Dificuldade No Ensino de Fisica

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THAIS BARBOSA TAVARES DIFICULDADES DOS ALUNOS DO ENSINO MEDIO PARA APRENDER FISICA JI-PARANÁ, RO MAIO DE 2013
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soluções para a dificuldade dos alunos na materia de fisica

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  • THAIS BARBOSA TAVARES

    DIFICULDADES DOS ALUNOS DO ENSINO MEDIO PARA APRENDER FISICA

    JI-PARAN, RO MAIO DE 2013

  • THAIS BARBOSA TAVARES

    DIFICULDADES DOS ALUNOS DO ENSINO MEDIO PARA APRENDER FISICA

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao Departamento de Fsica de Ji-Paran, Universidade Federal de Rondnia, Campus de Ji-Paran, como parte dos quesitos para a obteno do Ttulo de Licenciado em Fsica, sob orientao do Prof. Dr. Walter Trennepohl Junior.

    JI-PARAN, RO MAIO DE 2013

  • Tavares, Thas BarbosaT231d 2013

    Dificuldades dos alunos do ensino mdio para aprender fsica / Thas Barbosa Tavares; orientador, Walter Trennepohl Jnior. -- Ji-Paran, 2013

    98 f. : 30cm Trabalho de concluso do curso de Licenciatura em Fsica.

    Universidade Federal de Rondnia, 2013 Inclui referncias 1. Ensino de fsica. 2. Fsica Estudo e ensino.

    I. Trennepohl Jnior, Walter. II. Universidade Federal de Rondnia. III. Titulo

    CDU: 53:373.5

    Bibliotecria: Marlene da Silva Modesto Deguchi CRB 11/ 601

  • DEDICATRIA

    Deus, ao papai e mame!

  • AGRADECIMENTOS

    Deus toda a honra e toda glria seja dada. Agradeo primeira e principalmente a Ele, por ter me fortalecido, guiado e sustentado durante toda a vida.

    Devo agradecimentos tambm ao meu professor Dr. Walter Trennepohl Junior que me ajudou e me orientou com toda a pacincia e dedicao na realizao deste trabalho e ao professor Me. Paulo Csar Gastaldo Claro, meus agradecimentos pelos livros e artigos extremamente teis que me ajudou na orientao do presente trabalho.

    No deixaria de agradecer minha me, Ednamar Barbosa, que em meio as lutas e esforos me incentivou e empurrou de todas as maneiras em todo o percurso da graduao e principalmente no decorrer deste trabalho. Mulher sbia e generosa que eu me espelho completamente, e ao meu querido pai, Valdenir Tavares, que com toda a pacincia vinda de Deus, me ajudou com palpites e conselhos de como caminhar na melhor forma. Sou eternamente grata aos dois tambm por ter me dado educao, valores ticos e bons exemplos para enfrentar qualquer dificuldade.

    Agradeo tambm o meu irmo, Victor Tavares, futuro Doutor em Fsica Experimental e, principalmente, um homem bom.

    A minha av, Alzira Maria que, em meio s batalhas espirituais, intercedeu pela minha vida, me fortalecendo dia ps dia e, tambm, me alimentando com as melhores refeies da minha vida.

    E a todos meus amigos e familiares que me proporcionaram momentos felizes e de divertimento, os quais me aliviaram durante muitos momentos de dificuldade.

    Obrigada a todos!

  • Este mais lindo sistema [o Universo] somente

    poderia proceder do domnio de um Ser inteligente

    e poderoso.

    Isaac Newton

  • RESUMO

    O presente trabalho tem como principal intuito identificar o que influencia os alunos do

    ensino mdio no aprendizado da disciplina de Fsica. Verificamos que, apesar da Fsica ser

    essencial para o conhecimento do Universo, o ensino desta nas escolas esta longe de ser o

    ideal. Quando ensinada no ensino mdio, o aluno tem a viso que a Fsica no passa de

    um amontoado de equaes matemticas que devem ser decoradas para se ingressar num

    curso superior. Reduzir a Fsica s a isso um grande equivoco, sendo reflexo da

    deficincia da educao desde o incio da colonizao do Brasil no sculo XVI. Para se

    mudar este quadro, a utilizao de aulas experimentais no ensino de Fsica essencial.

    Entretanto, devido a atual baixa carga horria da disciplina, aulas experimentais no so

    cogitadas pelos professores do Ensino Mdio.

    Palavras-chave: Ensino de Fsica. Dificuldades de aprendizagem. Aulas experimentais.

  • ABSTRACT

    This work has as main objective to identify what influences high school students in the

    learning of Physics. We found that although the physics is essential to the knowledge of the

    Universe, teaching this in schools is far from ideal. When it is taught in school, the student

    has the vision that physics is nothing but a bunch of mathematical equations that must be

    decorated to go to college. Reduce Physical only it is a great mistake, and consequence of

    the deficiency of education since the beginning of the colonization of Brazil in the sixteenth

    century. Furthermore, the use of experimental classes in teaching is essential, but it is

    insufficient and hampered due to low workload discipline.

    Keywords: Physics Teaching. Learning disabilities. Experimental classes.

  • LISTA DE TABELAS

    Grfico 12.1.1.1: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 44

    (Interesse pela disciplina) .......................................................................................... 69

    Grfico 12.1.1.2: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 45

    (Empenho do professor em sala de aula para ensinar a disciplina) ........................... 70

    Grfico 12.1.1.3: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 46

    (Domnio que o professor tem da disciplina) ............................................................ 70

    Grfico 12.1.1.4: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 47

    (Conhecimento dos assuntos abordados na disciplina) ............................................. 71

    Grfico 12.1.1.5: Nota mdia dos alunos em cada disciplina (Questo 49) .............. 71

    Grfico 12.1.2.1: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 44

    (Interesse pela disciplina) .......................................................................................... 69

    Grfico 12.1.2.2: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 45

    (Empenho do professor em sala de aula para ensinar a disciplina) ........................... 30

    Grfico 12.1.2.3: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 46

    (Domnio que o professor tem da disciplina) ............................................................ 30

    Grfico 12.1.2.4: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 47 (Conhecimento

    dos assuntos abordados na disciplina) ....................................................................... 30

    Grfico 12.1.2.5: Nota mdia dos alunos em cada disciplina (Questo 49) .............. 30

    Grfico 12.2.1.1: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 44

    (Interesse pela disciplina) .......................................................................................... 30

    Grfico 12.2.1.2: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 45

    (Empenho do professor em sala de aula para ensinar a disciplina) ........................... 30

    Grfico 12.2.1.3: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 46

    (Domnio que o professor tem da disciplina) ............................................................ 30

    Grfico 12.2.1.4: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 47

    (Conhecimento dos assuntos abordados na disciplina) ............................................. 30

    Grfico 12.2.1.5: Nota mdia dos alunos em cada disciplina (Questo 49) .............. 30

  • Grfico 12.2.2.1: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 44

    (Interesse pela disciplina) .......................................................................................... 30

    Grfico 12.2.2.2: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 45

    (Empenho do professor em sala de aula para ensinar a disciplina) ........................... 30

    Grfico 12.2.2.3: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 46

    (Domnio que o professor tem da disciplina) ............................................................ 30

    Grfico 12.2.2.4: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 47 (Conhecimento

    dos assuntos abordados na disciplina) ....................................................................... 30

    Grfico 12.2.2.5: Nota mdia dos alunos em cada disciplina (Questo 49) .............. 30

    Grfico 12.3.1.1: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 44

    (Interesse pela disciplina) .......................................................................................... 30

    Grfico 12.3.1.2: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 45

    (Empenho do professor em sala de aula para ensinar a disciplina) ........................... 30

    Grfico 12.3.1.3: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 46

    (Domnio que o professor tem da disciplina) ............................................................ 30

    Grfico 12.3.1.4: Nota mdia dada pelos alunos no quesito da questo 47 (Conhecimento dos assuntos abordados na disciplina) ............................................. 30

    Grfico 12.3.1.5: Nota mdia dos alunos em cada disciplina (Questo 49) .............. 30

  • SUMRIO

    1 INTRODUO .................................................................................................... 21

    2 DEFININDO A DISCIPLINA DE FSICA ........................................................ 23

    3 EVOLUO DO ENSINO NO BRASIL ........................................................... 27

    3.1PERODO JESUTICO (1549-1759) ................................................................... 27

    3.2PERODO POMBALINO (1760-1808) ............................................................... 28

    3.3PERODO JOANINO (1808-1821) ..................................................................... 28

    3.4PERODO IMPERIAL (1822-1889) .................................................................... 29

    3.5 PRIMEIRA REPBLICA (1889-1936) .............................................................. 30

    3.6 ESTADO NOVO(1937-1945) ............................................................................. 31

    3.7REPBLICA NOVA (1946-1963) ...................................................................... 32

    3.8DITADURA MILITAR (1964-1985) ................................................................... 32

    3.9 NOVA REPBLICA (a partir de 1986) ............................................................. 33

    4 PAPEL E FORMAO DO EDUCADOR ....................................................... 35

    5 O USO DA MATEMTICA PARA COMPREENSO DA FSICA ............. 39

    6 INTERPRETAO DE ENUNCIADOS ........................................................... 41

    7 AULAS EXPERIMENTAIS PARA O ENSINO DA FSICA .......................... 43

    8 METODOLOGIA DESENVOLVIDA ............................................................... 45

    9 ESCOLA MIGRANTES ...................................................................................... 47

    9.1 SEGUNDO ANO DO ENSINO MDIO ............................................................ 47

    9.1.1 Questionrio Voc e sua Famlia ................................................................... 47

    9.1.2 Questionrio Voc e o Trabalho .................................................................... 48

    9.1.3 Questionrio Voc e os Estudos ..................................................................... 48

    9.2 TERCEIRO ANO DO ENSINO MDIO ........................................................... 50

    9.2.1 Questionrio Voc e sua Famlia ................................................................... 50

    9.2.2 Questionrio Voc e o Trabalho .................................................................... 51

    9.2.3 Questionrio Voc e os Estudos ..................................................................... 52

    10 ESCOLA GONALVES DIAS ......................................................................... 55

  • 10.1 SEGUNDO ANO DO ENSINO MDIO .......................................................... 55

    10.1.1 Questionrio Voc e sua Famlia ................................................................. 55

    10.1.2 Questionrio Voc e o Trabalho .................................................................. 56

    10.1.3 Questionrio Voc e os Estudos ................................................................... 57

    10.2 TERCEIRO ANO DO ENSINO MDIO ......................................................... 59

    10.2.1 Questionrio Voc e sua Famlia ................................................................. 59

    10.2.2 Questionrio Voc e o Trabalho .................................................................. 60

    10.2.3 Questionrio Voc e os Estudos ................................................................... 60

    11E.E.E.F.M. LAURO BENNO ............................................................................. 63

    11.1 TERCEIRO ANO DO ENSINO MDIO ......................................................... 63

    11.1.1 Questionrio Voc e sua Famlia ................................................................. 63

    11.1.2 Questionrio Voc e o Trabalho .................................................................. 64

    11.1.3 Questionrio Voc e os Estudos ................................................................... 65

    12 ANLISE DAS RESPOSTAS DOS ALUNOS ................................................ 69

    12.1 ESCOLA MIGRANTES ................................................................................... 69

    12.1.1 Segundo Ano ................................................................................................. 69

    12.1.2 Terceiro Ano ................................................................................................. 72

    12.2 ESCOLA GONALVES DIAS ........................................................................ 74

    12.2.1 Segundo Ano ................................................................................................. 74

    12.2.2 Terceiro Ano ................................................................................................. 77

    12.3 ESCOLA LAURO BENNO .............................................................................. 79

    12.3.1 Terceiro Ano ................................................................................................. 79

    13 ANLISE DAS RESPOSTAS DOS PROFESSORES .................................... 83

    13.1 E.E.E.F.M. MIGRANTES ............................................................................. 83

    13.2 E.E.E.F.M. JOVEM GONALVES DIAS ....................................................... 84

    14 CONCLUSO ..................................................................................................... 87

    REFERNCIAS ...................................................................................................... 89

    APNDICE A QUESTIONRIO DOS ALUNOS ............................................ 91

    APNDICE B QUSTIONRIO DOS PROFESSORES ................................... 95

    APNDICE C ANLISE DOS ALUNOS POR ESCOLA ............................... 99

  • 21

    1 INTRODUO

    Desde o Perodo Jesutico (1549-1759) at a Nova Repblica (1986-1996), a

    Educao Brasileira sofreu muitas modificaes e rupturas, passando por vrios

    parmetros curriculares, at a ltima edio da Lei de Diretrizes e Bases da Educao

    Nacional (LDB, 1996). Mas o que realmente se viu ao longo do tempo foi uma

    expanso muito grande de quantidade de escolas pblicas, no acontecendo o mesmo

    com a qualidade de ensino e aprendizagem.

    No sculo XVIII, com a Revoluo Industrial, houve um grande salto

    tecnolgico na Europa, repercutindo numa preocupao crescente no Brasil pela

    necessidade de melhoria da qualidade do ensino de cincias naturais. Mas, novamente,

    apesar da expectativa de melhoria, a realidade foi outra. At os dias atuais h uma

    deficincia significativa e prejudicial para o verdadeiro aprendizado da Fsica, devido a

    fatores estruturais escolares, como: a carncia de profissionais de ensino e falta de

    didtica adequada nas sries iniciais e no ensino mdio, que est ligada a falta de

    laboratrios de pesquisas, pssima qualidade dos materiais didticos, etc..

    No presente trabalho, so abordados a importncia no processo de

    desenvolvimento tecnolgico de conceitos fsicos e o incio da educao brasileira e o

    ensino de Fsica em uma anlise histrica sintetizada. So descritos tambm alguns

    marcos dessa histria, mostrando as transformaes que a educao sofreu ao longo do

    tempo e, em cada perodo, a importncia que foi dada ao ensino, enfatizando a

    necessidade que se tem de professores e comentando o processo de formao do

    educador, mostrando sua desvalorizao e a carncia que se tem atualmente desses

    profissionais, terminando por expor a situao precria das escolas pblicas, do ponto

    de vista de sua estrutura fsica e humana. apresentada a necessidade de um

    conhecimento prvio interdisciplinar para a aprendizagem da Fsica, mostrando a

    ligao da Fsica com a Matemtica e da capacidade de interpretar enunciados com o

    conhecimento da lngua Portuguesa.

    Alm da importncia do processo de integrao recproca entre vrias

    disciplinas, as aulas experimentais so essenciais para compreenso de conceitos fsicos

    e para o ensino da cincia.

  • 22

    Ento, aborda-se a importncia da ligao entre a teoria e a prtica, mostrando

    que assim o aluno possuir as condies mnimas necessrias para que se possa

    desenvolver a habilidade para que, ao se deparar com o novo, saiba avaliar, julgar,

    apreender e modificar de acordo com a realidade na qual est inserido.

    Em seguida, detalham-se os mtodos empregados na pesquisa, levantando

    possveis problemas enfrentados pelos alunos e considerando os dados colhidos.

    tambm indicado aes para possveis atenuaes dos problemas existentes.

  • 23

    2 DEFININDO A DISCIPLINA DE FSICA

    Alguns autores afirmam que a Fsica no tem delimitaes, estando em contnua

    evoluo, na busca de desvendar novos fenmenos da natureza, descrevendo esses

    fenmenos como Leis Fsicas que, quando generalizadas, podem ser usadas em vrias

    outras situaes. Assim, por exemplo, temos as leis de Newton e de Hertz que, segundo

    MXIMO e ALVARENGA (2003, p.7) descreve a Fsica como a cincia que estuda a natureza, com a preocupao de nos direcionar ao conhecimento dos fenmenos naturais, conhecimentos referentes a um novo mundo que vem sendo criado pelo homem, que ampliam cada vez mais o campo da Fsica, tornando nossas vidas profundamente envolvidas por ela.

    Segundo Ribeiro (2010), a Fsica explica questes que evidenciam a

    curiosidade inerente ao ser humano a partir de questionamentos sobre os porqus

    causais (mecanicistas) e finais (teleolgicos) de fenmenos fsicos cotidianos.

    Com a evoluo cientfica, a Fsica ganhou um grande destaque em relao s

    outras cincias e seu campo de estudo teve uma grande expanso. Com as novas

    descobertas foi surgindo uma diviso de reas dentro da prpria Fsica, de forma que

    cada rea abrangesse os assuntos com propriedades semelhantes, relacionando-os. Com

    isso, a Fsica se dividiu em duas reas, a Fsica Clssica (at o final do sculo XIX) e a

    Fsica Moderna (a partir do sculo XX).

    A Fsica Clssica voltada para o mundo macroscpico, ou seja, estuda corpos

    de dimenses maiores que tomos ou molculas que se deslocam com velocidades bem

    menores que a velocidade da luz. Ela se divide em:

    Mecnica: a parte da Fsica que analisa o movimento, as variaes

    de energia e as foras que atuam sobre um corpo. Ela se

    subdivide em cinemtica (estudo do movimento), esttica

    (corpos em equilbrio) e dinmica (estudo das causas do

    movimento);

    Termologia: Estuda os efeitos do calor e do trabalho sobre a matria;

    Ondulatrio: Estuda todos os tipos de ondas (em cordas, sonoras,

  • 24

    luminosas e de gua) e sua forma de propagao;

    ptica: Estuda as propriedades da luz, sua interao com objetos e

    com ela mesma;

    Eletromagnetismo: Estuda as cargas eltricas em repouso (eletricidade) e em

    movimento (magnetismo).

    J a Fsica Moderna, elaborada a partir de 1900 e que possibilitou os grandes

    avanos tecnolgicos contemporneos, a parte da Fsica voltada para corpos que se

    deslocam com velocidades prximas a da luz e para partculas microscpicas. Ela se

    divide em:

    Relatividade restrita: reformulou os conceitos de espao, tempo e energia ao estudar

    partculas em alta velocidade (prximas a velocidade da luz)

    Relatividade geral: unificou a mecnica com a gravitao, descrevendo a interao

    gravitacional como uma funo das propriedades geomtricas

    do espao.

    Mecnica Quntica: abrange todo o mundo microscpico atmico e das partculas

    elementares.

    Assim, a funo da Fsica desvendar os mistrios da natureza a fim de levar o

    homem a entender mais sobre sua relao com o mundo e o universo, de forma a

    mostrar que no existem teorias, postulados, paradigmas ou modelos absolutos sobre

    essa relao, sendo todos relativos e suscetveis a novas descobertas e entendimentos,

    ou seja, todas as teorias e leis e todos os princpios cientficos so provisrios, valem

    durante algum tempo e em determinadas condies (GASPAR, 2008).

    Como exemplo, houve algumas geraes de grandes fsicos (como a gerao

    nascida no final do sculo XIX e incio do sculo XX) que acreditavam que todos os

    fenmenos naturais estavam prximos de ser compreendidos e explicados, no havendo

    nada mais a ser descoberto. Mas foram surpreendidos com a complexidade da natureza,

    sendo obrigados a reformular radicalmente a maior parte do que j tinham aprendido

    sobre a Fsica, inovando seus conhecimentos e readaptando-os Fsica Moderna.

    Pode-se considerar que um objetivo da disciplina de Fsica levar o aluno a

    analisar causa e efeito dos fenmenos e no pens-los como algo voltado as suas

  • 25

    crenas e supersties. Ou seja, a Fsica aprendida na escola, pode ser incorporada e

    aplicada de forma prtica em atividades do cotidiano mais explicitamente.

    Vale ressaltar que a Fsica a cincia bsica para o estudo interdisciplinar, tanto

    das cincias afins (astrofsica, geofsica, biofsica e fsico-qumica) quanto de qualquer

    outra cincia, ou seja, alm de estudar e buscar conhecimento sobre o Universo, a Fsica

    se ocupa de todos os ramos da atividade humana. Segundo GASPAR (2002): No h

    cincia que prescinda desse conhecimento. Por isso, em relao Fsica, a

    interdisciplinaridade pode ser entendida como uma conseqncia do estudo de qualquer

    disciplina.

  • 26

  • 27

    3 EVOLUO DO ENSINO NO BRASIL

    Costuma-se dividir a histria da educao Brasileira em perodos, que so:

    Perodo Jesutico (1549-1759), Perodo Pombalino (1760-1808), Perodo Joanino

    (1808-1821), Perodo Imperial (1822-1889), Primeira Repblica (1889-1936), Estado

    Novo (1937-1945), Repblica Nova (1946-1963), Ditadura Militar (1964-1985) e Nova

    Repblica (a partir de 1986). Cada perodo teve a sua influncia para o sistema

    educacional atual, ser visto a seguir.

    3.1 PERODO JESUTICO

    A educao trazida da Europa, a princpio era comandada pelo Padre Manoel de

    Nbrega, sendo que Irmo Vicente foi o primeiro professor nos moldes europeus no

    Brasil. Neste perodo a prioridade era propagar a f catlica aos ndios, ficando a

    educao em segundo plano. Segundo VILELA (2009), Os colonizadores queriam usar

    a educao para dominar pela f e procuravam ensinar tcnicas elementares de

    produo, um pouco de leitura, escrita, clculo e, principalmente, ensino bblico e

    doutrinas da Igreja

    Mas alm da questo religiosa, numa poca de absolutismo, a Igreja era ento

    submetida ao poder real, assumindo o papel de agente colonizador na garantia da

    unidade poltica, atravs da uniformizao da f e da conscincia.

    No perodo de 210 anos (1549-1759), mesmo com as dificuldades enfrentadas

    em terra estranha e selvagem, os jesutas promoveram o controle da f e a moral dos

    habitantes da nova terra, alm de catequese dos ndios, educao dos filhos dos colonos

    e formao de novos sacerdotes e da elite intelectual.

    O encaminhamento dos brasileiros para as carreiras profanas das profisses

    liberais, como direito, medicina e at o estudo de cincias fsicas e naturais, s era

    possvel quando estes eram enviados para estudar no exterior, pois o ensino oferecido

    no Brasil visava apenas a formao humanstica, centrada no latim e no estudo dos

    clssicos.

  • 28

    3.2 PERODO POMBALINO

    Os jesutas foram expulsos das colnias quando j tinham implantado vrias

    residncias, misses, colgios e seminrios, alm de escolas de primeiras letras. Com

    isso, a educao brasileira sofreu uma grande ruptura, por haver j se consolidado como

    modelo educacional.

    A expulso se deu pela diferena de interesses, ou seja, enquanto os Jesutas

    tinham por objetivo servir aos interesses da f, o primeiro-ministro Marqus de Pombal

    desejava organizar as escolas para servir aos interesses do Estado. Segundo Vilela

    (2009) O resultado da deciso de Pombal foi que, no princpio do sculo XIX, a educao brasileira estava reduzida a praticamente nada. O sistema jesutico foi desmantelado e nada que pudesse chegar prximo deles foi organizado para continuar o trabalho de educao.

    Nesse perodo so tomadas vrias medidas desconexas e fragmentadas, sendo

    que s em 1772 a coroa se encarregou de organizar a educao, nomeando professores

    e estabelecendo planos de estudo e inspeo.

    Nesse mesmo ano, em Portugal, a Universidade de Coimbra passou por uma

    transformao, sendo inserido ao ensino o estudo das matemticas, cincias da natureza

    e, no lugar do Latim, o ensino da lngua moderna.

    3.3 PERODO JOANINO

    Com a chegada da Famlia Real (1808) ao Brasil, ocorreu no Brasil um grande

    salto cultural em termos de polticas educacionais. Para atender s necessidades

    prementes da nova capital e centro do Imprio Portugus, D. Joo VI abriu a Academia

    Real da Marinha (1808) e a Academia Real Militar (1810), que em 1832 foram juntadas,

    formando uma instituio de engenharia militar, naval e civil; criou uma escola de

    cursos mdico-cirrgicos no Rio de Janeiro e outra em Salvador, visando a formao de

    mdicos para a Marinha e o Exrcito; transferiu a Biblioteca Real para o Rio de Janeiro;

    criou o Jardim Botnico com o incentivo dos estudos de botnica e zoologia, com o

  • 29

    levantamento das variedades de plantas e animais, bem como a estimulao de

    expedies cientficas e a criao da Imprensa Rgia.

    Apesar de toda essa mudana da capital, a educao continuou no tendo grande

    importncia, ou seja, o Brasil ainda no tinha um slido sistema educacional. Pois essa

    inovao teve nfase apenas no ensino superior e no foi acompanhada por igual

    interesse nos demais nveis de educao.

    Segundo Fernando de Azevedo: A educao teria de arrastar-se, atravs de todo o sculo XIX, inorganizada, anrquica, incessantemente desagregada. Entre o ensino primrio e o secundrio no h pontes ou articulaes: so dois mundos que se orientam cada um na sua direo.

    3.4. PERODO IMPERIAL

    Depois da Proclamao da Independncia brasileira (1822), D. Pedro I institui o

    Mtodo Lancaster para suprir a falta de professores. Este mtodo consistia em um aluno

    treinado, sob vigilncia de um inspetor, que ensinava a um grupo de outros 10 alunos.

    J em 1824, D. Pedro I outorga a primeira Constituio Brasileira, sendo que o Art. 179

    dizia respeito Lei Magna: a instruo primria gratuita para todos os cidados. Logo

    aps foi decretado quatro graus de instruo: Pedagogias (escolas primrias), Liceus,

    Ginsios e Academias. Em seguida, foi proposta a criao de pedagogias em todas as

    cidades e vilas, exames para a seleo de professores e abertura de escolas para

    meninas.

    Em 1827 surgiram em So Paulo e Recife cursos jurdicos, tornando-se

    faculdades em 1854. Dentre todos os cursos, eram os que mais atraiam os jovens que

    procuravam o estudo superior.

    Logo, em 1858, aps sucessivas junes e desmembramentos da Academia Real

    da Marinha e Academia Real Militar, foi organizada a Escola Militar, que preparava os

    jovens para a carreira militar. J em 1874 foi criada a Escola Politcnica, na inteno de

    formar engenheiros civis.

    Nem mesmo assim o sistema educacional brasileiro avanou em questo de

    qualidade.

  • 30

    3.5 PRIMEIRA REPBLICA

    Com a queda do imperialismo e a Proclamao da Repblica em 1889, criada a

    nova Constituio em 1891, mostrando mais uma vez o desinteresse pela educao.

    Neste perodo realizada mais uma reforma proposta por Benjamin Constant, que tinha

    como princpio a liberdade, gratuidade da escola primria e laicismo do ensino, ou seja,

    um ensino desvinculado da educao religiosa. Alm de transformar o ensino em

    formador de alunos para um curso superior, a Reforma pretendia substituir o

    predomnio literrio pelo estudo das cincias da natureza e das matemticas. Conforme

    XAVIER (1994): O ensino secundrio foi reformado por Benjamin Constant, primeiro ministro da pasta de integrao, correios e telgrafos (1890-1892). A reforma na escola secundria introduziu o estudo de cincias, incluindo noes de sociologia, moral, direito e economia poltica, ao lado das disciplinas tradicionalmente ensinadas.

    As mudanas propostas nunca tiveram continuidade. Na verdade estas mudanas

    s eram apresentadas como forma de fortalecer as elites da poca.

    Com a Revoluo de 30 o Brasil entrou no modelo capitalista de produo. Ou

    seja, a nova realidade exigia uma mo-de-obra especializada com um mnimo de

    escolarizao. Mas, nesse ponto, o ndice de analfabetismo no Brasil atingia uma mdia

    de 80%.

    Em 1924 foi fundada a Associao Brasileira de Educao (ABE), que

    organizam diversas conferncias sobre a educao nacional.

    Em 1930 foi criado o Ministrio da Educao e Sade Pblica, a fim de ter uma

    melhora no planejamento das reformas educacionais e estruturao real da universidade.

    Fernando de Azevedo lanou nao, em 1932, o Manifesto dos Pioneiros da

    Educao Nova, assinado por vrios conceituados educadores da poca. Esse

    documento reivindicava uma escola bsica nica, onde no havia diferena entre o

    ensino destinada aos pobres e aos ricos. Alm disso, o documento afirmava que era

    dever do Estado tornar a educao obrigatria, pblica, gratuita e leiga.

    Em 1934 foi criada a primeira universidade organizada segundo o Estatuto das

    Universidades Brasileiras de 1931, a Universidade de So Paulo (USP), com os cursos

    de Filosofia, Cincias e Letras. Logo depois foi criada a Universidade do Distrito

  • 31

    Federal, no atual municpio do Rio de Janeiro. Mas s em 1937 os primeiros professores

    licenciados para o ensino secundrio foram diplomados no Brasil.

    Durante o mandato de Getlio Vargas como presidente (1934-1937), foi feita

    uma srie de reformas no ensino secundrio, como a criao da Escola de Sociologia e

    Poltica em So Paulo e a Escola de Qumica no Rio de Janeiro.

    Segundo OLIVEIRA (2007): Pode-se dizer que essa poca foi umas das mais brilhantes para o estudo de cincias, numa poca onde a sociedade brasileira incorpora pelo menos um pouco do esprito cientfico vigente. Este perodo do governo Vargas ficou caracterizado pelas profundas mudanas na legislao educacional e a implantao do ensino profissionalizante.

    3.6 ESTADO NOVO

    Em 1937 outorgada uma nova Constituio enfatizando o ensino pr-

    vocacional e profissional. Tambm prope que a arte, a cincia e o ensino sejam livres

    iniciativa individual e associao ou pessoas coletivas pblicas e particulares, tirando

    do Estado o dever da educao. Por outro lado, ainda mantm a gratuidade e a

    obrigatoriedade do ensino primrio.

    Com isso a educao, desenvolvida qualitativamente na Primeira Repblica,

    entra numa estagnao. As conquistas do movimento renovador foram enfraquecidas

    nessa nova Constituio, marcando o trabalho intelectual para a elite e o trabalho

    manual para as classes menos favorecidas.

    O ensino ficou sendo na modalidade clssico ou cientfico, compondo o curso

    primrio (cinco anos), ginasial (quatro anos) e colegial (trs anos). Apesar da diviso do

    ensino secundrio entre clssico e cientfico, a escolha predominante dos alunos foi o

    mdulo cientifico.

    3.7 REPBLICA NOVA

  • 32

    Em 1946 foi criada uma comisso com o objetivo de elaborar um anteprojeto de

    reforma geral da educao nacional, organizada em trs subcomisses (ensinos

    Primrio, Mdio e Superior), gerando uma discusso em torno das propostas

    apresentadas.

    Num primeiro momento as discusses estavam relacionadas s interpretaes

    contraditrias das propostas constitucionais. Posteriormente, a responsabilidade do

    Estado quanto educao e a participao das instituies privadas de ensino tomaram

    a ateno da discusso.

    Mais de uma dcada depois prevaleceram as reivindicaes da Igreja Catlica e

    de estabelecimentos particulares de ensino, promulgando em 1961 a Lei 4.024.

    Alm do marco que a discusso sobre Lei de Diretrizes e Bases para a Educao

    Nacional (1961), teve nesse perodo muitas iniciativas que deixaram a Repblica Nova

    conhecida como o perodo mais frtil da Histria da Educao no Brasil, pois em 1950

    foi inaugurado o Centro Popular de Educao (Centro Educacional Carneiro Ribeiro)

    em Salvador-BA, dando incio a sua idia de escola-classe e escola-parque. Lauro de

    Oliveira Lima, em 1952, iniciou outra forma de didtica com o Mtodo Psicogentico,

    que baseado nas teorias cientficas de Jean Piaget; logo, em 1953, a educao passa a

    ter um Ministrio prprio, que o Ministrio da Educao e Cultura e, em 1961, o

    Brasil iniciou uma campanha de alfabetizao cuja didtica propunha alfabetizar adultos

    analfabetos, criada por Paulo Freire.

    3.8 DITADURA MILITAR

    Com o golpe militar de 1964, todas as iniciativas de revoluo da educao

    foram eliminadas, alegava-se que eram propostas subversivas. Agindo

    antidemocraticamente, professores e alunos foram abafados, muitas vezes pela violncia

    fsica. Segundo VILELA (2009) Professores foram presos e demitidos; universidades foram invadidas; estudantes foram presos e feridos nos confronto com a polcia e alguns foram mortos; os estudantes foram calados e a Unio Nacional dos Estudantes proibida de funcionar; o Decreto-Lei 477 calou a boca de alunos e professores.

  • 33

    Nesse perodo, alm do vestibular classificatrio pela insuficincia de vagas nas

    universidades, tambm foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetizao (MOBRAL)

    para erradicar o analfabetismo, mas no teve xito, devida a muitas denncias de

    corrupo. O movimento acabou sendo extinto, dando lugar Fundao Educar.

    Foi no auge da violncia da ditadura militar que foram institudas as Leis

    5540/68 e 5.692/71 na LDB, onde foram impondo autoritariamente por militares e

    tecnocratas a impresso da educao como uma tendncia fortemente tecnicista.

    3.9 NOVA REPBLICA

    Ao final da Ditadura Militar a discusso deixou de ser por questes educacionais

    pedaggicas assumindo carter poltico. Logo, profissionais de reas distantes do

    conhecimento pedaggico, impedidos de assumirem suas funes, passaram a assumir o

    posto de educadores e oradores em nome do saber.

    Desde o perodo anterior, havia um fortalecimento de diversos grupos

    representativos da sociedade civil, como a Associao Brasileira de Imprensa, a Ordem

    de Advogados do Brasil e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Cincia.

    Mas claro que a educao sofreu diversos impasses. A taxa de analfabetismo

    continuava alta, sendo que a burocracia e a legislao arcaica impediam a mudana

    desse quadro.

    Alm disso, a importao de modelos inadequados criou discrepncia ainda

    maior entre os valores que se queriam atingir e as condies reais vivenciadas. O que se

    presenciou realmente, desde o incio da histria, foi muitas propostas frustradas que

    pouco contriburam para o desenvolvimento da qualidade de ensino oferecido.

    A dependncia cultural impedia o desenvolvimento da crtica e dificultou muito

    a pesquisa como um todo, de modo que a escola permanecia como um local de

    transmisso e no de produo do saber.

  • 34

  • 35

    4 PAPEL E FORMAO DO EDUCADOR

    Antes de estabelecer qualquer hierarquia de prioridades na educao,

    descrevem-se alguns aspectos, conceitos ou instrumentos didticos utilizados no ensino

    das cincias com a Fsica. Considera-se primeiro sobre o papel do professor, que deve

    ter princpios bsicos para o cumprimento de sua funo, como:

    Compreender as ideias bsicas da Fsica, reconhecendo-as no mundo sua

    volta e conscientizar-se da importncia dessa disciplina;

    Conforme PIETROCOLA (2001), intermediar o conhecimento do aluno,

    construindo o conhecimento, atitudes, comportamentos e habilidades,

    cooperando com o desenvolvimento da autonomia intelectual e do

    pensamento crtico e incentivar, atravs de mtodos de ensino, a iniciativa e

    independncia cientfica. Como nas escolas ensinada uma Fsica que pouco ou nada tem a ver com o cotidiano do aluno, esta disciplina vista pelos mesmos como algo intil e que no servir para nada, pois o conhecimento est se restringindo apenas a sala de aula. A Fsica como conhecimento s poder ser interligada ao patrimnio intelectual dos indivduos caso ela possa ser percebida em ligao com o mundo que nos cerca.

    Ser flexvel, receptvel e crtico, inovando e pesquisando conhecimentos e

    novos caminhos que favoream a aprendizagem, aperfeioando sua

    formao profissional continuamente, a fim de ser efetivamente renovada a

    aprendizagem em sala de aula para uma melhor qualidade de ensino. Ainda,

    conforme PIETROCOLA (2005): Um professor de Fsica deve ser um profissional de mltiplas habilidades: deve aliar uma slida base cientfica, conhecimento de natureza psicolgica, pedaggica didtica, histrica, filosfica, entre outros. E alm de dominar essas reas de conhecimento, ele deve ser capaz de integr-las de maneiras a se produzir uma viso interdisciplinar.

    Vale ressaltar que esta interdisciplinaridade deve ir alm de uma mera

    justaposio de disciplinas e, ao mesmo tempo, evitar a diluio das mesmas

    em generalidades. Conforme SAMPAIO (2005):

  • 36

    O conceito de interdisciplinaridade fica mais claro quando se considera o fato trivial de que todo conhecimento mantm um dilogo permanente com outros conhecimentos, que pode ser de questionamento, de confirmao, de complementao, de negao, de ampliao, de iluminao de aspectos no distinguidos.

    Estabelecer com clareza os objetivos a atingir, identificando as partes mais

    importantes, apresentando o contedo proposto de forma lgica, rigorosa e

    fluente, incentivando a compreenso de fundamentos cientfico-

    tecnolgicos, e relacionar a teoria com a prtica de cada disciplina, segundo

    GASPAR (2008): Apresentar o contedo de forma a privilegiar o rigor dos conceitos sem descuidar de suas aplicaes prticas e tericas, incluindo atividades experimentais simples, significativas e motivadoras e enfatizando a resoluo de exerccios, no apenas para que se encontre a soluo, mas para que reflita sobre ela e perceba como a ela se relaciona o contedo apresentado.

    Trabalhar em equipe junto comunidade educativa, na formao dos

    alunos, pois a cumplicidade fundamental para a gerao do

    conhecimento (DJACYR, 2009);

    Ter sensibilidade para auto avaliar-se, zelar pelo cumprimento do seu

    trabalho, visando a qualidade de suas aes. Segundo ALMEIDA (1992):

    Entendo o trabalhador docente autnomo como aquele no qual est

    presente a viso crtica das prprias aes, seus limites e possibilidades.

    Autonomia se alicera no entendimento do desempenho quando inserido

    num todo social amplo.

    Na historia da Educao Brasileira pode-se observar que a profisso de educador

    sempre foi uma ultima opo, pois o professor nunca foi realmente valorizado.

    Atualmente, pesquisas feitas pela Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel

    Superior (Capes) revelam que estudantes que resolvem seguir essa carreira so oriundos

    de classes mais baixas. O resultado disso a defasagem que vista nas escolas pblicas.

    Infelizmente, tm-se a falta de professores em formao especfica,

    principalmente em Fsica e Qumica. O dficit, segundo a pesquisa Capes, chega a ser

    exorbitante: faltam em mdia 50 mil profissionais. Conforme RISTOFF (2008):

  • 37

    No conseguiramos suprir a demanda, nem se todos os graduados nessas licenciaturas nos ltimos 25 anos passassem a atuar (...). As instituies formam cerca de 1.800 professores de Fsica por ano. Se nada for feito e continuarmos nesse ritmo, vamos levar 84 anos para atender demanda.

    Essa falta de valorizao profissional que resulta na falta de professores

    influenciada tambm pela defasagem salarial relacionada com a carga horria excedida

    e a falta de um plano de carreira efetivo. Sem contar com as pssimas condies de

    trabalho, ou seja, falta de laboratrios especficos e bibliotecas com acervo direcionado

    para as disciplinas crticas.

  • 38

  • 39

    5 O USO DA MATEMTICA PARA COMPREENSO DA FSICA

    No h nada que possa divergir a relao fatual entre Fsica e Matemtica, ou

    seja, a Fsica e a Matemtica esto to interligadas a ponto de se tornarem dependentes.

    Ento, obviamente, a Fsica s se torna compreensvel para o aluno quando este tem o

    completo domnio dos fundamentos matemticos, pois a matemtica a maneira de

    tirar, sem erros, as consequncias das leis Fsicas. Segundo PIETROCOLA (2005, p.

    41) Por ser forma de linguagem do conhecimento fsico, a Matemtica tem um papel

    relevante no ensino, tanto quanto tem no processo de educao. Essa relao

    interdisciplinar ser mantida ao longo de todo o Ensino Mdio, pois cada novo tpico de

    Fsica vai, em geral, requerer o aprendizado de novos pr-requisitos matemticos por

    parte do aluno.

    A dificuldade na aprendizagem da Fsica, na maioria das vezes, efeito de uma

    deficincia oriunda de sries iniciais, onde o aluno j possui dificuldade na

    compreenso de fundamentos da Matemtica. Segundo OLIVEIRA (2007), Em alguns

    casos, os alunos at possuem uma certa estrutura cognitiva do conhecimento

    matemtico necessrio, mas no conseguem relacionar os dois conceitos. O resultado

    esse caos que se vivencia em sala de aula: professores que no conseguem ensinar e

    alunos que no conseguem aprender. Para KLAJN (2002, p.144):

    Um pequeno erro matemtico pode invalidar um desenvolvimento fsico inteiro. Segundo o depoimento da entrevista 32, os erros cometidos so referentes aos smbolos matemticos [...] eu sempre pego e erro detalhes tipo assim: mais ou menos inverto [...] detalhezinhos assim eu erro coisas mnimas (da Matemtica e no da Fsica).outros estudantes tambm manifestam o envolvimento da Matemtica com a Fsica, possibilitando perceber esse entrelaar dos contedos como uma dificuldade para eles.

    Quando o profissional de ensino consciente dessa dificuldade, ele deve,

    independente do tempo que isso requer, ensinar e revisar contedos matemticos a fim

    de ter um bom rendimento na aprendizagem da Fsica, tornando mais acessvel

    compreenso da disciplina.

    Mas, infelizmente, essa deficincia do aluno ignorada pela maioria dos

    professores de Fsica, piorando cada vez mais a qualidade do ensino e tornando a

    disciplina rejeitada por uma grande parte de estudantes.

  • 40

  • 41

    6 INTERPRETAO DE ENUNCIADOS

    As dificuldades enfrentadas pelos alunos na resoluo de problemas na rea de

    Fsica est tambm associado falha dos mecanismos de interpretao do texto, ou seja,

    para a resoluo desses problemas necessaria a leitura crtica e interpretativa, o que

    implica o uso de tcnicas de leitura para o desenvolvimento da aquisio de

    conhecimento e da capacidade de compreenso do que foi lido. Sem essas diretrizes no

    ensino da leitura, os resultados configuraro em um quadro educativo de dificuldades

    que agravam problemas posteriores. Em relao a isto, GASPAR (2008) afirma que Para a resoluo de um exerccio no basta saber a teoria. Resolver um exercicio um novo aprendizado: preciso saber identificar ou decodificar as grandezas e as variaveis relevantes apresentadas no enunciado, saber utilizar as expresses matemticas adequadas, saber equacion-las e resolv-las e, por fim, saber expressar as respostas adequadamente.

    Os estudantes vivenciam nas escolas uma deficincia na compreeno da relao

    entre uma tese e os argumentos que a sutentam na leitura de um texto, limitando-os a

    resoluo de questes propostas pelo educador. Neste sentido, os resultados

    demonstram claramente a necessidade de metodologias mais apropriadas para favorecer

    a expanso do raciocinio.

    Se houver uma negligncia na aprendizagem no ensino fundamental, obviamente

    os alunos chegaro ao ensino mdio no conseguindo desenvolver a compreenso nas

    disciplinas voltadas para o raciocinio lgico, como Matemtica e Fsica.

    Logo, o ensino fundamental um ponto crucial da educao, cuja fase propcia

    para a aprendizagem correta e crtica da leitura, sem contar que a falta de habilidades e

    tcnicas de mecanismos de leitura tambm parte dos professores. fato.

    Ento, se faz necessrio desenvolver de forma interdisciplinar tcnicas de

    mecanismos de leitura interpretativa em atividades pedaggicas que contemplem a

    apreenso do texto e seu significado para que as dificuldades dos educandos sejam

    sanadas j no ensino fundamental. Para OLIVEIRA (2007): Quando o aluno entende e interpreta os enunciados corretamente, ele consegue traduzir o modelo fsico que est descrito, passando para outra forma de linguagem, como a Matemtica, que possa proporcionar a resoluo dos problemas ou exerccios.

  • 42

  • 43

    7 AULAS EXPERIMENTAIS PARA O ENSINO DA FSICA

    Uma das melhores formas de desenvolver o pensamento crtico e intelectual do

    individuo, como forma de estimular o desenvolvimento do raciocnio, atravs da

    experimentao com a exposio a situaes problemticas a serem superadas, assim

    como a interpretao dos fenmenos da natureza feita atravs de problemas e enigmas.

    Em relao a isto, Alves escreve de forma concisa sobre este desenvolvimento da

    inteligncia atravs da experimentao, como podemos observar:

    A inteligncia gosta de brincar. Brincando, ela salta e fica mais inteligente ainda. Brinquedo tnico para a inteligncia. Mas se ela tem de fazer coisas que no so desafios, ela fica preguiosa e emburrecida. Todo conhecimento cientifico comea com um desafio: um enigma a ser decifrado! A natureza desafia: Veja se voc me decifra!. E a os olhos e a inteligncia do cientista se pem a trabalhar para decifrar o enigma. Assim aconteceu com Kepler, cuja inteligncia brincava com o movimento dos planetas. Assim aconteceu com Galileu que, ao observar a natureza, tinha a suspeita de que ela falava uma linguagem que ele no entendia. Ps-se ento a observar e a pensar (cincia se faz com essas duas coisas, olho e crebro!) at que conseguiu decifrar o enigma: a natureza fala a linguagem da matemtica! E at hoje os cientistas continuam a brincar o mesmo brinquedo descoberto por Galileu.

    Logo, o uso de atividades experimentais fundamental para a compreenso da

    Fsica, amenizando as dificuldades de modo significativo e consistente. Ento, para o

    professor, no basta s passar adiante o que se sabe e, sim, reconhecer que existem

    diversas formas para que a aprendizagem do estudante acontea efetivamente.

    Segundo RIBEIRO (2010), a experimentao muitas vezes tem carter

    investigativo e permite uma deduo entre variveis a partir de tabelas e grficos

    matemticos, concluindo com uma descrio analtica e terica do fenmeno; sendo

    que outras vezes, a partir da compreenso de seus materiais didticos e discusso terica

    (dirigida pelo educando), os alunos tero condies de elaborar pressupostos e

    argumentao podendo fazer uma analise precisa dos erros.

    Ento o aluno deve ser estimulado a raciocinar, buscar informaes,

    desenvolvendo a capacidade de interpretao. E, para isso, o professor precisa

    incentivar a ligao entre a prtica e a teoria, entre a escola e a vida. Cabe ao professor

  • 44

    apresentar uma Fsica que o aluno possa perceber seu significado a partir do momento

    em que aprende, onde so explicados os princpios gerais que permitem entender, por

    exemplo, a queda de corpos, o arco-ris, raios laser, imagens de televiso, etc..

    Nas atividades prticas necessrio que o aluno atente no que realmente

    relevante, identificando causas e conseqncias para uma interpretao do que se

    aprendeu nas aulas prticas. Segundo GASPAR (2008):

    preciso curtir a experincia realizada (...) refletir sobre o que foi observado e sobre os resultados obtidos e verificar se esto de acordo com a realidade que procuram simular e, principalmente, perceber que relao h entre o que foi tratado teoricamente e o que foi observado experimentalmente.

    Para GALIAZZI (2001), o valor da experimentao tem uma grande importncia

    para a construo da teoria resultante da prtica, como se no existisse teoria ao se

    fazer prtica, ou seja, proposta a teoria junto prtica para uma melhor

    aprendizagem.

  • 45

    8 METODOLOGIA DESENVOLVIDA

    A fim de investigar os objetivos educacionais dos professores de Fsica, da

    situao do ensino em geral e da forma como os alunos do ensino mdio recebem os

    conhecimentos especficos de Fsica para uma possvel correlao desses dados com as

    notas do Enem, foram elaborados dois questionrios, contendo perguntas abertas,

    fechadas e mistas, para serem preenchidos por alunos que cursam o segundo e terceiro

    ano do ensino mdio (Apndice A) e professores da rede pblica que ministram aulas de

    Fsica (Apndice B)

    Foi feito um levantamento das dificuldades enfrentadas por alunos na

    aprendizagem da disciplina de Fsica, relacionando com a situao estrutural de cada

    escola pesquisada e a situao socioeconmica dos alunos. Para isso, foram distribudos

    os questionrios para alunos e professores de escolas pblicas estaduais em duas

    cidades do Estado de Rondnia. Em Mirante da Serra, situada no centro do Estado,

    foram avaliados alunos da nica escola que possui Ensino Mdio da cidade, o critrio

    para a escolha dessa escola foi a acessibilidade em relao mesma. E, em Ji-Paran, a

    segunda maior cidade do Estado, foram avaliadas duas escolas: a escola que possui a

    melhor e maior mdia do Enem e uma segunda escola que possua a menor mdia do

    Enem conforme dados do IDEB 2011.

    Antes de iniciar a aplicao do questionrio foi realizada uma breve

    apresentao do mesmo direo da escola ou ao seu representante. Uma vez

    autorizada a aplicao desses questionrios aos alunos, foi realizada uma nova

    apresentao do mesmo aos alunos, para deix-los cientes de se tratar de um trabalho de

    pesquisa para a realizao de um Trabalho de Concluso de Curso de Fsica. Alm

    disso, em grande parte das escolas onde se aplicou o questionrio foi possvel saber um

    pouco mais sobre as razes pelas quais eles responderam certas questes e o motivo

    pelo qual eles fizeram.

    Foram avaliados somente alunos do segundo e terceiro ano do Ensino Mdio de

    cada escola, tendo em vista que a pesquisa foi realizada no inicio do ano letivo, ou seja,

    os alunos do primeiro ano do Ensino Mdio no haviam tido um contato significativo

    com a disciplina de Fsica ainda.

  • 46

    O questionrio dos alunos foi dividido em trs partes. Na primeira parte, foi

    indagada sobre a condio socioeconmica do aluno e de sua famlia. Esta primeira

    parte era composta por perguntas como a profisso e escolaridade dos pais, situao

    habitacional e econmica da famlia. Na segunda parte, foram abordados questes

    referentes a situao profissional de cada aluno e a possibilidade do trabalho estar

    relacionado com o desempenho escolar. Estas primeiras perguntas estavam diretamente

    relacionadas com a terceira parte do questionrio, onde foram indagadas algumas

    questes sobre a escolaridade do aluno. Nesta ultima parte do questionrio os alunos

    responderam perguntas relacionadas com a situao estrutural da escola, didticas de

    todas as disciplinas, sobre as realizaes de atividades extracurriculares que tem

    beneficiado a aprendizagem, sobre os interesses dos alunos quanto a assuntos atuais e

    decises quanto continuao dos estudos.

    Concomitante com o questionrio dos alunos foi aplicado aos professores de

    Fsica que atuam nas respectivas escolas, independente de sua formao especfica, um

    questionrio distinto.

    Posteriormente foi realizada uma anlise dos dados obtidos utilizando-se tabelas

    e grficos, com o intuito de sintetizar as informaes dos questionrios e melhor

    compreender e descrever as informaes obtidas. Os resultados dos questionrios esto

    dispostos no Apndice C.

  • 47

    9 ESCOLA MIGRANTES

    A escola atende a mil e trs alunos, da zona urbana e rural do municpio, sendo

    quinhentos e oitenta e oito do Ensino Mdio. Ela a nica escola que atende os alunos

    do Ensino Mdio na cidade de Mirante da Serra, sendo seus alunos provenientes das

    mais diversas classes socioeconmicas, as mais diversas etnias e credos. Foi aplicado o

    questionrio numa turma de dezesseis alunos do segundo ano e em outra turma de vinte

    e dois alunos do terceiro ano do Ensino Mdio.

    9.1 SEGUNDO ANO DO ENSINO MDIO

    9.1.1 Questionrio Voc e sua Famlia

    Dos dezesseis entrevistados, a porcentagem de homens e mulheres a mesma.

    Todos os alunos so solteiros, no tem filhos, tem at dezoito anos e moram com os

    pais. Desses, somente vinte e cinco por cento moram na zona urbana, os outros setenta e

    cinco por cento moram na zona rural. Setenta e cinco por cento dos avaliados moram

    em casa prpria e todos tm gua corrente na torneira e eletricidade em casa.

    Quanto escolaridade dos pais, setenta e cinco por cento dos alunos afirmaram

    que o pai nunca estudou e outros setenta e cinco afirmaram que as mes estudaram at a

    quarta srie.

    A maioria dos pais trabalha na agricultura, no campo, em fazenda ou na

    piscicultura. Quanto s mes, vinte e cinco por cento trabalham em casa em servios

    como costura, cozinha e artesanato; outros vinte e cinco por cento realizam as tarefas

    domsticas (sem remunerao).

    Quanto condio financeira da famlia do aluno, sessenta e dois por cento

    desses responderam que a renda familiar de at dois salrios mnimo (at R$ 1356,00

  • 48

    inclusive). Cem por cento dos alunos questionados tm em sua casa televiso, oitenta e

    sete por cento tem automvel e quarenta e trs por cento tem acesso internet.

    9.1.2 Questionrio Voc e o Trabalho

    Na segunda parte do questionrio, somente trinta e um por cento dos alunos

    questionados exercem alguma atividade remunerada, outros cinquenta e seis por cento

    afirmaram que nunca trabalharam.

    Dos que trabalham, quarenta por cento afirmam que exercem uma atividade

    remunerada para adquirir experincia e outros quarenta por cento a fim de ajudar os pais

    nas despesas de casa. Sessenta por cento ganham at um salario mnimo (at R$678,00,

    inclusive) e os outros quarenta por cento tm sua remunerao entre um e dois salrios

    mnimos (de R$ 678,00 at R$ 1356,00, inclusive). Quarenta por cento trabalham na

    agricultura, no campo, na fazenda ou na piscicultura.

    Considerando os conhecimentos adquiridos no ensino mdio, sessenta e dois por

    cento dos alunos disseram que foram adequados ao mercado de trabalho a que o mesmo

    solicita/deseja, e noventa e trs por cento afirmaram que tem adquirido cultura e

    conhecimento ao longo dos estudos.

    9.1.3 Questionrio Voc e os Estudos

    A maior parte dos alunos afirmou que no tiveram reprovao no Ensino

    Fundamental, estudaram somente em escola pblica e no turno diurno. Doze por cento

    j fizeram algum curso de lngua estrangeira, sessenta e oito por cento participaram de

    cursos de computao ou informtica e dezoito por cento fizeram algum curso

    preparatrio para vestibular.

    Observou-se que mais de sessenta por cento dos alunos visitam sites e matrias

    na internet frequentemente, principalmente em contedos e jogos recreativos. Trinta e

    sete por cento desses alunos disseram que nunca leem jornais ou revistas de divulgao

    cientfica, tecnolgica, filosfica ou artstica, reportagens, livros cientficos, filosficos,

    histricos, documentrios, etc.; cinquenta por cento dos alunos no lem revistas de

  • 49

    informao geral; enquanto a maioria prefere ler revista de humor, quadrinhos, jogos,

    automveis, esportes, lazer, etc..

    Os alunos ainda fizeram uma breve avaliao de alguns pontos sobre a escola,

    conclui-se ento que cinquenta por cento dos alunos declararam insuficiente a regular as

    iniciativas da escola em realizar excurses, passeios culturais e estudos do meio

    ambiente; cinquenta por cento dos alunos, disseram que a biblioteca da escola estaria

    em um nvel entre o 'regular a bom'; j as salas de aula, segundo sessenta e dois por

    cento dos alunos, consideram o espao fsico regular a bom; cinquenta por cento dos

    alunos disseram que o acesso que os mesmo tm aos computadores e outros recursos de

    Informtica da escola so insuficientes para atender suas necessidades.

    Os alunos foram questionados sobre sua opinio de alguns aspectos em relao

    aos professores em sala de aula. Vinte e cinco por cento disseram que os professores so

    distantes e tm pouco envolvimento, j os outros setenta em cinto por cento dos alunos

    responderam que os professores da escola so preocupados e dedicados.

    Quanto s atividades extracurriculares, segundo a maioria dos alunos, a escola

    realiza feira de cincias, feira cultural, jogos (esportes, campeonatos), festa, gincanas,

    palestras e debates. J quanto ao atendimento educacional extraclasse, sessenta e dois

    por cento dos alunos avaliados disseram que a escola no o realiza.

    Como as trs principais contribuies na vida pessoal que o aluno obter ao

    realizar o Ensino Mdio, na opinio do mesmo, foram respectivamente: formao

    bsica necessria para continuar os estudos em uma universidade/faculdade, atender

    expectativa dos pais sobre os estudos e obteno de um certificado/diploma de

    concluso de curso.

    Quando perguntado se considerava preparado para alguma atividade profissional

    com o conhecimento adquirido no Ensino Mdio, sessenta e oito por cento disseram que

    se consideram preparados e trinta e sete por cento considera despreparado, devido

    baixa qualidade de ensino, por no t-lo preparado o suficiente; quarenta e trs por

    cento se consideram indecisos quanto a esse aspecto.

    Sessenta e dois por cento dos alunos consideraram "regular a bom" a capacidade

    da escola relacionar os contedos das matrias com o cotidiano; e oitenta e sete por

    cento dos alunos dizem que nas aulas so discutidos problemas da atualidade e que a

    escola leva em conta as opinies dos estudantes.

  • 50

    Pde-se verificar que os assuntos que obtiveram a preferncia de maior interesse

    dos alunos foi o de Meio Ambiente e Poluio, seguida, respectivamente, de Acesso

    e a Qualidade dos Servios Pblicos e Esportes em Geral.

    Aps concluir o Ensino Mdio, sessenta e oito por cento dos alunos pretendem

    prestar vestibular e continuar os estudos, doze por cento fazer algum curso

    profissionalizante e se preparar para o trabalho e os outros dezoito por cento ainda no

    decidiram. Quando questionados que profisso cada aluno escolheu seguir, trinta e sete

    por cento escolheram alguma profisso ligada s Cincias Biolgicas e da Sade, seis

    por cento escolheriam alguma ligada s Engenharias ou Cincias Tecnolgicas e

    cinquenta e seis ainda esto indecisos quanto escolha. Num prazo de quatro a cinco

    anos, sessenta e dois por cento dos alunos planejam conseguir prestar um concurso e

    trabalhar no setor pblico e trinta e sete por cento no planejaram.

    Pde-se verificar que as disciplinas que so consideradas pelos alunos como

    mais fceis de aprender foram: Biologia e Geografia, seguida por Histria e

    Matemtica, depois Qumica, Portugus e, por ltimo, Fsica.

    Perguntados sobre o que influencia na dificuldade que os alunos tm em

    aprender a disciplina de Fsica, sessenta e dois por cento dos alunos responderam que

    essa dificuldade est inteiramente ligada com a falta de compreenso das teorias, falta

    de utilidade da disciplina no dia-a-dia e, principalmente, a falta de aulas prticas. Outros

    vinte e cinco por cento disseram que tm dificuldade em aprender Matemtica.

    9.2 TERCEIRO ANO DO ENSINO MDIO

    9.2.1 Questionrio Voc e sua Famlia

    Dos vinte e dois entrevistados, aproximadamente sessenta e trs por cento so do

    sexo feminino e os outros trinta por cento masculinos. Todos os alunos so solteiros,

    no tm filhos, moram com os pais e tm at dezoito anos, sendo noventa por cento at

    dezessete anos e os outros dez por cento tm dezoito anos completos. De todos os

    alunos avaliados, somente dez por cento moram na zona urbana, os outros noventa por

  • 51

    cento moram na zona rural. Setenta e dois por cento dos avaliados moram em casa

    prpria e todos tm gua corrente na torneira e eletricidade em casa.

    Quanto escolaridade dos pais, setenta e dois por cento dos alunos afirmaram

    que o pai e a me estudaram at a quarta srie; dez por cento respondeu que os pais

    estudaram at a oitava srie (antigo ginsio); e uma minoria disse que tanto o pai quanto

    a me possuem o ensino superior completo.

    Sessenta e trs por cento dos pais trabalham na agricultura, no campo, em

    fazenda ou na piscicultura; dezenove por cento so funcionrios pblicos do governo

    federal, estadual ou municipal; e aproximadamente dez por cento trabalham em

    comrcio, banco, transporte, hotelaria ou outros servios. Quanto s mes, trinta e seis

    por cento trabalha no campo. Vinte e sete por cento so domsticas; vinte e dois por

    cento das mes trabalham no lar (sem remunerao) e, aproximadamente, dez por cento

    so funcionrias pblicas.

    Quanto condio financeira da famlia do aluno, quarenta e cinco por cento

    responderam que a renda familiar de at um salrio mnimo (at R$678,00, inclusive)

    e outros trinta e seis por cento tem a renda familiar de um a dois salrios mnimos (de

    R$ 678,00 at R$ 1356,00, inclusive). Cem por cento dos alunos questionados tm em

    sua casa televiso, setenta e dois por cento tem automvel e quarenta e cinco por cento

    tem acesso internet.

    9.2.2 Questionrio Voc e o Trabalho

    Na segunda parte do questionrio, somente dezoito por cento dos alunos

    questionados exercem alguma atividade remunerada, outros oitenta e dois por cento

    afirmaram que nunca trabalharam.

    Desses que trabalham, cinquenta por cento afirmam que exercem uma atividade

    remunerada para adquirir experincia e outros cinquenta por cento para ser

    independente (ter seu prprio dinheiro). Setenta e cinco por cento dos alunos que

    trabalham ganham at um salario mnimo (at R$678,00, inclusive) e os outros vinte e

    cinco por cento tem sua remunerao de um a dois salrios mnimos (de R$ 678,00 at

    R$ 1356,00, inclusive). Cinquenta por cento desses alunos trabalham em comrcio,

  • 52

    banco, transporte, hotelaria ou outros servios; vinte e cinco por cento trabalham na

    agricultura, no campo, na fazenda ou na piscicultura; e os outros vinte e cinco por cento

    trabalham em sua prpria casa em servios como costura, cozinha, artesanato,

    carpintaria etc.

    Considerando os conhecimentos adquiridos no ensino mdio, vinte e sete por

    cento dos alunos disseram que foram adequados ao mercado de trabalho a que o mesmo

    solicita/deseja, e noventa e trs por cento afirmaram que tem adquirido cultura e

    conhecimento ao longo dos estudos.

    9.2.3 Questionrio Voc e os Estudos

    Setenta e dois por cento dos alunos nunca reprovaram no ensino fundamental. A

    maioria sempre estudou em escola pblica e no turno diurno, tanto no Ensino

    Fundamental, quanto no Ensino Mdio. Dezoito por cento dos alunos j fizeram ou

    ainda fazem curso de lngua estrangeira, quarenta e cinco por cento fazem curso de

    computao/informtica e vinte e sete por cento est em curso preparatrio para o

    vestibular.

    Observou-se que aproximadamente sessenta e trs por cento dos alunos visitam

    sites e matrias na internet frequentemente; oitenta e um por cento dos alunos disseram

    que s vezes lem revista sobre sade e sessenta e trs por cento s vezes leem revistas

    sobre educao e estudos. Revista de divulgao cientfica, tecnologia, filosfica ou

    artstica, reportagens, livros cientficos, filosficos, histricos, documentrios, etc. so

    lidos no mximo 's vezes' por quarenta e cinco por cento dos alunos pesquisados.

    Os alunos ainda fizeram uma breve avaliao de alguns pontos sobre a escola,

    conclui-se ento que setenta e dois por cento dos alunos declararam insuficiente a

    regular as condies dos laboratrios e as iniciativas que a escola tem para realizar

    excurses, passeios culturais e estudos do meio ambiente; sessenta e trs por cento dos

    alunos, disseram que a biblioteca da escola estaria em um nvel entre o regular a bom;

    j as salas de aula, segundo cinquenta e quatro por cento dos alunos, consideram o

    espao fsico regular a bom; cinquenta e quatro por cento dos alunos disseram que o

  • 53

    acesso que os mesmo tm aos computadores e outros recursos de Informtica da escola

    so "regulares a bom" para atender suas necessidades.

    Os alunos foram questionados sobre sua opinio de alguns aspectos em relao

    aos professores em sala de aula. Vinte e sete por cento dos alunos afirmaram que os

    professores so indiferentes com os mesmo; enquanto a maioria respondeu que os

    professores da escola so preocupados, dedicados, tm autoridade e firmeza.

    Quanto s atividades extracurriculares, segundo a maioria dos alunos a escola

    realiza feira de cincias, feira cultural, jogos, esportes, campeonatos, festa, gincanas,

    palestras e debates. J quanto ao atendimento extraclasse, s vinte e sete por cento dos

    alunos disseram que a escola realiza esta atividade com frequncia.

    Como principal contribuio na vida pessoal que o aluno obter ao realizarem o

    Ensino Mdio na opinio dos mesmos, no foi diferente da outra turma dessa escola, ou

    seja, as principais foram respectivamente: formao bsica necessria para continuar os

    estudos em uma universidade/faculdade, atender expectativa dos pais sobre os estudos

    e obteno de um certificado/diploma de concluso de curso.

    Quarenta e cinco por cento dos alunos se consideram preparados o suficiente

    para entrar no mercado de trabalho; vinte e sete por cento consideram despreparado

    devido baixa qualidade de ensino no t-los preparado o suficiente; e outros vinte sete

    por cento no souberam responder.

    Todos os alunos entrevistados avaliam como insuficiente a liberdade que a

    escola d para expressar suas ideias, cinquenta por cento dos alunos consideraram

    "regular a bom" a capacidade da escola relacionar os contedos das matrias com o

    cotidiano; e sessenta e oito por cento dos alunos dizem que nas aulas so discutidos

    problemas da atualidade.

    O interesse por assuntos relacionados com a sexualidade (prazer, sexo seguro,

    gravidez, doenas sexualmente transmissveis etc.) e poltica est em um nvel

    'insuficiente a bom' segundo os alunos. Contedos como esportes, discriminao e

    meio-ambiente esto entre bom e excelente.

    Aps concluir o Ensino Mdio, setenta e dois por cento dos alunos pretendem

    prestar algum vestibular e continuar os estudos e vinte por cento fazer algum curso

    profissionalizante e se preparar para o trabalho. Quando questionados que profisso

    cada aluno escolheu seguir, vinte e sete por cento pretendem seguir alguma profisso

    ligada s Cincias Biolgicas e da Sade, nove por cento escolheriam alguma ligada s

  • 54

    Engenharias ou Cincias Tecnolgicas e sessenta e trs ainda no escolheram. Num

    prazo de quatro a cinco anos, noventa e um por cento pretendem ter um diploma

    universitrio para conseguir um bom emprego, os outros nove por cento no pensaram

    nada a respeito.

    Biologia mais uma vez foi considerado a disciplina mais fcil de aprender,

    seguida respectivamente por: Matemtica, Geografia, Histria, Portugus, Fsica e por

    ltimo, Qumica.

    Perguntados sobre o que influencia na dificuldade que os alunos tm em

    aprender a disciplina de Fsica, a maioria dos alunos disseram que essa dificuldade est

    ligada falta de utilidade da disciplina no dia-a-dia e, principalmente, a falta de

    compreenso das teorias e a falta de aulas prticas em laboratrio. Outros vinte e sete

    por cento disseram que tm dificuldade em aprender Matemtica.

  • 55

    10 ESCOLA GONALVES DIAS

    A escola possui novecentos e oitenta alunos, sendo duzentos e dez do Ensino

    Mdio. Localizada no primeiro distrito do municpio de Ji-Paran, apresentou nos

    ltimos anos um dos melhores IDEB do municpio. Atendendo alunos da zona urbana

    de diversas classes sociais, etnias e credos, possuindo alunos com as mais diversas

    necessidades. As turmas em que foram aplicados os questionrios possuam vinte e seis

    e trinta e cinco alunos no segundo e terceiro ano do Ensino Mdio, respectivamente.

    10.1 SEGUNDO ANO DO ENSINO MDIO

    10.1.1 Questionrio Voc e sua Famlia

    Nessa turma, foram entrevistados dezoito alunos, sendo que sessenta e sete por

    cento so mulheres e os outros trinta por cento homens. Todos os alunos so solteiros,

    no tem filhos, e setenta e sete por cento moram com pai e/ou me. Oitenta e oito por

    cento dos alunos tm at dezessete anos e doze por cento tm dezoito anos. Desses,

    somente onze por cento moram na zona rural, os outros oitenta e nove por cento moram

    na zona urbana.

    Quanto escolaridade dos pais, onze por cento dos alunos afirmaram que o pai e

    a me estudaram at a quarta srie; onze por cento dos alunos disseram que o pai

    estudou at a oitava e trinta e trs por cento tambm afirmaram que a me estudou da

    quinta at a oitava srie; onze por cento das mes e trinta e trs por cento dos pais tm o

    ensino mdio completo; onze por cento das mes completaram o ensino superior; onze

    por cento dos pais e vinte e dois por cento das mes cursaram alguma Ps-Graduao.

    Vinte dois por cento dos pais trabalham na agricultura, no campo, em fazenda ou

    na piscicultura; vinte e sete por cento das mes e onze por cento dos pais trabalham no

    comrcio, banco, transporte, hotelaria ou outros servios; trinta e trs por cento dos pais

  • 56

    e vinte e dois por cento das mes so funcionrios pblicos; onze por cento dos alunos

    indicaram que os pais trabalham na construo civil e outros onze por cento na

    indstria.

    Quanto condio financeira da famlia do aluno, trinta e trs por cento desses

    responderam que a renda familiar de at um salrio (at R$ 678,00); cinquenta e cinco

    por cento afirmaram que a renda familiar de dois a cinco salrios mnimos (de R$

    1356,00 at R$ 3.390,00); trinta e trs por cento recebem de cinco a dez salrios

    mnimos e, segundo onze por cento dos alunos entrevistados, a renda da famlia soma

    mais de dez salrios mnimos. Cem por cento dos alunos questionados tm em sua casa

    televiso, oitenta e oito por cento tem automvel e oitenta e oito por cento dos alunos

    tm acesso internet.

    10.1.2 Questionrio Voc e o Trabalho

    Na segunda parte do questionrio, somente trinta e quatro por cento dos alunos

    questionados exercem ou j exerceram alguma atividade remunerada, outros sessenta e

    seis por cento afirmaram que nunca trabalharam.

    Desses que trabalham ou j trabalharam, trinta e trs por cento afirmam que

    exercem uma atividade remunerada para adquirir experincia e outros sessenta e quatro

    por cento a fim de ganhar seu prprio dinheiro. Sessenta e seis por cento ganham at um

    salario mnimo (at R$678,00, inclusive) e os outros trinta e quatro por cento tem sua

    remunerao de um a dois salrios mnimos (de R$ 678,00 at R$ 1356,00, inclusive).

    Oitenta e quatro por cento trabalham ou j trabalharam em comrcio, banco, transporte,

    hotelaria ou outros servios.

    Considerando os conhecimentos adquiridos no ensino mdio, trinta e trs por

    cento dos alunos disseram que foram adequados ao mercado de trabalho a que o mesmo

    solicita/deseja, e todos afirmaram que tem adquirido cultura e conhecimento ao longo

    dos estudos.

  • 57

    10.1.3 Voc e os Estudos

    A maior parte dos alunos afirmou que no tiveram reprovao no Ensino

    Fundamental, estudaram somente em escola pblica e no turno diurno. Seis por cento j

    fizeram algum curso de lngua estrangeira, setenta e sete por cento participaram de

    cursos de computao ou informtica e nenhum faz curso preparatrio para vestibular.

    Observou-se que todos os alunos visitam sites e matrias na internet

    frequentemente ou pelo menos s vezes; sessenta e seis por cento leem jornais, revistas

    sobre educao e estudos, revistas sobre sade periodicamente. Dicionrios,

    enciclopdias, manuais e revistas de informaes gerais, setenta e sete por cento dos

    alunos lem tambm periodicamente.

    Os alunos ainda fizeram uma breve avaliao de alguns pontos sobre a escola,

    onde se viu que acima de sessenta por cento dos alunos disseram que nos quesitos:

    biblioteca da escola, a dedicao dos professores, a organizao dos horrios de aulas e

    a ateno s questes ambientais, a avaliao ficou entre 'regular e bom', privilegiando o

    incentivo ao trabalho em grupo, com uma preferncia de setenta e sete por cento dos

    alunos.

    Os alunos foram questionados sobre sua opinio de alguns aspectos em relao

    aos professores em sala de aula. Segundo cinquenta e cinco por cento dos alunos, os

    professores so distantes, tm pouco envolvimento e so autoritrios. J quarenta e

    quatro por cento dizem que os professores so dedicados, preocupados e valorizam as

    diferenas.

    Quanto s atividades extracurriculares, segundo a maioria dos alunos, a escola

    realiza feira de cincias, feira cultural, jogos, esportes, campeonatos, festa, gincanas,

    palestras e debates. J quanto ao atendimento extraclasse, ao contrrio da outra escola,

    sessenta e seis por cento dos alunos disseram que a escola realiza esta atividade com

    frequncia.

    Como principais contribuies na vida pessoal que os alunos obtero ao

    realizarem o Ensino Mdio, na opinio dos mesmos, foram respectivamente: obteno

    de um certificado/diploma de concluso de curso, formao bsica necessria para

    continuar os estudos em uma universidade/faculdade e atender expectativa dos pais

    sobre os estudos.

  • 58

    Cinquenta e cinco por cento dos alunos se consideram preparados o suficiente

    para entrar no mercado de trabalho; vinte e dois por cento mesmo tendo frequentado

    uma boa escola, no se consideram preparados o suficiente. E outros vinte e dois por

    cento no sabem.

    A maioria dos alunos considera "regular a bom" a capacidade da escola

    relacionar os contedos das matrias com o cotidiano, a discusso de problemas da

    atualidade e a realizao de projetos e palestras contra drogas, sobre preveno de

    doenas sexualmente transmissveis e sobre direitos humanos.

    O interesse por assuntos relacionados com a discriminao e violncia contra

    homossexuais, religio est em uma classificao entre 'insuficiente a bom' segundo os

    alunos. Contedos como esportes, discriminao e meio-ambiente esto entre bom e

    excelente.

    Aps concluir o Ensino Mdio, setenta e sete por cento dos alunos pretendem

    prestar algum vestibular e continuar os estudos, onze por cento fazer algum curso

    profissionalizante e se preparar para o trabalho e os outros onze por cento ainda no

    decidiram. Quando questionados que profisso cada aluno escolheu seguir, onze por

    cento escolheram alguma profisso ligada s Cincias Biolgicas e da Sade, quarenta e

    quatro por cento escolheriam alguma ligada s Engenharias ou Cincias Tecnolgicas e

    quarenta e quatro por cento ainda esto indecisos quanto escolha. Num prazo de

    quatro a cinco anos, vinte e dois por cento dos alunos planejam conseguir prestar um

    concurso e trabalhar no setor pblico ou ganhar dinheiro com o prprio negcio,

    quarenta e quatro pretende ter um diploma universitrio para conseguir um bom

    emprego e trinta e trs por cento no planejaram.

    Biologia mais uma vez foi considerado a disciplina mais fcil de aprender, mas

    dessa vez junto com Fsica, seguida respectivamente por: Matemtica e Qumica,

    Portugus, Histria e Geografia.

    Segundo cinquenta e cinco por cento dos alunos, o que mais dificulta na

    compreenso de Fsica, so as dificuldades em aprender conceitos Matemticos e o

    entendimento dos textos que explicam os contedos. Quarenta e quatro por cento so

    prejudicados por no ver utilidade de Fsica no dia-a-dia e trinta e trs por cento tm

    dificuldades devido falta de aulas prticas.

  • 59

    10.2 Terceiro Ano do Ensino Mdio

    10.2.1 Voc e sua Famlia

    Nessa turma foi distribudo um total de vinte e dois questionrios, onde oitenta e

    dois por cento so mulheres e os outros dezoito por cento homens. Todos os alunos so

    solteiros, no tem filhos e noventa por cento moram com pai e/ou me, os outros dez

    por cento afirmaram que moram sozinhos. Todos os alunos tm at dezessete anos.

    Desses, somente vinte e sete por cento moram na zona rural, os outros setenta e trs por

    cento moram na zona urbana. Oitenta e um alunos moram em casa prpria e todos tm

    gua corrente na torneira e eletricidade em sua casa.

    Quanto escolaridade dos pais, nove por cento dos alunos afirmaram que o pai e

    treze por cento afirmaram que as mes estudaram at a quarta srie; nove por cento dos

    alunos disseram que o pai e me estudaram da quinta at a oitava srie; dezoito por

    cento das mes tm o ensino mdio completo; treze por cento das mes e vinte e sete

    por cento dos pais concluram o ensino superior; treze por cento dos pais e dezoito por

    cento das mes cursaram alguma Ps-Graduao.

    Vinte e sete por cento dos pais e nove por cento das mes trabalham na

    agricultura, no campo, em fazenda ou na piscicultura; nove por cento dos pais trabalham

    na construo civil e nove por cento dos pais trabalham no comrcio, banco, transporte,

    hotelaria ou outros servios; trinta e seis por cento das mes e mais dezoito por cento

    dos pais so funcionrios pblicos; dezoito por cento dos alunos indicaram que a me

    exerce um trabalho domstico em casa de outras pessoas.

    Quanto condio financeira da famlia do aluno, vinte e sete por cento desses

    responderam que a renda familiar de um a dois salrios mnimos (de R$ 678,00 at R$

    1356,00, inclusive); quarenta e cinco por cento afirmaram que a renda familiar de dois

    a cinco salrios mnimos (de R$ 1356,00 at R$ 3.390,00); e mais vinte e sete por cento

    recebem de cinco a dez salrios mnimos. Cem por cento dos alunos questionados tm

    em sua casa televiso, setenta e dois por cento tem automvel e noventa por cento dos

    alunos tm acesso internet em casa.

  • 60

    10.2.2 Voc e o Trabalho

    Na segunda parte do questionrio, somente dez por cento dos alunos

    questionados exercem ou j exerceram alguma atividade remunerada, outros noventa

    por cento afirmaram que nunca trabalharam.

    Desses que trabalham ou j trabalharam, cinquenta por cento afirma que

    exercem uma atividade remunerada para adquirir experincia e outros cinquenta por

    cento a fim de ganhar seu prprio dinheiro. Cinquenta por cento ganham at um salario

    mnimo (at R$678,00, inclusive) e os outros cinquenta por cento tem sua remunerao

    de um a dois salrios mnimos (de R$ 678,00 at R$ 1356,00, inclusive). Oitenta e

    quatro por cento trabalham ou j trabalharam em comrcio, banco, transporte, hotelaria

    ou outros servios.

    Considerando os conhecimentos adquiridos no ensino mdio, trinta e um por

    cento dos alunos disseram que foram adequados ao mercado de trabalho a que o mesmo

    solicita/deseja, e sessenta e oito por cento afirmaram que tem adquirido cultura e

    conhecimento ao longo dos estudos.

    10.2.3 Voc e os Estudos

    Oitenta e dois por cento dos alunos desta turma concluram o ensino

    fundamental normalmente, sem reprovao, noventa por cento cursou somente em

    escola pblica e oitenta e dois por cento s no turno diurno. Vinte e sete por cento desta

    sala fizeram algum tipo de lngua estrangeira, sessenta e trs por cento participaram de

    algum curso de computao ou informtica. Quanto ao curso preparatrio para

    vestibular, cem por cento dos alunos mais uma vez afirmaram que no realizam.

    Observou-se que todos os alunos leem matrias na internet e revistas sobre

    educao frequentemente ou pelo menos s vezes; e mais de sessenta por cento dos

    alunos s vezes tambm leem jornais, revistas de informao geral, revistas de humor,

    quadrinhos ou jogos, revistas sobre religio, reportagens, livros cientficos, filosficos,

    histricos, documentrios, etc.

  • 61

    Na avaliao que os alunos fizeram de alguns pontos da escola, sessenta e trs

    por cento desses alunos, disseram que as condies do espao fsico das salas de aulas e

    a dedicao que os professores tm para preparar as aulas esto em um nvel de "regular

    a bom"; trinta e seis por cento dos alunos disseram que as condies dos laboratrios e

    da biblioteca e a direo da escola so regulares.

    Os alunos foram questionados sobre sua opinio de alguns aspectos em relao

    aos professores em sala de aula. Segundo oitenta e dois por cento dos alunos, os

    professores tm autoridade, firmeza e valorizam as diferenas; e setenta e dois por cento

    dizem que os professores so dedicados e preocupados.

    Quanto s atividades extracurriculares, segundo a maioria dos alunos a escola

    realiza feira de cincias, feira cultural, jogos, esportes, campeonatos, festa, gincanas,

    palestras e debates. Sessenta e trs por cento dos alunos ainda disseram que na escola

    frequente o atendimento educacional extraclasse.

    Como principais contribuies na vida pessoal que os alunos obtero ao

    realizarem o Ensino Mdio na opinio dos mesmos, foram respectivamente: formao

    bsica necessria para continuar os estudos em uma universidade/faculdade e atender

    expectativa dos pais sobre os estudos.

    Trinta e seis por cento dos alunos se consideram preparados o suficiente para

    entrar no mercado de trabalho; vinte e sete por cento mesmo tendo frequentado uma boa

    escola, no se consideram preparados o suficiente. E outros trinta e seis por cento no

    sabem.

    Oitenta e um por cento dos alunos consideraram "regular a bom" o respeito aos

    estudantes, a capacidade da escola levar em conta a opinio dos estudantes, a

    capacidade de adoo da escola de medidas para garantir a acessibilidade a estudantes

    com deficincias fsicas e mentais.

    O interesse por assuntos relacionados com a discriminao e violncia contra

    crianas, adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficincia, religio est em uma

    classificao entre 'regular a bom' segundo a maioria dos alunos.

    Aps concluir o Ensino Mdio, oitenta e um por cento dos alunos pretendem

    prestar algum vestibular e continuar os estudos no Ensino Superior e dezoito por cento

    pretendem fazer algum curso profissionalizante e se preparar para o trabalho. Quando

    questionados que profisso cada aluno escolheu seguir, trinta e seis por cento

    escolheriam alguma profisso ligada s Engenharias ou Cincias Tecnolgica, vinte e

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    sete por cento escolheriam alguma ligada s Cincias Humanas, nove por cento querem

    ser professor de Ensino Fundamental, Mdio ou Superior e vinte e sete por cento no

    escolheram ainda. Num prazo de quatro a cinco anos, cinquenta e quatro por cento dos

    alunos planejam ter um diploma universitrio para conseguir um bom emprego, vinte e

    sete por cento ganhar dinheiro com o prprio negcio e dezoito por cento pretende

    prestar concurso e trabalhar no setor pblico.

    As disciplinas mais fceis de aprender segundo os alunos, na sequencia so:

    Histria, Biologia e Portugus empates, Geografia e Fsica e, por ultimo, Matemtica e

    Qumica.

    Perguntados sobre o que influencia na dificuldade que os alunos tm em

    aprender a disciplina de Fsica, quarenta e cinco por cento disseram que a dificuldade

    esta em entender os textos que explicam os contedos, trinta e seis por cento pela falta

    de explicao de problemas cobrados pelo professor e por falta de compreenso das

    teorias; vinte e sete por cento tm dificuldade em fsica por falta de aulas prticas e

    dezoito por cento tm dificuldade em aprender conceitos Matemticos e no veem

    utilidade da Fsica no dia-a-dia.

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    11 E.E.E.F.M. LAURO BENNO

    A escola atende mil cento e trinta e quatro alunos, sendo cento e setenta e trs do

    ensino mdio. A escola atende alunos da zona urbana e rural de Ji-Paran, tendo entre

    seus alunos as mais diversas classes socioeconmicas, as mais diversas etnias e credos,

    possuindo alunos com as mais diversas necessidades educacionais. A turma em que foi

    aplicado o questionrio continha vinte e seis alunos.

    11.1 Terceiro Ano do Ensino Mdio

    11.1.1 Voc e sua Famlia

    Dos vinte entrevistados, aproximadamente setenta por cento so do sexo

    feminino e os outros trinta por cento masculinos. Oitenta por cento dos alunos so

    solteiros, e os outros vinte por cento so casados ou moram com um companheiro;

    noventa e cinco por cento no tm filhos, os outros cinco por cento tm; sessenta por

    cento moram com os pais, cinco por cento moram sozinhos e vinte por cento moram

    com esposo(a) ou companheiro(a); todos os vinte alunos entrevistados tm at dezenove

    anos. De todos o