DESENVOLVENDO A COMPETENCIA COMUNICATIVA

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Desenvolvendo a competncia comunicativa em gneros da escrita acadmica

Sebastio J. Votre Vincius C. Pereira Jos C. Gonalves

Desenvolvendo a competncia comunicativa em gneros da escrita acadmica

UFF/PROAC/NEAMI

Niteri, RJ - 2010

Copyright 2009 by Sebastio J. Votre, Vincius C. Pereira, Jos C. Gonalves Direitos desta edio reservados EdUFF - Editora da Universidade Federal Fluminense Rua Miguel de Frias, 9 - anexo - sobreloja - Icara - CEP 24220-900 - Niteri,RJ - Brasil Tel.: (21) 2629-5287 - Fax: (21) 2629- 5288 - http://www.editora.uff.br - E-mail: [email protected] proibida a reproduo total ou parcial desta obra sem autorizao expressa da Editora. Normalizao: Danzia da Rocha de Paula Edio de texto e reviso: Iclia Freixinho Capa: Felipe Ribeiro (Laboratrio de livre Criao/IACS) Projeto grfico: Marcos Antonio de Jesus Superviso grfica: Kthia M. P. Macedo Dados Internacionais de Catalogao na Publicao - CIPV972

Votre, Sebastio J.; Pereira, Vincius C.; Gonalves, Jos C. Desenvolvendo a competncia comunicativa em gneros da escrita acadmica/Sebastio Votre, Vincius C. Pereira, Jos C. Gonalves/Niteri: EdUFF, 2009. 94 p.; il. 29,7 cm (Apoio ao aluno calouro, livro-texto 1). inclui bibliografias. ISBN 978-85-228-0531-0 1. Manuais 2. Aprendizagem I. Ttulo II. Srie. CDD 808.02 UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE Reitor: Roberto de Souza Salles Vice-Reitor: Emmanuel Paiva de Andrade Pr-Reitor de Pesquisa e Ps-Graduao: Antonio Claudio Lucas da Nbrega Pr-Reitor de Assuntos Acadmicos: Sidney Luiz de Matos Mello Diretor da EdUFF: Mauro Romero Leal Passos Diretor da Diviso de Editorao e Produo: Ricardo Borges Diretora da Diviso de Desenvolvimento e Mercado: Luciene Pereira de Moraes Assessora de Comunicao e Eventos: Ana Paula Campos Comisso Editorial Presidente: Mauro Romero Leal Passos Ana Maria Martensen Roland Kaleff Gizlene Neder Heraldo Silva da Costa Mattos Humberto Fernandes Machado Juarez Duayer Livia Reis Luiz Srgio de Oliveira Marco Antonio Sloboda Cortez Renato de Souza Bravo Silvia Maria Baeta Cavalcanti Tania de Vasconcellos

Editora filiada

SumrioIntroduo ........................................................................ 7 Unidade 1 Gneros e tipos textuais macro e microestruturas ....................... 9 Unidade 2 Coeso textual ..................................................................21 Unidade 3 Coerncia textual ...............................................................32 Unidade 4 Argumentao ...................................................................41 Unidade 5 Fichamento, resumo e resenha ...............................................53 Unidade 6 Relatrio e projeto .............................................................63 Unidade 7 Artigo cientfico e monografia de concluso de curso .....................75 Unidade 8 O domnio da norma-padro ..................................................81

IntroduoEste manual tem a finalidade de ajud-lo a conhecer e utilizar de modo adequado o estilo acadmico. Voc pode estudar cada unidade na ordem em que aqui se encontra ou ir diretamente para a unidade que lhe interessa. Por exemplo, se estiver com alguma dificuldade de natureza gramatical, v para a ltima unidade e veja o que l oferecemos. O manual contm oito unidades, voltadas para o domnio da escrita acadmica, com nfase nos gneros textuais que a caracterizam. A primeira unidade apresenta os modos de organizao textual e sua manifestao em cada gnero. Descreve e comenta, brevemente, o contedo, a forma e a funo dos modos de organizao textual. Apresenta tambm informaes sobre os gneros que escolhemos. Seguem-se trs unidades, sobre coeso, coerncia e argumentao, com textos ilustrativos, atividades e reflexes, com vistas a ajud-lo no desempenho intelectual. Estas unidades tm o objetivo de faz-lo escrever de forma coerente, mantendo coeso entre as partes e, sobretudo, com argumentos capazes de convencer seu leitor do que voc est propondo. Vm ento as unidades especficas que escolhemos, organizadas em termos de utilizao imediata e em nvel de complexidade. Portanto, voc trabalhar, de imediato, com os gneros fichamento, resenha e resumo; em seguida, lidar com as caractersticas do projeto de pesquisa e do relatrio, para, por fim, familiarizar-se com as propriedades da monografia e do artigo cientfico. Optamos por incluir uma unidade de suporte geral para quem escreve, em que constam questes e problemas de escrita. uma unidade inovadora, no sentido de que os problemas que a se analisam so pontos controversos, com que nos defrontamos no dia a dia da produo de textos no meio universitrio. Em cada unidade, mostramos o que vamos fazer, o que propomos que voc faa, para alcanar os objetivos da unidade e em seguida apresentamos o ncleo da unidade, com introduo, desenvolvimento e concluso. As unidades so permeadas de atividades de reflexo e escrita, propostas para o domnio das habilidades acadmicas. Oferecemos uma alternativa de resposta para cada atividade e conclumos a unidade com referncias bibliogrficas e on-line. Por se tratar de um manual para escrita de textos, tomamos alguns cuidados na seleo dos textos com que trabalhamos. Esses textos representam bem o gnero que est sendo estudado, so coesos e coerentes e apresentam argumentao confivel. So escritos de forma clara e so breves. Cuidamos tambm do nosso prprio estilo, em que procuramos interagir com voc de forma cooperativa, com linguagem acessvel e clara. Procuramos incluir atividades relevantes para voc executar, medida que trabalha cada unidade. Essas atividades tm respostas previsveis, de modo que oferecemos uma alternativa de resposta para cada atividade. Ento? Mos obra? Um abrao, Os autores

Unidade 1Gneros e tipos textuais macro e microestruturasApresentando a unidadeem-vindo! Voc est iniciando o seu curso de anlise e produo de texto acadmico. Neste curso voc vai aprender primeiro a reconhecer e depois a produzir os diversos gneros textuais da escrita acadmica. Voc vai aprender olhando, examinando, entendendo e depois redigindo os diversos textos que circulam no mundo acadmico. Como j dizia Confcio (151 a.C.): O que eu ouo, eu esqueo. O que eu vejo, eu lembro. O que eu fao, eu entendo.

B

Definindo os objetivosAo final desta unidade, voc dever ser capaz de: 1. compreender a noo de tipo textual e de gnero textual; 2. reconhecer os tipos textuais expositivo e argumentativo; 3. identificar tipos e funes dos pargrafos; 4. redigir com clareza os diferentes tipos de pargrafos.

Conhecendo os gneros textuaisDe acordo com os Parmetros Curriculares Nacionais PCNs , ensinar lngua significa ensinar diferentes gneros textuais. O gnero uma unidade de linguagem em uso, na vida real, inserida numa moldura comunicativa de interlocutores e intenes. Assim, dependendo do tipo e do teor da informao que queremos comunicar, utilizamos gneros diferentes, geralmente convencionados em sociedade. Perceba, por exemplo, que a finalidade deste manual diferente da de um jornal, embora ambos sejam agrupados em uma categoria

maior, de textos informativos. Tal diferena nos objetivos do locutor (quem escreve ou fala) e do interlocutor (quem ouve ou l) implica tambm diferenas na estruturao do texto e na organizao da informao. Veja que, por ser um material didtico, este texto que voc est lendo tem caractersticas muito prprias, como uma linguagem clara e direta, ilustraes e exemplificaes. J o jornal, por ser produzido diariamente e apresentar informaes que so lidas e descartadas muito rapidamente pois no dia seguinte j h novas notcias , tende a ser um texto muito mais breve. Alm disso, a maior parte das reportagens de um jornal tm carter narrativo, isto , verbos que indicam ao, personagens, narrador etc. J este manual tem carter expositivo, pois, em vez de encadear aes, agrupa ideias abstratas de modo lgico. Como voc pode perceber, existem inmeros gneros textuais com os quais convivemos, dentro e fora da universidade. Neste manual, voc aprender a ler e escrever os gneros tpicos do meio acadmico. Antes, porm, observe a seguir os fatores que determinam as caractersticas de forma e contedo de cada um desses gneros: Tempo: Refere-se a diferenas cronolgicas, do ponto de vista cultural, social, poltico e econmico, bem como aos graus de conhecimento compartilhado entre o produtor e o receptor dos textos, no momento da produo e recepo. Diferentemente dos gneros da interao oral face a face, nos textos de escrita acadmica o produtor e o leitor geralmente esto situados em diferentes momentos e , portanto, necessrio explicitar as informaes bsicas para contextualizar a informao. Lugar: Designa o lugar fsico da produo e recepo dos textos (escola, escritrio, casa, empresa, mdia), bem como a posio social do produtor e do receptor na interao (aluno, empregado, redator, jornalista, professor, cliente, amigo). Voc, quando escrever um texto acadmico, vai estar num lugar fsico e ocupar um papel social diferentes dos lugares fsicos e sociais dos seus possveis leitores e/ou destinatrios. Objetivo da interao: Qual o efeito que o seu texto deve e espera produzir no receptor, isto , para que serve o texto? Quando voc escreve um texto, quais so as suas intenes? Ser que a sua inteno comunicativa vai ser igual interpretao do seu possvel leitor?Voltar ao sumrio

10 Canal: Que canal utilizado para a interao entre o produtor e o receptor do texto: papel, vdeo, e-mail, livro, revista, chat, videoconferncia, telefone, telegrama, carta? Em outras palavras, qual o meio que voc vai utilizar para a transmisso da mensagem? Grau de formalidade da situao: A conjugao dos quatro fatores acima vai determinar o grau de formalidade da situao. Numa interao face a face entre amigos, num bate-papo, o nvel de formalidade bem baixo. Uma interao face a face num julgamento no tribunal vai ser muito mais formal. Igualmente, um gnero de escrita acadmica, como o ensaio, muito mais formal do que um bilhete ou um e-mail informal, trocado entre colegas de trabalho. retornou a Braslia por volta das 17h15. O presidente sobrevoou as cidades de Itaja, Luiz Alves e Navegantes. Sou de uma regio em que as pessoas passam mais da metade do ano pedindo para que chova. Em Santa Catarina, temos que pedir a Deus para parar de chover. Lula assinou, nesta quarta, uma medida provisria liberando R$ 1,6 bilho para ajudar na recuperao de estradas, casas e para aes da Defesa Civil e das Foras Armadas. O dinheiro ser usado para ajudar no s Santa Catarina, mas tambm outros estados que venham a sofrer com as fortes chuvas previstas para o vero. Luciana Rossetto

Conhecendo os tipos textuaisOs diferentes tipos textuais no so mutuamente exclusivos. De forma geral, um gnero textual composto de vrios tipos textuais, dependendo das diferentes funes que o autor quer atingir. No exemplo usado na Atividade 1, pode-se notar que o gnero notcia utiliza-se de estruturas narrativas, para contar o que foi feito pelo presidente Lula, e de estruturas descritivas, para descrever a situao das cidades nas enchentes e algumas medidas implementadas para tentar resolver o problema. Como vrios tipos de organizao textual podem ocorrer em um mesmo gnero, busca-se caracterizar o seu modo de organizao predominante. Assim, no exemplo acima, o modo de organizao textual predominante o narrativo, com verbos usados geralmente no pretrito perfeito, como se v no seguinte trecho da notcia: O presidente Luiz Incio Lula da Silva deu uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (26) no aeroporto de Navegantes, em Santa Catarina, aps sobrevoar a regio afetada pela chuva nos ltimos dias. a pior calamidade ambiental que j enfrentamos, afirmou. Ele retornou a Braslia por volta das 17h15. No restante do texto, vrios verbos na terceira pessoa do pretrito perfeito tambm ocorrem, como: sobrevoou e assinou. Pode-se afirmar ento que o gnero notcia utiliza-se predominantemente do modo de organizao narrativo para relatar os fatos ocorridos. Os tipos textuais so caracterizados pelas sequncias lingusticas predominantes (esco-

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 1 Leia atentamente o texto abaixo e responda s seguintes perguntas: 1. Que informaes sobre a realidade brasileira esse texto recupera? 2. A quem se destina o texto? Quais so as caractersticas que evidenciam o destinatrio? 3. Que conhecimentos so necessrios para que o leitor compreenda as informaes subentendidas no texto? 4. A que gnero esse texto pertence? Quais so as caractersticas principais da composio desse gnero?

a pior calamidade ambiental que j enfrentamos, diz Lula, em SCO presidente Luiz Incio Lula da Silva deu uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (26) no aeroporto de Navegantes, em Santa Catarina, aps sobrevoar a regio afetada pela chuva nos ltimos dias. a pior calamidade ambiental que j enfrentamos, afirmou. Ele

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11 lhas de palavras, estruturas gramaticais, tempos verbais, relaes lgicas). abaixo: TIPOS TEXTUAIS Descritivo Narrativo FINALIDADE Caracterizar a paisagem, o ambiente, as pessoas e os objetos. Contar fatos reais ou imaginrios ou relatar acontecimentos que ocorreram em determinado lugar e tempo, envolvendo os participantes em ao e movimento no transcorrer do tempo. Apresentar informaes sobre assuntos, idealmente de forma isenta e impessoal. Expor ideias, pensamentos, doutrinas, teses, argumentos e contra-argumentos. Envolve refletir, explicar, avaliar, conceituar, analisar, informar. Convencer, influenciar, persuadir as pessoas para realizar aes e alcanar objetivos. Consiste no emprego de provas, justificativas, com o objetivo de apoiar ou refutar teses. Envolve raciocnio para provar ou negar proposies. Dizer como fazer ou realizar aes; descrever e prescrever regras, normas para uso e regulao de comportamentos. Interagir, por meio de troca interpessoal de ideias, sentimentos e informaes sobre diferentes temas. rios de campo, teses, dissertaes, monografias, artigos de divulgao cientfica, resumos de artigos, de livros, de conferncias, resenhas, comentrios, projetos, manuais de ensino, bibliografias, fichas catalogrficas, currculos vitae, memoriais, pareceres tcnicos, sumrios, bibliografias comentadas, ndices remissivos, glossrios etc. Modalidade oral: palestras, conferncias, debates, entrevistas, seminrios, apresentaes em congressos, arguies etc. Portanto, os gneros textuais podem se constituir em diversos tipos textuais, que possuem finalidades especficas, conforme vemos

Expositivo

Argumentativo

Injuntivo Dialogal

No meio acadmico, podem ser encontrados todos os tipos textuais, concretizados em gneros textuais diferentes. Um relatrio, por exemplo, utiliza-se de caractersticas descritivas, para avaliar algo. A metodologia encontrada em um artigo, por sua vez, predominantemente narrativa, pois apresenta a sucesso dos passos adotados por um pesquisador na conduo de seu estudo. Um resumo um texto expositivo, em que se apresentam, de forma impessoal, as informaes presentes em um outro texto. Um ensaio, no entanto, por conter uma tese defendida acerca de determinado assunto, possui caractersticas predominantemente argumentativas. Este manual, como os demais materiais didticos, alm do carter obviamente expositivo, tem tambm uma feio injuntiva, na medida em que ensina como proceder na escrita acadmica. Por fim, os gneros orais da vida universitria, como a arguio, por exemplo, esto intimamente ligados ao tipo textual chamado dialogal, em que a interao locutor-interlocutor primordial. Veja a seguir outros gneros discursivos do domnio acadmico, tanto na modalidade escrita quanto na modalidade oral da comunicao. Modalidade escrita: temos artigos cientficos, relatrios cientficos, notas de aula, diVoltar ao sumrio

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 2 Leia atentamente o texto abaixo, Dimenso e horizonte de investimento em carteiras imunizadas: uma anlise sob a perspectiva das entidades de previdncia complementar, retirado da READ Revista Eletrnica de Administrao. A que gnero textual ele pertence? Qual o modo de organizao textual nele predominante? Justifique suas respostas.

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Dimenso e horizonte de investimento em carteiras imunizadas: uma anlise sob a perspectiva das entidades de previdncia complementarO termo imunizao denota a construo de uma carteira de ttulos de forma a torn-la imune a variaes nas taxas de juros. No caso das entidades de previdncia complementar, o objetivo da imunizao distribuir os recebimentos intermedirios e finais dos ativos de acordo com o fluxo de pagamentos dos benefcios. Em geral, quanto maior a classe de alteraes na estrutura a termo das taxas de juros, mais restritivo se torna o modelo. O artigo busca comparar o desempenho de modelos de gesto de risco de taxa de juros que, baseados em alternativas distintas de programao matemtica, objetivam garantir o pagamento do fluxo futuro de benefcios. Embora exista uma vasta literatura sobre o aspecto estatstico e sobre o significado econmico dos modelos de imunizao, o artigo inova ao prover uma anlise detalhada do desempenho comparado dos modelos, sob trs perspectivas complementares: o mtodo escolhido, a dimensionalidade e, ainda, o horizonte de investimento. A anlise permite concluir que os modelos de imunizao tradicional, quando examinados sob a tica conjunta da reduo do risco, das restries impostas formatao da carteira e dos custos de transao associados, so mais eficientes, no mdio e longo prazo, que os modelos multidimensionais de gesto do risco de taxa de juros, os quais se mostram superiores apenas na gesto restrita ao curto prazo. Srgio Jurandyr Machado - IBMEC-SP Antonio Carlos Figueiredo Pinto - PUC-RJ

preciso que compreendamos cada pargrafo como um pequeno texto, o qual deve ter sua estrutura reconhecida. Inicialmente, vamos observar alguns exemplos de pargrafos bem construdos e proceder a sua anlise:

Lula repassa terras da Unio a Roraima e diz que est pagando dvidaO presidente Luiz Incio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira (28), um decreto e uma medida provisria repassando 6 milhes de hectares (60 mil quilmetros quadrados) de terras da Unio para Roraima. O repasse equivale a 25% da rea total do estado e 50% maior que a Sua (41,2 mil quilmetros quadrados). Segundo Lula, o governo est pagando uma dvida que tem com Roraima desde a celeuma da reserva indgena Raposa Serra do Sol. O governador do estado, Jos de Anchieta Jnior, negou que esteja recebendo uma espcie de recompensa por ter perdido parte do seu territrio por causa da demarcao da reserva indgena. [...] (Jeferson Ribeiro Do G1, em Braslia) O trecho acima, retirado de uma notcia, composto por dois pargrafos. Analisando-se cada um deles, vemos que so compostos por mais de uma frase. Tal fato nos sugere no escrever pargrafos de uma nica frase enorme, pois isso dificulta a compreenso do leitor. Para que a leitura seja fcil e agradvel, os sinais de pontuao devem estar devidamente empregados e as frases devem ter um tamanho razovel. Atente para a seleo das frases empregadas em cada pargrafo. No primeiro deles h uma frase principal, que o resume e apresenta a ideia central: O presidente Luiz Incio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira (28), um decreto e uma medida provisria repassando 6 milhes de hectares (60 mil quilmetros quadrados) de terras da Unio para Roraima. A essa frase inicial, chamamos de frase-tpico. A frase-tpico , geralmente, a primeira frase do pargrafo. Sua funo expor de forma resumida a ideia geral, que ser desenvolvida nas outras frases. Observe agora o segundo perodo do pargrafo: O repasse equivale a 25% da rea total do estado e 50% maior que a Sua (41,2 mil quilmetros quadrados). Essa frase

Conhecendo a estrutura do pargrafoNa primeira parte desta unidade, voc aprendeu a diferenciar tipos e gneros tex-tuais, e como essas categorias se combinam na hora de produzir um texto. Assim, nossa preocupao inicial era a macroestrutura textual, isto , a compreenso da estruturao geral dos textos acadmicos. A partir de agora, voltamos nossas atenes para a microestrutura textual, ou seja, as partes menores que compem um texto. Para efeitos didticos, vamos trabalhar com uma unidade conhecida por todos os alunos: o pargrafo.Voltar ao sumrio

13 desenvolve a frase-tpico na medida em que d informaes complementares acerca do repasse mencionado na frase anterior. Analisemos agora o segundo pargrafo, cuja frase-tpico : Segundo Lula, o governo est pagando uma dvida que tem com Roraima desde a celeuma da reserva indgena Raposa Serra do Sol. Tal frase apresenta como ideia principal do pargrafo a opinio do presidente diante da questo da reserva indgena. Porm, bom complementar a frase-tpico, para que o texto se torne mais coeso e informativo. O autor desenvolveu essa frase principal com uma relao de oposio, ao escrever: O governador do estado, Jos de Anchieta Jnior, negou que esteja recebendo uma espcie de recompensa por ter perdido parte do seu territrio por causa da demarcao da reserva indgena. O autor do texto poderia inclusive iniciar esse segundo perodo por um conectivo que expressasse oposio, como porm, contudo, todavia etc. Veja ainda que h muitas formas de desenvolver a ideia central fixada e exposta na frase-tpico: definies, enumeraes, comparaes, contrastes, razes, anlise, exemplos, fatos, estatsticas, citaes, ilustraes, evidncias e contraevidncias da ideia apresentada na frase-tpico. As frases de suporte fornecem as diferentes especificaes que explicam, delimitam, reforam, contradizem ou expandem a ideia central exposta na frase-tpico. 1. Meus dois professores so totalmente diferentes em aparncia, comportamento e personalidade. 2. O futebol est se tornando popular nos Estados Unidos graas simplicidade do equipamento, das regras e das habilidades envolvidas. 3. A paisagem, as praias, e o carnaval tornam o Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa. J as frases-tpico seguintes fazem afirmaes acerca de assuntos mais especializados, de modo que voc deve buscar algumas informaes sobre eles antes de tentar desenvolv-las. 4. Astronomia uma cincia fascinante. 5. A adaptao animal imprescindvel para a sobrevivncia das espcies. 6. A intensa miscigenao teve importantes consequncias para a formao do povo brasileiro. Na seo anterior, vimos como um pargrafo se constitui em linhas gerais: uma frase-tpico e frases de suporte, podendo ainda haver uma frase de concluso. Da mesma forma, um ensaio, uma redao, um artigo cientfico ou um texto expositivo ou argumentativo tambm tm essa estrutura de trs partes: um pargrafo introdutrio, pargrafos de suporte e um pargrafo de concluso.

O pargrafo de introduoA principal caracterstica de um pargrafo de introduo a presena da tese, ideia central do texto. Em um texto expositivo, a tese uma informao principal, ampla, dentro da qual h uma srie de outras informaes que sero apresentadas nos pargrafos subsequentes. Em um texto argumentativo, a tese o ponto de vista que o autor defende, inserido em um tema mais amplo, o qual tambm deve ficar claro logo no primeiro pargrafo. de suma importncia que a tese seja apresentada com clareza, pois isso facilita a leitura do texto, bem como sua escrita, visto que impede que voc fuja ao tema. Ao longo do texto, tente sempre que possvel remeter o que escreve nos demais pargrafos tese, afinal tal estratgia garante unidade, coeso e coerncia ao texto. H mais de uma maneira de redigir um pargrafo introdutrio, embora este deva sempre situar o tema geral do texto e a tese. A seguir, vamos analisar diferentes pargrafos de introduo redigidos acerca do mesmo tema: o crescimento

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 3 Algumas das frases-tpico seguintes dizem respeito a conhecimento compartilhado na cultura local e nacional, de modo que podem ser desenvolvidas imediatamente aps a leitura das mesmas. Outras supem conhecimento especializado e s podem ser aprofundadas aps consulta a fontes de informao. Comecemos pelo primeiro grupo. Leia-as e escreva pargrafos que com elas se iniciem, acrescentando frases de suporte/desenvolvimento.Voltar ao sumrio

14 da violncia na contemporaneidade. Atente para os diferentes recursos usados em cada pargrafo e perceba que uma mesma temtica pode ser introduzida de diferentes maneiras. Com a prtica, voc logo selecionar as estratgias com que se sente mais vontade.1. Abordagem-padro Neste tipo de introduo, apresenta-se primeiramente a tese e logo a seguir enumeram-se os argumentos que sero desenvolvidos ao longo do texto (cada um desses argumentos corresponder a cada um dos pargrafos de desenvolvimento subsequentes). Veja o exemplo abaixo: inicial que situa a tese no tema geral ao qual pertence. Como no exemplo abaixo, a ambientao pode ser a definio de um conceito-chave para a argumentao acerca do tema proposto.

Segundo Houaiss (2008), violncia constrangimento fsico ou moral exercido sobre algum, para obrig-lo a submeter-se vontade de outrem; coao. Tal definio explicita uma faceta da violncia por vezes esquecida: a dimenso moral. Do mesmo modo como a agresso fsica pode causar danos irreparveis, a ofensa e a injria deixam sequelas para sempre, devendo haver, portanto, preocupao social no combate a esse problema.3. Questionamento(s) A ambientao pode tambm ser composta por perguntas que convidem o leitor reflexo acerca do tema. No entanto, tome o cuidado de, aps essas perguntas, afirmar sua tese. No deixe tambm de responder a todas as perguntas ao longo de seu texto.

indiscutvel que a violncia cresce de forma exponencial nos dias de hoje, como no cessam de informar os meios de comunicao. Tal fato acarreta mudanas drsticas na arquitetura urbana, como a construo de grades por toda a parte, em uma tentativa de prender a si, j que o assustador Outro no cabe por inteiro na cadeia. Mudam tambm as ofertas de emprego, com a popularizao do ofcio de segurana e a quase extino de profisses que exigem confiana em pessoas desconhecidas, como o antigo vendedor de porta em porta, que hoje no ganha mais do que um grito repelente por trs do olho-mgico. Esses so apenas alguns entre muitos outros fenmenos que nos escapam na discusso da violncia, geralmente suscitada por tragdias veiculadas na mdia. Nesse caso, a primeira frase do pargrafo tambm a tese do texto (ponto de vista principal defendido na redao). Seguem-se a ela dois exemplos que sero explorados em detalhe nos prximos dois pargrafos de desenvolvimento. Por fim, veja que a frase de concluso (ltima do pargrafo) serviu para retomar e resumir as ideias anteriormente apresentadas, s quais se somou um dado novo: a predominncia de tragdias no discurso miditico sobre violncia. Tenha sempre em mente que uma frase de concluso, mesmo que sirva para encapsular tudo o que foi dito antes, deve conter alguma informao nova, que justifique sua existncia. Do contrrio, o texto torna-se repetitivo.2. Definio Nesse tipo de introduo, antes de se apresentar a tese, faz-se uma ambientao, isto , uma afirmaoVoltar ao sumrio

Medidas punitivas so o suficiente para coibir o aumento da violncia? A histria j provou que no. Assim como o senso comum tem cristalizada a mxima de que prevenir melhor do que remediar, estudos provam que pases que investiram em educao tiveram redues mais significativas de ndices de violncia do que aqueles que destinaram sua verba construo de presdios.4. Citao A ambientao tambm pode apresentar uma citao de algum famoso. Nesse caso, lembre-se de pr entre aspas uma fala que no propriamente sua. Tal recurso tem a vantagem de se valer da autoridade do discurso alheio, que pode ser posto em dilogo com o seu.

A no-violncia absoluta a ausncia absoluta de danos provocados a todo ser vivo. A no-violncia, na sua forma ativa, uma boa disposio para tudo o que vive. o amor na sua perfeio. Essa clebre citao de Gandhi, ao referir-se a uma no-violncia ativa, mostra ser possvel optar pela paz e pratic-la de forma ativa

15 e consciente, o que deve se dar em todas as situaes da vida. Tal princpio da no-violncia hoje smbolo da possibilidade de um mundo pacfico, a despeito das evidentes dificuldades para que isso se efetive.5. Sequncia de frases nominais Um recurso interessante para iniciar um texto fazer uma enumerao de frases nominais (sem verbo), separando-as por ponto final. Por ser um recurso diferente, isso chama a ateno do leitor. Como sempre, a presena da tese logo aps essa ambientao fundamental.

Ao falarmos sobre violncia, alguns discursos apontam-na como sendo uma problemtica contempornea. Porm, a histria do descobrimento e da colonizao do Brasil marcada por uma violncia que muitas vezes esquecemos: o massacre dos indgenas. Ao estudarmos de forma profunda e atenta essa mortandade que est no incio da histria escrita sobre o pas, podemos no s compreender o passado da nossa formao, mas entender tambm a violncia presente, em suas semelhanas e diferenas com a pretrita, e pensar em intervenes que combatam esse problema nos dias de hoje.

Bala perdida. Sequestro-relmpago. Falsa blitz. Basta abrir o jornal ou ligar a televiso para se ouvir mais uma notcia de crime no pas. A menos que medidas conscienciosas sejam tomadas para o combate dessa realidade hostil, o quadro tende a se tornar cada vez pior.6. Exposio do ponto de vista oposto Voc pode tambm iniciar seu texto enunciando um ponto de vista contrrio ao seu, na ambientao. Em seguida, voc deve usar um conectivo que expresse oposio de ideias (PORM, NO ENTANTO, CONTUDO, TODAVIA etc.) e apresentar sua prpria tese, provando ser ela mais acertada do que o posicionamento anteriormente mencionado.

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 4 Do texto a seguir, retirou-se o primeiro pargrafo. Com base nos demais pargrafos, redija pelo menos trs verses para a introduo, utilizando diferentes tcnicas estudadas nesta unidade:

Crtico de cinema: profisso em extino?[...] O New York Times dedica-se a tentar entender a perda de importncia dos jornais e o crescimento da influncia dos blogs no processo de divulgao dos filmes pelos grandes estdios. O sinal mais aparente deste fenmeno importante pelo volume de recursos que Hollywood movimenta em marketing que os jornais contribuem cada vez menos com aquelas publicidades repletas de frases retiradas de crticas. Uma das mais antigas ferramentas de marketing de um filme, a citao tirada de uma crtica de cinema (coisas como eletrizante imperdvel, muito engraado, ri do incio ao fim) j foi motivo de muita polmica. H alguns anos, descobriu-se que um estdio, a Sony, havia publicado um anncio com uma frase inventada, dita por um crtico que no existia. Tambm comum tirar palavras ou frases de contexto, mudando

H quem diga que basta instituir a pena de morte para que haja redues bruscas nos ndices da violncia. No entanto, esse um posicionamento por demais simplista, que acredita na soluo de um problema de dimenses econmicas, sociais e polticas, que assola todo o pas, por meio de uma simples resoluo jurdica. Na verdade, alterao alguma na lei suficiente sem que medidas preventivas, as quais culminem na reduo das desigualdades sociais, sejam tomadas.7. Aluso histrica Antes de apresentar sua tese, voc pode lanar mo de uma ambientao que a situe historicamente, apresentando, brevemente, os antecedentes histricos que confirmam seu ponto de vista.Voltar ao sumrio

16 o sentido do que o crtico quis dizer para realar qualidades inexistentes de um filme. O que inquieta o New York Times agora o fato de que os grandes estdios de Hollywood preferem recorrer a crticas publicadas em blogs do que em jornais. Escreve o dirio: Os seis grandes estdios gostam de ir Internet em busca de frases para usar em publicidade porque h uma variedade muito grande de sites de onde tirar a palavra ou a frase certa. Alguns sites, claro, so srios. Outros, incluindo sites como Aint It Cool News, no fazem segredo do seu olhar de animador de torcida em relao a alguns gneros de filmes. Em outras palavras, raciocina o New York Times, os estdios preferem recorrer a sites e blogs porque eles tratam os filmes de forma mais generosa e complacente que os jornais. Ogrande dirio americano est, evidentemente, fazendo uma generalizao injusta, j que h tambm muitos crticos em jornais que funcionam mais como animadores de torcida do que, propriamente, como analistas srios e isentos. Em todo caso, dois entrevistados do jornal reforam a tendncia de recorrer a sites e blogs no lugar dos jornais na leitura das crticas de cinema. Um vice-presidente da Universal, Michael Moss, diz ao jornal: Alguns dos melhores crticos de cinema e a maioria das boas crticas so encontradas online. J Mike Vollman, presidente de marketing da MGM e United Artists, afirma que vai preferir se basear mais em blogs do que na revista Time para promover o remake do filme Fama. A realidade, e lamento dizer isso para voc, que os jovens que vo ao cinema so mais influenciveis por um blog do que por um crtico de jornal. A reportagem, em resumo, confirma as previses mais pessimistas dos que enxergam na revoluo promovida pela nova mdia um sinal de empobrecimento e decadncia cultural. Ainda assim, o prprio New York Times reconhece que h sites srios, publicando textos sobre cinema com o mesmo grau de rigor que os jornais ditos de prestgio. E o Brasil? algum leitor perguntar. O problema, ainda que em grau menor, at porque a indstria de cinema nacional minscula, se comparada a Hollywood, j aparece por aqui. Ainda estamos, pelo que observo,numa etapa anterior. H um crescimento impressionante de sites eVoltar ao sumrio

blogs dedicados ao cinema, mas o mercado ainda observa com desconfiana, procurando entender e separar o joio do trigo de toda essa movimentao. Em todo caso, possvel observar que alguns produtores j utilizam frases retiradas de sites e blogs para divulgao de seus filmes. Maurcio Stycer

Pargrafos de desenvolvimentoComo quaisquer outros pargrafos, os de desenvolvimento apresentam frases-tpico, frases de suporte e, s vezes, frases de concluso. O que os difere dos pargrafos de introduo e concluso seu carter menos abrangente e mais especfico: enquanto no incio e no final do texto d-se preferncia por apresentar ideias gerais, o desenvolvimento de um texto deve ser marcado por pargrafos de carter mais detalhado, os quais apresentem, de forma pormenorizada, as informaes que sustentam a tese do texto. Desse modo, importante que voc evite pargrafos de desenvolvimento extremamente curtos, os quais contenham apenas a apresentao de uma ideia. Como o prprio nome j indica, preciso desenvolver essas ideias, apresentando causas, consequncias, contrastes etc. Para isso, voc aprender neste curso, na unidade sobre Coeso, como estabelecer relaes desse tipo entre as frases e as oraes.

O pargrafo de conclusoO pargrafo final a concluso, uma parte muito importante do seu texto. Concluir um texto envolve sintetizar, reformular e/ou comentar o assunto abordado ao longo dele. Na sntese, voc escreve um resumo dos principais assuntos ou argumentos discutidos no corpo do texto. Outra forma de concluir reformulando a ideia principal do seu texto em outras palavras. No comentrio, voc externa seu(s) ponto(s) de vista sobre o problema enfocado no texto. Como esse comentrio a ltima coisa que o leitor vai ver, essencial que voc redija uma mensagem importante e impactante, que o leitor v lembrar. Para que seu texto seja bem-sucedido, no basta que voc comece bem e explique com clareza suas ideias. Caso a concluso no seja satisfatria, a impresso final do leitor no ser boa, o que revela a importncia de caprichar na elaborao do ltimo pargrafo.

17 Lembre-se de que, caso voc tenha iniciado seu texto com uma analogia, interessante que essa mesma analogia seja revisitada na concluso. Do mesmo modo, se seu texto se inicia com uma pergunta, interessante que a resposta a ela esteja clara na concluso. Veja a seguir um exemplo de texto dissertativo em que a concluso e a introduo completam-se mutuamente, reiterando a tese do autor: inegvel que a tecnologia trouxe vantagens ao dia-a-dia. lamentvel, porm, que o homem a tenha manipulado de tal forma a perder o controle sobre sua criao. Os heris digitais confundem-se com os viles, que deletam aos poucos o sentido de humanidade de nossa sociedade. (retirado de http://www.puc-rio.br/vestibular/repositorio/redacoes/redacao18.html)

Homem VirtualA histria do homem marcada por grandes invenes e acontecimentos que modificam as relaes familiares, sociais e internacionais. Transformaes essas que no se prendem exclusivamente ao passado dos homens descobridores do fogo, criadores da roda, aventureiros dos mares, pilares do Renascimento... Os revolucionrios do sculo XX inserem-se na Histria com ferramentas virtuais e o poder da tecla enter. A atual Revoluo Tecnolgica uma transformao sem qualquer precedente na histria da humanidade. Enquanto, no passado, as revolues limitavam-se no espao e no tempo, ou mesmo nas diferenas culturais, o mundo globalizado de hoje lhes permite percorrer rapidamente quilmetros de distncia sem que mesmo haja tempo para resistncias ideolgicas. dessa facilidade que se extrai a explicao para as repentinas e profundas mudanas nas relaes humanas no sculo XX e especialmente na dcada de 90. O computador a perfeita materializao da Revoluo do sculo XX. Atravs dele, o homem conecta-se ao mundo, percorre pases, acessa diferentes informaes ou diferentes ngulos de uma mesma informao, agiliza trabalhos, melhora imagens, cria recursos... transformaes desse nvel foram muitas vezes vivenciadas pelo homem. Nunca, porm, elas conseguiram atingi-lo paralelamente em sua essncia, vises, ideologia, prioridades. O mundo tecnolgico trouxe tambm novas fontes de lazer, menos convivncia pessoal, busca incessante de novos conhecimentos, necessidade de alcan-los rapidamente. Criou um homem quase digital com emoes contidas, experincias virtuais, convivncia ciberntica, famlia matricial. A velha conversa no botequim deu lugar s salas de bate-papo, a visita vespertina agora um e-mail, o amigo o computador.Voltar ao sumrio

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 5 Do texto a seguir, retirou-se a concluso. Com base nos demais pargrafos, redija, pelo menos, duas verses para a concluso, utilizando diferentes tcnicas estudadas nesta unidade.

Novos desafios para o planeta (adaptado)Por Marcelo Barros Agncia de Informao Frei Tito para a Amrica Latina de So Paulo Em torno ao dia 05 de junho que a ONU consagra como dia internacional do meio ambiente, o mundo inteiro promove uma srie de discusses e eventos que duraro toda a semana. De fato, os problemas ambientais se agravam. Hoje, no h quem no se assuste com a frequncia e a intensidade de inundaes e secas, assim como, em algumas regies do mundo, terremotos e furaces ganham fria nunca vista. Como disse Leonardo Boff na assembleia geral da ONU: se a crise econmica preocupante, a crise da no-sustentabilidade da Terra se manifesta cada dia mais ameaadora. Os cientistas que seguem o estado do Planeta, especialmente a Global Foot Print Network, haviam falado do Earth Overshoot Day, isto , do dia em que se ultrapassaro os limites da Terra. Infelizmente, os dados revelam que, exatamente no dia 23 de setembro de 2008, a Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de reposio dos recursos necessrios para as demandas humanas.

18 No momento atual, precisamos de mais de uma Terra para atender nossa subsistncia. Como garantir ainda a sustentabilidade da Terra, j que esta a premissa para resolver as demais crises: a social, a alimentar, a energtica e a climtica? Agora, no temos uma arca de No que salve alguns e deixe perecer a todos os demais. Como asseverou recentemente, com muita propriedade, o Secretrio Geral desta casa, Ban Ki-Moon: no podemos deixar que o urgente comprometa o essencial. O urgente resolver o caos econmico, mas o essencial garantir a vitalidade e a integridade da Terra. importante superar a crise financeira, mas o imprescindvel e essencial como vamos salvar a Casa Comum e a humanidade que parte dela. Esta foi a razo pela qual a ONU adotou a resoluo sobre o Dia internacional da Me Terra (International Mother Earth Day), a ser celebrado no dia 22 de abril de cada ano. Dado o agravamento da situao ambiental da Terra, especialmente o aquecimento global, temos de atuar juntos e rpido. Caso contrrio, h o risco de que a Terra possa continuar, mas sem ns (discurso na ONU abril de 2009). Infelizmente, governos e instituies internacionais continuam insistindo no modelo capitalista depredador. Somente o governo americano destinou este ano mais de US$ 4 trilhes a salvar bancos e multinacionais irresponsveis que perderam dinheiro no cassino financeiro da imprevisibilidade. Este dinheiro do povo, dado aos ricos, um valor 40 vezes maior do que os recursos destinados a combater as mudanas climticas no mundo e a pobreza (Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009, p. 3). O prprio governo brasileiro advoga que, contra a crise econmica que assola o planeta e tambm atinge o Brasil, a soluo ser consumir e comprar, porque isso gera empregos e receitas. As consequncias ecolgicas desta escolha no se colocam. Menos ainda a questo tica fundamental. Quantos brasileiros podem viver esta febre do consumo? O PNUD do ano passado confirma: 20% das pessoas mais ricas absorvem 82% das riquezas mundiais, enquanto 20% dos mais pobres tm de se contentar apenas com 1,6% desta riqueza que deveria ser comum. Uma nfima minoria monopoliza o consumo e controla os processos econmicos que implicam a devastao da natureza e uma imensa injustia social. [...]Voltar ao sumrio

Respostas s atividadesAtividade 1 1. O texto fala das enchentes que destruram cidades no estado de Santa Catarina, no ano de 2009. 2. O texto se destina aos brasileiros em geral, dada a abrangncia do assunto e a linguagem simples, clara e direta. 3. O leitor tem de saber que as chuvas causaram enchentes, o que o texto no explicita. Alm disso, a construo para ajudar na recuperao de estradas, casas apresenta um pressuposto, isto , se preciso recuperar, porque houve destruio. 4. Trata-se do gnero notcia, que, no plano do contedo, caracteriza-se por trazer informaes recentes e que se tornam datadas em poucos dias. No plano da forma, a linguagem direta e clara, misturando traos narrativos e expositivos. Atividade 2 Trata-se de um resumo, como se pode ver pela densidade de informaes, causada pela quase inexistncia de frases com baixa informatividade. Nesse gnero, predomina a exposio, pois os fatos so apresentados de forma imparcial. Atividade 3 Esta atividade tem muitas possveis respostas. Apresentamos, a seguir, algumas: 1. Meus dois professores so totalmente diferentes em aparncia, comportamento e personalidade. Um alto e magro, com nariz aquilino e modos distintos. O outro baixo, gordinho e tem um jeito alegre de falar. Ambos, porm, so muito dedicados e do, cada um a seu modo, timas aulas. 2. O futebol est se tornando popular nos Estados Unidos graas simplicidade do equipamento, das regras e das habilidades envolvidas. Enquanto beisebol e basquete, tradicionais no pas, exigem alguns equipamentos caros, como luvas, tacos ou cestas, o futebol no pede mais do que uma bola de meia e um pouco de ginga nos ps. Esse acaba sendo o fator que atrai populaes de baixa renda. 3. A paisagem, as praias, e o carnaval tornam o Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa. Turistas do mundo inteiro deixam cidades com fama internacional por sua beleza e ordenao

19 social para reverenciar a terra dos cariocas, pois, apesar de notrios problemas de segurana pblica, o Rio de Janeiro continua lindo. 4. A astronomia uma cincia fascinante. Desenvolvida a partir da astrologia, segundo a qual os astros influenciariam o destino humano, a astronomia hoje pouco se parece com essa modalidade adivinhatria. Em lugar de mapas astrais, telescpios de alta potncia e clculos matemticos muito precisos analisam o movimento dos corpos celestes, deixando aos corpos humanos que cuidem eles mesmos de seus destinos. 5. A adaptao animal imprescindvel para a sobrevivncia das espcies. Darwin percebera isso quando postulou sua teoria da Seleo Natural, segundo a qual apenas o mais adaptado sobreviveria. O homem, por exemplo, fisicamente frgil, teve de se adaptar para sobreviver s intempries e ao hostil ambiente, desenvolvendo a tecnologia. 6. A intensa miscigenao teve importantes consequncias para a formao do povo brasileiro. Porm, quando falamos em miscigenao, muitos reduzem a exemplos simplistas o fenmeno de hibridao cultural, como a diferentes receitas culinrias ou s origens distintas de vocbulos de nossa lngua. Tal viso apaga o quanto da viso de mundo que os brasileiros tm, em todas as esferas da vida pblica e privada, fruto da mistura de uma srie de culturas. Atividade 4 Segue abaixo a introduo do texto original. Levantamento do jornal The Salt Lake Tribune indica que ao menos 55 crticos de cinema foram demitidos ou mudaram de rea na imprensa americana desde 2006. O dado, citado em reportagem na edio dominical do New York Times, ilumina um aspecto da crise que afeta os jornais americanos e, em particular, ajuda a compreender uma mudana significativa que vem ocorrendo na relao de Hollywood com a imprensa. Atividade 5 Segue abaixo a concluso do texto original. Para quem vive uma busca espiritual, o cuidado amoroso com a Me Terra, com a gua e com todo ser vivo fazem parte do testemunho de que Deus amor, est presente e atuante no universo. Apesar de todas as agresses e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salv-lo.Voltar ao sumrio

Em 2003, a UNESCO assumiu a Carta da Terra como instrumento educativo e referncia tica para o desenvolvimento sustentvel. Participaram ativamente de sua concepo humanista pensadores do mundo inteiro. preciso que a ONU assuma este documento que qualquer pessoa pode ler e comentar na Internet (basta consultar: carta da terra). o esboo de uma declarao dos direitos da Terra e toda a humanidade chamada a conhec-la e pratic-la.

RefernciasABREU, A. S. Curso de Redao. So Paulo: tica, 3 ed., 1991. BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. So Paulo: Hucitec, 1987. ________. Esttica da criao verbal. So Paulo: Martins Fontes, 1992. BARROS, M. Novos desafios para o planeta. Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009. GARCIA, O. Comunicao em prosa moderna. Rio de Janeiro: FGV, 1981. FEITOSA, V.C. Redao de Textos Cientficos. So Paulo: Papirus, s.d. HALLIDAY, M.A. K; HASAN. Language, context and text: aspect of language in a social-semiotic perspective. Deakin University Press. Oxford: OUP 1989. Homem virtual. Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009. MACHADO, S. J.; PINTO, A. C. F. Dimenso e horizonte de investimento e carteiras imunizadas: uma anlise sob a perspectiva das entidades de previdncia complementar. Revista Eletrnica de Administrao. Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009.

20 MOURA, M. L. S.; FERREIRA, M. C. Projetos de pesquisa. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2005. ROSSETTO, L. a pior calamidade ambiental que j enfrentamos, diz Lula, em SC. O GLOBO, 26. nov. 2008. Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009. RIBEIRO, Jefferson. Lula repassa terras da Unio a Roraima e diz que est pagando dvida. O GLOBO, 28 jan. 2009. Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009. STYCER, M. Crtico de cinema: profisso em extino? Disponvel em: . Acesso em 15 jun. 2009.

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Unidade 2Coeso textualApresentando a unidadeesta unidade, identificamos, ilustramos e comentamos os recursos mais eficazes para aumentar a coeso entre as partes dos pargrafos e dos textos. Antes de iniciarmos propriamen-te o tema desta unidade, observe a letra de msica abaixo, que muito se relaciona com o assunto desta unidade.

Definindo os objetivosAo final desta unidade, voc dever ser capaz de: 1. compreender a noo de coeso textual e sua importncia para uma boa legibilidade dos textos; 2. identificar as estratgias textuais que asseguram coeso ao discurso; 3. reconhecer e corrigir falhas textuais que comprometam a coeso do discurso; 4. produzir textos mais coesos.

N

Conhecendo a coeso textualMuitas vezes, ao escrevermos, temos boas ideias, mas sentimos dificuldades para relacion-las. Se no tomarmos cuidado, podemos acabar por lanar no papel uma srie de frases gramaticalmente corretas, mas que no se relacionam de forma clara entre si. Para que um conjunto de frases se torne um texto, preciso que haja coeso: que as ideias se entrelacem, completando-se e retomando-se, de modo que as frases sigam um fluxo lgico e contnuo, no parecendo blocos isolados. Quando um texto est coeso, temos a sensao de que sua leitura flui com facilidade. A origem do termo texto remete a tecido: um texto, como um tecido, deve entretecer seus fios de ideias, de modo que, nos pontos em que essas ideias se tocam, se estabelea a coeso textual. Para entender isso melhor, observe o conto abaixo, escrito por Clarice Lispector. Em sua composio, a autora, para encadear as partes do texto de forma clara e criativa, utiliza-se de uma srie de estratgias lingusticas, de modo a evitar a repetio sistemtica de palavras e a ligar de forma lgica as ideias. Para fins didticos, destacamos apenas alguns dos mecanismos de coeso que aparecem nesse texto, os quais sero explorados mais aprofundadamente ao longo da unidade. Por enquanto, reflita sobre a importncia das palavras em destaque na composio do conto.

A linha e o linho (Gilberto Gil)

a sua vida que eu quero bordar na minha Como se eu fosse o pano e voc fosse a linha E a agulha do real nas mos da fantasia Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia E fosse aparecendo aos poucos nosso amor Os nossos sentimentos loucos, nosso amor O ziguezague do tormento, as cores da alegria A curva generosa da compreenso Formando a ptala da rosa, da paixo A sua vida, o meu caminho, nosso amor Voc a linha e eu o linho, nosso amor Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa Reproduzidos no bordado A casa, a estrada, a correnteza O sol, a ave, a rvore, o ninho da beleza O texto acima revela a intimidade entre a linha e o linho, no s no plano da forma (por causa da estrutura parecida das duas palavras do ttulo), mas tambm no plano do significado (devido a ambas as palavras pertencerem ao campo da costura). Observe que o contedo dialoga diretamente com a noo de coeso textual, que estudaremos nesta unidade, afinal o fenmeno da coeso que costura as partes de um texto, garantindo-lhe coerncia e clareza. Nas prximas sees, voc estudar os mecanismos que deve empregar em seus textos, para que sejam sempre coesos e bem articulados.

Uma esperanaAqui em casa pousou uma esperana. No a clssica, que tantas vezes verifica-se ser ilusria, embora mesmo assim nos sustente sempre.

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22 Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto. Houve um grito abafado de um de meus filhos: Uma esperana! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoo dele tambm que unia em uma s as duas esperanas, j tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperana coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ningum saber, e no acima de minha cabea numa parede. Pequeno rebulio: mas era indubitvel, l estava ela, e mais magra e verde no poderia ser. Ela quase no tem corpo, queixei-me. Ela s tem alma, explicou meu filho e, como filhos so uma surpresa para ns, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanas. [...] Foi ento que farejando o mundo que comvel, saiu de trs de um quadro uma aranha. No uma aranha, mas me parecia a aranha. Andando pela sua teia invisvel, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperana. Mas ns tambm queramos e, oh! Deus, queramos menos que com-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperana: que no se mata aranha, me disseram que traz sorte... Mas ela vai esmigalhar a esperana! respondeu o menino com ferocidade. [...] Para encadear os acontecimentos da narrativa, mostrando que todos esto relacionados ao animal chamado esperana, a autora utilizou uma srie de palavras e expresses que remetem criatura que d ttulo ao conto: uma esperana, a clssica, que, a outra, o inseto, ela, entre outras. Assim, o texto no peca pela repetio desnecessria de palavras. O encadeamento dos fatos referentes a essa criatura tambm garantido por outras palavras, que estabelecem relaes de sentido entre os acontecimentos da narrativa; entre elas, destacam-se e, mas, e ento. No trecho Pequeno rebulio: mas era indubitvel, a palavra mas estabelece uma oposio entre as caractersticas atribudas ao rebulio: pequeno, porm indubitvel.Voltar ao sumrio

Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 1 Observe o resumo abaixo, referente ao artigo Pedagogia de projetos, de Lcia Helena Alvarez Leite. Aps uma primeira leitura para tomar cincia do sentido global do texto, destaque, em uma segunda leitura, algumas das expresses que estabelecem coeso entre as ideias apresentadas no resumo. Proceda de maneira semelhante apresentada na anlise do conto de Clarice Lispector. RESUMO: A discusso sobre Pedagogia de Projetos no nova. Ela surge no incio do sculo, com John Dewey e outros pensadores da chamada Pedagogia Ativa. J nessa poca, a discusso estava embasada numa concepo de que educao um processo de vida e no uma preparao para a vida futura e a escola deve representar a vida presente to real e vital para o aluno como o que ele vive em casa, no bairro ou no ptio (DEWEY, 1897). Os tempos mudaram, quase um sculo se passou e essa afirmao continua ainda atual. A discusso da funo social da escola, do significado das experincias escolares para os que dela participam foi e continua a ser um dos assuntos mais polmicos entre ns, educadores. As recentes mudanas na conjuntura mundial, com a globalizao da economia e a informatizao dos meios de comunicao, tm trazido uma srie de reflexes sobre o papel da escola dentro do novo modelo de sociedade, desenhado nesse final de sculo. nesse contexto e dentro dessa polmica que a discusso sobre Pedagogia de Projetos, hoje, se coloca. Isso significa que uma discusso sobre uma postura pedaggica e no sobre uma tcnica de ensino mais atrativa para os alunos.

Conhecendo os recursos de coeso textualPara conectar e relacionar as partes de um texto, vrios mecanismos podem ser adotados. A seguir, encontram-se os dois principais tipos de recursos de que voc pode se valer para garantir coeso e legibilidade quilo que escreve:

23 1. Coeso referencial A coeso referencial estabelecida por meio de expresses que retomam ou antecipam ideias. Esse tipo de coeso serve para evitar a repetio desnecessria de termos, alm de garantir que uma informao nova esteja conectada a outra que j havia sido mencionada. Tal articulao pode se dar basicamente de duas formas, como estudaremos a seguir: 1.1. Emprego dos pronomes na coeso referencial Observe o trecho abaixo, retirado do artigo Esporte e sade, de Selva Maria Guimares Barreto. Preste ateno ao papel dos pronomes (em negrito) na articulao do texto.

Esporte e SadeNos cursos de Educao Fsica est ocorrendo uma revoluo, que vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos: o que se tenta expor criticamente hoje a relao entre Esporte e Sade. Esta vinculao, infelizmente, no a mais usual, pois geralmente substituda por Esporte Sade pelo conhecimento popular, uma relao que aparenta ser uma verdade absoluta, quando no, obrigatoriamente, . Os novos conceitos trabalhados relacionam Esporte, Sade e Qualidade de Vida, de maneira a levantar o debate para refletirmos sobre os mesmos. O Esporte, como conceito, considerado uma atividade metdica e regular, que associa resultados concretos referentes anatomia dos gestos e mobilidade dos indivduos. Esta a conotao que podemos chamar de Esporte de alto nvel, veiculada nas mdias em geral, representada por pessoas executando gestos extremamente mecanizados, uniformes, com um certo gasto de energia para produzir um determinado tipo de movimento repetidas vezes. So gestos plsticos, muito organizados, moldados e com muitas regras, para que se possa obter algum resultado prtico. O Esporte pode ser encarado, dentro de outras pticas, tanto como o Esporte veiculado nas mdias, como uma atividade dentro de um grupo de amigos (na escola, na rua ou qualquer local). [...]

Voc j deve ter passado por problemas enquanto escrevia, porque no queria repetir desnecessariamente uma palavra. Evitar a reutilizao excessiva de determinada expresso garante elegncia ao seu texto, revelando uma elaborao cuidadosa. Os pronomes, como voc viu, so bastante teis para esse fim, pois permitem o encadeamento de ideias e podem substituir os termos a que se remetem. Observe a seguir como tal recurso foi empregado no artigo Esporte e sade. Nos cursos de Educao Fsica est ocorrendo uma revoluo, que vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos [...] No trecho acima, o pronome que evitou a repetio de revoluo. Assim, a autora ganhou em coeso, pois o trecho, sem o pronome, ficaria da seguinte forma: Nos cursos de Educao Fsica est ocorrendo uma revoluo. A revoluo vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos. De maneira semelhante, o texto apresenta o perodo abaixo: O Esporte, como conceito, considerado uma atividade metdica e regular, que associa resultados concretos referentes anatomia dos gestos e mobilidade dos indivduos. Tal frase poderia ser desdobrada em duas outras, mas isso atrapalharia uma leitura fluente do texto, tornando-o repetitivo. Observe: O Esporte, como conceito, considerado uma atividade metdica e regular. A atividade metdica e regular associa resultados concretos referentes anatomia dos gestos e mobilidade dos indivduos. H outros pronomes como esses (pronomes relativos), que ligam duas oraes e evitam a repetio de termos, como voc ver a seguir: l ONDE Esse pronome relativo, embora empregado com frequncia nos textos veiculados pela mdia, tem um uso bastante restrito: segundo a gramtica tradicional, tal pronome pode apenas indicar a noo de lugar.

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24 Exemplos: O Brasil um pas onde o incentivo educao primordial. A frase est correta de acordo com a norma dita culta, pois o pronome onde retoma a palavra pas, que indica a noo de lugar em que. CUJO Tal pronome estabelece, geralmente, relao de posse entre dois substantivos. Observe que ele deve concordar com o termo que o sucede, o qual no pode vir acompanhado por um artigo.l

Exemplos: (a) Machado de Assis um autor cujas obras so estudadas at hoje. A frase (a) est de acordo com a norma culta, pois cujo est conectando dois substantivos (autor e obras), estabelecendo entre eles uma relao de posse, pois as obras pertencem ao autor. Veja agora: (b) Animais cujos os filhos so amamentados so chamados de mamferos. A frase (b) estabelece uma relao de posse entre dois substantivos (animais e filhos), mas erra ao pr o artigo os entre cujos e filhos.l O QUE Essa expresso no substitui, como os pronomes relativos anteriormente mencionados, uma palavra, mas sim uma orao inteira. Observe:

Exemplo: A democracia eletrnica permite uma eficaz articulao entre cidado e governo, o que facilita processos de consulta pblica, como referendos via Internet. Na frase acima, o que evita a repetio no de uma palavra, mas de toda a orao que o antecede, funcionando como o sujeito do verbo facilitar. Alm dessas, h outras estratgias no uso do pronome que estabelecem coeso entre as partes de um texto. Observe o exemplo retirado do texto de Esporte e sade: Nos cursos de Educao Fsica est ocorrendo uma revoluo, que vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos: o que se tenta expor criticamente hoje a relao entre Esporte e Sade. Esta vinculao, infelizmente, no a mais usual, pois geralmente substituda por Esporte Sade pelo conhecimento popular, uma relao que aparenta ser uma verdade absoluta, quando no, obrigatoriamente, .Voltar ao sumrio

Veja que, dessa vez, o pronome no conectou duas oraes em uma mesma frase, mas duas frases diferentes. Geralmente, isso feito por um pronome como esse(a), este(a), isso ou isto. Tais palavras, chamadas pronomes demonstrativos, costumam apontar para outra ideia no texto, que j tenha sido mencionada ou que ainda ser expressa. No exemplo analisado, o pronome esta, ligado a vinculao, refere-se ideia vinculada em Esporte e Sade, expresso que j havia sido mencionada na frase anterior. No entanto, preciso observar que a maioria dos gramticos tradicionais preferem o uso de esse, essa e isso, quando o pronome se refere a algo que j foi dito. Assim, uma melhor redao do trecho seria: Nos cursos de Educao Fsica est ocorrendo uma revoluo, que vem provocando questionamentos sobre alguns conceitos: o que se tenta expor criticamente hoje a relao entre Esporte e Sade. Essa vinculao, infelizmente, no a mais usual, pois geralmente substituda por Esporte Sade pelo conhecimento popular, uma relao que aparenta ser uma verdade absoluta, quando no, obrigatoriamente, . Situao semelhante ocorre no trecho abaixo, extrado do mesmo artigo: O Esporte, como conceito, considerado uma atividade metdica e regular, que associa resultados concretos referentes anatomia dos gestos e mobilidade dos indivduos. Esta a conotao que podemos chamar de Esporte de alto nvel, veiculada nas mdias em geral, representada por pessoas executando gestos extremamente mecanizados, uniformes, com um certo gasto de energia para produzir um determinado tipo de movimento repetidas vezes. O pronome esta retoma o contedo de toda a frase anterior, atribuindo-lhe os novos sentidos da segunda frase. No entanto, como se trata de remisso a algo que j havia sido dito, seria mais adequado o uso de essa. Geralmente, os pronomes este, esta e isto referem-se a algo que ainda ser mencionado. Observe a frase abaixo como modelo, pois o pronome isto aponta no para uma informao anterior, mas para algo que se apresenta depois dele: a palavra violncia. Exemplo: O que me assusta no Brasil isto: a violncia. importante atentar, alm disso, para uma construo muito comum em textos acad-

25 micos, em que h duas referncias consecutivas a termos que foram mencionados. Exemplo: O Brasil exporta cacau e soja. Esta plantada na regio Sul; aquele, no Nordeste. Embora ambos os pronomes em destaque refiram-se a palavras j mencionadas, no se usam os pronomes esse, essa e isso nesse caso. Convencionou-se que, em situaes como essa, devem-se usar este/esta/isto para apontar para a palavra mais prxima (soja) e aquele/aquela/aquilo para a palavra mais distante (cacau). Atividade 3 Observe os pargrafos abaixo e identifique neles problemas decorrentes do mau uso das estratgias de coeso referencial. 1. Giddens descreve o surgimento da Teoria da estruturao a partir do encontro de vrias correntes tericas com as quais foi se familiarizando nos anos 60, como o Marxismo. Pontua o seu princpio na continuidade da vida social, em que as estruturas dependem das aes dos indivduos e s existem na medida em que as pessoas agem no contexto a partir de seu referencial interno. 2 . As feias que me perdoem, mas beleza fundamental. Essa citao do poeta brasileiro Vincius de Moraes mostra-se no s politicamente incorreta, mas tambm caduca nos dias de hoje. A atualidade enxerga a mulher sob uma nova perspectiva, no mais atrelada sua constituio fsica, como um objeto, mas voltada para aspectos como fora de trabalho, produo intelectual e igualdade de direitos. Ela revela, assim, mudanas profundas em sua constituio. 1.2. Emprego de itens do lxico na coeso referencial Quando voc escreve um texto, interrompe mais de uma vez o processo de composio, em busca de expresso que substitua alguma palavra que voc j utilizou. A coeso lexical conecta as partes do texto e evita a repetio vocabular, por meio do uso de substantivos, verbos e adjetivos, o que exige um vocabulrio amplo, adquirido com a leitura constante e frequentes consultas ao dicionrio. Para entender melhor esse tipo de estratgia coesiva, observe o trecho abaixo, retirado do artigo Anlise da publicidade de medicamentos veiculada em Gois Brasil, de Johnathan S. de Freitas et alii: A propaganda/publicidade um conjunto de tcnicas utilizadas com o objetivo de divulgar conhecimentos e/ou promover adeso a princpios, ideias ou teorias, visando exercer influncia sobre o pblico atravs de aes que objetivem promover determinado medicamento com fins comerciais (BRASIL, 2000). Quando tais tcnicas so utilizadas apenas com a finalidade de ampliar lucros em detrimento da qualidade da informao veiculada, ocultando ou diminuindo os aspectos negativos e superestimando os benefcios do produto medicamentoso, surgem questes de cunho tico, uma vez que, podem promover o uso irracional de medicamentos e,

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 2 Os trechos abaixo poderiam se tornar mais coesos, caso fosse empregado o recurso da coeso referencial. Aplique tal estratgia coesiva, unindo as informaes em uma nica frase. 1. Este o pas. Moro no pas. 2. Este o pas. O pas se chama Brasil. 3. No se sabe onde est o livro. Dependo do livro para fazer um trabalho. 4. Perguntei-lhe o nome. Baseou-se no nome para tomar sua deciso. 5. Os Estados Unidos conduziram uma incurso destruidora no Iraque. Os soldados dos Estados Unidos alegavam defender sua ptria. 6. O corpo humano percorrido por um sistema circulatrio. Pelo sistema circulatrio so conduzidos os nutrientes s clulas. 7. O verbo concorda com o sujeito. O ncleo do sujeito no pode ser uma preposio. 8. O Brasil foi descoberto pelos portugueses. Nos navios dos portugueses foi transportado pau-brasil.

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado.Voltar ao sumrio

26 consequentemente, danos sade e economia. [...] Existem diversos casos em que a propaganda e publicidade de medicamentos tm apresentado estes produtos como solues rpidas para diversos problemas de sade que acometem a populao, sem levar em considerao o risco sanitrio intrnseco que todo produto medicamentoso possui. Para evitar a repetio desnecessria de palavras, o autor usou expresses como produto medicamentoso e simplesmente produto para se referir a medicamento, garantindo a coeso textual. Veja a seguir algumas estratgias para o bom uso de itens do lxico a fim de tornar seus textos mais coesos. 1.2.1. Uso de sinnimos Essa a estratgia a que mais recorremos enquanto escrevemos, embora nem sempre seja fcil encontrar um sinnimo. Dificilmente um par de sinnimos pode ser considerado perfeito, isto , com um elemento podendo ser trocado pelo outro em qualquer contexto. Quando voc leu o texto acima, deve ter se perguntado por que o autor no usou a palavra remdio para se referir a medicamento. Tal substituio no foi feita, pois, como acabamos de ver, esse no um par de sinnimos perfeitos. Segundo o Grande Dicionrio Portugus ou Tesouro da Lngua Portuguesa, de Domingos Vieira, Remdio tem um sentido mais amplo que medicamento. O remdio compreende tudo o que empregado para a cura de uma doena. [...] O exerccio pode ser um remdio, porm nunca um medicamento. Assim, preciso ter cuidado no uso de sinnimos, especialmente no texto acadmico, do qual se espera grande preciso. No texto que estamos analisando, o autor preferiu utilizar produtos medicamentosos como sinnimo de medicamentos. 1.2.2. Uso de hipernimos Um hipernimo uma palavra com sentido mais genrico do que uma outra, chamada de hipnimo. O significado de um hipernimo contm o significado de vrios hipnimos ao mesmo tempo, como no caso de produtos (hipernimo) e medicamentos (hipnimo), palavras retiradas do artigo aqui analisado. Ao se referir a produtos, o autor nos remete diretamente a medicamentos, nico produto queVoltar ao sumrio

j havia sido citado. No entanto, se o texto tambm falasse de cosmticos, seria necessrio buscar outra forma de estabelecer coeso, pois produtos engloba tanto medicamentos quanto cosmticos. Tal relao pode ser definida da seguinte forma:

Essa estratgia garante que o leitor recupere a relao entre as partes do texto sem que o autor precise repetir desnecessariamente palavras. Voc deve tomar cuidado, porm, para no usar um hipernimo vago demais, como coisa, por exemplo. Tal palavra poderia ser interpretada como se referindo a praticamente qualquer item mencionado no texto, gerando grave ambiguidade. 1.2.3. Uso de perfrases A perfrase uma construo complexa para designar algo para o qual h uma expresso mais simples. No caso do texto analisado, o autor poderia ter empregado uma perfrase para remeter a medicamentos, escrevendo, por exemplo, substncias empregadas no tratamento de uma afeco ou de uma manifestao mrbida. Para isso, o uso de dicionrios e de boas fontes de consulta imprescindvel, de modo que voc possa apresentar informaes precisas. A perfrase permite que voc acrescente novos dados ao tpico sobre o qual voc est escrevendo, como propusemos ao criar a perfrase substncias empregadas no tratamento de uma afeco ou de uma manifestao mrbida. Nesse caso, tal construo acrescentaria ao texto uma informao sobre a funo do medicamento. O uso das perfrases pode ser til para voc reforar seu ponto de vista ao longo de um texto dissertativo. Veja a seguir dois exemplos: Exemplos: (a) Deve ser permitido o porte de armas a civis, pois a sociedade est cada vez mais violenta. impensvel a vida em uma grande sociedade sem esses instrumentos que garantem a

27 autodefesa do cidado. (b) Apesar da crescente onda de violncia nas grandes capitais, deveria ser proibido a civis o porte de armas. absurdo haver cidados comuns portando esses instrumentos de ameaa vida e integridade fsica do outro. Em (a), sendo o autor favorvel ao porte de armas, valeu-se de uma perfrase (em negrito) que refora essa ideia, valorizando as vantagens trazidas por esses instrumentos. Por outro lado, como em (b) o autor contrrio ao porte de armas, utilizou uma perfrase que reafirma tal ponto de vista, destacando as consequncias negativas do uso desses objetos. megaprojeto chins do Rio Yangtse, com capacidade de 18.200 megawatts, que far com que supere Itaipu, transformando-se na maior usina do mundo. O projeto contempla iniciativas que comeam pelo telhado, cujo terrao acumula 70% da gua da chuva e filtra os agentes poluentes, utilizando espcies naturais de Pequim, alm de painis solares, que fornecem 10% de toda a energia consumida no edifcio. 2. Coeso sequencial Para que um texto seja coeso, no basta evitar a repetio desnecessria de palavras, retomando, pelos mecanismos que vimos acima, termos que j haviam sido mencionados. preciso tambm estabelecer relaes lgicas entre as ideias expressas, o que especialmente importante em gneros de escrita acadmica. Para estabelecer relaes lgicas entre as ideias, utilizamos conectivos, como preposies e conjunes. Observe o trecho abaixo, retirado do artigo Mensurao da glicemia em ces mediante a utilizao do glicosmetro porttil: comparao entre amostras de sangue capilar e venoso, de G. A. S. Aleixo. Atente para os conectivos em negrito e sua funo no encadeamento das ideias: A glicose constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia, por isso necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio (BUSH, 2004). Nveis glicmicos alterados (elevao ou reduo) trazem consequncias negativas para o corpo e a maneira mais adequada de reduzir essas complicaes tentando manter o equilbrio. Para isso se faz necessrio realizar medies da glicemia (PICA et al., 2003). As diferentes tcnicas de monitoramento da glicose no sangue podem ser classificadas em laboratorial e porttil. A primeira opo mais confivel, entretanto, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais (PICA et al., 2003). Outra desvantagem observada a necessidade de maiores volumes de sangue (trs mililitros) para realizar o teste (GROSS et al., 2002). Alm disso, preciso muito cuidado e agilidade ao manipular uma amostra que ser submetida dosagem de glicose no laboratrio, pois o consumo desse carboidrato pelos eritrcitos no sangue ocorre na taxa de aproximadamente

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 4 Observe o trecho abaixo, retirado do artigo Edifcios ecolgicos, de Francisco Maia Neto. Identifique, no texto, os itens lexicais que retomam a palavra em destaque, estabelecendo com ela coeso referencial: Criticada mundialmente pela pouca preocupao com o meio ambiente, a China anunciou recentemente que est investindo em construes ambientalmente responsveis, tendo sido lanado seu primeiro edifcio ecolgico, com uma economia de at 70% de energia e 60% de gua, o que lhe valeu uma certificao internacional. Concebida por profissionais americanos e chineses, esta construo destinada a escritrios constitui-se no primeiro edifcio no pas a receber o LEED, sigla em ingls de Liderana em Energia e Design Ambiental, que um certificado criado por um grupo de empresrios da construo nos Estados Unidos, preocupados com a preservao do meio ambiente. Para imaginarmos a dimenso da iniciativa, foi feita uma projeo sobre o impacto que resultaria se esta tecnologia fosse aplicada em todos os edifcios comerciais na China. A economia energtica obtida anualmente seria equivalente Usina Hidreltrica de Trs Gargantas, oVoltar ao sumrio

28 10% por hora em temperatura ambiente. Esse consumo pode ser ainda mais acelerado se a amostra estiver contaminada com microrganismos ou em ambientes quentes (COLES, 1984; KANEKO, 1997). Logo na primeira frase, as duas principais ideias (o aproveitamento da glicose e a necessidade de manter sua concentrao equilibrada so ligadas pelo conectivo por isso. A escolha dele estabelece entre essas ideias uma relao de concluso, de modo que, em consequncia do constante aproveitamento da glicose, seja necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio. Observe agora o perodo: A primeira opo mais confivel, entretanto, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. Nessa frase, h mais de um conectivo estabelecendo relaes lgicas entre as ideias. A palavra entretanto, por exemplo, indica uma oposio, contrastando a confiabilidade (aspecto positivo) e a restrio (aspecto negativo) das tcnicas laboratoriais de monitoramento da glicose. J a palavra por indica um valor de causa, de modo que a gerao de maiores custos o motivo de restringir tais tcnicas. Por fim, o conectivo e tem valor de adio, somando os locais a que se restringem as tcnicas laboratoriais de monitoramento da glicose: clnicas e hospitais. A seguir apresentamos as principais ideias que os conectivos podem acrescentar ao encadeamento da frase. 2.1. Relao de causa-consequncia Essa uma das relaes mais comuns na construo de um texto. possvel estabelec-la por uma srie de mecanismos diferentes. Como exemplo, vamos retomar uma frase do texto. A glicose constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia, por isso necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio. Conforme voc j viu, esse conectivo introduz uma ideia de consequncia a algo que havia sido dito antes. Essa frase poderia tambm ter sido dita de outras formas. Veja: Exemplos: (a) A glicose constantemente aproveitaVoltar ao sumrio

da pelas clulas do corpo como fonte de energia, logo necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio. (b) A glicose constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia, portanto necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio. (c) A glicose constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia; necessrio, pois, manter sua concentrao no sangue em equilbrio. (d) A glicose constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia, de modo que necessrio manter sua concentrao no sangue em equilbrio Observe que em (c) h uma construo pouco comum na fala cotidiana. Geralmente, a palavra pois empregada para introduzir uma causa. Na frase que estamos analisando, no entanto, esse conectivo est introduzindo uma consequncia. Para isso, deve ser posicionado aps o verbo da orao em que se encontra. Outros conectivos que expressam relaes de consequncia (ou concluso) so assim, ento, por conseguinte, em vista disso. Se voc inverter a estrutura dessa frase, passando o conectivo para a outra orao, no haver mais ideia de consequncia, mas sim de causa. Na verdade, essas ideias esto intimamente relacionadas. Observe: (a) necessrio manter a concentrao de glicose no sangue em equilbrio, porque ela constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia. (b) necessrio manter a concentrao de glicose no sangue em equilbrio, pois ela constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia. (c) necessrio manter a concentrao de glicose no sangue em equilbrio, visto que ela constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia. (d) necessrio manter a concentrao de glicose no sangue em equilbrio, j que ela constantemente aproveitada pelas clulas do corpo como fonte de energia. Observe que em (b) o emprego da palavra pois corresponde ao uso mais frequente na lngua. Nesse caso, para expressar ideia de causa, esse conectivo deve ser posicionado antes do verbo da orao em que se encontra. Outros conectivos que expressam relaes

29 de causa so dado que, como, uma vez que, porquanto, por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, por motivo de, por razes de. 2.2. Relao de oposio Observe a frase: A primeira opo mais confivel, entretanto, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. A palavra entretanto reala o contraste que h entre a confiabilidade e a restrio da primeira opo. Tal frase poderia ser reescrita de vrias outras formas, mantendo seu sentido bsico. Exemplos: (a) A primeira opo mais confivel, mas, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b) A primeira opo mais confivel, porm, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (c) A primeira opo mais confivel, no entanto, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (d) A primeira opo mais confivel, todavia, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (e) A primeira opo mais confivel, contudo, por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. Veja que, embora todos esses conectivos expressem basicamente a mesma ideia, tm um comportamento sinttico diferente: exceo de mas, todos os outros tm mobilidade na orao, podendo ser posicionados em diferentes locais da frase. Exemplos: (b.1) A primeira opo mais confivel; por gerar maiores custos, porm, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.2) A primeira opo mais confivel; por gerar maiores custos, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais, porm. Da mesma maneira que na seo referente s relaes de causa-consequncia, voc tem aVoltar ao sumrio

opo de mudar o conectivo de orao para expressar uma mesma oposio. No entanto, embora a relao entre as ideias continue sendo de oposio, a nfase muda. Veja: Exemplos: (a) A primeira opo mais confivel, mas seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b) Embora a primeira opo seja mais confivel, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. O conectivo mas e seus equivalentes, vistos acima, introduzem a orao a que se quer dar nfase. O conectivo embora e seus equivalentes, vistos a seguir, reduzem a importncia do fato expresso pela orao que introduzem. Veja agora construes equivalentes s de (b). Exemplos: (b.1) Apesar de que a primeira opo seja mais confivel, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.2) Mesmo que a primeira opo seja mais confivel, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.3) Ainda que a primeira opo seja mais confivel, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.4) Posto que a primeira opo seja mais confivel, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.5) No obstante a confiabilidade da primeira opo, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.6) Malgrado a confiabilidade da primeira opo, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. (b.7) A despeito da confiabilidade da primeira opo, seu uso fica restrito aos laboratrios de anlises clnicas e hospitais. 2.3. Relao de condio Observe a frase a seguir, retirada do artigo que estamos analisando: Esse consumo pode ser ainda mais acelerado se a amostra estiver contaminada com microrganismos ou em ambientes quentes. Nesse caso, o conectivo se apresenta a contaminao da amostra como uma condio para a acelerao do consumo. Veja que, com algumas modificaes nos tempos verbais, essa

30 frase poderia ser escrita de outras maneiras. Exemplos: (a) Esse consumo pode ser ainda mais acelerado caso a amostra esteja contaminada com microrganismos ou em ambientes quentes. (b) Esse consumo pode ser ainda mais acelerado, desde que a amostra esteja contaminada com microrganismos ou em ambientes quentes. (c) Esse consumo pode ser ainda mais acelerado, contanto que a amostra esteja contaminada com microrganismos ou em ambientes quentes. 2.4. Relao de finalidade Observe agora o seguinte trecho retirado do texto: Nveis glicmicos alterados (elevao ou reduo) trazem consequncias negativas para o corpo e a maneira mais adequada de reduzir essas complicaes tentando manter o equilbrio. Para isso se faz necessrio realizar medies da glicemia. Nesse contexto, o conectivo para isso estabelece que a manuteno do equilbrio a finalidade (ou objetivo) das medies da glicemia. Veja, abaixo, como essas ideias poderiam ser reunidas em apenas uma frase, por meio de diferentes conectivos. Exemplos: (a) Para que se mantenha o equilbrio, faz-se necessrio realizar medies da glicemia. (b) A fim de que se mantenha o equilbrio, faz-se necessrio realizar medies da glicemia. (c) Com o objetivo de manter o equilbrio, faz-se necessrio realizar medies da glicemia. (d) Com o intuito de manter o equilbrio, faz-se necessrio realizar medies de glicemia. Observe, por fim, que h outras relaes lgicas que podem ser estabelecidas por conectivos, como adio, tempo, conformidade, comparao, proporcionalidade etc. go A dependncia qumica, de Jlio Cruz. Identifique o valor semntico dos conectivos em destaque e sugira outros que possam substitu-los, sem acarretar mudanas no significado bsico: A srie de captulos penosos protagonizada pelo ator global Fbio Assuno traz baila mais uma vez a discusso da temtica que mais tem afligido nossa sociedade nos ltimos anos: a dependncia qumica. Uma sndrome caracterizada pelo uso de substncias psicoativas nas quais se incluem o lcool, a maconha, a cocana e o crack, em troca das sensaes de tranquilidade e de prazer. Avaliando a intermitente ampliao deste panorama, pode-se perceber quo complexa a matria e constatar que a dependncia qumica j faz parte de nossas estatsticas mais nefastas, quando grifam o expressivo nmero de acidentes de trnsito e crimes que tm origem no uso das drogas. Levar sociedade um maior nmero de informaes significar permitir compreender que a dependncia qumica uma doena e no uma opo de vida, e que essa doena gera consequncias danosas ao indivduo e s pessoas que dele esto prximas. Faz-se relevante compreender que a doena no se inicia com a dependncia qumica, pois, de antemo, o usurio j se encontra doente existencialmente, indo procurar nas drogas a cura de suas feridas mais ntimas, fato reconhecido pela Organizao Mundial de Sade. Por outro lado, a falta de transmisso de notcias precisas acaba gerando conceitos errados, tanto sobre o usurio da droga quanto sobre o mito que ela tem de solucionar problemas. Nesse sentido, saliente-se que os familiares do usurio so de fundamental importncia para o aprendizado de quais atitudes se devem tomar perante tal problema, mesmo porque muitos dos dependentes qumicos iniciam seu relacionamento com drogas exatamente no lugar onde se suporia que estariam mais seguros: dentro de seus prprios lares.

Exercitando Antes de avanar para um novo assunto, que tal pr em prtica o que voc acabou de ver na unidade? Se voc encontrar dificuldades para realizar a tarefa a seguir, retome o contedo aqui estudado. Atividade 5 Observe abaixo o trecho retirado do artiVoltar ao sumrio

Glossriol Pronome palavra que substitui ou acompanha nomes; l Norma dita culta (ou norma-padro) variedade lingustica de prestgio em uma comunidade, sendo a forma consagrada em textos

31 acadmicos e jornalsticos; l Lxico conjunto aberto de palavras da lngua, que abrange todos os substantivos, verbos e adjetivos, bem como alguns advrbios. no contexto a partir de seu referencial interno. Comentrio: A que palavras/expresses se referem os pronomes em destaque? O leitor fica confuso ao ter contato com essas frases, dado o carter ambguo delas. No se sabe se o autor est falando do princpio das vrias correntes tericas ou do Marxismo, nem se est falando sobre o referencial interno das pessoas ou do contexto. l As feias que me perdoem, mas beleza fundamental. Essa citao do poeta brasileiro Vincius de Moraes revela-se no s politicamente incorreta, mas tambm caduca nos dias atuais. A atualidade enxerga a mulher sob uma nova perspectiva, no mais atrelada sua constituio fsica, como um objeto, mas voltada para aspectos como fora de trabalho, produo intelectual e igualdade de direitos. Ela revela, assim, mudanas profundas em sua constituio. Comentrio: Novamente, trata-se de uma construo ambgua. A que palavra o pronome ela remete? A atualidade ou a mulher? Atividade 4 primeiro edifcio no pas, construo, iniciativa, projeto e edifcio. Atividade 5 l E relao de adio, podendo ser reescrito o trecho com alm de; l Quando relao de tempo, podendo ser reescrito o trecho com no momento em que grifam ou ao grifarem; l E no relao de oposio, podendo ser reescrito o trecho com em vez de; l Pois relao de causa (ou explicao), podendo ser reescrito o trecho com visto que, j que, porque etc.; l Por outro lado relao de oposio, podendo ser reescrito o trecho com todavia, contudo, entretanto, no entanto etc.; l Tanto quanto relao de adio, podendo ser reescrito o trecho com no s sobre o usurio da droga, mas tambm sobre o mito; l Para relao de finalidade, podendo ser reescrito o trecho com a fim de que se aprendam ou para que se aprendam; l Mesmo porque relao de causa, podendo ser reescrito o trecho com visto que, haja vista que, j que etc.