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  • Daniel

    Silvio Dutra

    DEZ/2015

  • 2

    A474 Alves, Silvio Dutra Daniel / Silvio Dutra Alves. Rio de Janeiro, 2015. 111p.; 14,8x21cm 1. Teologia. 2. Profeta. 3. Justia. 4. Juzo 5. Comentrio Bblico I. Ttulo.

    CDD 230.224

  • 3

    Sumrio

    Introduo............................................................... 4

    Daniel 1 ......................................................................

    5

    Daniel 2......................................................................

    10

    Daniel 3......................................................................

    25

    Daniel 4......................................................................

    33

    Daniel 5......................................................................

    41 Daniel 6......................................................................

    48

    Daniel 7......................................................................

    54

    Daniel 8......................................................................

    65

    Daniel 9......................................................................

    72

    Daniel 10....................................................................

    80

    Daniel 11.....................................................................

    87

    Daniel 12....................................................................

    103

  • 4

    Introduo

    O livro do profeta Daniel contm a revelao que lhe foi dada por Deus, especialmente por meio de interpretao de sonhos e vises, para

    manter acesa em Israel a esperana messinica, pela constatao do poder e do controle total de

    Deus sobre a histria das naes.

    Assim, enquanto estivessem no cativeiro em Babilnia podiam estar certos de que o Senhor tornaria a lhes trazer de volta para a sua prpria

    terra na Palestina, de modo que pudessem guardar os seus mandamentos e manter toda a

    sua vontade at que Cristo se manifestasse como o Ungido prometido ao profeta, e que

    restauraria a sorte de Israel.

    Babilnia no permaneceria para sempre como imprio mundial, pois conforme fora revelado a Daniel, ela seria subjugada pela Prsia, e esta

    tambm, por sua vez, pelos macednios, dos quais, dos remanescentes do imprio de

    Alexandre, viriam tambm a ser subjugados pelos romanos.

    Por fim, se levantaria sobre a terra a reino mundial do Messias, mas no antes de serem

    cumpridas todas as etapas estabelecidas no plano eterno de Deus.

  • 5

    Daniel 1

    Este captulo nos fornece um relato da primeira incurso que Nabucodonosor, rei de

    Babilnia, fez logo no primeiro ano de seu reinado sobre Jud e Jerusalm, no terceiro ano

    do reinado de Joaquim, e seu sucesso nessa expedio. Ele sitiou Jerusalm, prendeu o rei, e deixou Jeoiaquim para reinar como seu vassalo,

    sendo que cerca de oito anos depois, este veio a se rebelar para a sua prpria runa.

    Deus havia elegido Israel para revelar ao mundo a sua vontade e glria, e ao invs disso os

    israelitas estavam fazendo exatamente o oposto por meio da sua idolatria e iniquidade. Ento

    lhes sobreveio este juzo da parte do Senhor para que vindicasse neles a sua santidade, revelando

    que nada tinha a ver com aquele modo de proceder deles.

    Eles necessitavam ser purificados para que Deus continuasse se revelando atravs deles, e isto seria feito por meio daquele juzo de serem

    expulsos de sua prpria terra.

    Daniel seria, portanto, para eles, um paradigma do carter que deve ser achado nos servos de

    Deus, e para o mesmo propsito foi-lhes dado o profeta Ezequiel, que foi contemporneo de

    Daniel.

  • 6

    Este captulo nos d conta de qual foi o comportamento de Daniel e de seus trs

    companheiros, que renunciaram s regalias e excessos da corte para permanecerem vivendo

    de modo justo e santo.

    No sem motivo que foi feito o registro do tipo de companhia ntima que privava Daniel

    homens sbios e tementes a Deus tal como ele, e isto nos recomendado tambm como

    crentes na Igreja de Cristo. Apesar de terem sido obrigados a receber nomes babilnios eles no

    mudaram o seu carter e nem se voltaram para os costumes abominveis deles.

    Pela nobreza e santidade de carter demonstrado, Daniel passou a ser um dos

    favoritos dos chefes dos eunucos.

    A sua doura de temperamento fazia com que fosse muito amado; mas, ainda assim dito que

    foi Deus que o colocou em favor com o chefe dos eunucos, e no propriamente em razo dos seus mritos.

    Por causa da sua piedade Ele fez com que obtivessem compaixo da parte daqueles que os levaram cativos; e sempre faz isto com todos os

    que procedem de igual maneira.

    Daniel 1.1 No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Jud, veio Nabucodonozor, rei

    de Babilnia, a Jerusalm, e a sitiou.

  • 7

    Daniel 1.2 E o Senhor lhe entregou nas mos a Jeoiaquim, rei de Jud, e uma parte dos vasos da

    casa de Deus; e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus; e os ps na casa do

    tesouro do seu deus.

    Daniel 1.3 Ento disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos que trouxesse alguns dos filhos de

    Israel, dentre a linhagem real e dos nobres,

    Daniel 1.4 jovens em quem no houvesse defeito algum, de bela aparncia, dotados de sabedoria,

    inteligncia e instruo, e que tivessem capacidade para assistirem no palcio do rei; e que lhes ensinasse as letras e a lngua dos

    caldeus.

    Daniel 1.5 E o rei lhes determinou a poro diria das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e

    que assim fossem alimentados por trs anos; para que no fim destes pudessem estar diante do

    rei.

    Daniel 1.6 Ora, entre eles se achavam, dos filhos de Jud, Daniel, Hananias, Misael e Azarias.

    Daniel 1.7 Mas o chefe dos eunucos lhes ps outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de

    Mesaque; e a Azarias, o de Abednego.

    Daniel 1.8 Daniel, porm, props no seu corao no se contaminar com a poro das iguarias do

    rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto

  • 8

    pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse no se contaminar.

    Daniel 1.9 Ora, Deus fez com que Daniel achasse graa e misericrdia diante do chefe dos eunucos.

    Daniel 1.10 E disse o chefe dos eunucos a Daniel: Tenho medo do meu senhor, o rei, que

    determinou a vossa comida e a vossa bebida; pois veria ele os vossos rostos mais abatidos do

    que os dos outros jovens da vossa idade? Assim poreis em perigo a minha cabea para com o

    rei.

    Daniel 1.11 Ento disse Daniel ao despenseiro a

    quem o chefe dos eunucos havia posto sobre Daniel, Hananias, Misael e Azarias:

    Daniel 1.12 Experimenta, peo-te, os teus servos dez dias; e que se nos deem legumes a comer e gua a beber.

    Daniel 1.13 Ento se examine na tua presena o nosso semblante e o dos jovens que comem das

    iguarias reais; e conforme vires proceders para com os teus servos.

    Daniel 1.14 Assim ele lhes atendeu o pedido, e os experimentou dez dias.

    Daniel 1.15 E, ao fim dos dez dias, apareceram os seus semblantes melhores, e eles estavam mais

  • 9

    gordos do que todos os jovens que comiam das iguarias reais.

    Daniel 1.16 Pelo que o despenseiro lhes tirou as iguarias e o vinho que deviam beber, e lhes dava

    legumes.

    Daniel 1.17 Ora, quanto a estes quatro jovens, Deus lhes deu o conhecimento e a inteligncia

    em todas as letras e em toda a sabedoria; e Daniel era entendido em todas as vises e todos

    os sonhos.

    Daniel 1.18 E ao fim dos dias, depois dos quais o rei tinha ordenado que fossem apresentados, o chefe dos eunucos os apresentou diante de

    Nabucodonozor.

    Daniel 1.19 Ento o rei conversou com eles; e entre todos eles no foram achados outros tais

    como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso ficaram assistindo diante do rei.

    Daniel 1.20 E em toda matria de sabedoria e

    discernimento, a respeito da qual lhes perguntou o rei, este os achou dez vezes mais

    doutos do que todos os magos e encantadores que havia em todo o seu reino.

    Daniel 1.21 Assim Daniel continuou at o primeiro ano do rei Ciro.

  • 10

    Daniel 2

    Temos neste captulo uma grande prova da existncia e do poder de Deus, pois a qual

    homem dado que de si mesmo possa no somente interpretar corretamente o sonho de

    outrem como tambm dizer-lhe qual foi o sonho que teve em todos os seus detalhes?

    Foi da parte de Deus que Nabucodonosor teve o

    sonho no qual estava sendo revelado as coisas que haveriam de suceder depois dele, sem que, no entanto, lhe desse a interpretao do sonho.

    Quando os magos de Babilnia se anteciparam para lhe passar a interpretao, tambm, provavelmente dirigido por Deus no somente

    lhes negou que o enganassem com suas falsas imaginaes como tambm exigiu que lhe

    dissessem qual era o contedo do sonho propriamente dito, uma vez que se tivessem de

    fato a capacidade de interpret-lo tambm teriam a de decifrar o contedo.

    Os demnios nada poderiam fazer neste caso

    porque no lhes foi dado acesso quilo com o que o rei havia sonhado. Deus havia reservado

    tudo aquilo para manifestar a sua glria, poder e soberania atravs de Daniel.

    Como fizera com Jos no passado diante de Fara, agora faria o mesmo atravs de Daniel

    perante o rei de Babilnia.

  • 11

    Ento, temos aqui mais do que uma simples histria ou algo que fosse de mero interesse

    pessoal do rei, pois o sonho se tratava de uma profecia de larga extenso e na qual se revela

    que os esforos do homem em estabelecer um imprio mundial, tal como estava fazendo o

    prprio Nabucodonosor, sempre dariam em nada, pois isto est reservado quele que h de governar por toda a eternidade, a saber, nosso

    Senhor Jesus Cristo.

    Nabucodonosor, talvez, era um admirador de esttuas, e teve seu palcio e jardins enfeitados

    com elas; no entanto, ele era um adorador de imagens, e agora, eis que uma grande imagem est diante dele em um sonho, o que pode insinuar-lhe o que as imagens eram de fato, e s quais ele atribua tanto valor - elas

    eram meros sonhos.

    Ele viu a imagem de um homem ereto, que estava diante dele, como um homem que vive; e, porque esses imprios procuravam ser representados de modo admirvel aos olhos de

    seus sditos, o brilho desta imagem era excelente; e da sua forma dito ser terrvel. Mas, o que era mais notvel nesta imagem eram os diferentes metais com os quais foi composta - a cabea de ouro (o metal mais rico e mais durvel), o peito e os braos de prata (o que segue em valor ao ouro), a barriga e coxas de bronze, as pernas de ferro (ainda

  • 12

    metais menos nobres), e por ltimo os ps em parte de ferro e em parte de barro.

    Veja o que as coisas deste mundo so; quanto mais avanamos nelas menos valiosas so do que aparentam ser aos olhos de Deus.

    O sonho dado a Nabucodonosor revela o

    paganismo dos imprios que so erguidos pelos homens. Por maior que seja a glria deles

    passageira e se autodestri ou destruda diretamente por Deus.

    De modo que a ltima parte do sonho mostra-

    nos a imagem reduzida a nada.

    Ele viu uma pedra cortada da pedreira por um poder invisvel, sem mos, e esta pedra caiu

    sobre os ps da imagem, que eram de ferro e de barro, e os esmiuou; e, em seguida, a imagem caiu naturalmente, e assim que o ouro, e prata, e o bronze, e o ferro, foram todos quebrados em pedaos juntos, e tornados em

    partculas to pequenas que se tornaram como o p que dispersado pelo vento.

    Mas a pedra se tornou uma grande montanha, e encheu a terra.

    Entre as muitas revelaes de Deus neste sonho h aquela que indica que toda a idolatria a

    imagens h de ser desarraigado por Ele no tempo do fim, quando inaugurar o reino do

    Messias em sua forma final.

  • 13

    A imagem representava os reinos da terra que deveriam se suceder entre as naes e ter

    influncia sobre a nao judaica.

    Os quatro imprios no foram representados por quatro esttuas distintas, mas por uma s imagem, porque eles eram todos de um nico e

    mesmo esprito e gnio, e todos mais ou menos contra a Igreja. Era a mesma potncia, nica apresentada em quatro naes diferentes.

    A cabea de ouro significava a monarquia caldaica que estava em vigor.

    Por setenta anos, conforme fixado por Deus, a cabea de ouro deveria liderar as demais

    naes.

    Nabucodonosor reinou quarenta e cinco anos, Evil-Merodaque vinte e trs anos, e Belssazar trs. Babilnia era sua metrpole, e Daniel esteve com eles durante os setenta anos.

    O peito e os braos de prata significavam a monarquia dos medos e dos persas.

    Este reino foi fundado por Dario, o medo e Ciro, o persa, em aliana, e, portanto, era

    representado por dois braos, reunidos a nvel do peito. Ciro era persa por parte de seu pai, e medo por sua me.

    Alguns acham que esta segunda monarquia durou 130 anos, outros 204 anos.

  • 14

    A barriga e coxas de bronze significava a monarquia dos gregos, fundada por Alexandre,

    que conquistou Darius Codomannus, o ltimo dos imperadores persas. Este o terceiro reino, de bronze, inferior em riqueza e extenso de domnio em relao monarquia persa.

    As pernas e ps de ferro significavam o imprio romano. Foi na poca do auge dessa monarquia, que o reino de Cristo foi estabelecido no mundo

    pela pregao do evangelho eterno.

    O reino romano era forte como ferro. Ele esmiuou o que havia restado do imprio grego,

    sob o comando dos sucessores dos generais de Alexandre, que repartiram entre si os seus domnios.

    O Imprio Romano seria enfraquecido e ramificado em dez reinos, que seriam como os dedos dos ps destes. Alguns deles eram fracos como a argila, outros fortes como o ferro.

    Isto significava que tentariam se unir novamente para o fortalecimento do imprio,

    mas isto seria em vo, porque o fraco no se une ao forte, assim como o barro ao ferro.

    A pedra cortada sem mos representava o reino de Jesus Cristo, o qual deveria ser criado no mundo no tempo do Imprio Romano, e sobre

    as runas do reino de Satans nos reinos do mundo. Como o corte da pedra sem mos, por isso no deve ser nem muito elevado nem

  • 15

    apoiado pelo poder humano ou pela poltica; porque isto deve ser feito de forma invisvel pelo Esprito do Senhor. Esta foi a pedra que os edificadores rejeitaram, porque no foi cortada por suas mos, mas que se tornou agora a pedra principal, a pedra de

    esquina.

    Enquanto os reis da terra estiverem lutando uns contra os outros, com o intuito de estabelecer o

    seu prprio domnio mundial, como se v ainda atualmente com a tentativa de hegemonia pelos

    EUA, Rssia, Unio Europeia e China, Deus vai fazer o seu prprio trabalho e cumprir o seu

    conselho eterno.

    Estes reis so todos eles inimigos do reino de Cristo, e ainda assim ele ser institudo,

    desafiando-os.

    O reino de Cristo um reino que no conhece a decadncia, no est em perigo de destruio, e no vai admitir qualquer sucesso ou revoluo.

    Nunca ser destrudo por qualquer fora estrangeira, ou invadido, como muitos outros reinos so; ferro e fogo no podem destru-lo; os poderes combinados da Terra e do inferno no podem privar os sditos de seu Prncipe ou o

    Prncipe de seus sditos; nem este reino ser deixado para outras pessoas, como os reinos da terra.

  • 16

    Cristo um monarca que no tem sucessor, porque ele mesmo reinar para sempre.

    Com a interpretao do sonho seria de se supor que Nabucodonosor, que estava intentando estabelecer o seu prprio reino eterno, que ele

    ficaria furioso com Daniel, que predisse a sua queda e a elevao de um outro reino diferente,

    mas em vez disso, ele o recebeu como um orculo.

    Ele olhou para Daniel como se ele fosse um pequeno deus, porque havia feito esta maravilhosa descoberta e interpretao de seus

    pensamentos secretos, de modo que havia reconhecido a presena da divindade nisto, e

    por isso se prostrou com o rosto em terra e reverenciou a Daniel, conforme era o costume de se fazer nos pases pagos para horar aos reis, por se atribuir algo do poder da divindade neles.

    Ele mais do que reverenciar, adorou a Daniel, e ordenou que lhe oferecessem uma oblao e que lhe queimassem incenso. Nisto ele no pode ser justificado, mas pode, em certa

    medida ser dispensado, quando Cornlio estava prestes a adorar a Pedro. Mas, embora no seja aqui mencionado, temos razo para pensar que

    Daniel recusou estas honrarias, pois j havia declarado ao rei que o dom de revelar sonhos

    no lhe pertencia, seno que era algo que lhe era concedido pelo nico e verdadeiro Deus, ao

    qual ele e os israelitas serviam.

  • 17

    Daniel 2.1 Ora no segundo ano do reinado de Nabucodonozor, teve este uns sonhos; e o seu

    esprito se perturbou, e passou-se-lhe o sono.

    Daniel 2.2 Ento o rei mandou chamar os magos, os encantadores, os adivinhadores, e os caldeus, para que declarassem ao rei os seus sonhos; eles

    vieram, pois, e se apresentaram diante do rei.

    Daniel 2.3 E o rei lhes disse: Tive um sonho, e para saber o sonho est perturbado o meu

    esprito.

    Daniel 2.4 Os caldeus disseram ao rei em aramaico: rei, vive eternamente; dize o sonho a teus servos, e daremos a interpretao

    Daniel 2.5 Respondeu o rei, e disse aos caldeus:

    Esta minha palavra irrevogvel se no me fizerdes saber o sonho e a sua interpretao, sereis despedaados, e as vossas casas sero

    feitas um monturo;

    Daniel 2.6 mas se vs me declarardes o sonho e a sua interpretao, recebereis de mim ddivas,

    recompensas e grande honra. Portanto declarai-me o sonho e a sua interpretao.

    Daniel 2.7 Responderam pela segunda vez: Diga o rei o sonho a seus servos, e daremos a

    interpretao.

  • 18

    Daniel 2.8 Respondeu o rei, e disse: Bem sei eu que vs quereis ganhar tempo; porque vedes

    que a minha palavra irrevogvel.

    Daniel 2.9 se no me fizerdes saber o sonho, uma

    s sentena ser a vossa; pois vs preparastes palavras mentirosas e perversas para as

    proferirdes na minha presena, at que se mude o tempo. portanto dizei-me o sonho, para que eu

    saiba que me podeis dar a sua interpretao.

    Daniel 2.10 Responderam os caldeus na presena do rei, e disseram: No h ningum sobre a terra que possa cumprir a palavra do rei;

    pois nenhum rei, por grande e poderoso que fosse, tem exigido coisa semelhante de algum

    mago ou encantador, ou caldeu.

    Daniel 2.11 A coisa que o rei requer difcil, e ningum h que a possa declarar ao rei, seno os deuses, cuja morada no com a carne mortal.

    Daniel 2.12 Ento o rei muito se irou e enfureceu, e ordenou que matassem a todos os sbios de

    Babilnia.

    Daniel 2.13 saiu, pois, o decreto, segundo o qual deviam ser mortos os sbios; e buscaram a Daniel e aos seus companheiros, para que

    fossem mortos.

    Daniel 2.14 Ento Daniel falou avisada e prudentemente a Arioque, capito da guarda do

  • 19

    rei, que tinha sado para matar os sbios de Babilnia;

    Daniel 2.15 pois disse a Arioque, capito do rei:

    Por que o decreto do rei to urgente? Ento Arioque explicou o caso a Daniel.

    Daniel 2.16 Ao que Daniel se apresentou ao rei e

    pediu que lhe designasse o prazo, para que desse ao rei a interpretao.

    Daniel 2.17 Ento Daniel foi para casa, e fez saber

    o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros,

    Daniel 2.18 para que pedissem misericrdia ao

    Deus do cu sobre este mistrio, a fim de que Daniel e seus companheiros no perecessem, juntamente com o resto dos sbios de Babilnia.

    Daniel 2.19 Ento foi revelado o mistrio a Daniel numa viso de noite; pelo que Daniel louvou o Deus do cu.

    Daniel 2.20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque so dele a sabedoria e a fora.

    Daniel 2.21 Ele muda os tempos e as estaes; ele remove os reis e estabelece os reis; ele quem d a sabedoria aos sbios e o entendimento aos

    entendidos.

  • 20

    Daniel 2.22 Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que est em trevas, e com ele mora a

    luz.

    Daniel 2.23 Deus de meus pais, a ti dou graas e louvor porque me deste sabedoria e fora; e

    agora me fizeste saber o que te pedimos; pois nos fizeste saber este assunto do rei.

    Daniel 2.24 Por isso Daniel foi ter com Arioque,

    ao qual o rei tinha constitudo para matar os sbios de Babilnia; entrou, e disse-lhe assim:

    No mates os sbios de Babilnia; introduze-me na presena do rei, e lhe darei a interpretao.

    Daniel 2.25 Ento Arioque depressa introduziu

    Daniel presena do rei, e disse-lhe assim: Achei dentre os filhos dos cativos de Jud um homem que far saber ao rei a interpretao.

    Daniel 2.26 Respondeu o rei e disse a Daniel, cujo nome era Beltessazar: Podes tu fazer-me saber o sonho que tive e a sua interpretao?

    Daniel 2.27 Respondeu Daniel na presena do rei e disse: O mistrio que o rei exigiu, nem sbios, nem encantadores, nem magos, nem

    adivinhadores lhe podem revelar;

    Daniel 2.28 mas h um Deus no cu, o qual revela os mistrios; ele, pois, fez saber ao rei

    Nabucodonozor o que h de suceder nos ltimos dias. O teu sonho e as vises que tiveste

    na tua cama so estas:

  • 21

    Daniel 2.29 Estando tu, rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos sobre o que havia

    de suceder no futuro. Aquele, pois, que revela os mistrios te fez saber o que h de ser.

    Daniel 2.30 E a mim me foi revelado este mistrio, no por ter eu mais sabedoria que

    qualquer outro vivente, mas para que a interpretao se fizesse saber ao rei, e para que

    entendesses os pensamentos do teu corao.

    Daniel 2.31 Tu, rei, na viso olhaste e eis uma grande esttua. Esta esttua, imensa e de excelente esplendor, estava em p diante de ti; e

    a sua aparncia era terrvel.

    Daniel 2.32 A cabea dessa esttua era de ouro fino; o peito e os braos de prata; o ventre e as coxas de bronze;

    Daniel 2.33 as pernas de ferro; e os ps em parte de ferro e em parte de barro.

    Daniel 2.34 Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxlio de mos, a qual

    feriu a esttua nos ps de ferro e de barro, e os esmiuou.

    Daniel 2.35 Ento foi juntamente esmiuado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais

    se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e no se podia achar nenhum

    vestgio deles; a pedra, porm, que feriu a

  • 22

    esttua se tornou uma grande montanha, e encheu toda a terra.

    Daniel 2.36 Este o sonho; agora diremos ao rei a sua interpretao.

    Daniel 2.37 Tu, rei, s rei de reis, a quem o Deus do cu tem dado o reino, o poder, a fora e a glria;

    Daniel 2.38 e em cuja mo ele entregou os filhos dos homens, onde quer que habitem, os animais

    do campo e as aves do cu, e te fez reinar sobre todos eles; tu s a cabea de ouro.

    Daniel 2.39 Depois de ti se levantar outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de bronze, o qual ter domnio sobre toda a terra.

    Daniel 2.40 E haver um quarto reino, forte como ferro, porquanto o ferro esmia e quebra

    tudo; como o ferro quebra todas as coisas, assim ele quebrantar e esmiuar.

    Daniel 2.41 Quanto ao que viste dos ps e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte

    de ferro, isso ser um reino dividido; contudo haver nele alguma coisa da firmeza do ferro,

    pois que viste o ferro misturado com barro de lodo.

    Daniel 2.42 E como os dedos dos ps eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por

  • 23

    uma parte o reino ser forte, e por outra ser frgil.

    Daniel 2.43 Quanto ao que viste do ferro

    misturado com barro de lodo, misturar-se-o pelo casamento; mas no se ligaro um ao outro,

    assim como o ferro no se mistura com o barro.

    Daniel 2.44 Mas, nos dias desses reis, o Deus do cu suscitar um reino que no ser jamais

    destrudo; nem passar a soberania deste reino a outro povo; mas esmiuar e consumir todos

    esses reinos, e subsistir para sempre.

    Daniel 2.45 Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxlio de mos, e ela

    esmiuou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que h de suceder no futuro. Certo o sonho, e fiel a sua

    interpretao.

    Daniel 2.46 Ento o rei Nabucodonozor caiu com o rosto em terra, e adorou a Daniel, e ordenou

    que lhe oferecessem uma oblao e perfumes suaves.

    Daniel 2.47 Respondeu o rei a Daniel, e disse: Verdadeiramente, o vosso Deus Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos

    mistrios, pois pudeste revelar este mistrio.

    Daniel 2.48 Ento o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes ddivas, e o ps por

    governador sobre toda a provncia de Babilnia,

  • 24

    como tambm o fez chefe principal de todos os sbios de Babilnia.

    Daniel 2.49 A pedido de Daniel, o rei constituiu superintendentes sobre os negcios da

    provncia de Babilnia a Sadraque, Mesaque e Abednego; mas Daniel permaneceu na corte do

    rei.

  • 25

    Daniel 3

    Babilnia estava cheia de dolos, mas nunca seriam suficientes para atender aos desejos de idolatria de coraes no regenerados.

    Numa possvel contraposio viso que tivera em que Babilnia era apenas a cabea de ouro,

    Nabucodonosor erigiu uma esttua toda de ouro que refletisse a glria e a eternidade do seu

    reino.

    Ele havia reconhecido que a interpretao de Daniel lhe viera da parte de Deus, mas o homem

    no convertido sempre haver de ser achado em competio com Ele, em consequncia do

    desejo de Ado de ser igual a Deus em majestade e poder, independentemente dele.

    Somente a primeira revelao era suficiente para colocar Nabucodonosor como todos os

    imperadores que viessem depois dele, no seu prprio lugar de meros homens e no deuses, e

    a se humilharem perante o nico Deus verdadeiro.

    Todavia, a obstinao e cegueira de seus coraes sempre lhes enganar com a falsa

    imaginao de que sero sempre poderosos e que seu poder se estender pela eternidade

    afora.

  • 26

    Ao provocar a justia e santidade divina seria ento submetido a uma segunda humilhao

    quando tentasse destruir aqueles que se mantivessem fiis ao Deus de Israel, e se

    recusassem a ador-lo (Nabucodonor) como deus.

    Nunca se ouviu falar de algum que pudesse

    escapar ileso de uma grande fornalha de fogo, conforme o Senhor concedeu a Sadraque,

    Mesaque e Abdnego, e o prprio Nabucodonosor reconheceu isto, e viu que no era preo, nem ele, nem sua imagem, para o

    Deus Todo-Poderoso de Israel.

    O prprio Deus nos ordena que sejamos sujeitos aos que nos governam, honrando-os e lhes

    servindo voluntariamente, mas no pela via da adorao, que devida exclusivamente a Ele.

    Satans sempre procurar de um modo ou de outro infundir o terror nos servos de Deus para que eles venham a apostatar da f e fidelidade a

    Ele.

    Mas, Deus sempre proteger e honrar aqueles que o honrarem e no temerem a prpria morte,

    assim como fizera com aqueles trs jovens que eram piedosos e amigos de Daniel.

    O corajoso e fiel testemunho dado pelos jovens fez com que toda honra e glria fosse atribuda pelo rei de Babilnia somente ao Deus de Israel.

    Certamente no o fizera por amor a Ele, mas por

  • 27

    temer que na defesa daqueles que so seus viesse a extermin-lo tal ocorreu com aqueles

    que jogaram os jovens na fornalha e que foram inteiramente consumidos pelas chamas no

    lugar deles.

    Ele viu com seus olhos ao prprio Jesus em uma teofania como o quarto homem na fornalha, e

    sabia que era de procedncia divina, pois nenhum ser mortal seria capaz de fazer o que

    Ele fez, mantendo os jovens inteiramente inclumes.

    Daniel 3.1 O rei Nabucodonozor fez uma esttua

    de ouro, a altura da qual era de sessenta cvados, e a sua largura de seis cvados;

    levantou-a no campo de Dura, na provncia de Babilnia.

    Daniel 3.2 Ento o rei Nabucodonozor mandou ajuntar os strapas, os prefeitos, os

    governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juzes, os magistrados, e todos os oficiais das

    provncias, para que viessem dedicao da esttua que ele fizera levantar.

    Daniel 3.3 Ento se ajuntaram os strapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juzes, os magistrados, e todos os

    oficiais das provncias, para a dedicao da esttua que o rei Nabucodonozor fizera levantar;

    e estavam todos em p diante da imagem.

  • 28

    Daniel 3.4 E o pregoeiro clamou em alta voz: Ordena-se a vs, povos, naes e gentes de

    todas as lnguas:

    Daniel 3.5 Logo que ouvirdes o som da trombeta,

    da flauta, da harpa, da ctara, do saltrio, da gaita de foles, e de toda a sorte de msica, prostrar-

    vos-eis, e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonozor tem levantado.

    Daniel 3.6 E qualquer que no se prostrar e no a adorar, ser na mesma hora lanado dentro

    duma fornalha de fogo ardente.

    Daniel 3.7 Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da trombeta, da flauta, da harpa, da ctara, do saltrio, e de toda a

    sorte de msica, se prostraram todos os povos, naes e lnguas, e adoraram a esttua de ouro

    que o rei Nabucodonozor tinha levantado.

    Daniel 3.8 Ora, nesse tempo se chegaram alguns homens caldeus, e acusaram os judeus.

    Daniel 3.9 E disseram ao rei Nabucodonozor: rei, vive eternamente.

    Daniel 3.10 Tu, rei, fizeste um decreto, pelo qual todo homem que ouvisse o som da trombeta, da flauta, da harpa, da ctara, do

    saltrio, da gaita de foles, e de toda a sorte de msica, se prostraria e adoraria a esttua de

    ouro;

  • 29

    Daniel 3.11 e qualquer que no se prostrasse e adorasse seria lanado numa fornalha de fogo

    ardente.

    Daniel 3.12 H uns homens judeus, que tu constituste sobre os negcios da provncia de Babilnia: Sadraque, Mesaque e Abednego;

    estes homens, rei, no fizeram caso de ti; a teus deuses no servem, nem adoram a esttua de

    ouro que levantaste.

    Daniel 3.13 Ento Nabucodonozor, na sua ira e fria, mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abednego. Logo estes homens foram trazidos

    perante o rei.

    Daniel 3.14 Falou Nabucodonozor, e lhes disse: E verdade, Sadraque, Mesaque e Abednego, que

    vs no servis a meus deuses nem adorais a esttua de ouro que levantei?

    Daniel 3.15 Agora, pois, se estais prontos, quando ouvirdes o som da trombeta, da flauta,

    da harpa, da ctara, do saltrio, da gaita de foles, e de toda a sorte de msica, para vos prostrardes

    e adorardes a esttua que fiz, bom ; mas, se no a adorardes, sereis lanados, na mesma hora,

    dentro duma fornalha de fogo ardente; e quem esse deus que vos poder livrar das minhas

    mos?

    Daniel 3.16 Responderam Sadraque, Mesaque e Abednego, e disseram ao rei: Nabucodonozor,

  • 30

    no necessitamos de te responder sobre este negcio.

    Daniel 3.17 Eis que o nosso Deus a quem ns servimos pode nos livrar da fornalha de fogo

    ardente; e ele nos livrar da tua mo, rei.

    Daniel 3.18 Mas se no, fica sabendo, rei, que no serviremos a teus deuses nem adoraremos

    a esttua de ouro que levantaste.

    Daniel 3.19 Ento Nabucodonozor se encheu de raiva, e se lhe mudou o aspecto do semblante contra Sadraque, Mesaque e Abednego; e deu

    ordem para que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer;

    Daniel 3.20 e ordenou a uns homens valentes do

    seu exrcito, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, e os lanassem na fornalha de fogo ardente.

    Daniel 3.21 Ento estes homens foram atados, vestidos de seus mantos, suas tnicas, seus turbantes e demais roupas, e foram lanados na

    fornalha de fogo ardente.

    Daniel 3.22 Ora, to urgente era a ordem do rei e a fornalha estava to quente, que a chama do fogo matou os homens que carregaram a

    Sadraque, Mesaque e Abednego.

  • 31

    Daniel 3.23 E estes trs, Sadraque, Mesaque e Abednego, caram atados dentro da fornalha de

    fogo ardente.

    Daniel 3.24 Ento o rei Nabucodonozor se espantou, e se levantou depressa; falou, e disse

    aos seus conselheiros: No lanamos ns dentro do fogo trs homens atados? Responderam ao

    rei: verdade, rei.

    Daniel 3.25 Disse ele: Eu, porm, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do

    fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspacto do quarto semelhante a um filho dos deuses.

    Daniel 3.26 Ento chegando-se Nabucodonozor

    porta da fornalha de fogo ardente, falou, dizendo: Sadraque, Mesaque e Abednego,

    servos do Deus Altssimo, sa e vinde! Logo Sadraque, Mesaque e Abednego saram do meio do fogo.

    Daniel 3.27 E os strapas, os prefeitos, os governadores, e os conselheiros do rei, estando reunidos, viram que o fogo no tinha tido poder

    algum sobre os corpos destes homens, nem foram chamuscados os cabelos da sua cabea,

    nem sofreram mudana os seus mantos, nem sobre eles tinha passado o cheiro de fogo.

    Daniel 3.28 Falou Nabucodonozor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, o qual enviou o seu anjo e livrou os

    seus servos, que confiaram nele e frustraram a

  • 32

    ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum,

    seno o seu Deus.

    Daniel 3.29 Por mim, pois, feito um decreto,

    que todo o povo, nao e lngua que proferir blasfmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque

    e Abednego, seja despedaado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto no h

    outro deus que possa livrar desta maneira.

    Daniel 3.30 Ento o rei fez prosperar a Sadraque,

    Mesaque e Abednego na provncia de Babilonia.

  • 33

    Daniel 4

    A narrativa deste captulo foi feita pelo prprio Nabucodonosor.

    Temos aqui algo que da mesma forma habitual dos ditos reais.

    Achando-se velho e recuperado de uma outra humilhao que lhe fora imposta por Deus, e que deu cumprimento a uma viso que tivera

    em sonhos antes que esta lhe sobreviesse, ele reconhece e confirma a suprema soberania de

    Deus sobre todos os reinos deste mundo.

    Na enfermidade mental que lhe veio da parte de Deus e na sua recuperao dela pelo poder do

    mesmo Deus pde reconhecer quo frgeis so todos os homens em sua prpria natureza, e que

    todo o seu vigor e vida se encontram inteiramente ao dispor da sua vontade

    soberana.

    Ele queria deixar isto como um registro para as geraes futuras, para declarar a dvida que

    tinha para com Deus, que havia lhe recuperado da sua enfermidade e restaurado o seu antigo

    poder.

    Ele sabia agora que h um Deus que governa o mundo e que tem um incontestvel domnio

  • 34

    absoluto universal e sobre todos os assuntos dos filhos dos homens.

    Pde reconhecer isto por tudo o que lhe foi

    revelado e interpretado da parte de Deus atravs de Daniel, pois tudo lhe ocorreu na viso da

    rvore exatamente como Daniel lhe disse em interpretao referindo-se mesma como

    provinda do Altssimo.

    Ele havia recebido o alarme quando estava em repouso em sua casa, e prspero no seu

    palcio. Ele havia recentemente conquistado o Egito e, com isso havia concludo suas vitrias, e

    terminado suas guerras, e fez-se monarca de todas as partes do mundo, por volta do trigsimo quarto ano do seu reinado.

    Justamente quando pensou em descansar e desfrutar de toda a sua glria, veio-lhe a revelao de que ficaria enfermo por sete anos,

    e isto se cumpriu, tendo vivido cerca de dois anos depois, tendo morrido no quadragsimo

    quinto ano do seu reinado.

    Quo grande lio todos ns podemos aprender destes fatos, de maneira a que andemos em

    humildade perante o Senhor durante todo o curso da nossa vida.

    Que no pensemos jamais que o fato de estar em descanso e em prosperidade, que isto no poder ser alterado por alguma forma de

    interveno divina.

  • 35

    Daniel 4.1 Nabucodonozor rei, a todos os povos, naes, e lnguas, que moram em toda a terra:

    Paz vos seja multiplicada.

    Daniel 4.2 Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altssimo, tem feito para comigo.

    Daniel 4.3 Quo grandes so os seus sinais, e quo poderosas as suas maravilhas! O seu reino

    um reino sempiterno, e o seu domnio de gerao em gerao.

    Daniel 4.4 Eu, Nabucodonozor, estava sossegado em minha casa, e prspero no meu palcio.

    Daniel 4.5 Tive um sonho que me espantou; e estando eu na minha cama, os pensamentos e as vises da minha cabea me perturbaram.

    Daniel 4.6 Portanto expedi um decreto, que

    fossem introduzidos minha presena todos os sbios de Babilnia, para que me fizessem saber

    a interpretao do sonho.

    Daniel 4.7 Ento entraram os magos, os encantadores, os caldeus, e os adivinhadores, e lhes contei o sonho; mas no me fizeram saber a

    interpretao do mesmo.

    Daniel 4.8 Por fim entrou na minha presena Daniel, cujo nome Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual h o esprito dos

    deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo:

  • 36

    Daniel 4.9 Beltessazar, chefe dos magos, porquanto eu sei que h em ti o esprito dos

    deuses santos, e nenhum mistrio te difcil, dize-me as vises do meu sonho que tive e a sua

    interpretao.

    Daniel 4.10 Eram assim as vises da minha cabea, estando eu na minha cama: eu olhava, e

    eis uma rvore no meio da terra, e grande era a sua altura;

    Daniel 4.11 crescia a rvore, e se fazia forte, de

    maneira que a sua altura chegava at o cu, e era vista at os confins da terra.

    Daniel 4.12 A sua folhagem era formosa, e o seu

    fruto abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do cu faziam

    morada nos seus ramos, e dela se mantinha toda a carne.

    Daniel 4.13 Eu via isso nas vises da minha cabea, estando eu na minha cama, e eis que um vigia, um santo, descia do cu.

    Daniel 4.14 Ele clamou em alta voz e disse assim: Derrubai a rvore, e cortai-lhe os ramos, sacudi as suas folhas e espalhai o seu fruto; afugentem-

    se os animais de debaixo dela, e as aves dos seus ramos.

    Daniel 4.15 Contudo deixai na terra o tronco com as suas razes, numa cinta de ferro e de bronze,

  • 37

    no meio da tenra relva do campo; e seja molhado do orvalho do cu, e seja a sua poro com os

    animais na erva da terra.

    Daniel 4.16 Seja mudada a sua mente, para que no seja mais a de homem, e lhe seja dada mente de animal; e passem sobre ele sete tempos.

    Daniel 4.17 Esta sentena por decreto dos vigias, e por mandado dos santos; a fim de que

    conheam os viventes que o Altssimo tem domnio sobre o reino dos homens, e o d a

    quem quer, e at o mais humilde dos homens constitui sobre eles.

    Daniel 4.18 Este sonho eu, rei Nabucodonozor, o

    vi. Tu, pois, Beltessazar, dize a interpretao; porquanto todos os sbios do meu reino no

    puderam fazer-me saber a interpretao; mas tu podes; pois h em ti o esprito dos deuses santos.

    Daniel 4.19 Ento Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atnito por algum tempo, e

    os seus pensamentos o perturbaram. Falou, pois, o rei e disse: Beltessazar, no te espante o

    sonho, nem a sua interpretao. Respondeu Beltessazar, e disse: Senhor meu, seja o sonho

    para os que te odeiam, e a sua interpretao para os teus inimigos:

    Daniel 4.20 A rvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava at o cu, e que era

    vista por toda a terra;

  • 38

    Daniel 4.21 cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia

    sustento, debaixo da qual os animais do campo achavam sombra, e em cujos ramos habitavam

    as aves do cu;

    Daniel 4.22 s ,tu, rei, que cresceste, e te fizeste forte; pois a tua grandeza cresceu, e chegou at

    o cu, e o teu domnio at a extremidade da terra.

    Daniel 4.23 E quanto ao que viu o rei, um vigia,

    um santo, que descia do cu, e que dizia: Cortai a rvore, e destru-a; contudo deixai na terra o

    tronco com as suas razes, numa cinta de ferro e de bronze, no meio da tenra relva do campo; e seja molhado do orvalho do cu, e seja a sua

    poro com os animais do campo, at que passem sobre ele sete tempos;

    Daniel 4.24 esta a interpretao, rei o decreto do Altssimo, que vindo sobre o rei, meu senhor:

    Daniel 4.25 sers expulso do meio dos homens, e a tua morada ser com os animais do campo, e te faro comer erva como os bois, e sers

    molhado do orvalho do cu, e passar-se-o sete tempos por cima de ti; at que conheas que o

    Altssimo tem domnio sobre o reino dos homens, e o d a quem quer.

    Daniel 4.26 E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco com as razes da rvore, o

  • 39

    teu reino voltar para ti, depois que tiveres conhecido que o cu reina.

    Daniel 4.27 Portanto, rei, aceita o meu conselho, e pe fim aos teus pecados,

    praticando a justia, e s tuas iniquidades, usando de misericrdia com os pobres, se,

    porventura, se prolongar a tua tranquilidade.

    Daniel 4.28 Tudo isso veio sobre o rei Nabucodonozor.

    Daniel 4.29 Ao cabo de doze meses, quando passeava sobre o palcio real de Babilnia,

    Daniel 4.30 falou o rei, e disse: No esta a grande Babilnia que eu edifiquei para a morada

    real, pela fora do meu poder, e para a glria da minha majestade?

    Daniel 4.31 Ainda estava a palavra na boca do rei,

    quando caiu uma voz do cu: A ti se diz, rei Nabucodonozor: Passou de ti o reino.

    Daniel 4.32 E sers expulso do meio dos homens, e a tua morada ser com os animais do campo;

    far-te-o comer erva como os bois, e passar-se- o sete tempos sobre ti, at que conheas que o

    Altssimo tem domnio sobre o reino dos homens, e o d a quem quer.

    Daniel 4.33 Na mesma hora a palavra se cumpriu sobre Nabucodonozor, e foi expulso do meio dos

    homens, e comia erva como os bois, e o seu

  • 40

    corpo foi molhado do orvalho do ceu, at que lhe cresceu o cabelo como as penas da guia, e as

    suas unhas como as das aves:

    Daniel 4.34 Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonozor, levantei ao cu os meus olhos, e voltou a mim o meu entendimento, e eu

    bendisse o Altssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre; porque o seu domnio

    um domnio sempiterno, e o seu reino de gerao em gerao.

    Daniel 4.35 E todos os moradores da terra so reputados em nada; e segundo a sua vontade ele

    opera no exrcito do cu e entre os moradores da terra; no h quem lhe possa deter a mo,

    nem lhe dizer: Que fazes?

    Daniel 4.36 No mesmo tempo voltou a mim o meu entendimento; e para a glria do meu reino

    voltou a mim a minha majestade e o meu resplendor. Buscaram-me os meus

    conselheiros e os meus grandes; e fui restabelecido no meu reino, e foi-me

    acrescentada excelente grandeza.

    Daniel 4.37 Agora, pois, eu, Nabucodonozor, louvo, e exalo, e glorifico ao Rei do cu; porque todas as suas obras so retas, e os seus caminhos

    justos, e ele pode humilhar aos que andam na soberba.

  • 41

    Daniel 5

    A destruio do reino de Babilnia tinha sido muitas vezes anunciada por Deus atravs de

    todos os seus profetas, quando isto ainda estava num tempo distante.

    Neste captulo, ns temos o relato da sua consumao quando Belssazar se encontrava no trono.

    Temos aqui o rei Belssazar muito alegre, mas, de repente, muito terrificado e sombrio.

    Ele havia desprezado e ofendido a Deus, quando fez uma grande festa e usou os utenslios que os babilnios haviam saqueado do templo de

    Jerusalm.

    Ciro, que se encontrava na ocasio com o seu exrcito sitiando Babilnia, sabia desta festa, e

    presumindo que eles estariam fora de sua guarda, mergulhados no sono e no vinho, aproveitou a oportunidade para atacar a cidade.

    Belssazar fez uma afronta sobre a providncia de Deus e ousou desafiar os seus juzos, pois em vez de se humilhar e buscar a Deus quando os

    persas e medos estavam sitiando Babilnia, deu um grande banquete em sua prpria honra para

    celebrar a glria do seu reino.

  • 42

    O uso dos utenslios do templo era uma clara demonstrao da sua arrogncia e irreverncia,

    e do quo disposto estava a negligenciar e a abusar de todos os alertas que Deus havia dado

    contra Babilnia atravs dos seus profetas.

    Ento receberia uma mensagem direta e clara da parte do prprio Deus quando ele juntamente com seus convidados viram que uma mo

    escrevia na parede palavras que lhes eram indecifrveis. E havia uma razo para isto, pois

    para confirmar que a mensagem era de provenincia do Deus de Israel, somente a

    Daniel seria dado interpret-la.

    Com isto o nimo de todos eles se abateu diante daquelas palavras de um juzo iminente, e desfalecidos que ficaram no resistiram a Ciro

    quando ele tomou a cidade.

    Isto suceder a todos os arrogantes quando no juzo final a mo de Deus escrever diante de seus

    olhos a sentena terrvel que est destinada a eles.

    Eles sero sujeitados ao Inimigo de suas almas para sempre, assim como o rei de Babilnia foi

    sujeitado a Ciro.

    Os setenta anos de cativeiro haviam se cumprido e o tempo da libertao de Israel do cativeiro havia chegado, conforme havia sido

    prometido atravs do profeta Jeremias.

  • 43

    Daniel teve reconhecimento deste fato histrico, segundo as profecias, e foi por isso

    que fez a orao que veremos nos captulos seguintes e recebeu a revelao das setenta

    semanas que deveriam ainda ser aguardadas para o pleno cumprimento do propsito de Deus

    para Israel.

    Daniel 5.1 O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes, e bebeu vinho

    na presena dos mil.

    Daniel 5.2 Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata que Nabucodonozor, seu pai, tinha tirado do templo

    que estava em Jerusalm, para que bebessem por eles o rei, e os seus grandes, as suas

    mulheres e concubinas.

    Daniel 5.3 Ento trouxeram os vasos de ouro que foram tirados do templo da casa de Deus, que

    estava em Jerusalm, e beberam por eles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.

    Daniel 5.4 Beberam vinho, e deram louvores aos

    deuses de ouro, e de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra.

    Daniel 5.5 Na mesma hora apareceram uns dedos de mo de homem, e escreviam, defronte

    do castial, na caiadura da parede do palcio real; e o rei via a parte da mo que estava

    escrevendo.

  • 44

    Daniel 5.6 Mudou-se, ento, o semblante do rei, e os seus pensamentos o perturbaram; as juntas

    dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro.

    Daniel 5.7 E ordenou o rei em alta voz, que se

    introduzissem os encantadores, os caldeus e os adivinhadores; e falou o rei, e disse aos sbios de

    Babilnia: Qualquer que ler esta escritura, e me declarar a sua interpretao, ser vestido de

    prpura, e trar uma cadeia de ouro ao pescoo, e no reino ser o terceiro governante.

    Daniel 5.8 Ento entraram todos os sbios do rei;

    mas no puderam ler o escrito, nem fazer saber ao rei a sua interpretao.

    Daniel 5.9 Nisto ficou o rei Belsazar muito

    perturbado, e se lhe mudou o semblante; e os seus grandes estavam perplexos.

    Daniel 5.10 Ora a rainha, por causa das palavras

    do rei e dos seus grandes, entrou na casa do banquete; e a rainha disse: rei, vive para sempre; no te perturbem os teus pensamentos,

    nem se mude o teu semblante.

    Daniel 5.11 H no teu reino um homem que tem o esprito dos deuses santos; e nos dias de teu pai

    se achou nele luz, e inteligncia, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei

    Nabucodonozor, sim, teu pai, rei, o constituiu chefe dos magos, dos encantadores, dos

    caldeus, e dos adivinhadores;

  • 45

    Daniel 5.12 porquanto se achou neste Daniel um esprito excelente, e conhecimento e

    entendimento para interpretar sonhos, explicar enigmas e resolver dvidas, ao qual o rei ps o

    nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dar a interpretao.

    Daniel 5.13 Ento Daniel foi introduzido presena do rei. Falou o rei, e disse Daniel: s

    tu aquele Daniel, um dos cativos de Jud, que o rei, meu pai, trouxe de Jud?

    Daniel 5.14 Tenho ouvido dizer a teu respeito que o esprito dos deuses est em ti, e que em ti

    se acham a luz, o entendimento e a excelente sabedoria.

    Daniel 5.15 Acabam de ser introduzidos minha

    presena os sbios, os encantadores, para lerem o escrito, e me fazerem saber a sua

    interpretao; mas no puderam dar a interpretao destas palavras.

    Daniel 5.16 Ouvi dizer, porm, a teu respeito que podes dar interpretaes e resolver dvidas.

    Agora, pois, se puderes ler esta escritura e fazer-me saber a sua interpretao, sers vestido de

    prpura, e ters cadeia de ouro ao pescoo, e no reino sers o terceiro governante.

    Daniel 5.17 Ento respondeu Daniel, e disse na presena do rei: Os teus presentes fiquem

    contigo, e d os teus prmios a outro; todavia

  • 46

    vou ler ao rei o escrito, e lhe farei saber a interpretao.

    Daniel 5.18 O Altssimo Deus, rei, deu a

    Nabucodonozor, teu pai, o reino e a grandeza, glria e majestade;

    Daniel 5.19 e por causa da grandeza que lhe deu,

    todos os povos, naes, e lnguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava, e a

    quem queria conservava em vida; a quem queria exaltava, e a quem queria abatia.

    Daniel 5.20 Mas quando o seu corao se elevou,

    e o seu esprito se endureceu para se haver arrogantemente, foi derrubado do seu trono

    real, e passou dele a sua glria.

    Daniel 5.21 E foi expulso do meio dos filhos dos homens, e o seu corao foi feito semelhante

    aos dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; deram-lhe a comer erva como aos bois, e do orvalho do cu foi molhado

    o seu corpo, at que conheceu que o Altssinuo Deus tem domnio sobre o reino dos homens, e

    a quem quer constitui sobre ele.

    Daniel 5.22 E tu, Belsazar, que s seu filho, no humilhaste o teu corao, ainda que soubeste

    tudo isso;

    Daniel 5.23 porm te elevaste contra o Senhor do cu; pois foram trazidos a tua presena os vasos

    da casa dele, e tu, os teus grandes, as tua

  • 47

    mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; alm disso, deste louvores aos deuses de

    prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que no veem, no ouvem, nem

    sabem; mas a Deus, em cuja mo est a tua vida, e de quem so todos os teus caminhos, a ele no

    glorificaste.:

    Daniel 5.24 Ento dele foi enviada aquela parte da mo que traou o escrito.

    Daniel 5.25 Esta, pois, a escritura que foi traada: MENE, MENE, TEQUEL, UFARSlM.

    Daniel 5.26 Esta a interpretao daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou.

    Daniel 5.27 TEQUEL: Pesado foste na balana, e foste achado em falta.

    Daniel 5.28 PERES: Dividido est o teu reino, e entregue aos medos e persas.

    Daniel 5.29 Ento Belsazar deu ordem, e vestiram a Daniel de prpura, puseram-lhe uma cadeia de ouro ao pescoo, e proclamaram a

    respeito dele que seria o terceiro em autoridade no reino.

    Daniel 5.30 Naquela mesma noite Belsazar, o rei dos caldeus, foi morto.

    Daniel 5.31 E Dario, o medo, recebeu o reino, tendo cerca de sessenta e dois anos de idade.

  • 48

    Daniel 6

    Daniel pde contemplar em vida o cumprimento de parte da profecia que lhe foi dado interpretar no sonho de Nabucodonosor,

    por ver a queda de Babilnia - a cabea de ouro - sob a Prsia e Mdia.

    Ele no foi preservado em vida, no entanto, para

    dar um registro histrico destes reinos, seno para revelar a grande soberania e controle de

    Deus sobre eles, para manter viva a f e a fidelidade de Israel a Ele.

    O povo se encontrava em cativeiro em cumprimento a todos os juzos que Deus havia

    prometido trazer sobre eles desde os dias de Moiss, e que confirmou por meio dos profetas,

    e por isso no vemos na profecia de Daniel ameaas de juzos contra o povo de Israel,

    porque estes se encontravam em pleno cumprimento conforme predies anteriores.

    Agora a promessa de libertao atravs de Ciro estava prestes a acontecer, no que sem antes, o

    Senhor fosse glorificado diante daqueles reis atravs da vida do prprio Daniel, ao revelar o

    seu poder para guardar e livrar os que so seus conforme demonstrou guardando o seu profeta

    de ser devorado pelos lees.

  • 49

    Mais uma vez a soberba e arrogncia dos imperadores, ainda que no consentida por eles

    na adorao que lhes seja dirigida, conforme foi o caso de Dario neste caso, mas aceita, seria

    abatida pelo Senhor, pois aqueles que atentaram contra a vida de Daniel por causa da

    sua fidelidade na adorao exclusiva a Deus vieram a cumprir no lugar dele, a pena que eles prprios haviam estabelecido, a saber, a de ser

    devorado pelos lees.

    Daniel 6.1 Pareceu bem a Dario constituir sobre

    o reino cento e vinte strapas, que estivessem por todo o reino;

    Daniel 6.2 e sobre eles trs presidentes, dos quais Daniel era um; a fim de que estes strapas lhes dessem conta, e que o rei no sofresse dano.

    Daniel 6.3 Ento o mesmo Daniel sobrepujava a estes presidentes e aos strapas; porque nele havia um esprito excelente; e o rei pensava

    constitu-lo sobre todo o reino:

    Daniel 6.4 Nisso os presidentes e os strapas procuravam achar ocasio contra Daniel a

    respeito do reino mas no podiam achar ocasio ou falta alguma; porque ele era fiel, e no se

    achava nele nenhum erro nem falta.

    Daniel 6.5 Pelo que estes homens disseram: Nunca acharemos ocasio alguma contra este

  • 50

    Daniel, a menos que a procuremos no que diz respeito a lei do seu Deus.

    Daniel 6.6 Ento os presidentes e os strapas foram juntos ao rei, e disseram-lhe assim: rei Dario, vive para sempre.

    Daniel 6.7 Todos os presidentes do reino, os prefeitos e os strapas, os conselheiros e os governadores, concordaram em que o rei devia

    baixar um decreto e publicar o respectivo interdito, que qualquer que, por espao de trinta

    dias, fizer uma petio a qualquer deus, ou a qualquer homem, exceto a ti, rei, seja lanado

    na cova dos lees.

    Daniel 6.8 Agora pois, rei, estabelece o interdito, e assina o edital, para que no seja

    mudado, conforme a lei dos medos e dos persas, que no se pode revogar.

    Daniel 6.9 Em virtude disto o rei Dario assinou o edital e o interdito.

    Daniel 6.10 Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no seu

    quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalm; e

    trs vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graas diante do seu Deus, como tambm

    antes costumava fazer.

  • 51

    Daniel 6.11 Ento aqueles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e suplicando diante

    do seu Deus.

    Daniel 6.12 Depois se foram presena do rei e lhe perguntaram no tocante ao interdito real:

    Porventura no assinaste um interdito pelo qual todo homem que fizesse uma petio a qualquer

    deus, ou a qualquer homem por espao de trinta dias, exceto a ti, rei, fosse lanado na cova dos

    lees? Respondeu o rei, e disse: Esta palavra certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que no se pode revogar.

    Daniel 6.13 Ento responderam ao rei, dizendo-lhe Esse Daniel, que dos exilados de Jud, e no tem feito caso de ti, rei, nem do interdito que

    assinaste; antes trs vezes por dia faz a sua orao.

    Daniel 6.14 Ouvindo ento o rei a notcia, ficou muito penalizado, e a favor de Daniel props dentro do seu corao livr-lo; e at o pr do sol

    trabalhou para o salvar.

    Daniel 6.15 Nisso aqueles homens foram juntos ao rei, e lhe disseram: Sabe, rei, que lei dos

    medos e persas que nenhum interdito ou decreto que o rei estabelecer, se pode mudar.

    Daniel 6.16 Ento o rei deu ordem, e trouxeram Daniel, e o lanaram na cova dos lees. Ora, disse o rei a Daniel: O teu Deus, a quem tu

    continuamente serves, ele te livrar.

  • 52

    Daniel 6.17 E uma pedra foi trazida e posta sobre a boca da cova; e o rei a selou com o seu anel e

    com o anel dos seus grandes, para que no tocante a Daniel nada se mudasse:

    Daniel 6.18 Depois o rei se dirigiu para o seu palcio, e passou a noite em jejum; e no foram trazidos sua presena instrumentos de

    msica, e fugiu dele o sono.

    Daniel 6.19 Ento o rei se levantou ao romper do dia, e foi com pressa cova dos lees.

    Daniel 6.20 E, chegando-se cova, chamou por Daniel com voz triste; e disse o rei a Daniel:

    Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar- te dos lees?

    Daniel 6.21 Ento Daniel falou ao rei: rei, vive para sempre.

    Daniel 6.22 O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos lees, e eles no me fizeram mal algum; porque foi achada em mim

    inocncia diante dele; e tambm diante de ti, rei, no tenho cometido delito algum.

    Daniel 6.23 Ento o rei muito se alegrou, e mandou tirar a Daniel da cova. Assim foi tirado Daniel da cova, e no se achou nele leso

    alguma, porque ele havia confiado em seu Deus.

  • 53

    Daniel 6.24 E o rei deu ordem, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado Daniel, e

    foram lanados na cova dos lees, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda no tinham

    chegado ao fundo da cova quando os lees se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos

    os ossos.

    Daniel 6.25 Ento o rei Dario escreveu a todos os povos, naes e lnguas que moram em toda a

    terra: Paz vos seja multiplicada.

    Daniel 6.26 Com isto fao um decreto, pelo qual em todo o domnio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel;

    porque ele o Deus vivo, e permanece para sempre; e o seu reino nunca ser destrudo; o

    seu domnio durar at o fim.

    Daniel 6.27 Ele livra e salva, e opera sinais e maravilhas no cu e na terra; foi ele quem livrou Daniel do poder dos lees.

    Daniel 6.28 Este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, e no reinado de Ciro, o persa.

  • 54

    Daniel 7

    A data deste captulo o coloca antes do quinto porque Daniel teve estas vises no primeiro ano de Belssazar, quando o cativeiro dos judeus na

    Babilnia estava se aproximando do seu trmino.

    Temos aqui o registro dos quatro imprios que

    seriam opressivos para Israel, at que o Messias se manifestasse e realizasse no final dos tempos

    a plena libertao deles.

    Ainda hoje, mesmo depois de ter andado errante por todo o mundo por mais de dezoito sculos, Israel ainda como um povo oprimido

    em sua prpria terra, cercado de ameaas por todos os lados, e isto tudo tem o propsito de

    manter acesa neles a expectativa da libertao do Messias, o qual, a propsito eles rejeitaram

    como nao no seu primeiro advento, e que ser reconhecido somente no segundo.

    A viso serviria para alertar aos israelitas quanto a no sonharem com um retorno para a sua

    prpria terra, sados de Babilnia, para desfrutarem de uma tranquilidade plena e

    ininterrupta; mas que, no deveriam, de modo algum, enganar a si mesmos, e ficarem por

    conseguinte decepcionados com Deus.

  • 55

    As graas que teriam mesmo aqueles que viessem a estar associados ao Messias, seriam

    acompanhadas por aflies neste mundo.

    Os reinos deste mundo estariam em conflitos

    permanentes, e as consequncias destes conflitos respingariam sobre os prprios filhos

    de Deus.

    Assim sucede em razo da prpria natureza terrena cada no pecado que est em permanente conflito.

    A soberba, a arrogncia, a cobia e o egosmo dos homens sempre h de ser refletida em seus

    governantes e nos prprios governados.

    somente em Cristo que o homem pode ser libertado disso, e como nem todos so da f, de se esperar ento que sempre haja guerras e

    rumores de guerra at que Cristo estabelea o seu reino na sua forma final.

    Daniel viu quatro grandes animais, subindo do mar, das guas turbulentas da humanidade. Os monarcas e monarquias so representados por bestas, porque muitas vezes pela raiva brutal e pela tirania que eles so criados e apoiados.

    Estes animais eram diferentes uns dos outros, para destacar as formas diferentes de gnios das

    naes que representavam.

  • 56

    A primeira besta era como um leo. Esta foi a monarquia babilnica, que era feroz e forte, e fez

    os reis absolutos. Este leo tinha asas de guia, com as quais podia voar sobre a presa, denotando a velocidade com que Nabucodonosor fez a sua conquista dos reinos.

    Mas, Daniel logo v as suas asas arrancadas, pondo um ponto final colocado sobre a carreira de suas armas vitoriosas.

    Diversos pases que tinham sido seus tributrios se revoltaram contra eles, de moldo a fazer com que este animal monstruoso, este leo alado,

    fosse colocado de p como um homem, e o corao de homem lhe sendo dado. Ele perdeu o corao de um leo, com o qual tinha sido famoso, perdeu a sua coragem e se tornou fraco e dbil, e conheceriam com isto que no passavam de meros homens.

    A segunda besta era como um urso. Esta foi a monarquia persa, menos forte e mais generosa

    do que a anterior, mas no menos voraz. Este urso se levantou de um lado contra o leo, e logo o dominou. Este urso tinha trs costelas na boca, entre os dentes, os restos daquelas naes que tinha devorado, que eram as marcas de sua

    voracidade, e ainda uma indicao de que se tivesse devorado muito, no poderia, no

    entanto, devorar tudo; algumas costelas ainda esto presas nos seus dentes, as quais no

    poderia conquistar.

  • 57

    O terceiro animal era semelhante a um leopardo. Esta foi a monarquia grega, fundada por Alexandre, o Grande, ativo, esperto e cruel, como um leopardo. Ele tinha quatro asas de ave; o leo parece ter tido, seno duas asas; mas o leopardo tinha quatro, pois embora

    Nabucodonosor tivesse grande expedio em suas conquistas Alexandre fez uma muito maior. Em seis anos ele ganhou todo o imprio da Prsia, alm de grande parte da sia, fez-se senhor da Sria, Egito, ndia e outras

    naes. Este animal tinha quatro cabeas; aps a morte de Alexandre suas conquistas foram

    divididas entre seus quatro generais.

    O quarto animal era mais feroz e formidvel que qualquer um deles. O Imprio Romano, que, quando estava em sua glria, compreendeu dez reinos: Itlia, Frana, Espanha, Alemanha, Gr-

    Bretanha, Sarmatia, Pannonia, sia, Grcia e Egito; e, em seguida, o pequeno chifre que aumentou a queda de trs dos outros chifres, que alguns consideram como sendo o imprio

    turco, e outros como o reino da Sria com a famlia dos Selucidas, que era muito cruel e

    opressiva para o povo de Israel. E aqui se diz que o imprio era diferente daqueles que vieram antes, porque nenhum dos poderes anteriores

    tentou obrigar os judeus a renunciarem sua religio, mas os reis da Sria o fizeram, e de

    modo brbaro. seus exrcitos e comandantes eram os grandes dentes de ferro com que devoravam e faziam em pedaos o povo de

  • 58

    Deus. Os dez chifres so, ento, dez reis que reinaram sucessivamente na Sria; e, em seguida, o chifre pequeno Antoco Epifnio, o ltimo dos dez, que de uma forma ou outra

    minou a trs dos reis, e obteve o governo. Ele era um homem de grande talento, e, portanto, dito

    ter olhos como os olhos de um homem, e ele foi muito corajoso e ousado, tinha uma boca que falava grandes coisas. Ns nos encontraremos novamente com ele nessas profecias.

    Se entendermos o quarto animal como se referindo ao imprio srio, ou ao romano, evidente que estes versos so destinados para o

    conforto e apoio do povo de Deus em referncia s perseguies que eram susceptveis de

    sustentar tanto de um quanto do outro, e de todos os seus inimigos orgulhosos em todas as

    pocas; porque est escrito para a sua aprendizagem sobre quem os fins dos sculos

    tm chegado, que tambm eles, pela pacincia e consolao desta Escritura, tenham esperana.

    Trs coisas so descritas aqui e que que so muito animadoras:

    I. Que existe um juzo vindouro, e Deus o Juiz. Agora os homens tm o seu dia, e cada pretendente acha que ele deve ter seu dia, e se

    esfora para isso. Mas Aquele que se assenta no cu ri deles, pois v que seu dia est chegando (Sl 37.13).

  • 59

    II. Que os inimigos cruis e orgulhosos da Igreja de Deus, certamente, sero derrubados no

    devido tempo (v. 11 e 12). Isto aqui representado a ns, com a destruio do quarto animal.

    III. Que o reino do Messias deve ser edificado e ser mantido no mundo a despeito de toda a oposio dos poderes das trevas.

    Daniel manifestou um desejo sincero de entender o significado dessas coisas.

    O anjo explicou o significado para o profeta mas ele estava muito interessado em saber maiores detalhes sobre o quarto animal que diferia

    muito dos demais, que tudo devorava e fazia em pedaos.

    Sabemos que a viso se referia a Antoco Epifnio, no passado, e ao Anticristo no futuro,

    porque ambos so o chifre pequeno que prevalece contra os santos e que se eleva

    grandemente contra Deus.

    Ambos recebem da parte de Deus trs anos e meio para operarem as suas desolaes, ao

    trmino dos quais so por Ele destrudos.

    Daniel 7.1 No primeiro ano de Belsazar, rei de

    Babilnia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e vises da sua cabea. Ento escreveu o sonho, e

    relatou a suma das coisas.

  • 60

    Daniel 7.2 Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando, numa viso noturna, e eis que os

    quatro ventos do cu agitavam o Mar Grande.

    Daniel 7.3 E quatro grandes animais, diferentes uns dos outros, subiam do mar.

    Daniel 7.4 O primeiro era como leo, e tinha asas

    de guia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e

    posto em dois ps como um homem; e foi-lhe dado um corao de homem.

    Daniel 7.5 Continuei olhando, e eis aqui o

    segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca trs

    costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.

    Daniel 7.6 Depois disto, continuei olhando, e eis

    aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha nas costas quatro asas de ave; tinha tambm este animal quatro cabeas; e foi-lhe dado domnio.

    Daniel 7.7 Depois disto, eu continuava olhando, em vises noturnas, e eis aqui o quarto animal, terrvel e espantoso, e muito forte, o qual tinha

    grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaos, e pisava aos ps o que sobejava; era

    diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.

    Daniel 7.8 Eu considerava os chifres, e eis que entre eles subiu outro chifre, pequeno, diante

  • 61

    do qual trs dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos,

    como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas.

    Daniel 7.9 Eu continuei olhando, at que foram postos uns tronos, e um ancio de dias se

    assentou; o seu vestido era branco como a neve, e o cabelo da sua cabea como l purssima; o

    seu trono era de chamas de fogo, e as rodas dele eram fogo ardente.

    Daniel 7.10 Um rio de fogo manava e saa de diante dele; milhares de milhares o serviam, e

    mirades de mirades assistiam diante dele. Assentou-se para o juzo, e os livros foram

    abertos.

    Daniel 7.11 Ento estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que o chifre proferia;

    estive olhando at que o animal foi morto, e o seu corpo destrudo; pois ele foi entregue para

    ser queimado pelo fogo.

    Daniel 7.12 Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domnio; todavia foi-lhes concedida prolongao de vida por um prazo e mais um

    tempo.

    Daniel 7.13 Eu estava olhando nas minhas vises noturnas, e eis que vinha com as nuvens do cu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancio

    de dias, e foi apresentado diante dele.

  • 62

    Daniel 7.14 E foi-lhe dado domnio, e glria, e um reino, para que todos os povos, naes e lnguas

    o servissem; o seu domnio um domnio eterno, que no passar, e o seu reino tal, que

    no ser destrudo.

    Daniel 7.15 Quanto a mim, Daniel, o meu esprito foi abatido dentro do corpo, e as vises da minha

    cabea me perturbavam.

    Daniel 7.16 Cheguei-me a um dos que estavam perto, e perguntei-lhe a verdadeira significao

    de tudo isso. Ele me respondeu e me fez saber a interpretao das coisas.

    Daniel 7.17 Estes grandes animais, que so

    quatro, so quatro reis, que se levantaro da terra.

    Daniel 7.18 Mas os santos do Altssimo

    recebero o reino e o possuiro para todo o sempre, sim, para todo o sempre.

    Daniel 7.19 Ento tive desejo de conhecer a

    verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, sobremodo terrvel, com dentes de ferro e unhas de bronze;

    o qual devorava, fazia em pedaos, e pisava aos ps o que sobrava;

    Daniel 7.20 e tambm a respeito dos dez chifres que ele tinha na cabea, e do outro que subiu e diante do qual caram trs, isto , daquele chifre

    que tinha olhos, e uma boca que falava grandes

  • 63

    coisas, e parecia ser mais robusto do que os seus companheiros.

    Daniel 7.21 Enquanto eu olhava, eis que o mesmo chifre fazia guerra contra os santos, e prevalecia

    contra eles,

    Daniel 7.22 at que veio o ancio de dias, e foi executado o juzo a favor dos santos do Altssimo; e chegou o tempo em que os santos

    possuram o reino.

    Daniel 7.23 Assim me disse ele: O quarto animal ser um quarto reino na terra, o qual ser

    diferente de todos os reinos; devorar toda a terra, e a pisar aos ps, e a far em pedaos.

    Daniel 7.24 Quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantaro dez reis; e depois

    deles se levantar outro, o qul ser diferente dos primeiros, e abater a trs reis.

    Daniel 7.25 Proferir palavras contra o

    Altssimo, e consumir os santos do Altssimo; cuidar em mudar os tempos e a lei; os santos

    lhe sero entregues na mo por um tempo, e tempos, e metade de um tempo.

    Daniel 7.26 Mas o tribunal se assentar em juzo, e lhe tirar o domnio, para o destruir e para o

    desfazer at o fim.

    Daniel 7.27 O reino, e o domnio, e a grandeza dos reinos debaixo de todo o cu sero dados ao

  • 64

    povo dos santos do Altssimo. O seu reino ser um reino eterno, e todos os domnios o serviro,

    e lhe obedecero.

    Daniel 7.28 Aqui o fim do assunto. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me perturbaram e o meu semblante se mudou; mas

    guardei estas coisas no corao.

  • 65

    Daniel 8

    As vises e profecias do presente captulo apontam apenas e exclusivamente para os eventos que estavam ento em breve para vir a

    ocorrer nas monarquias da Prsia e da Grcia, e parecem no ter qualquer outra referncia.

    Nada dito aqui da monarquia babilnica, apesar da viso ter sido dada a Daniel durante o

    perodo de reinado de Belssazar.

    O captulo foi, portanto, escrito para que os judeus soubessem tudo o que lhes aguardava, e

    os problemas que teriam que enfrentar mantendo firme a sua f em Deus e em suas

    promessas de redeno futura do seu povo.

    Ns temos neste captulo a viso do carneiro, do bode, e do chifre pequeno que deveriam lutar e prevalecer contra o povo de Deus, por um

    determinado perodo de tempo limitado.

    A interpretao desta viso por um anjo,

    revelava que o carneiro significava o imprio persa, o bode o grego, e o chifre pequeno o rei da

    monarquia grega, que se levantaria contra os judeus e a sua religio, o qual foi Antoco

    Epifnio.

    A igreja judaica, desde o seu incio, tinha sido o tempo todo, mais ou menos, abenoada com

    profetas, homens divinamente inspirados para

  • 66

    explicar a mente de Deus a eles em suas providncias e dar-lhes alguma perspectiva do

    que estava por vir sobre eles; mas, logo depois da poca de Esdras, a inspirao divina cessou, e

    no houve mais qualquer profeta at o dia amanhecer com o evangelho de Cristo.

    Daniel viu um carneiro sendo vencido por um bode. Este foi Alexandre, o Grande, o filho de Filipe, rei da Macednia. Ele veio do oeste, a partir da Grcia, que ficava a oeste da Prsia. Este bode prosseguiu com incrvel rapidez,

    porque ele no tocava o solo em suas investidas.

    Este bode tinha um chifre notvel entre os olhos, como um unicrnio. Ele tinha fora, e sabia que sua prpria fora era um terror para todos os povos vizinhos. Em apenas seis anos se

    fez senhor da maior parte do mundo ento conhecido. Bem, ele pode ser chamado de

    um chifre notvel, porque o seu nome ainda vive na histria como o nome de um dos

    comandantes mais clebres da guerra que o mundo jamais havia conhecido.

    Mas, este bode veio sobre o carneiro que tinha dois chifres os dois chifres eram respectivamente a Mdia e a Prsia, que

    estavam coligadas num s imprio. Alexandre com seu exrcito vitorioso atacou o reino da

    Prsia, um exrcito que consistia em no mais do que 30 mil homens a p e 5000 a

    cavalo. Alexandre veio com seu exrcito contra

  • 67

    Darius Codomannus, ento imperador da Prsia, pelo que Alexandre se tornou senhor

    absoluto de todo o imprio persa, lhe quebrou os dois chifres, os reinos da Mdia e da Prsia. O carneiro que tinha destrudo tudo antes dele, estava agora sendo destrudo.

    Mas, o grande chifre (poder) que tinha executado tudo isso, foi quebrado, pois Alexandre havia comeado suas batalhas com

    cerca de 20 anos, e aos 26 conquistou Dario, mas quando tinha cerca de 32 anos, ele morreu, no

    na guerra, mas envenenado ou por um excesso de embriaguez.

    Dele saiu um pequeno chifre que se tornou um grande perseguidor da Igreja e do povo de

    Deus.

    Antoco profanou o templo do Senhor, no sem

    que antes os prprios judeus o tivessem profanado com as prticas e ofertas impuras que

    eles faziam, conforme vemos o profeta Malaquias lhes repreendendo por isso. E ento

    o Senhor permitiu que Antoco fizesse o que fez como uma forma de juzo, e que de igual forma

    permitir que o Anticristo faa, pelo mesmo motivo.

    Como estas calamidades tm um propsito corretivo para levar o povo de Deus ao arrependimento e santidade, tm por

    conseguinte um tempo de durao fixado por

  • 68

    Ele neste caso especfico, de trs anos e meio de tribulao.

    Daniel 8.1 No ano terceiro do reinado do rei

    Belsazar apareceu-me uma viso, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princpio.

    Daniel 8.2 E na viso que tive, parecia-me que eu estava na cidadela de Sus, na provncia de Elo; e conforme a viso, eu estava junto ao rio Ulai.

    Daniel 8.3 Levantei os olhos, e olhei, e eis que estava em p diante do rio um carneiro, que tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos;

    mas um era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por ltimo.

    Daniel 8.4 Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem

    pudesse livrar-se do seu poder; ele, porm, fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia.

    Daniel 8.5 E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre a face de toda a terra, mas sem tocar no cho; e aquele bode

    tinha um chifre notvel entre os olhos.

    Daniel 8.6 E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em p diante

    do rio, e correu contra ele no furor da sua fora.

  • 69

    Daniel 8.7 Vi-o chegar perto do carneiro; e, movido de clera contra ele, o feriu, e lhe

    quebrou os dois chifres; no havia fora no carneiro para lhe resistir, e o bode o lanou por

    terra, e o pisou aos ps; tambm no havia quem pudesse livrar o carneiro do seu poder.

    Daniel 8.8 O bode, pois, se engrandeceu

    sobremaneira; e estando ele forte, aquele grande chifre foi quebrado, e no seu lugar outros quatro tambm notveis nasceram para

    os quatro ventos do cu.

    Daniel 8.9 Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para

    o oriente, e para a terra formosa;

    Daniel 8.10 e se engrandeceu at o exrcito do cu; e lanou por terra algumas das estrelas

    desse exrcito, e as pisou.

    Daniel 8.11 Sim, ele se engrandeceu at o prncipe do exrcito; e lhe tirou o holocausto

    contnuo, e o lugar do seu santurio foi deitado abaixo.

    Daniel 8.12 E o exrcito lhe foi entregue, juntamente com o holocausto contnuo, por causa da transgresso; lanou a verdade por

    terra; e fez o que era do seu agrado, e prosperou.

    Daniel 8.13 Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo quele que falava: At quando

    durar a viso relativamente ao holocausto

  • 70

    contnuo e transgresso assoladora, e entrega do santurio e do exrcito, para serem

    pisados?

    Daniel 8.14 Ele me respondeu: At duas mil e trezentas tardes e manhs; ento o santurio

    ser purificado.

    Daniel 8.15 Havendo eu, Daniel, tido a viso, procurei entend-la, e eis que se me apresentou como que uma semelhana de homem.

    Daniel 8.16 E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel,

    faze que este homem entenda a viso.

    Daniel 8.17 Veio, pois, perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei amedrontado, e ca com o rosto

    em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, pois esta viso se refere ao tempo do

    fim.

    Daniel 8.18 Ora, enquanto ele falava comigo, ca num profundo sono, com o rosto em terra; ele, porm, me tocou, e me ps em p.

    Daniel 8.19 e disse: Eis que te farei saber o que h de acontecer no ltimo tempo da ira; pois isso

    pertence ao determinado tempo do fim.

    Daniel 8.20 Aquele carneiro que viste, o qual tinha dois chifres, so estes os reis da Mdia e da

    Prsia.

  • 71

    Daniel 8.21 Mas o bode peludo o rei da Grcia; e o grande chifre que tinha entre os olhos o

    primeiro rei.

    Daniel 8.22 O ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro

    reinos se levantaro da mesma nao, porm no com a fora dele.

    Daniel 8.23 Mas, no fim do reinado deles,

    quando os transgressores tiverem chegado ao cmulo, levantar-se- um rei, feroz de

    semblante e que entende enigmas.

    Daniel 8.24 Grande ser o seu poder, mas no de si mesmo; e destruir terrivelmente, e

    prosperar, e far o que lhe aprouver; e destruir os poderosos e o povo santo.

    Daniel 8.25 Pela sua sutileza far prosperar o

    engano na sua mo; no seu corao se engrandecer, e destruir a muitos que vivem em segurana; e se levantar contra o prncipe

    dos prncipes; mas ser quebrado sem intervir mo de homem.

    Daniel 8.26 E a viso da tarde e da manh, que foi dita, verdadeira. Tu, porm, cerra a viso, porque se refere a dias mui distantes.

    Daniel 8.27 E eu, Daniel, desmaiei, e estive enfermo alguns dias; ento me levantei e tratei dos negcios do rei. E espantei-me acerca da

    viso, pois no havia quem a entendesse.

  • 72

    Daniel 9

    Este captulo encerra a magnfica e conhecida profecia das setenta semanas, as quais foram reveladas a Daniel como o tempo e o plano

    engendrados por Deus para a glorificao final de seu povo Israel. Isto no sucederia conforme

    Daniel ou qualquer outro israelita pudessem estar imaginando que seria logo aps o retorno

    imediato deles para a Palestina, uma vez tendo sado do cativeiro em Babilnia.

    A glria futura de Israel estava associada e dependia da glorificao do Messias prometido.

    Sem Cristo e a realizao de todo o plano que est sendo cumprido nele, no pode haver qualquer glria para o povo da Aliana.

    De maneira que esta profecia foi dada para fixar este tempo e propsito, indicando que no h negligncia ou demora naquilo que Deus nos

    tem prometido, seno simplesmente o cumprimento do cronograma que Ele tem

    estabelecido em sua soberania.

    A viso foi dada a Daniel quando a Prsia passou a dominar no lugar de Babilnia e logo decretaria o retorno de Israel para a Palestina.

    Os setenta anos de cativeiro estavam sendo ento completados e Daniel orou para que Deus

  • 73

    perdoasse a Israel e restaurasse a sua antiga glria, e ainda mais, aquela que havia sido

    prometida para o futuro que se seguiria ao cativeiro por todos os seus profetas.

    Deus enviou-lhe o arcanjo Gabriel para lhe

    orientar quanto aos tempos que estavam determinados para tal propsito.

    Gabriel lhe daria informaes acerca do

    Messias, do Libertador de Israel para remi-lo de seus pecados, fazendo expiao por eles por

    meio do seu prprio sacrifcio.

    Mas, 483 anos (69 semanas) deveriam ainda ser aguardados para a sua primeira manifestao

    para morrer na cruz, a contar desde a ordem para a restaurao, provavelmente dos muros de Jerusalm nos dias de Neemias.

    A restaurao de Israel depois do cativeiro no significava que haveria tempos de perptua paz e prosperidade para eles, seno que esta

    restaurao ocorreria debaixo de tempos trabalhosos e angustiosos para a nao,

    conforme de fato ocorreu sob os srios e romanos at que o Ungido se manifestasse.

    Mas, a iniquidade do povo seria removida por causa da morte do Ungido por eles.

    Ainda um tempo de espera deveria ser aguardado, e este um hiato entre a penltima

    semana, quando Cristo morreu e ressuscitou, e

  • 74

    a ltima correspondente ao governo do Anticristo, ao final do qual o Senhor voltar com

    poder e muita glria, pois este perodo no contado para Israel entre a penltima e ltima

    semanas corresponde ao tempo de endurecimento em que a nao de Israel

    permanecer, para que haja a plena entrada dos gentios ao Reino por meio do evangelho.

    Deus no ter esquecido da nao de Israel

    mesmo neste perodo de endurecimento, mas sabe que a nao se converter como um todo

    somente na ocasio em que Jesus voltar para livr-los das assolaes do Anticristo.

    Desta forma, a revelao magnfica quanto

    abordagem das previses relativas manifestao e glria do reino do Messias

    juntamente com os judeus, que eram o foco da ateno imediata de Daniel.

    Daniel 9.1 No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi

    constitudo rei sobre o reino dos caldeus.

    Daniel 9.2 no ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o nmero de

    anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as desolaes de

    Jerusalm, era de setenta anos.

  • 75

    Daniel 9.3 Eu, pois, dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com orao e splicas, com

    jejum, e saco e cinza.

    Daniel 9.4 E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: Senhor, Deus grande e

    tremendo, que guardas o pacto e a misericrdia para com os que te amam e guardam os teus

    mandamentos;

    Daniel 9.5 pecamos e cometemos iniquidades, procedemos impiamente, e fomos rebeldes,

    apartando-nos dos teus preceitos e das tuas ordenanas.

    Daniel 9.6 No demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, nossos prncipes, e nossos pais,

    como tambm a todo o povo da terra.

    Daniel 9.7 A ti, Senhor, pertence a justia, porm a ns a confuso de rosto, como hoje se

    v; aos homens de Jud, e aos moradores de Jerusalm, e a todo o Israel; aos de perto e aos de

    longe, em todas as terras para onde os tens lanado por causa das suas transgresses que

    cometeram contra ti.

    Daniel 9.8 Senhor, a ns pertence a confuso de rosto, aos nossos reis, aos nossos prncipes, e

    a nossos pais, porque temos pecado contra ti.

  • 76

    Daniel 9.9 Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericrdia e o perdo; pois nos rebelamos

    contra ele,

    Daniel 9.10 e no temos obedecido voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermdio de seus servos,

    os profetas.

    Daniel 9.11 Sim, todo o Israel tem transgredido a tua lei, desviando-se, para no obedecer tua voz; por isso a maldio, o juramento que est

    escrito na lei de Moiss, servo de Deus, se derramou sobre ns; porque pecamos contra

    ele.

    Daniel 9.12 E ele confirmou a sua palavra, que falou contra ns, e contra os nossos juzes que

    nos julgavam, trazendo sobre ns um grande mal; porquanto debaixo de todo o cu nunca se

    fez como se tem feito a Jerusalm.

    Daniel 9.13 Como est escrito na lei de Moiss, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, no temos implorado o favor do Senhor nosso Deus,

    para nos convertermos das nossas iniquidades, e para alcanarmos discernimento na tua

    verdade.

    Daniel 9.14 por isso, o Senhor vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre ns; pois justo o Senhor, nosso Deus, em todas as obras que faz; e ns no temos

    obedecido sua voz.

  • 77

    Daniel 9.15 Na verdade, Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mo

    poderosa, e te adquiriste nome como hoje se v, temos pecado, temos procedido impiamente.

    Daniel 9.16 e Senhor, segundo todas as tuas

    justias, apartem-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalm, do teu santo monte;

    porquanto por causa dos nossos pecados, e por causa das iniquidades de nossos pais, tornou-se

    Jerusalm e o teu povo um oprbrio para todos os que esto em redor de ns.

    Daniel 9.17 Agora, pois, Deus nosso, ouve a

    orao do teu servo, e as suas splicas, e sobre o teu santurio assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.

    Daniel 9.18 Inclina, Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolao, e para a cidade que chamada pelo

    teu nome; pois no lanamos as nossas splicas perante a tua face fiados em nossas justias, mas

    em tuas muitas misericrdias.

    Daniel 9.19 Senhor, ouve; Senhor, perdoa; Senhor, atende-nos e pe mos obra sem

    tardar, por amor de ti mesmo, Deus meu, porque a tua cidade e o teu povo se chamam pelo

    teu nome.

    Daniel 9.20 Enquanto estava eu ainda falando e orando, e confessando o meu pecado, e o pecado

    do meu povo Israel, e lanando a minha splica

  • 78

    perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus,

    Daniel 9.21 sim enquanto estava eu ainda