Diferenciais Regionais e Setoriais na Indústria Brasileira · existence of big regional...

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Diferenciais Regionais e Setoriais na Indústria Brasileira João Saboia e Lucia Kubrusly Resumo O artigo desenvolve dois tipos de índices que permitem comparar a indústria de transformação e extrativa mineral em termos regionais e setoriais. Inicialmente, é apresentado um índice bastante simples baseado na metodologia do IDH. Em seguida, a partir de técnicas de estatística multivariada, é proposto um índice mais elaborado. A utilização dos dois índices mostra resultados coerentes, confirmando os diferenciais setoriais e regionais existentes na indústria brasileira. Por outro lado, a utilização da análise de grupamento permite agregar os diversos segmentos industriais segundo seu nível de desenvolvimento. Palavras-chave: indústria brasileira, descentralização industrial, diferenciais regionais da indústria. Abstract Two indicators for the Brazilian industry are developed. The first one uses the methodology of HDI while the second is based on multivariate statistics techniques. Both confirm the existence of big regional inequalities in Brazilian industry. The application of cluster analysis on the data separates the industry in various groups according to its level of development. Key-words: Brazilian industry, industrial decentralization, industrial regional differences.

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Diferenciais Regionais e Setoriais na Indstria Brasileira

Joo Saboia e Lucia Kubrusly

Resumo O artigo desenvolve dois tipos de ndices que permitem comparar a indstria de transformao e extrativa mineral em termos regionais e setoriais. Inicialmente, apresentado um ndice bastante simples baseado na metodologia do IDH. Em seguida, a partir de tcnicas de estatstica multivariada, proposto um ndice mais elaborado. A utilizao dos dois ndices mostra resultados coerentes, confirmando os diferenciais setoriais e regionais existentes na indstria brasileira. Por outro lado, a utilizao da anlise de grupamento permite agregar os diversos segmentos industriais segundo seu nvel de desenvolvimento. Palavras-chave: indstria brasileira, descentralizao industrial, diferenciais regionais da indstria.

Abstract

Two indicators for the Brazilian industry are developed. The first one uses the methodology of HDI while the second is based on multivariate statistics techniques. Both confirm the existence of big regional inequalities in Brazilian industry. The application of cluster analysis on the data separates the industry in various groups according to its level of development. Key-words: Brazilian industry, industrial decentralization, industrial regional differences.

Diferenciais Regionais e Setoriais na Indstria Brasileira

Joo Saboia e Lucia Kubrusly1

1. Introduo Muitos autores tm estudado o fenmeno dos deslocamentos regionais ocorridos na economia brasileira, em especial no setor industrial. Embora as atividades econmicas continuem concentradas na regio Sudeste, especialmente no estado de So Paulo, teria havido um processo de descentralizao em direo s regies menos desenvolvidas e ao interior dos estados. Enquanto alguns acreditam na continuidade do processo de descentralizao, outros identificam sinais de reverso da tendncia observada no passado. Por outro lado, tem se buscado entender as razes para os deslocamentos regionais ocorridos na atividade econmica nas ltimas dcadas.2 Diversas explicaes tm sido levantadas pelos especialistas que tm estudado o tema. Entre elas podem ser mencionadas: a busca por regies onde os salrios so mais baixos; o deslocamento para locais distantes dos centros metropolitanos onde a mo-de-obra e os sindicatos so menos organizados; os diversos incentivos fiscais ou de outra natureza oferecidos pelos governos locais; a atrao da regio Sul por estar prxima dos principais centros consumidores e dos pases do Mercosul; e a localizao nas proximidades das fontes de matrias-primas, como no caso da regio Centro-Oeste, que tem atrado atividades ligadas agroindstria por conta do deslocamento da fronteira agrcola do pas. Tendo em vista os motivos apontados para os deslocamentos espaciais da indstria brasileira nos ltimos anos, poderia estar ocorrendo uma tendncia a uma maior homogeneidade regional. As regies receptoras de novas empresas industrias estariam recebendo novas plantas, em princpio mais modernas que as existentes na origem. Por outro lado, com a maior demanda por mo-de-obra local poderia estar ocorrendo uma elevao dos nveis salariais nas regies menos desenvolvidas, aproximando-se do encontrado nas reas mais desenvolvidas. Seria, portanto, de se esperar uma menor heterogeneidade na comparao das empresas de um determinado setor entre as diferentes regies. Este trabalho procura identificar os diferenciais no nvel de desenvolvimento dos diversos setores da indstria de transformao e extrativa mineral em termos regionais. Busca-se com isso confirmar ou no os desnveis existentes tanto entre setores industriais quanto

1 Joo Saboia professor titular e Lucia Kubrusly professora adjunta do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os autores agradecem a Rafel Cezar pelo auxlio no tratamento dos dados. 2 Ver, por exemplo, Diniz e Crocco (1996), Cano (1997), Pacheco (1999), Andrade e Serra (2000), Saboia (2000 e 2001), Caiado (2002), Ramos e Ferreira (2005a e 2005b) e Rezende e Willie (2005). Enquanto a maior parte dos estudos especfica da indstria, alguns tratam da economia em geral.

entre regies. Por outro lado, pretende-se determinar a existncia de semelhanas entre os setores industriais, procurando agreg-los em grupos com caractersticas relativamente homogneas.3 Com esse objetivo, a indstria ser desagregada segundo o conceito de diviso, sendo representada por um total de 27 segmentos industriais. A fonte de dados a RAIS e o perodo estudado o qinqnio 1999/2003. Trs caractersticas dos trabalhadores (remunerao, escolaridade e ocupao) so utilizadas para a determinao do nvel de desenvolvimento da indstria. Em outras palavras, supe-se que os setores mais desenvolvidos nas diferentes regies so aqueles que pagam os melhores salrios, empregam a mo-de-obra mais escolarizada e possuem os maiores percentuais de trabalhadores tcnicos e cientficos. Sempre poder ser argumentado que os resultados apresentados neste artigo esto baseados em apenas trs estatsticas levantadas da RAIS. Tais dados, entretanto, so bastante representativos do setor analisado. Remunerao, escolaridade e incidncia de trabalhadores tcnicos ou cientficos esto claramente associadas com o nvel de modernizao e de produtividade da indstria, podendo ser utilizadas como proxies para determinar o grau de desenvolvimento da indstria de um pas. Para a comparao intersetorial/regional, as trs variveis referentes s caractersticas dos trabalhadores so transformadas em indicadores da indstria utilizando-se duas tcnicas distintas. Inicialmente, de maneira bem simples, atravs de metodologia similar utilizada no ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Em seguida, com o uso de tcnicas de estatstica multivariada (anlise de componentes principais e de grupamentos), que permitem, no apenas a ordenao dos setores industriais, como tambm sua agregao em conjuntos de setores semelhantes. Como ser visto adiante, as duas metodologias fornecem resultados coerentes e que se complementam. O artigo possui mais quatro sees. Na prxima, so apresentados e discutidos os dados utilizados no trabalho. A seo 3 apresenta a primeira verso dos indicadores, enquanto na seo 4 desenvolvida a anlise multivariada, permitindo a ordenao e o agrupamento dos setores industriais. Nesta seo, feita tambm uma comparao entre os resultados encontrados com as duas metodologias. Finalmente, na seo 5, so apresentados os comentrios finais e as principais concluses. H ainda um anexo metodolgico.

3 Diferentemente da maior parte da bibliografia mencionada acima, este artigo est menos voltado para a discusso do processo de descentralizao em si, e mais para a diferenciao regional da indstria, seguindo a linha desenvolvida em Saboia (2001). A principal novidade a utilizao de tcnicas estatsticas multivariadas num perodo mais recente e com um maior nvel de desagregao da indstria.

2. Apresentao dos Dados Utilizados

Nesta seo so apresentados os dados da RAIS que servem de referncia para o restante do trabalho. Conforme mencionado acima, foi coberto o qinqnio 1999/2003, sendo utilizados os dados de remunerao mdia, escolaridade e ocupao dos trabalhadores. Exceto pelos resultados mais favorveis do ano 2000, trata-se de um perodo em que a economia brasileira passou por srias dificuldades e o PIB apresentou baixo crescimento.

2.1 Rendimento

H grandes desnveis entre as remuneraes nas vrias regies e setores da indstria. Em 2003, o nvel mdio variava entre R$ 413 na regio Nordeste e R$ 790 no Sudeste (Grfico 1). Em termos setoriais, os valores extremos eram encontrados na extrao de petrleo (R$ 2718) e na confeco de artigos de vesturio (R$ 296), uma relao de quase de dez para um.4

Grfico 1 - Rendimento Real Mdio por Regio - 1999/2003

300

350

400

450

500

550

600

650

700

750

800

850

900

1999 2000 2001 2002 2003

Norte Nordeste Sudeste Sul CO

Em Reais de 1999 (deflacionado pelo INPC)

Fonte: Rais

Em geral, os diferenciais de rendimento inter regionais de cada segmento da indstria so elevados. No caso da indstria de extrao de petrleo e gs natural, por exemplo, o rendimento mdio chegava a R$ 4208 na regio Norte, enquanto no passava de R$ 425 na regio Centro Oeste em 2003. Em outros casos, como na indstria de couros e calados e na

4 Para efeito comparativo, os rendimentos esto medidos em reais de 1999. O deflacionamento feito pelo INPC.

confeco de artigos de vesturio, h certa uniformidade nos baixos salrios pagos nas diferentes regies. O nvel mdio de rendimento sofreu pequena queda de 5% no perodo. O resultado, entretanto no foi homogneo entre as regies com elevao na regio Nordeste, estabilidade no Centro-Oeste e queda nas demais. Da mesma forma, embora a regra geral tenha sido de queda no rendimento mdio dos diversos setores, houve alguns casos de crescimento. Quando considerados as 27 divises industriais, verifica-se que o aumento do nvel de remunerao est concentrado na indstria do petrleo extrao de petrleo e gs natural (39%) e fabricao de coque, refino de petrleo etc (85%). As maiores quedas ocorreram na indstria de reciclagem (18%) e edio, impresso e reproduo de gravaes (16%) (Grfico 2).

Grfico 2 - Variao Percentual do Rendimento Mdio Real por Diviso - 1999/2003

-18-16

-14-12

-9-9-8-8-8-7

-6-6-5-4-4-4

-1-1-1

033

56

839

85

ReciclagemEdio, impresso e reproduo de gravaes

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com....Extrao de minerais metlicosFabricao de mquinas, aparelhos e materiais eltricos

Fabricao de produtos alimentares e bebidasConfeco de artigos do vesturio e acessriosFabricao de artigos de borracha e plstico

Fabricao de maquinas e equipamentosFabricao de produtos de metal - exclusive mquinas e equipamentos

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria...

Fabricao de pastas, papel e produtos de papelFabricao de produtos txteis

Metalurgia bsicaFabricao de produtos de minerais no metlicosFabricao de moveis e industrias

Extrao de outros minerais

Fabricao de produtos qumicos

Extrao de carvo mineral

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de...Fabricao de produtos do fumo

Fabricao de equipamentos de instrumentao para usos mdico-hospitalarFabricao de outros equipamentos de transporte

Fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informticaFabricao de produtos de madeira

Extrao de petrleo e gs natural

Fabr. de coque, refino de petrleo...

Fonte: Rais

(deflacionado pelo INPC)

Em termos regionais houve reduo das desigualdades salariais, na medida em que a relao entre a remunerao mdia do Sudeste e do Nordeste baixou, o mesmo ocorrendo com a relao entre os rendimentos mdios do Sudeste e do Centro-Oeste. Em termos setoriais, entretanto, h sinais de aumento das desigualdades. A relao entre os valores mdios da remunerao na extrao de petrleo e gs e na confeco de artigos de vesturio, por exemplo, aumentou de 6,5 para 9,8. A Tabela 1 ilustra os diferenciais nos nveis mdios de remunerao nas diferentes divises da indstria de transformao e extrativa mineral nas distintas regies em 2003.

Tabela 1 - Remunerao Mdia na Indstria de Transformao e Extrativa Mineral Por Diviso e Regio - 2003

Diviso Norte Nordeste Sudeste Sul CO BrasilExtrao de carvo mineral 199 208 369 778 225 676

Extrao de petrleo e gs natural 4208 2195 3155 1215 425 2918

Extrao de minerais metlicos 1093 985 1113 477 927 1071

Extrao de outros minerais 776 365 498 458 520 475

Fabricao de produtos alimentares e bebidas 391 336 597 453 399 478

Fabricao de produtos do fumo 514 371 1318 1139 818 1047

Fabricao de produtos txteis 297 339 517 469 337 469

Confeco de artigos do vesturio e acessrios 227 223 321 303 239 296

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... 285 266 335 375 317 339

Fabricao de produtos de madeira 294 443 455 355 327 359

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel 585 668 916 643 476 799

Edio, impresso e reproduo de gravaes 530 509 935 579 640 797

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... 2024 1016 2015 860 589 1352

Fabricao de produtos qumicos 680 1098 1324 924 554 1205

Fabricao de artigos de borracha e plstico 548 405 716 531 351 632

Fabricao de produtos de minerais no metlicos 328 306 576 466 358 490

Metalurgia bsico 875 838 1040 771 557 974

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos 623 386 654 549 387 605

Fabricao de maquinas e equipamentos 698 553 977 779 583 893

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 520 750 1302 1320 1979 1195

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 628 631 857 702 367 801

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 732 528 1176 825 540 971

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 584 329 830 696 437 767

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 774 854 1281 966 489 1191

Fabricao de outros equipamentos de transporte 1035 297 1417 616 429 1243

Fabricao de moveis e industrias diversas 407 268 481 386 284 423

Reciclagem 254 275 502 341 273 411

Total 511 413 790 514 405 643

Fonte: RAIS

Obs: Remunerao em reais de 1999 deflacionados pelo INPC

2.2 Escolaridade Os diferenciais entre os nveis de escolaridade interregionais e intersetoriais so bem menores do que no caso dos rendimentos. Em 2003, por exemplo, o nmero mdio de anos de estudo variava entre 7,1 na regio Nordeste e 8,8 na regio Sudeste e entre 7,1 na fabricao de produtos de minerais no metlicos e 11,4 na fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informtica.5 A evoluo no perodo ntida no sentido do aumento do nvel de escolaridade dos trabalhadores. Por sinal, este movimento no novidade e j vem ocorrendo h muitos anos. Entre 1999 e 2003, o nmero mdio de anos de estudo aumentou de 7,6 para 8,3, tendncia essa verificada em todas as regies (Grfico 3). Analogamente, houve aumento do nvel mdio de escolaridade em todas as 27 divises da indstria. 5 Embora a RAIS no informe o nmero de anos de estudo dos trabalhadores, este valor pode ser estimado a partir das informaes da RAIS, supondo uma determinada distribuio nas faixas de escolaridade informadas.

Grfico 3 - Escolaridade Mdia por Regio - 1999/2003

6,0

6,5

7,0

7,5

8,0

8,5

9,0

1999 2000 2001 2002 2003

Norte Nordeste Sudeste Sul CO

Em Anos de Estudo

Fonte: Rais Apesar da melhoria do nvel de escolaridade dos trabalhadores, a situao ainda continuava muito precria em alguns casos, como na extrao de carvo mineral no Norte, Sudeste e Centro-Oeste; na extrao de outros minerais no Nordeste; na fabricao de produtos de madeira no Norte; e na fabricao de coque e refino de petrleo no Norte. Neles, a escolaridade mdia no atingia cinco anos de estudo em 2003 (Tabela 2). A escolaridade dos trabalhadores industriais na regio Nordeste tende a ser mais baixa do pas. O nmero mdio de anos de estudo no Nordeste o mais baixo entre as cinco regies em 13 divises. Na comparao com a regio Sudeste, a regio Nordeste leva a pior em 19 das 27 divises pesquisadas. Em outras palavras, tambm na questo da escolaridade dos trabalhadores os diferenciais existentes podem ser considerados elevados.

Tabela 2 - Escolaridade Mdia na Indstria de Transformao e Extrativa Mineral por Diviso e Regio - 2003

Diviso Norte Nordeste Sudeste Sul CO BrasilExtrao de carvo mineral 5,1 4,9 6,3 7,7 6,3 7,3

Extrao de petrleo e gs natural 11,6 10,8 11,3 10,5 7,7 11,2

Extrao de minerais metlicos 8,6 8,5 8,9 6,4 9,1 8,8

Extrao de outros minerais 8,1 6,0 6,7 6,8 7,2 6,6

Fabricao de produtos alimentares e bebidas 7,6 5,4 8,1 8,0 7,8 7,4

Fabricao de produtos do fumo 7,5 5,2 10,5 10,3 9,6 9,5

Fabricao de produtos txteis 7,2 8,1 8,0 8,1 8,1 8,1

Confeco de artigos do vesturio e acessrios 8,5 8,1 8,0 8,2 8,4 8,1

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... 6,5 7,9 8,0 7,0 7,6 7,5

Fabricao de produtos de madeira 5,1 6,7 7,6 6,8 6,0 6,5

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel 9,0 9,2 9,1 8,4 9,0 8,9

Edio, impresso e reproduo de gravaes 10,3 10,2 10,0 9,8 10,2 10,0

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... 8,6 5,0 9,3 7,6 6,0 7,4

Fabricao de produtos qumicos 9,5 9,5 10,2 9,7 9,5 10,0

Fabricao de artigos de borracha e plstico 9,9 8,5 8,6 8,5 8,3 8,6

Fabricao de produtos de minerais no metlicos 6,8 5,8 7,4 7,4 7,1 7,1

Metalurgia bsico 9,1 8,7 9,0 8,6 8,3 8,9

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos 9,5 8,2 8,4 8,4 8,1 8,4

Fabricao de maquinas e equipamentos 10,8 9,0 9,3 9,3 8,6 9,3

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 11,0 11,0 11,4 11,7 12,4 11,4

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 10,4 9,7 9,4 9,7 9,0 9,5

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 11,1 10,6 10,6 10,4 9,5 10,7

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 10,4 9,7 9,9 10,2 9,7 9,9

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 10,2 10,0 9,7 9,8 9,0 9,8

Fabricao de outros equipamentos de transporte 10,4 8,0 9,9 8,0 8,7 9,7

Fabricao de moveis e industrias diversas 8,2 7,7 8,2 7,9 8,0 8,0

Reciclagem 8,4 6,6 7,5 7,1 8,0 7,4

Total 8,0 7,1 8,8 8,2 7,8 8,3

Fonte: RAIS

Obs: Anos de estudo estimados a partir das faixas informadas pela RAIS

2.3 Trabalhadores Tcnicos e Cientficos A participao de trabalhadores das profisses tcnicas e cientficas relativamente baixa na indstria brasileira.6 Em 1999, apenas 5,4% dos trabalhadores faziam parte desse grupo. Em termos regionais, a situao era mais favorvel no Sudeste (6,6%) e mais precria no Centro-Oeste (3,0%). Em termos setoriais h grandes desnveis. Na extrao de petrleo e gs, de minerais metlicos e na fabricao de mquinas de escritrio, de equipamentos de informtica e de material eletrnico entre outros, parcela considervel de seus trabalhadores so de nvel tcnico ou cientfico. Em contrapartida, so pouqussimos os empregados com essas caractersticas em setores tradicionais como na confeco de artigos de vesturios, couros, calados, produtos de madeira etc. 6 At 2002, foram utilizados os grandes grupos 0 e 1 da CBO 94. Em 2003, foram usados os grandes grupos 2 e 3 da nova CBO 2002. As duas classificaes no so estritamente comparveis.

Houve poucas mudanas na participao percentual de tais trabalhadores no perodo estudado. A comparao com o ano de 2003, entretanto, fica prejudicada, tendo em vista as mudanas efetuadas na classificao ocupacional dos trabalhadores (CBO). Se considerado apenas o grupo 2 (profisses cientficas), o total no ltimo ano no passava de 2,7%. Incluindo tambm os trabalhadores tcnicos, chega-se a 10,6%. Os desnveis regionais e setoriais so elevados, favorecendo as regies mais desenvolvidas e os setores j mencionados acima (Tabela 3).

Tabela 3 - Percentual de Trabalhadores das Profisses Tcnicas e Cientficasda Indstria de Transformao e Extrativa Mineral por Diviso e Regio - 2003

Diviso Norte Nordeste Sudeste Sul CO BrasilExtrao de carvo mineral 0,0 1,8 3,7 6,9 1,9 6,0

Extrao de petrleo e gs natural 52,1 26,0 36,5 47,9 11,4 34,6

Extrao de minerais metlicos 26,7 19,6 26,5 6,7 14,8 24,6

Extrao de outros minerais 17,7 4,7 6,1 4,3 6,8 5,9

Fabricao de produtos alimentares e bebidas 7,0 4,9 8,9 6,6 7,1 7,2

Fabricao de produtos do fumo 6,3 10,3 30,7 22,4 43,9 22,7

Fabricao de produtos txteis 8,9 7,3 8,1 8,1 5,7 8,0

Confeco de artigos do vesturio e acessrios 2,7 3,3 5,7 4,3 3,0 4,8

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... 3,2 2,5 4,0 3,0 5,2 3,2

Fabricao de produtos de madeira 3,1 7,7 5,8 3,6 2,8 3,9

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel 10,3 12,9 14,4 8,0 7,0 12,1

Edio, impresso e reproduo de gravaes 18,0 20,0 18,5 16,2 19,5 18,2

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... 20,7 11,1 28,5 11,1 5,7 17,6

Fabricao de produtos qumicos 11,4 17,3 23,2 18,8 12,3 21,4

Fabricao de artigos de borracha e plstico 19,8 16,8 14,3 10,7 10,8 13,6

Fabricao de produtos de minerais no metlicos 4,1 4,8 7,5 5,9 3,8 6,4

Metalurgia bsico 11,5 12,2 17,0 12,3 8,7 15,7

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos 14,1 6,9 9,5 7,6 6,3 8,8

Fabricao de maquinas e equipamentos 18,2 12,0 16,6 13,9 9,6 15,5

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 18,7 24,7 42,7 37,0 40,2 37,9

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 14,8 13,6 15,9 13,5 15,3 15,2

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 20,5 25,7 27,3 21,9 33,3 24,4

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 18,3 14,1 23,2 23,7 26,9 22,5

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 33,6 11,8 15,8 18,1 10,6 16,4

Fabricao de outros equipamentos de transporte 56,5 5,1 25,7 7,5 9,1 27,7

Fabricao de moveis e industrias diversas 5,7 4,9 7,1 4,4 5,5 5,8

Reciclagem 3,4 2,8 7,1 8,9 5,5 7,0

Total 12,2 7,0 12,8 8,0 7,0 10,6

Fonte: RAIS

Obs: Utilizou-se como trabalhadores das profisses tcnicas e cientficas os grandes grupos 2 e 3 da CBO 2002

3. ndices de Desenvolvimento Regionais e Setoriais Utiliza-se nesta seo a mesma metodologia desenvolvida em Saboia (2001). A principal diferena o fato de se trabalhar com a classificao setorial de divises, que desagrega a indstria de transformao e extrativa mineral em 27 setores.7 7 Saboia (2001) utilizou a classificao de subsetores onde a indstria de transformao e extrativa mineral desagregada em apenas 13 segmentos no perodo 1989/99.

So utilizadas as trs variveis informadas pela RAIS apresentadas na seo 2 remunerao mdia; escolaridade; e ocupaes tcnicas e cientficas (CBO) O ndice de remunerao para o setor i na regio j (IWij) construdo a partir da equao IWij = (Wij Wmin)/(Wmax Wmin) Sendo Wij - remunerao mdia no setor i na regio j; Wmax remunerao mdia mxima entre os setores e regies; Wmin remunerao mdia mnima entre os setores e regies. Analogamente, pode-se obter o ndice de escolaridade IEij e de ocupaes tcnicas e cientficas IOij para o setor i na regio j.8 Pode-se verificar facilmente que os ndices construdos variam no intervalo entre zero e a unidade. Quanto maior seu valor melhor a situao representada pelo ndice. O ndice de desenvolvimento IDij para o setor i na regio j pode ser calculado pela mdia aritmtica dos trs ndices parciais i.e.9 IDij = (IWij + IEij + IOij)/3 Utilizando-se esta metodologia, foram estimados os ndices de desenvolvimento da indstria no perodo 1999/2003. H relativamente poucas mudanas ao longo do perodo. Em geral, os ndices so mais favorveis na regio Sudeste. Em segundo lugar, nas regies Norte e Sul. Finalmente, nas regies Nordeste e Centro-Oeste. Na mdia do perodo 1999/2003, enquanto no Sudeste atingia 0,543, no Nordeste no passava de 0,389. O resultado relativamente favorvel encontrado na regio Norte (0,469) est associado importncia da Zona Franca de Manaus naquela regio, na medida em que concentra segmentos industriais modernos como material de transporte, mecnica, produtos eletrnicos etc (Tabela 4). A superioridade da regio Sudeste em relao s demais ntida. Em 15 das 27 divises analisadas seu ndice o mais elevado no perodo. Por outro lado, a regio Nordeste apresenta o menor ndice em dez divises. Conforme esperado, em termos setoriais, os diferenciais so bem mais elevados que os regionais. Na mdia do qinqnio 1999/2003, encontra-se entre 0,276 na fabricao de produtos de madeira e 0,811 na extrao de petrleo e gs natural. importante destacar que o fato de um setor apresentar um ndice relativamente elevado no pas no impede que seja baixo em algumas regies como no caso da extrao de petrleo e gs natural que varia entre 0,414 na regio Centro-Oeste e 0,834 na regio Sudeste. Os diferenciais regionais so 8 Tendo em vista que os diferenciais de rendimento e de trabalhadores tcnicos e cientficos so muito maiores que de escolaridade, as duas primeiras variveis foram logaritmadas antes de se calcular os ndices. Dada a mudana metodolgica na CBO para o ano de 2003, houve necessidade de se mudar os limites superiores e inferiores utilizados no clculo dos indicadores das profisses tcnicas e cientficas daquele ano. 9 O ndice pode tambm ser obtido por mdias aritmticas ponderadas definindo-se os pesos segundo a importncia atribuda pelo analista varivel considerada.

tambm elevados na extrao de carvo mineral, fabricao de produtos de fumo e fabricao de produtos de madeira, onde a relao entre o maior e o menor ndice superior a dois. Alm do setor de extrao de petrleo e gs natural, outros segmentos industriais apresentam ndices relativamente favorveis, confirmando sua melhor situao no interior da indstria. Com ndices mdios prximos a 0,700 podem ser mencionadas a extrao de minerais metlicos, a fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informtica, a fabricao de material eletrnico e equipamentos de comunicao e a fabricao de outros equipamentos de transporte. Outras seis divises possuem ndices com valores superiores a 0,600. Entre as divises com os menores ndices mdios esto segmentos tradicionais como fabricao de produtos de madeira, j mencionado acima, couros, artefatos de couros e artigos de calados (0,286), confeco de artigos de vesturio (0,307), reciclagem (0,355) e extrao de outros minerais (0,362).

Tabela 4 - ndice de Desenvolvimento da Indstria de Transformaoe Extrativa Mineral Por Diviso e Regio - 1999/2003

Diviso Norte Nordeste Sudeste Sul CO BrasilExtrao de carvo mineral 0,119 0,202 0,243 0,494 0,133 0,462

Extrao de petrleo e gs natural 0,795 0,770 0,834 0,632 0,414 0,811

Extrao de minerais metlicos 0,695 0,636 0,694 0,417 0,623 0,682

Extrao de outros minerais 0,561 0,293 0,362 0,345 0,449 0,362

Fabricao de produtos alimentares e bebidas 0,381 0,275 0,458 0,415 0,390 0,402

Fabricao de produtos do fumo 0,419 0,262 0,676 0,624 0,433 0,595

Fabricao de produtos txteis 0,325 0,409 0,427 0,424 0,344 0,424

Confeco de artigos do vesturio e acessrios 0,271 0,311 0,299 0,317 0,258 0,307

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... 0,345 0,288 0,306 0,270 0,303 0,286

Fabricao de produtos de madeira 0,173 0,210 0,379 0,290 0,195 0,276

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel 0,524 0,548 0,567 0,478 0,470 0,539

Edio, impresso e reproduo de gravaes 0,617 0,616 0,643 0,583 0,626 0,631

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... 0,456 0,424 0,618 0,535 0,385 0,536

Fabricao de produtos qumicos 0,567 0,643 0,671 0,623 0,506 0,657

Fabricao de artigos de borracha e plstico 0,563 0,423 0,505 0,455 0,346 0,489

Fabricao de produtos de minerais no metlicos 0,335 0,298 0,429 0,392 0,328 0,396

Metalurgia bsico 0,592 0,579 0,615 0,561 0,465 0,604

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos 0,512 0,425 0,487 0,446 0,369 0,474

Fabricao de maquinas e equipamentos 0,628 0,500 0,604 0,573 0,500 0,592

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 0,659 0,693 0,777 0,775 0,808 0,762

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 0,568 0,576 0,612 0,578 0,442 0,601

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 0,689 0,625 0,718 0,696 0,669 0,707

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 0,572 0,472 0,626 0,640 0,547 0,619

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 0,598 0,565 0,651 0,639 0,458 0,647

Fabricao de outros equipamentos de transporte 0,676 0,391 0,718 0,469 0,444 0,688

Fabricao de moveis e industrias diversas 0,419 0,288 0,411 0,349 0,295 0,381

Reciclagem 0,220 0,262 0,394 0,304 0,253 0,355

Total 0,469 0,389 0,543 0,449 0,395 0,497

Fonte: RAIS

Obs 1: Foram considerados pesos iguais para as trs variveis utilizadas no clculo dos ndices

Obs 2: Foram utilizados os grandes grupos 0 e 1 da CBO 94 para os anos 1999 a 2002 e os grandes grupos 2 e 3 da CBO 2002 para o ano 2003 no clculo dos ndices

4. Anlise Multivariada ndices e Grupos de Setores Esta seo est dividida em duas partes. Inicialmente, so calculados ndices setoriais e regionais a partir da anlise de componentes principais. Em seguida, os setores so agrupados pela tcnica de anlise de grupamento. 4.1 Clculo dos ndices A partir da anlise de componentes principais, foram criados ndices para as 27 divises industriais no conjunto do pas e nas cinco regies naturais no perodo 1999/2002.10 Os ndices foram calculados de tal forma que permitem uma ordenao das divises segundo os valores das trs variveis utilizadas na seo 3 remunerao, escolaridade e percentual de trabalhadores tcnicos e cientficos. O ndice resultante uma mdia ponderada das trs variveis. Diferentemente da seo anterior em que os pesos foram arbitrados, os pesos aqui so determinados pela anlise de componentes principais. Quanto maior o valor do ndice maior tende a ser o nvel de remunerao e de escolaridade dos trabalhadores e o percentual de trabalhadores tcnicos e cientficos da respectiva diviso. Os ndices calculados para as 27 divises so padronizados, isto , so tais que h valores positivos e negativos, a mdia nula e o desvio padro unitrio. Os resultados para o conjunto do pas no perodo mostram que o maior ndice encontrado na extrao de petrleo e gs natural, certamente influenciado pelas excelentes condies de trabalho encontradas na Petrobras. Seu valor variou entre 2,08 em 2000 e 2,96 em 2002, diferenciando-se dos demais setores. Com valores relativamente elevados no perodo, em geral acima da unidade, podem ainda ser mencionados os setores de extrao de metais metlicos, fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informtica, fabricao de material eletrnico e aparelhos de comunicao e fabricao de outros equipamentos de transporte. Portanto, ou so setores extrativos dominados por grandes empresas nacionais como a Petrobras e a Vale do Rio Doce, ou da indstria de transformao nas reas de informtica, eletrnica e de comunicaes, com forte presena de multinacionais estrangeiras, ou ainda da Embraer na rea de equipamentos de transporte. Em seguida, h um continuum de valores para o ndice, com destaque para alguns setores mais dinmicos e modernos da indstria de transformao como produtos qumicos, fabricao de veculos automotores, metalurgia bsica, edio e impresso etc. Os piores resultados foram encontrados em setores tradicionais, conhecidos por oferecerem piores condies de trabalho como fabricao de alimentos e bebidas, de mveis, de produtos minerais no metlicos, confeco de vesturio, fabricao de artigos de couro e calados, de produtos de madeira, reciclagem e extrao de outros minerais. Em todos os

10 Ver a metodologia de clculo dos ndices em anexo ao final do artigo. Tendo em vista as mudanas na CBO ocorridas com os dados da RAIS de 2003, este ano foi eliminado da anlise multivariada.

caso mencionados, o ndice apresenta valores negativos, chegando a -1,44 na fabricao de produtos de madeira em 2000 (Tabela 5).

Tabela 5 - ndice de Desenvolvimento da Indstria de Transformaoe Extrativa Mineral por Diviso - 1999/2002

Diviso 1999 2000 2001 2002Extrao de petrleo e gs natural 2,52 2,08 2,78 2,96

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 1,63 1,79 1,59 1,89

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 1,34 1,24 1,19 1,12

Extrao de minerais metlicos 1,26 1,41 1,20 1,00

Fabricao de outros equipamentos de transporte 0,95 1,15 1,11 0,98

Fabricao de produtos qumicos 0,76 0,82 0,68 0,65

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 0,70 0,86 0,63 0,64

Edio, impresso e reproduo de gravaes 0,57 0,63 0,42 0,43

Metalurgia bsico 0,47 0,36 0,20 0,26

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 0,34 0,34 0,37 0,43

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 0,30 0,33 0,22 0,26

Fabricao de produtos do fumo 0,30 0,21 0,24 -0,28

Fabricao de maquinas e equipamentos 0,28 0,26 0,15 0,14

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel -0,12 -0,09 -0,15 -0,13

Fabricao de artigos de borracha e plstico -0,44 -0,43 -0,46 -0,40

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos -0,49 -0,53 -0,54 -0,48

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... -0,56 -0,27 0,00 -0,49

Extrao de carvo mineral -0,64 -0,59 -0,54 -0,56

Fabricao de produtos txteis -0,77 -0,80 -0,76 -0,67

Fabricao de produtos alimentares e bebidas -0,85 -0,88 -0,90 -0,88

Fabricao de moveis e industrias diversas -0,89 -0,88 -0,86 -0,75

Fabricao de produtos de minerais no metlicos -0,97 -0,98 -0,96 -0,93

Confeco de artigos do vesturio e acessrios -0,99 -1,06 -0,97 -0,87

Reciclagem -1,04 -1,09 -1,05 -0,94

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... -1,12 -1,20 -1,12 -1,02

Extrao de outros minerais -1,13 -1,21 -1,15 -1,08

Fabricao de produtos de madeira -1,38 -1,44 -1,35 -1,26

Fonte: RAIS

Obs 1: Os ndices foram obtidos pela tcnica de estatstica multivariada descrita no anexo. A comparao dos resultados acima com aqueles desenvolvidos na seo 3 mostra que apesar das diferenas metodolgicas, a ordenao dos ndices nas 27 divises bastante semelhante nos dois casos. Em outras palavras, as divises que se destacam, tanto positiva quanto negativamente so as mesmas. A ordenao das 19 divises com os melhores ndices so exatamente as mesmas nos dois casos. Entre as restantes, tambm h grande semelhana na ordenao (Tabela 6). Isto fica ainda confirmado pelo coeficiente de correlao entre os ndices mdios encontrados para o perodo 1999/2002 que atingiu 0,96.

Tabela 6 - Valores Mdios e Ordenao dos Dois ndices por Diviso 1999/2002Diviso Ordenao ndice 1 Ordenao ndice 2Extracao de petroleo e gas natural 1 0,810 1 2,603

Fabr. de maquinas para escritorio e equipamentos de informatic... 2 0,764 2 1,738

Fabr. de material eletronico e de aparelhos e equipamentos de com.... 3 0,714 3 1,250

Extracao de minerais metalicos 4 0,696 4 1,228

Fabricacao de outros equipamentos de transporte 5 0,690 5 1,041

Fabricacao de produtos quimicos 6 0,654 6 0,736

Fabr. e montagem de veiculos automotores, reboques e carroceri... 7 0,649 7 0,716

Edicao, impressao e reproducao de gravacoes 8 0,634 8 0,519

Fabr. de equipamentos de instrumentacao para usos medico-hospital.... 9 0,616 9 0,378

Metalurgia basico 10 0,608 10 0,322

Fabricacao de maquinas, aparelhos e materiais eletricos 11 0,603 11 0,289

Fabricacao de maquinas e equipamentos 12 0,592 12 0,212

Fabricacao de produtos do fumo 13 0,583 13 0,059

Fabricacao de pastas, papel e produtos de papel 14 0,535 14 -0,119

Fabr. de coque, refino de petroleo, elaboracao de combustiveis nu.... 15 0,526 15 -0,380

Fabricacao de artigos de borracha e plastico 16 0,478 16 -0,432

Fabricacao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos 17 0,469 17 -0,510

Extracao de carvao mineral 18 0,468 18 -0,580

Fabricacao de produtos texteis 19 0,417 19 -0,752

Fabricacao de moveis e industrias diversas 22 0,371 20 -0,845

Fabricacao de produtos alimentares e bebidas 20 0,397 21 -0,878

Fabricacao de produtos de minerais nao metalicos 21 0,393 22 -0,963

Confeccao de artigos do vestuario e acessorios 25 0,290 23 -0,976

Reciclagem 24 0,342 24 -1,032

Preparaao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... 26 0,273 25 -1,120

Extracao de outros minerais 23 0,357 26 -1,142

Fabricacao de produtos de madeira 27 0,265 27 -1,362

Obs: Os ndices 1 e 2 equivalem aos ndices globais para o Brasil desenvolvidos nas sees 3 e 4, respectivamente A anlise por regio tende a confirmar os resultados nacionais, como o caso da regio Sudeste. H, entretanto, algumas caractersticas regionais que merecem ser explicitadas. Na regio Norte, s a partir de 2001, a extrao de petrleo e gs natural passa a se destacar dos demais setores. At ento, o destaque era a extrao de minerais metlicos. As divises tpicas da Zona Franca de Manaus como a fabricao de material eletrnico e aparelhos de comunicao, de mquina para escritrio, de equipamentos de informtica e de outros equipamentos de transporte apresentam resultados relativamente favorveis. Nas regies Sul e Centro-Oeste, h um forte destaque para a fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informtica, com o ndice chegando a superar o valor trs na

regio Sul e quatro na Centro-Oeste em 200211. Este setor um dos melhores em todas as regies, mas os resultados encontrados nessas duas regies so excepcionais. A Tabela 7 ilustra os valores dos ndices das 27 divises nas cinco regies em 2002 .

Tabela 7 - ndice de Desenvolvimento da Indstria de Transformaoe Extrativa Mineral por Diviso e Regio - 2002

Diviso Norte Nordeste Sudeste Sul CO BrasilExtrao de petrleo e gs natural 3,68 2,94 2,92 1,52 0,12 2,96

Fabr. de maquinas para escritrio e equipamentos de informtica... 0,67 1,38 1,79 3,10 4,19 1,89

Fabr. de material eletrnico e de aparelhos e equipamentos de com.... 0,92 0,88 1,06 1,60 0,89 1,12

Extrao de minerais metlicos 1,35 1,46 0,80 -0,85 1,19 1,00

Fabricao de outros equipamentos de transporte 0,66 -0,35 1,06 -0,35 -0,05 0,98

Fabricao de produtos qumicos 0,07 1,09 0,59 0,81 0,22 0,65

Fabr. e montagem de veculos automotores, reboques e carroceria... 0,20 0,78 0,48 1,03 -0,09 0,64

Fabr. de equipamentos de instrumentao para usos medico-hospital.... 0,16 0,05 0,32 0,91 0,20 0,43

Edio, impresso e reproduo de gravaes 0,44 0,76 0,37 0,34 0,89 0,43

Fabricao de maquinas, aparelhos e materiais eltricos 0,19 0,55 0,18 0,34 -0,59 0,26

Metalurgia bsico 0,18 0,61 0,14 0,28 0,03 0,26

Fabricao de maquinas e equipamentos 0,44 0,04 0,07 0,35 0,11 0,14

Fabricao de pastas, papel e produtos de papel -0,17 0,32 -0,11 -0,22 0,03 -0,13

Fabricao de produtos do fumo -0,31 -1,10 0,65 0,05 0,18 -0,28

Fabricao de artigos de borracha e plstico 0,01 -0,33 -0,47 -0,40 -0,38 -0,40

Fabricao de produtos de metal - exclusive maquinas e equipamentos -0,30 -0,31 -0,57 -0,37 -0,35 -0,48

Fabr. de coque, refino de petrleo, elaborao de combustveis nu.... -0,02 -0,52 0,30 -0,21 -0,70 -0,49

Extrao de carvo mineral -1,38 -1,38 -1,25 -0,04 -1,20 -0,56

Fabricao de produtos txteis -0,93 -0,32 -0,76 -0,54 -0,54 -0,67

Fabricao de moveis e industrias diversas -0,56 -0,70 -0,75 -0,79 -0,47 -0,75

Confeco de artigos do vesturio e acessrios -0,72 -0,60 -0,96 -0,85 -0,48 -0,87

Fabricao de produtos alimentares e bebidas -0,80 -1,01 -0,74 -0,64 -0,39 -0,88

Fabricao de produtos de minerais no metlicos -1,00 -0,90 -0,93 -0,79 -0,58 -0,93

Reciclagem -0,84 -0,83 -0,96 -1,07 -0,54 -0,94

Preparao de couros e fabr. de artefatos de couro, artigos de... -0,51 -0,64 -1,01 -1,10 -0,61 -1,02

Extrao de outros minerais -0,01 -0,82 -1,21 -0,97 -0,19 -1,08

Fabricao de produtos de madeira -1,40 -1,04 -1,00 -1,16 -0,87 -1,26

Fonte: RAIS

Obs 1: Os ndices foram obtidos pela tcnica de estatstica multivariada descrita no anexo. 4.2 Grupos de Setores A partir do clculo dos ndices obtidos na seo anterior, as divises da indstria foram agregadas atravs da tcnica de anlise de grupamento. Inicialmente, foram utilizados apenas os dados setoriais no conjunto do pas e, em seguida, para o conjunto de dados setoriais nas cinco regies naturais.12 Apesar das diferenas regionais existentes, os resultados das duas anlises foram surpreendentemente semelhantes. Foram identificados trs grupos de setores, havendo apenas mudanas mnimas nas duas anlises.

11 Cabe lembrar que o ndice possui mdia zero e desvio padro unitrio (ver anexo). 12 A primeira anlise utiliza apenas os valores dos ndices para o conjunto do pas nos quatro anos, totalizando apenas quatro observaes para cada diviso. A segunda anlise utiliza as informaes nas cinco regies nos quatro anos, representando vinte observaes para cada diviso.

De acordo com primeira anlise, so identificados trs grandes grupos. O primeiro grupo possui cinco divises, exatamente aquelas j mencionadas acima devido a seus ndices mais favorveis, com destaque para a extrao de petrleo e gs natural. O ndice mdio dessas divises variou em torno de 1,5, seus valores mnimos ficaram prximos unidade, enquanto os mximos flutuaram entre dois e trs (Figura 1). O segundo grupo composto por nove divises com caractersticas variadas e valores intermedirios para os ndices. So elas a fabricao de produtos qumicos, de veculos automotores, a edio, impresso e reproduo, a metalurgia bsica, a fabricao de mquinas, aparelhos e equipamentos eltricos, a fabricao de mquinas e equipamentos em geral, de equipamentos mdicos, de fumo e de papel. Os valores mdios de seus ndices so bem mais baixos, variando entre 0,3 e 0,4, os valores mnimos so ligeiramente negativos, enquanto os mximos so pouco inferiores unidade. O terceiro grupo inclui as treze divises restantes com os piores ndices. A regra geral encontrar valores negativos para os ndices dessas divises. Os valores mdios situam-se em torno de -0,8 e os mnimos prximos a -1,3. So divises representativas da indstria tradicional, incluindo segmentos extrativos como de carvo mineral e de outros minerais; de bens de consumo no durveis como alimentos e bebidas, vesturio, calados etc; e de bens intermedirios como fabricao de coque e refino de petrleo, borracha e plstico etc. Ao se desagregar a anlise utilizando o conjunto de dados regionais, os grupos formados so praticamente os mesmos. A fabricao de outros equipamentos de transporte passa para o segundo grupo, possivelmente por sua grande heterogeneidade regional, sendo seus ndices bem melhores nas regies Norte e Sudeste que nas demais. Analogamente, a fabricao de coque e refino de petrleo passa do terceiro para o segundo grupo, pelas mesmas razes apontadas acima. De acordo com a Figura 1, poderiam ser considerados at cinco grupos. No primeiro grupo, a extrao de petrleo natural e gs poderia ser destacada das outras quatro divises, tendo em vistas seus resultados mais favorveis. Analogamente, quatro divises poderiam ser separadas no terceiro grupo com melhores resultados fabricao de coque e refino de petrleo; fabricao de artigos de borracha e plstico; fabricao de produtos de metal (exclusive mquinas); e extrao de carvo mineral. De qualquer forma, a pequena distncia encontrada entre os novos grupos criados no dendograma, permite que possam ser considerados apenas os trs grupos apontados acima. A anlise de grupamento pode ser ainda estendida para a anlise regional procurando identificar a maior ou menor proximidade entre os resultados encontrados nas cinco regies naturais. Conforme esperado, so formados inicialmente cinco grupos, um para cada regio. Logo em seguida, entretanto, so formados trs grupos. O primeiro corresponde regio Sudeste, que se destaca das demais. Em seguida, as regies Nordeste e Centro-Oeste se juntam para formar um segundo grupo. Finalmente, as regies Norte e Sul formam um terceiro grupo (Figura 2). Cabe notar, que os trs grupos de regies formados pela anlise de grupamento refletem com preciso os resultados encontrados na seo 3, quando foi mostrado que a regio

Sudeste apresentava os melhores resultados, seguindo-se as regies Norte e Sul com ndices intermedirios e as regies Nordeste e Centro-Oeste com os piores ndices.

petrleogas equipinform outransport mateletrnic mineramet papel fumo eqpmdico maqwquipam mateltricos metalurgia impresso veculos,reb qumica coque carvmineral prodmetal borracha txtil mveis alimentos madeira reciclagem fabminmet confc.vest couro outminerais

0 30 100

Figura 1 - Anlise de Grupamento - Brasil

distncia

0 20 60

Figura 2 - Anlise de Grupamento - Regies

sudeste 99 sudeste 00 sudeste 01 sudeste 02 nordeste 99 nordeste 00 nordeste 01 nordeste 02 c.oeste 99 c.oeste 00 c.oeste 01 c.oeste 02 norte 99 norte 00 norte 01 norte 02 sul 99 sul 00 sul 01 sul 02

distncia

5. Concluses Nesta seo so apresentadas as principais concluses do trabalho. Em alguns casos, os resultados encontrados j eram esperados. Em outros, nem tanto. A indstria continua apresentando forte heterogeneidade regional. Os dados confirmam a superioridade da indstria na regio Sudeste relativamente ao restante do pas. A regio Norte chega a surpreender, mostrando ndices de desenvolvimento da indstria comparveis aos encontrados na regio Sul. Os resultados no Nordeste e Centro-Oeste so os piores do pas. Tambm em termos setoriais, as diferenas so marcantes. H um continuum de indicadores, desde os mais favorveis, encontrados na extrao de petrleo e gs e fabricao de mquinas para escritrio e equipamentos de informtica, at os obtidos em segmentos da indstria tradicional como na fabricao de produtos de madeira, preparao de couro, reciclagem etc. A anlise multivariada conseguiu agregar os setores da indstria de transformao e extrativa mineral em trs grandes grupos. O primeiro, com os melhores indicadores, possui dois segmentos extrativos, dois da rea eletro-eletrnica e um de transportes. No segundo grupo foram encontrados nove segmentos, sendo a maioria da indstria metal-mecnica, alm de alguns produtores de bens intermedirios ou de consumo. Os treze setores restantes apresentaram os piores indicadores, representando um conjunto bem amplo, incluindo, em geral, segmentos tradicionais, alguns produtores de bens intermedirios e outros de bens de consumo. A maior surpresa talvez tenha sido a incluso de refino de petrleo neste grupo. Alternativamente, podem ser identificados cinco grupos, destacando-se a extrao de petrleo e gs no primeiro grupo e desagregando-se o terceiro em dois agrupamentos. As diferenas regionais so to marcantes que, muitas vezes, setores que apresentam indicadores relativamente favorveis nas regies mais desenvolvidas como o Sudeste, mostram situao bem pior em outras regies como no Nordeste. Este resultado mostra os limites do processo de descentralizao industrial em termos de obteno de grandes avanos nas regies menos desenvolvidas. De qualquer forma, em geral, os setores mais desenvolvidos em uma determinada regio tambm o so nas demais e vice-versa. Algumas extenses podem ser sugeridas a partir deste artigo. A mais natural seria a utilizao de um maior nvel de desagregao tanto regional quanto setorial para que se obtenham resultados mais finos e precisos. Ainda nesta direo, seria desejvel comparar resultados encontrados nas capitais ou nas regies metropolitanas do pas com aqueles do interior, enfrentando a discusso colocada atualmente na ordem-do-dia de que as condies econmicas no interior do pas seriam mais favorveis que nas capitais, com melhores possibilidades de gerao de emprego. Uma segunda extenso seria a utilizao de outras fontes de dados, verificando at que ponto os resultados aqui encontrados seriam corroborados com o uso de novas estatsticas industriais.

Uma terceira possibilidade seria desenvolver uma anlise de mdio/longo prazo para verificar as transformaes existentes no perodo. A maior dificuldade para esse tipo estudo so as modificaes metodolgicas ocorridas nas fontes de dados. No caso da RAIS, por exemplo, houve mudanas na classificao setorial em meados da dcada passada e novas mudanas na classificao ocupacional em 2003. Finalmente, os resultados deste artigo apontam em direo necessidade de se continuar estudando a indstria de forma to desagregada quanto possvel. O Brasil representa uma grande economia com todos os tipos de desnveis por conta de sua extenso e de seus desequilbrios regionais. Anlises que no considerem tais diferenas inevitavelmente deixaro de identificar aspectos fundamentais de sua realidade.

ANEXO - As Tcnicas de Anlises Estatsticas Multivariadas Utilizadas Neste trabalho usamos dois modelos de anlise estatstica multivariada - Anlise de Componentes Principais, que fornece um ndice para ordenao das 27 divises da indstria (considerando os dados para o Brasil e para cada regio); e a Anlise de Grupamento, que identifica semelhanas entre as divises e tambm entre as regies. Apresentamos, primeiramente, o modelo de anlise das componentes principais e sua utilizao para construo de ndices. 1. Anlise de Componentes Principais Considere um conjunto de p variveis observadas sobre n objetos. A anlise de componentes principais (ACP) tem como objetivo descrever a configurao dos n objetos no espao das p variveis13. O princpio descritivo o da mxima varincia. Isto , as componentes do informaes sobre as direes de maior espalhamento dos dados. Assim, as componentes principais so combinaes lineares das p variveis: C = a1 X1 + a2 X2 +....... + ap Xp Determinar as componentes equivale a obter os coeficientes a1, a2, ...... , ap. As combinaes lineares que definem as componentes so tais que:

C1 tenha varincia mxima C2 tenha varincia mxima e cor(C1 , C2 ) = 0 C3 tenha varincia mxima e cor(C1 , C3 ) = 0 e ainda cor(C2 , C3 ) = 0 ...etc

A soluo deste problema obtida extraindo-se os autovalores e autovetores da matriz de covarincia ou da matriz de correlao dos dados14. 1.1. Usando ACP para Construir o ndice Seja um conjunto de n objetos O1,......., On que se deseja ordenar, segundo um conjunto de p variveis X1 ,......., Xp.

13 Na presente aplicao, as variveis so renda, escolaridade e %dos trabalhadores tcnicos cientficos, e os objetos so as 27 divises da indstria. 14 O modelo de anlise de componentes principais est detalhadamente apresentado em Jolliffe (1986) e Johnson,& Wichern (1992).

A cada objeto Oi, associamos um valor Ii = p1 Xi1 + p2 Xi2 + ........ + pp Xip Onde Xi1, Xi2, ...., Xip so os valores das variveis observadas para Oi p1 , p2 , ...., pp so os pesos das variveis. A definio do ndice estar completa quando conhecemos os pesos das variveis. 1.2 Usando ACP para Obter as Ponderaes 15 Os pesos escolhidos devem traduzir a importncia de cada varivel, isto , s variveis mais importantes na ordenao devem ser atribudos os maiores pesos. Uma medida de importncia estatstica de uma varivel pode ser dada pela varincia, que mede a quantidade de informao contida na varivel. Assim podemos estabelecer a ligao entre importncia e varincia. Sendo a ACP uma tcnica que fornece a primeira componente com varincia mxima, usaremos essa componente (C1) como ndice. Ii = a1 Xi1 + a2 Xi2 + ........ + ap Xip onde i = 1,...n, referem-se aos objetos que sero ordenados. Assim, os pesos de cada varivel sero os coeficientes que definem a primeira componente principal.

A utilizao da ACP na construo do ndice garante que: . pesos maiores estaro associados s variveis que contribuem mais para a varincia do conjunto dos dados; . o ndice resultante ser padronizado: mdia zero, desvio-padro unitrio. Portanto, na leitura dos resultados, divises da indstria com desempenhos mdios recebero valores em torno de 0 para o ndice, enquanto que as melhores recebero os valores mais altos (positivos) e as piores recebero os valores mais baixos (negativos). 2. Anlise de Grupamento

A anlise de grupamento uma tcnica de anlise estatstica multivariada que procura agrupar objetos semelhantes segundo um critrio definido a partir do conjunto de variveis observadas. O modelo de anlise de grupamento pode ser descrito da seguinte forma16 Seja }pXXX ,...,{ 1= um conjunto de variveis, e },...,{ 1 nOOO = o conjunto de objetos que se deseja agrupar.

15 Uma aplicao desta tcnica para construo de ndices pode ser vista em Kubrusly (2001) 16 Ver Lucas (1982) e Anderberg (1973).

Com base no conjunto X, determinar uma partio de O em subconjuntos ig tal que: se srisir OeOgOegO so semelhantes, se srjsir OeOgOegO so distintos. Para a soluo desse problema necessrio calcular as distncias entre os objetos no espao das variveis. Essas distncias fornecem as medidas de similaridade entre os objetos. No presente trabalho, os objetos so, na primeira anlise, as 27 divises da indstria, e na anlise posterior, as diferentes regies nos diferentes anos. A soluo da anlise de grupamento em geral apresentada em um diagrama em rvore chamado dendrograma. Nesse diagrama possvel identificar (quando existem) os grupos de objetos semelhantes. Bibliografia Anderberg M. R.(1973) . Cluster Analysis for Applications, Academic Press, Nova York. Andrade T. A. e Serra, R. V. (2000). Distribuio Espacial para a Indstria: Possibilidades Atuais para sua Investigao, Estudos Econmicos, v. 30, n. 2. Caiado, A. S. C. (2002), Desconcentrao Industrial Regional no Brasil (1985 1998): Pausa ou Retrocesso?, Tese de Doutoramento, IE/UNICAMP, Campinas. Cano, W. (1997). Concentrao e Desconcentrao Econmica Regional no Brasil, Economia e Sociedade, v. 4, n. 8. Diniz, C. C. e Crocco, M. A. (1996). Reestruturao Econmica e Impacto Regional: O Novo Mapa da Indstria Brasileira, Nova Economia, v. 6, n. 1. Johnson, R.A. & Wichern, D.W. (1992). Applied Multivariate Statistical Analysis. Jolliffe, I. T. (1986). Principal Component Analysis, Springer Verlag, Berlim. Kubrusly, L.S. (2001). Um Procedimento para Calcular ndices a partir de uma Base de Dados Multivariados, Revista Pesquisa Operacional, v. 21, n.1. Lucas, L.C.S. (1982). Anlise de Grupamentos, Revista Brasileira de Estatstica, ano 43, n.172. Pacheco, C. A. (1999). Novos Padres de Localizao Industrial? Tendncias Recentes dos Indicadores de Produo e do Investimento Industrial, Texto para Discusso n. 633, IPEA, Braslia. Ramos, L. e Ferreira, V. (2005a). Gerao de Empregos e Realocao Espacial no Mercado de Trabalho Brasileiro: 1992-2002, Pesquisa e Planejamento Econmico, v. 35, n. 1.

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