndia; Itlia; Japo; Mxico; Reino Unido e Sua. Desenvolvidos: Alemanha; Canad; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; Itlia; Japo; Reino Unido e Sua. Emergentes: Argentina; Chile; China; ndia e Mxico. No clculo da alquota de importao no foram contabilizados os Regimes especiais de importao e outros benefcios que reduzem a alquota de importao. Alquotas do Imposto de Importao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 23. DECOMTEC 23 Aspectos no considerados A anlise no contempla diversos elementos que favorecem, de forma espria e no isonmica com o produto nacional, a reduo dos preos de produtos importados no mercado interno, notadamente: Subsdios e outras medidas de incentivo produo e exportao dos pases de origem; Desvios das taxa de cmbio dos pases de origem das importaes. Por exemplo, segundo o ndice Big Mac de julho de 2013, as moedas da ndia, China e Mxico apresentam desvalorizaes em relao ao dlar norte- americano de 67%, 43% e 37% respectivamente; Incentivos ilegais concedidos por estados brasileiros, redutores da tributao para importados (Guerra dos Portos), que perduraram em parte do ano de 2013. 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil
  • 24. DECOMTEC 24 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 25. DECOMTEC 25 O Custo Brasil com a Tributao (carga tributria e burocracia) contribui para elevar o diferencial de preos entre os produtos brasileiros e os importados, e constitudo por trs elementos: 1) Tributos diretos na produo, referente a alta carga (alquotas mais elevadas) de IRPJ, CSLL, INSS, dentre outros, que incidem sobre a Indstria de Transformao. 2) Tributos irrecuperveis na indstria. 3) Burocracia para pagar tributos. Observao: Os tributos indiretos incidentes sobre o produto final (ICMS, IPI, PIS/Cofins) no foram includos no clculo do Custo Brasil com a tributao, pois estes incidem tanto no produto nacional como no importado, e sero tratados mais adiante, quando entraro no clculo do preo final dos produtos nacional e importado. 4.1 Tributao: carga e burocracia
  • 26. DECOMTEC 26 4.1 Tributao: carga e burocracia A carga tributria brasileira elevada, e est acima da mdia em relao renda per capita do pas. O Reino Unido e a Alemanha tm cargas tributrias prximas brasileira, mas, tm PIBs per capita mais de trs vezes superiores ao do Brasil.
  • 27. DECOMTEC 27 O Custo Brasil com a carga de Tributos Diretos1 resulta da diferena entre o impacto nos preos com a carga nacional, com o impacto nos preos que seria obtido com a carga dos principais pases parceiros comerciais do Brasil. Em 2013, o acrscimo nos preos devido ao Custo Brasil com Tributos Diretos foi de 5,4% comparado com os Parceiros; 6,3% com os Desenvolvidos; 3,9% com os Emergentes e 2,5% com a China. O Custo Brasil com Tributos Diretos de 2013 menor do que o de 2012. Parte dessa queda pode ser atribuda desonerao da folha de pagamentos. 1 Os tributos considerados so os incidentes sobre o lucro e sobre a folha de pagamentos. A alquota dos tributos de cada um dos pases parceiros teve como fontes o Banco Mundial (Doing Business) e o relatrio Worldwide corporate tax guide 2013 da Ernst & Young. 4.1 Tributao: carga e burocracia 1 - Tributos Diretos na Produo
  • 28. DECOMTEC 28 Os tributos deveriam ser no-cumulativos. Ou seja, todos os insumos deveriam gerar crditos de tributos para que fossem posteriormente descontados dos impostos a recolher no momento da venda do produto final. Atualmente, a no cumulatividade aplicada apenas parcialmente no PIS/PASEP, ICMS e IPI, j que uma parte dos tributos embutidos nos insumos no gera crdito, elevando o custo de produo e o preo do produto final: Em 2013, o acrscimo nos preos devido ao Custo Brasil com Tributos Irrecuperveis foi de 5,6% comparado com os Parceiros, Emergentes e a China e 5,4% comparativamente aos Desenvolvidos. 4.1 Tributao: carga e burocracia 2 - Tributos Irrecuperveis na indstria
  • 29. DECOMTEC 29 O tempo que se gasta anualmente para preparar, registrar e pagar tributos de 2.600 horas no Brasil; 249 horas nos Parceiros; 191 horas nos Desenvolvidos; 138 horas nos Emergentes e 318 horas na China (Doing Business 2013). Em 2013, o acrscimo nos preos devido ao Custo Brasil com a Burocracia Tributria foi de 2,9% em comparao com os Parceiros e Desenvolvidos; 3,1% com os Emergentes e 2,8% com a China. 4.1 Tributao: carga e burocracia 3 Burocracia para pagar tributos
  • 30. DECOMTEC 30Fonte: DECOMTEC/FIESP. A Tributao o principal item do Custo Brasil. Os trs componentes da Tributao (tributos diretos, irrecuperveis e burocracia) geram um acrscimo nos preos de: o 13,8% com os Parceiros o 14,6% com os Desenvolvidos, o 12,6% com os Emergentes e o 10,9% com a China. 4.1 Tributao: carga e burocracia Consolidao
  • 31. DECOMTEC 31 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 32. DECOMTEC 32 4.2 Capital de Giro O custo de capital de giro no Brasil de longe o mais alto dentre os seus principais parceiros comerciais analisados. Isso se deve, em parte, taxa de remunerao dos depsitos (cuja referncia a taxa bsica de juros: Selic) e, especialmente, ao spread bancrio. A taxa de juros exerce efeito fundamental na operao das empresas industriais: o Trata-se de fator determinante no crescimento de longo prazo das empresas, estimulando ou inibindo investimentos. o A taxa de juros tambm impacta diretamente a atividade das empresas no curto prazo, ao afetar tanto o custo do capital de giro proveniente de terceiros (financiamento bancrio, por exemplo), quanto o custo de oportunidade do capital prprio.
  • 33. DECOMTEC 33 4.2 Capital de Giro No clculo do Custo Brasil do Capital de Giro, primeiro se estima o Custo do Capital de Giro no preo industrial, em seguida, observando as mesmas condies estruturais da indstria brasileira, calcula-se o impacto do custo de capital de giro no preo caso vigorassem taxas de juros equivalentes s dos pases Parceiros, Desenvolvidos, Emergentes e da China. A diferena entre o impacto no preo do produto nessas duas situaes o Custo Brasil do capital de giro. Em 2013, ocorreu queda do Custo de Capital de Giro de 0,4 pontos percentuais em relao 2012 nos pases parceiros, que teve como causa a reduo da taxa SELIC e do spread, este ltimo foi liderado por bancos pblicos.
  • 34. DECOMTEC 34 Fonte: DECOMTEC/FIESP. 4.2 Capital de Giro O Custo Brasil com Capital de Giro representa um acrscimo nos preos dos produtos industriais de: o 4,1% em comparao os principais Parceiros comerciais e com a China o 5,1% com os pases Desenvolvidos o 2,4% com os pases Emergentes
  • 35. DECOMTEC 35 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 36. DECOMTEC 36 4.3 Energia e matrias primas A ampla dotao de recursos naturais do Brasil poderia assegurar oferta a preos competitivos de insumos e matrias primas, o que favoreceria a agregao de valor, gerao de empregos e o aumento da renda no pas. No entanto, essa disponibilidade de recursos naturais no revertida em vantagem competitiva em relao a outras economias. Isso abrange o preo da energia e de matrias primas de uso amplo em diversas cadeias produtivas. O impacto nos preos do Custo Brasil de Energia e Matrias Primas ficou praticamente estvel de 2012 para 2013 nos Parceiros e Desenvolvidos, observando-se queda com a China e os Emergentes.
  • 37. DECOMTEC 37 O impacto da energia eltrica apresentou queda em 2013. Todavia, esse ganho foi parcialmente mitigado pelo aumento do custo das matrias primas. Apesar da queda de 2012 para 2013, o Custo Brasil com Energia e Matrias Primas ainda representa um acrscimo nos preos dos produtos industriais de: o 3% quando comparado com os Parceiros; o 4,9% com os Emergentes e o 5,1% com a China. Fonte: DECOMTEC/FIESP. 4.3 Energia e matrias primas
  • 38. DECOMTEC 38 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 39. DECOMTEC 39 4.4 Infraestrutura Logstica O Brasil possui srias deficincias na infraestrutura de distribuio de bens e servios. A densidade das malhas rodoviria e ferroviria est abaixo da dos pases Parceiros e Emergentes (vide quadro abaixo, colunas D e E). Em avaliaes qualitativas, o pas tambm apresenta os menores conceitos, comparando com os outros grupos, tanto em rodovias como em ferrovias e portos (colunas A, B, C). A B C D E Qualidade de infraestrutura de rodovias (nota) Qualidade de infraestrutura de ferrovias (nota) Qualidade de infraestrutura de portos (nota) Densidade da malha rodoviria (km por km2) Densidade da malha ferroviria (km por km2) Brasil 2,8 1,8 2,7 0,19 0,003 Pases parceiros 5,1 4,7 5,0 0,95 0,037 Pases desenvolvidos 5,7 5,4 5,5 1,35 0,055 Pases emergentes 4,1 3,8 4,3 0,39 0,011 China 4,5 4,7 4,5 0,44 0,009 Fontes: Colunas: A, B e C: WEF; D e E: CIA. Elaborao DECOMTEC/FIESP.
  • 40. DECOMTEC 40 Deficincias na infraestrutura logstica acarretam para a indstria nacional custos superiores aos arcados pelas indstrias de pases com melhor infraestrutura. No estudo Carga Extra na Indstria Brasileira: Custos com Logstica, constatou-se que as deficincias da infraestrutura logstica representam 1,8% do preo dos produtos industriais. Considerando-se esse efeito e um ndice de infraestrutura logstica calculado a partir dos indicadores do quadro anterior, estimou-se o Custo Brasil da infraestrutura logstica. Os resultados apontam que o Custo Brasil devido s deficincias logsticas no se alterou de 2012 para 2013 em todos os grupos de pases analisados. 4.4 Infraestrutura Logstica
  • 41. DECOMTEC 41 O Custo Brasil da infraestrutura logstica representa um acrscimo nos preos dos produtos industriais de: o 1,5% em comparao os principais Parceiros comerciais o 1,6% com os pases Desenvolvidos o 1,2% com os pases Emergentes e com a China Fonte: DECOMTEC/FIESP. 4.4 Infraestrutura Logstica
  • 42. DECOMTEC 42 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 43. DECOMTEC 43 Apesar da elevada carga tributria, diversos servios pblicos tm oferta insuficiente ou com qualidade inferior adequada. Por isso, muitas empresas suprem com recursos prprios alguns servios cujo provimento pelo Estado precrio (servios de sade, previdncia, assistncia, dentre outros). Segundo o estudo Carga Extra na Indstria Brasileira 3, o impacto desses servios nos preos de 0,96%. A diferena desse custo no Brasil com os dos demais pases (base: Competitive Alternatives. KPMG) o que se paga a mais no pas. Em 2013, em comparao com os parceiros comerciais, os Servios Extras a funcionrios apresentaram pequena queda em relao ao ano anterior. 4.5 Custos extras de servios a funcionrios
  • 44. DECOMTEC 44 O Custo Brasil com servios extras a funcionrios representa um acrscimo nos preos dos produtos industriais de: o 0,7% em comparao com os principais Parceiros comerciais o 0,6% em comparao com os Desenvolvidos o 0,9% em comparao com os Emergentes e com a China Fonte: DECOMTEC/FIESP. 4.5 Custos extras de servios a funcionrios
  • 45. DECOMTEC 45 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 46. DECOMTEC 46 A indstria uma grande demandante de servios, cujos preos so elevados no Brasil em comparao com os principais parceiros comerciais. Nesta parte do estudo foram analisados os custos relativos a Aluguis e arrendamentos e a Servios prestados por terceiros: consultoria, auditoria, advocatcios, contabilidade, despachante, limpeza, vigilncia, informtica, etc. O preo desses servios foi comparado com o dos pases selecionados com base nos dados do Competitive Alternatives da KPMG. Os resultados indicam que ocorreu um sensvel aumento dos custos com servios non tradables no Brasil de 2012 para 2013 na comparao com os parceiros. 4.6 Servios non tradables
  • 47. DECOMTEC 47 Os servios non tradables representam vantagem para o Brasil em relao aos pases desenvolvidos. Todavia, h Custo Brasil com Servios no tradables com os demais grupos de pases, que representam acrscimo nos preos industriais de: o 0,3% em comparao com os Parceiros o 2,6% em comparao com os Emergentes o 2,5% em comparao com a China 4.6 Servios non tradables Fonte: DECOMTEC/FIESP.
  • 48. DECOMTEC 48 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 4.1) Tributao (carga e burocracia) 4.2) Capital de giro 4.3) Energia e matrias primas 4.4) Infraestrutura logstica 4.5) Custos extras de servios a funcionrios 4.6) Servios non tradables 4.7) Custo Brasil Total Estrutura
  • 49. DECOMTEC 49Fonte: DECOMTEC/FIESP. Em 2013, o impacto nos preos do Custo Brasil apresentou queda de: o 2 p.p. em comparao com os Parceiros comerciais. o 1,9 p.p. em comparao com os Desenvolvidos o 3,8 p.p. em comparao com os Emergentes o 6,2 p.p. em comparao com a China 4.7 Custo Brasil Total
  • 50. DECOMTEC 50Fonte: DECOMTEC/FIESP. O quadro consolidado com os seis grupos de fatores analisados indica que o Custo Brasil gera um acrscimo entre 20,8% e 24,7% aos preos de produtos da indstria de transformao se comparados com os produtos importados. Fonte: DECOMTEC/FIESP. 4.7 Custo Brasil Total
  • 51. DECOMTEC 51 Fonte: DECOMTEC/FIESP. Cada componente do Custo Brasil pode variar seu peso conforme o pas ou grupo de pases que se compara. A Tributao o principal componente do Custo Brasil. O Custo Brasil de Energia e Matrias Primas mais significativo na comparao com a China (5,1) e com os Emergentes (4,9). O Custo Brasil com Capital de Giro mais significativo na comparao com os Parceiros (4,1), China (4,1) e Desenvolvidos (5,1). 4.7 Custo Brasil Total
  • 52. DECOMTEC 52 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais
  • 53. DECOMTEC 53 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos O real segue valorizado, apesar da desvalorizao relativa ocorrida desde meados de 2011...
  • 54. DECOMTEC 54 ...entretanto, a trajetria do desenvolvimento das principais economias do mundo indica que a taxa de cmbio valorizada restringe o crescimento de longo prazo, sobretudo pela limitao que impe atividade da indstria de transformao. Dentre as razes pelas quais uma taxa de cmbio valorizada afeta negativamente o crescimento da indstria de transformao e, consequentemente, da economia, podem-se destacar: a) A valorizao cambial provoca reduo do preo de produtos importados; b) Tal reduo mais significativa que a ocorrida no custo de produo da indstria de transformao nacional (uma vez que a maior parte da sua estrutura de custos insensvel a variaes da taxa de cmbio); c) Isso prejudica a competitividade da indstria brasileira, desestimulando o investimento produtivo no mercado interno; d) A produo industrial afetada, e, por extenso, o crescimento da atividade, do emprego e da renda na economia como um todo. 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 55. DECOMTEC 55 recorrente o apelo ao falso argumento de que a valorizao da taxa de cmbio propicia melhoria da competitividade industrial de uma economia. Esse argumento se apoia, principalmente, em duas hipteses: 1. A valorizao da taxa de cmbio reduz custos da indstria, aumentando sua competitividade; e 2. A valorizao da taxa de cmbio estimula a modernizao tecnolgica e o aumento da capacidade produtiva, pela reduo de custos do investimento industrial, aumentando a competitividade do setor. A interpretao equivocada sobre o eventual benefcio do cmbio valorizado competitividade da indstria brasileira 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 56. DECOMTEC 56 Simulao do impacto de valorizao da taxa de cmbio, de R$ 2,00/US$ para R$1,50/US$ (valorizao de 25%) no: o Preo no mercado interno do produto nacional e do importado; o Custo dos insumos importados utilizados pela indstria nacional. Admite-se, por hiptese, um cenrio em que: o O produto da indstria nacional concorre diretamente com o produto importado, sendo que seu preo determinado pelo mercado; o Para produo do seu produto, a indstria nacional utiliza apenas insumos, componentes, partes e peas importadas (caso extremo); o O preo do produto composto por: custo com insumos, componentes, partes e peas, salrios, tributos, lucro e demais custos operacionais; o Custo com insumos, componentes, partes e peas responde por 40,2% do preo final do produto (Fonte: Pesquisa Industrial Anual - IBGE). Desmistificando a hiptese 1 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 57. DECOMTEC 57 (1) Base de dados da estrutura de preos do produto da indstria de transformao nacional: o Pesquisa Industrial Anual (PIA) IBGE 2010; o Receita Bruta de Vendas de Produtos Industriais (RBVPI): R$ 2.031 bilhes, que composta em: 1. Custos com insumos, componentes, partes e peas: R$ 817 bilhes (40,2% da RBVPI); 2. Valor de salrios, tributos, lucro e demais custos operacionais: R$ 1.214 bilhes (59,8% da RBVPI). Desmistificando a hiptese 1 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 58. DECOMTEC 58 59,8 59,8 40,2 30,2 0 20 40 60 80 100 R$ 2 / US$ R$ 1,5 / US$ Salrios, demais custos, tributos e lucro Custos com insumos 100,0 75,0 0 20 40 60 80 100 R$ 2 / US$ R$ 1,5 / US$ Preo do produto no mercado interno Fonte: PIA/IBGE. Elaborao: DECOMTEC/FIESP. Preo do produto importado no mercado interno Preo do produto nacional no mercado interno Sensibilidade de preos de produto e de custos em relao a valorizao cambial (de R$ 2,0/US$ para R$ 1,5/US$) 89,9 100,0 - 25% - 10% - 25% Custo com insumos, componentes, partes e peas Desmistificando a hiptese 1 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 59. DECOMTEC 59 Como demonstrado, apesar da valorizao cambial reduzir o custo dos insumos utilizados pela indstria nacional, o preo no mercado do produto importado se torna 17% mais barato que o nacional (R$ 75,0 ante R$ 89,9). Assim, valorizao do real reduz a competitividade da indstria nacional ante o produto importado. O preo no mercado interno do produto importado absorve integralmente a variao cambial, ou seja, reduo de 25%. Dada a estrutura de preos do produto nacional, apenas uma parcela dela absorve a variao cambial. No cenrio assumido, essa parcela corresponde a 40,2% dessa estrutura. Os seus demais componentes (salrios, tributos, lucro e demais custos) no so reduzidos com a valorizao cambial. Desmistificando a hiptese 1 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 60. DECOMTEC 60 Dessa forma, a reduo ocorrida no preo do produto nacional de apenas 10%. Para a manuteno da sua competitividade (ou sobrevivncia), a indstria nacional teria que corrigir a distoro de preo por meio de uma reduo da sua margem bruta, possibilidade muito limitada, pois a indstria j est operando com margens apertadas a algum tempo. Outra opo, seria a substituio da produo prpria pela importao integral do mesmo produto. Ressalta-se que nessa simulao, tanto o Custo Brasil como a valorizao cambial no foram includos. Desmistificando a hiptese 1 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 61. DECOMTEC 61 De fato, a valorizao cambial proporciona uma reduo, na mesma proporo, no preo de mquinas e equipamentos importados aplicados na modernizao e ampliao do parque produtivo; Entretanto, como demonstrado, o preo do produto importado no mercado interno sofre uma reduo superior diminuio de custos de produo da indstria local; Esse diferencial de preo em favor do produto importado reduz a competitividade da indstria local, que fica com margens comprometidas ou perde mercado para os produtos estrangeiros; Com margem comprimida e/ou mercado absorvido pela produo externa, a indstria local perde estmulo para investimentos em modernizao e/ou ampliao do seu parque produtivo. Portanto, em que pese o barateamento das mquinas e equipamentos, a valorizao cambial no favorece, e sim compromete, o investimento. Desmistificando a hiptese 2 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 62. DECOMTEC 62 Como indicado, a quantificao do diferencial de preos, no mercado brasileiro, de produtos da indstria de transformao nacional ante importados, considera o Custo Brasil e valorizao do real. Existem inmeras metodologias para clculo de quanto as moedas se encontram valorizadas ou desvalorizadas, ou desvio de taxa de cmbio. No h, todavia, unanimidade quanto a metodologia mais adequada para sua aferio. Diante disso, optou-se pela adoo do ndice Big Mac, elaborado pela revista The Economist. Sua metodologia baseada na Teoria Paridade do Poder de Compra, segundo a qual as taxas de cmbio devem se ajustar para que o preo de uma cesta de bens seja o mesmo nos distintos pases. O ndice Big Mac expressa o desvio (positivo ou negativo) que a taxa de cmbio de cada pas possui em relao ao nvel necessrio para que um Big Mac tenha preo em US$ idntico ao verificado nos EUA. importante ressaltar que, neste estudo, considerou-se apenas a valorizao do real ante o dlar, uma vez que o nvel das demais taxas de cmbio em relao ao dlar no determinvel pelo ambiente e poltica econmica brasileiros. 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 63. DECOMTEC 63 O dlar a moeda que serve de parmetro para o clculo do ndice Big Mac, por isso os EUA apresentam desalinhamento nulo. Segundo o ndice Big Mac de julho/2013, o real encontrava-se valorizado em 16% em relao ao dlar, que foi o percentual utilizado para ajuste do cmbio no estudo. O Brasil apresenta a segunda moeda mais valorizada entre os parceiros comerciais. Em janeiro de 2013, o ndice Big Mac indicava uma valorizao de 29% do real em relao ao dlar. Caso fosse considerado esse valor, o diferencial de preos seria ainda mais significativo. O ndice Big Mac de janeiro de 2014 indica que o real entrou o ano valorizado, com desvio de 13,5% em comparao com o dlar. Fonte: The Economist. ndice Big Mac, Brasil e pases parceiros, Julho de 2013 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 64. DECOMTEC 64 De acordo com o ndice Big Mac, o desvio do real em relao ao dlar de 16%. Logo, o preo (sem tributos indiretos) de um produto importado de 86,2, contra 100. 100 100 Produto brasileiro Produto importado Preo sem Custo Brasil, SEM desvio do cmbio 100,0 86,2 Produto brasileiro Produto importado Preo sem Custo Brasil, COM desvio do cmbio brasileiro Preos sem tributos indiretos e sem desvio da taxa de cmbio Preos sem tributos indiretos e com desvio da taxa de cmbio 5. A influncia da Taxa de Cmbio nos preos
  • 65. DECOMTEC 65 Estrutura 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais
  • 66. DECOMTEC 66 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 Na composio do preo final do produto industrial, alm do Custo Brasil e da valorizao cambial, foram acrescidos os tributos indiretos, que incidem tanto no produto nacional como no importado: No preo do produto nacional acrescenta-se: ICMS IPI PIS/Cofins No preo do produto importado acrescenta-se: ICMS IPI PIS/Cofins Imposto de Importao Fretes e seguros
  • 67. DECOMTEC 67 Imposto de importao: Dentre os dados que subsidiaram a anlise do custo de internao de produtos estrangeiros estimou-se a alquota efetiva do imposto de importao. Ressalta-se que a alquota efetiva do imposto de importao continua muito baixa em relao ao mximo de 35% acordado com a Organizao Mundial do Comrcio: o 10,2% para pases Parceiros; o 11,1% para os pases Desenvolvidos; o 8,4% para os pases Emergentes; o 12,6% para a China. Foram considerados os quinze pases que responderam por 76% da pauta de importao brasileira de bens industrializados em 2013. 1 Alemanha; Argentina; Canad; Chile; China; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; ndia; Itlia; Japo; Mxico; Reino Unido e Sua. 2 Alemanha; Canad; Coreia do Sul; Espanha; EUA; Frana; Itlia; Japo; Reino Unido e Sua. 3 Argentina; Chile; China; ndia e Mxico. 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 68. DECOMTEC 68 Diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira em relao aos PARCEIROS Fonte: DECOMTEC/FIESP. Obs.: Clculo dos tributos indiretos no preo do produto nacional considerando a venda da mercadoria para uso e consumo do destinatrio ou para integrar ao ativo e sistema no-cumulativo de PIS/Pasep e Cofins. 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 69. DECOMTEC 69 Diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira em relao aos DESENVOLVIDOS 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 Fonte: DECOMTEC/FIESP. Obs.: Clculo dos tributos indiretos no preo do produto nacional considerando a venda da mercadoria para uso e consumo do destinatrio ou para integrar ao ativo e sistema no-cumulativo de PIS/Pasep e Cofins.
  • 70. DECOMTEC 70 Diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira em relao aos EMERGENTES 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 Fonte: DECOMTEC/FIESP. Obs.: Clculo dos tributos indiretos no preo do produto nacional considerando a venda da mercadoria para uso e consumo do destinatrio ou para integrar ao ativo e sistema no-cumulativo de PIS/Pasep e Cofins.
  • 71. DECOMTEC 71 Diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira em relao CHINA 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 Fonte: DECOMTEC/FIESP. Obs.: Clculo dos tributos indiretos no preo do produto nacional considerando a venda da mercadoria para uso e consumo do destinatrio ou para integrar ao ativo e sistema no-cumulativo de PIS/Pasep e Cofins.
  • 72. DECOMTEC 72 Diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira. Comparao com os produtos importados por grupo de pases Fonte: DECOMTEC/FIESP. 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 73. DECOMTEC 73 Os componentes do diferencial de preos entre o produto industrializado nacional e o importado dos principais Parceiros comerciais indicam que o Custo Brasil e a Valorizao Cambial reduzem a competitividade da indstria de transformao nacional. Componentes do Custo Brasil com os principais Parceiros Comerciais Diferencial de Preos (Em %) 1 Custo Brasil 23,4 1.1 Tributao: Carga e Burocracia 13,8 1.2 Juros sobre Capital de Giro 4,1 1.3 Energia e matrias primas 3,0 1.4 Infraestrutura Logstica 1,5 1.5 Custos extras de servios a funcionrios 0,7 1.6 Servios non tradables 0,3 2 Valorizao Cambial 16,0 3 Outros componentes* -5,7 Total 33,7 Fonte: DECOMTEC/FIESP. * Compreende os Custos de Importao (Imposto de Importao, fretes e seguros), e a diferena entre a tributao indireta (ICMS, IPI e PIS/COFINS) proveniente da aplicao de frmulas distintas de apurao entre o produto industrializado no pas e o importado e de suas diferentes bases de clculo. 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 74. DECOMTEC 74 Os resultados do Custo Brasil no consideram diversas distores efetivamente presentes nos preos de produtos estrangeiros vendidos no Brasil, cujos efeito so significativos: o Subsdios e outras medidas de incentivo produo e/ou exportao dos pases de origem; o Desvios das taxa de cmbio dos pases de origem das importaes. Por exemplo, segundo o ndice Big Mac de julho de 2013, as moedas da ndia, China e Mxico apresentam desvalorizaes em relao ao dlar norte- americano de 67%, 43% e 37% respectivamente; o Incentivos ilegais concedidos por estados brasileiros, redutores da tributao para importados (Guerra dos Portos), que perduraram em parte do ano de 2013. 6. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 75. DECOMTEC 75 1 Introduo e objetivos do estudo 2 A economia brasileira e a indstria de transformao 3 Metodologia de clculo do Custo Brasil 4 Diferencial de preos e Custo Brasil por fator do ambiente de negcios 5 A influncia da Taxa de Cmbio nos preos 6 Custo Brasil e diferencial de preos em 2013 7 Consideraes finais Estrutura
  • 76. DECOMTEC 76 O trabalho apresenta quantificao do diferencial de preos internos de produtos da indstria de transformao brasileira em relao aos produtos importados, decorrente do Custo Brasil e da valorizao do real. Os resultados indicam que o Custo Brasil bastante significativo na determinao do preo dos produtos industriais, constituindo-se no principal fator determinante da perda de competividade da indstria de transformao. Alm do Custo Brasil, a valorizao do real contribui para esse quadro de perda de competitividade. As alquotas do imposto de importao so insuficientes para eliminar a desvantagem competitiva da indstria de transformao brasileira decorrente dos dois fatores em questo. 7. Consideraes Finais
  • 77. DECOMTEC 77 O Custo Brasil e a valorizao cambial explicam o fraco desempenho da indstria de transformao, repercutindo em baixo nvel de investimento e crescimento do PIB, muito aqum do necessrio para o desenvolvimento da nao. Tanto a eliminao do Custo Brasil como a desvalorizao cambial so condies fundamentais e no excludentes para a retomada da competitividade da indstria de transformao brasileira. A anlise comprova que as deficincias do ambiente de negcios no podem ser compensadas por melhorias nas estratgias empresariais. A eliminao ou reduo do Custo Brasil pressupe polticas de Estado 7. Consideraes Finais
  • 78. DECOMTEC 78 Departamento de Competitividade e Tecnologia DECOMTEC [email protected] Obrigado
  • 79. DECOMTEC 79 Parceiros = 33,7% Fonte: DECOMTEC/FIESP. Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 80. DECOMTEC 80Fonte: DECOMTEC/FIESP. Desenvolvidos = 29,9% Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 81. DECOMTEC 81Fonte: DECOMTEC/FIESP. Emergentes = 36,9% Custo Brasil e diferencial de preos em 2013
  • 82. DECOMTEC 82Fonte: DECOMTEC/FIESP. China = 32,3% Custo Brasil e diferencial de preos em 2013