Deficit de Equilibrio Corporal

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  • UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    FACULDADE DE SADE PBLICA

    Dficit de Equilbrio Corporal: Prevalncia e

    Fatores Associados em Idosos Residentes no Municpio de So Paulo - Estudo SABE.

    Angela Bushatsky

    So Paulo 2012

  • Dficit de Equilbrio Corporal: Prevalncia e Fatores Associados em Idosos Residentes no

    Municpio de So Paulo - Estudo SABE.

    Angela Bushatsky

    Tese apresentada ao Programa de Ps Graduao em Sade Pblica da Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo para obteno do ttulo de Doutora em Sade Pblica. rea de Concentrao: Epidemiologia Orientadora: Prof Dr Maria Lcia Lebro

    So Paulo 2012

  • expressamente proibida a comercializao deste documento, tanto na sua

    forma impressa como eletrnica. Sua produo total ou parcial permitida

    exclusivamente para fins acadmicos e cientficos, desde que na reproduo

    figure a identificao do autor, titulo, instituio e ano da dissertao.

  • Dedicatria

    Aos meus pais, Inovy e Samuel (in memorian), pela dedicao, incentivo e afeto incondicionais.

    Aos meus irmos, Miriam e Henrique e aos meus sobrinhos, Milena,

    Leonardo, Tas, Ana Luiza, Maria, Alberto, Wagner, Diana, Luana, pelo apoio

    e cumplicidade.

    A todos os amigos, sempre prontos para uma palavra de compreenso

    e estmulo.

    Aos pacientes que me estimularam a buscar respostas e mantiveram

    acesa em mim, a chama do entusiasmo.

  • Agradecimentos

    Professora Doutora Maria Lcia Lebro, pelo apoio e orientao

    recebidos ao longo dos ltimos anos.

    Professora Doutora Yeda Aparecida de Oliveira Duarte, pelo apoio

    compreenso e orientao durante todo esse percurso.

    Comisso de Ps-Graduao da Faculdade de Sade Pblica da

    Universidade de So Paulo, pelo apoio e compreenso.

    A todo corpo docente e funcionrios do Departamento de

    Epidemiologia da Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So

    Paulo, pelo acolhimento e dedicao.

    A todos os colegas que me acompanharam e apoiaram ao longo de

    todos esses anos, em especial Luciana Correia Alves que foi fundamental

    para a finalizao dessa tese.

    Aos membros da banca, pela disponibilidade, pacincia e por todas as

    consideraes, sugestes e criticas ao trabalho.

    Ao Dr. Luciano Marcondes Godoy, por seu inestimvel apoio e

    colaborao.

    Nina Simone e Thelonius Monk, grandes companheiros de todas as

    horas.

  • BUSHATSKY A. Dficit de Equilbrio Corporal: Prevalncia e Fatores Associados em Idosos Residentes no Municpio de So Paulo - Estudo SABE. [tese de doutorado] So Paulo: Faculdade de Sade Pblica, Universidade de So Paulo;2012.

    RESUMO

    Introduo: O dficit de equilbrio tem grande impacto na vida do indivduo idoso, gera instabilidade, muitas vezes incapacitante, restrio de movimento, predisposio a quedas e fraturas. Tais fatores podem levar ao aumento da morbimortalidade, diminuio da independncia e altos custos com tratamentos, internaes e cuidados especiais, para as famlias e para a sociedade. Objetivo: Analisar a prevalncia de alterao do equilbrio corporal, investigar as caractersticas (demogrficas, de sade, antropomtricas e de estilo de vida) e fatores associados ao dficit de equilbrio, sua associao com o auto-relato de presena de tontura ou vertigem, bem como avaliar a influncia do equilbrio nos desfechos clnicos adversos e estimar a taxa de incidncia no perodo 2006-2010. Material e mtodo: Este estudo epidemiolgico transversal, de base populacional domiciliar, desenvolvido no mbito do Estudo SABE, na cidade de So Paulo, avaliou os idosos que em 2006 fizeram o Teste de Equilbrio. Os dados obtidos foram analisados de forma descritiva e pelos modelos de regresso logstica linear simples e mltiplo. Resultados: Entre os 1226 idosos avaliados, 83,7% tiveram a pontuao mxima no teste. Idade, histria de fratura, dificuldade em pelo menos uma mobilidade, declnio cognitivo, episdio de queda nos ltimos 12 meses exerceram significativa influncia no desempenho do equilbrio e as associaes foram estatisticamente significativa (p

  • BUSHATSKY A. Balance disorder: prevalence and associated factors in elderly residents in So Paulo - SABE Study. [thesis] So Paulo: School of Public Health, University of So Paulo, 2012.

    Abstract

    Introduction: Balance disorder has great impact on the lives of the elderly, causing instability, often disabling, movement restriction and predisposition to falls and fractures. These factors may lead to increased morbimortality, decreased independence and costly treatments, hospitalizations and special care imposed on families and society. Objective: This study aims to analyze the prevalence of alterations in body balance and investigates the characteristics (demographic, health, anthropometric and lifestyle issues) and factors related to balance disorder as well as its association with self-reported presence of dizziness/vertigo. It also investigates the influence of balance in adverse clinical outcomes and estimates the incidence rate in the 2006-2010 period. Methods: This epidemiological cross-sectional population-based research, developed under SABE Study in So Paulo, evaluated the elderly who undertook the Balance Test in 2006. The data were analyzed descriptively and according to multiple and simple linear logistic regression models. Results: From a total of 1,226 elderly individuals evaluated, 83.7% achieved the highest score on the test. Factors such as age, fracture history, difficulty in at least one mobility, cognitive decline and fall episode in the previous year had major influence on the balance performance and associations were statistically significant (p

  • ndice

    1. INTRODUO ......................................................................................... 12.

    1.1. Transio demogrfica e epidemiolgica ................................... 17.

    1.2. Fisiologia do equilbrio ............................................................... 18.

    1.2.1. Equilbrio corporal ........................................................ 22.

    1.2.2. Equilbrio corporal no idoso .......................................... 27.

    1.3. Do instrumento de avaliao ...................................................... 28.

    2. OBJETIVOS

    2.1. Objetivo geral ............................................................................. 32.

    2.2. Objetivos especficos ................................................................. 32.

    3. MATERIAL E MTODOS

    3.1 Estudo SABE .............................................................................. 34.

    3.2. Coleta de dados ......................................................................... 38.

    3.3. Populao e amostra.................................................................. 43.

    3.4. Variveis .................................................................................... 43.

    3.5. Anlise dos dados ...................................................................... 48.

    4. RESULTADOS E DISCUSSO .............................................................. 54.

    5. CONCLUSO ........................................................................................ 104.

    6. REFERNCIAS ..................................................................................... 108.

    Anexos

    Anexo 1 Questionrio SABE 2006 (CD - ROM)

    Anexos 2 e 3 Pareceres do Comit de tica em Pesquisa

    CURRCULO LATTES

  • Lista de Siglas e Abreviaturas

    ABVD Atividade Bsica de Vida Diria AIVD Atividade Instrumental de Vida Diria COEP Comit de tica em Pesquisa CONEP Comit Nacional de tica em Pesquisa DANT Doenas e Agravos No Transmissveis DCNT Doenas Crnicas No Transmissveis EPIDOSO Epidemiologia do Idoso FAPESP Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo FSP/USP Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo HAS Hipertenso Arterial Sistmica IC Intervalo de Confiana IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica IMC ndice de Massa Corporal OMS Organizao Mundial da Sade ONU Organizao das Naes Unidas OPAS Organizao Pan-Americana de Sade OR Odds Ratio PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclio SABE Sade, Bem-Estar e Envelhecimento SNC Sistema Nervoso Central SPPB Short Physical Performance Battery STP Sistema Tnico Postural SUS Sistema nico de Sade SV Sistema Vestibular

  • Lista de Tabelas, Quadros e Figuras

    Tabela 1 Distribuio dos idosos que fizeram o teste de equilbrio, segundo sexo e idade, municpio de So Paulo, 2000- 2006. .......................................................................... 54.

    Tabela 2 Distribuio dos idosos que fizeram teste de equilbrio, segundo sexo e idade, municpio de So Paulo, 2006. ..................................................................................... 57.

    Tabela 3 Distribuio dos idosos que fizeram o teste de equilbrio, segundo caractersticas demogrficas e socioeconmicas, municpio de So Paulo, 2006. ..... 59.

    Tabela 4 Distribuio dos idosos que fizeram o teste de equilbrio, segundo caractersticas relacionadas sade/doena e estilo de vida, municpio de So Paulo, 2006. ............ 76.

    Tabela 5 Distribuio relativa (%) dos idosos, segundo sexo, idade e escore no teste de equilbrio, municpio de So Paulo, 2006. ........................................................................... 80.

    Tabela 6 Caractersticas demogrficas, de condies de sade, antropomtricas e de estilo de vida entre idosos, segundo a varivel presena de tontura ou vertigem, municpio de So Paulo, 2006. ................................... 84.

    Tabela 7 Caractersticas demogrficas, de condies de sade, antropomtricas e de estilo de vida entre idosos, segundo a pontuao no teste de equilbrio, municpio de So Paulo, 2006. ................................................... 87.

  • Tabela 8 Estimativas dos coeficientes do modelo de regresso linear simples para o Teste de Equilbrio, municpio de So Paulo, 2006. ........................................................ 90.

    Tabela 9 Estimativas dos coeficientes do modelo de regresso linear simples para o Teste de Equilbrio, municpio de So Paulo, 2006. ........................................................ 91.

    Tabela 10 Estimativas dos coeficientes do modelo de regresso linear mltiplo para o Teste de Equilbrio, municpio de So Paulo, 2006. ........................................................ 96.

    Tabela 11 Razo de chance (OR) do modelo logstico binrio tendo como varivel dependente internao hospitalar nos ltimos 12 meses em relao categoria de referncia ausncia de internao, municpio de So Paulo, 2006. ..................................................................................... 98.

    Tabela 12 Razo de chance (OR) do modelo logstico binrio tendo como varivel dependente episdios de queda nos ltimos 12 meses em relao categoria de referncia ausncia de queda, municpio de So Paulo, 2006. .................................................................................... 99.

    Grfico 1 Escore de equilbrio em idosos no municpio de So Paulo, 2006. ............................................................... 78.

    Grfico 2 Taxa de incidncia (por 1.000 hab.) das alteraes de equilbrio no perodo entre 2006-2010, municpio de So Paulo, 2006. ............................................................... 82.

    Figura 1 Diagrama das coortes do Estudo SABE ..................... 38.

  • INTRODUO

  • 12

    1. INTRODUO

    O envelhecimento populacional atualmente um fenmeno mundial

    (KALACHE, 2008) de tendncia permanente (ONU, 2007). Caracteriza-se

    pelo crescimento mais elevado da populao idosa em relao aos demais

    grupos etrios. Na maior parte do mundo desenvolvido, o envelhecimento da

    populao foi um processo lento, gradual que comeou em meados do

    sculo XIX acompanhado de crescimento scio-econmico. Nos pases em

    desenvolvimento, este processo de envelhecimento est acontecendo h

    apenas duas ou trs dcadas sem o acompanhamento no ritmo de

    desenvolvimento scio-econmico necessrio para fazer frente a tal

    demanda (OMS, 2005).

    Associado ao processo de envelhecimento populacional, o Brasil

    vem sofrendo uma importante reduo dos nveis de mortalidade o que

    acarreta o aumento da longevidade da populao. Esse acrscimo na

    expectativa de vida resultado de polticas econmicas e sociais e dos

    avanos na tecnologia mdica que trouxeram melhoria das condies de vida

    em geral e de sade em particular (CAMARANO et al, 2007).

    Em escala mundial, o nmero de pessoas idosas aumenta em 2,6% a

    cada ano, ou seja bem mais rpido do que a populao total cuja taxa de

    crescimento de 1,1%. Diferenas importantes aparecem entre as regies

    desenvolvidas e aquelas em desenvolvimento. Nas regies mais avanadas,

    as pessoas com 60 anos e mais constituem mais de um quinto da populao

    e, em 2050, sua proporo em relao populao geral ser de um tero.

    Nas regies menos avanadas, a populao idosa atualmente responde por

  • 13

    8% do total, mas em 2050 sua proporo ser de um quinto, isto , na

    metade do sculo XXI, os pases em desenvolvimento atingiro o estado de

    envelhecimento demogrfico que conhecem, nesse momento, os pases

    desenvolvidos (ONU, 2007).

    Na Amrica Latina e Caribe, a populao est envelhecendo paulatina,

    mas inexoravelmente a taxas prximas de 3,5% por ano, muito superiores

    mdia geral das Amricas, que de 1,5%. Em todos os pases da regio, a

    proporo e o nmero absoluto de idosos aumentaro nos prximos

    decnios. A velocidade de mudana dessa populao ser entre trs e cinco

    vezes maior que a da populao total das Amricas. Dessa maneira, a

    proporo de pessoas de 60 anos e mais, nessa regio, ser triplicada entre

    os anos de 2000 e 2050 (OPAS, 2007).

    De acordo com a Organizao Mundial da Sade (2011), a populao

    brasileira de 60 anos e mais passou de 4% em 1940 para 7,8% em 2000 e

    para 10% em 2009. Segundo o IBGE (2010), a populao brasileira de idosos

    chegar ao ano de 2020 com mais de 28,3 milhes de indivduos,

    representando quase 12,9% da populao total. Essa transio demogrfica

    acompanhada pela transio epidemiolgica resultando em maior

    incidncia e prevalncia de doenas e agravos crnicos no transmissveis

    (DANT) e suas complicaes.

    Por outro lado, a expectativa de vida ao nascer no Brasil, que em 1950

    era de 50,9 anos, aumentou, em aproximadamente dez anos, entre 1980 e

    2000, atingindo valores prximos a 71 anos em 2000 (CAMARANO et al,

    2004), e passou de 71,8 anos em 2005 para 72,4 anos em 2006, de acordo

    com a Sntese de Indicadores Sociais 2007 (IBGE, 2007; SANTOS, 2007). E

  • 14

    de acordo com as Naes Unidas (2002) dever atingir 73,9 anos em

    2025/2030 e 76,9 anos em 2045/2050.

    As perspectivas que se vislumbram para o mdio prazo so de

    continuao da reduo da mortalidade em todas as idades e, em especial,

    nas mais avanadas, onde se encontra a maior proporo de pessoas

    portadoras de doenas crnicas no transmissveis (DCNT), muitas vezes,

    acompanhadas de limitaes no desempenho de suas atividades cotidianas

    com a consequente maior dependncia. Portanto, pode-se esperar para o

    futuro prximo um crescimento a taxas elevadas do contingente de idosos

    que vivem por mais tempo (CAMARANO et al, 2004; SANTOS, 2007).

    O envelhecimento um processo fisiolgico, dinmico e progressivo

    no qual h modificaes biolgicas, psicolgicas e sociais (NERI, 2004)

    resultantes de diversos fatores, sejam eles genticos, relacionados ao estilo

    de vida e/ou s doenas e agravos no transmissveis. Esses fatores

    determinam a perda da capacidade de adaptao do indivduo ao meio

    ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidncia de

    processos patolgicos, que terminam por lev-lo morte. Da mesma forma,

    h reduo da capacidade de adaptao perante situaes de sobrecarga

    funcional do organismo (CARVALHO FILHO, 1996).

    A velhice no um fato esttico. Est ligada ideia de mudana,

    segundo a filsofa Simone de Beauvoir (1990), resultado e prolongamento

    de um processo, que a prpria vida. Para o psicanalista francs Jack Messy

    (1999), o envelhecimento um processo que se inscreve na temporalidade

    do indivduo, do comeo ao fim da vida, ele feito de uma sucesso de

    perdas e aquisies, maneira dos movimentos vitais.

  • 15

    desta maneira que se encontra o termo senescncia que fala dos

    efeitos naturais desse processo em oposio senilidade, que trata das

    alteraes produzidas pelas inmeras afeces que podem acometer o

    idoso (JACOB FILHO e SOUZA, 2000). Esse um processo contnuo

    durante o qual ocorrem declnios progressivos de todos os sistemas e rgos

    corporais incluindo os responsveis pelo controle postural e de equilbrio.

    O equilbrio corporal fator primordial para a orientao do indivduo

    no espao circundante (MASSION e WOOLLACOTT, 1996). um processo

    automtico e inconsciente que possibilita ao indivduo se mover no meio

    ambiente e resistir desestabilizao da gravidade (MENEZES e LINS,

    2011). Nele, o sistema nervoso central (SNC) precisa de acurada percepo

    do desenho interno da posio dos segmentos corporais, uns em relao aos

    outros e destes em relao ao espao (COHEN, 2001). Em idosos, a

    diminuio do equilbrio est associada reduo da capacidade funcional e

    ao risco aumentado de quedas (HOWE et al, 2011).

    Um dos problemas mais comuns que afeta essa populao idosa a

    alta frequncia de quedas (WHO, 2007), sendo que um tero das pessoas

    com 65 anos ou mais cai ao menos uma vez ao ano e a metade desses

    casos recorrente (TINETTI, 2003), essa proporo aumenta com pessoas

    com mais de 70 anos (WHO, 2007) algumas vezes resultando em fraturas

    (RHYMES e JAEGER ,1998) e eventos fatais (SATTIN, 2002). A queda a

    principal causa de internao hospitalar na populao com 60 anos e mais e

    de acordo com o Censo de 2000 foram responsveis por 56,1% do total de

    internaes em ambos os sexos (GAWRYSZESKY et al, 2004).

    Dados oriundos do Sistema nico de Sade (SUS) reportam que, em

  • 16

    2004, o nmero de internaes por quedas atingiu 19 mil casos no Estado de

    So Paulo, traduzindo-se em custos que ultrapassaram 20 milhes de reais

    no referido ano (DATASUS, 2011). Garcia et al (2006) observaram que a

    evoluo da fratura do quadril no primeiro ano est relacionada reduo

    significativa da capacidade funcional acarretando em maior dependncia e

    alta mortalidade (30,3%). Segundo Zecevic et al (2006), o desequilbrio a

    principal causa relacionada ocorrncia de quedas apontada por idosos

    residentes na comunidade. Para Tinetti et al (2000), a tontura, tambm

    identificada como a perda do equilbrio, deve ser considerada como uma

    sndrome geritrica que resulta da deficincia ou doena de vrios sistemas.

    Alteraes no equilbrio corporal esto intimamente relacionadas

    ocorrncia de quedas (TINETTI et al, 2010; LEVEILLE et al, 2008). Estima-se

    que a prevalncia de queixas de alteraes do equilbrio ortosttico em

    idosos atinja 85% dos indivduos (MORAES, 2011; SIMOCELI, 2007; BITTAR

    et al, 2000). Essa sintomatologia est associada a vrias etiologias e

    manifesta-se como desequilbrio, desvio de marcha, instabilidade, nuseas,

    declnio na velocidade da marcha (QUACH et al, 2011) e quedas frequentes

    (WEINCHUCH, 1997).

    O medo de se tornar dependente um dos maiores temores das

    pessoas idosas. Esse medo e os altos custos sociais da dependncia

    levaram pesquisadores a distinguir entre expectativa de vida e expectativa de

    vida ativa, um indicador importante da qualidade de vida nesse grupo

    (SPIRDUZO, 2005). As dificuldades com o controle da postura ortosttica e

    com as consequentes quedas constituem um importante problema que se

    agrava durante o envelhecimento. O interesse com os dficits de equilbrio

  • 17

    vem aumentando em conseqncia dos altos custos gerados com os

    cuidados sade provocados por esses acontecimentos (BUSHATSKY e

    LEBRO, 2009).

    1.1 Transio Demogrfica e Epidemiolgica

    A composio de uma populao reflexo de sua dinmica ao longo

    do tempo. O processo de transio demogrfica foi descrito pela primeira vez

    em 1940, referindo-se aos efeitos que as mudanas nos nveis de

    fecundidade, natalidade e mortalidade provocariam sobre o ritmo de

    crescimento populacional e sobre a estrutura por idade e sexo (VERMELHO

    e MONTEIRO, 2005).

    No Brasil, a transio demogrfica e a transio epidemiolgica

    comearam com a queda da taxa de mortalidade na dcada de 1940, devido

    reduo dos bitos por doenas infecciosas e parasitrias e com a

    fecundidade mantendo-se, ainda, em nveis elevados at 1960. Nessa poca,

    as imigraes eram pequenas e o crescimento vegetativo (medido pela

    diferena entre a natalidade e a mortalidade) da populao brasileira era

    intenso (taxa de natalidade igual a 43 nascidos vivos por mil habitantes)

    (VERMELHO e MONTEIRO, 2005). A populao brasileira passou de um

    regime demogrfico de alta fecundidade e alta mortalidade para outro,

    primeiramente com baixa mortalidade e, a seguir, baixa fecundidade. Isso

    levou a um envelhecimento da populao. Quando se compara a proporo

    de jovens (menores de 15 anos) no Brasil no ano de 1940 42,6%- com a de

    2000 29,6% e a proporo de idosos (maior ou igual a 60 anos) nos

    mesmos anos, 4,1% e 8,6%, respectivamente, tem-se uma idia das

  • 18

    transformaes ocorridas em nossa populao (LEBRO, 2009).

    importante notar que antes do incio do declnio da fecundidade nos

    pases desenvolvidos, na segunda metade do sculo XIX, os nveis j se

    encontravam em patamares inferiores aos brasileiros, quando do incio de

    sua queda. Alm disso, nesses pases, o envelhecimento ocorreu de forma

    consistente, porm, em ritmo mais lento do que o observado em nosso meio.

    Os pases europeus j contavam com maior proporo de idosos quando

    iniciaram a transio. Entretanto, o envelhecimento da populao brasileira j

    ocorre num ritmo significativamente mais rpido (CARVALHO e GARCIA,

    2003).

    1.2 FISIOLOGIA DO EQUILBRIO

    O equilbrio corporal um processo automtico e inconsciente que

    possibilita ao indivduo resistir s influncias de desestabilizao da

    gravidade e se mover livremente no meio ambiente (MENEZES e LINS, 2011;

    MORAES et al, 2011; HORAK e SHUPERT, 2002).

    Quando o centro de massa do corpo se projeta dentro dos limites da

    base de sustentao, formada pelo espao entre os dois ps em contato com

    o cho na postura ortosttica, obtm-se o equilbrio corporal (SOUZA, 2010;

    SHUMWAY-COOK e WOOLLACOTT, 2003a; SHEPARD e TELIAN, 1999).

    A estabilidade alcanada quando o Sistema Nervoso Central (SNC)

    provoca padres de atividade muscular sobre as articulaes do corpo, para

    neutralizar o efeito da gravidade ou qualquer outra perturbao, em um

    processo contnuo e dinmico durante a permanncia em determinada

    postura (PAIXO JR e HEKMAN, 2011; DUARTE, 2000).

  • 19

    A manuteno do equilbrio do corpo humano no espao uma tarefa

    complexa resultado da integrao das informaes aferentes dos rgos que

    constituem o sistema de equilbrio sob coordenao do cerebelo (SOUZA,

    2010; STURNIEKS et al, 2008, SHUMWAY-COOK e WOOLLACOTT, 2003a;

    GANANA e CAOVILLA, 1998; PERRIN e LESTIENNE, 1998). Esse sistema

    de equilbrio compreende o sistema vestibular, o visual e o somato-sensorial.

    De acordo com SHEPARD e TELIAN (1999) no existe nenhum sistema

    sensorial especfico para a posio do centro de massa, dessa forma so os

    trs mecanismos de entradas sensoriais que fornecem as informaes

    necessrias.

    O sistema vestibular (SV) , ao mesmo tempo, um sistema sensorial e

    motor. No instante em que informa ao SNC a posio e os movimentos da

    cabea e a direo da fora de gravidade (GOLDBERG e HUDSPETH, 2003;

    MELVILL JONES, 2003; HORAK e SHUPERT, 2002; GILL-BODDY et al,

    2000), controla os movimentos dos olhos para manuteno do campo visual

    estvel e claro, quando o indivduo, o ambiente ou ambos esto em

    movimento (PAIXO JR e HECKMAN, 2011; SHUMWAY-COOK e

    WOOLLACOTT, 2003a; SHEPARD e TELIAN, 1999). O SV tambm contribui

    diretamente para o controle motor, ao auxiliar o SNC a manter a posio

    esttica da cabea e do corpo e coordenar os movimentos posturais por meio

    dos reflexos vestbulo-espinhais orientando a reao dos msculos anti-

    gravitacionais dos membros inferiores e dos msculos paravertebrais da

    coluna vertebral (SOUZA, 2010; HORAK e SHUPERT, 2002).

    O sistema visual sinaliza a posio e o movimento da cabea em

    relao aos objetos circunvizinhos pela percepo das relaes espaciais e,

  • 20

    tambm fornece informaes sobre a direo vertical, tendo como referncia

    a posio dos batentes e paredes que esto alinhados na vertical, paralelos

    linha de gravidade (NASLUND, 2010; HEASLEY et al, 2005; LEE e SCUDDS,

    2003; HORAK e SHUPERT, 2002). Uma viso clara e precisa possibilita a

    coleta de informaes necessrias para a movimentao do corpo no espao

    circundante. Dados vindos dos olhos so usados pelo SNC para criar um

    mapa espacial, no qual possvel avaliar rapidamente a velocidade e a

    direo para a movimentao de objetos e permite tambm o controle da

    postura ortosttica (STURNIEKS et al, 2008).

    O sistema somatossensorial, sensvel aos estmulos gerados nos

    msculos, tendes, articulaes e pele, informa as relaes dos segmentos

    do corpo entre si e a posio do corpo no espao e do corpo em relao

    superfcie de apoio (STURNIEKS et al, 2008; SHAFFER e HARRISON, 2007;

    HORAK e SHUPERT, 2002).

    Tais sistemas sofrem modificaes com o processo de envelhecimento

    podendo produzir diminuio das respostas dos centros controladores da

    postura (TINETTI, 2010; MELZER et al, 2003; HORAK e SHUPERT, 2002).

    Da mesma maneira, os msculos efetores podem no ter a capacidade de

    responder eficientemente s alteraes do equilbrio corpreo. O tempo de

    reao e o tempo de movimento so variveis importantes para reajustar o

    equilbrio corporal. Ambos declinam com o avanar da idade, em especial

    aps a terceira dcada de vida (MORAES, 2011), aumentando

    significativamente o risco de ocorrncia de quedas (TINETTI, 2010;

    LEVEILLE et al, 2008; STURNIEKS, et al, 2008; PINTARELLI, 2007;

    PERRACINI, 2005; GILL et al,1995).

  • 21

    A escola francesa de Posturologia agrega trade responsvel pelo

    equilbrio postural (sistemas visual, somatossensorial e vestibular) outras

    interferncias no bom equilbrio do corpo na posio ortosttica como a

    influncia do sistema mastigatrio, das alteraes nas arcadas dentrias, dos

    implantes dentrios, da prtese dentria, muito comum entre os idosos, sobre

    o tnus postural. Para a Posturologia, as aderncias resultantes das

    cicatrizes cirrgicas, os distrbios viscerais como as colites crnicas, tambm

    podem estar na origem de distrbios posturais geradores de desequilbrios

    (GAGEY e WEBER, 2000; BRICOT, 2000).

    De acordo com essa escola, o Sistema Tnico Postural (STP)

    extremamente complexo e intervm, de forma permanente, no ato de

    levantar-se, sentar-se, manter-se em p ou sentado, resistir s foras

    externas e opor-se ao movimento quando age como seu moderador ou

    estabilizador (BRICOT, 2000).

    Em caso de desequilbrio postural, na tentativa de manter a posio

    ortosttica, podem aparecer modificaes na postura corporal como a

    bscula dos ombros e da pelve, as rotaes do corpo ou de certas

    articulaes, lateroflexo da cabea, entre outras compensaes, que muitas

    vezes podem se fixar no corpo do indivduo e gerar deformidades posturais,

    dores articulares e/ou musculares (BRICOT, 2000; ASSAIANTE, 1999).

    Em condies normais, ou seja, em uma superfcie de apoio estvel e

    em ambiente visual bem iluminado, as informaes de orientao oriundas

    das trs modalidades sensoriais (vestibular, visual e somatossensorial) esto

    disponveis e so congruentes, isto , as trs produzem estimativas similares

    da posio e do movimento do corpo (HORAK e SHUPERT, 2002). Quando

  • 22

    tal situao no acontece por alterao em qualquer um dos sistemas, o SNC

    deve ser capaz de obter das informaes sensoriais disponveis a verdadeira

    orientao do corpo em relao gravidade e base de apoio. Caso

    contrrio, o conflito de informaes poder levar a uma queda.

    Desequilbrio, instabilidade (MORAES, 2011; GANANA, 2010; ,

    desvio de marcha e quedas (TINETTI, 2010, GANANA, 2010; TINETTI,

    2000a, TINETTI, 2000b) podem ter consequncias fsicas (fraturas) ou

    psquicas (medo de cair e isolamento) (TAKANO et al, 2010; TINETTI, 2010;

    SANTOS et al, 2010; SIMOCELI, 2007; TREZZA, CURIATI, 2005, TINETTI,

    2000c). Tais alteraes podem ser marcadores de m sade e o ponto de

    partida de um declnio funcional ou da perda de independncia e constituem

    a principal causa de hospitalizaes consecutivas a traumatismos entre os

    idosos (STURNIEKS et al, 2008).

    1.2.1. EQUILBRIO CORPORAL

    Apesar da aparente simplicidade da tarefa, o controle da postura um

    grande desafio para o corpo humano, ele deve ser capaz de regular o

    equilbrio em situaes instveis (equilbrio esttico) e ao mesmo tempo ser

    suficientemente verstil para permitir a rpida iniciao do movimento, sem

    perder a estabilidade (equilbrio dinmico) ( DUARTE, 2000; GILL et al.,

    1995).

    Um bom equilbrio corporal necessrio para responder s demandas

    da vida cotidiana que requerem, por um lado, a integrao complexa de

    informaes sensitivas a respeito da posio do corpo no espao e, por

    outro, a capacidade de produzir respostas motoras adaptadas ao controle do

  • 23

    movimento (STURNIEKS et al, 2008; MIYAMOTO et al, 2004, MASSION e

    WOOLLACOTT, 1996).

    Vrios aspectos contribuem para a perda, total ou parcial, do equilbrio

    e controle corporal tais como: alteraes no sistema vestibular, diminuio

    das reaes neuromotoras de equilbrio e de contrao muscular (PAIXO

    JR e HECKMAN, 2011), diminuio da fora muscular, diminuio da

    coordenao motora, alteraes visuo-espaciais (STURNIEKS, et al, 2008),

    alterao da propriocepo (LEVEILLE et al, 2008; SHAFFER e HARRISON,

    2007) com a diminuio da sensibilidade ttil pela atrofia dos receptores,

    perdas das fibras proprioceptivas e diminuio dos reflexos tendneos,

    alteraes auditivas, alteraes cognitivas, depresso (MORAES et al, 2011;

    TINETTI, et al, 2000a; TINETTI, et al, 2000c) e medicao (GAZZOLA et al,

    2006; TINETTI, et al, 2000a; TINETTI, et al, 2000b), entre outros fatores

    (ISHIZUKA e JACOB FILHO, 2004; LORD et al, 2003).

    Quando as informaes originadas nesses rgos so conflitantes,

    aparece a tontura, ou seja, a sensao de alterao do equilbrio corporal

    (MENEZES e LINS, 2011; PAIXO JR e HEKMANN, 2011; WHO, 2007). A

    tontura queixa comum entre os idosos (MORAES et al, 2011, GANANA,

    2010 TAKANO et al, 2010; GAZZOLA, 2006) e pode ser definida como

    sensao de desequilbrio, movimento, rotao, oscilao ou inclinao.

    Tambm so sintomas que cursam com desequilbrio, a vertigem (sensao

    na qual o indivduo sente o ambiente rodando em relao a ele ou ele em

    relao ao ambiente), a hipotenso ortosttica (GANGAVATI et al, 2011;

    LEVEILLE et al, 2008) ou tontura postural (sensao de vazio na cabea ou

  • 24

    sensao de quase desmaio) entre outras (QUACH et al, 2011; LORD, 2006;

    BENTO et al, 1998).

    A literatura mdica relata mais de sessenta enfermidades (TINETTI et

    al, 2010; GANANA et al, 2010; GANZ et al, 2007; SILVESTRE, 2006;

    GAZZOLA et al, 2006; BITTAR et al, 2003; LORD et al, 2003; TINETTI,

    2000a) que podem levar ocorrncia de tontura como queixa principal ou

    como um aspecto importante e freqentemente incapacitante (COOPER et al,

    2010). As causas mais relatadas so os distrbios do sistema vestibular

    perifrico, distrbios psiquitricos (ansiedade, depresso e pnico), sndrome

    de hiper-ventilao, acidente cerebrovascular do tronco cerebral,

    enfermidades cardiovasculares (como o passado de um infarto ou presena

    de arritmia cardaca) e uso de determinados medicamentos (LEVEILLE, et al,

    2008; PEDALINI, 2005; PERRACINI et al, 2005).

    A tontura pode ser de carter rotatrio (vertigem) ou no rotatrio

    (instabilidade, oscilao, vacilao, titubeio, flutuao, ascenso,

    afundamento, oscilpsia etc.). Ambos os sintomas podem ser ou no

    ocasionados por distrbios vestibulares, possveis de serem comprovados

    por meio de exames especficos.

    A sensao de movimento intermitente e imprevisvel ou

    desagradavelmente constante, presente na tontura crnica, pode levar

    imperiosa restrio de atividades (GANANA et al, 2010; TAKANO et al, 2010;

    GAZZOLA et al, 2006) e, conseqentemente, ao isolamento, dificuldade de

    contato com outras pessoas (SANTOS et al, 2010) e com o meio ambiente.

    Sensaes fugazes de desvanecimento ou desfalecimento so frequentes,

    alm de desequilbrio marcha e quedas. Devido s inter-relaes entre o

  • 25

    sistema vestibular e diversas reas do SNC, o indivduo com tontura

    habitualmente relata dificuldade de concentrao mental, perda de memria

    (SANTOS et al., 2010) e fadiga (GAZZOLA, 2006; CAOVILLA e GANANA,

    1998; CAOVILLA, 1998). A insegurana fsica leva insegurana psquica,

    irritabilidade, perda de autoconfiana, ansiedade, depresso ou pnico.

    (TINETTI, et al, 2010; TINETTI, et al, 2000a; TINETTI, et al, 2000b).

    A postura corporal pode ser considerada o elemento inicial para a

    explorao do espao circundante quanto percepo e atividade motora.

    Para tal explorao, o sistema nervoso central (SNC) precisa de acurada

    percepo do desenho interno da posio dos segmentos corporais, uns em

    relao aos outros e destes em relao ao espao. A postura tambm atua

    como suporte mecnico para a atividade motora (COHEN, 2001).

    O problema mecnico da manuteno postural especialmente

    problemtico para os bpedes em relao aos quadrpedes. O sistema

    postural deve, principalmente, manter uma postura estvel em presena da

    gravidade, gerar respostas que antecipem os movimentos dirigidos a algum

    objeto ou ao e ser adaptativo (DUARTE, 2000).

    O simples ato de estender o brao para alcanar um objeto pode

    desestabilizar o equilbrio, a menos que aes compensatrias, geradas de

    maneira precisa, sejam iniciadas antes da extenso do brao (PERRIN e

    LESTIENNE, 1998). Dessa forma, um sistema necessrio para gerar

    respostas antecipatrias (NASCHNER,1985). Alm disso, uma gama de

    padres de respostas automticas precisa estar disposio para o corpo se

    adequar a qualquer alterao inesperada. No plano sagital, diferentes

    estratgias so usadas para a manuteno do equilbrio com o mnimo

  • 26

    esforo, duas mantm os ps fixos (estratgia de tornozelo e de quadril) e a

    terceira altera a base de suporte utilizando o passo. Nos pequenos distrbios

    de equilbrio a estratgia de tornozelo que se apresenta. Quando a

    velocidade do deslocamento ou do distrbio maior ou mais veloz, a

    estratgia de quadril a mais eficaz e quando o desequilbrio maior ainda e

    o centro de massa do corpo ultrapassa a base de sustentao, o passo o

    mecanismo mais apropriado para impedir a queda (NASCHNER, 1986,

    HORAK, 1987). O uso de cada estratgia depende da configurao da

    superfcie de apoio e da intensidade do desequilbrio (SOUZA, 2010).

    A sensao vestibular no consciente, automtica e se exerce de

    maneira reflexa (BENTO et al, 1998). O controle postural envolve a

    integrao de comportamentos organizados de vrios sistemas neuronais

    diferentes, incluindo aqueles associados com a cognio (MELVILL JONES,

    2003).

    A fora de gravidade um grande desafio postura ereta dos

    bpedes, pois manter o equilbrio do corpo sobre pequena rea de suporte,

    delimitada pelos ps, no tarefa fcil. Na posio parada o corpo no est

    isento de movimento (SOUZA, 2010), ele apresenta pequenas oscilaes, de

    aproximadamente quatro graus, do seu eixo vertical (GAGEY e WEBER,

    2000, DUARTE, 2000). Quando ocorre deteriorao na habilidade de

    controlar a postura ereta, como em determinadas doenas ou no processo de

    envelhecimento, nos distrbios do sistema vestibular, no acidente vascular

    enceflico ou, ainda, na Sndrome de Parkinson, que se percebe a

    dificuldade da manuteno da posio ortosttica. A tarefa mais simples

    assegurada por esse sistema a manuteno da postura ereta bpede,

  • 27

    sendo tambm fundamental durante o caminhar (DUARTE, 2000).

    A locomoo nos seres humanos envolve movimentos rtmicos do

    corpo e de um ou mais apndices corporais. Esses movimentos dependem

    da regulao precisa da temporizao e da fora de contrao de numerosos

    msculos. Circuitos neurais localizados centralmente, conhecidos como

    geradores de padres centrais, podem gerar o padro motor bsico para a

    locomoo (PEARSON e GORDON, 2003). Todavia o padro humano difere

    da maioria dos animais pelo fato de ser bpede, o que coloca demandas

    maiores nos sistemas descendentes que controlam o equilbrio durante o

    caminhar (GOLDBERG e HUDSPETH, 2003).

    1.2.2 EQUILBRIO CORPORAL NO IDOSO

    Com o decorrer dos anos, os sistemas sensoriais e motores

    responsveis pelo equilbrio sofrem processo degenerativos, infecciosos e

    traumticos que comprometem seu funcionamento ideal (TINETTI, 2010;

    SIMOCELI, 2007; SATTIN, 2002; HORAK e SHUUPERT, 2002; BITTAR et al,

    2000). A tendncia lentido dos mecanismos de integrao dos reflexos

    posturais e a dificuldade de dividir a ateno, nos indivduos idosos so

    fatores que o predispem a alteraes de seu equilbrio corporal (PAIXO

    JUNIOR, HECKAMN, 2011).

    Ganz e Rubenstein (2007) em reviso sistemtica para analisar os

    fatores de risco preditores de quedas, apontaram como pacientes de alto

    risco aqueles com histria de queda no ltimo ano, ou no ltimo ms, ou

    apresentavam anormalidades de marcha e equilbrio (50% de chance de cair)

    (BROTMAN, 2005).

  • 28

    Tambm Trezza e Curiati (2005) referem que as quedas em idosos

    podem estar associadas aos rgos sensoriais (perda visual, reduo na

    percepo de profundidade; perda da propriocepo por neuropatia, como no

    diabetes) (SILVA et al, 2010; SHAFFER e HARRISON, 2007; GAZZOLA et al,

    2006; HEASLEY et al, 2005); a distrbios do labirinto; ao sistema

    musculoesqueltico (fraqueza muscular, especialmente do quadrceps;

    osteoartrose de joelho e tornozelo, com reduo da mobilidade e flexibilidade

    articular; doenas do p que cursam com deformidade ou dor) (LORD et al,

    2003, 2007; STUDENSKI et al, 2003; MECAGNI et al, 2000); ao sistema

    nervoso central (alteraes da motricidade por doena cerebelar, medular ou

    cerebral (como no acidente vascular enceflico, na Sndrome de Parkinson,

    nas demncias por alterar a ateno, o julgamento e o planejamento dos

    movimentos) (ANSTEY et al, 2006; IERSEL et al, 2004) e medicaes

    (TINETTI et al, 2010; LEVEILLE et al, 2008; PEDALINI, 2005; PERRACINI et

    al, 2005) por causar sedao e aumentar o tempo de resposta dos reflexos,

    alm de hipotenso ortosttica e sintomas extrapiramidais.

    1.3. DO INSTRUMENTO DE AVALIAO

    Inmeros so os instrumentos de avaliao do equilbrio corporal.

    Mtodos observacionais, inquritos ou questionrios com questes auto-

    referidas, instrumentos simples para uso clnico ou sofisticados de avaliao

    objetiva da capacidade de restabelecer o equilbrio foram desenvolvidos ao

    longo do tempo.

    Segundo Shepard et al (1999), os principais objetivos dos testes

    laboratoriais de equilbrio so: o topodiagnstico da leso, a avaliao das

  • 29

    habilidades funcionais do paciente em utilizar os sistemas aferentes de forma

    integrada e avaliar se o paciente candidato para a reabilitao vestibular.

    Podem ser citados entre outros testes, a eletronistagmografia, o teste de

    acelerao harmnica sinusoidal da cadeira rotatria, avaliao do controle

    postural pela posturografia dinmica (DEJARDIN, 2008; PAIXO e

    REICHENHEIM, 2005; BITTAR, 2004; BENTO et al, 1998).

    Dentre os testes especficos de investigao clnica do equilbrio

    esttico e dinmico, para a avaliao e manejo da vertigem ou tontura,

    Dejardin (2008) descreve os seguintes: ndex test, teste de Romberg, teste

    de marcha estacionria de Unterberg e Fukuda, prova da marcha da estrela

    ou de Babinsky-Weill, teste de mudana de velocidade da marcha entre

    outros (BENTO et al, 1998).

    Muito utilizados na clnica de reabilitao so os exames do controle

    postural e do equilbrio, ou instrumentos de avaliao funcional (PAIXO e

    REICHENHEIM, 2005) que examinam o indivduo em trs nveis: (a) as

    capacidades funcionais que exigem o controle postural, (b) as estratgias

    sensoriais e motoras para manter o equilbrio e controle postural e (c) os

    comprometimentos sensoriais, motores e cognitivos que restringem ou

    dificultam o equilbrio (SHUMWAY-COOK e WOOLLACOTT, 2003b;

    BOULGARIDES et al., 2003). Entre eles podem ser citados: Teste de

    Equilbrio Funcional, Performance-Oriented Mobility Assessment (POMA),

    Medida de Independncia Funcional (MIF), Time Up and Go Test e Short

    Physical Perfomance Battery (SPPB). Este ltimo utilizado pelo Estudo

    SABE.

    Segundo Nakano (2007) tem-se utilizado largamente a SPPB em

  • 30

    pesquisas sobre o envelhecimento, devido sua alta sensibilidade para

    identificar mudanas na funcionalidade com o decorrer dos anos. Trata-se de

    um conjunto de testes bastante simples, prtico, rpido (10 a 15 segundos),

    de fcil aplicao e reprodutvel, como teste de rastreamento (GORDIS,

    2009a),

    Para o presente estudo, optou-se por utilizar parte do Short Physical

    Performance Battery (SPPB), como est descrito de maneira detalhada no

    captulo Material e Mtodos. O teste de equilbrio do SPPB avalia o equilbrio

    esttico. As outras etapas do teste (marcha e levantar e sentar da cadeira)

    avaliam o equilbrio dinmico indiretamente.

  • 31

    OBJETIVOS

  • 32

    2. OBJETIVOS

    2.1. OBJETIVO GERAL

    Analisar as caractersticas e fatores associados s alteraes do

    equilbrio corporal da populao idosa com 60 anos e mais residentes no

    municpio de So Paulo em 2006.

    2.2. OBJETIVOS ESPECFICOS

    Determinar a prevalncia dos escores obtidos a partir do Teste de

    Equilbrio proposto por Guralnik et al (1994) em idosos com 60 anos e mais

    em 2006;

    Descrever a pontuao no Teste de Equilbrio segundo

    caractersticas demogrficas, de sade, antropomtricas e de estilo de vida

    em idosos com 60 anos e mais em 2006;

    Estabelecer os fatores associados ao equilbrio dos idosos de 60

    anos e mais em 2006;

    Examinar as associaes entre o auto-relato de presena de tontura

    ou vertigem e o teste de equilbrio em idosos com 60 anos e mais em 2006.

    Analisar a influncia do equilbrio dos idosos com desfechos clnicos

    adversos (quedas e internaes hospitalares nos ltimos 12 meses) no ano

    de 2006.

    Estimar as taxas de incidncia de alterao do equilbrio dos idosos

    no perodo entre 2006 a 2010.

  • 33

    MATERIAL E MTODOS

  • 34

    3. MATERIAL E MTODOS

    3.1. Estudo SABE

    Esse estudo parte integrante do Estudo Sade, Bem Estar e

    Envelhecimento (SABE) iniciado em 2000, em So Paulo, pela Faculdade de

    Sade Pblica da Universidade de So Paulo, como um estudo multicntrico

    coordenado em sete pases da Amrica Latina, pela Organizao Pan-

    Americana da Sade (OPAS) (ALBALA et al., 2005). Caracterizava-se como

    um estudo epidemiolgico transversal, simultneo e construdo de forma

    rigorosamente comparvel, de base populacional domiciliar. Foi o primeiro

    desse tipo na regio. Faziam parte do Estudo SABE inicial, sete pases da

    Amrica Latina e Caribe: Argentina, Barbados, Brasil, Chile, Cuba, Mxico e

    Uruguai (PALLONI e PELEZ, 2003).

    O objetivo desse estudo era investigar os diversos aspectos referentes

    sade da populao idosa residente em rea urbana, tanto para subsidiar

    outros estudos complementares, quanto organizao de polticas pblicas

    destinadas a esse grupo etrio. Os pases escolhidos representavam uma

    boa combinao dos vrios estgios do envelhecimento na America Latina e

    Caribe. Argentina, Barbados, Cuba e Uruguai esto em estgios mais

    avanados do processo de envelhecimento, enquanto Chile, Mxico e Brasil

    esto ligeiramente atrs, mas a velocidade com que esse processo ocorre

    em tais pases pode faz-los muito em breve, superar os primeiros (PALLONI

    e PELEZ, 2003).

    No Brasil, em 2000, o Estudo SABE circunscreveu-se aos limites

    territoriais do Municpio de So Paulo. Foram entrevistados 2.143 idosos

    (indivduos com 60 anos e mais), no institucionalizados, de ambos os sexos,

  • 35

    no perodo entre janeiro de 2000 e maro de 2001(LEBRO e DUARTE,

    2003), representando 836.000 indivduos idosos residentes, em domiclio, no

    municpio de So Paulo, segundo estimativa do IBGE (2011) ou 9,3% da

    populao total.

    Para o sorteio dos domiclios, foi utilizada a amostragem por

    conglomerados, em dois estgios, selecionados por critrio de partilha

    proporcional ao tamanho:

    Primeiro estgio para a amostragem deste estgio, foi utilizado o

    cadastro permanente de 72 setores censitrios da Pesquisa Nacional por

    Amostra de Domiclio (PNA) de 1995 e calculado por f1=(72*Di)/D, sendo f1, a

    frao de amostragem deste estgio, Di, o nmero de cada setor; e D, o total

    de domiclios existentes no municpio de So Paulo.

    Segundo estgio para a amostragem deste estgio, foi calculado o

    nmero de domiclios a serem sorteados, segundo o nmero de setores

    censitrios (5882/72=81,69, aproximado para 90), definido por f2=90/Di, a

    partir da utilizao dos endereos, segundo a PNAD de 1998 (SILVA, 2003).

    Em cada domiclio foram entrevistadas todas as pessoas residentes

    com 60 anos ou mais, independentemente do seu estado conjugal ou grau de

    parentesco. Devido baixa densidade da populao, ampliaram-se as

    amostras dos grupos etrios de 75 anos e mais. Ainda, para compensar o

    excesso de mortalidade em relao populao feminina, ajustaram-se as

    amostras do sexo masculino para nmero igual ao do sexo feminino. O

    segundo estgio da amostragem corresponde ao acrscimo efetuado para

    compensar a mortalidade na populao de maiores de 75 anos e completar o

    nmero desejado de entrevistas nesta faixa etria (SILVA, 2003).

  • 36

    Para ajustar a distribuio da amostra composio da populao,

    foram calculados pesos para cada sexo e grupo etrio. Para compensar

    probabilidades desiguais de sorteio do segundo estgio, devido atualizao

    das listas de endereo pela PNAD de 1988 foram calculados pesos para

    cada setor censitrio (SILVA, 2003).

    A descrio detalhada dos mtodos empregados no estudo SABE

    pode ser encontrada no livro O Projeto SABE no Municpio de So Paulo:

    uma abordagem inicial [disponvel em

    www.fsp.usp.br/sabe/Publicacoes.html].

    No Brasil, em 2006, o Estudo SABE passou a ser longitudinal. As

    pessoas entrevistadas foram revisitadas, realizando assim, a proposta inicial

    do Projeto SABE, que era um estudo longitudinal em todos os pases

    participantes. As pessoas foram localizadas por meio dos endereos j

    conhecidos e no caso de mudanas, a busca foi realizada na vizinhana e em

    estabelecimentos comerciais. Anteriormente, foi feita busca nas bases de

    dados de bitos municipais e estaduais. Os bitos ocorridos entre os anos de

    2000 e 2006 foram verificados a partir de informao referida por familiar ou

    vizinhos, em visita domiciliar. Da coorte de 2000 (coorte A00) de 2143

    entrevistados foram localizados e re-entrevistados 1.115 idosos ou seja,

    52,0% do grupo inicial (coorte A06). A diferena de 1.028 idosos deveu-se a

    30,3% de bitos, 2,4% mudana de municpio, 0,5% de institucionalizao,

    8% de recusa e 6,5% no localizados. Nesse grupo remanescente, 37,1%

    eram homens e 62,9% eram mulheres. O Estudo SABE foi aprovado pelo

    Comit de tica em Pesquisa da Faculdade de Sade Pblica da

    Universidade de So Paulo sob o protocolo n.1345 (Anexo A).

  • 37

    Em 2006, foi introduzida uma nova coorte probabilstica com

    indivduos com idade entre 60 a 64 anos (coorte B06, n=299). A populao de

    estudo foi composta por pessoas residentes, no ano de 2006, na rea urbana

    do Municpio de So Paulo. Em 2004, o seu tamanho era de 310.694

    habitantes, o que correspondia a 2,9% da populao, segundo as estimativas

    preliminares dos totais populacionais divulgadas pela Fundao Instituto

    Brasileiro de Geografia e Estatstica.

    O clculo do tamanho da amostra considerou a prevalncia de

    hipertenso igual a 50% (LEBRO e LAURENTI, 2005), o efeito de

    delineamento igual a 1,5 e margem de erro de 7%. Correes para taxa

    esperada de resposta (75%) e mortalidade igual a 2% (KISH, 1963; KISH,

    2003; SILVA, 2003; LEBRO e DUARTE, 2003) foram introduzidas.

    Para o sorteio dos domiclios foi usado o mtodo de amostragem por

    conglomerados, em dois estgios, sob o critrio de partilha proporcional ao

    tamanho (PPT). As unidades de primeiro e segundo estgios foram,

    respectivamente, o setor censitrio e o domiclio. Foram sorteados no

    primeiro estgio 40 setores, observando-se o critrio segundo o qual o

    nmero de Unidades Primrias de Amostragem (UPAs) deveria ser 30 e o

    nmero mnimo de entrevistas por setor igual a 400/40 = 10.

    O nmero mnimo de domiclios sorteados por setor foi de 118,

    calculado pela expresso [d = (10*10/1)*(0,85)-1], cujos termos correspondem

    a 10 entrevistas por setor, a razo 10/1 o inverso de 1 idoso para cada 10

    domiclios e 0,85 a taxa esperada de sucesso da operao de localizao e

    realizao das entrevistas nos domiclios particulares permanentes

    sorteados. Para o conjunto dos 40 setores foram sorteados 4.720 domiclios.

  • 38

    Ao final do processo foram identificadas 375 pessoas dentro do critrio

    estabelecido (60 a 64 anos) e foram realizadas 299 entrevistas.

    Para o ano de 2000, utilizou-se um questionrio padronizado para

    todos os pases envolvidos aplicado, por entrevistadores treinados, em

    domiclio no prprio idoso com ou sem auxlio de um informante (familiar ou

    cuidador), dependendo das limitaes cognitivas e fsicas apresentadas pelo

    idoso. Em 2006, esse instrumento foi revisado e modificado e outros

    instrumentos foram incorporados.

    No ano de 2010, uma nova onda do Estudo SABE foi realizada. As

    coortes A e B foram localizadas e re-entrevistadas. Concomitante a isso, uma

    outra coorte probabilstica de idosos com idade entre 60 a 64 anos foi

    includa. A Figura 1 ilustra a evoluo das coortes ao longo do tempo.

    Figura 1 Diagrama das coortes do Estudo SABE.

    3.2. Coleta de Dados

    Os dados para o estudo SABE, foram obtidos por meio de um

    questionrio elaborado por um comit regional, composto pelos principais

    pesquisadores de cada pas participante e por especialistas em temas

  • 39

    especficos da pesquisa. O instrumento era composto por onze sees que

    abrangiam vrios aspectos da vida do idoso, tais com: dados pessoais,

    avaliao cognitiva, estado de sade, estado funcional, medicamentos, uso e

    acesso aos servios, rede de apoio familiar e social, histria laboral e fontes

    de ingresso, caractersticas da moradia, antropometria, flexibilidade e

    mobilidade. As variveis includas em cada seo foram:

    Seo A Dados Pessoais

    Ano e pas de nascimento; local de residncia durante os primeiros quinze

    anos de vida; local de residncia durante os ltimos cinco anos de vida e,

    onde, fosse aplicvel, razes para a mudana de residncia; histria e estado

    marital; nmero filhos; sobrevivncia dos pais e, se no, a idade em que

    faleceram; escolaridade.

    Seo B Avaliao Cognitiva

    Auto-avaliao da memria; avaliao da memria pelo teste mini-mental

    modificado e validado no Chile especialmente para a realizao do estudo

    SABE, com o objetivo de reduzir o impacto da escolaridade sobre os

    resultados (ICAZA e ALBALA, 1994). Para os que obtivessem escore igual ou

    inferior a 12 pontos, uma escala de desempenho funcional era administrada a

    um proxi-respondente (informante substituto) a partir da questo capaz

    de....

    Seo C Estado de sade

    Auto-avaliao de sade (no momento da entrevista; em comparao

    consigo mesmo no ano anterior; em comparao com pessoas de mesma

    idade); bem como da sade na infncia; doenas referidas e respectivo

    controle (doenas cardacas, pulmonares, osteoarticulares, endcrinas,

  • 40

    cncer); exames preventivos e vacinas; agravos (hipertenso arterial,

    ocorrncia de quedas); hbitos; condies sensoriais; sade reprodutiva;

    sade bucal; escala de avaliao de depresso geritrica e avaliao

    nutricional.

    Seo D Estado funcional

    Avaliao do desempenho funcional em atividades bsicas e instrumentais

    de vida diria; e da ajuda recebida, quando necessrio, nas atividades

    bsicas e instrumentais da vida diria e identificao e caracterizao dos

    cuidadores principais, quando cabvel.

    Seo E Medicamentos

    Teraputica medicamentosa utilizada, incluindo indicao, tempo de uso,

    forma de utilizao, obteno e pagamento; gastos mensais com

    medicamentos e motivos referidos para a no utilizao dos medicamentos

    prescritos.

    Seo F Uso e acesso a servios de sade

    Servios de sade utilizados, pblicos ou privados, nos ltimos meses e

    ocorrncia de hospitalizao; atendimento ambulatorial; exames nos ltimos

    quatro meses bem como tempo de espera para atendimento; teraputica

    prescrita e gastos relacionados.

    Seo G Rede de apoio familiar e social

    Nmero e caractersticas de pessoas que vivem com o idoso no mesmo

    domiclio (sexo, parentesco, estado marital, idade, escolaridade e condio

    de trabalho); assistncia prestada ao idoso e fornecida por ele referente a

    cada membro citado; tempo gasto na ajuda ao idoso. As mesmas perguntas

    foram feitas em relao aos irmos e filhos que no vivem no mesmo

  • 41

    domiclio, bem como a outros familiares e que, de alguma forma, fornecem ou

    recebem ajuda do/ao idoso; assistncia recebida ou fornecida nos ltimos 12

    meses de alguma instituio ou organizao; participao do idoso em algum

    servio voluntrio ou organizao comunitria.

    Seo H Histria laboral e fontes de renda

    Trabalho atual (tipo, renda, razes para continuar trabalhando); caso no

    trabalhasse mais, porque no o fazia; ocupao que teve durante o maior

    perodo de sua vida; horas trabalhadas; razes para mudar de atividade;

    aposentadoria; penses; benefcios; outras fontes de renda; renda total

    pessoal e nmero de dependentes dessa renda; gastos pessoais (moradia,

    transporte, alimentao, vestimenta, sade) e auto-avaliao de seu bem

    estar econmico.

    Seo J Caractersticas da moradia

    Tipo e propriedade da moradia; condies de habitao (saneamento bsico,

    luz, nmero de cmodos, bens presentes).

    Seo K Antropometria

    Altura do joelho; circunferncia do brao, cintura, quadril e panturrilha; prega

    tricipital; peso; largura do punho e fora da mo.

    Seo L Flexibilidade e mobilidade

    Testes de capacidade fsica: equilbrio, mobilidade e flexibilidade.

    O questionrio aplicado em 2006, contempla as sees j descritas,

    com alguns acrscimos, tais como questes acerca da sexualidade, inserida

    na Seo C. Houve acrscimo de uma avaliao de qualidade de vida na

    seo D e foram criadas as sees M e N, descritas a seguir.

  • 42

    Seo M Maus tratos

    Perguntas sobre o relacionamento do idoso com as pessoas com as quais

    convive, de modo a detectar situaes de negligncia e/ou maus-tratos.

    Seo N Avaliao da sobrecarga dos cuidadores

    Questes aplicadas aos cuidadores principais (aqueles que prestam a maior

    parcela de ajuda) dos idosos que referiram receber auxlio para a execuo

    de atividades de vida diria.

    As entrevistas foram realizadas em domiclio, sendo a maior parte

    delas, feitas diretamente com os idosos (88%). Nos casos em que havia

    dificuldade ou impossibilidade de o idoso responder aos questionamentos

    (por problemas fsicos ou cognitivos), foi solicitado que uma pessoa prxima

    a ele o fizesse. (NAZRIO, 2003).

    A primeira coleta dos dados ocorreu de janeiro de 2000 a maro de

    2001 em duas fases: na primeira foram realizadas as sees de A a J, por

    equipe de 25 profissionais de sade, incluindo enfermeiras e assistentes

    sociais, que atuavam individualmente e, na segunda etapa, as sees L e K,

    por equipe de 12 estudantes de nutrio, que trabalhavam em dupla, devido

    s caractersticas das questes dessas sees que incluam mensuraes

    antropomtricas e testes de mobilidade e flexibilidade. A segunda coleta foi

    realizada entre maro de 2006 e setembro de 2007 com o acrscimo das

    sees M e N, como j descrito acima.

    O questionrio empregado no estudo SABE pode ser obtido na ntegra

    no CD que acompanha este volume (AnexoI) ou em

    http://www.fsp.usp.br/sabe.

  • 43

    3.3. Populao e amostra

    Para o desenvolvimento do presente estudo foram selecionados todos

    os indivduos com idade igual e superior a 60 anos em 2006 (Coortes A06 e

    B06), de ambos os sexos, que apresentavam as informaes completas na

    seo Mobilidade e Flexibilidade referente ao Teste de Equilbrio

    perfazendo um total de 1.226 idosos. Para a anlise dessa populao foram

    calculada nova ponderao de forma a torn-la representativa da populao

    idosa residente no Municpio de So Paulo em 2006.

    Para tanto, na coorte A06 aplicou-se a frmula abaixo, onde os pesos

    do denominador so referentes a cada um dos 1.115 entrevistados,

    calculados em cada estrato e o numerador corresponde populao do

    municpio naquele estrato. O quociente resultante o valor final da

    ponderao amostral.

    No grupo etrio de 60 a 64 anos, que corresponde ao contingente B06,

    no foi realizada a substituio dos pesos como nos outros grupos. Os pesos

    finais foram apenas ajustados para as novas estimativas de populao.

    3.4. Variveis 3.4.1. Varivel dependente

    A varivel dependente foi o Teste de Equilbrio do idoso obtido no

    Short Physical Performance Battery (SPPB) (GURALNIK et al, 1994). De

    acordo com o SPPB, o equilbrio pontuado em trs posies: solicita-se ao

    participante que fique com os ps juntos olhando para frente, se for capaz de

  • 44

    se manter na posio durante 10 segundos atribudo um ponto, caso no

    mantenha a posio por 10 segundos ou se recusar a tentar, nenhum ponto

    atribudo. Em seguida, realiza-se o teste com o participante em posio Semi

    Tandem, que tem pontuao igual anterior. Finalizando o teste de

    equilbrio, solicita-se que o indivduo fique na posio Tandem; se for capaz

    de se manter na posio por 10 segundos so atribudos dois pontos; se

    mantiver na posio entre 3 a 9,99 segundos atribudo um ponto e para um

    tempo menor que 3 segundos nenhum ponto atribudo. Dessa forma o

    escore total do teste obtido pela somatria entre as trs posies,

    apresentando uma variao na pontuao entre zero (pior desempenho) e 4

    pontos (melhor desempenho) (GURALNIK et al, 1994; NAKANO, 2007). O

    critrio de excluso para o teste de equilbrio era o idoso ser incapacitado a

    priori para realizar qualquer teste de flexibilidade e mobilidade, pois o teste de

    equilbrio compe a bateria de avaliao de tais itens, como estar acamado,

    em cadeira de rodas, usar prtese em um dos membros, incapacidade de

    manter-se em p devido a problemas osteoarticulares, vasculares,

    cardiorespiratrios entre outros. O idoso tambm poderia ser poupado do

    teste nas seguintes situaes:

    O idoso tentou, mas no conseguiu realiz-lo;

    O idoso no pode manter a posio sem auxlio;

    O idoso no tentou, a entrevistadora sentiu-se insegura;

    O idoso no tentou, pois sentiu-se inseguro;

    O idoso foi incapaz de compreender as instrues;

    Outros (a ser especificado pela entrevistadora).

  • 45

    As possibilidades acima so questionadas a cada uma das trs etapas

    do teste de equilbrio (ps paralelos, um p ligeiramente a frente e ps

    alinhados).

    3.4.2. Variveis independentes As variveis independentes foram selecionadas dentre o conjunto de

    dados que propicia informaes acerca das condies sociodemogrficas, de

    sade e estilo de vida do entrevistado.

    As seguintes variveis scio-demogrficas foram consideradas: idade;

    sexo; arranjo familiar, estado marital; escolaridade; renda e ocupao atual,

    com base em diversos estudos (FIEDLER e PERES, 2008; SANTOS, 2007;

    MAIA et al., 2006; LAURENTI et al., 2005; VERMELHO et al., 2005a; FIRMO

    et al., 2004; RAMOS, 2003; LIMA-COSTA et al., 2003; ROMERO, 2002).

    A idade foi estratificada em faixas com intervalos de cinco anos,

    entretanto, o segundo momento da coleta ocorreu aps seis anos. Para

    garantir que os grupos etrios comparados fossem, rigorosamente, os

    mesmos optou-se por fix-los tal como em 2000. A ttulo de exemplo:

    indivduos que tivessem exatos 60 anos em 2000 estariam com 66 em 2006.

    Sem a fixao no grupo etrio, seriam comparados com os que tinham 65 e

    69 em 2000 e no com aqueles, que como eles, tinham entre 60 e 64 anos.

    Para evitar esse vis, eles permaneceram no grupo 60-64. Uma mudana

    intragrupo prejudicaria a caracterstica de coorte que fundamenta o presente

    estudo, onde as comparaes so feitas, rigorosamente, para o mesmo

    grupo de indivduos (HERNANDES, 2010).

  • 46

    As variveis relacionadas condio de sade foram: auto-percepo

    de sade (muito boa, boa, regular, ruim e muito ruim); referncia de

    hipertenso (sim ou no), diabetes (sim ou no), doena cardaca (ataque

    cardaco, doena coronria, angina, doena congestiva, outros), doena

    cerebrovascular (embolia, derrame, isquemia, trombose cerebral), doena

    articular (artrite, reumatismo artrose), osteoporose, problemas psiquitricos

    (dicotomizado em sim ou no), sintomas depressivos (sim ou no), declnio

    cognitivo (sim ou no), referncia de presena de vertigem ou tontura (sim ou

    no), histria de fratura ps queda (sim ou no), auto avaliao da viso

    (boa, regular e ruim).

    A capacidade funcional foi avaliada no estudo SABE por meio de trs

    componentes (BARBOSA et al., 2005): atividade bsica de vida diria

    (ABVD), atividades instrumentais de vida diria (AIVD) e mobilidade.

    No presente estudo a incapacidade funcional foi avaliada como a

    dificuldade em realizar uma ou mais ABVDs (atravessar um quarto

    caminhando, vestir-se, tomar banho, comer, deitar ou levantar-se da cama,

    sentar ou levantar-se da cadeira/cadeira de rodas e ir ao banheiro);

    incapacidade de realizar uma ou mais AIVDs (preparar uma refeio quente,

    administrar as prprias finanas, utilizar meios de transporte, realizar

    compras, executar tarefas domsticas leves e manipular medicamentos (sim

    ou no) e dificuldade referida em pelo menos uma das questes relacionadas

    mobilidade (sim ou no).

    Com relao ao estado de sade tambm foram analisadas as

    variveis: uso de medicamentos (sim ou no), uso de psicotrpicos (sim ou

    no), uso de bloqueadores de clcio (sim ou no), referncia a episdios de

  • 47

    queda relatados nos 12 meses anteriores entrevista (sim ou no),

    internao hospitalar nos 12 meses anteriores entrevista (sim ou no),

    ndice de Massa Corporal (IMC) classificado em baixo peso, eutrfico,

    excesso de peso e obesidade.

    O IMC foi classificado de acordo com as recomendaes proposta pela

    Organizao Pan-Americana de Sade (OPAS) em 2003 para idosos

    (IMC

  • 48

    3.5. Anlise dos dados

    A estatstica descritiva foi obtida para todas as variveis pertencentes

    ao estudo, considerando a amostra total. A prevalncia do equilbrio foi

    estimada por meio da razo do nmero de idosos em cada pontuao obtida

    na escala de 0 a 4 e o total de idosos da amostra em 2006.

    Para verificar se existem associaes entre o auto-relato de presena

    de tontura ou vertigem com as caractersticas demogrficas,

    socioeconmicas, de sade, antropomtricas e de estilo de vida em idosos

    com 60 anos e mais em 2006 foram realizados teste de Rao-Scott

    considerando um nvel de significncia de 5%.

    A taxa de incidncia (densidade de incidncia) das alteraes do

    equilbrio do idoso foi calculada por meio da razo do nmero de casos que

    mudaram a pontuao no Teste do Equilbrio durante um determinado

    perodo de tempo pela soma das unidades de tempo em que o idoso esteve

    sob o risco e foi observado (pessoas-ano). A taxa de incidncia uma

    medida de evento (transio do estado de no doena para doena)

    (GORDIS, 2009b). Para a estimativa da taxa de incidncia foram

    considerados apenas os idosos que realizaram o Teste de Equilbrio em

    2006. Os idosos que apresentavam informaes completas na seo

    Mobilidade e Flexibilidade em 2006, mas no as tinham em 2010 e no

    eram bitos foram excludos do clculo, pelo fato de no existir o tempo de

    contribuio dos mesmos para a coorte e por no ter a informao do

    desfecho. Neste caso, o denominador poderia ficar superestimado. Sendo

    assim, a amostra considerada para o clculo da incidncia foi constituda de

  • 49

    897 idosos. Desta amostra, 718 apresentaram um desempenho de 4 pontos

    (melhor performance) no teste do equilbrio em 2006. Partindo dos indivduos

    que pontuaram 4 (718), calculou-se a incidncia nas demais pontuaes. O

    denominador se refere ao tempo de contribuio de cada indivduo na coorte

    entre 2006 e 2010. A sua construo se deu da seguinte maneira:

    com informaes em 2006 e 2010: tempo de observao = data da

    entrevista em 2010 - data da entrevista em 2006;

    bitos com data conhecida: tempo de observao = data do bito -

    data da entrevista em 2006;

    bitos sem data conhecida: o tempo de observao foi construdo

    atribuindo data de bito como sendo a mdia das datas de bito

    das pessoas de mesmo grupo etrio e sexo com data de bito

    conhecida.

    Para examinar a associao entre o auto-relato de presena de

    tontura ou vertigem e o teste de equilbrio operacionalizado como uma

    varivel contnua em idosos com 60 anos e mais em 2006 utilizou-se o

    modelo de regresso linear simples, que pode ser expresso por:

    Onde um vetor de parmetros associado ao vetor da varivel X; X

    um vetor de covarivel para cada idoso e o resduo ou erro aleatrio. A

    varivel dependente foi o teste de equilbrio que apresenta uma escala de

    pontuao de 0 a 4. A cada valor Xi da varivel independente corresponder

  • 50

    um valor terico Yi da varivel dependente, que se diferenciar do valor

    observado pelo erro i, em que

    Sendo assim, a interpretao do modelo est apresentada por meio do

    parmetro que indica a mudana que ocorre na varivel dependente dada

    uma mudana unitria na varivel independente, tendo como referncia

    intervalos de confiana de 95%.

    Para estimar a associao entre o equilbrio com as variveis

    demogrficas, socioeconmicas, de sade, antropomtricas e de estilo de

    vida em idosos com 60 anos e mais em 2006 utilizou-se o modelo de

    regresso linear mltipla que pode ser descrito da seguinte maneira:

    Inicialmente foi realizada uma anlise univariada. As variveis que se

    mostraram estatisticamente significativas (p

  • 51

    ajustado por idade e sexo foi realizada uma anlise de regresso logstica

    binria mltipla.

    O modelo de regresso logstica integra a classe dos Modelos

    Lineares Generalizados (GLM), ou seja, aqueles que se tornam lineares por

    meio da aplicao de algum tipo de transformao.

    Dessa forma, tem-se o modelo do tipo:

    Generalizando para um nmero qualquer de covariveis, o modelo de

    regresso logstica pode ser escrito da seguinte forma:

    Onde

    p a probabilidade de ocorrncia de queda ou internao hospitalar;

    um vetor de parmetros associados ao vetor de variveis x;

    x um vetor de covariveis para cada idoso; e

    r o resduo ou erro aleatrio.

    O parmetro do modelo indica a mudana que ocorre no logito, dada

    uma mudana unitria na varivel independente. Os resultados do modelo

    foram apresentados como razes de chance (odds ratio) e os respectivos

    intervalos de confiana de 95%. A exponencial do parmetro fornece as

    razes de chance. A razo de chance mede a fora da associao entre um

    determinado fator e a varivel dependente.

  • 52

    Para garantir a representatividade da populao total, foram

    incorporados aos dados os pesos para a expanso da amostra. Dados

    oriundos de pesquisas amostrais complexas so usados, frequentemente,

    para estimar mdias, taxas e propores. A utilizao dos pesos amostrais

    permite que se obtenham estimativas no viciadas para os parmetros

    populacionais. Contudo, as estimativas de medidas de disperso no so

    obtidas de forma adequada com a simples utilizao dos pesos. Este o

    caso do erro-padro associado com os coeficientes das variveis usadas no

    modelo de regresso. Em planos de amostragem complexa, as estimativas

    dos coeficientes so influenciadas apenas pelos pesos, ao passo que as

    estimativas das medidas de disperso (varincia) so influenciadas tambm

    pela estratificao e conglomerao, conjuntamente. Sendo assim, para

    evitar que os efeitos de conglomerao produzam impacto significativo na

    preciso das estimativas, podendo levar a concluses incorretas na anlise

    de testes de hipteses, foram incorporados no processo de estimao dessas

    medidas os aspectos que definem o plano amostral complexo do Estudo

    SABE.

    As anlises dos dados foram realizadas usando os procedimentos de

    pesquisa do software R verso 2.8.1.

  • 53

    RESULTADOS E DISCUSSO

  • 54

    4. RESULTADOS E DISCUSSO

    A idade dos indivduos submetidos ao teste de equilbrio

    (n=1226) variou de 60 a 90 anos, sendo a idade mdia 69,6 anos e a

    mediana 69 anos (DP=7,1 anos). Cerca de 75% dos componentes do grupo

    de amostragem tinham idade inferior a 75 anos, sendo que, do total, 59,6%

    eram do sexo feminino (Tabela 1). Os resultados mostram que a distribuio

    de indivduos conforme o sexo semelhante da coorte de 2006 (A06+B06) e

    da coorte de 2000 (A00) (Tabela 1).

    Tabela 1: Distribuio dos idosos que fizeram o teste de equilbrio segundo sexo e idade, municpio de So Paulo, 2000-2006.

    Coorte

    Variveis A00

    (n=2143) %

    A06+B06 (n=1413)

    %

    A06+B06(eq) (n=1226)

    % Idade 60-64 32,3 28,5 29,1 65-69 26,8 27,0 28,1 70-74 18,8 19,9 20,2 75-79 11,2 12,6 12,6 80 anos e mais 10,9 12,0 10,1 Sexo Homem 41,1 40,6 40,4 Mulher 58,9 59,4 59,6 TOTAL 100,0 100,0 100,0 Fonte: Estudo SABE, 2006 Legenda: A00: coorte iniciada em 2000. A06: coorte remanescente de 2000 em 2006. B06: coorte iniciada em 2006. A06+B06(eq): indivduos que fizeram o teste de equilbrio em 2006.

  • 55

    Nota-se que h maior quantidade de idosos do sexo feminino

    do que do masculino em todos os grupos etrios. Isso mais evidente com o

    avanar das idades. Observe-se que, nas faixas etrias de 60-64 e 65-69, o

    grupo de mulheres cerca de 15% maior que o de homens. Quando o

    indivduo atinge 70 anos, essa diferena quantitativa ainda mais notvel: h

    60,1% de mulheres e 39,9% de homens (Tabela 2). Esse resultado era

    esperado devido s maiores taxas de mortalidade dos homens e maior

    longevidade das mulheres; tais fatores tornam a diferena nas propores de

    homens e mulheres mais expressiva entre os idosos de idades mais

    avanadas. De acordo com Verbrugge (1989), as mulheres tm maiores

    taxas de morbidade, ao passo que os homens se deparam com condies

    que so, frequentemente, mais severas, como as doenas crnicas fatais.

    Alguns estudos apontam que o fato de haver maior mortalidade de homens

    do que de mulheres est relacionado violncia, aos riscos ocupacionais e a

    comportamentos prejudiciais sade adotados ao longo da vida, como o

    tabagismo e o consumo de bebidas alcolicas, condies essas menos

    presentes entre as mulheres da mesma gerao. Entretanto, observa-se uma

    tendncia de mudana desse padro nas prximas geraes, uma vez que,

    atualmente, as mulheres esto mais expostas a riscos ocupacionais e

    comportamentais e violncia urbana (OMS, 2005; UNITED STATE

    CENSUS BUREAU, 2009; RAMOS, 2003; CAMARANO, 2002; CAMARANO

    et al,1999; ARBER e GINN, 1993).

    De acordo com o Ministrio da Sade (2012), no municpio de So

    Paulo, em 2006, houve 41.825 bitos entre os indivduos com 60 anos ou

    mais. Desse total, 57,0% eram do sexo masculino. A faixa etria em que se

  • 56

    verificou o maior ndice de mortalidade foi a de 80 anos ou mais, com 16.833

    bitos, sendo que 6.385 dos indivduos eram homens (cerca de 38%). Esta

    a faixa etria em que, proporcionalmente, ocorrem mais bitos femininos. O

    inverso acontece nas outras faixas etrias. No grupo em que as idades

    variam entre 70 e 79 anos, o total de bitos foi de 14.361, sendo que 7.500

    (50%) destes foram de indivduos do sexo masculino. Na faixa etria de 60-

    69 anos verificou-se o menor nmero de bitos. Do total de 10.631, 6.325

    bitos ocorreram entre os homens, representando 60%. Observa-se que,

    apenas nas faixas etrias de 80 anos e mais, a quantidade de bitos de

    mulheres foi maior que a de bitos de homens (DATASUS, 2012).

    Estudo de coorte na cidade de Botucatu (SP) revelou tambm que ter

    70 anos ou mais significa, para os homens, uma probabilidade de morte 2,4

    vezes maior do que ter entre 60 e 69 anos; para as mulheres, essa

    probabilidade aos 70 anos 4,6 maior do que na faixa etria entre 60 e 69

    anos. A diferena destas razes entre os sexos decorre do fato de a mdia

    de idade das mulheres deste segmento etrio (70 anos ou mais) ser maior

    que a dos homens (RUIZ et al, 2003).

    De acordo com a Diviso de Populao da Organizao das Naes

    Unidas (2007), as mulheres vivem mais tempo que os homens e constituem a

    maioria da populao idosa no mundo. Em 2007, a populao feminina

    contava com 70 milhes de indivduos a mais que a masculina entre as

    pessoas com 60 anos e mais. Entre os octogenrios e mais havia quase duas

    vezes mais mulheres do que homens; entre os centenrios, as mulheres so

    de quatro a cinco vezes mais numerosas.

  • 57

    A predominncia de mulheres na populao idosa e as evidncias de

    desigualdade entre os sexos, no que diz respeito s condies de sade so

    mostradas em diversos estudos (LUIZAGA, 2010; CAMARANO et al, 2004;

    CAMARANO, 2002; JAGGER e MATHEWS, 2002; GALLANT e DORN, 2001;

    ARBER e COOPER, 1999; ARBER e GINN, 1993).

    Tabela 2: Distribuio dos idosos que fizeram teste de equilbrio segundo sexo e idade, municpio de So Paulo, 2006.

    Sexo Idade

    Homem %

    Mulher

    % 60-64

    65-69 70-74 75-79 80 anos e mais Total

    41,9 42,0 39,9 39,0 34,1

    40,4

    58,1 58,0 60,1 61,0 65,9

    59,6

    Fonte: Estudo SABE, 2006

    A Tabela 3 apresenta a distribuio dos idosos que fizeram o teste de

    equilbrio, segundo caractersticas demogrficas e socioeconmicas.

    Com relao ao arranjo familiar, observou-se que 86,4% dos idosos

    moravam acompanhados; alis, tal porcentagem manteve-se muito

    semelhante do inqurito de 2000 (A00), quando foram encontrados 87,0%

    dos idosos na mesma situao. Viviam sozinhos 13,5%, em 2006. Para

    Camarano (2003) tem havido aumento da quantidade de idosos vivendo

    sozinhos, tanto de homens como de mulheres. As mulheres idosas

    apresentam, em geral, uma propenso maior a viverem sozinhas do que os

    homens. Segundo a autora, a universalizao da Seguridade Social, as

  • 58

    melhorias nas condies de sade e os avanos tecnolgicos nos meios de

    comunicao, bem como os elevadores, os automveis, entre outros

    elementos, podem permitir aos idosos que o viver sozinho represente

    inovao, descoberta de formas bem-sucedidas de envelhecimento, no

    necessariamente abandono, descaso ou solido. Viver s pode ser um

    estgio temporrio do ciclo de vida e refletir uma preferncia.

    Entre os idosos avaliados, 58,1% so casados ou esto em unio

    consensual e 30% so vivos. De acordo com o Registro Civil, entre os

    indivduos de 60 anos ou mais, a diferena por sexo nas taxas de

    nupcialidade legal significativa, sendo de 3,4%, para os homens e de 0,9%

    para as mulheres, em todo o Brasil. Segundo o IBGE (2006), levando-se em

    conta que a esperana de vida a partir dos 60 anos mais favorvel s

    mulheres, pode-se admitir a existncia de fatores de ordem cultural e

    demogrfica que levem os homens, a partir desta faixa etria, a se casar

    mais frequentemente. Esse comportamento reflete ainda mudanas nos

    arranjos familiares da populao como um todo, e no apenas alteraes

    decorrentes do envelhecimento (CAMARANO, 2003).

    No que diz respeito ao ensino formal, verifica-se que 19,1% dos idosos

    no tm escolaridade e 22,3% tm de 1 a 3 anos de estudo. Esses dados

    evidenciam que a escolaridade da populao idosa bastante baixa e pode

    estar refletindo menores oportunidades de acesso educao.

    Quanto renda, 15,2% vivem com at um salrio mnimo e 17,0%

    recebem de 1 a 2 salrios mnimos. Aproximadamente 30% dessa populao

    ainda trabalha. O idoso no Brasil tem pouco poder aquisitivo em virtude dos

    baixos salrios, dos poucos benefcios da aposentadoria ou penso ou at

  • 59

    mesmo da ausncia de rendimentos. Com o aumento da idade, crescem as

    dificuldades enfrentadas pelos idosos para obter um emprego, uma vez que

    as oportunidades se reduzem. Na maioria das vezes, a atividade ocupacional

    do idoso mal remunerada e a jornada de trabalho extensa (ALVES, 2004).

    Entretanto, segundo Camarano (2003), tal cenrio j est mudando, e isso se

    deve ampliao da cobertura previdenciria estabelecida pela Constituio

    de 1988, o que tem promovido melhora nas condies de vida dos idosos

    brasileiros nos ltimos anos.

    Tabela 3: Distribuio dos idosos que fizeram o teste de equilbrio, segundo caractersticas demogrficas e socioeconmicas, municpio de So Paulo, 2006.

    Variveis N (1.226)

    Distribuio relativa (%)

    Arranjo familiar Sozinho Acompanhado Sem informao Estado marital Solteiro(a) Casado(a)/unio consensual Separado(a)/divorciado(a) Vivo Sem informao Ocupao atual Trabalha No trabalha Sem informao Renda (em salrios mnimos) sem receita At 1 sm 1 a 2 sm 2 a 3 sm 3 a 5 sm 5 ou mais sm Sem informao Escolaridade (anos de estudo) Sem escolaridade 1 a 3 4 a 7 8 a 11 12 e mais Sem informao

    165

    1059 2

    49 712 96

    368 1

    352 773 101

    36

    187 209 131 121 112 431

    234 272 476 162 80 1

    13,5 86,4 0,2

    4,0

    58,1 7,8

    30,0 0,1

    28,7 63,1 8,2

    3,0

    15,2 17,0 10,7 9,8 9,1

    35,2

    19,1 22.3 38,7 13,2 6,5 0,1

    Fonte: Estudo SABE, 2006 sm=salrio mnimo

  • 60

    A Tabela 4 apresenta algumas caractersticas relacionadas s

    condies de sade e estilo de vida. No que diz respeito autopercepo de

    sade, 45,5% dos idosos avaliaram a sade como regular e 40,4% como

    boa. Em porcentagens muito menores esto as informaes de

    autopercepo ruim, muito boa e muito ruim (6,9%, 5,6% e 1,3%

    respectivamente). A hipertenso arterial foi a doena crnica mais prevalente

    (61,7%), acompanhada por artrite/artrose/reumatismo (31,4%). Problemas

    cardacos foram referidos por 21,2%, osteoporose por 20,9%; diabetes por

    20,1%; problemas psiquitricos por 13,6%; embolia/derrame por 7,1%. Cerca

    de 25,9% dos idosos apresentavam declnio cognitivo, 16,3% declararam

    presena de vertigem ou tontura persistentes, 13,1% apontaram sintomas

    depressivos e 8,4% referiram histria de fratura. No que concerne viso,

    69,5% afirmaram ter viso boa; 23,5% viso regular e 6,5% a viso era ruim.

    Dos 1.226 idosos, 38,2% declararam ter dificuldade em pelo menos

    uma atividade instrumental de vida diria (AIVD); 20,% afirmaram ter

    dificuldade em pelo menos uma atividade bsica de vida diria (ABVD) e

    86,8% apresentaram dificuldade em pelo menos uma mobilidade. Note-se

    que 90,2% dos idosos faziam uso de medicamentos; desse grupo 3,3%

    usavam psicotrpicos e 2,4% usavam bloqueadores de canal de clcio.

    Episdios de queda no ano anterior ao da pesquisa foram relatados por

    30,6%; casos de internao hospitalar tambm no ano anterior foram

    mencionados por 7,7% dos idosos.

    Quanto ao ndice de Massa Corporal (IMC), 42,7% dos idosos eram

    eutrficos, 24,3% apresentavam baixo peso, 21,2% obesidade e 11,4%

    excesso de peso. Aproximadamente 1,5% dos idosos foram positivos no

  • 61

    screening para alcoolismo. e 18,3% relataram praticar atividade fsica

    regularmente.

    Embora o envelhecimento seja um processo natural, fisiolgico e

    dinmico, em que h modificaes biolgicas, psicolgicas e sociais (NERI,

    2004) comum nessa etapa da vida o aparecimento de doenas crnico-

    degenerativas, limitaes fsicas, perdas cognitivas, declnio sensorial,

    alteraes musculoesquelticas, entre outros problemas (RAMOS, 2002).

    Convm destacar que a auto-avaliao da sade muito utilizada em

    estudos epidemiolgicos tanto pela sua importncia, quanto pela associao

    com condies clnicas e com o maior risco de morbidade e mortalidade

    subsequentes. Ela representa a percepo geral da sade, incluindo o que

    engloba as dimenses biolgica, psicossocial e social (GIACOMIN et al,

    2008). interessante observar que, no presente estudo, a maioria dos idosos

    avaliaram a sade como regular (45,5%) e boa (40,4%). Uma minoria

    considerou a prpria sade ruim, muito boa e muito ruim (6,9%, 5,6% e 1,3%

    respectivamente). Estudos epidemiolgicos brasileiros mostram variao nos

    percentuais referentes autopercepo de sade entre os idosos como

    boa/muito boa. Parte-se dos 25%, verificados em Bambu, em Minas Gerais

    (COSTA-LIMA et al, 2000) passa-se para 44% no Rio de Janeiro (VERAS,

    1992), muito prximos dos 46% da primeira onda do Estudo SABE (LEBRO

    e LAURENTIS, 2003) e chega-se aferio de 70%, no Epidoso, tambm em

    So Paulo (RAMOS et al, 1998). Estudos tm mostrado que os indivduos

    que relatam condies precrias de sade tm riscos de mortalidade mais

    altos que aqueles que reportam melhor estado de sade (LEBRO e

    LAURENTI, 2003).

  • 62

    A autoavaliao satisfatria (autopercepo muito boa/boa) traduz o

    quanto as pessoas se sentem saudveis, sem limitaes em virtude de

    sequelas ou mesmo de complicaes generalizadas (WONG et al, 2005). Ela

    mensura de maneira bastante global o estado de sade do indivduo,

    incorporando aspectos cognitivos, fsicos e emocionais (PAGOTTO, 2009;

    ROMERO, 2002).

    De acordo com o IBGE (2009) que reuniu em estudo informaes dos

    resultados da amostra do Censo Demogrfico 2000 e do Suplemento Sade,

    sendo parte integrante da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclio

    PNAD 2003 , a percepo da sade tem sido descrita como um importante

    preditor de sobrevivncia entre idosos. Ainda de acordo com o IBGE (2009),

    estudos confirmam que diferenas de gnero e idade, na percepo da

    sade, so fatores determinantes do comportamento no que diz respeito

    procura por atendimento de sade.

    No presente estudo, a hipertenso arterial e as doenas

    osteoarticulares (artrite/artrose/reumatismo) foram as doenas crnicas auto-

    referidas com mais frequncia pelos idosos, apontadas por 61,7% e 31,4%

    respectivamente. interessante notar que, em estudo sobre as condies de

    sade e o uso de servios de sade, nos 28.943 idosos includos na amostra

    da PNAD 1998, Lima-Costa et al (2003) tambm encontraram como

    prevalentes a hipertenso arterial (43,9%) e as doenas osteoarticulares

    (artrite/reumatismo) (37,5%). Os mesmos autores afirmam que obtiveram

    resultados semelhantes aos do estudo multicntrico de base populacional

    realizado nos Estados Unidos EPESE (Established Populations for

    Epidemiologic Studies of the Elderly). Esse estudo avaliou mais de 10.000

  • 63

    idosos com idade superior a 65 anos residentes em comunidade e encontrou

    altos ndices de hipertenso entre a populao.

    Pesquisa feita com a primeira onda do Estudo SABE (2000) verificou a

    prevalncia de hipertenso arterial em 53,3% dos idosos, sendo 56,3%

    destes do sexo feminino e 49,0% do masculino. A hipertenso arterial uma