DISCLOSURE VOLUNTÁRIO DE ARTEFATOS DE CONTABILIDADE...

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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS JESSICA MICHATOWSKI DISCLOSURE VOLUNTÁRIO DE ARTEFATOS DE CONTABILIDADE GERENCIAL EM DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DE EMPRESAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO PATO BRANCO 2016
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  • UNIVERSIDADE TECNOLGICA FEDERAL DO PARAN DEPARTAMENTO DE CINCIAS CONTBEIS

    CURSO DE CINCIAS CONTBEIS

    JESSICA MICHATOWSKI

    DISCLOSURE VOLUNTRIO DE ARTEFATOS DE CONTABILIDADE GERENCIAL EM DEMONSTRAES FINANCEIRAS DE EMPRESAS

    LISTADAS NA BM&FBOVESPA

    TRABALHO DE CONCLUSO DE CURSO

    PATO BRANCO

    2016

  • JESSICA MICHATOWSKI

    DISCLOSURE VOLUNTRIO DE ARTEFATOS DE CONTABILIDADE GERENCIAL EM DEMONSTRAES FINANCEIRAS DE EMPRESAS

    LISTADAS NA BM&FBOVESPA

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado como requisito parcial obteno do ttulo de Bacharel em Cincias Contbeis do Departamento de Cincias Contbeis, da Universidade Tecnolgica Federal do Paran.

    Orientador: Prof. Dr. Eliandro Schvirck

    PATO BRANCO

    2016

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo a Deus por todas as bnos e vitrias da minha vida. Agradeo

    tambm pelos dias difceis, que me fizeram entender que tudo pode ser melhor

    quando se tem f.

    A minha famlia, especialmente aos meus pais, Atilio Jos Michatowski e

    Vernica Baierle, e ao meu irmo Chailon Pedro Michatowski. Muito obrigada pelo

    amor, carinho, apoio, e principalmente pela educao que me deram. Vocs me

    ensinaram a ser forte e a nunca desistir dos meus sonhos.

    Ao meu namorado Fabio Ricardo Rizzi pela pacincia, amor e compreenso.

    Voc me ensinou que obstculos existem em nossas vidas e que foram feitos para

    serem superados com a cabea erguida e com um sorriso no rosto.

    A Adriane Secchi e Suelin da Silva Michatowski pelas palavras de apoio e

    incentivo e pelos conselhos. Vocs so pessoas maravilhosas que Deus colocou em

    minha vida.

    Deixo um agradecimento especial para a minha amiga Poliana Boaretto.

    Obrigada por todo carinho, pela disponibilidade e por todos os momentos divertidos

    que passamos juntas durante a graduao. Desejo que nossa amizade seja eterna.

    Aos colegas de profisso do Escritrio Master Contabilidade & Consultoria

    Empresarial pela amizade e por todos os aprendizados. Agradeo especialmente

    aos meus chefes Edilsandra Defaveri, Geronimo Defaveri e Oldair Giasson pela

    oportunidade de fazer parte da equipe Master.

    Agradeo ao meu orientador Eliandro Schvirck pelo suporte, incentivo, pelos

    conhecimentos repassados e por ser um excelente mestre, pelo qual tenho muita

    admirao.

    instituio e ao seu corpo docente, e tambm aos colegas de graduao.

    Agradeo por todas as pessoas que Deus colocou em minha vida, pois todas

    contriburam para o meu desenvolvimento e engrandecimento pessoal e profissional,

    e peo desculpas quelas pessoas que no esto presentes entre essas palavras,

    elas podem estar certas de que fazem parte do meu pensamento e de minha

    gratido.

  • O caminho dos vencedores sempre traado passo-a-passo com muito esforo, suor, e, muitas vezes com lgrimas. Sabemos que a alegria da vitria compensa qualquer sacrifcio. Somente pessoas corajosas, constantes e decididas chegam ao fim. A perseverana conquista a vitria (DALE CARNEGIE).

  • RESUMO MICHATOWSKI, Jessica. Disclosure Voluntrio de Artefatos de Contabilidade Gerencial em Demonstraes Financeiras de Empresas Listadas na BM&FBovespa. 84 f. Trabalho de Concluso de Curso - Universidade Tecnolgica Federal do Paran. Pato Branco, 2016. Os artefatos da contabilidade gerencial so importantes subsdios aos gestores nos processos decisrios, e evoluram conforme as exigncias do mercado. Tendo em vista a crescente exigncia de transparncia no mercado, o presente estudo props-se a investigar o nvel de disclosure voluntrio de artefatos de contabilidade gerencial em demonstraes financeiras de empresas listadas na BM&FBovespa, classificadas no segmento Novo Mercado de Governana Corporativa. A metodologia utilizada no estudo foi anlise de contedo do relatrio de administrao, notas explicativas e demais relatrios e informaes disponveis nos sites corporativos das companhias abertas. A amostra definida para a pesquisa composta por 45 empresas de uma populao total de 128 empresas. O estudo analisa se as empresas divulgam os artefatos em uma comparao longitudinal, no perodo de trs anos: 2013 a 2015. Para anlise dos dados, foram utilizadas das tcnicas de estatstica descritiva e anlise de correlao entre duas variveis. Os principais resultados encontrados destacam que em geral as companhias no possuem um alto nvel de disclosure de informaes relacionadas aos artefatos de contabilidade gerencial e o maior nvel de disclosure encontrado nos trs anos analisados foi de 45,45% em 2015. Identificou-se tambm que os principais artefatos evidenciados so: Valor Presente, Planejamento Estratgico, Retorno sobre o Investimento e Oramento. O maior nmero de artefatos evidenciados, nos trs anos analisados, faz parte do segundo estgio evolutivo da contabilidade gerencial, que voltado a informaes direcionadas para o controle e planejamento gerencial. A anlise de correlao indica que quanto maior o porte da empresa, maior a tendncia de evidenciao de artefatos de contabilidade gerencial. Palavras-chave: Contabilidade Gerencial. Artefatos. Nvel de Disclosure. Teoria do Disclosure Voluntrio. Companhias Abertas.

  • ABSTRACT

    MICHATOWSKI, Jessica. Voluntary Disclosure of Management Accounting Tools in Financial Statements of Listed Companies on the BM&FBovespa. 84 f. End of Course Assignment - Federal Technological University of Paran. Pato Branco, 2016. Management Accounting Tools are important information to managers in decision-making, and evolved as the market demands. Given the growing demand for transparency in the market, this study aimed to investigate the level of voluntary disclosure of management accounting tools in financial statements of companies listed on the BM&FBovespa, classified in the Novo Mercado segment of Corporate Governance. The methodology used in the study was content analysis of the management report, explanatory notes and other reports and information available on corporate websites of listed companies. The sample set for the research is composed of 45 companies a total population of 128 companies. The study examines whether companies disclose the tools in a longitudinal comparison, for a three-year period: 2013-2015. For data analysis, the techniques of descriptive statistics and correlation analysis between two variables were used. The main findings point out that in general companies do not have a high level of information disclosure related to management accounting tools, and the highest level of disclosure found in the three years analyzed was 45.45% in 2015. It was also identified the main tools are evident: Present Value, Strategic Planning, Return on Investment and Budget. The largest number of tools evidenced in the three years analyzed, is part of the second stage of evolution of management accounting, which is geared to information directed to the control and management planning. Correlation analysis indicates that the larger the size of the company, the greater the disclosure trend of management accounting tools. Keywords: Management accounting. Tools. Disclosure level. Voluntary Disclosure Theory. Listed Companies.

  • LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Estgios Evolutivos da CG ........................................................................ 23 Figura 2 - Caracterizao da Pesquisa. .................................................................... 40

  • LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Contabilidade Gerencial x Contabilidade Financeira ............................... 21 Quadro 2 - Segregao dos artefatos de CG ............................................................ 26 Quadro 3 - Estudos Precedentes sobre Disclosure e CG ......................................... 36 Quadro 4 - Empresas selecionadas para o estudo ................................................... 47 Quadro 5 - Critrios para quantificao das variveis de estudo .............................. 48 Quadro 6 - Categorias de anlise utilizada para o estudo ......................................... 49 Quadro 7 - Evidenciao de artefatos conforme os estgios evolutivos ................... 62

  • LISTA DE TABELAS Tabela 1- Nvel de Disclosure Voluntrio das empresas da amostra ........................ 52 Tabela 2 - Evoluo do Disclosure de Artefatos de CG ............................................ 53 Tabela 3 - Porcentagem de empresas que evidenciam artefatos de CG .................. 54 Tabela 4 - Quantidade de Empresas por Setor de Atuao ...................................... 56 Tabela 5 - Comparao dos artefatos evidenciados por setor de atuao 2013.... 57 Tabela 6 - Comparao dos artefatos evidenciados por setor de atuao 2014.... 59 Tabela 7 - Comparao dos artefatos evidenciados por setor de atuao 2015.... 60 Tabela 8 - Comparao entre a evidenciao de artefatos por empresas auditadas por Big Four e por outras empresas de auditoria ................................................. 64 Tabela 9 - Anlise de Correlao - 2013 ................................................................... 65 Tabela 10 - Anlise de Correlao - 2014 ................................................................. 65 Tabela 11 - Anlise de Correlao - 2015 ................................................................. 66

  • LISTA DE SIGLAS ABC Custeio Baseado em Atividades ABM Gesto Baseada em Atividades BSC Balanced Scorecard CG Contabilidade Gerencial CPC Comit de Pronunciamentos Contbeis CVM Comisso de Valores Mobilirios EVA Economic Value Added JIT Just in Time VBM Gesto Baseada em Valor

  • LISTA DE ACRNIMOS ANACOR Anlise de Correspondncia BOVESPA Bolsa de Valores de So Paulo GECON Gesto Econmica IASB International Accounting Standards Board IFAC International Federation of Accountants IMA International Management Accouting IMAP International Management Accouting Practice MIA Malaysian Institute of Accountants ROE Retorno Sobre o Patrimnio Lquido ROI Retorno Sobre o Investimento

  • SUMRIO 1 INTRODUO ................................................................................................... 13

    1.1 CONTEXTUALIZAO DO TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA .............. 13 1.2 OBJETIVOS ................................................................................................. 15

    1.2.1 Objetivo Geral ........................................................................................... 15 1.2.2 Objetivos Especficos ................................................................................ 15

    1.3 JUSTIFICATIVA ........................................................................................... 16 1.4 DELIMITAO DO TEMA ............................................................................ 16 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ..................................................................... 17

    2 REFERENCIAL TERICO ................................................................................. 18 2.1 CONTABILIDADE GERENCIAL ................................................................... 18

    2.1.1 Contabilidade Gerencial x Contabilidade Financeira ................................ 20 2.1.2 Estgios Evolutivos da Contabilidade Gerencial ....................................... 22 2.1.3 Classificao dos Artefatos de Contabilidade Gerencial ........................... 24

    2.2 TEORIA DO DISCLOSURE VOLUNTRIO .................................................. 32 2.3 ESTUDOS PRECEDENTES SOBRE CG E DISCLOSURE VOLUNTRIO .. 35

    3 METODOLOGIA DA PESQUISA ....................................................................... 40 3.1 CARACTERIZAO DA PESQUISA ........................................................... 40

    3.1.1 Enfoque da Pesquisa ................................................................................ 41 3.1.2 Natureza do Objetivo de Pesquisa ............................................................ 41 3.1.3 Natureza do Trabalho ............................................................................... 42 3.1.4 Coleta de dados ........................................................................................ 43 3.1.5 Abordagem do Problema .......................................................................... 43

    3.2 PROCEDIMENTOS PARA COLETA E ANLISE DE DADOS ...................... 44 3.2.1 Populao e Amostra ................................................................................ 44 3.2.2 Procedimentos Utilizados para Coleta de Dados ...................................... 47

    3.2.2.1 Indicador de evidenciao de artefatos de CG ................................... 48 3.2.2.2 Mtrica utilizada para avaliao do disclosure voluntrio ................... 49

    3.2.3 Procedimentos Utilizados para Anlise dos Dados ................................... 50 4 APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS .................................. 51

    4.1 ANLISE DO DISCLOSURE VOLUNTRIO DE ARTEFATOS DE CG ........ 51 4.1.1 Indicador de Disclosure dos Artefatos de CG ........................................... 51 4.1.2 Evoluo do Disclosure dos Artefatos de CG ........................................... 53 4.1.3 Avaliao do Disclosure Voluntrio por Setores ....................................... 55 4.1.4 Avaliao do Disclosure Conforme o Estgio Evolutivo da CG ................ 61 4.1.5 Comparao Empresas Auditadas por Big Four e por Outras Empresas de Auditoria ......................................................................................................... 63 4.1.6 Anlise de Correlao ............................................................................... 65

    5 CONSIDERAES FINAIS ............................................................................... 68 REFERNCIAS ......................................................................................................... 71 APNDICE A - EMPRESAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA ............................... 78 APNDICE B - EMPRESAS SORTEADAS PARA COMPOR A AMOSTRA ........... 81 APNDICE C INDICADOR DE EVIDENCIAO .................................................. 83

  • 13

    1 INTRODUO

    Neste captulo apresentado: (i) contextualizao do tema e problema de

    pesquisa; (ii) objetivos; (iii) justificativa da pesquisa; (iv) delimitao do tema e; (v)

    estrutura do trabalho.

    1.1 CONTEXTUALIZAO DO TEMA E PROBLEMA DE PESQUISA

    A contabilidade gerencial (CG) um conjunto de ferramentas e informaes

    financeiras e no financeiras voltadas principalmente aos usurios internos da

    organizao e com foco no futuro da entidade. A sua utilizao, embora no seja

    obrigatria, importante para a gesto da organizao, pois fornece informaes

    relevantes que subsidiam gestores nos processos decisrios (GARRISON,

    NOREEN, 2001, p. 20; PADOVEZE, 2012, p. 7).

    Houve um grande desenvolvimento e evoluo da contabilidade gerencial

    conforme as necessidades que surgiram nos ambientes de negcios (SOUTES, DE

    ZEN, 2005), e, nesse sentido, Catelli e Guerreiro (1992, p.10) expem que as

    mudanas no cenrio empresarial so intensas e que os gestores passam por novos

    desafios a cada dia, sendo necessrio trabalhar com novos modelos de gesto e

    informaes mais consistentes com a realidade organizacional.

    Contudo, um dos maiores desafios para as empresas desenvolver um

    clima organizacional para que seja possvel antecipar as tendncias de mercado.

    Com isso, relevante observar o papel estratgico das informaes como

    ferramentas que subsidiam a transformao organizacional (SANTOS E SOUZA,

    2009).

    Deste modo, pode-se citar que a contabilidade gerencial fornece ferramentas

    que so capazes de gerar informaes relevantes aos usurios internos, tendo em

    vista que ela procura ser abrangente e concisa, ajustando-se constantemente para

    se adaptar s mudanas tecnolgicas e s necessidades dos gestores das

    organizaes (LOUDERBACK et al., 2000).

  • 14

    Considerando o desenvolvimento da contabilidade gerencial e a importncia

    da sua utilizao para os processos de gesto das organizaes, diversos estudos

    surgiram com foco na evoluo da contabilidade gerencial e destaca-se o estudo

    realizado no ano de 1998 pela Federao Internacional de Contadores (International

    Federation of Accountants IFAC), que divulgou um pronunciamento intitulado

    International Management Accounting Practice 1 (IMAP 1), no qual a contabilidade

    gerencial descrita com base em pesquisas realizadas sobre a sua evoluo e as

    mudanas que ocorreram com o decorrer do tempo. Esse estudo estabelece um

    cronograma histrico da evoluo da contabilidade gerencial, o qual contempla

    quatro momentos, que foram posteriormente denominados de estgios.

    Cada estgio apresenta caractersticas especficas e requer diferentes

    formas de gesto e atuao dos contadores e gestores. Assim sendo, em cada

    estgio identificam-se diferentes instrumentos de apoio gesto e a tomada de

    decises e esses instrumentos, atividades, filosofias e ferramentas foram

    denominados de artefatos (SOUTES, 2006).

    Em um cenrio moderno do mundo de negcios, os gestores das

    companhias necessitam de informaes teis e fidedignas que auxiliem na gesto

    das organizaes e com isso torna-se importante a transparncia das informaes

    contbeis repassadas aos usurios.

    Nascimento e Reginato (2010) ressaltam que o nvel de exatido e de

    qualidade das informaes muito importante para o processo decisrio, haja vista

    que informaes ineficientes podem propiciar resultados negativos e indesejveis.

    Nesse sentido, destaca-se a importncia da divulgao de informaes por parte

    das companhias, pois podem auxiliar os usurios a tomarem decises de maneira

    mais adequada.

    A divulgao das informaes contbeis possui como principal objetivo a

    melhora da qualidade da comunicao com os usurios da informao. Nesse

    sentido, Iudcibus (2004, p. 121) expe que o disclosure da informao um

    procedimento que est ligado aos objetivos da contabilidade, pois possui como

    objetivo garantir que as informaes sejam diferenciadas e que supram as

    necessidades dos vrios tipos de usurios que delas necessitem.

    O disclosure das informaes contbeis considerado de suma importncia

    para o mercado de capitais, conforme destacam os autores Boot e Thakor (2001, p.

    1022). Os autores comentam que o crescimento do mercado de capitais suscetvel

  • 15

    ao volume de ttulos e pelos produtos que so negociados nas bolsas e essas

    variveis podem ser influenciadas pelas informaes que so divulgadas ao

    mercado. Nesse sentido, Schvirck (2014) afirma que o disclosure contbil um

    importante fator para que os usurios internos ou externos da organizao tenham

    acesso s informaes que podem ser relevantes na sua relao com a empresa.

    Portanto, tendo em vista a importncia do uso de artefatos gerenciais para a

    gesto adequada das organizaes e a necessidade de transparncia nas

    informaes transmitidas aos usurios internos e externos, tem-se o seguinte

    problema de pesquisa: Qual o nvel de disclosure voluntrio dos artefatos de

    contabilidade gerencial nas demonstraes financeiras publicadas na

    BM&FBovespa?

    1.2 OBJETIVOS

    Nesta subseo apresenta-se o objetivo geral e os objetivos especficos a

    serem atingidos por meio da pesquisa.

    1.2.1 Objetivo Geral

    O objetivo geral desta pesquisa : Investigar o nvel de disclosure voluntrio

    dos artefatos de contabilidade gerencial nas demonstraes financeiras de

    empresas listadas na BM&FBovespa, classificadas no segmento Novo Mercado de

    Governana Corporativa.

    1.2.2 Objetivos Especficos

    Para atender ao objetivo geral, estabeleceram-se os seguintes objetivos

    especficos:

  • 16

    (i) Identificar a importncia do uso de ferramentas gerenciais para o processo

    de gesto de uma organizao;

    (ii) Apresentar os artefatos de contabilidade gerencial;

    (iii) Identificar, com base na divulgao, quais artefatos so mais utilizados pelas

    empresas selecionadas para o estudo;

    (iv) Avaliar o nvel de disclosure voluntrio dos artefatos de contabilidade

    gerencial em empresas listadas na BM&FBovespa.

    1.3 JUSTIFICATIVA

    Este trabalho justifica-se pela relevncia das informaes divulgadas pelas

    organizaes, que refletem nas decises que influenciam no mercado financeiro e

    de capitais. Contribui ainda por fornecer um diagnstico sobre a utilizao das

    ferramentas gerenciais, por meio da investigao se as mesmas esto inseridas nas

    demonstraes financeiras divulgadas pelas empresas listadas na Bolsa de Valores

    de So Paulo.

    O presente estudo relevante aos pesquisadores e acadmicos que

    direcionam as suas pesquisas s reas de contabilidade gerencial, sendo que, por

    meio deste estudo, podero encontrar fontes de pesquisas alinhadas ao seu tema,

    os principais autores e artefatos pesquisados, e tambm identificar quais artefatos

    so mais evidenciados de forma voluntria nas demonstraes financeiras enviadas

    anualmente a CVM por empresas brasileiras de capital aberto listadas na

    BM&FBovespa, no perodo entre 2013 e 2015.

    1.4 DELIMITAO DO TEMA

    A pesquisa delimita-se em um estudo exploratrio e descritivo, e foi

    elaborada com base nos relatrios divulgados por empresas listadas na

    BM&FBovespa, classificadas no segmento de listagem Novo Mercado de

    Governana Corporativa.

  • 17

    De acordo com os parmetros estatsticos, foi selecionada uma amostra

    aleatria simples com o total de 45 empresas de uma populao total composta por

    128 empresas listadas na BM&FBovespa, e os documentos estudados so:

    relatrios de administrao, notas explicativas, informaes disponveis em

    websites, e demonstraes dos exerccios findos em 31 de dezembro de 2013, 2014

    e 2015.

    1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO

    Este trabalho constitui-se pelos seguintes captulos: (i) introduo; (ii)

    referencial terico; (iii) metodologia da pesquisa; (iv) apresentao e discusso dos

    resultados; (v) consideraes finais, (vi) referncias bibliogrficas e, por fim, (vii)

    apndices.

  • 18

    2 REFERENCIAL TERICO

    Neste captulo apresentada a fundamentao terica necessria para

    compreender os elementos abordados pela presente pesquisa, e composto por

    trs sees: (i) contabilidade gerencial; (ii) teoria do disclosure voluntrio e; (iii)

    estudos precedentes sobre contabilidade gerencial e disclosure voluntrio.

    2.1 CONTABILIDADE GERENCIAL

    Antigamente a contabilidade tinha como um de seus principais objetivos

    informar ao empresrio qual foi o lucro obtido por meio de uma atividade comercial

    (CREPALDI, 2006, p. 20). medida que a riqueza do homem comeou a aumentar,

    houve o aprimoramento do registro da escriturao contbil da riqueza patrimonial.

    Assim sendo, pode-se afirmar que desde os tempos antigos existia nos comrcios e

    nos mercados de troca a necessidade de registrar as informaes sobre as

    transaes comerciais que ocorriam, de modo que o usurio tivesse um controle das

    suas operaes e do seu capital (S, 1999; IUDCIBUS, MARION, 2002).

    Segundo Johnson e Kaplan (1996, p.5), antes do incio do sculo XIX,

    praticamente todas as transaes de troca eram realizadas entre indivduos que no

    faziam parte da organizao e os empresrios, ou seja, a administrao e o

    comrcio eram exercidos pelo empresrio que era proprietrio do empreendimento e

    no existiam empregados assalariados, nem cargos e nveis de hierarquia e

    gerncia. Deste modo, eram facilmente identificados os indicadores de sucesso,

    tendo em vista que o empresrio tinha que arrecadar mais dinheiro atravs das

    vendas aos seus clientes, do que pagava aos seus fornecedores de insumos de

    produo.

    Anos depois, por meio da revoluo industrial, surgiu a possibilidade e a

    necessidade da produo em grande escala e posteriormente, foram contratados

    empregados assalariados e assim, houve a distino em cargos e nveis

    hierrquicos e o desenvolvimento de sistemas operacionais (SOUTES, 2006).

  • 19

    De acordo com Soutes (2006), por meio da construo das estradas de

    ferro, desenvolveram-se as grandes empresas, as quais eram gerenciadas por

    gestores contratados e remunerados com base em indicadores que sintetizassem a

    eficincia da mo de obra e da matria prima.

    Com o desenvolvimento da economia e das grandes corporaes, tornou-se

    necessrio o uso das ferramentas de contabilidade gerencial, tendo em vista que as

    organizaes desenvolveram atividades operacionais cada vez mais complexas.

    Soutes (2006) explica que, devido a essa nova estrutura organizacional e as

    necessidades estabelecidas pelas novas atividades operacionais, somente os

    sistemas de contabilidade de custos no eram mais suficientes para a adequada

    gesto das organizaes, sendo necessrio o desenvolvimento de sistemas de

    informaes contbeis que fossem mais complexos e inovadores.

    Diante de um cenrio de intensas mudanas, de novas necessidades de

    informaes e ferramentas que auxiliassem na gesto das organizaes, a

    contabilidade gerencial foi ganhando espao e desenvolvendo-se, recebendo vrios

    conceitos e definies sobre a sua aplicabilidade.

    Deste modo, pode-se definir contabilidade gerencial como a parte da cincia

    contbil que voltada para o fornecimento de informaes aos gerentes para

    emprego no planejamento, no controle das operaes e no processo decisrio, ou

    seja, a parte do sistema contbil que se dedica s informaes para os usurios

    internos da entidade (HANSEN et al., 1997; GARRISON e NOREEN, 2001).

    Tambm pode ser entendida como a reunio dos processos de identificao,

    mensurao, acumulao, anlise, preparao, interpretao e comunicao de

    informaes que auxiliem a tomada de deciso do gestor da organizao

    (ANDERSON; NEEDLES; CADWELL, 1989; HORNGREN; SUNDEM; STRATTON,

    2004; FREZATTI et al., 2007).

    Caracteriza-se contabilidade gerencial como a ramificao da contabilidade

    que agrupa o conjunto de informaes necessrias administrao da organizao,

    de modo que complementem as informaes j existentes na contabilidade

    tradicional. Essa ferramenta possui como um dos principais objetivos fornecer

    instrumentos aos gestores de empresas, de modo a auxili-los em suas funes

    gerenciais (CREPALDI, 2006, p. 20; PADOVEZE, 2012, p. 11).

  • 20

    2.1.1 Contabilidade Gerencial x Contabilidade Financeira

    A cincia contbil possui ramificaes, dentre elas pode-se citar a

    contabilidade financeira e a gerencial. A utilizao da contabilidade financeira

    obrigatria a todas as entidades e atende principalmente aos usurios externos da

    organizao, enquanto a contabilidade gerencial optativa para a empresa e

    envolve o fornecimento de informaes aos gerentes e usurios internos da

    entidade, atendendo s necessidades das organizaes (PADOVEZE, 2012, p. 14).

    Garrison, Noreen e Brewer (2013, p. 2) explicam que a contabilidade

    financeira enfatiza as consequncias de atividades passadas, enquanto a

    contabilidade gerencial enfatiza as decises que afetam o futuro.

    No que tange contabilidade financeira, ela pode ser considerada como o

    processo de elaborao de demonstrativos financeiros e o seu fornecimento aos

    usurios externos, como acionistas, credores e autoridades governamentais. Esse

    processo muito influenciado pelos padres estabelecidos pelas autoridades, bem

    como pelos regulamentadores, fiscais e auditores, dentre outros agentes situados

    fora da organizao (CREPALDI, 2006, p. 20; GARRISON, NOREEN E BREWER,

    2007, p. 4).

    A contabilidade financeira possui como objetivo o controle de um patrimnio

    empresarial, de modo que seja possvel fazer a avaliao do retorno do investimento

    dos acionistas e scios. Portanto, o foco so os usurios externos da entidade.

    Contudo, a contabilidade financeira desenvolveu um conjunto de relatrios

    estruturados, e as prticas contbeis possuem um padro, o qual foi estabelecido

    pelas autoridades e com isso, possvel que os usurios externos da informao

    possam comparar os investimentos considerando um nico padro contbil

    (PADOVEZE, 2012, p. 14).

    O Quadro 1 expe as principais diferenas entre a contabilidade financeira e

    a contabilidade gerencial, conforme o estudo de Padoveze (2012, p. 15):

    Fator Contabilidade Financeira Contabilidade Gerencial

    Usurios dos relatrios Externos e internos Internos

    Objetivos dos Relatrios Facilitar a anlise financeira para as necessidades dos usurios externos

    Objetivo especial de facilitar o planejamento, controle, avaliao de desempenho e tomada de deciso internamente

    Continua.

  • 21

    Fator Contabilidade Financeira Contabilidade Gerencial

    Forma dos Relatrios

    Balano Patrimonial, demonstrao dos resultados, demonstrao dos fluxos de caixa e demonstrao das mutaes do patrimnio lquido

    Oramentos, contabilidade por responsabilidade, relatrios de desempenho, relatrios de custo, relatrios especiais no rotineiros para facilitar a tomada de deciso

    Frequncia dos Relatrios Anual, trimestral e mensal Quando necessrio pela administrao

    Custos ou valores utilizados

    Primariamente histricos (passados)

    Histricos e esperados (previstos)

    Bases de mensurao usadas para quantificar os dados

    Moeda corrente Vrias bases (moeda corrente, moeda estrangeira, moeda forte, medidas fsicas, ndices, etc.)

    Restries nas informaes fornecidas

    Princpios contbeis geralmente aceitos

    Nenhuma restrio, exceto as determinadas pela administrao

    Caracterstica da informao fornecida

    Deve ser objetiva (sem vis), verificvel, relevante e a tempo

    Deve ser relevante e a tempo, podendo ser subjetiva, possuindo menos verificabilidade e menos preciso

    Perspectivas dos relatrios Orientao histrica

    Orientada para o futuro para facilitar o planejamento, controle e avaliao de desempenho antes do fato (para impor metas), acoplada com uma orientao histrica para avaliar os resultados reais (para o controle posterior do fato)

    Quadro 1 - Contabilidade Gerencial x Contabilidade Financeira Fonte: Padoveze (2012, p. 15).

    Quanto obrigatoriedade da utilizao da contabilidade financeira e da

    contabilidade gerencial, Garrison, Noreen e Brewer (2007, p. 8) explicam que a

    contabilidade financeira obrigatria e as autoridades fiscais exigem das

    organizaes as demonstraes financeiras periodicamente, enquanto a

    contabilidade gerencial no obrigatria e as empresas possuem liberdade para

    decidir se vo utilizar essa ferramenta ou no.

    Embora no seja obrigatria a utilizao da contabilidade gerencial, cabe

    ressaltar que ela muito importante para a adequada gesto de uma organizao,

    tendo em vista que uma ferramenta que auxilia os gerentes na realizao de trs

    atividades fundamentais para a organizao: planejamento, controle e tomada de

    deciso. A etapa do planejamento envolve estabelecer objetivos e as formas de

    alcan-los. O controle envolve feedback para garantir que o plano seja executado

    de forma adequada. A tomada de decises envolve selecionar uma ao dentre

    vrias alternativas. (GARRISON, NOREEN E BREWER, 2013, p.2).

    Padoveze (2012, p.7) defende que atravs do uso dos instrumentos de

    contabilidade gerencial possvel fornecer informaes contbeis teis para o

  • 22

    processo de planejamento, execuo e controle de suas atividades e avaliao de

    desempenho para os gestores das organizaes, de modo a suprir a necessidade

    dos gestores acerca destas informaes.

    O atual mercado est em constante transformao e isso faz com que as

    organizaes procurem por alternativas, instrumentos, ferramentas e estratgias que

    complementem a contabilidade financeira, e que sirvam como forma de auxlio no

    processo de gesto de uma organizao. De acordo com Blonkoski, Bortoluzzi e

    Antonelli (2014), na busca por melhorar o desempenho organizacional e por

    acompanhar as mudanas constantes do mercado, as organizaes inserem em

    seus cenrios as prticas desenvolvidas pela contabilidade gerencial.

    2.1.2 Estgios Evolutivos da Contabilidade Gerencial

    No ano de 1998, o Institute of Management Accountants (IMA) divulgou um

    trabalho que apresenta uma srie de prticas, objetivos, tarefas e parmetros da

    contabilidade gerencial. Este trabalho foi desenvolvido na forma de estrutura

    conceitual (conceptual framework) e apresenta os objetivos, tarefas e parmetros da

    contabilidade gerencial (SOUTES, 2006).

    De acordo com Soutes (2006), o trabalho divulgado pelo International

    Management Accounting (IMA) em 1998 possibilitou identificar quatro fases de

    mudanas e evolues nos artefatos de contabilidade gerencial e essas fases foram

    denominadas de estgios. Em 2001, o International Federation of Accountants

    (IFAC) divulgou um trabalho que confirmava as fases propostas pelo International

    Management Accounting (IMA) e nelas foram acrescidas as principais tecnologias

    utilizadas em cada estgio evolutivo.

    A contabilidade gerencial desenvolveu-se conforme o aumento das

    necessidades das organizaes. De acordo com o International Federation of

    Accountants (IFAC, 1998), o campo de atividade organizacional envolvido como

    contabilidade gerencial foi desenvolvido e reconhecido por meio de quatro fases de

    mudanas e evoluo nos artefatos de contabilidade gerencial, e essas fases foram

    denominadas de estgios, conforme ilustrado na Figura 1:

  • 23

    Figura 1 - Estgios Evolutivos da CG Fonte: Adaptado do IMAP 1.

    De acordo com o International Management Accounting (IMA), a primeira

    fase durou at o ano de 1950 e neste estgio, o foco era a determinao do custo e

    o controle financeiro, atravs do uso de ferramentas de oramento e de

    contabilidade de custos.

    No primeiro estgio, a tecnologia de produo era considerada relativamente

    simples, com produtos indo do incio ao fim em srie de processos distintos e para

    atender a esse estgio, as prticas de contabilidade gerencial baseavam-se nos

    oramentos e nas demais tecnologias da contabilidade de custos (Malaysian

    Institute of Accountants MIA, 2009).

    O segundo estgio da contabilidade gerencial foi durante o perodo dos anos

    de 1950 at 1965 e as informaes eram voltadas para o planejamento e controle

    gerencial, atravs de anlises e decises (SOUTES, 2006).

    Nesse estgio, os gestores buscavam por prticas que lhe possibilitassem

    refinamento das informaes de planejamento e controle (Malaysian Institute of

    Accountants MIA, 2009). Segundo a abordagem concebida pelo International

    Federation of Accountants (IFAC), este estgio pode ser considerado como uma

    atividade gerencial voltada a um papel de assessoria interna, que oferece suporte

    para a linha gerencial por meio da utilizao de tecnologias como a anlise decisria

    e responsabilidades por rea.

  • 24

    O terceiro estgio da contabilidade gerencial iniciou no ano de 1965 e durou

    at o ano de 1985, e neste perodo a ateno era focada na reduo de perdas de

    recursos nos processos, sendo utilizadas as ferramentas de anlise de processos e

    gerenciamento de custos (SOUTES, 2006).

    De acordo com o Malaysian Institute of Accountants MIA, (2009), alguns

    fatores de ordem econmica influenciaram as prticas de contabilidade gerencial

    entre os anos de 1970 e 1980. Houve uma forte ameaa aos mercados do ocidente,

    devido recesso que ocorreu nos anos de 1970, e posteriormente, teve a alta do

    petrleo e do crescimento da competio global nos anos de 1980.

    Nesse sentido, a contabilidade gerencial, vista como provedora primria das

    informaes buscou focar a sua ateno na diminuio do desperdcio de recursos

    empregados nos processos, por meio da anlise destes processos e dos custos

    envolvidos na produo (SOUTES, 2006).

    O ltimo estgio identificado pelo International Management Accounting

    (IMA) teve incio no ano de 1985 e dura at os dias de hoje, e o foco neste estgio

    est na gerao ou criao de valor atravs do uso efetivo de recursos, utilizando

    direcionadores como valor para o consumidor, valor para o acionista e inovao

    organizacional. De acordo com o International Federation of Accountants (IFAC), as

    tecnologias apresentavam-se como meios de alcanar o objetivo de gerar ou criar

    valor atravs do uso eficaz de recursos.

    2.1.3 Classificao dos Artefatos de Contabilidade Gerencial

    Para atender aos objetivos estabelecidos pela pesquisa, os diversos

    artefatos de contabilidade gerencial foram distribudos entre os estgios evolutivos

    da contabilidade gerencial, conforme definido no estudo do IFAC (1998).

    Conforme Oliveira et al. (2013), os estgios evolutivos apresentam

    ferramentas utilizadas pela contabilidade gerencial como forma de gesto das

    informaes que servem como base no momento da tomada de deciso e essas

    ferramentas so conhecidas como artefatos de contabilidade gerencial.

    O termo artefatos de contabilidade gerencial pode ser entendido como um

    termo genrico, que se refere s ferramentas, atividades, filosofias de gesto e

  • 25

    outros instrumentos que possam ser utilizados pelos profissionais de contabilidade

    gerencial (SOUTES, 2006).

    Tendo como base o estudo realizado por Soutes (2006), os artefatos de

    contabilidade gerencial podem ser segregados em trs grupos:

    (i) Mtodos e sistemas de custeio;

    (ii) Mtodos de avaliao e medidas de desempenho; e

    (iii) Filosofias e modelos de gesto.

    Os artefatos da contabilidade gerencial que fazem parte do grupo de

    mtodos e sistemas de custeio so: Custeio por Absoro, Custeio Varivel,

    Custeio-Padro, Custeio com Base em Atividades (ABC) e o Custeio Meta (Target

    Costing).

    Os artefatos de contabilidade gerencial pertencentes ao grupo de mtodos

    de avaliao e medidas de desempenho so: Retorno sobre Investimento (ROI),

    Preo Transferncia, Moeda Constante, Valor Presente, Benchmarking e Economic

    Value Added (EVA).

    O agrupamento de filosofias e modelos de gesto formado por:

    Oramento, Simulao, Descentralizao, Kaizen, Just in Time, Teoria das

    Restries, Planejamento Estratgico, Gesto Baseada em Atividades (ABM),

    GECON Gesto Econmica, Balanced Scorecard (BSC) e Gesto Baseada em

    Valor (VBM).

    O Quadro 2 mostra os artefatos de contabilidade gerencial e a sua

    distribuio entre os estgios evolutivos:

    1 Estgio 2 Estgio 3 Estgio 4 Estgio

    Foco Determinao do custo e controle financeiro

    Informao para controle e planejamento gerencial

    Reduo de perdas de recursos no processo operacional

    Criao de valor atravs do uso efetivo de recursos

    Mtodos e sistemas de custeio

    Custeio por absoro X

    Custeio Varivel X

    Custeio Baseado em Atividades

    X

    Custeio Padro X

    Custeio Meta (Target Costing) X

    Mtodos de mensurao e avaliao e medidas de desempenho

    Preo de transferncia X

    Moeda constante X

    Continua.

  • 26

    1 Estgio 2 Estgio 3 Estgio 4 Estgio

    Foco Determinao do custo e controle

    financeiro

    Informao para controle e planejamento

    gerencial

    Reduo de perdas de

    recursos no processo

    operacional

    Criao de valor atravs

    do uso efetivo de recursos

    Mtodos de mensurao e avaliao e medidas de desempenho

    Valor presente X

    Retorno sobre o Investimento X

    Benchmarking X

    EVA (Economic Value Added) X

    Filosofias e modelos de gesto

    Oramento X

    Simulao X

    Descentralizao X

    Kaizen X

    Just in Time (JIT) X

    Teoria das Restries X

    Planejamento estratgico X

    Gesto Baseada em Atividades (ABM)

    X

    GECON X

    Balanced Scorecard X

    Gesto Beaseada em Valor (VBM)

    X

    Quadro 2 - Segregao dos artefatos de CG Fonte: Soutes (2006)

    Na sequncia, so apresentados de forma breve os conceitos e definies

    de cada um dos artefatos que foram utilizados para o presente estudo.

    a) Custeio por Absoro

    De acordo com Crepaldi (2006, p. 88), este mtodo consiste na apropriao

    de todos os custos da produo para os produtos e servios produzidos,

    considerando todas as caractersticas da contabilidade de custos, de modo que os

    custos vo para o ativo na forma de produtos e s podem ser considerados como

    despesas no momento em que ocorrer a venda do produto, conforme o princpio da

    realizao.

    b) Custeio Varivel

    O mtodo de Custeio Varivel considera como custo de produo do perodo

    apenas os custos variveis incorridos e os custos fixos so considerados como

  • 27

    despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do perodo (CREPALDI,

    2006, p. 117).

    c) Custeio Baseado em Atividades - ABC

    Este mtodo de custeio utilizado para fins gerenciais que disponibiliza

    informaes econmicas para a tomada de decises operacionais e estratgicas.

    feito por meio da apropriao dos custos baseados na ideia de que os produtos ou

    servios elaborados por uma entidade requerem a realizao de atividades, que por

    sua vez, requerem o consumo de recursos. Portanto, o foco dos processos de

    custeio so as atividades da empresa. (CREPALDI, 2006, p. 223).

    Cabe ressaltar que um elemento muito importante no custeio baseado em

    atividades o direcionador de custos, que a base pelo qual cada produto

    custeado no sistema ABC. Por meio deste mtodo, possvel mensurar com maior

    preciso a quantidade de recursos consumidos por cada produto no processo de

    fabricao (IUDCIBUS, 1998, p. 304).

    d) Custeio Padro

    Neste mtodo de custeio, os custos so apropriados produo no pelo

    seu valor efetivo, mas por uma estimativa do que deveriam ser, que um custo

    padro. Esse mtodo de custeio pode ser utilizado mesmo que a empresa utilize o

    custeio por absoro ou o custeio varivel. O custo padro estabelecido pela

    empresa como uma meta para os produtos da linha de fabricao e levam-se em

    considerao as caractersticas tecnolgicas do processo produtivo de cada produto,

    a quantidade e tambm os preos dos insumos necessrios para a produo

    (CREPALDI, 2006, p. 179 e 180).

    e) Target Costing Custeio Meta

    Hansen (2002, p. 14) explica que o Custeio Meta refere-se a um processo de

    planejamento de resultados, com base no gerenciamento de custos e preos, o qual

    se baseia em preos de vendas que so estabelecidos pelo preo desejado do

    mercado. Nesse contexto, os custos so determinados por meio do projeto de novos

  • 28

    produtos, procurando a satisfao dos clientes e tambm buscando aperfeioar o

    custo de propriedade do consumidor, de modo a abranger toda a estrutura da

    entidade e tambm todo o ciclo de vida do produto.

    f) Preo de Transferncia

    O Preo de Transferncia pode ser resumido em regras que as entidades

    utilizam para distribuir a receita conjuntamente coletada, entre os centros de

    responsabilidade da organizao (ATKINSON et al., 2000, p. 633).

    g) Moeda Constante

    De acordo com Paton, Oliveira e Gonalves (2014), a Moeda Constante

    utilizada para possibilitar que os demonstrativos sejam capazes de serem

    comparados a qualquer tempo (apud Monteiro e Marques, 2006).

    h) Present Value - Valor Presente

    O Valor Presente (present value) o valor no momento atual de uma quantia

    a ser adquirida em um determinado perodo, a uma determinada taxa de juros

    (ATKINSON et al., 2000, p. 805).

    O Pronunciamento Tcnico n 12 do Comit de Pronunciamentos Contbeis

    trata sobre o ajuste a valor presente, o qual foi elaborado para atender s alteraes

    procedidas na Lei n 6.404/76, por intermdio da Lei n 11.638 de 28 de dezembro

    de 2007 e foi elaborado de acordo com as normas do International Accounting

    Standards Board IASB.

    Conforme a definio do CPC n 12, o ajuste a valor presente possui como

    objetivo efetuar o ajuste para que seja possvel demonstrar o valor presente de um

    determinado fluxo de caixa futuro.

  • 29

    i) Retorno sobre o Investimento

    O Retorno sobre o Investimento a relao entre o lucro (ou prejuzo)

    resultante de um investimento e o valor investido (PATON, OLIVEIRA E

    GONALVES, 2014). Martins (2003, p. 208) explica que:

    Para o clculo do retorno, no devem constar as Despesas Financeiras, j que so derivadas do Passivo (Financiamento), e no do Ativo (Investimento). Do retorno dado pelo Investimento, parte ser utilizada para renumerar o capital de terceiros (Despesas Financeiras), e parte para remunerar o capital prprio (Lucro Lquido do proprietrio). O retorno total, soma dos dois, o que melhor define o desempenho global.

    j) Benchmarking

    De acordo com Have et al. (2003, p. 21) Benchmarking a comparao

    sistemtica dos processos e desempenhos organizacionais para criar novos padres

    e/ou melhorar processos.

    k) Economic Value Added - EVA

    O artefato EVA Economic Value Added, de acordo com Crepaldi (2006, p.

    274), possui a finalidade de avaliar se a organizao est ganhando dinheiro

    suficiente para suprir o custo do capital que administra. O autor afirma que o

    conceito bsico do EVA o de calcular a remunerao mnima que exigida pelos

    acionistas da organizao e abat-la do lucro apurado pela entidade. Conforme

    Soutes (2006) apud Mller e Tel (2003, p.111), o valor da empresa atravs do

    modelo dado pela adio, ao capital dos acionistas, do valor presente do EVA da

    empresa, considerando o custo de capital e a expectativa de crescimento futuro.

    l) Oramento

    Oramento a ferramenta de controle dos processos operacionais da

    organizao, e envolve todos os setores da companhia (PADOVEZE, 2004, p. 501).

    O oramento tambm pode ser definido como a expresso quantitativa de um plano

    de ao (SOUTES, 2006).

  • 30

    m) Simulao

    Paton, Oliveira e Gonalves (2014) explicam que a Simulao cria um

    sistema em um ambiente controlado, e com isso possvel manipular e observar o

    seu desempenho com menor custo e com maior segurana (apud Vaccaro, 1999).

    n) Descentralizao

    Garrison, Noreen e Brewer (2007, p. 8) expem que a Descentralizao

    possibilita a delegao de autoridade decisria em uma entidade, possibilitando aos

    administradores a autoridade para tomar decises que so referentes a rea de

    responsabilidade em que atuam.

    o) Custeio Kaizen

    O mtodo de custeio Kaizen pode ser definido como:

    [...] Um processo de gesto e uma cultura de negcios, que passou a significar aprimoramento contnuo e gradual, implementado por meio do envolvimento ativo e comprometimento de todos os empregados da empresa no que e como as coisas so feitas (SOUTES, 2006).

    Crepaldi (2006, p. 267 e 268) explica que o Custeio Kaizen procura manter

    os nveis correntes de custo e trabalhar de modo sistemtico para reduzir os gastos,

    conforme objetivado pela empresa. O autor expe que o objetivo do Kaizen buscar

    por uma reduo dos custos em vrias etapas da manufatura, de modo a acabar

    com as discrepncias entre os valores de lucros orados e lucros estimados.

    p) Just in time

    Garrison, Noreen e Brewer (2007, p. 10) explanam que o mtodo Just in

    Time (JIT) ocorre quando as organizaes compram matria-prima e produzem

    unidades somente na medida suficiente para atender a demanda dos seus

    consumidores. Have et al. (2003, p.99), explicam que o Just in Time originado de

    uma filosofia japonesa de organizao de produo, em que os estoques

  • 31

    representam ineficincia e com isso, o objetivo deste mtodo de acelerar a

    resposta aos consumidores e minimizar os estoques.

    q) Teoria das Restries

    O mtodo da Teoria das Restries pode ser definido como:

    Uma filosofia de gerenciamento cujo objetivo a programao da produo rompendo as barreiras globais da empresa, utilizando como medidas de alcance da meta global indicadores exclusivamente financeiros como: Lucro Lquido, Retorno sobre o Investimento e Fluxo de Caixa (SOUTES, 2006).

    r) Planejamento Estratgico

    O Planejamento Estratgico o processo em que so estabelecidos os

    programas que a empresa utilizar e a quantidade aproximada de recursos que

    sero reservados para cada programa. (ANTHONY, GOVINDARAJAN, 2001, p.

    382). Meyer Junior e Meyer (2004, p.2), explicam que o objetivo do planejamento

    estratgico direcionar a organizao para a identificao dos objetivos e metas de

    modo que seja possvel avaliar e mensurar o seu desempenho, com a finalidade de

    atingir aos objetivos propostos pela organizao.

    s) Gesto Baseada em Atividades - ABM

    A Gesto Baseada em Atividades (ABM) um processo que usa a

    informao fornecida por uma anlise dos custos baseado em atividades para

    maximizar a lucratividade da organizao e inclui a execuo de modo eficiente das

    atividades de maneira geral. Esse mtodo tambm busca eliminar as atividades que

    no adicionam valor para os consumidores e desta forma, observa-se que possvel

    melhorar o projeto do produto e desenvolver melhores relaes com os fornecedores

    e clientes (CREPALDI, 2006, p. 234).

  • 32

    t) GECON

    O modelo de gesto econmica GECON uma proposta que busca

    identificar o valor econmico da empresa e busca evidenciar a essncia econmica

    das transaes realizadas pela entidade em cada momento (SOUTES, 2006).

    u) Balanced Scorecard - BSC

    um sistema de gesto estratgica que permite a traduo da viso, misso

    e aspirao estratgica da empresa em objetivos tangveis e mensurveis. O

    princpio bsico do BSC mensurar os indicadores que so relacionados

    satisfao dos clientes da organizao, aos processos internos e ao

    desenvolvimento dos colaboradores e no fim, busca relacionar tudo isso estratgia

    de gesto da entidade. (CREPALDI, 2006, p. 302 e 303). Soutes (2006) define BSC

    como um painel equilibrado de indicadores, que permite identificar problemas e

    definir estratgias para a organizao.

    v) Gesto Baseada em Valor Value Based Management VBM

    A Gesto Baseada em Valor (VBM) Value Based Management, de acordo

    com Martins (2001, p. 238), constitui-se em uma abordagem pela qual as

    aspiraes, tcnicas de anlise e processos gerenciais so voltados maximizao

    do valor da organizao. Have et al. (2003, p. 182) explanam que o VBM um

    mtodo de gesto integrado, que busca a maximizao do valor do acionista, e que

    exige uma organizao e planejamento.

    2.2 TEORIA DO DISCLOSURE VOLUNTRIO

    O principal objetivo da Contabilidade, de prover informaes teis a seus

    usurios, atingido atravs da divulgao (disclosure) de demonstraes contbeis

    (IUDCIBUS, 2000).

  • 33

    O disclosure o esforo que a empresa faz para divulgar informaes sobre

    as suas atividades aos usurios da informao. O conceito de disclosure relaciona-

    se com a transparncia corporativa, sugerindo que as empresas que possuem maior

    divulgao de informaes so mais transparentes. (MURCIA, SANTOS, 2009).

    De acordo com Alam (2007), o disclosure a ltima fase do ciclo contbil,

    caracterizado pelos processos de mensurao e reconhecimento, que apontam

    informaes acerca da entidade durante um dado perodo de tempo.

    A divulgao vista no atual mundo dos negcios como uma estratgia que

    possui como objetivo melhorar e intensificar a qualidade da comunicao das

    corporaes com os usurios da informao. As empresas exigem dos profissionais

    de contabilidade informaes que no sejam somente de carter financeiro. No

    entanto, os pesquisadores da rea de contabilidade esto focados em promover

    estudos acerca da qualidade das formas de mensurao das divulgaes voluntrias

    (BEATTIE; MCINNE; FEARNLEY, 2004).

    Corroborando tal entendimento, Lev e Zarowin (1999) expem que

    necessrio que as empresas ampliem a divulgao das suas informaes, de modo

    que elas no possuam somente enfoque financeiro, mas sim informaes sobre a

    gesto da organizao, preocupao com o meio ambiente, dentre outras, que

    evidenciem que as prticas contbeis so transparentes, servindo como uma

    prestao de contas aos usurios interessados e criando um valor competitivo para

    a organizao.

    Conforme Verrechia (2001), o papel da contabilidade acerca do disclosure

    das informaes econmicas sinttico, devendo apresentar a relao existente

    entre os relatrios financeiros e os seus impactos nas atividades econmicas.

    De acordo com Bushman, Piotroski e Smith (2001, p. 1):

    A transparncia pode ser definida como a abrangente disponibilidade de informao relevante e confivel sobre o desempenho peridico, situao financeira, oportunidades de investimento, governana, valor e risco das empresas de capital aberto.

    Schadewitz e Blevins (1998, p. 44) afirmam que investidores racionais,

    percebendo os potenciais riscos, evitam assumir posio acionria em companhias

    cuja quantidade e qualidade de abertura de informaes consistentemente abaixo

    das expectativas.

    De acordo com Lanzana (2004):

  • 34

    A abertura de informaes (ou disclosure) um fator crtico para um funcionamento de mercado de capitais eficiente. As empresas fornecem informaes atravs de seus relatrios financeiros, incluindo demonstrativos financeiros, notas de rodap, anlise e discusso por parte dos gestores, assim como outros tipos de documentos exigidos pelos rgos reguladores. Adicionalmente, algumas empresas envolvem-se em formas de comunicaes voluntrias, tais como estimativas de resultados futuros, apresentaes para os analistas, conferncias telefnicas, relatrios para imprensa, sites na Internet e outros relatrios corporativos. Alm disso, a abertura de informaes da empresa se d tambm por intermedirios, como analistas financeiros, especialistas setoriais e a prpria imprensa financeira.

    O disclosure pode ser dividido em dois tipos: obrigatrio e voluntrio. O

    disclosure obrigatrio ocorre por existir uma legislao ou padres de contabilidade

    que exijam a divulgao, de modo que a falta da evidenciao torna a empresa

    vulnervel aplicabilidade de penalidades. Por outro lado, o disclosure voluntrio

    motivado pelos interesses dos gestores das organizaes em divulgar ou no

    determinadas informaes. Desta forma, os benefcios com a divulgao da

    informao devem ser superiores ao custo necessrio para que a informao seja

    divulgada (ALMEIDA, 2009).

    O disclosure voluntrio percebido com maior frequncia em relatrios

    anuais das organizaes, no qual grande parte das informaes apresentadas no

    so exigidas por regulamentos especficos, outras informaes podem ser

    encontradas nos sites das entidades e a divulgao dessas informaes tem o

    objetivo de atingir o pblico investidor.

    Verrechia (2001) argumenta que para os gestores conseguirem os seus

    objetivos pretendidos, dentre eles, a maximizao dos lucros da entidade, devem

    escolher e divulgar informaes que considerem favorveis para a organizao, e

    manter internamente aquelas informaes que podem ser desfavorveis.

    As informaes que so divulgadas de forma voluntria podem ser

    caracterizadas pela relao de custo e benefcio de sua divulgao, tendo em vista

    que informaes que no geram custos devem ser apresentadas e a no divulgao

    dessas informaes pode ser interpretada pelo mercado como algo ruim, o que

    desfavorece a empresa (VERRECHIA, 2001).

    Corroborando tal entendimento, Dye (2001) explica que quando uma

    informao for considerada favorvel para a organizao, o gestor pode divulg-la.

  • 35

    Contudo, quando a informao ruim e no existe a obrigao de disclosure, no

    existiro, na maioria dos casos, benefcios com a sua divulgao.

    Bushman e Smith (2003) destacam que a informao contbil financeira

    capaz de afetar o desempenho da economia. De acordo com os autores, as

    informaes contbeis so importantes para a avaliao das oportunidades de

    investimentos, tanto para os gestores tomarem as suas decises acerca de um

    projeto de investimento, quanto para os investidores alocarem seus recursos de

    forma eficiente entre as diferentes opes disponveis no mercado.

    importante destacar tambm o papel da governana da informao

    contbil, pois de acordo com Bushman e Smith (2003), a mesma serve como um dos

    instrumentos de acompanhamento dos gestores da empresa pelos investidores

    externos.

    Com relao literatura acerca do disclosure, Verrechia (2001, p. 1) explica

    que no existe uma teoria unificada sobre o assunto. O autor ressalta que na

    literatura sobre disclosure, no existe um modelo principal que leve a todas as

    pesquisas subsequentes.

    2.3 ESTUDOS PRECEDENTES SOBRE CG E DISCLOSURE VOLUNTRIO

    No Quadro 3 so apresentados os estudos precedentes relacionados

    contabilidade gerencial e disclosure voluntrio, que visam colaborar com a presente

    pesquisa:

    Autor/Ano Objetivo Principais resultados

    MURCIA e SANTOS, 2009.

    Identificar os fatores que explicam o nvel de disclosure voluntrio das companhias abertas no Brasil.

    Os resultados evidenciam que empresas maiores, pertencentes ao setor eltrico, possuem em mdia, um maior nvel de disclosure voluntrio.

    SOUTES et al., 2010.

    Verificar se empresas brasileiras que se destacam pelo seu porte na economia utilizam artefatos modernos de CG e, investigar se empresas que se destacam pela qualidade de suas informaes aos usurios externos tambm se destacariam no atendimento de seus usurios internos.

    As empresas da amostra utilizam artefatos modernos de Contabilidade Gerencial, e a amostra de empresas indicadas para o prmio ANEFAC-FIPECAFI-SERASA no se diferencia, em termos de utilizao de artefatos modernos de contabilidade gerencial, do grupo das demais empresas pesquisadas.

    Continua.

  • 36

    Autor/Ano Objetivo Principais resultados

    FONTANA E MACAGNAN, 2011

    Analisar os fatores explicativos do nvel de evidenciao voluntria de informaes sobre capital humano nas empresas listadas na BM&FBovespa.

    Os resultados indicam que o tamanho, endividamento, crescimento e tempo de registro na CVM so fatores explicativos do nvel de evidenciao de informaes sobre capital humano.

    MAPURUNGA et al., 2011.

    Verificar a existncia de associao entre o disclosure de informaes sobre instrumentos financeiros derivativos e caractersticas econmicas de sociedades brasileiras de Capital Aberto.

    O tamanho e o lucro da empresa esto positivamente associados divulgao de informaes sobre instrumentos financeiros derivativos, e no se verificou associao significativa entre os atributos endividamento e rentabilidade, com a divulgao de informaes sobre instrumentos financeiros derivativos.

    AILLN et al., 2013.

    Verificar como so evidenciadas as informaes gerenciais publicadas na nota explicativa de informaes por segmento nas empresas que compem o IBrX-50.

    A evidenciao distinta entre os setores, e existe um baixo nvel de disclosure das informaes gerenciais na amostra analisada.

    OLIVEIRA et al.,2013.

    Investigar as prticas de evidenciao dos artefatos da contabilidade gerencial das empresas do setor de atuao de utilidade pblica listadas na BM&FBovespa pela tica do isomorfismo.

    O setor de energia eltrica apresenta uma gama maior de artefatos gerenciais comparados aos setores de gua e esgoto e gs. No geral, os artefatos evidenciados pelos trs setores so semelhantes, e que o mais evidenciado o Valor Presente.

    Quadro 3 - Estudos Precedentes sobre Disclosure e CG Fonte: Dados da Pesquisa (2016).

    No Quadro 3 apresentado o estudo realizado por Murcia e Santos (2009),

    cujo ttulo Fatores determinantes do nvel de disclosure voluntrio das

    companhias abertas no Brasil. Nesse estudo buscou-se identificar os fatores que

    explicam o nvel de disclosure voluntrio das empresas abertas no Brasil.

    Por meio da utilizao de teorias j existentes, formularam-se algumas

    hipteses que foram testadas empiricamente em uma amostra de empresas

    brasileiras. Por meio de anlise quantitativa, buscou-se a refutao ou confirmao

    das hipteses como meio de explicar o disclosure voluntrio por empresas

    brasileiras.

    Com base nas anlises e por meio de uma das hipteses apresentadas na

    pesquisa, foi possvel identificar que as empresas maiores e pertencentes ao setor

    eltrico, que possuem ttulos e valores mobilirios negociados na Bolsa de Nova

    Iorque nos nveis II e III e que aderem aos nveis diferenciados de governana da

    Bolsa de So Paulo, possuem, em mdia, um maior nvel de disclosure voluntrio de

    carter econmico. A regulao setorial tambm se mostrou significativa j que as

    empresas do setor eltrico possuem em mdia um nvel de disclosure superior s

    empresas de outros setores.

  • 37

    O estudo de Soutes, Guerreiro e Cornachione Jr (2010), intitulado A

    Utilizao de Artefatos Modernos de Contabilidade Gerencial por Empresas

    Brasileiras, procurou investigar se as empresas utilizam artefatos modernos da

    contabilidade gerencial. As 90 empresas utilizadas na amostra so parte do nmero

    total de empresas indicadas para o Prmio ANEFAC-FIPECAFI-SERASA.

    Os principais resultados da pesquisa evidenciaram que os artefatos que

    apresentam maiores ndices de utilizao so: simulaes (88%) e benchmarking

    (85%). Em um bloco intermedirio de utilizao, nas empresas da amostra estudada,

    destacam-se custo financeiro dos estoques (56%), teoria das restries (52%), EVA

    (50%) e Balanced Scorecard (46%). No terceiro bloco com menor ndice de

    utilizao aparecem o Custeio Meta, Kaizen, Just in time e Custeio Baseado em

    Atividades.

    Os resultados do estudo de Soutes, Guerreiro e Cornachione Jr indicam que

    no existem evidncias de que as empresas pertencentes ao grupo indicadas para

    o prmio utilizem com mais intensidade artefatos modernos de contabilidade

    gerencial do que as do grupo demais empresas. Os autores citam que a restrio

    deste estudo abre possibilidades para pesquisas futuras sobre este tema, tais como

    o desenvolvimento de pesquisa probabilstica mais abrangente sobre o tema e a

    considerao sobre quais artefatos so mais utilizados por setor econmico.

    Fontana e Macagnan (2011) elaboraram o estudo Fatores Explicativos do

    nvel de evidenciao voluntria de informaes sobre capital humano, cujo

    principal objetivo analisar os fatores que explicam o nvel de evidenciao

    voluntria de informaes sobre capital humano das empresas listadas na

    BM&FBovespa, durante o perodo de 2005 a 2009.

    Os autores consideraram a teoria da ineficincia de mercado devido

    existncia de assimetria informacional entre gestores e acionistas, sendo que a

    teoria da agncia assinala que a evidenciao de informaes pode implicar na

    diminuio dos custos de agncia. Em contrapartida, segundo a teoria do custo dos

    proprietrios, evidenciar informaes pode gerar custos aos proprietrios. O estudo

    de Fontana e Macagnan (2011) explicativo, com abordagem de evidencias

    qualitativas e quantitativas, cuja amostra composta por 29 empresas de capital

    aberto, e o relatrio analisado foi o relatrio anual.

  • 38

    Os principais resultados do estudo destacam que no se podem ignorar as

    hipteses de tamanho, endividamento, crescimento e tempo de registro na CVM

    como fatores explicativos do nvel de evidenciao.

    O estudo realizado por Mapurunga et al. (2011), cujo ttulo Determinantes

    do nvel de disclosure de instrumentos financeiros derivativos em firmas brasileiras,

    procurou verificar a existncia de uma associao entre o disclosure de informaes

    sobre instrumentos financeiros derivativos e caractersticas econmicas das

    sociedades brasileiras que possuem capital aberto. Para isso, foi realizado

    levantamento em demonstraes financeiras padronizadas, considerando uma

    amostra composta por 75 empresas listadas em diversos nveis de governana

    corporativa da BM&FBovespa.

    Os principais resultados encontrados no estudo de Mapurunga destacam

    que somente as variveis Tamanho e Lucro possuem associao positiva com

    relao divulgao de informaes sobre os instrumentos financeiros derivativos, e

    no se verificou associao significativa entre os atributos Endividamento e

    Rentabilidade, pois eles no apresentaram significncia estatstica satisfatria.

    O estudo realizado por Ailln et al. (2013), que tem como ttulo Anlise das

    informaes por segmento: divulgao de informaes gerenciais pelas empresas

    brasileiras, buscou identificar como so evidenciadas as informaes gerenciais

    publicadas no relatrio de nota explicativa de informao por segmentos nas

    empresas que compem o IBrX-50.

    A amostra estudada composta por 48 empresas e as informaes foram

    analisadas por meio de abordagens qualitativa e quantitativa, atravs da tcnica de

    anlise de contedo. Depois foi utilizado o Modelo de Regresso Mltipla para testar

    variveis explicativas que impactam o nvel de disclosure das notas explicativas.

    Atravs dos resultados obtidos com a pesquisa, verificou-se baixo nvel de

    divulgao por parte das empresas e em relao mtrica utilizada e s categorias

    propostas, menos da metade da divulgao possvel de acordo com o modelo

    proposto foi evidenciado pelas empresas. Ao verificar quais fatores influenciaram a

    divulgao, no foi possvel estabelecer relaes com as variveis Novo Mercado,

    Margem Ebitda, Margem Bruta, Ativo Total. Esses fatores no permitiram explicar a

    maior ou menor divulgao das informaes por segmento nas notas explicativas.

    J o estudo realizado por Oliveira et al. (2013), cujo ttulo Evidenciao dos

    Artefatos da Contabilidade Gerencial das Empresas do Setor de Atuao de

  • 39

    Utilidade Pblica da BM&FBovespa, props-se a investigar as prticas de

    evidenciao dos artefatos de contabilidade gerencial das empresas pertencentes

    ao setor de utilidade pblica listadas na BM&FBovespa, por meio da tica do

    isomorfismo.

    Por meio da anlise de contedo, foi quantificada a frequncia de algumas

    palavras ou ideias que aparecem no texto, o que tornou a pesquisa imparcial e

    objetiva. O estudo analisa se as empresas divulgam os artefatos em uma

    comparao longitudinal, no perodo de trs anos. A populao da amostra

    composta por 75 empresas listadas na BM&FBovespa e a amostra selecionada para

    o estudo composta por 46 empresas.

    Percebe-se com os resultados da pesquisa que apesar da quantidade de

    artefatos evidenciados nos trs anos estudados ser diferente, os artefatos, no geral,

    no apresentam evoluo na sua evidenciao no perodo analisado e o ano de

    2011 o que mais evidenciou artefatos do perodo analisado, enquanto o ano de

    2012 foi o que menos evidenciou. O artefato mais evidenciado nos relatrios e notas

    explicativas foi o Valor Presente e o oramento foi o segundo artefato mais

    evidenciado.

  • 40

    3 METODOLOGIA DA PESQUISA

    Este captulo apresenta a metodologia cientfica utilizada neste estudo,

    sendo composto por duas sees: (i) caracterizao da pesquisa e; (ii)

    procedimentos para coleta e anlise de dados.

    3.1 CARACTERIZAO DA PESQUISA

    Nesta seo busca-se apresentar a caracterizao da pesquisa,

    classificando os aspectos de natureza metodolgica que orientam o estudo. Esta

    ser classificada quanto ao (i) enfoque da pesquisa; (ii) natureza do objetivo; (iii)

    natureza do trabalho; (iv) coleta de dados; e (v) abordagem do problema. Na Figura

    2 so demonstrados estes critrios de classificao e as caracterizaes da

    pesquisa em cada critrio:

    Figura 2 - Caracterizao da Pesquisa. Fonte: Elaborado pela autora.

  • 41

    3.1.1 Enfoque da Pesquisa

    Esta pesquisa, que possui como foco o disclosure de artefatos de

    contabilidade gerencial em demonstraes financeiras de empresas listadas na

    BM&FBovespa, caracteriza-se como um estudo emprico-analtico.

    O estudo emprico-analtico utiliza vrias tcnicas de coleta, tratamento e

    anlise dos dados de forma quantitativa, de modo a privilegiar o estudo prtico,

    buscando a confirmao dos resultados por meio de testes, graus de significncia e

    estruturao das definies operacionais (MARTINS, 2002a, p. 34).

    3.1.2 Natureza do Objetivo de Pesquisa

    De acordo com Gil (2002), existem trs tipos de pesquisas, as quais podem

    ser definidas quanto aos seus objetivos em:

    a) Exploratrias: tm como objetivo propiciar maior familiaridade com o

    problema, com vistas a torn-lo mais evidente ou a constituir hipteses;

    b) Descritivas: tm como objetivo primordial relatar as caractersticas de

    determinada populao ou fenmeno, ou ento, o estabelecimento de

    relaes entre variveis;

    c) Explicativas: tm como preocupao central reconhecer os fatores que

    determinam ou colaboram para a ocorrncia dos fenmenos;

    Considerando a natureza do objetivo da pesquisa, o estudo caracteriza-se

    como exploratrio, tendo em vista que ele busca levantar informaes sobre um

    determinado objeto (SEVERINO, 2007, p.123).

    O estudo tambm pode ser considerado como descritivo, pois ele possui

    como objetivo descrever as caractersticas de determinada populao e estabelecer

    relaes variveis entre elas.

    As caractersticas exploratrias e descritivas da pesquisa so percebidas no

    levantamento e descrio das informaes sobre a evidenciao dos artefatos de

    contabilidade gerencial em demonstraes financeiras de empresas listadas na

    Bolsa de Valores de So Paulo.

  • 42

    3.1.3 Natureza do Trabalho

    O estudo pode ser considerado terico e prtico e utiliza a pesquisa

    bibliogrfica e documental. Quanto pesquisa bibliogrfica, Marconi e Lakatos

    (2010, p. 166) explicam que ela possui a finalidade de colocar o pesquisador em

    contato direto com tudo o que foi escrito ou dito sobre um determinado assunto. A

    pesquisa bibliogrfica no considerada como uma mera repetio do que j foi dito

    ou escrito sobre um determinado assunto, mas permite que o pesquisador faa

    exame de um tema sob uma nova abordagem, chegando a novas concluses sobre

    determinados assuntos.

    Corroborando, a pesquisa bibliogrfica tambm considerada como uma

    estratgia necessria para o desenvolvimento de qualquer pesquisa cientfica que

    procura explicar ou discutir um determinado assunto, tema ou problema e possui

    como base referncias publicadas em livros, peridicos, revistas, sites, anais de

    congressos, etc. (MARTINS E THEPHILO, 2007, p. 54).

    Portanto, no que diz respeito prtica bibliogrfica, procurou-se a reunio de

    literatura que fosse capaz de fornecer informaes tericas que pudessem subsidiar

    a elaborao do estudo. Para isso, foi realizada a pesquisa em livros, artigos, sites

    de Congressos e atravs das ferramentas Scielo e Google Acadmico. Os eixos

    temticos que foram pesquisados so: contabilidade gerencial, disclosure

    contbil, artefatos de contabilidade gerencial.

    Com relao pesquisa documental, Martins e Thephilo (2007, p. 55)

    explicam que ela caracterstica de pesquisas que usam documentos como fonte de

    informaes e dados. Entende-se por documentos diversos tipos de fontes, como

    por exemplo, documentos arquivados em entidades privadas ou pblicas,

    gravaes, fotos, dentre outros.

    A caracterstica da pesquisa documental que a fonte de coleta de dados

    restrita a documentos, que podem ser elaborados no momento em que o fenmeno

    ou fato ocorre, ou depois (MARCONI E LAKATOS, 2010, p. 157).

    No presente estudo, o carter documental concentra-se na obteno de

    dados sobre os artefatos de contabilidade gerencial das companhias investigadas, o

    qual foi realizado por meio de consulta s notas explicativas, relatrios de

    administrao, demonstraes financeiras e demais relatrios e informaes

  • 43

    pblicas divulgadas voluntariamente pelas empresas, disponveis na base da de

    dados da BM&FBovespa e em websites corporativos das empresas.

    3.1.4 Coleta de dados

    Com relao coleta de dados, foram utilizados dados secundrios,

    coletados por meio das informaes disponveis nos relatrios de administrao,

    notas explicativas e demais informaes disponveis em websites das empresas

    componentes da amostra.

    De acordo com Marconi e Lakatos (2003, p. 175), os dados secundrios

    consistem em informaes j existentes, analisadas e tabuladas, transcritas de

    fontes primrias contemporneas e encontram-se disposio do pesquisador em

    diversas fontes, como livros, filmes, revistas, websites, dentre outros. As fontes

    secundrias possibilitam a resoluo de problemas que j so conhecidos, e

    tambm permitem explorar diversas reas do conhecimento em que os problemas

    ainda no foram suficientemente solidificados.

    3.1.5 Abordagem do Problema

    No que se refere abordagem do problema, a pesquisa caracteriza-se como

    qualitativa-quantitativa, tambm chamada de mista. De acordo com Rodrigues

    (2007), a pesquisa qualitativa caracterizada como descritiva, relatando o maior

    nmero possvel de elementos presentes da realidade estudada. Com relao

    abordagem quantitativa, caracterizada pelo emprego de quantificao nas

    modalidades de coleta de informaes e tambm no tratamento delas por meio de

    tcnicas estatsticas (RICHARDSON, 1999; RAUPP E BEUREN, 2006, p.92)

    Portanto, o presente estudo pode ser considerado qualitativo no que diz

    respeito anlise dos artigos e estudos anteriores sobre o tema da pesquisa e

    tambm com relao identificao de quais artefatos de contabilidade gerencial

    so evidenciados pelas empresas e quantitativo no tange a quantidade de artefatos

  • 44

    que foram evidenciados e com relao s ferramentas estatsticas empregadas na

    anlise dos dados.

    3.2 PROCEDIMENTOS PARA COLETA E ANLISE DE DADOS

    Esta seo busca identificar a maneira mais adequada para a coleta dos

    dados da pesquisa, de modo a obter contedo suficiente para realizar as anlises e

    conseguir responder ao problema da pesquisa e aos objetivos propostos pelo

    estudo. Ela est subdividida em: (i) populao e amostra; (ii) procedimento utilizados

    para coleta de dados e; (iii) procedimentos utilizados para anlise de dados.

    3.2.1 Populao e Amostra

    A populao e amostra so as companhias de capital aberto listadas na

    BM&FBovespa classificadas no segmento Novo Mercado de Governana

    Corporativa.

    A BM&FBovespa possui vrios segmentos de listagem, os quais foram

    criados com objetivo de desenvolver o mercado de capitais brasileiro, de modo que

    cada segmento seja adequado aos diferentes perfis de empresas. O segmento de

    listagem chamado de Novo Mercado foi lanado no ano 2000, e estabeleceu um

    padro de governana corporativa bastante diferenciado. A listagem nesse

    segmento especial implica na adoo de um conjunto de regras societrias que

    ampliam os direitos dos acionistas, alm da adoo de uma poltica de divulgao

    de informaes mais abrangentes e transparentes (BOLSA DE VALORES DE SO

    PAULO, 2016).

    Portanto, para a definio da populao do estudo, foi escolhido o segmento

    de listagem Novo Mercado, tendo em vista que considerado o segmento que se

    encontra no mais avanado nvel de governana corporativa.

    O perodo a ser analisado na pesquisa referente aos exerccios findos em

    31 de dezembro de 2013, 2014 e 2015. Neste perodo, existem 128 empresas

  • 45

    classificadas no segmento de listagem Novo Mercado, conforme apresentado no

    Apndice A.

    O procedimento utilizado para a formao da amostra representativa foi a

    amostragem aleatria simples, em que cada elemento da populao possui a

    mesma probabilidade de ser includo na amostra (SPIEGEL, 1993, p. 215; SILVA et

    al., 1997, p. 93). A amostragem aleatria simples um processo elementar e

    frequentemente utilizado, em que atribudo a cada elemento da populao finita

    um nmero e posteriormente, so efetuados sucessivos sorteios, at completar o

    tamanho da amostra (SILVA et al., 1997; MARTINS, 2000).

    De acordo com Martins (2002, p.187), quando a varivel escolhida for

    nominal ou ordinal e a populao for finita, a frmula para clculo do tamanho da

    amostra ser:

    n= z2.p.q.N

    d2(N-1)+ z2.p.q

    Sendo:

    n = tamanho da amostra aleatria simples a ser relacionada da populao

    N = tamanho da populao finita

    z = nmero de desvios padres da distribuio normal

    p = proporo da ocorrncia da varivel em estudo

    q = proporo de no ocorrncia da varivel em estudo (q=1-p)

    d = erro amostral

    O nvel de confiana a probabilidade de que o valor apresentado esteja

    correto. Portanto, o valor utilizado para o nvel de confiana neste estudo foi de 90%

    (z = 1,65) e o erro amostral 10% (d = 0,10). Segundo Corrar e Thephilo (2004,

    p.58), quando a informao sobre a proporo populacional no for conhecida,

    recomenda-se considerar p = q = 0,50.

    Atravs do clculo estatstico da amostra, com base nos parmetros

    definidos no estudo, chegou-se a um grupo de 45 empresas para compor a amostra

    da pesquisa.

    Aps o clculo do nmero de elementos que iro compor a amostra do

    estudo, foi feita uma listagem com a populao total da pesquisa e foi atribudo a

    cada empresa um nmero, para posteriormente ser realizado o sorteio dos nmeros

  • 46

    por meio da ferramenta Microsoft Office Excel, de modo a selecionar a amostra

    probabilstica aleatria simples. Com isso, foram sorteados aleatoriamente 45

    nmeros para a composio final da amostra.

    O Quadro 4 apresenta as quarenta e cinco empresas que foram sorteadas

    para compor a amostra, de acordo com o seu setor de atuao:

    RAZO SOCIAL SETOR DE ATUAO

    B2W - COMPANHIA DIGITAL CONSUMO CCLICO

    BR INSURANCE CORRETORA DE SEGUROS S.A FINANCEIRO E OUTROS

    BRASIL PHARMA S.A. CONSUMO NO CCLICO

    BR PROPERTIES S.A. FINANCEIRO E OUTROS

    BRF S.A. CONSUMO NO CCLICO

    CIELO S.A. FINANCEIRO E OUTROS

    CIA SANEAMENTO DE MINAS GERAIS-COPASA MG UTILIDADE PBLICA

    CPFL ENERGIA S.A. UTILIDADE PBLICA

    CSU CARDSYSTEM S.A. BENS INDUSTRIAIS

    ECORODOVIAS INFRAESTRUTURA E LOGSTICA S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    EMBRAER S.A. BENS INDUSTRIAIS

    EDP - ENERGIAS DO BRASIL S.A. UTILIDADE PBLICA

    FIBRIA CELULOSE S.A. MATERIAIS BSICOS

    IDEIASNET S.A. TECNOLOGIA DA INFORMAO

    IGUATEMI EMPRESA DE SHOPPING CENTERS S.A FINANCEIRO E OUTROS

    INDSTRIAS ROMI S.A. BENS INDUSTRIAIS

    IOCHPE MAXION S.A. BENS INDUSTRIAIS

    JBS S.A. CONSUMO NO CCLICO

    JSL S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    LIGHT S.A. UTILIDADE PBLICA

    LINX S.A. TECNOLOGIA DA INFORMAO

    LOG-IN LOGISTICA INTERMODAL S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    MARISA LOJAS S.A. CONSUMO CCLICO

    M.DIAS BRANCO S.A. IND COM DE ALIMENTOS CONSUMO NO CCLICO

    MAGAZINE LUIZA S.A. CONSUMO CCLICO

    MARFRIG GLOBAL FOODS S.A. CONSUMO NO CCLICO

    MULTIPLUS S.A. CONSUMO CCLICO

    NATURA COSMETICOS S.A. CONSUMO NO CCLICO

    ODONTOPREV S.A. CONSUMO NO CCLICO

    LEO E GS PARTICIPAES S.A. PETRLEO, GS E BIOCOMBUSTVEIS

    POMIFRUTAS S/A CONSUMO NO CCLICO

    PROFARMA DISTRIB PROD FARMACEUTICOS S.A. CONSUMO NO CCLICO

    PRUMO LOGSTICA S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    QGEP PARTICIPAES S.A. PETRLEO, GS E BIOCOMBUSTVEIS

    Continua.

  • 47

    RAZO SOCIAL SETOR DE ATUAO

    CIA SANEAMENTO BASICO EST SAO PAULO UTILIDADE PBLICA

    SER EDUCACIONAL S.A CONSUMO CCLICO

    SONAE SIERRA BRASIL S.A. FINANCEIRO E OUTROS

    SMILES S.A. CONSUMO CCLICO

    TIM PARTICIPACOES S.A. TELECOMUNICAES

    TECNISA S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    T4F ENTRETENIMENTO S.A. CONSUMO CCLICO

    TPI - TRIUNFO PARTICIP. E INVEST. S.A. CONSTRUO E TRANSPORTE

    UNICASA INDSTRIA DE MVEIS S.A. CONSUMO CCLICO

    VANGUARDA AGRO S.A. CONSUMO NO CCLICO

    WEG S.A. BENS INDUSTRIAIS

    Quadro 4 - Empresas selecionadas para o estudo Fonte: Elaborado pela autora, com base na listagem disponvel no site da BM&FBovespa.

    No Apndice B consta a relao de empresas selecionadas para o estudo e

    os seus respectivos nmeros sorteados.

    3.2.2 Procedimentos Utilizados para Coleta de Dados

    As informaes das empresas que compem a amostra foram coletadas na

    base de dados da BM&FBovespa. Para o presente estudo, foram considerados os

    relatrios complementares s Demonstraes Contbeis, que so as Notas

    Explicativas e Relatrios da Administrao, alm de relatrios divulgados de maneira

    voluntria pelas empresas e informaes disponveis em seus websites.

    Para verificar quais informaes gerenciais foram divulgadas pelas

    empresas nos relatrios citados, optou-se pela tcnica de anlise de contedo. A

    anlise de contedo um conjunto de tcnicas de anlises das informaes que

    procuram obter indicadores quantitativos ou no por meio de procedimentos

    sistemticos e objetivos de descrio do contedo (BARDIN, 1977). Portanto, para a

    coleta dos dados, foi realizada a anlise de contedo por meio da leitura dos

    relatrios divulgados pelas empresas e com essa investigao procurou-se obter

    informaes sobre a evidenciao dos artefatos de contabilidade gerencial.

    Por meio dos relatrios divulgados pelas empresas, foram coletadas

    algumas informaes complementares, como por exemplo: dados da empresa, total

  • 48

    do ativo e passivo, valor do faturamento, endividamento, auditoria realizada por

    empresa classificada como Big four ou por outras empresas de auditoria, dentre

    outras informaes necessrias para realizar a avaliao das informaes obtidas.

    Para a coleta dos dados, fez-se necessrio a elaborao de um indicador de

    evidenciao de artefatos de contabilidade gerencial e a definio da mtrica

    utilizada para o estudo.

    3.2.2.1 Indicador de evidenciao de artefatos de CG

    Os artefatos de contabilidade gerencial no so evidenciados e

    apresentados de forma padronizada pelas organizaes, tendo em vista que a

    divulgao de informaes gerenciais no obrigatria por lei. Portanto, as

    empresas divulgam informaes sobre artefatos de contabilidade gerencial de

    acordo com a sua estrutura organizacional interna e de acordo com o interesse que

    existe com o resultado da divulgao.

    Para avaliar o nvel de disclosure voluntrio de informaes sobre artefatos

    de contabilidade gerencial, foi elaborado o Indicador de Evidenciao de Artefatos

    de CG, para, a partir dele, identificar quais empresas apresentam melhor nvel de

    informaes sobre a contabilidade gerencial aos seus usurios.

    Schvirck (2014), explica que a prtica consiste em se atribuir valores

    numricos aos itens definidos como categorias de anlise. O autor argumenta que a

    metodologia utilizada anteriormente por diversos autores operacionalizada

    atribuindo-se o valor zero para o item no evidenciado e um para o item

    evidenciado, conforme apresentado no Quadro 5:

    Pontos Critrio

    0 Varivel no foi divulgada nas demonstraes publicadas.

    1 A varivel foi apresentada em forma numrica (monetria, percentual, etc) ou na forma de texto discursivo.

    Quadro 5 - Critrios para quantificao das variveis de estudo Fonte: Adaptado de Schvirck (2014).

  • 49

    Portanto, como forma de coletar os dados, a pesquisa utilizou-se de

    indicadores quantitativos de evidenciao, os quais atribuem peso 0 para as

    empresas que no divulgam informaes sobre os artefatos de contabilidade

    gerencial e peso 1 para aquelas que divulgam.

    3.2.2.2 Mtrica utilizada para avaliao do disclosure voluntrio

    Para a anlise do contedo, faz-se necessrio definir as categorias e

    subcategorias, para que o texto possa ser agrupado e classificado (BARDIN, 1977).

    Desta forma, buscou-se elaborar uma mtrica para anlise do disclosure voluntrio

    das empresas, tambm chamada de categorias de anlise. A definio das

    categorias de anlise do estudo um fator relevante para o desenvolvimento da

    pesquisa, pois esta ser a base para atingir os objetivos (SCHVIRCK, 2014, p. 98).

    As categorias de anlise foram definidas com base no estudo realizado por

    Soutes (2006) e segue descrita no Quadro 6:

    Mtodos e sistemas de custeio

    1.1 Custeio por absoro

    1.2 Custeio Varivel

    1.3 Custeio Baseado em Atividades (ABC)

    1.4 Custeio Padro

    1.5 Custeio Meta (Target Costing)

    Mtodos de mensurao e avaliao e medidas de desempenho

    1.6 Preo de transferncia

    1.7 Moeda constante

    1.8 Valor presente

    1.9 Retorno sobre o Investimento

    1.10 Benchmarking

    1.11 EVA (Economic Value Added)

    Filosofias e modelos de gesto

    1.12 Oramento

    1.13 Simulao

    1.14 Descentralizao

    1.15 Kaizen

    1.16 Just in Time (JIT)

    1.17 Teoria das Restries

    1.18 Planejamento estratgico

    1.19 Gesto Baseada em Atividades (ABM)

    1.20 GECON

    1.21 Balanced Scorecard

    1.22 Gesto Beaseada em Valor (VBM)

    Quadro 6 Categorias de anlise utilizada para o estudo Fonte: Elaborado pela autora com base no estudo de Soutes (2006).

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    A mtrica definida para a presente pesquisa consiste na anlise em 3

    categorias, que representam as formas de utilizao da contabilidade gerencial e em

    22 subcategorias, que representam os artefatos de contabilidade gerencial.

    3.2.3 Procedimentos Utilizados para Anlise dos Dados

    Os dados obtidos foram analisados com auxlio da estatstica descritiva,

    utilizada para descrever e avaliar as informaes obtidas no estudo e por meio da

    anlise de correlao, que uma ferramenta estatstica utilizada para medir a fora

    de associao entre variveis numricas (LEVINE, 2000, p. 514).

    Para verificar se h algum padro de divulgao que possa ser atribudo a

    variveis corporativas, buscou-se realizar o levantamento das variveis: (i) Tamanho

    (Ativo total), (ii) Endividamento (Exigvel total / Ativo total) e (iii) Empresa auditada

    por Big Four (KPMG, PricewaterhouseCoo